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agosto 14, 2010

Suicídio entre adolescentes: tema tabu na imprensa brasileira

Drame  
jeudi 
12 août 2010

«A l’adolescence, on ne se suicide pas pour mourir»

La mort par pendaison d’une fillette de 11 ans attire l’attention sur le phénomène souvent méconnu des suicides à l’adolescence, un âge qui commence toujours plus tôt, avec les problèmes qui lui sont associés
Morte à 11 ans, pendue, très vraisemblablement suicidée. Le drame, surgi mardi dans une cité proche de Cavaillon, dans le Vaucluse, ébranle. Ses circonstances exactes doivent être précisées par une enquête de police qui ne fait que commencer. Mais les questions se bousculent déjà. On savait l’adolescence un âge à risque. Mais 11 ans? Les réponses de François Ansermet, responsable du service de pédopsychiatrie des Hôpitaux universitaires genevois.

Le Temps: Un suicide à 11 ans, c’est exceptionnel?
 
François Ansermet: Oui, heureusement. Mais cela confirme une tendance à un abaissement de l’âge du suicide, qui va peut-être aussi avec celui de la puberté – et donc de la survenue des crises liées à l’adolescence. Or le suicide est un problème majeur et paradoxalement trop souvent insuffisamment pris en compte. C’est la première ou la deuxième cause de mortalité entre 14 et 20 ans. Avec les accidents, qui sont souvent aussi, à cet âge, la conséquence de conduites à risque.

– Et comment explique-t-on cela?
 
– A l’adolescence, on est aux prises avec toute sorte de conflits et de problèmes. On doit découvrir son identité sexuelle, assurer à l’école, choisir une filière de formation, on connaît les premières passions amoureuses, dans lesquelles on peut très littéralement se perdre. Tout cela peut déboucher sur des conflits que certains vivent comme sans issue. Le sentiment d’être dans une impasse suscite une angoisse qui peut devenir insupportable. Si insupportable que la seule issue semble être un passage à l’acte.

– Passage à l’acte qui peut aussi bien être une tentative qu’un suicide abouti?
 
– Ce qui est sûr, c’est qu’il ne faut jamais banaliser une tentative. C’est la révélation que quelque chose va très mal, une révélation qui impose de mettre en place une écoute, voire une prise en charge, adaptée. Et il faut bien entendre les mots «passage à l’acte». Cela signifie qu’on passe d’un mode de fonctionnement axé sur le raisonnement à un acte qui lui, justement, n’est pas réfléchi, court-circuite la pensée. En d’autres termes, l’adolescent qui fait un acte suicidaire ne se représente pas forcément la mort. Le plus souvent, il ne la désire pas. Il ne peut tout simplement plus vivre dans l’état de souffrance où il est. C’est un paradoxe tragique: le suicide, dans ces cas, est une sorte de saut vers la vie, une tentative pour échapper à un blocage insupportable.

Fonte: Les Temps

***

Tradução livre:


Drama 
jeudi 12 agosto 2010 
 "À adolescência, não se suicida para morrer"
Sylvie Arsever 
A morte por enforcamento de uma menina de 11 anos chama a atenção para o fenômeno muitas vezes esquecido de suicídio na adolescência, uma idade que sempre começa mais cedo, com os problemas associados com ele 
* O site de links do Centro de Estudos e Prevenção do Suicídio Genebra AdTech Ad Advertising 
 Morto aos 11 anos, enforcado, muito provavelmente por suicídio. O drama, surgiu terça-feira em uma cidade perto de Cavaillon, Vaucluse, shakes. As circunstâncias exatas devem ser especificadas por um inquérito policial só está começando. Mas as perguntas já estão se acotovelando. Sabíamos que os adolescentes em idade de risco. Mas 11 anos? As respostas de François Ansermet, chefe da Psiquiatria Infantil dos Hospitais da Universidade de Genebra.
The Times: Um suicídio aos 11 anos é excepcional?
François Ansermet: Sim, felizmente. Mas confirma uma tendência de redução da idade de suicídio, que é talvez também com a da puberdade - e, portanto, a ocorrência de crises na adolescência. Mas o suicídio é um problema grave e, paradoxalmente, muitas vezes suficientemente tidos em conta. Esta é a causa primeira ou segunda principal de mortalidade entre 14 e 20 anos. Com acidentes, que muitas vezes nessa idade, é conseqüência de comportamentos de risco.
- E como se explica isso?
- Na adolescência, a pessoa é confrontada com todos os tipos de conflitos e problemas. Temos de descobrir sua identidade sexual, para garantir a escola, a escolha de um sistema de formação, sabemos que o primeiro amor apaixonado, no qual se pode, literalmente, perder. Tudo isso pode levar a conflitos que alguns vivem como sem esperança. A sensação de estar em um impasse cria uma ansiedade que pode se tornar insuportável. Tão insuportável que a única solução parece ser a passagem ao ato.
 - Passagem para o ato que pode muito bem ser uma tentativa de suicídio parado?
  - O que é certo é que nunca devemos banalizar uma tentativa. É uma revelação de que algo está muito errado, uma revelação que obriga a criação de uma escuta ou até mesmo de cuidados, adaptadas. E nós temos que ouvir as palavras "acting out". Isto significa passar de um modo de operação com base na fundamentação de um acto que, justamente, não se reflete, ignorando a mente. Em outras palavras, o adolescente que fez uma tentativa de suicídio não representa necessariamente a morte. Na maioria das vezes, ele não quer. Ele simplesmente não pode mais viver no estado onde está sofrendo. É um paradoxo trágico: o suicídio, nestes casos, é uma espécie de salto para a vida, uma tentativa de escapar de um impasse intolerável.

julho 26, 2010

Extermínio de crianças na Paraíba

Imagem postada em crianca.pb.gov.br

Não dá mais pra assistir o extermínio dos nossos jovens!

“Uma a cada três vítimas de homicídios na Paraíba é criança ou adolescente. De 2000 a 2009, 38,8% do total de mortes no Estado atingiram o público de zero a 18 anos, ou seja, das 2479 vítimas, 963 eram menor de idade. Os dados da Secretaria de Saúde do Estado ainda revelam um aumento de 105,7% do número de crianças e adolescentes, que de 2000 a 2009, subiram de 70 para 144 mortes anuais. Segundo a Pesquisa ‘Mapa da Violência 2010’, divulgada em 30 de março deste ano em São Paulo, a Paraíba saiu da 17º (1997) para a 11º (2007) colocação no ranking dos estados onde mais crianças e adolescentes morrem vítimas de homicídio... De acordo com o Mapa, João Pessoa é a oitava capital onde mais pessoas entre zero e 19 anos morrem por conta desse tipo de violência. De acordo com o estudo, é a partir dos 12 anos que inicia o “crescente espiral da violência”. Mas não são apenas os números de homicídios que crescem. Segundo apuração do CREAS (Centro de Referencia Especializada em Assistência Social), somente em 2009, 87,5% dos casos de violência registrados em todo o Estado da Paraíba foram com crianças e adolescentes. No total, foram 4024 vítimas de zero a 18 anos negligenciadas, violadas psicologicamente, violentadas, exploradas e abusadas sexualmente.”

O longo excerto jornalístico acima foi transcrito duma notícia de jornal de João Pessoa, de abril deste ano. A matéria foi escrita após a divulgação do “Mapa da Violência de 2010”. Não lembro se houve repercussão entre os poderes públicos em nosso estado, ou mesmo na própria sociedade civil. Os jornais todos os dias, escritos e televisionados, registram estas mortes. Para a maior parte da população são apenas números. Chama a atenção o modo como grosso modo estes assassinatos são divulgados, há um tom freqüentemente sensacionalista e a um só tempo de banalização total destas mortes, sobretudo quando se trata de jovens usuários de drogas, que perfazem a grande maioria. É como se houvesse praticamente uma resignação, eu pensei inicialmente em dizer, mas é mais que isso, muitas vezes parece que há um alívio, ou, arriscaria denunciar, um desejo que estas mortes acontecessem. A maioria dos assassinatos são perpetrados a jovens do sexo masculino, sobretudo negros e usuários de drogas. (A Paraíba inclusive é o estado no Brasil onde mais morrem negros assassinados! ). No Direito Romano Antigo havia uma categoria que traz uma triste analogia com estes meninos mortos – homo sacer. Eram pessoas que não podiam oficialmente ser mortas, mas se o fossem, tudo bem – era uma vida indigna de ser vivida. 

 Então me permitam me apresentar, meu nome é Flávia Fernando Lima Silva, sou médica psiquiatra, especialista em Psiquiatria da Infância e Adolescência. Sou trabalhadora do SUS, militante da luta antimanicomial, trabalho em centros de atenção psicossocial (CAPS) na grande João Pessoa, Paraíba ( num caps infantil e num caps álcool e drogas). Atendo jovens em extrema vulnerabilidade. Muitos com baixa escolaridade, sem terem tido os cuidados parentais mínimos, os seus direitos garantidos, pobres ou muitos pobres, muitos foram ou estão institucionalizados . Os meninos costumam encontrar no uso abusivo de substancias um modo possível de alívio em vidas tão marcadas pelo sofrimento, os meninos algumas vezes vão se agregando assim, junto ao prazer de estarem juntos e usarem drogas, construindo inclusive identidades em torno disto. Recebo-os encaminhados de outras instituições, jovens em situação de rua, trazidos por parentes, os que tem parentes.Os jovens são pessoas, são seres humanos – eles tem afetos, eles nos afetam, alguns  estão reaprendendo a sonhar. Eles me fazem sonhar/lutar por outro mundo possível. Nos últimos quatro meses, seis dos meus pacientes morreram de morte matada. Eles morrem de tiro e de faca. Quatro tinham menos de 18 anos. Um 18, outro menos de 30 anos. Afora os filhos dos lutos, crianças que perderam seus pais assassinados, que já começam a nos chegar no caps infantil. Além das mães dos jovens mortos. A maior parte destes assassinatos foram anunciados. Os meninos vinham, angustiados, nos pediam ajuda. Lembro de um dia que passei inteiro no Ministério Público a fim de pedir proteção para um jovem que acabava de completar dezoito anos e estava sendo ameaçado – acabou sendo encaminhado para um hospício, o estado não tinha/não tem nenhum “outro” dispositivo de acolhimento efetivo e proteção a estes jovens! Este menino depois sumiu, tentei contato com a família, estes dias soube – ele acabou sendo assassinado mês passado. Estamos falando de negligencia do estado e da sociedade, estamos falando de banalização de vidas e mortes, de lutos não autorizados por uma sociedade que compactua/deseja estas mortes. Estamos falando de extermínio! 

Este texto não se trata de um relatório técnico no sentido estrito do termo, com relação à situação de vulnerabilidade e dos assassinatos dos nossos jovens. Trago aqui a minha experiência, um relato afetivo duma trabalhadora que cuida destes jovens que são mortos, lembrando que a maioria deles sequer chega em um serviço de saúde ou assistência social. 

Falo em todos os espaços coletivos que participo da urgência da implementação de sistemas de proteção à vida em nosso estado. Falo mas escuto pouca ressonância! Agora escrevo, escrevo enquanto uma trabalhadora de saúde que cuida destes jovens que tem suas mortes anunciadas e nada é feito para mudar estas realidades. Por que nosso estado ainda não implementou por exemplo o PPCAAM (Programa de Proteção à criança e ao adolescente ameaçados de morte)??? Este é um Programa da Secretaria Especial de Direitos Humanos, que existe desde 2007. Como poderíamos exigir a sua urgente implementação?? Além claro de outros sistemas de proteção que atenda adultos, que também são vítimas. O que precisamos fazer para que isto seja feito? Logo, urgente!

Finalmente lembro aqui das mães da praça de maio, guerreiras da utopia ativa, que nos ensinam há décadas, que uma vida não pode ser esquecida. Em frente à Casa Rosada em Buenos Aires, há mais de 30 anos, pedem pelos seus filhos desaparecidos. Lembro também de Antígona, que luta até mesmo com a ordem do rei, seu tio, para velar o corpo dos seu irmão morto. 

Na história contemporânea da Guerra às Drogas em nosso país e especialmente na Paraíba, conclamo aos poderes públicos e a sociedade civil como um todo – protejamos os nossos jovens, não os deixemos morrer assim. A Guerra, claro está, é direcionada às pessoas. Sim, é de pessoas que estamos falando.
Chega de extermínio!
                                        
Flávia Fernando Lima Silva
25 de julho de 2010, João Pessoa, Paraíba 

Leia mais sobre o extermínio de crianças na Paraiba em http://crianca.pb.gov.br/contador/?p=318

dezembro 14, 2009

Não se educa sem traumatizar

A fake painting of Fernando Botero
Postado em ifalsidiautore.it

Não se educa sem traumatizar

Por: Rita de Cássia de A. Almeida
Psicanalista


Dedico este texto em homenagem e em gratidão à Irmã Estefânia, saudosa diretora do Colégio Santa Catarina de Juiz de Fora/MG.

Cursei o segundo grau em um tradicional colégio de freiras, de 1983 a 1985 e essa semana andei lutando com algumas lembranças daquela época. Lembrei-me especialmente de uma das freiras, a que ocupava o cargo de diretora na ocasião: Irmã Estefânia. Irmã Estefânia era o verdadeiro terror da escola, a quem temíamos e odiávamos. Nosso pior pesadelo era ser alvo de suas repreensões ou mesmo cruzar o seu caminho por algum motivo. Mas na verdade, Irmã Estefânia, era praticamente uma sombra, quase nunca a víamos, não circulava nos corredores, falava pouco e nem era acessível aos pais ou professores. Sua presença só era convocada em situações extremas.

Mergulhada nessas lembranças recordei de uma vez, a única vez na qual eu e minha turma fomos o alvo da ira e rabugice daquela mulher. Alguém da turma – que não me lembro quem – inventara uma tal de “bolinha espacial”. Uma bolinha de papel um pouco mais sofisticada, feita de papel alumínio (reutilizado para tal fim após cumprir a função de embalar um sanduíche para a merenda). O fato é que essa “bolinha espacial” era extremamente poderosa, fazia um estrago quando arremessada na cabeça de alguém (e o propósito era exatamente esse). Portanto, quem se apoderava da tal bolinha, já que todas as outras eram de papel comum, era temido e respeitado pelos demais alunos e podia experimentar, ainda que por alguns instantes, a sensação de ter o poder nas mãos e de expressar sua agressividade contra alguém que elegesse como alvo. Essa brincadeira durou várias semanas, sem grandes contratempos: ninguém reclamou de levar bolada na testa ou no olho, ninguém se sentiu vítima de nenhuma violência ou bullying (como nomeiam agora), ninguém reclamou pra nenhum professor, pro pai, pra mãe e ninguém foi encaminhado ao psicólogo ou psiquiatra. Mas, um belo dia... Alguém errou a pontaria e ao invés acertar um colega, acertou a lâmpada fluorescente da sala, que estourou e se desfez sobre nossas cabeças em mil pedaços. Um silêncio sepulcral tomou conta da sala e a frase que todos nós temíamos foi dita minutos depois: - Chamem a Irmã Estefânia!

O tempo que se passou entre essa frase e a chegada da nossa inquisidora foi um dos piores que talvez eu tenha passado até então, e certamente, por isso, jamais me esqueci. Lembro-me do medo que senti, da dor de barriga e do gosto amargo que me vinha na boca só de pensar que meus pais saberiam do ocorrido. Também me lembro da chegada triunfante de Irmã Estefânia, dos berros que ela dava e de sua feição cruel e ameaçadora. Não me lembro do castigo que com certeza nos foi imposto, me lembro apenas que recebemos uma punição coletiva, porque nos recusamos a acusar o autor da façanha. Ah! E depois, meu castigo em casa foi dobrado porque minha mãe teve que comparecer na escola, para dar explicações... Enfim diria que o episódio da “bolinha espacial” foi um trauma em minha vida.

Numa visada superficial, ou talvez numa visada atual, Irmã Estefânia seria apenas uma mulher cruel, prepotente e mandona, que exercia sua sede de poder e seu sadismo sobre pobres e inocentes adolescentes. Mas, avaliando mais profundamente, a função que ela cumpria foi fundamental para nós. Hoje entendo que Irmã Estefânia, na verdade, não era tão somente uma castradora, mas, sobretudo, uma possibilitadora. Como tínhamos uma figura definida a quem dirigir nosso ódio, nossa repulsa, nosso temor, já que podíamos elegê-la a bruxa ou o demônio que infernizaria nossas vidas – a perseguidora responsável por nossos maiores infortúnios – podíamos, por outro lado viver numa relação de harmonia e irmandade com todos os demais membros da escola, professores, funcionários e alunos. O que ficava claro sem precisar ser dito era: todos submetidos à Irmã Estefânia e todos contra a Irmã Estefânia.

Apesar de citar apenas esse exemplo me recordo de muitas outras figuras da minha infância e juventude que cumpriram função semelhante à de Irmã Estefânia. Figuras temidas, respeitadas e odiadas que invariavelmente nos traumatizavam, facilitando bastante as coisas para nós. De fato, nossos pais também ocupavam em maior ou menor medida tal função, suportavam nossa raiva e não tinham medo de nos traumatizar com suas atitudes ou palavras. Eram também castradores-possibilitadores.

Sou mãe de dois adolescentes e vejo que eles não tem tido a mesma sorte que eu tive, afinal, figuras como Irmã Estefânia não existem mais, já que ninguém mais está autorizado assumir tal função, ou melhor, ninguém mais suporta ocupar essa função. Nós, pais e mães, temos medo de despertar a rebeldia de nossos filhos, professores temem ser alvo da ira de seus alunos e assim por diante. Isso faz com que a necessidade de nossos jovens de serem traumatizados, de terem medo, de sentirem ódio ou repulsa por alguém sem precisar de nenhum fato real para tal, tenha ficado completamente prejudicada. Sim, porque avaliando melhor agora, percebo que Irmã Estefânia na verdade, não fez nada de real que merecesse nosso temor e ódio, ela apenas representava um papel, assumia uma figura simbólica traumática extremamente facilitadora.

No entanto, os manuais de educação atuais dizem que devemos ter muito cuidado para não traumatizar nossos filhos ou alunos. Manuais que nos prometem um mundo totalmente higienizado, livre de todo e qualquer mal-estar. Mas o que tais manuais se esquecem de dizer é que, em última instância, nenhuma educação é feita sem traumas, ou seja, educar é invariavelmente traumático, violento, uma forma de impor os preceitos e normas de uma sociedade a um sujeito que quer apenas e tão somente, fazer o que quer, como quer e na hora que bem entender (todos já devem ter convivido com uma criança de 3 anos). Sendo assim, não é possível educar sem traumas, sem violentar de alguma maneira o querer do outro, assim como também não é possível crescer sem se rebelar contra alguém ou alguma coisa, mostrando assim seu próprio querer.

E foi assim que Irmã Estefânia cumpriu sua função de traumatizar e violentar toda uma geração de crianças e jovens sem precisar lançar mão de artifícios cruéis de verdade, nos possibilitando ainda, que soubéssemos exatamente contra o que ou contra quem nos rebelar. Isso nos permitia um certo bussolamento, pois, nossos “algozes” estavam definidos e os preceitos também definidos, sendo que, era a partir de tais referenciais que nos rebelávamos. E para sermos rebeldes precisávamos de muito pouco, bastava quebrar por acidente a lâmpada da sala de aula. Já meus filhos precisam de muita criatividade e esperteza para serem considerados rebeldes. Dependendo do que fizerem, podem ser considerados as vítimas do episódio (o que de longe é a intenção deles), ou pior, podem ser imediatamente encaminhados para o psicólogo ou psiquiatra. O fato é que se tornou uma tarefa muito difícil ser considerado rebelde hoje em dia, o mais comum é ser considerado vítima de algum tipo de abuso físico ou psicológico, ou portador de algum transtorno psíquico, psiquiátrico ou neurológico. Curiosamente, ao desbancar Irmã Estefânia de sua função – com a justificativa de defender os direitos de crianças e jovens e de impedir que passassem por situações de possível violência e constrangimento – nossa sociedade, ao mesmo tempo, vitimizou excessivamente esses jovens, foi progressivamente, minando a potência e a capacidade deles para lidar e superar traumas e subtraindo deles a capacidade de temer e respeitar, mas também a possibilidade de odiar e de se rebelar.

Enfim, tenho percebido que crescer e adolescer tem sido muito mais difícil e penoso para meus filhos do que foi pra mim. Não costumo ser nostálgica, nem sou das que pensam que “naquele tempo” foi sempre melhor que “hoje em dia”. Também não acredito que seja possível resgatar Irmã Estefânia. Meu texto é apenas um alerta para os que acreditam que seja possível educar sem traumas. Um alerta para os pais que acham que estão facilitando as coisas para os filhos ao dizerem sempre “sim” e ao tratá-los sempre como vítimas de um mundo cruel. Um chamado aos que não dizem “não” para crianças e jovens por temerem ser chamados de castradores por não entenderem que, na verdade, a castração é, ao contrário do que se imagina, uma grande possibilitadora. O fato é que sem a ajuda de Irmã Estefânia, precisamos inventar e reinventar outras estratégias para auxiliar nossos filhos ou alunos a delimitarem esse nosso mundo e o mundo para eles. A promessa de uma vida “sem limites” nos parece bastante sedutora, nos remete à noção de liberdade, tão cara para o mundo moderno ocidental. Todavia, ter liberdade de escolha não é o mesmo que escolher tudo, e sim, conseguir dizer “não” para algumas coisas. Mas, quem não reconhece o “não”, como será capaz de dizê-lo? Sendo assim, especialmente para os jovens, uma existência “sem limites” não tem sido e jamais será vivenciada como uma benção libertadora – podem estar certos – mas sim, como uma maldição, que inviabiliza qualquer escolha desejante.

Fonte: Não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar
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novembro 24, 2009

Saúde Mental da Criança e Adolescente: seminário de apresentação de pesquisa

Desenho de criança
Gostaríamos de convidar a todos para o Seminário de apresentação e discussão dos resultados da pesquisa intitulada “Conhecendo a Rede Pública Ampliada de Atenção à Saúde Mental da Criança e do Adolescente: dimensões da exclusão”, realizada através de parceria entre o NUPPSAM/IPUB/UFRJ e Universidade de Columbia/NY, com apoio do Ministério da Saúde do Brasil e OPAS.

O Seminário será realizado no dia 14 de dezembro, das 9:00 as 12:30h, no Auditório Leme Lopes (IPUB/UFRJ), situado à Avenida Venceslau Brás, 71 – fundos – Botafogo – RJ.

Este estudo foi desenvolvido em quatro localidades do Estado do Rio de Janeiro e permitiu mapear a rede ampliada de atenção à saúde mental de crianças e adolescentes. Ao todo, 525 instituições dos setores da saúde/saúde mental, educação, assistência social, justiça e direitos responderam ao questionário para levantamento de informações sobre estrutura, serviços oferecidos em saúde mental infantil e juvenil e em outras áreas, percepção das necessidades em saúde mental, encaminhamentos mais freqüentes, principais barreiras ao cuidado e outros temas relevantes.

A avaliação de uso de serviços por crianças e adolescentes com necessidades em saúde mental tem sido uma estratégia importante para fundamentar a montagem de sistemas de cuidados compatíveis com as realidades locais e com o princípio da intersetorialidade. No estudo em questão, os resultados apontaram a presença de ações e de profissionais diretamente relacionados à saúde mental nos diferentes setores públicos investigados, corroborando a hipótese inicial de que a necessária expansão do atendimento à saúde mental de crianças e jovens não poderá se restringir à oferta de serviços altamente especializados, nichos de excelência de um só setor. Entretanto, a existência destas ações e profissionais só virá a constituir uma rede se uma direção pública puder ser afirmada e partilhada por todos. A noção chave desta pesquisa é a de uma rede pública ampliada de atenção à saúde mental da infância e adolescência que, esperamos, possa contribuir para o aprofundamento e expansão das diretrizes da política nacional de saúde mental infantil e juvenil.

O programa completo do Seminário está disponível no site: www.nuppsam.org

Aguardamos a presença e participação de todos.

Atenciosamente,

Cristina Ventura – Nuppsam/IPUB/UFRJ
Maria Tavares Cavalcanti – IPUB/UFRJ
Cristiane Duarte – Universidade de Columbia/NY
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novembro 13, 2009

Comunicado de desaparecimento de Crianças/Adolescentes

BUSCA IMEDIATA

Comunicado de desaparecimento de Crianças/Adolescentes

(Em cumprimento da Lei Federal nº 8069/1990, artigo 208, § 2º e da Lei Estadual nº 15.432/05)
Neste instante, recebemos a informação de que os menores PATRICK MARCUS MARTINS RODRIGUES , 14 ANOS; MARIANA VICENTINA DOS SANTOS, 14 ANOS, GABRIELA ELIZANGELA FERREIRA ROLIM, 16 ANOS, BIANCA FARIAS DOS SANTOS, 15 ANOS e AMANDA RODRIGUES NASCIMENTO, 14 ANOS encontram-se desaparecidos. Solicitamos à Vossa Senhoria que confronte fotos e dados dos menores com seus registros e arquivos e divulgue também, imediatamente, nessa Instituição assim como para todos os órgãos e entidades que integram sua rede de comunicação. (Vide anexo Cartazetes para divulgação). Ainda, solicitamos que os cartazetes sejam impressos e afixados em lugares visíveis ao público.

O objetivo desta Delegacia de Polícia é a localização e o retorno destes adolescentes aos seus familiares, no menor espaço de tempo possível.

Certos da atenção de Vossa Senhoria, agradecemos e aguardamos informações pelos telefones (031) 3429-6090 / 6009 e 0800 2828 197.

Atenciosamente,

Delegacia de Localização de Crianças e Adolescentes
Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida
Departamento de Investigação de Homicídios e de Proteção à Pessoa
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Neste instante, recebemos a informação de que os menores PATRICK MARCUS MARTINS RODRIGUES , 14 ANOS; MARIANA VICENTINA DOS SANTOS, 14 ANOS, GABRIELA ELIZANGELA FERREIRA ROLIM, 16 ANOS, BIANCA FARIAS DOS SANTOS, 15 ANOS e AMANDA RODRIGUES NASCIMENTO, 14 ANOS encontram-se desaparecidos. Solicitamos à Vossa Senhoria que confronte fotos e dados dos menores com seus registros e arquivos e divulgue também, imediatamente, nessa Instituição assim como para todos os órgãos e entidades que integram sua rede de comunicação. (Vide anexo Cartazetes para divulgação). Ainda, solicitamos que os cartazetes sejam impressos e afixados em lugares visíveis ao público.

O objetivo desta Delegacia de Polícia é a localização e o retorno destes adolescentes aos seus familiares, no menor espaço de tempo possível.

Certos da atenção de Vossa Senhoria, agradecemos e aguardamos informações pelos telefones (031) 3429-6090 / 6009 e 0800 2828 197.

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Divisão de Referência da Pessoa Desaparecida
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(Em cumprimento da Lei Federal nº 8069/1990, artigo 208, § 2º e da Lei Estadual nº 15.432/05)
Neste instante, recebemos a informação de que os menores PATRICK MARCUS MARTINS RODRIGUES , 14 ANOS; MARIANA VICENTINA DOS SANTOS, 14 ANOS, GABRIELA ELIZANGELA FERREIRA ROLIM, 16 ANOS, BIANCA FARIAS DOS SANTOS, 15 ANOS e AMANDA RODRIGUES NASCIMENTO, 14 ANOS encontram-se desaparecidos. Solicitamos à Vossa Senhoria que confronte fotos e dados dos menores com seus registros e arquivos e divulgue também, imediatamente, nessa Instituição assim como para todos os órgãos e entidades que integram sua rede de comunicação. (Vide anexo Cartazetes para divulgação). Ainda, solicitamos que os cartazetes sejam impressos e afixados em lugares visíveis ao público.

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Certos da atenção de Vossa Senhoria, agradecemos e aguardamos informações pelos telefones (031) 3429-6090 / 6009 e 0800 2828 197.
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Neste instante, recebemos a informação de que os menores PATRICK MARCUS MARTINS RODRIGUES , 14 ANOS; MARIANA VICENTINA DOS SANTOS, 14 ANOS, GABRIELA ELIZANGELA FERREIRA ROLIM, 16 ANOS, BIANCA FARIAS DOS SANTOS, 15 ANOS e AMANDA RODRIGUES NASCIMENTO, 14 ANOS encontram-se desaparecidos. Solicitamos à Vossa Senhoria que confronte fotos e dados dos menores com seus registros e arquivos e divulgue também, imediatamente, nessa Instituição assim como para todos os órgãos e entidades que integram sua rede de comunicação. (Vide anexo Cartazetes para divulgação). Ainda, solicitamos que os cartazetes sejam impressos e afixados em lugares visíveis ao público.

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Certos da atenção de Vossa Senhoria, agradecemos e aguardamos informações pelos telefones (031) 3429-6090 / 6009 e 0800 2828 197.

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Certos da atenção de Vossa Senhoria, agradecemos e aguardamos informações pelos telefones (031) 3429-6090 / 6009 e 0800 2828 197.

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