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julho 06, 2010

Violência no Sul do Pará

krishnamurtibr1 | 5 de fevereiro de 2010
"Nas Terras do Bem-Virá"
(Brasil, 2007, 111min.- Direção: Alexandre Rampazzo)

Um dos documentários mais completos para se entender a questão dos conflitos agrários no Brasil.
Trabalhadores sem opção de sobrevivência em seus estados partem para a Amazônia, no Pará, para trabalhar nas fazendas iludidos pelo sonho de se poder conseguir o sustento de suas famílias. Mas a realidade é outra, grande parte não volta mais, torna-se um contingente de trabalhadores escravos, inseridos em um ciclo vicioso de trabalho e dívida com seu patrão. Após serem explorados durante décadas, muitos tornam-se indigentes. Muitos dos que tentam escapar desse sistema, são assassinados.
O chamado "Agronegócio" do latifúndio está quase sempre associado a diversas práticas nocivas a sociedade e ao planeta: quase todas as fazendas da região são produtos da grilagem, ou seja, são terras da União que de alguma forma foram fraudadas em nome de alguém; os pistoleiros, quando não a polícia do Estado, promovem a "limpeza" humana das áreas, ameaçando, assassinando os colonos que lá antes habitavam. Esse modelo está ligado a derrubada de florestas, extinção de espécies, queimadas, contaminação dos recursos hídricos, a concentração de terras e de renda.
Para fazer frente a isso, surgem os grupos sociais, como o Movimento dos Sem Terra, a Pastoral da Terra e personalidades internacionais, como Dorothy Stang, que enfrentam o poder dos fazendeiros, políticos corruptos, assassinos e a mídia tradicional.

Crédito & Download:
http://docverdade.blogspot.com/2010/0...

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MILICIAS ARMADAS MATAM E PROVOCAM TERROR NAS FAZENDAS CRISTALINO E ESTRELA DE MACEIÓ, SUL DO PARÁ

Conforme informações 3 pessoas foram assassinadas entre o final do mês de maio e inicio de junho de 2010, em 02 ocupações de terra nos Municípios de Santana do Araguaia e Cumaru do Norte, no Sul do Pará. 

O lavrador Paulo Roberto Paim, posseiro da ex-Fazenda Cristalino, em Santana do Araguaia, vivia fortemente ameaçado de morte. Apesar de ter registrado ocorrência na Delegacia de Policia de Santana do Araguaia, ele foi assassinado em 28.05.10 e toda a diretoria da Associação dos Pequenos e Médios Produtores Rurais dos Retiros 1 ao 15 da antiga Fazenda Cristalino também está ameaçada. 

Trata-se de uma ocupação realizada em 2008, quando centenas de famílias de pequenos agricultores ocuparam essa área. Após a ocupação, durante uma reunião na sede da Fazenda Cristalino, na presença do então Superintendente do INCRA, Sr. Raimundo Oliveira, de autoridades locais e de centenas de pessoas, a Deputada Estadual Bernadete Ten Caten e o Deputado Federal Zé Geraldo se comprometeram com a regularização da posse das famílias, garantindo que dentro de 90 dias estaria criado o Projeto de Assentamento.  

Passado mais de um ano, a promessa não foi cumprida e a situação das famílias é trágica: passam fome, sofrem ameaças, perseguição, extorsão e toda sorte de violência por parte de grupos fortemente armados que os pressionam para sair dali. As famílias não conseguem sequer colocar roças, pois disputam espaço com os fazendeiros e com os seus animais. 

Outra tragédia humana e social acontece no Acampamento “Cangaia”, na Fazenda Estrela de Maceió, Município de Cumaru do Norte, onde segundo informações, um grupo fortemente armado e encapuzado invadiu o acampamento há cerca de 3 semanas e mataram 2 pessoas e outros estariam desaparecidos. As centenas de famílias ocupantes da área estão aterrorizadas pelo grupo armado e pressionadas a desocupar a terra. O clima é de total pavor. Foi instaurado inquérito policial pela DECA (Delegacia de Conflitos Agrários), mas tudo indica que terão mais assassinatos nas 2 áreas em conflito se não forem tomadas providencias urgentes.  

A tarefa de encontrar uma solução urgente para essa tragédia e evitar outras mortes é de responsabilidade da DECA, do INCRA, bem como do Deputado Federal Zé Geraldo e da Deputada Estadual Bernadete Ten Caten.   

Xinguara-PA, 01 de julho de 2010.

COMISSÃO PASTORAL DA TERRA

julho 05, 2010

Apoio aos camponeses do Canaã

Urgente!
Juiz de Ariquemes quer despejar 100 famílias de suas terras!

Nós da Área Canaã (na região de Ariquemes) estamos correndo o risco de sermos despejados de nossas terras, de termos nossas casas, criações e roças destruídas pela polícia e pistoleiros. Uma ordem judicial pode ser cumprida a qualquer momento.

Somos centenas de homens, mulheres, jovens e crianças. Vivemos, estudamos e trabalhamos com dignidade, retiramos nosso sustento de nossa terra, com nosso próprio suor. Nossa produção também é vendida na cidade.

Quando chegamos, em 2003 as fazendas “Arrobas” e “Só Cacau” estavam totalmente abandonadas. Até franceses que moram em São Paulo estão entre os que se dizem donos das terras. O único documento que eles têm é um contrato com o Incra, que dava a eles o direito de trabalhar na terra, não a posse dela. Não cumpriram o contrato e ainda usufruíram de financiamentos, conseguidos graças ao documento.

Hoje dá gosto andar no Canaã! Temos várias casas, tuias, galinheiros, chiqueiros, gado leiteiro, farinheiras, cacau e café secando, arroz na pilha, feijão pra colher, horta e vários outros cultivos. Temos um barracão da Assembleia, um postinho de saúde, uma máquina de limpar arroz e uma triadeira, mais de 10 quilômetros de estradas construídos e reformados com nossos esforços. Um ônibus escolar passa no Canaã duas vezes por dia para buscar os alunos. Também temos duas turmas de alfabetização de jovens e adultos.

O juiz Danilo Augusto Kanthack Paccini há muito tempo persegue os camponeses que lutam pelo sagrado direito à terra. Em 2006, quando ele atuava em Buritis, pistoleiros do latifundiário Lourival assassinaram dois camponeses do Acampamento Jacinópolis 2 e atingiram um tiro na cabeça de um menino de 12 anos. Apenas 4 meses depois, Danilo Paccini expediu uma ordem de reintegração contra os camponeses do acampamento.

Em 2009, camponeses do Acampamento João Batista ( em Rio Crespo ) foram despejados e atacados por pistoleiros da grileira Maria Della Libera. Um jovem foi torturado e um líder camponês levou dois tiros e escapou por pouco de ser assassinado. Estes crimes da grileira foram encorajados por Danilo Paccini numa audiência um mês antes. Ele disse aos gritos: “No acampamento não tem sem-terra, só tem bandido!”

Os verdadeiros bandidos em Rondônia são os latifundiários e seus agentes: juízes, politiqueiros, imprensa vendida, polícias, além de seus bandos armados. O juiz Danilo Paccini já mostrou para quem ele trabalha.

O juiz não se importa se vamos passar fome e desemprego na cidade. Mas nós temos um recado: somos camponeses, trabalhadores honrados. Não somos cachorros para os senhores pisarem em cima. Já sofremos muito no Canaã, fomos despejados várias vezes, pistoleiros queimaram nossas roças e criações, a PM prendeu e torturou dois jovens camponeses. Estas terras são nossas, não sairemos daqui!

Camponeses, trabalhadores e população em geral de Ariquemes e Jaru, precisamos do apoio sincero de todos. Denunciem este despejo absurdo. Denunciem as perseguições do juiz Danilo Augusto Kanthack Paccini contra os camponeses. Com nossa união e luta podemos impedir o despejo.

A terra é de quem nela trabalha!
O povo quer terra, não repressão!

Comissão de camponeses da Área Canaã
LCP – Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia e Amazônia Ocidental
Posted by Picasa

fevereiro 17, 2010

Uma tragédia anunciada dá início à criminalização de um movimento social

Acervo Movimento Sem Teto



Nota do blog: Sexta-feira, dia 12.02, o Movimento dos Sem-Tetos, pede a presença de parlamentares em área ocupada na região do Tarumã, onde três comunidades - Novo Paraíso, Gurgel e Jefferson Peres - estão em litígio com supostos proprietários da terra. Ninguém apareceu. Domingo, dia 14.02, tiros na ocupação Novo Paraíso. Um morto, por afogamento, e seis desaparecidos. Antes dessa tragédia anunciada a mídia ali compareceu para dar cobertura apenas uma vez. Só um lado da história foi ouvido. Depois o silêncio. Sinais de censura. Ninguém atendeu o apelo por nova cobertura, para ouvir os detidos e presos no IPAT ou as demais famílias de pequenos agricultores que lutam por um pedaço de chão. Segunda-feira, dia 15.02, a mídia dá sinais de vida, desta vez para registrar a tragédia anunciada e dar voz a uma certa autoridade do poder público comprometida até a raiz do cabelo com o suposto proprietário do lugar. Segundo um dos líderes da ocupação, basta conferir a prestação de contas da última eleição. O suposto proprietário aparece como financiador da campanha do então candidato. Faz-se urgente uma posição do Ministério Público do Estado do Amazonas. Está em curso a criminalização do movimento social conhecido como Movimento dos Sem Teto.