PICICA - Blog do Rogelio Casado - "Uma palavra pode ter seu sentido e seu contrário, a língua não cessa de decidir de outra forma" (Charles Melman) PICICA - meninote, fedelho (Ceará). Coisa insignificante. Pessoa muito baixa; aquele que mete o bedelho onde não deve (Norte). Azar (dicionário do matuto). Alto lá! Para este blogueiro, na esteira de Melman, o piciqueiro é também aquele que usa o discurso como forma de resistência da vida.
novembro 23, 2010
Homenagem a Valter Calheiros, um dos fotógrafos do SOS Encontro das Águas
Nota de desagravo, em defesa do tombamento do Encontro das Águas
Foto: Marisa Lima
Da esq. para dir.: psiquiatra Rogelio Casado, filósofo Alfredo Lopes e o economista Machado
Tombamento sob encomenda
novembro 10, 2010
Pelo Tombamento e Criação da Unidade de Conservação do Encontro das Águas
novembro 07, 2010
Celebração do tombamento do Encontro das Águas
outubro 28, 2010
Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural avaliará tombamento do Encontro das Águas
Encontro das Águas no Amazonas será avaliado pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural
O fenômeno natural poderá ser o mais novo bem protegido pelo Iphan no norte do país em função de sua singularidade e excepcionalidade
Brasília, 27 de Outubro de 2010Iphan
Os mais de 10 quilômetros em que é possível observar as águas escuras e transparentes do Rio Negro correndo ao lado das águas turvas e barrentas do Rio Solimões, no Amazonas, podem se tornar o mais novo bem protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan no norte do país. O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural estará reunido nos próximos dias 4 e 5 de novembro, no Rio de Janeiro para avaliar a proposta de tombamento do Encontro das Águas como bem cultural brasileiro, considerando seu alto valor paisagístico.
De acordo com o parecer do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização – Depam/Iphan, o fenômeno de encontros das águas é relativamente comum na bacia amazônica. Acontece sempre que um chamado rio branco encontra com um de águas escuras, como no caso do encontro entre o Tapajós e o Amazonas em Santarém, no Pará. Entretanto, em Manaus, no Amazonas, o encontro das águas entre os rios Negro e Solimões é coberto de excepcionalidades e singularidades.
Um dos principais destaques são o volume e a vazão das águas dos dois rios no momento do encontro. A força e grandeza são tão expressivos que, certamente, trata-se do maior encontro das águas do mundo, pois são mais de 10 quilômetros de distância entre o ponto onde as águas se encontram até a diluição total entre as duas. Os primeiros três quilômetros são marcados por uma linha quase rígida onde, à margem direita estão as águas claras e barrentas do Solimões e à esquerda, as escuras e transparentes do Rio Negro.
Outra singularidade do fenômeno é que ele ocorre a poucos quilômetros da cidade de Manaus, a maior concentração populacional da região, com uma população que ultrapassa 1,7 milhões de pessoas.
Levando-se em conta cidades vizinhas, o aglomerado humano ultrapassa 2 milhões de habitantes. A Região Metropolitana de Manaus possui cerca de 60% da população do estado do Amazonas. Por isso, o Encontro das Águas de Manaus se reveste de valores simbólicos e afetivos para população amazonense. É também, um dos principais cartões postais do Estado do Amazonas e da cidade de Manaus, constituindo um de seus mais importantes atributos turísticos.
A proposta de tombamento do Encontro das Águas dos rios Negro e Solimões
Além da excepcionalidade do Encontro das Águas no rio Amazonas, o Depam reforça no parecer favorável ao tombamento que a área deve integrar o rol dos bens protegidos pelo Iphan e também de bem em risco, considerando que alguns dos recentes projetos de intervenção na área a ser protegida não respeitam os valores culturais e paisagísticos deste que é um fenômeno natural revestido de singularidades.
Como se trata de um fenômeno formado essencialmente por obra da natureza, o parecer destacada a oportunidade e atualidade de um dos mais belos e importantes parágrafos do Decreto Lei 25/37, que apesar dos mais de 70 anos de publicação, está ainda bastante atual, visto que expressa textualmente que “são também sujeitos a tombamento os monumentos naturais, bem como os sítios e paisagens que importe conservar e proteger pela feição notável com que tenham sido dotados pela natureza ou agenciados pela indústria humana”.
A proposta do Iphan é que tombamento do Encontro das Águas seja delimitado por poligonal que proteja tanto a superfície líquida da área principal de ocorrência como uma pequena porção da Ilha do Xiborema (a última ocorrência natural antes da junção dos rios Negro e Solimões), uma faixa de 200 metros das margens direita e esquerda, além de lagoa próxima à Colônia de Aleixo e primeira ilha fluvial da margem direita do Amazonas, considerando serem o conjunto de elementos da paisagem que compõem e conformam o Encontro das Águas de Manaus.
Dentro dos limites do perímetro de tombamento, não deverá ser permitida nenhuma nova construção e nem instalação que avance o leito aparente do rio.
Já em relação ao aspectos paisagísticos e a necessidade de resguardar uma faixa contígua ao perímetro de tombamento de interferências nocivas à apreensão do fenômeno, o Depam sugeriu como área de entorno uma faixa de mil metros a partir do perímetro de tombamento. Nesta faixa, toda nova intervenção que possa interferir nos valores arqueológicos, etnográficos e paisagísticos do bem deverão passar pela avaliação prévia do Iphan.
A bacia Amazônica
O Rio Amazonas é o maior do mundo, tanto em volume de água quanto em comprimento. Desde sua nascente, no Peru, até a foz, que no Oceano Atlântico, o Amazonas percorre 6,9 quilômetros. Sua bacia hidrográfica também é a maior do mundo e o sua vazão é de aproximadamente 209 mil metros cúbicos por segundo, o que representa 1/5 de toda a água fluvial da Terra. Até os estudos realizados em 2007, afirmava-se que as nascentes do Rio Amazonas estava na cabeceira do Rio Marañon. Entretanto, a pesquisa revelou que na verdade o rio nasce a partir da laguna McIntyre, ao sul do Peru, e recebe diversos nomes ao longo do percurso. Entra no Brasil com o nome de Solimões e, a partir do encontro com as negras e transparentes do Rio Negro, recebe o nome de Amazonas.
O Rio Negro é o maior afluente da margem esquerda do Amazonas e o segundo em volume de água. Nasce na bacia do Orinoco, na Colômbia, e percorre cerca de 1,7 mil quilômetros. Caracteriza-se pelas águas negras, decorrentes da existência de matéria orgânica vegetal em decomposição.
O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural
A reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural será nos próximos dias 4 e 5 novembro, no Salão Portinari, que fica no Palácio Gustavo Capanema, sede do Iphan no Rio de Janeiro. O Conselho que avalia os processos de tombamento e registro, presidido pelo presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida, é formado por especialistas de diversas áreas, como cultura, turismo, arquitetura e arqueologia. Ao todo, são 22 conselheiros de instituições como Ministério do Turismo, Instituto dos Arquitetos do Brasil, Sociedade de Arqueologia Brasileira, Ministério da Educação, Sociedade Brasileira de Antropologia e Instituto Brasileiro de Museus – Ibram e da sociedade civil.
Além do tombamento do Encontro das Águas, fazem parte da pauta da reunião do Conselho Consultivo a proposta de registro como Patrimônio Cultural do Brasil o Ritual dos sistemas agrícolas do Alto Rio Negro e do Ritual Yaokwa do Povo Indígena Enawene Nawe no Mato Grosso. Os conselheiros avaliarão também a possibilidade de tombamento para o sítio histórico de São Félix, na Bahia, da paisagem natural de Santa Tereza, no Rio Grande do Sul, e do Monumento aos Mortos, na cidade do Rio de Janeiro.
Fonte: A Crítica
outubro 21, 2010
O movimento socioambiental SOS Encontro das Águas está de olho no tombamento "fake" do IPHAN
outubro 12, 2010
Encontro das Águas: tombamento pra inglês ver?
abril 20, 2010
Mais um patrimônio arquitetônico desaparece sob o fogo
JornalDEZMinutos — 19 de abril de 2010 — Um incêndio atingiu 8 lojas na avenida Sete de Setembro, no centro de Manaus, nesta segunda-feira, 19 de abril.
O fogo começou por volta das 15:30 hrs por causa de um circuito na loja Pé Collection.
As ruas Guilherme Moreira, Marechal Deodoro, Barroso e a avenida Sete de Setembro foram interditadas.
Por volta das 17hrs, os bombeiros ainda trabalhavam no local, sem saber quanto tempo levariam para acabar com o incêndio.
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Nota do blog: Mais um patrimônio arquitetônico da cidade de Manaus desaparece sob o fogo. Antes da Zona Franca de Manaus, instalada no final dos anos 1960, ainda alcancei o período em que ali funcionava um belo hotel, que fazia fronteira com a elegante Casa Colombo, hoje inteiramente descaracterizada. O Estado com a quarta maior contribuição ao PIB brasileiro não tem uma política de proteção ao seu patrimônio arquitetônico. Com a palavra o grupo tarefa que analisa a perspectiva do tombamento da cidade de Manaus como patrimônio da humanidade. Até quando perderemos outros prédios, com a mesma importância arquitetônica, por descaso ou por incêndios?
abril 15, 2010
O Iphan e a maldição de Ajuricaba
No jornal A Crítica de ontem foi publicado matéria de página inteira sobre a visita do Presidente do Iphan ao Encontro das Águas. Estranhamente, Luiz Fernando de Almeida se fazia acompanhar por um defensor intransigente da construção do terminal portuário das Lajes, incapaz de dialogar com outros saberes que constestam a iniciativa que tem a frente uma subsidiária da VALE (leia postagem neste blog).
A matéria cita que o Iphan vai pedir prorrogação do prazo para o tombamento do Encontro das Águas.
Mais estranho ainda é o fato de que em entrevista do Diretor do Departamento do Patrimônio e Fiscalização do Iphan de Brasília, Dalmo Vieira Filho, à Critica, em 10/02/2010, antes da decisão da Justiça Federal estabelecendo prazo de seis meses para conclusão da avaliação do tombamento, declarou que “o estudo deve ser finalizado em maio e encaminhado ao Conselho Consultivo do Ministério da Cultura” (artigo abaixo).
É dele também a frase “Desenvolvimento não se faz a qualquer preço” - Dalmo Vieira Filho, Diretor do Departamento do Patrimônio e Fiscalização do IPHAN de Brasília. Seria bom se a teoria fosse aliada à prática.
Como o movimento SOS Encontro das Águas não foi consultado - o que confirma a unilateralidade de entidades públicas que deveriam se comportar de maneira transparente em questões de interesse coletivo -, fica aqui o nosso repúdio e um pedido de esclarecimento: "Por que as regras de avaliação do tombamento foram modificadas sem consulta ao movimento SOS Encontro das Águas e em franco desrespeito à decisão tomada pelo Ministério Público Federal?". Quem se arroga o direito de agir unilateralmente, pode até gozar dos benefícios concedidos pelas brechas da lei - não lhes resta outa opção do que recorrer da decisão do MPF -, mas, estejam certos, não escaparão da maldição de Ajuricaba.
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Centro Histórico de Manaus pode passar por tombamento
A Crítica - AM - Manaus/AM - CIDADES - 10/02/2010 - 08:03:16
Elaíze Farias
Da equipe de A CRÍTICA
A superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) vai propor o tombamento nacional do Centro Histórico de Manaus. Até o final deste mês, o estudo apresentado pelo Iphan será analisado por uma comissão de historiadores e pesquisadores. O passo seguinte é encaminhar o documento com a proposta ao Conselho Estadual de Cultura e Patrimônio. Caberá a este formular o pedido de tombamento. As informações foram dadas ontem, pelo superintendente do Iphan, Juliano Valente. O estudo está sendo analisado pelos historiadores Luiz Balkar e Otoni Mesquita; pelo arquiteto Bosco Chamma; pelo advogado e cientista social, Pontes Filho; pelo secretário estadual de cultura, Robério Braga, e pela diretora de operações da Manaus Cult, Grace Benayon.
O tombamento do Centro da cidade daria a Manaus o status de cidade histórica do País. No Brasil, 100 cidades são consideradas históricas pelo Governo Federal. Conforme Juliano Valente, o tombamento do Centro Histórico de Manaus, caso seja aprovado, vai regular o
ordenamento urbanístico da cidade de uma forma mais rigorosa. É que uma parte do Centro de Manaus já é tombada pela Lei Orgânica do Município de Manaus (Loman). "Um bem tombado pela União pressupõe outro tipo de rigor, que é mais impessoal, disse
Valente.
O resultado prático de um tombamento seria a criação de regulação da área para que obrasnão comprometam a preservação dos imóveis. Valente salientou, contudo, que tombamento não implica "congelamento"; nem transformação do Centro em uma área "proibitiva".
Segundo o diretor do Departamento do Patrimônio e Fiscalização do Iphan, Dalmo Vieira Filho, o processo de tombamento de Manaus como cidade histórico deve durar até dois anos.
Atualmente, o Iphan realiza estudos técnicos para propor o tombamento cultural e natural do fenômeno Encontro das Águas. O estudo deve ser finalizado em maio e encaminhado ao Conselho Consultivo do Ministério da Cultura.
O Amazonas possui cinco bens tombados pelo Iphan: Teatro Amazonas, Reservatório do Mocó, Mercado Adolpho Lisboa, Conjunto Arquitetônico e Paisagístico do Porto de Manaus e Parque Nacional do Jaú.
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Leia mais sobre a luta do movimento SOS Encontro das Águas contra a construção do terminal portuário das Lajes:
http://www.ncpam.com/2010/04/vergonha-para-cultura-nacional.html
http://rogeliocasado.blogspot.com/2010/04/ate-tu-luiz-fernando.html
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100414/not_imp537987,0.php
http://www.ohoje.com.br/cidades/14-04-2010-encontro-das-aguas-pode-virar-monumento/
http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia.phl?editoria=20&id=283745
abril 11, 2010
Mais uma vitória do movimento SOS Encontro das Águas
é um dos principais cartões postais da
região, por sua beleza e peculiaridade
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Iphan de Brasília acata decisão de juíza federal
Elaíze Farias
Da equipe de A CRÍTICA
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) avalia que o prazo de 180 dias (seis meses) dado pela Justiça Federal do Amazonas para que se realize o processo de tombamento provisório da área do encontro das águas (rios Solimões e Negro) “é viável e totalmente possível”, segundo informou a assessoria de imprensa do órgão, sediado em Brasília. O superintendente do Iphan, no Amazonas, Juliano Valente, considera o prazo curto para finalizar o processo de tombamento. Valente disse que o órgão vai entrar com um recurso contra a decisão judicial. “A gente entende que é impraticável fazer o tombamento devido à complexidade”, disse.
O Iphan em Brasília não contestará a decisão judicial e nem entrará com recurso contra a liminar, ao contrário da superintendência do órgão em Manaus. A assessoria de imprensa do Iphan, em Brasília, informou que consultou o Departamento do Patrimônio e Fiscalização do Iphan, cujo titular é Dalmo Vieira Filho, e que foi informada que o órgão não vai pedir um novo prazo para concluir o inventário a respeito do pedido de tombamento. Ainda de acordo com a assessoria de imprensa, caso “apareçam alguns problemas” no decorrer de seis meses ou situações que pedirão a extensão do prazo, “a situação será resolvida”.
O Iphan, em Brasília, esclarece que já existe um processo de tombamento do encontro das águas tramitando e é de interesse do órgão preservar a área. No entanto, a solicitação ainda passará por uma câmara especial que analisa o pedido e se aprova ou não, “seguindo um rito próprio”.
Juliano Valente afirmou que o Iphan já possui um estudo sobre o tombamento do encontro das águas desde o ano passado. A delimitação da área a ser tombada, contudo, será definida por uma técnica cujo contrato acaba em agosto, segundo ele. Valente informou que o processo de tombamento continua na superintendência, em Manaus.
Pedido
Autor do pedido de liminar pelo tombamento do encontro das águas, o procurador da República Edmilson Barreiros, explicou que a ação ocorreu porque “todos esperavam que até o fim de 2009 o processo estaria acabado”, o que acabou não acontecendo. Ele também questionou a construção de um porto na área do encontro das águas, quando um empreendimento deste porte pode ser feito em qualquer outro lugar da região de Manaus. “Por que querem fazer ali? Isso ninguém explicou tecnicamente”, afirmou.
Fonte: A Crítica
abril 08, 2010
Movimento SOS Encontro das Águas de olho no Iphan
RogelioCasado — 3 de abril de 2010 — Professor Francisco, da rede pública de ensino, critica a construção de um terminal portuário e defende a conservação do Encontro das Águas.
Nota do blog: Imagem e depoimento colhidas por Nivaldo de Lima, o fotógrafo dos esquecidos.
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Técnicos do MPF de Brasília vão acompanhar estudos
07/04/2010
NÁIS CAMPOS
Equipe do EM TEMPO
nais@emtempo.com.br
A pedido do Ministério Público Federal do Amazonas (MPF/AM), técnicos do MPF de Brasília/DF devem chegar em Manaus nos próximos dias para acompanhar os estudos do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que podem vetar definitivamente a construção do Porto das Lajes. Como medida preventiva, o Ministério Público Federal do Amazonas determinou, na semana passada, o tombamento provisório do Encontro das Águas, o qual implicou na suspensão imediata de qualquer iniciativa visando a construção do porto, localizado na Colônia Antonio Aleixo, Zona Leste.
Ainda na decisão, o MPF/AM deu um prazo de 180 dias para que o Iphan conclua os estudos ambientais que tornem definitivo o tombamento do Encontro das Águas. “A medida é para impedir que o futuro tombamento, como patrimônio de relevância paisagística e cultural, se torne inócuo caso seja permitida a construção do Porto das Lajes”, declarou o procurador do MPF-AM, Edmilson Barreiro.
A Lajes Logística, por meio de assessores, informou que o departamento jurídico da empresa vai ingressar com recurso no MPF/AM contra a decisão liminar expedida pela juíza da 3ª Vara Federal, Maria Lúcia Gomes que determinou a suspensão da construção do porto.
Os empresários se defendem das acusações de poluição que o porto poderia ocasionar, justificando que um estudo encomendado pela empresa, um corpo de professores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) concluiu que serão mínimos os impactos ambientais provocados pelas obras do Porto das Lajes.
Até que o Iphan conclua os estudos, a Justiça também determinou que fosse impedido qualquer contato entre a empresa responsável pela construção do Porto com a comunidade diretamente afetada pelas obras. Ou seja, a empresa está proibida de patrocinar e promover eventos e doações de qualquer natureza. “O descumprimento de todas as determinações implicam em multa diária de R$ 10 mil”, reforçou Edmilson Barreiro.
Na concepção do MPF, a população estava sendo usada pelos empreiteiros com ações de intimidação e até mesmo violência. O poder público fundamentou a denúncia com base em investigações comandadas pela Polícia Federal.
Fonte: Amazonas em Tempo
abril 07, 2010
Superintendente do Iphan do Amazonas quer "melar" o tombamento do Encontro das Águas

Nota do blog: Matéria do Diário do Amazonas alerta para a morosidade no processo de tombamento do Encontro das Águas, segundo acusação do Ministério Público Federal. É hora dos nossos parlamentares em Brasília tomar a iniciativa de impugnar o titular do Iphan do Amazonas por não acatar decisão judicial. Pede pra sair, Valente! O movimento SOS Encontro das Águas tá de olho em ti.
abril 04, 2010
SOS Encontro das Águas: memória comentada

obra mostram a localização do futuro terminal portuário (polígono destacado em vermelho). Na imagem de satélite é possível ver as águas com duas cores separadas passando diante do local.
Nota do blog: O movimento SOS Encontro das Águas tem um dos maiores acervos sobre a luta contra a construção de um porto terminal nas imediações do nosso maior patrimônio paisagístico. Nada escapa ao seu olhar. Dos arquivos do movimento foi retirada a matéria abaixo publicada no Globo Amazônia, que é pra essa blogueiro ficar mais atento quando atacar a omissão da grande mídia no imbróglio criado por interesses privados alheios aos interesses populares. Esta aí, portanto, a única matéria publicada sobre a luta de uma comunidade contra o capital predatório. Pra não perder o hábito, convém comentar (em vermelho) o que escapou no conteúdo da matéria. (Dedico essa postagem ao meu amigo de infância João Bosco Chamma, arquiteto da pesada que melhor pensa e discute o urbanismo manauara, e pro meu filhote Juan e sua geração. que ainda vão ter um enorme trabalho para desmontar a máquina que vem destruindo os valores da nossa terra).
17/05/09
Construção de porto no Encontro das Águas é alvo de disputa em Manaus
Organizações locais veem ameaça ao principal ponto turístico da cidade. Empresa nega possíveis danos ambientais e ressalta criação de empregos.
Dennis Barbosa
Do Globo Amazônia, em São Paulo
A construção de um terminal portuário na altura do Encontro das Águas (confluência do Rio Negro, de água escura, com o Rio Solimões, de água barrenta) em Manaus, um dos pontos turísticos mais importantes da Amazônia, é motivo de polêmica na capital amazonense. De um lado, uma grande empresa de logística defende a obra. De outro, ambientalistas e moradores de um bairro da cidade querem o porto em outro lugar (esses dois segmentos, junto com vários segmentos da sociedade civil organizada, bem como professores, alunos, sindicalistas independentes e intelectuais, criaram o movimento SOS Encontro das Águas, numa histórica reunião na Universidade do Estado do Amazonas - UEA).
O movimento que se opõe à construção alerta para possíveis danos ambientais e sociais irreversíveis. A companhia que quer fazer a obra, a Lajes Logística (associação da Juma Participações, empresa sediada em Manaus, com a Log-In Logística Intermodal, um dos maiores operadores logísticos do Brasil, que surgiu como subsidiária da Vale e abriu capital em 2007) alega que os impactos não serão tão graves e acena com a criação de centenas de empregos e investimento de R$ 200 milhões (a empresa omite que a construção do porto está projetada para ocupar a boca do lago do Aleixo, numa área de igapó, onde desovam os peixes da região, a poucos metros do lajedo onde desovam os jaraquis - outro símbolo da região - que abastecem a mesa das famílias de baixa renda).
Se sair do papel, o Porto das Lajes ocupará um terreno de 600 mil metros quadrados (150 mil deles construídos). Segundo a Lajes Logística, o empreendimento gerará 600 empregos diretos e indiretos durante a instalação e 200 quando estiver em operação. O terminal terá capacidade de receber dois navios de grande porte simultaneamente (a empresa, pressionada pela opinião pública, fez saltar o número de empregos de 120 para fictícias 600 vagas, só para encher os olhos dos incautos; pior só a omissão de que, no sítio onde se pretende construir o referido porto, já foram encontrados achados arqueológicos indígenas, o que pressupõe a existência de outros ainda não conhecidos, sem que, desta vez, a empresa construtora propusesse a criação de um museu, pois era só que faltava!).
O risco de impacto sobre o potencial turístico da região é enorme, posto que o Encontro das Águas é um dos principais cartões-postais de Manaus, do Amazonas e do Brasil”, afirma o Ministério Público Federal no Amazonas, em nota ao Globo Amazônia. “A área de entorno do local proposto para o porto abriga sítios arqueológicos, unidades de conservação, populações indígenas, atividades de pesca artesanal”, acrescenta (taí o Ministério Público Federal que não me deixa cair em contradição, mas deixa em maus lençois o atual titular do Iphan local, que afirmou para o Diário do Amazonas, em entrevista recente, que não entende porque só agora surgiu a idéia de tombamento do Encontro das Águas, quando a idéia é de domínio público há algum tempo; pior, só quando a referida criatura sugere que outros empreendimentos que ali estão sendo executados não podem ser suspensos, numa outra demonstração da luta da comunidade contra a poluição trazida pela expansão do Distrito Industrial, como a empresa Sovel que há anos joga material pesado para dentro do lago do Aleixo, prejudicando a pesca e a cadeia alimentar - quando esses dirigentes terão mais intimidade com a história da nossa cidade?) .
Moradores da Colônia Antônio Aleixo, bairro onde o terminal portuário será construído, se opõem à construção. Organizações locais, o Conselho de Direitos Humanos da Arquidiocese e ambientalistas de Manaus se uniram no movimento SOS Encontro das Águas, e alegam que o porto vai causar dano à atividade turística pelo impacto paisagístico. Eles defendem ainda que a poluição e o trânsito de navios vão prejudicar a pesca e as atividades de lazer da comunidade local (o mais curioso é quem deveria demonstrar os riscos do impacto ambiental a ser provocado pela construção do terminal portuário se omite, e deixa para a comunidade a responsabilidade de fazê-lo, o que vem sendo feito com muita competência, primeiro porque nem todos os cientistas estão cooptados ou em silêncio obsequioso, segundo porque contamos com o mais legítimo dos conhecimentos tradicionais de pescadores e ribeirinhos, remanescentes de comunidades tradicionais da região).
Segundo o projeto, o terminal deve se situar próximo ao Lago do Aleixo, localizado na beira do rio, onde os moradores da Colônia Antônio Aleixo pescam e nadam. O bairro surgiu na década de 30 a partir de uma colônia para doentes de hanseníase (lepra) (a partir de 1979, quando a Colônia de Hansenianos foi desativada, em poucos anos instalou-se ali uma grande população de imigrantes, atualmente girando em torno de mais de 40 mil pessoas; região estigmatizada, ela é chamada pelos comunitários mais críticos de "cloaca" da cidade, tal a quantidade de projetos danosos ao meio ambiente e à população ali residente, como a de terminais de carga irregulares, sem que as autoridades ambientais tomem uma providência sequer).
Outro problema apontado pelo movimento contra o porto é que, próximo ao local previsto para sua instalação, deve ser construída uma adutora para captar água para o sistema de saneamento da cidade. “É incompatível a captação de água para consumo humano, em uma região como a Amazônia, ser realizada ao lado de um terminal portuário que trará tanta contaminação aquática”, afirma relatório da SOS Encontro das Águas (a montante e a jusante, a captação de água é problemática; basta lembrar que, a jusante, o sistema de esgoto da cidade de Manaus tem como endereço o rio Negro, o que deve encarecer o tratamento da água que irá beneficiar uma população de mais de 400 mil habitantes da zona Leste; e, a jusante, o porto fica coladinho à adutora).
Segundo o padre Orlando Barbosa, pároco da Colônia Antônio Aleixo e coautor desse relatório, o objetivo do movimento não é que a Lajes Logística deixe de construir seu terminal portuário, mas que o faça em outro local. “Todos sabem que portos não trouxeram desenvolvimento local para as comunidades em nenhum lugar do Brasil”, critica (uma nebulosa história, que precipitou a saída de Orlando Barbosa do Amazonas, envolvendo a cúpula local da Igreja Católica e a direita de um dos seus segmentos, ainda está por ser esclarecida).
Desemprego
Barbosa admite que, no início, a comunidade estava unida contra o terminal, mas atualmente há muitos moradores que apoiam a obra por causa da possibilidade de conseguirem trabalho. “Aqui temos cerca de 45 mil moradores e 98% é de desempregados que vivem de pesca e de fazer alguns bicos”, explica. Além de acenar com chances de emprego, a Lajes Logística afirma que, do total de cerca de 600 mil metros quadrados de terreno de que dispõe, 70% serão preservados com mata nativa. Na área conservada será implantado um parque botânico a que a comunidade local terá acesso, segundo o diretor da empresa, Sérgio Gabizo (certamente somos um povo contemplativo, seu Sérgio, mas raios! programas de geração de renda que é bom, neca de pitibiriba!; resumo da ópera: a população de baixa renda que vive próximo ao maior patrimônio paisagístico do estado do Amazonas, com sua vocação turística, não tem direito a um programa sócio-econômico decente - é de corar de vergonha).
"O terminal estará a 2.400 metros da Área de Proteção Ambiental (APA) do Encontro das Águas (onde os dois rios confluem)”, argumenta o diretor. Segundo ele, o local aonde vão mais turistas para olhar o fenômeno natural não terá inferferência da obra: “Do Mirante da Embratel, ponto de onde se tem a melhor visão do Encontro das Águas não se consegue avistar o Terminal Portuário das Lajes”. De acordo com Gabizo, o terminal também não vai interferir no Lago do Aleixo. “Durante o período de alta do rio, aparece um caminho fluvial por onde circulam pequenas embarcações nas proximidades do terminal”, admite. No entanto, o diretor argumenta que isso acontece somente de dois a três meses por ano. “Com a baixa do rio, essa passagem desaparece. A entrada efetiva do lago fica muito mais a leste”, diz. Em relação à captação de água para abastecer Manaus, o diretor argumenta que ela acontecerá rio acima e, portanto, não deve ser afetada pelo empreendimento. De qualquer forma, o movimento do terminal, afirma, será relativamente pequeno se comparado ao dos outros navios que passarão diante dele para chegar ao porto principal de Manaus. A Log-In, maior acionista do terminal, terá inicialmente duas embarcações por semana aportando no local. Gabizo afirma ainda que todas as alternativas de locação para o terminal foram examinadas, mas que este é o local mais adequado. “No plano diretor de Manaus, a área onde estamos localizados é a prevista para a expansão de terminais portuários” (aqui imperam inverdades; junto com a adutora de captação de águas - que atenderá a demanda de uma população de mais de 400 mil habitantes - o terminal portuário criará uma desastrada intervenção na paisagem; além disso, os proprietários do local onde pretende-se construir o porto cometem agressões ao ambiente, e não é de hoje, tanto que tentaram aterrar a boca do lago do Aleixo, para impedir a passagem dos pescadores; o que demonstra que juntaram-se no mesmo emprendimento o lixo e a vontade de sujar, de gente que nada entende de poluição visual - definitivamente, falta-se com a verdade, com o conhecimento, diante do silêncio dos cientistas locais, exceções de praxe; a propósito, a empresa omite o estudo da Ilha das Onças, local de grande calado, propício a instalação de um porto, a cerca de 40 km do Encontro das Águas).
Estudo de impacto
Como exigido em qualquer obra desse tipo, a Lajes Logística preparou um estudo de impacto ambiental para que o Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (Ipaam) concedesse a licença para a construção. Após a entrega do relatório, o instituto realizou audiência pública em 19 de novembro do ano passado. Houve oposição dos presentes e pedidos dos Ministérios Público Estadual e Federal para que o relatório ambiental fosse aprofundado. O Ipaam solicitou que a Lajes Logística apresentasse complementação do estudo e, enquanto não entregá-lo, a companhia não pode iniciar a obra. A expectativa da empresa é de que os adendos sejam entregues nesta semana ao Ipaam. "Então aguardaremos que seja marcada nova audiência pública para que o estudo seja debatido pela sociedade”, diz o diretor da Lajes Logística. Segundo ele, o terminal estará operante em “22 meses a partir da concessão das licenças ambientais e federais” (de lá pra cá, muita água rolou: o padre Orlando Barbosa foi afastado de suas funções pela cúpula da igreja católica local, o presidente do Ipaam foi afastado, uma audiência pública foi suspensa, outra foi feita "pra inglês ver"; só não arrefeceu o ânimo da comunidade altiva do bairro Colônia Antônio Aleixo, que apoiada no movimento SOS Encontro das Águas continua sua luta pelo tombamento do Encontro das Águas e pelo fim dos impactos socio-ambientais degradantes do lago do Aleixo e adjacências, fonte de vida da comunidade, embalada por importantes adesões, como os artistas da cidade - oxalá não sobrevenham as costumeiras retaliações por agentes do Estado, ciosos em manter a ordem e o progresso, desencarnados dos compromissos com a manauaridade. Se tia Pátria tivesse viva, ela, que com seu pai - vovô Antonio Barbosa, lusitano de nascimento - ajudou a criar um dos recantos mais agradáveis de Manaus - Chapada Recrativa Clube, com sua enorme área verde e igarapé geladinho (atualmente destruído), certamente já teria vociferado: "Vamos acabar com essa patifaria, bando de 'filhos-duma-égua'". Grande tia Pátria!).
Nota do blog: E para o blogueiro pagar a língua de vez, leia matéria recente do Globo Amazônia sobre o tombamento do Encontro das Águas. Acesse: Justiça determina tombamento do encontro das águas do Rio Negro com o Solimões.




















