setembro 02, 2011

Tamo pebado, maninho: "Grandes e polêmicas obras serão chamadas, no Brasil, a ‘salvar’ o capitalismo global"

PICICA: Anuncia-se que o PT fará o seu IV Congresso Nacional unido e sem disposição para brigar. Que pena! Não pela união, mas pela falta de disposição para brigar. Peraí, companheiro! Não haverá sequer um debate sobre o PT a questão energética brasileira? Lamentável. O partido que ajudei a fundar no Amazonas acata projetos faraônicos nascidos na ditadura militar, rasga compromissos com comunidades tradicionais e povos indígenas e vergonhosamente compromete o futuro da Amazônia. Na entrevista reproduzida abaixo, Oswaldo Sevá Filho, engenheiro mecânico, doutor em Geografia e docente da Universidade Estadual de Campinas, afirma que a crise estrutural do capitalismo levará o Brasil a ser movido por grandes empreendimentos e ficar refém desses interesses. Não se trata sequer de desenvolvimentismo, mas de um plano para acelerar o crescimento em meio à crise do capitalismo. Nada mais do que isso. De todo modo, neste "novo" PT serei identificado como aquele que é contra o desenvolvimento. Mas estou certo de que não estarei entre os que contribuíram para o fim da Amazônia que conhecemos. Um outro desenvolvimento seria possível, sem romantismos, que eu não sou lóki, bicho!  Em tempo: Pebado (amazonês): ferrado.

Enviado por  em 24/08/2011
Registros fotográficos das manifestações ocorridas em 16 países, nos dias 19, 20 e 22/08/2011, como parte da ação global em defesa dos povos da floresta e dos rios da Amazônia. As fotografias estão postadas no site do Movimento Xingu Vivo Para Sempre ( http://www.xinguvivo.org.br/ ).

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Grandes e polêmicas obras serão chamadas, no Brasil, a ‘salvar’ o capitalismo global
ESCRITO POR VALÉRIA NADER, DA REDAÇÃO- COLABOROU GABRIEL BRITO, DA REDAÇÃO   
QUI, 11 DE AGOSTO DE 2011


Enquanto o capitalismo global dá mostras inequívocas de ter adentrado no segundo e esperado momento de crise e exaustão, após o estouro detonado pelas hipotecas ‘subprime’ nos Estados Unidos em 2008, o capitalismo à brasileira caminha a passos largos. Uma das áreas na qual vem há anos atuando de modo contundente, afinado com seguidos governos, e contando com a sua cumplicidade, é no setor elétrico.

Oswaldo Sevá Filho, engenheiro mecânico, doutor em Geografia e docente da Universidade Estadual de Campinas, entrevistado do Correio da Cidadania, é um conhecido e contumaz crítico das grandes obras hidrelétricas que estão sendo tocadas Brasil afora, a exemplo de Santo Antonio e Jirau, no rio Madeira, e Belo Monte, no rio Xingu. Trata-se de empreendimentos originários de uma visão que nem poderia ser gravada como desenvolvimentista, mesmo que a qualquer custo, visto não estar em curso no país nada que possa ser cunhado como um ‘projeto de desenvolvimento’. Bem longe disto, está em andamento no Brasil um plano para acelerar o crescimento em meio à crise estrutural do capitalismo.

Para entender o que acontece no setor elétrico em meio a tal lógica, Sevá traz à luz os poderosos grupos de interesse e lobbies atuantes no setor. “É importante entender que os Sarney são bem mais do que coronéis do Maranhão e donos de uma facção do PMDB, são lobistas e intermediários da “dam industry” desde a época da implantação dos projetos Carajás e Tucuruí no Pará. São verdadeiros articuladores dos negócios de empresas como a Camargo Correa, Alcoa, a Vale, assim como a própria presidente, desde o tempo de ministra de Minas e Energia, é uma interlocutora privilegiada do grupo Suez–Tractebel”.  Distante das discussões partidárias, que pouco significam para o engenheiro no atual momento histórico, Sevá enxerga as ferrenhas disputas políticas, às quais temos assistido pela mídia, como meros dissimuladores, cujo objetivo é esconder a guerra econômica, a luta ideológica e a luta de classes, que continuam os motores da história.

As conseqüências desse processo ainda estão, hoje, bem mais à vista da população do que a sua capacidade para interpretá-las e agir sobre elas. São diárias as notícias que dão conta da grande dimensão que assume a devastação de terras, na Amazônia em especial; do desrespeito e indiferença frente às condicionantes ambientais; do elevado uso de agrotóxicos, em detrimento da saúde e da qualidade de vida; dos povos e comunidades tradicionais deslocados por grandes e polêmicas obras. Fenômenos que se interagem em proveito do predomínio crescente do agronegócio em terras brasileiras, forçando a reprimarização de nosso comércio exterior, aliada às cifras de queda na produção e exportação de produtos industriais elaborados.

A atual crise sistêmica internacional, com a avalanche de Estados em processo falimentar, após salvaguardarem os lucros da grande finança internacional, deverá levar a mais uma penosa rodada de socialização de perdas. A estas perdas se somará o destino da economia interna, movida por grandes empreendimentos e refém de seus interesses.

Correio da Cidadania: O Ministério de Minas e Energia formado por Dilma foi avaliado de modo muito negativo pelo professor da USP Célio Bermann, em entrevista ao Correio: “um feudo dos Sarney, e, por conseguinte, um balcão de negócios escusos que só interessam a alguns entes privados”. Quais são as suas expectativas quanto à ex-ministra de Minas e Energia de Lula e atual presidente Dilma? Irá, de algum modo, se diferenciar de Lula?

Oswaldo Sevá: Não posso opinar sobre o Ministério formado no atual governo, alguns ministros nem sei o nome nem de onde vieram, mas posso relembrar o que todos sabem: o arranjo de nomes e cargos teve a mão forte do ex-presidente Lula e, claro, do eterno presidente Sarney e seu clã, grandes responsáveis pela continuidade de métodos e homens do tempo dos generais, aparelhando até hoje a máquina federal e a cúpula de muitos grupos empresariais.

Na área de Minas e Energia, em especial nas empresas elétricas, é um feudo mesmo, só que não somente dos Sarney: na Eletronorte, tem também o irmão do ex-ministro Palocci; em Furnas, tem o grupo do deputado Eduardo Cunha e uma parte do pessoal que foi do esquema do “publicitário” Marcos Valério; na Eletrobrás, tem um dos “braços direitos” da presidente Dilma, o Valter Cardeal.

Os ministros de Minas e Energia e os presidentes da Eletrobrás e de algumas das estatais por ela controladas, desde o primeiro governo Lula, foram indicados pelo clã Sarney. Uma rara exceção foi o professor Pinguelli Rosa, que havia sido o principal responsável desse setor em todos os programas do candidato Lula desde 1989, e em 2003 era para ser o ministro, quando foi passado para trás pela Dilma, recém chegada na equipe. Mesmo assim, o Pinguelli ficou na presidência da Eletrobrás quase um ano e meio; quando caiu, a empresa voltou para as mãos do clã Sarney, assumindo o Silas Rondeau, que depois foi também ministro e teve que se demitir por causa de roubalheiras reveladas na época.

Faz parte desse esquema o engenheiro Muniz Lopes, aquele em cuja bochecha a índia Tu Ira esfregou o facão num evento público em Altamira (1989) e que é o verdadeiro “pai” dos projetos de construção de barragens no rio Xingu, o mais famoso se chamou Kararaô, depois, Belo Monte. O Muniz é o “pai”, mas não o autor desses projetos, que foram feitos pela empresa de consultoria CNEC, na década de 1980, quando esse escritório foi o cérebro do crescimento espetacular do grupo financeiro Camargo Correa, cujo patrão, Sebastião Camargo, foi aliado íntimo dos generais-ditadores.

É importante entender que os Sarney são bem mais do que coronéis do Maranhão e donos de uma facção do PMDB, são lobbistas e intermediários da “dam industry” desde a época da implantação dos projetos Carajás e Tucuruí no Pará. São verdadeiros articuladores dos negócios de empresas como a Camargo Correa, Alcoa, a Vale, assim como a própria presidente, desde o tempo de ministra de Minas e Energia, é uma interlocutora privilegiada do grupo Suez–Tractebel.

São essas as mesmas empresas que agora estão terminando de fazer a usina do Estreito, no rio Tocantins, um processo repleto de problemas e de violências sociais. Estreito é um projeto de usina que foi “empurrado” dentro da burocracia federal - ANEEL, IBAMA, BNDES - por figuras como Edison Lobão, que tem no sul do Maranhão um dos seus principais currais eleitorais há várias décadas.

Um evento que pode simbolizar bem esse governo ocorreu no dia 5 de julho, na “inauguração” da última fase da construção da usina Santo Antonio, no rio Madeira, Rondônia. O projeto foi licenciado no governo Lula logo após a fritura da ex-ministra Marina e a eletricidade a ser fornecida foi “leiloada” pela agência dos negócios da energia elétrica (“Aneel”) num espetáculo de cartas marcadas. O consórcio vencedor tinha a promessa de dinheiro estatal via Furnas e Cemig, depois foi engrossado com um Fundo de Investimentos do FGTS, além de uma triangulação financeira do banco português Banif, mas os verdadeiros cabeças foram a Andrade Gutierrez (quem ainda se lembra das benesses da milionária Marília Andrade ao candidato Lula?) e a toda poderosa e antigamente baiana Odebrecht. Que tem o “mérito” de ter ressuscitado um antigo estudo de inventário hidrelétrico da Eletrobrás e, ainda em 1998, na reeleição de FHC, se adiantou e solicitou à ANEEL autorização para realizar um EVTE – Estudo de Viabilidade Técnica e Econômica. Desde aquela época, em que Furnas já era um feudo do camaleão-mor, PMDB, foi a estatal UE que apareceu para os rondonienses como a dona do projeto; desde aquela época, foram os técnicos e dirigentes de Furnas que fizeram o serviço sujo de tratorar a opinião pública de Rondônia, de fustigar os dissidentes e questionadores, de cooptar entidades.

Na foto-símbolo, a presidente Dilma está ao lado do console onde os botões acionaram a abertura das comportas das adufas por onde o rio vai “voltar” ao seu leito, para que a construção da obra seja completada. De um lado, o patrão da Odebrecht, do outro, o governador Confúcio, o ministro Lobão, ambos do tal PMDB, e o prefeito Sobrinho, petista e odebrechtista de primeira hora.

Para coroar o simbolismo daquele evento, o jornalista Paulo Henrique Amorim colocou no seu blog a manchete ilusionista: Presidenta abre usina que ONGs, urubóloga e Bláblárina combateram. Entre outras bobagens e agressões gratuitas que compõem a tal “matéria”, o jornalista termina com essa pérola de senso comum longamente construída pelos ideólogos do próprio governo e das empresas: As obras de Santo Antônio têm um aspecto educativo; retomar uma vocação – a hidroeletricidade – e agradecer a uma benção: o Brasil tem água. Eis o triste dilema de hoje: tem o “PIG” (Partido da Imprensa Golpista) e “PID” (Partido da Ideologia Dominante), do qual esse mesmo blogueiro é um dos porta-vozes. Na visão de ambos, só eles existem, falam e escrevem nesse país.

Correio da Cidadania: O que todo este contexto revela sobre o atual modelo de desenvolvimento para o país?

Oswaldo Sevá: Não existe esse modelo. O que existe é um programa para “acelerar o crescimento” em meio à crise estrutural capitalista. Pelo menos o nome de batismo é menos desonesto do que tudo que veio antes, quando insistiam em “desenvolvimento”. Agora é só “crescimento”.

O que explica muito mais do que “modelos” e “desenvolvimentos” é a continuidade renovada da velha acumulação primitiva: conquistar terras, recursos naturais, posições geográficas, cercando os espaços, inclusive o mar e os rios, desativando as pequenas economias populares e de grupos tradicionais, fabricando milhões de proletários a cada espasmo de investimentos. Se somamos a isso o saque dos recursos públicos pelos grandes grupos financeiros, mais a roubalheira dos mercados “cativos” das infra-estruturas de uso geral (pedágios, pulsos telefônicos e de banda larga, eletricidade, água, gás canalizado...), chegamos ao que o estadunidense David Harvey chamou de “ acumulação por espoliação”.

E mais: é um Estado de joelhos para os credores, uma dívida pública proporcionalmente do mesmo peso que o rombo norte-americano, só que praticando os juros mais altos do mundo, e ainda por cima estendendo o tapete vermelho para os devedores atuais e futuros.

Correio da Cidadania: Alguns especialistas e figuras de relevo, como o ex-presidente do BNDES, Carlos Lessa, sabidamente comprometidas com elevados interesses da nação, se colocam a favor da obra, desde que equacionadas as exigências sociais e ambientais. Tal defesa se faz sob a justificativa da necessidade de o país aproveitar mais plenamente seu potencial hidrelétrico, uma fonte de energia limpa e renovável. Como encara este tipo de defesa?

Oswaldo Sevá: Essa coisa de “potencial hidrelétrico a explorar”, “fonte de energia limpa e renovável”, é a linguagem atualmente mais querida e repetida pelo chamado mercado. Nos dias 3 e 4 de agosto, aconteceu no Novotel Center Norte de São Paulo a 7ª Conferência de Centrais Hidrelétricas – Mercado e Meio Ambiente. No site de divulgação do evento, lê-se essa jóia de ideologia e senso comum: “um evento formatado para realização de negócios e, ainda, para a reflexão em torno de questões regulatórias, ambientais e de mercado dessa fonte renovável. A Conferência irá defender o papel da hidroeletricidade na expansão da oferta de energia elétrica, dialogando sobre caminhos para que a hidroeletricidade continue ocupando a posição de energia renovável mais competitiva e garantida à disposição da sociedade brasileira”.

É essa ideologia do senso comum, “limpa”, “renovável”, que foi costurada nas últimas décadas por pseudo-intelectuais da área de energia, e foi levada a Johannesburgo em 1998 pelo FHC, para transformar a hidreletricidade em celebridade no World Summit of Sustainable Development. Num golpe de mágica retórica e propagandística, as absurdas e tristes mega-usinas se tornaram ecologicamente corretas. Tipo “me engana que eu gosto”!

Agora, em relação à pergunta, eu preferia não personalizar muito, mas o Correio resolveu me confrontar com um autêntico dinossauro da esquerda, visto que há mais de vinte anos sou contra o projeto Belo Monte.

Vamos lá: conheci as idéias estruturalistas, jamais marxistas, nem perto disso, do professor Lessa como escritor de livros didáticos de economia junto com o Antonio Barros de Castro. Os dois, aliás, já foram presidentes do BNDES. Confesso que aprendi muito com eles há quarenta anos.

Depois, no final dos anos 1990, vi o Lessa como um professor dissidente, sendo perseguido pelo falecido Paulo Renato, ministro da Educação, e mesmo assim conseguiu ser o Reitor da UFRJ, a mais importante das universidades federais. Pouco exerceu esse cargo, onde tinha grande respaldo de docentes e estudantes, e prometia reformar e arejar a velha universidade, para aceitar a presidência do BNDES no início do governo Lula em 2003.

Uma de suas primeiras afirmativas públicas retumbantes foi anunciar que o Banco apoiaria os projetos de usinas elétricas no rio Madeira, antes mesmo de os projetos detalhados serem submetidos ao Banco e analisados exaustivamente pelos seus economistas e auditores, como fazem com qualquer fábrica de sapatos ou de goiabada.

Em 2010, reapareceu em grande estilo, publicado no jornal de negócios “Valor”, um artigo intitulado “Belo Monte e o diabo”, cujo conteúdo, coerente com o título, demoniza os que criticam o projeto...

Perde a linha, exacerba nos adjetivos e no preconceito, instiga leitores como um pastor evangélico pregando contra os “possuídos”. Pior, uns dias depois (em junho de 2010), outro esquerdista famoso, Emir Sader, repercute a investida do Lessa no seu blog do “Carta Maior”, dizendo que o Lessa “compra uma briga indispensável”. Usa o título “Ambientalistas, o padrão neolítico e a paz de cemitérios”.

Fiz algo que raramente faço: postei um comentário no blog e o Emir só o publicou quando reclamei três dias depois que havia sido censurado. Aproveito a paciência dos editores do Correio da Cidadania para reproduzir aqui o comentário que postei no blog:

Estimado Emir: Não o conheço pessoalmente, mas posso assegurar minha admiração e minha condição de seu leitor, bem como de seu irmão Eder. Vamos ao artigo do Dr. Lessa: o país não enfrenta nenhum problema energético grave no momento. Muito menos na parte “eletricidade” de todo o panorama da energia. As represas estão cheias há vários anos, mesmo no final da estação mais seca, tanto que as termelétricas praticamente estão gerando muito pouca energia ao longo do ano. Há folga operacional nas usinas funcionando, há máquinas de reserva que podem ser acionadas, há novas usinas de pequeno e médio porte entrando em funcionamento, o sistema de transmissão permite uma boa gestão do conjunto, embora possa ainda ser bastante aperfeiçoado.

Em termos de política energética, somos dependentes de importação de carvão mineral para a siderurgia e de óleo diesel, que nossas refinarias não fabricam o suficiente. Claro que o modelo de transporte rodoviário absoluto nos leva a um consumo absurdo de óleo diesel, mas isso não tem nada a ver com projetos de mega-hidrelétricas. O projeto Belo Monte é, sim, estratégico para a indústria mundial da mineração e da metalurgia, que necessita de bases exportadoras de produtos de aço, de alumínio, de cobre, de níquel, nas quais o custo da eletricidade seja baixo - muitas vezes à custa de contratos lesivos como os que o Brasil sustenta com a eletricidade de Tucuruí - e com a vantagem de que os terminais exportadores estão a distâncias marítimas razoáveis dos grandes portos da Europa, EUA e Oriente. É o caso, infelizmente, do Pará.

Dizer que é estratégico para o desenvolvimento do país é uma manobra propagandística dos grupos que empurram esse projeto há mais de vinte anos. Não é verdade! Pelo contrário, se gastarmos com Belo Monte os trinta bilhões de reais, ou mais que custaria a usina, estaríamos deixando de aplicar tais somas em várias outras atividades muito mais benéficas para o povo brasileiro, inclusive no campo da eletricidade.

Quanto ao fundamentalismo barrageiro que infelizmente exala do artigo do Dr. Carlos Lessa, recomendo a ele que estude muito melhor e longamente a documentação técnica e o que já escreveram os críticos do projeto Belo Monte, quem sabe ele se dê conta de que é um péssimo projeto de engenharia, cujas máquinas ficariam paradas alguns meses, por anos, por falta de vazão d' água para turbinar e com riscos geotécnicos nunca dantes assumidos em outras obras no país.

Aliás, quando ele foi presidente do BNDES, deveria ter ordenado isso aos seus funcionários: que avaliassem rigorosamente o projeto, antes de sair dizendo que o banco aprovaria o financiamento.

Quanto a essa mania fácil, de estigmatizar quem critica o projeto - “são sempre os ambientalistas, atrasados, contra o progresso etc.” -, é sinal de desinformação básica e preguiça mental. Muitos além de mim combatem o projeto, porque ele foi inventado na época da ditadura e vem sendo empurrado desde então pelos lobbistas ligados ao ex-presidente da República, hoje presidente do Senado e que tem a fama de enriquecer a cada kilowatt instalado nesse país.

Dr. Lessa, se ainda não sabe, projetos podem ser combatidos também por razões de ordem ética: quando os seus criadores ou empurradores são antidemocráticos ou corruptos, por exemplo. Agora, como foi que o governo Lula ressuscitou o fantasma Belo Monte?Como foi que o governo Lula decidiu enganar todo mundo inventando uma "resolução do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética)" que vai fazer "somente Belo Monte no rio Xingu"? Isso é outra história que nem o Dr. Lessa nem o estimado blogueiro Emir se interessaram em elucidar. Valeria a pena!”.

Agora, quero enriquecer essa resposta, talvez inesperada para muitos, com alguns outros registros da mesma histeria barrageira atual:

O rancor e o desvio propositado das razões efetivas do projeto se encontram no mesmo discurso do Delfim Netto, que nos últimos dois anos, em sua coluna na Carta Capital, a cada mês, escreve sobre isso, num texto cheio de clichês e ofensas, enquanto a revista começa vários números com seis páginas de publicidade ideológica da Eletrobrás “sustentável”. É o mesmo tom raivoso do ministro Lobão, alegando que “forças demoníacas” estavam retardando o licenciamento do projeto, do editorialista da Folha, Rogério Cerqueira Leite, escrevendo de modo histérico e bastante desinformado contra “os ambientalistas”.

E as outras forças de esquerda? Por exemplo, a direção da CUT nunca quis discutir abertamente a polêmica de Belo Monte, eu mesmo em 2009 encaminhei textos, propus reuniões e fui vetado. Afinal, o seu atual presidente, Artur Henrique, a quem já assessorei há vinte anos, é um eletricitário e todos os eletricitários apóiam qualquer projeto de nova usina, pois acham que isso vai ampliar a base da categoria deles. Inclusive a Federação Nacional dos Urbanitários foi capaz de cavar um espaço no último Fórum Social Mundial, em Belém, para ficar defendendo o projeto Belo Monte e... demonizando os críticos, que por lá são muitos e estavam também participando de corpo e alma do FSM. Um dia desses seriam capazes de apoiar os projetos de novas usinas nucleares no Nordeste e na Amazônia!

Agências de notícias “de esquerda”? Por exemplo, a Carta Maior nunca pautou o assunto com profundidade, nem a questão ambiental, nem a questão dos atingidos. Como já citei, os blogs do Amorim e do Emir repercutem o petismo e o desenvolvimentismo cego, acolhem leitores que amplificam o maniqueísmo e censuram leitores que divergem.

O blog do Amorim, há um mês atrás (julho de 2011), reproduz - e reforça, elogia - um relatório dos arapongas da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), que pretende mapear as ONGs estrangeiras que estariam “sabotando o projeto Belo Monte”. Enviei um comentário duas vezes e não foi publicado: “Que besteira PH! Tem muita gente que é contra as usinas porque será expulsa de sua casa ou de seu sítio. Tem gente que é contra porque sabe que os projetos têm a marca de nascença da ditadura militar e das empreiteiras que deram grana para a repressão sobre os militantes de esquerda. Tem gente que é contra porque é anticapitalista, que incrível, ainda tem gente assim! Tem quem seja contra porque conhece as mazelas de usinas como Tucuruí, Balbina, Samuel e outras que destruíram belos trechos da mata e dos rios e que empobreceram muitos moradores. E tem gente que era contra quando os barrageiros estavam no governo tucano e continua contra porque os barrageiros estão também no governo petista-sarneysista. Besteira mesmo, PH! Se tem tanta gente boicotando, como é que os barrageiros conseguiram tantas vitórias? Fizeram o leilão, obtiveram a licença prévia, obtiveram a licença de instalação, ganharam todas as paradas. Por que tem tanta gente chutando cachorro morto? Pô, comemorem suas vitórias!!! Tomem champagne e parem de tripudiar as poucas minorias que são contra e não têm nada a ver com essas ONGs identificadas pela Abin! Ou vocês acreditam realmente nos arapongas?”.

Enfim, em termos de Engenharia e da Termodinâmica, que é o campo da Física que estuda e explica os complicados meandros da Energia, não existe nada limpo, todos os processos têm resíduos e perdas; tampouco existe algo que seja intrinsecamente renovável. A não ser, num raro anti-exemplo, o ciclo das águas numa escala continental, que muda de líquida para gasosa e de sólida para líquida, e parece se renovar incessantemente, sem alterar a soma total de água.

E mesmo que existisse, a “limpeza” e a “renovabilidade” nunca foram critérios de produção capitalista, pelo contrário, trata-se de um sistema que desde o início se baseou nos combustíveis mais sujos que se conhece, o carvão mineral e depois o petróleo, e até hoje extrai imensos lucros dos recursos finitos e da produção de lixo.

Correio da Cidadania: Nesse sentido, como analisa a postura do governo diante de toda a oposição à obra, que passa por 11 Ações Civis Públicas do Ministério Público do Pará, condenação da Corte de Direitos humanos da OEA, um abaixo assinado com 600 mil nomes, o repúdio de diversos movimentos sociais e a reprovação de vários estudiosos independentes da obra? O que essa atitude representa do nosso atual momento político?

Oswaldo Sevá: As ACPs (Ações Civis Públicas) se sucederam desde 2001 e nenhuma teve o mérito julgado, todas tiveram liminares baixadas por juízes locais e foram revogadas em Brasília, no TRF 1 – cujos desembargadores parecem estar totalmente a serviço das empresas, nessas e em outras causas. Teve um deles inclusive que declarou seu voto pela cassação de uma das liminares, pois “queria ter energia em casa para poder assistir à Copa de 2014...”.

A Secretaria de Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) era algo bem importante para o governo e ia ser nomeado o antigo secretário de Direitos Humanos, Paulo Vanucchi. De repente, com a interpelação que veio sobre o licenciamento de Belo Monte, a OEA foi boicotada e aquilo foi maquiado em uma “cobrança” indevida, gerou reações xenófobas, maniqueístas, essa coisa bem brasileira de juntar a direita com a esquerda em certos casos dizendo as mesmas babaquices.

Muitos abaixo-assinados foram feitos e protocolados no Planalto, alguns longos e detalhados pareceres independentes também. Pelo menos dois livros feitos por dezenas de pesquisadores gabaritados foram publicados, um em 1988 e outro em 2005. E isso funciona, sim, eles reagem sempre por linhas tortas, mas nunca dão o braço a torcer e jamais alteram qualquer decisão importante. Sim, mudaram o nome da usina de Kararaô para Belo Monte, mudaram o eixo da barragem 50 km rio acima para evitar o alagamento da terra indígena dos Juruna e a inundação permanente de um importante afluente do Xingu, o Bacajá. Alteraram a altura de três das barragens projetadas: Babaquara passou a se chamar “Altamira”, Ipixuna passou a se chamar “Pombal” e foi rebaixada quase trinta metros para não alagar a cidade de São Felix do Xingu, e a “Kokraimoro” foi rebatizada “São Felix”, continuando plantada em uma das terras Kaiapó. Mas jamais vão admitir que fazem isso para responder, se adequar às críticas.

Basta ver também como configuram e manobram os eventos públicos: as Audiências Públicas obrigatórias para o licenciamento tiveram restrição de acesso de alguns grupos de manifestantes e repressão ostensiva; em Belém, houve mudança de locais na última hora. Tornou-se corriqueira a presença de agentes da Abin nas reuniões de atingidos e de movimentos críticos e até em um congresso acadêmico (Encontro Ciências Sociais e Barragens, em Belém, em dezembro de 2010). Foram lá conferir se algum “paper” ou alguma mesa-redonda era subversiva, contrária ao regime.

No Senado, uma estranha subcomissão de acompanhamento de Belo Monte foi montada por um senador tucano, Flexa Ribeiro, e recheada de sarneysistas.  Convidaram-me e também ao professor Bermann da USP para uma “audiência” que teria também a palavra dada a pessoas do governo, e montaram uma armadilha impensável: debater com o citado editorialista Rogério Cerqueira Leite, dias após a publicação do seu lamentável editorial na Folha.

Em São Paulo, maio de 2011, o Serviço Pastoral dos Migrantes organizou um seminário sobre Grandes Obras e Migrações, com meses de antecedência, e montou uma mesa com três bispos (dom Possamai, de Rondônia, dom Valentini, presidente do SPM, e dom Cappio, da Bahia), convidaram a diretora do Dilic/IBAMA, o departamento de Licenciamento Ambiental, Ana Dolabella, que confirmou, tendo seu nome no cartaz e na programação. Na última hora, enviaram uma jovem recém contratada para repetir um “Power Point” cheio de bobagens e mentiras sobre energia e... Nada do licenciamento!

Duvido que na tal Conferência “de mercado”, no Novotel, o gerente do IBAMA da área de licenciamento de energia – confirmado no programa – tenha enviado um novato em seu lugar. Isso eles fazem quando querem tripudiar sobre os dissidentes, quando querem fugir do questionamento. Não sei se é mais “salto alto” ou simplesmente covardia. Já para os empresários, ficam todos babando, ou então vão se fazer de difíceis, rigorosos, legalistas, para aumentar o preço do seu “convencimento”.

Estalulismo é o nome apropriado disso tudo: “Postura do governo”? É um rolo compressor, um propagandismo doentio, igual à postura dos partidários defensores do projeto. Com covardia, fugindo dos debates e dos contraditórios... Um lulismo estalinista, com o perdão do trocadilho, e também com o gosto amargo da derrota, pois a vida é uma só e durante vários anos eu fiz muito pelo PT e por essa esquerda.

Correio da Cidadania: E como o senhor avalia especificamente a concessão da Licença de Instalação para o início das obras de Belo Monte, novamente passando por cima de estudos e recomendações dos especialistas?

Oswaldo Sevá: Licença para grande hidrelétrica é como autorização para uma guerra no próprio território. Depois que vão para lá com as máquinas e os capangas, ninguém segura. Foi assim que foram feitas todas as grandes hidrelétricas. Em vários casos, as estatais que “encomendaram” as obras foram engolidas e sangradas pelas empreiteiras (assim foi a Gutierrez com Balbina, a Mendes Jr com Itaparica, a Camargo com Tucuruí).

Todas as licenças de usinas solicitadas até aqui foram concedidas, a única exceção foi o projeto Ipueiras no Tocantins. Na realidade, foi um álibi, o próprio Lula na campanha de 2006 se gabou disso, mas serviu para melhor liberar os demais projetos no mesmo rio; no caso das obras no rio Madeira, os pareceres internos do IBAMA foram contrariados, e até uma ministra foi “derrubada”.

Estão fazendo, sim, as usinas, mas ao menor custo social e ambiental possível. A velha extração de mais-valia dos peões dos canteiros, e junto vem a expropriação dos pobres ribeirinhos. No caso de Belo Monte, criaram fórmulas enganosas (compensações que seriam contrapartidas dos operadores passam a ser programas locais de desenvolvimento sustentável, com mais grana pública) e irregulares (por exemplo, a FUNAI “libera” o parecer para o IBAMA, algo não previsto na legislação; concede-se uma Licença de Instalação parcial, outra aberração).

Enfim, é surrealista e lamentável: o novo presidente do IBAMA, enésimo em poucos anos, em uma entrevista na Austrália, disse que o “nosso problema era ter mais energia”, que a função dele “não é cuidar do meio ambiente e sim minimizar os impactos”. Expulsou jornalistas da sala e depois disse, em off, que tem de fazer por aqui como a Austrália faz com seus aborígenes.

Quem decide conceder essas licenças parece ser o Ministério de Minas e Energia, e desde a época do FHC o titular da pasta fica toda hora pressionando na mídia, anunciando o dia em que vai ser assinada, uma decisão que no fim pertence a outra pasta.

Na prática, o IBAMA está também vendendo a licença pela taxa de licenciamento, 1,5 % em cima de 20 bilhões de reais, a chamada “grana preta”. Em todos os casos, esse “custo ambiental” foi um belo aporte de verba para complementar o orçamento, equipar a frota de carros e barcos e, como se viu ocorrer no Madeira, o novo equipamento serviu mesmo foi para reforçar e ampliar o policiamento ambiental e social a favor da obra e contra os ribeirinhos e movimentos contrários.

No caso de Belo Monte, licenciaram um projeto completamente não convencional, com conseqüências e riscos totalmente inéditos, sem qualquer tipo de garantia legal de que as precauções e providências devidas serão tomadas, nem na construção, nem na fase de operação. Por exemplo, as vazões em mais de 100 km do rio que ficará “no seco”, o rebaixamento de lençóis freáticos em uma área enorme de matas e vilarejos, a elevação dos mesmos lençóis freáticos em outra área enorme, incluindo quase toda a cidade de Altamira...

Ignoram a existência de atingidos, de expulsos, de gente que precisaria ser reassentada, de fazendeiros, sitiantes, colonos, meeiros, pescadores, castanheiros, que teriam de ter um programa de reorganização de sua atividade agrícola, extrativista, pecuária.

Esses brasileiros inexistem juridicamente, a não ser quando suas propriedades, com todos os papéis em ordem, são indenizadas, o que é obtido por uma diminuta minoria dentre os trinta mil brasileiros que serão atingidos diretamente pelas obras de Belo Monte.

Correio da Cidadania: Em face de tantos e grandes projetos hidrelétricos em gestação, o que o senhor pensa, de modo geral, da política energética de nosso país?

Oswaldo Sevá: Não existe tal entidade da “política energética”, existe somente o dogma de barrar todos os rios em todos os pontos que sejam possíveis. Se pudessem, fariam uma usina em cima das Cataratas do Iguaçu, talvez ainda façam.

Correio da Cidadania: Mas qual a política energética que o senhor advogaria como necessária e adequada ao nosso país atualmente, dadas as suas atuais circunstâncias históricas?

Oswaldo Sevá: Não tenho como nem por que responder a isso. Na minha carreira docente, acabo de me despedir, depois de quase vinte e cinco anos, da área de pós-graduação em Planejamento Energético. Vou ficar, até me aposentar, nas Ciências Sociais, estudando e divulgando os problemas das vítimas, dos prejudicados, ameaçados, expropriados por esses projetões malignos.

Correio da Cidadania: Altamira já sofre mudanças em sua rotina com a expectativa da obra? Já existem moradores diretamente afetados? O que o senhor vislumbra para a cidade caso as obras realmente deslanchem?

Oswaldo Sevá: Coisa boa não deve ser, mas várias outras pessoas poderiam relatar o que ocorre atualmente. Eu estive lá a última vez em julho de 2010, por minha conta, com minha esposa, de férias, para me despedir daquele rio maravilhoso antes que começasse a sua mutilação.

Correio da Cidadania: Finalmente, acredita que exista alguma chance, a partir dos meandros políticos, jurídicos, sociais, ou o que seja, de Belo Monte não ir adiante?

Oswaldo Sevá: Crise estrutural, sobre-acumulação, excesso de liquidez, busca frenética de altos retornos, investimentos anunciados em todos os lugares ao mesmo tempo, esse é o quadro geral. Se vai adiante ou não, ou, se uma vez iniciada, vai ter como prosseguir, trata-se da mesma pergunta que se faz em Xangai, em Viena, em Paris, em Tóquio...
O capitalismo todo está aguardando mais esse desfecho favorável, será a maior sangria de todas as feitas recentemente, por 40, 50 bilhões de dólares, vários anos de sustentação...

O que está em risco é a democracia, os direitos humanos e políticos, a preservação de recursos e locais valiosíssimos, com grandes potenciais protéicos, arqueológicos, antropológicos, turísticos...

Quanto mais poderosas as grandes empresas, quanto menos freios tiverem, mais longe estará a sociedade da justiça e da democracia.

Valéria Nader, economista, é editora do Correio da Cidadania; Gabriel Brito é jornalista.



PT realiza IV Congresso Nacional unido e sem disposição para brigas (Carta Maior)

PICICA: "Uma abertura para convivência com movimentos sociais, que acabaram sendo alijados do partido no processo de negociação com aliados de esquerda. Dois temas discutidos previamente foram assumidos pelo governo antes que fossem oficializados pelo Congresso do PT: a queda de juros pelo Banco Central, e sinalização de baixa futura mais consistente, e o aumento do salário mínimo. A antecipação desses dois movimentos vai ter o poder de transformar em afinidade, o que a imprensa poderia interpretar como conflito."

PT realiza IV Congresso Nacional unido e sem disposição para brigas

Amplamente dominado por uma aliança das duas maiores correntes internas, PT realiza seu IV Congresso Nacional, em 31 anos, em clima festivo e sem espaço para grandes disputas internas. Decisões recentes do governo, de cortar juros e propor aumento robusto do salário mínimo, aproximam PT de Dilma Rousseff e ajudam a evitar conflitos que poderiam ser explorados por adversários políticos.

SÃO PAULO - Mais do que produzir grandes manchetes, o IV Congresso Nacional do PT, que o partido realiza em Brasília no fim de semana, deve de revelar uma grande festa, repleta de delegações internacionais. Não há grande interesse de expor divergências partidárias para ao grande público durante o encontro dos 1,3 mil delegados.

Com o partido dominado por uma aliança entre as duas maiores facções - Construindo um Novo Brasil (CNB) e Mensagem ao Partido -, o Congresso deverá ter como grande marco decisório, de fato, a plenária nacional da CNB, que se reúne nesta sexta-feira (02/09) a partir das 10h. “Há uma desproporporção do grupão formado pelo CNB e pela Mensagem”, reconhece um dos integrantes da primeira. 

Os setores mais à esquerda deixaram o partido no passado e constituíram o PSTU e o PSol. Um dos pequenos grupos remanescentes, a Articulação de Esquerda, cuja maior liderança era Valter Pomar, rachou há cerca de um mês. Metade seguiu para o campo majoritário. Pomar permaneceu no antigo grupo, menor do que já era.  

Qualquer decisão tomada na plenária da CNB ditará, portanto, os rumos do Congresso geral. E mostrará para aonde se inclinará a maioria dos 1350 delegados do partido, eleitos no último Processo de Eleição Direta (PED), em 2009.

Ao contrário do que se poderia supor, o governo da presidenta Dilma Rousseff, que não tinha uma grande militância no partido antes de ser eleita, caminhou articuladamente com o PT, às vésperas do Congresso.  

Em geral, o partido não quer fazer barulho, mas considera importante se “politizar” novamente, assumir uma agenda própria, inclusive para exercer o papel de convencimento da sociedade quando os temas de ordem institucional provocarem controvérsia, de forma a adquirir força, de fora para dentro, na contenda com seus aliados no Congresso. 

Uma abertura para convivência com movimentos sociais, que acabaram sendo alijados do partido no processo de negociação com aliados de esquerda. Dois temas discutidos previamente foram assumidos pelo governo antes que fossem oficializados pelo Congresso do PT: a queda de juros pelo Banco Central, e sinalização de baixa futura mais consistente, e o aumento do salário mínimo. A antecipação desses dois movimentos vai ter o poder de transformar em afinidade, o que a imprensa poderia interpretar como conflito.

“O PT e o governo não têm conflito. O que vem sendo implementado pelo governo Dilma vem ao encontro de um governo do PT. O PT está no governo e o governo está bem. Agora, com a inflexão dos juros, a afinidade ainda é maior”, afirma o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP).

“Estamos tranquilos. Em primeiro lugar, porque tomamos juízo. Em segundo, porque adquirimos maturidade. Em terceiro, porque somos o principal partido da base do governo e o mundo endoidou. Precisamos preservar o governo para enfrentar essa crise mundial", diz o deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP). "É evidente que há críticas pontuais à condução do governo, mas no geral o PT vem respondendo a esses desafios com uma unidade muito grande, enquanto os outros partidos da base estão se dividindo."

“O PT não tem grandes divergências internas. Está em nova fase. As tendências estão com fogo baixo”, afirma o ex-deputado José Genoíno, hoje assessor do Ministério da Defesa. Para Genoíno, o partido também teve um aprendizado de governo. “Sem alianças o PT não ganha eleição, nem governa”.

Outro fator de “estabilização” nas relações entre partido e governo, curiosamente, foi a ascensão do paulista Rui Falcão à presidência do partido, em substituição ao presidente eleito pelo PED, o sergipano José Eduardo Dutra. 

A vitória de Dutra tinha acontecido num momento em que a hegemonia paulista era bastante discutida internamente, também pela desproporção entre o crescimento do PT nos outros estados e a participação nos órgãos de direção partidária. Com o afastamento de Dutra, ascendeu de novo um paulista.

O antipaulistismo, todavia, vem sendo controlado por um esforço de Falcão. Ele tem participado de debates políticos em todos os estados (só falta visitar duas unidades da Federação nessa “caravana” partidária). E trânsito simultâneo no governo e em todo o partido. 

Falcão tem ligações antigas com a presidenta da República, e uma militância partidária que remonta às origens do PT – além de contar com a ajuda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que entra em cena para dirimir conflitos ou problemas de estratégia. 

Como está ligado diretamente à burocracia do partido, e como é mais formal, conseguiu criar uma relação mais institucional com o governo. Fala de partido para governo. “O Dutra era muito desorganizado e muito informal”, diz um parlamentar do partido.

Leia Mais:

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Enlace Zapatista - "Apaga y Vámonos" (documental)

PICICA: "Apaga y Vámonos - Manel Mayol, 2006. Es la mirada documental a un pedazo de historia del pueblo Pehuenche- Mapuche: la defensa del río Bío Bío —cuyo nombre viene de la lengua mapuche y significa doble cordón, doble hilo— ante el despojo operado por ENDESA, una empresa española primero estatal que luego fue privatizada (1989) y que construyó una hidroeléctrica en la región. Es la historia de eso que los compañeros del EZLN han bautizado como la nueva guerra de conquista: la guerra de despojo y destrucción de la tierra y territorio que lleva a cabo el neoliberalismo. Pero también es la historia de la resistencia y la dignidad de un pueblo que levanta la voz del colectivo para denunciar los absurdos y catástrofes producidas por las relaciones capitalistas.  Como nunca antes, los pueblos originarios, viven cercados por los diversos proyectos capitalistas que se presentan ante la sociedad bajo la coartada de planes de progreso: carreteras, corredores, supermercados, restaurantes, cines, hidroeléctricas, etc. Pero como nadie, los pueblos indios NO están dispuestos a dejar que su tierra le sea despojada por un capital que no tiene límites en su voracidad. Esos pueblos han llegado a la conclusión de que no hay mañana si no se enfrentan a la lógica criminal del capital, que su supervivencia está íntimamente vinculada a la derrota del capital como tal.  Con esta cinta continuamos reflexionando sobre las distintas bolsas de resistencia que fabrican los pueblos con sus manos menudas, con una dignidad los hace parecer gigantes al lado de la pequeñez moral del capital. En particular, queremos acercarnos a la rebeldía de los pueblos indios, a los distintos aspectos que hoy los colocan como el corazón de la resistencia.


Enlace Zapatista




1 de septiembre 19:00 horas. Última información EN ALERTA MAXIMA NOS ENCONTRAMOS EN TERRITORIO YAQUI ANTE LA INFORMACION DE QUE [...]

Rincón Zapatista Colima Invita, viernes 2 y domingo 4 de Septiembre, 5:30 pm. Ciclo de cine El horizonte… de todos [...]

Mensaje de la RvsR a los Ejidatarios de San Sebastián Bachajón por la celebración de la libertad de los presos [...]

Invitación a conferencia de prensa de la Brigada de Observación y Solidaridad con las Comunidades Zapatistas Las agresiones a las [...]

Boletim Notícias da Terra e da Água ed 17 - Jornada de Lutas da Via Campesina arranca conquistas para a Reforma Agrária



Ano 24 - Goiânia, Goiás.            Edição nº. 17 de 2011 – De 31 de agosto a 14 de setembro.
Veja nesta edição:
- Justiça adia julgamento de recurso de fazendeiro condenado pelo assassinato de Dorothy Stang
- Mais de 500 famílias da Via Campesina ocupam unidades do Incra no Tocantins
- Buscas de restos mortais de guerrilheiros do Araguaia são retomadas
- Trabalhadores flagram pistoleiros próximos a assentamento em Rondônia
- Quilombolas, índios, e sem-terra fecham INCRA do Maranhão
- Atingidos por Belo Monte fazem doação de sangue
- Trabalhadores flagram pistoleiros próximos a assentamento em Rondônia
- Liderança de ocupação é assassinada em Marabá, Pará.
- Jornada de Lutas da Via Campesina arranca conquistas para a Reforma Agrária
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Justiça adia julgamento de recurso de fazendeiro condenado pelo assassinato de Dorothy Stang

O Tribunal de Justiça do Pará adiou  para 06/09 o julgamento do recurso apresentado pelo fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão, conhecido como Taradão, condenado a 30 anos de prisão pelo assassinato da missionária norte-americana Dorothy Stang. Galvão tenta anular a sentença da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Belém, proferida em abril de 2010. Segundo o tribunal, a medida visa dar tempo para que a relatora da apelação, a juíza Nadja Nara Cobra Meda, a procuradora do Ministério Público Mariza Machado da Silva Lima e os demais integrantes da 1ª Câmara Criminal Isolada analisem um vídeo que o advogado de Galvão, Jânio Siqueira, pretende apresentar como prova. Em nota, o tribunal explicou que o pedido para que o vídeo de três minutos fosse exibido e acrescentado ao processo só foi protocolado na segunda-feira, 29, à noite, fora do prazo legal, que determina que qualquer nova prova deve ser apresentada no mínimo três dias antes do julgamento para que todas as partes possam tomar conhecimento da documentação. Condenado a cumprir sua pena, inicialmente, em regime fechado, Galvão está recorrendo da sentença em liberdade provisória. Ele é o único dos cinco acusados pelo assassinato da missionária que continua solto, e nega qualquer participação no crime. Os outros quatro acusados já condenados estão presos. São eles Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, condenado a 30 anos de prisão; Rayfran das Neves, o Fogoió, condenado a 27 anos; Clodoaldo Batista, o Eduardo, condenado a 17 anos; e Amair Feijoli, o Tato, sentenciado a 27 anos. Defensora dos direitos de pequenos produtores rurais da região de Altamira (PA), área de intenso conflito fundiário, Dorothy Stang foi morta com sete tiros em fevereiro de 2005, na cidade de Anapu (PA). (Fonte: Agencia Brasil)

Mais de 500 famílias da Via Campesina ocupam unidades do Incra no Tocantins

A Via Campesina Tocantins ocupou em 30/08 as unidades do Incra nas cidades de Araguaína e Araguatins. Estão envolvidas na ação 300 famílias em Araguaína e 200 em Araguatins, com o objetivo de cobrar do órgão federal a pauta apresentada na Jornada de Lutas do mês de abril. Segundo o coordenador estadual do MST, Daniel Souza Lima, não foram feitas as vistorias das áreas, as desapropriações dos latifúndios e a implementação dos assentamentos.
O coordenador do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Cirineu da Rocha, disse que a participação do Movimento nesse momento de luta é no intuito de cobrar do Incra as vistorias das áreas para assentar as famílias atingidas pela Hidrelétrica de Estreito, estas que já foram cadastradas e ainda continuam esperando a terra. O membro da coordenação nacional do MST, Antônio Marcos, afirmou que as unidades do Incra continuarão ocupadas até que a pauta das famílias sem terra seja atendida e exige a presença do superintendente do órgão nas unidades. (Fonte: Site MST)  

Buscas de restos mortais de guerrilheiros do Araguaia são retomadas

O Grupo de Trabalho Araguaia (GTA), responsável pela busca dos restos mortais de desaparecidos políticos da Guerrilha do Araguaia, retoma as investigações. Os trabalhos são conduzidos por uma equipe técnica pericial, além de ter a participação de parentes dos guerrilheiros e representantes do Ministério Público Federal. Essa expedição, a segunda do ano, ocorre entre os dias 29 de agosto e 7 de setembro, no cemitério de Xambioá, em Tocantins. A busca pelos militantes desaparecidos na guerrilha, surgida na década de 1970 em oposição à ditadura civil-militar, foi determinada pela Justiça em 2009. Nesses dois anos, foram encontradas dez ossadas, que aguardam perícia do Instituto Médico-Legal de Brasília. O Grupo sofreu reformulações em maio deste ano e atualmente é coordenado pelos ministérios da Defesa, da Justiça e pela Secretaria de Direitos Humanos. Documentos sobre o conflito e dados fornecidos pelos parentes dos desaparecidos são bases para os trabalhos de busca.
Quem tiver informações que possam auxiliar na localização dos restos mortais dos guerrilheiros pode ligar para o Disque Direitos Humanos, no número 100. A ligação é gratuita é não é preciso se identificar. (Fonte: Agencia Brasil e Radioagência NP)

Trabalhadores flagram pistoleiros próximos a assentamento em Rondônia

A Associação Porto Velho Progresso, que reúne 170 famílias na área da antiga Fazenda Beron, nas proximidades de Porto Velho (RO), tem denunciado sucessivas ameaças de pistoleiros contra líderes da Associação. Os trabalhadores flagraram e fotografaram alguns deles. A atuação de pistoleiros armados contra acampamentos de pequenos agricultores e posseiros em Rondônia fica demonstrada pelas fotografias apresentadas por moradores da Linha 22 e 45 da Gleba do Rio das Garças, nas proximidades de Porto Velho. Neste lugar Luiz Carlos de Oliveira tem entrado na justiça com pedido de reintegração de posse contra a Associação Porto Velho Progresso, com 170 famílias situadas nas proximidades da antiga Fazenda Beron. O presidente da Associação Porto Velho Progresso, Natalino Alexandre dos Santos, tem sido ameaçado repetidas vezes. Primeiramente por um homem com duas armas na cintura, e posteriormente por jagunços que ficam em frente da casa dele dando tiros para todo lado. Já outros membros da associação também têm recebido ameaças.  Um deles recebe contínuas ligações por telefone, o intimando a deixar a chácara "se estima a sua vida" e tiver amor por sua família". Ele é casado e pai de três crianças. Entre os envolvidos nas ameaças estão citados Jorge Otavio Moraes Gomes, policial, assim como o tenente da PM Erivando Santo Vandro e Eraldo Bentes Bittencourt. Alguns deles aparecem nas fotos publicadas. (Fonte: CPT regional Rondônia)

Quilombolas, índios, e sem-terra fecham INCRA do Maranhão

Nas primeiras horas da manhã da terça-feira (30/08) os acampados no INCRA do Maranhão - sem terra, quilombolas e índios - fecharam os dois portões do órgão, não permitindo a entrada de funcionários. A pauta de reivindicações inclui a regularização de terras e a solução dos conflitos causados pela ausência destas mesmas regularizações. Hoje, no Maranhão, mais de 80 pessoas que vivem no campo, estão ameaçadas de morte por conta de conflitos fundiários.
Três fatos ocorridos nessa semana aumentaram ainda mais a indignação destes camponeses que ocuparam o INCRA, desde o dia 25 de agosto. Enquanto eles estão em São Luís protestando, novos casos de violência e ameaças estão ocorrendo, a cada instante, no interior do estado. Os últimos foram nos municípios de Pirapemas (contra quilombolas), em Bom Jardim (contra índios Awá Guajá) e em Ribamar Fiquene (contra sem terra). (Fonte:Jornal Vias de Fato)  

Atingidos por Belo Monte fazem doação de sangue

Como parte da Jornada Nacional de Lutas, os atingidos pela barragem de Belo Monte fizeram, em 25 de agosto, um mutirão de doação de sangue. Com o aumento populacional em função da construção da barragem, o banco de sangue está em falta para o aumento expressivo de atendimentos. A elevação dos índices de violência e de acidentes de trânsito são as principais causas desses atendimentos em consequência do aumento populacional desordenado. Para os coordenadores do MAB, a doação de sangue nesta manhã é em solidariedade à população pobre do município, os principais beneficiários pelo atendimento do banco de sangue. Segundo o relato de uma das enfermeiras que atendeu os atingidos, há uma baixa doação de sangue no centro de coleta e, por consequência disso, há falta desse material na rede pública de saúde. Portanto, a atividade serviu também para conscientizar a população sobre a importância da doação de sangue e para a sensibilização da sociedade para a luta dos atingidos por barragens. “As experiências que temos de organização dos atingidos em outras regiões do Brasil é a mesma que aqui. O inchaço das cidades é consequência direta da construção de barragens. Com esse inchaço, junto vem o aumento de casos de violência e a insuficiência dos serviços básicos de atendimento à população, como na área da saúde. Com esse gesto nos solidarizamos com os moradores de Altamira, e denunciamos a construção dessa obra”, afirmou Rogério Hohn, da coordenação do MAB. (Fonte: Site MAB)

Liderança de ocupação é assassinada em Marabá, Pará

É a sexta vítima no Estado do Pará desde maio desse ano. Valdemar Oliveira Barbosa foi assassinado a tiros por volta das 10 horas da manhã no dia 25 de agosto, quando dois pistoleiros que trafegavam em uma moto de cor preta, com capacetes, fizeram os disparos. Conhecido como PIAUÍ, Valdemar trafegava de bicicleta pelo bairro de São Félix, em Marabá, quando foi assassinado. Ele era casado e, atualmente, estava residindo na Folha 06, no bairro Nova Marabá. Valdemar era sócio do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Marabá, coordenou por vários anos um grupo de famílias que ocupava a fazenda Estrela da Manhã, no município de Marabá. Como a fazenda não foi desapropriada, ele voltou a morar em Marabá, onde ajudou a organizar uma ocupação urbana na Folha 06, bairro Nova Marabá, onde estava residindo. Valdemar não desistiu de lutar por um pedaço de terra. Há mais de um ano passou a coordenar um grupo de famílias que ocupavam a Fazenda Califórnia no Município de Jacundá. No final do ano passado as famílias foram despejadas da fazenda pela polícia militar do Pará. Piauí não perdeu o contato com as famílias e ameaçava voltar a ocupar novamente a Fazenda. De acordo com informações obtidas pela CPT, a Fazenda Califórnia está localizada a 15 km de Jacundá e, além de pecuária, é envolvida com a atividade de carvoaria. Pistoleiros teriam sido contratados pelo fazendeiro para impedir uma nova ocupação do imóvel. O assassinato de Piauí pode ter ligação com a tentativa de reocupação da fazenda. Até o momento a polícia não deu qualquer informação sobre a autoria do crime. Após o assassinato dos extrativistas José Cláudio e Maria do Espírito Santo, esse é o quarto trabalhador assassinado, somente no Pará, do mês de maio até agora, com fortes indícios de que os crimes tenham sido por motivação agrária, ou seja, disputa pela terra. Após três meses, apenas os assassinatos dos extrativistas de Nova Ipixuna foi parcialmente investigado. Dos 6 homicídios ocorridos no estado nesse período, ninguém foi preso até o momento. O comportamento da polícia civil do Pará tem sido de investigar as vítimas e não os responsáveis pelas mortes, quando se trata de crimes no campo. (Fonte: CPT)  

Jornada de Lutas da Via Campesina arranca conquistas para a Reforma Agrária

Após uma semana de lutas, o Acampamento Nacional da Via Campesina, instalado em Brasília, chegou ao final em 28/8, com o retorno positivo do governo às reivindicações da organização. O ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, em nome da presidenta Dilma Rousseff, apresentou as respostas do governo aos cerca de 4000 sem terras acampados em Brasília desde o dia 22. “A primeira grande conquista que vocês conseguiram foi que o governo recolocasse a reforma agrária na sua pauta”, afirmou.
A principal conquista anunciada pelo ministro foi a suplementação de R$ 400 milhões no orçamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para obtenção de terras. Além disso, houve a liberação dos R$ 15 milhões do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), que estava contingenciado, e será implementado o Programa de Alfabetização Rural, nos moldes propostos pela Via Campesina. O governo vai financiar também um programa de agroindústria em assentamentos, com R$ 200 milhões para projetos de até R$ 50 mil e outros R$ 250 milhões para projetos até R$ 250 mil. Para o dirigente do MST e da Via Campesina João Paulo Rodrigues, o conjunto das respostas do governo federal é uma “conquista importantíssima”, saldo da mobilização de uma jornada que mobilizou 20 estados e mais de 50 mil trabalhadores rurais. Segundo ele, o problema da dívida dos pequenos agricultores e assentados, que somam cerca de R$ 30 bilhões, não foi respondido de forma satisfatória. “Estamos felizes, mas não com a proposta da dívida. Sabemos que a luta continuará”, projeta. Gilberto Carvalho reconheceu que o governo saiu das negociações em dívida com povos indígenas, quilombolas e os atingidos por barragens, mas enfatizou que o governo retomará a política de homologações de terra e que novas conquistas sairão da mesa permanente que o governo mantém com o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). A próxima reunião entre o governo e a Via Campesina já está marcada para o dia 21 de setembro. (Fonte: Via Campesina - Brasil)

setembro 01, 2011

Lucy in the Sky with Diamonds (The Beatles)

PICICA: Para quem acordou meio lisérgico, oferecemos esta bela canção dos Beatles.

Documentário: "Belo Monte, Anúncio de uma Guerra"

PICICA: "Como podemos saber o que se passa naquele fim de mundo (ou início) composto pelas matas da Amazônia e Pará? Se a informação não nos for trazida pronta até nossa sala de TV ou mesa de jornal, então ela simplesmente não pode ser conhecida. Também os livros de escola nada dizem sobre o verdadeiro sentido da Cabanagem. Quem estudou a respeito de como os Kaypos lutaram com os Mundurukus aliados da república? Nenhum jornal, canal de televisão, estação de rádio e nem os sites da internet mostram o que de fato está ocorrendo no Norte do país; pelo poder se omite.


Talvez, se a Floresta Amazônica queimar inteira em dez anos, o pessoal de São Paulo e Rio de Janeiro não vão nem ficar sabendo." Em tempo: Diria que esse é um texto que leva a marca da Amazônia. O "pessoal" aqui prá nós sempre foi plural. Assino embaixo. Com os agradecimentos à professora e poetisa Edilamar Galvão, pela dica do documentário.

BELO MONTE, ANÚNCIO DE UMA GUERRA from André Vilela D'Elia on Vimeo.

Olá amigo, obrigado por assistir ao nosso projeto! 

Compartilhar o projeto com você é uma oportunidade muito importante que você está nos dando. 

Se trata de uma produção cinematográfica que almeja o esclarecimento do público referente a implantação da usina hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu. É portanto um documentário cuje o objetivo é questionar o modelo de desenvolvimento proposto para a Amazônia, que revela também as tendências mundiais de desenvolvimento. Enfatizamos que não estamos julgando nada: certo ou errado, bom ou ruim, contra ou à favor. Mas apenas incentivando a reflexão daqueles que se interessam, de alguma forma, pelos desígnios do nosso planeta: da vida, das culturas, das minorias e de todos.

Somos um grupo de jovens cineastas interessados em usar as ferramentas existentes para transformar nossa observação do mundo em imagens em movimento. Somos a geração da câmeras HD de um quilograma, ilhas de edição que cabem na mochila, face-book, liberdade de informação e por que não a geração do Crowd funding!? Fazer cinema independente é muito difícil em qualquer lugar, então por que não acrescentarmos essa incrível ferramenta ao processo primordial da produção um filme: a captação de recursos. Estarmos presentes aqui representa não somente a nossa necessidade de dinheiro mas é também um voto de confiança para a plataforma os princípios que a regem.

O filme que fizemos, fazemos e faremos expõe um problema ao público mas não propõe alternativas para soluciona-lo. Isso é tarefa de quem nos assiste. Para nós a mudança não é uma grande mudança, não é um grande trauma, não é nada revolucionário ou radical, não se trata nem de uma grande ideia. É na verdade algo muito simples, algo que já está no ar para quem quiser pegar; o açaí dos igarapés, o óleo de Piqui, Amdiroba, Copaíba, Noni (o antibiótico da Amazônia), madeira de manejo, ecoturismo e assim vai... 

Os MEGAWATTS de lá são os MEGAWATTS daqui. 

Enquanto vitrines da Tiffany ficam acesas madrugada a dentro nos shoppings de São Paulo, a floresta sucumbe.
Afinal, todos precisão de energia não é verdade? Quem está agora no seu laptop Macintosh provavelmente chinês lendo este texto? Quem não precisa de estrada?! Pois então, o memorável general Médici olhou para o vasto mato virgem do Para, lá do alto de seu avião definiu que seriam feitas duas estradas: a Belém-Cuiabá e a Transamazônica. Assim disse ele (pressupõem-se): “Temos que integrar para não entregar” com o dedinho em riste, certamente. Médici sabia dos 97 metros da queda d’água da Volta Grande do Xingu. Ele sabia que no futuro um presidente ou “presidenta” realizaria a obra que seria grandiosa, maior que sua Tucuruí! A Usina Hidrelétrica de Belo Monte, antigo projeto Kararaô.

A informação nos é escondida!

Como podemos saber o que se passa naquele fim de mundo (ou início) composto pelas matas da Amazônia e Pará? Se a informação não nos for trazida pronta até nossa sala de TV ou mesa de jornal, então ela simplesmente não pode ser conhecida. Também os livros de escola nada dizem sobre o verdadeiro sentido da Cabanagem. Quem estudou a respeito de como os Kaypos lutaram com os Mundurukus aliados da república? Nenhum jornal, canal de televisão, estação de rádio e nem os sites da internet mostram o que de fato está ocorrendo no Norte do país; pelo poder se omite.

Talvez, se a Floresta Amazônica queimar inteira em dez anos, o pessoal de São Paulo e Rio de Janeiro não vão nem ficar sabendo.

O problema é que quase todos pensam que não se pode salvar a Amazônia pois não ha mais o que fazer. E os poucos que acreditam ser possível, acabam por tentarem faze-lo sozinhos. 

Nos unimos a todos.

Assista ao filme, doe uma quantia, pois no face-book e nos canais de internet teremos espaço para mostra-lo e o público poderá se informar, ter ideias, pensar e mudar o que é aparentemente imutável.

mais informações em cinedelia.com

doações em indiegogo.com/​BELO-MONTE/​

to watch the english version visit vimeo.com/​cinedelia/​bm

Direção: André D'Elia
Produção Excutiva: Beatriz Vilela
Direção de Fotografia: Rodrigo Levy Piza
Direção de Som: Téo Villa
Desenho gráfico: Federico Dueñas
Montagem: Mauro Moreira
Assistencia de Montegem e Pesquisa: Katherina Tsirakis

Diário de uma busca ("A melhor crônica sobre uma geração" - João Moreira Sales)

PICICA: "Outubro, 1984. Celso Castro, jornalista com uma longa história de militância de esquerda, é encontrado morto no apartamento de um ex-oficial nazista, onde entrou a força. A polícia sustenta que se trata de um suicídio. O episódio, digno de um filme de suspense, é o ponto de partida de Flavia, filha de Celso e diretora do filme que decide reconstruir a história da vida e da morte do homem singular que foi o seu pai. 

É uma viagem no tempo e na geografia: a diretora volta a Porto Alegre, Santiago, Buenos Aires, Caracas e Paris, cenários do exílio familiar, da ilusão e do fracasso de um projeto político. O resultado é um documentário poderoso e comovente que combina magistralmente a intriga policial, os testemunhos de familiares e companheiros e o relato na primeira pessoa de uma infância vivida entre o exílio e a luta armada. As vozes imbricadas de Celso (de suas cartas) e de sua filha constroem um retrato íntimo de uma relação marcad pela história e pela ausência."

Ato Solene em Homenagem ao Educador Paulo Freire (90 anos do seu nascimento)

PICICA: "O Centro de Documentação da PUC-SP (CEDIC), a Cátedra Paulo Freire da PUC-SP, o Armazém Memória e o Deputado Estadual Adriano Diogo (Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, da Cidadania, da Participação e das Questões Sociais têm a honra de convidar V. Sa. para o Ato Solene em Homenagem ao Educador paulo Freire, em comemoração aos 90 anos de seu nascimento, a ser realizado no dia 01 de setembro de 2011, das 19 às 21 horas.

O evento contará com a participação da Profª Dra. Ana Maria Araújo Freire - viúva de Paulo Freire, Profª Dra. Heloísa de Faria Cruz (CEDIC/PUC-SP), Marcelo Zelic - (Armazém Memória), Profª Dra. Ana Maria Saul (Cátedra Paulo Freire da PUC-SP) e Profª Dra. Lisete Arelaro (Faculdade de Educação da USP)."


Local: Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo - Auditório Franco Montoro - Av. Pedro Álvares Cabral, 201.


Grito do Excluídos - versão 2011

PICICA: "Bem aventurados os que tem sede de justiça..." Só entre os que passaram pelo hospício de Manaus, e que esperam pelos serviços que substituam o modelo manicomial, já somam mais de 50 mil pessoas.  Se essa multidão for pra rua cobrar o que lhe é de direito, para o trânsito em Manaus. Lamentavelmente, não há o menor risco desse "acontecimento", tamanho é o divórcio entre a prática clínica comportada e a inquietação da prática política. Macacos me mordam, se isto não é produto da omissão dos reformistas de araque!
Grito do Excluídos - versão 2004 - Foto: Rogelio Casado


GRITO DOS/AS EXCLUÍDOS/AS 2011

O Grito dos/as Excluídos/as é uma manifestação popular, aberto às pessoas, grupos, igrejas e movimentos sociais. A cada ano, no dia 7 de Setembro, milhares de cidadãos e cidadãs, vão às ruas do Brasil a fora para gritar contra todas as formas de injustiça, que causam a destruição da vida do povo. O Grito dos/as Excluídos/as, também, quer chamar a atenção da população para a necessidade de transformação da sociedade através da unidade, organização e lutas populares, pois existem sinais de esperança para os que estão à margem  de nossa sociedade. Neste ano, no dia 7 de Setembro, convidamos você a ir às ruas, junto com as organizações sociais, para reivindicar a denunciar a violação dos nossos direitos: direito a transporte coletivo de qualidade e não ao aumento da tarifa; direito a educação cidadã; direito à moradia digna e segurança pública. 

DIA: 7 de Setembro de 2011.
LOCAL: (concentração) PRAÇA DOS BILHARES, Av. Constatino Nery, às 15:00hs,.

MAIS UMA VEZ VAMOS ÀS RUAS GRITAR PELOS DIREITOS SOCIAIS!!

PEDIMOS QUE REPASSEM ESTE CONVITE AOS SEUS CONTATOS

Abraços Fraternos,

Antônio Fonseca
Assessor Cáritas - EFFC
Contato: (92) 9162-4048
                       8423-0265

A práxis antimanicomial, os centros de convivência e os reformistas de araque

PICICA: Definitivamente, são os reformistas de araque que contribuem para o atraso da Reforma Psiquiátrica no Amazonas. Direis que estou a poupar os governantes. Explico-me. Diante da omissão histórica dos primeiros, os últimos deitam e rolam no mar de descompromisso com a vida de mais de 55 mil pessoas atendidas no único hospício da cidade. A despeito desses reformistas, o hospício finalmente será fechado. Já vai tarde. E se não foi antes credite-se parte da responsabilidade a este segmento mal informado, que ajudou a dar fôlego à mais sinistra das instituições. A confusão ideológica desse segmento ainda está por ser analisada. Já foi pior. Pelo menos até 2003. Não tenho a menor expectativa de que este segmento me ouça. Ouvir não ouvem, mas me leem. Dirijo-me, entretanto, às novas gerações de leitores, dentro e fora do universo psi. Para os primeiros, houve uma época que investi em informação como nunca. No campo da formação, por falta de recursos financeiros deixei para as novas gerações apenas um pequeno legado, devidamente constituído - a residência médica em psiquiatra - durante minha gestão como Coordenador Estadual de Saúde Mental (2003-2007). E isto, graças a ajuda inestimável do Secretário de Saúde da Capital, Dr. Raymison  Monteiro, na gestão do Dr. Wilson Alecrim à frente da Secretaria Estadual de Saúde. Para as demais categorias, chamei pra mim a responsabilidade de oferecer inúmeras Oficinas sobre a Reorientação do Modelo de Saúde Mental. Ocorre que santo de casa não faz milagre. Muitos fizeram ouvido de mercador. Por aqui, meus caros, prevalece um canibalismo social sem igual. Por isso escrevo como testemunho de quem acredita na potência de novas gerações, não porque elas sejam boas por si só, já que não há bondade na natureza humana - inclua-se aí governantes e governados -, mas porque a construção da resistência só é feita por quem sabe distinguir entre a obediência que faz o súdito da invenção da liberdade que faz o cidadão. Uma das formas de sair da ignorância, seria conhecer a experiência brasileira que foi sendo tecida para além de nossas florestas. No meu caso, fui beber numa das nossas melhores fontes: a experiência mineira de reforma psiquiátrica antimanicomial. Umas das suas artífices, por minha indicação esteve no Amazonas para discutir Reforma Psiquiátrica, numa rara tentativa de diálogo inter-institucional, e foi solenemente ignorada. É dessa teimosia em se fechar para outras experiências que resultaram iniciativas contrárias à ética da reforma psiquiátrica antimanicomial. Duas delas refletem a perda da dimensão social e cultural da reforma psiquiátrica que queremos. São elas: a tentativa de implantar projetos de "economia solidária" dentro do hospício e a tentativa de implantar Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT) igualmente entre os muros do velho  hospício. Esta última foi concebida depois que impedimos uma outra idéia contrária aos princípios éticos da reforma psiquiátrica. Refiro-me à tentativa de implantar os SRTs na periferia da cidade. A lógica que move tais iniciativas pretende suprimir os conflitos em nome da paz com o conservadorismo institucional e social vigente na província. Tudo isso em nome do amor ao próximo. Como se o enfraquecimento das paixões fosse capaz de esconder a miséria intelectual que fez morada entre os que perderam a capacidade de resistir a todas as formas de dominação e a capacidade de inventar uma sociedade autônoma produtora de uma vida mais humana. Uso este breve texto e as imagens abaixo para ilustrar a chamada do CRP-SP para o I Encontro Estadual de Centros de Convivência, a ser realizado em São Paulo, no dia 23 de setembro. Se dependesse do governo do Estado de São Paulo, São Paulo seria o túmulo da reforma psiquiátrica antimanicomial. São profissionais como os que estão envolvidos neste Encontro que nos faz crer na prática de afirmação e da resistência à dominação. 

Centro de Convivência Arthur Bispo do Rosário - Fotos: Rogelio Casado - BH, 2005

O mês é julho de 2005, mas a festa é junina

Ao centro, Miriam Abou-Yd, que ciceroneou a mim e o pessoal do Ceará

Atelier Nise da Silveria - Arte e lazer presentes no Centro de Convivência

Centro de Convivência Arthur Bispo do Rosário, longe dos muros do manicômio


I Encontro Estadual de Centros de Convivência  
"A delicada arte de produzir encontros" 


A partir de 2001, com a promulgação da Lei 10216, uma série de transformações na assistência em Saúde Mental está em curso no País. Houve uma ampliação significativa dos números de CAPS, de Residências Terapêuticas, e as formas de cuidar dos sujeitos adoecidos psiquicamente têm se transformado no cotidiano. O cuidado em liberdade, a inclusão social, a autonomia vão permeando as ações e os serviços da rede substitutiva de atenção em Saúde Mental. Os Centros de Convivência são dispositivos fundamentais integrantes dessa rede. No Estado de São Paulo temos hoje 34 Centros concentrados em quatro municípios apenas: 21 na cidade de São Paulo, 11 em Campinas, 1 em Embu das Artes e 1 em Mogi das Cruzes. 

Da riqueza dessa experiência ímpar de inclusão social por meio do encontro das diferenças, surge a necessidade de realizar um encontro para discutir e problematizar o que são os Centros de Convivência e que lugar têm de fato ocupado na rede substitutiva. De que forma contribuem para a desinstitucionalização e a desconstrução do modelo e das práticas manicomiais? Como estão constituídas as experiências de Economia Solidária nesses locais? Qual a construção possível com a rede intersetorial? 

Há muito a ser contado, mostrado, pensado, refletido... Muita delicadeza construída no cotidiano entre trabalhadores e usuários, que passa por trocas de todos os tipos, desvios singelos, sutis a tudo que estigmatiza, amordaça, paralisa, num local onde a consigna não é a doença, o que falta, mas, sim, a potência, o saudável, o criativo, o movimento, a vida..., que, apesar de tudo, ainda pode ser bonita! Práticas que respondem de maneira contra-hegemônica à patologização de toda forma de sofrimento e solidão, por meio de linhas, tecidos, miçangas, dança, teatro; medicaliza-se menos; respostas mais solidárias às mazelas da violência e do desemprego são alinhavadas em praças e bairros; as dores de corpos e almas ganham nova tradução com movimentos, cores, fitas, música, baile; temperos especiais são os ingredientes das oficinas de culinária que dão novos sabores a bolos, pastéis e a vida de todas e todos que adentram os seus espaços. 
Seja bem vindo! 

Vamos juntos refletir e celebrar a práxis antimanicomial! 

Participe!




Fonte: CRP-SP