março 06, 2007

Vincitore del Festival de San Remo 2007

Foto: Rogelio Casado - Encontro Nacional de Saúde Mental, Belô-MG, jul/2006


















Roberto Tykanori (*)

Carissimi doctore, questa e una bella cancionne premiata in festival di Sanremo-2007. Excusa nostro italiano, ma a recibito questo video di Tykanori i e molto bello. Beci per te i tuti quanti!
Va benne. Un bel dia vedremo.
Gracie, bello, tchau...

Geraldo e Dulce (**)

Ti regalerò una rosa

Una rosa rossa per dipingere ogni cosa
Una rosa per ogni tua lacrima da consolare
E una rosa per poterti amare
Ti regalerò una rosa
Una rosa bianca come fossi la mia sposa
Una rosa bianca che ti serva per dimenticare
Ogni piccolo dolore

Mi chiamo Antonio e sono matto
Sono nato nel ’54 e vivo qui da quando ero bambino
Credevo di parlare col demonio
Così mi hanno chiuso quarant’anni dentro a un manicomio
Ti scrivo questa lettera perché non so parlare
Perdona la calligrafia da prima elementare
E mi stupisco se provo ancora un’emozione
Ma la colpa è della mano che non smette di tremare

Io sono come un pianoforte con un tasto rotto
L’accordo dissonante di un’orchestra di ubriachi
E giorno e notte si assomigliano
Nella poca luce che trafigge i vetri opachi
Me la faccio ancora sotto perché ho paura
Per la società dei sani siamo sempre stati spazzatura
Puzza di piscio e segatura
Questa è malattia mentale e non esiste cura

Ti regalerò una rosa
Una rosa rossa per dipingere ogni cosa
Una rosa per ogni tua lacrima da consolare
E una rosa per poterti amare
Ti regalerò una rosa
Una rosa bianca come fossi la mia sposa
Una rosa bianca che ti serva per dimenticare
Ogni piccolo dolore

I matti sono punti di domanda senza frase
Migliaia di astronavi che non tornano alla base
Sono dei pupazzi stesi ad asciugare al sole
I matti sono apostoli di un Dio che non li vuole
Mi fabbrico la neve col polistirolo
La mia patologia è che son rimasto solo
Ora prendete un telescopio… misurate le distanze
E guardate tra me e voi… chi è più pericoloso?

Dentro ai padiglioni ci amavamo di nascosto
Ritagliando un angolo che fosse solo il nostro
Ricordo i pochi istanti in cui ci sentivamo vivi
Non come le cartelle cliniche stipate negli archivi
Dei miei ricordi sarai l’ultimo a sfumare
Eri come un angelo legato ad un termosifone
Nonostante tutto io ti aspetto ancora
E se chiudo gli occhi sento la tua mano che mi sfiora

Ti regalerò una rosa
Una rosa rossa per dipingere ogni cosa
Una rosa per ogni tua lacrima da consolare
E una rosa per poterti amare
Ti regalerò una rosa
Una rosa bianca come fossi la mia sposa
Una rosa bianca che ti serva per dimenticare
Ogni piccolo dolore

Mi chiamo Antonio e sto sul tetto
Cara Margherita son vent’anni che ti aspetto
I matti siamo noi quando nessuno ci capisce
Quando pure il tuo migliore amico ti tradisce
Ti lascio questa lettera, adesso devo andare
Perdona la calligrafia da prima elementare
E ti stupisci che io provi ancora un’emozione?
Sorprenditi di nuovo perché Antonio sa volare

(*) Palestrante no Encontro Nacional de Saúde Mental, Roberto Tykanori no momento em que estava prestes a hipnotizar a platéia.
(**) Companheiros da Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial.Posted by Picasa

Para compreender a Reforma Psiquiátrica no Amazonas

Foto: Aluísio Campos - Encontro de Avaliação, nov/2006











Encontro de avaliação do CAPS Silvério Tundis e do Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro, com participação de usuários e familiares organizados e técnicos dos dois serviços: ao fundo o presidente da Associação Chico Inácio, Aderildo Guimarães, entrega documento para o coordenador do Programa Estadual de Saúde Mental, Rogelio Casado, com críticas pontuais sobre o processo de desinstitucionalização dos portadores de transtorno mental

Para compreender a Reforma Psiquiátrica no Amazonas

Por Rogelio Casado* em 21/07/2006 Conheci o professor Eduardo Mourão Vasconcelos durante o I Congresso Brasileiro de CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) realizado na cidade de São Paulo, em 2004. Psicólogo e cientista político, doutor em Políticas Sociais e Serviço Social pela London School of Economics, ele é professor da Escola de Serviço Social e pesquisador associado do Instituto de Psiquiatria, ambos da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Autor de obras de leitura obrigatória, sirvo-me do livro Saúde Mental e Serviço Social – o desafio da subjetividade e da interdisciplinaridade (Cortez Editora, 2000), do qual ele é um dos organizadores, cujo artigo Breve Periodização Histórica do Processo de Reforma Psiquiátrica no Brasil Recente nos ajuda a compreender a dinâmica dos avanços e recuos da Reforma no Amazonas.

Tendo por base os principais estados do Sudeste (Rio de Janeiro, São Paulo e Sudeste) – cenário da maior rede de serviços psiquiátricos no país e palco político das mudanças em curso –, Vasconcelos estabelece 1978 como o ano em que se inicia a periodização da Reforma Psiquiátrica Brasileira; não por acaso o ano em que emergem os principais movimentos sociais, após um longo período de repressão aberta pelo regime militar.

Em pelo menos três dos períodos descritos por Vasconcelos o Amazonas esteve presente:

1º. Período: Mobilização na Sociedade Civil contra o Asilamento Genocida e a Mercantilização da Loucura: 1978-1982 (São Paulo e Minas Gerais) e 1978-1980 (Rio de Janeiro) – Mobilização contra a corrupção administrativa e a violência institucional: 1978-1980 (Amazonas);

2º. Período: Expansão e Formalização do Modelo Sanitarista; Montagem de Equipes Multiprofissionais Ambulatoriais de Saúde Mental: Controle e Humanização do Setor Hospitalar; Ação a partir do Estado: 1980 (RJ) e 1982 (SP e MG) – 1987 – Humanização e Democratização do Hospital Psiquiátrico: Trabalho Remunerado aos Internos; Mobilização da Opinião Pública: 1980-1987 (Amazonas);

3º. Período: Fechamento Temporário do Espaço Político de Mudanças a partir do Estado; Emergência da Luta Antimanicomial e Transição da Estratégia Política em Direção ao Modelo da Desinstitucionalização Psiquiátrica: 1987-1992 – Greve de fome; Emergência de Interesses Corporativos e Abertura para o Campo da Contra-Reforma: 1987-1992 (Amazonas).

Quais os períodos em que o Amazonas ficou fora da luta por uma sociedade sem manicômios? Acompanhe a periodização estudada por Vasconcelos e constante o vazio existente nas pautas do debate público, limitado aos períodos por ele estudados:

4º. Período: Avanço e Consolidação da Perspectiva de Desinstitucionalização Psiquiátrica: “Desospitalização Saneadora” e Implantação da Rede de Serviços de Atenção Psicossocial; Emergência das Associações de Usuários e Familiares: 1992-1995 – Declínio e retrocesso das ações de saúde mental: Desospitalização para Redução dos Leitos Psiquiátricos e Manutenção do Modelo Hospitalocêntrico; Avanço dos Agentes Sociais da Contra-Reforma: 1992-2002 (Amazonas);

5º. Período: Limites à Expansão da Reforma no Plano Federal Tendo em Vista as Políticas Neoliberais do Governo FHC; Aumento do Desemprego, Miséria e Violência Social; Consolidação e Difusão dos Serviços de Atenção Psicossocial no Plano Municipal: 1995-? – Ausência de Resistência ao Desmonte das Propostas da Reforma Psiquiátrica; Desmobilização da Opinião Pública e Crescente Desencanto no Campo da Saúde Mental: 1995-? (Amazonas).

Para tão bela construção acadêmica, falta apenas dar nomes aos bois. Registro apenas os milagres. O nome dos santos... tente identificá-los: um doce de cupuaçu japonês para quem lograr êxito.

Rogelio Casado, psicoterapeuta, especialista em Saúde Mental, é Coordenador do Programa Estadual de Saúde Mental

NOTA 1: Artigo publicado no Portal da Amazônia e no jornal Amazonas em Tempo.

NOTA 2: Reportagem publicada no domingo passado na imprensa local deu a impressão que no Amazonas todos estão no mesmo barco da Reforma Psiquiátrica brasileira. Como nem todos estão fazendo a mesma viagem, e com como tem uma nova geração em formação, para que nossa memória seja preservada, achei por bem republicar este artigo.
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Manaus terá, enfim, o seu Teatro Muncipal

Manaus-Amazonas












Enquanto não sai o Teatro Municipal de Manaus, ainda reina, soberano, o majestoso Teatro Amazonas

Sítio arquitetônico será resgatado e abrigará o Teatro Municipal de Manaus

O prefeito Serafim Corrêa já acordou com os órgãos envolvidos no entorno do porto de Manaus, IPHAM e Administração do Porto, que iniciará as obras do futuro Teatro Municipal de Manaus, onde já funcionou a administração da Manaus raillways, das linhas da Booth Line e do supermercado Casas do Óleo (além da Celetramazon e da Escola de Música da Fátima Fernandes, que encantava a pacata Manaus do final dos anos 1950 - início dos anos 1960 com suas apresentações aos domingos no programa de auditório da Rádio Difusora e nos concertos no Teatro Amazonas).

O gesto do prefeito contemplará dois grandes anseios da comunidade manauara. Mas a comunidade artística é a que mais está torcendo e festejando por essa bela iniciativa: a construção, afinal, do primeiro teatro do município de Manaus.

Desse modo, a cidade será presenteada com o conjunto arquitetônico, marco do boom do caucho na Amazônia, reconstruído com toda a pujança da época, inclusive com a restauração da praça Oswaldo Cruz para que ali funcione o Teatro Municipal de Manaus (nessa praça, também conhecido como Taboleiro da Baiana - ponto de saída dos ônibus de madeira -, no início dos anos 1960, apresentavam-se artistas populares, entre eles o extraordinário ventríloquo Oscarino e seu boneco Peteleco).

Como se sabe, Manaus só conta com um único teatro digno desse nome: o Teatro Amazonas. Os outros, não passam de auditórios adaptados para funcionar como tal.

Com essa iniciativa, o prefeito de Manaus, Serafim Corrêa, entrará para a História. Quem viver, verá! Posted by Picasa

março 05, 2007

Apoio aos companheiros do PSF-Qualis/SP















A Associação Chico Inácio - ong que atua no campo da defesa dos direitos humanos dos portadores de transtornos mentais - apoia a luta dos companheiros do Programa Saúde da Família - Projeto Qualis - de São Paulo.

NOTÍCIAS DO FRONT DA BATALHA

A Prefeitura de São Paulo determinou a INTERRUPÇÃO IMEDIATA do acompanhamento em reabilitação de pessoas com deficiência na região de V.Prudente e Sapopemba (desligamento até 31/03).

Mais de 150.000 pessoas, incluindo aí pessoas acamadas e restritas ao lar (impossibilitadas de ter acesso ao serviços de saúde tradicionais) deixarão de contar com o Programa de Atenção à Pessoa com Deficência do Programa de Saúde da Família da Fundação Zerbini.

Ações de prevenção, detecção precoce e atendimento de pessoas com deficiências serão simplesmente interrompidas deixando pacientes e famíliares sem qualquer tipo de apoio.

Dentre outras atividades o Programa realiza o atendimento a pessoas acamadas, bebês de risco, acompanhamento de gestantes, terapias específicas em reabilitação (Fonoaudiologia, Fisioterapia e Terapia Ocupacional), ações de inclusão escolar, inclusão no mercado de trabalho, prescrição, confecção e adequação de equipamentos de tecnologia assistida, atendimento a crianças com distúrbios de linguagem, capacitação de profissionais das equipes de saúde e outras atividades historicamente reinvindicadas como DIREITO das pessoas com deficiência e da população em geral.

Ao invés de implantar e exigir o atendimento integral e humanizado às pessoas com deficiência em todos os serviços públicos, o Sr. Prefeito decide por extinguir o que já existe e está dando certo.

ATO PÚBLICO DE REPÚDIO...

Todos aqueles que lutam pelos direitos das pessoas com deficiência juntem-se aos companheiros do PSF-Qualis/SP para um ato público de repúdio a esta decisão, hoje, 2a. feira, 05/03, às 15h em frente à Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo (R. General Jardim - Metrô República).

Quem não puder comparecer que faça ecoar essa indignação do meio que tiver disponível!!!

...CONTRA O DESMONTE DO PSF-QUALIS/SP

A manifestação de apoio ao PSF-Qualis/PSF é super importante, porque além da Reabilitação, estão sendo colocados em aviso prévio vários profissionais das Coordenações Regionais e de Programas, Equipe de Saúde Mental, Profissionais da Saúde Bucal, vários médicos especialistas e 70% funcionários administrativos.

A imprensa paulistana noticiou o fato como uma exigência do atual Governador do Estado de São Paulo, condiçao sine qua para o socorro financeiro à Fundação Zerbini.

Pelo modo com que foram comunicados serviços e profissionais, a Prefeitura de São Paulo (e seus atuais governantes) apoiou a absurda decisão de José Serra sem nenhuma comunicação prévia ou sequer discussão com os Conselhos Gestores das Unidades envolvidas, nem sequer uma satisfação sobre os atendimentos que serão interrompidos, nem por respeito à Constituição, posto que a Lei 8142 não está sendo cumprida.

Silenciar sobre o desmonte de serviços tão importantes e indispensáveis a qualidade e ao acesso da atenção básica de saúde da população é um pecado inominável.

EM MEMÓRIA DE DAVID CAPISTRANO FILHO

Antonio Lancetti lembra que teve a honra de coordenar o PSF-Qualis/SP, criado pelo saudoso David Capistrano Filho. Um programa que ganhou prêmios e é referência para as denominadas equipes matriciais, tão importantes na abordagem da saúde mental na atenção básica de saúde. Indignado, comunica que que no dia primeiro de fevereiro, quinta feira passada, Carmo Jatene, cordenador do PSF/Zerbini recebeu ordem do Prefeito Kasssab de demitir 400 funcionáros. Com esse ato acaba com as equipes de saúde mental, reabilitação de deficientes, com especialistas médicos e com a Casa de Parto.

Lancetti convoca todos para, logo mais, às 15 horas, para participar da concentração em frente à Secretaria Municipal de Saúde.

Como jogar no lixo um PSF inteirinho?



















Elegendo para a prefeitura de São Paulo a dupla Zeserra & Kassab...
Tudo começou aí.

Estado e Prefeitura acabam com o mais estruturado Programa de Saúde da Família na Cidade de São Paulo

Elci Pimenta Freire (*)

Serra e Kassab aproveitando falhas de gestão da Fundação E.J.Zerbini, aproveitam para acabar com dos melhores programas de saúde que o país já teve desde a criação do SUS – o Programa de Saúde da Família QUALIS/PSF.

O Qualis foi implantado em duas regiões carentes e desprovidas de serviços de saúde na capital paulistana há exatamente dez anos, graças ao empenho, esforço e competência de duas das maiores autoridades de saúde do país, o Dr. Adib Jatene e o Dr. David Capistrano Filho, este já falecido. Os dois souberam, com desenvoltura, habilidade e conhecimento dedicar suas reconhecidas experiências na saúde pública, encarar o desafio de organizar o programa de saúde da família no maior centro urbano do país, que passou a fazer parte do quotidiano de seus habitantes além servir de modelo e referência para serviços idênticos que se constituíam em todo país. É importante lembrar que a saúde, na cidade de São Paulo, naquele momento, estava fora do Sistema Único de Saúde (SUS); o modelo dominante nos serviços de saúde era o PAS. Por isto, o Projeto Qualis foi desenvolvido inicialmente com a Secretaria de Estado da Saúde. Somente em 2002, após dobrar resistências do Governo do Estado em municipalizar os serviços, que a Secretaria Municipal de Saúde, retomando a municipalização da saúde, em conformidade com as diretrizes do SUS, que o Qualis passou para controle do município.

Dez anos passados o Programa PSF/QUALIS ainda é referenciado pelos profissionais de saúde de maneira geral e avaliado positivamente pela população da região Sudeste - Sapopemba e adjacências e região Norte - Vila Nova Cachoeirinha e adjacências – atendidas pelas equipes de agentes comunitários e profissionais de saúde das Unidades Básicas, ambulatórios de especialidades do Jardim Guaracá (Sapopemba) e Vila Espanhola (Brasilândia), equipes de saúde mental e de reabilitação, Casa de Parto de Sapopemba - esta detentora de prêmios de reconhecimento dentro e fora do país.

O Programa de saúde QUALIS/PSF sempre primou pela qualidade, eficiência e eficácia das ações de saúde, com ampla adesão e envolvimento dos seus profissionais. Em todo o seu período de existência foram prioridades os programas de capacitação continuada e a disponibilidade dos insumos básicos e necessários, como mecanismos para garantir a qualidade serviços prestados – equipamentos modernos e medicamentos – com resultados e impactos na melhoria da qualidade de vida das populações atendidas.

Qual a diferença do Qualis com PSF que existe em outras áreas? Ele foi estruturado tendo como base equipes de PSF e dois ambulatórios de especialidades como referência com Ginecologia, dermatologia, oftalmologia, cardiologia, neurologia e odontologia, saúde mental, um integrado ao PSF da Brasilândia e outro no de Sapopemba, além de uma casa de parto. Esta estrutura diferenciada permitia dar maior resolutividade ao serviço de saúde local, maior retaguarda às equipes do PSF e ampliar a oferta de serviços à população carente, que não precisava deslocar grandes distancias para atendimento, inclusive nas especialidades com demanda mais prevalente.

Como isto pode ser jogado na lata do lixo?
Mergulhada em grave crise financeira a Fundação E.J. Zerbini sob determinação do Estado faz “política de tábua rasa” para sair do atoleiro. Não querendo tornar públicas as razões da crise que tem endereço no InCor – Instituto do Coração, vinculado à Fundação – optou pelo rompimento do convênio com a Secretaria Municipal de Saúde, desmontando, assim, o Programa QUALIS/PSF, como já o tinha feito, de forma sorrateira com a Casa da AIDS, outra iniciativa não menos importante que funcionava até bem pouco tempo junto à Fundação.

E as Secretarias Municipal e Estadual de Saúde, que deveriam buscar resolver o problema para não interromper o atendimento, optam pela solução mais fácil, mais barata - mudar a parceria no convênio - entregando o Programa Qualis/PSF para outra instituição, porém, demitindo grande parte dos profissionais e desmontando as unidades ambulatoriais (Brasilândia e Sapopemba), a Casa de Parto de Sapopemba.

É mais uma medida, presidida pela concepção elitista de que o SUS, diferentemente do que foi idealizado e do que está previsto na Constituição Federal, nas regiões carentes, deve funcionar forma simplificada, ou seja, no caso do Programa de Saúde da Família Qualis/PSF, somente com equipes de saúde da família, sem retaguarda de especialistas, de saúde mental, de parto humanizado.

No ano de 1998 participei da coordenação-adjunta do Programa QUALIS/PSF, sendo demitido pela direção da Fundação Zerbini, por apontar distorções em planilhas de custo elaboradas pela Fundação, para justificar repasses financeiros da Secretaria de Estado da Saúde. Não posso, assim, deixar de manifestar minha indignação, com o que afirmo estar acontecendo, o Programa de Saúde Qualis/PSF está sendo desmontado, o que significa deixar uma parcela importante da população de São Paulo sem atendimento – resolutivo, com qualidade - que foi conquistado a duras penas. Quem participou, ou quem teve oportunidade de conhecer sabe do que estou falando.

(*) Elci Pimenta Freire – ex-coordenador adjunto do Projeto Qualis/PSFPosted by Picasa

Morrem Robert e Rosine Lefort

















Pintura feita por criança autista

ASSOCIAÇÃO MUNDIAL DE PSICANÁLISE
O Delegado Geral aos membros.
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Homenagem a Robert Lefort

A Associação Mundial de Psicanálise acaba de perder, na pessoa de Robert Lefort, um dos fundadores da psicanálise de Orientação Lacaniana « com crianças ». Robert Lefort, pedopsiquiatra e psicanalista apaixonado, sempre quis aplicar os ensinamentos da psicanálise com as crianças psicóticas em enquadres institucionais adaptados. Para ele, a criança, especialmente psicótica, não deveria ser abordada apenas a partir do imaginário, como o faziam as técnicas de jogos especialmente divulgadas. Era preciso abordá-la mediante a amarração particular do simbólico e do real. O final dos anos sessenta foi propício para as experiências institucionais. Ele criou, com Maud Mannoni a « Escola Experimental de Bonneuil-Sur-Marne », em setembro de 1969, como uma « instituição explodida ».

A ênfase dada ao lugar e à função do real para o sujeito psicótico nos afastará das aderências kleinianas na psicanálise com crianças. Ela se manterá distante da função das imagens do corpo referidas por Françoise Dolto, graças ao (a) sem representação. Essa orientação permite, enfim, apreciar as razões do movimento clínico pós-kleiniano (Meltzer, Tustin) em direção à clínica do autismo.

A partir de sua paciente pesquisa, seu engajamento na Escola da Causa Freudiana, em 1981, é acompanhado da vontade « de dar à psicanálise com crianças todo seu lugar no Campo Freudiano ». Foi assim que começou a carta de intenção de 11 de outubro de 1982, que iria se concretizar com a criação do Cereda no âmbito do Instituto do Campo Freudiano. Robert Lefort assim situava o que estava em jogo: «Manter a psicanálise com crianças na redução a uma técnica de jogos e desenhos implicaria uma grande contradição com aquilo de que a criança se mostra capaz, mesmo ainda muito jovem – mesmo antes de falar -, no sentido de nos esclarecer sobre um ponto tão essencial quanto a constituição do sujeito no discurso analítico…Seria preciso retomar a psicanálise com crianças nesse nível mínimo, ali onde o corpo aparece de maneira privilegiada como um corpo de significante. Significante, com certeza, mas no qual o real tem todo seu lugar a partir do objeto (a); e, se o sujeito aparece como um efeito de real, é, de fato, na criança »[1].

Desde a formação do Cereda até a iniciativa de um cartel composto por Robert e Rosine Lefort, Jacques-Alain Miller e Judith Miller, e eu, foram cogitadas jornadas de estudos. Eu me lembro das reuniões calorosas e animadas desse cartel, na casa de Robert e Rosine Lefort. Essas jornadas aconteceram regularmente, primeiro semestrais, depois anuais, a partir da primeira delas em 5 de março de 1983. Elas continuam vetorizando os trabalhos dos grupos da Nova Rede Cereda, que Rosine e Robert Lefort iniciaram e enxamearam amplamente. Num certo momento escolhido por eles, Rosine e Robert Lefort souberam transmitir a outros o seu desejo. A XXV Jornada de Estudo do Cereda em Paris, em 20 de julho de 2002, teve a dupla particularidade de ser incluída em um Encontro Internacional do Campo Freudiano e de realizar-se sob o modo de uma conversação. O Cereda terá seu lugar no Encontro Pipol 3, em Paris, nos dias 30 de junho e 1o de julho deste ano.

De O nascimento do Outro (1980) à La Distinction de l’autisme (2003), Robert Lefort desenvolveu com Rosine uma obra centrada no tratamento dos sujeitos para os quais « não há Outro ». Eles chegaram a colocar este « não há Outro» em tensão com a « inexistência do Outro » na civilização. Nessa perspectiva, eles postulavam « uma estrutura autista» que, sem se apresentar como um quadro de autismo propriamente dito, o evoca por seus elementos estruturais dominantes e muito nitidamente balizáveis. Essa estrutura viria em quarto lugar entre as grandes estruturas: neurose, psicose, perversão, autismo».[2]

Em Distinction de l’autisme, os gênios e os autistas adultos que puderam testemunhar de sua singular posição subjetiva estão reunidos. Eles nos aparecem como irmãos autistas do gênero humano. Robert Lefort sabia respeitar o ponto de douta ignorância que nos surpreende diante do mistério final da saída do autismo, através de um dispositivo discursivo ou de uma passagem ao ato. Pelas minuciosas investigações que ele implica, o método que ele nos propõe, através do casos clínicos ou casos históricos, é ainda mais precioso nessa época das escalas de avaliação, em que a busca da singularidade quer ser dissolvida nas « démarches preventivas globais ». Robert Lefort nos deixa, os livros de Robert e Rosine Lefort continuam, a cada dia, nos sendo sempre necessários.

Em nome da AMP, envio minhas condolências a Rosine Lefort, à sua filha e à sua família.

Éric Laurent

16 de fevereiro de 2007

Tradução: Vera Avellar Ribeiro
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Rosine Lefort

Soubemos que Rosine Lefort se foi no domingo, 25 de fevereiro, doze dias depois Robert. Eles eram os inseparáveis para todos os que, como eu, os conheceram. E assim continuaram até os seus últimos dias.

Rosine e Robert Lefort, formados por Jacques Lacan, lhe foram inabalavelmente fiéis, em todos os momentos decisivos atravessados pelo movimento analítico na segunda metade do século XX.
Eles são daqueles que prosseguiram com Lacan no momento da dissolução de sua Escola. Não hesitaram em fazer existir a Escola da Causa Freudiana, testemunhando assim de uma confiança inteira e vigilante para com os mais jovens que eles, pois se preocupavam com o futuro de sua praxis.

Eles foram viajantes infatigáveis e clínicos rigorosos. Seus trabalhos continuam a contribuir para os avanços da psicanálise, cuja unidade sempre afirmaram. Souberam principalmente fazer ouvir que a criança no discurso analítico é um sujeito de pleno direito, sobretudo a partir do Cereda (Centre d'Etude et de Recherche sur l'Enfant dans le Discours Analytique), do qual resulta o Nouveau Réseau Cereda e suas três Diagonais (francófona, hispanófona e americana).

O desejo do qual, cada um e os dois juntos, deram provas em sua obra e em sua prática continua sendo, em minha opinião, exemplar para todos nós. O Campo Freudiano no mundo inteiro se unirá a mim para expressar sua solidariedade e endereçar suas condolências aos filhos e netos de Robert e Rosine, assim como a todos os seus familiares.

As exéquias de Rosine Lefort acontecerão em Nogent-le-Roi, sexta-feira, 2 de março de 2007.

Judith Miller

Tradução: Vera Avellar RibeiroPosted by Picasa

PáginaDois















O psiquiatra Jairo Bouer é a novidade da PáginaDois

Na última semana, tivemos Clarice Casado declarando o seu "Medo" na segunda-feira; Giuliana Giavarina fazendo a "Matemática dos isqueiros" na quarta-feira; Cassiano Rodka revelando alguns segredos em "As mães do tempo" na sexta-feira.

Na terça-feira, Cassiano Rodka mostrou que a música atual vai "Muito além do CD" e Elaine Santos nos deu as dicas para entender o "Esnobismo cultural" na seção de música; na quinta, Moisés Westphalen demonstrou seu amor pela sétima arte através de "Júlio, César" na seção de cinema.

No sábado, tivemos a estréia da Coluna do Jairo, que tratará de assuntos ligados a comportamento e cotidiano. Assinada por Jairo Bouer, a coluna inciou com as "Notas deu ma viagem" ao Festival de Cinema de Berlim.

Nessa semana, teremos uma crônica de Clarice Casado na segunda, João Perassolo na seção de música na terça, um texto literário de Bianca Rosolem na quarta, Fabiano Liporoni na seção de cinema na quinta, e um texto de Cassiano Rodka na sexta.

Todos os dias tem novidade no PáginaDois!
http://www.paginadois.com.br

Abraços,
Cassiano Rodka e Clarice Casado Posted by Picasa

março 04, 2007

Câncer de mama: mamografias gratuitas



















MENSAGEM DO INSTITUTO NEO MAMA DE PREVENÇÃO E COMBATE AO CÂNCER DE MAMA

O seu clique solidário não custará nada. Digam a 10 amigos para dizerem a outras 10 pessoas ainda hoje!

O Site de câncer de mama e o Instituto Neo Mama de Prevenção e Combate ao Câncer de Mama estão iniciando uma campanha que necessita de cliques para alcançar quotas que lhes permitam oferecer mamografias gratuitas a mulheres brasileiras necessitadas.

Demora menos de 5 segundos, mas fará uma grande diferença acessar o site e clicar no botão cor de rosa que diz:"Campanha da Mamografia Digital Gratuita".

Acesse agora e sempre o Website:
http://www.cancerdemama.com.br

Não demora e não custa nada, ajudem a detectar precocemente o câncer de mama. Ele tem cura.

Observação: Caso você ainda não saiba, 1% dos casos de câncer de mama acontece com os homens.

Obrigado(a). Posted by Picasa

Um tiro nas costas

Foto: Vidal Cavalcante/AE













Tentativa de assalto ao Banco Itaú, seguido de tiroteio, deixou paraplégica
a menina Priscila Aprígio da Silva, de 13 anos de idade

UM TIRO NAS COSTAS

Por Jair Alves - dramaturgo/SP

‘Ta lá um corpo estendido no chão’, diz a canção de Aldir e Bosco. Desta vez, é o da menina Priscila que devia se perguntar no exato momento do instantâneo que vai entrar para a história, "Por que está acontecendo isso? O que foi que eu fiz?". Gostaria de responder, se pudesse, à Priscila que quando o impacto é desproporcional ao corpo que recebe o petardo, este reage de forma instintiva, negando aceitar tamanha brutalidade. Foi por isso que a sua dor não foi tanta. Foi essa mesma brutalidade que doeu mais em nossas consciências, vendo seu corpo estendido no chão, do que a falta imediata da sensibilidade sentida por você em suas pernas. O trágico, querida Priscila, é que essa dor será distribuída por todos os seus dias, enquanto nós que de momento chocados pensamos possuir todas as respostas para os males do mundo. Não tenha dúvidas de que o maior deles, neste momento, e vê-la inerte, em plena avenida Moema, esquina com a Avenida dos Macucos.

De imediato, o discurso que ainda a pouco pedia penas mais severas para menores infratores; agora entrava em colapso porque a vítima era a mesma criança que muitos gostariam ver com a boca cheia de formiga. Então, estamos entendidos; a questão toda não é ser ou não menor de 18, ou 16. A questão parece óbvia, o problema não é o Estatuto da Criança e do Adolescente, mas o Estatuto dos Homens que precisa ser rediscutido.

O cenário do crime
Foi um crime, não foi?
O cenário eu já conheço, sou cliente deste banco que, no ano passado, teve um lucro recorde, suplantando o seu direto concorrente (co-irmão, assim como dizem os presidentes de escolas de samba). Sou cliente deste banco, como já disse, e sei também sou responsável por este lucro acachapante. Aí eu me pergunto se a raiz do problema (da violência, é claro), da brutalidade, eu diria, não está camuflada em pequenos detalhes de nosso dia-a-dia que nos acostumamos entender como "normais". A saber: duas manifestações me chamam a atenção, ambas registradas naquele cenário do crime. Um deles é o constante treinamento dos funcionários do banco que são obrigados a decorar procedimentos identificados por siglas com nomes estranhos, como CGF, DHX, XHY, ou coisa parecida. São treinamentos porque passam os funcionários, cujo objetivo não é outro senão atingir melhor rentabilidade e maior produtividade (para o Banco, é claro). É impossível identificar qualquer propósito ligado à justiça social, melhor distribuição de renda e oportunidades; tudo gira em torno da maldita lucratividade. No entanto, para os padrões vigentes acusar esses procedimentos como uma das causas da brutalidade ali expressa, com predominância da cor vermelha, tem sido um descalabro. Mas não é!

A outra se manifesta na cor preta, ali também predominante está na cor do terno preto e gravata do imbecil que sacou a arma, dentro do que é chamado "aquário" e começou a atirar. Deu nove tiros. Eu disse, nove tiros. A quem ele protegia? A vida de Priscila e dos clientes do banco? Não, ele protegia o patrimônio, não dele porque com certeza nada tem. Mas, ele está condicionado a atirar para defender a ordem, mesmo que essa ordem contrarie a Lei e, pior, o bom senso. Esta instituição valorizada e ampliada, sim, nos últimos tempos com o nome de Segurança tem sido uma das causas de nossa insegurança. Alguém duvida? Vide o envolvimento de seus integrantes, nos últimos crimes de projeção nacional; nos tempos idos eram chamados 'Leão de Chácara', muito comum nas Boates e inferninhos, ou seja, no Bafon. Hoje, virou Instituição. Seus integrantes vestem um ridículo terno preto, que são identificados facilmente pela criminalidade e por qualquer outra pessoa que tenha freqüentado ambientes pouco recomendáveis, tais como Câmaras Municipais, Congresso Nacional, etc. O corte dessa farda em nada se parece com a roupa fina dos executivos, mas como esses pobres diabos muito pouco exigem da vida, devem se imaginar importantes. No caso em questão, foram sim. Foram importantes agentes de uma violência explicita que os veículos de "comunicação social" teimam em não ver.

No cair da noite, a apresentadora Nídia Maria (cito seu nome porque ela deve ter orgulho do que fez), ao comentar a fala do presidente, que dizia em outras palavras que "a questão da criminalidade precisa de soluções de longo prazo", ela disse "É, senhor presidente, precisamos de qualquer forma tomar medidas imediatas", reproduzindo, assim, o discurso oportunista de que tudo é uma questão de vontade política do governo federal, passando por cima, inclusive, da máxima constitucional de que a Segurança é de responsabilidade dos Estados. Mas, não ouso mais polemizar politicamente com a experimentada jornalista, ela parece estar blindada para olhar seus próprios descalabros. Mas, ouso sim dizer que se ela está disposta a tomar atitudes imediatas, sugiro que depois da apresentação de seu programa ela freqüente uma academia para aprender defesa pessoal, e uma outra de tiro ao alvo. Eu não. Prefiro, em momentos como este, de aparente resignação diante do tiro nas costas de Priscila, pedir para a minha mãe que, além de rezar por mim todos os dias, que pense na Priscila como uma criança, como se fosse uma neta sua. Enquanto isso, eu me recupero e reciclo meus argumentos para combater a brutalidade.

São Paulo, 03 de Março de 2007Posted by Picasa

Sociedade, Mídia & Violência












Intrépida Troupe - Se essa rua fosse minha... 1998

NOTA: Enquanto trabalhadores da saúde, educação, segurança e alguns setores da sociedade civil organizada dão murro em ponta de faca para não deixar a peteca cair; enquanto cartas, notas e recomendações são produzidas por entidades idôneas; enquanto a violência nossa da cada dia se espalha pelo país estimulando o furor legislativo de sempre, vale lembrar aos parlamentares o que dizia o velho Virgílio, em sua Eneida: "Furor arma ministrat". Convém lembrar, também, o que afirma o escritor, jornalista e professor do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da ECO, da UFRJ: "A violência terrorista do Estado tecnoburocrático - que converte a nação em álibi ou em refém para a montagem de seu sistema de produção e segurança - induz à destrudo difusa das massas, localizada em atitudes anti-sociais, focos de criminalidade ou explosões individuais de violência. Esta 'indução' está implícita no descaso para com os investimentos em educação, saúde e geração de empregos". Editado pela Editora Sulina e pela EDIPUCRS, "Sociedade, Violência & Mídia", de Muniz Sodré, é leitura indispensável para esse momento da vida nacional.
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Conanda conversa com senadores sobre redução da maioridade penal

BRASÍLIA, 27/02/2007 (PR) – O integrantes do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) estarão hoje à tarde, no Congresso Nacional, para fazer um corpo a corpo com os senadores, em especial os integrantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), para discutir a redução da maioridade penal. Está marcada para amanhã, às 10h, a votação da proposta do senador Demóstenes Torres, que reduz a idade penal de 18 para 16 anos no caso de crimes hediondos.

Ontem, o conselho realizou uma assembléia extraordinária para discutir mudanças na legislação, que contou com a participação de oito especialistas na área da criança e do adolescente. À tarde, o Conselho participou de audiência no Congresso Nacional, com a Frente Parlamentar de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente e representantes de diversas entidades da sociedade civil para tratar o tema e traçar estratégias de ação diante dos projetos em tramitação nas duas casas legislativas que propõe a redução da idade penal.

Após os encontros, o Conanda deliberou hoje pela divulgação desta nota pública.

NOTA PÚBLICA

O Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente - CONANDA, órgão formulador, deliberativo e controlador das políticas para a infância e adolescência a nível federal, vem reiterar sua discordância com as propostas de rebaixamento da maioridade penal.

Manifesta, ainda, sua posição contrária a quaisquer propostas imediatistas de alteração do Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA, com vistas ao agravamento das medidas socioeducativas, como a ampliação do tempo de internação.

O CONANDA exige:

· A rigorosa implementação integral do ECA, responsabilidade das esferas federal, estaduais, distrital e municipais, e dos poderes executivo, legislativo e judiciário, bem como de toda a sociedade;

· O não contingenciamento dos recursos orçamentários para as políticas públicas da infância e adolescência, sua ampliação e efetiva execução em cada esfera do governo;

· A urgente apreciação e aprovação do Projeto de Lei de regulamentação da execução das medidas socioeducativas no Executivo e no Congresso Nacional, que padroniza os procedimentos de aplicação dessas medidas pelo Poder Judiciário e sua execução, em especial nas unidades de privação de liberdade;

· A imediata implementação do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo - SINASE, que é o primeiro plano a ser adotado no Brasil, aprovado e publicado pelo CONANDA em julho de 2006; que estabelece parâmetros para o atendimento do adolescente autor de ato infracional, inclusive adotando um Plano de Atendimento Individual (PIA), com ênfase nas ações de educação, saúde e profissionalização, bem como constitui padrões para a composição de equipes interdisciplinares, estrutura física e reordenamento das unidades de internação;

· A premente suplementação de recursos do governo federal para implementação do SINASE, considerando as propostas de emendas parlamentares ao orçamento da União de 2007, encaminhadas pelo CONANDA e Fórum Nacional de Defesa dos Direitos da Criança e Adolescente, não aprovadas pelo Congresso Nacional; e

· O cumprimento do Plano Nacional de Convivência Familiar e Comunitária, que visa a promoção, proteção e defesa do direito à convivência familiar e comunitária de crianças e adolescentes, aprovado em assembléia conjunta pelo CONANDA e Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, em dezembro de 2006.


Assim sendo, o CONANDA se compromete a:

· Acompanhar a tramitação do Projeto de Lei de execução das medidas sócioeducativas;

· Realizar audiências públicas em todas as unidades da federação para pactuação de ações, metas e financiamento com vistas à implementação do SINASE;

· Manter agenda positiva permanente de discussão e proposições sobre o enfrentamento da violência que afeta, principalmente, a população infanto-juvenil; e

· Criar campanha visando a ampla divulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente, haja vista as inúmeras distorções da opinião pública e a desinformação de vários setores da sociedade.

Brasília, 27 de fevereiro de 2007

Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente

Carmen Silveira De Oliveira – Presidente Do Conanda; Subsecretária De Promoção Dos Direitos da Criança e do Adolescente
Maria Julia Rosa Chaves Deptulski – Vice-Presidente Do Conanda; Movimento Nacional De Meninos E Meninas De Rua
José Ricardo Calza Caporal – Federação Brasileira Das Associações Cristãs De Moços
Marta Marília Tonin – Ordem Dos Advogados Do Brasil – Oab – Conselho Federal
Isaias Bezerra De Araújo – Fundação Fé e Alegria do Brasil
Maria Luiza Moura Oliveira – Conselho Federal de Psicologia
Miriam Maria José Dos Santos – Inspetoria São João Bosco – Salesianos
Maria Aurilene Moreira Vidal – Confederação Nacional dos Bispos do Brasil CNBB / Pastoral do Menor
Fabio Feitosa Da Silva – União Brasileira de Educação e Ensino – UBEE
Antonio Pereira Da Silva Filho – Federação Nacional Dos Empregados Em Instituições Beneficentes, Religiosas e Filantrópicas – FENATIBREF
Alda Elizabeth Boehler Iglesias Azevedo – Sociedade Brasileira de Pediatria – SBP
Ariel De Castro Alves – Movimento Nacional de Direitos Humanos
Irmã Beatriz Hobold – Pastoral da Criança – Organismo de Ação Social da CNBB
Maria Ignês Rocha De Souza Bierrenbach - Fundação Abrinq Pelos Direitos da Criança – ABRINQ
Raimunda Núbia Lopes Da Silva – Central Única dos Trabalhadores – CUT
Manoel Onofre De Souza Neto – Associação Brasileira de Magistrados e Promotores da Justiça, da Infância e da Juventude – ABMP
Maria Stela Santos Graciani – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP
Patrícia Kelly Campos De Souza – Associação Nacional dos Centros de Defesa da Criança e do Adolescente – ANCED
Elisabete Borgianni – Conselho Federal De Serviço Social – CFESS
Diva Da Silva Marinho – Federação Nacional Das Apae's
Iralda Cassol Pereira – Sociedade Literária Caritativa Santo Agostinho
Sandra Greco Da Fonseca - Aldeias Infantis SOS/Brasil
Nanko G. Van Buuren – Instituto Brasileiro de Inovações em Saúde Social – IBISS
Maria Carolina Da Silva – Visão Mundial
Ferial Sami – Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá'ís do Brasil
Fábio Teixeira Alves – Associação da Igreja Metodista
Moisés Do Espírito Santo Júnior – Centro De Integração Empresa Escola – CIEE
José Carlos Da Silva Brito – Congresso Nacional Afro-brasileiro – CNAB
Ivanildo Tajra Franzosi – Casa Civil da Presidência da República
Ana Lígia Gomes – Ministério do Desenvolvimento Social e Combate A Fome – MDS
Ricardo Anair Barbosa De Lima – Ministério da Cultura
Leandro Da Costa Fialho – Ministério da Educação
Ricardo Nascimento de Avellar Fonseca – Ministério do Esporte
Rogério Baptista Teixeira Fernandes – Ministério da Fazenda
Eduardo Basso – Ministério da Previdencia Social
Thereza De Lamare Franco Netto – Ministério da Saúde
Márcia Maria Adorno Cavalcanti Ramos – Ministério das Relações Exteriores
Luis Fernando De Lara Resende – Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão
Leonardo Soares De Oliveira – Ministério do Trabalho e Emprego
Jose Eduardo Elias Romão – Ministério da Justiça
Cristina De Fátima Guimarães – Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República

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Gazeta Mercantil
01/03/2007
Política

Congresso recua em reduzir maioridade

Brasília, 1 de Março de 2007 - Para compensar, acena com atendimento de propostas de governadores. A votação de projetos de segurança pública no Senado foi adiada mais uma vez. Ontem, senadores do governo e da oposição resolveram suspender a votação do projeto de redução da maioridade penal de 18 para 16 anos e criar uma comissão que, em 45 dias, apresentará um novo pacote de segurança para ser analisado na Casa.

Para compensar o recuo na discussão sobre a maioridade, o Congresso acenou com promessa de atendimento às demandas dos governadores da região Sudeste, que foram ontem ao Congresso pedir agilidade na aprovação de 13 propostas sobre segurança pública - 12 das quais já em tramitação na Casa. A proposta de estadualização da legislação penal ficou de fora da pauta dos governadores.

Os presidentes da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) anunciaram a criação de duas comissões para agilizar a análise dos projetos nas duas Casas e permitir a votação das propostas em 45 dias. A questão da maioridade penal também será avaliada por essas comissões especiais. Para os governadores, o adiamento da votação na CCJ não causa prejuízo à discussão. "Não precisa mexer na idade penal para termos avanço nessa matéria, se for permitido que, no caso de adolescentes que cometeram crimes mais violentos, seja estendido o prazo de recolhimento em instituições", disse o governador de São Paulo, José Serra.

A decisão da CCJ foi uma vitória do governo e de entidades ligadas à defesa dos direitos da criança e do adolescente. Agora, o ministério da Justiça, a Casa Civil e a Secretaria de Direitos Humanos vão trabalhar para apresentar nos próximos 45 dias propostas alternativas à redução da maioridade e à idéia de aumentar o tempo de internação dos adolescentes em conflito com a lei.

Com a ajuda de juristas, o governo vai elaborar um projeto de tratamento diferenciado aos adolescentes envolvidos em crimes bárbaros. Para estes jovens, seria criada a possibilidade de internação no sistema prisional, com atendimento específico e penas prolongadas.

Até o final da semana, o Conanda concluirá um levantamento da criminalidade juvenil, com base nos dados de todos os Estados referentes aos adolescentes que estão cumprindo medidas socioeducativas. A idéia é verificar o número de jovens acusados de cometer crimes violentos, que serão submetidos ao tratamento diferenciado. O levantamento já demonstra um crescimento significativo de menores envolvidos com o tráfico de drogas.

Outra ação do Conanda será firmar uma parceria com a secretaria de Saúde Mental, do Ministério da Saúde, para atendimento especial de adolescentes em conflito com a lei que apresentem problemas mentais.

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CARTA DE CURITIBA

(Recomendação 002/05)

O Fórum Nacional de Saúde Mental Infanto-Juvenil, instituído pela Portaria GM 1608, de 03.08.2004, reunido no dia 24 de maio de 2005, na cidade de Curitiba/Paraná, com a presença de 66 (sessenta e seis) representações de instituições governamentais e não-governamentais e sob a coordenação da área técnica de saúde mental do Ministério da Saúde, teve como tema central “A Articulação dos Campos da Saúde e do Direito nas Políticas e nas Práticas Públicas de Atenção à Infância e à Adolescência”, e, em especial, a atenção em saúde mental.

Este tema se revela crucial por convocar o entendimento e a convergência de ações entre dois campos heterogêneos em suas respectivas constelações conceituais, históricas, éticas e metodológicas, mas que paraalém das importantes e recíprocas contribuições têm em comum o
compromisso público de assegurar à infância e à juventude seus direitos fundamentais, rompendo, assim, não só histórica, mas, também, culturalmente, com os desmandos políticos a que esses segmentos da população brasileira se vêem entregues no nosso País, particularmente, no que diz respeito à saúde, educação, vida familiar, recursos materiais, direitos e deveres cidadãos, de modo a garantir-lhes as condições exigíveis a toda e qualquer forma de dignidade da pessoa humana, consoante com o art. 1º, inc. III, da Constituição da República de 1988.

Ainda mais relevante e crucial se torna este tema quando podemos constatar a existência, no Brasil, de aproximadamente 13.000 (treze mil) adolescentes vivendo em situação de privação de liberdade, em instituições distribuídas por 98 (noventa e oito) municípios da federação (Conanda, 2004)(1); a existência de mais de 20.000 (vinte mil) crianças e adolescentes institucionalizados em abrigos distribuídos por quase todas as regiões brasileiras, cuja situação de abrigamento é determinada, na extensa maioria dos casos, pelas instâncias judiciais (IPEA, 2005)(2); o fracasso histórico das ações de confinamento de adolescentes e a necessidade da
criação de mecanismos mais eficazes para uma interlocução conseqüente entre o campo da saúde mental e o do Direito que, levando em consideração a diferença destes dois campos discursivos e do cumprimento de suas funções sociais, permita avançar numa direcionalidade intermediada pelos valores humanos.

O campo da Saúde, e, em particular, o da Saúde Mental, a partir de um recente processo histórico de transformação da assistência aos portadores de grave sofrimento psíquico no Brasil – processo que é conhecido por Movimento da Reforma Psiquiátrica Brasileira – vem
transformando significativamente o modelo de assistência até então vigente, de caráter manicomial, e vem estabelecendo políticas públicas importantes para a área da infância e da adolescência. Alguns dos principais dispositivos que atendem à reordenação do modelo
anteriormente existente são os atuais Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que se caracterizam como serviços de atendimento em saúde mental, com base territorial e comunitária, e que visam a substituir a lógica de atendimento hospitalocêntrico, permitindo aos seus usuários os cuidados necessários sem afastá-los da vida cotidiana, o que inclui a família, o
trabalho, os demais círculos sociais, o lazer e o exercício de seus direitos civis. Foram criados CAPS específicos para o atendimento de crianças e adolescentes, os chamados CAPSi, destinados ao atendimento diário de crianças e adolescentes com transtornos mentais. Os CAPSi são
fundamentais na atenção à saúde dessa população específica, sem afastá-la de seu ambiente doméstico e familiar, o que aponta para a possibilidade de maior sucesso nos tratamentos instituídos.

Também o Fórum, que elabora o presente documento, é um dos produtos da política resultante desse movimento e fortemente comprometido em discutir e deliberar sobre questões relativas à saúde mental de crianças e adolescentes, em especial, daqueles que se encontram
institucionalizados.

No campo legal, a partir do advento da Constituição da República de 1988, e, assim, posteriormente, com a instrumentalização operacional da Doutrina da Proteção Integral, por meio do Estatuto da Criança e do Adolescente – Lei Federal sob nº 8.069, de 13 de julho de 1990, a infância e a juventude constituem-se em PRIORIDADE ABSOLUTA, isto é, os
seus direitos e garantias individuais passam a ter caráter fundamental e constitucionalmente assegurados, transformando-os, assim, em sujeitos de direitos, enfim, cidadãos.

O Fórum discutiu o quadro histórico da desassistência e da ausência de políticas públicas eficazes de atenção às crianças e adolescentes no Brasil. Foi possível então verificar que o quadro atual de
abandono da infância e da adolescência é o resultado inexorável de um longo, articulado, nocivo e eficiente processo de privação global (isto é, de tudo o que é importante para a vida humana) pelo qual passamos em nossa história. Desde o início do século XX até os dias atuais, pode-se perceber que a questão da infância e da juventude sempre esteve ligada mais ao controle social do que aos direitos desta população, sendo a mudança de mentalidade punitiva e tutelar para promotora de direitos e garantias o principal desafio para o fortalecimento do Direito da Criança e do Adolescente. Isto é, a consagração teórico-pragmática de todas as figuras legislativas que sistematicamente compõem esta área de conhecimento.

Assinalou-se também a insuficiência estrutural e infalível de toda e qualquer iniciativa de saber teórico que pretenda explicar, em caráter último e exaustivo, este quadro, e portanto também a insuficiência de qualquer proposta de ação que se pretenda integralmente resolutiva.

Destacou-se, no plano jurídico, a advertência do quão enganoso e perigoso é o ideário de que o adolescente é responsável pelo aumento da violência urbana. Considerou-se, também, que a proposta de redução da idade de maioridade penal de adolescentes é inócua quanto à promoção da socialização – haja vista que as promessas de socialização por meios repressivos e punitivos já não se constituem mais objetivos a serem alcançados – como, também, constituem ameaças à efetivação dos direitos humanos.

É importante diferenciar imputabilidade penal e irresponsabilidade subjetiva. O adolescente, como todo sujeito, é responsável por seus atos, quer sejam infracionais ou não. Sempre que
houver prática de ato infracional por adolescente, será imprescindível o estabelecimento de procedimento especial para apuração da ação conflitante com a lei, de acordo com sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento e subjetivamente responsável, única condição de
possibilidade para o estabelecimento de uma medida legal – protetiva ou sócio-educativa – adequada para a sua plena formação. O certo é que não se apliquem jamais quaisquer das sanções criminais previstas no Código Penal brasileiro ou mesmo noutras figuras legislativas específicas, mas, tãosomente as medidas legais previstas no Estatuto da Criança e do
Adolescente, vale dizer, medidas protetivas e ou sócio-educativas, as quais são suficientemente próprias para a resolução e enfrentamento dos casos legais que são apresentados.
Considerando as questões apresentadas, o Fórum Nacional de Saúde Mental Infanto-Juvenil recomenda:

• A realização de um projeto-piloto que possa subsidiar a construção de redes de apoio e atenção em saúde mental para adolescentes e jovens em situação de privação de liberdade. O projeto-piloto deve identificar o fluxo de assistência e proteção a esse público e, a partir daí, propor saídas para os desafios existentes na área.

• A elaboração de um documento analítico sobre os Conselhos Tutelares que possibilite visualizar um diagnóstico do atendimento e do encaminhamento dado por eles a crianças, adolescentes e seus familiares, que sofram de transtornos mentais ou transtornos decorrentes do uso de álcool e outras drogas. Além disso, a análise deve levantar os documentos/diretrizes dirigidas aos Conselhos Tutelares que possam subsidiar o Fórum. O documento final deste estudo fornecerá elementos para a elaboração de recomendações aos Conselhos Tutelares, após aprovação pelo CONANDA.

• O estabelecimento do compromisso público assumido por este Fórum em se posicionar contrário a todo e qualquer projeto de lei ou proposta de emenda constitucional que pretenda reduzir ou mesmo suprimir a idade de maioridade penal, confirmando, assim, o caráter
fundamental do direito individual assegurado no art. 228, da Constituição da República de 1988.

• O repúdio público a todo e qualquer projeto de lei que pretenda atribuir ou imputar responsabilidade penal a crianças e adolescentes, no mais das vezes, utilizando-se de artifícios legislativos para o "combate à violência, ao crime organizado e a crescente onda de
criminalidade".

Curitiba, 24 de maio de 2005.

(1) Fonte: Levantamento da Sub-Secretaria de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente/SEDH,
baseado em informações fornecidas pelos estados – Janeiro de 2004.
(2) Mapeamento Nacional da Situação do Atendimento dos Adolescentes em cumprimento de Medidas
Sócio-Educativas – IPEA/2005.
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março 03, 2007

Jairo Bouer no PáginaDois



















Nota à maneira de Simão Pessoa: Jairo Bouer, o festejado midiático sexólogo da MTV, da Rede Globo e tantos outros, e Marcelo Duarte, autor de livros que compõe a série Guia dos Curiosos, publicada pela Cia. das Letras, lançaram, em 2001, um livro dedicado única e exclusivamente ao sexo, para muitos o mais antigo dos esportes. Com mais de 400 páginas, o livro, escrito no estilo almanaque, mistura informação com diversão, mescla orientação séria com cultura inútil (mas absolutamente divertida e essencial numa mesa de bar), enfim, atende tanto ao interesse dos iniciados como o dos iniciantes, segundo o jornal Correio Brasiliense. Pra quem gosta desse gênero de literatura... é puro deleite. Leia algumas das curiosidades coletadas pela dupla. (Este texto sofreu uma re-leitura, dentro do espírito anarquista do estimado poeta Simão Pessoa, um multimídia da pesada que atua na praça de Manaus).

Pois bem! Metalinguagens à parte, Jairo agora integra o PáginaDois de Clarice Casado e Cassiano Rodka. Leiam a sóbria e merecida apresentação do nosso personagem pelos editores do PáginaDois:


Caros leitores,

a partir desse sábado, dia 3 de março, o PáginaDois ganha uma nova seção que trata de assuntos do cotidiano e comportamento, a Coluna do Jairo. Os textos são assinados quinzenalmente por Jairo Bouer, médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, com residência em psiquiatria no Instituto de Psiquiatria da USP. Além da prática de consultório, participa de quadros no “Fantástico” da Rede Globo e no Canal Futura, da Fundação Roberto Marinho. Escreve há 12 anos para a Folha de São Paulo e comanda um programa semanal na Rede Atlântida. Sendo referência no Brasil quando o assunto é saúde, sexo e comportamento, Jairo Bouer vai nos presentear com histórias que vivenciou e temas referentes ao cotidiano do ser humano.

O perfil de Jairo Bouer já está no ar:
http://www.paginadois.com.br/Escritores_Jairo.html

Hoje, sábado, confiram a estréia do Jairo no PáginaDois:
http://www.paginadois.com.br Posted by Picasa

O fiscal da natureza

Foto: André Coelho, O Globo-RJ












Canal do Cunha e a Casa Flutuante de Luiz Fernando Queiroz

NOTA: A Bacia do Canal do Cunha é uma das principais responsáveis pelo lançamento de grande volume de lixo e esgoto na Baía de Guanabara. Há problemas gravíssimos acumulados ao longo do tempo, como a poluição causada pelo antigo aterro sanitário do Caju, a proximidade de refinarias e a intensa ocupação de suas margens. No Rio de Janeiro, a área está incluída entre as que registram maior número de favelas. Nesse Canal o biscateiro Luiz Fernando Queiroz, 40 anos, usou do material que poluía suas águas para construir sua casa. A Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Estado do Rio, através de seus técnicos, notificou Luiz Fernando para que a casa seja retirada do lugar. Os argumentos de Luiz Fernando apontam as contradições do nosso tempo. No texto do companheiro Edmar Oliveira, do campo da luta antimanicomial, uma outra solução é possível. Em Manaus, nos anos 1990, um cidadão sem teto, construiu um "imóvel", de madeira, de quatro andares, sem pregar um prego, no leito do Igarapé de Manaus. Retirado pelo poder público do local, seu destino é incerto e ignorado. A mídia local jamais conseguiu localizá-lo.

O fiscal da natureza

Edmar Oliveira

Nesta semana Luiz Fernando teve os seus minutos de glória. A mídia invadiu sua casa e mostrou para o Brasil o morador flutuante do Canal do Cunha. Pouca gente sabe o que é o canal do Cunha, mas certamente muitos moradores da cidade do Rio de Janeiro e os visitantes que desembarcam no aeroporto do Galeão já sentiram seu cheiro característico. Trata-se de uma estreita faixa de podridão que separa a comunidade da Maré da Linha Vermelha.

Luiz Fernando juntou milhares de garrafas pet, pedaços de isopor e fez um deck flutuante no canal onde construiu sua casa de dez metros quadrados de alvenaria e materiais de construções demolidas, como janelas e portas, móveis e alguns objetos de decoração. A maioria dos componentes de sua casa foi encontrada dentro e nas margens do próprio canal. E se pode dizer que Luiz transforma o lixo em luxo pelos requintes dos detalhes que adornam sua casa: banheira de hidromassagem (quebrada, mas lá está o símbolo do luxo), grama sintética na varanda, tapete vermelho na entrada e, porque no sonho se tem direito ao exagero, um carro na garagem ao lado da casa. Foi feito um deck auxiliar onde um Opala 1982, com o motor necessitando de retífica, representa o sonho de consumo de quem ascende na escala social. E Luiz sintetiza: "vivemos num sistema capitalista, que dá direito à prosperidade, o que me dá o direito a uma ilha particular". Frase que poderia ter sido um argumento de alguns milionários que ocupam ilhas na baía de Angra dos Reis...

Mas a exposição na mídia tem seus problemas. A Serla, órgão da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, responsável pela preservação das lagoas e da orla marítima, resolveu que a obra prima de Luiz tem que ser removida em sete dias por "invasão com intenção de ocupar águas públicas de domínio estadual", segundo laudo técnico. Luiz Fernando argumenta perplexo: "usei coisas que poluem o canal que a Serla deveria despoluir. E agora a Serla quer me tirar?" Recusa-se a assinar a notificação do fiscal da Serla e quando é acusado de desrespeito novamente brilha no argumento: "só respeito a constituição que me dá direito a moradia".

Toda a linha de raciocínio de Luiz está muito próxima da genialidade ou da loucura, sua irmã siamesa. E, segundo os jornais, o fiscal da Serla concluiu na sua visita: "ele está sem posse das faculdades mentais". Mas não é esta a posse que Luiz está reivindicando. Ele quer manter a posse do sonho, a posse da inventividade e criatividade que, apesar da desesperança, insiste em habitar a alma do nosso povo. A destruição deste sonho pode transformar a genialidade de Luiz em loucura.

Fico aqui me perguntando se Luiz não poderia ser, de certa forma, recrutado pelo órgão público para continuar na sua cruzada de preservação do canal. E fosse reconhecido como ele próprio se nomeia: "sou um fiscal da natureza". Posted by Picasa

março 02, 2007

CEBES: estimulando o debate



















Revista Saúde em Debate - número especial,
do ano de dois mil e três, dedicado à
XII Conferência Nacional de Saúde, que
recebeu o nome do saudoso Sérgio Arouca

NOTAS POLÊMICAS SOBRE A CONJUNTURA

Não deixem de ler o Boletim do Cebes Nº 3 (fevereiro). Você vai encontrar, entre outras notícias, uma análise da Sonia Fleury sobre o PAC, uma avaliação sobre a atual política de saúde no Rio de Janeiro elaborada por Luiz Antonio Neves e notas sobre a 13ª Conferência Nacional de Saúde. Para acessá-lo, por enquanto, é necessário entrar no site do Cebes http://www.cebes.org.br/. Esse novo formato expõe os conteúdos do Boletim do Cebes e permite a inclusão de textos referentes a determinados temas da conjuntura. Em breve estará no ar o portal do Cebes na internet, mais um espaço dedicado à retomada do projeto de Reforma Sanitária e à nossa luta permanente em defesa da saúde e da vida.

Diretoria do Cebes - Centro Brasileiro de Estudos da Saúde Posted by Picasa

março 01, 2007

Saúde Mental no SUS: Relatório de Gestão















Comunicado à maneira dos gaúchos e dos amazonenses

Se tu não poderes acompanhar a transmissão em tempo real do evento Reforma Psiquiátrica: 06 anos da Lei 10.216, durante o qual a Coordenação Nacional de Saúde Mental do Ministério da Saúde apresentará o Relatório de Gestão 2003-2006 Saúde Mental no SUS, acesse o sítio do MS no endereço www.saude.gov.br, em seguida vá em cidadão, depois em Saúde Mental.

Êxtase e agonia: o caso do Amazonas

Entre em êxtase ao saber que o Amazonas saiu do zero, despontado com modestos 3 CAPS (I, II e III) em todo o estado, e caia em agonia ao verificar que a cobertura da demanda ainda é crítica.

Sinais preocupantes

A substituição do Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro por um Hospital de Clínicas pode sofrer atraso no seu cronograma. A cidade de Manaus possui apenas um CAPS, ainda sob a gerência do poder público estadual, quando seriam necessários pelo menos mais 3 CAPS para desafogar a sobrecarga no ambulatório do hospital psiquiátrico.

Sinais animadores

São poucos, mas são entusiasmantes. Como dizia Lao-Tsé: "Uma jornada de mil milhas começa sempre com um simples passo".
Ei-los:

1) implantada a primeira Residência Médica em Psiquiatria no estado do Amazonas (junto com os cursos de especialização em saúde mental oferecidos pela Fiocruz da Amazônia e a continua reciclagem dos profissionais do SUS podem contribuir para a construção das competências exigidas pelo novo modelo);

2) retomada da tramitação do Projeto de Lei da Saúde Mental pelo Secretário Adjunto de Saúde da Capital, Dr. Arnoldo Andrade, ex-deputado estadual, responsável pela relatoria do projeto na Assembléia Legislativa do Amazonas;

3) implantação do primeiro Serviço Residencial Terapêutico para 8 usuários no Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro, dos quarenta que residentes por longos anos naquele serviço.

Fonte: Coordenação Estadual de Saúde Mental/AM - Endereço eletrônico: saudemental.am@gmail.com Posted by Picasa

É hoje!

Foto: Rogelio Casado - Pedro Gabriel Delgado, Manaus-AM, 2006












Pedro Gabriel Delgado, Coordenador Nacional de Saúde Mental, em visita ao CAPS Silvério Tundis

PEDRO GABRIEL CONVIDA

Prezados(as) Senhores(as),

A Coordenação Geral de Saúde Mental do Ministério da Saúde apresentará no dia 01 de março de 2007 o seu Relatório de Gestão para o período 2003 a 2006, no evento intitulado Reforma Psiquiátrica: 06 anos da Lei 10.216. A apresentação será aberta ao público no Auditório Emílio Ribas, edifício sede do Ministério da Saúde, das 16h00 às 18h00, e terá transmissão em tempo real pelo endereço: www.saude.gov.br/emtemporeal que permitirá o envio de perguntas pela internet.

Este evento marca o início do Grupo de Estudos sobre a Saúde Mental, o qual deverá ocorrer periodicamente ao longo de 2007 com a apresentação de temas relacionados à saúde mental. O Grupo de Estudos será sempre aberto ao público e contará com a participação de especialistas de diversas áreas, contribuindo para uma visão ampliada sobre os temas em questão.

Contamos com a participação de todos!

Atenciosamente,

PEDRO GABRIEL GODINHO DELGADO

Coordenador Geral de Saúde Mental

DAPE/SAS/MS
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