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setembro 23, 2010

Serra tenta golpe, com a ajuda dos gabeiras e robertofreires-da-vida

Bessinha
Postado em contrapontopig.blogspot.com

José Serra tenta o golpe convocando o cansei das dondocas enfadadas e sonegadores de impostos


Vocês já repararam que a imprensa está dando o tom do golpe?. Note que em todas  as matérias publicadas na Folha durante a semana, inclusive as manchetes, ditaram o tom a ser usado no programa eleitoral de TV do candidato José Serra (PSDB)

A mídia convocou durante toda campanha eleitoral a turninha do cansei. E hoje, eis que meia dúzia de desocupados anunciaram que vão ressuscitar o velho partido dos golpistas lançando um manifesto em "defesa da democracia" (Aqui)

Quem são os patéticos tucanos cansados?..."Cansei" é um termo muito usado por dondocas enfadadas em algum momento das vidas enfadonhas que vivem, disse certa vez Cláudio Lembo

Veja quem assina o manifesto.Nomes conduzido por figuras conhecidas que sempre possuíram e possuem uma visão elitista do país e da sociedade.


01. Hélio Bicudo - (Jurista, deixou o PT em 2005, apóia Marina Silva)

02. D. Paulo Evaristo Arns - ( frade da Igreja Católica)

03. Carlos Velloso - (Ex-ministro do STF, indicado por Collor)

04. René Ariel Dotti - (Jurista. Penalista)

05. Therezinha de Jesus Zerbini (???)

06. Celso Lafer - (Ministro das Relações Exteriores no governo FHC - que tirou o sapato no aeroporto dos EUA para ser revistado)

07. Adilson Dallari - (Professor titular de Direito Administrativo da PUC/SP)

08. Miguel Reali Jr.- (Ministro da Justiça no governo FHC - Foi tesoureiro da campanha do Geraldo Alkmin em 2006)

09. Ricardo Dalla - (Advogado. Presidente do IBDTI – Instituto Brasileiro de DireitoTributário)

10. José Carlos Dias - (Ministro da Justiça durante o governo FHC, de jul/99 a abr/2000)

11. Maílson da Nóbrega - (Ministro da Fazenda na Ditadura, colunista da FSP, Veja e Estadão)

12. Ferreira Gullar -(Poeta - de boca fechada)

13. Carlos Vereza - (Ator da Globo, apóia César Maia - candidato ao Senado pelo DEM)

14. Zelito Viana - Cineasta, irmão do comediante Chico Anysio e pai do ator global Marcos Palmeira)

15. Everardo Maciel - (Ex-secretário da Receita Federal nos 08 anos de governo FHC)

16. Marco Antonio Villa - (Historiador. Escreve na Folha de São Paulo)

17. Haroldo Costa - (Ator, escritor, produtor e sambista brasileiro)

18. Terezinha Sodré - (Ex- atriz da Globo. Mora em Miami, tem um programa semanal, "Planet Flórida")

19. Mauro Mendonça - ( Tucano declarado. Ator da Globo casado com a signatária abaixo)

20. Rosamaria Murtinho - ( Tucana declarada. Atriz da Globo casada com a signatário acima)

21. Marta Grostein - (Mãe do Luciano Huck, apresentador da Globo)

22. Marcelo Cerqueira - (Político. Filiado ao partido PPS)

23. Boris Fausto - ( Se diz, historiador e cientista político brasileiro)

24. José Alvaro Moisés - (Secretário Nacional de Apoio à Cultura (1995-1998), Secretário Nacional de Audiovisual (1999-2002) – governo FHC)

25. Leôncio Martins Rodrigues (Cientista Político)

26. José A. Gianotti - (Cientista Político)

27. Lurdes Solla - ( Diz que é Socióloga Cientista Política)

28. Gilda Portugal Gouvea - (Socióloga, diversos cargos na área da educação no governo PSDB em São Paulo)

29. Regina Meyer

30. Jorge Hilário Gouvea Vieira -(Empresário, marido da vereadora Andréa Gouvêa Vieira – do PSDB)

31. Omar Carneiro da Cunha - (Economista, ex-presidente de multinacionais como a Shell e AT&T)

32. Rodrigo Paulo de Pádua Lopes - (Engenheiro, consultor da empresa Dragagem Fluvial Ltda.)

33. Leonel Kaz - (Jornalista, foi diretor editorial adjunto da Abril e Secretário de Cultura e Esportes do Estado do Rio de Janeiro. Curador do Museu do Futebol, em São Paulo)

34. Jacob Kligerman - (Medico. Foi nomeado diretor-geral do INCA pelo Ministro da Saúde Jose Serra, sendo substituído por Jamil Haddad no governo Lula)

35. Ana Maria Tornaghi-(Promoter Carioca)

36. Alice Tamborindeguy - (Política. Filiada ao PSDB desde 1995)

37. Tereza Mascarenhas -(?)

38. Carlos Leal-(???)

39. Maristela Kubitschek -(Filha adotiva de Juscelino Kubitschek)

40. Verônica Nieckele - (Socialite e empresária, esposa de Cesar Ramos Filho)

41. Cláudio Botelho - (Diretor de teatro)

42. Jorge Ramos - (?)

43. Fábio Cuiabano - (Dermatologista de  atrizes da Globo como,Malu Mader e Luana Piovani)

44. Luiz Alberto Py -(Medico Psiquiatra, psicanalista, palestrante. Colunista do jornal O Dia, e da revista Caras. Consultor de diversos programas da TV Globo - Amigo e Linha Direta, Domingão do Faustão, Luciano Hulck etc)

45. Gabriela Camarão - (???)

46. Romeu Cortes - (???)

47. Maria Amélia de Andrade Pinto - (???)

48. Geraldo Guimarães - (???)

49. Verônica Nieckele - (?)

50. Martha Maria Kubitschek - (???)

51. Gilza Maria Villela - (???)

52. Mary Costa

53. Silvia Maria Melo Franco Cristóvão (???)

54. Glória de Castro

55. Risoleta Medrado Cruz

56. Gracinda Garcez - (???) aparece uma Gracinda Garcez no blog da promoter Ana Maria Tornaghi (n.º 35)

57. Josier Vilar

58. Jussarah Kubitschek

59. Luiz Eduardo da Costa Carvalho- (Presidente do Jockey Club Brasileiro)

60. Tereza Maria de Britto Pereira - (Filha do diretor-geral da Imprensa Nacional Alberto Sá Souza de Britto Pereira, no governo JK)

Ou seja,essa gente tem o objetivo é retomar o controle do poder, que sempre esteve nas mãos da elite branca, má e perversa, para usar uma definição do ex-governador Cláudio Lembo. Sabem que se não fizerem nada desde já, os partidos que os representam serão escurraçados nas urnas. Sendo que um deles, o dos demos, pode se tornar um nanico já em 2011.

Golpistas

"Golpista é alguém que defende um golpe de Estado, ou seja, defende a derrubada de um governo legitimamente eleito por meio de um putsch anticonstitucional, um golpe de força." É sobretudo - preparar o imaginário da população para a derrubada de um governo legitimamente eleito.

É também  repercutir com intensidade uma notícia, mesmo sabendo que ela se desmentirá depois, e não dar o mesmo espaço ao desmentido.

É, por exemplo, comparar a classe média nas filas dos aeroportos com as vítimas dos campos de concentração nazistas, como fez Alexandre Garcia. É o apelo fácil ao sentimentalismo, na tentativa de manipular as consciências de leitores e telespectadores. No jogo do "fala e esquece" da midia, muitas perguntas ficam sem reposta.

Do que reclama a imprensa?



A Imprensa escolhe e protege seus candidatos, malhando impiedosamente seus adversários, distorcendo os fatos, fazendo ilações maldosas, acusando e já dando apressadamente o veredito que lhe interessa. E quando é questionada - simplesmente questionada! - já se faz de vítima, sente-se ameaçada e faz novas ilações, achando que a democracia está sob ameaça. Ora, democracia é um regime em que todos podem questionar e ser questionados. Por que a imprensa, que mais questiona, acha que não pode?

Fonte: Os Amigos do Presidente Lula

Nota do blog: Leia mais sobre a marcha do golpe contra o governo Lula. Desta vez, Gabeira discursa no Clube Militar, reduto dos militares conservadores, 'sobre o risco de desestabilização democrática do país, liberdade de imprensa e a "sedução" do governo pelo totalitarismo'. Acesse Óleo do Diabo.  

setembro 15, 2010

A patética pressão da mídia e uma boa notícia para o Amazonas

Tucano desolado

Aumentando a pressão

A guerra eleitoral intensifica-se. A criação de factóides pela imprensa atingiu um ritmo febril, e que por isso mesmo torna-se meio patético. Colunistas carregam nas tintas contra o governo e sua candidata. Nada disso, porém, parece dar resultado nas urnas. O único perigo, de ordem institucional, que seria produzir um clima negativo que desse subsídios para um golpe branco, via Justiça Eleitoral (o famigerado tapetão), também parece afastado - ao menos por enquanto.


A banalização das denúncias advém da própria imprensa, que as acolhe sem critério, sem nenhum disfarce quanto a seus objetivos eleitorais. É claro que existe corrupção no governo federal, mas o combate a ela não pode ser feito através de campanhas de desestabilização política e sim através do fortalecimento e modernização das instituições de controle e auditoria.


Ontem tive a honra de dar palestra numa universidade privada do Rio, a Facha, juntamente com meu colega Igor Bruno, candidato a deputado estadual e também blogueiro. Mediando o debate, um professor de lá declarou que os grandes jornais tornaram-se material de campanha de José Serra, com o que eu concordo, e afirmou que ninguém mais acredita neles, com o que discordo. Essa imprensa ainda é extremamente perigosa, e o barulho que a Veja produziu esta semana prova isso.


O máximo que a frenética produção de factóides tem produzido, no entanto, é tirar alguns pontos de Dilma junto aos mais ricos - e que ironicamente vem migrando não para Serra e sim para Marina Silva. Mas Dilma continua crescendo junto às classes baixas e mesmo junto às classes médias. Mais importante: a eleição acelerou o processo de conscientização de estratos cada vez mais significativos da sociedade quanto à partidarização da mídia, de maneira que, ao mesmo tempo em que desgasta o governo com sua campanha sistemática (mas de forma apenas provisória, até que se perceba a precariedade das denúncias), a imprensa também perde prestígio (neste caso de forma duradoura, porque assinou recibo de sua desonestidade).


Teremos ainda duas semanas de guerra. O campo da esquerda mostra-se mais combativo do que nunca. Não há mais ingenuidade. Não há mais defecção. Todos queremos lutar contra a corrupção e a falta de ética no governo, mas temos plena consciência de que a vitória do PSDB não ajudará em nada nesse sentido. Muito pelo contrário. A esquerda assiste a imprensa blindar o PSDB da forma mais descarada e isso, definitivamente, não sugere nenhuma renovação ética. O tucanato revela-se mais e mais um partido fraco, sem base popular, sem militância, sem sindicatos, sustentado apenas pela mídia e, como tal, submetido e chantageado por meia dúzia de proprietários de meios de comunicação.


Aumentemos a pressão, companheiros! Eu, de minha parte, deixei de lado qualquer outra atividade ou objetivo que não seja a de lutar para que meu país não recaia nas mãos desses traidores. Não ganho um tostão do governo nem quero ganhar. Luto exclusivamente por minhas idéias. Mais do que pelo meu país, luto pelo mundo inteiro, porque tenho a convicção de que o governo Dilma será muito mais benéfico à paz universal do que uma gestão alinhada aos interesses bélicos dos Estados Unidos, como prometem os ideólogos tucanos.


Intimidados por sua própria debilidade conceitual e ideológica, a oposição procura associar a vitória de Dilma a um projeto totalitário, exatamente na mesma linha que os golpistas faziam em 1964. Neste sentido, é impressionante como alguns tucanos, a começar pelo candidato José Serra, sequer se preocupam em mudar o vocabulário. Pior, Zé Baixaria tem atacado insistentemente os "blogs sujos", o que constitui, além de uma agressão à democracia, uma tremenda honra para nós. É praticamente uma medalha de guerra, porque, ao fazê-lo, ao nos atacar, ao focar sua atenção na blogosfera, ele nos promove a uma espécie de batalhão de elite, uma idéia que sempre me divertiu.


Aproveitando o gancho, quero estender esses méritos guerreiros a todos os comentaristas, deste blog, de todos os blogs, de todos os sites. Cada pessoa que expressa uma opinião, em qualquer parte da internet, dá uma participação fundamental para a construção de nossa democracia. Tenho visto com muita frequência, e ainda mais nos últimos dias, que as notícias dos grandes portais de notícias recebem uma quantidade imensa de comentários críticos e inteligentes. A sociedade brasileira está amadurecendo politicamente a um ritmo que os jornais, definitivamente, não conseguem acompanhar. Surgiu no país uma massa crítica que não tem deixado escapar nenhum artifício eleitoreiro. A nossa democracia, por isso mesmo, nunca foi tão pujante e verdadeira e portanto nunca soou tão ridículo e artificial o medo de alguns segmentos quanto a um eventual risco democrático. Se esse risco existisse, seria por culpa única e exclusivamente da existência de alguns núcleos golpistas no campo conservador, que contam ainda, infelizmente, com apoio midiático, às vezes tácito, muitas vezes explícito.


E por falar em golpismo, quero registrar aqui a última baixaria da campanha de José Serra, desta vez articulada por sua própria esposa, Mônica Serra. A psicóloga esteve ontem no Rio de Janeiro, ao lado do Indio (!) e, dirigindo-se a um trabalhador evangélico que declarara voto em Dilma Rousseff, disse a ele que a petista era "a favor de matar criancinhas".


Trata-se de um absurdo inominável, e juro a vocês que não acreditava que o PSDB fosse descer tão baixo. Nem concebia que esta Mônica Serra se mostrasse uma pessoa tão desclassificada. Quero acreditar que uma insanidade desta receberá o repúdio de toda pessoa esclarecida. Em virtude da gravidade da declaração, fiz três links para as notícias publicadas, no Estadão, no R7 e no meu Clipping. E ainda reproduzo abaixo:




Tal tipo de baixaria só é visto em momentos desesperados de campanhas políticas dos Estados Unidos, onde o moralismo de cunho religioso causa muito impacto. No Brasil, apesar de termos uma população bastante religiosa, ela não tem, felizmente, esse moralismo radical.


A baixaria de Mônica Serra é inaceitável por vários motivos:


  1. É mentirosa e estapafúrdia, por razões óbvias. Insere um grau de violência na campanha que apenas prejudica a qualidade do debate eleitoral. Como debater politicamente com quem fala esse tipo de coisa?
  2. É um argumento desonesto usado comumente por ultra-conservadores que tem posições radicais contra o aborto. Considerando que milhares de mulheres morrem anualmente por conta de abortos clandestinos e pela falta de uma legislação decente que obrigue os hospitais públicos e o SUS a tratá-las de forma adequada, a declaração de Mônica Serra revela-se criminosa. 
  3. É despolitizada e desinformativa, porque o aborto é liberado ou descriminalizado em quase todos os países europeus e em vários estados americanos. 
  4. Agride o debate intenso e delicado que as organizações femininas tem feito nos últimoso anos. Esse tipo de declaração, ainda mais quando vindo de um membro respeitado da sociedade civil, não identificado com o fanatismo religioso, provoca, geralmente, um enorme retrocesso nas discussões. Mônica Serra causou prejuízo a todas as mulheres do Brasil que lutam pelo direito de discutir o aborto de forma civilizada.


Por fim, encerro o post com uma boa notícia. Arthur Virgílio pode não se reeleger senador pelo Amazonas.

Fonte: Óleo do Diabo

Nota do blog: A fotografia acima é cortesia do PICICA, para o texto do Miguel do Rosário.

julho 31, 2010

Miguel do Rosário comenta os números do Vox Populi

Oleo do Diabo


Na verdade, eu fiquei meio atrapalhado hoje. Agora sim arrumei tempo para fazer uns comentários sobre a pesquisa Vox Populi, cujo relatório completo acaba de ser publicado pelo instituto. Antes de tudo, lembremos mais uma vez que a pesquisa, divulgada semana passada, mostrou Dilma Rousseff oito pontos à frente de Serra, 41% X 33%.

Eu revirei esse relatório por todos os lados. O que mais chama atenção é a robusteza da petista. Confiram, por exemplo, a sequência abaixo.







Dilma tem uma avaliação positiva muito maior que Serra. A campanha negativa da imprensa não deu certo. Segundo o Vox Populi, 18% do eleitorado tem uma imagem "muito positiva" de Dilma, enquanto apenas 10% disseram ter a mesma opinião sobre Serra. Números bem legais para um "poste", não?

Repare que ela desfruta de uma imagem extremamente favorável junto às faixas de renda mais baixas, o que lhe assegura um voto firme junto ao eleitorado mais volumoso, e isso apesar de ser bem menos conhecida. É importante confrontar esses dados com os que informam sobre o grau de conhecimento dos candidatos. Repito abaixo sequência do post anterior sobre isso.




Enquanto apenas 2% dos entrevistados afirmaram não conhecer José Serra, um total de 6% afirmaram o mesmo sobre a candidata petista. Serra é bem mais conhecido que Dilma, conferindo à petista um grande potencial de crescimento.

*


6 - O PRESIDENTE LULA
6.1 - CANDIDATO APOIADO
Pelo que você sabe ou já ouviu dizer qual destes(as) é o(a) candidato(a) a presidente da república que tem o apoio do presidente Lula?


Repare que 18% dos entrevistados, ou mais de 20 milhões de eleitores, deram respostas equivocadas (ou não sabiam) sobre quem era o candidato apoiado pelo presidente Lula. Os números são muito volumosos entre as faixas de renda mais baixas e com menos instrução. É interessante analisar isso porque mostra que a mídia nacional não está cumprindo a sua função de levar informação correta à população. Teremos que esperar o início da propaganda eleitoral e o próprio "calor" do processo para observamos uma redução substantiva desse déficit de informação. Possivelmente nas eleições deste ano veremos gente votando sem saber quem é o candidato apoiado por Lula.

A tabela acima também é muito importante para compreender o processo político. Deixe-me explicá-la para quem não a entendeu bem. Ela mostra que 43% das pessoas que declararam voto em Serra ERRARAM quando questionados sobre quem é o candidato apoiado por Lula. Ou seja, grande parte do eleitorado de Serra não tem consistência, é composta por cidadãos que ainda não receberam a informação que é, obviamente, a mais importante para as eleições deste ano: quem é o candidato da situação, e quem é o candidato da oposição. O próprio Serra vem, deliberadamente, contribuindo para isso, ao afirmar que não é oposição, o que é um engodo, um ato de cinismo, uma tentativa de ludibriar o povo, visto que todas as forças que o apóiam integram uma oposição bastante radicalizada.

*

A conclusão que podemos tirar dos números do Vox Populi é que ainda há um percentual elevado de eleitores que não sabem que Dilma é a candidata apoiada por Lula, mas essa ignorância não deverá durar muito. A campanha dilmista tem até o dia 3 de outubro para sanar esse déficit. No próprio dia da eleição, mesmo sendo proibido o boca de urna, a pessoa mais desinformada do Brasil poderá ouvir alguém na rua cantando um jingle ou vociferando alguma preferência, deixando bem claro quem é quem. 


O blogueiro já deu uma boa olhada e separou e editou as seguintes tabelas:



*

6.3 - CONTINUIDADE OU MUDANÇA DE POLÍTICAS
Para você, o próximo presidente da república deve:



*

Vou citar para você o nome de alguns possíveis candidatos a presidente e gostaria que você me respondesse algumas perguntas sobre cada um deles, vamos falar de: Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva. Com relação a ________ você diria que:





*

3 - INTENÇÃO DE VOTO ESTIMULADA
3.1 - CENÁRIO 1
Se a eleição para presidente fosse hoje, em qual destes candidatos você votaria?





Acho que nem precisa comentar muito, né? Os números são eloquentes. Se no Datafolha, que dava empate entre Serra e Dilma, já era possível observar uma enorme superioridade estatística da candidata petista, essa do Vox Populi, que deu 8 pontos de vantagem para Dilma, a situação de Serra é ainda mais desoladora. 

junho 24, 2010

Um dia sem Globo?... Apoiamos essa idéia.

Tenho a impressão que a blogosfera, ou pelo menos a comunidade deste blog, pôs o pé no freio, em virtude da Copa do Mundo. Eu mesmo estou acompanhando quase todos os jogos. Esse tipo de evento é muito absorvente para aposentados, blogueiros e ociosos em geral. Ontem pela manhã cheguei ao cúmulo de assistir à coletiva de Kaká. Mas o país não pára e mesmo a Copa agora ganhou ares de disputa política. Ou de barraco, o que às vezes é quase a mesma coisa. Kaká ousou soltar o verbo contra o jornalista Juca Kfouri, por quem ele se diz atingido.

O Globo não perdoou. Vem hoje com uma resposta dura:


É mentira. Kaká não atacou. Foi muito polido e apenas se defendeu de ataques que, segundo ele, sofre há tempos do jornalista. Segundo o jogador, Kfouri tem dito que suas lesões não o deixarão jogar, o que obviamente deve soar como intolerável rogação de praga para um esportista, um jovem que trabalha duro para superar seus problemas. Disse ainda que Kfouri o discrimina por sua religião. Kaká afirmou que respeita o ateísmo, exigindo que se lhe respeitasse a fé em Jesus da mesma maneira. 

*

E os platinados continuam batendo no Dunga:




O cartunista Chico tem sido um dos mais competentes editorialistas do jornal.  Seguindo a lição do evangelista Paulo, não o julgo para não ser julgado. É um empregado e obedece quem tem juízo. O que é triste é ver profissionais de imprensa (e incluo o chargista nesse rol) perdendo cada vez mais suas liberdades. Compreendo a razão de ser do estatuto que o Globo divulgou para todos seus empregados, tolhendo-lhes as mínimas liberdades políticas. Não podem tuitar, manifestarem-se em nenhuma rede social. O que é muito coerente. Ali Kamel sabe o que faz. Espanta-me, porém, essa enorme ironia, de ver os mesmos grupos que defendem a liberdade de imprensa com sangue na boca, desprezarem solenemente a liberdade de expressão dos jornalistas. Pobre profissão. À exceção do estrelato, ganham pouco, não recebem horas extras e costumam ser severamente discriminados quando ousam ter atuação sindical. O próprio fato da Globo ser uma das poucas empresas que pagam um pouco melhor (só um pouco), num universo de trabalho cada vez mais restrito, pressiona os jornalistas a agarrarem-se a seus empregos com uma espécie de fanatismo religioso.

A Globo tornou-se a Pérsia Antiga, dominada por uma autoridade divina cercada de eunucos.  As coisas melhoraram, com certeza; os eunucos de ontem não tinham colhões, os de hoje não podem ter opinião própria. Assim como o império persa, a Globo é violenta, rica, luxuosa, totalitária. Em oposição a uma blogosfera democrática, laica, fragmentada em cidades-Estado (cada blogueiro é um país), de hábitos simples, mas orgulhosa de sua independência, e coligada estrategicamente para enfrentar esse novo Xerxes. A pobreza da blogosfera converte-se em força, pois não tem custos. Veremos se a história se repetirá e esta nova Grécia, representante da liberdade, triunfará sobre o misticismo ditatorial das organizações midiáticas.

(Aliás, a grita constante dos grupos midiáticos contra "ditaduras" e "autoritarismo" não seria uma defesa psicológica ou mesmo semi-deliberada para lançar fumaça sobre a opressão ideológica dentro das redações?) 
 



Posted by Picasa

junho 12, 2010

Conheça o líder espiritual do Serra

Cartum do GADE
Ontem, antes de entrar num restaurante no centro, passei numa banca em frente e comprei a Hora do Povo, pensando em alguma coisa divertida para ler logo após a refeição. É um excelente jornal que merece um pouco mais de atenção da blogosfera. A manchete ao pé da página arrancou-me risadas:

Fui até a página 3 e li a matéria, bem escrita e bem documentada:

Serra quer Uribe como seu guia espiritual

O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, voltou a atacar a Bolívia e fez rasgados elogios ao governo da Colômbia, que tem várias denúncias de envolvimento com o tráfico de drogas. Suas declarações foram feitas na terça-feira em São Paulo onde participou de um debate. Ele disse que o governo Uribe, ao contrário do da Bolívia, “não faz corpo mole” no combate ao fornecimento de drogas para o Brasil.

Logo a Colômbia, que é campeã mundial da cocaína, segundo destaca a UNODC – United Nations Officer on Drugs and Crime, em seu relatório de 2009, apontando esse país como o maior exportador da droga no mundo, sendo responsável por 51% de toda a produção mundial. Em 2008, o órgão já apontava o aumento do tráfico de drogas a partir da Colômbia e Afeganistão. “Os grandes aumentos registrados ultimamente da oferta de narcóticos procedentes da Colômbia e Afeganistão podem fazer com que as taxas de consumo de drogas subam por causa da queda dos preços e da maior pureza das doses”, explicou o diretor do UNODC, Antonio Costa.

Cerca da metade dos integrantes do governo (Colombiano) - membros da família Uribe, inclusive - foram denunciados, e alguns até presos, por terem campanhas eleitorais financiadas pelo narcotráfico. Serra havia dito na semana passada que o governo do presidente Evo Morales era “cúmplice” no tráfico de drogas para o Brasil.

Mas não é só Uribe que fascinou o candidato tucano. Ele revelou também simpatias pelo ministro da Defesa da Colômbia, e atual candidato à presidência daquele país, Juan Manoel Santos. A administração de Manoel Santos ficou marcada pelo escândalo de jovens assassinados por militares, que apresentavam orelhas de pessoas mortas como se fossem guerrilheiros abatidos em combate para receber benefícios, tais como folgas nos finais de semana, no caso conhecido como “falsos positivos”.

Além disso, segundo a revista Newsweek, em artigo de agosto de 2004, Álvaro Uribe, o queridinho de Serra, tinha ligações com o narcotráfico e com o Cartel de Medellín. “Um relatório liberado pelos serviços de inteligência do Departamento de Defesa dos EUA, datado de setembro de 1991, mostra uma lista que inclui o cabeça do cartel de Medellín, Pablo Escobar. O número 82 da lista é ninguém menos do que Alvaro Uribe Velez – ‘político e senador colombiano dedicado à colaboração com o Cartel de Medellín a partir dos altos escalões governamentais”, diz o artigo. Essas são as referências de José Serra.

S.C. 

junho 10, 2010

Tucano trava, Dilma cresce e o PT vai pro divã tratar dos traumas da militância

Charge do Amarildo
Postada em Boca Digital

Fácil não foi. Engolir Hélio Costa, em Minas Gerais, e Roseana Sarney, no Maranhão, foram os desafios mais difíceis e traumáticos para a militância petista. Mas o PT precisava consolidar o apoio do PMDB e, com isso, enfiar mais uma estaca no peito do adversário.

Política é um processo que envolve muita estratégia e humildade. O PT cresceu muito nos últimos anos. Em 2011, será provavelmente o maior partido do Congresso Nacional e, ganhando Dilma, seguirá ocupando a presidência da república quiçá por mais oito anos. Com tantos dedos precisando de cuidados, deve ter a sabedoria de não querer todos os anéis para si.

As eleições deste ano têm uma importância que ultrapassa as questões regionais. Os interesses em jogo desta vez são realmente pesados. Uma vitória de Serra representaria um retrocesso dramático para a política de integração sulamericana e para as articulações geopolíticas das nações emergentes.

Prefiro, contudo, não ser tão fatalista. Os povos sulamericanos já conviveram com inúmeras derrotas, mas sua combatividade nunca esmoreceu. Seguiram lutando, incansavelmente, até porque, para eles, política não é dilentantismo. É luta de vida ou morte. Uma eventual derrota no Brasil seria um passo atrás, mas as forças populares logo se rearticulariam e, mais animadas que nunca, voltariam às trincheiras para defender seus direitos.

Seja como for, Dilma Rousseff desponta, nestas eleições, como grande favorita. O PT até agora vem fazendo tudo certo. Os erros foram mínimos. O caso do dossiê fantasma, por exemplo, teve uma função salutar: foi um exercício de guerra. Perdeu-se um soldado, mas isso faz parte do jogo. A saída de Lanzetta, articulada rapidamente, esvaziou o discurso da oposição midiática. É incrível a força da mídia para estigmatizar uma pessoa. O Globo e a Veja acharam a fotinha mais horrorosa possível de Lanzetta, com barba por fazer e os olhos inchados, e a mostravam regularmente, apavorando as recatadas senhoras de classe média que ainda tem coragem de acompanhar o noticiário.

O próximo passo das forças aliadas é impedir que o PSDB se alie ao PP, o que já está conseguindo. Se conseguir quebrar o acordo já meio que firmado entre tucanos e o PSC, ótimo. Mas nem é tão necessário. Apenas com as alianças que já possui, Dilma deverá ter quase o dobro do tempo de televisão de José Serra. Com isso, poderá neutralizar grande parte dos ataques vindos da mídia conservadora.

Não há muita novidade nas estratégias de Serra. Ele tentará golpes sujos e seus aliados são, como sempre, a Veja e os jornalões, que pautam as redes de TV e toda a imprensa nacional.

O inimigo mais perigoso ainda é a Rede Globo, que tem efetivamente poder para causar um abalo de última hora, a famosa "bala de prata". Mas, como já disse, o enorme tempo de TV à disposição de Dilma lhe dá alguma segurança também nessa batalha.

E a blogosfera, perguntarão vocês? Qual será seu papel?

Ela será fundamental na condução da luta ideológica, sobretudo entre as classes mais instruídas. O próprio fato de Serra ter força entre as elites confere à blogosfera uma função primordial. À blogosfera de esquerda caberá confundir, desmobilizar e, por fim, trazer para seu lado, os soldados à serviço da plutocracia. Recente pesquisa nos mostrou que cerca de 90% dos profissionais da imprensa apóiam Lula. Eles estão silenciosos, apáticos e acovardados, diante da brutalidade opressiva que tomou conta das redações.

A campanha na blogosfera, feita em alto nível, pode fazer com que esses jornalistas e outros profissionais, que vivem à sombra da aristocracia patronal, vislumbrem em si mesmos um brilho de liberdade e altivez, e senão podem passar para o outro lado das trincheiras, poderão, ao menos, fazer corpo mole e não contribuir para a vitória de seus algozes. O samba e a capoeira ecoam alto nas senzalas de todo Brasil, mas nem todos na Casa Grande estão assustados. As mocinhas elegantes, que jantam, silenciosas, junto ao pai severo, batem o pé, discretamente, por baixo de suas enormes saias rendadas.

Fonte: Óleo do Diabo

junho 07, 2010

Ferreira Gullar, o reacionário

Ferreira Gullar

Oleo do Diabo


Posted: 06 Jun 2010 06:56 AM PDT
O poeta Ferreira Gullar publica hoje, no caderno de cultura da Folha, um artigo melancólico, desinformado, reacionário e pró-guerra. Considero-o mais uma daquelas vítimas da mídia. Na década de 60, tínhamos o poeta Augusto Frederico Smith, outrora um generoso e boêmio editor, que publicara obras do comunista Graciliano Ramos, participando ativamente do histérico macartismo patrocinado pelos meios de comunicação. Histérica e oportunista, porque sempre visando enfraquecer a esquerda democrática representada pelo PTB e pelo presidente João Goulart.

O texto é inteiramente equivocado, e precisarei apelar para aquela estratégia de fazer comentários intercalados.


Ferreira Gullar: Entre o diálogo e a bomba

Como pode Lula afirmar que está aberto ao diálogo um regime que não tolera divergência, como o do Irã?

O ATUAL REGIME do Irã é um atraso. Trata-se de uma ditadura teocrática intolerante e cruel que não permite aos cidadãos iranianos manifestar-se contra qualquer decisão do governo.

As últimas eleições, que mantiveram no poder Ahmadinejad, foram descaradamente fraudadas e todas as manifestações populares de protesto, brutalmente reprimidas por tropas militares, sendo seus líderes, presos e condenados à morte.

[Todo mundo agora fica chamando o Irã de "ditadura", o que é conceitualmente confuso, visto que o país elege seus governantes através do sufrágio universal. O resultado das eleições do Irã foi confirmado pelo sistema judiciário do país. É, no mínimo, temerário afirmar que houve fraude sem atentar para a campanha política patrocinada pelos EUA para desestabilizar o regime. Gullar apela para o exagero e a desinformação. Vários líderes foram presos, mas consta que somente alguns foram condenados à morte. Em função da notícia, publicada no New York Times, de que os EUA lançaram uma ofensiva clandestina contra o oriente médio, voltada principalmente para o Irã, cujo objetivo era fazer alianças com grupos de dissidentes (leia-se patrociná-los) políticos para que, numa futura guerra contra o país, tivessem auxílio interno, nada prova que os condenados pelo regime iraniano não fossem traidores a soldo dos serviços secretos americanos.]

Às vésperas da visita de Lula a Teerã, cinco deles haviam sido executados. O fanatismo religioso e o ódio aos discordantes é de tal ordem que os cega, a ponto de negarem, perante o mundo, fatos históricos incontestáveis como o massacre de judeus nos campos de concentração nazistas e a destruição das Torres Gêmeas.

[Há manipulação nas falas do presidente iraniano. Lula, que já conversou com ele sobre esse tema, explicou que ele não nega o Holocausto, mas lembra que na II Guerra morreram 60 milhões de pessoas, e 6 milhões de judeus. Não houve somente morte de judeus, portanto. Morreram 20 milhões de russos, por exemplo. Ninguém nega a destruição das Torres Gêmeas. Gullar não pode pegar a afirmação de algum fanático iraniano e fazer disso uma posição oficial do Estado. Os EUA tem fartura de fanáticos que também negam o 11 de setembro.]

Tamanha insensatez e intolerância, que beiram o ridículo, resultaram no isolamento do Irã, mesmo no Oriente Médio. Não obstante tudo isso, o presidente Lula tomou a iniciativa de romper esse isolamento e oferecer seu apoio fraternal ao governo de Ahmadinejad.

[Lula não ofereceu apoio fraternal. Ofereceu mediação. O isolamento do Irã ocorre por parte das potências atômicas ocidentais, e não da comunidade internacional. Tanto que a Rússia continua vendendo mísseis para o Irã e a China é a maior compradora de petróleo do país. Gullar tem uma visão colonizada e anacrônica de achar que o mundo é Europa e EUA. O mundo cresceu e a maior parte dele não isola o Irã.]

É impossível não perguntar: mas por quê? É, sem dúvida, uma atitude surpreendente, difícil de entender. Vejam bem: o Brasil não tem nem nunca teve vinculações estreitas, de qualquer tipo, com o Irã. Não há nenhum objetivo, seja político, seja comercial, que justifique arrostarmos com tamanho desgaste ao apadrinhar um regime repressor e movido pelo fanatismo.

[O Brasil ofereceu mediação porque é membro do Conselho de Segurança da ONU. Não-permanente, mas mesmo assim, membro. Esse cargo implica responsabilidades geopolíticas. O Brasil tem sim objetivos políticos e comerciais para se meter nesse imbróglio. O oriente médio se tornou um dos principais mercados brasileiros, com destaque para o Irã, que é o quinto ou sexto maior comprador da carne brasileira. Os objetivos políticos são ainda mais explícitos. O Brasil abriu espaço para o mundo emergente, deixando claro que as grandes decisões de guerra e paz agora devem ser tomadas pelo conjunto da comunidade internacional. ]

Pior ainda: o apadrinhamento de Lula a Ahmadinejad implica a tentativa de justificar o projeto iraniano de fabricar armas atômicas, contrariando assim o Tratado de Não Proliferação, de que, como o Brasil, é signatário.

[Não há nenhuma prova de que o Irã pretenda construir bombas atômicas. Os EUA justificaram seu ataque ao Iraque com dossiês secretos que provavam a existência de armas de destruição em massa. Era mentira. Por que razão o mundo deve, mais uma vez, se curvar submissamente às tendenciosas acusações americanas?]

Lula faz que não vê, mas não pode ignorar as artimanhas do regime iraniano para escapar à fiscalização da Comissão de Energia Atômica, fingindo disposição de dialogar quando, de fato, tudo o que pretende é ganhar tempo e dar prosseguimento a seu projeto nuclear militar.
Assim foi que, diante de uma nação brasileira perplexa, Lula promoveu um encontro em Teerã com o presidente iraniano e o premiê da Turquia para produzir um suposto acordo que mostrasse a boa vontade do Irã em resolver o impasse.

[O Irã tem aberto suas instalações à Agência Internacional de Energia Atômica e acaba de assinar um acordo duríssimo exigido pela mesma entidade. Não fingiu disposição para o diálogo. Efetivamente dialogou. Gullar faz acusações sem provas ao Irã. Isso se chama irresponsabilidade. Não vimos nenhuma "nação brasileira perplexa", e sim orgulhosa. Gullar confunde seus amiguinhos do Leblon com a "nação brasileira". ]

Mal o assinaram (nele, o Irã prometia entregar 1.200 kg de urânio para serem enriquecidos na Turquia), um porta-voz iraniano declarava que o país continuaria a enriquecer urânio em suas centrífugas. Que sentido tinha então aquele acordo, se o objetivo era o Irã desistir de enriquecer urânio e assim inviabilizar a construção da bomba?

[Gullar está extremamente desinformado. O acordo nunca teve o objetivo de fazer o Irã desistir de enriquecer o urânio, porque as regras internacionais permitem que qualquer país use energia atômica para fins pacíficos. Para fazê-lo, é preciso, naturalmente, desenvolver tecnologia de enriquecimento de urânio. O acordo previa a transferência de 1.200 quilos para outro país, de forma a eliminar as desconfianças das potências nucleares, mas permitia que o Irã prosseguisse enriquecendo parte de seu urânio.]

Sabe-se que o próprio Lula se surpreendeu com essa declaração do governo iraniano, mas, de novo, fechou os olhos e insistiu em avalizar as boas intenções do Irã, enquanto criticava os membros do Conselho de Segurança da ONU, que se dispunham a impor-lhe sanções.

[A surpresa de Lula não foi com a declaração do Irã de que continuaria a enriquecer urânio, e sim o timing da declaração, que foi feita para satisfazer setores linha-dura do regime iraniano.]

Mas isso é coisa sabida e debatida. Difícil é entender por que Lula tomou essa posição, arvorando-se em defensor de um regime antidemocrático e ideologicamente primário, comprometendo desse modo o prestígio de nossa diplomacia, por todos respeitada, graças ao equilíbrio e isenção com que sempre atuou.

[Lula não defendeu o regime iraniano. Defendeu o diálogo e o respeito. O mundo respeita ditaduras muito mais fechadas e autoritárias que o Irã, como a Arábia Saudita e a China. Não vejo motivo para não respeitar o Irã, sendo que ele, repito, tem características bem mais democráticas que outros países.]

Como pode Lula afirmar que está aberto ao diálogo um regime fundamentalista que não tolera divergências? Todas as tentativas de entendimento com o Irã, promovidas pela ONU, fracassaram. Mas, Lula, sempre tão esperto, quando se trata de Ahmadinejad, faz-se de tolo, confia em tudo o que ele diz. Custa crer.

[Tentativas anteriores fracassaram não apenas por culpa do Irã, mas pela arrogância das potências. Lula não "confia" em Ahmadinejad, e sim no Estado iraniano e na capacidade da Agência Internacional de Energia Atômica de fiscalizar o programa nuclear do país.]

Chego a pensar que a explicação esteja em certas declarações suas, como aquela em que negou aos Estados Unidos e à Rússia autoridade para impedir que o Irã fabrique armas atômicas, uma vez que ambos possuem arsenais nucleares.

Com isso, desautorizou o Tratado de Não Proliferação e admitiu implicitamente que qualquer país -inclusive o Brasil- tem o direito de fazer a bomba. Seria essa sua verdadeira intenção, embora nossa Constituição o proíba? Talvez não.

[Irresponsável leviandade. Ridículo. Ainda termina com esse "talvez não" fariseu. Fulano é estuprador, assassino e pedófilo? Talvez não. Fala sério.]

Mas, no Fórum Mundial de Aliança das Civilizações, ao afirmar que o Brasil deseja um mundo sem armas nucleares, voltou a defender a tese, como se não fazer a bomba fosse uma concessão do Irã. E insistiu na necessidade de se preservar a paz no Oriente Médio. Mas não é o Irã que promete pôr fim ao Estado de Israel? Pretende fazê-lo pelo diálogo?

[O Irã tem feito declarações agressivas a Israel, mas as traduções são sempre exageradas e manipuladoras. De qualquer forma, nunca passam de ataques verbais. Enquanto isso, Israel comete crimes hediondos concretos contra as leis internacionais. Claro que é pelo diálogo! Gullar prefere o quê? A guerra? Sanções na adiantam nada. O último país do oriente médio a sofrer sanções foi o Iraque, o que apenas serviu para radicalizar o país e fortalecer setores políticos internos ligados ao militarismo.]

maio 23, 2010

A internet nas eleições presidenciais

Internet
A internet nas eleições presidenciais


Interessante essa matéria no Estadão. Por isso que eu digo, e estou falando sério, que ainda acredito na imprensa. Se ela botassse de lado essa loucura ideológica, superasse essa fobia anticomunista, essa mania de ver bolcheviques embaixo da cama, dentro do armário, em toda parte, e se limitasse a participar de forma transparente dos debates... Querem ser conservadores? Ótimo. Isso abre mais espaço para a blogosfera de esquerda. Mas sejam francos e honestos. Em vez de falarem tanto em ética, exerçam-na. Voltando à matéria, destaco as informações mais interessantes:

* 25% dos domicílios brasileiros têm internet, ou 13,5 milhões de casas.

* No Nordeste, apenas 13% dos lares tem internet.

* Acesso à internet em famílias com renda de 1 a 2 salários mínimos cresce a média anual de 69%

* 2% dos internautas acessam páginas com o conteúdo político. Nos EUA, são 9,8%.

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maio 09, 2010

Lula lá!

1 de maio - Dia do Trabalhador
Foto: Rogelio Casado - S.Bernardo do Campo-SP, 1970

Nota do blog: 1 de Maio de 1979. Volúnia brinca com meu filho mais velho, Pablo, que fora passar as férias comigo em Diadema-SP. Ali fiz formação em psiquiatria social na Comunidade Terapêutica de Oswaldo Di Loreto. Grande Di Loreto, que há pouco nos deixou. Os trabalhadores metalúrgicos do ABCD ocupam o estádio de Vila Euclides, em S. Bernardo do Campo. Helicópteros sobrevoam o lugar. O Exército nacional está nas ruas. Silene, mãe de Pablo, está visivelmente tensa. No Amazonas, nunca vivenciara nada parecido. Contrastava com a alegria dos trabalhadores que aguardavam Lula, líder das greves operárias daquele período - período que antecedeu a criação do Partido dos Trabalhadores. Na porta do estádio, a Convergência Socialista ostentava uma faixa com a frase: "A burguesia treme nas bases, o operariado está prestes a tomar o poder". Não foi bem assim. Aliás, sequer tomamos o poder. Estão aí as alianças que não me deixam cair em contradição. São elas que travam as reformas que não avançaram sob a liderança do "sapo barbudo", como Brizola chamava Lula, atual presidente do Brasil, e o líder político mais influente do planeta, segundo o Time. Mas o clima era pré-revolucionário. Assim sentenciava Francisco Weffort em suas análises. Com nossas primeiras derrotas, pragmático e apressadinho, ele foi um dos intelectuais que deixou o PT para servir o governo FHC, durante oito longos anos, e que por pouco não leva o Brasil à bancarrota. Com o fracasso do neoliberalismo, Weffort e seus pares entraram no ostracismo. Não raro, aqui e ali, eles ressurgem do limbo para destilar veneno. Perderam o bonde da história, mas não perdem a viagem quando surge uma oportunidade para denegrir o partido que ajudaram a criar. Não conseguem disfarçar o mal-estar pela sinecura perdida, projetando nos seus antigos companheiros o ressentimento de quem alimenta, secretamente, o inconfessável desejo por uma "boquinha". Essa crítica vil tem endereço e intenções indisfarçáveis. É o sintoma mais visível da desfiguração do exercício crítico do pensamento, reduzido à sua mais baixa potência. Ações de governo, lá e cá, estão a merecer avaliação crítica rigorosa. É da natureza do ofício do intelectual orgânico. Aos que perderam a organicidade, é bom lembrar que o andor sobre seus ombros é de barro. É aceitável que os militantes da Convergência Socialista façam sua leitura numa visão reducionista da realidade política. Mas é sofrível constatar a visão superficial com que se interpreta a falsidade dos costumes políticos de ontem e de hoje. Lula, que não cursou o ensino superior, consegue ser mais denso. Leia e constate na entrevista que ele concedeu ao jornal El País, da Espanha, publicada no dia de hoje, traduzida pelo inquieto Miguel do Rosário, do Óleo do Diabo.

Se queres, podes ler em espanhol: El País. 
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maio 04, 2010

Miguel do Rosário e outros "bichos escrotos"

Miguel do Rosário
Foto publicada no Portal do Nassif
Oleo do Diabo


Bichos escrotos

Tenho lido todos os jornais e visitado muitos blogs, diariamente. Nada me chamou mais a atenção, porém, nos últimos dias do que um post do Eduardo Guimarães, intitulado "Meu nome não é osso", o qual reproduzo abaixo:


Meu nome não é ossoNão consigo entender como é que pode alguém como eu, um mero comerciante, um blogueiro que nem jornalista é, alguém
que não tem ligações com políticos, com sindicatos nem nada, fazer tanta gente assim se preocupar com o que escreve ao ponto de organizarem ataques contra si.


Até entendo gente que gosta do que escrevo falar de mim por aí, pois entre os que pensam da mesma forma, num momento em que há uma enxurrada de um viés de pensamento político inundando todos os grandes meios de comunicação, essas pessoas acabam se refugiando em qualquer espaço em que resista a opinião massacrada.


Claro que quando a gente se expõe, como faço, há bônus como o de vez por outra alguém me parar em algum lugar público para perguntar se eu sou eu e para me cumprimentar, mas há o ônus dos que me conhecem, não gostam do que digo e me atacam por aí.


Todavia, o caso que relatarei me surpreendeu. É primeira vez que tomo conhecimento de ter sido atacado como se fosse alguém que valesse a pena e por gente que nem conheço.


Semana passada, a Carla, minha filha primogênita, casada e mãe de uma menina de 9 anos, que trabalha de dia e estuda à noite, veio da aula na faculdade direto para a minha casa. Estava indignada e queria falar comigo.


Passou-se o seguinte, com ela: estava em uma aula de antropologia dessa universidade privada paulistana em que estuda quando a professora começou a discorrer sobre política, o que minha filha relata que essa mestra costuma fazer quase sempre.


Já não acho certo professores de qualquer nível ficarem vendendo ideologias e posições políticas aos seus alunos, sejam opiniões de direita ou de esquerda. Mas quando um professor universitário faz isso para uma classe repleta de alunos, inclusive usando linguagem chula, aí já é demais.


Vejam só a cena: minha filha ali, em sala de aula, e, de repente, escuta a tal professora, enquanto atacava a parte da blogosfera que se opõe à mídia convencional, proferir a seguinte barbaridade:


“E agora surgiu um escroto de um blogueiro petista chamado Eduardo Guimarães que fica acusando a imprensa de ter partido”.


Minha filha relata que o sangue lhe subiu à cabeça. Interrompeu a professora para informá-la de que o Eduardo Guimarães de quem ela estava falando era o seu pai, para reclamar do baixo nível de seu discurso e para pedir respeito a opiniões divergentes.


E não é que a tal “professora” teve a coragem de reiterar o insulto ao pai de uma aluna na frente dos colegas dela durante a aula. Minha filha, então, saiu da classe e foi reclamar à reitoria, mas esta, até agora, não tomou providências. Será que o MEC não gostaria de saber desse tipo de prática?


Por enquanto, não mencionarei qual é a instituição de ensino. Mas não garanto que isso não acontecerá se providências não forem tomadas. Até porque, não é aceitável professores de qualquer nível agirem dessa forma.


Mas só me faltava essa, agora: ser atacado em salas de aula por aí. Onde mais tem gente me insultando para platéias de dezenas de pessoas? Para quantas platéias de alunos e em quantas instituições de ensino e por quantos outros professores estou sendo atacado?


O mais ridículo de tudo isso é se darem ao trabalho de detratarem alguém que apenas escreve o que pensa e que atinge uma mísera parcela das poucas pessoas que se interessam por política em um país de quase duas centenas de milhões de habitantes.


E ainda usando termos como “escroto”!!?


Minha cara professora, se a senhora quiser lavar a mente dos seus alunos, enquanto a lei permitir é um direito seu. Mas, pelo menos, escolha alvos maiores e use termos compatíveis com os de um professor universitário.
Não tenho muito o que comentar. Gostaria apenas de expressar minha perplexidade. Que mulher ignorante! A própria presidente da ANJ, Judith Brito, afirmou categoricamente que a imprensa está fazendo o papel de oposição no país. E que falta de educação!


Por outro lado, que enorme ironia! A filha do Eduardo Guimarães estava presente na sala. Ergueu-se e protestou em voz alta. A professora terá de retratar-se publicamente.


O que pensar da atitude dessa professora senão que é um lamentável ato de desespero? Milhares de pessoas penduraram seus intelectos, confortavelmente, nos cabides que a mídia oferecia, e achavam que eles estavam muito bem protegidos. E agora contemplam, estarrecidas, seus intelectos cheios de mofo, estragados, incapazes de entender a realidade política de um país que, por culpa da informação distorcida que devoravam sem critério, não mais conhecem.


Houve tempo em que o sujeito pedia um café expresso e lia a Folha e achava que estava sendo muito inteligente. O tempo passou e agora sabemos que o mesmo sujeito pode ser o mais burro de todos.


Além do mais, mais gente vem se dando conta que não se pode confundir "liberdade de imprensa", com a astuciosa defesa que a imprensa faz de seus próprios interesses corporativos. E mais gente andou fuçando livros de história e arquivos e descobriu que a imprensa brasileira não tem um passado muito bonito no que se refere aos tais ideias democráticos.


Ao contrário, o golpe de Estado de 1964, que rasgou a jugular política do país e deixou-a no ar, jorrando sangue por 21 anos, foi combinado, fomentado e articulado dentro das redações. Os núcleos militares, intelectuais e políticos foram envenenados, inflados e/ou marginalizados em meio à pensada histeria que tomou conta dos jornais de 1962 a 1964, para não mencionar a crise de 1954, que quase culminou em golpe.


Tem um livro que estou lendo que fala disso, dessa presença, na história de hoje, do espírito do passado. Os grandes fatos históricos permanecem no espírito do tempo. Suas lembranças continuam a correr no sangue da sociedade contemporânea.


O "blogueiro petista escroto" que denuncia o partidarismo da mídia, professora, não está sozinho nessa empreitada. Luis Nassif, Azenha, Miguel do Rosário, e tantos outros, somos todos (como diria os Titãs) bichos escrotos, saindo dos lixos, ratos entrando nos sapatos dos cidadãos civilizados. Oncinha pintada, coelhinho peludo, professoras estúpidas, vão se... danar, porque aqui na face da terra só bichos escrotos, é que vai ter!


Acesse http://www.oleododiabo.blogspot.com/