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novembro 13, 2010

Peru: massacre de Accomarca ainda segue impune

PICICA: "No dia 14 de agosto de 1985, uma patrulha do Exercito peruano pertencente à companhia Lince de Huamanga assassinou cerca de 30 crianças, 27 mulheres e dois idosos em Accomarca, Ayacucho, no contexto do conflito armado peruano."

sinpresionperu | 17 de agosto de 2007
La primera masacre perpetrada por patrullas del ejército durante el primer gobierno de Alan García, en agosto de 1985, sigue en la impunidad.

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Após 25 anos, massacre de Accomarca ainda segue impune

No dia 14 de agosto deste ano, o Massacre de Accomarca, ocorrido no contexto do conflito armado no Peru, completou 25 anos. Após todo este tempo, ainda está em andamento o início da etapa de julgamento oral. Na época, uma patrulha do exército peruano assassinou cerca de 30 crianças, 27 mulheres e dois idosos.

Por Natasha Pitts


No dia 14 de agosto deste ano, o Massacre de Accomarca, ocorrido no contexto do conflito armado no Peru, completou 25 anos. Após todo este tempo, ainda está em andamento o início da etapa de julgamento oral. Para garantir que o episódio tenha o desfecho esperado, Paulo Sérgio Pinheiro, Relator para os Direitos da Infância da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), solicitou ao governo peruano que mantenha a Comissão informada sobre o andamento do caso.

Em carta, Sérgio Pinheiro relembrou o governo do Peru que a função das Relatorias da CIDH é "promover a observância e a defesa dos direitos humanos" e que por este motivo está apto a solicitar dos Estados-membros informações sobre as medidas que adotam em matérias de direitos humanos.

"Neste contexto, tomo a oportunidade para destacar a obrigação dos Estados de prevenir, investigar e sancionar as violações aos direitos humanos, no que diz respeito a casos que envolvem crianças, recordar o estabelecido pela Corte Interamericana de Direitos Humanos no sentido de que `revistem especial gravidade os casos nos quais as vítimas das violações aos direitos humanos são crianças, quem têm ademais direitos especiais derivados de sua condição, aos que correspondem deveres específicos da família, da sociedade e do Estado’".

Julgamento

Na quarta-feira, dia 4, a Sala Penal Nacional da Corte Superior do distrito judicial de Lima iniciou o julgamento oral dos 29 ex-oficiais e suboficiais do exército peruano, acusados de envolvimento na morte de 30 crianças, além de mulheres e idosos em Accomarca, Ayacucho, totalizando 69 vítimas.

Na primeira audiência, apenas 13 dos 29 acusados participaram. Segundo informações do periódico El Comércio, quatro acusados, não estiveram presentes, de acordo com seus advogados, porque não foram notificados em tempo. A outra parte se encontra na qualidade de réus indisciplinados e outro em prisão domiciliar.

A primeira decisão da Sala Penal foi uma das mais esperadas. Foi enviado ofício às autoridades dos Estados Unidos solicitando que acelere o processo de extradição de um dos acusados, o ex-tenente Telmo Hurtado, atualmente detido em Miami.

Hurtado era o chefe da patrulha militar no dia 14 de agosto de 85, quando os campesinos foram assassinados. A apresentação de um hábea corpus para evitar sua extradição não funcionou, pois a Corte de Apelações estadunidense recusou o pedido. O ex-militar apelou, mas a solicitação foi julgada improcedente. Sobre ele e outros militares pesa o pedido de 25 anos de prisão por homicídio qualificado.

A próxima audiência está programada para o dia 18 de novembro. As expectativas são que, sobre os acusados militares, recaiam, pelo menos, 35 anos de prisão.

Massacre

No dia 14 de agosto de 1985, uma patrulha do Exercito peruano pertencente à companhia Lince de Huamanga assassinou cerca de 30 crianças, 27 mulheres e dois idosos em Accomarca, Ayacucho, no contexto do conflito armado peruano. Os envolvidos foram processados pela Justiça Militar, mas apenas o subtenente Telmo Hurtado foi condenado à prisão, tendo recebido pena de seis anos por abuso de autoridade e negligência. Os demais foram beneficiados pelas leis de anistia.

Publicado por Adital.


Fonte: Revista Fórum

outubro 14, 2010

No Brasil, a direita da igreja católica põe o aborto na pauta, e tira a pedofilia de cena

Imagem postada em observatoriodeopinioes.blogspot.com

Por que a igreja católica ficou à direita nessas eleições

Após novas panfletagens contra Dilma Rousseff no feriado de 12 de outubro, setor progressista católico tenta reagir contra onda conservadora que fala em nome da CNBB.

Por Glauco Faria

O feriado religioso de 12 de outubro rendeu novos episódios de exploração eleitoral sobre o aborto. Diversos panfletos timbrados como se fossem da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) contra Dilma Rousseff (PT) foram distribuídos perto das entradas da Basílica de Aparecida, no interior paulista. A panfletagem teria ocorrido também em outras lugares, como em Contagem (MG) e já se consolida como um dado dessa campanha.

Curiosamente, a “onda” conservadora católica (que conta com o apoio também de algumas igrejas evangélicas) é bem maior agora do que foi no pleito de 2006, quando Geraldo Alckmin, supostamente membro do Opus Dei, foi candidato. Dom Demetrio Valentim, bispo de Jales e presidente da Cáritas brasileira, criticou a atitude da Presidência da Regional Sul 1 da CNBB (que abrange as dioceses de São Paulo) em assinar o material contra a candidata petista. “Nunca relacionam o aborto com as políticas sociais que precisam ser empreendidas em favor da vida. Votam, sem constrangimento, no sistema que produz a morte, e se declaram em favor da vida”, disse em carta, criticando os autores da propaganda.

Mas a pergunta que fica para muitos é: onde está a igreja progressista, o setor católico que já foi voz ativa em momentos importantes da história brasileira como a ditadura militar, a redemocratização e mesmo em debate políticos mais recentes? Segundo sociólogo Rudá Ricci, um dos fatores que proporcionou essa guinada à direita foi um racha entre os adeptos da Teologia da Libertação dentro da igreja católica. “Nos últimos anos, as assembleias nacionais da CNBB estabeleceram um acordo interno. A presidência ficava com forças que eram consideradas de centro e as pastorais sociais, que é quem de fato faz as políticas, ficavam com os setores identificados com a Teologia da Libertação, mais progressistas”, explica. “O que ocorreu? Houve um afastamento muito grande dos quadros intermediários das pastorais sociais, que chamamos de agentes pastorais, em relação ao governo Lula. E também ocorreram alguns casos mais emblemáticos como a transposição do rio São Francisco, que colocou a Pastoral da Terra quase toda contra o governo.”
Ou seja, houve uma pauta extensa que a igreja ligada à Teologia da Libertação elaborou nas últimas décadas e que teve muitas dificuldades para negociar com o governo. Assim, suas opções no processo eleitoral se pulverizaram. “Esse grupo, majoritário na CNBB rachou em três correntes. Uma, que acredito ser a maior, resolveu se afastar do mundo partidário-eleitoral e achou que estava muito difícil apoiar qualquer um dos candidatos a presidente. Um outro grupo, importantíssimo, apoiou Marina, que é o caso de nomes como Frei Betto e Leonardo Boff. E um terceiro se aproximou do Plínio mais por uma questão de afinidade histórica.”
O racha abriu caminho para a emergência dos setores mais conservadores. “Com essa divisão, principalmente das pastorais, os padres fundamentalistas ligados ao movimento carismático e de direita passaram a ter uma força que não tinha e se aliaram com o centro”, conta Ricci. “Na última assembleia, todos os porta-vozes que falavam com a imprensa eram de direita. Houve uma mudança no equilíbrio interno de forças da CNBB. Quem fez campanha declarada no final da campanha do primeiro turno foi justamente essa direita.”
Ainda que, agora, membros da igreja progressista como Dom Demetrio Valentim se manifestem, o setor pode ter perdido um precioso tempo no debate dentro e fora do catolicismo. “A hegemonia conservadora ganhou. A gente perdeu a disputa cultural no país, os valores mais conservadores, anti-pluralistas, anti-republicanos e fundamentalistas ganharam espaço nessas eleições”, analisa Ricci.

setembro 12, 2010

O Chile faz dos mineiros heróis, enquanto massacra os indígenas mapuches. Allende vive!

cjeusp | 26 de março de 2010
Documentário "Pela Razão ou Pela Força", do aluno Dennis Barbosa, do CJE-ECA da USP.

***

Allende não se rende, merda!

Por Dennis Barbosa
[18 de novembro de 2008 - 12h48]
Àquela altura, ele já devia saber que dificilmente sairia vivo se caísse nas mãos dos militares. Após mais de quatro horas sob tiros, gás lacrimogêneo e bombardeios, o líder manda que todos dentro de La Moneda formem uma fila para se entregar em uma porta lateral do edifício. Primeiro, levam uma bandeira e tentam sair pela porta da rua Morandé. Mas são disparadas rajadas de metralhadora e todos se atiram ao solo. Ainda assim, insistem, empurram a porta e saem. A fila subia pela escada desde a porta da Morandé até o segundo andar e seguia até atrás, por um corredor que dava nos refeitórios. O presidente começou a se despedir de todos. Dava a mão, agradecia e, por fim, entrou num pequeno salão ao final da fila. Ali, disse a si mesmo: “Allende não se rende, merda!”. Então sentou numa poltrona e disparou contra o queixo com a metralhadora.

Quem conta a história é Juan Seoane, chefe dos policiais civis que faziam a guarda pessoal de Salvador Allende e que resistiu junto com ele em La Moneda, no que foi um dos episódios mais emblemáticos da história da esquerda latino-americana. O dia era 11 de setembro de 1973 – há 30 anos, portanto – e o edifício estava cercado por forças golpistas sob o comando do general Augusto Pinochet. Dentro dele resistiam a tiros e bombardeio aéreo cerca de 50 pessoas próximas ao presidente, numa tentativa inútil de salvar a experiência da “via chilena ao socialismo, regada a vinho tinto e empanadas”, como gostava de dizer Allende.

O caso do Chile é extraordinário: três anos antes, por meio de eleição, uma coalizão heterogênea chamada Unidade Popular (UP) chegara ao poder com a proposta de implantar o socialismo. Abria-se caminho para uma revolução dentro da lei e do regime democrático. Em 4 de setembro de 1970, os chilenos tinham ido às urnas e Allende saíra vencedor com 36,3%, uma margem apertada sobre os 34,9% do direitista Jorge Alessandri (Partido Nacional) e dos 27,8% do democrata-cristão Radomiro Tomic. Isso é um bom exemplo de como o eleitorado estava cindido. O candidato socialista conseguira ser o mais votado graças a um forte trabalho de articulação dos setores de esquerda. A UP era a expressão de um nível de conscientização política incomum para o proletariado de um país subdesenvolvido como o Chile.

A lei chilena previa que, em não havendo concorrente com maioria absoluta, o Congresso escolheria entre os dois candidatos mais votados. A Democracia Cristã, que ficara de fora do segundo turno indireto, decide votar em Allende depois que este assume um acordo de garantias constitucionais. De posição centrista, a DC queria ter certeza de que as leis seriam cumpridas – o que, de certa forma, garantia que uma revolução não poderia ocorrer.

De fato, as propostas da UP suscitavam dúvidas quanto à possibilidade de se fazer transformações tão profundas respeitando uma constituição burguesa. Sua carta de 40 medidas feita para a eleição de 1970 incluía, por exemplo, a ruptura total com o Fundo Monetário Internacional e sanções drásticas contra a especulação e o delito econômico.

Dentro da própria esquerda houve amplos setores que, duvidando da via reformista, defenderam a revolução armada. “Nós éramos deputados amigos do presidente e nos chamavam de ‘barrigudos’, porque dizíamos como Allende, ‘damos um passo e o consolidamos, e, quando esse passo estiver consolidado, damos o outro’. Ou seja, não queríamos apressar nada. Mas havia muitos companheiros, muita juventude, muita gente que queria apressar o processo”, recorda Carmen Lazo, que confirma, no entanto, que mesmo os reformistas tinham o objetivo de, em alguns anos, extinguir o setor privado da economia.

Em princípio, o governo tinha uma proposta relativamente comedida de estatização de empresas. Mas, com o tempo, militantes mais radicais e operários começaram a tomar fábricas e exigir suas desapropriações. “Allende entrou num processo incontrolável. Chegou a nacionalizar fábrica de sorvetes”, comenta o jornalista brasileiro Newton Carlos, que acompanhou a trajetória da UP como correspondente da Folha de S. Paulo.

Sem descumprir leis, a UP fez transformações espantosas. Apenas dois meses após assumir, o “companheiro presidente” iniciou a estatização dos bancos. No mês seguinte, em fevereiro de 1971, deu início a um processo de reforma agrária que aprofundava consideravelmente o avanço que já havia feito seu antecessor, o democrata-cristão Eduardo Frei Montalva. “Em seis anos, Frei desapropriou 1.400 propriedades e, em três, Allende desapropriou mais de 4.000”, aponta Sergio Gomez, professor de História da Universidade Austral do Chile. “O que pretendia o governo de Frei era desapropriar o latifúndio improdutivo, estrutura agrária tradicional considerada economicamente ineficiente e socialmente injusta. Com Allende, havia um viés mais político, e o que se queria fazer era acabar com uma estrutura e com um grupo social. E essa estrutura não era só o latifúndio, mas também a grande burguesia agrária”. Pela lei do governo popular, seria desapropriada toda propriedade com mais de 80 hectares de irrigação básica.

O fato de que a Democracia Cristã já havia iniciado a reforma agrária nos anos 60 demonstra que até setores mais conservadores haviam aceitado a necessidade de dar alguma solução à massa camponesa marginalizada. A ampla reforma empreendida pela UP não só beneficiou os camponeses comuns como ajudou a aliviar também o grave problema dos índios. Desde a chegada dos colonizadores espanhóis, nações indígenas como a dos mapuches, povo historicamente conhecido como bravo e guerreiro, foram condenadas à miséria. A distribuição de terras era tão necessária e justa que mesmo Pinochet, quando tomou o poder e começou a reverter o processo de socialização da economia, manteve parte da reforma da UP, porque teve clara sua função redutora de tensões no campo.

A ação norte-americana Outra questão econômica importantíssima no Chile dos anos 70 foi a dos recursos minerais. “No governo de Allende, nós conseguimos fazer a nacionalização do cobre. E isso era um triunfo muito grande para o povo chileno porque, nessa época, o cobre era a viga-mestra da economia do país”, conta Carmen. A exemplo da estatização dos bancos, a nacionalização dos recursos minerais (em especial do cobre, que equivalia a 80% das exportações chilenas) bateu de frente com corporações transnacionais. A situação ficou ainda mais tensa quando o governo chegou à conclusão de que não indenizaria as companhias estrangeiras que controlavam as minas porque elas haviam obtido ganhos excessivos sobre uma riqueza natural que, em última análise, era patrimônio de todos os chilenos.

O aspecto do lucro excessivo pode ser comprovado facilmente com dados da época. A norte-americana Kennecot Copper Corporation, que explorava El Teniente, a maior mina subterrânea de cobre do mundo, tinha 13,16% de seus investimentos globais no Chile, mas conseguia 21,37% dos lucros no país. O desafio às grandes transnacionais custaria caro à UP. A Kennecot, junto com outras empresas como a ITT (companhia da área de telecomunicações que detinha 70% das ações da telefônica chilena Chitelco, na qual Allende interveio um mês após chegar ao poder) recorreu à agência norte-americana de inteligência para intervir no Chile. “Hoje se sabe que a ação da CIA foi muito mais profunda do que se pensava na época, desde antes das eleições de 1970”, aponta Newton Carlos. A participação da agência se dava das mais diversas maneiras, desde a concessão de financiamentos para a oposição até auxílio técnico para grupos terroristas como Patria y Libertad, organização de inspiração fascista liderada pelo advogado Pablo Rodriguez, que hoje trabalha normalmente em Santiago.

Em dezembro de 1972, Allende, em pronunciamento na Assembléia Geral da ONU, em Nova Iorque, denunciava que seu país era vítima de conspiração internacional e cita nominalmente a Kennecot e a ITT como participantes ativas na subversão de seu governo. Com o boicote das indústrias, do comércio e das transportadoras, tornou-se muito grave o problema do desabastecimento de produtos básicos no mercado. Ainda assim, o apoio nas classes baixas crescia graças aos avanços das reformas sociais, o que se torna claro nas votações seguintes à presidencial de 1970. Em abril de 1971, a UP obteve 50,25% do total de votos em eleições municipais. Em março de 1973, apesar da grave crise de desabastecimento provocada pela direita, a frente obteve 43,29% dos votos, aumentando sua representação parlamentar.

Aquele pleito foi decisivo porque frustrou a última esperança dos setores conservadores de tirarem Allende do poder constitucionalmente. Eles precisavam de mais duas cadeiras no Senado para que pudessem mover uma acusação contra ele. Contudo, tiveram a bancada reduzida e passaram a articular o golpe de Estado.

No dia 29 de junho de 1973, alguns tanques cercaram o palácio La Moneda exigindo a renúncia do presidente, em episódio que ficou conhecido como “tancazo”. Ao ver apenas aquele pequeno grupo de militares tentando derrubar um governo, se poderia concluir que era uma iniciativa patética, dado que foi facilmente controlada pelos setores legalistas das Forças Armadas, lideradas pelo general Carlos Prats, o então comandante-em-chefe. Contudo, a operação serviu para que os golpistas observassem toda a estratégia de defesa da UP, o que lhes permitiria agir de forma certeira no 11 de setembro.

Neste mesmo dia 29 de junho, centenas de milhares de pessoas se reuniram diante da sede presidencial para manifestar apoio a Allende. Essa e outras gigantescas manifestações, mesmo em duras épocas de crise, mostravam o envolvimento da classe trabalhadora. Por maior que fossem as dificuldades, grande parte das pessoas via o governo popular como legítimo representante de seus interesses. Medidas como o aumento de salários, o fornecimento de meio litro de leite por dia a cada criança ou o reconhecimento das empregadas domésticas como trabalhadoras com direitos, entre outras, tinham forte impacto numa população acostumada a governos defensores somente dos interesses das elites.

A situação do país era tensa e havia consciência por parte do governo de que setores das Forças Armadas iriam tentar um golpe. Contudo, não houve preparação para uma resistência. “Não podíamos acreditar que neste país, que vivia em paz, que tinha um presidente democraticamente eleito, poderia ocorrer uma coisa como essa”, confessa a ex-deputada Carmen Lazo. Ela revela que o golpe foi possível em grande medida porque o governo, com a intenção de evitar uma guerra civil, fez vistas grossas à sanha golpista dos setores conservadores.

Allende, em especial, era muito preocupado com a possibilidade de um banho de sangue. Quando soube que o golpe efetivamente estava em andamento, correu para La Moneda e pediu por rádio que a população não reagisse. Sabia que muita gente estaria disposta a sair às ruas, mas tinha consciência de que isso resultaria num massacre.

“No dia 10 de setembro cheguei tarde em casa e na manhã do dia 11 me despertaram pelas 6h30, 7h. Era uma chamada da residência presidencial dizendo que havia ocorrido um movimento da Marinha em Valparaiso e que o presidente se trasladava para La Moneda”, relembra Juan Seoane.

Seoane lembra que, ao contrário do que parece hoje, Pinochet não foi o mentor da intentona. “Somente no domingo, dia 10 de setembro, vão à sua casa e o comprometem no golpe. Ele, ao ver que a Força Aérea, a Marinha e os Carabineros (corporação equivalente à Polícia Militar brasileira) estão a favor e vão dá-lo, resolve aderir.” O general era comandante-em-chefe das Forças Armadas e, ainda no dia do golpe, Allende pensava que lhe era fiel. Não imaginava que no dia anterior havia mudado de lado.

De um lugar isolado na cordilheira que cerca Santiago, o futuro ditador comandava a Junta Militar de Governo que se formara para derrubar o governo popular. Uma gravação da comunicação por rádio do comando golpista, trazida a público anos depois, mostra sua irritação com o fato de um pequeno grupo tentar resistir em La Moneda mesmo com quase todo o país já sob controle. Oferece um avião para que Allende saia do país. “E o avião cai enquanto está voando”, diz aos risos o almirante que intermedeia as negociações de rendição com o palácio presidencial. Allende não se rendeu e até hoje o Chile colhe os frutos de diversas medidas de ampliação da rede social e de democratização tomadas em seu governo. E o líder chileno permanece como referência para a esquerda da América Latina. Tanto nas razões de seu sucesso, como de seu fracasso.

Dennis Barbosa (adler@intercall.com.br) esteve no Chile e produziu um vídeo Pela razão ou pela força. Caso haja interesse em veicular o trabalho em universidades, escolas, sindicatos e ONGs, basta entrar em contato com a redação da Fórum.

setembro 08, 2010

#DilmaFactsbyFolha: Crônica da Desmoralização de um Jornal

#DilmaFactsbyFolha: Crônica da Desmoralização de um Jornal

É neste sentido, alegórico, não literal, que poderíamos dizer que no dia 05 de setembro de 2010, o jornal Folha de S. Paulo morreu no Twitter. Continuará existindo, claro, enquanto suas fontes de financiamento permitirem e enquanto existirem jornalistas dispostos, ou obrigados por necessidade, a se submeter àquilo. Mas ele morreu como veículo de comunicação ao qual se possa atribuir um mínimo farrapo de credibilidade.

Por Idelber Avelar [06 de setembro de 2010 - 13h45]

Muita gente costuma dizer que o século XVIII terminou em 1789, que o século XIX terminou em 1914 e que o século XX terminou em 1991 (ou em 11/09/2001, segundo como se veja a coisa). Claro que não são afirmações a serem tomadas literalmente. São alegorias do movimento real da história.

É neste sentido, alegórico, não literal, que poderíamos dizer que no dia 05 de setembro de 2010, o jornal Folha de S. Paulo morreu no Twitter. Continuará existindo, claro, enquanto suas fontes de financiamento permitirem e enquanto existirem jornalistas dispostos, ou obrigados por necessidade, a se submeter àquilo. Mas ele morreu como veículo de comunicação ao qual se possa atribuir um mínimo farrapo de credibilidade.

O mote foi a assombrosamente mentirosa manchete de ontem, que não guardava qualquer relação com a verdade, ou sequer com a própria matéria: Consumidor pagou R$ 1 bi por falha de Dilma. Quem sabe ABC sobre política, concluiu na hora: a manchete não tinha nada a ver com informação. Era algo para Serra usar em seu programa. Como o jornal morreu, não tem sentido refutá-lo com fatos. Dilma já o fez com elegância:


dilmanaweb | 5 de setembro de 2010
A candidata pela coligação Para o Brasil Seguir Mudando, Dilma Rousseff, afirmou hoje que o governo federal não deixou de seguir as recomendações do Tribunal de Contas da União (TCU) e fez cadastramento das famílias carentes no programa de tarifa social de energia de acordo com a legislação vigente.

Segundo a lei aprovada em 2002, durante o governo passado, todas as residências que consumiam até 80 KW/H por mês estariam livres do pagamento da conta de luz. Aquelas que tivessem consumo entre 80 KW/H e 220 KW/H tinham que se enquadrar em outros critérios, mas poderiam ser beneficiadas com a gratuidade.

Dilma explicou que, desde 2003, o governo trabalhou em duas frentes: elaborou um estudo para determinar as melhores regras para manter o programa, o que deu origem a uma nova lei aprovada em 2010, e criou um cadastro nacional de famílias carentes, o mesmo usado para os beneficiários do Bolsa Família.

Matéria publicada hoje no jornal Folha de S. Paulo desconsidera partes dos acórdãos do TCU, que indicam melhora na gestão do benefício, e critica a atuação do Ministério de Minas e Energia na aplicação do benefício a famílias de menor renda.

A candidata disse que considerava a lei inadequada, mas que a cumpriu. "Ao governo, cabe cumprir a lei", ressaltou.

Receita Federal

Dilma também defendeu que todos os supostos vazamentos de sigilo, ocorridos no âmbito da Receita Federal, sejam investigados até a "última vírgula". Porém, ela alertou que é preciso cuidado para não arranhar a imagem da instituição, que é "séria" e teve inúmeros bons "serviços prestados à nação"

"Não se pode de forma leviana tratar a Receita como órgão fragilizado. Se as pessoas erraram, foram elas as culpadas. E não a instituição. Tem que ter essa preocupação com a imagem da instituição", salientou.

No meio da tarde de ontem, o Flávio Gomes, especialista em automobilismo, lançou esta, a partir de uma tuitada do @eduu27: Vamos criar o #DilmaFactsByFolha. "Dilma serviu o café de Ronaldo no dia da final da Copa de 1998" via @eduu27. Logo a Cynara Menezes, este atleticano blogueiro e outros tuiteiros começamos a criar outras possíveis manchetes para que a Folha servisse de bandeja ao programa eleitoral do Serra. Sucediam-se hilárias tuitadas como:

@flaviogomes69: Dilma a padre no Sul: "Enche os balõezinhos que dá". #DilmaFactsByFolha

@Lau_Roces A Al-Qaeda era só um grupo de árabes nerds fãs de RPG e aeromodelismo. Até conhecerem a Dilma. #DilmaFactsbyFolha

@alexcastrolll Antes de Dilma mergulhar no Mar Morto, ele não estava nem doente! #DilmaFactsByFolha

@ocachete Folha Informa: Dilma cortou a cabeça do último Highlander #DilmaFactsByFolha

@tuliovianna Dilma embebedou o Jeremias #DilmaFactsByFolha

@ludelfuego Dilma Roussef atirou o pau no gato #DilmaFactsbyFolha

@botecoterapia O fuzil chama-se AK-47 por imposição da Dilma que vetou o AK-45. #DilmaFactsByFolha

@estadodecirco Dilma para John: "Querido, deixa eu te apresentar uma amiga, esta é a Yoko..." #DilmaFactsByFolha

@drrosinha: `Padre irlandês que agarrou maratonista brasileiro em Atenas era filiado ao PT` #DilmaFactsByFolha

@camilalpav Folha revela: Dilma seria dona do circo que separou Dumbo da mãe. #DilmaFactsByFolha

@rayssagon Dilma vendia Marlboro para bebê fumante. #DilmaFactsByFolha

@lelo13: Descoberta a identidade dá louca que gritava "Pedro, me dá meu chip": Era Dilma Rousseff #DilmaFactsByFolha

@la_simas Sociológo Demetrio Magnoli afirma que Dilma era o contato da VPR com os Panteras Negras #DilmaFactsbyFolha

@andersonscampos Repórteres da Folha apuraram junto a moradores do condomínio de Dilma que ela peida no elevador #DilmaFactsByFolha

@eduardohomem41 O Ministério da Saúde adverte: camisinhas da marca Dilma arrebentam! #dilmafactsbyfolha

@jeffrodri Dilma escreveu o rascunho do AI-5. Costa e Silva deu uma amenizada. #DilmaFactsByFolha


Algumas das minhas próprias contribuições foram :

@iavelar Confirmado que Dilma é a autora das receitas médicas de Vanusa.

@iavelar Dilma disse a Bush: "em seis meses você resolve esse negócio no Iraque"

@iavelar Em Jerusalém, 1948, Dilma disse à ONU: "É só repartir isso aqui que dá tudo certo.

@iavelar Dilma disse ao Covas em 89: "chega lá em PoA e diz que torce pro Grêmio e pro Inter, os gaúchos adoram isso"

@iavelar Escavação da Folha revela: Dilma comprou vibrador com dinheiro do mensalão, seduziu Capitu e corneou Bentinho.

@iavelar Confirmado: Dilma Rousseff é culpada pela maior humilhação que a internet já impôs a um jornal

Para quem não conhece o Twitter: o caractere #, quando anteposto a qualquer palavra, a transforma numa “hashtag”, ou seja, num link que te permite encontrar todas as outras mensagens com o mesmo assunto, desde que o internauta se lembre de incluir o # colado à palavra. Programas como o Tweetdeck te permitem ler ao mesmo tempo, em três colunas, as atualizações daqueles a quem tu segues, as menções a ti mesmo por qualquer pessoa e todas as tuitadas que incluem uma determinada hashtag. Eu recomendo.

Em um par de horas, as tuitadas se sucediam numa velocidade frenética, que leitor nenhum conseguia ler na totalidade, com alusões a tudo, desde o Gênesis (Dilma criou intrigas entre Abel e Caim, por exemplo) até a Copa de 50 (Dilma levantou a saia e atrapalhou o goleiro Barbosa). Sem nenhuma coordenação, de forma espontânea e anárquica, sem qualquer orientação da campanha de Dilma ou participação de sua coordenação de internet, o #DilmafactsbyFolha ia subindo nos Trending Topics (a ferramenta que mede a popularidade de um determinado tema no Twitter) até chegar ao topo dos TT brasileiros e ao segundo lugar dos TTs mundiais. O importante site What the Trend repercutiu, com matéria em inglês. No começo da noite, eu já recebia emails de amigos norte-americanos e até o telefonema de um jornal dos EUA, perguntando: What`s #DilmaFactsbyFolha?

Era a Folha de S. Paulo humilhada no Twitter.

Evidentemente, a desonestidade da Folha permite que, na edição de segunda-feira, ela tenha ignorado dezenas ou centenas de milhares de tuitadas que correram o mundo virtual e foram comentadas em redações até aqui nos EUA, mas fizesse alusão a um tuíte de Roberto Jefferson. Tanta distração só pode ser culpa da Dilma.

PS: Se, depois desta, tu ainda não te animas a fazer uma conta no Twitter, eu não sei o que te dizer. Além de usar esta caixa para comentar o que queiras, façamos também duas coisas: selecionar alguns dos tuítes favoritos dos leitores do Biscoito (é só clicar na tag e ir descendo a página) e dirimir dúvidas para quem quer se juntar ao microblog e ainda não sabe como ele funciona. Se você ainda não me segue no Twitter, é só ir lá e clicar no "follow". Estou circulando notícias da campanha com certa regularidade por lá.


Fonte: Revista Fórum

setembro 03, 2010

Hilaria Supa quer democratizar o sistema educacional peruano

Imagem postada na Revista Forum

Uma indígena para democratizar a educação peruana

Hilaria Supa nunca conseguiu ir à escola e hoje preside a Comissão de Educação do Peru, tendo claro o que fará à frente desse órgão: democratizar o sistema educacional peruano, que define como “excludente e discriminatório”, algo em que esta antiga camponesa do departamento de Cusco é grande especialista.

Por Ángel Páez
[02 de setembro de 2010 - 10h47]
Hilaria Supa rompeu muitas barreiras em sua vida. Agora acaba de vencer mais uma, em um êxito sem precedentes conhecidos no mundo. Esta indígena de língua quéchua que nunca foi à escola preside a Comissão de Educação do Peru.

E tem claro o que fará à frente desse órgão: democratizar o sistema educacional peruano, que define como “excludente e discriminatório”, algo em que esta antiga camponesa do departamento de Cusco é grande especialista.

Com suas coloridas vestimentas indígenas, Hilaria se move tranquilamente pelo monumental Palácio Legislativo no centro histórico de Lima, onde há poucos anos o pessoal da segurança provavelmente impediria sua entrada, e agora preside uma comissão com o voto unânime de seus membros.

A deputada do Partido Nacionalista Peruano (PNP) enfrenta, entretanto, críticas dos legisladores do governante Partido Aprista Peruano (PAP) e da Aliança pelo Futuro, dos grupos partidários do ex-presidente Alberto Fujimori (1900-2000), que cumpre uma longa condenação por corrupção.

Alegam que sua falta de estudos formais a incapacita para presidir uma comissão determinante na fixação do rumo da educação do país.

“Quem me critica?”, pergunta Hilaria à IPS, em entrevista na própria sala onde funciona a Comissão. E ela mesma responde: “Os doutores que já ocuparam esta presidência e nada fizeram pelos povos que represento e que são historicamente marginalizados”.

“Sou uma lutadora social pelos direitos dos camponeses pobres e esse título não se consegue em uma universidade”, explicou.

Hilaria nasceu há 52 anos na comunidade de Huallococha, na província de Anta, a quatro horas por terra da cidade de Cusco, que fica 1.100 quilômetros a sudeste de Lima.

Desde menina sofreu vexame por parte dos poderosos. Sua família trabalhava para um fazendeiro da localidade que abusava dos camponeses.

Recordou que “não me fiz rebelde em um partido político. Vivi na carne a marginalização pelo simples fato de ser mulher camponesa de língua quéchua e pobre. Para os da minha condição, a educação está proibida. Cheguei ao Congresso pelo voto de meus irmãos e minhas irmãs (indígenas) e a eles represento”, disse Hilaria.

A legisladora fujimorista Martha Hildebrandt, linguista e ex-presidente da Comissão de Educação, fustigou a escolha de Hilaria dizendo que é “inapropriada”. Por sua vez, Mauricio Mulder, da bancada do PAP, afirmou que “se tem algo que ela não conhece é sobre educação”.

“Sou autodidata, e digo isso com orgulho”, respondeu Hilaria.

O legislador aprista Wilimer Calderón, doutor em educação, afirmou à IPS que a escolha de Hilaria é “um ato de demagogia” e uma amostra de como seria um eventual governo do PNP, “entregando posições de importância a pessoas sem preparo”. “Também sou de língua quéchua e nasci na serra de Ancash, mas estes não são méritos suficientes. É necessário contar com rigorosa formação científica”, argumentou.

“A exclusão não se combate colocando os representantes dos excluídos em um cargo decisivo como a Comissão de Educação, mas sim alguém preparado para enfrentar os desafios do sistema educacional peruano”, acrescentou Wilimer.

Dos quase 30 milhões de habitantes do Peru, 28,6% são quéchuas e 10% são aymaras e nativos de grupos minoritários. A eles devem ser somados outros 35% de população mestiça, em um país tão multiétnico quanto desigual, onde 78% dos indígenas são pobres.

Hilaria sabe das críticas e as analisa. “Noto nessas palavras uma carga de racismo”, disse. “Assim nos falam sempre: ‘vocês são índios, incapazes de fazer alguma coisa’. Não, senhores doutores. Agora é nossa vez. Logo verão os resultados”, afirmou.

A mais velha dos 14 filhos de Eufrasio Supa e Elena Huamán, foi educada pelos avós maternos, que menciona como seus pais, e ninguém precisa contar a ela que os camponeses de sua região trabalham 17 horas diárias para sobreviver, porque fez isso desde criança.

Desde adolescente promoveu a auto-organização para enfrentar as arbitrariedades dos fazendeiros e das autoridades cúmplices de seus desmandos, que também sofreu pessoalmente, incluindo o assassinato de seu avô por defender os direitos dos camponeses.

Depois trabalhou em serviços domésticos em Cusco e Lima, de onde regressou aos 22 anos, após a morte de seu companheiro em um acidente, e com duas filhas e um filho, que também morreu jovem. Uma ferida que prefere não mexer. Começou, então, a se reunir com mulheres de sua comunidade para organizar diferentes formas de protesto e criar restaurantes populares para crianças.

No final dos anos 80, presidiu o Comitê Micaela Bastidas, de Anta, e em 1991 se converteu em secretária de organização da Federação de Mulheres de Anta (Femca). “Como dirigente da Femca, organizamos a alfabetização em quéchua de mulheres e crianças, a realização de paineis sobre os produtos agroquímicos nocivos e a divulgação dos benefícios da medicina tradicional”, contou.

Por seu entusiasmo e energia, Hilaria se converteu logo em uma dirigente reconhecida em todo o departamento de Cusco, o que lhe valeu um convite para a IV Conferência Mundial sobre a Mulher, realizada em Pequim, em 1995. Ali também chegou Fujimori, “para explicar seu planos supostamente destinados a tirar da pobreza e da ignorância as mulheres camponesas por meio do planejamento familiar. Todos aplaudiram”, contou. “Porém, não disse que o método que usaria era a esterilização forçada”, afirmou.

Uma das duas mil vítimas desse programa foi uma filha de Hilaria, que organizou as mulheres e empreendeu uma luta frontal contra o regime de Fujimori e contra as esterilizações.

Em 2009, o Ministério Público arquivou uma denúncia penal contra três ex-ministros de Saúde de Fujimori, que aplicaram a esterilização com mentiras, mas a legisladora afirma que continuará com seu empenho em busca de justiça.

“Existe um mandato do Tribunal Interamericano de Direitos Humanos para que o Estado peruano puna os responsáveis por esse crime que afetou minhas irmãs camponesas e eu continuo para que se faça justiça”, afirmou com determinação.

Em 2006 chegou ao parlamento pelo PNP, cujo líder, Ollanta Humala, ganhou o primeiro turno eleitoral naquele ano, mas depois perdeu para o atual presidente, Alan Garcia. As previsões são de que, se for candidata nas eleições legislativas de 2011, será reeleita com alto número de votos.

Ao começar o último ano da atual legislatura, foi escolhido como vice-presidente do Congresso o fujimorista Alejandro Aguinaga, um dos denunciados pela esterilização em massa.

“Quando cruza comigo vira o rosto, olha para outro lado por pura vergonha”, disse Hilaria. “Fico indignada de vê-lo sentado na mesa diretora. Farei com que pague por sua responsabilidade no dano a milhares de mulheres”, advertiu.

Hilaria tem outra boa notícia para compartilhar. Sua biografia “Os Fios de Sua Vida” será reeditada em espanhol, após uma restrita publicação em Cusco há alguns anos, graças ao impacto de suas traduções para o inglês e o alemão.

“Me contaram que meu livro é usado nas escolas” da Alemanha, disse orgulhosa. “Como dizem esses doutores que minha experiência de vida não serve para nada? Estão errados e têm muito que aprender”, afirmou Hilaria.

Por Envolverde/IPS.

Fonte: Revista Fórum