setembro 09, 2009

O fim (do hospício) está próximo

Manaus - Amazonas - Brasil
Nota do blog: Manaus, com 2 milhões de habitantes, continua a depender basicamente de três serviços de saúde mental: um hospital psiquiátrico com um ambulatório, um ambulatório numa Policlínica e um centro de atenção psicossocial (único serviço que substitui o modelo de atenção em saúde mental baseado em hospital psiquiátrico, para uma cidade que necessita de pelo menos 10 CAPS para adultos, além de CAPS para infância e adolescência, CAPS para abusadores de álcool e outras drogas, centros de convivência, além de leitos psiquiátricos em hospitais gerais). A previsão do fim do hospício decorre do complexo de obras exigidas pela FIFA, já que Manaus será em 2014 sub-sede da Copa do Mundo. O hospício está situado na ilharga do futuro estádio de futebol que substituirá o velho Vivaldo Lima, obra obsoleta construída nos tempos da ditadura militar.

O fim está próximo


Cresce a expectativa sobre o futuro do único hospital psiquiátrico público da cidade de Manaus.

Nascido como Hospício Eduardo Ribeiro pela lei No. 65, de 3 de outubro de 1894, na foz do igarapé da Cachoeira Grande; em 1898, no dia 18 de fevereiro, é transferido para a Chácara Cruzeiro, propriedade do Sr. Miranda Leão, à rua Ramos Ferreira, no centro de Manaus.
Até 1926, ali eram recolhidos os loucos da cidade, quando então foi criada a Colônia de Alienados Eduardo Ribeiro. Mais tarde, nos anos 1940, foi nomeado Hospital Colônia Eduardo Ribeiro, e Centro Psiquiátrico Eduardo Ribeiro nos anos 1980, época em que passou a dispor, de fato, de um ambulatório.

Nos anos 1990 passou a chamar-se Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro. Desde 1985 abriga um pronto-atendimento para crises psiquiátricas, pondo fim, definitivamente, aos longos períodos de internação dos sujeitos que vivem o mais trágico dos conhecimentos: a loucura.

Nos anos 1980, no governo Gilberto Mestrinho, enfrentamos a tentativa de mudança do velho hospício para uma das nossas BRs, para dar lugar a um Hospital dos Servidores. O embate resultou na contratação das primeiras psicólogas para atuar no ambulatório e da implantação do mencionado proto-atendimento.

E agora! Qual o destino do hospital psiquiátrico? Se a canoa não virar, ele dará lugar a um hospital de clínicas, mantendo o pronto-atendimento psiquiátrico, respeitando tanto a legislação estadual, quanto a federal. Nada mal, não fosse um pequeno detalhe: Manaus precisa de uma rede de centros de atenção psicossocial (CAPS), num total de 10 serviços para adultos com problemas severos e persistentes. Sem falar nos CAPS para crianças, abusadores de álcool e outras drogas, centros de convivência. Por enquanto, só tem um CAPS, implantado pelo Estado. Com a palavra o Município, que na gestão anterior deu-se ao luxo de perder três psiquiatras concursados. Are baba! Dele é a responsabilidade de implantação dos serviços que substituem o hospício.

Manaus, Setembro de 2009.
Rogelio Casado, especialista em Saúde Mental
Pro-Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da UEA
www.rogeliocasado.blogspot.com

Nota do blog: Artigo publicado no jornal Amazonas em Tempo, aos domingos.
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