
PICICA - Blog do Rogelio Casado - "Uma palavra pode ter seu sentido e seu contrário, a língua não cessa de decidir de outra forma" (Charles Melman) PICICA - meninote, fedelho (Ceará). Coisa insignificante. Pessoa muito baixa; aquele que mete o bedelho onde não deve (Norte). Azar (dicionário do matuto). Alto lá! Para este blogueiro, na esteira de Melman, o piciqueiro é também aquele que usa o discurso como forma de resistência da vida.
julho 26, 2010
Extermínio de crianças na Paraíba

junho 30, 2010
Ampliar os serviços substitutivos ao manicômio e investir em formação
Especialistas dizem que reforma psiquiátrica foi revolução, mas cobram ampliação de atendimento
Agência Brasil
Publicação: 28/06/2010 16:36
A Lei da Reforma Psiquiátrica (Lei nº 10.216), criada em 2001, promoveu uma revolução no tratamento de pessoas com transtornos mentais no país. Depois de nove anos de implantação, as mudanças começam a se consolidar com o fechamento de grandes hospitais psiquiátricos, mas a rede substitutiva está muito aquém da demanda gerada pela reforma, afirmam especialistas.
A lei regulamenta os direitos do portador de transtornos mentais, veta a internação em instituições psiquiátricas com característica de asilo e cria programas que propõem um tratamento humanizado. Nestes nove anos, foram fechados 17.536 leitos em hospitais psiquiátricos. Ainda restam, no entanto, mais de 35 mil.
Além do fechamento dos leitos, os hospitais psiquiátricos estão ficando menores. Em 2002, apenas 24,11% das vagas estavam em hospitais de pequeno porte (até 200 leitos), hoje são cerca de 50%. O programa consiste no incentivo, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), para que os hospitais de grande porte (acima de 400 leitos) e de médio porte (acima de 200 leitos) reduzam essas vagas progressivamente.
O Ministério da Saúde criou um tripé de desinstitucionalização psiquiátrica no Brasil: os centros de Assistência Psicossocial (Caps), as residências terapêuticas e o programa De Volta pra Casa.
Atualmente, há em todo o país 1.513 Caps. Existem ainda 564 residências terapêuticas (dado de maio deste ano) onde vivem pessoas que saíram dos manicômios e perderam seus vínculos familiares. Além disso, 3.445 pacientes que foram internados por mais de dois anos em hospitais psiquiátricos são atendidos pelo programa De Volta para Casa e recebem mensalmente um auxílio-reabilitação no valor de R$ 320.
Paralelamente ao fechamento de leitos em hospitais psiquiátricos, a reforma propõe a abertura de vagas em unidades de saúde comuns. Nesses espaços, conhecidos como hospitais gerais, as pessoas com transtornos mentais são atendidas em momentos de crise e não ficam internadas por longos períodos, como ocorria nos antigos manicômios.
Para o vice-diretor do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB), Ileno Izídio da Costa, a reforma é um caminho sem volta. Ele defende a necessidade de mais investimento para a área e a qualificação de profissionais.
“É preciso aumentar os recursos para a saúde mental. Se pensarmos que deve haver um Caps para cada 100 mil habitantes e que o Brasil tem cerca de 200 milhões de habitantes, então, 1,5 mil Caps é muito pouco. Obviamente o país todo não está coberto”, afirma.
A secretária executiva da Rede de Internúcleos da Saúde Mental (Renila), Nelma Melo, também critica a demora na implantação da rede substitutiva. “A gente vê os avanços, mas não podemos continuar a conviver com esses modelos, completamente antagônicos, o manicomial e o que vem para substituí-lo”, disse.
O coordenador de Saúde Mental, Álcool e Drogas do Ministério da Saúde, Pedro Gabriel Delgado, reconhece que é preciso avançar na ampliação e qualificação dos mecanismos de substituição para consolidar da reforma.
“A cobertura em saúde mental é ainda insuficiente em vários estados. Alguns Caps precisam ser mais bem qualificados, precisamos melhorar a articulação da nossa rede com a de urgência e emergência e ampliar muito as ações de saúde mental no âmbito da atenção básica”, destaca.
A Lei de Reforma Psiquiátrica levou 12 anos para ser aprovada no Congresso Nacional. Ela alterou o modelo de tratamento de pessoas com transtorno mental no país, nos moldes do que foi feito, na década de 70, em países como a Itália – que inspirou a reforma brasileira –, a França, a Inglaterra e os Estados Unidos.
De acordo com vice-diretor do Instituto de Psicologia da UnB, a reforma brasileira é a mais avançada da América Latina. “Segundo a Organização Mundial da Saúde [OMS], o Brasil é protagonista de uma reforma diferenciada em relação à saúde mental”, destaca.
Fonte: Correio Brasiliense
junho 15, 2010
Carta denúncia sobre a situação da saúde mental em Itabuna-Ba
março 24, 2010
Lendo nas entrelinhas: a questão da quantidade e da qualidade dos CAPS
Nota do blog: Não pense o prezado leitor que o Conselho de Medicina de São Paulo está preocupado em melhorar a rede de CAPS paulistana. Dou minha cara a bofete, como diria a saudosa tia Pátria, se for essa a intenção. Leia com atenção a matéria da Agência Estado abaixo. O sujeito da ação parece claro, mas nas entrelinhas sabemos que a psiquiatria conservadora alimenta em várias instâncias a idéia de não podermos viver sem os hospitais psiquiátricos. Ora, o quadro diagnosticado (certamente, real), não é outra coisa do que a ausência de investimentos na formação de profissionais e de todos os dispositivos criados (e em funcionamento) para substitutir o modelo baseado no hospital psiquiátrico. Essa psiquiatria omissa no passado recente, quer humanizar o hospital psiquiátrico e enfiar na nossa goela. Não precisamos desses críticos. Temos as nossas próprias. No caso do Amazonas, se bobear o CAPS do município de Tefé-AM (médio Solimões) é melhor do que os dois CAPS de Manaus. O da prefeitura de Manaus, tido como tipo II, não tem leitos para casos que exigem período de observação e ainda mantém vínculo não esclarecido com uma ONG (segundo informações, para a prática de terapia ocupacional; o que confugura uma distorção). O do governo do Estado, tido como tipo III, tem deficência no quadro de pessoal, mas é o que mais se aproxima do modelo de atenção psicossocial. Se conseguirmos resolver o imbróglio criado pelo município que agendou a conferência municipal de saúde mental para o final de abril, desrepeitando os prazos estabelecidos pela organização nacional, teremos muito a discutir e esclarecer. Inclusive a distorção de um militante ligado a ABRASME que afirmou na primeira reunião intersetorial que a Conferência Nacional de Saúde Mental só será realizada este ano porque o Ministério da Saúde reconheceu que estava em dívida com a Reforma Psiquiátrica. Essa meia verdade omite o papel do movimento social. Foi a realização da Marcha à Brasília por uma Reforma Psiquiátrica Antimanicomial, organizada pelo Conselho Nacional de Psicologia e Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial (da qual é filiada, pelo Amazonas, a Associação Chico Inácio) que conquistou o direito de realizar nossa conferência. Quando digo que é preciso enfrentar esses reformistas de araque, o exemplo está aí em toda a sua desfaçatez. Eles podem mimetizar nossos discursos, mas não subtrairão nossa história.*****
Agência Estado
Unidades psiquiátricas têm falta de médicos em SP
São Paulo - Serviços de saúde normatizados em 2002 para substituírem as internações em grandes hospitais psiquiátricos registram em São Paulo falta de profissionais e acompanhamento inadequado de pacientes, como ausência de planos individuais de tratamento e de controle sobre efeitos dos medicamentos utilizados. A conclusão é de avaliação inédita do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) sobre uma amostra vistoriada de 37% dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) paulistas.
Os centros foram criados durante a reforma psiquiátrica, iniciada há 30 anos no Brasil para evitar que pessoas com doenças mentais fossem isoladas em grandes hospitais psiquiátricos. Preveem equipes com diferentes profissionais de saúde, tratamento médico, oficinas terapêuticas e ações para reintegrar o paciente à sociedade.
O Cremesp calculou que menos da metade dos 85 Caps vistoriados (entre os 230 existentes no Estado) cumpre a própria regulamentação, de 2002, e que um terço fica sem médico em pelo menos um período do dia. "Não queremos demonizar a ideia, mas, como aplicação concreta, os Caps estão bastante deficitários", disse o psiquiatra Mauro Aranha de Lima, coordenador do estudo. O órgão não divulgou os nomes dos Caps analisados, alegando que, como o trabalho foi realizado entre 2008 e 2009, a situação pode ter melhorado. Os dados seguiram para as unidades e o Ministério Público.
Hoje, a maioria dos serviços é de gestão municipal, com financiamento e apoio das três esferas de governo. Procurado, o Ministério da Saúde disse que vai analisar os dados. A Secretaria de Estado da Saúde não se manifestou. "Certamente eles não foram aos nossos Caps", defendeu-se o secretário da capital paulista, Januário Montone, alvo de ação do Ministério Público para a criação de 57 novos serviços. A pasta afirma que um acordo será analisado pela Justiça e que, desde 2005, 16 Caps foram criados. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
fevereiro 24, 2010
Ufa! Mais um CAPS...
Foto: Nivya Valente - Brasília-DF - Setembro, 2009
Ufa! Mais um CAPS...
Bem vindos, companheiros(as) do Centro de Atenção Psicossocial da Cachoeirinha. Finalmente, saiu o primeiro CAPS da Prefeitura. A Associação Chico Inácio – filiada à Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial – fez uma visita no local, no mês de janeiro, e me garantiu que a equipe que a recebeu merece crédito. O espírito ali reinante é antimanicomial, até que se prove o contrário.
O déficit de CAPS em Manaus, bem como a implantação de leitos psiquiátricos no hospital geral, ainda é muito grande. Com apenas dois CAPS, estamos aquém das demandas de uma cidade com dois milhões de habitantes. Nos sessenta e dois municípios amazonenses ainda não chegamos a meia dúzia de CAPS. É pouco.
Vale a pena repetir: é preciso CAPS para adultos com problemas severos e persistentes, CAPS para crianças e adolescentes psicóticos e autistas, CAPS para abusadores de álcool e outras drogas, sem esquecermos dos Centros de Convivência com programas de geração de renda.
A Associação Chico Inácio não pretende baixar a guarda dos direitos de cidadania dos usuários dos serviços de saúde mental de Manaus. Enquanto não houver uma rede de CAPS capaz de oferecer tratamento que não se baseie apenas em medicamentos, silenciar é pecado capital.
Basta o silêncio de anos seguidos de quem tem a responsabilidade de gestão da saúde. Um deles chegou a dizer que “era só o que faltava investir em presos e loucos”. Essa cultura da indiferença vem sendo enfrentada pela Chico Inácio com a dignidade dos que jamais perdem a cordialidade.
É fundamental não perder o espírito crítico, sob pena de retrocesso das poucas conquistas obtidas. E isso vale para todos, sobretudo para a categoria mais reticente aos princípios que norteiam a reforma psiquiátrica brasileira: médicos.
Lembro-me do questionamento que fizemos, ainda estudante de medicina, no IV Congresso Brasileiro de Psiquiatria, realizado em Fortaleza, no Ceará. Época de ditadura militar. A formação do estudante de medicina em psiquiatria era o tema do congresso:
“Nós não compreendemos porque ocupando os psiquiatras irremediavelmente o lugar de intelectuais, negam esse papel e simplesmente se justapõem ao aparelho burocrático estatal que consideram incondicionalmente benéfico e justo”.
O texto lido por mim na plenária final do congresso é de autoria do saudoso Humberto Marouelli Mendonça, médico psiquiatria com quem dividi importantes momentos da vida acadêmica em Manaus. Seu texto continua atual. Até porque pouco mudou na formação elitizada da medicina brasileira.
Moral da história: mesmo numa cidade habituada a promover a “desafiliação” dos que nadam contra a correnteza, uma outra gramática é possível.
Manaus, Fevereiro de 2010.
Rogelio Casado, especialista em Saúde Mental
Pro-Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da UEA
www.rogeliocasado.blogspot.com
Nota do blog: Artigo publicado no jornal Amazonas em Tempo, no caderno Saúde & Bem Estar, que sai aos domingos.
janeiro 15, 2010
Caps. vs. Hospício (III)
CAPS vs. Hospício (III)
Ao traçar um paralelo entre dois modelos de saúde mental, em suas diferentes dimensões político-ideológicas, o professor e psicanalista Abílio da Costa-Rosa faz as seguintes afirmações sobre o modelo psicossocial, que tem no CAPS – Centro de Atenção Psicossocial – um dos seus dispositivos:
Neste modelo o ambiente sociocultural é determinante. A palavra e a ação do homem ganham a cena. É com ela que ele se administra.
Considerando o contínuo saúde-doença psíquica como o modo de posicionamento do sujeito frente aos conflitos e contradições vividas, o modelo psicossocial visa um reposicionamento do sujeito: ao invés de sofrer os efeitos do conflito, que se reconheça como um dos agentes implicados nesse “sofrimento”, abrindo caminho para agir como agente da possibilidade de mudança. Aqui a implicação é subjetiva. O sujeito não é mais apenas aquele que sofre.
No modelo psicossocial, suas diferentes possibilidades de ação se estendem desde a continência do indivíduo em crise até o reconhecimento da implicação familiar e social nos mesmos problemas. Tanto um quanto outro assumem parte do compromisso na atenção e no apoio.
É decisiva a ênfase na reinserção social do indivíduo nesse modelo de atenção, embora nem sempre seja a problemática que ele traz a responsável pela sua saída da circulação sociocultural. Desse modo, dá-se ênfase às formas de recuperação da cidadania pela via das cooperativas de trabalho.
O meio de trabalho desse modelo é a equipe interprofissional. Sua constituição supera em muitos aspectos o grupo de especialistas do modelo manicomial, na medida em que inclui dispositivos entre as mais diferentes formas de arte e artesanato. A superação da estratificação do saber dos especialismos se dá pela ampliação do conceito de tratamento e dos meios a ele dedicados, através da crítica ao paradigma doença-cura, agora tendo como “objeto” das novas práticas de saúde mental o conceito de existência-sofrimento.
Essa diferença conceitual é de uma sutileza elefantina, posto que o ato anterior de tratamento, baseado na doença-objeto, é transmutado por um verdadeiro exercício estético que tem como objetivo a experimentação de novas possibilidades de ser.
Para Antonio Lancetti, é esse deslocamento do pólo técnico-científico para o pólo ético-estético, onde se usam recursos além dos medicamentosos, que é capaz de gerar “novas formas de sociabilidade que escapam à produção em série dos manicômios hospitalares e profissionais”.
No próximo artigo, outras características desse novo paradigma de atenção à saúde mental.
Manaus, Dezembro de 2009.
Rogelio Casado, especialista em Saúde Mental
Pro-Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da UEA
www.rogeliocasado.blogspot.com
Nota do blog: Artigo publicado no caderno Bem Estar & Saúde do jornal Amazonas em Tempo.
dezembro 30, 2009
CAPS vs. Hospício (II)
CAPS vs. Hospício (II)
Estamos traçando um paralelo entre dois modelos de saúde mental com diferentes dimensões político-ideológicas. Semana retrasada foi a vez do modelo manicomial, cuja referência é o hospício. Hoje é a do modelo psicossocial, que tem no CAPS – Centro de Atenção Psicossocial – um dos seus dispositivos (além dos Centros de Convivência, Serviços Residenciais Terapêuticos, leitos psiquiátricos em hospitais gerais, cooperativas sociais).
Antes, um lembrete: falar em novo paradigma em saúde mental é reconhecer que entre seus componentes estão novas formas de divisão de trabalho, novos dispositivos institucionais, novos modos de relacionamento entre os usuários dos serviços com a população, e que são outras as implicações éticas das novas práticas em termos jurídicos, teórico-técnicos e ideológicos. Valho-me das afirmações abaixo, do professor e psicanalista Abílio da Costa-Rosa, para dizer que sem elas não há radicalidade na mudança de modelo.
O modelo psicossocial tem entre seus objetos e meios de trabalho as psicoterapias, laborterapias, socioterapias e um conjunto de dispositivos de reintegração social, com ênfase nas cooperativas de trabalho, além da medicação.
É decisiva a participação do sujeito no tratamento, consideradas suas peculiaridades individuais e socioculturais.
Assume capital importância a relação do indivíduo com seu grupo social e familiar. Ambos são trabalhados como agentes das mudanças que se pretende.
Dado que o indivíduo não é único problemático, a família é incluída no tratamento.
Vale lembrar que a loucura não é um fenômeno exclusivamente individual, mas social, ainda que nossa cultura o negue.
É a participação da família e dos grupos sociais referidos ao usuário, sob as mais variadas formas, quem supera as posturas assistencial e orientadora do modelo manicomial. As próprias associações de usuários, surgidas sob inspiração do modelo psicossocial, tem papel ativo no tratamento, sobretudo na inclusão social dos usuários dos serviços.
O contexto social assume uma importância fundamental na medida em que é no espaço social que se praticam as mudanças desejadas na relação sociedade e loucura.
A loucura e o sofrimento psíquico não precisam mais ser removidos a qualquer preço. Ambos passam a ser reintegrados como parte da existência e, portanto, considerados como um patrimônio inalienável dos sujeitos e da humanidade.
No modelo psicossocial, os conflitos são considerados constitutivos e designam o posicionamento do sujeito e o lugar do homem na sociedade e na cultura.
Tem mais no próximo artigo.
Manaus, Dezembro de 2009.
Rogelio Casado, especialista em Saúde Mental
Pro-Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da UEA
www.rogeliocasado.blogspot.com
Nota do blog: Artigo que deveria ter sido publicado, duas semanas passadas, no Caderno Saúde & Bem Estar do jornal Amazonas em Tempo.
dezembro 14, 2009
CAPS versus Hospício
Em Saúde Mental qualquer modelo terapêutico tem seu arcabouço ideológico e teórico-técnico. Mas é o dispositivo institucional no qual ele é executado que faz a diferença. É o caso dos modelos antagônicos sobre os quais venho escrevendo neste jornal: o manicomial e o psicossocial. Desse último faz parte o CAPS – Centro de Atenção Psicossocial (dispositivo que substitui o modelo baseado no hospital psiquiátrico); do primeiro, o hospício (dispositivo presente na história da humanidade nos últimos duzentos anos).
Para o psicanalista e professor universitário Abílio da Costa-Rosa, no modelo manicomial consideram-se orgânicos os problemas mentais, sendo o tratamento medicamentoso. Não havendo sujeito desejante, ele não é co-participante do tratamento, sendo mero organismo a receber medicamentos.
Isolado do contexto social – família, amigos, trabalho –, o sujeito em sofrimento serve apenas como objeto assistencial, enquanto famílias são alvo de uma pedagogia fracassada, que não leva em conta o sujeito que vive a experiência da loucura. Daí intermináveis palestras, indutoras da passividade, fadadas ao fracasso.
Quanto ao tratamento, pense numa fábrica de linha de montagem. Como se o sujeito fosse uma mercadoria, primeiro ele recebe um diagnóstico mal formulado, para depois passar nas mãos de outros especialistas. Pior que essa ultrapassada divisão do trabalho, só a visão alienada dos ambulatórios que julga ter posto fim ao confinamento, próprio dos dispositivos da sociedade disciplinar, sem se dar conta que deu lugar a um outro tipo de dispositivo da modernidade, onde se operam formas sutis de controle social.
Os recursos multiprofissionais deste modelo, considerado secundário, qualquer que seja a disciplina – psicologia, psicanálise, terapia ocupacional – não altera a natureza do modelo, nem a realidade política e sócio-cultural dos sujeitos em tratamento. Todos se assumem como sujeitos de especialidades (disciplina), diante de uma clientela concebida como objeto inerente da sua intervenção – clientela desprovida de história e contexto social.
Nesse modelo, o modo de tratamento da psicose é refém do modelo de cura dos cânones médicos. Pior; outras problemáticas são incluídas no mesmo saco de gatos desse modelo curativo: o alcoolismo, a drogadicção e as neuroses graves.
É instituição por excelência desse modelo o hospital psiquiátrico e seus ambulatórios de consulta, medicalizadores das dores humanas e das dores da existência.
No próximo artigo, o modelo psicossocial, com seus objetos e seus meios de trabalho.
Manaus, Dezembro de 2009.
Rogelio Casado, especialista em Saúde Mental
Pro-Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da UEA
www.rogeliocasado.blogspot.com
Nota do blog: Artigo publicado no Caderno Saúde & Bem Estar do jornal Amazonas em Tempo, que sai aos domingos.
novembro 13, 2009
A Clínica da Saúde Mental - CAPS e Reforma Psiquiátrica
Caros Amigos,
O Instituto Gregório Baremblitt de Frutal, inaugura suas atividades com:
Instituto Gregório Baremblitt
Rua Antônio de Paula, n°4 – Centro – Frutal/MG - CEP 38200-000.
Convida:
Curso: “A CLÍNICA DA SAÚDE MENTAL – CAPS E REFORMA PSIQUIÁTRICA”
CARGA HORÁRIA: 40 HORAS, DIVIDIDOS EM 5 ENCONTROS DE 8 HORAS.
PROFESSORES: JORGE ANTÔNIO NUNES BICHUETTI (Diretor Clínico e Psiquiatra do NAPS “Maria Boneca”);
MARIA DE FÁTIMA OLIVEIRA (Coordenadora e Psicóloga do NAPS “Maria Boneca”) da Fundação Gregório Baremblitt em Uberaba.
Objetivos:
1. Capacitar intervenções na clínica da crise e da psicose;
2. Desenvolver manejo de grupo psicoterápico e de oficinas terapêuticas;
3. Compreender a lógica do hospício e o modo de ver e agir da clínica antimanicomial;
4. Instrumentalizar práticas clínicas e sociais com família e comunidade;
5. Subsidiar leituras, intervenções e a produção de vida na lida com o sofrimento mental grave;
Conteúdo:
Dia 28 de novembro de 2009 (último sábado do mês):
a) Crise e desinstitucionalização. Cuidado antimanicomial.
Lógica do hospício. Cuidado de crise. Acolhimento e vínculo.
b) Caps. Reforma Psiquiátrica.
Convivência. Maternagem e trocas solidárias.
Transferência e transversalidade.
Exercícios: cuidando de crise
Dia 19 de dezembro de 2009 (último sábado útil do mês):
a) Clínica da Psicose.
Freud, Basaglia e Deleuze-Guattari. Lacan
Loucura, desrazão – diferença.
Outras clínicas do CAPS, do PSF e da rede básica. Psicopatologia – dinâmica dos transtornos mentais
b) Grupalidade. Freud, Bion, Pichón-Riviere, Sartre e Deleuze-Guattari.
Exercícios: a cena temida e bricolagem
Dia 30 de janeiro de 2010 (último sábado do mês):
a) Oficinas terapêuticas.
Repertório. Vivências.
b) Família – equipe – gestão
Exercícios: construindo oficinas para o dia-a-dia
Dia 27 de fevereiro de 2010 (último sábado do mês):
a) Cotidiano da clínica. Situações limite e o inédito viável.
Perfil da demanda. Admissão, alta. Plano terapêutico. Ética: estética e não-violência. Festas e – passeios.
Atividades comunitárias. Rede e socius no Caps.
b) Reabilitação Psicossocial.
Exercícios: Caçando linhas de fuga
Dia 27 de março de 2010 (último sábado do mês):
a) Esquizodrama: Laboratório – drama do devir
b) Teoria e prática: produzindo o novo pela experimentação. Exploração de multiplicidades. Nós e saídas.
Exercícios: esquizodrama
Entrega dos certificados assinados pelos docentes e Direção do Instituto, com 75% de assiduidade.
OBSERVAÇÃO: Todos os encontros funcionaram na seguinte dinâmica, podendo haver mudanças se o coletivo assim decidir:
c) Primeira parte do encontro, das 9:00 horas às 13:00 horas, com intervalo de 15 minutos para lanche;
d) Das 13:00 horas às 14:00 horas – almoço;
e) Segunda parte do encontro, das 14:00 horas às 18:00 horas, com intervalo de 15 minutos para lanche.
Carga horária: 8 horas/encontro, com vivências e exposição teórica.
Investimento: R$ 500, 00, divididos em cinco parcelas de R$100,00.
Data limite de inscrição: 20 de novembro de 2009.
Local do Curso: Rua Antônio de Paula, n°4 – Centro – Frutal/MG - CEP 38200-000.
Comissão Organizadora e Contato para Inscrições: Arlete Borges de Morais (tel.99956847); Celso Peito M. Filho (tel.99944041); Bernardino Lopes Neto (tel.99252396), Simone A. Cavalcanti (tel.96811296).
a história Extra-Oficial, de Marcelo Reis
CINEMA DE INVENÇÃO
Caixa Preta apresenta:
Making of do filme História Extra-oficial de Marcelo Reis, roteirizada na caixa preta do Caps Itapeva
outubro 31, 2009
3 de novembro: inauguração do CAPS Tereza Noronha... em Pernambuco
Valeu o esforço de todos os municípios e dos(as) colegas que implantaram os serviços, enfrentando dificuldades, como todos(as) sabem.
CONVITE
O Prefeito do Paulista, Yves Ribeiro de Albuquerque,
e o Secretário de Saúde do Município,
Nelson Falcão de Melo convidam V.Sª. para
a inauguração
do CAPS III Tereza Noronha (24 horas),
que irá acontecer no dia 03 de novembro
às 16:00h, na Av. Beira Mar 3419
(Janga – Paulista – PE)






