PICICA: Durante o debate sobre o filme de Andrea Palladino "Ermano Stradelli , o filho da Cobra Grande", o publico tomou conhecimento que o jovem Márcio Souza muito cedo descobriu a obra do etnólogo italiano, pesquisador dos mitos originários do alto Rio Negro. O teatro indígena do escritor e dramaturgo amazonense é fortemente inspirado no vigor da obra deixada por essa extraordinária personalidade, que viveu mais de quarenta anos no Amazonas e se apaixonou pela 'língua boa', o nheengatu, no século XIX. Se Stradelli antecipou o cenário do século XX, o teatro indígena de Márcio Souza, contribuiu para uma passagem importante das línguas indígenas na Amazônia. Depois da sua peça "Dessana, Dessana", nos anos (19(70), os índios do alto rio Negro se danaram a escrever seus mitos na língua original com fonemas da língua portuguesa. Deduz-se que se Stradelli era filho da Cobra Grande, Márcio é um dos 'filhos' de Stradelli. O teatro indígena do escritor e dramaturgo amazonense é o testemunho maior da fecundidade da obra de Stradelli. Imaginem o perigo que isso representou para o Brasil Colônia, quando por todo o continente o nheengatu era a língua de comunicação entre os povos indígenas. Vale lembrar que a Europa se manifestou como nação quando seus povos estabeleceram seus vernáculos através de textos profanos.
PICICA - Blog do Rogelio Casado - "Uma palavra pode ter seu sentido e seu contrário, a língua não cessa de decidir de outra forma" (Charles Melman) PICICA - meninote, fedelho (Ceará). Coisa insignificante. Pessoa muito baixa; aquele que mete o bedelho onde não deve (Norte). Azar (dicionário do matuto). Alto lá! Para este blogueiro, na esteira de Melman, o piciqueiro é também aquele que usa o discurso como forma de resistência da vida.
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