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outubro 13, 2010

Luz e trevas: um discurso libertário e uma paródia do discurso das classes médias incultas

rasdiegosa | 4 de novembro de 2008
XII Festival Nacional a Imagem em 5 Minutos 2008- Violentamente Pacífico é um video de Gabriel Teixeira realizado no Bairro da Paz(Periferia de Salvador-BA) entrevistando Ras Mc Léo Carlos cidadão Ativamente Cristão morador do bairro.ARTE-EDUCADOR, LIBERTARIO, RESISTINDO PACIFICAMENTE, SENDO VIOLENTAMENTE PACIFICO COM RESPONSABILIDADE SOCIAL.
VIVENCIANDO A POLITICA ESPIRITUAL DA VERDADE COMO ORDENA JAH O PAI CELESTIAL.
ABRAÇANDO A SOLUÇÃO ONDE TEMOS A CERTEZA QUE TUDO É DE TODOS POR TODOS E PARA TODOS E QUE TODOS TEM QUE TER ACESSO A TUDO. ISTO EU ACREDITO E PRATICO NO MEU DIA DIA NAS MINHAS AÇÕES E PENSAMENTOS ISTO É MINHA VIDA.
VIVER PARA VIVER AleluJah!! Haile Eu Selassie Eu Shalom Adonai Yeshua HaMashiack!

***

Vou votar no Serra

"VOU VOTAR NO SERRA! Desculpem, amigos, vou votar no Serra; não precisam mais me mandar e-mails de Dilma, lésbica, guerrilheira e etc... "Cansei...Basta"! Vou votar no Serra.

Cansei de ir ao supermercado e encontrá-lo cheio. O alimento está barato demais. O salário dos pobres aumentou e qualquer um agora se mete a comprar carne, queijo, presunto, hambúrguer e iogurte. Cansei dos bares e restaurantes lotados nos fins de semana. Se sobra algum, a gentalha toda vai para a noite. Cansei dessa demagogia. 

Cansei de ir em shopping e ver essa tigrada desclassificada comprando e desfilando com seus celulares. O governo reduziu os impostos para os computadores. A internet virou coisa de qualquer um. Pode? Até o filho da manicure, pedreiro, catador de papel, agora navega...

Cansei dos estacionamentos sem vaga. Com essa coisa de juro baixo e tudo a 60 meses agora todo mundo tem carro, até a minha empregada. " É uma vergonha! ", como dizia o Boris Casoy. Com o Serra os congestionamentos vão acabar porque, como em São Paulo, ele vai instalar postos de pedágio nas estradas brasileiras a cada 35km e cobrar caro.


Cansei da moda banalizada. Agora, qualquer um pode botar uma roupa de confecção. Tem até crédito oferecido pelo governo. O que era exclusivo da Oscar Freire agora se vende até no camelô da 25 de Março e no Brás. Vergonha, vergonha, vergonha... 

Cansei de ir a banco e ver aquela fila de idosos no Caixa Preferencial, todos trabalhando de office-boys.

Cansei dessa coisa de biodiesel, de agricultura familiar. O caseiro do meu sítio agora virou "empreendedor" no Nordeste. Pode? 

Cansei dessa coisa assistencialista de Bolsa Família. Esse dinheiro poderia ser utilizado para abater a dívida dos empresários de comunicação (Globo, SBT, Band, RedeTV, CNT, Folha de SP, Estadão, etc.). A coitada da Veja passando dificuldade e esse governo alimentando gabiru em Pernambuco. É o fim do mundo! 

Cansei dessa história de PROUNI, que botou esses tipinhos sem berço na universidade. Até índio, agora, vira médico e advogado. É um desrespeito... Meus filhos, que foram bem criados, precisam conviver e competir com essa raça. 

Cansei dessa história de Luz para Todos. Os capiaus, agora, vão assistir TV até tarde. E, lógico, vão acordar ao meio-dia. Quem vai cuidar da lavoura do Brasil? Diga aí, seu Lula...

Cansei dessa história de facilitar a construção e a compra da casa própria. E os coitados que vivem de cobrar aluguéis? O que será deles? 

Cansei dessa palhaçada da desvalorização do dólar. Agora qualquer um tem MP3, celular e câmera digital. Agora qualquer umazinha, aqui do prédio, vai passar férias no exterior e compras em Miami. Na MINHA Miami! E os aeroportos, então? Entupidos! É o fim... Vou votar no Serra. 

Cansei, vou votar no Serra, porque quero de volta as emoções fortes do governo de FHC, quero investir no dólar em disparada e aproveitar a inflação. Investir em ações de estatais quase de graça e vender com altos lucros. 

Chega dessa baboseira politicamente correta, dessa hipocrisia de cooperação. O motor da vida é a disputa, o risco... Quem pode, pode, quem não pode, se sacode. Tenho culpa se meu pai era mais esperto que os outros para ganhar dinheiro comprando ações de estatais quase de graça? Eles que vão trabalhar, vagabundos, porque no capitalismo vence quem tem mais competência. É o único jeito de organizar a sociedade, de mostrar quem é superior e quem é inferior. 

Quero os 500 anos de oligarquia autoritária, corrupta e escravizante de volta. Quero também os Armínios Fragas & outros pulhas, que transformaram a Vale e a Embratel em meros ativos para vender a preço de banana para os "amigos do rei". Quero de volta a quadrilha do FHC, escondendo escândalos, maracutaias e compra de votos no Congresso. Onde já se viu: nesta terra sem lei chamada Brasil, só a direita corrupta tem o direito de roubar, o resto tem que trabalhar duro com salário de fome, para os tubarões, empresários e banqueiros comprarem seus jatinhos e iates além de mandarem dinheiro para paraísos fiscais.

Quero o Serra & quadrilha fazendo pelo país o que fez com os funcionários públicos, professores, médicos e policiais do estado de São Paulo, que passaram 14 anos à míngua. Tem que arrebentar essa pobralhada. 

Eu ia anular, mas cansei. Basta! Vou votar no Serra. Quero ver essa gentalha no lugar que lhe é devido. Quero minha felicidade de volta! 


Estou com muito medo! Isso está DILMAis!"


Nota do blog: A hilariante paródia acima, que catei no XAD CAMOMILA, vem sendo replicado em vários blogs, desde que ele foi postado por uma leitora do blog do Nassif. Sua autora é a psicanalista Rita de Cássia de Araújo Almeida. Trata-se de um exemplo raro, já que a maior parte dos seus pares agem como semi-deuses, sem saber que é hora de virar a mesa. Dedico esta postagem ao Carlos Latuff.

julho 21, 2010

Quando a guerra é a pior estratégia

Rita

Quando a guerra é a pior estratégia

Rita de Cássia de Araújo Almeida
trabalhadora da rede de saúde mental do SUS

Não faz muito tempo que a questão do abuso ou dependência de drogas ilícitas deixou de ser “caso de polícia”, pelo menos no âmbito legal. Para sermos mais específicos é a partir da lei n° 11.343/2006 que traficante e usuário de substâncias ilícitas são colocados em territórios distintos. Enquanto o primeiro continua sendo problema de segurança pública, o último passa a ser preocupação das políticas de saúde. 

Lamentavelmente, apesar de contarmos com esse avanço legal importante, que descriminaliza o usuário ou dependente, o uso de drogas ilícitas ainda permanece envolto em uma nuvem de preconceitos e mitos, que contaminam nossa forma de abordar o tema, em especial quando o assunto é tratamento. Infelizmente, ainda enxergamos uma associação direta entre o uso de drogas e delinqüência ou criminalidade, visão exaustivamente reforçada pela mídia. 

Isso tem gerado uma certa confusão quando o assunto é oferecer tratamento para o sujeito que se encontra adoecido pelo uso de drogas. Além de vítima da doença, ele se torna também vítima do preconceito e da retaliação da sociedade, o que intensifica os danos, ainda mais quando o sujeito já se encontra em estado de vulnerabilidade social.

O SUS tem sido convocado a dar respostas para tal problemática, que cada vez mais é colocada como evidente e urgente, especialmente com a chamada “epidemia do crack”. Entretanto, a nuvem de preconceitos que envolve o tema precisa ser dissipada, para que não façamos política de saúde utilizando estratégias de guerra. Sabemos que as guerras produzem sempre muitas vítimas e muito poucas soluções, e nesse caso, as vítimas tem sido aqueles para os quais as políticas deveriam oferecer cuidado: os drogadictos.

É importante reiterar: não se faz política de saúde utilizando estratégias de guerra, pelo menos, não quando a intenção é democratizar, humanizar e promover a inserção social, diretrizes fundamentais da política de saúde mental que o SUS vem implementando. Por isso, precisamos abolir formas de tratamento que se utilizem de verbos do tipo: combater, reprimir, tutelar, capturar, aprisionar, perseguir, ameaçar, cercear, coibir, atacar ou amedrontar. Técnicas muito úteis quando se está numa frente de batalha. Por outro lado, precisamos reforçar estratégias de tratamento que façam uso dos verbos: cuidar, acolher, compreender, abrigar, escutar, oferecer, apaziguar, esperar, confiar, apoiar e possibilitar, essas sim, fortalecedoras de laço e produtoras de vida.

Muito se fala sobre a morte como destino do sujeito adoecido pelo uso de drogas, mas o que não se diz é que a morte que realmente ameaça esse sujeito é a “morte social”. Esta sim é a mais perigosa, a que chega primeiro e a que, se não cuidada em tempo, pode provocar a morte do corpo. Isso nos indica que em se tratando de política de saúde não estamos, ou pelo menos não deveríamos estar, em guerra contra as drogas ou contra aqueles que as utilizam, já que esse é o caminho mais rápido para acelerarmos tal “morte social”.

Concluindo, fazer alguma coisa em política de saúde não significa fazer qualquer coisa. Sendo assim, para propormos formas de cuidado e tratamento aos sujeitos adoecidos pelo uso de drogas é fundamental que não esqueçamos que nosso compromisso é com as pessoas e com a vida, coisas que numa guerra possuem o valor de quase nada.
 
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