abril 30, 2009

Cinema e memórias da infância

Cine Guarany - Manaus - Amazonas - Brasil

Cinema e memórias da infância

O cine Guarany não existe mais. No início dos anos 1980, o banco Itaú destruiu esse patrimônio dos amazonenses. Em seu lugar construiu um caixote de concreto, onde funciona a sede de uma das suas agências no coração da cidade de Manaus. O imóvel era da família do comendador J.G Araújo, que fez fortuna no ciclo econômico da borracha abrindo emprego para seus conterrâneos, inclusive vovô Antônio Barbosa, português, que trabalhou na sua firma entre os anos 1920-1930. Todas as autoridades da época se omitiram diante do protesto pela preservação daquele patrimônio. A professora Selda Valle e o professor Narciso Lobo, da Universidade Federal do Amazonas, bem que tentaram romper a passividade provinciana, em defesa do velho Guarany. Nem mesmo a voz do poeta Carlos Drummond de Andrade foi ouvida pelos governantes. Nos final dos anos 1950, início dos anos 1960, o Guarany foi o meu cinema e de minhas irmãs. Inesquecíveis sessões da tarde, apinhado de crianças felizes e barulhentas. As matinês projetavam aos domingos um seriado e um filme principal. Oscarito, Grande Otelo, José Lewgoy, Wilson Grey, Eliana, Cyl Farney, Dercy Gonçalves, Zezé Macedo, Renata Fronzi, Sônia Mamede, Ronald Golias, Mazaroppi, Cantinflas, Johnny Weissmuller (eterno Tarzan) e tantos astros ficariam guardados na memória de nossa infância. Como igualmente ficaram as músicas ouvidas num alto-falante estridente, dirigidos para a praça Heliodoro Balbi (praça de Polícia). Entre elas a voz do “cantor das multidões” Anísio Silva. Sem contar Cauby Peixoto, Ivon Cury, Dalva de Oliveira, Angela Maria, Francisco Alves e tantos outros. Na saída do cinema, atravessávamos a rua Floriano Peixoto, com passagem pelo Café do Pina, e alcançávamos a praça da Polícia situada entre dois monumentos históricos: o Gymnasio Pedro II e o Quartel da Política Militar. Mãos dadas em fileirinha, tendo à frente nossa mãe, lá íamos os três apreciar o movimento das dezenas de animais espalhados pela praça e nos danarmos pelo passeio. Nos lagos, patos e marrecos, que alimentávamos com pipoca. Nas gaiolas, macaquinhos e aves da região: papagaios, araras, periquitos. Todos cuidados por jovens militares. Lembro-me de um dia em que a festa encerrou mais cedo. Sim, era uma festa para nossos sentidos de criança. Nesse dia, nossa irmã caçulinha espevitada meteu o dedinho numa gaiola, logo abocanhado por um irrequieto macaquinho. Meu lencinho branco, hábito que levei para a vida adulta, mudou de cor, ajudou a estancar o sangreiro, e voltamos mais cedo para casa. A presença de uma llama, do Peru, parecia lembrar o quanto nossas relações com o país vizinho foram mais próximas, muito antes de Mercedes Soza cantar pela integração da América Latina. Os boleros do Trio Los Panchos e Javier Soliz, as cumbias e merengues nos eram muito familiares, sobretudo para os de casa. A llama de pelos brancos era também, para nossa pequena família, um testemunho das nossas relações com o país vizinho, terra de alguns dos meus ancestrais, tanto nativos, quanto do patriarca que saira de Vallodolid, Espanha e atravessara o Atlântico para se fixar em plena selva amazônica, na última metade do século XIX. No coreto, a apresentação da impecável banda de música da Polícia Militar espalhava seus acordes, antes do findar da tarde. Dela tenho recordações que remontam à mais tenra idade. Diariamente a banda saia do quartel, cruzava as ruas José Paranaguá, Leovegildo Coelho, às vezes pela av. Joaquim Nabuco e rua Miranda Leão, até chegar no final da praça dos Remédios com a rua dos Barés onde nasci e fui criado. À sua frente um querido personagem popular, o Bombalá, que ora marchava, ora regia a banda para alegria da garotada. Ainda me vejo, entre 4 e 5 anos de idade, sentado à beira da calçada, com um copo de água e uma escova de dentes, vendo o sol empinar pelas bandas do bairro do Educandos, sob melodiosas marchinhas da banda da minha infância. Nessa época, nós, molequinhos, estávamos à toa na vida, ainda não sabíamos que seriam os amores de nossas vidas, e víamos todos os dias a banda passar.

O cine Guarany vive na nossa memória. Com ele muitos outros foram engolidos por uma noção marota de desenvolvimento, que destrói patrimônios afetivos tão importantes na construção da identidade de uma cidade e do seu povo.

Por falar em cinema, da listagem dos filmes postados em Amálgama, de autoria de Vanessa Souza, todos são da segunda metade do século XX para cá. Quero acrescentar um do início da segunda metade do século passado, clássico de Alfred Hitchcok, da categoria filmes de suspense. Comparada às temáticas atuais, o "Psicose" do cineasta inglês é fichinha entre os filmes atuais de categorias assemelhadas. O mundo já foi mais encantado.

[Amálgama]

No escurinho da mente

Posted: 29 Apr 2009 08:03 PM PDT

por Vanessa Souza – O filósofo Jacques Derrida afirmou, em uma entrevista no ano de 2001, que todo espectador, durante uma sessão de cinema, põe-se em contato com um trabalho do inconsciente, tornando a experiência estranhamente familiar – ou, no original, em alemão, “unheimlich”. Já Lacan disse que o sujeito se estrutura em uma linha de ficção.

Assistir um filme que realmente nos toca pode ser algo da ordem do visceral, trazendo identificação, alívio, curiosidade, incômodo, alegria… Como na literatura, o efeito está nos olhos – e nas entrelinhas – de quem assiste. A lista abaixo é um apanhado de filmes que enfocam, de uma forma ou de outra, temas presentes no cotidiano e na psicanálise, simultaneamente.

Leia mais em [Amálgama]

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abril 29, 2009

20 Anos de Intervenção na Casa de Saúde Anchieta: uma reflexão sobre a reforma psiquiátrica em Santos

Foto: Rogelio Casado - Militantes da Luta Antimanicomial - Belo Horizonte-MG, julho 2006
Nota do blog: Os cavalheiros desta fotografia tem um título em comum. Ambos são militantes históricos da luta antimanicomial. Tem mais, eles andaram comendo o pão que o diabo amassou. Marcus Vinicius de Oliveira Silva, ex-vice presidente do Conselho Federal de Psicologia (à esquerda), foi processado por agentes da psiquiatria conservadora, devido sua defesa intransigente pelo fim dos manicômios. O processo está em tramitação. José Gonçalo - Jacaré Gular Stone - (à direita) conheceu os horrores da Casa de Saúde Anchieta. Ele estará celebrando a luta pelo tratamento em liberdade. Há 20 anos Davi Capistrano Filho liderava a intervenção naquele manicômio. Se você estiver nos arredores de Santos, vá prestigiar o nosso querido companheiro Jacaré e veja o que o poeta Ferreira Gullar está perdendo por desconhecer os caminhos da reforma psiquiátrica brasileira. O flagrante acima foi feito por ocasião do I Encontro Nacional de Saúde Mental promovido pelo Conselho Federal de Psicologia e a Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial (RENILA), em Belo Horizonte, em 2006.

SAÚDE MENTAL - UM DIREITO DE TODOS

20 Anos de Intervenção na Casa de Saúde Anchieta: uma reflexão sobre a reforma psiquiátrica em Santos

A Luta Antimanicomial nasceu em 18 de Maio de 1987, no Congresso de Trabalhadores de Saúde Mental, em Bauru/SP, e deu origem ao Movimento Nacional da Luta Antimanicomial. Este, que é um Movimento Social, tem como meta o fechamento dos manicômios do País e a promoção de uma cultura de tratamento e de convivência na sociedade para todas as pessoas em sofrimento mental. No dia 18 de Maio, comemora-se em todo país - com festejos de músicas, teatros, oficinas e passeatas - a importância desta Luta.

No Brasil, no final da década de 1970, surge o Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental, que protagoniza os anseios e as iniciativas pela Reforma da Assistência Psiquiátrica Nacional. Seu lema foi e é: "Por uma Sociedade sem Manicômios".

Todos nós enfrentamos momentos na vida em que o cuidado com a saúde mental se torna essencial: quando, por alguma razão, sofremos ou temos dificuldades de enfrentar os desafios da vida cotidiana; quando, no cuidado à saúde do nosso corpo, necessitamos atentar também para as implicações subjetivas envolvidas; quando, na condição de familiares de pessoas com algum sofrimento psíquico, necessitamos de acolhimento e acompanhamento; quando enfrentamos a condição de sofrimento psíquico grave. Nessas situações e em muitas outras, buscamos algum tipo de cuidado que ampare nosso sofrimento.

Assim, somos muitos os usuários de serviços de saúde mental porque somos muitos os que, ao longo da vida, enfrentamos alguma forma de sofrimento mental.

Segundo a Organização Mundial de Saúde - OMS, qualidade de vida é definida como: "a percepção do indivíduo sobre a sua posição na vida, no contexto da cultura e dos sistemas de valores nos quais ele vive e, em relação a seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações".

"Saúde Mental - um direito de todos" representa a luta por uma sociedade sem manicômios, a luta para que a história supere definitivamente a página triste de reclusão e desrespeito aos Direitos Humanos que há 20 anos encerrava-se com o fechamento da Casa de Saúde Anchieta, e a esperança de que a Reforma Psiquiátrica efetivamente concretize-se em serviços públicos locais de qualidade que possam atender a todos os que necessitam de cuidados em Saúde Mental.

PROGRAMAÇÃO

Dia 16/05 - 15h - Chá na Concha.
Local: Concha Acústica - Av. Vicente de Carvalho, Praia do Gonzaga, Canal 3.
Coordenação: Grupo De lírios

Dia 17/05 - 15h - Ato Público: "20 anos de intervenção na Casa de Saúde Anchieta - Por Respeito às Diferenças e não às Desigualdades".
Concentração: Rua São Paulo, 95.
Coordenação: Núcleo de Santos da Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial e Associação Franco Rotelli

Dia 18/05 - 19h - Palestra: "Uma Trajetória da Saúde Mental".
Roberto Tykanori Kinoshita - Médico Psiquiatra.
Coordenação: Gabriela Vasconcelos F. Rocha Côrtes
Local: UNIFESP - Campus Baixada Santista - Av. Saldanha da Gama, 89 - Ponta da Praia - Santos, SP.

Dia 19/05 - 19h - Filme: Documentário: "Arte Bruta".
Coordenação: Centro Acadêmico e Programa Arte e Saúde da UNIFESP - Campus Baixada Santista
Local: UNIFESP - Campus Baixada Santista - Av. Saldanha da Gama, 89 - Ponta da Praia - Santos, SP.

Dia 20/05 - 10h às 15h - Oficina de Divulgação do Prêmio Artur Bispo do Rosário.
Coordenação: Luciano Paixão - Artista Plástico
Participação: José Gonçalo (Jacaré GularStone) - Usuário dos Serviços de Saúde Mental.
Local: SERP - Seção de Reabilitação Psicossocial - Rua da Constituição, 598 - Vila Mathias - Santos, SP.

16h - Peça: "Arrumadinho" - Trupe Olho da Rua.
Local: Praça Padre Champaghat - Praça da Gota de Leite.

Dia 20/05 - 19h - Mesa-redonda: "Reforma Psiquiátrica: percurso e implicações".
Fernanda Nicácio - Terapeuta Ocupacional. Professora Doutora da Faculdade Medicina USP/SP.
Andréia De Conto Garbin - Psicóloga. Conselheira Secretária e Membro do Núcleo de Saúde do Conselho Regional de Psicologia SP.
Coordenação: Beatriz Belluzzo Brando Cunha
Local: Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos
Rua Dr. Artur Assis, 47 - Boqueirão - Santos - SP.

Dia 21/05 - 14h - Clube dos Saberes: Inteligência Coletiva.
Projeto de extensão que visa proporcionar encontros para compartilhar conhecimentos. Serão realizadas oficinas com pessoas envolvidas com a Saúde Mental.
Coordenação: Centro Acadêmico da UNIFESP - Campus Baixada Santista

17h - Apresentação: "O Teatro do Oprimido na Saúde Mental".
Programa de Saúde Mental da Prefeitura Municipal de Santos
Local: UNIFESP - Campus Baixada Santista - Av. Saldanha da Gama, 89 - Ponta da Praia - Santos, SP.

Dia 23/05 - 15h - Mesa-redonda: "Resgate histórico da Intervenção na Casa de Saúde Anchieta".
Telma de Souza - Vereadora de Santos.
Roberto Tykanori Kinoshita - Médico Psiquiatra.
José Gonçalo (Jacaré) - Usuário dos Serviços de Saúde Mental.
Elisama Silva Lopes - Auxiliar de Enfermagem.
Inês da Conceição Oliveira - Familiar.
Coordenação: Berta Maria Esteves

17h30 - Lançamento do Livro: "O Pequeno Príncipe Maltrapilho: o livro dos que foram esquecidos". Autor: Edison de Castro - Em seguida: Confraternização.
Local: Sindicato dos Bancários de Santos
Av. Washington Luiz, 140 - Canal 03 (Frente ao Atlético Santista)

Eventos gratuitos. Informações e inscrições: (13) 3235-2324 ou baixada@crpsp.org.br

Promoção e Realização:

Conselho Regional de Psicologia SP - Subsede Baixada Santista e Vale do Ribeira.
Centro Acadêmico da UNIFESP - Campus Baixada Santista.
Secretaria Municipal de Saúde de Santos / Coordenadoria de Saúde Mental / SERP - Seção de Reabilitação Psicossocial.
Núcleo Por Uma Sociedade Sem Manicômios da Rede Internúcleos de Luta Antimanicomial - RENILA.
SINDSERV - Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Santos.

Apoio:

Secretaria Municipal de Cultura de Santos - SECULT
Sindicato dos Bancários de Santos
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Jornalista denuncia critério para dispensação de medicamentos psiquiátricos na Bahia

Salvador - Bahia - Brasil
Nota do blog: A denúncia abaixo é grave e este blog só a acolheu porque se trata de uma respeitada jornalista de Salvador. Entretanto, a alusão aos nomes de Jorge Solla e Jacques Wagner soa despropositada. Não me parece que os procedimentos denunciados sejam necessariamente do conhecimento das duas autoridades. Já o desrespeito à constituição brasileira é incaceitável. Nesse sentido, cabe aos citados urgentes providências e pronunciamento sobre esse caso escandaloso. Se dou o caso por acontecido, é que certamente a jornalista tem provas contundentes e irrefutáveis. Nesse caso, auditoria já.

AFINAL, QUANTOS ESQUIZOFRÊNICOS A BAHIA TEM? E PORQUE CADASTRO DE USUÁRIOS DE MEDICAMENTOS DE ALTO CUSTO DE PSIQUIATRIA DESRESPEITA MÉDICOS/PACIENTES?

Simplesmente estúpida a decisão da SESAB/SUS. Ao necessitar de ZYPREXA OU ABILIFY (aripiprazol), sendo este do conceituado Laboratório Bristol, e encaminhar-se aos postos de atendimento, inclusive com a declaração e relatório médico, que estabelecem a necessidade do medicamento, estranhamente as assistentes sociais informam que dificilmente estes medicamentos serão concedidos pois estão preconizados para ESQUIZOFRENIA REFRATÁRIA.

DESTA FORMA, ELEGEM UM GRUPO DE PACIENTES O QUE CONTRARIA A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA.

POR OUTRO LADO DESRESPEITAM A ÉTICA E O DIAGNÓSTICO MÉDICO QUANDO DISCARADAMENTE PEDEM PARA QUE O MÉDICO FAÇA A MUDANÇA DO CID DA DOENÇA REAL PARA O CID DA DOENÇA NA QUAL EXISTE POSSIBILIDADE DE RECEBER O MEDICAMENTO.

RESPEITEM OS MÉDICOS E RESPEITEM A CONSTITUIÇÃO

FICO PERGUNTANDO PARA QUE MÉDICOS E ESPECIALISTAS EM PSIQUIATRIA. OS FORMULÁRIOS PRONTOS SÃO ENTREGUES AOS PROVÁVEIS USUÁRIOS QUE SE ENCAMINHAM AOS SEUS MÉDICOS E PEDEM COM HUMILDADES QUE ELES ASSINEM O DIAGNÓSTICO PRONTO DA SESAB/SUS. EXISTEM O TERMO DO PACIENTE QUE TAMBÉM INFORMA TER CONHECIMENTO DE QUE O USO É PARA ESQUIZOFRENIA REFRATÁRIA.

ASSIM, ESTÃO SENDO FABRICADOS OS NOVOS ESQUIZOFRÊNICOS BAIANOS. GRAÇAS A CULTURA DA ESQUIZOFRENIA IMPLANTADA PELA SESAB/BAHIA. QUE VERGONHA JORGE SOLLA! QUE VERGONHA JAQUES WAGNER! VOCES DEIXARIAM QUE SEUS FILHOS E FILHAS ASSINASSEM DOCUMENTOS INFORMANDO QUE SÃO ESQUIZOFRÊNICOS? E NA FAMÍLIA DE VOCÊS PACIENTES COM BIPOLARIDADE SÃO TRATADOS COMO ESQUIZOFRÊNICOS? E AQUELES COM STRESS PÓS-TRAUMÁTICOS SÃO TAMBÉM ESQUIZOFRÊNICOS?

VAMOS RESPEITAR OS MÉDICOS, OS DIAGNOSTICADORES, OS QUE ESTUDAM E SE HABILITAM. VAMOS RESPEITAR PACIENTES E FAMILIARES. NÃO SEJAMOS COMO CORDEIROS QUE SEGUEM APLAUDINDO UMA POLÍTICA DE SAÚDE INDECENTE E AMORAL.

VAMOS RESPEITAR OS PACIENTES QUE CLAMAM POR UM COMPRIMIDO DE ABILIFY OU DE ZYPREXA. COM UM SALÁRIO MINIMO NÃO DÁ PARA COMPRAR TRATAMENTO NEM PARA MEIA SEMANA.

OS IMPOSTOS SÃO NOSSOS. O GOVERNO NÓS ELEGEMOS. O MAIS TRISTE É PERCEBER DE QUE O GOVERNO DO PT ESTAVA REALIZANDO DE FORMA TÃO ESCANDALOSA TAL ATO.

MÉDICO DECENTE NÃO ACEITA DIAGNÓSTICO QUE JÁ VEM IMPRESSO PELO GOVERNO DO ESTADO.

RESPEITEM AOS MÉDICOS E AOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE. O POVO BRASILEIRO JÁ VEM SENDO DESRESPEITADO HÁ TEMPOS.

FALTAM LEITOS, HOSPITAIS. A DENGUE ASSOLA. A MENINGITE CHEGA COM FORÇA TOTAL. LOGO ESTAREMOS VOLTANDO AS CURANDEIRAS.

AFINAL, PARA QUE MÉDICOS SE A SESAB/SUS JÁ ENTREGAM O DIAGNÓSTICO PRONTO PARA QUE OS MÉDICOS ASSINEM ? E SE DESDE JÁ SABEMOS QUE A NÃO CONCORDANCIA IMPLICARÁ NA NÃO ENTREGA DO MEDICAMENTO. ASSIM, É INFORMADO PELA REDE PSIQUIÁTRICA DA BAHIA.

IMORAL, AMORAL, INDECENTE. ANTI-CONSTITUCIONAL.

AUDITORIA JÁ.

VERA MATTOS
JORNALISTA

Fonte: http://jornalistaveramattos.blogspot.com/2009/03/afinal-quantos-esquizofrenicos-bahia.html

Jornalista Vera Mattos
Presidente da Fundação Maria Lúcia Jaqueira de Mattos
Dirigente da Seção Bahia - do Capítulo Brasil do Fórum de Mulheres do Mercosul
Dirigente da Rede Risco Mulher Brasil

Visitem:
http://jornalistaveramattos.blogspot.com
http://www.fundadacaojaqueira.org.br
http://www.veramattos.com.br
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Edson Lobão quer implantar usina nuclear na Bahia. Vixe!

GERMEN PROMOVE DEBATE SOBRE A VINDA DA USINA NUCLEAR NA BAHIA

Após o Ministro de Minas e Energia, Edson Lobão afirmar em entrevista que o Nordeste será o destino de duas usinas nucleares, e que provavelmente uma será instalada na Bahia. O GERMEN, ONG ambientalista mais antiga do estado, vai promover hoje (29) uma discussão sobre a possível vinda da usina .

O Coordenador geral do Germen, Marcell Moraes afirma que a vinda de tal empreendimento para o estado não vai resolver o problema de mudanças climáticas, não vai gerar empregos além de ser ultrapassada e não ser fonte renovável de energia.

“É um verdadeiro afronto para os baianos a vinda dessa “bomba nuclear”, esperamos que o governo retroceda esse projeto arcaico, pois a concretização do mesmo pode trazer sérios problemas ambientais para a Bahia, o GERMEN vai lutar contra ” Concluiu Marcell Moraes.

O debate é aberto ao publico e acontecerá na sede da entidade, situada na Rua Ignácio Accioly, n°26, Pelourinho às 19h.

ASCOM GERMEN

Lorena Santos /Mariana Miranda –( Jornalistas )

71/3266-0554 / 9937-5602
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Governo confirma o rompimento de 11 barragens em Altamira

Altamira- Pará - Foto publicada em http://www.folhadobico.com.br/
Governo confirma o rompimento de 11 barragens em Altamira -
25/04/2009

Local: Belém - PA
Fonte: Agência Pará Link: http://www.agenciapara.com.br

Edir Gillet

Um relatório parcial, elaborado por técnicos da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), confirmou que 11 barragens romperam, provocando inundação em parte da cidade de Altamira, no oeste do Pará. O relatório foi apresentado à imprensa nesta sexta-feira (24), pela secretária de Estado de Assistência e Desenvolvimento Social, Eutália Barbosa.

Durante a coletiva, foram apresentados números relativos ao atendimento médico e social prestado às vitimas da inundação, que castiga a cidade desde 12 de abril. Participaram do encontro o major Norat, coordenador da Defesa Civil; Bruno Versiani, coordenador de Fiscalização da Sema, e Waldemir Maia, da Regional da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).

Os técnicos da Sema vistoriaram 19 propriedades, das quais oito tiveram barragens rompidas, totalizando 11 rompimentos. Houve quatro autuações ambientais. O relatório final deve ser concluído até o final do mês. "Dados não oficiais mostram que há cerca de 60 barragens em Altamira. As que fiscalizamos foram feitas pela ação do homem, são barragens artificiais. Algumas ainda representam riscos", afirmou Bruno Versiani.

Essa preocupação também foi manifestada pelo major Norat. "Se as chuvas continuarem, o nível do rio Xingu pode subir e provocar novos alagamentos, em especial no Parque do Açaí, no igarapé Altamira", disse ele.
Números - A secretária Eutália Barbosa confirmou que 130 famílias estão sendo atendidas em abrigos, totalizando 602 pessoas. Já foram entregues 661 cestas básicas, 1.068 colchões e 20 reservatórios de água.

Um levantamento, feito em parceria por Sedes e Companhia de Habitação do Pará (Cohab), detectou que 1.322 famílias foram atingidas pela inundação, num total de 5.527 pessoas. As águas também destruíram 58 casas e danificaram outras 737.

"Estamos trabalhando para que o compromisso da governadora Ana Júlia Carepa de garantir moradia para quem ficou sem casa seja cumprido o mais rápido possível", disse Eutália Barbosa. "Nossos técnicos já visitaram oito áreas, três delas com potencial para receber as moradias", informou Arthur Farias, diretor de Planejamento e Desenvolvimento Habitacional da Cohab.

"A gente acredita que a governadora vai nos ajudar a construir a nossa casa", declarou o agricultor Francisco Serejo Barroso, morador do Independente II, que junto com a esposa e duas filhas menores perdeu tudo e está abrigado no Parque de Exposições. "Nós já recebemos duas cestas básicas, dois colchões, roupas e calçados", contou.

A secretária Eutália Barbosa tranquilizou a população, afirmando na coletiva que não há surtos de doenças de veiculação hídrica, como diarréia.

Na próxima segunda-feira (27) começará a funcionar o hospital de campanha, montado pela Sespa. "Teremos sete médicos e 12 enfermeiros para atender prioritariamente os atingidos pela inundação", disse Waldemir Maia, da Sespa.
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abril 28, 2009

BR 319 - a caminho da devastação

BR-319 - cenários de desmatamento
Editorial

BR 319 - a caminho da devastação
Em 27/04/2009
Fonte: Amazonia.org.br

A rodovia BR-319, que liga Manaus a Porto Velho, é atualmente uma das obras que podem trazer o maior impacto para a floresta amazônica. Em caso de empreendimentos tão polêmicos, é comum - para não dizer necessário- pensar em aumentar o tempo de estudos e debates sobre a obra, para melhor conhecer quais os principais impactos. Neste sentido, o juiz federal Ricardo Sales, a pedido do Ministério Público Federal, havia suspendido, por 90 dias, o início da realização das audiências públicas da BR-319.

O argumentando era que as instituições governamentais, não governamentais e a sociedade brasileira precisavam de tempo adequado para conhecer o Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental e saber efetivamente quais os possíveis impactos da pavimentação da BR, já que a primeira audiência estava marcada para acontecer apenas uma semana após o EIA/Rima ter sido oficialmente concluído. Fato que atropelou inclusive o Conselho Nacional do Meio Ambiente, que determina que o órgão de Meio Ambiente, a partir da data do recebimento do Rima, fixará em edital e anunciará pela imprensa local a abertura do prazo que será no mínimo de 45 dias para solicitação de audiência pública.

No entanto, quando as pressões da sociedade vão de encontro aos interesses governamentais e de grandes empreiteiras, o governo é ágil em suas ações: poucas horas depois de a Justiça liberar a realização das audiências por meio de liminar, na noite do dia 23 de abril, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) já iniciava a primeira audiência pública, no município de Humaitá-AM. O detalhe: o EIA/Rima, objeto de discussões nas audiências, foi entregue no dia 14 de abril, e sequer havia sido disponibilizado no site da internet do Ibama.

A agilidade para impedir que a sociedade participasse da audiência impressiona e é mais um fato que mostra o interesse do governo em aprovar o mais rápido possível a licença para a rodovia, sem qualquer preocupação com a questão socioambiental da região. Pouco tempo atrás o Congresso nos deu outro exemplo de como aprovar sorrateiramente leis que fragilizam a legislação ambiental.

No dia 15 de abril, os deputados aprovaram a Medida Provisória 452 que trata do Fundo Soberano e não se sentiram incomodados em adicionar uma emenda, proposta pelo deputado José Guimarães (PT), que nada tem a ver com o fundo. Com essa emenda, rodovias ficam dispensadas da necessidade de estudos de impacto ambiental para serem implementadas.

Estudos científicos e a própria experiência histórica mostram o quanto a abertura de uma rodovia contribui para a devastação das florestas. Exemplos não faltam, como a Transamazônica e a BR-163, construídas na década de 1970 que, além de devastar a floresta, foram responsáveis por dizimar os povos indígenas que viviam nas proximidades. Desta vez, abertura da BR-319 deve trazer conseqüências ainda mais graves. A estrada vai abrir o caminho do desmatamento, grilagem, conflito de terras e problemas sociais para uma área hoje intocável, comprometendo grande parte da biodiversidade da região. Pior, pode comprometer inclusive os esforços em manter a floresta em pé quando o desmatamento atingir o coração da floresta. Esse futuro cenário é paradoxal às preocupações não só de grande parte da sociedade brasileira, mas do mundo, em meio às discussões internacionais sobre as melhores formas de conter as mudanças climáticas e o desmatamento.

Porém, nada disso parece sensibilizar nossos governantes e parlamentares, ávidos pelos altos lucros do comércio da pecuária e da soja na região e pelas gordas verbas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O ganho político também é grande: a estrada é o "trunfo" do ministro dos Transportes, Alfredo Pereira do Nascimento, que pretende utilizá-la para viabilizar sua candidatura ao governo do Amazonas em 2010.

As perdas são grandes, tanto para os povos da floresta que habitam aquela região e para a Amazônia - um dos maiores patrimônios de biodiversidade do Brasil, quanto para o mundo, que busca combater ao aquecimento global. Com a aprovação da rodovia é bem provável que grandes impactos nos atinjam, com a mesma velocidade que estamos vendo a destruição da legislação ambiental brasileira.
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(Colônia) - uma história silenciosa

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Biscoito Fino lança inéditas de Dolores Duran

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abril 27, 2009

Com açucar e com afeto (I)

Ferreira Gullar
Com açúcar e com afeto (I)

Para o poeta Ferreira Gullar, autor de um dos mais belos poemas da língua portuguesa – Poema Sujo. No mês que antecede as comemorações do Dia Nacional de Luta Antimanicomial (18 de maio), ele decidiu detonar a Reforma Psiquiátrica brasileira pelo segundo ano consecutivo, na sua coluna na Folha “Ditabranda” de São Paulo. Ano passado, um suposto amigo queixava-se do atendimento nos serviços públicos.

Este ano, o poeta chutou o pau da barraca. Assumiu sua condição de pai de dois filhos esquizofrênicos e qualificou a Lei 10.216, de 2001 (Lei de Saúde Mental), de lei idiota, ofendendo o movimento social por uma sociedade sem manicômios, ignorando a luta de familiares, técnicos e pessoas com “transtorno mental” que comeram o pão que o diabo amassou nos manicômios brasileiros.

A crítica, se não se sustenta em seus pressupostos, surpreendeu pela agressividade. O poeta, que um dia foi filiado ao PCB, mostrou-se alheio ao processo de enfrentamento e desmonte da indústria da loucura no território nacional. Pior, desconsiderou as bases em que foi construído o tratamento em liberdade para pessoas em grave sofrimento psíquico. Estes, ao se livrarem da visão fatalista da psiquiatria conservadora, reinventaram a cidadania perdida.

Para Gullar, o bom tratamento exige internações. São elas que livram os familiares da “fúria homicida das crises”. Dupla redução: do homem às suas crises; dos cuidados a um modelo superado. Sem querer, o poeta cego pela dor, roça a ferida aberta da reforma psiquiátrica: enquanto existem mais de 2 mil CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) sob a responsabilidade dos municípios, são poucos os leitos psiquiátricos implantados nos hospitais gerais dos estados. A política nacional de saúde mental enfrenta os limites impostos por baixos investimentos, resistência de gestores descompromissados e deficiência de recursos humanos convertidos ao novo modelo de atenção definido na legislação.

Demonizá-lo é tão estéril quanto deixar de oferecer respostas concretas.

Manaus, Abril de 2009.

Rogelio Casado, especialista em Saúde Mental
Pro-Reitor de Extensão em Assuntos Comunitários da UEA
www.rogeliocasado.blogspot.com

Nota do blog: Artigo publicado no Caderno Raio-X, do jornal Amazonas em Tempo.
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Quem com ferro fere, com ferro será ferido

Foto: Rogelio Casado - Dulce Edie dos Santos - Belo Horizonte-MG, 16.07.2006
Nota do blog: Ontem, domingo, Ferreira Gullar voltou a falar tolices em sua coluna na Folha "Ditabranda" de São Paulo, desta vez contra a Psiquiatria Democrática. O poeta em suas desmedidas recebeu o troco. Leia a poesia de Dulce Edie dos Santos, da rede de defesa da reforma psiquiátrica, no melhor estilo "quem com ferro fere, com ferro será ferido".

QUE PENA!

Ah, poeta,
Que pena teres a pena
Na mão que escreve...
Que pena a tua pena
Não dizer o que deve...
Que pena a tua pena
Sirva de arma aos algozes
Entoando... os inimigos,
Suas falácias atrozes
Vendo, só, os seus umbigos
Apesar da triste cena.
Que pena...
Que pena teus filhos
Não sejam maltrapilhos,
Pobres e sem dentes,
Como outros dementes
Que circulam entre gentes,
Mas, livres e... sem algemas.
Pobre poeta, que pena...

Dulce (familiar/usuária)
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Mais uma morte num hospital psiquiátrico de Pernambuco, que resiste ao fechamento

Fotografia postada em profile.myspace.com
A SAÚDE MENTAL EM PERNAMBUCO DE LUTO, NA LUTA.
NÚCLEO DA LUTA ANTIMANICOMIAL PE (filiado à Rede Nacional Internúcleos de Luta Antimanicomial)

MAIS MORTES EM HOSPITAL PSIQUIÁTRICO DE PERNAMBUCO


Pernambuco // Homicídio


Polícia não tem pistas de quem matou paciente psiquiátrico

Publicado em 21.04.2009, às 13h51
Do JC Online Com informações da Tv Jornal

A polícia ainda não tem pistas de quem matou, na madrugada desta terça-feira (21), um paciente do Hospital Psiquiátrico José Alberto Maia, em Camaragibe, Região Metropolitana do Recife. O corpo só foi encontrado, no pátio da unidade, no início da manhã.

Segundo a polícia, Severino Fernando de Miranda Filho, 37 anos, estava alterado na segunda-feira (20) e chegou a tomar remédios. Ele estaria mexendo nos objetos de outros pacientes, por isso acredita-se em vingança. Severino foi morto a pedradas.

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/ Polícia / Homicídio
Terça - 21/04/09 10h18

Paciente de hospital psiquiátrico em Camaragibe é morto por outro interno

O crime aconteceu na madrugada desta terça-feira (21); a vítima foi morta a pedradas

Da Redação do pe360graus.com

Um paciente matou outro na madrugada desta terça-feira (21), no Hospital Psiquiátrico José Alberto Maia, em Camaragibe, Região Metropolitana do Recife. O crime aconteceu por volta das 2h.

De acordo com a polícia, Severino Fernandes de Miranda Filho, 37 anos, foi assassinado a pedradas dentro da ala masculina da unidade. O autor do crime não foi identificado.

A coordenadora da enfermaria, Maria dos Prazeres, informou que o corpo de Severino de Miranda Filho foi encontrado no pátio. Ela disse que a vítima ainda estava viva e chegou a ser socorrido no próprio hospital, mas faleceu.

"Ele teve traumatismo craniano, mas ainda não é possível dizer a causa da morte", declarou Maria dos Prazeres.

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Comentário(s) dos leitores
Este é um espaço cedido para fórum público, que não representa a opinião do Diario de Pernambuco. As mensagens abaixo são de responsabilidade exclusiva dos internautas que as enviaram.

"É uma vergonha o que vem acontecendo no Hospital Alberto Maia. As autoridades têm conhecimento e a sociedade faz de conta que não é com ela. O Governador sabe mais que ninguém o que vem acontecendo...Temos denunciado aos quatro cantos do mundo...Não vamos calar...A SAÚDE MENTAL EM PERNAMBUCO DE LUTO NA LUTA. Estamos à disposição da família para cobrarmos JUSTIÇA. Delegado procurando culpado? Foi a omissão do Governo do Estado, diretor do hospital, médico, que veio de outro planeta e não conhece a trajetóra de terror, mortes, violências e violação de direitos aos pacientes ali encarcerados. VAMOS ATÉ A CÔRTE INTERNACIONAL QUE JÁ RECOMENDOU O FECHAMENTO DESTE MANICÔMIO."
Nelma Melo - NÚCLEO DA LUTA ANTIMANICOMIAL PE

***

PALAVRAS AO VENTO...

14.05.08 (Atentar para a data de pulicação desta matéria)

Governador discute situação dos manicômios em Pernambuco

Roberto Pereira/ SEI

“Estou à disposição para ajudar na construção de um novo modelo, para reversão do quadro atual no tratamento psiquiátrico dos internos em manicômios no Estado, fazendo de uma forma responsável e articulando com os municípios”, com essas palavras, o governador Eduardo Campos recebeu os representantes do Núcleo da Luta Antimanicomial de Pernambuco, nessa quarta-feira (14), no Palácio do Campo das Princesas.

O grupo entregou ao governador um diagnóstico da situação dos pacientes mentais do Estado. Nelma Melo, coordenadora do Núcleo, se disse satisfeita com a recepção dada pelo governador às reivindicações da luta: “O balanço do encontro com o governador foi muito positivo. Ele está sensível com a nossa luta e ficou de dar o apoio necessário. Ficou claro que ele entende a lógica do modelo que se precisa mudar”.

Alternativas como a implantação de um maior número de residências terapêuticas, de Centros de Atenção Psicossocial – Capes – de centros de convivência e de hospitais emergenciais estão sendo propostas pelo grupo. Atualmente, cerca de três mil pessoas recebem tratamento especializado nos 15 hospitais psiquiátricos do Estado, a grande maioria na Região Metropolitana do Recife. Desses pacientes, 60% são internos. Segundo Nelma Melo, a intenção é trazer esses pacientes para o convívio social dando alternativas de renda e emprego e também, oferecendo um tratamento mais ligado com as políticas de direitos humanos.

PASSEATA – Nesta sexta-feira (16), será realizada a 4ª Caminhada da Luta Antimanicomial. A concentração será no Parque 13 de maio, na frente da Biblioteca Pública, às 8h, e a dispersão será no Marco Zero. A organização estima que duas mil pessoas participem do evento, que fará uma parada no Palácio das Princesas para entregar a representantes do Governo do Estado uma carta de reivindicações feita por pacientes e profissionais da área, que estão engajados na luta antimanicomial em Pernambuco.
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abril 26, 2009

Noite de jazz com Humberto Amorim


Jazzófilos (as),

Na edição domingueira do programa "Momentos de Jazz", logo mais a partir das 20h00 hora de Manaus), pela Radio Amazonas Jazz FM ( 101,5) http://www.amazonasfm.com.br , vamos desfrutar dois registros marcantes e antológicos da história do jazz.

Primeiramente celebraremos a data de nascimento, ocorrida ontem, da First Lady of Song Ella Fitzgerald com o cd "The Complete Ella in Berlin" gravado ao vivo em 1960, quando ela cantou pela primeira vez para um grande público e assinou definitivamente a canção "Mack the Knife", que tem os versos originais escritos em alemão por Bertolt Brecht.

Seguidamente ouviremos, desta feita para deleite geral, tipo viagem em direção à Alfa, o registro do album do tropmpetista Miles Davis "Kind of Blue" (ver postagem completa a respeito, neste blog (do Humberto Amorim, endereço na lista de blogs ao lado), no dia 22 de abril p.p., que completou 50 anos de publicação nesta semana que ora finda. O pianista Herbie Hancock declarou que "a audição deste cd é o seu café da manhã. Disperdício não conferir.

E, atendendo a inúmeros pedidos, principalmente por parte dos ouvintes Thelma Amaranto e Felipe Veiga, vou apresentar três canções com Peter Cincotti, o cantor canadense de música pop e jazz, e mais três da vocalista e contrabaixista Esperanza Spallding, a grande revelação em 2008 do jazz contemporâneo.

Fecharemos o programa com a cantora brasileira Zizi Possi no cd "Para Inglês Ver...e Ouvir". Neste album Zizi incursiona pelos clássicos do Great American Songbook em inglês e, mais uma vez, se destaca com competencia, versatilidade e muito charme na voz.

Se eu fosse você não perderia este programa de jeito algum.

O melhor ainda está por vir.
Até jazz!

Humberto Amorim
Jazzófilo

O assanhamento da psiquiatria conservadora

O assanhamento da psiquiatria conservadora

Do correspondente do PICICA, no Rio de Janeiro

Zefofinho de Ogum,
sociólogo

Ora vejam! Deram espaço, deu no que deu! Mesmo tendo assento na Comissão Nacional de Saúde Mental, os conservadores da Associação Brasileira de Psiquiatria - ABP golpearam o Ministério da Saúde ao protocolar queixas contra a Política Nacional de Saúde Mental. Pra quem já tinha botado as manguinhas de foram em 2006, quando agrediram a Coordenação Nacional de Saúde Mental em artigo publicado no jornal O Globo, só os ingênuos acreditavam que havia cessado a fúria mudancista. Isso mesmo, ABP quer mudar a Política Nacional de Saúde Mental. Como não deu certo a estratégia de "zerar pra começar de novo", agora estão propondo conciliar CAPS com Hospitais Psiquiátricos, e como isso preservar um modelo surrado, ultrapassado e com validade vencida. Vem chumbo pela frente.

Animados com a performance da vetusta entidade, eis que novos grupos que giram em torno do ideário conservador resolveram botar o bloco na rua. A título de discutir o tema Justiça e Doença Mental, indiretamente detonam as conquistas do movimento que luta por uma sociedade sem manicômios, com um subtítulo virulento: "Loucura: o insano sistema de saúde mental". Conheçam quem são as ilustres personagens (vixe!) e o apito que elas tocam. Pra quem é macaco velho na Reforma Psiquiátrica brasileira, nenhuma surpresa. Pra quem não sabe metade da missa rezada por essas criaturas, é bom ficar de olho.

***

Adriana da Silva Fernandes
Procuradora da República, atua no Ministério Público Federal em São Paulo na área Tutela Coletiva – Ofício da Cidadania.

Antonio Geraldo da Silva
Médico Psiquiatra , Presidente da Associação Psiquiátrica de Brasília – APBr, Diretor da Associação Médica de Brasília – AMBr, Diretor Adjunto do Sindicato dos Médicos do Distrito Federal - SindMédico/DF, Professor da FASEH/MG, Professor da Universidade Estácio de Sá/RJ -Preceptor de Residência Médica da Pax Clínica/GO, Ex- Coordenador de Saúde Mental do Distrito Federal - SES/DF Ex- Diretor da DRMA do HSVP-SES/DF, Ex- Suplente do CNS pela ABP.

Cenise Monte Vicente
Graduada em Psicologia pelo Instituto de Psicologia da USP-1979 - Mestre em Psicologia Social – IPUSP (1987) - Doutora em Saúde Mental - Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP - Coordenadora executiva da Comissão Teotônio Vilela de Direitos Humanos (1987-89) – Psicanalista - Pesquisadora do Instituto Universitário Europeu, Florença (1989-91) - Secretária Municipal de Promoção Social de Campinas – SP (1991-92) - Professora de Psicologia Criminal da Faculdade de Filosofia da USP/Ribeirão Preto (1991-1995) - Coordenadora Executiva do Instituto Ayrton Senna (1996-99) - Coordenadora do programa Banco na Escola (2000-05) – Coordenadora do Escritório Regional do Unicef São Paulo (2006-2007) - Coordenadora do Programa Envolver da Rede Social São Paulo (2006-09) - Coordenadora Institucional da Oficina de Idéias e Marketing Cultural Ltda (Oficina de Idéias), psicóloga, Brasil.

Douglas Fischer
Procurador Regional da República (PRR-4). Mestre em Instituições de Direito e do Estado pela PUCRS. Professor da Escola Superior do Ministério Público da União. Professor da Escola Superior da Magistratura Federal no Rio Grande do Sul. Professor da Pós-Graduação da Fundação Escola Superior do Ministério Público no Rio Grande do Sul. Professor da Pós-Graduação em Direito Público do Jus Podivm – Salvador. Professor do Curso de Especialização em Direito Penal e Processo Penal do Instituto de Desenvolvimento Cultural - IDC/Porto Alegre. Professor do Curso Verbo Jurídico no Rio Grande do Sul e São Paulo.

Germano Bonow
Deputado Federal (2007-2011, RS, DEM) – Médico pela Faculdade Católica de Medicina, Porto Alegre (1968) - Pós-Graduação, Faculdade Saúde Pública Universidade São Paulo (1971) - Pós-Graduação, Escola Interamericana de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro (1974) - Mestre pela Faculdade Saúde Pública Universidade São Paulo (1979) - Representante do Brasil no Conselho Diretor Organização Panamericana de Saúde, Washington, EUA (1980) - Representante do Brasil no Comitê Regional da Organização Mundial de Saúde, Washington, EUA (1980-84) - Representante do Brasil na Assembléia Mundial de Saúde (OMS), Genebra, Suiça (1981-84) - Chefe da Delegação Brasileira na Subcomissão Mista do Acordo de Cooperação Sanitária Brasil-Uruguai, Porto Alegre, (1982) e Montevidéu, Uruguai (1983).

Gilda Pereira de Carvalho
Subprocuradora-Geral da República e Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão. É mestre em Direito pela Faculdade de Direito da USP e Pós-graduada em Direito Internacional dos Conflitos Armados (ESMPU e UNB).

Heidi Ann Cerneka
Mestre em Teologia Pastoral pela Loyola University Chicago (1991) - Bacharel em Estudos Religiosos por Saint Mary’s College (1987) - Coordenadora da Pastoral Carcerária Nacional para Questão Feminina - Coordenadora do Instituto Terra, Trabalho e Cidadania – ITTC Pastoral da Mulher Marginalizada/ Associação Mulher-Vida - Pastoral Universitária Loyola University Chicago Sarah’s Inn - trabalho com Mulheres em situação de violência - Queen of Peace Center – Centro de Tratamento de Drogas para Mulheres grávidas.

Humberto Jacques de Medeiros
Procurador Chefe Regional da República (PRR-4) – graduado em Direito pela Universidade de Brasília (1989), especialização pela Universidade de São Paulo - Faculdade de Saúde Pública (2001) e Mestre em Direito pela Universidade de Brasília (1993). Especialista em Direito Público.

José Geraldo Vernet Taborda
Médico pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1983), graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela UFRGS (1974), Mestrado e Doutorado em Ciências Médicas pela UFRGS (1996-2002). Membro do corpo clínico do Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, do Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul, da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre e Hospital São Lucas-PUCRS. Professor Adjunto da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e Professor Permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas da FFFCMPA. Especialista em Psiquiatria e Psiquiatria Forense.

Luiza Cristina Fonseca Frischeisen
Membro do Ministério Público Federal, Procuradora-Chefe da PRR3 - graduada em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1989) - Mestre em Direito do Estado, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1999) - Doutora em Direito pela Universidade de São Paulo-USP (2004).

Maria Cecília Pereira de Mello
Desembargadora Federal do Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Integrante da 2ª Turma e da 1ª Seção, especializadas em matéria criminal.

Pedro Vieira Abramovay
Secretário de Assuntos Legislativos é paulista, formado em direito pela Universidade de São Paulo. Em 2002, trabalhou como assessor do Gabinete da Prefeita de São Paulo. Em fevereiro de 2003, assumiu o cargo de assessor jurídico da Liderança do Governo no Senado e, em maio de 2004, o de assessor especial do Ministro da Justiça. Foi presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto em 2001 e Conselheiro do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana de São Paulo (Condepe). Desde janeiro de 2007, responde pela Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério.

Pete Earley
Escritor e ex-jornalista do Washington Post, Earley escreveu, entre outros, o livro “Crazy” (“LOUCURA: A busca de um pai no insano Sistema de Saúde Mental”), finalista ao PRÊMIO PULITZER de 2007, na categoria não ficção. Ganhador do Prêmio de Mídia Independente para “Advocacy” da NAMI (Aliança Nacional para Doenças Mentais), do KEN Book Award (NYC NAMI), do Prêmio de “Advocacy” da Associação de Saúde Mental de Rhode Island e do Prêmio de “Advocacy” da Sociedade Psiquiátrica de Washington, em 2007, “CRAZY” tem sido descrito como “um livro que está fazendo a diferença”. Por sua vez, Earley foi descrito na revista “Washingtonian” como um entre alguns jornalistas e autores importantes nos Estados Unidos “que têm poder de introduzir novas idéias e fazer com que elas ganhem relevância”.

Raquel Elias Ferreira Dodge
Subprocuradora-Geral da República, LL.M - Harvard Law School (2007), Global Advocacy Fellow - Programa de Direitos Humanos - Harvard (2007-2008), Pesquisadora Visitante e Visiting Fellow - Harvard (2005-2008), Gammon Fellowship - Harvard (2006), Mestrado em Direito (UnB), Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão Adjunta (2002-2004), Membro da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão (1993-2003), Coordenadora do Grupo de Trabalho para o Planejamento Estratégico Criminal do MPF (2009), membro do Conselho Editorial da Revista Bioética do Conselho Federal de Medicina.

Reynaldo Mapelli Jr
Promotor de Justiça - Promotor de Justiça Criminal - Promotor de Justiça junto ao GAERPA-SP (Grupo de Atuação Especial de Repressão e Prevenção aos Crimes da Lei Antitóxicos) - Promotor de Justiça do GECEP-SP (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial) - Promotor de Justiça da Infância e Juventude da Capital, atualmente Coordenador da Área de Saúde Pública do CAO (Centro de Apoio Operacional) Cível e de Tutela Coletiva do Ministério Público do Estado de São Paulo e membro da COPEDS - Comissão Permanente de Defesa da Saúde do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados da União.

Sérgio Paulo Rigonatti
Médico pela Universidade Federal de São Paulo (1971), Mestre e Doutor em Psiquiatria pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (1996-2000) - Diretor Técnico do Serviço de Terapias Biológicas/ECT do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP. Especialista em Psiquiatria Forense e Medicina Legal.

Sérgio Salomão Shecaira
Graduado em Direito pela Universidade de São Paulo (1982), Especialização em Direito Público (1987), Mestrado e Doutorado em Direito Penal pela Universidade de São Paulo (1991-1997), Livre-docência em Criminologia e atualmente Professor Titular da Universidade de São Paulo. Especialista em Direito com ênfase em Direito Penal e Criminologia. Atual Presidente do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária.

Valentim Gentil Filho
Médico pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (1970), Ph.D. (Doutorado) pelo Institute of Psychiatry, Universidade de Londres (1976), Livre-Docente em Psiquiatria (1987) e Professor Titular de Psiquiatria pela FMUSP (1994) - Foi docente do Departamento de Farmacologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP (1971-1986) e presidiu o Conselho Diretor do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP (1994-2006), do qual é membro permanente - Chefe do Departamento de Psiquiatria da FMUSP (1992-1996 e 2008-atual).

Wagner Gonçalves
Subprocurador-Geral da República - Procuradoria Geral da República – Bacharel em Direito – Faculdade de Direito da Universidade Federal de Goiás Centro de Ensino Unificado de Brasília – CEUB - em 1972. A partir de maio de 2008, Coordenador da 2ª Câmara do Ministério Público Federal (área Criminal e Controle Externo da Atividade Policial). Atua no Supremo Tribunal Federal na área penal (2005-2008). Subprocurador Geral da República desde dezembro de 1994 - promovido por merecimento. Atua na área criminal junto ao Supremo Tribunal Federal. Tem assento na 2ª Turma (STF).


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Pelo fim das medidas emergenciais


Pelo fim das medidas emergenciais

Cuidado com esse tipo de reportagem. No caso, o anúncio da criação de um Comitê de Combate ao Uso de Crack por Crianças na cidade do Rio de Janeiro. A denominação do comitê já é infeliz. Sobre ela a reportagem não tem nenhuma responsabilidade. A questão é: sobre o dito, o que não está sendo dito?

São ouvidas várias autoridades, tendo como âncora uma personalidade célebre de uma área do conhecimento. O problema é que essa última personagem parece desconhecer quais as “medidas emergenciais” anunciadas pela autoridade municipal para enfrentar o que a mídia resolveu denominar como “epidemia do crack”. Tais medidas é quem mereceria seu comentário crítico. Ainda que eventualmente elas tenham sido criticadas, a edição da matéria não permite que seu conteúdo venha à luz.

O aumento do consumo de substâncias entorpecentes pelos adolescentes, sobretudo os pobres e favelados, tem sido utilizado pela psiquiatria conservadora como instrumento que visa aumentar o número de leitos para tratamento dos dependentes. Ora, reduzir políticas públicas de saúde a oferta de leitos para retirar das ruas e internar os adolescentes é mascarar a ausência das estratégias estabelecidas pela Política Nacional Antidrogas. Esta é quem define a oferta de uma rede de serviços que, pelo seu caráter permanente, certamente poria fim ao recurso das “medidas emergenciais”.

O problema é que são tão poucos Centros de Atenção Psicossocial para abusadores de álcool e outras drogas, Centros de Convivência e leitos em Hospitais Gerais, que em seu lugar surgem medidas emergenciais incapazes de enfrentar a questão do uso abusivo de substâncias entorpecentes. Pior. Repare na fala da promotora pública que uma das “medidas emergenciais” anunciadas provoca arrepios. Propor abrigos especializados – um para meninos, outro para meninas – lembra ações de segregação típicas de políticas de regimes onde imperam o “apartheid” social. Devagar com o andor...

O depoimento que se segue, de um militante da reforma psiquiátrica brasileira, teria enriquecido a reportagem. Como não houve autorização, conto o milagre, mas não o nome do santo:

“Todos nós sabemos que para reverter este quadro exigem medidas de longo, longuíssimo prazo - que é a implantação de políticas públicas efetivas (preconizadas no Estatuto da Criança e do Adolescente) que nunca saíram do papel.
A idéia do Comitê são medidas IMEDIATAS - Plano de Ação e tratamento especializado que inclui tratamento especializado, cuja leitura da Secretaria Municipal de Saúde resume a internação destas crianças. Em nenhum momento a vídeo-reportagem fala em serviços substitutivos (CAPS, Centros de Convivência, por exemplo). Sinistro!

Essa mania de tratamento emergencial (abrigos especializados em adolescentes e crianças com tratamento intensivo de saúde mental) remonta à questão do apartaheid social - que preconiza a retirada do que incomoda a SOCIEDADE -, como se tirar os meninos das ruas e colocá-los nestes locais resolvesse a questão maior que é ADOLESCENTES E CRIANÇAS EM SITUAÇÃO DE RUA, agravado pela questão do uso de drogas. Acho trágico, porque se antes ninguém os via (na rua, se prostituindo e praticando pequenos atos infracionais), agora que eles passaram a “EXISTIR” e a causar incômodo, só então foi registrado que eles usam crack. Então, antes do crack eles não existiam? Não é isso o que se chama mito da invisibilidade social?

OS CAPS I no arcabouço de seu projeto não têm ATRIBUIÇAO ESPECÍFICA de atender crianças que moram na rua. Entendo que o sucesso do tratamento com crianças e adolescentes é a adesão a família. Portanto, como atender crianças e adolescentes de rua que necessitem de cuidados da área de saúde mental?

Sei que existem pelo Brasil afora experiências de CAPS itinerantes para lidar com moradores de rua, mas desconheço experiências com crianças e adolescentes moradores de rua ou em situação de rua. Lógico que estes pequenos moradores de rua estando, digamos, "internados" numa casa de passagem ou abrigo, eles passam a ser TUTELADOS pelo Estado (na ausência da família), e aí, sim, podem ser inseridos nos serviços. Mas daí a criar esses “abrigos especializados”...”


O blogueiro adverte: não é a toa que a psiquiatria conservadora se alvoroça, depois do desmonte a que foi submetida pelos avanços da reforma psiquiátrica brasileira; pois são nos tropeços dela que os conservadores se preparam para abocanhar essa “fatia do mercado”. Podemos estar assistindo o nascimento de uma nova indústria, caso os poderes públicos tardem em criar mais e melhores serviços em todos os estados da federação. Afinal quando teremos as Fundações de Direito Público, estratégia que pode ampliar o número de trabalhadores de saúde mental através de concursos públicos, contratos sob regime da CLT, com salários justos, sem que tal “medida” cause prejuízos à Lei de Responsabilidade Social, e que ponha fim à precarização do trabalho. Mentaleiros, uni-vos!

Confirmando suspeitas

Terras indígenas Raposa Serra do Sol
TAQUI PRA TI

CONFIRMANDO SUSPEITAS

José Ribamar Bessa Freire

26/04/2009 - Diário do Amazonas

“Prezado Bessa, leio sempre sua coluna na Internet (que maravilha essa invenção do capitalismo não é?). E há muito aguardo sua opinião acerca da Raposa Serra do Sol. Aprecio os seus textos. O último, entretanto, confirmou minhas suspeitas: você é mais um acadêmico que defende a demarcação tal qual está. Seria importante, querido conterrâneo, esclarecer certas coisas. Você já deu diversas provas de honestidade intelectual. Gostaria de mais essa. Agradeço a atenção”.

Foram 14 as perguntas enviadas pelo leitor André Costa. Tento respondê-las com o respeito que ele merece.

Para ler mais, acesse TAQUI PRA TI
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abril 25, 2009

Juan pede atenção para os recados das tias Thelma e Elisa

Foto: Rogelio Casado - Juan Casado na III Caravana SOS Encontro das Águas - Manaus-AM, março, 2009

"Se liga aí no recado da tia Thelma e tia Elisa".

Convite – tarde artística e cultural na Colônia Antônio Aleixo

Dando continuidade as ações preparatórias para a Audiência Pública sobre o Porto das Lajes que ocorrerá em maio na Colônia Antônio Aleixo, o movimento SOS Encontro das Águas estará realizando uma tarde artística e cultural com o objetivo de colaborar com a sensibilização da juventude local sobre o significado cultural, social e ecológico do Encontro das Águas.

As belas e divertidas atividades artísticas estão sendo coordenadas por estudantes do INPA, UFAM e UEA em conjunto com os líderes comunitários e precisam da colaboração de todos para que NÃO DEIXEMOS A COMUNIDADE DA COLÔNIA ANTÔNIO ALEIXO DEFENDENDO SOZINHA O MAIOR PATRIMÔNIO CULTURAL E AMBIENTAL DO AMAZONAS.

Local: ECAE (Espaço Cidadão de Arte e Educação), próximo à praça principal da antiga Colônia Antônio Aleixo.
Data: Domingo (26/04/2009), Hora: 14 – 19 h.
Repassamos abaixo o convite do grupo de Educação Ambiental.

Uma linda tarde de domingo a todos !

Obrigada,

Elisa Wandelli
p/ Associação dos Amigos de Manaus - AMANA

Bom dia!

Gostaria de convidá-los para participar no domingo próximo, às 14h de uma tarde de oficinas e artes no ECAE (Espaço cidadão de arte e educação), próximo a praça principal da antiga Colônia Antônio Aleixo.

Este evento será a finalização da I Conferência Infanto-juvenil de Meio Ambiente da Colônia Antonio Aleixo, cujo tema foi: "juventude consciente cuidando do meio ambiente". Esta atividade faz parte das ações de sensibilização ambiental do grupo de articulação em educação ambiental da AMANA (Associação dos Amigos de Manaus).

Durante o evento teremos oficinas sobre educação ambiental com foco na importância socioambiental do Encontro das Águas discutindo a questão da qualidade da água, Áreas de Preservação Permanente, oficina de reaproveitamento de óleo para fazer sabão, oficina de desenho, oficina de instrumentos e malabares com material reciclável e apresentação/exposição dos cartazes produzidos pelos alunos que participaram da I Conferência Infanto-juvenil de Meio Ambiente. Teremos também apresentação de dança, teatro, música (Cabocliolo) e recital de poesia (aberto ao público)!

Tragam suas canções e poesias!

Contamos com a presença de tod@s!

Divulguem,

Thelma Mendes Pontes

Engenheira Agronoma - UFV
Mestranda em Ecologia - INPA

***

Prezados,

Complementando o convite para a Tarde Artística e Cultural na Colônia Antônio Aleixo, informamos aos interessados em colaborar com esta atividade de sensibilização sobre os impactos sociambientais do Porto das Lajes que um ônibus gratúito partirá da Bola do Coroado (Posto BR) ás 12:30h de domingo (26/04/2009) com destino ao ECAE (Espaço Cidadão de Arte e Educação).

Obrigada

AMANA/ SOS Encontro das Águas
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O imortal Jorge Tufic lança livro em Manaus

Foto: Rogelio Casado - Jorge Tufic - Manaus-AM, nov. 2008

Após 53 anos de sua estreia literária com o livro de poesia Varanda de Pássaros, Jorge Tufic, um dos escritores mais expressivos da literatura amazonense lança sua primeira novela neste sábado, dia 25 de abril, às 10h na Livraria Valer (Rua Ramos Ferreira – 1195, Centro). Na ocasião, o autor falará da produção do livro e do assunto que permeia a obra.

Um hóspede chamado Hansen divide-se em quatro partes, sendo que nas três primeiras apresenta a novela e, em seguida, dez contos inéditos. O personagem Ronaldo é um desses hipocondríacos que volta e meia encontramos por aí. Ele sai de hospital em hospital para desvendar um mistério: a aparição de manchas luminosas no seu braço. Apesar de toda procura, o leitor terá uma surpresa ao final da descoberta de Ronaldo. É com esse enredo que o escritor Jorge Tufic constrói a sua novela que faz parte do livro. Outro destaque de Um hóspede chamado Hansen são os 10 contos que compõem a quarta parte do livro. Pula-Pula, O sonho de Tibério, Condenados na Praça e As cincos rosas trazem textos curtos, que exploram o realismo fantástico do cotidiano. Tanto a novela quanto os contos foram escritos há 23 anos e só agora serão publicados.

O AUTOR

Jorge Tufic, poeta e ensaísta, nasceu no Acre. Descendente de uma família de comerciantes árabes, seu pai desenvolveu suas atividades comerciais nos seringais. Com o declínio da produção de borracha, transferiu-se, no início da década de 40 aos, para Manaus, onde realizou seus primeiros estudos. Exerceu, durante boa parte de sua vida, a atividade de jornalista. Tufic é um dos fundadores do Clube da Madrugada e ocupa a cadeira n.º 18 da Academia Amazonense de Letras. É membro da Casa do Poeta Brasileiro, da Academia Acreana de Letras, da Academia Pré-Andina de Letras e Letras do Nordeste Brasileiro. A partir do início da década de 90, fixou-se em Fortaleza, dedicando-se exclusivamente à literatura. Sua produção literária é uma evidência de sua identificação com o universo regional, seu esforço em criar uma obra identificada com os mitos, anseios e esperanças do homem da Amazônia.

Principais obras: Poesia: Varanda de pássaros, 1956; Pequena antologia madrugada, 1958; Chão sem mácula, 1966; Faturação do ócio, 1974; Cordelim de alfarrábios, 1979; Os mitos da criação e outros poemas, 1980; Sagapanema, 1981; Oficina de textos, 1982; Poesia reunida, 1987; Retrato da mãe, 1995; Boléka, a onça invisível do universo, 1995; Os Quatro elementos, 1996; Quando as noites voavam, 1999; Dueto para sopro e corda, 2000; Sonetos de Jorge Tufic, 2000; Conto: O outro lado do rio das lágrimas, 1976; Os filhos do terremoto, 1978 Ensaio: Existe uma literatura amazonense, 1982; Roteiro da literatura amazonense, 1983; O Protesto de Bocage, 2004. Crônica: Tio José, 1976. Memória: A casa do tempo, 1987. Novela e contos: Um Hóspede chamado Hansen, 2009. Livros inéditos: Guardanapos pintados com vinho (poesia). Amazônia: o massacre e o legado (ensaios); O Sonho de Tibério (crônicas); Jorge Tufic: o Senador da Cultura (recortes de campanha política); O Soneto no Amazonas: sua história, sua evolução (ensaio com antologia);

Evento: Lançamento de livro

Título: Um hóspede chamado Hansen

Páginas: 96

Autor: Jorge Tufic

Editora: Valer

Preço do livro: R$ 25

Data: 25 de abril de 2009 (sábado)

Horário: 10h

Local: Livraria Valer – Rua Ramos Ferreira, 1195 – Centro

Contatos: 3635-1324 (Livraria Valer)

www.livrariavaler.com.br

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Projeto da UEA apresenta cartografia social de comunidades indígenas e ribeirinhas da Amazônia

Foto: Rogelio Casado - Alfredo Wagner - Manaus-Am, 2007

Projeto da UEA apresenta cartografia social de comunidades indígenas e ribeirinhas da Amazônia

Mais de 80 indígenas dos municípios de Maués, Rio Preto da Eva e Manaus e Quilombolas do município de Novo Airão e de comunidades tradicionais de Manaus participam, nesta segunda-feira, do lançamento de publicações do Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia/Novas Cartografias Antropológicas, desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), por meio do Núcleo Cultura e Sociedades Amazônicas vinculado ao Centro de Estudos Superiores do Trópico Úmido. Evento será realizado às 9h, no auditório da Reitoria - Avenida Djalma Batista, 3.578 - Flores.

Os livros são: Terra Urbana e Território na Pan-Amazônia, 2009; Estigmatização e Territórios, que reúne uma série de artigos de pesquisadores da UEA, Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e Fiocruz, sobre o mapeamento social de indígenas da cidade de Manaus; Plano IIRSA - Iniciativa de Integração Regional Sul-Americana na visão da sociedade civil Pan-Amazônica, 2009; e Terras Indígenas nas Cidades, que trata sobre o mapeamento social de uma comunidade indígena intitulada Beija-Flor, localizada no município de Rio Preto;

Os fascículos: Ribeirinhos e Agricultores do Lago do Cururu, em Manacapuru, da coleção Movimentos Sociais, Identidade Coletiva e Conflitos, com 24 fascículos; “Comunidade Beco dos Pretos”, do bairro Morro da Liberdade, em Manaus; Indígenas nas cidades de Manaus, Manaquiri e Iranduba, que aborda o processo de territorialização dos Sateré-Mauwé. O fascículo faz parte da coleção Movimentos Sociais e Conflitos nas cidades da Amazônia, que já reúne 23 fascículos. Indígenas na cidade de Rio Preto da Eva, que traz a cartografia social da Comunidade Indígena Beija-Flore, Rio Preto da Eva; Movimento de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis (LGBT) Manaus-Amazonas; e Artesãs Indígenas do Alto Rio Negro em Manaus (AMARN).

Além de duas apresentações artísticas de grupos indígenas, a programação inclui a participação de representantes das comunidades indígenas Beija-Flor, do município de Rio Preto da Eva; do Movimento de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Travestis (LGBT) Manaus; da Associação dos Remanescentes de Quilombo de Novo Airão; da Comunidade Indígena Y’Apyrehyt; do Beco dos Pretos; e da Associação de Desenvolvimento Rural da Comunidade São João dos Cordeiros.

A mesa de abertura do evento será composta pela reitora da UEA, Marilene Corrêa; pró-reitora de Ensino de Graduação da UEA, Ednéia Mascarenhas; coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFAM, Deise Lucy Montardo; diretora técnico-científica da FAPEAM, Elisabete Brocki; e pelo coordenador do Projeto Novas Cartografias Antropológicas e do Núcleo Cultura e Sociedades Amazônicas do Centro de Estudos Superiores do Trópico Úmido da UEA, Alfredo Wagner Berno de Almeida.

Coordenado pelo antropólogo Alfredo Wagner Berno de Almeida, o projeto está realizando um trabalho de mapeamento social dos Povos e Comunidades Tradicionais na Amazônia. Pretende-se privilegiar para tanto a diversidade das expressões culturais combinadas com distintas identidades coletivas objetivadas em movimentos sociais.

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Informações à Imprensa:
Assessoria de Comunicação/UEA
3214-5784 / 9167-1332 / 8118-1622
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abril 24, 2009

Banda All That Jazz - o mais puro jazz amazonense

Foto postada no blog do Humberto Amorim

Foto do ensaio - Junior Leal, Guilhermino e Roger Vargas

O MAIS PURO JAZZ AMAZONENSE

A banda jazzistica amazonense "All That Jazz" fiel ao seu calendário de apresentações, uma vez a cada mês na ultima sexta-feira, retorna ao palco do Bar e Café Adrianópolis, logo mais, a partir das 22h00 para render homenagem aos 50 anos de publicação do célebre cd "Kind of Blue" do trompetista Miles Davis, a passagem da data de aniversário do compositor Henry Mancini, do saxofonista Joe Henderson e da Lady of Song Ella Fitzgerald.

A banda explora o repertório do Great American Songbook, todo em inglês e, se apresenta de terno e gravata como manda a tradição do jazz.

Couvert artistico - R$10,00

Bar e Café Adrianópolis - Rua Salvador em Adrianópolis

Telefone para reservas - 2101-2010 com Beth

Banda "All That Jazz"

Humberto Amorim - Voz
Guilhermino - Keyboards
Junior Leal - Saxofone (soprano e tenor)
Roger Vargas - Baixo-acústico
Leonardo Pimentel - Bateria.

Aguardamos vocês por lá.

Pálidos de Espanto

Foto: Rogelio Casado - Ana Marta Lobosque - Belo Horizonte-MG, julho 2006
Nota do blog: Ana Marta Lobosque, psiquiatra militante da luta antimanicomial - autora de Princípios para uma Clínica Antimanicomial, Experiências da Loucura - , sofreu um acidente e ficou temporariamente sem dançar. Na fotografia acima podemos vê-la entregue ao prazer da dança na festa de encerramento do I Encontro Nacional de Saúde Mental, realizada em Belo Horizonte, em 2006. Os que amam Ana Marta estão radiantes: ela voltou a dançar e tocar nossos corações com a beleza de seus textos. Aqui, ela crítica as tolices escritas por Ferreira Gullar na sua coluna, na Folha "Ditabranda" de São Paulo, depois que o poeta chamou a Lei de Saúde Mental brasileira de "lei idiota". O ressentimento não cai bem pra ninguém. Em se tratando de um poeta, é pecado capital. Dá-lhe, Ana Marta!

PÁLIDOS DE ESPANTO

"Pálido de espanto": foi este o título da última coluna de Ferreira Gullar, que se seguiu à "Lei errada" da coluna anterior. Aqui, longe de abordar questões meramente humanas, o poeta revela-nos seus êxtases diante da infinitude do universo.

Embora a palidez seja uma experiência fisiológica de curta duração, todos nós, que respeitamos a luta antimanicomial e lutamos arduamente pela Reforma Psiquiátrica brasileira, ainda nos encontramos sob seu efeito. Tal efeito se inicia desde a leitura do artigo de Ferreira Gullar do penúltimo domingo, e perpetua-se ao ler sua última coluna, na qual, como se nada tivesse acontecido, o poeta elide as críticas, "pálido de espanto" pela contemplação dos mistérios do universo. O dom da poesia, ao que parece, é sobremaneira utilitário: autoriza tanto a crítica ofensiva e não fundamentada da militância alheia, quanto o desprezo às reações surgidas, seja no belo artigo do psiquiatra e psicanalista Antônio Teixeira, seja na contundente manifestação da usuária Sílvia Pereira, seja em outras tantas que afluíram à redação da Folha de São Paulo.

Em seu editorial de sábado, a Folha procura preservar seu colunista, elogiando sua "corajosa" intervenção. Ora, também contribui para empalidecer-nos de espanto esta confusão - deliberada - entre coragem e agressividade, assim como a omissão do jornal diante da crítica rasa e tendenciosa de Ferreira Goulart. Um jornal que afirma sustentar uma posição ética na prática da comunicação não pode autorizar a publicação de artigos que denigrem e prejudicam a outrem, demonstrando, além do mais, grave desconhecimento do assunto tratado.

Certamente, o (mau) caráter desta crítica não escapa ao jornal, que, no mesmo editorial, declara-se de acordo com os princípios da Reforma, lamentando as dificuldades de sua implantação. Ao menos, a Folha deu-se ao trabalho de citar alguns dados - trabalho que deve parecer indigno para a inefável atividade poética de Ferreira Gullar, agora ocupado em contemplar as estrelas. Seguramente, se o jornal e o colunista tivessem recorrido a estes mesmos dados para convocar o poder público e a sociedade a zelar pelo avanço na abordagem dos portadores de sofrimento mental, descartando o tom leviano a que permitiu-se Goulart, teriam prestado um grande serviço aos usuários e familiares da Saúde Mental, assim como aos trabalhadores que ajudam-nos cotidianamente a superar suas inegáveis dificuldades.

Mas não: o senhor Ferreira Gullar não se apresenta como "pai de dois esquizofrênicos" para falar-nos francamente, de coração aberto, das dores e dos problemas desta condição. Pelo contrário, utiliza-se rancorosamente dela para autorizar-se a agredir e ofender. Aliás, observe-se de passagem, paternidade e amor nem sempre andam juntos: uma visível secura afetiva transparece na banalidade e no vazio das palavras do - poeta! - Ferreira Goulart. O seu espanto e conseqüente palidez diante das nebulosas, galáxias, e outras maravilhas distantes mascaram mal a cegueira para outros aspectos do universo humano que se encontram bem diante dos seus olhos. Se algum dia ousar encará-los, a lembrança das tolices que escreveu hão de substituir-lhe a palidez pelo rubor da vergonha.

Pálidos de espanto com uma cegueira tal, os leitores da Follha não cessam de manifestar-se. Por quê não dar-lhes voz?

Ana Marta Lobosque
(psiquiatra, militante da luta antimanicomial)
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30 anos da Lei Franco Basaglia - As Reformas Psiquiátricas e a Transformação Cultural em Saúde Mental no Brasil e no Mundo

A Universidade Federal da Bahia e a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia têm a honra de convidá-lo a participar do

Encontro Internacional "As Reformas Psiquiátricas e a Transformação Cultural em Saúde Mental no Brasil e no Mundo: 30 anos da lei Franco Basaglia".

Destinado a todos aqueles que têm contribuído com as Reformas Psiquiátricas - usuários, familiares, trabalhadores, gestores, pesquisadores, estudantes e sociedade civil - , o evento acontece nos dias 11, 12 e 13 de maio de 2009, no Centro de Convenções da Bahia, em Salvador. Palestrantes confirmados: Franco Rotelli (Itália), Manuel Desviat (Espanha), Anne Lovell (França/EUA), Gregório Kasi (Argentina), Antônio Lancetti, Ana Marta Lobosque, Ana Raquel Santiago, Emerson Merhy, Eurípides Jr., Geraldo Peixoto, Jorge Solla, Magda Dimenstein, Naomar de Almeida Filho, Paulo Amarante, Pedro Gabriel Delgado, Roberto Tykanori, Sônia Romeiro, Walter Oliveira.

Apresentações culturais (entre outras):
Show de abertura pela banda Harmonia Enlouquece (Rio de Janeiro); Peça de teatro "A Palavra do Silêncio", pelo Grupo Orgone de Arte (Santos), direção Renato di Renzo.

O encontro celebra os trinta anos da promulgação da Lei 180 na Itália e tem por objetivo fazer uma análise das diversas realidades do campo da saúde mental. Desenvolverá debates em torno dos modelos de serviços de saúde mental e da situação atual de desinstitucionalização em vigor em diversos países. Buscará também uma discussão acerca das estratégias de transformação cultural desenvolvidas em cada contexto para permitir a construção de um outro lugar social para pessoas com transtornos mentais.

Informações e inscrições : http://www.isc.ufba.br/encontrointernacional/index.html
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Lançamentos Biscoito Fino

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abril 23, 2009

Salve Jorge!

Oração a São Jorge

Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.

Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.

Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça, Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em todas as minhas dores e aflições, e Deus, com sua divina misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meu inimigos.

Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, e que debaixo das patas de seu fiel ginete meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós. Assim seja com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo.

São Jorge Rogai por Nós.

Nota do blog: No Brasil, no dia 23 de abril, comemora-se o dia de São Jorge. Banido da Igreja, Jorge vive nos terreiros. Saravá, meu pai!
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Pelas ruas de S.Paulo... num sinal vermelho a vida vira matéria...

Foto postada em g1.globo.com
Vale mais que um trocado

Ambulantes, pedintes e moradores de rua não esperam só por dinheiro dos motoristas parados no sinal vermelho. Sem pagar pra ver, eu vi.

Rodrigo Ratier (rodrigo.ratier@abril.com.br)

"Dinheiro eu não tenho, mas estou aqui com uma caixa cheia de livros. Quer um?" Repeti essa oferta a pedintes, artistas circenses e vendedores ambulantes, pessoas de todas as idades que fazem dos congestionamentos da cidade de São Paulo o cenário de seu ganha-pão. A ideia surgiu de uma combinação com os colegas de NOVA ESCOLA: em vez de dinheiro, eu ofereceria um livro a quem me abordasse - e conferiria as reações.

Para começar, acomodei 45 obras variadas - do clássico Auto da Barca do Inferno, escrito por Gil Vicente, ao infantil divertidíssimo Divina Albertina, da contemporânea Christine Davenier - em uma caixa de papelão no banco do carona de meu Palio preto. Tudo pronto, hora de rodar. Em 13 oferecimentos, nenhuma recusa. E houve gente que pediu mais.

Conteúdo relacionado Nas ruas, tem de tudo. Diferentemente do que se pode pensar, a maioria dessas pessoas tem, sim, alguma formação escolar. Uma pesquisa do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, realizada só com moradores de rua e divulgada em 2008, revelou que apenas 15% nunca estudaram. Como 74% afirmam ter sido alfabetizados, não é exagero dizer que as vias públicas são um terreno fértil para a leitura. Notei até certa familiaridade com o tema. No primeiro dia, num cruzamento do Itaim, um bairro nobre, encontrei Vitor*, 20 anos, vendedor de balas. Assim que comecei a falar, ele projetou a cabeça para dentro do veículo e examinou o acervo:

- Tem aí algum do Sidney Sheldon? Era o que eu mais curtia quando estava na cadeia. Foi lá que aprendi a ler.

Na ausência do célebre novelista americano, o critério de seleção se tornou mais simples. Vitor pegou o exemplar mais grosso da caixa e aproveitou para escolher outro - "Esse do castelo, que deve ser de mistério" - para presentear a mulher que o esperava na calçada.

Aos poucos, fui percebendo que o público mais crítico era formado por jovens, como Micaela*, 15 anos. Ela é parte do contingente de 2 mil ambulantes que batem ponto nos semáforos da cidade, de acordo com números da prefeitura de São Paulo. Num domingo, enfrentava com paçocas a 1 real uma concorrência que apinhava todos os cruzamentos da avenida Tiradentes, no centro. Fiz a pergunta de sempre. E ela respondeu:

- Hum, depende do livro. Tem algum de literatura?, provocou, antes de se decidir por Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

As crianças faziam festa (um dado vergonhoso: segundo a Prefeitura, ainda existem 1,8 mil delas nas ruas de São Paulo). Por estarem sempre acompanhadas, minha coleção diminuía a cada um desses encontros do acaso. Érico*, 9 anos, chegou com ar desconfiado pelo lado do passageiro:

- Sabe ler?, perguntei.

- Não..., disse ele, enquanto olhava a caixa. Mas, já prevendo o que poderia ganhar, reformulou a resposta: - Sim. Sei, sim.

- Em que ano você está?

- Na 4ª B. Tio, você pode dar um para mim e outros para meus amigos?, indagou, apontando para um menino e uma menina, que já se aproximavam.


Mas o problema, como canta Paulinho da Viola, é que o sinal ia abrir. O motorista do carro da frente, indiferente à corrida desenfreada do trio, arrancou pela avenida Brasil, levando embora a mercadoria pendurada no retrovisor.

Se no momento das entregas que eu realizava se misturavam humor, drama, aventura e certo suspense, observar a reação das pessoas depois de presenteadas era como reler um livro que fica mais saboroso a cada leitura. Esquina após esquina, o enredo se repetia: enquanto eu esperava o sinal abrir, adultos e crianças, sentados no meio-fio, folheavam páginas. Pareciam se esquecer dos produtos, dos malabares, do dinheiro...

- Ganhar um livro é sempre bem-vindo. A literatura é maravilhosa, explicou, com sensibilidade, um vendedor de raquetes que dão choques em insetos.

Quase chegando ao fim da jornada literária, conheci Maria*. Carregava a pequena Vitória*, 1 ano recém-completado, e cobiçava alguns trocados num canteiro da Zona Norte da cidade. Ganhou um livro infantil e agradeceu. Avancei dois quarteirões e fiz o retorno. Então, a vi novamente. Ela lia para a menininha no colo. Espremi os olhos para tentar ver seu semblante pelo retrovisor. Acho que sorria.

* os nomes foram trocados para preservar os personagens.

Fonte: http://revistaescola.abril.uol.com.br/gestao-escolar/diretor/vale-mais-trocado-432764.shtml
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