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julho 24, 2010

Revolta no rio Madeira: usina hidrelétrica explora trabalhadores

Superexploração dos trabalhadores na maior obra do PAC


Funcionários da usina hidrelétrica construída no Rio Madeira denunciam as condições de trabalho que os levaram à revolta
20/07/2010

Eduardo Sales de Lima
enviado a Porto Velho,
Jaci-Paraná e Mutum-Paraná (RO)

Leia mais:

-> Revolta incendeia o Madeira

turbina_UHE-Santo-Antônio 

O reajuste salarial foi apenas um dos motivos, dentre tantos outros da revolta e, consequentemente, da paralisação realizada entre os dias 17 e 29 de junho pelos trabalhadores da construção da usina hidrelétrica de Santo Antônio, em Porto Velho (RO). Os funcionários quebraram o silêncio e denunciaram o estressante dia-a-dia nos canteiros de obra da barragem. Um cenário repleto de acidentes, abuso e intimidação por parte do Consórcio Santo Antônio Civil (CSAC) – comandado pela empreiteira Odebrecht –, responsável pela construção da hidrelétrica.

A usina de Santo Antônio está orçada em R$ 13,5 bilhões e, ao lado da hidrelétrica de Jirau (que custará R$ 10 bilhões), compõe o Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira, a obra mais cara do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A construção de Santo Antônio começou em setembro de 2008 e está prevista para terminar em 2015. Pelo projeto, a usina vai produzir 3.150,4 megawatts, o suficiente para atender 11 milhões de residências ou 44 milhões de pessoas – ainda que o principal objetivo da obra seja atender indústrias eletro-intensivas.

A suntuosidade das cifras, contudo, contrasta com as péssimas condições de trabalho nos canteiros de obras. Lá, a pausa para o almoço é de apenas uma hora. Pouco para quem leva vinte minutos para se locomover de ônibus até o refeitório e ainda aguarda mais alguns minutos na fila. Nas obras de Santo Antônio, para os que moram nos alojamentos, é obrigatório o pagamento de R$ 26 ao mês para o aluguel da moradia.

A própria concentração dos trabalhadores que vivem no alojamento, quente e sem ar-condicionado, é algo que, de acordo com o advogado Anderson Machado, propicia a escalada da tensão entre os funcionários e aumenta a insatisfação em relação ao trabalho. Machado foi interventor do sindicato que, em tese, representa os funcionários de Santo Antônio, o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil do Estado de Rondônia (Sticcero).“Concentrar os trabalhadores ali os mantém o tempo inteiro sob pressão. É um trabalho desgastante, tenso, e na hora em que você está descansando, não sai do ambiente da obra”, comenta. Para ele, a atual situação dos trabalhadores reflete, sobretudo, o desejo do consórcio de economizar com transporte e aluguel.

O trabalho é árduo. João* trabalha faz pouco mais de um mês na área de concretagem e reside na periferia da capital Porto Velho. Segundo ele, é comum a não-adaptação dos trabalhadores dentro daquele “buraco quente”. “Os desmaios a gente nem conta. Dentro do buraco é a rocha; e ela esquenta e seca o ar todo. Mandam para o ambulatório e, depois de 15 minutos, a pessoa está na frente do serviço de novo”, descreve. João conta que, nas obras, “parece que a nuvem foge do sol”.

A usina fica sete quilômetros a sudoeste de Porto Velho. Trabalham no empreendimento aproximadamente 7.030 pessoas. Cerca de 84% da mão-de-obra é original de Rondônia. Equipes de detonação e escavação moldam o leito e as margens do rio para receber a barragem. Outros grupos escalam até 50 metros para entrelaçar estruturas de aço que irão abrigar as turbinas da hidrelétrica. Concluída a armação metálica, começa a concretagem, serviço de João. Quando estiver pronta, a hidrelétrica terá consumido 3,1 milhões de metros cúbicos de concreto que circundarão as 44 turbinas aptas a gerar os 3150 MW.

Os trabalhadores em Santo Antônio, recebem salários que variam de R$ 700 a R$ 1000. Os protestos de junho revelam que eles também estão conscientes desses valores reduzidos.


Éden”
Em Santo Antônio, os acidentes são recorrentes e, em muitos casos, até as mortes são abafadas pelo consórcio, segundo contam funcionários. João se recorda que os acidentes presenciados por ele ocorreram principalmente por dois motivos: o despreparo de funcionários inexperientes e o ritmo de trabalho imposto pelos funcionários responsáveis por gerir a obra, chamados de “encarregados”. “Por causa da pressa, há muitos acidentes com quedas de barras de ferro de 30 metros, ocasionando ferimentos”, conta.

Ir ao ambulatório, entretanto, parece não ser uma prática saudável. “Não vá lá, senão os encarregados vão achar que é proposital, que você não quer trabalhar”, afirma Antônio*, há cinco meses no setor de Terra e Rocha.

“Costumamos chamá-los [os encarregados] de sobrinhos de [Marcelo] Odebrecht [diretor-presidente da empresa], quer dizer, o mais interessado no sucesso da empresa. São os senhores de senzalas. É uma coisa comum, dentro da barragem, eles chamarem os trabalhadores de 'filho da puta'”, denuncia João. Por causa da pressão por parte dos encarregados e do estresse gerado, ele afirma que alguns trabalhadores terminam por brigar verbalmente ou fisicamente com os supervisores ou entre si e “levam sua quita” (são demitidos) mais cedo.

Os “sobrinhos de Odebrecht” cobram bastante os trabalhadores e, segundo Joaquim*, ex-alojado e demitido, segundo a empresa, pelos protestos do dia 17 de junho, esquecem, também, de defender o “time” que lideram. “Não adianta pressionar uma equipe de 15 sendo que para cinco trabalhadores o pagamento não sai. E ele, como encarregado, não toma posição e não tenta resolver esse tipo de problema junto ao setor de recursos humanos da empresa. [Para ele,] o peão que se lasque”, critica.

Os encarregados, de acordo com os funcionários ouvidos pela reportagem, além de pressionar, também intimidam os funcionários. De acordo com João, o trabalhador em Santo Antônio não pode se posicionar reivindicando direitos junto à empresa. “Quem faz isso é despedido ou perseguido lá dentro”, revela. “Dá para ver encarregados fazendo filmagens para 'dar quita'”, conta Antônio.

Ele garante que os acidentes que puderem ser abafados pela empresa, o são. Segundo Antônio, quando um cabo de aço se soltou do guindaste, no fim de junho, um rapaz da área de concretagem tirou fotos. Porém, rapidamente, seguranças e encarregados o cercaram e forçaram para que ele as apagasse.

João, que preenche as armações metálicas de concreto, conta uma história parecida. Após uma estrutura ter caído por cima de três operários, ocasionando duas mortes e deixando um trabalhador gravemente ferido, ele revela que a informação só vazou quando foram iniciados os protestos a partir do dia 17 de junho, em que alguns ônibus foram queimados por trabalhadores e parte do alojamento foi depredada. “A propaganda lá fora era que aqui seria o jardim do Éden e quando chega aqui só se encontra a serpente e nada mais. Nem a árvore do fruto proibido se encontra aqui”, ironiza o trabalhador.

* Com medo de represálias, os trabalhadores entrevistados solicitaram que a reportagem utilizasse nomes fictícios.

Mais:

Números da UHE Santo Antônio

Na conta do trabalhador

janeiro 08, 2010

Caso Boris Casoy: a revolta dos leitores

Bóris Casoy
Charge Gervasio Costa, postada em www.vooz.com.br

CASO BORIS CASOY

Os garis e a revolta dos leitores

Acabo de ver no YouTube, estarrecido, o vídeo de Boris Casoy se referindo de maneira extremamente preconceituosa a dois garis. Posso imaginar qual não seria a reação do próprio Casoy caso presenciasse algo semelhante com relação a dois judeus. É uma lástima, só concebível num país como o nosso (em que ser pego "com a boca na botija" não faz queimar a cara de ninguém), que um jornalista desta importância não perca seu emprego. Boris Casoy não tem mais quaisquer condições morais de "ancorar" o que quer que seja. (Sérgio da Mata, professor, Mariana, MG)

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"Que m... Dois lixeiros desejando felicidades... Do alto de suas vassouras... Dois lixeiros...O mais baixo da escala do trabalho..." (Boris Casoy)
Retrata a alma deste apresentador, seus pensamentos íntimos, sua ética. É muito mais que uma vergonha a Band ter um âncora crápula como o sr. Boris, que quer moralizar pessoas com seus comentários. Isso sim, preconceito, é uma vergonha. (Josepha Ferreira, jornalista, Fortaleza, CE)

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Em primeiro lugar, um ótimo ano a todos. Gostaria de enfatizar que fiquei muito triste sobre o que saiu na internet sobre o apresentador Boris Casoy, e, como sempre acompanho este programa gostaria de manisfestar-me contrário à opinião infeliz de um formador de opinão que antes tinha minha maior admiração. (Valter Simião, funcionário público, São Paulo, SP)

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Gostaria de ver em debate no programa da TV o assunto Boris Casoy e o vergonhoso episódio do dia 31/12. Um jornalista se referir daquela maneira prepotente e cínica a dois honrados trabalhadores revoltou a todos. A Bandeirantes, por não ter tomado nenhuma atitude e dar o caso por encerrado, acaba por manchar anos de sua tão propalada credibilidade jornalística e seus democráticos debates. (José de Arimatheia Floriano de Medeiros, Itapetininga, SP)

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Qual a opinião do OI sobre o Jornal da Band, do apresentador Boris Casoy e os garis? A grande imprensa calou-se aproveitando os festejos de fim de ano e os desastres dos temporais no RJ para encobrir essa Vergonha dos grandes ditos jornalistas e das grandes emissoras de informação do Brasil. Só deu internet,YouTube e sites. Cadê os jornalões? (Elton Rosa, aposentado, Rio de Janeiro, RJ)

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Os garis, do alto de suas vassouras, passaram o Boris a limpo. Isto, sim, é uma vergonha!!! (João Marcos Paiva, funcionário público, São José dos Campos, SP)

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Infelizmente, não tenho o e-mail do sr Boris Casoy. Segundo a mídia,no final de uma entrevista, ele ofendeu dois garis (lixeiros) e, segundo sua assessoria, iria se redimir assim que possível. No meu desabafo sei que ele errou e tem que admitir o erro, pois é próprio do ser humano. É a maldita frase chamada de "força da expressão". E, para o conhecimento dele, já fui faxineiro no meu emprego e nem por isso me sentia desmoralizado e constrangido. No meu ponto de vista, ele tem sim que pedir desculpas e se limitar a falar depois dos comunicados para não sair besteira do tipo que saiu. (Angelo Gregório Filho, funcionário público, Araraquara, SP)

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O vídeo com o comentário de Boris Casoy (31/12/2009)

O pedido de desculpas de Boris Casoy (01/01/2010)

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Tenho ouvido ultimamente a expressão "bancada da bala" em alguns meios de comunicação. Literalmente é o que existe na televisão local aqui de Fortaleza, onde três deputados estaduais possuem cada um o seu programa policial, em emissoras afiliadas ao SBT, Record e Globo. Como eles mesmos apregoam, estão lá "em defesa da sociedade", "mostrando a vida como ela é". A pauta é a desgraça alheia, porém com algumas pitadas de assistencialismo. Totalizam quase sete horas diárias de violência, se somarmos a duração dos programas, entre a hora de almoço e jantar. E, como se achassem pouco, ainda reprisam pela manhã. Quando questionados, invocam a liberdade de imprensa. Não sei se o espectador está anestesiado por falta de opção ou se gosta do que vê. Só sei que é triste. A quem apelar? (Daniel Sousa, comerciante, Fortaleza, CE)

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Merece destaque e reflexão a entrevista que o ministro Joaquim Barbosa deu ao O Globo de 02/01/2010 (ver aqui). O ministro do STF culpou o Judiciário pela impunidade. Disse Joaquim Barbosa:

"...o Poder Judiciário tem uma parcela grande de responsabilidade pelo aumento das práticas de corrupção em nosso país. A generalizada sensação de impunidade verificada hoje no Brasil decorre em grande parte de fatores estruturais, mas é também reforçada pela atuação do Poder Judiciário, das suas práticas arcaicas, das suas interpretações lenientes e muitas vezes cúmplices para com os atos de corrupção e, sobretudo, com a sua falta de transparência no processo de tomada de decisões. Para ser minimamente eficaz, o Poder Judiciário brasileiro precisaria ser reinventado."

Faltou Joaquim Barbosa falar o principal. Cá a impunidade não é para todos, mas apenas para os criminosos que têm muito dinheiro ou amigos importantes. Porque no Brasil os favelados (depreciativo usado pelos jornalistas para designar os "cidadãos de baixa renda que moram em habitações precárias construídas irregularmente área públicas ou privadas") são tratados com uma brutalidade desumana mesmo que sejam inocentes.

Alguém aí já viu a PM ou a PF entrando no banco do senhor Daniel Dantas "sentando o dedo" (como dizem alguns policiais) em todos os suspeitos de cometerem crimes financeiros? Eu nunca vi, mas eu tenho visto o "Caveirão" do BOPE matar dezenas de pessoas nos morros cariocas. Aliás, a imprensa tem noticiado fartamente que muitos dos pobres cidadãos mortos pelo BOPE nem não tinham antecedentes criminais. (Fábio de Oliveira Ribeiro, advogado, Osasco, SP)

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É vergonhoso o que o PSDB está fazendo na mídia em propaganda política aqui no estado de São Paulo. Está dando nojo escutar o rádio, assistir à TV; o tempo todo é propaganda. Esse gasto excessivo com propaganda é legal? (Robis Henrique Correa Sardinha, policial militar, Bauru, SP)

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Lí com tristeza, a nota sobre o encerramento da edição impressa do Jornal do Senado na última edição. A Diretoria, sem dialogar com a comunidade, resolveu pelo simples fim de um dos importantes veículos de divulgação dos trabalhos desta Casa Lesgislativa federal. O que acarretará entre outros, no distanciamento cada vez maior entre os eleitos e os eleitores, já que a ampla maioria da população não dispõe de acesso à internet. Com o nítido objetivo de não dar satisfações, quando o ideal seria o contrário, para dar maior publicidade aos atos e permitir o acompanhamento das atividades parlamentares. Além de sempre vir com reportagens e divulgação de serviços públicos.

Esperando que os membros do órgão volitivo revejam sua tomada de decisão, já que a economia seria irrisória face aos gastos extravagantes do orçamento, subscrevo-me. Atenciosamente. (Ricardo Novaes, Rio de Janeiro, RJ)

Fonte: Observatório da Imprensa
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