março 30, 2012

Señoras y señores, com usteds la gran cantante Omara Portuondo!


Enviado por  em 10/06/2011
Documentary for Omara Portuondo's second album with World Circuit, 'Flor de amor', released in 2004.

For more information go to
http://www.worldcircuit.co.uk/#Omara_Portuondo
http://www.facebook.com/OmaraPortuondo
Buy the music at amazon http://tinyurl.com/7z4g5uk

PICICA: En memória de mi abuelita Maria Casado Ramirez, nascida en la hermosa ciudad de Iquitos, en Peru. Inolvidable la musicalidad de la lengua española en su voz - una lengua que canta y encanta: "Luna que se queda por la tiniebla de mi soledad... adonde vás?..." A mi me hizo amar las artes, en especial el cine y la literatura. Su narrativa de los cuentos de Mil y uma noches son los más antiguos recuerdos que tengo de su dulce estampa. Amada abuelita, son para ti las canciones de Omara Portuondo... y para Elizabeth, mi hermana, que ha herdado de nuestro padre y nuestra madre el don del canto.

CULT: curso de filosofia contemporânea, ministrado por Marcia Tiburi




Alô Rio de Janeiro e adjacências: Virada Digital, no Circo Voador



Assista hoje 29/03, ao vivo, à partir das 19h30, a largada para o Festival Virada Digital pelo site www.viradadigital.com.br.

O evento acontece no Circo Voador, no Rio de Janeiro.
Participe desse festival de inovação, sustentabilidade e interatividade!

Equipe Virada Digital


PICICA: Tá rolando, desde ontem.

Ocupação Cinelândia: Vá pra rua e leve o seu coração


Enviado por  em 28/03/2012
Teaser Ocupação Cinelândia 31/3

Venha pra rua, debate e construa o contexto.

Tem manifestação pública... tem Maracatu Eco da Sapopema


Enviado por  em 29/03/2012
Celebração do Dia Mundial da Água : organizado pelo movimento SOS Encontro das Águas (que luta contra a construção de um terminal portuário por uma subsidiária da Vale), o dia não passou em branco em Manaus, contando com a participação do Maracatu Eco da Sapopema, sempre presente nas manifestações públicas.

PICICA: A primeira vez que vi o Maracatu foi na Marcha da Liberdade. Espero vê-los de novo na próxima versão que vem por aí. Salve a cultura popular!

Boletim CPT: No Dia Mundial da Água, protestos alertam para os perigos de sua privatização; Sob fortes protestos de indígenas, PEC 215 é aprovada na CCJ; Governo do Pará vende terras públicas a grupos empresariais



Ano 25 - Goiânia, Goiás.                     Edição nº. 05 de 2012 – De 28 de março a 11 de abril.

Veja nesta edição:

- CPT disponibiliza publicação Conflitos no Campo Brasil em seu site

- No Dia Mundial da Água, protestos alertam para os perigos de sua privatização 

- Transposição do Rio São Francisco custa 71% a mais do que o previsto inicialmente 

- Ocupação em agência da Caixa exige agilidade em negociação com Incra 

- Lideranças rurais são assassinadas em Minas Gerais 

- Agricultores são pressionados por grupo hoteleiro de Goiás para deixarem suas terras 

- Sob fortes protestos de indígenas, PEC 215 é aprovada na CCJ 

- Quilombolas ocupam Incra no Maranhão 

- Greves e críticas aumentam polêmica em torno da construção de usinas hidrelétricas 

- Mais uma liderança do MST assassinada no agreste pernambucano 

- Empresa utiliza nome da CPT para encobrir desrespeitos aos direitos humanos 

- Governo do Pará vende terras públicas a grupos empresariais 

___________________ 

CPT disponibiliza publicação Conflitos no Campo Brasil em seu site 

Todas as edições do livro Conflitos no Campo Brasil, pesquisa sobre a questão agrária em todo o país publicada anualmente pela CPT desde 1985, estão disponíveis no site da entidade:http://www.cptnacional.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=734&Itemid=103. A publicação registra os conflitos por terra, pela seca e pela água, os assassinatos, as ameaças de morte, as prisões, os dados referentes ao trabalho escravo, as manifestações realizadas por trabalhadores, dentre outras informações. 

No Dia Mundial da Água, protestos alertam para os perigos de sua privatização 

Movimentos sociais e ambientais realizaram manifestações em diversas localidades do país para lembrar o Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março. Eles são contra a privatização da água e sua apropriação pelo capital tanto no saneamento quanto na geração de hidroeletricidade para a indústria e agronegócio. O acesso à água é um direito humano e não uma mercadoria para ser negociada no mercado. Os países que privatizaram suas águas constataram o aumento de suas tarifas, a falta de água para a produção de alimentos, a contaminação das águas por substâncias tóxicas, dentre outros problemas. (Fonte: MAB)   

Transposição do Rio São Francisco custa 71% a mais do que o previsto inicialmente 

Os custos da obra de transposição do rio São Francisco aumentaram 71% em relação à previsão inicial do governo, o que representa em reais o total de R$ 3,4 bilhões. Com fim inicialmente previsto para 2010, a conclusão da obra, que está paralisada em três locais, deve demorar pelo menos mais 45 meses. Os custos incluem a renegociação de contratos originais e R$ 2,6 bilhões em novas licitações. Além disso, os custos dos demais trechos aumentaram em até 25%. O início das obras às pressas, sem a realização de um estudo de impacto adequado, resultou em 900 metros de canais de concreto danificados mesmo antes de terem sido inaugurados, além dos evidentes prejuízos sociais e ambientais. O aumento no custo da transposição do Rio São Francisco já é consideravelmente maior do que os R$ 1,2 bilhão extra previstos há menos de três meses pelo ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho. (Fonte: O Estado de S. Paulo)   

Ocupação em agência da Caixa exige agilidade em negociação com Incra 

Trabalhadores ligados à CPT ocuparam na última semana uma agência da Caixa Econômica Federal em Maceió (AL) para cobrar o registro de 390 hectares da fazenda Mumbuca, zona rural do município de Murici (AL). A área, que está em nome do banco, é habitada há 19 anos pelas famílias de agricultores. Segundo Carlos Lima, da CPT, há quatro anos os trabalhadores negociam com a Caixa e o Incra para que o órgão compre as terras em nome do banco e as destine para o assentamento das famílias. Enquanto o impasse não é solucionado, as famílias produzem na terra, incertas sobre o futuro. (Fonte: CPT)   

Lideranças rurais são assassinadas em Minas Gerais 

Três trabalhadores rurais ligados à coordenação do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) em Minas Gerais foram assassinados no dia 24 de março. Valdir Dias Ferreira, Milton Santos Nunes da Silva e Celestina Leonor Sales Nunes foram mortos a tiros enquanto trafegavam na rodovia MGC-455. Uma criança de 5 anos, que sobreviveu ao crime, é a única testemunha da execução. Eles são acampados da fazenda São José dos Cravos, no município de Prata (MG), alvo do interesse da Usina Vale do Tijuco, que entrou com pedido de reintegração de posse apenas com um contrato de arrendamento. O crime aconteceu 16 dias após a realização de uma audiência entre os acampados e a Usina, a qual não resultou em acordo entre as partes. O MLST denuncia que outros trabalhadores estão ameaçados de morte e reivindicam proteção e o assentamento imediato das famílias acampadas no Triângulo Mineiro. (Fonte: MLST)   

Agricultores são pressionados por grupo hoteleiro de Goiás para deixarem suas terras 

Famílias de agricultores que moram na área da fazenda Vala do Rio do Peixe, em Santa Cruz de Goiás, estão sofrendo intimidações para deixarem as terras onde moram há cerca de 15 anos. Um grande grupo hoteleiro de Goiás, o Roma Empreendimentos e Turismo Ltda, da deputada federal Magda Mofatto (PTB-GO), pretende a área como pagamento de dívida junto ao já extinto Banco de Desenvolvimento do Estado de Goiás. A pendência jurídica existe desde os anos de 1990 e ao que tudo indica, a pretendente propôs receber o valor a que tem direito em áreas de propriedade do Estado, sendo duas em Goiás e uma no Tocantins. Desde o dia 6 de março, quando foram surpreendidas por um oficial de justiça responsável por cumprir um Mandado de Imissão de Posse, os trabalhadores são pressionados de forma agressiva para abandonarem as terras, tendo seus direitos básicos ignorados. A Escritura Pública de Declaração de Ocupação de Imóvel Rural foi lavrada em cartório em 2003 e já no ano seguinte a Agência Rural demarcou os 25 lotes da área e entregou os respectivos mapas. (Fonte: CPT)   

Sob fortes protestos de indígenas, PEC 215 é aprovada na CCJ 

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) aprovou no dia 21 de março, por 38 votos a dois, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215/2000, que trata sobre a demarcação e homologação de terras indígenas, quilombolas e áreas de conservação ambiental. O objetivo da PEC é transferir da União para o Congresso Nacional a responsabilidade pela aprovação e retificação da demarcação destas áreas. O movimento indígena, presente na sessão, protestou contra a decisão com rituais e gritos de guerra. De autoria do deputado Almir Sá (PPB-RR) e em tramitação há 12 anos, a PEC é inconstitucional, pois viola duas cláusulas pétreas da Constituição Federal: a separação de poderes e os direitos indígenas. A Proposta segue agora para uma comissão especial e se aprovada, irá para votação na Câmara dos Deputados e em seguida para o Senado. (Fonte: Cimi)   

Quilombolas ocupam Incra no Maranhão 

Comunidades ligadas ao Movimento Quilombola do Maranhão (Moquibom) ocuparam, na última semana, a Superintendência Nacional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em São Luis (MA). Representantes de setenta comunidades quilombolas integrantes do movimento reivindicam o cumprimento de um acordo firmado em 2011 com a presidência nacional do órgão, que se comprometeu a realizar 54 relatórios antropológicos e a combater a violência contra os quilombolas. As comunidades são ameaçadas pelo agronegócio, que tenta as expulsar de seus territórios, e não recebem proteção alguma por parte do Estado. Muitas vezes sequer conseguem registrar o boletim de ocorrência relatando as intimidações. Nos últimos dois anos, três quilombolas foram assassinados no Maranhão em função de conflitos pela terra. Outros 70 estão ameaçados de morte. (Fonte: Jornal Vias de Fato)   

Greves e críticas aumentam polêmica em torno da construção de usinas hidrelétricas 

Operários das obras do complexo hidrelétrico do rio Madeira estão em greve há mais de duas semanas em Jirau e há seis dias em Santo Antônio. Entre os pontos de reivindicação estão o reajuste salarial de 30%, a diminuição da jornada de trabalho, o aumento da cesta básica e plano de saúde extensivo para toda a família. Trabalhadores da usina de Jirau também reclamam sobre a falta de estrutura dos alojamentos. Enquanto isso, a usina de Belo Monte, em construção no rio Xingu, é alvo de críticas por parte da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência. O Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, ligado à secretaria, aprovou no dia 26 de março um parecer com recomendações referentes à violência na Terra do Meio (PA). O documento afirma que a construção da hidrelétrica agrava os conflitos já existentes na região e orienta que as comunidades indígenas sejam incluídas nos debates sobre o tema. O parecer sugere ainda que a construção de Belo Monte seja suspensa até que se cumpram todas as condicionantes ambientais e indígenas da licença prévia. (Fonte: Valor Econômico e Folha de São Paulo)

Mais uma liderança do MST assassinada no agreste pernambucano
 
Na última sexta-feira (23), o trabalhador rural Sem Terra, Antônio Tiningo, foi assassinado em uma emboscada quando se dirigia para o acampamento da fazenda Açucena, no município de Jataúba, agreste de Pernambuco. Tiningo era um dos coordenadores do acampamento da fazenda Ramada, ocupada há mais de três anos. No final de 2011, mesmo ocupada pelos Sem Terra, a fazenda foi comprada por um empresário do ramo de confecção e especulação imobiliária, conhecido por Brecha Maia. Logo que comprou a área, o fazendeiro - que possui outras fazendas na região - expulsou ilegalmente as famílias, sem nenhuma ordem judicial ou presença policial. As famílias reocuparam a área em fevereiro desse ano e, desde então, o proprietário tem ameaçado retirar as famílias à força, intimidando pessoalmente algumas lideranças da região, dentre elas, Antonio Tiningo. Na semana passada, Brecha Maia havia declarado que faria o despejo das famílias por bem ou por mal, e que não passaria de sexta-feira, dia em que Tiningo foi assassinado. (Fonte: site MST)

Empresa utiliza nome da CPT para encobrir desrespeitos aos direitos humanos 

A CPT de Minas Gerais denunciou em Nota Pública que a empresa de mineração Anglo Ferrous Minas – Rio S.A tem utilizado o nome da Pastoral de forma equivocada e não autorizada para legitimar sua ação junto às comunidades atingidas e órgãos ambientais. A empresa é alvo de várias denúncias de irregularidades e recentemente a Justiça acatou a ação civil pública ajuizada pelo MP estadual que suspende suas obras. A utilização do nome da CPT em boletins de propaganda e em reuniões públicas sobre processos de licenciamento ambiental é uma tentativa de passar a ideia de parceria social e encobrir o não cumprimento de acordos firmados com as comunidades atingidas. A CPT sub-região Leste assessorou as comunidades atingidas nos processos que resultaram nos acordos indenizatórios de um grupo de atingidos, em setembro de 2010. (Fonte: CPT Minas Gerais)

Governo do Pará vende terras públicas a grupos empresariais 

O governo do Pará está negociando áreas públicas por preço abaixo do valor de mercado em um claro favorecimento aos interesses de grandes grupos empresarias. As terras, correspondentes às fazendas Espírito Santo e Mundo Novo, foram concedidas à família Mutran, na década de 1950, para a coleta de castanha-do-Pará. O Estado permitiria a exploração sem que a área fosse transferida para o patrimônio privado. Entretanto, a atividade original de aforamento foi abandonada sem a autorização do Estado e substituída pela pecuária. Com o objetivo de reaver as terras, em 9 de junho de 2010, o Estado do Pará ingressou com Ações Civis Públicas junto a Vara Agrária de Redenção contra Benedito Mutran Filho, Cláudia Mutran, Alcoçaba Participações Ltda. e Agropecuária Santa Bárbara Xinguara S/A, esta última pertencente ao grupo Opportunity, que tem como um de seus sócios o banqueiro Daniel Dantas. Mesmo sem obter o ato de alienação definitiva das áreas, Benedito Mutram Filho firmou contratos de promessa de compra e venda dos imóveis com as empresas Santa Bárbara e Alcoçaba. Assim, ainda que tenha ingressado com ações para reaver as terras, o Estado do Pará está negociando com o empresário. Além disso, constatou-se outra irregularidade: os procuradores do Estado do Pará preveem no acordo honorários de R$ 100 mil para sua associação particular, beneficiando-se de forma ilegal do acordo. Atualmente as áreas estão com suas matrículas bloqueadas no cartório de registro de imóveis de Xinguara. (Fonte: CPT Pará)

Boitempo e Carta Maior lançam "Occupy - movimentos de protesto que tomaram as ruas" (Carta Maior)







PICICA: "Imbuídos não só da lucidez da crítica, mas também da esperança e da paixão pelo engajamento, os textos apresentam alguns consensos, como a certeza do declínio geral do capitalismo; a percepção de uma nova solidariedade social; e a análise da ausência, até o momento, de uma definição estratégica dos movimentos de ocupação."



Boitempo e Carta Maior lançam "Occupy - movimentos de protesto que tomaram as ruas"

A Boitempo está lançando, em parceria com a Carta Maior, a coletânea "Occupy – movimentos de protesto que tomaram as ruas", reunindo artigos de pensadores críticos deste novo momento da política global em que a voz das ruas passa a ocupar o cenário. O debate de lançamento e a noite de autógrafos do livro acontecerá no dia 4 de abril, das 20 às 23 horas, no Espaço Revista Cult, em São Paulo. O livro será vendido a preço de custo, graças à colaboração dos autores e ilustradores, que cederam os direitos autorais para tornar a obra mais acessível.

A memória coletiva marcará 2011 como o ano em que as pessoas tomaram as ruas de diversos países em uma onda de mobilizações e protestos sociais: um fenômeno que começou no norte da África, derrubando ditaduras na Tunísia, no Egito, na Líbia e no Iêmen; estendeu-se à Europa, com ocupações e greves na Espanha e Grécia e revolta nos subúrbios de Londres; eclodiu no Chile e ocupou Wall Street, nos EUA, alcançando no final do ano até mesmo a Rússia. Das praças ocupadas por acampamentos às marchas de protesto nas avenidas das principais metrópoles, emergiu uma consciência de solidariedade mútua que resultou em toda sorte de material multimídia sobre o movimento na internet, amplamente compartilhado nas redes sociais.

Inspirada por essa campanha colaborativa, a Boitempo lança, em parceria com a Carta Maior, a coletânea Occupy – movimentos de protesto que tomaram as ruas, a qual reúne artigos de pensadores críticos deste novo momento da política global em que a voz das ruas passa a ocupar o cenário. O livro será vendido a preço de custo, graças à colaboração dos autores e ilustradores, que cederam os direitos autorais para tornar a obra mais acessível e condizente com a proposta do movimento.

Imbuídos não só da lucidez da crítica, mas também da esperança e da paixão pelo engajamento, os textos apresentam alguns consensos, como a certeza do declínio geral do capitalismo; a percepção de uma nova solidariedade social; e a análise da ausência, até o momento, de uma definição estratégica dos movimentos de ocupação.

Apesar de Tariq Ali dizer que saber contra quem se luta é um importante começo, Slavoj Žižek é bem categórico ao afirmar que não basta saber o que não se quer, é preciso saber o que se quer. O povo, de acordo com ele, sempre tem a resposta, o problema é não saber a pergunta.

A identificação da desigualdade social, da riqueza e do poder de 1% da população mundial contra os 99% já está clara de acordo com João Alexandre Peschanski. Giovanni Alves acredita que é essencial um programa coerente para a formação de um novo movimento de organização de classe que junte o proletariado e o precariado, mas a conclusão de Vladimir Safatle sobre o programa reformista e regulacionista do capitalismo é categórica e controversa: “a época em que nos mobilizávamos tendo em vista a estrutura partidária acabou”.

No hemisfério norte, Immanuel Wallerstein e Mike Davis comemoram 2011 como um bom ano para a esquerda, enquanto David Harvey defende a importância da união dos corpos no espaço público. Com foco no Oriente Médio, Emir Sader analisa a Primavera Árabe, em que a necessidade de organizações políticas é ainda maior dada a presença dos movimentos fundamentalistas e de uma interferência militar direta da OTAN e dos EUA.

O caso brasileiro, abordado no texto de Edson Teles, ainda não teve movimentos da mesma magnitude que os de outros países, mas possui a peculiaridade de mobilizar setores da juventude e de excluídos sociais. Tais grupos foram alvo, em 2011, de uma sistemática repressão policial, desde as marchas da maconha em São Paulo e a entrada de tropas de choque na USP até a expulsão dos moradores do Pinheirinho e os projetos higienistas no centro das capitais.

A extrema-direita, que revelou em 2011 a sua face mais explícita, no massacre na Noruega, também cresce. A troika (União Europeia, FMI e Banco Europeu) dita ordens de mais austeridade e todos os governos as seguem. Ao que tudo indica, o duro inverno do hemisfério norte será seguido por uma primavera politicamente quente em 2012, colocando na ordem do dia o debate sobre a natureza e a evolução dos novos movimentos políticos que floresceram em 2011. Poderá a indignação se tornar revolução?
[Baseado na apresentação de Henrique Soares Carneiro]

O debate de lançamento e a noite de autógrafos do livro acontecerá no Espaço Revista Cult, dia 4 de abril, quarta-feira, das 20h às 23h. O evento contará com a participação dos autores Edson Teles, Giovanni Alves, Henrique Carneiro, Leonardo Sakamoto (a confirmar) e Vladimir Safatle.
Fonte: Carta Maior

março 29, 2012

"Desarquivando o Brasil: O luto numa terra de cadáveres insepultos", por Idelber Avelar



Desarquivando o Brasil: O luto numa terra de cadáveres insepultos


PICICA: "Muito mais que qualquer outro país que eu conheça, o Brasil é uma terra de cadáveres insepultos. Trinta e dois anos se passaram desde a volta dos exilados e a promulgação da Lei da Anistia. Desde então, os governos militar, peemedebista, collorido, tucano e petistas se sucederam sem que se realizasse um única ação estatal de julgamento e punição dos responsáveis pelas torturas, execuções, violações acontecidas durante a ditadura militar. O nosso trabalho de luto é incompleto e precário, pois falta-lhe o essencial: o reconhecimento institucional, na pólis, do evento acontecido, e a responsabilização de seus agentes."

Convocada pela jornalista Niara de Oliveira, reúne-se a partir de ontem até o dia 02 de abril, em vários blogs, a 5ª Blogagem Coletiva #DesarquivandoBR, um esforço de cobrança, reflexão e ativismo sobre os rumos da nossa memória como país. Nos termos da convocaçãoO objetivo dessa blogagem continua sendo a abertura dos arquivos secretos da ditadura militar, a investigação dos crimes e violações de direitos humanos cometidos pelo Estado brasileiro contra cidadãos, a localização dos corpos e restos mortais dos desaparecidos políticos, e a revisão da Lei da Anistia para que se possa processar e punir criminalmente os torturadores, além de responsabilizar o próprio Estado pelos crimes de tortura, assassinato e desaparecimento forçado no período entre 1964 e 1979. Chamo a atenção especialmente para as vinte e seisimpressionantes postagens de Pádua Fernandes, que vão desde a crítica literária até o trabalho de arquivo, passando pela teoria do Direito.
Contribuirei escrevendo um pouco sobre um tema relacionado, e ao qual eu dediquei um livro: o luto pelos mortos.
Em marcado contraste com outros países, no Brasil ainda não nos foi possível fazer o luto pelos nossos mortos. O luto, esse processo de reconciliação e aceitação do caráter irreversível da perda, depende, acima de tudo, da existência do cadáver. A morte sem cadáver, sem atestado de óbito, sem o registro de seu acontecer, sem responsabilização, invariavelmente lança o sobrevivente àquele processo que poderíamos chamar de luto suspenso – em que o sujeito, mesmo convicto da perda, não pode processá-la, pois falta-lhe o rastro material que fundamenta o luto. Esse rastro, essa marca, é fundamental, pois ela é tanto a garantia de que poderá ser realizado o sepultamento simbólico como a garantia de que o sujeito poderá processar sua perda sem ser acossado pelos fantasmas de que está abandonando e traindo o objeto amado que se foi.
Muito mais que qualquer outro país que eu conheça, o Brasil é uma terra de cadáveres insepultos. Trinta e dois anos se passaram desde a volta dos exilados e a promulgação da Lei da Anistia. Desde então, os governos militar, peemedebista, collorido, tucano e petistas se sucederam sem que se realizasse um única ação estatal de julgamento e punição dos responsáveis pelas torturas, execuções, violações acontecidas durante a ditadura militar. O nosso trabalho de luto é incompleto e precário, pois falta-lhe o essencial: o reconhecimento institucional, na pólis, do evento acontecido, e a responsabilização de seus agentes.
Freud acreditava que o trabalho do luto tinha um prazo definido para se cumprir e, na ausência de uma resolução, o sujeito estaria condenado à melancolia – aquele estado em que, incapaz de superar a perda, o sujeito se confunde com o objeto perdido. A melancolia não é necessariamente a tristeza. Na realidade, ela pode, inclusive, mascarar-se num estado eufórico, que tenta encontrar conquistas compensatórias, que vão, aqui no caso, do crescimento do PIB aos números da produção de soja. O passado, no entanto, não cessa de inscrever-se. E quanto mais o passado se inscreve sem ser resolvido, mais energia libidinal o sujeito terá que dispender no sufocamento da demanda de resolução. É o que Freud chamou de luto triunfante, que descreve exatamente, ao modo de ver, o processo vivido pelo Brasil. Nessa forma de luto incompleto, pendente e negacionista, o sujeito triunfa – imaginariamente – sobre um objeto perdido que lhe permanece oculto.
Esta tem sido uma modalidade de luto brasileira por excelência. Nossa morada é a desmemória. Jamais reparamos as vítimas da escravidão, contentando-nos com a construção de mitologias da mestiçagem e da cordialidade racial, enquanto os negros continuavam sofrendo na pele a realidade da discriminação e da violência. Jamais nos encarregamos do legado de memória deixado pelo genocídio das populações ameríndias, convenientemente esquecidas para que se impusesse o programa da ordem e do progresso. Nunca fizemos luto genuíno pelas cadáveres e corpos mutilados do Estado Novo, soterrados sob o mito do varguismo nacional e popular que foi propagado até mesmo pelos comunistas que haviam sido suas vítimas preferenciais. Hoje, curiosamente, muitos dos que concordariam com as três frases anteriores repetem o mesmo paradigma com relação aos crimes da ditadura militar. O importante é “olhar pra frente”, nos dizem, ignorando ou escondendo o fato de que quem carrega cadáveres insepultos nas costas jamais poderá olhar pra frente, só pra baixo.
Pouquíssimo trabalho de memória e de reparação foi feito no Brasil ante as vítimas do genocídio ameríndio, da escravidão, da ditadura do Estado Novo. Que não contentemos, mais uma vez, em varrer a sujeira do passado para debaixo do tapete.
Fonte: Outro olhar

"Millôr Fernandes: o último dos bons", por Carlos Orsi

Millôr Fernandes: o último dos bons


Millôr manteve-se firme na prática de seu credo de ceticismo e crítica. Após a vitória de Tancredo no colégio eleitoral, ele já soara o alarme: "Um espectro assombra o Brasil. O espectro do humorismo a favor."





-- Millôr Fernandes (1923-2012) --
Os mais novos não vão se lembrar, mas houve uma época em que o humor, no Brasil, era o último refúgio, não do preconceito e da escrotidão, mas da lucidez. Nos anos finais da ditadura, Luís Fernando Veríssimo, Millôr, Ziraldo e Henfil, entre outros, mostravam-nos, com arte e alegria, aquilo que repórteres e editorialistas não podiam, ou não conseguiam — que o rei estava nu.
Com a redemocratização, no entanto, o espírito pareceu, por um momento, arrefecer. Millôr foi o primeiro a soar o alerta. “Um espectro assombra o Brasil”, escreveu ele, após a vitória de Tancredo Neves no colégio eleitoral. “O espectro do humorismo a favor”.
A assombração, no entanto, ainda precisaria de algum tempo para se manifestar: ela só nos alcançou, de vez, com a chegada do PT ao poder. A partir daí, Ziraldo sumiu da cena da crítica política, transformando-se no Walt Disney do Menino Maluquinho; Veríssimo emasculou-se (alguém se lembra da última vez que ele escreveu algo que tivesse um pingo de graça?); quanto a Henfil, morto vítima da aids, é difícil saber qual teria sido sua trajetória — mas, dada sua adesão entusiástica ao PT, as possibilidades não são das mais alentadoras.
Millôr, por sua vez, manteve-se firme na prática de seu credo de ceticismo e crítica. Seu chiste definitivo sobre Lula — “a ignorância subiu-lhe à cabeça” — é tão certeiro quanto impensável na boca de qualquer um de seus colegas dos tempos de combate à “redentora”. Embora, suponho, nenhum deles tivesse hesitado em usá-lo contra, digamos, o general Figueiredo.
Eu me lembro, quando estava na faculdade, fazendo o Jornal do Campus, de uma discussão que tivemos a respeito de uma pauta sobre os “supersalários da USP” — uma minoria de professores que, por manobras diversas, acumulavam vencimentos espantosos. Um professor foi contra a cobertura do assunto, porque seria “fazer o jogo do Quércia” (então governador do Estado). Mesmo moleque, pensei: “Como assim, ‘fazer o jogo’? Qual a relevância disso? O que importa é se é verdade ou não”.
Millôr Fernandes estava cabeça e ombros acima daquele professor. Ele não se preocupava em “fazer o jogo” de quem quer que fosse. Num país onde o debate de ideias muitas vezes se reduz a uma espécie de Fla-Flu (petistas vs. tucanos; comunistas vs. reaças; ateus vs. evangélicos), e onde nenhuma jogada “dos nossos” é suja demais que não possa ser apoiada, onde nenhuma jogada do adversário jamais é legítima, por mais que se enquadre nas regras, ele se mantinha, supremamente, fiel a si mesmo, expondo ao ridículo quem merecesse ser ridicularizado — como em “FhC é o superlativo de PhD”.
Agora que ele se foi, contemplo a planície e não vejo mais ninguém com a mesma estatura.
Millôr certa vez se declarara “candidato perpétuo” a uma vaga na Academia Brasileira de Letras. Desde que pudesse escolher a cadeira. Ele queria a de José Sarney.
Que merda, mestre. Pena, mas não deu.



Carlos Orsi

Jornalista e escritor. De 2005 a 2010, foi editor de Ciência do site do Estadão. Recentemente, publicou o romance de FC Guerra justa (2010) e O livro dos milagres: A ciência por trás das curas pela fé, das relíquias sagradas e dos exorcismos (2011), além de organizar e participar de uma coletânea de contos de autores brasileiros em homenagem a Sherlock Holmes e ao gênero policial.
Fonte: Amálgama

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