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março 10, 2010

Saúde Mental e Economia Solidária

Nota do blog: Neste sábado será inaugurado o Bar Saci em São Paulo. Trata-se de um projeto de inclusão social e alternativa de trabalho para pessoas em sofrimento psíquico. O movimento de luta antimanicomial está em festa. Economia solidária é isso aí! A dica é de Marilia Capponi.

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Pra quem estiver em SP esse fim de semana, um programa divertido e que marca a história de usuários trabalhadores.......
Até lá!

Marilia Capponi

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Inauguração da Casa do Saci, nesse sábado

março 9, 2010


Desde 2004 a Associação Vida em Ação apóia e desenvolve projetos de inserção no trabalho de usuários de saúde mental. O Bar Saci veio se consolidando como uma estratégia que atua por fora dos equipamentos públicos de saúde mental, gerando trabalho, renda e sociabilidade para os usuários. Depois de muito trabalho, conseguimos realizar um sonho: Temos a nossa Casa!

A Casa do Saci, além de Sede do Vida em Ação, será um espaço de promoção da cultura antimanicomial e da economia solidária. A Casa será um Bar + Café + Loja, com diversos produtos de projetos/ empreendimentos de trabalho da saúde mental e também a Livraria Louca Sabedoria.

Venha nos conhecer e fortaleça uma Outra Economia!

Funcionaremos de quarta a sabado das 16h as 24h.

www.barsaci.wordpress.com

fevereiro 24, 2010

Economia Solidária e Saúde Mental

Foto postada no blog Economia dos Trabalhadores (as)
Marcha dos Usuários em Brasília reivindica uma nova lei de cooperativas sociais

SENAES/MTE esta na Comissão Organizadora IV Conferência Nacional de Saúde Mental - Intersetorial

Comentário: A SENAES/MTE esta na composição da Comissão Organizadora da IV Conferência Nacional de Saúde Mental - Intersetorial. Fortalecendo os laços entre a economia solidária e a saúde mental.


A IV Conferência tem um diferencial bem importante das outras Conferências de Saúde Mental ela será intersetorial, sendo 30% de seus delegados compostos por áreas que dialogam com a saúde mental: ecosol, justiça, educação, esporte, cultura, assistência social e direitos humanos. Mostrando que a Reforma Psiquiátrica brasileira tida como exemplo pela OMS (Organização Mundial de Saúde) vem se fortalecendo e promovendo um processo vivo de inserção social e comunitária em todo o país.


Para a economia solidária a presença da SENAES/MTE e a possibilidade de delegados na IV Conferência é mais um passo na construção de uma nova sociedade com solidariedade e diversidade. Nesse sentido, as reivindicações apresentadas durante a Marcha dos Usuários ao Prof. Paul Singer terão mais um espaço de amadurecimento e de construção coletiva de uma política pública de inserção no trabalho dos usuários da saúde mental.

Para ler os conteúdos abaixo, acesse Economia dos Trabalhadores (as)

Conheça o Regimento da IV Conferência

Veja a composição da Comissão de Organização da IV Conferência

Propostas apresentadas ao Prof. Paul Singer durante a Marcha dos Usuários em Brasília

Conheça a Cartilha Saúde Mental e ECOSOL produzida pelo Ministério da Saúde e a SENAES/MTE (2005)

janeiro 27, 2010

Saúde Mental e Economia Solidária

Acervo Associação Chico Inácio
(filiada à Rede Nacional Intenúcleos da Luta Antimanicomial - RENILA)


Associação Chico Inácio na luta pela IV Conferência Nacional de Saúde Mental
(Por uma Reforma Psiquiátrica Antimanicomial): de olho nas etapas municipal e estadual

Saúde Mental e Economia Solidária


Iniciou-se em Manaus curso sobre economia solidária para profissionais de saúde mental e organizações da sociedade civil. Lugar escolhido: Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro.

O lugar não poderia ter sido pior. A bandeira de luta por uma sociedade sem manicômios é de 1987, e a meta da política nacional de saúde mental é substituir hospitais psiquiátricos por uma rede de atenção em saúde mental, que tem no CAPS - Centro de Atenção Psicossocial – um dos seus dispositivos de cuidados.

A baixa oferta de CAPS em Manaus (um implantado no governo Eduardo Braga em 2006; outro recém-inaugurado pelo município, a quem compete oferecer esse serviço) não nos autoriza a criar “alternativas” que comprometam os princípios éticos da reforma psiquiátrica antimanicomial que queremos, às vésperas da IV Conferência Nacional de Saúde Mental.

Voltando à vaca fria: por que o local é problemático? Porque não pode haver dubiedade de comunicação com a sociedade. Se queremos o fim do hospício, realizar um curso dessa relevância ali será interpretado como sinal de que ele pode ser "humanizado" e continuar entre nós depois de um século de existência (vixe!).

Fui honrosamente indicado pela professora Heloisa Helena Corrêa da Silva para palestrar no evento. Ponderei sobre a impropriedade do local. Resumo da ópera: o segundo módulo será oferecido fora do espaço hospitalar, caso contrário declinarei do convite, por uma questão de princípios.

Também me foi assegurado que o curso se propõe a fomentar iniciativas de economia solidária fora do espaço hospitalar. O tempo de ações intra-muros passou.

No início dos anos 1980, quando criei um trabalho de reabilitação num espaço abandonado do velho hospício, tinha dupla intenção: produzir novos efeitos de sentido quanto ao lugar do louco na nossa cultura e começar o processo de criação de novos territórios existenciais fora dos muros do hospício.

A escolha do trabalho agrícola remunerado foi uma opção política: além de ir ao encontro da história dos usuários, teve ótima acolhida pela opinião pública, graças ao apoio da imprensa local. Inicia aí o processo de restituição da cidadania negada aos usuários de saúde mental, e interrompida por todos os anos 1990.

É hora de trabalhar o setor, sobretudo os CAPS. Alguns deles costumam, nas falhas das políticas públicas, abrigar projetos que tem como efeito perverso vincular o usuário ao dispositivo. A hora é essa: criar novos territórios na cultura, fora dos hospícios e dos CAPS, sem desvirtuar princípios, nem da economia solidária, nem da reforma psiquiátrica.

Manaus, Janeiro de 2010.
Rogelio Casado, especialista em Saúde Mental
Pro-Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da UEA
www.rogeliocasado.blogspot.com

Nota do blog: Artigo publicado no caderno Saúde & Bem Estar do jornal Amazonas em Tempo, que sai aos domingos.
Posted by Picasa

janeiro 15, 2010

Caps. vs. Hospício (III)

CAPS Silvério Tundis
Foto:
Rogelio Casado - Manaus-Amazonas-Brasil, 2006
Nota do blog: Está acontecendo em Manaus um curso sobre economia solidária para o setor de saúde mental. Público alvo: profissionais de saúde e organizações da sociedade civil. O lugar escolhido não poderia ter sido pior: o Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro. Em todo o país os militantes da luta por uma sociedade sem manicômios trabalham em consonância com a política nacional de saúde mental, que tem como meta a substituição dos hospitais psiquiátricos por uma rede diária de atenção de saúde mental, e que tem no CAPS - Centro de Atenção Psicossocial - um dos novos dispositivos de cuidados em saúde mental. Por que o local é problemático? Porque não pode haver dubiedade de comunicação com a sociedade. Se queremos o fim dos hospícios, realizar um curso de tão nobre propósito será interpretado como um sinal de que essa instituição pode ser "humanizada" e continuar entre nós depois de dois séculos de existência (vixe!). Fui honrosamente indicado pela professora Heloisa Helena Corrêa da Silva a participar como palestrante do evento. Ponderei sobre a impropriedade do local. Resumo da ópera: o segundo módulo será oferecido fora do espaço hospitalar, caso contrário declinarei do convite (questão de princípios). E mais: foi-me assegurado que o curso se propõe a fomentar iniciativas de economia solidária fora do espaço hospitalar. A propósito, Manaus já tem dois CAPS. O que se vê acima foi implantado pelo governo Eduardo Braga em 2006, quando já não era responsabilidade do Estado. O município inaugurou o seu CAPS neste mês de janeiro (é do município a responsabilidade de oferta desse tipo de serviço). Faltam mais seis, para uma população de 2 milhões de habitantes da cidade de Manaus. É bom lembrar que esses CAPS só atendem adultos com problemas severos e persistentes. Estão fora da área de cobertura: crianças/adolescentes e abusadores de álcool e outras drogas, que devem ter CAPS específicos. Sem falar da ausência de Centros de Convivência para abrigar incubadoras de projetos de geração de renda. Paro por aqui. Por ora, só a Associação Chico Inácio, que lutou praticamente sozinha pela Lei de Saúde Mental do Estado do Amazonas, é a única a romper com o silêncio do setor de saúde mental, incapaz de fazer valer os princípios da Reforma Psiquiátrica, entre eles substituir o manicômio por uma rede de CAPS.

CAPS vs. Hospício (III)

Ao traçar um paralelo entre dois modelos de saúde mental, em suas diferentes dimensões político-ideológicas, o professor e psicanalista Abílio da Costa-Rosa faz as seguintes afirmações sobre o modelo psicossocial, que tem no CAPS – Centro de Atenção Psicossocial – um dos seus dispositivos:

Neste modelo o ambiente sociocultural é determinante. A palavra e a ação do homem ganham a cena. É com ela que ele se administra.

Considerando o contínuo saúde-doença psíquica como o modo de posicionamento do sujeito frente aos conflitos e contradições vividas, o modelo psicossocial visa um reposicionamento do sujeito: ao invés de sofrer os efeitos do conflito, que se reconheça como um dos agentes implicados nesse “sofrimento”, abrindo caminho para agir como agente da possibilidade de mudança. Aqui a implicação é subjetiva. O sujeito não é mais apenas aquele que sofre.

No modelo psicossocial, suas diferentes possibilidades de ação se estendem desde a continência do indivíduo em crise até o reconhecimento da implicação familiar e social nos mesmos problemas. Tanto um quanto outro assumem parte do compromisso na atenção e no apoio.

É decisiva a ênfase na reinserção social do indivíduo nesse modelo de atenção, embora nem sempre seja a problemática que ele traz a responsável pela sua saída da circulação sociocultural. Desse modo, dá-se ênfase às formas de recuperação da cidadania pela via das cooperativas de trabalho.

O meio de trabalho desse modelo é a equipe interprofissional. Sua constituição supera em muitos aspectos o grupo de especialistas do modelo manicomial, na medida em que inclui dispositivos entre as mais diferentes formas de arte e artesanato. A superação da estratificação do saber dos especialismos se dá pela ampliação do conceito de tratamento e dos meios a ele dedicados, através da crítica ao paradigma doença-cura, agora tendo como “objeto” das novas práticas de saúde mental o conceito de existência-sofrimento.

Essa diferença conceitual é de uma sutileza elefantina, posto que o ato anterior de tratamento, baseado na doença-objeto, é transmutado por um verdadeiro exercício estético que tem como objetivo a experimentação de novas possibilidades de ser.

Para Antonio Lancetti, é esse deslocamento do pólo técnico-científico para o pólo ético-estético, onde se usam recursos além dos medicamentosos, que é capaz de gerar “novas formas de sociabilidade que escapam à produção em série dos manicômios hospitalares e profissionais”.

No próximo artigo, outras características desse novo paradigma de atenção à saúde mental.

Manaus, Dezembro de 2009.
Rogelio Casado, especialista em Saúde Mental
Pro-Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da UEA
www.rogeliocasado.blogspot.com

Nota do blog: Artigo publicado no caderno Bem Estar & Saúde do jornal Amazonas em Tempo.
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