setembro 27, 2011

"Luiz Fernando de Carvalho: Em busca de uma Manaus perdida" (FSP)

PICICA: Pô, Luiz Fernando! Dá próxima vez, liga pra cá. Tem lugares maneiros pra usar como cenário pro teu filme. Este lugar (foto abaixo), por exemplo, na rua Frei José dos Inocentes é um dos poucos que sobrou da voracidade do "progresso" trazido pela Zona Franca de Manaus. O lugar ainda mantém certa originalidade, só quebrada pelas grades de segurança que iriam alterar a paisagem arquitetônica da cidade depois que a paz foi rompida pela prática de roubo e pela violência disseminada em todo o tecido social. Lamentavelmente, o vetusto Cabaré Chinelo, situada à frente das três primeiras casas veio abaixo, por negligência do poder público. Tens razão quanto a degradação da cidade. Sobrou pouca coisa. Quanto a esse trecho da cidade, conheço-a com a palma da mão. Na casa que se vê em primeiro plano, passei parte da infância. Nos anos 1950, meu pai, prático da empresa de navegação Booth Line, comprou-a de uma portuguesa de nome Felismina, proprietária da casa ao lado. Mais adiante morava a avó do médico Marcus Barrus, meu compadre. Um pouco aos fundos, residia o deputado estadual João Valério, pai da querida amiga Joana Valério, e tantos outros estimados amigos de infância. Ali continua residindo a nega Nazinha, durante anos porta-bandeira da Escola de Samba de Aparecida. Bons tempos de uma Manaus provinciana, em que a violência não tinha assumido proporções epidêmicas. Lhe asseguro, que este território da cidade está mais preservado do que o da praça dos Remédios, onde nasci, inteiramente degrada pelo comércio predatório que ali se instalou. Nos anos 1960, quando para lá retornamos, o lugar era aprazível e mantinha as característas das comunidades criadas em torno de suas paróquias. Dos anos 1970 para cá, são mais de quarenta anos de destruição da uma cidade que deveria ter sido tombada como patrimônio histórico da humanidade, não tívessemos uma elite perdulária, sem amor à sua terra. Ontem foi a destruição do centro histórico e da rede de igarapés que cortavam a cidade, assegurando uma qualidade de vida extraordinária aos manauaras. Hoje, com a expansão da cidade através da definição de uma nova região metropolitana, são os arredores que começam a ser desfigurados com obras de grande impacto socioambiental. Se não houver um clamor da cidadania, 'tamo pebado, maninho!  
Rua Frei José dos Inocentes - Manaus-Amazonas-Brasil - Foto: Rogelio Casado






Luiz Fernando de Carvalho: Em busca de uma Manaus perdida


LUIZ FERNANDO DE CARVALHO
ESPECIAL PARA A FOLHA

Estou em busca de um tempo perdido. A pesquisa de locações e cenários para "Dois Irmãos" nos trouxe a verdade irrefutável: uma Manaus está se decompondo, a de casarios belle époque, onde se passa a história de Milton Hatoum.

Há hoje uma reação muito positiva do governo local, que se empenha contra a deterioração do patrimônio arquitetônico, com iniciativas como a recuperação do mercado do cais do porto, mas algo deveria ter sido feito há mais tempo, evitando que ruas inteiras se tornassem tristes ruínas de um passado.

Como Manaus foi degradada, é preciso encontrar "outra Manaus" sem contar tanto com a verdadeira. É provável que a gravação da minissérie se divida em vários pontos do Brasil, e esta Manaus montada por retalhos de outras cidades incluiria, por exemplo, Belém (PA) e Santos (SP). É um imenso esforço para montarmos uma face, ou melhor, tripla-face de "Dois Irmãos", pois a história se passa em três épocas principais. Esta é uma pesquisa em profundidade e deve ser feita com o maior rigor histórico possível para que toda a dimensão emocional da narrativa seja transmitida. As pesquisas fazem parte do percurso da produção, uma espécie de levantamento do conjunto de perdas de uma cidade.

Em Manaus, procuramos uma dada rua citada no romance, casas com certo estilo, referências históricas. Esse conjunto não está mais lá, foi engolido. Claro, temos os rios, os igarapés, toda a riqueza natural. Mas a estrutura arquitetônica da cidade foi bastante abandonada nas décadas anteriores --exceto o teatro, que é belíssimo.
Adaptações literárias para os meios visuais têm mistérios que se revelam aos poucos, e este é um, não muito feliz: o que persiste na memória nem sempre sobrevive na paisagem. Pela especificidade e delicadeza arquitetônica, Dois Irmãos demandou mais tempo para a pesquisa de lugares do que imaginávamos.

Em geral, a transposição da linguagem e da narrativa de um romance para o roteiro costuma ser a grande dificuldade dos realizadores. O quebra-cabeça das locações, em último caso, se constrói cenograficamente, mas não gostaria de caminhar por essa solução. Vejo "Dois Irmãos" como obra realista, repleta de relações com a natureza, que a enlaça como moldura. O roteiro me contenta, pois há grande diálogo com o livro: assim, como um grande espetáculo audiovisual, ele está sendo apresentado.
Luiz Fernando Carvalho é cineasta e diretor de TV. Dirigiu o longa "Lavoura Arcaica" e as minisséries "Os Maias", "Hoje é dia de Maria", "Capitu", "A Pedra do Reino" e "Afinal, o que Querem as Mulheres?"

Enlace Zapatista (no quieremos poder, sinó dignidad; somos el color de la tierra)

PICICA: Nosotros no quieremos poder, sino dignidad.

Enviado por em 30/05/2009
La marcha zapatista, comunicados del Sub Comandante Marcos durante la marcha por la dignidad indígena 2001.

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Enlace Zapatista 




Centro de Derechos de la Mujer de Chiapas A. C. San Cristóbal de Las Casas, Chiapas, 22 de septiembre de [...]
Compañeras y compañeros El Rincón Zapatista y la Cafetería Comandanta Ramona Invitan dentro del ciclo ! VIVIR POR LA PATRIA [...]
¡Vamos a hacer fiesta!……desde tierras de la ciudad monstruo les hacemos llegar la siguiente invitación a tod@s ustedes: ¡Feria de [...]
Red contra la Represión y por la Solidaridad (Chiapas) 21 de septiembre del 2011 Nuevamente la Junta de Buen Gobierno [...]
CAFETERÍA Y ESPACIO CULTURAL “EL VIEJO ANTONIO” RINCÓN ZAPATISTA ZACATECAS Invitan dentro del ciclo ! VIVIR POR LA PATRIA ¡ [...]
PUEBLOS UNIDOS POR LA DEFENSA DE LA ENERGIA ELECTRICA PUDEE. ADEHERENTES A LA OTRA CAMPAÑA DE LA COMUNIDAD DE MASOJA, [...]
Adherentes a la Otra Campaña Pueblo de Nayarit Ante la grave situación que enfrentan nuestros compañeros de lucha Bases de [...]
Cinetcétera invita al ciclo de cine Memorias del sur Martes 27 de septiembre 6:00 p.m. Historia de guerrillas: de Zapata [...]

setembro 26, 2011

"Ambientalistas protestam contra o Porto das Lajes em Manaus" (Diário do Amazonas)

PICICA: Como é cruel a vida de jornalista. Depois de cumprir sua tarefa de repórter e elaborar seu texto, ver o resultado da sua matéria mutilada é frustrante. É o caso da matéria abaixo, caso não tenha havido auto-censura - outra condição a que estão assujeitados os profissionais da comunicação. Explico-me. O encontro dos "ambientalistas" abaixo referidos foi convocado por um movimento de jovens intitulado "NÃO TOMO COCA-COLA SE O PORTO DAS LAJES FOR INSTALADO NO ENCONTRO DAS ÁGUAS". Entretanto, este fato não é mencionado no corpo da matéria. Isente-se a jornalista. Nenhuma empresa jornalística, diriam os mais sensatos, cometeria o suicídio de enfrentar uma poderosa empresa como a Coca-Cola, mesmo que ela venha poluindo solo e mananciais, como a usina de cana-de-açucar de Presidente Figueiredo, construída com incentivos daquela empresa de refrigerantes; nem mesmo se ela tiver interesses na construção de um porto que provocará graves impactos ambientais, como o do terminal portuário das Lajes. Até aí morreu Neves. O que é assustador nesse cenário é a passividade do povo amazonense. Como é possível viver sem o mínimo de desobediência civil? Faria tão bem à saúde da cidade. Felizmente nem todos sofrem dessa leseira atávica. Um exemplo animador foi revelado por uma das "ambientalistas" presentes. Filiada ao Greenpeace, ela indagou porque a entidade não tomava posição favorável ao tombamento do Encontro das Águas. Diante do argumento de que esse fenômeno não tinha importância - argumento digno de "ambientalistas de araque" -, ato contínuo, irada, desfiliou-se da entidade. Bem vinda, companheira, teu lugar é ao lado dos "insensatos" que não aceitam viver sobre cabrestos. Sua doação dos adesivos para nossos carros, a favor do tombamento do Encontro das Águas, foi muito bem vinda. Eles já estão circulando. Hoje somos 25 "ambientalistas"; amanhã seremos multidão.

Ambientalistas protestam contra o Porto das Lajes em Manaus


O empreendimento privado tem como objetivo desafogar a carga e descarga de contêiners do Polo Industrial de Manaus (PIM) no centro da capital amazonense.
[ i ]Manifestantes protestaram contra a construção do Porto das Lajes.
Manaus - Um grupo com cerca de 25 ambientalistas e ativistas se reuniu neste domingo (25), no Parque dos Bilhares, zona centro-sul de Manaus, para discutir meios de impedir a construção do Porto das Lajes, no Encontro das Águas.
O empreendimento privado tem como objetivo desafogar a carga e descarga de contêiners do Polo Industrial de Manaus (PIM) no centro da capital amazonense e consiste num complexo portuário próximo ao Distrito Industrial, à margem do Encontro das Águas.
As obras haviam sido suspensas por falta de licenciamento ambiental. No dia 3 de agosto deste ano, porém, o Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam) concedeu a licença ambiental para a construção do Porto, logo após Dimis da Costa Braga, juiz titular da 7º Vara da Seção Judiciária do Amazonas, ter anulado o tombamento da área.
Para o assessor parlamentar Israel Dourado, 32, morador do bairro Colônia Antônio Aleixo, zona leste, este empreendimento provocará um grande impacto ambiental e social para os moradores. Segundo ele, além do derramamento de óleo e dejetos sólidos das embarcações, o desmatamento das margens e encostas vai alterar a qualidade da água da região que poderá provocar assoreamento e poluição do Lago do Aleixo (principal lago pesqueiro da margem esquerda). "Isso afetará muito nossas vidas, vai acabar a beleza do lugar. Existem outros lugares onde eles podem construir esse porto, como em Itacoatiara, ou até mesmo no Puraquequara", ressalta.
A pedagoga Marisa Lima, 57, também moradora do local, diz que esse projeto é um absurdo. "Nós cuidamos daquela área, que além de ser turística, é nossa área de lazer. Com esse porto irá ficar tudo sujo, irão destruir nosso lago. Além do mais, temos uma adutora de água próximo ao local. Acham que todo mundo é ignorante? Como podem construir um porto ao lado de uma adutora de água?" desabafa, comentando os riscos de contaminação da água da adutora.
A companhia responsável pela obra, a Lajes Logística, afirma que os impactos não serão graves, além  do beneficio de criação de empregos para a população. Porém, os moradores contestam.
Mais de 1500 internautas já compartilharam a campanha no facebook. Segundo o ativista de direitos humanos, Alexandre Victor, 24 anos, o objetivo da campanha é sensibilizar o consumidor sobre os danos gerados ao meio-ambiente, e exigir das empresas uma análise de impactos aos recursos humanos,"não somos contra o porto, mas somos contra a construção no encontro das águas", disse Alexandre.

Por uma cartografia crítica e insurgente

PICICA: "A comunicação cartográfica insere xs leitorxs de mapas na interpretação da mensagem e criação de novos mapas, e isso é particularmente interessante aos que sofrem as consequências diretas do processo de espacialização territorial de confrontos, como aqueles que sofrem por exemplo, pela geografia e arquitetura orientada aos megaeventos."

Megaeventos x Microguerras : Colonialismo 2.0 – Por Novos mapas

Ancestralmente incorporando estrelas e espíritos, retratava espaços em traços, culturas em movimentos, pura arte e intuição. Numa língua estranha chamou-se Cosmografia, sendo determinante nas navegações coloniais, quando houve o choque. São invariáveis as relações de poder globais constituidas através dos traçados. E recente, incorporadas às máquinas-deusas, georeferenciadas por satélites comerciais, militares. 

Na definição da ONU de 1949 – o mesmo ano da criação da OTAN (Organização do tratado do atlântico norte que buscava uma defesa coletiva de seus países membros, atônitos com a bomba atômica russa): “Cartografia – no sentido lato da palavra não é apenas uma das ferramentas básicas do desenvolvimento, mas é a primeira ferramenta a ser usada antes que outras ferramentas possam ser postas em trabalho.” [1] Reconhecer, retratar, traçar rotas conjuntas, a arte da informação, transmuta-se em subjugar, re-escritura de nomes e significados, cerceamento, a guerra da informação – “mapear territórios e recursos a serem posteriormente explorados pelos que detém as ferramentas e técnicas de produção de riqueza (…) garantindo formas de dominação de uma sociedade sobre a outra”.[2] Em nome do desenvolvimento e sua adição por petróleo, patrimônios territoriais e patentes culturais, metais, árvores, grãos e carne, esportes e turismo predatório, se dá o des-envolvimento com o ser vivo. Micro-guerras em todo o lugar. O mapa como ponto de partida. 

Cartografias Críticas, usadas como tática política de engenharia reversa no sistema e na própria idéia de geografia, propõem uma descolonização de saberes, um resgate de territórios e memórias paralelos à visualização das lutas vivas locais, unindo-as sob novas vizinhanças globais, num outro exercício de poder. É também um transbordamento do movimento da Geografia Crítica nos anos 70 com a difusão do livro “Geografia – isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra.” de Yves Lacoste[3], de 1976 , fundindo-se definitivamente aos movimentos sociais, e adquirindo outros nomes como Geografia Radical, onde destaca-se para nós e para toda a América ancestral, o pensamento de Milton Santos[4], com a re-emergência da vivência na prática cartográfica. É interessante notar, que é também do mesmo ano de 76 a Declaração de Bogotá ao direito internacional ao espaço.[5]

Em exemplos mais recentes observa-se uma incorporação de ferramentas híbridas como as ruas, Internet, os mapas georeferenciados e os softwares livres. São os Mapeios Coletivos de grupos como Iconoclasistas, Beehive Collective, intervenções públicas nas praças, na Net e em vídeo cartografias dos Antena Mutante e Hackitetura ou Mapas para o Fora – infográfico das conexões entre projetos de arte em rede, seus patrocinadores e desdobramentos, mais recente a Deriva Maravilha, que aconteceu na abertura do Laboratório de Cartografias Insurgentes. Ou os mapas afetivos produzidos dentro da comunidade expandida Fronteiras Imaginárias Culturais . Experiências cartográficas que vão desde o campo da arte às organizações não governamentais, movimentos sociais e grupos libertários, uma ferramenta de luta comum e ao mesmo tempo múltipla e em disputa.[6] A comunicação cartográfica insere xs leitorxs de mapas na interpretação da mensagem e criação de novos mapas, e isso é particularmente interessante aos que sofrem as consequências diretas do processo de espacialização territorial de confrontos, como aqueles que sofrem por exemplo, pela geografia e arquitetura orientada aos megaeventos.
cartografias insurgentes
cartografias insurgentes
No lado oposto do front o Movimento de Ocupações urbanas e as favelas, territórios ocupados há décadas por moradores de baixa renda do Rio de Janeiro, que agora sofrem a perda de suas casas, de forma autoritária, sem consulta ou opção concreta de moradia plena, simplesmente removidos, fazendo-xs ir para periferias cada vez mais distantes, condições de habitação cada vez mais precárias, cortando todos os laços familiares adquiridos em seus territórios de origem, quando chegaram há 30, 50, mais de 80, e até 100 anos (como Arroio-Pavuna). Mais que direito à moradia contestamos direito aos territórios, à memória e à cultura tradicional, tudo aquilo que foi colocado de lado com os mapas conspiratórios “ao Des-envolvimento”. 

Já em 1937 tinha sido proposta a eliminação completa das comunidades carentes, vistas como aberrações, foco de marginalidade e relacionadas à falta de higiene. Nos anos 60 surgem as políticas de remoções e o plano de des-favelização da zona sul. “Entre 1960 e 64, o governador Carlos Lacerda defendeu uma reformulação completa da política habitacional no Estado do Rio. Seu objetivo era levar os pobres para a periferia, nos mesmos moldes do que acontecia nas principais cidades da Europa e Estados Unidos. Foi durante seu governo que foram construídas a Vila Kennedy, em Senador Camará, a Vila Aliança, em Bangu, e a Vila Esperança, em Vigário Geral, além da Cidade de Deus, em Jacarepaguá, que sozinha recebeu moradores de 63 favelas extintas. A criação dos conjuntos habitacionais fazia parte do Plano de Habitação Popular, amplamente financiado pelo governo americano (estadunidense) através da Aliança para o Progresso.”[7] Recentemente, a partir do novo governo do estado, ano de 2009, uma nova onda de reassentamentos urbanos forçados – desapropriações – atinge seu pico máximo, para além das justificativas ambientais e de segurança como “áreas de risco”, provadas mentiras por contra-laudos populares como no caso da Estradinha no Morro do Tabajaras entre Copacabana e Botafogo com casas inteiras ao lado e atrás de casas parcialmente destruídas, crianças brincando nos escombros, tratores estacionados, UPPs ocupando a única área de lazer infantil. Antigas casas que por serem geminadas (vizinhas de parede) encontram-se expostas como cicatrizes permanentes das vítimas da guerra. Uma inteira outra demolida, campo minado. E isso não vai passar na TV. 

Com o advento dos megaeventos de entretenimento globais, mais especificamente a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, e também a Rio+20 no ano que vem, a cidade toda está entretida em seu re-desenho, projetos britânicos of course, em obras faraônicas como implosão de viadutos, super-museus, super-avenidas, trens-bala, polícias-pacificadoras, e para tanto segue em frente com as remoções de comunidades, pixações de casas, demolições na calada da noite, ZERO dias de notificação, infiltração de padres e pastores nos territórios ocupados, e milícias naqueles para os quais são “transportados”, seus móveis em caminhões de lixo. Uma guerra de baixa intensidade instaurou-se com legalidades e ilegalidades perenes, como o fazem governos, máfias e corporações.
direito a moradia
moradia em épocas de des-envolvimento
moradia
É em nome desses eventos esportivos para o fora, neo-colonizantes, ou catastróficos, pós-colonizantes, que estão sendo construídos parques, áreas de lazer, corredores viários, estacionamentos, museus, legalizando a forçosa expropriação de propriedades ocupadas de forma autônoma por grupos de indivíduos já excluídos da possibilidade de moradia plena, moradores de áreas uma vez abandonadas da cidade, e que com seu adensamento e idéia atomizada de futuro cresce como uma vertiginosa estética, cidades maquiadas de muros e vendidas como infopornografia – através de câmeras pode-se acompanhar real time as obras. Adicionada à forma bruta com que revela-se a violência institucionalizada cotidiana que destrói lares, vivendo agora sua quarta guerra mundial, como preconizada pelos Zapatistas[8], uma guerra civil de nossos governantes contra a população pobre, nós mesmxs. Aqueles que documentam os novos processos de reconfiguração da cidade, furando o bloqueio da mídia-sócia carioca, são os novos geográfos da pobreza, o outro lado da geografia crítica da riqueza oficiosa – Pela Moradia, Conselho Popular, Comitê Popular da Copa e Olimpíadas, Movimento Nacional de Luta por Moradia, a Segunda Cidade, Contador de Despejos, Rio 40 Caos, Jornal A Nova Democracia, Latuff.[9]

São muitas as práticas fascistas a contrapor, visibilizar a chegada de técnicos avaliando imóveis sem mais explicações sobre o que viria e meses depois a remoção de famílias na calada da noite, assinatura de papéis posteriormente usados como comprovante de venda de casas, negociações individualizadas; invasões policiais sem mandato, terrorismo psicológico; pelo menos 11 condomínios onde foram instauradas o programa Minha Casa minha Vida tomados por milícias, há relatos de roubos, de pessoas que perderam seus empregos porque passaram a morar em lugares distantes, onde um mercado fica há uma hora de caminhada.[10] É a barbárie generalizada. Estas são informações oriundas das próprias comunidades, que ao encontrar um estado fascista, uma defensoria pública incapaz de atender a tantos pedidos, assim como uma imprensa conivente, tem poucas chances de terem suas vozes ouvidas. Exclusivamente pela Internet lemos e vemos relatos dessas vivências traumáticas de famílias. Estão retirando os cidadãos de suas casas, pessoas nascidas e criadas nestes lugares, para “dar uma chance” de moradia “digna” através de seu endividamento, quando lhe é ofertada essa oportunidade, sob o falso mote da “oportunidade da casa própria”. O que vemos realmente é muitxs moradorxs tendo que alugar casas quando já habitavam moradias próprias, precarizando ainda mais a sua já tão vulnerável situação social. O dízimo já compartilhado com as igrejas na esperança de um lugar ao céu, agora é somado ao dízimo de um lugar à terra. 

Engendra-se com os novos planos arquitetônicos todo um capitalismo verde, a questão ambiental sobrepõe-se à todas as outras justificativas imaginadas pela dominação. São marcadas em papéis, sem diálogo ou consulta “áreas de risco” ou simplesnte “áreas de interesse social”. Os consórcios empresa-estado garantem por um lado a falta de transparência dos dados referentes às áreas demarcadas como “própria à moradia estatal”, e por outro permitem arbitrariedades como a demora na retirada de entulhos – o caso da Estradinha que passa atualmente por uma campanha de reconstrução, um caso de sucesso frente a tantas outras derrotas como o sumiço de Vila Harmonia. Quem lucra é claro são as empresas aptas a disputar o consórcio, ou seja, as aliadas aos estados e municípios – velhas conhecidas como Odebrecht, Delta – certamente garantido propinas à hierarquia política estatal, tradicionalmente corrupta. Indenizações de casas na Barra da Tijuca por r$4500, enquanto milhões são gastos nos novos estádios e parques.

Em tempos de megaeventos e microguerras se faz necessário produzir novos mapas, resistir, enquanto aos cariocas resta o líquido tracejar de mais uma itinerância, lágrimas e bits. Esse é um manifesto, enfim, pelo direito de re-existir, re-territorializar nossos sujeitos, territórios e redes de afeto. Um grito por uma nova cartografia.

Coletivo Baobá Voador
Notas:
[1] “Modern cartography – base maps for worlds needs”. Onu, Departamento de Afazeres Sociais. Fonte: http://www.ibge.gov.br/home/geociencias/cartografia/manual_nocoes/introducao.html Acesso em setembro de 2011.
[2] “A cartografia no ensino fundamental: construindo o espaço social a partir da percepção do aluno”. De Catarina Maria dos Santos . Artigo disponível para download em http://www.faete.edu.br/revista/artigo%20catarina.pdf Acesso em setembro de 2011.
[3] “Geografia – isso serve, em primeiro lugar, para fazer a guerra.” De Yves Lacoste, disponível para download em http://dc202.4shared.com/download/batyeqpi/a_geografia_isso_serve_em_prim.pdf?tsid=20110924-134133-e7cbcffc Acesso em setembro de 2011.
[4] “Por uma outra globalização”. De Milton Santos. Livro disponível para download em http://search.4shared.com/search.html?searchmode=2&searchname=por+uma+outra+globaliza%c3%a7%c3%a3o+milton+santos Acesso em setembro de 2011.
[5] “Las frecuencias, las soluciones, los países/ la existencia de su soberanía, de sus pueblos / un futuro próximo /una saturación de tu. Esta órbita, de sus pueblos / los países, los países / que las frecuencias y son recursos / las frecuencias de mi corazon. En el pueblo satelito, la frequencia stacionaria /sincrónica, Esta órbita, de sus pueblos / los países, los países. / que las frecuencias y son recursos / las frecuencias de mi corazon. En el pueblo satelito, la frequencia stacionaria /sincrónica /podemos ver tanto.” Declaração da primeira reunião de países ecuatoriais (dezembro de 1976). Firmado por Brasil, Colômbia, Congo, ecuador, Indonésia, Quência, Uganda e Zaire. “Declaração de Bogotá – El Derecho Internacional del Espacio”, para a leitura em http://dorkbot.org/dorkbot-wiki_as_html/DorkbotMdeWiki%282f%29DeclaracionBogota%282f%29SpanishVersion.html Acesso em setembro de 2011.
[6] Muitas dessas práticas viemos a conhecer no Laboratório de Cartografias Insurgentes, destaque para a Deriva Maravilha http://cartografiasinsurgentes.midiatatica.info que aconteceu no Rio de Janeiro, em setembro de 2011. Outros exemplos: Iconoclasistas (Argentina ) http://iconoclasistas.com.ar, Antena Mutante (Colômbia) http://antenamutante.net, Hackitectura (Espanha) http://hackitectura.net/blog, Mapas para o Fora http://publicacoes.midiatatica.info/cartografia.zip e Fronteiras Imaginárias Culturais http://fronteirasimaginarias.org e MSST – Movimento dos sem Satélite http://devolts.org/msst/ (Brasil). Assim como uma infinidade de contra-mapas que foram colecionados em referências aqui http://cartografiasinsurgentes.wordpress.com/referencias/ Acesso em setembro de 2011.
[7] http://www.favelatemmemoria.com.br/publique/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?from_info_index=21&infoid=8&sid=7 Acesso em setembro de 2011.
[8] http://flordapalavra.noblogs.org/post/2011/03/26/nem-o-centro-nem-a-periferia/ Nem o Centro Nem a periferia – Sobre Cores, Calendários e Geografia. Subcomandante Insurgente Marcos EZLN
[9] Pela Moradia http://pelamoradia.wordpress.com, Conselho Popular http://conselhopopular.wordpress.com, Comitê Popular da Copa e Olimpíadas http://comitepopulario.wordpress.com, Movimento Nacional de Luta por Moradia http://mnlmsm.blogspot.com/, a Segunda Cidade http://asegundacidade.blogspot.com/, Contador de Despejos http://contadordedespejos.kit.net, Rio 40 Caos http://rio40caos.com/, Jornal A Nova Democracia http://www.youtube.com/user/patrickgranja, Olimpi(c)Leaks http://olimpicleaks.midiatatica.info/, sempre Latuff http://twitpic.com/photos/CarlosLatuff, http://tales-of-iraq-war.blogspot.com/, http://latuff.blogspot.com/. Acesso em setembro de 2011.
[10] Vídeos sobre a questão das remoções no Rio de Janeiro podem ser encontrados em sua maior parte na Internet como “Realengo, aquele desabafo” http://pelamoradia.wordpress.com/2011/05/30/video-mostra-dificuldades-dos-moradores-realocados-pela-prefeitura-no-rio-rj/ Ou vídeo de remoções que aconteceram na região de Campinho http://pelamoradia.wordpress.com/2011/05/27/urgente-despejo-em-campinhos/ e outros vídeos como Vozes da Missão http://pelamoradia.wordpress.com/2011/06/20/video-serie-vozes-da-missao-relata-impactos-dos-megaeventos-em-quatro-comunidades-do-rio-rj/
 

Fonte: Baobá Voador

I Seminário Estadual para a Prevenção da Prática de Tortura

PICICA: Alô Belo Horizonte e adjacências!Inscrições em www.social.mg.gov.br

"Carta Aberta à Comissão da Verdade" (TAQUIPRATI)

PICICA: "P.S. - Ah, senhores, façam um esforço também de localizar os nomes dos índios “desaparecidos” na luta contra a ditadura, entre eles alguns Waimiri-Atroari, Krenhakore, Kané, Surui, Cinta Larga e tantos outros que foram assassinados porque se opunham aos projetos de exploração econômica e aos belos montes da ditadura militar." 



CARTA ABERTA À COMISSÃO DA VERDADE
José Ribamar Bessa Freire

25/09/2011 - Diário do Amazonas


Ofício nº 01/2011

Assunto: Cadê o Thomazinho?

Senhores Membros da Comissão da Verdade,

Saudações,

Daqui, das páginas do Diário do Amazonas, escrevo-lhes para solicitar que esclareçam o paradeiro de Thomaz Antônio da Silva Meirelles Neto, o único amazonense incluído na lista oficial de “desaparecidos” na ditadura militar.

Sei que a Comissão não foi ainda constituída, que sua estrutura só será votada no Senado nos próximos dias, que seus integrantes sequer foram escolhidos. Se me antecipo, é apenas para garantir um lugar na fila. É que os “desaparecidos” são centenas, e apenas sete os membros da Comissão que, entre outras tarefas, terá de descobrir, no prazo de dois anos, as graves violações dos direitos humanos praticadas entre 1946 e 1988.

Assim, quando a presidente Dilma indicar os nomes, a Comissão já encontrará sobre sua mesa este ofício, contendo dados que podem facilitar vosso árduo trabalho. Anotem: Thomazinho nasceu em 1º de julho de 1937, em Parintins. Mudou para Manaus em 1950, onde estudou no Colégio Estadual do Amazonas. Viajou para o Rio de Janeiro, em 1958. Foi eleito secretário geral da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES) em 1961. Ouçam o depoimento do titiriteiro Euclides Souza, roraimense que hoje vive no Paraná e com ele conviveu naquela época:

- “Viajei com Meirelles por todo o Brasil na UNE-volante, ele representava a União Nacional dos Estudantes e eu o CPC – Centro Popular de Cultura. Como nós dois éramos caboclos e comunistas, ficávamos sempre no mesmo quarto e passávamos as noites discutindo cultura popular e socialismo”.

Foi aí que Thomazinho ganhou uma bolsa de estudos para a Universidade Lomonosov, em Moscou. Lá, casou com Miriam Marreiro, uma amazonense que estudava Direito na Universidade Patrício Lumumba. Com ela teve dois filhos: Larissa, nascida na Rússia, em 1963, e Togo, no Brasil, para onde o casal voltou depois do golpe militar de 1964.

Acontece que quando Thomazinho saiu do Brasil, quem governava o país era um presidente eleito democraticamente pelo voto popular. Quando voltou, a situação era outra. Os militares, descumprindo o juramento que fizeram de obedecer às leis vigentes, haviam rasgado a Constituição e ocupado o poder pela força, instaurando uma ditadura militar através de um golpe. Thomaz e outros companheiros deram, então, combate à ditadura. Quem estava na ilegalidade eram os militares e não os que contra eles lutavam.

Thomaz e seus companheiros sonhavam com um Brasil sem injustiças, onde o chibé seria compartilhado entre todos. Entregou-se, generosamente, à luta por este ideal, sacrificando família, conforto, bem-estar, carreira pessoal. Por causa de sua luta, enfrentou policia, sofreu prisão, foi espancado e torturado. Saiu de lá todo quebrado.

- “Meu filho estava bastante machucado, tinha muitas marcas no corpo” – revelou sua mãe, dona Maria, que conversou com ele em fevereiro de 1973, num “ponto” em Copacabana. Essa foi a última vez que o viu. Ele permaneceu na clandestinidade até ser preso outra vez no dia 7 de maio de 1974.

Senhores, de acordo com o projeto aprovado nesta semana pela Câmara de Deputados, a Comissão da Verdade poderá colher testemunhos, receber documentação com garantia de anonimato e requisitar informações de órgãos públicos, mesmo aquelas classificadas como sigilosas. Requisitem, portanto, documentos do Arquivo do DOPS/SP, onde está registrada a prisão de Thomazinho, efetuada quando viajava do Rio para São Paulo.

Busquem, senhores membros da Comissão da Verdade, o Relatório do Ministério da Marinha, que confirma a prisão de Thomazinho. Encontrem outros documentos. Chequem a notícia publicada pelo Correio da Manhã (03/08/79) que revelou uma lista com 14 mortos, entre os quais está o nome de Thomaz Meirelles, cujo corpo até hoje não foi localizado. Identifiquem e convoquem, para serem ouvidos, aqueles que violaram os direitos humanos, torturaram e mataram presos que estavam sob a guarda do Estado.

Ao contrário de outros países, no Brasil a Comissão da Verdade não poderá, lamentavelmente, punir ou perseguir judicialmente os torturadores, cujos salários eram pagos pelo contribuinte e que praticaram tais crimes hediondos contra a humanidade. Na Argentina, no Chile e no Peru, vários agentes do Estado, entre eles generais e ex-presidentes da República, responsáveis por torturas e mortes, estão presos. É nessas horas que sentimos inveja de argentinos, peruanos e chilenos, que não contemporizaram com a tortura.  

Mesmo assim, senhores, apesar dessas limitações, descubram os nomes dos assassinos de Thomazinho. Se eles não podem ser punidos judicialmente, serão moralmente execrados pela opinião pública. Dessa forma - quem sabe? - a luta para descobrir o paradeiro de Thomaz Meirelles pode contribuir para coibir a tortura que continua a ser praticada hoje, no Brasil, contra negros, mulatos, pobres, favelados.  

Localizem, senhores membros da Comissão da Verdade, o túmulo de Thomazinho para que possamos ir lá depositar uma flor e fazer uma oração, como queria sua mãe, que morreu sem qualquer informação sobre o seu paradeiro.

Nem mesmo o sistema ditatorial mais cruel da história da humanidade aprovou uma lei determinando a ocultação de cadáveres. A família e os amigos dos “desaparecidos” têm o direito de saber o que aconteceu com eles, da mesma forma que a sociedade brasileira tem o direito de conhecer a história e de construir uma narrativa sobre ela, para evitar que tais crimes sejam cometidos outra vez. Só dessa forma Thomazinho e tantos outros “desaparecidos” poderão descansar em paz.

P.S. - Ah, senhores, façam um esforço também de localizar os nomes dos índios “desaparecidos” na luta contra a ditadura, entre eles alguns Waimiri-Atroari, Krenhakore, Kané, Surui, Cinta Larga e tantos outros que foram assassinados porque se opunham aos projetos de exploração econômica e aos belos montes da ditadura militar. 
Fonte: TAQUIPRATI

"Palestina, Bahrein e a hipocrisia americana", por Juan Cole

PICICA: "(...)os palestinos estão corretos ao pegarem um atalho para desviar dos EUA na região, já que a política americana em relação a seu povo tem sido, desde os tempos de Harry Truman, sacrificá-los no altar da política interna americana (Truman observou que ele tinha constituintes judeus, mas nenhum palestino). Os lobbies pró-Israel nos EUA são tão poderosos e bem sucedidos que 81 congressistas passaram parte de seu recesso de agosto em Israel!"

Palestina, Bahrein e a hipocrisia americana

por Juan Cole

-- Abbas e Obama no último dia 21, em NY --

Hipocrisia deslavada é algo que com frequência destrói a reputação, seja de uma pessoa ou de um país.

O presidente Barack Obama parece ter achado que poderia ir à ONU ostentar tanto a liberação da Líbia e mais um adiamento dos direitos palestinos, e que essas posturas o fariam popular no sul global. Na verdade, ele pareceu apenas inconsistente, hipócrita e pensando nos próprios interesses.

Os Estados Unidos não estiveram na vanguarda das mudanças que varreram o Oriente Médio nos últimos meses, e seu instinto enquanto Superpoder é apoiar o status quo. Assim, o governo Obama não encontrou nada para dizer sobre a Tunísia até que a população já tivesse conseguido expulsar seu presidente. O presidente Obama parece ter sentado no muro sobre o que fazer com o Egito após 25 de janeiro, mas seu instinto certamente não foi o de apoiar os revolucionários contra o governo. Apenas uma semana antes que tudo estivesse acabado é que Obama se juntou ao coro daqueles dizendo que Mubarak deveria sair.

Foram Arábia Saudita, França e Grã-Bretanha que decidiram que Muammar Qaddafi tinha que sair do poder. Obama relutantemente se uniu a eles.

No ínterim, os EUA têm feito pouco a não ser soltar uns resmungos a respeito do esmagamento do movimento popular por reforma no Bahrein. Ali, geopolítica triunfou sobre preocupações com direitos humanos. A monarquia sunita no Bahrein arrenda aos EUA a base naval que serve de quartel general para a Quinta Frota.

Agora, descobre-se que o governo Obama quer até mais ou menos recompensar o governo do Bahrein pela repressão, retomando as vendas de armas. É como uma viúva há uma semana que decide sair por aí dançando.

Mas a maior hipocrisia em Washington foi reservada para os palestinos, que labutam sob uma repressiva ocupação militar na Cisjordânia e estão cercados e bloqueados em Gaza. Se há alguma diferença, eles são mais despojados do que os povos de Egito e Tunísia eram há alguns meses.

Mas a resposta do governo Obama à proposta dos palestinos para tornarem-se membros das Nações Unidas tem sido trabalhar para preveni-la, lidar duramente com Mahmoud “Abu Mazen” Abbas e torcer os braços de países como Nigéria e Gabão para que votem contra a proposta.

O argumento de Obama, que simplesmente ecoa o do governo do Likud em Israel, é que, ao ir à ONU, a Autoridade Palestina está evitando o processo de paz. Mas essa é uma proposição ridícula. Não existe processo de paz. Obama fracassou em estabelecer um. Assim, os palestinos estão corretos ao pegarem um atalho para desviar dos EUA na região, já que a política americana em relação a seu povo tem sido, desde os tempos de Harry Truman, sacrificá-los no altar da política interna americana (Truman observou que ele tinha constituintes judeus, mas nenhum palestino). Os lobbies pró-Israel nos EUA são tão poderosos e bem sucedidos que 81 congressistas passaram parte de seu recesso de agosto em Israel!

Os palestinos estão sem estado. Não têm cidadania em nada. É por isso que Benjamin Netanyahu pôde dar curto-circuito no processo de Oslo, e é por isso que Israel pôde renegar à seu bel prazer todos os compromissos que havia firmado com os palestinos. É por isso que terras palestinas podem ser usurpadas à vontade por intrusos israelenses na Cisjordânia.

Obama fez discursos interessantes sobre a Primavera Árabe, sobre a vontade dos povos e o idealismo e ativismo dos jovens. Ele fez isso mesmo em relação a países como Egito, onde a ditadura de Mubarak serviu tão fielmente aos interesses americanos.

Mas aparentemente ele acha que os palestinos de Gaza, que não são permitidos pelos israelenses sequer a exportar os bens que produzem, merecem apenas ainda mais ocupação via bloqueio, até o dia em que o governo israelense de extrema-direita decidir unilateralmente revogar suas políticas punitivas contra os palestinos, que ficaram sem estado devido à campanha sionista de limpeza étnica de 1947-1948 (40% da população de Gaza, suas famílias expulsas de casa por israelenses, ainda vive em campos de refugiados).

Obama faz bons discursos e consegue invocar altos ideais, mas quando, no Bahrein e na Palestina, Washington adota massiva hipocrisia, mina completamente a boa vontade que poderia de outra forma ter ganho por pelo menos não ter ficado no caminho das mudanças na Tunísia e no Egito, e por ter intervindo para prevenir um massacre de Qaddafi na Líbia.

Vitórias em política externa são raras. Obama desperdiçou as suas ao se rebaixar às forças direitistas em Manama e Tel Aviv. Esse é o tipo de mudança em que a juventude árabe jamais será capaz de acreditar.


Professor de História na Universidade de Michigan, há mais de três décadas estuda as relações entre o Ocidente e o mundo muçulmano. Comentarista em diversos canais de tevê, é autor, entre outros, de Engaging the Muslim World (2009). Com sua autorização, traduzimos e reproduzimos alguns de seus artigos no Amálgama.

Juan Cole
Fonte: Amálgama 

Blogagem coletiva em prol da descriminalização e legalização do aborto

PICICA: "Ninguém é a favor do aborto e contra a vida. Nós somos a favor das mulheres decidirem sobre seus corpos e a favor de que milhares de mortes de mulheres sejam evitadas."

Chamada Blogagem Coletiva: Pela Descriminalização e Legalização do Aborto

Dia 28 de setembro é o Dia Latino-Americano e Caribenho pela Descriminalização e Legalização do Aborto. No Brasil o aborto é crime, mas sabemos que isso não impede e nunca impedirá sua prática. A clandestinidade, no entanto, condena mulheres as práticas inseguras. A criminalização das mulheres que abortam impossibilita nossa autonomia e nos obriga a colocarmos nossas vidas em risco. Somos todas clandestinas.


Por isso convidamos você a participar, no dia 28 de setembro, de uma blogagem coletiva em prol da descriminalização e legalização do aborto. Escreva um texto no seu blog e deixe o endereço aqui nos comentários ou nos envie por email, redes sociais, etc. No dia 28/09, às 15h postaremos uma lista com todos os textos participantes.


Ninguém é a favor do aborto e contra a vida. Nós somos a favor das mulheres decidirem sobre seus corpos e a favor de que milhares de mortes de mulheres sejam evitadas. Ser contra o aborto é decidir por você. Ser contra a legalização do aborto é decidir por todas. Ser contra o aborto é não achar certo fazer um aborto. Ser contra a legalização do aborto é ser a favor da morte de milhares de mulheres. Continue lendo em Aborto: 10 razões para legalizar do coletivo Sapataria.


Abaixo, cartaz com algumas ações que vão acontecer em São Paulo, com uma programação construída por estudantes e coletivos feministas da PUCCAMP, PUCSP, USP, UNICAMP, UFSCar, Unesp – Franca e Faculdade de Direito de Franca.
Fonte: Blogueiras Feministas

setembro 25, 2011

TV Bandeirantes confunde a opinião pública e presta um desserviço à causa dos ribeirinhos do Jatuarana-AM

PICICA: Com o foco na versão militar, os desmandos cometidos pelo Exército nacional contra os ribeirinhos da costa do Jatuarana, no rio Amazonas, na área rural de Manaus, ganhou dimensão nacional em matéria da TV Bandeirantes. A reportagem foi ao ar na terça-feira, dia 20 de setembro. Um desastre. Sou testemunha da entrevista e das imagens feitas pelos repórteres com os ribeirinhos. Devem ser poupados. Certamente, eles não são os responsáveis pelo produto final. É chocante verificar como a edição do material privilegiou a informação distorcida das autoridades militares, em detrimento da  farta documentação das irregularidades cometidas pelo Exército nacional, como registram os arquivos dos jornais locais. Nenhuma das informações militares se sustenta diante dos documentos em posse dos ribeirinhos, desde Diários Oficiais, matérias de jornal, títulos de propriedade, e a velha e boa memória oral. Não é verdadeira a informação de que as terras pertencem ao Exército, pois que o título de doação das "terras cobertas por florestas", conforme o Diário Oficial da União da época, concedidas durante o governo Danilo Areosa, estabelece limites precisos entre a fronteira das terras do Exército com as das comundidades tradicionais de ribeirinhos, que já somaram 200 famílias antes da invasão militar para a prática de Guerra na Selva, na segunda metade dos anos 1990. Hoje não passam de 96 famílias. O decreto de doação é claro. Do limite da propriedade do Exército até cinco quilometros à margem do rio Amazonas, as terras pertecem às comunidades ribeirinhas. Uma das provas da existência legal das terras dos ribeirinhos é o cemitério de São José do Jatuarana, no qual uma publicação oficial da história de Manaus data seu surgimento ali pelo final do século XIX. Neste lugar os militares ergueram sua "base" e tiveram a ousadia de fincar uma placa para indicar uma propriedade que não lhes pertence. Até pouco tempo, somada à arbitrária proibição da pesca, plantio e produção de farinha, impediram também o enterro dos mortos. A matéria é deslavadamente tendenciosa. Mas, há uma luz nela. Ouçam o que diz o Ministério Público Federal. Asseguro-lhes, meus caros, o buraco é mais embaixo. Que restaure-se os rigores da Lei! Que enquadre-se os que, ao arrepio da lei, levaram a morte, a dor e a destruição para os ribeirinhos que tiveram suas casas destruidas, ou que estão sobre ameaça. Não há um morador que não seja ribeirinho, que não use as terras para seu sustento e o da sua família. As imagens de arquivo da reportagem atestam o que o PICICA afirma. Uma das cenas que não foi ao ar mostra a casa do filho da ribeirinha Natália - construída ao lado da casa da mãe - e os parentes da esposa que atravessaram o rio para participar de um puxirum. Era dia de cortar, moer e produzir farinha. Sua casa está entre as três ameaçadas de vir abaixo pelas mãos dos militares. Os descendentes dos ribeirinhos vivem tensos, sob a ameaça de ter suas casas destruídas. Pena que a história não foi contada na perspectiva dos ribeirinhos. Por essa e por outras que esse tipo de mídia teme a regulação que tarda neste país. Enquanto isso, na mesma região, a colônia norte-americana do Puraquequara e a propriedade onde se instalou um hotel da colônia japonesa, com terras devidademente tituladas, não são perturbadas pelo glorioso Exército nacional. Eles sabem com quem não deve bulir. Finalmente, aconselho o(a) leitor(a) usar didaticamente essa matéria como mais um exemplo do mau jornalismo praticado no Brasil. Informações prestadas generosamente foram aviltadas por quem deveria zelar pela produção de sentido e por enunciados mais responsáveis: a área em litígio nunca foi do Exército nacional. A TV Bandeirantes deu uma grande contribuição, sim, para a prática do racismo ambiental que abate as comunidades tradicionais de ribeirinhos do Jatuarana.

ONU recebe do CFP denúncias de violação de direitos humanos em clínicas e hospitais psiquiátricos

PICICA: As medidas tomadas por Dilma Rousseff de investimentos em comunidades terapêuticas e "clínicas para drogados", face as flagrantes irregularidades constatadas em grande parte deste setor privado vai dar uma tremenda dor de cabeça no plano da fiscalização. Atenção entidades de classe, conselhos de saúde e sociedade civil organizada: olho nelas, porque o nobre gesto de rever a decisão tomada está fora de cogitação. Sinal de alerta no campo da saúde mental. Um mau começo para um governo em que o movimento antimanicomial depositava esperança de dias melhores. Mas o que a vida senão luta renhida, não é verdade, companheir@s?

CFP entrega à ONU documento com denúncias de violação aos direitos humanos em locais de internação


O  Conselho Federal de Psicologia (CFP) entrega nesta segunda-feira, 26 de setembro de 2011, à representante do Brasil no Subcomitê para Prevenção da Tortura da ONU, Margarida Pressburger, documento contendo denúncias de maus tratos à pacientes internados em clínicas e hospitais psiquiátricos.
A entrega acontece durante o Seminário Panorama Internacional de Prevenção e Combate à Tortura, que ocorre às 15h30 no auditório Nelson Carneiro, 6º andar, anexo-ALERJ, Rio de Janeiro, RJ.
As denúncias relatam maus tratos e morte de pacientes psiquiátricos e de usuários de drogas atendidos em comunidades terapêuticas e outros espaços de internação. O documento revela a gravidade das circunstâncias asilares encontradas, que revelam abuso medicamentoso, negligência, abandono e negação dos direitos civis, maus tratos, e diversas outras violações de Direitos Humanos.
As denúncias foram recebidas via Observatório de Saúde Mental e Direitos Humanos da Rede Internúcleos de Luta Antimanicomial, com apoio do CFP, e pelos movimentos de usuários e familiares de serviços de saúde mental.
Primavera da Saúde
O Conselho Federal de Psicologia participa na terça-feira, 27 de setembro de 2011, das manifestações da Primavera da Saúde, que pede mais recursos para a saúde pública no Brasil e a regulamentação da Emenda Constitucional 29. A mobilização tem unido esforços de gestores, trabalhadores da saúde e parlamentares em torno da causa da melhoria dos direitos à saúde, buscando colocar o debate no centro da agenda política do Brasil.
O Conselho Federal de Psicologia participa da manifestação reivindicandoo tratamento dos usuários de drogas com cidadania, em meio aberto, sem internação e sem segregação. Ou seja, pede a continuidade do processo da reforma psiquiátrica antimanicomial em curso no Brasil, regulamentada pela Lei nº 10.216/2001, que criou os serviços de atenção psicossocial de caráter substitutivo ao modelo asilar, para o cuidado de pessoas com sofrimento mental e problemas no uso de álcool e outras drogas.
Assim, reitera seu posicionamento contrário ao financiamento das chamadas comunidades terapêuticas com verba do SUS. O CFP entende que o isolamento em instituições tais como manicômios ou comunidades terapêuticas gera mais dor, sofrimento, violação dos direitos humanos e propõe que o atendimento seja feito por uma rede de serviços substitutivos do tipo: Centros de Atenção Psicossocial III (CAPS III), leitos em hospitais gerais, Casas de Acolhimento Transitório, Consultórios de Rua e outras invenções que se fizerem necessárias para garantir o cuidado em liberdade.
Por fim, atentar para o fato de que as cenas públicas de uso de drogas, que tanto incomodam, são também consequência da má distribuição de renda no país, que retira dos jovens a perspectiva de vida futura. Para minimizar tal cenário são necessários recursos das diversas políticas públicas para a inclusão social, tais como: moradia social, geração de renda, esporte, lazer, transporte, cultura e educação de qualidade.
Fonte: CFP

Caso CBN versus Bianca Abinader: um desfecho imoral

PICICA: Macacos me mordam se este não é um caso de assédio moral. Bianca Abinader, médica do Programa Saúde da Família, da Prefeitura de Manaus, acaba de ser demitida. Lembremos os antecedentes: a médica participa de um grupo de cidadãos contrários à Taxa de Lixo que se manifestam pelo twitter. A taxa é votada pela maioria da Câmara dos Vereadores. A campanha cidadã de Bianca não logra êxito na campanha. Nenhuma empresa de out-door aceitou a encomenda do material a ser divulgado, onde constava a lista dos vereadores que votaram a lei favoravelmente. A radio CBN local, detentora de uma conta publicitária da prefeitura, promove um surpreendente assédio contra a profissional. Sindicância pra cá, assédio pra lá, o final dessa história não poderia ser mais imoral. Não há prova material do absenteísmo de que a médica é acusada; ao contrário, há depoimentos de que ela goza da estima dos usuários do programa, pelo bom trabalho que desenvolveu. Para compreender o imbróglio, acesse O caso Bianca Abinader. Leia mais sobre o caso: CBN-Manaus acusada de manipular denúncias, Médica sofre perseguição moral e o caso vai parar na blogosfera, O outro lado que a CBN-Manaus não quer ouvir, "O outro lado que a CBN-Manaus se recusa a ouvir - Parte 2", por Mario Bentes

Enviado por em 03/05/2011
Vídeo gravado no último dia 15 de março, às 12h10 da tarde, na UBS Amazonas Palhano, São José (Zona Leste). Seu autor, Ronaldo Tiradentes, radialista, jornalista, advogado, empresário e tuiteiro, invade a UBS atrás de Bianca Abinader, médica que persegue desde janeiro de 2010.

No vídeo, Ronaldo procura a médica, invade o refeitório da unidade, pergunta de pacientes e colegas onde está Bianca. Todos afirmam: ela esteve ali de 7h às 11h da manhã, cumprindo seu horário. Então Ronaldo pergunta quem é paciente de Bianca. Ninguém responde, pois são todos pacientes da tarde. Então Ronaldo pergunta quem aguarda por um clínico geral. "Cri cri cri" é a resposta do salão, novamente.

Os pacientes reclamam do atendimento de outros médicos, da demora, da falta de fichas, etc. Mas Ronaldo não quer saber. Seu objetivo é Bianca. Desorientado mas decidido, Ronaldo anda pelo salão da UBS, filmando e pensando no que ainda pode fazer. Retira do bolso um documento, o encosta na parede, tenta desesperadamente ajustar o foco da câmera para mostrar uma carga horária de 6 horas, que não existe na rede municipal de saúde.

O documento, inválido e retificado oficialmente pela própria SEMSA, não é do conhecimento do repórter investigativo. Ronaldo anda em círculos, pensando "Bianca, Bianca!". Como seu intuito é apenas o de perseguir a médica, oferece denúncia à SEMSA, apresentando este filme, cujas imagens e depoimentos (mais uma vez) derrubam sua mentira e inocentam a médica. O filme levado por Ronaldo a Francisco Deodato, secretário de Saúde e seu amigo, está editado. Não mostra Ronaldo voltando ao refeitório e levantando a voz para Dona Eurinete Santana, a diretora da UBS, que no início do vídeo atesta que Bianca trabalhou sim, naquele dia. O filme cortado pelo autor também não mostra Ronaldo tentando fazer depoimentos de pacientes, contra outros médicos, parecerem direcionados à médica Bianca. Dias depois, a SEMSA, dos amigos Deodato e Orestes Guimarães instala a 3ª sindicância contra Bianca, com base neste vídeo. É ele a única "prova" apresentada por Ronaldo na sua denúncia. Ronaldo nunca publicou este vídeo. Avalie você mesmo por quê.