fevereiro 29, 2008

Ministério da Saúde apoia eventos científicos

Foto: Rogelio Casado - Abraço simbólico no Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro, Manaus-AM, 18.05.2007
Usuários, familiares e técnicos em saúde mental do Amazonas apoiam a criação de serviços que substituam o hospital psiquiátrico
Ministério da Saúde lança 1ª Chamada Pública de Apoio a Eventos Científicos em Saúde - 2008

O Ministério da Saúde, por intermédio do Departamento de Ciência e Tecnologia (Decit) da Secretaria de Ciência e Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE), recebe, entre 28 de janeiro e 11 de março, inscrições para a 1ª Chamada Pública de Apoio a Eventos Científicos em Saúde - 2008. Será destinado um milhão de reais ao apoio de, no mínimo, 20 eventos de médio e grande porte, a serem realizados no período de abril a setembro de 2008. É indispensável que eles tenham relevância para o Sistema Único de Saúde (SUS) e consonância com Agenda Nacional de Prioridades de Pesquisa em Saúde.


Os itens de despesas elegíveis poderão incluir passagens aéreas e terrestres, nacionais e internacionais, e diárias para conferencistas e participantes com apresentação oral de trabalhos; material para divulgação do evento (programa, cartaz, folder, banner, anais, desenvolvimento e manutenção de websites, entre outros); e aluguel de instalações e de equipamentos. As propostas serão selecionadas por comissão julgadora convidada pelo Decit e os resultados divulgados no dia 20 de março no site do Ministério da Saúde (http:///).


Esta será a décima edição da chamada pública, que acontece a cada semestre e conta com a parceria da Organização Pan-americana da Saúde (Opas). O objetivo é incentivar a disseminação de novos conhecimentos e tecnologias que apresentem alto impacto nas soluções de saúde, além de proporcionar maior intercâmbio científico entre pesquisadores e gestores da área. Confira, a partir desta segunda-feira, 28 de janeiro, no site do Ministério, o edital completo, com informações sobre forma de inscrição e documentação exigida.


Serviço
1ª Chamada Pública de Apoio a Eventos Científicos em Saúde - 2008, que contempla eventos a serem realizados entre abril e setembro. Inscrições: de 28/01 a 11/03, no endereço http:/// . Valor do apoio: até R$ 50 mil por evento. Resultados: 20/03. Informações pelo telefone (61) 3315 3778 ou pelo e-mail http:/// (falar com Ivone ou Raquel).

fevereiro 28, 2008

Rádios comunitárias: os 10 anos de uma lei troncha

RÁDIOS COMUNITÁRIAS
Os 10 anos de uma lei troncha

Por Dioclécio Luz em 26/2/2008

No dia 28 de janeiro de 1998, a triste figura de Antonio Carlos Magalhães, absolutamente tranqüilo, presidia o Senado. O ex-coronelzão baiano, ex-governador biônico, ex-ministro das Comunicações no governo Sarney, ex-Arena, PFL convicto, às 19h33 aprovou o projeto que regulamenta o Serviço de Radiodifusão Comunitária. Por que ACM não bradou aos céus e aos infernos contra essa proposta? Porque era a lei que ele queria. Na forma da Lei 9.612/98, ela foi sancionada no dia 19 de fevereiro de 1998 pelo então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.

A lei começou a brotar no início de 1996 no Congresso Nacional, quando alguns parlamentares apresentaram projetos de lei, atendendo às queixas à repressão aos que atuavam com comunicação. Dizia a lógica: se não havendo lei há repressão, vamos fazer uma lei e acabar com isso. Mas em política a lógica é outra. E os militantes das rádios comunitárias tiveram que encarar um problema tão sério quanto a repressão: aqueles que faziam as leis no país.

Dava para confiar nos parlamentares para se construir uma boa proposta? Evidente que não. O Congresso Nacional era dominado por uma direita animadíssima, empolgadíssima, felicíssima com o novo presidente, um intelectual que sonhava grande para o mercado, Fernando Henrique Cardoso. Ele começava a pôr em prática os ensinamentos mais conservadores ditados pelo FMI, OMC etc. O Estado era destroçado, as empresas públicas se tornavam privadas, e para que ninguém aperreasse o mercado, criavam-se as tais agências reguladoras – instituições transgênicas, mantidas pelo erário público, para cuidar do mercado.

Igreja acima da lei

O impasse dos militantes da comunicação era este: continuar apanhando da Polícia Federal por não existir regulamentação; ou fazer uma lei ruim para a maioria da população. Valeu a segunda opção: decidiu-se brigar por uma lei, depois se cuidaria de consertá-la.

Na época, embora existisse uma onda na Europa e Estados Unidos, o conceito de rádio comunitária ainda era uma novidade no Brasil. Tanto que os muitos debates realizados tratavam de rádios "livres e comunitárias", misturando as coisas. Várias entidades entraram na luta pela aprovação do projeto, conforme seus interesses. Estava lá o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço), fundada em agosto daquele ano; Fórum Democracia na Comunicação (FDC), uma entidade que mantém o mesmo presidente há pelo menos 10 anos; Associação Paulista dos Proponentes de Emissoras de Radiodifusão local (Aperloc), Associação Paranaense de Radiodifusão Comunitária (Apercom), Associação de Rádios Comunitárias (Radiocom), Simprocom, Conselho Regional do ABC paulista, CNBB, parlamentares (a maioria, do PT).

A CNBB estava de olho no novo espaço. Ainda em 1996 (dia 24/10), muito espertamente, a Igreja Católica criou a Associação Nacional Católica das Rádios Comunitárias (Ancarc). Dois anos depois, com a lei aprovada, afastou-se dos mortais comuns e, discretamente, montou seu monopólio de "rádios comunitárias". Hoje, ela detém o poder sobre mais de 300 rádios comunitárias, devidamente legalizadas. De acordo com a lei, rádio comunitária não pode estar nas mãos dos padres, mas a Igreja Católica, como se sabe, sempre foi um poder acima das leis terrenas.

Inconstitucional, mas válida

O primeiro Projeto de Lei, nº 1.521/96, foi apresentado pelo deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP). Como outros, tratava da criação de rádio e TV comunitária. Mas televisão era demais. Numa audiência dos militantes das rádios com Sérgio Motta, ministro das Comunicações no governo FHC e um dos principais cérebros do projeto neoliberal, ele foi claro: "Rádio, tudo bem; televisão, nem pensar." Antes do final de 1996, outros sete projetos foram apresentados, juntando-se ao de Arnaldo Faria de Sá, incluindo a proposta do governo Fernando Henrique Cardoso, a mais medíocre e restritiva – estabelecia um alcance de 400 metros!

A intenção do governo FHC e seus aliados era de que a lei fosse a pior possível. Em 20/3/20006, a Abert (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão), por intermédio do seu presidente na época, Joaquim Mendonça, em reunião com um grupo de parlamentares, externou como queria a lei. Curiosamente, ela ficou como a Abert propôs.

O projeto foi aprovado na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados no dia 4/12/1996. Como o relatório final, apresentado pelo deputado Koyu Ira (PSDB-SP), já trazia uma proposta que não servia à maioria da população, não havia como torná-la pior. O deputado Arolde Oliveira (PFL-RJ), porém, evangélico e dono de emissoras, propôs emenda, limitando o alcance a 1 quilômetro. Felizmente, ela foi rejeitada. E o texto na Lei 9.612/98 manteve a potência – 25 watts – como limite. Ocorre que o Executivo não gostou e, no Decreto 2.615/98, publicado no Diário Oficial de 4/06/1998, tacou lá: o alcance é de 1 quilômetro! Isto é, o Executivo fez a lei! É inconstitucional, mas está valendo.

STF posiciona-se favorável

A lei, que completou 10 anos de idade no último 19 de fevereiro, nasceu troncha, portanto. Ela existe para inviabilizar as rádios comunitárias. Como assim? Impede a publicidade, impede a formação de redes, impede o atendimento à comunidade; estabelece um único canal para o município; não protege contra interferências de outros serviços; remete à legislação arcaica e repressiva (Lei 4.117/62). Através do Decreto e da Norma regulamentadora, o Executivo fez a legislação (modificada no governo Lula), se tornar pior do que já era. Ela burocratiza, faz exigências estranhas (por exemplo, os diretores devem morar num círculo com raio de 1 quilômetro), e define de forma confusa o que é "apoio cultural". Uma definição suficiente, porém, para que os eficientes agentes da Anatel multem aqueles que não obedecem à lei. Aliás, multar, com valores acima de R$ 2 mil (o que é trágico para uma comunidade pobre), foi mais uma das formas encontradas pelo governo Lula para impedir a operação das rádios, legalizadas ou não.

O presidente Lula já se apresentou como um aliado das rádios comunitárias. Depois que chegou ao poder, todavia, embora ainda se apresente como aliado, as medidas que tem adotado servem apenas para inviabilizar as rádios. Ele ampliou o quadro da Anatel, principal agente repressor; equipou a agência com instrumentos modernos de repressão à comunicação ilegal; e encaminhou ao Congresso proposta que se tornaria a Lei 10.871/04, regulamentando a carreira dos agentes. Tal lei, em vigor hoje, atribui o poder de polícia aos agentes da Anatel – isto é, eles podem fazer a apreensão de equipamentos sem necessidade de mandado judicial. É evidente que o ato é inconstitucional. Tanto que em 1998, o PT, PDT e PCdoB, entraram com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o Art. 19, Inciso XV, da Lei Geral de Telecomunicações (LGT), nº 9.472/97, porque dava o poder de apreender equipamentos pelos agentes da Anatel. O Supremo Tribunal Federal se posicionou favorável a ADIN, acatando a posição do PT.

Poder de polícia

Portanto, o que o PT antes tratava como inconstitucional, seis anos depois transformou em lei. A política tem dessas coisas: as pessoas mudam de idéia, os partidos mudam de idéia, os dirigentes mudam de idéia. O que não faz o poder e a ganância pelo poder?

Mas o arsenal de maldades contra as rádios comunitárias não se esgota numa legislação nascida num Congresso contrário a ela. No final de 2007, a Anatel botou no ar consulta pública para levar as rádios comunitárias para fora do dial! Se o espectro de radiodifusão vai de 88 a 108 MHz, a Anatel, atendendo naturalmente aos interesses das emissoras comerciais, quer as rádios operando nas freqüências 87,5 MHz, 87,7MHz ou 87,9 MHz. Todas, em todo Brasil. Ocorre que os aparelhos de rádio disponíveis no mercado não estão preparados para receber sinais nestas freqüências – estão preparados para receber na faixa de 88 a 108 MHz. Portanto, para ouvir rádio comunitária o brasileiro terá que ir a um centro espírita, onde se captam sinais anormais.

O fato é que a legislação brasileira para as rádios comunitárias atenta contra os direitos humanos. Ela envergonha o país. É uma lei criada para reprimir os direitos legítimos da maioria da população à comunicação, uma tentativa de impedir que tenha voz esse povo historicamente segregado dos bens nacionais. E para quem ousar desobedecer às suas determinações, o aparato repressor do governo Lula faz uso – hoje! – de dispositivo criado pela ditadura militar (Decreto 236/67 aplicado à Lei 4.117/62).

Quem pretende atuar em rádios comunitárias, tem duas opções perigosas: submeter-se a uma lei cruel, discricionária, restritiva, que praticamente inviabiliza a operação das rádios comunitárias; ou partir para desobediência civil e botar a rádio no ar sem autorização, sendo sujeito à ação policial (muitas vezes sem mandado judicial) ou dos agentes da Anatel, imbuídos desse poder de polícia atribuído por lei.

Fuzis e metralhadoras

Submeter-se à lei não é fácil. A burocracia é lerda, burra, complexa e, pior, submissa aos humores políticos. Deputados, prefeitos e vereadores mandam no Executivo, conforme provou estudo realizado pelo professor Venício A. de Lima e o consultor da Câmara Cristiano Lopes para o Instituto Projor, mantenedor deste Observatório [ver "Rádios comunitárias: coronelismo eletrônico de novo tipo (1999-2004)"]. Há algo de podre no reino da Dinamarca. E, pelo visto, vai continuar. Estudiosos fazem uma acusação séria como esta (distribuição de concessões para os amigos políticos) e nada acontece no governo.

Se a rádio consegue ser aprovada no Ministério das Comunicações, antes de ser encaminhada ao Congresso, é submetida a uma nova avaliação política na Casa Civil. Se não tiver apadrinhamentos políticos, o processo trava.

Por conta dessa política de censura à liberdade de expressão, expressa por uma legislação restritiva e uma repressão eficiente, em 2004 o governo Lula foi denunciado à Comissão de Direitos Humanos da OEA. Na ocasião, a representante do governo enviada aos Estados Unidos afirmou que o governo apresentaria uma nova proposta de legislação. Não cumpriu. Em novembro de 2004, o governo montou um Grupo de Trabalho Interministerial (GTI) para estudar o caso e apresentar propostas. Era o segundo GT no governo Lula para tratar do mesmo assunto. O relatório do GTI foi concluído em agosto do ano seguinte. É muito ruim e expressa a covardia deste governo. Ele faz um diagnóstico real da situação, mas as propostas apresentadas são medíocres, frouxas, covardes. Por isso, o governo nunca o considerou um documento público – não se fala dele no Planalto, de onde deveria ser deflagrado o processo de debate para encaminhamento das propostas.

Os dez anos da Lei 9.612/98 estão associados a um recorde de rádios não autorizadas fechadas pela Anatel e Polícia Federal em 2007 – 2 mil emissoras. Isso dá uma média de mais de 5 rádios por dia, incluindo sábados e domingos! É muita eficiência do sistema. O fechamento se dá, muitas vezes, com a ocupação da emissora por agentes da Polícia Federal armados de fuzis e metralhadoras, nem sempre com apresentação de mandado judicial.

Ameaça constante de fechamento

Pior que isso talvez seja a censura da grande mídia – essa que cobra para si a liberdade de expressão – quanto ao que está acontecendo. Maria da Conceição Oliveira teve uma ataque do coração e faleceu horas depois de uma ação policial sobre uma rádio não legalizada em Teresina, Piauí, em dia 30/8/2005. O assunto não foi matéria em nenhum jornal deste país! A denúncia chegou à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados e ao Ministério da Justiça e foi motivo de inquérito na PF e na Anatel... E a imprensa? Nada! A grande imprensa divulga que rádios comunitárias derrubam avião, atrapalham a polícia, servem para distribuir drogas. Compreende-se essa satanização das rádios comunitárias: afinal, elas constituem o melhor contraponto a essa imprensa tendenciosa e pasteurizada.

A grande imprensa não costuma apresentar as boas rádios, mas as picaretárias, aquelas que o movimento nacional das rádios comunitárias condena. São rádios de políticos, empresários, igrejas; rádios que imitam a programação comercial, emissoras que visam unicamente ao lucro, rádios que reproduzem unicamente os interesses da igreja católica ou evangélica. Estas não são comunitárias.

O fato é que a grande maioria das 3 mil emissoras autorizadas hoje não são rádios comunitárias. Portanto, o papel pregado na parede não garante que ela é comunitária. Esse papel, como prova estudo feito pelo professor Venício, foi obtido por métodos suspeitos junto ao Executivo. Isto já foi denunciado ao governo, mas ele é incapaz de mexer nessa sujeira. A Abraço já pediu uma revisão dos processos e a proposta não foi aceita. A verdade é que existem muitas rádios comunitárias de qualidade atuando sem a autorização oficial. Estas rádios dão aula de jornalismo, cidadania, solidariedade, democracia... Por isso mesmo vivem sob a ameaça constante de fechamento.

Boa notícia e esperança

Felizmente, o Judiciário, em várias instâncias, tem percebido a injustiça que se comete hoje – por tantos setores – contra quem faz rádio comunitária. São muitas as decisões pela devolução dos equipamentos da rádio apreendidos. Certamente, estes juízes conhecem um princípio alardeado por um antigo defensor da causa, o juiz federal aposentado Paulo Fernando Silveira, de Uberaba, Minas Gerais. Ele afirma que a função do Judiciário não é cumprir a lei, mas fazer justiça. É verdade. A maioria do povo brasileiro precisa mais de Justiça que de leis.

A Lei 9.612 faz aniversário e quem atua com rádio comunitária continua apanhando. Porque era esta a intenção dos que a fizeram. Bater nos que ousassem desobedecê-la.

Talvez só agora, em 2008, a lei possa ser reformada. A deputada Maria do Carmo Lara (PT-MG) está apresentando proposta neste sentido (ao relatar mais de uma dezena de projetos em tramitação) junto à Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara. Hoje tramitam no Congresso Nacional pelo menos 60 propostas de modificação da Lei 9.612/98. No ano passado, foi criada uma subcomissão na Comissão de Ciência e Tecnologia – presidida pela deputada Luiza Erundina (PSB-SP) e relatada pela deputada Maria do Carmo Lara – com o objetivo de avaliar as dificuldades existentes na legislação. Muitas dessas dificuldades foram criadas exatamente para garantir a manutenção do poder dos concessionários de rádio e televisão. As duas fizeram um grande trabalho e o relatório final, com uma série de propostas de mudanças na legislação existente, está disponível no site da Câmara.

O surgimento desta subcomissão e o bom trabalho desenvolvido por ela em 2007 colocam uma esperança no caminho de quem faz rádio comunitária. Foi a melhor notícia nos últimos dez anos. Quanto à Lei 9.612/98, enquanto ela existir o país continuará como nos idos de 1500. Para felicidade de uns poucos, e desespero da população brasileira.

Fonte: Observatório da Imprensa

UEA faz ponte entre indígenas de Tefé-AM e de Oaxaca-México

Indígenas de Tefé enviam vídeo-carta aos "parentes" do México

O Centro de Tefé e o Centro de Mídia Independente realizaram, neste sábado dia 23/02/2008, mais uma oficina de comunicação livre na reserva indígena da Barreira da Missão, como parte do Programa Mídia e Cidadania da Universidade Estadual do Amazonas (UEA). Desta vez foi gravada uma vídeo-carta a sere nviada aos indígenas mazatecos do estado de Oaxaca, México, como resposta ao áudio enviado por eles para a Assembléia da ACPIMSA(Associação Cultural dos Povos Indígenas do Médio Solimões e Afluentes), realizada na Barreira em novembro de 2007. Esta oficina contou também com a participação da doutoranda do NEPAM-Unicamp Cristiane Dias Andriotti, que ofereceu uma capacitação sobre legislação de rádio comunitária.

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Conheça quem são os indígenas mazatecos

El pueblo mazateco vive en las regiones de la Cañada y el valle de Papaloapan-Tuxtepec repartidos en 35 municipios, existiendo dos zonas llamadas la mazateca alta y la baja. La región mazateca se divide en cinco sub áreas dentro de tres regiones ecológicas, que comprenden la tierra caliente, la tierra templada y la tierra fría. Los mazatecos en su lengua se llaman a sí mismos " Ha shuta enima ", que se traduce como " los que trabajamos el monte, humildes, gente de costumbre ", pero también se dice que mazateco viene de la lengua Náhuatl y que quiere decir "gente del venado".

Su idioma está clasificado en el grupo Otomangue, tronco Savizaa, familia Mazateco-Popoloca. Se supone que los mazatecos son un pueblo milenario y en la mazateca baja se han encontrado restos de cerámica de procedencia Olmeca aproximadamente del año 500 a.C.
Los mazatecos son un pueblo con una alta sensibilidad desarrollada a través de miles de años. Su vinculación a la naturaleza, como todos los pueblos antiguos de México, es un prodigio de respeto e integración.

A diferencia de la cultura Occidental, donde el hombre está creado a imagen y semejanza de dios y tiene al mundo y a la naturaleza para dominarla, transformarla y explotarla; para el antiguo hombre anahuaca, fuera mazateco, purepecha o yaqui, tiene la misión de unir lo divino con lo terreno y guardar el equilibrio entre las diferentes fuerzas y entidades con las que comparte el mundo y la vida.

De esta manera el pueblo mazateco se caracteriza por la íntima relación que lleva no sólo con la naturaleza y en especial con las montañas, sino con las entidades que en ellas habitan.

En el pueblo mazateco se guardan celosamente, muchos de los conocimientos de la rica herencia de nuestros viejos abuelos en torno a las plantas y que se aplican a la medicina, en especial, el uso de los llamados hongos alucinógenos, que han sido a lo largo de miles de años en todos los pueblos del Anáhuac y del mundo entero, fuente de conocimiento de realidades negadas al campo de la razón y de la evidencia inmediata material.

En efecto, para los mazatecos la mayoría de las enfermedades son producidas por desequilibrios energéticos que sufre el espíritu humano, estas perturbaciones pueden ser originadas por sentimientos y pensamientos negativos o por entidades que habitan en la naturaleza, que afectan la energía espiritual y que desbordadas finalmente, llegan a materializarse en el cuerpo como una enfermedad.

Es entonces cuando las mujeres y los hombres de conocimiento, poseedores de esta sabiduría milenaria, dan de comer al enfermo los hongos provocando un estado alterado de conciencia, que permite al enfermo con ayuda del chaman detectar el origen del desequilibrio energético-espiritual y al tener conciencia restablecerlo con su voluntad.

El resultado es que curado el mal espiritual y restablecido el equilibrio energético, el enfermo sana en su cuerpo físico.

fevereiro 27, 2008

Trabalhadores imigrantes

Jornal Mudar de Vida

Dossiê Imigração

Ninguém é ilegal!

Imigrantes sem direitos só interessam aos patrões, que assim os exploram por baixo preço, pressionando o custo da mão-de-obra de todos os trabalhadores

José Mário Branco - Quarta-feira, 13 Fevereiro, 2008

As migrações humanas são resultado de necessidades básicas de alimento e abrigo, de fuga à miséria, à subvida, à guerra, às perseguições. Nunca haverá meios repressivos suficientes para deter estes grandes movimentos sociais. Como nos diz Timóteo Macedo, da Solidariedade Imigrante, as autoridades do Estado "insistem no problema das quotas, o que para nós é uma política completamente incorrecta. Porque nós sabemos que é impossível regular os fluxos migratórios.

"Quem precisa de emigrar decide em função do mercado do trabalho. Segundo a experiência de Timóteo Macedo, "as pessoas, sabendo que há trabalho, emigram. Não emigram com o espírito… aqui está-se bem, agora vou para outro país. Não tem nada a ver com isso. O trabalho é um factor decisivo para a pessoa que emigra."

O patronato quer imigrantes em condições precárias

Os imigrantes são uma oferta de braços que se vai equilibrando com a procura de mão-de-obra, como em qualquer mercado. Existe imigração – legal ou ilegal – porque os patrões precisam de mão-de-obra imigrante. É significativo que não se oiçam as organizações patronais falar mal da imigração. E, além de precisarem deles, precisam de os ter indocumentados e fragilizados, para os poderem ter a baixos preços e em condições de trabalho ilegais, precárias e degradadas. Para José Falcão, do SOS Racismo, "O imigrante serve para tudo: serve para estar aqui sem direitos e ser explorado. Muitas vezes, nos primeiros meses, nem se lhes paga salários, dá-se-lhes 20 euros, 50, para poderem continuar alimentados. Os escravos pelo menos eram alimentados; agora são eles que têm de pagar. Trabalham e quando finalmente conseguem contrato ficam abaixo do salário dos autóctones."

Um dos exemplos é o da agro-indústria de frutas e legumes da Andaluzia, que assim se tornou nos últimos anos a zona mais rica da Espanha: muitos milhares de trabalhadores (africanos e sul-americanos) escravizados, perseguidos e discriminados, a viverem em contentores e barracas ao lado das estufas onde trabalham, quase sem descanso, por poucos euros. O número dos expulsos ou rechaçados nas fronteiras é uma pequeníssima parte dos que entram; esses casos não impedem a imigração, apenas servem de "exemplo" para manter os imigrantes inseguros e assustados.

Unidade de todos os trabalhadores, imigrantes incluídos

Tem sido essa a verdadeira "política de imigração" dos governos portugueses. E o que os Estados e os patrões fazem com os imigrantes é apenas uma antevisão ou um laboratório do que querem vir a fazer com todos os trabalhadores. Mão-de-obra barata, insegura, dispersa e sem direitos.

Os trabalhadores portugueses têm uma longa e dura experiência de imigração noutros países. As políticas dos sucessivos governos têm levado milhões de portugueses a procurarem trabalho nos países mais ricos. Agora mesmo, é essa a experiência dos 80 mil portugueses que trabalham nas obras em Espanha, dos pescadores que vão para França, dos que vão fazer limpezas em Inglaterra ou na Alemanha. O desemprego português (e a consequente emigração) é uma chantagem do patronato sobre o preço da mão-de-obra em Portugal, uma arma dos patrões para baixar a cabeça e meter medo aos que ainda têm trabalho. Sempre foi assim; é um jogo de forças indispensável ao capitalismo. A única força dos trabalhadores é a sua unidade reivindicativa nas empresas, nos sectores económicos e na produção em geral.

Unidade que tem de ser estendida aos imigrantes, exigindo que todos tenham os mesmos direitos. A existência de imigrantes sem direitos, os limites policiais e administrativos à livre circulação dos trabalhadores entre os países, dos quais resultam a imigração ilegal e as máfias que a exploram, são maneiras de fragilizar a força de trabalho local, porque através dos imigrantes ilegais o patronato pressiona a baixa dos salários dos restantes trabalhadores. Para que isto não suceda há que exigir a legalização dos imigrantes e os seus plenos direitos laborais.

Duas ideias fundamentais

Primeira – Os fluxos migratórios definem-se, no essencial, em função do mercado do trabalho e são fenómenos sociais incontroláveis por via administrativa ou policial. A perseguição ou escravização dos imigrantes, além de criar uma rede de máfias que gerem esses fluxos conforme as necessidades do patronato, serve para assegurar às empresas uma mão-de-obra barata e sem direitos.

Segunda – O tratamento dado pelo Estado e pelos patrões aos imigrantes destina-se a precarizar os trabalhadores locais, fazendo-os aceitar perdas de direitos e baixos salários. O interesse dos trabalhadores portugueses é unirem-se aos trabalhadores imigrantes que os patrões sobre-exploram, exigindo que todos sejam cidadãos com direitos iguais.

fevereiro 26, 2008

Quando os fracos não têm vez

A dica é do cineasta amazonense Aurélio Michiles:

Leiam aí, então, do The Independent, Londres, de hoje, 26/2/2008:

Uma OUTRA leitura deste 'fundamentalismo' pirado que mina por dentro, hoje, a 'civilização' norte-americana que já impôs ao mundo a tragédia do Vietnã, tanto quanto hoje impõe ao mundo a tragédia do Iraque, da tragédia da Palestina, também no cinema, em "Sangue negro".

Acho que só o cinema - só o cinema! O grande cinema norte-americano - está fazendo, hoje, o serviço em nos fazer penetrar por dentro dos EUA - o belicismo e a morte que sempre andaram juntos:
ENTRETENIMENTO+$$$$+SANGUE+$$$$$+MORTE+$$$$+BANALIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA...
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Cormac McCarthy: American literature’s great outsider

Few writers have captured the grandeur and cruelty of the American frontier more vividly than Cormac McCarthy. As the film of his novel 'No Country for Old Men' sweeps the Oscars, Boyd Tonkin explores the psychological landscape that shaped his vision

Tuesday, 26 February 2008

Sorry, Douglas Adams. The answer is not 42. It is 117. But what was the question? In No Country for Old Men, Cormac McCarthy's soul-chilling killer Anton Chigurh pursues another deadly piece of business to a motel door that bears that number. In The Road, the prior apocalypse whose aftermath the book recounts has taken place at 1.17, precisely, on an unknown date.

McCarthyites – their number is legion, and will surely grow after the four Oscars collected on Sunday night by the Coen Brothers' version of No Country... – have scoured the books of the Bible for an appropriate text. Perhaps Revelation 1:17 holds the key? "And when I saw him, I fell at his feet as dead: and he laid his right hand upon me, saying unto me, 'Fear not, I am the first and the last'."

For acolytes, McCarthy has over the past decade become the alpha and omega of American fiction. When, last year, the New York Times Book Review polled 200 writers and critics to determine the 25 best American novels of the past quarter-century, McCarthy's gory historical landmark from 1985, Blood Meridian, came third (behind only Toni Morrison's Beloved and Don DeLillo's Underworld). The Border Trilogy that occupied McCarthy through the 1990s – All the Pretty Horses, The Crossing and Cities of the Plain – also made the cut.

As he mines metaphysical drama from actions and characters as stark and menacing as the bleached skeleton of a lost steer in the Tex-Mex border badlands, where his plots unfold, McCarthy is running ahead of the rest of the literary posse. Why him, and why now? Why should this taciturn semi-recluse who insists that his blood-washed books have to explain themselves be routinely acclaimed as the greatest American novelist since William Faulkner, his spiritual – if not stylistic – ancestor?

That is a question almost more intriguing than to ask how Javier Bardem – the Coens' inspired Chigurh – put up for so long with the haircut from hell. A tentative answer might involve some revelations – and not always welcome news – about the state of the American soul.

As so often with the authors who magnetise the spirit of an age, biography will tell you everything – and nothing. Born in Rhode Island in 1933, as Charles McCarthy, he moved south as a child when his lawyer father worked for the Tennessee Valley Authority – one of the hopeful New Deal grand designs to rescue the dirt-poor region. After university in Tennessee, this famous interview refusenik served in the air force in Alaska and – of all things – hosted a radio show.

As an aspiring writer in the 1960s and 1970s, he eked out a living in Tennessee and Europe, living in Ibiza for a while. His debut novel, The Orchard Keeper, appeared in 1965. Albert Erskine, the editor at Random House of that and several later books, had also edited Faulkner.

Still very far from fame, McCarthy moved through and past two marriages and, notoriously, plumbed the depths of authorial poverty – though in a barn in Tennessee, not an urban garret. The story of how the struggling visionary ran out of toothpaste and was saved by the arrival of a free sample in the mail has entered the apocrypha of Saint Cormac.

His first major novel, Suttree, appeared in 1979. It remains, with its fisherman drop-out quitting the city to learn nature's wisdom, the closest thing to an autobiographical novel we have. A "genius grant" from the MacArthur Foundation in 1981 then bought the time and space that yielded Blood Meridian, a remorselessly violent tale of the Glanton gang in the late 1840s and their equally savage nemesis, Judge Holden.

As its reputation swelled, the novel – with its singular blend of biblically rhythmical prose, stomach-twisting cruelties and doomy philosophical resonance – secured McCarthy his seat at the top table of American letters. But, in general, he prefers not to show up. A Time magazine "dialogue" with the Coen Brothers recently showed the sage at his riddling, laconic best, or worst, choosing to sound more like Forrest Gump than Faulkner's rightful heir. Here's Cormac on cinema: "There are a lot of good American movies, you know. I'm not that big a fan of exotic foreign films."

This gnomic persona – broken, at last, for an illuminating interview with David Kushner in Rolling Stone last December – did its job for the McCarthy cult. His novels, so rich and yet so reticent, became sites of mystery and invitations to a decoding. What he found in the conventions of the western was a wide open space ready for a creative pioneer to plant his flag.

The author's self-appointed cryptographers were soon on his case. Frequently, they found Gnostic theology behind the slayings and showdowns that fill the Rio Grande with corpses in his work – with its bleak vision of a mortal realm governed, not by the goodness of God, but the forces of a Chigurh-like evil that stalks its way unvanquished through the world.

Yet McCarthy's take on religion remains as enigmatic as the rest of his beliefs. The rhythms of the Bible may pulse through his style, but his thinking seems to follow a different drum. You may read him as a satirist of cocksure faith as much as the literary prophet who speaks from, and to, the end-time imagination of born-again America. Writing about The Road in The Independent, the novelist Clive Sinclair shrewdly noted that its blasted scenery delivers an awful warning to "Coke-swilling horsemen of the apocalypse": "Follow me, invites McCarthy, and see just what that rapture will be like."

If Chigurh in No Country... can be viewed as some kind of angel of death, or devil incarnate, then the forces of law embodied in frail Sheriff Bell have no answer to his power. McCarthy's philosophical pessimism can feel less like an offshoot of the Christian right than an outpost of neo-paganism – the work of some Schopenhauer or Nietzsche of the Badlands. He can conjure up apocalypse without suggesting much prospect of redemption. "What do you say to a man that by his own admission has no soul?" asks Bell as looks back on the teenage psychopath he sent to the gas chamber at Huntsville, and forward to the fiercer winds of breakdown and disorder embodied in Chigurh. "But he wasn't nothin' compared to what was comin' down the pike."

Comin' down the pike is, reliably, something even worse. Here, the theological overtones of McCarthy's prose fuse with his long-standing engagement with science. Sitting in old Europe, it sounds as if that ought to be some kind of contradiction; in McCarthy's world, it isn't. That makes him a very American idol. His choice of sides in the "two cultures" is illustrated by what this former student of engineering and physics told David Kushner about the awards dinner at the MacArthur Foundation in 1981. "The artsy crowd was all dressed and drugged and ready to party. I just started hanging out with scientists because they were more interesting."

McCarthy has made a close connection with the Santa Fe Institute in New Mexico: an inter-disciplinary scientific think-tank co-founded by the revolutionary particle physicist, Murray Gell-Mann, in 1984. Reputedly, he even moved house to be closer to the place. A base camp for border-crossing mavericks, Santa Fe also became a home away from home for the novelist who tests humans, and their ethical principles, to destruction and beyond. Santa Fe concerns itself with complex systems, why they work – and why they don't. You might argue that the mechanics of destruction exposed in McCarthy's work draws attention, by bloody contrast, to the everyday miracle of human co-operation and community. Even the closing-time darkness of The Road was lit by the lightning of the survivor's love for his small son. Not coincidentally, McCarthy became a father again at the end of the millennium. The baby's mother, Jennifer Winkley, married him in 2006.

For him, science still guards the flame of creation that literature has lost. "Part of what you respect is their rigour," he says of the scientists he admires. "When you say something, it needs to be right. You can't just speculate idly about things."

A novelist who can spend weeks riding the lexical range in search of the mot juste may well enjoy the company of such spirits. Yet what they think and say has shaped his work as well. McCarthy seems to have imbibed a scientific pessimism currently expressed in, but by no means confined to, worries about climate change and environmental entropy.

At Sante Fe, the subjects that snagged in McCarthy's imagination include the logistics of mass extinction, best known through study of the meteorite strike that ended the reign of the dinosaurs 65 million years ago. Traces of this fascination crop up in The Road, but the rest of his oeuvre hints heavily that feral human beings can easily reach their own apocalyptic crisis, without any help from outside. "We're going to do ourselves in first," he said to Kushner when asked about the threat of climate change.

Yes, Cormac McCarthy can sound as much like Eeyore as the Prophet Jeremiah. This doomsday voice can, in his fiction, teeter on the edge of absurdity. Part of the Coen Brothers' genius was to spot this comic potential and re-program it into a signal virtue, thanks to Bardem's exquisite deadpan timing. Sceptics point to features of McCarthy's work that might disable a dutiful social realist, but will hardly bother a writer so doggedly steeped in archetype and myth: the spectral presence of the encroaching Mexicans who forever threaten to wipe out lines in the Anglo sand, or the vanishingly small part that women tend to play. No doubt the cetacean community had grave doubts about the representation of whales in one of McCarthy's touchstones, Moby-Dick. As McCarthy so ferociously undermines the self-image of a dominant civilisation from within, he hardly needs external points of reference.

Interpretations of his work will spawn like salmon in the stream. And, for the most part, McCarthy will sit tight, look after his son and read more hard science. It seems plausible to state that, whatever its other qualities, his work poses as tough a challenge to the American ideology of optimism, and "the pursuit of happiness", as any major writer in the national canon. Taking its mood and its words from the Old Testament, that frontiersman's dread has long haunted American culture, a gloomy ghost at the feast. Social trauma, and environmental risk, have given it another lease of life. This might pose a problem for any public thinker – let alone a presidential candidate – who cheerily sets up a stall sign posted "Change". If I were Barack Obama, I would pay a visit to Santa Fe soon.

The best of Cormac McCarthy
Selected by his UK editor, Andrew Kidd

From 'The Road'

In the evening they tramped out across a field trying to find a place where their fire would not be seen. Dragging the cart behind them over the ground. So little of promise in that country. Tomorrow they would find something to eat. Night overtook them on a muddy road. They crossed into a field and plodded on toward a distant stand of trees skylighted stark and black against the last of the v isible world. By the time they got there it was dark of night. He held the boy's hand and kicked up limbs and brush and got a fire going. The wood was damp but he shaved the dead bark off with his knife and he stacked brush and sticks all about to dry in the heat. Then he spread the sheet of plastic on the ground and got the coats and blankets from the cart and he took off their damp and muddy shoes and they sat there in silence with their hands out-held to the flames. He tried to think of something to say but he could not. He'd had this feeling before, beyond the numbness and the dull despair. The world shrinking down about a raw core of parsible entities. The names of things slowly following those things into oblivion. Colors. The names of birds. Things to eat. Finally the names of things one believed to be true. More fragile than he would have thought. How much was gone already? The sacred idiom shorn of its reference and so of its reality. Drawing down like something trying to preserve heat. In time to wink out forever.

From 'Blood Meridian'

In two days they began to come upon bones and cast-off apparel. They saw halfburied skeletons of mules with the bones so white and polished they seemed incandescent even in that blazing heat and they saw panniers and packsaddles and the bones of men and they saw a mule entire, the dried and blackened carcass hard as iron. They rode on. The white moon saw them through the waste like a ghost army, so pale they were with dust, like shades of figures erased upon a board. The wolves loped paler yet and grouped and skittered and lifted their lean snouts on the air. At night the horses were fed by hand from sacks of meal and watered from buckets. There was no more sickness. The survivors lay quietly in that cratered void and watched the whitehot stars go rifling down the dark. Or slept with their alien hearts beating in the sand like pilgrims exhausted upon the face of the planet Anareta, clutched to a namelessness wheeling in the night. They moved on and the iron of the wagon-tires grew polished bright as chrome in the pumice. To the south the blue cordilleras stood footed in their paler image on the sand like reflections in a lake and there were no wolves now.

They took to riding by night, silent jornadas save for the trundling of the wagons and the wheeze of the animals. Under the moonlight a strange party of elders with white dust thick on their moustaches and their eyebrows. They moved on and the stars jostled and arced across the firmament and died beyond the inkblack mountains. They came to know the nightskies well.

From 'No Country For Old Men'

He straightened out his leg and reached into his pocket and drew out a few coins and took one and held it up. He turned it. For her to see the justice of it. He held it between his thumb and forefinger and weighed it and then flipped it spinning in the air and caught it and slapped it down on his wrist. Call it, he said.

She looked at him, at his outheld wrist. What? She said.

Call it.

I wont do it.

Yes you will. Call it.

God would not want me to do that.

Of course he would. You should try to save yourself. Call it. This is your last chance.

Heads, she said.

He lifted his hand away. The coin was tails.

I'm sorry.

She didnt answer.

Maybe it's for the best.

She looked away. You make it like it was the coin. But you're the one.

It could have gone either way.

The coin didnt have no say. It was just you.

Perhaps. But look at it my way. I got here the same way the coin did.

She sat sobbing softly. She didnt answer.

For things at a common destination there is a common path. Not always easy to see. But there.

Everything I ever thought has turned out different, she said. There aint the least part of my life I could of guessed. Not this, not none of it.

I know.

You wouldnt of let me off noway.

I had no say in the matter. Every moment in your life is a turning and every one a choosing. Somewhere you made a choice. All followed to this. The accounting is scrupulous. The shape is drawn. No line can be erased. I had no belief in your ability to move a coin to your bidding. How could you? A person's path through the world seldom changes and even more seldom will it change abruptly. And the shape of your path was visible from the beginning.

She sat sobbing. She shook her head.

Yet even though I could have told you how all of this would end I thought it not too much to ask that you have a final glimpse of hope in the world to lift your heart before the shroud drops, the darkness. Do you see?

Oh God, she said. Oh God.

I'm sorry.

She looked at him a final time. You dont have to, she said. You dont. You dont.

He shook his head. You're asking that I make myself vulnerable and that I can never do. I have only one way to live. It doesnt allow for special cases. A coin toss perhaps. In this case to small purpose. Most people don't believe that there can be such a person. You can see what a problem that must be for them. How to prevail over that which you refuse to acknowledge the existence of. Do you understand? When I came into your life your life was over. It had a beginning, a middle, and an end. This is the end. You can say that things could have turned out differently. That they could have been some other way. But what does that mean? They are not some other way. They are this way. You're asking that I second say the world. Do you see?

Yes, she said, sobbing. I do. I truly do.

Good, he said. That's good. Then he shot her. ___________________________________________________________________

Solidariedade internacional: liberdade aos presos políticos zapatistas

Indígenas de Oaxaca y Puebla empiezan caravana de apoyo a pueblos zapatistas
Autor(a): Hermann Bellinghausen

Es un intercambio de solidaridades; ellos también viven en comunidades amenazadas
Sólo unificando nuestras luchas detendremos las hostilidades del gobierno, dice un mixe
San Cristóbal de las Casas, Chis., 22 de febrero.

Cerca de medio centenar de triquis, mixes y mixtecos de Oaxaca, así como nahuas de Puebla, que integran la Caravana Indígena de Solidaridad con los Pueblos Zapatistas, empezaron hoy un recorrido por los cinco caracoles y diversas comunidades autónomas actualmente hostigadas y amenazadas con desalojo y violencia. “Venimos a mostrarles nuestro apoyo ante los despojos de sus tierras y ataques a sus pueblos por el gobierno, el Ejército federal y los grupos paramilitares”, expresó una representante mixteca esta mañana, cuando el grupo se repartió en las cinco direcciones del territorio rebelde.

Se trata, más bien, de un intercambio de solidaridades, pues las autoridades comunales y ejidales que conforman la caravana proceden de lugares tan amenazados como los pueblos zapatistas; tal es el caso de San Pedro Yosotatu, en la Mixteca oaxaqueña, o San Juan Copala, el asediado municipio autónomo de la región triqui.

De la sierra norte de Puebla participan en la caravana nueve representantes nahuas de Tzinacapan y Zautla, así como colectivos, miembros de radios comunitarias, cooperativas de mujeres y preparatorias comunitarias indígenas. Los de Radio Ayuuk (de la Mixe Baja), por ejemplo, se encaminaron a Oventic, donde encontrarán que nada más en los altos de Chiapas ya hay tres radiodifusoras rebeldes: dos operadas por las comunidades autónomas tzotziles y una, Radio Insurgente, por el EZLN.

Un miembro de la radio mixe expresó: “la intención es difundir en nuestras comunidades lo que sucede aquí, y plantear acciones en respaldo de las juntas de buen gobierno (JBG) zapatistas, y unificarlas con las luchas de Oaxaca. Sólo así podremos detener las hostilidades contra todos nosotros. Por eso demandamos que la Procuraduría Agraria deje de ser el instrumento de división y desalojo del gobierno”.

Un representante de San Pedro Yosotatu, donde desde diciembre pasado han sido asesinados dos comuneros por los impunes gatilleros priístas, afirmó: “la realidad que vivimos los distintos pueblos indígenas es la misma, por eso debemos defendernos todos juntos”.

El grupo anunció que el próximo lunes ofrecerá una conferencia de prensa en esta ciudad. Acompañan la caravana las organizaciones civiles Cactus (Oaxaca), Tacachihuallis y Centro de Estudios Superiores de Desarrollo Rural (Puebla). Todos son adherentes de la Sexta declaración de la selva Lacandona.

En relación con los presuntos hechos ocurridos este jueves en la comunidad zapatista Bolom Ajaw, la JBG de Morelia informó por vía telefónica que sigue realizando investigaciones en la región de Agua Azul para emitir su versión, ante la que el gobierno estatal difundió hoy en inserción pagada, fechada en Chilón. Según el boletín oficial, bases de apoyo zapatistas “comandadas por cinco extranjeros” habrían retenido a “un periodista y policías estatales en Agua Azul”.

La gacetilla añade que “20 encapuchados detuvieron al comunicador y a los policías” durante un “recorrido de rutina”. Cabe preguntarse qué clase de “rutina” es la incursión de dos patrullas tripuladas por agentes y un reportero (no identificado) con cámara fotográfica, en una de las comunidades indígenas más agredidas y amenazadas de Chiapas, en ese foco cada día más rojo que es la codiciada región de Agua Azul. Allí, el gobierno federal y los inversionistas privados planean un inmenso proyecto turístico que el gobierno estatal ha descrito con entusiasmo como el “futuro Cancún de Chiapas”.

http://www.jornada.unam.mx/2008/02/23/index.php?section=politica&article=014n1pol

Compañerxs en Australia manifiestan en Solidaridad con Comunidades Zapatistas
Autor(a): MASN

Dos organizaciones basadas en la ciudad de Melbourne, del sureste del continente Australiano manifestaron en apoyo del EZLN el día 16 de febrero, parte de la Jornada Internacional de Solidaridad con Comunidades Zapatistas. Integrantes de la Red de solidaridad México-Australia (MASN) y de la Red de Solidaridad con los pueblos latinoamericanos (LASNET) salieron a las calles en un acto de difusión sobre la situación indignante que actualmente están enfrentando nuestrxs compañeros en Chiapas.

A la 1 de la tarde del día 16 de este mes juntaron varios compañeros en la Plaza de la Federacion donde se realizaba la Festival de Sostenibilidad 2008. El acto buscó informar al publico y denunciar las agresiones contra las Bases de Apoyo Zapatistas.

Les informamos que en el mes de marzo de este año la Red de Solidaridad México-Australia, en las ciudades de Sydney y Melbourne, invitará a lxs compañerxs a participar en mas jornadas informativas y de discusión sobre la situación en Chiapas con la intención de recaudar fondos para apoyar y difundir sobre la situación preocupante en que permanecen nuestrxs compañerxs.

¡Desde Australia gritamos un mensaje claro al Estado Mexicano que se retire todas las bases militares de Chiapas y de todos los pueblos mexicanos, que pare su campaña de genocidio y terror contra las comunidades indígenas, las organizaciones sociales y anticapitalistas y que libere todos los y las presas políticos!

¡Al Estado Australiano demandamos lo mismo por nuestras comunidades, para las naciones aborígenes que actualmente viven una ocupación militar y de burócratas del mal gobierno en sus comunidades en el territorio norte y para los pueblos del Pacifico donde también lucha contra la política imperialista-capitalista del Estado Australiano!

¡Exigimos que el gobierno australiano corte toda relación con el Estado Mexicano represor!¡¡

Compañeros y compañeras zapatistas y de la Otra Campaña NO ESTAN SOLOS!!

http://www.masn.org.auyhttp//latinlasnet.org/

Manifestaciones y Acciones en la Jornada Internacional de Solidaridad con Comunidades Zapatistas,
15 y 16 de febrero
Jueves 21 de Febrero 2008 / Thursday February 21, 2008

En el contexto de la generalización de agresiones policiacas, militares y paramilitares contra comunidades zapatistas, diversas organizaciones y grupos en diversos países del mundo realizaron manifestaciones y acciones solidarias con las comunidades zapatistas el 15 y 16 de febrero pasados. Al cumplirse 12 años de la firma de los acuerdos de San Andrés, incumplidos por el gobierno mexicano y cuyo ejercicio desde las comunidades zapatistas se ha convertido en los Caracoles y las Juntas de Buen Gobierno zapatistas.

Acciones de solidaridad en Alemania: Frankfurt Bremen Münster

* Grecia: Los zapatistas no están solos
* Académicos de América Latina piden parar ofensiva contra zapatistas
* Jornada internacional de solidaridad con Chiapas en Argentina
* Movilización mundial de apoyo al EZLN, a 12 años de los acuerdos de San Andrés
* accion en el cafe de la selva acoxpa cd de mexico
* Montevideo, Uruguay: Lanzamos al viento nuestros ritmos solidarios que cantan, una y otra vez ¡NO ESTAN SOLOS!
* Bilbao, Euskal Herria en defensa de los derechos indigenas
* Más reportes

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La JBG del Caracol IV denuncia. Dispararan y golpean a dos compañeras. Bolón Ajaw

Autor(a): La JBG del Caracol IV

La JBG del Caracol IV denuncia que elementos de seguridad pública entraron al poblado de Bolón Ajaw, dispararon sus armas y golpearon a dos compañeras.

La JBG del Caracol IV denuncia que elementos de seguridad pública entraron al poblado de Bolón Ajaw, dispararon sus armas y golpearon a dos compañeras

Corazón céntrico del arco iris de la esperanza
Caracol IV Torbellino de nuestras palabras
23 de febrero de 2008

A la opinión pública
A los medios de comunicación Nacional e internacional
A los medios de comunicación alternativos nacionales e internacionales
A las organizaciones no gubernamentales de Derechos Humanos
A l@s compañer@s adherentes de la otra campaña de nuestro país México y del mundo

Hermanas
Hermanos

La Junta de Buen Gobierno “Corazón céntrico del arco iris de la esperanza” hacemos esta siguiente denuncia de los hechos ocurridos el 21 de febrero de 2008 en el poblado Bolón Ajaw.

El día jueves 21 de febrero de 2008, a las 4 de la tarde, 2 compañeras bases de apoyo habitantes del poblado Bolón Ajaw se fueron a bañar en el río, antes de llegar en el balneario vieron a 300 metros llegar 5 elementos de la seguridad pública del estado, acompañado con un reportero civil con una cámara de video.

Al ver a esos 5 elementos de la seguridad pública, corrieron para avisarles a los demás compañeros. Mientras avisaban, uno de ellos usaron su pistola, disparando tres tiros de 9 milímetro al aire y siguieron avanzando hasta llegar a los 50 metros del poblado. Uno de los tres casquillos de balas percutidos está en nuestras manos.

Recibiendo el mensaje a las compañeras y compañeros que estaban en casa, rápidamente se juntaron para defender sus poblados.Los de la seguridad pública se movieron rápido rumbo al río, flanqueando a lado izquierdo del poblado con la intención de cercarnos.

Las compañeras y los compañeros también se movieron llevando consigo palos no para matarlos ni para golpearlos, simplemente usamos para presionar que nos dejen vivir tranquilos. Nosotros no usamos armas para dispararles, nosotros sabemos que también son humanos, tienen familia y nunca hacemos como hacen ellos que disparan balas sin tenernos respeto como humanos.

Estos elementos de la seguridad pública, al percatarse que los habitantes del poblado ya se estaban moviendo, tomaron la retirada rumbo al río hacia arriba, dirigiéndose al poblado Agua Azul, dejando dos compañeras muy golpeadas por culata de sus armas. Una compañera quedó golpeada en el pecho del lado derecho y la otra compañera quedó golpeada en el hombro del lado izquierdo.

Las compañeras y los compañeros del poblado sabían desde el 30 de enero de 2008 el plan gubernamental de ordenar entrar la seguridad pública en el poblado, habían anticipado con amenazas que entrarían en el poblado el 20 de febrero de 2008 para desalojarlos; las compañeras y compañeros estuvieron pendientes ese día.

Los habitantes del poblado, ellos estaban tranquilamente viviendo en sus chozas, haciendo sus vidas con sus trabajos en el campo, cuando estas personas llegaron a interrumpir la tranquilidad en el poblado.

Los habitantes del poblado no están acostumbradas que hagan presencia de policías en sus poblados, porque ellos no son delincuentes de alta peligrosidad, porque lo que buscan y hacen en sus poblados es la vida tranquila sembrando y cosechando maíz y frijol.

ATENTAMENTE

La Junta de Buen Gobierno

http://enlacezapatista.ezln.org.mx/denuncias/889

"Todos os caminhos são os mesmos: não conduzem a lugar algum.Posso dizer que já passei por caminhos compridos, compridos, mas não estou em lugar algum. A pergunta é: Esse Caminho tem coração? Se tiver é bom, se não, é nada.Não presta. Ambos os caminhos não conduzem a parte alguma; mas um tem coração e o outro não. Para mim só existe percorrer os caminhos do que tenha coração, qualquer caminho que tenha coração.Por ali eu viajo, e o único desafio que vale a pena é percorrer toda a sua extensão. E por ali´viajo, olhando, olhando, arquejante."

Dom Juan-Erva do Diabo-CarlosCastañeda

"Conheça o Open Garbage do mundo bizarro Ogro Lunar em:
http://grogvilleomundogrolunar.blogspot.com/
Ao Som de Toto la Momposina
http://br.youtube.com/watch?v=wXqsOzBMGqs
Richard Hell "Don't Die"
http://br.youtube.com/watch?v=h3YSWGWZotw
Yeah Yeah Yeahs - Richhttp:
http://br.youtube.com/watch?v=_USQSu3R00A

fevereiro 25, 2008

FELCO BH: inscrições abertas

Atenção! Atenção!

De 2 a 6 de abril de 2008 acontece em Belo Horizonte a 3º edição do FELCO- Festival Latino Americano da Classe Obrera. Neste ano o festivalapresentará a Mostra Especial BH Retrospectiva Brasil. Convocamos aosrealizadores brasileiros, de todas as regiões, que enviem suas obras oquanto antes para que elas façam parte da programação a ser exibida noCine Humberto Mauro - Palácio das Artes.

Abrasco avisa: vem aí a EPI 2008

Porto Alegre - RS
Prezado leitor do ABRASCO Divulga,

O prazo para envio de resumos para o XVIII Congresso Mundial de Epidemiologia e VII Congresso Brasileiro de Epidemiologia termina na próxima quinta-feira, dia 28 de fevereiro de 2008!

Não perca a oportunidade de participar do maior encontro nacional e internacional da área de Epidemiologia. Envie seus trabalhos e inscreva-se no evento que acontecerá, de 20 a 24 de setembro de 2008, em Porto Alegre/RS.

Mais informações e novidades podem ser encontradas no site www.epi2008.com

Atenciosamente,
Comissão Organizadora

Fraternidade e Defesa da Vida

Campanha da Fraternidade
ESTADO DO AMAZONAS
CÂMARA MUNICIPAL DE MANAUS
GABINETE DO VEREADOR JOSÉ RICARDO

Câmara discute Campanha da Fraternidade

A Campanha da Fraternidade de 2008, que tem como tema "Fraternidade e Defesa da Vida" e o lema "Escolhe, pois, a vida" foi debatida em audiência pública realizada na manhã de hoje, 22, pela comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de Manaus. A audiência, que foi presidida pelo vereador José Ricardo (PT), foi requerida pelo vereador Elias Emanuel (PSB) e contou com a presença do coordenador de Pastoral da Arquidiocese de Manaus, padre Alcimar Araújo, além de representantes das secretarias municipais de Direitos Humanos e Assistência Social, Fundação Doutor Thomas e lideranças comunitárias.

De acordo com padre Alcimar, a Campanha deste ano quer defender e promover a vida humana desde sua concepção até a morte natural. "Não podemos anunciar Jesus Cristo sem defender a vida humana, por isso todos somos chamados à conversão, pois a vida é um dom de Deus", declarou. Entre as bandeiras da CF destacam-se as lutas contra o aborto e a eutanásia, principais agressões contra a vida humana. "A Câmara Municipal é o espaço adequado para discutirmos a campanha da fraternidade, pois como representantes da cidade os parlamentares podem ampliar esse debate e olhar a necessidade dos mais necessitados, ajudando na construção de uma cidade mais humana e mais acolhedora", destacou.

Para o presidente da comissão, vereador José Ricardo, é importante trazer para a Comissão esse debate tão importante em relação à defesa da vida. "Trabalhamos com projetos e idéias para melhorar a vida do povo, então é importante ouvirmos a igreja católica e as entidades que apóiam essa campanha em defesa da vida e esperamos ampliar a discussão em outros espaços da Casa", afirmou.

"Este ano a igreja do Brasil responde ao apelo do papa Bento XVI na luta contra o aborto e nós devemos ampliar essa discussão para toda sociedade", declarou o vereador Elias Emanuel. O parlamentar lançou como desafio que a igreja leve a discussão para dentro das salas de aula.

Governo peruano responde greve agrária com militarização e criminalização

Governo peruano responde greve agrária com militarização e criminalização

20-Fev-2008

Até o momento há ao menos quatro vítimas fatais.

A greve nacional agrária convocada pelas organizações camponesas, agrárias e indígenas do Peru e iniciada ontem, 18 de fevereiro, é um êxito em todo o país. O protesto organizado se fez sentir em todas as regiões. O governo, em vez de abrir diálogo, respondeu com repressão indiscriminada, declaração de estado de emergência em oito províncias do norte e ordem de intervenção do Exército. O saldo, até o momento, é de ao menos quatro mortos.

Mesmo assim, esse mesmo governo difunde mensagens de democracia e melhor participação, enquanto implementa leis para favorecer as empresas transnacionais, a privatização das águas, a concessão da Amazônia e as zonas arqueológicas, assim como o leilão de terras para favorecer os investidores estrangeiros. E aqueles que fazem valer seus direitos são reprimidos e processados.

Esse agir repressivo está ligado ao acelerado processo de criminalização das demandas sociais, no qual uma de suas expressões foi a declaração de onze decretos legislativos que aumentam as penas por bloqueios de estradas e outras ações justas de protesto, e por cuja declaração de inconstitucionalidade se uniram os movimentos sociais em uma campanha nacional de coleta de assinaturas que serão apresentadas ao Tribunal Constitucional.

Esta criminalização, ainda assim, não se inicia com tais decretos legislativos, pois até a presente data existem mais de 700 líderes comunitários e indígenas processados judicialmente sob graves acusações, incluindo a de terrorismo, apenas por defenderem interesses de suas comunidades contra os efeitos destrutivos da mineração. A isso se agrega a perseguição, intimidação e ameaças permanentes a seus dirigentes.

A Coordenadoria Andina de Organizações Indígenas (CAOI) expressa seu firme respaldo à Greve Nacional Agrária e sua plataforma auxiliar; rechaça a repressão indiscriminada, exigindo sanções aos responsáveis pelas mortes, o início imediato do diálogo, o fim do Estado de Emergência e um cessar definitivo da criminalização dos protestos sociais, especialmente indígenas e camponeses.

Lima, 19 de janeiro de 2008.

Plataforma da greve nacional agrária
1 – Definição de uma política agrária e proteção das terras agrícolas peruanas frente ao Tratado de Livre Comércio (TLC).

2 – Pela vigência da atual Lei das Águas, nº. 17752, e não a pretendida Lei das Águas do Poder Executivo.
3 – Saneamento das dívidas agrárias. Exigimos ao governo um Decreto de Urgência para suspender o leilão de terras pelas entidades financeiras e outras.
4 – Plena vigência dos direitos das comunidades camponesas e comunidades amazônicas. Rechaçamos o Projeto de Lei nº. 1770/2007-PE e todos os projetos do Poder Executivo contrários ao interesse das comunidades; ‘não’ ao leilão público das terras da costa, serra e selva.
5 – Implementação e funcionamento imediato do Banco Agropecuário.
6 – Preparação urgente do adubo das ilhas para uma agricultura sustentável.
7 – Declarar em emergência a terra dos vales afetados pelo terremoto de 15 de agosto de 2007.
8 – Implantação imediata do Plano Nacional para o Desenvolvimento do Gado, preço justo do leite fresco.
9 – Fim da depredação dos recursos naturais em nossa Amazônia, mediante concessões sem consultas à população amazônica em favor das empresas transnacionais, petroleiras, florestais e mineiras.
10 – Por um preço justo do algodão peruano, o leite, maíz e outros.
11 – Não criminalização do protesto social e não à perseguição política dos líderes agrários pela defesa dos direitos dos povos.
12 – Excluir a sagrada folha de coca da lista de entorpecentes. Cumprimento dos compromissos e acordos firmados entre o Estado e os produtores.

Coordenadoria Andina de Organizações Indígenas – CAOI
Equador, Bolívia, Peru, Colômbia, Argentina, Chile
Miguel Palacin Quispe – Coordenador Geral CAOI


Fonte: Correio da Cidadania

fevereiro 24, 2008

Flamengo: campeão da taça Guanabara 2008


Flamengo 2 x Botafogo 1

Cadernos CEAS: ação política-educativa para setores populares

Hidrelétrica de Balbina - Amazonas

Mau exemplo – Hidrelétricas alagam imensas áreas com vegetação terrestre, no mundo todo. Pior, as plantas submersas se decompõem e liberam para a nossa surrada atmosfera significativas quantidades de metano e gás carbônico, dois gases envolvidos no aquecimento global. Segundo a revista de divulgação científica da SBPC Ciência Hoje, n. 245, de jan/fev de 2008, no artigo intitulado As hidrelétricas e o aquecimento global , parte desses gases é liberada, por difusão ou ebulição, na superfície da água. Mas a encrenca ainda é maior: “Outra parte é liberada abaixo das barragens, na saída das turbinas, devido à queda da pressão hidrostática (assim como a parte do gás de um refrigerante sai logo que se abre a garrafa). Uma terceira parte á lançada na atmosfera lentamente, por difusão, ao longo do canal dos rios, abaixo das barragens”. Caramba! Em que este fato contribui para o aumento do calor na cidade de Manaus, além daquela provocada pela ocupação desordenada e a explosão demográfica após a criação da Zona Franca? Quem chega em Manaus tem a impressão que deixaram o aquecedor ligado. Sua-se à bica.

Balbina no País da Impunidade, o Vídeo – Quando, junto com a Associação dos Pesquisadores do INPA e a Associação dos Servidores do INPA, realizei o documentário sobre o impacto ambiental que se seguiu à construção da hidrelétrica de Balbina, essas informações ainda não circulavam no meio científico. Ao que parece o documentário continua atual (pode ser encontrado no Instituto Geográfico e Histórico do Estado do Amazonas). Por isso, vale a pena ler o alerta dos autores do artigo em pauta. Alexandre Kemenes – Experimento de Larga Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia, Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA), Bruce Forsberg – Coordenação de Pesquisas em Ecologia, INPA, e John Melak – Bren School of Environmental Science and Management, University of California in Santa Barbara, alertam para o ambicioso plano da Eletrobrás em construir outras hidrelétricas, como a de Belo Monte, no rio Xingu, e Santo Antonio e Jirau, ambas no rio Madeira. Para esses pesquisadores: “A escolha das hidrelétricas a serem construídas deveria basear-se em uma rigorosa análise de custo e benefício, que contabilizasse, além das despesas de construção e manutenção, os custos ambientais – e a emissão de gases-estufa é um dos principais”.

Pergunta-se – Seria possível que os cavalheiros traduzissem em linguagem simples e acessível o que a construção de hidrelétrica no trópico úmido significa para o ambiente onde vivemos? Sabe-se que Balbina inundou uma área de 2.600 km2 para gerar 250 megawatts, enquanto Samuel alagou 550 km2 para gerar 216 MW. Ou seja, além dos atingidos pela barragem, obrigados a abandonar suas moradias, perdem os contribuintes brasileiros, que estão sendo lesados em todos os sentidos. E, perde, igualmente toda a humanidade, pois que os efeitos do desastre atinge o planeta em todas as suas latitudes. Caso esse singelo pedido seja aceito, recomenda-se o não uso do sociologuês, politiquês e economês habituais. O Caderno do CEAS pode dar uma grande contribuição; ele tem como missão o nobre dever de socializar a informação às camadas mais vulneráveis da sociedade. Mãos à obra, senhores!

Aproveite e conheça o INPA.

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CADERNOS DO CEAS
ISSN 0102-9711

PROGRAMAÇÃO 2008 E CHAMADA PARA ARTIGOS

1. O Centro de Estudos e Ação Social (CEAS)

O Centro de Estudos e Ação Social (CEAS) é uma entidade jurídica sem fins lucrativos fundada em 1967, que busca contribuir para a superação da miséria e da exclusão. Atuando em regiões do Nordeste marcadas por situações históricas de pobreza e de dominação, o CEAS tem como eixo unificador de sua prática o fortalecimento da autonomia e do protagonismo dos públicos que acompanha. Nosso objetivo principal é desenvolver o que chamamos de trabalho de base: um trabalho político-educativo com setores populares, buscando alcançar o público mais desassistido, os extratos de renda mais baixa. Procuramos favorecer e incentivar a tomada de iniciativas próprias e autônomas por arte dos grupos populares com os quais trabalhamos, contribuindo para contradizer a nossa história de exclusão social e autoritarismo, onde as elites querem sempre decidir pelo povo.

2. Os Cadernos do CEAS

Com uma diversidade de opiniões e de propostas de trabalho, a atuação do CEAS inclui, além do assessoramento direto a grupos urbanos e rurais, a publicação de uma revista, os Cadernos do CEAS, revista trimestral lida por grupos populares, estudantes de diferentes níveis, intelectuais e assessorias dos movimentos sociais de várias partes do Brasil. Através da reflexão interdisciplinar, os artigos publicados nos Cadernos do CEAS desde 1969 apresentam, analisam e comentam a realidade brasileira; aprofundam aspectos importantes, denunciam formas de opressão e desigualdades sociais e apontam a iniciativa das classes populares como caminho para a superação da miséria e da exploração, na direção de uma sociedade mais justa e humana, de real participação democrática.

3. Programação para 2008

Os Cadernos do CEAS em 2008 serão publicados em dois formatos: uma edição aberta e três edições temáticas.

3.1. Edição n.º 229

A primeira edição do ano será uma edição sem tema central, voltada para artigos inéditos, elaborados numa perspectiva crítica e que não se limitem a mera revisão bibliográfica, explicitando, portanto, a posição do(a) respectivo(a) Autor(a), focados na realidade brasileira ou na atuação de movimentos sociais de base brasileiros ou estrangeiros.

Os artigos para esta edição serão recebidos até o dia 19 de março de 2008, impreterivelmente.

3.2. Edição n.º 230: CIDADES

Nossa edição n.° 230 será dedicada à reflexão sobre as conseqüências da matriz capitalista de desenvolvimento das cidades, com os seguintes subtemas:

a) Análise crítica do desenvolvimento recente das cidades;

b) Crítica às políticas capitalistas de urbanização;c

) Surgimento e estabelecimento das cidades globais;

d) Vida e luta das comunidades de periferias urbanas;

e) Movimentos sociais urbanos (luta por moradia, por transporte, por saneamento básico, por infraestrutura de serviços públicos, e pela reforma urbana em geral);

f) Violência urbana;

g) Cultura urbana no meio popular;

h) Marco regulatório da urbanização: planos diretores, legislação urbanística e sua aplicação política.

Os artigos para esta edição serão recebidos até o dia 05 de junho de 2008, impreterivelmente.

3.3. Edição n.° 231: PROJETO DE DESENVOLVIMENTO E MATRIZ ENERGÉTICA

Nossa edição n.° 231 pretende, a partir da experiência brasileira, refletir sobre as possíveis conseqüências sócio-ambientais do desenvolvimento econômico baseado em matriz energética fundada nos agro-combustíveis como substitutos do combustíveis fósseis. Essa edição abordará, ainda, os seguintes subtemas:

a) Impactos agrários e agrícolas dos agro-combustíveis (soberania alimentar, estrutura de propriedade da terra, reforma agrária, agricultura camponesa);

b) Aquecimento global (combustíveis fósseis, pressão dos agro-combustíveis e desmatamento da Amazônia, Cerrado e Caatinga);

c) Hidroelétricas na Amazônia;

d) Energias poluentes versus energia limpa.A abordagem das várias questões enfatizará o papel dos Movimentos Sociais na resistência ao desenvolvimento social e ambientalmente destrutivo, bem como, o papel de sujeitos ativos, exercidos por eles, na concepção e ensaio de projetos alternativos de organização social e econômica, que contemplem a preservação dos bens naturais para a presente e futuras gerações.

Os artigos para esta edição serão recebidos até o dia 04 de setembro de 2008, impreterivelmente.

3.4. Edição n.º 232: ASSESSORIA A MOVIMENTOS POPULARES

Nossa edição n.º 232 pretende refletir sobre a experiência recente de assessoria a movimentos populares após o crescimento do assim chamado "terceiro setor", com os seguintes subtemas:

a) Assessoria e autonomia dos movimentos populares;

b) Metodologia do trabalho de assessoria a movimentos populares;

c) Papel das redes e articulações de entidades na atual conjuntura;d) Conjuntura da cooperação nacional e internacional;

e) Financiamento público: análises, críticas e experiências de caso;

f) O trabalho de assessoria a movimentos populares na América Latina: experiências e estudos de caso.

A abordagem das várias questões enfatizará o papel da autonomia dos Movimentos Sociais na construção e ensaio de projetos de desenvolvimento social e ambientalmente justos.

Os artigos para esta edição serão recebidos até o dia 04 de dezembro de 2008, impreterivelmente.

4. Normas para publicação

Os Cadernos do CEAS estão abertos à publicação de artigos inéditos, elaborados numa perspectiva crítica e que não se limitem a mera revisão bibliográfica, explicitando, portanto, a posição do(a) respectivo(a) Autor(a). Os artigos serão submetidos à apreciação da Equipe Editorial da Revista, que analisa, discute e decide, majoritariamente, sobre a sua publicação. A Equipe Editorial, quando necessário, poderá sugerir ao(à) Autor(a) alterações formais em seu texto, a fim de adequá-lo às exigências da Revista.

Os artigos enviados para publicação devem conter entre 10 e 25 páginas, espaço 1,5 e 70 toques, acompanhado de síntese de, no máximo, 8 linhas. As resenhas de livros não devem ultrapassar 4 páginas. As notas de rodapé devem ser limitadas ao mínimo necessário.

Pede-se enviar uma breve apresentação do(a) Autor(a) e seu endereço para correspondência. No caso de envio de artigos em disquetes, sugere-se que estes estejam acompanhados de cópia em papel; os originais não serão devolvidos ao(à) Autor(a), que terá direito a cinco (5) exemplares do Caderno em que foi publicado seu artigo.

Para maiores informações, envie e-mail para:

revista@ceas.com.br

ou faça contato com:

Cadernos do CEAS
Rua Aristides Novis, 101 - Federação
41210-630 Salvador, Bahia (Brasil)

Fone: +55 71 3247.1232 - Fax: +55 71 3332.0608

Seminário Nacional: Desenvolvimento e Conflitos Ambientais


Cenas como essa eram comuns nos rios da Amazônia. Quando a legislação endureceu, já havíamos perdido parte das florestas dos estados do Pará e de Rondônia. Entretanto, o desmatamento ainda causa dor de cabeça às autoridades, inclusive no estado do Amazonas, onde suas florestas, acidentalmente, ficaram protegidas com a implantação do modelo Zona Franca. Porém, o que está acontecendo ao sul do estado, em Lábrea-AM, é de tirar o sono. Ali há fortes pressões para expandir as fronteiras agro-pecuárias. Amazonenses, uni-vos!

I Seminário Nacional
Desenvolvimento e Conflitos Ambientais
UFMG

Apresentação

Na visão hoje dominante, o meio ambiente é um ente uno, material e externo às relações sociais, inscrito numa causa universal, fortemente marcada por uma perspectiva economicista. Ao contrário do que sugere essa abordagem, o campo ambiental é atravessado por conflitos sociais entre sujeitos que sustentam projetos distintos de sociedade e nela possuem posições assimétricas de poder.

Por meio desses conflitos se exprimem as contradições do agenciamento espacial de atividades e formas sociais de uso e apropriação dos recursos territorializados. Sua discussão se torna particularmente relevante diante dos atuais esforços de inserção da economia brasileira no cenário mundial, uma vez que a fronteira de expansão da produção de commodities se choca com a territorialidade de distintos segmentos sociais.

O I Seminário Nacional sobre Desenvolvimento e Conflitos Ambientais reunirá, na UFMG, entre 2 e 4 de abril, pesquisadores de várias áreas do conhecimento para debater de forma crítica e inovadora noções como desenvolvimento, sustentabilidade, territorialidade, eqüidade, preservação, políticas ambientais, entre outras.


Leia mais

100 anos de Olga Benario

Olga Benário e Luíz Carlos Prestes

Olga Benário faria 100 anos em 12 de fevereiro

MUNDO 12.02.2008
Berlim homenageia os 100 anos de Olga Benario Prestes
As 'pedras de tropeço' começam sempre com os dizeres: 'Aqui morava'

Juntamente com Anita Prestes, filha de Olga Benario e Luís Carlos Prestes, galeria berlinense inaugura "pedra de tropeço" em homenagem aos 100 anos da revolucionária alemã de origem judaica, vítima do Holocausto.

Olga Benario Prestes estaria completando 100 anos nesta terça-feira (12/02). Como ponto alto das homenagens que presta ao seu centenário, a Galeria Olga Benario de Berlim inaugura "pedra de tropeço" em frente ao último endereço que a revolucionária ocupou na capital alemã.

A "pedra de tropeço" em homenagem à Olga Benario, instalada na calçada da Innstrasse 24, no bairro berlinense de Neukölln, será inaugurada por sua filha, a professora Anita Prestes, que nasceu em Berlim quando sua mãe estava na prisão feminina de Barnimstrasse.
"Pedras de tropeço" são pequenas placas de latão cravadas nas calçadas dos prédios onde moraram vítimas do Holocausto. Nelas, estão escritos o nome, data de nascimento, data de deportação e uma referência ao local e data de morte da vítima. A idéia partiu do artista alemão Gunter Demnig. Hoje, já existem mais de 13,5 mil marcos deste tipo espalhados por quatro países europeus.

Ação cinematográfica

Olga Benario nasceu em Munique
Olga Benario nasceu em Munique, em 12 de fevereiro de 1908. No início dos anos de 1920, os arquivos policiais da República de Weimar já a classificavam como "agitadora comunista". Juntamente com seu parceiro, o comunista Otto Braun, ela se mudou aos 17 anos para Berlim-Neukölln, onde se tornou membro ativo da Juventude Comunista.

Olga Benario e Otto Braun ocuparam um apartamento na Innstrasse 24 em Neukölln, tradicional bairro proletário berlinense. Foi neste endereço que foram presos. Logo libertada, Olga organizou a ação espetacular que resgatou seu companheiro Otto Braun da prisão de Moabit.

Em abril de 1928, Olga e camaradas de Otto Braun disfarçados de estudantes de Direito invadiram a sala de audiências para onde Braun era levado. Subjugaram os policiais e libertaram o preso. Após a operação, Olga e Braun fugiram para Moscou, onde Olga trabalhava para o movimento trabalhista internacional.

Intentona Comunista
Olga e Luís Carlos Prestes
Com Luís Carlos Prestes, Olga Benario partiu de Moscou para o Rio de Janeiro, em 1935. Durante a viagem, os dois se apaixonaram e tornaram-se um casal, vindo a organizar a Intentona Comunista de 1935.

Após a fracassada tentativa, Olga e Prestes foram presos e, apesar de protestos internacionais, ela foi entregue, em 1936, grávida de sua filha, à Gestapo pela ditadura varguista.

Em setembro do mesmo ano, Olga foi enviada à Alemanha. Em 27 de novembro de 1936, nascia Anita Prestes na maternidade da prisão feminina berlinense da Barnimstrasse. No começo de 1938, Olga foi separada de sua filha e enviada para o campo de concentração feminino de Lichtenburg.

OIga Benario Prestes teve ainda que passar três anos no campo de concentração de Ravensbrück, antes de ser enviada para a câmara de gás em Bernburg, em 1942. O endereço da Innstrasse 24, em Neukölln, foi sua última morada como cidadã livre na Alemanha.

Olga Benario Prestes
Galeria Olga Benario

Em 12 de fevereiro de 1984. a Associação dos Perseguidos pelo Regime Nazista/Associação dos Antifascistas (VVN/VDA) fundou a Galeria Olga Benario em Berlim-Neukölln. A galeria informa que três motivos justificaram a escolha do nome de Olga: por ser mulher, por ter uma relação próxima com o bairro de Neukölln e por ser uma internacionalista.

A galeria foi inaugurada com uma exposição sobre a vida de Olga Benario, que, para além da lembrança como revolucionária comunista, vem se tornando, nos últimos anos, um exemplo de coragem feminina para muitos alemães.

Talvez por isto, os temas das exposições da galeria se expandiram para solidariedade internacional, imigrantes e asilo, movimento feminista, sindicatos, entre outros.

Em comemoração aos 100 anos da revolucionária e aos seus 24 anos de existência, a Galeria Olga Benario convidou Anita Prestes, filha de Olga Benario e Luís Carlos Prestes, para inaugurar a "pedra de tropeço" na calçada do último endereço berlinense de sua mãe, Olga Benario Prestes.

DW-WORLD.DE

· DW-WORLD: " Pedras de tropeço" para não esquecer vítimas do Holocausto

Em várias cidades alemãs continuam sendo colocadas as "pedras de tropeço", uma iniciativa do artista alemão Gunter Demnig. Ao todo, já há mais de 13,5 mil marcos em quatro países, lembrando as vítimas do Holocausto. (12.12.2007)

· DW-WORLD: Olga Benario para o público alemão

Documentário do diretor turco Galip Iyitanir sobre a vida de Olga Benario estréia nos cinemas alemães. Em entrevista à DW-WORLD, Iyitanir fala da recepção do filme e discorre sobre algumas de suas escolhas narrativas. (09.12.2004)

Externer Link: Galeria Olga Benario, Berlim

fevereiro 23, 2008

Steven Johnson no Roda Viva

Portugal Campus Party 2007
Steven Johnson
Professor e crítico literário

Steven Johnson é um dos mais influentes pensadores do ciberespaço. Polêmico, defende o acesso irrestrito dos jovens aos jogos de computador e aos sites de relacionamento e diz que a televisão, a internet e até mesmo os vídeo-games possuem virtudes intelectuais e cognitivas diferentes, mas não inferiores à da leitura.

Professor e crítico cultural, o norte-americano Steven Johnson já escreveu cinco livros e foi responsável pela premiada Feed Magazine, revista cultural on-line sobre o comportamento eletrônico.

Graduado em semiótica pela Brown University e em literatura inglesa pela Columbia University, atualmente, o professor e crítico cultural Steven Johnson dedica-se à divulgação científica. Ele esteve em São Paulo neste mês de fevereiro, onde participou do Campus Party, considerado o maior evento de entretenimento eletrônico em rede do mundo.

Participam como convidados entrevistadores:
Ricardo Anderáos, diretor editorial do Metro, Alexandre Matias, editor-assistente do caderno Link do jornal O Estado de S. Paulo; Tiago Dória, bloqueiro da IG; Gustavo Villas Boas, repórter do caderno Informática do jornal Folha de S. Paulo; Juliano Spyer, do site Radarcultura, especialista em mídias colaborativas e autor do livro "Conectando"; Ronaldo Lemos, diretor do centro de tecnologia e sociedade da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas, diretor do projeto Creative Commons no Brasil e presidente global do I Commons.

Apresentação: Carlos Eduardo Lins da Silva

O Roda Viva é apresentado às segundas a partir das 22h40.Você pode assistir on-line acessando o site no horário do programa.
http://www.tvcultura.com.br/rodaviva

Vale a pena ler de novo

18 de maio de 2007 - Dia Nacional de Luta Antimanicomial, BH

Em 2006 publiquei neste blog o texto abaixo de Eduardo Losicer. Vale a pena ler de novo. Aproveito o ensejo para agradecer, de coração, aos companheiros que enviam notícias para este blog, reduzindo o isolamento do estado do Amazonas no cenário da Reforma Psiquiátrica. Mas é especialmente à maioria silenciosa que presto minha homenagem: são vocês que alimentam a paixão por romper o círculo desse tipo de insólita solidariedade. Quanto maior o silêncio maior é a minha compaixão por esse ato de indiferença.
O PENSAMENTO OBSCURO
Eduardo Losicer

Usurpando o título de um texto escrito há quinhentos anos atrás --“Elogio da Loucura”, de Erasmo de Rotterdam--, o presidente de um importante conselho regional de medicina escreve editorial dirigido à classe, em que declara ataque aberto à reforma psiquiátrica que se opera no país, assim como ao movimento social que a sustenta. Este fato, descrito sem citar nomes ou lugares, não passaria de mais uma notícia da reação contrária que os movimentos reformistas sempre provocaram, em todas as épocas, nas corporações afetadas pela reforma. Simples reacionarismo daqueles que, somados aos que já decretaram o fim da história e das revoluções, pretendem também renegar dos movimentos da comunidade que produzem reformas de instituições e de políticas públicas. Acontece que esta declaração, em principio restrita à corporação médica, se multiplica sincronicamente com outras, igualmente violentas, dirigidas agora ao público geral e assinadas por outros dirigentes de classe alinhados com o mesmo objetivo. Se ainda consideramos que estes discursos oficiais, de um lado e de outro, tem o complexo tema da loucura no seu centro, somos forçados a concluir que o tema escapa à exclusiva competência dos especialistas e deixa de ser um simples caso de reação conservadora. Assim sendo, junto de todos aqueles que se identificam com o movimento de sustentação de reforma, devemos ser tão precisos quanto possível na análise das declarações formais tornadas públicas pela mídia, não apenas para defender a reforma, mas para responder à altura do embate publico que ficou formado. Com este intuito, queremos agora formular as interrogações suscitadas de forma imediata e ver até onde podem conduzir-nos.

Se se trata de discursos oficiais que representam, em tese, o pensamento de cada categoria ... por que, então, chamá-los de violentos? Por que chamar estas manifestações de ataque declarado, na linguagem do combate bélico, e não discurso crítico, na linguagem do debate democrático, que simplesmente expõe conflitos de políticas publicas? Por que não considerar que se trata, em última hipótese, do entendimento equivocado de determinadas diretorias que perderam a representatividade de suas entidades e que sua ofensiva anti-reformista acabará junto com o seu mandato? Que pensamento, afinal, estes ataques conjuntos representam?

Não há pensamento nestas declarações, responderíamos nós, a não ser aquele que pode se chamar de “pensamento obscuro”. Infelizmente tão atual em todas as esferas da vida contemporânea, o pensamento obscuro constitui a variante mais deletéria do ‘pensamento único’, na medida em que renega/deleta qualquer pensamento que se pretenda outro.

Com efeito, podemos constatar que a leitura atenta das declarações do conselheiro mor dos médicos, assim como as declarações do presidente dos psiquiatras associados do país ... não revelam o pensamento em que se afirma sua ofensiva!. Depois de lê-los, percebemos que seus interesses –públicos ou privados-- permanecem obscuros e não encontramos proposta a não ser a de “campo arrasado” para a reforma. Sem meias palavras, o citado presidente dos psiquiatras dá a ordem: “...colocar o barco na direção correta e começar do zero”, ou seja, nem mais nem menos que voltar ao status quo anterior à reforma em andamento. Ora, pretender “zerar” uma reforma em pleno curso não significa apenas uma correção de rumos, mas anular tudo que o barco já andou ... sem apresentar provas ou argumentos para justificar sua radicalidade. Assim, além de se ocultar --cumprindo com a sua função de fundamentar (fundamentalismo?) seu exclusivo objetivo de atacar o novo--, o pensamento obscuro nega qualquer valor simbólico-político para o novo.

No nosso caso em questão, pretende obscurecer, de um golpe, tudo que foi dito e feito pela reforma psiquiátrica, com o único fim de restaurar a situação anterior, isto é, o tratamento médico de internação e interdição do louco.

No “Elogio da Loucura” original, Erasmo faz a Loucura –tornada por ele personagem central—zombar satiricamente dos sábios e poderosos. Inclusive daqueles que serão seus futuros especialistas --diríamos nós cinco séculos depois--, que afirmam tudo saber sobre ela. “A loucura é a maior das tragédias de que um ser humano pode ser vítima”, adverte o presidente do conselho de médicos, ensinando que “o delírio é um sofrimento permanente”. Para transmitir-nos suas convicções sobre temas tão controversos, o conselheiro compara: “Alguém persegue o psicótico e ele não sabe quem é nem o motivo, e muito menos porque ele é alvo da perseguição”. Mesmo descontando a despropositada grandiloqüência utilizada, observamos que esta é a mais estranha de suas assertivas: parece confundir o louco com um personagem kafkiano. Nos perguntamos: como é possível que alguém que diz saber qual é a maior tragédia humana e que diz conhecer a experiência de sofrimento do delirante, ignore que o delirante sofre pelas suas certezas e não porque não sabe quem ou porque é perseguido?. Quem já ouviu com atenção os delirantes (antes de interditá-los, é claro) a que o douto especialista se refere, isto é, os doentes, entende perfeitamente aquilo que a psiquiatria clássica chama de “convicção delirante”. Esta autoconvicção se refere a um saber sustentado (declaradamente ou não) pelo perseguido, tão absoluto que resulta intransmissível ... para os que realmente nada sabem. Assim, dentro ou fora da patologia, constatamos que a certeza é prerrogativa dos delirantes e, ao mesmo tempo, seu maior sofrimento. Doente ou não, o perseguido sabe muito bem quem são os perseguidores, sejam eles os extraterrestres, o vizinho do lado, ou ... os “antimanicomiais” da reforma psiquiátrica ... que teimam em não interná-lo!

O pensamento de Erasmo de Rotterdam, que fala por boca da Loucura, é lúcido. O pensamento do conselheiro é obscuro. Quer nos impingir suas convicções sobre a loucura para fundamentar um violento ataque ao que ele chama de “mentira antimanicomial”. Desqualifica todos os saberes sobre a loucura e nega a historia de um movimento que durante décadas sustenta a critica às ideologias e práticas que vêem na internação o único tratamento possível da psicose. Municiado com as suas certezas, dispara contra os que “engrandecem” a loucura. “Estúpidos” aos que trata como seus imaginários perseguidores --não os nomeia embora tenha certeza de quem são-- que atrapalham sua santa missão de internar os loucos. No ápice de sua exaltação, cheia de certezas quase-místicas (pensamento obscuro dos iluminados, diríamos nós), escreve sem nenhum pudor: “... se a Arte dependesse da Loucura para existir (como imaginariamente querem seus perseguidores), Morte a Arte” (sic).

Não é suficiente entender --como quer seu colega de cruzada, representante dos psiquiatras—que se trata simplesmente de denunciar um “equívoco” nos programas governamentais e nas políticas públicas para a saúde mental. Não nos basta pensar que toda esta grande discussão não passa de um confronto de “modelos” ou de critérios de “gestão”. Não é possível acreditar –como querem os cruzados—que tudo se soluciona com altas doses de “capacitação” ou sucessivas injeções de “qualidade” (depois de “zerar” tudo que existe, é claro). Talvez antigamente, nos contentaríamos em entender as belicosas declarações contra a reforma, por mais truculentas que sejam, como mais um embate entre “ideologias” ... mas hoje, época da biopolitica, isto não é suficiente.

Porém, se ampliamos o foco da análise para além da questão hospitalização / deshospitalização, é possível encontrar a mesma sombra do pensamento obscuro dando base a ações de igual inspiração totalitária. O chamado “ato médico”, por exemplo, que pretende subordinar as práticas psicoterapeuticas à autoridade do médico, assim como pretende submeter todos os saberes sobre a subjetividade ao seu próprio saber. Ou então a sombria tendência a “naturalizar” tudo que diz respeito à experiência do sujeito humano, se apoiando nas modernas neurociências e legitimando o uso indiscriminado de drogas psico-ativas. Ou ainda a manipulação pericial dos pressupostos conhecimentos do psicólogo, psiquiatra ou psicanalista para interditar, incapacitar, desclassificar e punir –intervenção na criminologia, no judiciário e no sistema penitenciário. Pensamento obscuro que chega ao extremo de autorizar a participação destes especialistas em interrogatórios coercitivos --doutrina do “mal menor”, que legitima o uso de certas formas de tortura psicológica em nome da segurança antiterror. Sombra que se filtra nas listas negras que se confeccionam por detrás da regulamentação da prática destes profissionais, em nome do Estado em inédita parceria público-privado, etc, etc.

O pensamento obscuro que rege a cruzada anti-reforma psiquiátrica recentemente deflagrada, muito além --ou aquém-- de representar uma crítica ou chamado a debate das políticas públicas para a saúde mental, está destinado a provocar um poderoso efeito despolitizante do seu próprio campo. É por isso que deve ser considerado retrógrado e obscurantista, e não apenas porque quer voltar ao estado anterior. Ataca o cérebro do movimento e quer corta-lhe as pernas, comportando-se como aquele que pretende matar a criatura em quanto é pequena. Pequena sim, porque é necessário ter sempre presente que, desde a perspectiva dos cinco séculos que nos separam de Erasmo, as poucas décadas de ação do movimento antimanicomial atual representam, na verdade, poucos minutos de vida. Concluir que só se beneficiam circunstanciais poderes econômicos –laboratórios e hospitais privados, por exemplo—é insuficiente. Seriam apenas circunstâncias atuais de uma velha, muito velha questão que gira em torno da loucura, questão que chega aos dias de hoje sob o nome de “subjetividade”.

Não podemos falar de um “novo” pensamento obscuro (neo-obscurantismo?) porque ele é, literalmente, sempre o mesmo: pensamento para impedir a ação. Ele é, como sempre foi, um pensamento triste, que, assim como a chamada paixão triste, se alastra inibindo a ação eficiente, isto é, a ação política que cria o novo. É a treva que castra a ação.

Sobre isto vale a pena lembrar um contundente episódio do qual fomos testemunhas. Há trinta anos atrás, numa época em que a utopia antipsiquiátrica e antimanicomial se mostrava possível na Itália, Franco Basaglia nos visitou no Brasil, convidado para participar de um simpósio internacional. Na sua passagem pelo Rio de Janeiro, aceitou também participar de um debate em instituição pública, no caso, um hospital universitário. Lá ele poderia, pensamos, expor livremente o radicalismo de suas idéias e poderia mostrar, em pessoa, o otimismo de sua prática. Assim o fêz, relatando com contagiante entusiasmo os avanços de sua luta contra todas as instituições asilares da loucura, em prol de uma psiquiatria democrática. Finalizada sua vibrante intervenção, toma a palavra o diretor do hospital que o acompanhava na mesa, abrindo a sua fala com uma surprendente ironia. Diz que as propostas de Basaglia contra os manicômios lhe lembra aquela anedota do marido traído, que a única coisa que faz depois de surpreender a sua mulher com outro no sofá da sua casa ... é vender o sofá!. Basaglia não o deixa continuar. Se levanta da cadeira de um impulso e apontando o dedo em riste na direção do diretor diz em alta voz: “...estes são os que, diante da traição, cortam fora o próprio pau!...”. Ao ver os aplausos que irromperam da platéia depois de alguns segundos de silêncio provocados pelo impacto da frase, o diretor se retira apressadamente do auditório.

Cai o pano... passam as décadas... e as ressonâncias da sentença de Basaglia não cessam de ecoar. Foi a melhor interpretação –na verdadeira acepção da palavra-- que já escutei de viva voz. Creio que a potência da intervenção de Basaglia despertou algumas vocações anti-manicomiais entre os presentes naquela memorável reunião. Ainda nos serve hoje, em tempos pós-manicomiais, não só para o embate que nos espera contra “os traídos da vez” (cruzados anti-reforma) mas também para o bom combate contra todas as formas de totalitarismo obscurantista com que hoje nos deparamos em todo lugar.

Eduardo Losicer
Agosto de 2006