abril 29, 2013

"Nova Educação: que papel terá o professor?", por Vagner Alencar

PICICA: "“O professor designer de currículo é a expressão maior e mais completa do mestre contemporâneo. Vai além de ministrar o conteúdo estrito senso, mas é também responsável por preparar o educando para o hábito de aprender a aprender, desenvolvendo habilidades de aprendizagem que são consideradas imprescindíveis aos profissionais e cidadãos em um mundo centrado na inovação”, afirma Ronaldo Mota, ex-secretário Nacional de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e atualmente professor visitante do Instituto de Educação da Universidade de Londres." 
 

Nova Educação: que papel terá o professor?


Professor-Designer-de-Curriculo

Ele nunca reassumirá condição de fonte do saber. Fará algo muito mais refinado: identificar potencialidades dos alunos e orientar sua pesquisa

Por Vagner Alencar, no Porvir


O termo é desconhecido no Brasil, mas é bom você já ir se familiarizando com ele. O professor tradicional – esse com o qual estudamos anos e que conhecemos hoje – vem gradativamente se transformando no que em algumas escolas por aqui, mas mais intensamente nos Estados Unidos, chamam de designer de currículo. A principal função desse “novo” profissional está a de desenvolver currículos e projetos interdisciplinares, integrando às novas tecnologias. “O professor designer de currículo é a expressão maior e mais completa do mestre contemporâneo. Vai além de ministrar o conteúdo estrito senso, mas é também responsável por preparar o educando para o hábito de aprender a aprender, desenvolvendo habilidades de aprendizagem que são consideradas imprescindíveis aos profissionais e cidadãos em um mundo centrado na inovação”, afirma Ronaldo Mota, ex-secretário Nacional de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e atualmente professor visitante do Instituto de Educação da Universidade de Londres.

Esses profissionais tanto podem se dedicar exclusivamente ao design de currículo quanto podem ser professores que intercalam essa função com sua prática de sala de aula. De acordo com Mota, eles poderão, por exemplo, criar portais interativos para abrigar suas videoaulas e outros recursos multimídia ou ainda estimular os estudantes para que criem seus próprios blogs. Os portais poderão servir como ambientes – além da sala de aula – para relação permanente entre o educador e os educandos, bem como os educandos entre si.

Mota, que também foi Secretário Nacional de Educação Superior, aponta como outra nova demanda desses designers de currículo a criação de Moocs (Massive Open On-line Course, cursos on-line gratuitos e em grande escala) . “Isso vai ser uma enorme revolução, uma vez que o professor tradicional gradativamente se transformará no designer educacional, que vai precisar dominar a tecnologia para produzir essas aulas”, afirma.

Mas nem tudo é tecnologia. Em escolas onde o modelo vigente inclui aprendizado baseado por projeto, por exemplo, esse profissional cria aulas que envolvem ações transdisciplinares. Na norte-americana High Tech High, que desenvolve esse modelo de ensino, os docentes se reúnem diariamente para discutir como um determinado conteúdo pode se tornar um projeto que envolva a sua disciplina e as dos demais docentes. Um dos pilares da instituição é exatamente ter o professor como um designer, função que empodera o educador e lhe dá a responsabilidade de ser o guia de sua classe.

Na instituição, as aulas são estruturadas em blocos mais longos – ao contrário dos tradicionais tempos de 50 minutos – com o intuito de integrar o currículo, unificando as matérias e facilitando o aprendizado dos estudantes. Física e matemática são ensinadas juntas, assim como história, filosofia e língua inglesa são aglomeradas em única disciplina: humanidades. “Acreditamos na integração do currículo. Em vez de ir a uma aula de história e uma de inglês, o aluno tem um professor de humanidades. A escola tem um time de professores trabalhando para criar projetos juntos. Existe um aluno que aprende colaborativamente, com tutores virtuais, sozinhos, com material impresso ou não. Nós damos a ele a oportunidade de estudar em cada uma dessas modalidades, de acordo com o que cada um precisa”, afirmou Melissa Agudelo durante o Transformar 2013.

Assim como na High Tech High, a rede Summit Public Schools – grupo de escolas californianas que está ajudando jovens de famílias pobres a ingressar na universidade – usa momentos sistemáticos de encontros entre docentes para fazer o design de seu currículo. Nas escolas, os professores desenvolvem projetos de aprendizado interdisciplinares, que normalmente associam as disciplinas curriculares ao cotidiano dos estudantes, para que façam sentido ao que estão aprendendo, com o objetivo de fazê-los pensar criticamente, além de desenvolver suas habilidades cognitivas.

A rede também está construindo sua própria plataforma de aprendizado on-line e são os professores os responsáveis por inserir conteúdos nesse ambiente virtual. A partir do próximo semestre, as escolas Summit vão adotar o modelo de blended learning – conhecido também como ensino híbrido – o que irá ajudar os designers de currículo a trabalharem mais integradamente, já que precisarão se elaborar juntos os conteúdos baseados tanto em ferramentas on-line quanto em momentos presenciais.



Fonte: OUTRAS MÍDIAS

Lançamento oficial do Comitê de Enfrentamento à Homofobia do Estado do Amazonas

PICICA: "Será lançado oficialmente, nesta SEGUNDA-FEIRA, 29, com a presença da Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República – SNDH/PR, o  Comitê  de Enfrentamento  à Homofobia  do Estado do Amazonas (Ceham). A ação afirmativa faz parte da implementação de políticas públicas destinadas ao respeito à diversidade sexual e promoção dos direitos da população LGBT, sigla que denomina lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros."


Lançamento oficial do Comitê de Enfrentamento à Homofobia do Estado do Amazonas


O objetivo do evento é apresentar o Comitê à  sociedade amazonense, assim como divulgar a sua finalidade que é a de garantir Direitos Humanos de forma universal, indivisível e interdependente, assegurando a cidadania plena. 

Será lançado oficialmente, nesta SEGUNDA-FEIRA, 29, com a presença da Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República – SNDH/PR, o  Comitê  de Enfrentamento  à Homofobia  do Estado do Amazonas (Ceham). A ação afirmativa faz parte da implementação de políticas públicas destinadas ao respeito à diversidade sexual e promoção dos direitos da população LGBT, sigla que denomina lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros.

A iniciativa que envolve parcerias entre a Comissão da Diversidade Sexual da OAB/AM, Fórum LGBT-AM, Secretaria de Estado e Articulação de Políticas Públicas aos Movimentos Sociais e Populares  -  SEARP e Gerência de Promoção dos Direitos Relativos à Livre Orientação Sexual/DDH vinculado a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos -SEMASDH, ocorrerá às 14h30, na OAB AM, na Av. Humberto Calderaro Filho, nº 2000, bairro Adrianópolis.

O objetivo do evento é apresentar o Ceham à  sociedade amazonense, assim como divulgar a finalidade do Comitê que é a de garantir Direitos Humanos de forma universal, indivisível e interdependente, assegurando a cidadania plena. 

O Ceham também visa a promoção e defesa dos Direitos Humanos de LGBT, o enfrentamento  à homofobia, ao machismo, ao sexismo e à misoginia. Agirá também na garantia da igualdade na diversidade, na prevenção e enfrentamento à violência homofóbica contra a população LGBT, e ainda no  fortalecimento dos princípios democráticos e dos Direitos Humanos.

De acordo com a Ministra Chefe de Estado da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário Nunes, “nosso intuito é a sensibilização da população para o abandono de uma construção social defensora da homogeneidade para passarmos a formação de uma tessitura social que valoriza e respeita a diversidade em suas mais diversas formas e expressões. Sejamos ousados e desejemos construir não apenas políticas de enfrentamento a homofobia, mas de extinção desta prática.”

Como atua o Ceham?


  1.  Acompanha a implementação dos termos de Cooperação Técnica de Combate à homofobia ou sensibiliza os estados para sua criação;
  2. Acompanha os casos de discriminação e violência homofóbica relatada diretamente ao Comitê, ou ao Sistema de Segurança Pública, ou e as Corregedorias e Ouvidorias de Polícia Estadual, assim como, aqueles de grande repercussão social;
  3. Contribue para o aprimoramento da comunicação entre os órgãos que recebem e atuam nas denúncias provenientes do Disque Direitos Humanos (Disque 100) em relação ao público Lgbt;
  4. Colabora e incentivar a presença das temáticas de direitos humanos, orientação sexual e identidade de gênero nos cursos universitários, nas formações dos profissionais de segurança pública, profissionais do sistema penitenciário, profissionais do sistema socioeducativo, profissionais do sistema de justiça e da rede de assistência social;
  5. Divulga em todas as suas ações e publicações o Disque Direitos humanos (Disque 100); 
  6. Segue as diretrizes e preceitos legais definidos nacionalmente para os Comitês

Informações e entrevistas:

Dra. Alexandra  Zangerolame - Comissão da Diversidade Sexual-CDS/OAB/AM (9983-0992);
Sr. Eudóxio  – CUT AM – Coordenação do Comitê (9184-7216)
Sra. Sebastiana Silva  –  SEARP -  Secretaria Executiva do Comitê - (9311-8474).
Sra. Paola Souza  –  Secretaria Executiva do Comitê - SEMASDH (3215-2680)
Contatos: ceham13@gmail.com

abril 28, 2013

"Mafalda e a poderosa crítica de valores", por Carlos Eduardo Rebuá Oliveira

PICICA: "Ao contrário do que muitos pensam, Mafalda não foi contemporânea da ditadura do triunvirato Videla, Massera e Agosti, conhecida como Proceso de Reorganización Nacional (1976-1983) – um dos seis golpes civil-militares pelos quais aquele país passou no século XX, com um saldo de cerca de trinta mil mortos/desaparecidos. A personagem de Quino“nasceu” na conturbada década de 1960, durante o governo de Arturo Umberto Illia (1963-1966), derrubado por outro golpe – a chamada Revolução Argentina,que colocou no poder os generais Onganía, Levingston e Lanusse. Mais exatamente, o “nascimento” de Mafalda se dá no mesmo ano em que no Brasil é deflagrado o Golpe que duraria vinte e um anos.
Em seu curto período de vida, Mafalda e sua turma (ela só “existe” a partir das relações que constrói com a família e com os amigos Manolito, Miguelito, Susanita, Felipe, Libertad ) “assistiram” a inúmeros acontecimentos significativos – a caça aos comunistas pós-Revolução Cubana; as ditaduras civil-militares na América do Sul, também com forte ingerência estadunidense; o assassinato de líderes como Martin Luther King (em 1968) e Malcom X (em 1965), bem como o de Che Guevara (1967), na Bolívia, com participação da CIA; o Maio de 1968 na França, sob o lema “a imaginação no poder”, que incendiou a juventude; o Festival de Woodstock (1969), com seu pacifismo à moda flower power ; a Primavera de Praga, que tentou construir uma democracia socialista na Tchecoslováquia de Dubcek; a derrota estadunidense no Vietnã, à custa de milhares de vidas dos dois lados; a eleição de Salvador Allende no Chile (1970), a chegada do homem (estadunidense) à Lua (em 1969), no contexto da corrida espacial com a URSS; o fim dos Beatles (fato que sem dúvida afetou profundamente Mafalda…) e o tricampeonato da seleção brasileira de futebol no México (o que também não deve ter agradado os conterrâneos da “baixinha”), ambos em 1970." 

Mafalda e a poderosa crítica de valores


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Argentina e universal, personagem de Quino segue jovem aos 50: sua ironia permanece viva, numa sociedade cada vez mais desigual

Por Carlos Eduardo Rebuá Oliveira

Difícil encontrar alguém que não conheça uma baixinha argentina chamada Mafalda. Seja como souvenir, estampando camisas e cartazes do movimento estudantil, ou através dos já clássicos livros-coletânea, a quase “cinquentona” menina insiste em se fazer presente. Apesar da curta trajetória (1964 a 1973), trata-se da personagem de histórias em quadrinhos (hq’s) mais popular da Argentina e uma das mais conhecidas no mundo.

Ao contrário do que muitos pensam, Mafalda não foi contemporânea da ditadura do triunvirato Videla, Massera e Agosti, conhecida como Proceso de Reorganización Nacional (1976-1983) – um dos seis golpes civil-militares pelos quais aquele país passou no século XX, com um saldo de cerca de trinta mil mortos/desaparecidos. A personagem de Quino“nasceu” na conturbada década de 1960, durante o governo de Arturo Umberto Illia (1963-1966), derrubado por outro golpe – a chamada Revolução Argentina,que colocou no poder os generais Onganía, Levingston e Lanusse. Mais exatamente, o “nascimento” de Mafalda se dá no mesmo ano em que no Brasil é deflagrado o Golpe que duraria vinte e um anos.

Em seu curto período de vida, Mafalda e sua turma (ela só “existe” a partir das relações que constrói com a família e com os amigos Manolito, Miguelito, Susanita, Felipe, Libertad ) “assistiram” a inúmeros acontecimentos significativos – a caça aos comunistas pós-Revolução Cubana; as ditaduras civil-militares na América do Sul, também com forte ingerência estadunidense; o assassinato de líderes como Martin Luther King (em 1968) e Malcom X (em 1965), bem como o de Che Guevara (1967), na Bolívia, com participação da CIA; o Maio de 1968 na França, sob o lema “a imaginação no poder”, que incendiou a juventude; o Festival de Woodstock (1969), com seu pacifismo à moda flower power ; a Primavera de Praga, que tentou construir uma democracia socialista na Tchecoslováquia de Dubcek; a derrota estadunidense no Vietnã, à custa de milhares de vidas dos dois lados; a eleição de Salvador Allende no Chile (1970), a chegada do homem (estadunidense) à Lua (em 1969), no contexto da corrida espacial com a URSS; o fim dos Beatles (fato que sem dúvida afetou profundamente Mafalda…) e o tricampeonato da seleção brasileira de futebol no México (o que também não deve ter agradado os conterrâneos da “baixinha”), ambos em 1970.

Mafalda na aula de História

Até há pouco tempo, as histórias em quadrinhos “entravam” na escola pela “porta dos fundos” e, na universidade, após um pedido de desculpas. Eram considerados uma subarte, uma subliteratura, representando uma linguagem “menor” e assumindo um caráter apenas de brincadeira. Felizmente, muita coisa mudou nestes últimos trinta anos no que diz respeito ao olhar acadêmico sobre as hq’s.
A criticidade na aula de História é requisito fundamental, bem como a associação entre processos históricos e a identificação de rupturas e permanências ao longo do tempo. Mafalda faz isso a todo instante: analisa criticamente a realidade, sem buscar uma pretensa neutralidade. (Esse é outro requisito importante nos debates realizados numa aula de História: tomar partido.) Ela não aceita o mundo que “recebeu” e o questiona constantemente. Ora tem atitudes de uma criança “típica” (que tem medo, depende dos pais, é ingênua…), ora age como uma criança excepcional (não no sentido de superdotada) e constrói belas metáforas, “saindo” da dimensão do concreto que caracteriza a criança em seus anos iniciais. Lúcida, crítica, consegue discutir a Guerra do Vietnã, por exemplo, e muitas vezes colocar os adultos em situações embaraçosas.

Em minha dissertação, defendida em 2011 no Programa de Pós-Graduação em Educação da UERJ, intitulada “Mafalda na aula de História: a crítica aos elementos característicos da sociedade burguesa e a construção coletiva de sentidos contra-hegemônicos”, analisei Mafalda buscando investigar como é possível, a partir da baixinha argentina, “tocar” em elementos basilares do tipo de sociedade da qual fazemos parte, grosso modo, há mais de duzentos anos: o individualismo, a democracia burguesa, o estímulo ao consumo, a valorização do lucro, a propriedade privada, o progresso, o livre-comércio, a naturalização das diferenças, a desumanização e a competição.

Como professor da Educação Básica (Ensinos Fundamental e Médio) e do Ensino Superior, a experiência com hq’s tem sido muito rica. Como um apaixonado por Mafalda, gosto de usá-la em provas, debates, trabalhos, tentando “extrair” ao máximo sua criticidade, suas indagações diante de um mundo confuso e “ao contrário”. O curioso é que Mafalda – uma personagem criança que não foi produzida pensando no público infantil – dialoga com diferentes faixas etárias. A partir dela é possível, por exemplo, tanto debater a democracia grega com o sexto ano como problematizar o conceito de alienação, a partir da mídia e do consumo, com uma turma de graduação em Pedagogia. Eis as tiras usadas nesses casos:

 tira Mafalda
tiraMafalda2_maior

As hq’s são recursos poderosos, ferramentas importantes na relação de ensinar-aprender. E Mafalda é um exemplo paradigmático, dada a atualidade da crítica e o alcance da narrativa tecida pelo artista argentino. Todavia, é fundamental lembrar que as hq’s sozinhas não tornam uma aula mais ou menos atraente, tampouco transmitem um conteúdo em toda a sua integridade.

A genialidade de Quino

Quino é um dos artistas mais completos que surgiram em nuestra America. Embora Mafalda não tenha sido editada na forma de gibi (como a Turma da Mônica, por exemplo), seja datada (trata da Guerra Fria, das ditaduras na América Latina, etc.) e tenha durado apenas sete anos, a personagem fez e continua a fazer sucesso, tendo sido traduzida em países como Japão, Noruega, Austrália – sociedades muito distintas das existentes em nosso continente.

O enorme alcance da obra de Quino (cuja genialidade vai muito além de Mafalda ) deve-se ao fato de que o artista argentino abordou questões “permanentes”, como a da liberdade ou da soberania de um povo, por exemplo. Esta talvez seja a marca fundamental de um gênio – seja Beethoven, Dostoiévski ou… Quino.

Ao responder pergunta sobre se é possível modificar algo através do humor, Quino certa vez afirmou: “Não. Acho que não. Mas ajuda. É aquele pequeno grão de areia com o qual contribuímos para que as coisas mudem”.1Não tenho dúvidas de que Mafalda e sua turma representam importantes “grãos de areia” na construção de outras leituras/interpretações de nossa realidade, e logo, no limite, na construção de um outro mundo possível e necessário.


Carlos Eduardo Rebuá Oliveira, licenciado em História pela UFF, mestre e doutorando em Educação, é professor de ensino superior e da educação básica nas redes pública e privada.

Referências

QUINO. Toda Mafalda. Rio de Janeiro: Martins Fontes Editora, 2002.
REBUÁ, Eduardo. Mafalda na aula de História: a crítica aos elementos característicos da sociedade burguesa e a construção coletiva de sentidos contra-hegemônicos. Dissertação de Mestrado. Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – ProPEd/UERJ. Rio de Janeiro, 2011.
1 Em entrevista traduzida para o português pelo site http://www.mafalda.net/ (sem data).
Fonte: OUTRAS PALAVRAS

"Mídia: a falta que a ousadia britânica nos faz", por Paulo Nogueira

PICICA: "Em seu relatório final, Leveson recomendou a criação de um órgão independente que fiscalize as atividades jornalísticas. Os britânicos entendem que a auto-regulação fracassou. O “interesse público” tem sido usado para encobrir interesses privados, e a “liberdade de expressão” invocada para a prática de barbaridades editoriais." 

Mídia: a falta que a ousadia britânica nos faz



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Após vasto trabalho de investigação, juiz inglês foi capaz de propor medidas capazes de proteger cidadãos contra abusos da mídia. Aqui,  STF curva-se

Por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

Acompanhei, em Londres, o trabalho sereno, lúcido, inteligente do juiz Brian Leveson, incumbido de comandar as discussões sobre a mídia britânica.

Leveson, para lembrar, foi chefe de um comitê independente montado a pedido do premiê David Cameron depois que a opinião pública disse basta, exclamação, às práticas da mídia. Já havia um mal estar, parecido aliás com o que existe no Brasil, mas a situação ficou insustentável depois que se soube que um jornal de Murdoch invadira criminosamente a caixa postal do celular de uma garota de 12 anos sequestrada e morta. O objetivo era conseguir furos.

Leveson e um auxiliar interrogaram, sempre sob as câmaras de televisão, personagens como o próprio Cameron, Murdoch (duas vezes), editores de grande destaque, políticos e pessoas vítimas de invasão telefônica, entre as quais um número expressivo de celebridades.

Em seu relatório final, Leveson recomendou a criação de um órgão independente que fiscalize as atividades jornalísticas. Os britânicos entendem que a auto-regulação fracassou. O “interesse público” tem sido usado para encobrir interesses privados, e a “liberdade de expressão” invocada para a prática de barbaridades editoriais.

Um grupo de políticos conservadores publicou uma carta aberta que reflete o sentimento geral. “Ninguém deseja que nossa mídia seja controlada pelo governo, mas, para que ela tenha credibilidade, qualquer órgão regulador tem que ser independente da imprensa, tanto quanto dos políticos”, diz a carta.

Este Diário defende vigorosamente isso no Brasil, aliás: um órgão regulador independente — sem subordinação a governo nenhum e nem a políticos de qualquer naipe. Mas — vital — também independente das empresas de mídia. A Inglaterra marcha para isso, e a Dinamarca — ah, sempre a Escandinávia — já tem um sistema exemplar desses há anos. A auto-regulação é boa apenas para as empresas de mídia. Para a sociedade, como se observou na Inglaterra e como se observa no Brasil, pode ser muito danosa.

Você vê Leveson e depois vê nossos juízes do STF e o sentimento que resulta disso é alguma coisa entre a desolação e a indignação. Por que os nossos são tão piores?

Leveson, para começo de conversa, fala um inglês simples, claro, sem afetação e sem pompa. Não se paramenta ridiculamente para entrevistar sequer o premiê: paletó e gravata bastam. Ninguém merece a visão das capas que fizeram Joaquim Barbosa ser chamado, risos, de Batman.

Leveson guarda compostura, também. Se ele fosse a uma festa de um jornalista com um interesse tão claro nos debates que ele comanda, seria fatalmente substituído antes que a bagunça fosse removida pelas faxineiras.

Nosso ministro Gilmar Mendes foi, alegremente, ao lançamento do livro do colunista Reinaldo Azevedo, em aberta campanha para crucificar os réus julgados por Gilmar, e de lá saiu com um livro autografado que provavelmente jamais abrirá e com a sensação de que nada fez de errado.

Leveson também mede palavras. Há pouco tempo, nosso Marco Aurélio Mello disse que a ditadura militar foi um “mal necessário”. Mello defendeu uma ditadura, simplesmente – e ei-lo borboleteando no STF sem ser cobrado para explicar direito isso.

Necessário para quem? O Brasil tinha, em 1964, um presidente eleito democraticamente, João Goulart. Os americanos entendiam, então, que para cuidar melhor de seus interesses em várias partes convinha patrocinar golpes militares e apoiar ditadores que seriam fantoches de Washington.

Foi assim no Irã e na Guatemala, na década de 1950, e em países como o Brasil e o Chile, poucos anos depois. O pretexto era o “risco da bolchevização”. Uma pausa para risos.

Recapitulemos o legado do golpe: a destruição do ensino público, a mais eficiente escada para a mobilidade social. A pilhagem dos trabalhadores: foram proibidas greves, uma arma sagrada dos empregados em qualquer democracia. Direitos trabalhistas foram surrupiados, como a estabilidade.

De tudo isso nasceu uma sociedade monstruosamente injusta e desigual, com milhões de brasileiros condenados a uma miséria sem limites. Quem dava sustentação ideológica ao horror que se criava era o poderoso ministro da economia Delfim Netto. Ele dizia que era preciso primeiro deixar crescer o bolo para depois distribuir.

São Paulo, a minha São Paulo onde nasci e onde pretendo morrer, era antes da ditadura uma cidade dinâmica, empreendedora, rica – e bonita. Menos de 1% de sua população vivia em favelas. Com vinte anos de ditadura, já havia um enxame de favelas na cidade, ocupadas por quase 20% dos residentes.

Este o mundo que adveio do “mal necessário” defendido por Marco Aurélio Mello. Não tenho condições de avaliar se ele entende de justiça. Mas de justiça social ele, evidentemente, não sabe nada, e muito menos de história — a despeito de uma retórica pomposa, solene, pretensamente erudita e genuinamente arrogante.

Se a ditadura foi um mal necessário, aspas, Mello pode ser classificado como um mal desnecessário, exclamação.



Fonte: OUTRAS MÍDIAS

abril 27, 2013

OUTRAS PALAVRAS: Quem resgatará a indústria farmacêutica?; Mafalda e a poderosa crítica de valores; Abril Indígena termina com protestos e indefinições


Boletim de Atualização - Nº 273 - 26/4/2013


Quem resgatará a indústria farmacêutica
Pode ser você: vêm aí testosterona spray, ritalina plus, patologização da insônia, “controle de distúrbuios imunológicos” e outras promessas fármaco-publicitárias... Por Martha Rosenberg


Sobre o desenvolvimento chinês (III)
China expande seu poder há dois milênios. Seu “sistema hierárquico-tributário” merece estudo, inclusive porque Ocidente parece prestes a adotá-lo... Por José Luís Fiori

 
Mafalda e a poderosa crítica de valores
Argentina e universal, personagem de Quino segue muito jovem aos 50, porque seu sarcasmo fere capitalismo muito além da superfície. Por Carlos Eduardo Rebuá Oliveira

 
Em
Uma História da Amor e Fúria, visão sombria do Brasil
Animação é corajosa, mas seu pessimismo radical produz efeito oposto ao desejado: para que lutar, quando a derrota é certa? Por José Geraldo Couto

 
Photofagia:
estridentes mordaças urbanas
”Pensou gritar. Desistiu da ideia e entrou no vagão, como os outros, como tantos, repetindo simbolicamente o mesmo ato de sempre”. Fotos de Letícia Freire

 
Ler Primeiro:
Dauphine
Três poemas de Juliana Amato, escritos depois de ler La Autopista del Sur, de Júlio Cortázar. Por Juliana Amato
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BLOG DA REDAÇÃOTextos da Escola Livre de Comunicação Compartilhada


Mulheres do funk: poderosas ou dominadas?
Seriam as garotas meras oprimidas nos bailes? Exerceriam, ao contrário, o papel de novas feministas? Uma pesquisadora do Rio acha que é preciso desfazer os dois 
mitos. Por Gabriela Leite

 
Abril Indígena termina com protestos e indefinições
Depois de ocuparem plenário do Congresso, lideranças lançam nota lamentando alianças do governo federal com quem ameaça seus direitos. Mobilização prossegue. Por Bruna Bernacchio

 
África: quando ética e estética encontram-se na pintura
Inspirados num ritual do povo bemba, pintores do Zâmbia reagem à moda ocidentalizante criando quadros e objetos que chamam atenção pela cores e intenso sentido simbólico. Por Flora Pereira e Natan de Aquino, do Projeto Afreaka

 
SP: para solucionar a questão de moradia no Centro
Novo Plano Diretor pode facilitar desapropriação dos milhares de imóveis abandonados. Mas para proposta sair do papel, é necessária participação da sociedade. Por Emanuelle Herrera

 
Crowdfunding:
a multidão está crescendo
Números mostram que financiamento colaborativo ocupa lugar cada vez mais importante na economia (G.L.)

 
SP: outro espaço resgatado para a Cultura
Documentário revela a Ocupação Santa Cecília -- ou como moradores do centro reconqusitaram, para bloco carnavalesco, espaço que fora privatizado e esquecido (G.L.)


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OUTRAS MÍDIAS
Uma seleção de grandes textos publicados na blogosfera independente

O novo velho Mano Brown
Aos 25 anos de carreira, rapper prepara álbum romântico-político e afirma, em entrevista: "estou menos óbvio, menos personagem, mais natural". Por Glauco Faria, Igor Carvalho e Renato Rovai, na Revista Fórum


Nova Educação: que papel terá o prefessor?
Ele nunca reassumirá condição de fonte do saber. Fará algo muito mais refinado: identificar potencialidades dos alunos e orientar sua pesquisa. Por Vagner Alencar, no Porvir

 
Crise institucional ou crise de vaidades?
Dirigidos por personagens egóicos e deslumbrados, Legislativo e STF caminham para choque sem sentido, que expõe desgaste da democracia também no Brasil. Por Luis Nassif, em seu blog

 
Mídia: a falta que a ousadia britânica nos faz
Após vasto trabalho de investigação, juiz inglês foi capaz de propor medidas capazes de proteger cidadãos contra abusos da mídia. Aqui,  STF curva-se. Por Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo

 
Estatuto do Nascituro: retrocesso volta à pauta na Câmara dos Deputados
Bancadas fundamentalistas ressuscitam projeto que proíbe até abortos terapêuticos ou decorrentes de estupro, e pode frustrar avanço promissor do Brasil na pesquisa com células-tronco. Por Priscilla Caroline, no Blogueiras Feministas

CANAL IBASE: Julgamento histórico marcado por impunidade; Vídeo: Bicicleta como alternativa; Recife contra a especulação imobiliária

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Julgamento histórico marcado por impunidade

Dois anos após o assassinato de casal de ambientalistas no Pará, cidade de Marabá vive o luto após a absolvição do mandante do crime pela Justiça brasileira
 
Fórum fortalece a democracia na Tunísia

Diretora do Ibase, Moema Miranda ressalta o comprometimento do FSM com as questões regionais do país sede e fala sobre escolha da próxima nação anfitriã
Dois anos de espera pela justiça
Ziad Majed relembra os dois anos de luta do povo sírio e se envergonha diante da falta de reconhecimento internacional frente a revolução
Vídeo: Bicicleta como alternativa

Programa mostra a luta de movimentos de cicloativistas no Brasil para influenciar políticas públicas de mobilidade urbana
Recife contra a especulação imobiliária

No próximo domingo, uma manifestação marcará um ano do movimento "Ocupe Estelita", que questiona a implantação de projeto gigantesco de empresas

abril 26, 2013

"Ramonet: quarto poder virou oligopólio. É hora do quinto poder" (Carta Maior)

PICICA: "Livro "Mídia, poder e contrapoder: da concentração monopólica à democratização da informação" (Boitempo), que reúne artigos de Ignacio Ramonet, Dênis de Moraes e Pascual Serrano, faz uma reflexão crítica sobre o poder da mídia hoje. Para o editor da versão espanhola do Le Monde Diplomatique, a cumplicidade do quarto poder com os poderes domindantes representa um grave problema para a democracia e exige da cidadania a construção de um quinto poder, na forma de um jornalismo crítico e colaborativo."

 

Ramonet: quarto poder virou oligopólio. É hora do quinto poder

Livro "Mídia, poder e contrapoder: da concentração monopólica à democratização da informação" (Boitempo), que reúne artigos de Ignacio Ramonet, Dênis de Moraes e Pascual Serrano, faz uma reflexão crítica sobre o poder da mídia hoje. Para o editor da versão espanhola do Le Monde Diplomatique, a cumplicidade do quarto poder com os poderes domindantes representa um grave problema para a democracia e exige da cidadania a construção de um quinto poder, na forma de um jornalismo crítico e colaborativo.


“A cumplicidade do quarto poder com os poderes dominantes faz com ele deixe de funcionar como tal, o que representa um grave problema para a democracia, pois não é possível concebê-la sem o autêntico contrapoder da opinião pública. (...) Minha proposta é que todos nós participemos da criação de um quinto poder, que se expressaria mediante a crítica ao funcionamento dos meios de comunicação, papel que antes cabia ao quarto poder”.

O diagnóstico e a proposta são do jornalista Ignacio Ramonet, diretor da edição espanhola do Le Monde Diplomatique, no artigo “A explosão do jornalismo na era digital”, que integra o livro “Mídia, poder e contrapoder: da concentração monopólica à democratização da informação” (Boitempo Editorial), que reúne textos do próprio Ramonet e dos jornalistas Dênis de Moraes e Pascual Serrano.

Com lançamento previsto para maio, o livro organizado por Dênis de Moraes nasceu a partir de um debate que reuniu os três autores no Rio de Janeiro, em 2011. A obra reúne sete textos que procuram fazer uma reflexão crítica sobre o poder da mídia hoje, a cultura tecnológica, a comunicação globalizada, práticas de jornalismo contra-hegemônico e políticas públicas de democratização da comunicação na América Latina.

Para Ramonet, questionar a forma como a mídia expressa a realidade hoje tornou-se praticamente um dever de um cidadão mais ou menos ativo em uma sociedade democrática. Essa função crítica, defende, consiste em expor a falácia da suposta neutralidade da informação. Isso implica, diz Ramonet, “revelar a quem pertence essa informação, quem ela está ajudando, em que medida é expressão dos grupos privados que são seus proprietários”.
Essa é, acrescenta, uma maneira de se dizer para quem os meios de comunicação estão trabalhando. “Isso é criar um quinto poder”, resume.

Diante da crescente transformação dos meios de comunicação em grandes conglomerados comprometidos com os interesses econômicos de grupos privados, o jornalismo vai perdendo sua função pública e exigindo a sua própria reinvenção como atividade narrativa. Para os autores, é preciso investir na produção de um jornalismo crítico e colaborativo, um contrapoder na produção e na difusão de informação.

Para Pascual Serrano, diretor do portal Rebelión, de Madri, o debate sobre liberdade de imprensa posiciona-se hoje em meio a um contexto de coronelismo eletrônico e de hegemonia do capital financeiro, mas também das possibilidades de produção que confrontam essa lógica dominante. A retórica em defesa da liberdade de expressão, empregada hoje pelos grandes empresários da comunicação e seus funcionários, defendem os autores, dissimula a intenção de fazer prevalecer a liberdade de empresa sobre as aspirações coletivas e a perda da credibilidade da imprensa.


Fotos: Divulgação
 
Fonte: Carta Maior

"Agentes do extinto serviço de proteção escravizavam índios, aponta Relatório Figueiredo" (IHU)

PICICA: Lamentavelmente, o desaparecimento de mais de 2000 índios waimiri-atroaris assassinados na ditadura militar no Estado do Amazonas não aparece no Relatório Figueiredo, caso contrário a matéria abaixo teria feito alguma referência. Investiga, Maria Rita Kehl!
 

Agentes do extinto serviço de proteção escravizavam índios, aponta Relatório Figueiredo 

 

Criado em 1910, o Serviço de Proteção aos Índios (SPI) muitas vezes atuou de maneira totalmente contrária aos interesses das pessoas por quem deveria zelar. Uma investigação coordenada em 1967 pelo então procurador Jader de Figueiredo Correia indicou que, além da corrupção sistêmica no órgão – que posteriormente seria substituído pela Fundação Nacional do Índio, a Funai, parte de seus agentes praticavam escravidão e tortura de índios em todo o país.

A reportagem é de Daniel Mello e publicada pela Agência Brasil – EBC, 25-04-2013.

As revelações estão no chamado Relatório Figueiredo, documento com as conclusões da investigação comandada pelo procurador. São mais de 7 mil páginas que acreditava-se estarem perdidas, mas foram encontradas recentemente no antigo Museu do Índio, no Rio de Janeiro.

“De maneira geral não se respeitava o indígena como pessoa humana, servindo de homens e mulheres, como animais de carga, cujo trabalho deve reverter ao funcionário. No caso da mulher, torna-se mais revoltante porque as condições eram mais desumanas”, anotou Figueiredo em uma das cerca de 5 mil páginas remanescentes encontradas e digitalizadas por Marcelo Zelic, vice-presidente do grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo e coordenador do projeto Armazém Memória.

As denúncias de escravidão aparecem nos relatos das “dezenas de testemunhas” e “centenas de documentos” que fizeram parte da apuração pedida pelo Ministério do Interior e motivada por uma Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada em 1963. “O trabalho escravo não era a única forma de exploração. Muito adotada também era a usurpação do produto do trabalho. Os roçados laboriosamente cultivados eram sumariamente arrebatados do miserável sem pagamento de indenização ou satisfação prestada”, ressalta o procurador.

No Paraná, o relatório diz que o responsável pelo posto do SPI em Guarapuava, Iridiano Amarinho de Oliveira, “açoitava os índios para obrigá-los a trabalhar para ele”, usando um rabo de tatu. No mesmo estado o funcionário do Posto Manuel Ribas, Lauro de Souza Bueno, é apontado como “torturador de índios”. Segundo o documento, ele usava, com a anuência do chefe do posto, seu irmão, Raul de Souza Bueno, o tronco. O mecanismo desenvolvido à época em que a escravidão era permitida no país, que prensa o tornozelo da vítima. “Um processo muito doloroso, que se levado ao extremo poderá provocar a fratura do osso, como aconteceu muitas vezes”, destaca o texto.

Sobre essas práticas, escreveu Figueiredo: “o Serviço de Proteção ao Índio degenerou-se a ponto de persegui-los até o extermínio”. Em suas passagens pelos postos do SPI o procurador diz ter encontrado assassinatos de índios, prostituição de índias, sevícias, trabalho escravo, apropriação e desvio de recursos do patrimônio indígena e dilapidação do patrimônio indígena.

Um dos maiores exemplos dessa conduta é o diretor do SPI naqueles anos, o major Luiz de Vinhas Neves. Entre dezenas de irregularidades apontadas pelo relatório, Neves é acusado de ter firmado, em proveito próprio, um contrato de exploração de cassiterita em Rondônia e ter usado o trabalho de índios na mineração.

Na jurisdição do atual Mato Grosso do Sul, Flávio de Abreu não só escravizava os índios no posto sob seu comando, como os usava como moeda de troca. De acordo com os relatos colhidos no documento, Flávio “entregou a índia bororo de nome Rosa ao indivíduo por nome Seabra, em paga do trabalho de Seabra na confecção de um fogão de barro”. “O pai da índia fez reclamações ao sr. Flávio sobre a entrega de sua filha ao indivíduo Seabra. Em virtude dessa reclamação o senhor Flávio Abreu mandou surrar o reclamante”, completa o texto.

Após enumerar torturas e espoliações, em uma das suas observações Figueiredo destaca que caso pudessem usufruir de seu patrimônio, os povos indígenas provavelmente teriam uma vida de fartura.“O patrimônio indígena é fabuloso. As suas rendas alcançariam milhões de cruzeiros novos se bem administrados. Não requereria um centavo sequer de ajuda governamental e o índio viveria rico e saudável em seus vastos domínios”.

Membro da Comissão Nacional da Verdade, responsável por coordenar a apuração das denúncias sobre violações aos direitos indígenas entre 1946 e 1988, a psicanalista Maria Rita Kehl informou que a comissão vai analisar todas as denúncias e fatos narrados no chamado Relatório Figueiredo.

Fonte: IHU

"Novas plataformas da mídia" (Observatório da Imprensa)

PICICA: "A mídia enfrenta uma das maiores encruzilhadas da sua história. O advento do digital pulverizou velhos paradigmas e modelos de negócio e as crises econômicas levaram muitos órgãos de comunicação social a conter investimentos e a esvaziar redações com reflexos inevitáveis na diversidade e profundidade da oferta de conteúdos na imprensa, rádio e televisão. Neste ambiente de incerteza perante o futuro, o programa Nativos Digitais acompanhou oito jornalistas portugueses, que estiveram em Washington a realizar um seminário sobre os “Elementos do Jornalismo”, promovido pelo Committee of Concerned Journalists e pela Fundação Luso-americana para o Desenvolvimento. Neste programa fazemos um exercício de reflexão sobre os fundamentos desta profissão e das ferramentas que podem ajudar qualquer jornalista ou cidadão a migrar para as novas plataformas de mídia. Programa produzido pela consultoria Farol de Ideias, do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho, exibido pela emissora portuguesa RTP 2 em 20 de novembro de 2012."

ELEMENTOS DO JORNALISMO

Novas plataformas da mídia

Programa nº | 23/04/2013 |




Publicado em 20/11/2012
 


SINOPSE:
Os media enfrentam uma das maiores encruzilhadas da sua história. O advento do digital pulverizou velhos paradigmas e modelos de negócio e as crises económicas levaram muitos órgãos de comunicação social a conter investimentos e a esvaziar redações com reflexos inevitáveis na diversidade e profundidade da oferta de conteúdos na imprensa, rádio e televisão. Neste ambiente de incerteza perante o futuro, o Nativos Digitais acompanhou oito jornalistas portugueses, que estiveram em Washington a realizar um Seminário sobre os "Elementos do Jornalismo", promovido pelo Comittee of Concerned Journalists e pela Fundação Luso-americana para o Desenvolvimento. Neste programa fazemos um exercício de reflexão sobre os fundamentos desta profissão e das ferramentas que podem ajudar qualquer jornalista ou cidadão a migrar para as novas plataformas de media.

EMISSÃO:
Terça-feira, 20 de Novembro às 19h45 na RTP 2
Uma produção da Farol de Ideias, com consultadoria científica do Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho

NATIVOS DIGITAIS:
Os media atravessam o espaço de toda a vida social e política do país. Mas compreender de onde vêm e para onde vão é uma questão essencial do nosso tempo.
A RTP2, atenta ao compromisso público de explicar que sociedade de informação estamos a construir, lançou Nativos Digitais, um programa para clarificar a partilha de conhecimento através de todas as redes.
Aqui poderão encontrar-se os protagonistas, as empresas, os especialistas e os consumidores finais da nova nuvem de conteúdos.

LINKS:
www.rtp.pt
www.faroldeideias.com
www.facebook.com/nativosdigitais

Fonte: Observatório da Imprensa

Observatório da Imprensa: Democratização da Informação - Biblioteca digital pública é inaugurada nos EUA; América Latina - Cartéis e govenos ameaçam liberdade de expressão

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