abril 04, 2008

Assinatura do termo de (con)sentimento (I)

Foto: Rogelio Casado - Assinatura do termo de consentimento, HPER, Manaus-AM, 2007

Márcia Maria Gomes de Souza, Terapeuta Ocupacional, de bata verde no primeiro plano, orienta a fila de usuários internos no Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro para assinar o termo de consentimento para publicação neste blog dos beneficiários do programa de moradias assistidas.
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De volta para casa

Foto: Rogelio Casado - Mostra de fotografias no HPER, 2007

De volta para casa - Em meados de 2007, Márcia Maria Gomes de Souza, Terapeuta Ocupacional do Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro, promoveu com a Coordenação do Programa Estadual de Saúde Mental uma Mostra de Fotografias do processo de construção da saída dos usuários de longa permanência hospitalar para as moradias assistidas.

Até a presente data, cerca de 50 pessoas ainda residem no hospital psiquiátrico, constituindo-se no grupo que será beneficiado pelo programa de moradias assistidas.

Psiquiatria amazonense - Para uma população de quase dois milhões de habitantes, chega a ser surpreendente, para quem desconhece a história da Reforma Psiquiátrica no estado do Amazonas, que em Manaus, no único hospital psiquiátrico existente, residam pouco mais de 40 pessoas. Para a realidade brasileira, trata-se de uma situação excepcional, posto que ainda existe uma grande população psiquiátrica que lotam velhos manicômios, alguns com mais de 900 pessoas internadas.

Infelizmente, os estudantes universitários dos cursos afins aos saberes psi (serviço social, enfermagem, psicologia, medicina, educação física), como dos saberes solidários (comunicação, artes), desconhecem como a jovem psiquiatria dos anos 1980 foi decisiva para interromper o processo de degradação a que são submetidos, historicamente, os modelos de tratamento baseados nos manicômios e seus ambulatórios medicalizadores.

Decididamente o Amazonas saiu, ainda nos anos 1980, do mapa da violência institucionalizada contra portadores de sofrimento psíquico. Na época não tinhamos Terapeutas Ocupacionais. Ainda assim deixamos marcado na memória da Saúde Mental os primeiros passos na direção da reabilitação psicossocial dos internos do Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro, através da produção de 1 tonelada de verduras, criação de suínos, roçado de milho, mandioca e macaxeira, além de uma casa para produção de farinha. Todos devidamente remunerados.

Direito à cidadania - Passados 28 anos, alguns dos internos que participaram do que foi nomeado como Grupo de Agricultura, envelhecidos e ainda residentes no Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro, serão beneficiados pelo programa de moradia assistida. Um direito de cidadania, usurpado pelo Estado, com sustenção da legislação da época, está sendo restituído aos portadores de sofrimento psíquico no governo do engenheiro Eduardo Braga. É motivo de orgulho para todos os que contribuiram para com essa página da história que está sendo dobrada. Que renda boas lições!

Nota: Não confundir Moradias Assistidas com o Programa de Volta para Casa, embora o primeiro seja beneficiado pelo segundo.

Moradia assistida (I)

Foto: Rogelio Casado - Painel dos usuários de Saúde Mental, HPER, Manaus, 2007
"Obstinação em construir algo melhor para todos nós" - Painel de manifestações dos internos do Hospital Psiquiátrico, tendo como fundo o mapa do Amazonas, registrado no dia da assinatura de um documento de consentimento para publicação das fotografias sobre a reunião de discussão da passagem do hospital psiquiátrico para as moradias assistidas.
Moradia assistida (I)

A idéia de implantar moradias assistidas para egressos de internação de longa permanência em hospital psiquiátrico no bairro Nova Cidade não prosperou. O gestor de saúde anterior ao governo Eduardo Braga por pouco não caiu na esparrela. Era fim de gestão, não valia a pena a teimosia. Primeiro, porque a vaca já tinha ido pro brejo. Segundo, porque ao escolher como interlocutores contumazes reformistas de araques deram-se conta do equívoco cometido.

Se os beneficiários são pessoas com vínculos familiares precários ou inexistentes, morar com dignidade não pode ser conduzido por saberes anacrônicos que estão na contramão das conquistas da Reforma Psiquiátrica brasileira.

No Amazonas, sempre pesou a ausência de formação compatível com o desafio civilizatório de incluir os loucos na cultura do nosso tempo. Não é mais o caso. Passa de 50 o número de profissionais com curso de especialização. Então o que faltou durante esses últimos quatro anos para implantar as moradias assistidas? Faltava aparecer entre aqueles os que chamam para si a responsabilidade de responder ao desafio.

Curiosamente a resposta surgiu de onde não se esperava. De aparência franzina, Márcia Maria Gomes de Souza, Terapeuta Ocupacional do Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro, vem conduzindo com determinação e firmeza o processo de transição dos usuários para as moradias assistidas. Seu trabalho consiste em recriar as tarefas do cotidiano, observar os cuidados pessoais, promover o retorno ao convívio social, de modo a construir a autonomia e a cidadania do portador de sofrimento psíquico. Os reformistas de araque bem tentaram o arremedo. Faltou-lhes a sólida formação que Márcia trouxe do Ceará.

Nos próximos artigos pretendo enfocar esse precioso trabalho em prol de uma sociedade sem manicômios. Aqui nos faz falta o poder da imagem. Acompanhe no nosso blog as fotografias que documentam este importante passo na construção da Reforma Psiquiátrica no Amazonas.

Manaus, Abril de 2008.
Rogelio Casado, especialista em Saúde Mental
Pro-Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da UEA
www.rogeliocasado.blogspot.com

Nota: Artigo publicado no Caderno Raio-X, do jornal Amazonas em Tempo, onde escrevo às quartas-feiras.

abril 03, 2008

Anibal Beça estréia no Cronópios

Foto: Rogelio Casado - Anibal Beça comemora 60 anos, Manaus-AM, 2006

O poeta Anibal Beça recebe os cumprimentos do músico George Jucá
O poeta e jornalista Anibal Beça estréia no Cronópios. Confira

Anibal Beça é poeta e jornalista, autor, entre outros, de “Noite desmedida”, “Filhos da Várzea”, “Suíte para os habitantes da noite” (VI Prêmio Nestlé de Literatura Brasileira) “Banda de Asa” e “Folhas da selva – haiku”. Desde 2005 está à frente do Conselho Municipal de Cultura de Manaus. E-mail: anibal.beca@vivax.com.br

Enquanto isso...


Céu de brigadeiro, pescado no Esquerda Festiva
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Quem é Arthur Virgílio?

Arthur Virgílio Neto
Quem é Arthur Virgílio?
Posted: 02 Apr 2008 06:00 PM CDT
Clique na imagem para ampliar. É o resultado do TSE para as eleições para governador do Amazonas em 2006. Mostra a "força" eleitoral de Arthur Virgílio, o mais queridinho da mídia. Virgílio teve exatamente 74,9 mil votos, ficando num longínquo terceiro lugar, com 5,5% dos votos válidos. Para se ter uma idéia, o primeiro colocado, Carlos Eduardo de Souza Braga, do PMDB, teve 687.912 votos e o segundo, Amazonino Mendes, 543.412 votos.

No mesmo ano, Lula teve, somente no Amazonas, 1,15 milhão de votos no segundo turno, 87% dos votos válidos, enquanto o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, teve 176 mil votos, ou 13% do total. Com isso, pode-se concluir que Virgílio é uma figura que corre grande risco de morte eleitoral nas próximas eleições. Esse é o cara que quer derrubar o presidente de 58,29 milhões de votos, cujo governo é aprovado, segundo o Ibope, por 73% dos brasileiros.

Para melhorar a comparação, registre-se ainda que, em 2006, o Amazonas elegeu para senador Alfredo Pereira do Nascimento, do PL, em coligação com PT e PC doB. Da base governista, portanto. Em toda região Norte, a esquerda está dominando de uma forma avassaladora. O PT ganhou o governo do Pará, segundo maior estado da região. Este ano, 2008, o PSDB de Virgílio não tem nem candidato próprio para Manaus. Amazonino Mendes, do PTB, está disparado na frente das pesquisas, seguido de Vanessa Graziotin, do PC do B, e pelo vice-governador Omar Aziz, do PMDB, ambos de partidos que compõem a base aliada de Lula. Virgílio está cada vez mais acuado eleitoralmente.

*

PS: Catei mais informações sobre o perfil eleitoral de Arthur Virgílio. Ele foi o senador mais votado em 2002 com 608 mil votos, 29% dos votos válidos. Mas seu eleitorado concentrou-se nos chamados grotões amazônicos, onde os habitantes vivem na obscuridade. Em Manaus, Virgílio teve 322.303 votos, 24% dos votos válidos do município, atrás de Jefferson Peres, do PDT. Importante: em Manaus, Lula teve uma votação esmagadora em 2006. Ganhou com 721 mil votos, ou 87% dos votos válidos.

Pode-se concluir, portanto, que o auge político-eleitoral de Virgílio se deu nos anos 90, sob o manto ilusório de FHC e quando o PSDB ainda possuía uma aura social-democrata e de centro-esquerda que atraía a classe média. Essa ilusão acabou quando o PSDB não apenas se aliou ao PFL como deu início a políticas fortemente recessivas e anti-trabalhistas, com obsessão particularmente acentuada para privatizar as melhores estatais brasileiras. A vitória de Lula em 2002 nocauteou completamente o futuro político de Arthur Virgílio, o que explica a sua oposição birrenta, irracional, raivosa. A prova foi no fiasco humilhante que sofreu em 2006. O outrora político promissor do Amazonas foi escurraçado pelas urnas, com 5% dos votos válidos, um número absolutamente ridículo para alguém que já foi prefeito, deputado federal, senador, que frequenta, junto com seus familiares, quase diariamente as colunas sociais dos principais jornais e revistas do estado. Enfim, o fiasco de Virgílio é especial, porque não se trata de um candidato desconhecido para o povo amazonense, especialmente o cidadão manauara. Em Manaus, cidade onde já foi prefeito, Virgílio teve somente 56.387 votos em 2006, num universo de 996 mil eleitores. O primeiro e o segundo colocados obtiveram 372 e 347 mil votos em Manaus, em 2006. O que aconteceu com Virgílio?

Não esqueçamos que o senador havia se tornado ainda mais conhecido nacional e localmente, em 2005 e 2006, em virtude de sua aparição constante em tv, jornal e revista. Sempre com a aura de paladino dos bons costumes na política. Qual a explicação, portanto, para um fiasco tão absoluto nas eleições para governador em 2006, no auge de sua "glória ética"?

Terá sido pouco investimento em campanha? Bem, os dados não mostram isso. Segundo o TSE, Arthur Virgílio gastou R$ 1,83 milhão em sua campanha para governador, mais que os R$ 1,49 milhões usados por Amazonino Mendes, que obteve 40% dos votos válidos (contra 5% de Virgílio). Tudo bem, o governador eleito, Carlos Eduardo, do PMDB, gastou R$ 8,94 milhões, arrecadados legalmente. Entretanto, até isso depõe contra Virgílio. Mostra que os empresários de seu estado não acreditam tanto nele a ponto de investirem em sua campanha.O que houve, Virgílio? O que aconteceu com você?

Acesse http://www.oleododiabo.blogspot.com/
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Mais ainda

MAIÊUTICA FLORIANÓPOLIS - Instituição Psicanalítica : Seminário Algumas questões cruciais do Seminário´Mais, ainda', de Lacan, a cargo de Roberto Harari.

Membro de Convergência, Movimento Lacaniano para a Psicanálise Freudiana
Convocante da Reunião Lacanoamericana de Psicanálise
Instituição Formadora – Cadastro CRP 00032-PJ

Seminário aberto 2008

Seminário Algumas questões cruciais do
Seminário ´Mais, ainda’, de Lacan
A cargo deRoberto Harari
O Seminário Mais, ainda (Encore, no original francês) constitui um marco primordial no cerne do ensino do último Lacan. Com efeito, o desenvolvimento sustentado da temática referente ao gozo - em suas diversas variedades, que não devem perder-se unificando-as erroneamente com o masoquismo -, a introdução conseqüente das chamadas fórmulas da sexuação, o decisivo aporte referente à feminilidade, a questão da letra e dos discursos, assim como o resultante do jogo homofônico com o título mesmo do Seminário, do qual deriva a nova e proveitosa noção de "em-corpo" (en corps) constituem, entre outras tantas questões, avanços indubitáveis da teorização lacaniana, com imediatas e decisivas conseqüências na direção da cura psicanalítica.

Pois bem, meu Seminário de três reuniões será direcionado ao desenvolvimento das referidas questões, assim como as que se apresentem em função dos interrogantes apresentados pelos assistentes. A estes, convido a que me acompanhem para trilhar um percurso que será de tipo introdutório, sem a exigência de um saber prévio que lhes seja requerido. Os aguardo, então, nos dias 25 de abril, 22 de agosto e 05 de dezembro de 2008, das 18:30 às 20.30 h, na sede da Maiêutica Florianópolis.

Roberto Harari

A Maiêutica, junto com Roberto Harari, convida para esta atividade aberta a todos aqueles que se sintam convocados pelos ensinos de Freud e Lacan.

Datas: 25 de abril / 22 de agosto/ 05 de dezembro
Horário: 18:30 às 20:30

Atividade aberta – inscrições prévias, na secretaria
Inscrição: R$ 180,00 por cada encontro do Seminário

Dr. Roberto Harari, psicanalista em Buenos Aires , fundador (1977) e ex-presidente da Mayéutica Institución Psicoanalítica, de Buenos Aires; presidente honorário da Maiêutica Florianópolis–Instituição Psicanalítica; um dos iniciadores da Reunião Lacanoamericana de Psicanálise (1986), e de Convergência, Movimento Lacaniano para a Psicanálise Freudiana (1998); desenvolve seu ensino em Florianópolis desde 1986, na Maiêutica Florianópolis–Instituição Psicanalítica. É professor da Universidad de San Luiz, diretor do Mestrado em Fundamentos Teóricos da Clínica Psicanalítica Lacaniana, professor convidado, por concurso, no Laboratório de Investigações em Psicopatologia Clínica , na Université de Provence, na França. Também é autor de vinte e um, vários traduzidos para o português, francês e inglês. Em português, há sete: Discorrer a Psicanálise (Artes Médicas), Uma Introdução aos Quatro Conceitos Fundamentais da Psicanálise (Papirus), O Seminário A angústia, de Lacan - Uma introdução (Artes e Ofícios), O que acontece no ato analítico? (Cia de Freud), Como se chama James Joyce? (Agalma e Cia de Freud), Dissipações do Inconsciente (CMC), Por que não há Relação Sexual? (Cia de Freud), O Psicanalista, o que é isso? (no prelo).

INFORMAÇÕES e INSCRIÇÕES:
Fone/fax: (48) 3225-4678 (14:30 às 19:30 h.)
e-mail: maieuticafpolis@floripa.com.br
Home page: www.maieutica.com.br

MAIÊUTICA FLORIANÓPOLIS – Instituição Psicanalítica
Rua Felipe Schmidt, 321 – Ed Carlos Meyer, salas 203 e 204 – Centro – Florianópolis – SC

PsiDivulga
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Terra Indígena Raposa Serra do Sol: retirada dos invasores deve continuar

Terra Indígena Raposa Serra do Sol: retirada dos invasores deve continuar

O governo federal deu início, finalmente, ao processo de retirada definitiva dos invasores da terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, através da Operação Upatakon 3, da Polícia Federal.

Esta terra foi declarada como tradicionalmente ocupada pelos índios em 1998, através da Portaria MJ 820/98 e homologada pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva, em abril de 2005. Desde então, todos os ocupantes não-índios deveriam ter deixado aquela área.

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), desde 2005, vem viabilizando a saída de dezenas de famílias, pequenos e médios ocupantes de boa fé, oferecendo áreas alternativas para cultivo em Roraima, com indenização por benfeitorias, créditos e apoio técnico para sua realocação e continuidade na produção, na própria região rural do estado.

Ocorre que um pequeno grupo de invasores, estes de má fé, cinco plantadores de arroz comandados por Paulo César Quartiero, nunca aceitou deixar a área. São de má fé desde o início, pois entraram na região, invadindo grandes extensões de terra, quando esta já estava em procedimento demarcatório como terra indígena. O governo federal chegou, recentemente, a oferecer a transferência de terras da União ao governo de Roraima, para que este procedesse a realocação que melhor conviesse aos arrozeiros, mas estes não aceitaram a negociação, desejando permanecer invadindo a terra indígena, como tal, também propriedade da União.

Os arrozeiros e seu líder ignoram a Constituição Federal, ignoram as leis, ignoram a demarcação e a homologação da terra indígena; ignoram todas as decisões que não lhes interessam, seja da presidência da República, seja do Supremo Tribunal Federal; ignoraram a Funai e os prazos dados por esta para sua saída da Raposa Serra do Sol; ignoram a Polícia Federal em Roraima.

Quando da homologação, em 2005, os arrozeiros criaram um bando para-militar, composto por jagunços armados, que aterrorizaram as comunidades indígenas; queimaram pontes, casas, salas de aula, equipamentos e carros; espancaram professores e alunos; ameaçaram de morte religiosos, comunidades inteiras e lideranças indígenas; destruíram patrimônio dos indígenas; seqüestraram funcionários públicos e seguiram impunes. Nos últimos anos, muitos indígenas foram espancados e ameaçados de morte pela quadrilha armada e financiada pelos arrozeiros, sem que ninguém fosse punido.

Paulo César Quartiero tem um tom racista e fascista em suas declarações públicas. Quando da homologação, chegou a pregar a “resistência armada” contra o governo Lula, em programas da Rádio Equatorial, de Boa Vista, aliás fundada pelo ex-membro do Comando de Caça aos Comunistas (CCC), ex-deputado federal, já falecido, Moisés Lipnick. Este, aliás, por sua vez, foi ligado também à União Democrática Ruralista (UDR) e a seus líderes, mentores do famoso “Caso Lubeca” uma farsa eleitoral que contribuiu para inviabilizar a eleição para presidente da República de Lula, em 1989.

Paulo César Quartiero afirma que quer se articular com as Forças Armadas, para que elas “coloquem ordem em Roraima”, acusando a Polícia Federal de “incompetente”. Em declarações recentes disse, com orgulho, que comprou 8.000 estacas de madeira para ampliar sua invasão na terra indígena Raposa Serra do Sol.

Depois de detido pela Polícia Federal na última segunda-feira, dia 31 de março, acusado de quatro crimes, entre estes o de “estimular a desordem pública” e “desacato à autoridade”, foi solto sob fiança e, em liberdade, atacou a Polícia Federal e afirmou que vai continuar convocando a “resistência” contra o governo federal, dentro da área indígena.

Agora, o governador de Roraima, José Anchieta Junior, e políticos locais, afirmam que irão exigir do ministro da Justiça o fim da Operação Upatakon 3. O líder arrozeiro não faz por menos e afirma ao jornal “Folha de Boa Vista”, em 2 de abril, que “tudo deve voltar à estaca zero”, com relação à demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol, ou seja, exige simplesmente a sua anulação.

O Cimi vem a público exigir do governo federal a continuidade da Operação Upatakon 3, até a retirada completa desses invasores de má fé e, pior, criminosos e com concepções racistas e práticas terroristas, da terra indígena Raposa Serra do Sol. Tais pessoas sempre colocaram – e agora colocam mais ainda - em sério risco de vida as comunidades e lideranças indígenas, além de todos aqueles que prestam serviços àquelas comunidades.

A permanência dos arrozeiros e demais invasores na terra indígena Raposa Serra do Sol, além de ilegal, é uma afronta aos poderes legalmente constituídos, é uma agressão à democracia e aos direitos humanos e se constitui como um palco para demonstrações de apego ao fascismo, que não possui, há muito tempo, espaço no Estado de Direito, felizmente reconquistado pela sociedade brasileira.

Brasília, 02 de abril de 2008
Cimi - Conselho Indigenista Missionário

Marcy Picanço / Clarissa Tavares
Cimi - Assessoria de Comunicação (61) 2106 1650/ 9979 6912
www.cimi.org.br
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Curso de Planejamento Estratégico

I Curso de Planejamento Estratégico

Público-alvo: Profissionais com nível superior e estudantes de graduação das áreas de saúde, administração de empresas, psicologia e educação, com interesse em trabalhar com programas de inclusão social para pessoas com necessidades especiais.

Objetivo: Desenvolver conhecimentos, habilidades e atitudes para realização de ações de planejamento estratégico e gerência de programas de inclusão social de pessoas com necessidades especiais.

Conteúdo:
Módulo I: Contexto do Setor de Saúde
Módulo II. Premissas do Planejamento Estratégico
Módulo III: Conceito, Organização e Metodologia do Planejamento Estratégico
Módulo IV: Diretrizes do Planejamento Estratégico
Módulo V: Trabalho em Equipe


Coordenadora e Docente:
Maria Alice Sigaud Machado Coelho
· Psicóloga – UFMG, Mestre em Psicologia – FGV, Especialização em Educação – Harvard University Especialização em Gestão de Saúde – Coppead/UFRJ, Professora Aposentada do NUTES/CCS/UFRJ

Docente Convidada:
Patrícia Cavalcanti Schmid:
· Psiquiatra – UFF, Mestre em saúde mental – IPUB/UFRJ, Especialização em Saúde Pública e Saúde Mental pela Johns Hopkins University/EUA, Supervisora Clínica do Programa Integrando da Academia Brasileira de Ciências.

Datas: 06,08,13,15,20,27 e 29 de maio; 03,05,10 de junho de 2008
Carga horária: 5 módulos de 8 horas, totalizando 40 horas
Horário: de 17hs às 21hs
Local: Praia do Flamengo 66 – Sala 503 B.
Inscrições: Pelo tel: 2557-4358 ou 8833-0976 ou pelo e-mail msigaud@globo.com

Inscreva-se já!
Vagas limitadas
Investimento: R$60,00 por módulo com apostila incluída.
O pagamento deverá ser feito em duas parcelas de R$150,00
1ª) dia 06 de maio
2ª) dia 03 de junho de 2008

Salud-Cuidados: gestão de cuidados especiais
Praia do Flamengo, 66 sl 503 B Flamengo, Rio de Janeiro, RJ Cep 22210-030
tel: 25574358 / 8833-0976
www.salud-cuidados.com
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abril 02, 2008

Las adicciones y sus tratamientos

El Correo de la Comunidad
CONTENIDOS, SERVICIOS Y NOTICIAS DE LA COMUNIDAD RUSSELL
28 de marzo de 2008
Archivo de boletines anteriores: click aquí

Las adicciones y sus tratamientos
A cargo de Deborah Fleischer y David Warjach

Cursada virtual interactiva con tutoría personalizada, foro de debate moderado y ayuda técnica online

Delimitar el campo de las adicciones plantea un problema teórico y clínico que intentaremos cernir en este curso desde una posición clínico ética vinculada al psicoanálisis, incluyendo la pregunta por las concepciones del placer en juego, el tema de la responsabilidad del sujeto, y analizando las distintas ofertas terapéuticas que circulan, precisando que es necesario diferenciar la llamada "conducta adictiva" en las distintas estructuras clínicas.

Comienza el 14 de abril. Finaliza el 23 de junio.

Hasta el momento, se han inscripto personas de Argentina, Costa Rica y Uruguay.Inscripción abierta a cursantes de cualquier lugar del mundo.

Nuestros Cursos Virtuales cuentan con inscriptos de Argentina, Bolivia, Brasil, Canadá, Chile, China, Colombia, Costa Rica, Ecuador, España, Estados Unidos de Norteamérica, Francia, Grecia, Guatemala, Israel, Italia, México, Nicaragua, Panamá, Paraguay, Perú, Portugal, Puerto Rico, República Dominicana, Suiza, Uruguay y Venezuela.

La diversidad de nacionalidades y de trayectorias formativas y profesionales enriquece el trabajo y da lugar a interacciones fecundas entre los participantes, permitiendo establecer lazos de trabajo y favorecer intercambios con colegas de todo el mundo.

Clickee aquí para iniciar una inscripción personal

Acceso directo a página web informativa: http://www.comunidadrussell.com/default.asp?cursos/archivos/descripcion/DF-c2-adicciones.html

FUNDAMENTOS

El tratamiento de las toxicomanías ha despertado grandes controversias que generaron en el transcurso del siglo XX distintos tipos de abordajes, paliativos y terapéuticos, provenientes principalmente de la psiquiatría, la psicología, la sociología y otras ciencias, las que trataron de dar respuestas a un tema que se va convirtiendo cada vez más en un asunto de la sociedad en su conjunto.

El placer adjudicado a las drogas ha llevado a una banalización de lo que es la dependencia. Las iniciativas relacionadas con prohibir a alguien la droga vía su aislamiento o la "reducción de daños", que apunta a prevenir el HIV, la hepatitis y otras enfermedades contagiosas llevan, por sí solas, más que a una pregunta sobre las adicciones, a una estabilización de la dependencia. La droga se convierte en la mercancía por excelencia, mercancía que no requiere de una publicidad explícita como los otros productos de consumo. Se trata de una automedicación para modificar la sensibilidad del cuerpo. La neurofarmacología hace pensar que las drogas tienen efectos similares a los que ocasionan los elementos naturales que actúan en las células cerebrales para regular los estados de ánimo. Se promueve al Prozac como una "cocaína ideal", pese a las actuales controversias respecto a los beneficios de su utilización. El incremento en el uso de antidepresivos hace exigible a los laboratorios advertir sobre el riesgo de suicidio al que puede conducir este tipo de sustancias. Debemos recordar que el pasaje al acto suicida se produce generalmente en momentos de manía, no de melancolía. [1]

Muchas técnicas se sostienen en el apuro, y recordamos a Freud cuando advierte: "Entonces el tiempo que lleva ese trabajo no es calculable previamente y mucho menos abreviable. Más aún, se puede pensar que cada vez que un analista se apura por quitar los obstáculos del camino, pone en riesgo a la cura misma. Y que ese apuro surge en el lugar en que el analista puede, en lugar de hacer, detenerse e interrogar su apuro.…". "El médico no tiene más que esperar y consentir un decurso que no puede ser evitado pero tampoco apurado. Esto es lo que distingue al tratamiento analítico del influjo sugestivo"… Agregará con respecto a algunos obstáculos, dos:* El destino: Competir con la suerte mediante crueles intervenciones activas que buscan una vacuna, negando la contingencia del azar, dichoso o desgraciado y querer convertirse en dueño del porvenir. * La pulsión de muerte: mortificando la pasión de curar. [2]

Al investigar lo escrito sobre el tema de la reducción de daños o sobre el abstencionismo, lo confrontamos con el psicoanálisis, en tanto el enfoque del psicoanálisis adquiere un lugar privilegiado, porque guardando la tarea a emprender una íntima vinculación con su método, aporta además la posibilidad de concebir la toxicomanía no como un observable fáctico, sino como una forma de captura del objeto en el entramado subjetivo.

No basta con aplastar el concepto de "reducción de daños" con el sintagma lacaniano de "acotar el goce" ni reproducir la antinomia conservadorismo (retrógrado) vs. progresismo. [3]

Si se da crédito a la afirmación de que la toxicomanía de nuestros días no es una formación ajena a lo que de ella se diga y de lo que con ella se haga, la implementación de nuevos programas necesariamente repercutirán en su manera de presentarse y requiere una profunda indagación: a) sobre qué es lo que se pone en juego en el centro de la ligazón excluyente del llamado toxicómano con la sustancia, b) como hacer interactuar desde una posición clínico- ética – la pregunta por la concepción del placer- responsabilidad del sujeto, en estas nuevas técnicas de reducción de daño.

Notas
1- Ver: El suicidio melancolico en la obra de Lacan. Psicoanálisis y el hospital, 20 (2001)
2- Freud .Capítulo IV de Análisis terminable e interminable.
3- Esto último requiere de la salvedad a realizar respecto de lo que es lo que el progresismo conlleva y que movió a Jacques Lacan, en el marco de su seminario sobre la ética del psicoanálisis, a afirmar que "Freud no era progresista". Lo cual lejos de ser una imputación a Freud respecto de una presunta orientación retrógada, sí lo era al progresismo. (David Warjach, en: No se conocía coca ni morfina. Configuraciones toxicómanas. Grama 2003)

CONTENIDOS

Clase 1

• Componentes de la adicción a sustancias tóxicas en tanto configuración clínica.
• Consideraciones sobre el DSM (Manual Diagnóstico y Estadístico de los Trastornos Mentales). Introducción de la compulsión.
• Modalidad de la relación del adicto con su objeto. Análisis de la compulsión.
• Lugar de la sustancia tóxica en la configuración clínica.
• Freud y el episodio de la cocaína. Un criterio de delimitación del campo de las adicciones y su cura.

Clase 2

• ¿Qué es el cuerpo para el psicoanálisis?
• El cuerpo del adicto.
• Instituciones para adictos.
• El control sobre el cuerpo.
• Conclusión Clase 2.

Clase 3 - Adicciones y experiencia

• Experiencia como años vividos.
• La experiencia mística y la experiencia como transmisible.
• La experiencia del toxicómano.
• La experiencia del análisis.
• Diferencia entre experiencia transmisible y experiencia como goce.

Clase 4

• Juego y Experiencia en el Tratamiento de las Adicciones.
• La Experiencia y La Intoxicación.
• El trabajo de Donald Winnicott y su vinculación con la clínica de las Toxicomanías.
• La intoxicación (alcoholismo y drogas): la corrupción del juego.

Clase 5

• La clínica. Se comentará un caso clínico.

CALENDARIO

El curso

Comienza: 14-04-08
Finaliza: 23-06-08

El Foro

Comienza: 16-04-08
Finaliza: 21-06-08

Fecha de publicación de las clases

Clase 1: 14-04-08
Clase 2: 28-04-08
Clase 3: 12-05-08
Clase 4: 26-05-08
Clase 5: 09-06-08

CERTIFICADOS

La Comunidad Russell otorgará dos clases de Certificados:
• de Participación: por intervención en el Foro de debate y respuesta a la encuesta sobre el curso.
• de Aprobación: a pedido de los cursantes, mediante la presentación de una Monografía.

ACCESO A BIBLIOGRAFÍA
Los cursantes tendrán acceso a adquirir libros, revistas y artículos de la bibliografía (incluso publicaciones agotadas o imposibles de conseguir) a través de la Librería y los Servicios Bibliográficos de la Comunidad Virtual Russell.

MEDIOS

• Acceso: fácil e intuitivo, desde cualquier lugar del mundo, cualquier día a cualquier hora.
• Publicación: las clases se publican en el Web. Se accede con el password personal que elige cada cursante.
• Impresión: las clases pueden imprimirse.
• Orientación: para la utilización de contenidos y servicios de la Comunidad Russell.
• Ayuda: soporte técnico on-line especializado para resolver cualquier problema de acceso o utilización.

Centro de Teatro do Oprimido e Grupo Tortura Nunca Mais Convidam


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Sou especial e estou na escola, e agora?


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abril 01, 2008

Conferência GLBT do Amazonas

Foto: Alberto Jorge - Seminário "O Direito e a Cidadania", Manaus-AM, 2003

Ao centro, de gravata vermelha, o saudoso líder Adamor Guedes num Seminário GLBT
Conferência GLBT do Amazonas marcará história

A 1ª conferência estadual tem com tema central “Direitos Humanos e Políticas Públicas: o caminho para garantir a cidadania de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transgêneros e Transexuais".

Gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transgêneros e transexuais do Amazonas terão a oportunidade de debater políticas públicas para o segmento na I Conferência Estadual GLBT, prevista para o período de 10 a 12 de abril. A convocação do evento, que será coordenado pela Secretaria de Estado da Cidadania e de Direitos Humanos (Sejus), foi publicada pelo governador Eduardo Braga (PMDB) no Diário Oficial do Estado do último dia 5 e marca um momento histórico de inserção social do movimento.

A conferência tem com tema central “Direitos Humanos e Políticas Públicas: o caminho para garantir a cidadania de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transgêneros e Transexuais. Propõe estratégias para fortalecer ações de combate a homofobia, além de diretrizes para a implementação de políticas públicas e do plano nacional de promoção da cidadania e dos direitos humanos de GLBT.

A conferência representa um avanço significativo para o movimento. Será a oportunidade de discutir, de forma ampla, uma política de estado que atenda um segmento que vivencia a violência, discriminação e dificuldade de acesso ao trabalho.

A programação foi definida por uma comissão organizadora indicada pela Sejus em reunião realizada com os segmentos da diversidade sexual.

A realização da 1ª Conferência é resultado da luta em respeito a uma reivindicação do movimento como um todo. Para a sociedade civil organizada é um passo importante na consolidação de políticas que os movimentos vêm construindo ao longo de sua trajetória.

A conferência estadual terá a participação de delegados representantes do poder público e da sociedade civil que serão eleitos nas regionais que foram realizadas no mês de março em diversas cidades do interior e no próximo dia 4 é a vez de Manaus indicar seus representantes. Na conferência estadual, sairá um documento e serão eleitos os delegados que participarão da nacional que acontece de 7 a 9 de maio em Brasília. A Conferência Nacional foi convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em novembro do ano passado.

NOTA: O local previsto para a I Conferência Estadual GLBT é no auditório da Reitoria da Universidade do Estado do Amazonas, na Av. Djalma Batista.

Festival da Loucura em Barbacena


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Barbacena-MG já foi um dos piores exemplos do que a psiquiatria conservadora foi capaz de praticar no Brasil. No final dos anos 1970, a opinião pública brasileira tomou conhecimento dos horrores ali praticados.

Com a consolidação da Reforma Psiquiátrica, quase trinta anos depois Barbacena dá um exemplo de boa relação entre sociedade e loucura. Dois atores de sobressaem no Festival da Loucura promovido pela Prefeitura municipal: o jornalista-prefeito da cidade e os reformistas de boa cepa. Dá-lhe, Minas Gerais!

No confundir campesinos com terratenientes

Adolfo Pérez Esquivel

ALAI, América Latina en Movimiento

2008-03-28

Argentina

No confundir campesinos con terratenientes
Adolfo Pérez Esquivel

El paro agrario en la Argentina desde hace más de 15 días, es utilizado por sectores golpistas para desestabilizar al gobierno y seguir explotando al pueblo con total impunidad.

Las retenciones que el gobierno impone a las exportaciones tienen diversas lecturas y contradicciones que han confundido, y generado que los sectores del campo coincidan en la protesta. Es necesario diferenciar si están juntos y revueltos para desestabilizar al gobierno, o tienen la suficiente claridad para diferenciarse en la lucha y reclamos. Hay que diferenciar y saber si están juntos, pero no revueltos y hasta dónde llega estar juntos sin quemarse.

Recuerdo esa pequeña historia que dice: “El ladrón corre hacia el Este y el policía corre hacia el Este. Los dos corren hacia el Este pero con intenciones diferentes”.

Los productores agropecuarios nunca tuvieron tantas ganancias como en los últimos años, beneficiándose por la política de cambio y las exportaciones de soja y girasol. Los indicadores son elocuentes y concretos. Sin embargo es necesario hacer un análisis de los costos que esa actividad tiene para el país, su rentabilidad y concentración de la riqueza en pocas manos. Las grandes corporaciones agropecuarias, las transnacionales han destruido, y quemado miles de hectáreas de bosques, apropiándose de grandes extensiones de tierra para plantar soja transgénica. Utilizan agroquímicos altamente contaminantes sin importarles las consecuencias para el medio ambiente y vida de los pobladores.

Por otra parte, las contradicciones del gobierno no son pocas, pero hay que reconocer que ha dado algunos pasos importantes hacia la recuperación económica y eso es positivo. El saqueo a que fue sometido el país durante la crisis de 2001 fue un golpe de Estado económico, sacando al exterior los capitales y llevando al cierre de fábricas, desabastecimiento, aumento del desempleo y pobreza, provocado por capitales financieros y el sistema bancario, que buscaron el vaciamiento del país sin importarles las consecuencias sociales.

Sectores de la llamada “clase media, acomodada” salieron estos días en “apoyo al campo” con la cacerola de acero inoxidable y cucharita de plata a apoyar el paro agrario.

La falta de memoria, a muchos les ha jugado una mala pasada. Se olvidaron que la clase media acomodada siempre creyó estar a salvo de la debacle del país. La realidad les demostró que el capital financiero no tiene amigos, tiene intereses y que también fueron víctimas del vaciamiento económico y muchos perdieron sus recursos y ahorros depositados en los bancos. Es necesario hacer memoria y saber porqué hoy nadie se hace responsable de esa situación y lamentablemente la impunidad continúa.

El gobierno tiene que asumir que se equivocó al poner las retenciones por igual y no diferenciar a los pequeños y medianos productores rurales, que son la mayoría, y muchos con serias dificultades en su producción y con sus campos hipotecados; se equivocó al juzgarlos con la misma vara con que mide a las grandes corporaciones y terratenientes que tienen ganancias exorbitantes que sacan del país y que no están dispuesto a la re-distribución de la riqueza.

Reitero, estamos frente al cuento del ladrón y el policía, en que los dos corren hacia el Este pero con intenciones diferentes.

La presidenta Cristina Fernández Kirchner pidió que levanten el paro para dialogar y encontrar una salida al conflicto. Es una medida prudente que los productores rurales no pueden dejar pasar. El diálogo es el camino para encontrar soluciones.

El gobierno no puede volver a equivocarse y tiene que diferenciar al campesino de los terratenientes. No hay que permitir ni dejarse arrastrar por los golpistas para que se enfrenten trabajadores contra trabajadores.

Hay veces en la vida que la enseñanza es dura, pero se aprende. Los campesinos luchan por sus derechos y resisten en la esperanza para alcanzar a vivir con dignidad y recuperar la soberanía nacional, hoy amenazada por los grandes intereses económicos que se niegan a re-distribuir la riqueza.

El gobierno debe tener políticas claras y coherentes entre el decir y el hacer. Hoy están vendiendo el territorio nacional, devastando sus riquezas y empobreciendo al pueblo. Las retenciones son necesarias, no sólo al agro, a las empresas mineras, a las petroleras, para ello es necesario políticas públicas para evitar la explotación irracional y recuperar la soberanía perdida. Las retenciones deben dirigirse correctamente para construir el país que queremos.

Queda un largo camino a recorrer que es necesario asumir entre todos y todas.

- Adolfo Pérez Esquivel es Premio Nobel de la Paz.

Fonte: America Latina en Movimiento