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abril 01, 2010

Salve, Jorge!


[...]

Que será de ti, Amazônia,
enquanto se teima em desconhecer
que teu reino se acaba
onde a tua imensa vegetação termina?

[...]

Que será de ti, Amazônia,
enquanto não forem avaliadas tuas perdas
e teu desgaste
em quatrocentos anos de falsa
prosperidade para o homem;
e de lente,
lentíssima agonia
para os sonhos e as riqueza
que te habitam?

[...]

Que será de ti, Amazônia,
enq1uanto o revolvimento do teu solo,
à cata de minérios,
envenenar os teus rios;
e as toras de madeira submersas
desabarem sobre ti
numa queda insalubre e frenética
de chuvas ácidas?

[...]

Que será de ti, Amaqzônia,
quando as tuas lendas não tiverem mais
onde pousar; e a doce flatua
do uirapuru
quebrar-se numa profunda elegia
sobre os rios que minguam
e os areais que avançam?

[...]

Que será de ti, Amazônia,
se continuas espoliada e sujeita
ao voto
que elege os teus algozes?
Nota do blog: Lendo a poesia do grande poeta Jorge Tufic, é preciso reconhecer a justa homenagem do título que lhe foi concedido pela Assembléia Legislativa de Cidadão do Amazonas. Tardava o reconhecimento desse velho pajé espiritual. Mas cá pra nós, o autor da proposta, que defende a re-construção da BR-319, certamente não conhece a obra do querido poeta, sobretudo a que foi publicada pela Livraria Valer "Quando as Noites Voavam", de onde retirei esses trechos do instigante poema "Que será de ti, Amazônia?". Aqui não é só a poesia que é desconhecida, a ciência também não é respeitada. Alfredo Wagner, antropólogo, professor das Universidades Estadual e Federal do Amazonas, é uma dessas vozes isoladas que alertam para a retaliação que o sul do Amazonas sofrerá com o asfaltamento da floresta. Depois do SOS Encontro das Águas, um outro SOS é possível: o SOS Manaus-Amazonas, antes que seja tarde. A experiência recente demonstrou que somos capazes de fazer um movimento supra-partidário, pois ali onde os movimentos sociais foram aparelhados o resultado foi desastroso. Salve, Jorge!
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fevereiro 25, 2010

Poeta Jorge Tufic - Cidadão do Amazonas

Jorge Tufic
Foto: Rogelio Casado - Manaus-AM, novembro 2008

Jorge Tufic - Cidadão do Amazonas

No dia 9 de março a Assembléia Legislativa do Amazonas outorgará o título de Cidadão do Amazonas ao poeta Jorge Tufic, um dos mais importantes poetas da Amazônia Ocidental, atualmente residindo em Fortaleza-CE.

Os amigos e amigas de Jorge Tufic estão convidados a participar dessa merecida homenagem.

Mais informações com a Sra. Izaura, através do e-mail cerimonial@aleam.gov.br.

***

Homem

Jorge Tufic

Trajetória de sombra dispersada
Das mãos lhe escorre o tempo que sonhou.
Quantas almas possui na alma pisada?
Qual dentre todas a que mais amou?

Seus passos abrem sulcos de alvorada.
Por estrelas errantes se enredou.
Onde a sua face ausente procurada
E as ilhas de além-mares que fundou?

Máscara leve lhe recobre a fronte.
(O silêncio portrás constrói o mito)
Traz nos ombros a sombra do horizonte.

De fundas cicatrizes cava o mundo.
E, sendo humano, um pouco de infinito
Guarda no peito como em céu profundo.

(Varanda da pássaros)

Nota do blog: Poema publicado em Poesia e Poerad do Amazonas - Tenório Telles, Marcos Frederico Krüger (Organizadores). Manaus: Editora Valer, 2006.

dezembro 17, 2009

Homem, de Jorge Tufic

Jorge Tufic
Foto: Rogelio Casado - Manaus-Amazonas-Brasil, dez/2008

Nota do blog: Jorge Tufic Alaúzo nasceu no município de Sena Madureira, Acre, no dia 13 de agosto de 1930. Descendente de uma família de comerciantes árabes, transferiu-se, no início da década de 40, para Manaus. Há cerca de dez anos fixou-se em Fortaleza (Fonte: Poesia e Poetas do Amazonas. Manaus: Editora Valer, 2006).

Homem

Jorge Tufic

Trajetória de sombra dispersada
Das mãos lhe escorre o tempo que sonhou.
Quantas almas possui na alma pisada?
Qual dentre todas a que mais amou?

Seus passos abrem sulcos de alvorada.
Por estrelas errantes se enredou.
Onde a sua face ausente procurada
E as ilhas de além-mares que fundou?

Máscara leve lhe recobre a fonte.
(O silêncio por trás constrói o mito)
Traz nos ombros a sombra do horizonte.

De fundas cicatrizes cava o mundo.
E, sendo humano, um pouco de infinito
Guarda no peito como em céu profundo.

(Varanda de pássaros)

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O natal do poeta Jorge Tufic

Jorge Tufic
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