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novembro 23, 2010

Homenagem a Valter Calheiros, um dos fotógrafos do SOS Encontro das Águas

PICICA: Na pessoa do Valter Calheiros homenageio os fotógrafos profissionais e amadores que dão materialidade aos textos dos militantes das lutas sociais e da pesquisa científica. Veja esta colagem de algumas das centenas de fotografias que ele fez sobre a presença de pesquisadores e jornalistas na cobertura e mapeamento do sítio onde foram localizadas as pinturas rupestres na região das Lajes, próximo do lugar onde a incúria empresarial pretendia construir um terminal portuário, só agora inibida pelo tombamento do Encontro das Águas. Aproveite para ver outros fotógrafos que registraram a maior seca já vivida na Amazônia Setentrional, bem como o importante achado arqueológico acima mencionado, que despertou interesse da comunidade científica internacional. Para tanto, acesse Último Segundo.
EM TEMPO: Mensagem recebida pelo Valter Calheiros, por email:
Dear Valter Calheiros,
Antonio Regalado our correspondent in Latin America asked me to email you. We at Science would like to see examples of your recent photographs of neolithic carvings, and may consider publishing one of them.

Thank You,
Lauren Schenkman

Lauren Schenkman
reporter, Science magazine
+1.202.326.7089

Veja uma das riquezas arqueológicas da região das Lajes, no Encontro das Águas

PICICA: Esta riqueza arqueológica descoberta pelos pescadores da região das Lajes (área situada no Encontro das Águas dos rios Negro e Solimões, que formam o rio Amazonas, em território brasileiro), foi comunicada para o pesquisador Akira Tanaka, do Centro de Projetos e Estudos Ambientais do Amazonas e o fotógrafo Valter Calheiros, do movimento socioambiental "SOS Encontro das Águas". Depois da imprensa local (jornal A Crítica, TV Amazonas), a mídia nacional (revista Época) e organizações científicas internacionais, como a Revista Science, dos Estados Unidos da América, iniciaram o processo de comunicação deste importante achado arqueológico para a comunidade científica e a opinião pública de um modo geral. Em Manaus, os arqueólogos Raini Vale (MAE-USP) e Helena Lima (UFAM), começaram o mapeamento do lugar. Segundo o arqueólogo Eduardo Góes Neves (USP/UEA), conselheiro do IPHAN que atuou como relator do processo de tombamento do Encontro das Águas como patrimônio nacional, este é um dos fatos mais auspiciosos para o estudo da civilização indígena que habitava o vale amazônico. Os críticos obtusos, empenhados em apoiar projetos de desenvolvimento danosos ao ambiente, estão "correndo da sala pra cozinha" para produzir novos argumentos que garantam a construção de um terminal portuário na região. Uma parte da imprensa juvenil aqui praticada, alegava que os ambientalistas estavam criando dificuldades por causa da presença de "ninhos de tico-tico" no lugar, uma forma jocosa de desqualificar o tombamento vitorioso, fruto da luta social. Vão ter que encontrar argumentos mais inteligentes, porque pilhérias não constróem verdades. O PICICA está de olho. As fotografias, abaixo, são de Valter Calheiros, quem primeiro documentou este acervo da cultura amazonense.

julho 24, 2010

Catalão pede socorro


O movimento SOS Encontro das Águas vem alertando que os limites do Encontro das Águas - onde nasce o rio Amazonas em território brasileiro, a partir do encontro dos rios Negro e Solimões - vai mais além do que registram os cartões postais.

A Comunidade da Costa do Catalão - Município de Iranduba faz parte do Entorno do Encontro das Águas.

O Catalão é uma comunidade afetada pelo fenômeno das terras caídas - erosão fluvial - onde a correnteza forte do rio Solimões  destroe as margens da comunidade.

Como o rio Amazonas é considerado um rio jovem, o fenômeno se estende pelas suas margens em quase todo o seu trajeto. Ao longo dos anos é possível verificar as mudanças provocadas pela erosão das margens dos rios, em alguns trechos dando lugar a praias antes inexistentes.

As fotografias da Comunidade do Catalão, aqui postadas, foram feitas no final de junho/2010 pelo fotógrafo Valter Calheiros. O que se vê é a redução do território, levada pelas águas, onde habitam comunidades tradicionais.
 
Por causa das terras caídas a população está solicitando à Prefeitura de Iranduba outro terreno em terra firme. Não precisa consultar a mãe Dinah para prever que a comunidade do Catalão está vivendo seus últimos anos de existência.

Contra um fenômeno natural a sociedade nada pode fazer, mas esta última pode fazer a diferença se apoiar o pedido de socorro da comunidade.   

O Catalão espera contar com o apoio d@s companheir@s do SOS Encontro das Águas e outros segmentos da sociedade civil organizada.


O Catalão espera, também, contar com o apoio do seu filho mais ilustre: o músico Teixeira de Manaus. Seria pedir muito que outros músicos apoiassem nossos irmãos catalãos?

Veja outras fotografias do Catalão feita por Valter Calheiros, fotógrafo, integrante do movimento SOS Encontro das Águas.

maio 27, 2010

Comunidades tradicionais à mercê de Deus e da sorte

Nota do blog: Todas as fotografias aqui postadas são de autoria de Valter Calheiros. Sua sensibilidade fotográfica enriqueceu a V Caravana "SOS Encontro das Águas". Visitamos duas comunidades às margens do rio Amazonas: São Francisco e São José. Na primeira há uma grande concentração de pescadores. Ali fica o restaurante do Roberto, onde comemos peixes deliciosos. É o único empreendimento que trabalha com turismo gastronômico e paisagístico, graças ao esforço do proprietário do restaurante que acumulou experiência durante muitos anos no lago de Janaury, às margens do rio Negro. Ambas as iniciativas não tiveram apoio das políticas públicas para o turismo. Na segunda há maior presença de agricultores de várzea. O traço comum quanto à primeira é o abandono relativo em que vivem os comunitários por parte do poder público, salvo no quesito energia através do Programa Luz Para Todos. Não há um projeto de geração de renda na perspectiva do turismo ecológico. Observe-se que toda a região está situada nas imediações do majestoso Encontro das Águas. Estas comunidades tradicionais, também conhecidas como povos ribeirinhos - compostas de pescadores, agricultores e coletores de frutas - estão fora do alcance das políticas públicas no campo do turismo. Tampouco há qualquer política para uso racional das várzeas. Tudo isso a poucos quilometros de Manaus. 25 de maio entra para o calendário como o dia em que o movimento "SOS Encontro das Águas" iniciou simbolicamente o trabalho por um novo tempo de vida para essas comunidades, tanto na conservação do patrimônio paisagístico como pela geração de projetos que estimulem o turismo sustentável e outros projetos de renda.