janeiro 02, 2011

"La integración de Latinoamérica es el requisito previo para la independencia real" (entrevista al intelectual estadounidense Noam Chomsky)

PICICA: A los 82 recién cumplidos, su compromiso político no declina.

Aumentar tamaño del texto Disminuir tamaño del texto Partir el texto en columnas Ver como pdf 31-12-2010

Entrevista al intelectual estadounidense Noam Chomsky sobre el socialismo hoy, el cambio de América Latina y sus relaciones con Estados Unidos
"La integración de Latinoamérica es el requisito previo para la independencia real"

El Malpensante


Noam Chomsky es un hombre tocado por una curiosidad inagotable. Debería añadirse que es un intelectual comprometido. Esto parece obvio pero no lo es. A diferencia de muchos otros intelectuales, no solo es capaz de denunciar injusticias, absurdos y atrocidades perpetradas en nombre del interés nacional de Estados Unidos o los principios del mundo libre, como la democracia y el mercado, sino también de trabar largos diálogos con quienes difieren de algunas de sus posturas políticas, sin que esto menoscabe el tejido de la conversación, sino todo lo contrario. Más que sus ideas radicales, que de cuando en cuando revuelven la bilis de la opinión pública conservadora, lo que llama la atención de Chomsky es su capacidad casi sobrehumana de perseguir el entendimiento racional de casi cualquier problema, embebiéndose en galaxias y universos de información en los que cualquier otro se ahogaría sin la menor chance de supervivencia. Por ejemplo, cuando se discute con él sobre un tema –sea América Latina, Irán, China o Estados Unidos– remite a su interlocutor a periódicos del día en México, Londres, Teherán, Islamabad, y a las más recientes revistas académicas superespecializadas, comentarios políticos o encuestas de opinión locales. Asimismo se muestra ávido de recibir cualquier artículo o libro que a vuelta de correo criticará con una inteligencia sensible, sin pasar por alto sus virtudes, flaquezas o contradicciones. Su conversación siempre zigzaguea y se abre en muchos meandros de erudición simultánea, pero cuando parece que ya se ha ido muy lejos regresa al punto de origen atando todos los cabos sueltos y capturando, con admirable claridad, el espíritu de una verdad oculta o difícilmente comprendida. Cuando esto sucede, hay que pedirle que, por favor, sea breve. Él responde con cierta picardía que cuando sus nietos le preguntan cualquier cosa ponen una cláusula: “Por favor, danos solo una conferencia de cinco minutos”. Pero, hay que anotarlo, pocas veces lo logra. 

A los 82 recién cumplidos, su compromiso político no declina. E incluso se podría decir que, mientras otros intelectuales se conforman con soplar las trompetas del Apocalipsis, él busca los signos dispersos y escasos de esperanza para conferirles cierta coherencia y alertar sobre los peligros que los acechan. Por eso dedica su más reciente libro, Hopes and Prospects (publicado por Haymarket Books), a América Latina y afirma que el futuro podría reiventarse en esta región del planeta. 

Esta entrevista tuvo lugar en dos momentos distintos del otoño. Por motivos de espacio, esta versión se concentra en el socialismo hoy, el cambio de América Latina y las relaciones con Estados Unidos. El problema ambiental de algún modo atraviesa toda la conversación. Pero también, inevitablemente, Chomsky pasa revista a muchos otros temas en torno a los cuales su inquieta atención nunca descansa

Para leer más, accese Rebelión.

Rio 2010 – etapa superior do paracapitalismo tropical, por Luiz Ricardo Leitão

PICICA: Voce diria que com a operação militar nas favelas do Complexo do Alemão "o Rio de Janeiro viveu uma das suas páginas mais bonitas"? Pois um radialista amazonense o disse, com todas as letras. Adverti, pelo twitter, que o radialismo amazonense ganharia muito se o setor fosse reciclado de 6/6 meses. Exceções de praxe. Por pouco não perdi uma simpática leitora, vernaculista militante, que me admoestou por usar esta graciosa palavra na acepcão dada por Houaiss: promover a reciclagem ('formação') de (alguém ou de si próprio); atualizar(-se), requalificar(-se). Salvo se minha leitora captou sutilezas nas entrelinhas, o fato é que fosse outro o uso da bendita palavra seria mais um chiste do que uma leitura crítica de tão constrangedora indigência jornalística. Continuo em sua lista no FB, ao contrário dos que me deletaram por incapacidade de sustentar diálogos civilizados. "Só lamento uma vez".    

Brasil

Rio 2010 – etapa superior do paracapitalismo tropical

Luiz Ricardo Leitão



AS IMAGENS ainda estão bem vivas na memória de todos: dezenas de soldados do tráfico fugindo aos magotes por uma estrada de terra no alto da Vila Cruzeiro, rumo ao Morro do Alemão, uma das áreas mais miseráveis do Rio. Jamais poderiam estrelar um filme de gângster dos grandes estúdios de Hollywood: a maioria vestia apenas short e sandálias Havaiana –e seu único produto de valor eram as armam que traziam a tiracolo, com o selo das mais lucrativas indústrias do mundo globalizado. 
Exatamente cem anos após a histórica Revolta da Chibata, quem são esses párias que militares e governantes tratam de aniquilar? Não lembram, decerto, os marujos revoltosos que, sob a liderança de João Cândido – o mestre-sala dos mares –, exigiram o fim dos maus-tratos que lhes infligiam os oficiais da Marinha. Ao contrário: são apenas a quinta geração de uma (pseudo)organização que um dia, nas celas da Ilha Grande, decidiu lutar por “paz, justiça e liberdade”, inspirada em certas lições de marxismo-leninismo que os presos políticos da ditadura legaram aos fundadores do Comando.
Nos anos 1970 e 1980, com estampa de justiceiros sociais, figuras como José Carlos do Reis Encina, o Escadinha, ocuparam o imaginário popular. Eram os tempos românticos da bandidagem, que proibia o roubo de trabalhadores e promovia assaltos espetaculares a bancos, iniciativa que, a juízo da massa, não merecia censura, já que “ladrão que rouba ladrão [e que ladrão!] tem cem anos de perdão”... Esculachar um operário (coisa que o “milagre econômico” do regime já fizera à exaustão) era uma covardia; confiscar parte dos exorbitantes lucros que os banqueiros acumulavam à custa da nossa mais-valia e deixar alguns dividendos da operação com a comunidade jamais seria visto como um crime nos morros cariocas.

Não há mais Robin Hoods em Bruzundanga. Em perversa sintonia com a era neoliberal, regida pelo deus Mercado e sob o decálogo do Consenso de Washington, os “marginais” de hoje são meros delinquentes alucinados, às vésperas de mais um sinuoso salto de qualidade no paracapitalismo tropical. Como já cantara há décadas o clarividente Chico Buarque, agora é a vez do malandro profissional, “com aparato de malandro oficial” ou “candidato a malandro federal”. Descalço e de bermuda não pode: carece de terno, gravata e coisa & tal.
No Rio, a malandragem profissional tomou conta do pedaço. De olho nos mirabolantes negócios da Copa 2014 e das Olimpíadas 2016, o Estado e as milícias retalharam a Cidade Maravilhosa em zonas de atuação. O cinturão em torno dos parques esportivos (fonte de infinitos lucros para as empreiteiras de turno) fi cará com a turma oficial: lá surgiram as UPPs e outras pirotecnias de compensação social. Da Barra da Tijuca ao Maracanã, do Engenhão à Marina da Glória, a “paz” estará garantida pelos briosos governantes locais. Nos grotões da Zona Oeste, as milícias se encarregam da “segurança pública”, da entrega de gás e do “gatonet”, entre outros serviços “comunitários”. (O que sobrou para o velho tráfi co? A reação desmedida, um mês após as eleições, indica que precários acordos eventualmente costurados antes do pleito não foram cumpridos à risca...)
A mídia abençoou o pacote. Os helicópteros da Vênus Platinada acompanharam as incursões à Vila Cruzeiro e ao Alemão online. A violência espetacularizada, aliás, rendeu-lhe o dobro de audiência no horário vespertino (29 pontos, em média). O Rio 2010, de fato, é apenas um prenúncio do que vem por aí; aguardem a próxima atração (plim, plim). Ciente de que as tragédias da história só se repetem como farsa, este humilde cronista prefere tão somente saudar “o navegante negro que tem por monumento as pedras pisadas do cais...”
- Luiz Ricardo Leitão é escritor e professor adjunto da UERJ. Doutor em Estudos Literários pela Universidade de La Habana, é autor de O campo e a cidade na literatura brasileira e Lima Barreto: o rebelde imprescindível.
Brasil de Fato -  edição 406 - de 9 a 15 de dezembro de 2010


"Del nuevo ateísmo a un nuevo humanismo", por Anahí Seri

PICICA: "El ateísmo no es un fenómeno nuevo. No es aventurado afirmar que el ateísmo existe desde que existen los dioses, pues la razón es tan propia del ser humano como la sinrazón. En India, ya había escuelas filosóficas ateas en la época de los Vedas, hace tres mil años. En la Grecia antigua, numerosos filósofos negaban la existencia de los dioses. (...) De hecho, ha habido muchos célebres judíos ateos, y la gama abarca desde quienes, como Karl Marx, atacaron explícitamente la religión, hasta los “ateos light” como Einstein o Woody Allen. En el siglo XVII, Spinoza fue excomulgado por sus ideas ateas, pero en general, para los judíos no ha sido nunca demasiado peligroso poner en duda la existencia de dios. No así para los musulmanes: en aplicación del Corán, la apostasía se castiga con la muerte." PICICA también es sabiduría y humor.
callac | 20 de setembro de 2009 | pessoa gosta, 25 pessoas não gostam
Finalmente, os ateus tem as mesmas provas que os crentes para contestar a existência de deus.
Aumentar tamaño del texto Disminuir tamaño del texto Partir el texto en columnas Ver como pdf 02-01-2011

Del nuevo ateísmo a un nuevo humanismo



Un fantasma recorre el mundo: el fantasma del ateísmo. Los descreídos hacen campaña en las vallas publicitarias de las carreteras estadounidenses, e incluso en España se han visto autobuses municipales con el anuncio “Probablemente Dios no existe”. Un respetado científico británico llega al extremo de exigir que se lleve a Benedicto XVI a los tribunales por encubrir a pederastas.

El ateísmo no es un fenómeno nuevo. No es aventurado afirmar que el ateísmo existe desde que existen los dioses, pues la razón es tan propia del ser humano como la sinrazón. En India, ya había escuelas filosóficas ateas en la época de los Vedas, hace tres mil años. En la Grecia antigua, numerosos filósofos negaban la existencia de los dioses. Si bien hubo alguno que, como Sócrates, sufrió el exilio o fue incluso condenado a la pena de muerte por razones ligadas a su rechazo de las divinidades del Olimpo, el ateísmo en aquella época poco tenía que ver con lo que llegaría a representar siglos después en la Europa cristiana. Al fin y al cabo, los griegos eran gente culta para quienes las aventuras de Zeus, Apolo y el resto de la cuadrilla no eran más que mitos y leyendas. Tampoco los romanos se tomaban muy en serio su panteón. Por otra parte, en Egipto ya había surgido, en el siglo XIV antes de Cristo, bajo el reinado de Akenatón, una religión monoteísta que, en opinión de muchos, está en el origen de las religiones abrahámicas. En estas tradiciones, Dios va asociado a una vivencia emocional muy diferente de la del mundo grecorromano, y el ateísmo puede representar una auténtica afrenta para el cristiano o musulmán devoto.

Curiosamente, no ocurre igual dentro del judaísmo. Dado que en el judaísmo lo estrictamente religioso se fusiona con lo étnico y lo cultural, no es contradictorio hablar de judíos ateos. De hecho, ha habido muchos célebres judíos ateos, y la gama abarca desde quienes, como Karl Marx, atacaron explícitamente la religión, hasta los “ateos light” como Einstein o Woody Allen. En el siglo XVII, Spinoza fue excomulgado por sus ideas ateas, pero en general, para los judíos no ha sido nunca demasiado peligroso poner en duda la existencia de dios. No así para los musulmanes: en aplicación del Corán, la apostasía se castiga con la muerte. Y sin embargo, entre los siglos IX y XIII, la cultura islámica dio lugar a un número considerable de filósofos racionalistas que rechazaban de pleno las enseñanzas religiosas musulmanas. Fue la época del “esplendor del ateísmo islámico” i. Destaca la figura de Abu Bakr Al-Razi, quien atacó con vehemencia el Corán, y creía en la capacidad innata de los humanos para distinguir entre el bien y el mal, sin necesidad de ser guiados por un profeta. Fue una época en la que el mundo musulmán, entonces tolerante y pluralista, vivió grandes avances en matemáticas, ciencia y medicina, mientras Europa se hundía en las tinieblas. Y esta oscuridad engulló también a los países islámicos, donde a día de hoy se perpetúan normas medievales. En Pakistán, la blasfemia está tipificada como un delito que se castiga con la pena de muerte.

Pero se atisban cambios. En un mundo interconectado digitalmente, los musulmanes de todos los países tienen acceso a más información, y los que se apartan del Corán se ven más arropados. Incluso en Indonesia, un país donde la creencia en una divinidad (sin especificar) está recogida en la constitución, ha surgido una asociación de ateos: Indonesian Atheists ii. Los musulmanes que han apostasiado pueden expresarlo con más libertad en Occidente: existen diversas asociaciones de ex musulmanes, por ejemplo, en Alemania, el Zentralrat der ExMuslime iii (Consejo central de ex musulmanes). Un iraní nacionalizado canadiense, cuyo seudónimo es Ali Sina, es el creador del excelente sitio web faithfreedom.org, mediante el cual, desde hace doce años, desafiando las amenazas que pesan sobre él, brinda apoyo a ex musulmanes y demás personas críticas con el Islam. La web, citada por Richard Dawkins en su libro “El espejismo de Dios”, está entre las 25.000 que registran mayor tráfico. A pesar de ello, como afirma Alom Shaha, periodista británico de origen bangladeshí, en un artículo publicado en The Guardian iv, muchas personas negras y asiáticas se sienten excluidas de la comunidad atea.

Es patente: los ateos más célebres de la actualidad son WASP: hombres blancos, anglosajones y protestantes. Del selecto grupo de “nuevos ateos” (término acuñado por la revista Wired) forman parte el filósofo Daniel Dennett, de 68 años, quien en 2006 tuvo que someterse a una difícil operación de corazón en la que peligró su vida, y por quien rezaron amigos y parientes, lo cual le llevó a bromear “¿también sacrificasteis una cabra?”; el escritor Christopher Hitchens, de 61 años, aquejado de una metástasis de cáncer de esófago que alguno de sus críticos ha querido relacionar con su falta de fe, pero que el autor ha dejado claro que no va alterar su descreimiento ni aún en el lecho de muerte; Richard Dawkins, biólogo y divulgador científico, que a sus 69 años aún goza de buena salud; y por último Sam Harris, filósofo doctorado en neurociencias, nacido en 1967. Fue él, el más joven del grupo, quien en el año 2004 publicó “El fin de la fe” y e inició con esa obra una avalancha de libros sobre ateísmo que se convirtieron en grandes éxitos de ventas.

No es habitual que las obras de pensamiento se sitúen entre los “best seller”; el éxito de estos libros se explica en parte por la actitud combativa de sus autores, la cual, por otra parte, les ha granjeado no pocas críticas de sus detractores. A Dawkins, por ejemplo, se le tacha de vociferante y fundamentalista.

Un aspecto en el que los nuevos ateos se distancian de otros intelectuales ateos contemporáneos es que se niegan a pasar por alto los conflictos entre la fe y la razón. Stephen J. Gould hablaba de “magisterios no solapados”, dando a entender que no hay conflicto entre la religión y la ciencia, pues se refieren a cosas distintas; existen, por así decirlo, en universos (filosóficos) diferentes. Pues no, de eso nada, dicen los nuevos ateos. Dawkins plantea que la existencia de una divinidad es una hipótesis factual, una conjetura acerca de hechos, que se puede poner a prueba con los instrumentos de la ciencia. Y al hacerlo, concluimos que esa existencia es muy muy improbable. La ciencia no puede demostrar la inexistencia de dios (ni de ningún otro ente), pero éste resulta tan inverosímil que, a efectos prácticos, se descarta esa posibilidad.

Pero los nuevos ateos van más allá: la fe no sólo carece de toda base racional, sino que es nociva. La religión envenena todo, afirma Hitchens. Desde luego que tampoco esta postura es nueva; ya en el siglo XVIII, el Barón de Holbach razonaba que la religión da lugar a perversiones morales, y los autores que nos ocupan están en esa misma línea. La terminología ha cambiado; ahora se habla de la fe como un virus, o un “meme” (por analogía con el gen). A la hora de ilustrar con ejemplos esta tesis, disponemos ahora de más material que hace tres o cuatros siglos. De hecho, fue el 11S el acontecimiento que incitó a Sam Harris a escribir “El fin de la fe”.

Se han vendido muchos libros sobre ateísmo. Pero ser ateo no es una profesión a tiempo completo. Ni siquiera Richard Dawkins, quien se llevaría la medalla de oro si existiera un premio mundial de ateísmo, pretende abandonar su larga carrera como biólogo y divulgador científico para limitarse a añadir aún más páginas al extenso corpus de obras sobre el absurdo de la religión. Él apunta más alto. La fundación que lleva su nombra se marca, en su declaración de objetivos, la misión de apoyar la educación científica, el pensamiento crítico y una comprensión del mundo natural basado en evidencias, para así llegar a superar el fundamentalismo religioso, la superstición, la intolerancia y el sufrimiento humano. Sam Harris tiene su propia fundación, Project Reason (Proyecto Razón), a su vez dedicada a difundir el conocimiento científico y los valores laicos. Imagino que ambos preferirían que la historia los recordara, no como eminentes ateos del siglo XXI, sino como científicos y pensadores capaces de reinventar la Ilustración, convencidos de que la razón humana puede combatir la ignorancia y construir un mundo mejor. Los nuevos ateos, bien mirado, se limitan a decir lo que ya mantenían los filósofos humanistas hace tres siglos: que la sociedad humana debe construirse sobre la razón, sin recurrir a supersticiones ni a seres superiores (de existencia improbable, en opinión de los humanistas ateos). Y hay que seguir diciéndolo, pues muchos de los avances científicos y sociales que se han producido desde entonces, susceptibles de mejorarles la vida a millones de personas, siguen topando con el veto de unos gurús que han conseguido adoctrinar a buena parte de la humanidad. Los nuevos ateos perseveran en una tarea que ningún filósofo, hasta ahora, ha logrado concluir de modo satisfactorio: liberar la moral de las garras de la religión y asentarla sobre una base racional. El nuevo libro de Sam Harris, The Moral Landscape (El paisaje moral), recientemente publicado, se propone justamente eso: demostrar que la ciencia puede dar respuesta a las preguntas morales.

Los pensadores e investigadores que reflexionan actualmente sobre cuestiones de ética siguen, obviamente, en la línea de los racionalistas clásicos. Pero pueden, o deben, adoptar una perspectiva algo diferente de la que se adoptaba antes de 1859, el año en que Darwin publicó “El origen de las especies”, obra revolucionaria donde las haya. Si asumimos que el hombre es un animal, es lógico que busquemos los orígenes de la moral en los demás animales, y de hecho los planteamientos evolutivos han hecho mella en muchos filósofos y antropólogos. Hay numerosos estudios sobre el comportamiento altruista en animales no humanos, comportamiento que se puede relacionar con las reglas morales. El célebre primatólogo Frans de Waal, que estudia desde hace años la conducta de nuestros parientes más cercanos, está convencido de haber hallado en ellos el germen del sentimiento moral propio del homo sapiens. Después de Darwin, el humanismo no sólo nos desliga de Dios, sino que nos ata a la naturaleza. El nuevo humanismo trascenderá lo humano.

NOTAS



2. http://indonesianatheists.wordpress.com/
3. http://www.ex-muslime.de/

4. http://www.rebelion.org/noticia.php?id=117064

5. http://www.rebelion.org/noticia.php?id=48080&titular=combatir-la-fe-salvar-la-humanidad-
  Rebelión ha publicado este artículo con el permiso de la autora mediante una licencia de Creative Commons, respetando su libertad para publicarlo en otras fuentes.


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Fuente: Rebelión

janeiro 01, 2011

Mensagem para a companheira presidenta, Dilma Vana Rousseff

oirasorchayito | 20 de fevereiro de 2010 | 
Mercedes Sosa sings the original version of Un Niño En La Calle with english subtitles. 

* * *


Companheira presidenta, tenho pela sua pessoa o mais profundo respeito. Os brasileiros que enfrentaram corajosamente a ditadura militar, como você o fez, mereciam um lugar de honra na história do país, não fosse o vergonhoso papel assumido pela imprensa corporativa. Ao longo dos anos, sob penas de aluguel, toneladas de papel foram usadas para despejar a tinta da discórdia. Só recentemente, por ocasião da mais repugnante campanha que nenhum outro grupo oposicionista ousara fazê-lo, caiu a máscara dos impérios midiáticos que cresceram à sombra da ditadura militar

Tenho orgulho da geração que sustentou a luta política durante o regime militar. Faço parte dela. Tê-la à frente do maior cargo público do país é pois motivo de júbilo para todos nós. O Brasil estava merecendo ter a primeira mulher na presidência da república.

Estou entre os blogueiros que, na eleição de 2010, fizeram do espaço virtual uma trincheira contra a mídia golpista, articulada em torno de suas perdas financeiras, depois que o governo Lula democratizou as verbas publicitárias. Não é outro o fundamento da guerra midiática movida contra o governo Lula e sua candidata Dilma Vana Rousseff.

Continuo e continuarei fazendo parte desta rede. Entretanto, é chegada a hora de sairmos do palanque eletrônico. Se não formos capazes de formular análises críticas sobre pontos discordantes do conteúdo de algumas políticas públicas, teremos deixado de cumprir o propósito de manter acesa a chama do debate democrático. 

O Brasil já sabe das suas prioridades no governo. Uma delas tem íntima ligação com a canção que lhe ofereço no dia da sua posse. Tome-a como uma singela lembrança da imensa dívida que a nação tem com suas crianças e adolescentes. 

Rogelio Casado

"Battisti ou Berlusconi. Quem é o fora da lei?", por Francisco Barreira

PICICA: Recomendo ao internauta amazonense que chamou Lula de "bandido" ("BANDIDO SÓ DEFENDE BANDIDO!!") pela decisão de oferecer refúgio político ao cidadão italiano Cesare Battisti - igualmente nomeado como "bandido" pela indigitada criatura -, a leitura deste texto do jornalista Francisco Barreira. Falta ao internauta competência discursiva e emocional para sustentar a acusação leviana. Quem sabe o texto abaixo inspire uma nova concepção de crítica! Uma crítica que não abra mão da avaliação rigorosa de seus adversários políticos, sem nunca recorrer à desqualificação do debate através do uso infantil dos rótulos.
31-12-10
Battisti ou Berlusconi. Quem é o fora da lei?

A Itália vive um dos momentos mais grotescos de sua história.  Seu povo, como todo povo, já deu mostras de heroísmo em certas ocasiões e de covarde submissão em outras. Hoje é mansamente governado por um gangster corrupto, fascista, vicioso, amoral e, ainda por cima, cartola de futebol. Um bandido sem nenhuma dúvida, chamado Silvio Berlusconi.

De outro lado, temos César Battisti hoje denominado terrorista  pela mídia, mas que  há 30 anos  pegou em armas para, como guerrilheiro, combater um sistema montado na  iniqüidade, na corrupção mais assombrosa e no conluio de três forças poderosas: o Capital Financeiro, a Máfia e o Banco do Vaticano, a maior  lavanderia européia de  dinheiro criminoso.

Em suma, Battisti fez, há três décadas, exatamente o que fez nosso bom Fernando Gabeira, hoje queridinho da burguesia de Ipanema, mas que já foi considerado terrorista pela mídia e pelo Departamento de Estado, tanto que, até hoje, não consegue obter visto para visitar os Estados Unidos, cujo embaixador no Brasil ele delicadamente seqüestrou.

E nem sei se é de bom tom lembrar que até hoje, por ter agido, há quarenta anos, como Gabeira e como Battisti, Dilma Rousseff é tratada como “terrorista’ pelo segmento mais direitista do eleitorado do Serra. É claro que isso é feito de forma covarde através do anonimato da Internet, como é claro também, que, como presidente eleita do Brasil, ela receberá amanhã, na posse, um beijinho da Hillary Clinton.

Nunca é demais, entretanto, dizer que a função elementar da mídia brasileira – corrupta e  atrelada aos interesses estratégicos norte-americanos – é desinformar a classe média  brasileira, até o limite da infantilização. 

Ela faz isso, via manipulação e omissão de fatos, sua especialidade. Mas, convenhamos, sua  tarefa é facilitada  pela  natural  tendência desse seguimento mediano da sociedade no sentido de alienar-se em torno de seu umbigo, sua piscininha e suas compras.

E não é demais lembrar também que durante décadas, os vietcongs foram denominados pela mídia como perigosos terroristas, até que, literalmente,  jogaram os invasores norte-americanos  no  mar.

 Foi uma das maiores surras militares da História. E, desde então, os “terroristas” passaram a ser referidos como “rebeldes insurgentes” ou como guerrilheiros. A mídia é falsa como uma nota de trinta reais. Ninguém sabe o que ela vai dizer amanhã.

Covarde, nossa elite jornalística já não sabe se trata Battisti como  terrorista ou como guerrilheiro. Estava aguardando o desfecho da novela e foi surpreendida pela brutal e desproporcional reação do governo fascistóide italiano que ameaçou e  insultou o governo brasileiro. Diante da crise diplomática, nossos  versáteis editorialistas e colunistas temem tomar partido.

Então ficamos assim: o presidente Lula já assinou o decreto concedendo asilo e o Supremo Tribunal Federal, como é de sua função, vai enrolar ainda mais o caso. Berlusconi se quiser que reclame com o Papa, mas Battisti tão cedo não volta para a Itália. 

Fonte: Arte & Manha  

Boicot al 729: No compre productos sionazistas de Israel


Aumentar tamaño del texto Disminuir tamaño del texto Partir el texto en columnas Ver como pdf 31-12-2010

Lea atentamente: Boicot al 729. No compre productos sionazistas-de Israel



El día 27 de Agosto de 1933, el dirigente nazi Goebbels declaró que su gobierno iba a doblar la importación de naranjas de la marca “Jaffa” (naranjas que exportaban los sionazistas que ocupaban territorio de Palestina) a cambio de productos industriales fabricados en Alemania nazi. 
¿Compraría usted productos a los nazis?

Solidaridad con el pueblo de Gaza: www.rumboagaza.org

Una formación colonialista de histórica relación ideológica y de acción con los nazis tiene colonizada la mayor parte de Palestina. Los colonizadores se constituyeron como estado en 1948. Paradojas de la vida, ese mismo año se firmó la Carta Internacional de los Derechos Humanos, Carta que los sionazis incumplen sistemáticamente: expulsan a los palestinos de su tierra, los sionazis considera a los palestinos ciudadanos sin los mismos derechos, les quitan sus casas, los expulsan de su tierra, los retienen en mil controles que rodean los lugares donde viven, los detienen y encarcelan, incluso a los niños, y los encarcelan, sin que haya juicio de por medio, destrozan sus campos de labor, queman sus olivos, les quita las fuentes de agua, desvían los ríos y les ciegan las fuentes, les impiden circular por su territorio, encierran a todos en poblaciones-reductos incomunicados, cercan las zonas de sus comercios para que nadie les compre, hacen mofa, se burlan públicamente, los humillan allí donde van, en la calle, en los hospitales,… prohíben sus formas de vida, dejan que se mueran en un control en los que los retienen durante horas y horas, separan a la familia, hombres, mujeres, niños, les quitan todo, todo, todo,… cuando no son desprovistos de su ciudadanía, los expulsados no pueden volver a su propia tierra, hay más millones de palestinos fuera de Palestina que dentro, los que se resisten no pueden salir de los lugares en los que están confinados sino es bajo vigilancia, permisos, controles, no pueden recibir ayuda, recuerden la Flotilla por la Libertad de Gaza a la que los sionazis atacaron en aguas internacionales causando 9 muertos y decenas de heridos, además en aguas internacionales violando el Derecho Internacional del mar y los Derechos Humanos, han atacado a los palestinos sistemáticamente hasta con armamento prohibido por todos los tratados y convenciones internacionales, han amurallado las zonas que conservan los palestinos para que no puedan ni siquiera salir a trabajar sus campos, los sionazistas emplean el terrorismo intentando acabar con los dirigentes palestinos, llevan a cabo secuestros en numerosos países del mundo, bombardean otros países, presionan a los gobiernos junto con EEUU para que persigan la solidaridad de los pueblos con los palestinos,… Israel es el mayor incumplidor de la Carta de Derechos Humanos de la ONU, no ha atendido ni una sola resolución desde su creación contando con un único apoyo en las votaciones, el del gobierno de EEUU. 

Israel, que aun no ha dejado escrita su Constitución para no definir sus fronteras porque en su proyecto colonial está la ocupación de territorios más amplios de los que ahora ocupa con el fin de dominar Oriente Próximo y con ello las riquezas de esa región del mundo, que dispone de un arsenal de más de 200 bombas atómicas, que se define como el “pueblo elegido por Dios”, para autoafirmarse “superior” y sostener que en su condición de “pueblo elegido” no se van a atener a regla internacional alguna, promueve y ejerce el racismo con el resto de los pueblos y lo practica con la mayor violencia directamente con el pueblo palestino. Israel, que está sostenido con los miles de millones que el gobierno de EEUU le destina cada año, como a otros muchos mercenarios que tiene por el mundo, que es sostenido con el armamento que le destinan muchos gobiernos incumpliendo a su vez la Carta de Derechos Humanos de la ONU y por tanto el Derecho Internacional, haciéndose cómplices de los crímenes de Lesa Humanidad que comete su protegido sionazista, entre esos gobiernos se encuentra el español, Israel, decía, no se merece que usted le compre nada. Comprar lo que venden los sionazistas, cuyo código de barras comienza por 729, es alimentar al monstruo sionazi, financiar, reforzar y fomentar su poder en el mundo y su aplicación más visible en Gaza y el resto de Palestina, es darles dinero para su dominio de los medios de comunicación y la difusión de su ideología de odio y agresión, es darles dinero su influencia financiera, empresarial, sobre las decisiones de otros gobiernos. En estos días las televisiones prosionazistas han pasado imágenes bucólicas y han arengado a quienes se ponen delante del aparato diciendoles que “Israel” ha levantado parte del bloqueo a Gaza permitiendo la entrada de algunos productos. Lo que no dicen es que los sionazistas se han visto obligados porque el boicot de los pueblos a los productos sionazistas a nivel internacional está teniendo una repercusión en su imagen y en su bolsillo que los desarbola. Son los pueblos los que con su boicot a los productos israelíes sionazis han puesto en dificultades la distribución y venta de sus productos. Son los pueblos, son los trabajadores y trabajadoras, los que han salido en apoyo de los palestinos. La respuesta de la solidaridad con el pueblo de Gaza por parte de los ciudadanos del mundo rompe poco a poco el cerco de los sionazis. 

Los sionazis hace dos años sembraron de bombas con veneno radiactivo Gaza, veneno mortífero para el que los años no cuentan, causaron entonces 1.500 muertos y 5.000 heridos, después ese veneno ha causado abortos, nacimientos de criaturas deformes, ha desarrollado en miles de mujeres, hombres y niños enfermedades que llevan a la muerte, han dejado a la población exhausta; después de haber envenenado el agua y la tierra, de haber destruido la ciudad, de dejar a la población sin trabajo, sin medios para producir, sin escuelas, sin hospitales, sin carreteras; después de impedir por mar, tierra y aire la entrada de cualquier alimento, medicina, y cualquier otro producto para mejorar sus condiciones durante todo éste tiempo; después de haber llevado a la población de Gaza a una situación extrema de hambre y enfermedades, todo ello causado a una población in defensa, crímenes de Lesa Humanidad, el pueblo de Gaza se resiste a marcharse de su tierra, y los pueblos del mundo van tomando conciencia de quienes son los asesinos, los colonizadores, los terroristas.

¿Compraría usted productos a los sionazistas?

Solidaridad con el pueblo de Gaza: www.rumoagaza.org

Ponga la lista de los productos sionazis, su código de barras comienza por 729, así como la de sus colaboradores en un sitio bien visible, y si tiene dudas sobre las empresas que colaboran con los sionazistas o de las marcas que promocionan ellos o que les promocionan no se olvide de llevarla encima y consultarla cuando vaya a comprar, y así acertará comprando otro producto o entrando en otro establecimiento que no colabore con los asesinos. Pulsando aquí dispone de la lista de todos ellos, difúndala entre sus amigos, sus conocidos, sus vecinos, mándela por correo electrónico, mándela por teléfono móvil, comuníquela, millones de personas están esperando una acción informativa tan ética como esa, están esperando una información que les permita apoyar la libertad del pueblo de Gaza, es un acto de justicia intachable que a usted y a toda persona a la que llegue les hará más humanos, más conscientes, pues en ella primará la moral y la ética sociales, el respeto por los Derechos Humanos, y estará cambiando, mejorando la vida de los palestinos, su porvenir va a ser mejor y, por tanto, el del mundo. 

En la vía de la solidaridad con el pueblo palestino en general y el de Gaza en particular recuerde la “Carta de Augusto Cesar Sandino al escritor Araquistain sobre el colonialismo:

“Es con ustedes con quienes queremos darnos el abrazo fraternal, los que aspiramos a una total revisión de los valores humanos, y hoy que la ocasión es propicia por tratarse de España, hago a usted la declaración de que si en los actuales momentos históricos nuestra lucha es nacional y racial, ella devendrá internacional conforme se unifiquen los pueblos coloniales y semicoloniales con los pueblos de las metrópolis imperialistas”.

Amiga y amigo lector, su solidaridad es esperada en www.rumboagaza.org

Permítame recomendarle algún libro que le acercará a la realidad: Gaza. Seguimos siendo humanos, de Vittorio Arrigoni; Sionismo y fascismo. El sionismo en la época de los dictadores, de Lenni Brenner; La expulsión de los palestinos, de Nur Masalha; todos editados en Bósforo libros. La amenaza interior. Historia de la oposición judía al sionismo, de Yakov M. Rabkin, en Editorial Hiru. Olivo roto: Escenas de la ocupación, y, Palestina el hilo de la memoria, los dos son de Teresa Aranguren, editados en Caballo de Troya; La industria del holocausto, de Finkelstein, en Editorial Siglo XXI.

Ramón Pedregal Casanova es autor de “Siete Novelas para la Memoria Histórica. Posfacios”, edita Fundación Domingo Malagón y Asociación Foro por la Memoria (asociacion.foroporlamemoria@yahoo.es)

Rebelión ha publicado este artículo con el permiso del autor mediante una licencia de Creative Commons, respetando su libertad para publicarlo en otras fuentes.


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Fonte: Rebelión

O Brasil poderá vir a ser um importante protagonista no conflito entre Israel e Palestina

PICICA: Leia, também, "Palestina, más allá de la catástrofe".

01/01/2011 - 09:25 | João Paulo Charleaux | Santiago do Chile

Um desembarque militar do Brasil na Palestina?

Para quem acha – como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva – que o destino do Brasil é ser um líder global, capaz de influenciar tanto a política nuclear iraniana quanto o conflito secular entre israelenses e palestinos, uma boa notícia: o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, também acha. E mais: em visita a Brasília, onde desembarcou esta semana para assistir à posse da presidente Dilma Rousseff, Abbas disse que os brasileiros têm não apenas um papel político e diplomático a desempenhar nas intrincadas negociações para a criação de um futuro Estado palestino. Segundo ele, o país poderia também contribuir enviando tropas para uma missão de paz da ONU na região.

A sugestão é música para os ouvidos de um governo que apostou alto na tese segundo a qual “você é do tamanho dos problemas que escolhe enfrentar”. Desde o início do primeiro mandato de Lula na presidência, em 2003, o Itamaraty envolveu-se em crises internacionais que, sabidamente, representam grandes chances de protagonismo e visibilidade, por um lado, e de rusgas, revezes e fracassos, de outro.


O passo mais ambicioso talvez tenha sido assumir o comando militar da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), em 2004, o maior desafio das forças armadas desde a Guerra do Paraguai, em 1864-1870, considerando que o envio de tropas para a Itália na Segunda Guerra Mundial foi mais modesto do ponto de vista logístico.


A experiência no Haiti cacifou as forças armadas tanto para engajar-se em crises internas, como as que sazonalmente sacodem o Rio de Janeiro, quanto em impasses internacionais, como foi o do Haiti e é este que envolve a ANP de Abbas.


Algodão entre cristais


O problema – que parece simples quando dito – é que os territórios palestinos não são o Haiti, nem as favelas do Rio. Envolver-se militarmente no conflito entre israelenses e palestinos significaria virtualmente disparar e receber disparos de atores armados que, além de suas próprias causas, defendem idéias e ações respaldadas por potências como os EUA – leais a Israel – ou por grupos armados com raio de ação global alinhados à causa palestina.


Curiosamente, a primeira missão de paz que contou com efetivos brasileiros foi a do Canal de Suez, no Egito, num conflito que também envolvia tropas israelenses, nos anos 1960. De lá para cá, foram quase 20 experiências com capacetes azuis brasileiros - em alguns casos, com envio de tropas; em outros, como na Bósnia (1992-1995) apenas com observadores militares.


O convite para que o Brasil ponha seus militares como algodão entre cristais num contexto tão explosivo como o que envolve israelenses e palestinos é a cereja no bolo de uma política externa audaciosa, que buscou incessantemente se envolver em grandes questões internacionais. O problema é saber se a porta aberta por Abbas representa a saída para um dos conflitos armados mais complexos e duradouros do mundo, ou apenas mais uma curva no labirinto de erros do Oriente Médio.



Fonte: Opera Mundi

"Pode sair coisa boa quando Deleuze encontra Marx?", por Bruno Cava

 PICICA: "O contrário do burguês não é o boêmio nem o acadêmico, mas o militante."
Deleuze e Marx

31 de dezembro de 2010


Pode sair coisa boa quando Deleuze encontra Marx?


As Revoluções do Capitalismo abre e fecha com citações do filósofo pós-estruturalista Gilles Deleuze. A presença de seus conceitos perpassa o livro, como terreno firme para as teses do sociólogo italiano Maurizio Lazzarato. Radicado na academia francesa, o autor esteve engajado nas lutas dos trabalhadores culturais na França, como uma das principais vozes do movimento. Também chamados “intermitentes do espetáculo”, a partir de 2002 se mobilizaram para afirmar novos direitos, diante da política neoliberal que os excluía. Intelectual multimídia à moda de Deleuze, suas intervenções abrangem cinema e vídeo e é co-fundador da Revista Multitudes.

Lazzarato também publicou Trabalho Imaterial (2001), em co-autoria com o filósofo marxista Antônio Negri, que tinha boas conexões com Deleuze. Nesse outro livro, é analisado o novo estatuto do trabalho no século 21, em que o imaterial, isto é, valores, crenças e desejos põem-se no centro do funcionamento do capitalismo. Logo, de sua resistência. As Revoluções do Capitalismo, por sua vez, chegou ao Brasil na coleção A Política no Império, que se propõe a abrir frentes de luta contra o capitalismo contemporâneo. Assim, a obra se situa numa convergência improvável, entre um pensamento oriundo do operaísmo italiano dos anos 1960 e 1970, de extração marxista (embora revisionista), e o pensamento dito "pós-moderno" próprio da filosofia deleuziana.   

Na questão da organização política, os marxistas mais ortodoxos apontam nos deleuzianos e pós-modernos em geral a esquiva da militância mais dura e do primado da luta de classes, bem como a propensão a um dandismo individualista e siderado; enquanto os "pós-modernos" costumam criticar o leninismo centralista e a caretice dos aparelhos tipicamente marxistas. Quanto ao sistema filosófico, esses marxistas costumam atribuir-lhes uma hipertrofia conceitual, uma linguagem esotérica e autorreferente, como uma loja de brinquedos chineses, bonitos porém intocáveis de tão delicados; enquanto os "pós-modernos" nivelam os marxismos como ortodoxias dogmáticas e simplórias, com uma concepção anacrônica das lutas, incapaz de atuar nos novos desafios do contemporâneo.

Lazzarato polemiza abertamente com o marxismo o livro todo. Com esse título, uma opção editorial (o proposto pelo autor era Por uma Política Menor), não poderia ser diferente. Para o autor, a maioria das análises marxistas ainda parte das “fábricas manchesterianas de Marx ou das manufaturas de alfinetes de Adam Smith”. Achata relações complexas de poder e totaliza uma realidade múltipla e irredutível. O marxismo perdeu o trem da história. Foi esvaziado espontaneamente pelas pessoas, assim como elas deixaram em massa os países do antigo bloco soviético. Os atuais partidos e sindicatos vermelhos não passam de “urubus”, que parecem rondar a carniça do socialismo real, mas na realidade estão atrás de sobras do capitalismo. Refugiaram-se, cínicos, em pautas corporativistas da pequena fração sindicalizada, ou então em cátedras universitárias.

Na última década, as manifestações altermundialistas a partir de Seattle (1999), os Fóruns Sociais Mundiais e as marchas globais contra a guerra do Iraque foram a ponta do icebergue de um novo ciclo de lutas, com seus novos problemas e desejos. Como na explosão insurrecional do maio de 1968, descortinou-se um horizonte político pós-capitalista e pós-socialista. Em vez do socialismo em um mundo só, se afirmou que muitos mundos são possíveis. Hordas de marxistas, trotskistas, anarquistas, midialivristas, black blocs, sem-terra, tute bianchi (macacões brancos), sindicalistas, blogueiros, todos se coordenaram numa militância sem bandeira unificada, discurso pronto ou palácio de inverno a ser capturado.

Para o autor, na esteira de Deleuze, um novo léxico se impõe às lutas. Não se trata mais de combater a exploração do trabalho pelo capital. Mas constituir mundos, onde não haja uma produção fixável ou mensurável o suficiente para o capitalismo expropriá-la. Isto significa, em primeiro lugar, desviar da perspectiva dualista, do tipo isto ou aquilo, para diversificar pautas de valores e direitos. Assim, a luta por direitos de gênero ou sexuais não deve orientar-se pelo dual homem/mulher, como no feminismo clássico, porém pela afirmação dos “mil sexos”. O movimento GLS vira LGBT e num piscar de olhos LGBTT, mas nem todas as letras do alfabeto poderão contemplar o campo dos possíveis. Do mesmo modo, a classe proletária do marxismo tradicional deve converter-se em “mil diferenças”, cada qual com seu universo de afetos e prioridades. Em vez do trabalho em equipe dos coletivos, trata-se agora da militância em rede, juntos e separados.

Isso não enfraquece a luta global? Não divide os esforços da militância, diante de um inimigo tão portentoso, tão monstruoso quanto o Capital? Justamente. Não. A força do capitalismo contemporâneo está em sua enorme capacidade de modulação. A sua monstruosidade consiste nessa multiplicação de modos de apreensão, de recodificar e reincorporar tudo aquilo que tenta se colocar além dele. Daí que dialético é sempre o capitalismo, para quem nada pode ficar de fora. Pensar e lutar dialeticamente, unificando um grande movimento da história, é já ter perdido a luta. Significa posicionar-se já dentro do mundo do inimigo. Por isso que, para Maurizio, os socialistas amiúde findam mais realistas que o rei e operam com termos irremediavelmente capitalistas, tais como exploração, dialética, regulação, trabalho, proletariado etc.

No século 21, o coração do capitalismo não é mais a fábrica, mas a empresa. Menos do que fabricar o objeto, o principal está em fabricar o desejo e a crença. A imagem chega antes do produto. O espetáculo, antes do consumo. A empresa não fabrica o objeto, mas o mundo em que esse objeto existe. O triângulo produtor-consumidor-produto existe nesse mundo. O publicitário torna-se o cérebro do sistema. O marketing, o seu motor. Não existe mercado – regido pela lei da oferta e da procura ou pela escassez. O que existe é a constituição de públicos, seguida de sua fidelização. A demanda não se subordina à oferta: é criada independentemente dela.

Hoje, o capitalismo coloniza o campo de possíveis, quer dizer, apreende os fluxos de desejos e lhes extrai lucro. Daí precisar de redes produtivas, as únicas capazes de inventar mundos e neles prender a atenção das pessoas. O trabalhador deve ser criativo e colaborativo, do operador de telemarketing à consultora financeira. Já o consumidor deve ser autônomo. Primeiro, para selecionar dentre a gama de produtos/mundos disponíveis. Segundo, para gerir ele mesmo o crédito (o campo de possíveis) e a renda. O indivíduo torna-se empreendedor de si mesmo. Espera-se que ganhe o suficiente para “investir” em sua saúde, educação, aposentadoria – atividades não mais consideradas serviços sociais, mas “investimento individual”.

Ora, pode-se objetar, a produção industrial não acabou nem perdeu relevância. Por um lado, 90% do valor de um tênis se devem à publicidade, 60% de um programa de computador ao copyright e 50% de um filme à pós-produção. Por outro, os mesmos tênis são fabricados por trabalho semiescravo na Birmânia e o hardware, em que roda o mesmo software, montado por subempregados no México. O recorte Norte/Sul prossegue e se deve ao chão-de-fábrica. Sim, responderá Lazzarato, isso em nada afasta a primazia do imaterial. Os mundos industrial e pós-industrial convivem e se combinam no grande sistema integrado do capitalismo. É só ver como muitos CEO de grandes multinacionais são recrutados no Brasil, inúmeros cientistas e pesquisadores na Índia, e não poucas crises financeiras disparam de países terceiromundistas.

Mas qual o problema disso tudo?

Sobretudo: não precisamos do capitalismo. Não é ele quem gera valor, mas as redes colaborativas das pessoas, na sua organização de fluxos e criação de mundos. O capitalismo fixa os fluxos e isola os circuitos dessa rede global, e assim acumula. Faz isso não por princípios intrínsecos (“leis econômicas”) do sistema, mas pela coação do direito. As patentes e o copyright põem os ovos de ouro das empresas. Mesmo que signifique negar acesso à cultura para muitos, ou então a cura da AIDS...

Além disso, ao mesmo tempo que tudo é possível, nada é possível. Tudo já foi inventado. Resta ao consumidor montar o seu perfil com as marcas e produtos oferecidos, nesse sonolento programa de variedades. O mundo vendido pelo capitalismo hoje é banal, entre a caretice sufocante do comercial de margarina e a cosmética biônica dos de cerveja. De que adiantam cem canais de TV, se do mesmo modo fazem-nos correr, entediados, um depois do outro?

Outros mundos são possíveis. Lazzarato propõe mudar a equação. Lutar pelo acesso universal aos direitos sem perder de vista a afirmação das mil diferenças e dos mil sexos. Igualdade não se opõe à diferença: propicia-a. Contra o capitalismo em um mundo só, multiplicá-los por mil. Para isso, o autor sugere uma “guerra semiótica”, uma “guerra estética”, uma disputa midiática dos públicos e dos processos de mobilização de sua atenção. Na nova “economia do sensível”, o ativismo cultural torna-se imediatamente político.

Ademais, ao contrário da postura cínica de parte da esquerda, não lutar pelo salário de poucos, mas pela renda de todos. O salário pressupõe a remuneração do assalariado por um serviço prestado, dentro da lógica empregatícia. Entretanto, as redes e fluxos operam transversalmente, por sobre os obstáculos impostos pela empresa. Nesse contexto, somente a renda de todos consegue ser justa na mesma medida em que fomenta a produtividade global. Esta pauta enfrentará a resistência das esquerdas “salariais”, que classificam a política de redes como assistencialista e precária. Portanto, desinteressada em deslizar da lógica industrial, essa esquerda faz a cama do capitalismo.

Maurizio Lazzarato espicaçou o marxismo em vários capítulos de seu livro. Mas como não vê-lo, revitalizado, nessa crítica tão perspicaz dos meandros do capitalismo? Com efeito, Marx analisou as relações de poder da nascente sociedade industrial, porém decerto teria alcançado outras interpretações e conclusões hoje. O marxismo é dos poucos sistemas que confessa a sua precariedade e vive em tenaz autocrítica.

Se o problema do marxismo não é Marx, mas os marxistas; o do pós-modernismo tampouco é Deleuze. O contrário do burguês não é o boêmio nem o acadêmico, mas o militante. Nesse sentido, graças ao autor, o encontro de Deleuze com Marx não foi somente feliz, na acepção spinozana, como incremento da potência, mas também um eloqüente chamado à luta a marxistas e pós-modernos.

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LAZZARATO, Maurizio, As Revoluções do Capitalismo, trad. de Leonora Corsini, ed. Record, 2006, 274 pág., Coleção A Política no Império.
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Veja também as resenhas de outros livros da mesma Coleção:

* Que aconteceu com o meu marxismo?, sobre Os Marxismos do Novo Século, de César Altamira

* O economista das revoluções pós-modernas, sobre O Lugar das Meias, de Christian Marazzi

* Amor e pós-capitalismo, sobre Commonwealth, de Antônio Negri e Michael Hardt

* Por uma esquerda pós-moderna, sobre MundoBraz, de Giuseppe Cocco

Fonte: Quadrado dos Loucos

Boletim do MST RIO — Nº 10 — De 28/12/2010 a 11/01/2011

Boletim do MST-RJ
Boletim do MST RIO — Nº 10 — De 28/12/2010 a 11/01/2011
Editorial
Companheiras e companheiros,
Gostaríamos de agradecer a tod@s @s leitor@s do nosso Boletim, que chega ao fim do seu primeiro ano na décima edição. Nosso objetivo é lançar sempre uma edição a cada 15 dias, e nos esforçaremos para tal. Para isso, contamos com a participação d@s leitor@s, militantes e amig@s do MST Rio. Seja repassando o boletim, fazendo sugestões pelo e-mail boletimmstrj@gmail.com, ou comentários, sua ajuda é essencial.
No entanto, um olhar mais otimista revela que o ano de 2010 trouxe também boas notícias: Feiras de Reforma Agrária (CamposRio), Campanha pelo Limite de Propriedade da Terraparceria com universidades em cursos de graduação e projetos de extensão, bibliotecas populares, a cooperação internacional com HaitiPalestinanovas ocupaçõesa cultura nos assentamentosintercâmbios e o Estágio Interdisciplinar de Vivência.
Portanto, mais do que um feliz natal e próspero ano novo, desejamos um ano de 2011 de avanços na organização e na unidade da classe trabalhadora.

La coyuntura geopolítica de América Latina y el Caribe en 2010, por Atilio A. Barón

Imagem postada no blogdofavre.ig.com.br
Aumentar tamaño del texto Disminuir tamaño del texto Partir el texto en columnas Ver como pdf 01-01-2011

La coyuntura geopolítica de América Latina y el Caribe en 2010


Ponencia presentada en Casa de las Américas, 22-24 de Noviembre 2010

Auge o declinación del imperialismo norteamericano
 
Hablar de la coyuntura geopolítica de América Latina y el Caribe en el momento actual nos obliga a examinar, en términos globales, la situación del imperio. Al iniciarse la década de los ochentas había ganado creciente gravitación, no sólo en América Latina sino en buena parte del mundo, un discurso que anunciaba la decadencia del imperialismo norteamericano. 1 Una serie de acontecimientos de significación histórico-universal, al decir de Hegel, daban pie a tal predicción: en primer lugar, la catastrófica e ignominiosa derrota de Estados Unidos en Vietnam; cuatro años más tarde, en 1979, el derrocamiento de las tiranías del Sha de Irán y de Somoza en Nicaragua, privando al imperio de la inestimable colaboración de dos de sus principales gendarmes regionales en Medio Oriente y Centro América respectivamente; años después, el derrumbe, siguiendo el tan temido “efecto dominó” de los estrategas del Pentágono, de las dictaduras que Washington había promovido o instalado directamente en América Latina y el Caribe y la impetuosa irrupción de una nueva ola democratizadora que encontró en esta parte del mundo una de sus expresiones más acabadas. En el otro extremo del mundo, el lento inicio del irresistible ascenso de China en el firmamento de la economía y la política mundiales le prestaba aún más verosimilitud a las tesis decadentistas que, en la izquierda latinoamericana, lograron amplia repercusión a lo largo de toda la década. No sólo la izquierda latinoamericana tomó nota y elaboró argumentos sobre esta situación: en el capitalismo desarrollado proliferaron también teorizaciones de diverso tipo que pretendían dar cuenta de este lento pero inexorable ocaso del imperialismo norteamericano. Dos contribuciones sumamente significativas de aquellos años fueron los libros de Emmanuel Todd y del historiador Paul Kennedy y su teoría de la “sobre-expansión imperial” (imperial overstretching).2

No obstante, más pronto que tarde las cosas habrían de cambiar. En la inauguración de la presidencia de Ronald Reagan (1981-1989) algunos analistas vieron una primera tentativa de recomposición de la primacía imperial -obsesionada por dejar atrás el ominoso legado del “síndrome de Vietnam”- sobre todo luego del inicio de una brutal ofensiva militar en contra de la Unión Soviética -la “guerra de las Galaxias”- que obligó a este país a incurrir en un gasto militar de fenomenales proporciones que, a la postre, acelerarían el catastrófico final del experimento soviético. Pero no sería sino hasta finales de la década y comienzos de la siguiente cuando, caída del Muro de Berlín (1989) e implosión de la Unión Soviética (1991) mediante, amén del triunfo en la Guerra del Golfo (Agosto 2 de 1990 - Febrero 28 de 1991), el discurso sobre la decadencia imperial habría de ser archivado. A partir de ese momento se generalizó la tesis contraria: no sólo que no había ni hubo decadencia imperial -sino apenas un momentáneo tropiezo- sino que, de hecho, el imperio se había “recargado” y aparecía en la escena universal con renovados bríos. Algunos teóricos, como Charles Krauthammer, por ejemplo, construyeron laboriosos argumentos para fundar su tesis sobre la permanencia del llamado “momento unipolar.” 3 Este nuevo humor social, que permeaba los distintos estratos de la opinión pública mundial y que, por supuesto, prevalecía sin contrapesos en los círculos dirigentes del capitalismo, atraería una pléyade de intelectuales y publicistas que conformarían este estado de ánimo en una nueva y completa doctrina internacional. Hablamos de la obra de autores tales como Thomas Friedman, Robert Kagan, Samuel P. Huntington y Francis Fukuyama, entre otros, quienes en el clima optimista de los nuevos tiempos se dieron a proclamar a los cuatro vientos el carácter imperialista de los Estados Unidos. Sólo que, a diferencia de los anteriores, el norteamericano es un imperialismo benévolo, moral y libertario, que descarga sobre los hombros de la sociedad norteamericana la dura tarea de crear un mundo seguro para la libertad, la democracia y, de paso, los mercados. No hace falta demasiada erudición para corroborar las simetrías entre este razonamiento y el que expresara Sir Cecil J. Rhodes, en la Inglaterra victoriana, sobre la responsabilidad del hombre blanco en llevar la civilización a las salvajes poblaciones del África negra e inculcándoles el amor por la justicia, la democracia, la libertad y … la propiedad privada. Cabe anotar que esta visión idílica del imperio rebalsó con creces el espacio ideológico de la derecha para penetrar profundamente en las interpretaciones de una cierta izquierda manifiestamente incapaz de entender el significado de los nuevos tiempos. Un caso paradigmático de este extravío lo ofrece la obra de Michael Hardt y Antonio Negri, en donde se desarrolla la curiosa tesis de un “imperio sin imperialismo”. 4

Los atentados a las Torres Gemelas y al Pentágono, el 11 de Septiembre de 2001, pusieron abrupto fin a esta ensoñación y el imperialismo reafirmó urbi et orbi su disposición a pelear con quien fuera necesario para preservar sus privilegios. Los dichos de George Bush Jr. son bien elocuentes al respecto: “buscaremos a los terroristas en cada rincón oscuro de la Tierra.” 5 El optimismo cedió su lugar a la crispación y a la furia, y a un inusitado proceso de militarización cuyas funestas consecuencias no tardaron en tornarse claramente visibles de inmediato.

En la actualidad, y como fiel reflejo de los cambios registrados en la escena internacional, al finalizar la primera década del siglo veintiuno ya son los grandes estrategas del imperio quienes plantean una visión “declinacionista” del futuro norteamericano. Todos los documentos elaborados por el Pentágono, el Departamento de Estado y la propia CIA sobre los escenarios futuros (en torno al 2020 o 2030) coinciden en señalar que Estados Unidos jamás volverá a disfrutar de la supremacía que supo tener en la segunda mitad del siglo veinte y que ese tiempo ya se acabó. Es más, en un informe especial elaborado por el Pentágono se dice que en los próximos años Washington deberá prepararse para vivir en un mundo mucho más hostil y competitivo, con numerosos rivales y adversarios que cuestionarán su predominio en todos los frentes y que, en consecuencia, las guerras serán una condición permanente durante los próximos treinta o cuarenta años.6

Las razones de fondo que subyacen a este pronóstico son bien conocidas. Por una parte, la relativa pérdida de gravitación económica de Estados Unidos por comparación a la que gozaba a la salida de la Segunda Guerra Mundial. Si en ese momento su contribución al PIB mundial rondaba el 50 % en la actualidad es poco menos que la mitad de esa proporción, y la tendencia es hacia la baja, suave pero hacia la baja. El país sufre, además, de los “déficits gemelos” (fiscal y de balanza comercial) que han adquirido dimensiones extraordinarias. El dólar norteamericano, a su vez, ha visto declinar significativamente su valor en los últimos años y de moneda de reserva de valor que era se convirtió en una divisa cada vez más sostenida por sus propios rivales en la economía mundial, como China, Japón, Corea del Sur y Rusia. Una economía, en suma, en donde los hogares, las empresas y el propio estado se encuentran endeudados en grado extremo. Durante más de 30 años Estados Unidos vivió artificialmente del ahorro y del crédito externo, consumiendo muy por encima de sus posibilidades reales y tanto uno como el otro no son entidades infinitas e inagotables. El estado se endeudó al lanzar varias guerras sin subir los impuestos. No sólo eso, reduciendo los impuestos a los ricos y las grandes corporaciones. Las familias también se endeudaron, impulsadas por una infernal industria de la publicidad que promueve patrones de consumo no sólo irracionales sino brutalmente agresivos con el medio ambiente. A mediados del 2007 un informe de la Reserva Federal de los Estados Unidos advertía sobre el peligroso ascenso del endeudamiento de los hogares norteamericanos que había pasado de ser equivalente al 58 % del ingreso de las familias en 1980 a 120 % en el 2006. Según un estudioso del tema, Eric Toussaint, esa proporción siguió aumentando y hasta situarse, en la actualidad, en un 140 % del ingreso anual de las familias. El mismo autor señala que si se suma la totalidad de la deuda norteamericana, es decir, la de las familias, las empresas y el estado, se llega a un exorbitante 350 % del PIB de los Estados Unidos. Situación insostenible que, finalmente, estalló a mediados del 2008 desencadenando una nueva crisis general en la cual estamos inmersos. 7

El resultado de este descalabro económico del centro imperial es que, por primera vez en la historia, un país situado en el vértice de la pirámide imperialista se convierte en el principal deudor del planeta. Tradicionalmente la situación era la inversa: eso fue lo que ocurrió durante el largo reinado de Gran Bretaña en la economía mundial (desde comienzos del siglo diecinueve hasta la Gran Depresión de 1929) y eso también aconteció durante un tiempo en las primeras décadas de la hegemonía norteamericana, entre 1945 y comienzos de los setentas. Pero en la actualidad la situación es completamente distinta y Estados Unidos ostenta la poco gloriosa condición de ser el mayor deudor del mundo.

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