fevereiro 17, 2007

Alice Ruiz vem ao Amazonas pelas mãos de Anibal Beça

Foto: Vilma Slomp - Alice Ruiz














Com a presença da poeta e compositora Alice Ruiz, o Conselho Municipal de Cultura, no dia 23 de fevereiro próximo, às 8:30, em solenidade especial com café da manhã, em sua sede, estará fazendo entrega do Mérito Cultural CONCULTURA ao cônsul geral do Japão Sr.Nakagawa, reforçando os laços culturais do Brasil com o Japão, no ano dos cem anos da imigração japonesa para o nosso país, e a duas personalidades artísticas no campo da música e da literatura: Roberto Sá Gomes e Luiz Franco de Sá Bacellar respectivamente.

O primeiro, ex-presidente da Ordem dos Músicos do Brasil OMB, secção do Amazonas, tem toda uma história ligada à música popular à frente do conjunto Blue Birds, que animou a Manaus das décadas de 70/80/90 e participou ativamente do movimento dos festivais de MPB.

O segundo, Luiz Bacellar, é o poeta que primeiro cantou a Manaus antiga, com seus causos e suas histórias bizarras, seus becos alegres no Romanceiro suburbano de Frauta de barro; nossas frutas exóticas nos rondeis de Sol de Feira, e foi o introdutor da arte do haicai entre nós. Primeiro num renga com Roberto Evangelista Crisântemo de cem pétalas, e mais recentemente, o magistral Satori, livro definitivo que lhe inscreve no rol dos grandes haijins (poetas que fazem haicai).

Esse evento festivo, é o marco inicial das atividades do ano de 2007 do Fundo Municipal de Cultura e de seu Conselho gestor. A inclinação, anseio das categorias artísticas que tem assento no Conselho, se volta para a formação, oferecendo oficinas principalmente nas áreas do empreendedorismo, da elaboração de projetos e incentivos fiscais.

*************

NOTA: Anibal Beça, à frente do Conselho Municipal de Cultura, faz um gol de placa ao trazer para o Amazonas a poeta Alice Ruiz. Acesse www.releituras.com/aruiz_menu.asp e saiba como Alice Ruiz tornou-se uma referência nacional entre os haijins. Posted by Picasa

fevereiro 16, 2007

Correio sentimental

Foto: Rogelio Casado, 2006


















No sentido horário: Nivaldo Lima, Paulo Ricardo e Emilion Kohn

Emilion Kohn, fotógrafo, mudou de São Paulo para o Amazonas deixando muito amigos na cidade de Campinas. Conheci-o no final dos anos 1990, numa de suas viagens para Manaus, através do meu amigo Danilo Silva Jr., engenheiro e fotógrafo. Fui seu aluno num curso de fotografia. Atualmente trabalha no jornal O Estado do Amazonas, e é professor numa universidade local.

Aqui ele aparece com o repórter Paulo Ricardo por ocasião de uma memorável entrevista, publicada neste blog, com Nivaldo Lima, um self-made man pernambucano, filiado à Associação Chico Inácio (ong em defesa dos direitos dos portadores de transtorno mental), que, atualmente, pode ser visto na mini-série "Galvez...", da Rede Globo. Nivaldo é uma história à parte.

Pois bem. Emilion faz amigos por onde passa. Vez por outra ele esquece de atualizar sua correspondência.

À maneira dos avisos do rádio amazonense para o interior: "Ô, Emilion! Alguém que muito te estima tá doidinha pra retomar o contato. Acesse o Blog do Rogelio Casado, procure no arquivo de 2006 a matéria com Nivaldo Lima; lá tem uma mensagem para ti. Tá dado o recado". Posted by Picasa

fevereiro 14, 2007

Pobres culpados

Fradim Baixim, criação do imortal Henfil













Pobres Culpados

Jair Alves – dramaturgo/SP

O que mais impressiona na recente pauta do momento, sobre a diminuição da maioridade penal, nem é mais o seu papel escapista. São verdadeiramente os jovens, menores de 18 anos, envolvidos ou não em atos criminosos, responsáveis pela violência que atinge a todos? De um lado, vemos a manifestação quase que unânime de instituições e pessoas representativas da sociedade, tais como OAB, ministra do Supremo Tribunal, presidência da República, juristas de inequívoca participação na vida nacional, todos contrários a essa solução esdrúxula e, de outro, o fomento evangélico de partidos, pessoas e veículos de comunicação numa cruzada doentia a favor da redução.

O que mais impressiona e salta aos olhos é o caráter autoritário, fascista das soluções apresentadas a essas questões. É de se perguntar porque toda vez que a humanidade revela o seu lado bestial, as soluções para tal problema quase sempre apontam para penalizar justamente de crianças, velhos, mulheres, negros, nordestinos, homossexuais, pobres ou orientais. É de se perguntar se no doloroso caso, envolvendo essa criança morta no Rio de Janeiro, a penalização não recaiu justamente sobre as crianças, não necessariamente sobre o menor que teria participado do ato criminoso. Nenhuma lei, qualquer que seja, é homologada com caráter retroativo, essa criança (sim, ela ainda é criança) não receberá o castigo se qualquer instrumento legal for criado nessa movimentação que se faz no momento. Tudo isso, é claro, pensado a partir do desejo dessa cruzada religiosa insana de punir justamente os mais indefesos.

Que sociedade humana é essa que pretendemos criar? O líder do triste episódio e os seus comparsas não se moveram motivados por nenhuma orientação humanista, muito menos em busca de uma sociedade perfeita. Agiram com o mesmo ímpeto predatório da sociedade competitiva que adora o Big Brother Brazil, e não está nem aí com a destruição da Amazônia, ou de um sonho socialista. Eles querem, na marra, o que a sociedade, tal como ai está, não lhes oferece. Como diria Datena "essa é a grande verdade". Esse caráter punitivo lembra uma cena, protagonizada por Raul Cortês, no filme 'Veredas da Salvação' (década de 60), onde o protagonista prende uma criança dizendo estar ela com o diabo no corpo, para desespero da mãe indefesa, diante de um eminente sacrifício da pobre coitada. Esta é a sociedade justa que queremos patrocinar?

Diante da guerra moral, a TV Globo que tanto dinheiro ganhou com o extraordinário ator Raul Cortes e Jorge de Andrade (autor de Vereda...) é a mesma que procura intervir como agente, nos pleitos eleitorais, e que revelou ontem (13/02/07), no seu último jornal noturno, que na cidade do Rio de Janeiro perambulam pela cidade nada menos do que 1200 menores reincidentes. Não serão essas crianças vítimas dessa sociedade, da mesma forma como o inocente João Helio, imolado há poucos dias? Ou estarão essas crianças possuídas pelo capeta, assim como a criança do filme acima citado?

A escritora Urda Alice Klueger produziu uma crônica belíssima, a respeito da morte do menino João, denominada Pintassilgos, onde compara a imagem do menino, arrastado pelas ruas da cidade maravilhosa, a um pintassilgo. Não deixa, porém, de nos remeter aos assassinatos em massa, cometidos mundo afora pelas mesmas forças que agora pedem justiça. Para os curiosos, é só acessar o link http://macunaim.sites.uol.com.br/urda.htm

Como diria Shakespeare, num de seus monumentais personagens, interpretado (porquê não?) por Raul Cortes "O RESTO É SILÊNCIO". Posted by Picasa

Clarice Beça (1919-2007)

Clarice Beça, mãe do poeta Anibal Beça


















Rogelio querido, as coisas da vida são misteriosas e inesperadas. Não são cartesianas, mas dialéticas. Ao mesmo tempo em que eu recebia o afago crítico, generoso, da querida poeta Astrid Cabral, outro afago se urdia nas sombras da manhã do dia 12 de fevereiro: o afago afiado da temida, mas esperada foice. Anunciada desde o choro primal, que anuncia a vida. Obrigado, amigo, por estampar no seu conceituado e libertário BLOG a minha, que se tornou nossa, violação de correspondência.

CICLO CÍCLICO

Anibal Beça

em memória de dona Clarice, minha mãe querida
(1919-2007)


Temor ao desconhecido
é o que no signo se crava
tremor de Lâmina Aguda
nesse anagrama, palavra
inevitável, anúncio
do fim que nunca abre a trava.
É sempre renúncia a pronúncia
que nos flagra na cilada
já esperada e tão pública,
mas, que não ouso chamar
nem seu nome pronunciar.
No entanto, estarás na esquina
solerte, foice afiada

OFERTÓRIO

tomando a lição
a voz amiga da mãe
o avô repete ao neto

panela de barro
temperado com carinho
o feijão da infância.

colher de pau
solitária na parede
onde os doces da mãe?

************

Queridíssimo amigo,

chegado o momento
de trocar astros por círios,
Nivya e eu te enviamos,
nessa hora de dor,
um afetuoso abraço,

Rogelio Casado
Posted by Picasa

fevereiro 13, 2007

Violação de correspondência

Astrid Cabral














NOTA: Anibal, meu querido poeta, não resisti e caí em tentação. Também sou chegado numa transgressão. Impossível ficar indiferente a este tão belo afago crítico da grande poeta Astrid Cabral. A esta dupla violação de correspondência peço a indulgência de ambos. Como aqueles que perdem o amigo mas não a piada, nada me deteria em prestar uma singela homenagem a dois respeitados poetas do Amazonas.

*************
VIOLAÇÃO DE CORRESPONDÊNCIA

Os comentários vindos da grande poeta Astrid Cabral, me deixaram deveras envaidecido. Daí, quero crer, ela não se importará se eu der ao conhecimento dos amigos sua bela carta. Como transgressor nato, posso até me perdoar. Jamais me arrepender dessa violação. Vamos a ela:

"Anibal, amigo querido e grande poeta:

Estou maravilhada com a leitura do teu livro. Só agora é que pude mergulhar nele. (Minha vida de aposentada nada tem de inativa. De meados de novembro a meados de janeiro fiquei por conta de Mariana e Laura. Feliz é quem tem neto por perto. Você e Eugênia estão nesse rol.)
Confesso que fiquei orgulhosa com a alta qualidade de Folhas da Selva. A Valer soube valorizar a obra-prima poética de tua lavra, produzindo um livro primoroso sob todos os aspectos. Passou a perna na Girafa, amigo. Viva para todos os detalhes, gramatura do papel, aquarelas de Gisele Alfaia (é do Amazonas?) prefácio do Zé Maria e orelhas do Tufic.
Poucos poetas como tu são capazes de dominar estéticas tão diversas. Tens mão de mestre para a riqueza barroca e a riqueza despojada, o requinte verbal do Ocidente e do Oriente.
Em Folhas da Selva, o casamento do olhar nipônico com a natureza amazônica resultou numa associação fascinante -- saboroso fruto da globalização na área da literatura. Na realidade, a atitude de reverência à natureza faz parte da cultura milenar da Ásia e nossos índios e caboclos trazem isso na índole, no sangue.
O importante é que sintetizaste tudo isso em versos publicados, porque como dizes num haicai: "As coisas não ditas/ pela escrita se perderam" e agora, esse momentos iluminadas e fugazes não vão mais se perder. Lembro aquele haicai belíssimo: "Jogando a tarrafa/ caboclo desfaz a lua -- / pesca estrelas de escamas". Amigo , nem Bashô escreveria um haicai melhor. Sabes como poucos jogar a tarrafa no mar da poesia. Deus te abençoe por tanta beleza.
A viagem por tua selva de folhas foi uma experiência de pura emoção, contemplação virtual da paisagem através das palavras, partilha no ritual de celebração da obra divina.

Abraço-te com imenso carinho. Isabela e Mariana adoraram ver os retratos da feira do Sesc, rever-te e conhecer a flor da netinha. Beijos na querida Eugênia. "

Astrid

*************

NOTA: Belíssimo afago, não? Se você está em Manaus, vá correndo à Livraria Valer e adquira esta pequena obra-prima de haicais do poeta Aníbal Beça: Folhas da Selva. Para os amazonenses que moram fora do estado, uma pequena mostra:

Arrepio de águas
na brisa da manhã -
banzeiro de rio.

Conheça os sites do sexygenário Anibal Beça, que segundo o poeta Zemaria Pinto tem uma vida integralmente dedicada à poesia. È vero! Dos sessentinha, quarenta são dedicados à poesia. Ei-los:
www.portaldaamazonia.com/anibal
http://br.geocities.com/abeca552002/CASA.html
http://www.secrel.com.br/jpoesia/abeca.html

*************

NOTA: Conheça também a qualidade da poesia desta cidadã do mundo que é a poeta Astrid Cabral. Depois de integrar o movimento cultural conhecido como Clube da Madrugada na cidade de Manaus, onde nasceu, morou em Beirute, Chicago e Brasília. Atualmente reside no Rio de Janeiro.

Para os manauras recomendo a leitura de Elegia derramada. É pra ler e chorar... chorar de raiva contra a resignação e a estupidez humana - juntas, elas contribuiram para a destruição de parte do patrimônio arquitetônico e cultural da cidade de Manaus:
http://www.blocosonline.com.br/editora_blocos/2006/sacpoevidig/02memorias/antologiavirtual/acabral01.php

Viúva do poeta Afonso Félix de Sousa, Astrid Cabral é mãe de cinco filhos. Publicou, entre outros, os livros: Alameda (contos), 1963, 2 ed., 1998; Ponto de cruz (poesia), 1979; Toma-viagem (poesia), 1981; Lição de Alíce(poesia), 1986; Visgo da terra (poesia), 1986; Rês desgarrada (poesia), 1994; De déu em déu (poesia) [reunião de 5 livros], 1998; Intramuros, 1998; Rasos d´água, 2003. Prêmio Olavo Bilac, de Poesia, da Academia Brasileira de Letras, e vários prêmios da UBE- RJ. Membro do PEN Clube do Brasil. Leia a página de Astrid Cabral no sítio do Jornal de Poesia:
http://www.revista.agulha.nom.br/astridcabral.html Posted by Picasa

Salvador, capital da diáspora africana

Projeto Salvador Negroamor - a face africana de Salvador-BA
















NOTA: Sérgio Guerra, pernambucano de nascimento, baiano e angolano por adoção, é o autor do projeto Salvador Negroamor, uma megaexposição fotográfica, com 1.501 painéis espalhados pela cidade de Salvador-BA, que está dando o que falar dentro de fora do país. Leia matéria de Carlos Galilea - Projeto contra o racismo inunda Salvador com painéis fotográficos - publicado no El País (Espanha) http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2007/02/13/ult581u1993.jhtm.

Leia abaixo o release sobre a maior exposição a céu aberto produzida no mundo (Eita-pau!), que se encerra no próximo dia 16 de fevereiro, produzido pela Assessoria de Comunicação da ONG Salvador Negroamor.

Para conhecer mais sobre a ONG Salvador Negroamor, acesse
http://www.salvadornegroamor.org.br/ ou faça uma visita à sua sede: SALVADOR NEGROAMOR - Rua Dr. José Peroba, 275, Edf. Metrópolis Empresarial, sala 1105 - Stiep CEP 41770-235 - Salvador-BA Tel.: +55 71 3341 9339 Fax.: +55 71 3341 3641 - sna@salvadornegroamor.org
*************

Salvador abriga megaexposição fotográfica

Mostra ‘Salvador Negroamor’ lidera movimento que pretende
legitimar a cidade como capital mundial da diáspora africana


Em 2007, Salvador ganhará projeção internacional por abrigar a maior exposição fotográfica a céu aberto do mundo, com 1.501 painéis do fotógrafo Sérgio Guerra espalhados por ruas, avenidas, monumentos e praças da cidade. Trata-se do projeto Salvador Negroamor, que será lançado, no dia 8 de janeiro, no Museu de Arte Moderna da Bahia – MAM-BA, no Solar do Unhão. O objetivo é iniciar um grande movimento de valorização da identidade afro-descendente em Salvador, com desdobramentos sociais, culturais e econômicos positivos.

O projeto une arte, cultura e cidadania, através de diversas atividades interligadas, como a exposição, um CD de músicas, um livro de fotografias e um Portal na Internet, da ONG Salvador Negroamor. A idéia surgiu depois do sucesso da mostra Lá e Cá, que, há um ano, transformou a Feira de São Joaquim em uma verdadeira galeria a céu aberto com uma mostra de mais de 400 fotos feitas no local e no Mercado de São Paulo, em Luanda. Desta forma, Guerra resolveu dar continuidade às ações que revelam os laços culturais entre Brasil e Angola, onde também é responsável, desde 1997, pelo programa de comunicação do governo.

O trabalho teve início, em abril, com cerca de 200 reuniões com sindicatos de classe e patronais, entidades do movimento negro, empresas, órgãos do governo, polícia militar, associação de moradores, entre outros segmentos da sociedade civil organizada, em busca de diálogo e mobilização. Durante 2006, Guerra visitou ainda vários bairros populares, onde registrou em imagens fotográficas toda a rica identidade da cidade. O resultado foi um acervo de mais de 16 mil fotos de pessoas anônimas, além de lideranças religiosas e mestres da cultura popular. “Com meu trabalho quero dar protagonismo a essas pessoas que a sociedade não quer enxergar”, diz o fotógrafo.

Já a curadoria ficou por conta do artista plástico e presidente do Cortejo Afro, Alberto Pitta, que durante dois meses selecionou imagens que tivessem a ver com cada área dentro dos seis eixos estabelecidos pelo projeto, contemplando do subúrbio à orla marítima. Os eixos foram divididos em Turístico, Praias, Bairros e Espaços Populares, Grandes Avenidas, Subúrbio e Lá e Cá, em referência à exposição do verão passado na Feira de São Joaquim. De acordo com Pitta, a idéia é estimular o senso estético e proporcionar o deleite às pessoas que não têm a oportunidade de ir a galerias de arte.

“Para os bairros nobres, escolhemos fotos de moradores de áreas populares em suas janelas, passando a mensagem de que a felicidade está em qualquer lugar, tanto nas mansões como em casas simples da periferia”, explica o curador. Já as estações de transbordo serão ilustradas com imagens de crianças, a fim de dar mais suavidade e conforto ao vaivém diário dos moradores do subúrbio. Outro trecho ressaltado por Pitta são os bambuzais do aeroporto, que retratam todo o sincretismo religioso da maior capital negra fora da África, através, principalmente, de fotos relacionadas ao candomblé.

Ao todo, serão mais de 9.073 m² de arte em painéis distribuídos pela cidade até o dia 16 de fevereiro. Os suportes e formatos serão variados, abrangendo desde outdoor, frontlight e backlight até muros, praças, fachadas de shoppings e casas. Realizado pela Maianga Produções Culturais, o projeto conta com o patrocínio da Petrobras, pela Lei Rouanet, e apoio da Prefeitura de Salvador, Governo da Bahia, Rede Bahia, Coelba, Shopping Iguatemi, Shopping Barra, Lojas Insinuante, Wal Mart/Bompreço, Concessionária Litoral Norte (CLN) e Uranus2.

Cidadania

Além da megaexposição fotográfica, o Salvador Negroamor compreende diversas ações alinhadas com o conteúdo do Manifesto sobre democracia e valorização da identidade e representatividade do povo negro, lançado na abertura da mostra Lá e Cá. A meta é que o movimento culmine na criação de um fórum mundial africanista permanente com sede em Salvador, a partir de 2009.

O projeto Salvador Negroamor consolida-se em uma organização não governamental de mesmo nome que, na ocasião do lançamento da exposição fotográfica, apresenta à população o seu Portal de serviços na Internet, disponibilizando um banco de currículos de profissionais afrodescendentes, informações sobre países africanos e artigos diversos.

Outro produto importante do movimento é o CD com compilação de músicas que versam sobre o tema da cultura afrodescendente, como Massemba, Brilho e Beleza, Alegria da Cidade e Zumbi, além da inédita Salvador Negroamor, uma parceria entre Sérgio Guerra e Péri. O álbum conta com adesão de compositores e intérpretes como Virgínia Rodrigues, Lazzo Matumbi, Margareth Menezes, Arnaldo Antunes, Mateus Aleluia e Jauperi, entre outros. O produto será vendido nas principais lojas especializadas e sua renda, bem como a do livro de fotografias, será revertida para a ONG Salvador Negroamor.

Informações para a imprensa:
Santa Clara Comunicação
Mônica Lima & Diana Caires
(71) 3264-1481/9984-4991/8868-5005
monica.lima@santaclaracom.com.br
diana.caires@santaclaracom.com.br

Textos e Idéias
Antônio Mafra – antoniomafra@textoseideias.com.br / (11) 3097-0030
Gleise Santa Clara - gleisesc@terra.com.br / (11) 8171-5349 Posted by Picasa

fevereiro 10, 2007

Galvez, a gente se vê por aí!
























Cartaz de Elifas Andreato para a montagem de "Qualé, meu?" (1980)

GALVEZ, A GENTE SE VÊ POR AÍ!

Por Jair Alves - dramaturgo/SP

CURIOSA, se não fosse preocupante a decisão de a TV Globo adquirir os direitos do romance histórico 'Galvez, o Imperador do Acre', do escritor Marcio Souza. A emissora, no entanto, optou por um escritor menor, e por uma adaptadora ainda menor. Essa escolha resultou, como todos sabem, na minissérie Amazônia, em exibição nos dias de hoje. Começamos a entender o caso com a constatação de que tudo o que não interessa a Globo é que o conteúdo de Galvez, Imperador do Acre, venha a ser conhecido. Mas não é só isso.

PARA QUEM TEVE PACIÊNCIA de acompanhar par e passo os capítulos da minissérie percebeu que a ficção de Glória Perez acaba tendo mais destaque do que a história que, no subtítulo da obra, a TV Globo promete contar. O título Amazônia - de Galvez a Chico Mendes não corresponde à verdade histórica, nem de longe. Está mais próximo de "de Galvez a Chico Mendes, segundo a piração de Gloria Perez". Abundam absurdos lingüísticos, onde a aristocracia metida à besta usa expressões, na segunda pessoa do singular, tais como "tu queres o meu amor" com "deixa comigo", na boca dos filhos abastados dos coronéis. Mas isso não é tudo - TEM MAIS.

EM UMA CENA DO CAPÍTULO do dia 08 de fevereiro, a certa altura, os coronéis da borracha, preocupados com o andamento da "revolução" e da tramóia, envolvendo o governo federal e a Bolívia, um deles diz mais ou menos o seguinte "a exportação da borracha vai ser muito mais importante para todos nós, principalmente com a indústria automobilística". SANTO DEUS!!!! Como é sabido, basta ler em qualquer livro de história que o presidente Campos Salles e o presidente do Estado Silvério Nery governaram o Brasil e o Amazonas, respectivamente, de 1899 a 1903. Ambos são citados várias vezes nas conversas, inclusive com inserção direta da história contada pela Globo. Ora, apesar de Henry Ford ter se interessado pelo motor a explosão, desde o final do século XIX, somente em 16 de junho de 1903, foi criada a Ford Motor Company que passou a produzir em série, conhecido como taylorismo. Como o insignificante personagem da minissérie veio a conhecer tão importante notícia que iria provocar tamanho aumento nas exportações de látex? PELA INTERNET?

MAS A TV GLOBO, como diria Latino "não estou nem aí". Eles perdem a vergonha, mas não a piada. Se colarmos essa gafe aos resultados do conhecimento dos alunos de primeiro e segundo graus SAEB (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica), amplamente divulgados no mesmo dia em que o capítulo foi ao ar, a situação não nos parece assim tão engraçada, e sim trágica. E vejam vocês que a TV Globo, através de um de seus programas, pretende alfabetizar o Brasil, com ensino a distância pela TV Futura. MAS TEM MAIS AINDA.

DESDE OS GREGOS, o protagonista geralmente é o personagem mais destacado da trama. Os demais, muitas vezes pelas circunstâncias, acabam tendo grande importância, porém a fabula contada sempre tem como enfoque o destino do personagem central. A saber: Édipo; Medeia; Antígone; Gimba (Guarnieri); Papa Higuirte (Vianinha), e outros mais modernos. Na minissérie, curiosamente, o coronel Firmino (José de Abreu) tem mais inserções do que o papel-título, o de Galvez (José Wilker). A ficção, ou piração de Gloria Perez é mais importante do que a história de Galvez, que na obra é tratado como se fosse um inveterado mulherengo, sem vergonha alguma, ao passo que o coronel Firmino, apesar de ter um filho fora do casamento, não permite que sua cunhada e mulher dêem um passo em falso, do contrário ambas vão terminar seus dias num convento, enclausuradas. O que interessa para Globo, o que nos parece ser, é o show, o que pode servir como elemento de indução ao momento presente, não importando se isso tem a ver com a verdade histórica ou não. Esse mote, aliás, foi uma escolha desde a muito. Em outras minisséries, que esse humilde escriba não teve paciência para ver e apreciar, o mesmo crime contra a educação nacional também se manifestou. O que é mais do que evidente é que isso serve para os interesses da Globo, não é necessariamente o que a maioria da população quer e precisa conhecer. O compromisso com a informação, o jornalismo sério, deu lugar ao projeto político imediato, e este é inquestionável, vide as últimas trapalhadas em que a emissora se meteu. Com essa amostragem dá pra prever os problemas que vamos ter, quando chegarmos aos tempos de Chico Mendes. Tremo nas calças, mas com muitos personagens ainda estão vivos para contestar os descalabros, morro de expectativa...
Mas a realidade, essa sim, é dinâmica e apresenta contradições deliciosas. No caso, duas envolvendo o ator José de Abreu.

NA REALIDADE: Pouca gente sabe que o ator Jose de Abreu é oriundo do movimento estudantil de 68, foi segurança, naquela oportunidade, do nada menos ex-ministro José Dirceu. A história registra uma foto, na primeira página de o Estadão: José de Abreu de joelhos, sendo preso pelos agentes do DOPS. Também naquela época, José de Abreu figurava entre os atores do espetáculo O&A do TUCA, conhecido grupo, pensado e dirigido pelos então estudantes revolucionários da AP; hoje, na sua maioria, adeptos do PSDB. José de Abreu militava na Dissidência (mesma corrente de Dirceu e Vladimir Palmeira). No período de abertura trabalhamos com José de Abreu, na montagem QUALÉ MEU (1980) que pretendia contribuir historicamente para esclarecer os acontecimentos trágicos dos governos militares. Originalmente, seria uma adaptação do livro O que é Isso companheiro, mas o seu autor resolveu cair fora e vender os direitos para o cinema. Deu no que deu. Sem comentários. Escrevemos a quatro mãos nossas memórias e de amigos e companheiros do passado ainda recente. Da montagem também participou Ecila Pedroso, apenas como atriz, hoje novelista da Globo. BONS TEMPOS AQUELES. O artista gráfico Elifas Andreato imortalizou essa montagem em mais um cartaz, anexado a este texto.

NA FICÇÃO: Nos capítulos anteriores o personagem Firmino, interpretado por José de Abreu, numa conversa com um dos filhos tenta convencê-lo (numa boa) voltar a estudar em Paris. O filho argumenta que prefere o seringal, onde se dá bem, e que "afinal vou tomar conta mesmo". Firmino retruca, dizendo que é importante o estudo porque se ele, Firmino, tivesse estudado teria ido mais longe. O filho, então, contesta novamente "se a escola é tão importante, pai, porque o senhor não deixa criar uma aqui?" Ele arremata, "escola para seringueiro é problema a vista. Vai ficar assim mesmo, e ponto final. Você vai para Paris querendo ou não".

ESSA INSERÇÃO CÊNICA que a princípio poderia ser considerada semente de insatisfação, uma contribuição ao mundo civilizado, se perde nas inúmeras contradições da minissérie que reforça o conformismo e aceitação de uma produção mentirosa. Mesmo com exemplos de belas interpretações, a começar do próprio José de Abreu, a minissérie despreza a cultura, as artes, a história e a inteligência. Posted by Picasa

fevereiro 08, 2007

X Congresso Brasileiro de Terapia Ocupacional






A Associação dos Terapeutas Ocupacionais de Goiás (ATO GO), fundada no ano de 2000, realizará na cidade de Goiânia, o X Congresso Brasileiro de Terapia Ocupacional (XCBTO)

Período: 15 a 18 de maio de 2007.

Tema central: CONTEXTOS, TERRITÓRIOS E DIVERSIDADES.

Objetivo: apresentar e discutir as diversidades da Terapia Ocupacional na perspectiva de refletir e compreender os “territórios” produzidos pelos Terapeutas Ocupacionais nas diferentes regiões brasileiras de acordo com os contextos históricos, políticos, econômicos e culturais.

Público alvo: profissionais, estudantes e entidades.

Desejo: Para que este evento seja um marco na história da Terapia Ocupacional, a presidente do X Congresso Brasileiro de Terapia Ocupacional, Marta Maria Neto Silva, está solicitando que sejam propostos trabalhos, cursos e outras atividades que sejam pertinentes ao Congresso.

Programação: Comissão Organizadora e as subcomissões trabalham incansavelmente para que todos possam aproveitar não só a programação científica do congresso, como também toda a programação cultural e social da cidade de Goiânia.

Compromisso: Todos serão recebidos de braços abertos.

Saiba mais. Acesse http://www.xcbto2007.com.br/default2.aspx
Posted by Picasa

fevereiro 07, 2007

Nota de apoio a Gilson Cantarino

Gilson Cantarino O'Dwyer














NOTA DE APOIO

Ex-Secretário de Saúde do estado do Rio de Janeiro, Gilson Cantarino O'Dwyer é um desses homens públicos que ao longo da sua trajetória profissional angariou respeito em todo o país na luta pela construção do SUS - Sistema Único de Saúde.

Matéria veiculada no Fantástico/Rede Globo, do dia 04.02.2007 - no que pese a divulgação da nota divulgada por Gilson - passou uma imagem que indignou todos que conhecem o seu perfil.

O que surpreende na matéria sobre indícios de contrato superfaturado de manutenção de ambulâncias do SAMU é que foi considerado secundário o fato de que o contrato fôra suspenso e aberto sindicância para apurar irregularidades, ainda na administração de Gilson Cantarino. Desconsiderar esse fato e induzir o público a crer que está diante de mais uma das improbidades administrativas corriqueiras neste país da impunidade é enxovalhar a honra de um respeitado profissinal da saúde pública.

Como profissional de sáude, estou entre os que se indignaram com o tratamento dado a Gilson Cantarino, cuja contribuição ao SUS, a exemplo da criação do Modelo Médico de Família no município de Niterói-RJ, é motivo de orgulho de quantos trabalham pela consolidação do sistema público de saúde do nosso país.

NOTA DE GILSON CANTARINO

Adoentado, o ex-secretário estadual de Saúde, Gilson Cantarino O'Dwyer, não pode comparecer ao compromisso marcado com a reportagem do Fantástico, na sexta-feira (2/2), na TV Globo. A seu pedido, foi divulgado uma nota sobre "o caso do superfaturamento no conserto das ambulâncias do SAMU" que serve aos cidadãos do Rio de Janeiro. Ei-la, na íntegra:

"Várias das ambulâncias recebidas pelo Estado para o SAMU apresentavam problemas que prejudicavam o atendimento à população, fato amplamente noticiado.

"A área técnica responsável apresentou proposta de valor estimativo do conserto por mim autorizado. Mas, tendo em vista, a opinião da área financeira de que isto pudesse estar acima do mercado, adotei as seguintes medidas administrativas corretas:

1) sustei o pagamento;
2) suspendi os efeitos do contrato; e
3) abri sindicância para apurar os custos e as responsabilidades pelo estado das ambulâncias.

"Logo, não houve utilização dos recursos públicos e a sindicância apontará o melhor entendimento dos fatos."

Gilson Cantarino O'Dwyer

CONHEÇA MAIS QUEM É GILSON CANTARINO

(Currículo publicado pela Academia Fluminense de Medicina)

Nasceu em Niterói e formou-se médico pela Universidade Federal Fluminense, na turma de 1975. Pós-graduou-se em Psiquiatria Geral e em Psiquiatria Infantil pelo Instituto de Psiquiatria, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Médico concursado do Ministério da Saúde e da Fundação Municipal de Saúde de Niterói, assumiu em 1984 a Secretaria Executiva do Projeto Niterói, pioneiro nas Ações Integradas de Saúde e responsável pela formulação de um novo modelo de assistência à saúde da população. Reconduzido ao mesmo cargo em 1986, foi posteriormente convidado a assumir a Secretaria Municipal de Saúde de Niterói, em 1989, onde permaneceu continuamente por 10 anos, sendo pioneiro na implantação no Brasil do Modelo Médico de Família. Em 1999 assumiu o cargo de Secretário de Estado de Saúde do Rio de Janeiro onde permaneceu até 05/04/2002, assumindo em seguida a função de Assessor Técnico do Conselho Nacional de Secretários de Saúde – CONASS. Presidiu os Conselhos Estadual e Municipal de Secretários Municipais de Saúde, em ambos reeleitos, nos períodos de 1991 a 1995 e de 1995 a 31/12/1998. É Conselheiro do Conselho Nacional de Saúde desde 1994 até a presente data. Recebeu também diversas Comendas, destacando-se a do Mérito Médico da República Federativa do Brasil, a mais alta condecoração da saúde no País. É também Acadêmico Honorário da Academia Fluminense de Medicina, tendo diversos de seus artigos e trabalhos publicados em literatura especializada.
Posted by Picasa

fevereiro 06, 2007

Quem é Clarice Casado?

Clarice Casado














Errou quem atribuiu algum parentesco com este blogueiro. Clarice é casada com um Casado do sul Brasil, onde se radicaram muitos Casados. Primo Casado Valler, meu bisavô, pai de minha avó paterna, veio de Valladolid-Espanha e radicou-se em Iquitos, no Peru, de onde é nativa vovó Maria Casado Ramirez. Mas essa é outra história.

Conheci Clarice através de um dos seus textos, quando ela ainda colaborava no espaço de Crônicas da CartaMaior. Juan de Castro Valente Casado, meu filhote com Nivya de Castro Valente, ainda não havia nascido quando ela publicou A experiência do feijão (um ensaio sobre os sonhos), embora no PáginaDois conste a data de 14.03.2006 (Juan fazia nesse dia 1 ano e 1 mês de vida) - suponho ser a data publicada naquela Página, ou estarei sonhando?

O fato é que na noite anterior à leitura do texto de Clarice havia sonhado com um pé de feijão. Plantado num pequeno recipiente onde seria o futuro quarto de Juan, o pé de feijão tomava conta de todo o espaço e se projetava para fora do apartamento onde moramos. Nivya ficou tão impressionada com a coincidência, quando pela manhã abri a página e me deparei com o texto de Clarice, primeiro porque era data do meu aniversário, e segundo porque ela havia comprado um relógio para me presentar. Acontece que o relógio estava emoldurado no centro de vários compartimentos, cada um com uma espécie de feijão, brancos, pardos, rajados, vermelhos, pretos, muitos feijões. Tanta coincidência nos pareceu um bom presságio. Em fevereiro viajamos para Salvador-BA, onde, curiosamente, novos sinais surgiram no dia de Iemanjá, 2 de fevereiro. Mas essa, também, é outra história.

Evidentemente, escrevi para Clarice, trocamos alguns e-mails, o mundo girou, e eis, que ela resolveu fazer carreira-solo. Na verdade, Clarice passou a dividir com Cassiano Rodka um sítio denominado PáginaDois. Atualmente, são inúmeros os colaboradores deste sítio.

Conheça Clarice Casado por ela mesma. Acesse http://www.paginadois.com.br/Escritores_Clarice.html
Posted by Picasa

Dica de Leitura















Um peixe chamado Tovi, de Clarice Casado

NOTA:
Com tantas perdas sofridas entre 2006 e início de 2007 - entre amigos e parentes -, o que me fez brecar grande parte das minhas atividades, acabei por reduzir o volume de informações neste blog. Nessa onda deixei de divulgar o PáginaDois de Clarice Casado e Cassiano Rodka. Com muito atraso, senhoras e senhores, apresento-lhes... tchan!... tchan!... tchan!... tchan!!!... PÁGINADOIS, minha dica de leitura. Para Clarice, um grande abraço.

*************


Nada de férias para os escritores do PáginaDois!

Nas últimas semanas, o site ganhou vários novos textos!
Confiram!

Clarice Casado conta a história do "Zé do Sinal"; Giulina Giavarina assusta alguns vampiros com "We are smoke (ou argumento para um filme de terror)"; Marcella Marx despeja o poema "Sob o efeito da água"; e Cassiano Rodka aponta para as "Estrelinhas".

Na seção de música, Cassiano Rodka fala sobre a passagem de "Um norueguês em Porto Alegre"; e Elaine Santos (a Lalai) estréia na seção com o texto "Da fita cassete para o playlist". Na seção de cinema, Moisés Westphalen fala sobre o filme Babel através de um "Conto de verão".

Nessa semana, teremos o texto "Um peixe chamado Tovi" de Clarice Casado na segunda, João Perassolo falando sobre as noites de São Paulo e Porto Alegre na terça, um texto literário de Bianca Rosolem na quarta, a estréia de Fabiano Liporoni na seção de cinema na quinta, e um texto de Cassiano Rodka na sexta.

Todos os dias tem novidade no PáginaDois!
http://www.paginadois.com.br

Abraços,
Cassiano Rodka e Clarice Casado
Posted by Picasa

fevereiro 05, 2007

Um artigo que é "um lixo só"



















O pássaro da reforma e sua luta contra a psiquiatria carcerária
(o gato manhoso da contra-reforma enjaula-se a si próprio)

NOTA: O artigo abaixo é uma dessas pérolas da contra-reforma psiquiátrica, aqui encarnada pelo proprietário de um desses hospitais psiquiátricos falidos, da cidade de Recife, que insiste em continuar num guarda-chuva aberto pelo Ministério da Saúde nos anos de chumbo (anos 1970), numa das maiores privatizações da história da psiquiatria brasileira. Movido pelo espírito democrático do dabate, embora reconheça o que é voz corrente entre os companheiros da Reforma Psiquiátrica - a de que o artigo em tela é um lixo só, que sequer representa a psiquiatria contemporânea, mas, mal e porcamente, a psiquiatria do final do século XIX, início do século XX - publico-o à guisa de advertência didática para as novas gerações psi que me dão a honra da leitura deste blog. É isso aí!

OPINIÃO - ARTIGO
Folha de Pernambuco

Psiquiatria atualizada

Quarta-feira, 31 de janeiro de 2007
* Ulysses Pernambucano de Mello

Nos dias correntes já nenhum psiquiatra desconhece serem doenças psíquicas (quase todas) distúrbios neurodegenerativos do cérebro e que há que apressar o tratamento. Tardar pode significar cronificar o transtorno e agravar o prognóstico da doença. Além de permitir crescer o número de recidivas. Traduzindo-se tudo em futuros déficits cognitivos.

Tratar inclui medicações de última geração; modernas técnicas psicoterápicas; combinações sofisticadas das substâncias citadas acima; eletroconvulsoterapia, já que as causas das doenças mentais ( fisiopatologia ) são fenômenos muito mais complexos do que se imaginava. E ainda há muito por desvendar. Pertencer a uma religião e o efeito positivo das preces, novo horizonte a ser conhecido. A interface da religião com a ciência.

Há distúrbios cujas causas remontam às fases precoces da gravidez e cujos primeiros sintomas, no filho, só virão a aparecer entre os 15 e 30 anos ou mais de idade, aproximadamente. Poucos sabem disso. É necessário divulgar. Cabendo à Coordenação de Saúde Mental do Ministério da Saúde iniciar campanhas preventivas através dos meios de comunicação - jornais, televisões, rádios e outros -, imediatamente, para por em prática a prevenção primária desses males. Associando-se ao que há de mais moderno na ciência médica. Sem deixar de fora o combate ao uso de drogas ilícitas, todas. Sabe-se, hoje, que, por exemplo, o uso de maconha por jovens de 12 a 15 anos, cobra um preço alto em futuras depressões. Esquizofrenias.

Não se pode mais aceitar que a eletroconvulsoterapia continue banida oficialmente do arsenal terapêutico do psiquiatra brasileiro. Um atraso a ser corrigido. Na prevenção secundária - intervenção médica sobre transtorno já instalado - é tão importante quanto um desfibrilador para cardiologistas.

Melhorar as condições de hotelaria e de terapêutica dos hospitais psiquiátricos conveniados com o SUS, investir financeiramente neles, modernizá-los. Permitir-lhes utilizar medicação de última geração, o que hoje nem se cogita. Esquecer aracaísmos como o movimento da luta anti-manicomial, coisa baseada em equívocos sócio- psiquiátricos dos anos oitenta do século passado. Enterrar o fantasma antigo da "desospitalização" que só trouxe atraso a nossa especialidade. Em muitas ações desenvolvidas pelo SUS ainda se "sente" a inspiração nessas velhas idéias.

Aos profissionais de psiquiatria, um mergulho imediato e profundo na moderna neuropsicofarmacologia e tantos aspectos mais. Não desdenhar da importância do trabalho próximo de psicólogos. Têm sido forte referência de nossas ações. Afinal, não é por outra razão que nos cursos de psicologia a neuropsicologia tornou-se a especialização mais procurada. Segundo o mestre Douglas Sucar, em simpósio promovido pelo Cognitium em novembro último no Recife pelo professor Everton Botelho, "psiquiatras e psiquiatria serão em breve os especialistas e a especialidade mais importantes da medicina".

Incluir nos programas de tratamento psiquiátrico a população de doentes mentais habitantes das ruas, algo tido como "folclórico" e aceito complacentemente até há pouco. Levantamento em cidade de grande porte levado a cabo por alunos de universidade importante encontrou um número expressivo de esquizofrênicos, alcoolistas crônicos, usuários de drogas, psicopatas em geral e portadores de diversas outras patologias largados nas ruas. Indaga-se: não constituiria omissão de socorro e infração ética um cardiologista passar ao largo de alguém infartando em plena rua? Qual a diferença de um doente do coração para um do cérebro? A infração não seria a mesma? Há muito doente mental nas ruas e psiquiatras passam e apenas os identificam, nenhum pára e os encaminha a tratamento. Quem atende à demanda dessa gente? E o que ela faz nas ruas sem atenção que lhes previna da cronificação?

O mesmo levantamento vale para encarcerados. Em meio à população prisional há muito doente mental desdenhado, com suas patologias se agravando, quadros clínicos fazendo-se crônicos e o índice de recidivas aumentado por ausência de cuidados médicos. Precisamos somar forças com os órgãos governamentais, Coordenação de Saúde Mental do Ministério da Saúde, prefeituras em gestão plena e superar essas dificuldades. Ao lado do Conselho Federal de Medicina e regionais, Associação Brasileira de Psiquiatria e regionais, afinal doença mental é matéria a ser tratada por médicos psiquiatras. Não podemos deixar nosso doente ao relento nas ruas, encarcerado ou em suas próprias casas mantidos por familiares mal intencionados ou desinformados.

* Psiquiatra. Posted by Picasa

Pelotas: CAPS em apuros

Pelotas - RGS













Matéria veiculada dia 01/02/2007, no Diário Popular, disponível no link http://www.diariopopular.com.br/

Cidade: Faltam refeições e medicamentos nos Caps

Taís Brem

O s usuários intensivos que participam dos grupos dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) em Pelotas não têm recebido almoço nos últimos meses. A informação foi confirmada em cinco das sete unidades existentes na cidade. Nas outras duas - Caps Baronesa e Porto - as refeições ao meio-dia não costumam ser oferecidas.

A modalidade de atendimento intensiva dos Caps trata dos pacientes extremamente comprometidos, que em geral vêm de internação psiquiátrica. Como precisam ser acompanhados diariamente e devem freqüentar o centro nos dois turnos, a maioria destes usuários necessita almoçar no local. "Um prato de comida faz uma falta enorme, principalmente para eles. A maioria das pessoas que atendemos é de muito pobres mesmo", afirmou um funcionário da unidade Zona Norte, onde cerca de 20 pacientes estão sendo prejudicados.

Segundo funcionários dos centros, apesar das reivindicações para a Secretaria Municipal de Saúde(SMS), o quadro não tem apresentado evolução. "Sempre que reclamamos nas reuniões, a desculpa é a mesma. Dizem que estão em processo de licitação, mas o que parece é que estão empurrando com a barriga", disse um atendente do Caps Escola.

Ao centro do Fragata, a justificativa apresentada pelo poder público remete à falta de pessoal para preparar as refeições. "O problema é que há uma lacuna que deveria ter sido preenchida e não foi. Nossa merendeira da manhã está de férias e não mandaram ninguém para substituí-la. Não tem quem faça o almoço, por isso eles aproveitam e já nem mandam a comida", explicou um funcionário do local.
Além de não receber alimentos regularmente, o atendimento aos pacientes do Caps Castelo fica freqüentemente comprometido por outras implicações, como a falta de medicamentos. "Agora não temos conseguido servir nem almoço nem café, porque os gêneros não têm chegado. Este é um problema que ocorre seguido. Melhora um mês, dois e piora novamente. Não nos dizem nem quando vão poder regularizar asituação", disse o coordenador Nílson Antunes, ao comentar que desde o início de 2005 não foram tomadas providências.

Os Caps realizam oficinas terapêuticas, atendimento em grupo ou individual e visita domiciliar em prol da reinserção social de usuários que sofrem de transtornos mentais severos e persistentes.

Contraponto

De acordo com a SMS, a falha é uma conseqüência da burocracia em torno dos trâmites de licitação. "Estamos em dificuldade administrativa para as estratégias que envolvem o Caps. Todavia, estamos fazendo o possível para que o acesso aos usuários não seja interrompido", explicou o titular da pasta, Francisco Izaías, ao afirmar que, no período de falta de almoço, todas as unidades receberam alimentos para o fornecimento de lanches.

Para Izaías, apesar da gravidade do problema, a questão não deve ser considerada um resumo do estado dos Caps no município. "Talvez Pelotas tenha a maior estrutura na área de saúde mental pública do Rio Grande do Sul. Enquanto Porto Alegre possui apenas três unidades, nós temos sete. Não se pode inviabilizar todo o esforço que temos feito por este setor em função de algo que está desvinculado da realidade", opinou.

Na busca de soluções urgentes para o caso

De acordo com o secretário, a expectativa é que a situação seja resolvida na primeira quinzena deste mês. As carnes e leites serão comprados de forma emergencial, uma vez que os dois pregões referentes a estes produtos foram frustrados. Já para os gêneros não-perecíveis, o custo foi considerado acima do disponível pelos cofres públicos. Assim, o setor deve avaliar de que maneira pode efetuar a compra sem afetar a verba disponível.

Os empenhos da licitação dos pães e bolos são os únicos que já figuram em etapa final. Por causa disso, estes alimentos devem ser entregues nos próximos dias. Existe também uma tomada de preços na Procuradoria, aguardando apenas a análise final e a homologação do prefeito para ser liberada. Posted by Picasa

Neila Falcone faz recomendações para ampliar vagas e programas de Residência Médica

Foto: Rogelio Casado - Profa. Neila Falcone
























ALGUMAS CONCLUSÕES SOBRE A MEDICINA NO BRASIL E UM BREVE PANORAMA DA MEDICINA NO INTERIOR DO AMAZONAS, SEGUNDO NEILA FALCONE

A professora Neila Falcone, que é também integrante da Comissão Estadual de Residência Médica (CERMAM), conclui sua discrição sobre as vagas para graduação em Medicina no Brasil, faz duas recomendações para ampliação de vagas e programas de Residência Médica, põe em discussão uma proposta polêmica e comunica a alteração do artigo referente ao novo valor do pagamento de bolsa da Lei 6.932/81.

*************

F. Conclusões:

1) Nordeste – única região do país em que há carência relativa de vagas para graduação em Medicina;

2) Iniciativa privada investe na abertura de cursos de graduação, mas não na especialização (que é financiada essencialmente com recursos públicos);

3) Oferta atual de oportunidades de especialização não está orientada pelo perfil epidemiológico, nem pelas políticas de organização da atenção à saúde;

4) 360 instituições oferecem 2600 PRM em 53 especialidades perfazendo um total de aproximadamente 22 mil vagas;

5) Distribuição em percentuais:

Região Norte – 3,9%
Região Centro-Oeste – 8,8%
Região Nordestes – 18,5%
Região Sul – 18%
Região Sudeste – 50,8%

A Região Norte detém o menor percentual de vagas.

G. Cenário – Região Norte – AMAZONAS:

Atenção à Saúde no Interior do Estado (colaborou a Dra. Heliana Feijó, Secretária Adjunta de Saúde do Interior)

1. Estrutura física: 22 hospitais equipados de 2003 a 2006. Cinco em condições de funcionar a partir de junho de 2007 e outros seis necessitando reformas e pequenas adequações. Situação de funcionamento de regular a boa.

2. Equipamento: laboratório de análises clínicas, raios-X, ultra-sonografia, incubadoras, carros de anestesia, desfibriladores com oxímetro de pulso e monitor cardíaco, eletrocardiógrafos, berços aquecidos, dentre outros.

3. Medicamentos e produtos da saúde: abastecimento regular a partir de final de 2003, com sensível melhora a partir do 4º. trimestre de 2005.

4. Profissionais de saúde: nosso maior desafio.

A. Deficiência crônica de profissionais de saúde, principalmente médicos no interior do Amazonas e Amazônia brasileira, promovendo o exercício de profissionais estrangeiros de forma irregular, considerando a legislação pertinente.

B. Dependência das prefeituras para pagamento de contra-partida ou incentivo financeiro, o que provoca um verdadeiro “leilão” e/ou alta rotatividade de profissionais nos municípios. Essa situação deixa os municípios com menores recursos para o pagamento sem a oportunidade de atrair ou fixar esses profissionais.

H. Médicos por município amazonense:

1. Parintins – 21 – 7,6%
2. Itacoatiara – 20 – 7,2%
3. Manacapuru – 17 – 6,2%
4. Iranduba – 13 – 4,7%
5. Presidente Figueiredo – 13 – 4,7%
6. Fonte Boa – 11 – 4%
7. Boca do Acre – 10 – 3,6%
8. Coari – 10 – 3,6%
9. Tefé – 9 – 3,3%
10. Humaitá – 9 – 3,3%
11. Rio Preto da Eva – 8 – 2,9%
12. Maués – 8 – 2,9%
Sub-total – 149 – 54%
Outros municípios – 127 – 46%
Total: 276 – 100%

I. Política para ampliação de vagas e programas de Residência Médica:

1. Utilização dos dados epidemiológicos e de capacidade instalada para definir oportunidades de programas;

2. Estímulo e apoio institucional para abertura de programas em áreas prioritárias (temas e regiões) – apoio a programas de cooperação interinstitucional e bolsas para programas necessários em regiões mais desfavorecidas.

Proposta em discussão: Expansão das Residências de Medicina da Família e Comunidade em todas as regiões metropolitanas do país: co-financiamento MS/municípios para elevação da bolsa ao nível do salário do médico das equipes do PSF

* A boa notícia: alteração recente, depois de mobilização nacional, da Lei 6.932/81. O artigo 4º. passou a ter a seguinte redação”:

“Ao médico residente será assegurada bolsa no valor correspondente a R$ 1.916,45 (mil, novecentos e dezesseis reais e quarenta e cinco centavos), em regime especial de treinamento em serviço de 60 (sessenta) horas semanais”. Posted by Picasa

A medicina no Brasil, segundo Neila Falcone

Foto: Rogelio Casado - Acolhida aos Residentes 2007, Manaus, 01.02.2006















Professora Neila Falcone

NEILA FALCONE E OS CURSOS DE MEDICINA EM NÚMEROS

No dia primeiro de fevereiro de 2007, no auditório Dr. Zerbini, da Faculdade de Ciências da Saúde, da Universidade Federal do Amazonas, numa breve exposição, Leila Falcone, ex-Vice-Reitora da Universidade Federal do Amazonas, integrante da Associação Brasileira de Ensino Médico (ABEM), descreveu e analisou a panoroma da Medicina no Brasil para os médicos residentes do ano de 2007.

O quadro abaixo aponta para um longo caminho a percorrer na oferta de vagas nos cursos de graduação e especialização nas diversas áreas da medicina. Este é o primeiro ano a oferecer um Programa de Residência Médica em Psiquiatria no estado do Amazonas. A falta deste Programa é um dos fatores humanos que comprometeu o andamento da Reforma Psiquiátrica nesta região. O outro fator humano é sobejamente conhecido: a falta de vontade política. Desta vez, como diria o companheiro presidente, ou vai ou racha.

Com a palavra - e com os dados - a professora Neila Falcone.

*************

A. Distribuição do número de vagas em cursos de Medicina, segundo a natureza jurídica das instituições por região:

NORTE
1. Públicas – 632
2. Privadas – 310

NORDESTE
1. Públicas - 1516
2. Privadas – 540

SUDESTE
1. Públicas – 2160
2. Privadas – 2873

SUL
1. Públicas – 1051
2. Privadas – 764

CENTRO-OESTE
1. Públicas – 412
2. Privadas – 280


B. Distribuição do número de vagas em escolas de Medicina, segundo unidades da federação:

1) São Paulo – 2511;
2) Rio de Janeiro – 1683;
3) Minas Gerais – 1636;
4) Rio Grande do Sul – 819;
5) Paraná – 626;
6) Bahia - 430;
7) Santa Catarina – 370;
8) Amazonas – 332;
9) Ceará – 320;
10) Paraíba – 320;
11) Espírito Santo – 333;
12) Pernambuco - 290;
13) Distrito Federal - 272;
14) Pará – 250;
15) Piauí – 200;
16) Tocantins – 180;
17) Maranhão – 170;
18) Mato Grosso do Sul – 170;
19) Mato Grosso – 140;
20) Alagoas – 130;
21) Rondônia – 120;
22) Rio Grande do Norte – 116;
23) Goiás – 110;
24) Sergipe – 96;
25) Acre – 40;
26) Roraima – 20.


C. Vagas em Escolas Médicas por Unidade da Federação,- proporcional por 100.000 habitantes:

1) Tocantins – 14,6;
2) Distrito Federal – 12,4;
3) Rio de Janeiro – 11.3;
4) Amazonas – 11,0;
5) Espírito Santo – 9,2;
6) Paraíba – 9,1;
7) Minas Gerais – 8,3;
8) Rondônia – 8,2;
9) Mato Grosso do Sul – 7,8;
10) Rio Grande do Sul – 7,8;
11) Piauí – 6,8;
12) Acre – 6,7;
13) Santa Catarina – 6,6;
14) São Paulo – 6,6;
15) Paraná – 6,3;
16) Roraima – 5,6;
17) Mato Grosso – 5,3;
18) Alagoas – 4,5;
19) Sergipe – 4,3;
20) Ceará – 4,1;
21) Rio Grande do Norte – 4,0;
22) Pará – 3,8;
23) Pernambuco – 3,6;
24) Bahia – 3,2;
25) Maranhão – 2,9;
26) Goiás – 2,0.


D. Regiões – percentuais de vagas credenciadas e médicos:

% de vagas credenciadas:

1) Norte – 1,9; 2) Nordeste – 11,6; 3) Sul – 15,9; 4) Sudeste – 63,5; Centro-Oeste – 7,1.

% de médicos credenciados:

1) Norte – 3,3; 2) Nordeste – 18,5; 3) Sul – 15,0; 4) Sudeste – 58,4; Centro-Oeste – 6,9.


E. Especialização, Acesso Direto - % de vagas credenciadas por região:

Patologia – Norte (-); Nordeste (9); Sul – (17); Sudeste (68); Centro-Oeste (7)

Anestesiologia – Norte (--); Nordeste (10); Sul – (14); Sudeste (67); Centro-Oeste (7)

Dermatologia – Norte (---); Nordeste (13); Sul – (10); Sudeste (69); Centro-Oeste (--)

Moléstias Infecciosas – Norte (4); Nordeste (20); Sul – (8); Sudeste (58); Centro-Oeste (8)

Medicina Física e Reabilitação – Norte (0); Nordeste (0); Sul – (15); Sudeste (85); Centro-Oeste (0)

Medicina Nuclear - Norte (0); Nordeste (0); Sul – (8); Sudeste (82); Centro-Oeste (0)

Neurocirurgia – Norte (3); Nordeste (12); Sul – (14); Sudeste (76); Centro-Oeste (0)

Neurologia – Norte (0); Nordeste (12); Sul – (28); Sudeste (54); Centro-Oeste (5)

Oftalmologia – Norte (--); Nordeste (15); Sul – (9); Sudeste (69); Centro-Oeste (9)

Ortopedia – Norte (-); Nordeste (10); Sul – (13); Sudeste (72); Centro-Oeste (---)

Otorrinolaringologia – Norte (2); Nordeste (9); Sul – (13); Sudeste (72); Centro-Oeste (---)

Patologia Clínica – Norte (0); Nordeste (0); Sul – (-); Sudeste (95); Centro-Oeste (---)

Psiquiatria – Norte (0); Nordeste (9); Sul – (22); Sudeste (43); Centro-Oeste (6)

Radiologia – Norte (2); Nordeste (6); Sul – (14); Sudeste (76); Centro-Oeste (6)

Radioterapia – Norte (0); Nordeste (0); Sul – (15); Sudeste (85); Centro-Oeste (4)
Posted by Picasa