fevereiro 21, 2009

Movimento contrário à construção do Porto das Lajes se reúne com a OAB-AM

Foto: Rogelio Casado - SOS Encontro das Águas - Manaus-AM, 20.02.2009

Ao centro: Oldeney Valente, presidente da Comissão de Meio Ambiente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados e a bióloga Elisa Wandeli, da AMANA - Associação Amigos de Manaus


Movimento contrário à construção do Porto das Lajes se reúne com a OAB-AM

20 de fevereiro de 2009.

MANAUS – Entidades diversas que juntas constituem grupo de oposição à construção do Porto das Lajes na região do Encontro das Águas, em Manaus, estão reunidos nesse momento com Oldeney Sá Valente, presidente da Comissão de Meio Ambiente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil.

O encontro iniciou por volta das 16h e conta com a participação do Núcleo de Cultura Política da Universidade Federal do Amazonas (NCPAM/Ufam), Associação Amigos de Manaus, Centro de Direitos Humanos da Igreja Católica de Manaus e lideranças da comunidade da Colônia Antônio Aleixo, um dos bairros que será afetado pelas obras.

Segundo o médico especialista em Saúde Mental Rogelio Casado, um dos fundadores da Associação Amigos de Manaus, a reunião tem como objetivo fazer a entrega de documentos relativos aos problemas ambientais que a execução da obra no local vai causar à fauna e à flora da região e estabelecer uma possível parceria com o órgão no sentido de impedir a execução das obras.

– Nós não somos contrários à construção do Porto das Lajes, mas contra à área onde se deseja fazer a construção. O Encontro das Águas representa a identidade da região. Ele é um patrimônio de Manaus, do Estado e do mundo.

Porto das Lajes

Localizado no quilômetro 17 da Alameda Cosme Ferreira, no bairro Colônia Antônio Aleixo, o empreendimento tem pelo menos 600 metros quadrados de projeto com valores de investimento na ordem de R$ 220 milhões.

No entanto, entidades afirmam que a obra vai comprometer de modo irreversível a integridade física e biológica do Encontro das Águas – um dos cartões postais da cidade de Manaus.

O objetivo do grupo de empresários por trás da obra, segundo informes oficiais, é possibilitar o atraque de grandes navios de carga no local e assim evitar que estes tenham de percorrer toda a orla de Manaus com produtos destinados ao Pólo Industrial de Manaus (PIM), desafogando o desembarque de mercadorias do Centro da cidade.

Fonte: Mário Bentes, especial para o Portal Amazônia
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"Deus é A Mulher - A feminilidade em Lacan"

Foto publicada em Doida Varrida
Núcleo Márcio Peter de Ensino - Curso 5 Online - Conexão Lacaniana

"Deus é A Mulher - A feminilidade em Lacan"


Início das aulas: 02/03/09 - Inscrições abertas

Lillith, para Adão. Salomé, para Herodes. Cleópatra, para Júlio e Marco. Madalena, para ao menos doze discípulos. Heloisa, para Abelardo. Ana para Henrique VIII. Joana para toda a França e Margot para os Bourbon, apenas. A índia Bartira para João Ramalho, Domitila de Castro para Pedro, Chica da Silva, a escrava Anastácia, a baiana Maria Quitéria, a professora paraybana Anayde, amante de João Dantas, o assassino de João Pessoa. Capitu, para os muitos Bentinhos que há. Antígonas, todas.

Posto que pensada como não-toda, a mulher permanece desconhecida quanto ao seu desejo e seus meios de gozo: O que quer a mulher? Teria perguntado Freud. Que na globalização a resposta fique reduzida a alguns objetos, temos aí o engodo do discurso do capitalista.

Lacan reafirma a benéfica dúvida de Freud quando assevera que a mulher nem mesmo pode ser definida pela biologia. Nasce-se macho ou fêmea, mas o sujeito torna-se masculino ou feminino através das identificações. Inscrever-se como homem ou mulher, no entanto, não é uma questão de identificação e sim de sexuação, de escolha de gozo, isto é, de como o sujeito se posiciona frente à castração.

Em infindáveis representações, possibilidades e re-criações acerca do feminino encontramos o tema para esse novo curso. Os textos de Márcio Peter, tanto quanto de outros muitos pensadores da cultura desde a psicanálise servirão de referentes para este percurso de estudo. Um estudo que, nascido nos primeiros olhares sobre a fertilidade e as antigas sociedades, aponta para as novas possibilidades de crítica da cultura, naquilo que o feminino também parece ofertar de oposição à pulsão de morte. Ainda que em suas muitas representações, a morte seja - mesmo Ela - um deus-mulher.

EQUIPE:
Coordenação: Márcio Peter de Souza Leite
Professores: Márcio Peter de Souza Leite, Ana Maria Ferraz da Silva, Carla Cristini Bonadio Audi, Clóvis Pereira, Maria de Fátima Galindo, Renata Reis Favaro e Rosana Meiches

PROGRAMAÇÃO:
* Apresentação e Introdução
(02/03/09 a 08/03/2009) - O analista como figura da cultura - Globalização e a sexualidade revisitada por Lacan - Do Deus de Schreber à Mulher (toda) - Poesia, Psicanálise e o Inconsciente lacaniano
* Módulo 1 (09/03 a 22/03/09) - Figuras de gênero, figuras de sexo
* Módulo 2 (23/03 a 05/04/09) - Figuras da teoria: pais freudianos, mulheres lacanianas - Sexualidade ou Sexuação
* Módulo 3 (06/04 a 19/04/09) - A Sexuação depende do falo, não da genética - Além do Outro: O Outro não Existe
* Módulo 4 (20/04 a 03/05/09) - Os paradoxos do gozo
* Módulo 5 (04/05 a 17/05/09) – “Não existe relação sexual” (as fórmulas quânticas da sexuação) - Distribuição sexual
* Módulo 6 (18/05 a 31/05/09) - Modelos teóricos: figuras da sexuação
* Módulo 7 (01/06 a 14/06/09) – Deus como figura da sexuação / O amor e o parceiro sintoma
* Encerramento e Avaliação final (15/06 a 28/06/09)

INVESTIMENTO:

4 parcelas de R$ 300,00 (boleto ou depósito bancário)

INSCRIÇÕES:
www.marciopeter.com.br/lojavirtual

INFORMAÇÕES:
info@marciopeter.com.br
F: (55) (11) 3051-3083 / 3051-3084
www.marciopeter.com.br

"E por que não interpretar uma face do Outro, a face Deus, como suportada pelo gozo feminino?" (Lacan, Sem. XX)

Lacan cria figuras para abordar o enigma da sexualidade e, conseqüentemente, refletir sobre os avanços da clínica onde essas figuras tomam sentido. O psicanalista é uma das figuras que, na civilização, recolhe os gritos de uma verdade não formalizada que se apresenta a ele como sintoma do sujeito.

Lacan revisita a sexualidade com o conceito de falo e inventa o termo "sexuação", que se separa do sexo biológico e do gênero, e significa que, para um sujeito, coloca-se a questão de saber como se significantiza o sexo biológico. A sexuação é definida em relação ao falo e não aos gametas.

Para falar da mulher, Lacan inventa ditos, tais como: "todas as mulheres são loucas", ou ainda, "a mulher só encontra o homem na psicose".

Lacan também usou da licença poética para inventar termos ou expressões que servem de complemento para um rigor teórico árido, caracterizado pela matematização, sendo que a abordagem da psicanálise pelo viés de figuras visa atingir o real que vai além do sentido, ao enlaçar aspectos do real que seriam inexprimíveis, a não ser poeticamente.

“Ela (a barra de negação) diz que não tem Outro que responderia como partenaire – sendo a necessidade toda da espécie humana que haja um Outro do Outro. É aquele ao que se chama geralmente Deus, mas cuja análise revela que é simplesmente A mulher”. (Lacan, Sem. XXII)
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Leia as novidades do PáginaDois

PáginaDois

Na última semana, Clarice Casado escreveu "Tu" na segunda-feira; Bianca Rosolem ensinou "A arte de esperar" na quarta; Cassiano Rodka encontrou-se "Na cama, na areia" na sexta.

Na terça, Carlos Bêla falou sobre o quarto álbum da banda "The Lickets", na seção de música.

Nesta semana, teremos um texto literário de Clarice Casado na segunda; Cassiano Rodka na seção de música na terça; um texto literário de Melissa de Menezes na quarta; Moisés Westphalen na seção de cinema na quinta; um texto literário de Cassiano Rodka na sexta; e mais novidades na Coluna do Jairo no sábado.

Boa leitura! :)

http://www.paginadois.com.br

Colóquio Nacional Poéticas do Imaginário

Prezados professores e alunos,

A organização do Colóquio Nacional Poéticas do Imaginário, que acontecerá de 12 a 14 de maio na cidade de Manaus AM, informa que o prazo para submissão de trabalhos foi prorrogado até 15 de março, última data para recebimento de propostas (resumos) nas modalidades comunicação oral ou pôster. Grupos de pesquisa podem propor sessões coordenadas com o intuito de realizar a divulgação de seus trabalhos. Atente-se que o resumo deve estar de acordo com as normas informadas no site do evento e filiar-se a uma das linhas temáticas dessa primeira edição, a saber: 1. Relações luso-brasileiras; 2. Literatura e História; 3. Literatura e Imaginário; 4. Literatura e subjetividade; 5. Entre fronteiras: o regional, o nacional e o universal; 6. Efemérides: 80 anos de escrita de A selva, de Ferreira de Castro; 7. Outras efemérides.

Quem desejar participar sem apresentação de comunicação ou pôster pode fazê-lo na condição de ouvinte. Além das conferências, palestras, sessões de comunicação e exibição de pôsteres, o Colóquio Nacional Poéticas do Imaginário oferece 7 minicursos (concomitantes), ministrados por docentes de renomada produção intelectual, que podem ser verificados na ficha de inscrição. Um guia gourmet e cultural de Manaus, indicações de hotéis (executivos e de baixo custo) e outras informações aos participantes externos estarão online a partir do dia 1° de março.

O evento é uma promoção conjunto entre a Cátedra Amazonense de Estudos Literários (UEA) e a Cátedra Jorge de Sena (UFRJ), recebe fomento da Fapeam e do CNPq e apoio da Secretaria de Estado de Cultura do Amazonas, Associação de Amigos da Cultura e Instituto Camões (Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal).

O quê? COLÓQUIO NACIONAL POÉTICAS DO IMAGINÁRIO: literatura, história, memória
Quando e onde? 12, 13 e 14 de maio - Reitoria da Universidade, Manaus AM
Informações e inscrições: www.pos.uea.edu.br/catedra


Peço aos senhores que repassem aos seus pares este e-mail de divulgação.

Prof. Otávio Rios, Coordenador
UNIVERSIDADE DO ESTADO DO AMAZONAS
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Fórum Permanente das Mulheres de Manaus convida para reunião

Manaus/Amazonas, 12 de fevereiro 2009.

Companheiras,

Dia: 21 de fevereiro de 2009.


Conforme decisões em encontros anteriores, o Fórum Permanente das Mulheres de Manaus, CONVIDA todas as companheiras feministas a participarem da reunião ordinária dando continuidade ao Planejamento (comportamento coletivo).

Pauta:

· Partilha do Seminário sobre o tráfico em Manaus e Belém e encaminhamentos,
· Espaços de formação continuado das lideranças,
· Dia Internacional das Mulheres,
· Informes e o que houver.


Nós feminista não podemos andar sem planejar. É de fundamental importância sua participação.

Dia: 21 de fevereiro 2009
Local: CEFAM - Av. Joaquim Nabuco,1023 Centro
Horário: 8h às 12h.


Um forte abraço feminista

Francy Junior
Secretaria Operativa
Fórum Permanente de Mulheres de Manaus
Equipe Cáritas Manaus
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Projeto Educação Superior, Interculturalidade e Desenvolvimento

Projeto Educação Superior, Interculturalidade e Desenvolvimento

Cadastro de Experiências de Instituições de Educação Superior em América Latina


Como primeira fase de suas atividades o Projeto "Educação Superior, Interculturalidade e Desenvolvimento" do Instituto Internacional da UNESCO para Educação Superior abriu o "Cadastro de experiências de Instituições de Educação Superior (IES) orientadas ao estudo e aplicação de conhecimentos étnicos ou locais ao desenvolvimento local e/ao melhoramento da qualidade de vida das populações participantes".

O Projeto procurará identificar experiências nas áreas desenvolvidas por IES da região, com o propósito de dar maior visibilidade as mesmas, compreender e caracterizar a diversidade de enfoques e temáticas que as orientam e, na medida de suas possibilidades, adiantar e/ou favorecer pesquisa à respeito com o objetivo de promover recomendações de políticas de estímulo na matéria. Dado o campo de atuação do IESALC, o Projeto somente considerará experiências realizadas por/de instituições de educação superior.

O Projeto identificará experiências desenvolvidas por IES da região orientadas a pesquisar, utilizar em docência/aprendizagem, desenvolver tecnologias (técnicas, procedimentos e/ou outros tipos de práticas) e aplicar ao melhoramento da qualidade de vida (desenvolvimento local, regional, humano, sustentável, ou términos análogos segundo os vocabulários próprios das comunidades e/ou IES participantes nas mesmas) de populações humanas os conhecimentos e/ou outros tipos de práticas e recursos culturais próprios de comunidades étnicas, locais, ou regionais, sejam estas relativo a línguas, ambiente, biodiversidades, moradia, alimentação, saúde, educação, produção agrícola, piscicultura e pecuária, organização social e política, direito/juridicidade, manejo de conflitos, história, artesanato, música, dança, vestido, desenho visual, recreação e/ou outros que resultem significativos para as IES e populações em questão. O Projeto agradece sua colaboração com esta iniciativa respondendo da maneira mais completa possível e o quanto antes possível (preferivelmente antes de 01/03/09) a solicitação de dados que contém a Ficha de Cadastro, assim como indicando ao final da mesma o nome e e-mail da pessoa responsável e também se autorizam a publicação dos dados na página Web do IESALC.

Muito obrigado.

Atenciosamente,

Daniel Mato
Coordenador do Projeto Educação Superior, Interculturalidade e Desenvolvimento

Ficha Cadastral de Experiências de Instituições de Educação Superior de América Latina (.doc - 52.5 KB)

Por favor envie a ficha cadastral diretamente a Registro de Experiencias: registroesid@unesco.org.ve

***

Escritório de Comunicação

Para maior informação, comentários, ou para incluir seu e-mail em nossa base de dados, comunique-se conosco através de
iesalc@unesco.org.ve
www.iesalc.unesco.org.ve
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Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes: CEDECA Interlagos 10 anos de existência


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fevereiro 20, 2009

Rádio Muda - rádio livre da Universidade de Campinas - fechada pela "Operação Silêncio"

Rádio Muda - rádio livre da Unicamp - foto publicada em flickr.com
Nota do blog: Santo atraso! Não há na história da aviação nenhum avião que tenha despencado no solo por causa de rádios livres. Mas a TV Globo insiste em ser porta-voz da desinformação, a ainda por cima, pra desqualificar de vez, chama de rádio pirata o que toda a Europa conhece como rádio livre. Lá elas proliferaram nos anos 1990, apoiadas por filósofos como Deleuze. A emergência das rádios livres vem mudando o panorama das comunicações ao interrogar que sociedade impede a livre manifestação da expressão e da cultura dos oprimidos? Recomendo, a quem interessar possa, que atualize a leitura do conceito de classe social.


Rádio Muda Manifesta
105.7 FM Livre Campinas-SP


manifesto+links+manifestações de apoio e repúdio+chamado a ações locais+nota pública da Abraço

Manifesto

Rádio Muda 3 X 1 PF+Anatel


"Nao temos nada a perder. Temos tudo".
Sun Tzu


Os Piratas nos atacaram. Sequestraram nosso timoneiro DJ Computer.

Hoje, dia 19/02/2009, às 5 da manhã, doze Piratas Federais (PF) saquearam todos os equipamentos do estúdio da Rádio Muda, rádio livre que funciona há mais de 20 anos em Barão Geraldo, Campinas-SP.

Em uma ação decorrente da "Operação Silêncio", que fechou diversas rádios em todo o país, um bando de 14 homens, 12 agentes federais, 2 chaveiros (um para segurar a chave e outro para rodar?), liderados por um delegado, tomaram de assalto o estúdio a mando da juíza substituta Fernanda Soraia Pacheco Costa. Vandalizaram o estúdio, rasgaram cartazes e confiscaram todos os equipamentos. Não havia nenhum mudeiro no momento da ação sórdida.

A Rádio Muda é uma rádio que não é ilegal, nem legal, é uma rádio livre, pois, assim como inúmeras outras, não possui fins comerciais, não pratica proselitismo religioso nem político partidário, e atua de maneira integrada a sua vizinhança, estabelecendo uma relação de reciprocidade através da qual quem ouve, pode falar, ou seja, todo ouvinte é um emissor em potencial. Espalhadas pelo Brasil e pelo mundo, essas rádios baseiam-se na legitimidade que suas comunidades e vizinhanças lhe conferem. Atua com baixa potência e atinge apenas uma pequena região da cidade de Campinas. Ao invés da legalidade exigida por leis estatais que legitimam um sistema corrupto e viciado de concessãode radiodifusão, a legitimidade deste tipo de prática deve ser protegida como liberdade de expressão e organização local.

Qual é o papel da radiodifusão hoje?

As rádios comerciais, consideradas legais, integram o território nacional a partir de interesses comerciais e culturais homogeneizantes. As rádios livres, consideradas ilegais, permitem que a pluralidade cultural seja livremente expressa. Tudo aquilo que não encontra espaço na lucrativa e monopolizada mídia comercial tem a possibilidade de vazão nos meios geridos pela própria população. Mundialmente a mídia é controlada por 10 conglomerados. 40 empresas estão ligadas direta ou indiretamente a eles. No Brasil, 90% da mídia é controlada por 13 famílias. Em Campinas, a RAC (Rede Anhanguera de Comunicação) controla os principais meios de comunicação da cidade e região.

Centenas de rádios não comerciais espalhadas pelo Brasil e pelo mundo atuam no sentido contrário a essa situação de monopólio, reafirmando a capacidade de toda e qualquer pessoa de produzir informação.

Rádio Livre derruba avião?

Um dos principais argumentos contra às rádios livres e de baixa potência é que constituem séria ameaça para tráfego aéreo e a comunicação de emergência. Porém, nunca um acidente aéreo foi causado por este tipo de radiodifusão. Aliás, se fosse fácil assim, com umas mil rádios comunitárias, Sadam teria vencido a invasão de Bush no Iraque.... será que ele não pensou nisso, ou será que esta informação "técnica" não faz o menor sentido?

Pra quem não sabe, aviões operam em uma frequência de rádio acima da faixa de frequência das rádio FM. Para que uma rádio FM interfira nas transmissões aéreas de rádio, é necessário primeiro que o transmissor esteja desregulado e sem filtros. Hoje em dia, é muito comum o uso de transmissores que possuem filtros de harmônicos e filtros passa-faixa, que mesmo não sendo homologado pela Anatel, está dentro da máscara de transmissão da norma brasileira de radiodifusão, ou seja, que passou por um teste técnico no qual um analisador de espectro comprova que fora da frequência de transmissão o sinal é fortemente atenuado, o que comprova sua a precisão e a capacidade de não interferência de um transmissor. O segundo fator é a potência do transmissor.

A prática mostra que as rádios livre funcionam com transmissores de baixa potência (potências altas significam custos altos). Comparados aos transmissores das rádios comerciais, com potências gigantes, não representam perigo de interferência nas comunicações aéreas, mesmo com umtransmissor não perfeitamente construído. Quem tem que cuidar da aferição dos seus transmissores potentes são as grandes rádios comerciais, que apresentam altos riscos de interferência na comunicação aérea!

Piratas?

Piratas são as rádios comerciais que querem o ouro! Não estamos atrás do lucro.

Livre?

O sistema de leis estatais prevê que a organização e concessão do direito de uso para as frequências de rádio seja realizado por um grupo de pessoas restrito- técnicos, especialistas, políticos e grupos econômicos. A comunicação livre não reconhece o governo como única entidade capaz de elaborar leis e regras relativas ao funcionamento dos meios decomunicação.

Propomos, através da prática, a apropriação e utilização de qualquer meio de comunicação e tecnologia.

Todas as tecnologias são e deveriam ser consideradas bens universais destinadas ao desenvolvimento humano, sua inteligência, afeto e comunicação.

O conhecimento não pode ser aprisionado por leis medíocres que se baseiam em interesses mesquinhos de grupos políticos e econômicos ou mesmo de leis que não comportam a capacidade da população de produzir suas próprias informações, a partir de meios de comunicação geridos coletivamente.

Comunicação se realiza diariamente, nos momentos mais cotidianos. Ampliar essa comunicação de uma pessoa ou grupo através de meios tecnológicos é uma possibilidade e prática que amplia a democracia e a capacidade das pessoas de se comunicarem entre si: falando, ouvindo, produzindo e questionando.

A comunicação está em todos nós, muito antes de existirem governos e leis que a regulamentassem: livre, intrínseca, potente e transformadora.

Conclamamos todos e todas a produzirem mais e mais meios de comunicação.

Não precisamos nos submeter ao monopólio!

Nesse carnaval, sintonize-se, atue: ações pela mídia livre espalhadas pelo território.

Organize suas próprias ações! A Muda não se cala!!! Voltaremos a transmitir em breve!!

Publicações sobre a Invasão da Polícia:

http://midiaindependente.org/
http://www.brasil.agenciapulsar.org/nota.php?id=4205
http://municipe.mandioca.org/archives/246
http://mandioca.wordpress.com/
http://www.agenciapulsar.org/nota.php?id=14500
http://www.npla.de/poonal/aktuell.shtml#BRASILIEN

Manifestações de apoio endereçadas a Rádio Muda e manifestações de repúdio endereçadas ao reitor:

"Caro Magnífico,

A rádio muda é um experimento de produção cultural coletiva organizada em bases inovadoras que, como toda experiência de ponta bem sucedida, deveria ser abrigada e incentivada pela universidade.

No entanto, soube essa manhã que a rádio em questão foi invadida pela polícia federal. Onde andava a autonomia universitária e a reitoria nesse momento? quando e como veremos a atitude de repúdio a esse fato que se espera de nosso magnífico? é urgente demonstrar que a universidade ainda é um refúgio para a produção de conhecimento e de alternativas para o país em todas as áreas.

obrigado

Augusto Postigo"

***

"À REITORIA DA UNICAMP,

dando crédito à informação abaixo (repassada por colega do IFCH), não se pode senão lamentar o ocorrido e esperar as providências que a Reitoria da Unicamp - comprometida com os valores democráticos (livre expressão de idéias e o pluralismo) - certamente adotará para apurar o fato e procurar evitar, no futuro, a ocorrênciade atos semelhantes a este.

Respeitosamente,

Caio N. de Toledo
Professor colaborador IFCH"

***

"Em defesa da rádio muda...
Manifestações culturais devem ser preservadas...
Abraço,Lucas."

***

"Olá pessoal da Muda, Nós do CABS (Centro Acadêmico de Engenharia Elétrica da Unicamp) gostaríamosde dizer que sentimos muito o fato lamentável que ocorreu ontem e gostaríamos de manifestar nosso apoio ao retorno da Muda. (...)"

***

"Gostaria de manifestar minha indignação quanto aos fatos ocorridos com a RádioMuda. É arbritário, provavelmente ilegal, ditatorial, uma enorme baixaria.

Acho imprescindivel que a administração da Unicamp tome providências quanto a esse "estupro" à liberdade de comunicação.

Miriam Osorio Silva de Florianópolis, Santa Catarina"

***

"Manifesto meu apoio em favor da Rádio Muda.

Abraço

André Kobashi"

***

"Apoio a rádio muda.
Pela liberdade de expressão e informação.
Mário"

***

Chamado por ações locais pela mídia livre!

No último dia 19 de fevereiro a Polícia Federal invadiu a Rádio Muda, rádio livre situada em Campinas e há mais de 20 ano no ar. Em virtude desse acontecimento e pela deplorável situação atual dos meiosde comunicação no mundo,

Conclamos todos e todas a realizarem ações locais pela mídia livre nesse período de carnaval. No embalo das pessoas que tomam as ruas, tomem os microfones!

***

Transmissões, projeções, confeccção de panfletos e zines, performances, uma conversa!

Tudo pode ser uma ação!

Divulguem no Centro de Mídia Independente e no radiolivre.org, traduzam se puderem e assim o calendário vai sendo montado

Assunto: Nota Pública contra o fechamento da Rádio MudaNota PúblicaA ABRAÇO, Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária - Regional Sudeste, ve m a público externar sua indignação contra o fechamentoarbitrário da Rádio Muda, ocorrida no último dia 19 de fevereiro de 2009, as 5: 30 hs da manhã dentro do Campus da Universidade Estadual de Campinas, comandada pelo delegado Federal Dr. Heitor Barbieri Mozardo, Matrícula 17023, pelas razões que segue;

1 - Estranha o fato do Sr. Delegado utilizar um mandado de Busca e apreensão antigo, datado de 21 de Junho de 2007, sendo que já existe decisão posterior da 1a. vara Federal de Campinas, que entende que não se constitui crime a utilização e instalação de equipamentos de Radiodifusão sem autorização. Esta decisão posterior, resultado de sentença proferida pela Juíza Dr. Márcia e Souza e Silva de Oliveira, da 1a. Vara Federal de Campinas, no último dia 27 de Janeiro de 2009, cujo teor já é de conhecimento dos responsáveis pela ação, no caso o Delegado Heitor Barbieri Mozardo;

2 - Mesmo se não houvesse posicionamanto anterior, houve flagrante ilegalidade do Delegado em realizar a busca e apreensão da emissora, pois no mandado foi observado que deveriam cumprir a cautela do artigo 245 do Código de Processo Penal, que diz o seguinte" As buscas domiciliares serão executadas de dia, salvo se o morador consentir que se realizem à noite, e, antes de penetrarem na casa, os executores mostrarão e lerão o mandado ao morador, ou a quem o represente, intimando-o, em seguida, a abrir a porta" Ou seja, o mandado foi cumprindo fora do horário estipulado e sem que nenhum representante da emissora estivesse presente;

3 - Sobre o fechamento de mais de 30 emissora na região de Campinas, a ABRAÇO vem a público informar que a Polícia Federal vem sistematicamente tentando realizar o fechamento de emissoras comunitárias, cujos processos encontram-se instruídos e aguardando outorga do Ministério das Comunicações.

4 - A Polícia Federal vem sistematicamente, nas últimas semanas, invadindo residências com mandados judiciais antigos para a realização de busca e apreensão em locais que não existem rádios comunitáriasinstaladas, fato já noticiado pela Abraço a imprensa de campinas.

5 - As ações truculentas de agentes despreparados já causaram enormes prejuízos as pessoas vítimas de violência, como um representante de uma emissora agredido fisicamente pelo agente conhecido como Valente, na ocasião de fechamento de uma emisssora no ano passado, a omissão de socorro de vários agentes em outra ocasião, em decorrência da violenta ação policial contra uma senhora que teve uma metralhadora apontada e engatilhada sobre a sua cabeça, que passou mal e os agentes não prestaram o auxilio necessário, inclusive se negando a chamar o SAMU e uma ameaça do Agente conhecido como Fábio, que ameaçou um dos coordenadores da ABRAÇO dizendo que iria forjar um flagrante deí lícito para assim prendê-lo.

6 - Lamentamos profundamente que a Polícia federal tenha tanta garra para prender militantes de um movimento social legítimo, organizado nacionalmente e que tenha como fundamental objetivo valorizar a cultura e a democracia em nosso país.

7 - Como se fala em números, a maioria de origem duvidosa, desafiamos a Polícia Federal de Campinas a apresentar os números oficiais de operações de combate ao narcotráfico, lavagem de dinheiro, corrupção e principalmente a situação do assassinato do prefeito Toninho, cuja responsabilidade pelas investigações é da própria Polícia federal.

8 - A ABRAÇO também estranha que a Polícia Federal ainda não tenha executado ações de fechamentos das rádios comerciais irregulares que funcionam na cidade de Campinas, cujas outorgas encontram-se vencidas há vários anos, cuja denúncia encaminhamos ao Delegado Geral dapolícia Federal de Campinas no mês de Janeiro. Será que a Polícia Federal age de Acordo com a frase "para os amigos tudo, para os inimigos a Lei"?

A ABRAÇO, estará em comitiva a Brasília no Próximo dia 02 de Março, em reuniões na Corregedoria da Polícia Federal, na Comissão de Direitos Humanos da Câmara e na Presidência da República para encaminhar oficialmente as denúncias por nós ofertadas neste manifesto.

Campinas, 20 de Fevereiro de 2009.

Sem mais,

Jerry de Oliveira
Coordenador Sudeste da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária - ABRAÇO
jerry.deoliveira@hotmail.com
19 9731 763219 3739 4600

***

Leia também Bope fecha rádios comunitárias no Rio de Janeiro

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José Ricardo mostra o que é um mandato popular

VERBA INDENIZATÓRIA: O VEREADOR USA OU NÃO? OPINE...

Manaus, 20 de Fevereiro de 2009.

A Câmara Municipal de Manaus aprovou a “VERBA INDENIZATÓRIA”, que nada mais é do que disponibilizar até R$ 8 mil mensal para que o vereador utilize nas seguintes situações: combustível, alimentação, divulgação do mandato, telefone celular, estudos e pesquisas de dados. Tudo voltado para o exercício do mandato.

Trata-se de um benefício que existe hoje no Congresso Nacional, na Assembléia Legislativa do Estado e na maioria dos parlamentos do País.

Atualmente, o vereador tem a seguinte estrutura e valores a sua disposição na CMM:

1. SALÁRIO DO VEREADOR
O valor bruto mensal é de R$ 9.288,08, sendo que o valor líquido, com o desconto da previdência e imposto de renda, é de R$ 7.140,07 mil. Este é o valor que realmente ganha um parlamentar de Manaus. Não tem horas extras.

2. VERBA DE GABINETE
No valor de R$ 40 mil mensais, a “verba de gabinete”, na verdade, é o recurso utilizado pela Câmara para pagamento dos funcionários comissionados assessores do vereador. Esse valor não é repassado ao parlamentar. Por isso, considero que o nome “verba de gabinete” não é adequado, visto que o vereador apenas indica os profissionais que precisam ser contratados e a CMM é quem os contrata, paga mensalmente, descontando todos os impostos. Portanto, o vereador não se utiliza desse valor.

Um gabinete parlamentar, no caso o do José Ricardo, tem necessidade de profissionais, como chefe de gabinete, advogado, jornalista, economista, técnico de informática, secretária, assessores legislativos e técnicos que exercem atividades internas no gabinete - como acompanhar todos os projetos que tramitam na CMM e elaborar os inúmeros pleitos e projetos do mandato – como também externas – visitas, participação em reuniões e eventos, pesquisas, acompanhamentos junto aos órgãos públicos, entre outras ações.

3. ESTRUTURA DO GABINETE
A Câmara Municipal disponibiliza aos gabinetes dos vereadores somente um computador e duas linhas telefônicas (de até R$ 300 mensais, cada uma). Além disso, disponibiliza alguns móveis ao gabinete, como também um número reduzido de cópias por mês e um apoio no envio de pequena quantidade de correspondências.

4. OUTRAS NECESSIDADES
Para o exercício do mandato, existem algumas necessidades muito comuns:

Telefone Celular – a CMM não disponibiliza aparelhos celulares. Mas hoje em dia, a maior parte da comunicação é feito por meio de celulares, que tem um custo elevado.

Combustível – se o vereador se deslocasse apenas da sua residência à CMM e da CMM para a residência, o custo do combustível deveria sair do parlamentar. Mas, na prática, o vereador precisa se descolar para inúmeras reuniões, visitas e eventos em diversos pontos da cidade, bem como seus assessores. Assim, essa despesa de deslocamento, como transporte e combustível, é um custo em função do exercício do mandato.

Impressos sobre os projetos e atividades – uma das formas para discutir os projetos, envolver a população no debate dos temas em discussão na Câmara, nas audiências, nas reuniões comunitárias e divulgar os projetos aprovados é impressão de textos, subsídios e folhetos. E para essa atividade também não há recurso específico na Câmara.

Alimentação e eventos – a promoção de eventos fora da CMM (visitas, reuniões debates, audiências, debates) necessita de apoio na alimentação dos assessores, aluguel de espaços, levantamento de dados, etc.


QUAL A SUA OPINIÃO?

A VERBA INDENIZATÓRIA, criada na CMM nos últimos dias, destina-se a pagar estas despesas adicionais do mandato.

Estou fazendo o seguinte encaminhamento:

A. Estou enviando ao Ministério Público do Estado, por meio do assessor jurídico do gabinete, uma consulta sobre a legalidade e constitucionalidade da lei que criou a Verba Indenizatória, bem como de seu conteúdo e da prestação de contas.

Mas também estou fazendo consulta a você, solicitando a sua opinião sobre o assunto. Acho importante a sua manifestação e orientação. Acredito que são necessárias transparência e sinceridade quando se trata de gastos com recursos públicos.

Portanto, PEÇO A VOSSA OPINIÃO E SUGESTÃO QUANTO AO USO OU NÃO DA VERBA INDENIZATÓRIA, que começará a vigorar a partir de março de 2009.

Faço essa consulta em respeito à sociedade e por conta da minha prática de prestação de contas dos gastos com recursos públicos. Esta postura sempre pautou a minha participação nos movimentos sociais, na política e como profissional e cidadão. Até hoje, tudo o que foi utilizado na CMM durante o mandato, fiz a devida prestação de contas. E isso vou continuar fazendo e cobrando do parlamento municipal.

Aguardo a vossa manifestação,

Abraços,

José Ricardo Wendling
Vereador

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO
CRISTIANE SILVEIRA
3303-2842/2843/8816-1862
josericardo@cmm.am.gov.br
www.josericardopt.com.br

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Dê um tempo e vá assistir Humberto Amorim e a banda All That Jazz

Humberto Amorim e a banda All That Jazz
Humberto Amorim no Sax Bar

Os amantes do jazz terão a oportunidade de assistir Humberto Amorim e a banda All That Jazz nesta sexta-feira, dia 20, a partir das 22 horas, no Sax Bar e Restaurante (Av. Djalma Batista, 1661, Chapada, Millennium Center).

No repertório da banda grandes compositores do gênero: Cole Porter e George Ghershwin. Ao final muita bossa nova, com canções gravadas por Frank Sinatra. Entre as pérolas da bossa nova: "Wave", "Corcovado" e "Água de Beber", todas de autoria de Tom Jobim.

A banda All That Jazz é formada pelos músicos Roger Vargas (baixo), Robson Silva (piano) e Leonardo Pimentel (bateria). Humberto Amorim é o bandleader.
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O Porto das Lajes e o IIRSA

Encontro das Águas visto das Lajes - Manaus-Amazonas-Brasil
Nota do blog: Toda a área vista na imagem acima, no local conhecido como Lajes, onde encontram-se falésias com fósseis datados de milhões de anos, e que fica em frente do Encontro das Águas (patrimônio natural da humanidade), será afetada pelo porto que a Superintendência da Zona Franca de Manaus pretende construir logo a jusante. Ao centro, vê-se a torre da Embratel; ao lado, à direita, uma instituição nipo-brasileira responsável pelo reflorestamento de uma área degradada, que enche de vergonha o poder público, que não tem uma iniciativa igual em toda a orla do rio Negro, rio que banha a bela Manaus. Leia abaixo um outro ângulo da questão do Porto das Lajes que vem passando ao largo da discussão.

O Porto das Lajes e o IIRSA


Matéria assinada por Carlos Tautz, publicada no Le Monde diplomatique Brasil, edição de fevereiro, dá preciosas indicações sobre os interesses envolvidos em grandes projetos nas áreas de transporte, energia e comunicações na América Latina.

Segundo Tautz, cada um de seus eixos tem como objetivo “dotar a região de infraestrutura para extrair, em níveis nunca vistos, todo tipo de commodities, exportando-os para os mercados consumidores mais ricos”.

Ora, ora! explicado o projeto de construção do Porto das Lajes no Encontro das Águas do rio Negro com o rio Solimões, justamente onde ele passa a chamar-se rio Amazonas. Se é assustadora a previsão do impacto ambiental contra esse patrimônio da humanidade - não é à toa que os ambientalistas estão de cabelos em pé -, mais intrigante são os antecedentes históricos que dão sustentação a esse crime contra a humanidade.

Dando nomes aos bois

Tautz afirma que tais projetos nasceram com o objetivo de aproximar a América Latina dos pólos dinâmicos da economia capitalista, sendo denominado como Iniciativa de Integração da Infraestrutura Sul-americana (IIRSA). Autor da façanha: FHC.

Concebida no final dos anos 1990, só em agosto de 2000 Fernando Henrique Cardoso, presidente da república, chamou 11 outros colegas do continente – entre eles ditadores comprometidos por graves denúncias de corrupção, e até um que seria derrubado por um movimento popular sob a acusação de ter capitulado diante dos interesses dos Estados Unidos – para ditar o tom da nova agenda liderada pelos estrategistas neoliberais norte-americanos: radicalizar a liberdade de comércio.

O que nós, mortais comuns, acossados na luta pela sobrevivência no país recordista em impostos exdrúxulos não sabíamos é que por trás da idéia concebida pelo Brasil, e consolidada num trabalho elaborado pelos consultores do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), estava o indefectível Eliezer Batista, ex-presidente da Vale do Rio Doce e ex-ministro de assuntos estratégicos, agora um zeloso consultor a serviço da lógica neoliberal do Consenso de Washington.

Que curioso! O antropólogo Ademir Ramos, do Núcleo de Cultura Política do Estado do Amazonas, em entrevista ao Semanário Repórter, de Manaus, declara a propósito dos interesses envolvidos na construção do Porto das Lajes no Encontro das Águas, que tem na empresa Lajes Logística S/A seu preposto:

“A bem da verdade, a empresa estruturante desse empreendimento é a Vale do Rio
Doce, que desde 2001, por meio do seu executivo de frente, Sergio Gabizo, vem
gerenciando os contratos entre a Aliança Navegação e Logística Ltda. e a
Docenave, do grupo Vale do Rio Doce, que fecharam acordo na época para aumentar
a freqüência e o número de navios entre os principais portos do Mercosul
(Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai). As duas companhias estão entre as
maiores do setor de navegação do País, no transporte de contêineres a longa
distância e cabotagem. O concorrente desse mercado são as empresas de transporte
rodoviário. Mas, futuramente estarão compondo o consórcio. O que falta é
transparência, separando bem o público do privado e, sobretudo a cobrança sobre
as empresas quanto à sua responsabilidade social e ambiental”.

O que quer a IIRSA?

Bueno, até aí morreu Neves! Com os pilares do pensamento neoliberal abalados, por que os agentes políticos e econômicos não perderam o fôlego e ainda vicejam à sombra do decálogo do Consenso de Washington?

Para Tautz, nem Hugo Chavez – único presidente a emitir sinais de antipatia ao IIRSA, e que ajudou a sepultar a Alca (lembram dela?) – foi capaz de fazer análise mais minuciosa do que estava e está em jogo: a negociação de recursos naturais estratégicos.

Quem matou a charada foi a professora da Universidade Autônoma do México, coordenadora do Observatório de Geopolítica do Conselho Latino-americano de Ciências Sociais (Clacso), Ana Esther. Segundo Tautz, foi ela quem elaborou o mapa das zonas de influência da presença militar dos EUA na América Latina. Ao sobrepô-lo ao mapa da ocorrência de recursos naturais, percebeu que ambos coincidem.

Ora, ora! Assim estão explicadas as garantias oferecidas aos agentes econômicos, habituados a liberar recursos quando, apenas e tão somente, há certeza plena do retorno dos seus investimentos. Capice? Não bastam contratos a serem contestados nos tribunais, os agentes querem, também, outras seguranças, afirma Tautz.

Well! Nesse contexto, vale lembrar que o BID há décadas é presidido pelos EUA. Não é à toa que sobre ele recaiu a escolha para ser a secretária técnica e o captador de recursos junto a organismos financeiros regionais para ajudar o IIRSA.

Vai pensando aí. Voltaremos ao assunto.
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Novos valores para nova civilização

Foto: Rogelio Casado - Caravana das Águas: um outro mundo é possível - Manaus-AM, 15.02.2009
16.02.09 - MUNDO

Novos valores para nova civilização

Frei Betto *

Adital -

No Fórum Social Mundial de Belém se concluiu que as alternativas ao neoliberalismo e à construção do ecossocialismo não se engendram na cabeça de intelectuais ou de programas partidários, e sim na prática social, através de lutas populares, movimentos sindicais, camponeses, indígenas, étnicos, ambientais, e comunidades de base.

Para gestar tais alternativas exigem-se pelo menos quatro atitudes. A primeira, visão crítica do neoliberalismo. Este aprofunda as contradições do capitalismo, na medida em que a expansão globalizada do mercado acirra a competição comercial entre as grandes potências; desloca a produção para áreas onde se possa pagar salários irrisórios; estimula o êxodo das nações pobres rumo às ricas; introduz tecnologia de ponta que reduz os postos de trabalho; torna as nações dependentes do capital especulativo; e intensifica o processo de destruição do equilíbrio ambiental do planeta.

A segunda atitude - organizar a esperança. Encontrar alternativas é um trabalho coletivo. Elas não surgem da cabeça de intelectuais iluminados ou de gurus ideológicos. Daí a importância de se dar consistência organizativa a todos os setores da sociedade que esperam outra coisa diferente do que se vê na realidade atual: desde agricultores que sonham lavrar sua própria terra a jovens interessados na preservação do meio ambiente.

Terceira atitude - resgatar a utopia. O neoliberalismo não visa a destruir apenas as instâncias comunitárias criadas pela modernidade, como família, sindicato, movimentos sociais e Estado democrático. Seu projeto de atomização da sociedade reduz a pessoa à condição de indivíduo desconectado da conjuntura sócio-política-econômica na qual se insere, e o considera mero consumidor. Estende-se, portanto, também à esfera cultural. Como diria Emmanuel Mounier, o individualismo é oposto ao personalismo. Pascal foi enfático: "O Eu é odioso".

No seu apogeu, o capitalismo mercantiliza tudo: a biodiversidade, o meio ambiente, a responsabilidade social das empresas, o genoma, os órgãos arrancados de crianças etc, e até mesmo o nosso imaginário. Um exemplo trivial é o que se gasta com a compra de água potável engarrafada em indústria, dispensando o velho e bom filtro de cerâmica ou mesmo a coleta da limpíssima água da chuva após um minuto de precipitação.

Sem utopias não há mobilizações motivadas pela esperança. Nem possibilidade de visualizar um mundo diferente, novo e melhor.
Quarta atitude - elaborar um projeto alternativo. A esperança favorece a emergência de novas utopias, que devem ser traduzidas em projetos políticos e culturais que sinalizem as bases de uma nova sociedade. Isso implica o resgate dos valores éticos, do senso de justiça, das práticas de solidariedade e partilha, e do respeito à natureza. Em suma, trata-se de um desafio também de ordem espiritual, na linha do que apregoava o professor Milton Santos, de que devemos priorizar os "bens infinitos" e não os "bens finitos".

O projeto de uma sociedade ecossocialista alternativa ao neoliberalismo exige revisar, a partir da queda do Muro de Berlim, os aspectos teóricos e práticos do socialismo real, em particular do ponto de vista da democracia participativa e da preservação ambiental.

O ecossocialismo se caracterizaria pela capacidade de incorporar conceito e práticas de igualdade social e desenvolvimento sustentável a partir de experiências dos movimentos sociais e ecológicos, assim como da Revolução Cubana, do levante zapatista do Chiapas, dos assentamentos do MST etc.

É vital incluir no projeto e no programa os paradigmas ora emergentes, como ecologia, indigenismo, ética comunitária, economia solidária, espiritualidade, feminismo e holística.

Este sonho, esta utopia, esta esperança que chamamos de ecossocialismo, não é senão a continuação das esperanças daqueles que lutaram pela defesa da vida, como Chico Mendes e Dorothy Stang, dois lutadores cristãos que deram suas vidas pela causa dos pobres, dos explorados, dos indígenas, dos trabalhadores da terra e dos povos da floresta. [Autor de "Cartas da Prisão" (Agir), entre outros livros].

* Escritor e assessor de movimentos sociais

Fonte: Adital
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fevereiro 19, 2009

Porto das Lajes: um empreendimento nocivo ao meio ambiente

Foto: Rogelio Casado - Caravana das Águas - Manaus-Am, 15.02.2009
Nota do blog: Leia a entrevista do professor Ademir Ramos concedida ao semanário Repórter. Com entusiasmo juvenil e firme raciocínio analítico, Ademir Ramos desvenda os artifícios usados pelo capital predatório contra os interesses populares. No passado recente a construtora Andrade Gutierrez usou a mídia para enfiar goela abaixo da opinião pública uma hidrelétrica fajuta - hidrelétrica de Balbina - a um custo ambiental desastroso, com um resultado pífio: 250 megawatts firmes para Manaus (ver postagem neste blog). Mal atendeu as demandas do Distrito Industrial. Alguém duvida que a mídia venha novamente a ser usada para defender um projeto que ameaça destruir a vida do lago do Aleixo, além de privatizar um patrimônio público inalienável: o Encontro das Águas? A diferença é que não estamos mais numa ditadura militar. Mais do que nunca os meios de comunicação alternativos e progressistas devem estar a serviço da mobilização cidadã.

***

Em entrevista exclusiva ao semanário Repórter, o professor Ademir Ramos, coordenador do Núcleo de Cultura Política da Universidade Federal do Amazonas faz um balanço do banzeiro provocado pela Caravana “Encontro das Águas”, que partiu no domingo (15) ao encontro dos comunitários do Lago do Aleixo e em seguida deslocou-se de barco até ao encontro do Rio Negro com o Solimões, onde juntamente com outros cientistas, jornalistas, ambientalistas, empresários, religiosos, estudantes, donas de casas e lideranças sociais conferiu o território onde será construído o pretenso Porto da Laje pela empresa Lajes Logística S/A. O banzeiro, segundo o professor, “serviu para embalar as crianças, acordar os homens de bem e alertar os covardes que ainda é tempo de se redimir antes que o povo faça justiça”. A entrevista é instigante e contribui para se entender a complexidade da matéria que está em curso no Ipaam, nos Ministério Público Federal e Estadual. Ainda temos muitas discussões tanto na Câmara como na Assembléia Legislativa sem se falar ainda nas novas Audiências Públicas que serão feitas para aprovar ou não o projeto.

Documento recém-divulgado pelo Núcleo de Cultura Política da Ufam, do qual o senhor é signatário, trata a construção do porto da Lajes como manobra do governo do Amazonas e empresa Lajes Logística. Onde está a manobra?

O fato é que em outubro passado o governo do Estado anexou em seu portal matéria anunciando a construção do porto das Lajes como um empreendimento messiânico que viria solucionar o problema logístico do Pólo Industrial de Manaus quanto à exportação. No entanto, em cumprimento a legislação ambiental a empresa construtora deveria cumprir todo o rito, por meio do Ipaam, submetendo a discussão junto às comunidades do Aleixo o EIA/RIMA, referente ao Estudo e o Relatório de Impacto Ambiental. A primeira vitória dos comunitários foi remarcar a data e trazer para dentro da comunidade a realização da Audiência Púbica, sendo feita no dia 19 de novembro passado, iniciando às 15h e prolongando-se até a 0h00 do dia 20, quando os doutores da empresa Liga Consultores, autores do EIA/RIMA ouviram um sonoro não da comunidade com o aval do Ministério Público Estadual, contrariando a vontade do governo do Estado e dos dirigentes da Suframa. Enquanto a comunidade disse não, o promotor Mauro Veras, com o aval da Ufam, deu um puxão de orelha nos autores do EIA/RIMA.

Mas, o EIA/RIMA não foram feitos pela Ufam?

Não, a Ufam enquanto instituição de pesquisa não participou efetivamente desses estudos. Aí é que está o jogo. Pesquisadores da Ufam, quando conveniente usam o nome da Ufam para se apresentar e justificar a venda de balcão dos Estudos e Relatórios de Impacto Ambiental. Esse campo de estudo tornou-se um grande negócio para esses senhores que transformaram a prática acadêmica num toma-lá-dá-cá. É um caso de polícia que requer de imediato a intervenção das autoridades competentes. A omissão é pactuação.

O documento traz ainda a informação de que estão previsto 63 impactos para o empreendimento. Desse total cinco positivos e 58 negativos. Explique melhor.

Tomamos por referência o Parecer Técnico sobre o EIA/RIMA que a Ufam elaborou em atenção ao Ministério Público Estadual, onde se denuncia o amadorismo ou oportunismo dos autores pertencente à Liga Consultores. Na verdade os autores foram reprovados publicamente, não só pelo saber dos comunitários como também pelos especialistas convocados para avaliar os procedimentos adotados. Veja, dos 63 impactos assim os pesquisadores da Liga, arrogantemente, afirmaram que o empreendimento apresenta condições favoráveis a sua implantação.

Existe de fato esquema montado pelo governo do estado, empresário e pesquisadores da Liga de Consultores com algumas indústrias do Pólo Industrial de Manaus?

Não, conforme relato do dirigente da Suframa na Audiência Pública referida, a Agência Federal se empenhou na busca dos parceiros. A empresa Lajes Logística S/A resulta dessa mediação. Notas de jornais da época dão conta da participação do governador do estado do Amazonas em articulação internacional com empresários italianos. A bem da verdade, a empresa estruturante desse empreendimento é a Vale do Rio Doce, que desde 2001, por meio do seu executivo de frente, Sergio Gabizo, vem gerenciando os contratos entre a Aliança Navegação e Logística Ltda. e a Docenave, do grupo Vale do Rio Doce, que fecharam acordo na época para aumentar a freqüência e o número de navios entre os principais portos do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai). As duas companhias estão entre as maiores do setor de navegação do País, no transporte de contêineres a longa distância e cabotagem. O concorrente desse mercado são as empresas de transporte rodoviário. Mas, futuramente estarão compondo o consórcio. O que falta é transparência, separando bem o público do privado e, sobretudo a cobrança sobre as empresas quanto à sua responsabilidade social e ambiental.

De que forma o EIA/RIMA Porto das Lajes destrata a população e ameaçam de morte o Lago do Aleixo?

A começar por destratar as famílias da Colônia Antonio Aleixo, quando realiza uma pesquisa social faz de conta, com um número ínfimo de pessoas, num universo de mais de 30 mil moradores e chega a conclusões morais quanto à vida e comportamento dessa gente, que historicamente tem sofrido todos os tipos de discriminação e preconceito por ser vítima da hanseníase e da exclusão social. Mesmo assim, vem lutando pelos seus direitos por meio do movimento de integração dos hansenianos e suas organizações populares. O relatório apresentado promove a morte simbólica dos comunitários do Lago do Aleixo e afirma o poderio econômico como única alternativa para “salvar” os moradores da condição em que se encontram. O Estudo ainda pega por não apresentar nenhuma análise referente ao Estudo de Impacto de Vizinhança, o que é obrigatório. Quanto ao Lago, o momento é propício para se avaliar o seu atual estado ocupado pelo Suframa por meio do Distrito Dois com fábricas, madeireiras, flutuantes e outras mazelas sem nenhuma responsabilidade social e ambiental. A construção do Porto, nesse contexto, representa o golpe fatal contra o meio ambiente local e o povo da Colônia Antonio Aleixo.

O porto da Lajes em nenhum circunstância pode ser considerado com máquina propulsora do desenvolvido econômico?

Claro que não, é apenas um meio, a serviço da logística do Pólo Industrial de Manaus, que por sua vez não têm muito fôlego no mercado competitivo se não contar com ajuda de incentivo do Estado. Aqui o capitalismo é capenga e muito mais guloso. Suspeita-se até que a construção do porto, com a retração econômica, incentive diretamente a expansão dos “sojeiros” que avançam sobre a floresta de norte a sul. Portanto, está em pauta à discussão sobre as políticas de desenvolvimento regional e, sobretudo, a tese da sustentabilidade fundada na racionalidade do capital em detrimento da qualidade de vida do homem e seu desenvolvimento humano.

Qual o resultado prático do movimento "O banzeiro do encontro das águas” realizado na semana passada?

Foi uma demonstração de força da comunidade frente ao poderio econômico da empresa Lajes Logística S/A (Log-in Logística intermodal) com sede no Rio de Janeiro representado pela Bovespa e Vale do Rio Doce, sendo que em Manaus é representado pelo Grupo Simões (coca-cola) sob a denominação de Juma Participações S/A. Com o banzeiro, enquanto movimento, intensificamos muito mais a interlocução com as lideranças comunitárias por meio da conexão de saberes em direção a pesquisa de todo ecossistema que abriga o nosso suntuoso encontro das águas. Além de consolidar essa relação dialógica contribuiu também para sensibilizar a população manauara para participar da defesa desse patrimônio que é nosso. O resultado positivo pode-se conferir pela difusão nos meios de comunicação de massa e pela rede de computadores, que tem sido o nosso grande veículo de comunicação com os ambientalistas e amantes da natureza pelo mundo a fora. Acredito até que o príncipe Charles ao chegar a Manaus poderá nos conceder uma “palhinha” em defesa dessa causa.

O que pensa a comunidade a respeito do empreendimento?

Todo o movimento feito por meio do banzeiro foi para se dar visibilidade as manifestações das lideranças comunitárias, com autonomia e determinação. O nosso papel é de consultoria e articulação e a comunidade do Lago do Aleixo tem dito que não é contra a construção do porto. Assim como as lideranças também somos contra a construção do porto nas adjacências do Encontro das Águas, que seja feito num lugar menos impactantes sob o controle do movimento social.

O senhor tem conhecimento de suposta "guerra santa", promovida pela empresa construtora com apoio da Superintendência da Zona Franca de Manaus, com o objetivo de jogar evangélicos protestantes contra os católicos para que se dividam e enfraqueçam o movimento?

Segundo os moradores, a empresa construtora e a Suframa estão prometendo mundo e fundos para garantir o aceite dos comunitários. Resolveram distribuir três mil boletins impressos usando a imagens dos comunitários cooptados. Como se não bastasse investiram também num pastor de uma das igrejas pentecostais para afrontar os católicos, tentando dividir o povo para reinar. No entanto, as lideranças reagiram puxando uma assembléia e escolhendo um Comitê Comunitário representado por suas associações, na dúvida recorrerão à assembléia para dirimir dúvida. Com isso, os moradores da Colônia Antonio Aleixo estão dizendo que só e somente só esse Comitê é legítimo para falar em nome das comunidades. Esse grito é importante para que as autoridades constituídas, não se deixarem enganar por falsas lideranças e associações de aluguéis. O jogo é pesado e a baixaria continua.

Uma das preocupações levantadas pelo movimento contrário à construção do porto está relacionada ao Encontro das Águas. De que forma o cenário poderia ser afetado.

Primeiro, o lugar onde se pretende construir o porto é considerado por especialista como espaço arqueológico. Uma parte do porto vai ser edificada na “boca do Lago do Aleixo” e isso, dizem os especialistas vai asfixiar as diversas formas de vida do Lago. Outra, a construção e por isso fomos conferir de perto, fica nas mediações do Encontro das Águas, o pátio a ser construído terá mais de 100 mil metros quadrados de área, com capacidade para mais de 250 contêiner. Ora, ora, a unidade múltipla de um ecossistema é similar a de um cristal, não se recompõe na sua integridade. Não me venha falar de porto verde, ecologicamente correto, como estratégia de aliciamento. Tudo isso é conversa de onça trepada no chão para devorar os incautos.

De acordo com Sérgio Gabizo, diretor da Lajes Logística, o volume de investimento para a construção do porto é R$ 220 milhões. Pelo total de recurso a ser investido não lhe parece que o projeto é revolucionário para o setor portuário?

Gabizo é um alto executivo da Vale do Rio Doce, ele só entre em bola dividida, mas, aqui ele não esperava encontrar tanta reação porque, segundo as nossas fontes, ele já havia acertado tudo com os interlocutores palacianos. Na verdade, o Gabizo armou o jogo, mas não combinou com os adversários, que são os moradores do Lago do Aleixo, assim também, com os Amigos de Manaus e os demais amantes da natureza que não tem pátria e que lutam por um planeta realmente sustentável. Esta luta tem nos feito acreditar, contrario a tese de que todo o homem tem o seu preço, que ainda é possível acreditar nos homens de bem, na justiça e na própria força dos filhos da terra dos manaós. Que o Gabizo ou outro aventureiro queiram comprar o teatro Amazonas para transformar num supermercado ou destruir o Encontro das Águas para construir um porto, isso não nos assusta. O que assusta a todos é a omissão, o silêncio do governador Eduardo Braga e demais parlamentares do Estado, que mesmo que não tenham nascidos nesse território deveriam cultuar por amor aos seus filhos. Mas, tudo indica que foram embrutecidos e estropiados pela voracidade da corrupção e acumulação do capital. Enfim, o projeto é muito mais do que o valor apresentado e pelas suas condições objetivas qualifica-se como predador e não um revolucionário.

Todos sabem da carência, das dificuldades que vivem os moradores da Colônia Antônio Aleixo. Desde que viabilizado, o porto vai gerar 120 empregos diretos. Isto não é um ganho para a comunidade?

Não confundamos carência com perda de dignidade. Esse povo é altivo e tem sofrido todo o tido de agressão por parte das agências intermediárias que defendem a construção do porto. Ora, a catilinária do Gabizo e outros agentes do governo é pegar o povo pela boca, oferecendo cursinhos disto ou daquilo e até mesmo emprego e sacola de rancho. Mas, o que significa 120 empregos, se ocorrer, no universo de mais de 30 mil moradores, vivendo em péssimas condições de saneamento, onde o Estado é omisso e irresponsável por promover a exclusão social. Só resta o próprio ânimo da força organizada dessa gente para enfrentar os predadores e os vilões do povo. Lutemos pela solidariedade e pela justiça social, contra a corrupção e a mentira.

Na avaliação de Sérgio Gabizo, a construção do porto é viável e que isso foi constatado em estudo de quatro meses pela empresa. Qual a sua opinião sobre essa afirmação?

Com todo respeito a esse profissional, mas ele pisou na bola, ele ofende o povo de bem do Amazonas e coloca a Vale do Rio Doce numa saia justa, porque aonde a Vale se instalar no mundo será estigmatizada por tentar depredar um patrimônio que não é só dos moradores do Lago do Aleixo, dos Amazonenses, mas da humanidade. Em sua última entrevista, em reação ao nosso movimento, ele disse que ia começar a obra em junho e que em dois anos estaria pronta. Sua atitude foi uma afronta a justiça e, sobretudo aos profissionais do Ipaam. Mal ele sabe que a questão está federalizada e que o seu currículo, assim como dos seus pares, como executivo de top será maculado pela forças dos naturais dessa terra da cepa de Ajuricaba, em defesa do Encontro das Águas.

O senhor tem alguma informação se a Marinha do Brasil já se pronunciou sobre o assunto?

A marinha assim como outros segmentos convergentes estão sendo ouvidos pelo Ministério Público Federal, bem como pelo Estadual, que instauraram processo civil para apurar as possíveis irregularidades que foram comprovadas nos autos. Até mesmo o Parecer Técnico do Ipaam recomenda que dê ciência a marinha e demais órgãos arrolados no processo. O bicho vai pegar e os covardes sairão da caverna para ser reconhecidos à luz do dia sob a vara da justiça e julgamento popular.

A secretária da SDS, Nádia Ferreira, na condição de presidente do CEMAM, considerou fundamental prestar esclarecimentos prévios a sociedade sobre o Porto das Lajes, antes da realização da Audiência Pública. Isso foi feito?

Esta senhora tem uma grande responsabilidade, pois ela preside o Conselho Estadual do Meio Ambiente do maior estado dessa Federação, que é o Amazonas. Não sei se ela já se deu conta, mas a sua decisão e de seus pares, formado pela congregação de 54 instituições é de extrema importância para se fazer justiça e barrar uma vez por toda a arrogância e a ganância de aventureiros e oportunistas que pretendem reduzir todo bem natural em mercadoria, em nome do progresso, como eles estão propagando no meio das comunidades. Ademais, esses aventureiros espelharam também que podem comprar tudo e todos para fazer valer a vontade do grande capital. Nós acreditamos que a mentira pode ser iluminada pela verdade dos fatos e que no dia 17 março, quando estará em pauta a no Conselho o Porto da Laje, os nobres conselheiros irão se manifestar com isenção e autonomia contra a construção desse monstrengo e votarão por uma nova alternativa para se construir o Porto, longe bem longe, do Encontro das Águas, mas sob a vigilância do conselho e das lideranças populares. Como otimista radical, acreditamos que ainda somos capazes de resistir e vencer juntos.

Fonte:
NCPAM
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Salir del capitalismo para salvar al planeta

Foto: Rogelio Casado - SOS Encontro das Águas - Manaus-Am, 15.02.2009
Nota do blog: Na imagem acima vê-se o rio Negro, com suas águas escuras, próximo à boca do lago do Aleixo, nos arredores de Manaus. A rigor estamos no rio Amazonas. Explico. Em razão da cheia o rio Negro avança vários quilometros na direção do que seria o leito do rio Amazonas. Lindo, não é? Pois esse paraíso está ameaçado pelo capital predatório, pondo em risco a vida das espécies viventes na região, inclusive a humana. É que além da expansão do Distrito Industrial em direção a essa dádiva da natureza, e que há anos vem poluindo com metais pesados os igarapés desse território, a Superintendência da Zona Franca de Manaus quer construir um porto a montante desse importante patrimômio da humanidade. Ora, nesse lugar fica situado exatamente diante do magnífico Encontro das Águas. Parte da floresta vista na imagem, nos próximos meses ficará submersa, constituíndo o que se conhece como igapó. É aí que os peixes desovam e reproduzem suas espécies. Imaginem o que a construção de um porto nas proximidades vai fazer com o lugar! Amazonenses, se o capital não tem pátria, na hora de mostrar o valor da nossa identidade cultural. Uni-vos!

***


SALIR DEL CAPITALISMO PARA SALVAR AL PLANETA

Un libro de Hervé Kemft

Hervé Kemft no es solo un periodista de Le Monde. Es un ecólogo de la razón, un militante de la pluma que ha alumbrado una nueva obra de referencia para la causa ambientalista. No vayan a creer que Hervé Kemft es un khmer rojo/verde. No pretende abandonar la economía de mercado solo salir de lo que el llama “ un estado social en el que la gente solo se halla motivada por la búsqueda de ganancias y acepta que todas las actividades por las que se hallan relacionados sus individuos sean reguladas por los mecanismos del mercado ” .

Kempf analiza en perspectiva 30 años de capitalismo desenfrenado y mortífero, lo que algunos llama ultraliberalismo para relegar al olvido a los accionistas. Treinta años en que los accionistas y sus grandes y serviles dirigentes han venido ganando en influencia – y ganancias - con el propósito de imponer su egoísta modelo. Ahora cuando la crisis financiera apesta “ nada sería peor que, frente a las dificultades, dejar a la oligarquía recurrir a los viejos remedios, un relanzamiento masivo, una reconstrucción del orden anterior ”

¡La urgencia ecológica y la justicia social deben hallarse en el centro del proyecto político de estos tiempos! ” ¿Un altermundista Kempf? Puede ser. Pero con el rigor de un científico para confirmarlo. Estamos acelerando la destrucción de la tierra para complacer las necesidades compulsivas de la oligarquía y de quienes aspiran a integrarla. Como contrapartida participando de la alienación que provoca un sistema que genera esta enorme crisis económica, duplicada por una crisis ecológica sin precedentes, en que la clase media recoge las migajas de la torta de los oligarcas y los pobres las migajas de las migajas. Solo una muy pequeña oligarquía mundial, goza realmente de un sistema que ha desviado en provecho propio. Gracias a los demás, ustedes, yo, nosotros…

Y entonces ¿para qué continuar? ¿Porqué seguir aceptando esta alienación? Parece que la manipulación colectiva del sistema capitalista ha desviado al individuo de las lógicas colectivas. El condicionamiento síquico del cada uno para sí mismo, donde el bien común ha sido reducido al aumento del PBI. Es necesario tomar conciencia. Hoy más que nunca “ ser subversivo es pasar de lo individual a lo colectivo ” Hervé Kemft desmitifica el “ crecimiento verde ” , ese instrumento del viejo crecimiento disfrazado de buena conciencia que la oligarquía ha llegado a integrar, cuyo objetivo es solo perpetuar el sistema capitalista sin cambiar ni un ápice su carácter devastador.

El crecimiento verde es un “ big green washing ” inventado por las élites presionadas por la opinión pública para consumar la ilusión tecnológica y continuar aumentando los dividendos. La tecnología no será suficientes para vencer la crisis ambiental. Ni la energía nuclear, ni la renovable impedirán el desastre del cambio climático. La energía nuclear menos aún que las energías renovables. Sería necesario realizar un cambio radical para desviar la trayectoria del desastre. Las conclusiones del libro parecen sombrías, adiós a la ilusión del crecimiento verde. Deconstrucción global, hay que ir más lejos, reinventar la organización de las relaciones sociales, para servir a los objetivos del bien común, para no seguir alienado dentro de un modelo individualista.

Es necesario salirse de los condicionamientos para abrirle a lo posible el porvenir. Mantenerse en la economía de mercado y salir del capitalismo, es alentar exigencias de solidaridad salvadora para la humanidad y el ecosistema. No es volver a la era de las cavernas o a la economía planificada. Es vivir en una época en que el mercado sería “ un hábito del mundo y no un déspota nervioso ” en que “ las personas se hallen motivadas por otras alternativas y no solo por el propio interés ” . Mutuales cooperativas, asociaciones, impuestos, indicadores de bienestar, asociaciones, inversiones solidarias, reglas de protección ambiental y social… tenemos muchos instrumentos alternativos al capitalismo. ¿Quién puede llevar adelante este proyecto político ¿En Francia, en Europa, en el mundo?

http://mneaquitaine.wordpress.com

Traducción Susana Merino
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SOS Encontro das Águas

Fotos: Rogelio Casado - SOS Encontro das Águas - Manaus-Am, 15.02.2009

SOS Encontro das Águas é um movimento social que surgiu como resposta da sociedade civil manauara contra a construção de um porto no Encontro das Águas do rio Negro com o rio Solimões, no estado do Amazonas, Brasil. Não deixe que esse patrimônio da humanidade seja destruído. Venha lutar em defesa da história, da identidade e da cultura dos amazonenses. Mais informações, leia em outras postagens neste blog.
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