PICICA: Em vida chamou-se Pátria. Pátria Barbosa. Minha tia. Filha de portugueses, carregou pela vida, em seu nome, a saudade paterna da terra amada. Amada por todos de casa, foi nosso símbolo de resiliência. Uma mulher como tantas brasileiras: lutadora, guerreira, protetora. Fez parte da paisagem da mítica Praça dos Remédios, onde nasceu e morreu. Foi a primeira "terapeuta popular" do lugar, oferecendo sua banca de tacacá como lugar de escuta. Serviu três gerações da comunidade sírio-libanesa e da comunidade portuguesa que ali moravam. As gerações dos anos 1940, 1950 e 1960, que frequentaram a Faculdade de Direito, tiveram oportunidade de degustar o melhor tacacá da cidade, com camarões vindo do Maranhão, via Belém. Aprendeu com a mãe a fazer com goma, tucupi, jambú e camarão essa deliciosa iguaria cabocla chamada tacacá. Amarelada pelo tempo, tirei do fundo do baú, essa fotografia rara, em que estou na companhia dessa criatura inesquecível que é tia Pátria, para celebrar sua data natalícia. Saudades, sempre, Pátria amada! Seu sobrinho, Rogelito.
PICICA - Blog do Rogelio Casado - "Uma palavra pode ter seu sentido e seu contrário, a língua não cessa de decidir de outra forma" (Charles Melman) PICICA - meninote, fedelho (Ceará). Coisa insignificante. Pessoa muito baixa; aquele que mete o bedelho onde não deve (Norte). Azar (dicionário do matuto). Alto lá! Para este blogueiro, na esteira de Melman, o piciqueiro é também aquele que usa o discurso como forma de resistência da vida.
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