janeiro 30, 2011

Saúde Mental no Amazonas: avançamos? (II)

PICICA: "Os fundamentos da clínica antimanicomial, por exemplo, tal como proposta por Ana Marta Lobosque e Miriam Abou-Yd, ainda não fazem parte do processo de formação dos trabalhadores de saúde mental no território amazonense." Essa dívida por ser dividida, sem medo de errar, com um dos parceiros da Reforma Psiquiátrica. O Amazonas fez sua parte, no entanto a Coordenação Nacional de Saúde Mental não estendeu seu braço para vincular a Residência Médica em Psiquiatria, que aqui criamos, a uma das nossas mais respeitadas instituições universitárias - no caso o IPUB, doa UFRJ, como era nosso pleito. Entretanto, outros estados com maior densidade política foram contemplados com generoso apoio, como no caso das residências multiprofissionais. O documento enviado pela coordenação estadual sequer teve, para o seu pedido, uma negativa formal. Esse desequilíbrio entre os estados é de tirar sono dos justos.

Saúde Mental no Amazonas: avançamos? (II)

         Acompanhe os comentários do texto escrito, depois de amplo debate público, em 2003, como Introdução à Política Estadual de Saúde Mental do Amazonas, aprovado pelo Conselho Estadual de Saúde, na minha gestão como coordenador do Programa de Saúde Mental (2001-2007).

         “Apesar de revertermos a ideologia do isolamento do doente mental, o novo tipo de contrato com a população atendida, tal como proposta pela Reforma Psiquiátrica brasileira ao assumir o lema “Por uma sociedade sem manicômios”, foi frustrada no Amazonas não mais pela acolhida passiva dos doentes, mas porque o novo papel social dos técnicos em saúde mental foi negligenciado ao deixar de receber investimentos por um outro tipo de formação que os novos tempos continuam requerendo.” (Somente em 2004 e 2005, a Fiocruz ofereceria dois cursos de saúde mental com quarenta vagas cada um, em nível de especialização; e em 2007, a Secretaria Estadual de Saúde criou a residência médica em psiquiatria, com três anos de duração, tendo formado cinco especialistas. Sobre este último, infelizmente ele tem seu campo de prática basicamente no antigo hospício público, correndo o risco de reproduzir o velho modelo manicomial de atenção ao portador de sofrimento psíquico).

         “Os fundamentos da clínica antimanicomial, por exemplo, tal como proposta por Ana Marta Lobosque e Miriam Abou-Yd, ainda não fazem parte do processo de formação dos trabalhadores de saúde mental no território amazonense. Além da agilidade teórica e do delicado manejo da prática proporcionada pela clínica antimanicomial, para o avanço da Reforma Psiquiátrica no Amazonas deve-se agregar a Reabilitação Psicossocial, tal como defende a psiquiatra Ana Maria Fernandes Pitta, que ocupou a Secretaria Nacional para o Brasil da Associação Mundial para Reabilitação Psicossocial, como um programa eticamente responsável, como “uma estratégia, uma vontade política, uma modalidade compreensiva, complexa e delicada de cuidados para pessoas vulneráveis aos modos de sociabilidade habituais que necessitam cuidados igualmente complexos e delicados”.” (Tanto assim que o médico residente encontra dificuldades de adaptação ao novo modelo praticado nos únicos dois centros de atenção psicossocial de Manaus).

         “Nos últimos 16 anos, o Estado do Amazonas – hoje com uma população de 2.961.804 habitantes – não fez nenhum investimento na construção de uma rede de serviços de atenção diária às pessoas com transtorno mental, tampouco os técnicos em saúde mental receberam qualquer tipo de capacitação que os habilitassem a atuar nos serviços substitutivos à dobradinha hospital psiquiátrico-ambulatório, conforme definem as portarias ministeriais desde o início dos anos 90. Serviços substitutivos ao hospital psiquiátrico inexistem em todo o Estado do Amazonas.” (Salvo em Manaus, onde fora implantados dois CAPS, um em 2006 e outro em 2010, no interior do estado apenas cinco municípios cumpriram suas obrigações: Parintins, Tefé, Iranduba, Rio Preto da Eva e Manicoré. É pouco. O texto, portanto, expressa a inquietação reinante no setor até o ano de 2003, quando foi iniciada a retomada da reforma psiquiátrica entre nós, amazonenses). 

Manaus, Dezembro de 2010.
Rogelio Casado, especialista em Saúde Mental


PICICA: Artigo publicado no caderno Saúde & Bem Estar, do jornal Amazonas em Tempo.

janeiro 29, 2011

"Num cantinho do SUS!", por Egydio Schwade

PICICA: "Doroti foi uma das iniciadoras da luta pelo SUS no país. Como indigenista do CIMI participou das três primeiras Conferências Nacionais de Saúde, após a ditadura militar, onde a sua voz se levantou, insistente e vigorosa, em favor da criação de um sistema único de saúde, o que viria a favorecer principalmente os mais pobres."
Imagem postada em Rádio Nederland

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011


"Num cantinho do SUS!"

Maiká e Luiz Augusto presenciaram as últimas batidas do coração de sua mãe, minha querida esposa Doroti. Cheguei logo em seguida ao Hospital João Lucio em Manaus. Os meninos me abraçaram e um deles me disse: “Papai, mamãe morreu como sempre quis. Em um cantinho do SUS”. Doroti teve um AVC no amanhecer do dia 02 de dezembro de 2010 aqui casa em Presidente Figueiredo, quando se preparava, em clima de festa, para ir a Manaus providenciar os últimos detalhes do casamento de Maiká e Michéli e comprar seus novos óculos. Levada imediatamente ao hospital local foi logo encaminhada para o Hospital João Lúcio em Manaus. Como o seu caso foi considerado irreversível, não a transferiram mais para a UTI, mas foi mantida no Pronto Socorro, onde a família teria acesso limitado até a última batida do seu coração. Só no fim da tarde do dia seguinte, por insistência de amigos foi transferida para fora do Pronto Socorro, no cantinho de um salão coletivo, onde alguém da família pode marcar presença permanente. Não demorou mais de meia hora ali quando faleceu.
Doroti foi uma das iniciadoras da luta pelo SUS no país. Como indigenista do CIMI participou das três primeiras Conferências Nacionais de Saúde, após a ditadura militar, onde a sua voz se levantou, insistente e vigorosa, em favor da criação de um sistema único de saúde, o que viria a favorecer principalmente os mais pobres.
Em sua vida nunca aceitou tratamento via privilégios. No último ano teve sérios problemas de visão. Sintoma mais forte de que algo não estava em ordem no seu organismo. Em junho procurou, através dos trâmites normais, o médico do posto de saúde do bairro. Este a encaminhou ao oftalmologista da Prefeitura de Presidente Figueiredo, pago pelo SUS, onde a encarregada do agendamento adiou a sua consulta para o mês seguinte. No mês seguinte seguiu os mesmos trâmites e mais uma vez a consulta foi adiada para o próximo mês. O mesmo ocorreu até outubro, quando desanimada, não quis mais se consultar aqui. Neste momento eu interferi e a acompanhei. Aproveitaria para fazer minha consulta também, pois há mais de cinco anos não havia feito. No novo encaminhamento o médico do posto sublinhou duas vezes “com urgência”. Mas, chegando ao centro de atendimento, a secretária de agendamento novamente nos disse que só poderia ser atendida em dezembro. Ante a minha insistência sobre o encaminhamento “com urgência ” do médico do nosso posto, a atendente nos disse: “Então vão ao hospital e falem com seu Gilson!” – mostrando claramente que existia um esquema 2 de encaminhamento, oculto ao comum dos mortais. De fato, embora Doroti não quisesse, dirigi-me ao hospital onde procurei o Sr. Gilson. Mostrei-lhe o encaminhamento médico, ao que ele me respondeu: “Na próxima semana o Doutor não vem, mas na segunda semana de novembro estará”. E me solicitou que lhe ligasse um dia antes de sua vinda para ele fazer o agendamento. Foi o que fiz. Doroti se apresentou na hora marcada, mas não foi atendida porque o oftalmologista não compareceu ao trabalho. A consulta foi então adiada para a última semana do mês, quando, finalmente, foi atendida. Já era tarde, o AVC a vitimou na manhã em que iria a Manaus corrigir os seus problemas de visão. 
A minha consulta estava agendada para o dia em que aconteceu o AVC de Doroti. Obviamente não compareci. Durante o velório de Doroti o Sr. Gilson procurou, espontaneamente a família para remarcar a minha consulta, atitude totalmente diferente da que foi utilizada com minha esposa Doroti, durante meio ano. Na oportunidade do meu atendimento constatei e me foi confirmado por outro favorecido que um esquema 2 de agendamento, desconhecido até pelo médico do bairro, prioriza “clientes especiais”. Havia ali vereador, empresário, irmão do agendador 2, chefe de gabinete de vereador, todos agendados pelo Sr. Gilson e não pela pessoa encarregada no centro de atendimento a qual sequer marcou presença no local das consultas.
Problemas e impasses atuais do SUS!

Casa da Cultura do Urubuí/ Presidente Figueiredo/ 26-01-11
Egydio Schwade 


Fonte: Casa da Cultura do Urubuí

O que é isso, companheiro? Deixe o elogio a Belo Monte para quem não conhece a Amazônia.

PICICA:  Pai, perdoa o companheiro Julinho. Ele não sabe o que diz. Como fundador do PT no Amazonas, sinto-me profundamente envergonhado pela decisão do governo federal na construção da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu. De uma só vez estão comprometidos o futuro das comunidades indígenas, ribeirinhos, pequenos agricultores, pescadores e populações extrativistas dessa região tão cara à história do Brasil.
TVPTBrasil | 28 de janeiro de 2011 | 
 
***
 
O Complexo Hidrelétrico de Belo Monte pode vir a ser
um dos maiores desastres sociais e ambientais da história da Amazônia.

Se construído, vai desviar e secar o Rio Xingu em um trecho de 100 quilômetros, conhecido como a Volta Grande, deixando o rio seco e povos indígenas, ribeirinhos, populações extrativistas e agricultores familiares sem água, peixe e meios de transporte. Além disso, vai inundar uma área de 668 quilômetros quadrados, inclusive parte da cidade de Altamira, contribuindo para a perda da biodiversidade, o aumento de doenças como a malária, emissões de gases de efeito estufa e outros graves problemas socioambientais.

Economistas, engenheiros e outros especialistas têm demonstrado que Belo Monte, cujo custo pode chegar a mais de R$30 bilhões, não é um projeto economicamente viável. Mesmo assim, o governo federal tem pressionado o BNDES a utilizar dinheiro do contribuinte brasileiro e de fundos de aposentadoria de empresas estatais para bancar um empreendimento como este, que é altamente arriscado.

Existem caminhos muito melhores para promover o desenvolvimento sustentável da Amazônia, com respeito e envolvimento das populações locais e para atender às legitimas necessidades de energia do país, como investimentos em eficiência energética e fontes verdadeiramente limpas, como solar e eólica.

Apoie os direitos indígenas e o livre curso dos rios. Assine a petição para acabar com a mostruosa barragem de Belo Monte na Amazônia!  http://tinyurl.com/PareBeloMonstro

·  Visite o site do Movimento Xingu Vivo Para Sempre
 
·  E, por favor, não esqueça de compartilhar a petição no Facebook, Twitter, Orkut, ou em qualquer outra rede social da qual você faça parte.

"¡Piratas!:" vídeo documental sobre el conflicto en Somalia (un crimen de lesa-humanidad)

PICICA: "Como adquirir uma opinião competente sobre assuntos públicos de interesse mundial através da mídia atual, se o conhecimento por ela produzido mantém fora do alcance do mortal comum uma compreensão razoável dos eventos que ele não vivenciou e do qual a imagem derivada são ficções que deixam invisíveis e ininteligíveis a verdadeira representação dos fatos? Vendo o documentário sobre o drama dos somalis, numa época de crise da mídia, é lamentável que esta sequer faça um uso mais inteligente da internet ao reproduzir a versão ficcionada que interessa a quem não quer revelar e atribuir responsabilidades sobre a chocante realidade vivida naquela parte do planeta. Alô ONU, alguém no plantão? Estamos diante de um triplo crime: midiático, ambiental e político."
¡Piratas! from Juan Falque on Vimeo.
La piratería en Somalia acapara los medios de comunicación, pero la información llega, en la mayoría de los casos, fragmentada, distorsionada, manipulada. Este documental trata de reorganizar y completar la información existente, ofreciendo un acercamiento a este conflicto, a su origen, a sus motivaciones... y sobre todo a sus consecuencias. 

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Aumentar tamaño del texto Disminuir tamaño del texto Partir el texto en columnas Ver como pdf 29-01-2011

Vídeo documental sobre el conflicto en Somalia (23 min.)
¡Piratas!

Iraila

La piratería en Somalia acapara los medios de comunicación, pero la información llega, en la mayoría de los casos, fragmentada, distorsionada, manipulada.

Este documental trata de reorganizar y completar la información existente, ofreciendo un acercamiento a este conflicto, a su origen, a sus motivaciones... y sobre todo a sus consecuencias.


Rebelión ha publicado este trabajo con el permiso del autor mediante una licencia de Creative Commons, respetando su libertad para publicarlo en otras fuentes.


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Fuente: Rebelión

Cuba, CIA y la red social

PICICA: La otra cara de Facebook.
lapupilainsomne | 27 de janeiro de 2011 |

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Aumentar tamaño del texto Disminuir tamaño del texto Partir el texto en columnas Ver como pdf 29-01-2011

En “La red social” faltan Cuba y la CIA (video)

La pupila insomne

Suspenso e intriga agregaría a la premiada película The social network la información contenida en este video que han realizado los colegas de Cubainformación, basados en nuestro post “Para una segunda parte de The social network“. Lo hemos colocado en nuestro canal en YouTube y se lo dejamos acá: (arriba)

http://lapupilainsomne.wordpress.com/2011/01/28/en-la-red-social-faltan-cuba-y-la-cia-video/#more-7370


Fuente: Rebelión 

Movimentos sociais, partidos políticos, sindicatos e centrais sindicais unidos pela libertação de Cesare Battisti

PICICA: "Mais do que desatar uma cruzada contra o ex-militante, a direita européia e sua congênere brasileira buscam dar uma demonstração de guerra implacável contra aqueles que ousarem se opor ao sistema de dominação e exploração." Leia, também, "Cesare Battisti envia carta a Dilma", "Uma carta de Cesare Battisti: A história não se julga nos tribunais, ela será sempre matéria de historiadores". Não deixe de ler o artigo de Carlos A. Lungarzo sobre o voto do parlamento europeu sobre o caso Cesare Battisti.

Em frente ao consulado italiano em São Paulo: é a hora da virada?



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A grande novidade é a participação de representantes de movimentos sociais, partidos políticos, sindicatos e centrais sindicais importantes, o que sinaliza uma mudança de atitude do conjunto da esquerda em relação ao caso de Cesare BattistiPor Passa Palavra
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Como continuidade das atividades encampadas [organizadas] pelo Movimento Battisti Livre, de São Paulo, cerca de 100 pessoas estiveram presentes hoje, dia 28/01, durante o horário de almoço, em frente ao Consulado Italiano, no calçadão [passeio] da Avenida Paulista.

Entoando palavras de ordem que exigiam a libertação imediata do 
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militante italiano e repudiavam o caráter crescentemente fascista do Estado italiano, os manifestantes pronunciavam-se por um megafone para relatar aos passantes as inúmeras manobras jurídicas e políticas que têm atacado o direito de organização de todos os lutadores sociais.

Um desproporcional efetivo da Polícia Militar, desde às 11h, já fazia a proteção do prédio do Consulado. Porém, nenhum tipo de atrito foi gerado, já que o ato prosseguiu de forma completamente pacífica.
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A grande novidade é a participação de representantes de movimentos sociais, partidos políticos, sindicatos e centrais sindicais importantes, o que sinaliza uma mudança de atitude do conjunto da esquerda em relação ao caso de Cesare Battisti.

Ao final, foi lido em forma de jogral um manifesto escrito pelos apoiadores de Battisti de São Paulo – documento que foi aclamado por todos os participantes. A entrega oficial do manifesto chegou a ser cogitada, mas as autoridades do Consulado italiano se negaram a recebê-lo.
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Manifesto contra a extradição de Cesare Battisti para a Itália
Um sombrio cenário de neofascismo avança sobre boa parte da Europa. O governo italiano ressuscitou na pessoa de Silvio Berlusconi os carrascos do passado. Imerso em escândalos pessoais e crises políticas, o primeiro ministro italiano leva adiante a sanha de pedir a cabeça de Cesare Battisti, escritor preso no Brasil em março de 2007, numa operação organizada pelos governos da Itália, da França e a Polícia Federal brasileira.
Várias intervenções do Estado italiano foram feitas sobre Brasília, na tentativa de garantir a extradição do ex-militante, atropelando qualquer lampejo de soberania nacional brasileira. Os setores mais conservadores da sociedade italiana, em conluio com os meios de comunicação – em grande parte, propriedade de Berlusconi -, forjam manifestações exigindo a entrega de Battisti à pena de prisão perpétua, da qual seis meses deverão ser cumpridos sob regime de privação da luz do sol. Como o próprio escritor adverte, transformaram-no em um “monstro” que ele não reconhece.
Battisti foi condenado inicialmente em 1979 por dois crimes banais (porte de armas e formação de quadrilha com finalidades subversivas), classificados como “políticos” por render pena mais extensa sob o governo dos herdeiros de Mussolini. Nenhuma das condenações mencionava os quatro assassinatos por que hoje responde. Somente depois, foram depositados arbitrariamente sobre seus ombros crimes que não cometeu, graças a delações premiadas e sentenças expedidas a sua revelia por uma Corte de baixíssima credibilidade. Trata-se de um julgamento político.
Por estas e outras razões é que nós, ativistas políticos, juristas, trabalhadores de diversos campos, lutadores tal como Battisti, viemos manifestar nosso repúdio a esta ofensiva reacionária sobre Cesare Battisti e sobre o direito de organização dos movimentos sociais, tanto no Brasil como na Itália.
Nós, que não contamos com os aparatos estatais e judiciários, temos a nítida perspectiva que “Lutar não é crime”, porque não enxergamos a realidade pela qual somos oprimidos e contra a qual lutamos pelas lentes de nossos inimigos. Atentar contra Battisti é atentar contra cada um de nós, e por isso não o entregaremos. Lutaremos pelo seu direito de ser asilado em nosso país, contra as intervenções do Estado italiano e as forças reacionárias instaladas no Planalto Central.
Este ambiente de perseguição ao escritor Cesare Battisti não passa de um acerto de contas com os lutadores do passado para dar um bom exemplo aos combatentes do presente e do futuro. Afinal, a Europa está afogada em déficits estatais por alimentar os grandes monopólios durante a crise financeira mundial. Manifestações de milhões de trabalhadores e estudantes lotam as ruas em vários países da Europa contra a retirada de direitos sociais historicamente conquistados. Eis uma atmosfera para o surgimento de não poucos Cesares, mas de milhares! Mais do que desatar uma cruzada contra o ex-militante, a direita européia e sua congênere brasileira buscam dar uma demonstração de guerra implacável contra aqueles que ousarem se opor ao sistema de dominação e exploração.
Utilizaremos os meios judiciais e políticos, tais como manifestações públicas, para acabar definitivamente com esta “fuga sem fim” que, no Brasil, já dura quatro anos. Todas as arbitrariedades jurídicas possíveis e imagináveis foram cometidas para prolongar sua agonia nos cárceres federais da Penitenciária da Papuda (DF). Estas palavras foram ditas e repetidas à exaustão não só por nós, mas pelos nossos juristas mais competentes não comprometidos com as forças reacionárias instaladas em Brasília, vistam ou não toga.
Em seu último dia de mandato, Lula negou a extradição de Cesare Battisti. Exigimos agora – seja do STF ou do Poder Executivo – a imediata expedição de seu alvará de soltura, assim como a tomada de todas as providências cabíveis para que Battisti possa viver tranquilamente asilado no Brasil.
Na abertura do STF, estaremos em Brasília para garantir já a sua libertação. Juntamente com ativistas e trabalhadores de outras regiões do país unificaremos nossa campanha nacional para arrancar Cesare Battisti dos cárceres, ofereceremos qualquer proteção e ajuda necessárias para recomeçar sua vida, sem precisar “driblar a matilha” como foi obrigado a fazer em seus últimos trinta anos, conforme noticiara em carta a nós remetida.
Ao Cesare Battisti cada presente encaminha seu fraterno abraço de conforto e reafirma a declaração de que nossas atividades em prol de sua liberdade imediata estão apenas começando.
São Paulo, 28 de janeiro de 2011.
Leia aqui para saber mais sobre o caso de Cesare Battisti.

Fonte: UNIÃO CAMPO CIDADE FLORESTA

janeiro 28, 2011

"Depois da Tunísia, O Egito", por Humberto Albuquerque

PICICA: "(...) algo está mudando no mundo e muito rápido: Se por um lado, a decadência gradual dos Estados Unidos - que se verificava pela queda da importância relativa do seu PIB em relação ao mundo - foi mascarada pelo colapso soviético, por outro lado, os Governo de Bush Filho e o de Obama trataram de acelerar o processo, às custas de irresponsabilidade econômica e decisões geopolíticas desastrosas." Leia, também, "Se han visto militares saludar el movimiento popular en Egipto".
tshaaban88 | 26 de janeiro de 2011 |

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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011


Depois da Tunísia, o Egito

A Multidão e a Polícia no Cairo 

O processo de descolonização do Norte da África e do Oriente Médio, coincide, a grosso modo, com um período de desmonte do Império Otomano e a ascensão dos Estados Unidos enquanto a grande potência econômica mundial. Washington opta por uma política de interferência permanente naqueles jovens Estados, geralmente por meio de aliados locais - quase sempre ditadores - e do controle direto de pontos estratégicos, com direito a incursões militares, em suma, imperialismo à americana em profusão por conta da localização estratégica de vários daqueles países e, claro, da existência de petróleo neles - o ouro negro, combustível da máquina capitalista americana. Instituições frágeis são subornadas, corrompidas ou simplesmente derrubadas por meio de golpes de aliados seus, autoritarismos amigos são erigidos e omissões honrosas escondem párias ou buscam justificações perversas para seus regimes. 


No entanto, algo está mudando no mundo e muito rápido: Se por um lado, a decadência gradual dos Estados Unidos - que se verificava pela queda da importância relativa do seu PIB em relação ao mundo - foi mascarada pelo colapso soviético, por outro lado, os Governo de Bush Filho e o de Obama trataram de acelerar o processo, às custas de irresponsabilidade econômica e decisões geopolíticas desastrosas. Isso muda completamente o jogo da geopolítica internacional e a hegemonia americana é abalada; se tivemos mudanças importantes na América Latina na última década, hoje, a grande região que inclui o Magheb e o Oriente Médio sente novos e bons ventos soprando: Somada à decadência dos americanos, a degeneração dos regimes que lhes são fiéis, o avanço tecnológico e o aumento da organização dos movimentos sociais naqueles países estão minando o esquema de Washington. 

Tunísia
Os eventos de Dezembro do ano passado colocaram abaixo o Ditador Ben Ali na Tunísia na chamada Revolução do Jasmim afetam todo Norte da África. O processo revolucionário tunisiano, aliás, em muito lembra a Revolução dos Cravos no Portugal nos anos 70, seja pela derrubada de um regime obtuso que era tratado com eufemismos pelas potências ocidentais devido à sua lealdade, quanto pela complexidade do processo - é provável que ele demore anos - e até por certas coincidências como, por exemplo, os insistentes boatos ecoados sobre os riscos do fundamentalismo islâmico tomar o controle da situação - algo parecido com o que se fazia no Portugal dos anos 70 em relação ao Comunismo -, quando, na verdade, o grande risco é mesmo dos integrantes do Velho Regime conseguirem neutralizar os efeitos da insurgência. Outro paralelo importante, é o quanto essa Revolução refletiu a realidade de uma região inteira, uma reivindicação que mais do que política, é geopolítica - e em certa medida, até cosmopolítica. Como dito, os efeitos da Tunísia se espalharam pelos seus vizinhos - e aqui, falo de Egito e Argélia fundamentalmente, mas isso tem desdobramentos agora sobre o Iémen e o Líbano.

Pois bem, hoje, o Cairo segue em plena ebulição, enquanto as coisas estão quentes na Argélia também. Como o Tsavkko lembrou bem, embora estejam no mesmo plano e sejam vizinhos, é necessário pontuar que as sociedades egípcia e argelina não são laicas com a da Tunísia. De fato, existem grupos religiosos importantes e beligerantes como a Irmandade Muçulmana no Egito e a Frente Islâmica de Salvação na Argélia, o que é um considerável combustível de risco - e o que pode, de fato, dar um caráter diferente para eventuais derrubadas dos regimes locais. Claro, isso não esgota, de modo algum, a legitimidade das reivindicações contra os regimes de Mubarak no Egito ou de Bouteflika na Argélia, mas apenas apresentam sim um fator de risco real inerente à sua eventual  (e quem sabe necessária) derrubada. 

A batalha campal do Cairo
O que estamos vivendo exatamente agora é um verdadeiro clima revolucionário no Egito: Dezenas de milhares de pessoas estão nas ruas do Cairo, o toque de recolher foi decreto, há violência policial, a sede do partido do governo foi saqueada e há um risco claro e iminente de queda do regime de Mubarak, o que deixa Washington em polvorosa: Não falamos de um país relativamente pequeno como a Tunísia, mas de um aliado estratégico de grande porte que recebe uma ajuda militar enorme. Palavrinhas como Canal de Suez e Israel devem estar tilintando na cabeça das lideranças americanas neste exato momento. O fato é que a multidão está nas ruas e ninguém tem controle da situação, mas pelo menos graças a cobertura da Al Jazeera - para variar - não estamos completamente cegos em relação ao que realmente se passa agora no Cairo, embora a torrente de informações que chega até nós seja fabulosa e enebriante.

Cairo
Trata-se, com efeito, de um momento espetacular: A História pulsa intensamente viva depois de a terem declarado morta, tesa e dura, não tem nem um quarto de século. Os desdobramentos desse eventos são surpreendentes e se projetam para o Leste e também para o Sul. A hesitação de Obama em aceitar a nova - e desfavorável - situação geopolítica americana para, assim, poder negociar uma nova ordem mundial multipolar não evitou, naturalmente, que as mudanças necessárias se operassem por vias outras. O resultado é semelhante - e em larga escala - ao que se viu no Leste Europeu nos anos 80, só que em larga escala: Uma potência hegemônica que perdeu a sensatez e o substrato moral assistindo à derrocada do seu controle do espaço por conta da multidão nas ruas. É um momento revolucionário e, como tal, nos reserva uma miríade de desdobramentos possíveis para tão logo. Fiquemos à espreita.

*imagens de Fethi Belaid/AFP (foto 1)  Mohamed Abd El-Ghany/Reuters (foto 2) e Mohammed Abed (AFP) (fotos 3 e 4) -- retirado do álbum do Boston Big Picture sobre o Cairo e a insurgência no Oriente Médio onde você pode encontrar outras belas fotos dos fatos.

Atualização (19:02): Assistam à Al Jazerra em inglês. O bicho tá pegando.

Imagens da rebelião popular no Egito

PICICA: Abaixo Mubarak.
 
 
storyful | 28 de janeiro de 2011 | 
28th Jan. 2011 - Storyful - Egypt Cairo uprising protest video - Mohamed Ibrahim Elmasry

Blecaute eletrônico no Egito e Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo no Brasil

PICICA: Enquanto o Brasil amanhece com manifestações sobre o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, denunciando a existência de 25 mil brasileiros trabalhando como escravos (leia "Actividades recuerdan que 25 mil brasileros (as) se encuentran trabajando como esclavos"), o Egito, no quarto dia de rebelião popular, amanhece mais um dia sob blecaute eletrônico e com novas manifestações contra ditadura mantida pelos EUA(Leia "Egypt Protests LIVE Updates: Major Demonstrations Planned For Friday"). Leia também, "Egito, Tunísia, Palestina e Líbano chacoalham o mundo árabe".
Carlos Latuff

Festival de Sundance: cine, política y disidencia

PICICA: "(...) Sundance se ha convertido en un lugar de encuentro fundamental, donde el arte, el cine, la política y la disidencia se entrecruzan."

wwwappme | 6 de janeiro de 2011 |
http://coyote.cc/

Synopsis
In the valleys of Appalachia, a battle is being fought over a mountain, the consequences of which affect every American; it's a battle that has taken innocent lives and threatens to take more. It is a battle over protecting our health and environment from the destructive power of Big Coal. Mining and burning coal is at the epicenter of America's struggle to balance its energy needs with environmental and health concerns. Nowhere is that concern greater than in Coal River Valley, West Virginia, where a small but passionate group of ordinary citizens are trying to stop Big Coal corporations, like Massey Energy, from continuing the devastating practice of Mountain Top Removal. David, himself, never faced a Goliath like Big Coal. The group argues that Mountain Top Removal-using dynamite to blast off a mountain's surface-pollutes the air and water implicit in their neighbors' deaths, eliminates traditional mining jobs and spreads pollution to other states. Despite support for their claims, Big Coal repeats Mountain Top Removal daily, amassing huge profits that allow their Washington lobbyists to wield influence in both political parties, rewrite environmental laws and avoid violations. The desire to stop Mountain Top Removal comes from a belief that we share responsibility for protecting the air and water; its what drives the group and their supporters from outside of Appalachia, like Robert Kennedy, Jr., to keep fighting. Honoring ordinary Americans fighting for what they believe in, THE LAST MOUNTAIN shines a light on our energy needs and how those needs are being met. Their fight is for a future that affects us all.


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Aumentar tamaño del texto Disminuir tamaño del texto Partir el texto en columnas Ver como pdf 28-01-2011



Sundance y el arte de la democracia


Democracy Now!


Traducido por Fernanda Gerpe, editado por Gabriela Díaz Cortez y Democracy Now! en español.


PARK CITY, Utah. Todos los inviernos, el Festival de Cine de Sundance transforma este pequeño pueblo de alta montaña en un bullicioso centro de la industria cinematográfica. Aunque gran parte de la atención se centra en las personas famosas que asisten, en realidad, Sundance se ha convertido en un lugar de encuentro fundamental, donde el arte, el cine, la política y la disidencia se entrecruzan. Aquí se estrenan muchos de los documentales más impactantes e inspiradores realizados durante el año, películas sobre auténticas luchas de base que dan cuenta de los vaivenes de la historia de la justicia social y los temas más candentes de la actualidad. Películas que enseñan e inspiran a una audiencia cada vez más grande sobre la verdadera naturaleza y el costo de la democracia directa.
"La última montaña," cuyo título en inglés es "The Last Mountain," es un documental que trata sobre la amenaza que acecha actualmente a la montaña Coal River Mountain en Virginia Occidental: la extracción de carbón a cielo abierto, una de las formas de minería más devastadoras del medioambiente que se lleva a cabo hoy en día, podría hacer desaparecer a esta montaña. Los principales culpables son la empresa de carbón Massey Energy y su ex director general, Don Blankenship. Una amplia coalición de activistas de todo el mundo ha intentado activamente detener a Massey. Esta coalición es impulsada por gente común, trabajadores de las poblaciones cercanas y de las aldeas de los Apalaches. Robert F. Kennedy Jr., ambientalista y abogado de larga trayectoria, se unió a ellos en esta lucha y aparece en la película. Le pregunté sobre la lucha que llevan adelante:

"La película trata sobre la subversión de la democracia estadounidense. El año pasado, con el fallo dictado en el caso "Citizens United contra la Comisión Federal Electoral" por el cual se autoriza a las grandes corporaciones a destinar sumas ilimitadas de dinero a la campaña publicitaria de los candidatos, la Corte Suprema anuló un precedente estadounidense que había sido incuestionable durante un siglo y se libró de una ley aprobada en 1907 durante la presidencia de Teddy Roosevelt que protegía al sistema democrático de la gran concentración de riqueza que había generado una cleptocracia corporativa durante la época dorada, tiempos en que los estadounidenses habían entregado su democracia… Por primera vez desde la época dorada, vemos cómo ese tipo de concentración económica regresa a nuestro país."

Kennedy se refirió a la subversión del rol de la prensa, los tribunales, el Congreso y los parlamentos estatales ejercida por el poder corporativo: "Pienso que la erosión de todas estas instituciones de la democracia estadounidense llevó a la gente que se preocupa por el país y por la salud cívica a emprender estas campañas de desobediencia civil y de acción a nivel local."
Este es un mes histórico para Robert Kennedy Jr. Es el cincuenta aniversario de la asunción de su tío John Kennedy como presidente y también de la asunción de su padre, Robert Kennedy, como Fiscal General. Le pregunté por el legado de estos dos políticos, ambos asesinados.

"Para mí, lo más importante que hizo John Kennedy, y que también trataba de hacer mi padre, fue oponerse al complejo militar-industrial. El Presidente Eisenhower, en su discurso final, justo antes de que mi tío tomara las riendas del poder, dijo que el complejo militar-industrial constituía la mayor amenaza contra la democracia estadounidense en la historia de la república. El crecimiento descontrolado del complejo militar-industrial, unido a las grandes corporaciones e influyentes miembros del Congreso, que lenta pero sistemáticamente venían privando a los estadounidenses de sus derechos civiles y constitucionales, derechos que habían hecho de éste un país ejemplar, era la mayor amenaza para el país."

Aquí en Sundance, en lo que fue uno de los momentos más emotivos, Kennedy, recién llegado del funeral de su tío Sargent Shriver (fundador de la organización Cuerpos de Paz), salió al escenario luego de la proyección de "La última montaña" y recibió el abrazo de Harry Belafonte, en torno a cuya figura se desarrolla la película que inauguró el festival de este año "Canta tu canción," una impactante biografía del cantante y activista que es realmente una crónica de los movimientos por la justicia racial y económica del siglo XX.

Belafonte fue uno de los confidentes más cercanos del Dr. Martin Luther King Jr. Hablé con Harry acerca de su trayectoria como activista y de lo que piensa del Presidente Barack Obama. Me dijo: "Durante su campaña para la presidencia, en un acto en el que Obama estaba hablando ante empresarios de Wall Street en Nueva York le dije: 'Bueno... espero que se haga cargo del desafío con más contundencia,' y él me respondió: 'Bueno… usted y Cornel West, ¿cuándo me van a dar un respiro?' A lo que contesté: '¿Qué le hace pensar que no se lo damos?'"

Belafonte era amigo de Eleanor Roosevelt, la esposa del Presidente Franklin Roosvelt. Ella le contó una conversación entre su marido y A. Philip Randolph, uno de los principales organizadores de la "Marcha de Washington por el trabajo y la libertad" en 1963 y, antes de eso, el principal impulsor del sindicato de trabajadores negros del ferrocarril, Brotherhood of Sleeping Car Porters. Randolph le explicó a Roosvelt qué hacía falta para que mejorara la situación de las personas negras y de los trabajadores del país y Roosevelt le dijo que no discrepaba en nada con lo que acababa de decir. Al contarme la historia aquí en Sundance, Harry se recostó en su silla y repitió lo que Roosevelt le dijo a Randolph: "Salgan a la calle y oblíguenme a hacerlo."
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Denis Moynihan colaboró en la producción periodística de esta columna.


Fuente: http://www.democracynow.org/es/blog/2011/1/27/sundance_y_el_arte_de_la_democracia


Fuente: Rebelión

Crítica de cinema: "Tio Boonmee, Apichatpong Weerasathakul, 2010", por Bruno Cava

PICICA: "Na iminência da morte, a máquina do mundo se entreabre. Nessa fissura se instala a narrativa. Mina das incertezas da escuridão, do mito, do indizível. Não se esperem dicotomias. Transcorre na dimensão fronteiriça entre passado e presente, entre sombra e luz, animal e humano, fantasma e vivente, história e natureza, civilização e floresta. Não há explicação racional: em cada cena pode precipitar-se o maravilhoso."
julumaga | 22 de dezembro de 2010 | 
Trailer subtitulado al español de "El tio Boonmee recuerda sus vidas pasadas" la triunfadora del festival de cine de Cannes de este año. Ya estrenada en 2010

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26 de janeiro de 2011


Tio Boonmee, Apichatpong Weerasathakul, 2010.


Crítica: Tio Boonmee, que pode recordar suas vidas passadas (Loong Boonmee raleuk chat), Apichatpong Weerasathakul, Tailândia, 2010, cor, 114 min.


Tio Boonmee está morrendo. Na iminência da morte, a máquina do mundo se entreabre. Nessa fissura se instala a narrativa. Mina das incertezas da escuridão, do mito, do indizível. Não se esperem dicotomias. Transcorre na dimensão fronteiriça entre passado e presente, entre sombra e luz, animal e humano, fantasma e vivente, história e natureza, civilização e floresta. Não há explicação racional: em cada cena pode precipitar-se o maravilhoso. O tempo que resta para Boonmee se desdobra de modo intensivo, em direção ao clímax.

Filme de limiar, acontece na dimensão do entre-mundos. A câmera atravessa-a e apreende a sua instabilidade constitutiva.  Não perde de vista a virtualidade. A coisa é isto, mas também aquilo, todas iguais na insubstância. Os mortos têm e não têm matéria física. Os jovens são playboys tirando fotos e assassinos com fuzis. A princesa é sensual e repulsiva. O bagre é peixe e divindade. Menos questão de ponto de vista do que de inconsistência "essencial". Um peixe nunca é só um peixe. Uma pessoa jamais é só um indivíduo --- mas um híbrido misterioso que precisa da noite para enxergar a luz.

As criaturas conduzem Boonmee ao final. Preparado, conclui a travessia entre o ser e a memória. Cambaleia ao clímax narrativo, filmado com câmera na mão, na trepidação máxima do mundo. Aí não se está no fantástico, mas no maravilhoso. Tudo é santo.

A noite passa, os fantasmas desaparecem, Boonmee faleceu. Liquefez-se sua vida, que agora escorre sobre a pedra pré-histórica. A manhã anuncia uma nova luz e inunda de recomeço a cripta do homem. Outra vez, a máquina do mundo se recompõe. Os que permanecem vivos voltam à normalidade. Retornam a iluminação de shopping, a linearidade do tempo extensivo, a estabilidade das coisas, dos personagens e de suas relações cotidianas. E, com tudo isso, a banalidade, a contagem do dinheiro, o kitsch de certo cinemão, a passividade da TV. A fenda maravilhosa se fechou. A vida continua e é preciso resistir.

Fonte: Quadrado dos Loucos

Allende: se suicidó o fue asesinado?

PICICA: "Aún es un misterio lo que ocurrió la mañana del 11 de septiembre."

La Justicia chilena investiga la muerte de Allende

Casi 40 años después, aún se desconoce si se suicidó o fue asesinado



La Justicia chilena ha decidido investigar una antigua duda: ¿el ex presidente Salvador Allende se suicidó o fue asesinado en el interior del palacio de La Moneda el 11 de septiembre de 1973, cuando las Fuerzas Armadas dieron el golpe de Estado?

Su muerte será investigada por el juez especial Mario Carroza junto con otros 725 casos de violaciones de los derechos humanos cometidos durante la dictadura de Augusto Pinochet, sobre los que hasta ahora no se habían iniciado actuaciones judiciales.

Aún es un misterio lo que ocurrió la mañana del 11 de septiembre. Cuando los militares llegaron hasta La Moneda, el ex presidente se puso un casco de minero que tenía en su despacho y tomó la metralleta AK-47 que meses antes le había regalado Fidel Castro en una visita que hizo a Chile. 

Allende recibió varias llamadas telefónicas de generales que le pedían que saliera, que le enviarían un avión. Allende se negó. "A mí no me van a hacer salir en pijama ni ir a asilarme a una embajada", afirmó Allende, según han recordado sus colaboradores.

Quiso salir el último

En la soledad de su despacho, con los bombarderos sobrevolando La Moneda, el ex presidente improvisó un discurso dedicado "al pueblo de Chile". Luego hizo salir a todos sus asesores y dijo que él saldría el último.

El doctor Patricio Guijón, era parte del equipo médico del Gobierno y estaba ahí esa mañana. Era cercano a Allende, pero no se le reconocía militancia política. Guijón es conocido como el único testigo de la muerte del ex presidente chileno. 

En 1984, Guijón relató a la desaparecida revista Cauce: "Iba saliendo y de pronto pensé que nunca había estado en una guerra y me devolví para ir a buscar una máscara y llevársela de recuerdo a mi hijo De pronto, justo frente a la puerta vi el momento en que Allende se pegó un tiro". 

Mientras la familia y varios allegados del ex mandatario chileno siempre han mantenido la tesis de que Allende se suicidó, otros dudan de la verosimilitud del relato de Guijón y se cuestionan que Allende fuese sepultado de noche, sin que la viuda pudiera reconocer el cuerpo.

Dudas sobre la autopsia

Hace poco más de un año, el perito forense Luis Ravanal abrió una polémica en Chile al presentar un estudio forense (basado en la autopsia de Allende) que asegura que el ex presidente fue asesinado. 

Ravanal, en conversación con Público, insistió: "Aquel 11 de septiembre, Allende recibió un proyectil en la cara. Procedía de un arma de bajo calibre que le entró cerca del ojo derecho y salió por la parte posterior de su cabeza".

Según el médico, "a los pocos minutos de haber muerto, recibió un disparo de metralleta AK-47, justo por debajo el mentón".

Los autores de la autopsia realizada a Allende son los médicos José Luis Vásquez y Tomás Tobar. El ginecólogo Vásquez realizó también el informe forense del diplomático español Carmelo Soria, donde aseguró que había muerto en un accidente de automóvil. Más tarde, la Justicia descubrió que fue secuestrado por la policía secreta, torturado y murió, con múltiples fracturas cervicales y de columna, en 1976. 

Fuente: Público.es

Contrainformación: los derechos de autor

PICICA: Na Espanha, a escritora Belén Gopegui defende uma posição nada ortodoxa sobre direitos do autor. Leia entrevista em que ela declara: “Lo que no debemos consentir es que se nos utilice como pretexto para vigilar, perseguir y cercenar derechos y libertades”. Leia, também, "Para entender a polêmica do MinC", sobre o tema direito autoral.

Entrevista con la escritora Belén Gopegui sobre los derechos de autor

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Entrevista con la escritora Belén Gopegui sobre los derechos de autor
 
“Lo que no debemos consentir es que se nos utilice como pretexto para vigilar, perseguir y cercenar derechos y libertades”

Masala
Masala 57

Belén Gopegui, que el pasado octubre participó en la gala de los oXcars invitada por la eXgae, es autora de novelas como La conquista del aire, El padre de Blancanieves o Lo real. Pese a ser una de las autoras de referencia de las últimas dos décadas, mantiene una posición diametralmente opuesta a la de la mayoría del gremio de escritores o autores, en lo que hace a asuntos como el copyright o el acceso y el intercambio de contenidos. Miembro del colectivo de editores de Rebelión.org, una de las primeras webs de contrainformación en castellano, también forma parte de Red Sostenible, un espacio creado tras conocerse las políticas de control y censura en internet que el Gobierno de Zapatero quería poner en práctica con la Ley de Economía Sostenible.

- La relación entre dominio público y producción cultural no es nueva, pero internet y sobre todo fenómenos como las redes de intercambio entre pares le han dado una relevancia inaudita; ¿por qué la izquierda política es incapaz de hacer una reflexión y una propuesta seria, rigurosa y radical en un asunto que ya hoy es crucial?

Una parte fundamental de las redes de intercambio entre pares coincide con los análisis de cierta izquierda en torno a la plusvalía y la propiedad. Una vez más se trata de desalambrar, en este caso desalambrar el conocimiento de patentes y licencias que impiden su uso por aquellos que lo necesitan. Por otro lado, creo que hay discursos como el de la lógica de la abundancia, que olvidan a veces que la abundancia circula por canales privados, y estos canales están en manos del capital. Me refiero, por ejemplo, a la infraestructura de la red y a multitud de proyectos que cualquier día pueden verse forzados a una evolución no deseada -openoffice/libreoffice, Ubuntu en Canonical, guifi.net - o la concentración de servidores en manos de grandes corporaciones y la ausencia de servidores distribuidos, a la escasez de hardware libre, etcétera. Creo que hace falta una lucha radical para lograr que la red no acabe siendo, en efecto, "otra televisión" y en esa lucha necesitamos tanto de la izquierda política como de todas las nuevas organizaciones que están surgiendo.

- Un autor, ¿qué es? ¿un asalariado o un pequeño propietario?

Un autor, a mi modo de ver, ha sido mitad asalariado y mitad rentista. Esto le coloca en una posición contradictoria, y no es raro que la mayoría de los intelectuales se acaben aliando con el poder pues obtienen sus rentas del excedente, no de su trabajo sino del trabajo no pagado de otros. Lo mismo les ocurre a los propietarios de viviendas en alquiler, a los grandes empresarios, a buena parte de los funcionarios, a los directivos de empresas, etcétera. Vivimos del trabajo de los demás, el dinero es trabajo de los demás, y cambiar esta relación desigual y violenta implica cambiar la relación de fuerzas.

- Y, sobre todo, un autor ¿qué se cree que es?

En una entrevista reciente, Godard, el director de cine, declaraba: "El derecho de autor realmente no tiene razón de ser. Yo no tengo derechos. Al contrario, tengo deberes". Esta es una posición que me interesa mucho. En literatura la posición políticamente correcta consiste en decir que el autor no se debe a nadie, que el arte es autónomo, etcétera. Desde ese sitio difícilmente se puede establecer relación alguna de reciprocidad con la sociedad. Pero curiosamente son los autores que más defienden esa idea quienes más se sublevan por la pérdida de derechos. Yo creo que sólo en la medida en que la sociedad decida que necesita, pongamos, algunas historias largo tiempo meditadas, podrá ocuparse de retribuir a quienes las escriban. A lo mejor decide que no las necesita, que le basta con la inmensa producción creativa que hay en la red; si es así, los novelistas tal como hasta ahora hemos sido vistos nos extinguiremos y puede que no se pierda nada. Recordemos, no obstante, aquel tema de Eskorbuto:

Cuando los dinosaurios dominaban la tierra
hace un millón de años en la prehistoria,
la fuerza era la ley
y ellos eran los más fuertes
gigantescos brutales salvajes animales
Pero ocurrió todos sucumbieron
ahora son petróleo
necesario en nuestro tiempo
Cuando los dinosaurios dominaban la tierra
aún siguen haciéndolo, aunque sea de otra manera

Para mí la pregunta es ésa, no tanto si se extingue o no un tipo de industria como si nos van a seguir dominando, a través de otras industrias y otras organizaciones cínicas y violentas, las mismas historias repetidas, los mismos valores baratos que hoy infestan las narraciones hegemónicas.

- Determinados artistas que son símbolos para la izquierda social han identificado sus intereses con los de la industria cultural, defendiendo con uñas y dientes la estructura productiva y comercial de las últimas décadas. ¿Miedo, acomodamiento, servilismo? ¿Qué hace que los que en un terreno ejercen cierta disidencia en otro hagan causa común con el aparato de explotación cultural?

Supongo que, al menos en los autores más modestos, es el mismo mecanismo por el que los trabajadores muchas veces defienden a sus empresas y procuran que no se hundan a pesar de que les explotan. Más allá de eso, sabemos desde hace tiempo que el ser social construye la conciencia, y en ese ser están los privilegios de que se ha disfrutado. Los cereales que se comparten se acaban, los bits no: sin embargo, llevamos siglos matando de hambre a un gran parte de la humanidad y no porque no haya suficiente alimento, sino por un sistema económico y de dominación. Ojalá no ocurra así con los bits, ojalá la abundancia no acabe siendo controlada una vez más por el capital. En todo caso es muy pertinente un artículo de Cory Doctorov donde se pregunta algo como: ¿qué le hace a las libertades tu defensa de remuneración? Creo que ahí los artistas, autores y demás deberíamos tenerlo muy claro, quizá sea razonable esperar que alguien te retribuya parte del tiempo trabajado, o quizá un día ni siquiera sea útil cierta creación más lenta y ponderada -yo quiero pensar que sí lo será, pero es evidente que soy juez y parte-, pero lo que en ningún caso debemos consentir es que se nos utilice como pretexto para vigilar, perseguir y cercenar finalmente los derechos y libertades de todas las personas.

- Es complicado definir qué es un intelectual, pero, en cualquier caso, parece que catedráticos, periodistas, editores, directores de cine, escritores... están mayoritariamente ausentes o indiferentes cuando no son directamente hostiles a una batalla que en principio les pertenece: la de la cultura libre. ¿Por qué?

Creo que la batalla de la cultura libre es importante dentro de una guerra, si es sólo una batalla resulta confusa. Por así decir: pasar de estar explotado por un gran grupo de comunicación a estarlo por Google o por Telefónica no implica ningún cambio cualitativo. Los autores en este aspecto son conservadores, se aferran a lo malo conocido porque piensan que no hay diferencia entre una gran empresa y otra. La cuestión es ampliar el campo de batalla, por ejemplo, a la idea de que las redes de comunicación son un servicio esencial y debieran ser públicas con una clara voluntad política de romper la brecha digital. Creo que hay que dar también esas batallas. Ahora bien, esto no puede en ningún caso hacernos cerrar los ojos al hecho de que el lenguaje es común, de que las comunidades hacen ciencia y hacen arte a través de los individuos y no a la inversa.

- Generalmente publicas tus novelas con copyright, aunque ya puede encontrarse alguna de ellas en descarga libre en Rebelión. Luther Blissett, un nombre colectivo, ha publicado novelas como Q o 54 con licencia libre con una multinacional como Mondadori. ¿Cuál es el trato con tu editor y hasta qué punto tienes capacidad de, más allá de tu remuneración, establecer unas condiciones de publicación coherentes con tus posiciones políticas?

Es un trato amigable, he podido decirle con tranquilidad que no quería estar en Libranda y en su lugar estoy en vías de encontrar un espacio digital que me permita colocar mis libros sin DRM1 de tal manera que sólo los pague quien pueda hacerlo y que quien lo haga pueda prestar el libro cuando quiera. ¿Puedo, por ejemplo, permitirme devolver al dominio público todo lo que escribo? Me gustaría. Lo hago con artículos y textos sueltos, con algún libro libre, de momento no puedo hacerlo con todo porque no tengo, al menos por ahora, otra profesión, soy novelista, no soy además otra cosa, ni me veo cantando mis novelas en directo, y las otras cosas que sí soy, por ejemplo miembro del colectivo de editores de rebelión.org, no están remuneradas y creo que en este contexto político no deben estarlo. Por otro lado, escribimos y trabajamos, y vendemos la fuerza de trabajo y nos ganamos la vida en unas condiciones no elegidas individualmente, ojalá logremos transformarlas mediante la lucha colectiva.

1 Digital Rights Management. Son tecnologías de restricción de uso aplicadas a diferentes formatos digitales, desde música a libros, y que limitan la capacidad de copiar o compartir los contenidos una vez adquiridos. Establecen, por ejemplo, el número de veces que pueden copiarse y pegarse en otro documento párrafos de un libro electrónico, o si éste puede utilizarse en varios e-readers o compartirse con otros usuarios.

http://www.rebelion.org/noticia.php?id=119797

Fuente: Escritores.org