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novembro 16, 2010

Candomblé: tradição e resistência

PICICA: "As novas gerações de historiadores têm reconhecido a importância da internet como uma ferramenta de pesquisa revolucionária. Uma iniciativa liderada pelo Centro de Memória da Amazônia, da Universidade Federal do Pará, revela como é possível explorar de forma inteligente os acervos documentais on-line." Iniciativa do Centro de Memória da Amazônia democratiza o acesso às fontes documentais inquisitoriais. Renato Venâncio



E mais...

Heróis do Brasil

Reunimos mais de uma centena deles, mas esse número pode aumentar: deixe um comentário com um nome que você acha que merece figurar na lista. [ leia mais ]

A Inquisição na Amazônia

Renato Venâncio conta que uma iniciativa do Centro de Memória da Amazônia democratiza o acesso às fontes sobre o período.[ leia mais ]

Enem erra data de abertura de portos
Questão da prova de Ciências Humanas cita o escritor Laurentino Gomes e fala que evento aconteceu em 1810.[ leia mais ]


agosto 11, 2010

Revista de História: Crimes políticos, FLIP e patrimônios destombados

Os historiadores José Murilo e Marcos Bretas serão os palestrantes do debate de agosto na Biblioteca Nacional sobre crimes políticos, tema do dossiê de capa da edição de agosto da Revista de História. O evento ocorre no dia 17 e terá transmissão ao vivo pelo Twitter.

Balaio de Histórias

Localizado no bairro do Bonfim (Pirenópolis/GO), o Ponto de Cultura Quintal da Aldeia será a sede do primeiro evento do Balaio de Histórias, no dia 14 de agosto. O projeto é realizado pela Revista de História da Biblioteca Nacional com apoio do Ministério da Cultura. Além de um debate com o historiador William de Souza sobre a Festa do Divino Espírito Santo, a programação inclui ainda um workshop com professores da rede pública de ensino sobre como utilizar a Revista de História da Biblioteca Nacional em salas de aula e uma apresentação artística de lundu e catira, ao final do dia. Confira as informações completas no Balaio de Histórias: balaio.rhbn.com.br .

Observatório

Gilberto Freyre na FLIP
Na abertura do evento em Paraty, mesa com Ricardo Benzaquen, Edson Nery e Moacyr Scliar apresentou a obra de Gilberto Freyre ao público. E as homenagens continuaram ao longo do evento, mostrando que o autor não se resume ao clássico "Casa-grande e senzala". Confira este debate com Alberto da Costa e Silva, Maria Lúcia Pallares-Burke e Angela Alonso aqui e leia também sobre a primeira mesa aqui.

A origem e o destino dos livros
Peter Burke e Robert Darnton, especialistas na história da leitura e da mídia, falaram na FLIP sobre o fim do livro impresso e rebateram as críticas à qualidade da Wikipedia. [ leia mais ]

Nazismo hoje
Passeata em homenagem a líder nazista é proibida em São Paulo, após denúncia no Ministério Público. Brasil já foi maior sede do Partido Nazista fora da Alemanha. [ leia mais ]

Ex-patrimônio
No Rio e em São Paulo, prefeituras esbarram no tombamento de prédios durante a execução de obras para 2014. Às vezes, a solução é simplesmente destombar o patrimônio. [ leia mais ]

De volta a 67
Documentário aborda a final do conturbado III festival de música de 67 e, com as apresentações na íntegra e gravações remasterizadas, transforma a sala de cinema no teatro Record. [ leia mais ]

agosto 05, 2010

Revista de História da Biblioteca Nacional

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Patrimônio mundial em Sergipe

A Praça São Francisco, em São Cristóvão (SE), foi reconhecida como patrimônio cultural do mundo pela Unesco. A 34a Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, que está acontecendo em Brasília desde o dia 23 de julho, avaliou a candidatura desse bem na tarde do dia 1 de agosto. "Vitória do povo de Sergipe, de São Cristóvão, que sempre conservou esse patrimônio", afirmou o Presidente do Comitê, ministro Juca Ferreira, que preside o encontro. Confira os 18 locais do país inscritos na Lista do Patrimônio Mundial. [ leia mais ]

Parque do Xingu vira filme

A história da primeira terra indígena reconhecida pelo governo federal começou a ser filmada. A saga dos irmãos Villas-Bôas, idealizadores da reserva, tem previsão de estrear ano que vem. [ leia mais ]

História regional

A disponibilização online de revistas dos institutos históricos estaduais democratiza o acesso à tradição erudita da historiografia brasileira. Confira a última coluna do historiador Renato Venâncio na seção "Acervo Digital" [ leia mais ]
 

E mais...

Caiapós por eles mesmosPeças comemorativas e da vida cotidiana, como cocares, máscaras e cestos, ajudam a mostrar os aspectos mais importantes da cultura caiapó. A exposição “Kayapó, Mebêngôkre nhõ pyka” reúne fotos e objetos selecionados pelos próprios índios que apresentam sua cosmologia, rituais, agricultura, caça, pesca e coleta. Além disso, a mostra divulga resultados da pesquisa sobre os conhecimentos tradicionais e a diversidade agrícola da etnia, feita em parceria pelo Museu Goeldi e o Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), da França. [ leia mais ]

Literatura juvenil no teatro
O próximo encontro do projeto conta com a presença de Karen Acioly, criadora do Festival Internacional Intercâmbio de Linguagens (FIL), autora e diretora teatral, e Sura Berditchevsky, atriz, diretora, autora, produtora e professora de teatro. O evento vai abordar a formação de novos leitores e a literatura infantil e juvenil em seus diversos aspectos. A Biblioteca Nacional convida todos a participar e interagir em busca de uma literatura de qualidade para esse público. A mediação fica por conta da escritora Anna Claudia Ramos. [ leia mais ]

julho 28, 2010

Revista de História: Skate, judeus e projetos pedagógicos inovadores

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Skate: uma velha polêmica

Rafael Mascarenhas, 18 anos, morreu atropelado no Rio de Janeiro quando andava de skate em um túnel fechado para manutenção. O acidente reabriu o debate em relação à prática do esporte nas ruas da cidade. Confira o artigo da revista sobre a história do skate, já chamado de esporte assassino. [ leia mais ]

Pequenos historiadores

O Colégio Pedro II foi inaugurado em Realengo, em 2004. Nessa época, a instituição funcionava provisoriamente em uma escola municipal da região. Dois anos mais tarde, passou a ocupar quase todos os prédios tombados de uma antiga fábrica de cartuchos. Para resgatar a memória do bairro, nascido naquele espaço, o departamento de História do colégio propôs criar o “Centro de Memória e Documentação”.[ leia mais ]

Debate religioso

Com público de mais de 150 pessoas, o Biblioteca Fazendo História discutiu a importância dos judeus no país. Os historiadores Ângelo Adriano Faria Assis e Fábio Koifman abordaram questões relevantes do tema. “A presença judaica no Brasil é muito antiga, começou junto com a história do país”, disse Ângelo Faria, um dos debatedores. [ leia mais ]

100 anos de História

Denominado Lauro Muller (Gamboa), o trecho inicial do cais do Porto do Rio de Janeiro foi inaugurado em 20 de julho de 1910. Com 800 metros de extensão, o local foi a matriz de onde começou a ser definida a vida urbana da cidade, bem como sua estrutura econômica e cultural. O primeiro navio a atracar no porto foi o de bandeira inglesa Horace, com mercadorias provenientes de Lisboa. No início do século XIX, com a chegada da corte portuguesa ao Brasil, a Zona Portuária passou a ser considerada área nobre. Hoje, o Porto oscila entre o abandono e planos ambiciosos para as Olimpíadas de 2014. [ leia mais ]


E mais...

Roubo de um Portinari
Uma tela do pintor brasileiro Cândido Portinari (1903-1962) foi furtada do Museu de Arte Contemporânea de Olinda e ainda está desaparecida. [ leia mais ]

Adeus a um mestre da música
Nos palcos ou nos salões, Paulo Moura, deixou um legado para a música popular e clássica . [ leia mais ]

Morte natural ou assassinato?
Nova edição de um clássico da historiografia discute a polêmica sobre como morreu o presidente João Goulart.[ leia mais ]


House historiador
Um personagem de TV de sucesso que pode ser visto historicamente. [ leia mais ]

junho 20, 2010

José Saramago (1922 - 2010)

José Saramago
Foto postada em adevidacomedia.wordpress.com

18/06/2010


Morre José Saramago (1922 - 2010)

Aos 87 anos, falece o único escritor português a ganhar o prêmio Nobel de Literatura

Monique Cardone

Romancista, jornalista, dramaturgo e poeta, José Saramago morreu às 12h30 desta sexta-feira, em consequência de falência múltipla dos órgãos. O escritor estava em sua casa, em Lanzarote, nas Ilhas Canárias. Segundo o site oficial da Fundação José Saramago, o autor morreu estando acompanhado pela família, despedindo-se de uma forma serena e tranquila.

Luiz Schwarcz, editor e fundador da Companhia das Letras que publicava os livros de Saramago no Brasil, disse em seu blog como ficou sabendo da morte do amigo.

“Acabo de ver o escritor José Saramago morto. Quando a notícia apareceu na internet, liguei pelo skype para Pilar (esposa do escritor), que sem que eu pedisse me mostrou José deitado na cama, morto. Tenho falado com Pilar quase todos os dias. Sabia que não havia chance de recuperação, o destino de José já estava traçado, os médicos não acreditavam mais na possibilidade de um novo milagre, como o do ano passado, quando venceu, contra todas as expectativas, os problemas pulmonares que o acometiam”, relatou Schwarcz.

José Saramago, além de ganhar o prêmio Nobel de Literatura (1998), é considerado responsável pelo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa. Entre suas maiores conquistas também está o Prêmio Camões, o mais importante da literatura em Portugal.

A ligação com o Brasil ficava evidente nas frequentes visitas ao país e nas amizades com o escritor Jorge amado, com o fotógrafo Sebastião Salgado, com o músico Caetano Veloso e intelectuais, como Alberto da Costa e Silva, membro da Academia Brasileira de Letras.

“Saramago era um amigo desde os anos 80. Uma boa e grande amizade que começou em 1981 quando nos conhecemos. Sempre acompanhei o percurso literário dele, mesmo antes de conhecê-lo. Era um escritor excepcional,” disse o historiador muito emocionado.

A admiração por uma das obras do escritor levou o cineasta brasileiro Fernando Meirelles a adaptar “Ensaio sobre a cegueira”, que fala sobre uma epidemia que torna cego os habitantes de uma cidade, para o cinema.

O Ministro da Cultura, Juca Ferreira, divulgou nota de pesar pelo falecimento do autor. “O escritor José Saramago mantinha relações privilegiadas com o Brasil. Esteve presente em diversos eventos literários no país e se tornou muito popular antes mesmo de conquistar o Prêmio Nobel. Em romances como “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, o Brasil faz parte das reflexões do grande escritor.”

O autor português sempre teve muita ligação com a história, seja na vida pessoal, como em seus romancas. Em entrevista exclusiva à RBHN, em 2008, o autor aconselhou aos historiadores: “A imaginação pode ajudar a aproximar do leitor matérias muitas vezes áridas”.

A obra “A História do Cerco de Lisboa”, publicado pela primeira vez em 1987, pode ser interpetrada como uma mistura de ficção e realidade. No romance, Raimundo Silva, revisor de livros, introduz em um tratado de história (intitulado História do Cerco de Lisboa) um erro voluntário: “os cruzados não ajudaram os portugueses a conquistar Lisboa”; apenas inserindo a palavra “não”. Essa falha proposital muda os acontecimentos do conto e, ao mesmo tempo, mostra a capacidade do escritor em modificar com facilidade o que estava consagrado historicamente.

A história do cerco da capital de Portugal, que nos é ensinada na escola, acontece no ano de 1147 e envolve o processo de reconquista cristã da península Ibérica quando os portugueses, com a ajuda das Cruzadas, tomaram a cidades dos mouros.

No decorrer do texto, os vários cercos vão caindo: tanto o histórico da cidade de Lisboa, como o vivido pelo personagem Raimundo. No romance, Saramago escreve com habilidade e emoção entrelaçando literatura e história, como em “Memorial do Convento”, “O Ano da Morte de Ricardo Reis” e “Jangada de Pedra”.

A história mundial também sempre teve interesse para Saramago e por causa de fatos históricos, como o fascismo e a censura em Portugal, ele foi morar na ilha que fica no meio do Atlântico. A mudança foi motivada porque o livro “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” (1991) apresentava sua visão ortodoxa sobre o messias cristão e o livro foi proibido no país. Em 1992, o governo não inscreveu o romance no Prêmio Literário Europeu porque considerou ofensivo aos católicos portugueses por comparar o nascimento de Jesus ao de qualquer outro homem. E, assim, o escritor abandonou de vez a sua terra.

Os acontecimentos mais recentes também eram alvo das críticas do autor. E causou muitas polêmicas. Em 2002, Saramago visitou a Cisjordânia e no encontrou com Iasser Arafat comparou a ocupação israelense ao Holocausto de Adolf Hitler durante a Segunda Guerra.

A última publicação de Saramago foi “Caim” (2009) que é um olhar irônico sobre o Velho Testamento e também foi alvejado pela Igreja. Em sua passagem por Roma, em 2009, o autor chamou o Papa Bento XVI de “cínico” e disse que a “insolência reacionária” do catolicismo precisa ser combatida com a “insolência da inteligência viva”.

Além da saudade, o escritor deixa um legado importante para literários, históriadores e fãs de suas obras. Entre tantas relíquias estão os romances “Terra do Pecado” (1947), “Manual de Pintura e Caligrafia” (1977), ” Levantado do Chão” (1980), “Memorial do Convento” (1982), “O Ano da Morte de Ricardo Reis” (1984), “A Jangada de Pedra” (1986), “História do Cerco de Lisboa” (1989), “O evangelho Segundo Jesus Cristo” (1991), “Ensaio Sobre a Cegueira” (1995), “Todos os Nomes” (1997), “A Caverna” (2000), “O Homem Duplicado” (2002), Ensaio Sobre a Lucidez (2004), “As Intermitências da Morte” (2005) e “A Viagem do Elefante” (2008) e “Caim” (2009).

Fonte: Revista de História da Biblioteca Nacional