PICICA - Blog do Rogelio Casado - "Uma palavra pode ter seu sentido e seu contrário, a língua não cessa de decidir de outra forma" (Charles Melman) PICICA - meninote, fedelho (Ceará). Coisa insignificante. Pessoa muito baixa; aquele que mete o bedelho onde não deve (Norte). Azar (dicionário do matuto). Alto lá! Para este blogueiro, na esteira de Melman, o piciqueiro é também aquele que usa o discurso como forma de resistência da vida.
outubro 29, 2010
Mais vagas nas universidades para os jovens brasileiros
fevereiro 26, 2010
Educação
Jenny tem 16 anos e vive com a família no subúrbio londrino, em 1961. Inteligente e bela, sofre com o tédio de seus dias de adolescente e aguarda impacientemente a chegada da vida adulta. Sua vida muda de ponta-cabeça quando conhece Danny, homem charmoso e cosmopolita de trinta e poucos anos, deixando-a diante de um dilema entre a educação formal e o aprendizado da vida.
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Educação
por Jean Garnier – Na Inglaterra do início dos anos 60, vive Jenny Miller (Carey Mulligan), uma jovem de 16 anos um tanto aborrecida pela vidinha rotineira. Apesar de seus pais, Jack (Alfred Molina) e Marjorie (Cara Seymour), sonharem em vê-la estudando em Oxford, ela almeja liberdade. Aquela escola abafada e suas colegas já não eram tão mais agradáveis. Educação é um filme que aborda algo mais do que o romance entre uma adolescente e um rapaz com mais de 30 anos; é também um divertido estudo sobre uma vida levada entre a inocência e o glamour.
A possibilidade de mudança surge quando Jenny, carregando seu violoncelo, anda debaixo de chuva e David (Peter Sarsgaard) aparece e oferece carona. O que poderia parecer uma cantada safada se transforma numa agradável conversa, ele se mostra elegante, bem vestido, culto, e cai no gosto da protagonista. Mas como sua família conservadora poderia aceitar essa experiência? Concertos, peças de teatro, restaurantes e David não só introduz Jenny a um mundo de conto de fadas, como consegue dobrar os seus pais com um papo de que foi amigo do escritor C. S. Lewis na faculdade, para poder levá-la a uma viagem na companhia de um casal de amigos.
Assim como em Um grande garoto, o roteirista Nick Hornby focou de maneira sensacional a relação entre diferentes gerações com hábitos totalmente distintos e o choque entre a moralidade e a inexperiência. Hornby usou como base o livro de memórias da jornalista britânica Lynn Barber, que na mesma idade e época relacionou-se com um homem mais velho. A direção de Lone Scherfig evitou os clichês e mostrou o fascínio de uma adolescente numa Europa controversa e com ecos de feminismo. Mulligan brilha no seu primeiro papel de destaque e é o centro dessa produção com várias atuações notáveis.
Fonte: Amálgama
janeiro 19, 2010
As pérolas do Chalita
O CHALITA VAI SE SUICIDAR?
O vereador Chalita está vereador em SP. Foi o pior secretario de educação que o estado de São Paulo já teve. Na sua gestão, a qualidade do ensino caiu vertiginosamente. Fechou 500 escolas.
Passou todo tempo afagando professores, escrevendo livrinhos sem graça, fazendo palestras, criando cursos para professores. Mandava centenas de professores para estudar fora do pais. Nunca ouviu os pais e alunos.Deixou a escola pública estadual no chão.
Agora ele fez um discurso contra a prova de avaliação dos professores. Ele pergunta: “por que os médicos e engenheiros não fazem prova de tempos em tempos”?.
Simples, meu caro ex-Secretário de Educação de São Paulo…
Elementar também: Se médico começar a matar pacientes e engenheiro tiver os seus predios caindo por incapacidade, tanto os médicos como os engenheiros perdem o emprego e correm até o risco de serem presos.
Já os professores, eles produzem milhares de alunos analfabetos todos os anos. Milhares de alunos saem das escolas públicas completamente analfabetos… e nada acontece com estes professores… Estes maus professores nunca são avaliados e nem punidos.
Produzir alunos analfabetos é um crime contra a nação, uma vez que aluno é o futuro do pais.Um pais só vai para frente com educação.
Então, acho que é uma tentativa válida, já que a prova que o professor vai fazer é para avaliar se minimamente ele conhece a matéria que está lecionando.O Chalita se sai com essa pérola.
CULPA DA MÁ QUALIDADE DO ENSINO É DOS GESTORES….
Bingo!!!
Então, professor GABRIEL ISAAC BENEDICTO CHALITA, a culpa da má qualidade do ensino é sua e do ex-governador Dr. GERALDO ALCKIMIN.
Encontrado o culpado, então vai ter a punição devida? O senhor vai se suicidar?
Fonte: http://cremilda.blig.ig.com.br
dezembro 14, 2009
Não se educa sem traumatizar
Por: Rita de Cássia de A. Almeida
Psicanalista
Dedico este texto em homenagem e em gratidão à Irmã Estefânia, saudosa diretora do Colégio Santa Catarina de Juiz de Fora/MG.
Cursei o segundo grau em um tradicional colégio de freiras, de 1983 a 1985 e essa semana andei lutando com algumas lembranças daquela época. Lembrei-me especialmente de uma das freiras, a que ocupava o cargo de diretora na ocasião: Irmã Estefânia. Irmã Estefânia era o verdadeiro terror da escola, a quem temíamos e odiávamos. Nosso pior pesadelo era ser alvo de suas repreensões ou mesmo cruzar o seu caminho por algum motivo. Mas na verdade, Irmã Estefânia, era praticamente uma sombra, quase nunca a víamos, não circulava nos corredores, falava pouco e nem era acessível aos pais ou professores. Sua presença só era convocada em situações extremas.
Mergulhada nessas lembranças recordei de uma vez, a única vez na qual eu e minha turma fomos o alvo da ira e rabugice daquela mulher. Alguém da turma – que não me lembro quem – inventara uma tal de “bolinha espacial”. Uma bolinha de papel um pouco mais sofisticada, feita de papel alumínio (reutilizado para tal fim após cumprir a função de embalar um sanduíche para a merenda). O fato é que essa “bolinha espacial” era extremamente poderosa, fazia um estrago quando arremessada na cabeça de alguém (e o propósito era exatamente esse). Portanto, quem se apoderava da tal bolinha, já que todas as outras eram de papel comum, era temido e respeitado pelos demais alunos e podia experimentar, ainda que por alguns instantes, a sensação de ter o poder nas mãos e de expressar sua agressividade contra alguém que elegesse como alvo. Essa brincadeira durou várias semanas, sem grandes contratempos: ninguém reclamou de levar bolada na testa ou no olho, ninguém se sentiu vítima de nenhuma violência ou bullying (como nomeiam agora), ninguém reclamou pra nenhum professor, pro pai, pra mãe e ninguém foi encaminhado ao psicólogo ou psiquiatra. Mas, um belo dia... Alguém errou a pontaria e ao invés acertar um colega, acertou a lâmpada fluorescente da sala, que estourou e se desfez sobre nossas cabeças em mil pedaços. Um silêncio sepulcral tomou conta da sala e a frase que todos nós temíamos foi dita minutos depois: - Chamem a Irmã Estefânia!
O tempo que se passou entre essa frase e a chegada da nossa inquisidora foi um dos piores que talvez eu tenha passado até então, e certamente, por isso, jamais me esqueci. Lembro-me do medo que senti, da dor de barriga e do gosto amargo que me vinha na boca só de pensar que meus pais saberiam do ocorrido. Também me lembro da chegada triunfante de Irmã Estefânia, dos berros que ela dava e de sua feição cruel e ameaçadora. Não me lembro do castigo que com certeza nos foi imposto, me lembro apenas que recebemos uma punição coletiva, porque nos recusamos a acusar o autor da façanha. Ah! E depois, meu castigo em casa foi dobrado porque minha mãe teve que comparecer na escola, para dar explicações... Enfim diria que o episódio da “bolinha espacial” foi um trauma em minha vida.
Numa visada superficial, ou talvez numa visada atual, Irmã Estefânia seria apenas uma mulher cruel, prepotente e mandona, que exercia sua sede de poder e seu sadismo sobre pobres e inocentes adolescentes. Mas, avaliando mais profundamente, a função que ela cumpria foi fundamental para nós. Hoje entendo que Irmã Estefânia, na verdade, não era tão somente uma castradora, mas, sobretudo, uma possibilitadora. Como tínhamos uma figura definida a quem dirigir nosso ódio, nossa repulsa, nosso temor, já que podíamos elegê-la a bruxa ou o demônio que infernizaria nossas vidas – a perseguidora responsável por nossos maiores infortúnios – podíamos, por outro lado viver numa relação de harmonia e irmandade com todos os demais membros da escola, professores, funcionários e alunos. O que ficava claro sem precisar ser dito era: todos submetidos à Irmã Estefânia e todos contra a Irmã Estefânia.
Apesar de citar apenas esse exemplo me recordo de muitas outras figuras da minha infância e juventude que cumpriram função semelhante à de Irmã Estefânia. Figuras temidas, respeitadas e odiadas que invariavelmente nos traumatizavam, facilitando bastante as coisas para nós. De fato, nossos pais também ocupavam em maior ou menor medida tal função, suportavam nossa raiva e não tinham medo de nos traumatizar com suas atitudes ou palavras. Eram também castradores-possibilitadores.
Sou mãe de dois adolescentes e vejo que eles não tem tido a mesma sorte que eu tive, afinal, figuras como Irmã Estefânia não existem mais, já que ninguém mais está autorizado assumir tal função, ou melhor, ninguém mais suporta ocupar essa função. Nós, pais e mães, temos medo de despertar a rebeldia de nossos filhos, professores temem ser alvo da ira de seus alunos e assim por diante. Isso faz com que a necessidade de nossos jovens de serem traumatizados, de terem medo, de sentirem ódio ou repulsa por alguém sem precisar de nenhum fato real para tal, tenha ficado completamente prejudicada. Sim, porque avaliando melhor agora, percebo que Irmã Estefânia na verdade, não fez nada de real que merecesse nosso temor e ódio, ela apenas representava um papel, assumia uma figura simbólica traumática extremamente facilitadora.
No entanto, os manuais de educação atuais dizem que devemos ter muito cuidado para não traumatizar nossos filhos ou alunos. Manuais que nos prometem um mundo totalmente higienizado, livre de todo e qualquer mal-estar. Mas o que tais manuais se esquecem de dizer é que, em última instância, nenhuma educação é feita sem traumas, ou seja, educar é invariavelmente traumático, violento, uma forma de impor os preceitos e normas de uma sociedade a um sujeito que quer apenas e tão somente, fazer o que quer, como quer e na hora que bem entender (todos já devem ter convivido com uma criança de 3 anos). Sendo assim, não é possível educar sem traumas, sem violentar de alguma maneira o querer do outro, assim como também não é possível crescer sem se rebelar contra alguém ou alguma coisa, mostrando assim seu próprio querer.
E foi assim que Irmã Estefânia cumpriu sua função de traumatizar e violentar toda uma geração de crianças e jovens sem precisar lançar mão de artifícios cruéis de verdade, nos possibilitando ainda, que soubéssemos exatamente contra o que ou contra quem nos rebelar. Isso nos permitia um certo bussolamento, pois, nossos “algozes” estavam definidos e os preceitos também definidos, sendo que, era a partir de tais referenciais que nos rebelávamos. E para sermos rebeldes precisávamos de muito pouco, bastava quebrar por acidente a lâmpada da sala de aula. Já meus filhos precisam de muita criatividade e esperteza para serem considerados rebeldes. Dependendo do que fizerem, podem ser considerados as vítimas do episódio (o que de longe é a intenção deles), ou pior, podem ser imediatamente encaminhados para o psicólogo ou psiquiatra. O fato é que se tornou uma tarefa muito difícil ser considerado rebelde hoje em dia, o mais comum é ser considerado vítima de algum tipo de abuso físico ou psicológico, ou portador de algum transtorno psíquico, psiquiátrico ou neurológico. Curiosamente, ao desbancar Irmã Estefânia de sua função – com a justificativa de defender os direitos de crianças e jovens e de impedir que passassem por situações de possível violência e constrangimento – nossa sociedade, ao mesmo tempo, vitimizou excessivamente esses jovens, foi progressivamente, minando a potência e a capacidade deles para lidar e superar traumas e subtraindo deles a capacidade de temer e respeitar, mas também a possibilidade de odiar e de se rebelar.
Enfim, tenho percebido que crescer e adolescer tem sido muito mais difícil e penoso para meus filhos do que foi pra mim. Não costumo ser nostálgica, nem sou das que pensam que “naquele tempo” foi sempre melhor que “hoje em dia”. Também não acredito que seja possível resgatar Irmã Estefânia. Meu texto é apenas um alerta para os que acreditam que seja possível educar sem traumas. Um alerta para os pais que acham que estão facilitando as coisas para os filhos ao dizerem sempre “sim” e ao tratá-los sempre como vítimas de um mundo cruel. Um chamado aos que não dizem “não” para crianças e jovens por temerem ser chamados de castradores por não entenderem que, na verdade, a castração é, ao contrário do que se imagina, uma grande possibilitadora. O fato é que sem a ajuda de Irmã Estefânia, precisamos inventar e reinventar outras estratégias para auxiliar nossos filhos ou alunos a delimitarem esse nosso mundo e o mundo para eles. A promessa de uma vida “sem limites” nos parece bastante sedutora, nos remete à noção de liberdade, tão cara para o mundo moderno ocidental. Todavia, ter liberdade de escolha não é o mesmo que escolher tudo, e sim, conseguir dizer “não” para algumas coisas. Mas, quem não reconhece o “não”, como será capaz de dizê-lo? Sendo assim, especialmente para os jovens, uma existência “sem limites” não tem sido e jamais será vivenciada como uma benção libertadora – podem estar certos – mas sim, como uma maldição, que inviabiliza qualquer escolha desejante.
Fonte: Não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar
novembro 16, 2009
Entrevista com Gersem Baniwa
Entrevista com Gersem Baniwa
Em entrevista realizada no dia 30 de janeiro de 2008, em Brasília, o Diretor-presidente do Centro Indígena de Estudos e Pesquisas – CINEP, Gersem José dos Santos Luciano Baniwa, antropólogo e representante indígena no Conselho Nacional de Educação, fala a Trilhas de conhecimentos sobre o papel do CINEP, a situação dos povos indígenas no Brasil, e mais particularmente sobre a questão da educação indígena no país, bem como sobre as ações e omissões do governo sobre estas e outras questões.
Leia mais em Trilhas de Conhecimento
novembro 14, 2009
O fim da DRU de FHC: mais verba para educação
É incrível como uma notícia importante dessas, e que mostra o Congresso Nacional sob uma ótica positiva, fique escondida em notinha mal ajambrada no Caderno Cotidiano da Folha da quinta-feira 12 de novembro. Tanto que eu só a encontrei hoje, sexta-feira, quando resolvi dar uma repassada no jornal.
A notícia é a seguinte. O Congresso Nacional aprovou, em sessão solene, o fim da DRU (Desvinculação de Receitas da União), um mecanismo criado por Fernando Henrique Cardoso, em 1994, que permitia ao governo tirar verba das áreas sociais (educação e saúde) para aplicá-las em outros fins. FHC tomou a decisão principalmente para usar o dinheiro para o pagamento de juros da dívida pública.
Na prática, a medida vinha causando uma série de transtornos aos setores sociais, que sempre viam seus orçamentos contingenciados, cortados, mutilados, por conta das eternas crises econômicas, fiscais, etc, que assolam o Brasil e o mundo.
O fim da DRU já foi aprovada no Senado. Com a votação do dia 11 pelo Congresso, o mecanismo está definitivamente extinto, significando, ainda para este ano, mais R$ 4 bilhões para o Ministério da Educação, R$ 7 bilhões em 2010 e R$ 11 bilhões em 2011.
Leia mais em www.oleododiabo.blogspot.com
novembro 10, 2009
Granito de Arena
Granito de Arena
Filme: "Pequeno grão de areia"
“Qual é o papel do professor neste novo contexto mundial,(...)?”
“Sabe o que eles querem?
Querem serventes, querem que a escola só sirva para capacitar melhor a força de trabalho que será explorada neste país, nas fábricas de zonas francas”.
“Quando o professor luta, ele também está ensinando”
Fragmentos extraídos de alguns depoimentos do filme Granito de Arena
O filme “Granito de Arena” (México, 2005) de Jill Freidberg retrata a história da organização e luta dos professores em defesa da escola pública, assim como por melhores condições de vida e preservação da identidade cultural das comunidades indígenas mexicanas, a partir da mobilização dos trabalhadores do ensino, dos estudantes e seus pais contra a destruição da Escola Normal Rural MACTUMACTZA – localizada em Tuxtla Gutierrez, Chiapas – México.
Jill Freidberg, diretor estadunidense independente (de Seattle), passou dois anos no sul do México para documentar os esforços dos mais de 100.000 professores, pais, estudantes que lutam para defender o sistema de educação pública do país dos devastadores impactos da política imperialista (da chamada “globalização econômica”). No filme, Freidberg combina imagens de greves e ações diretas com imagens inéditas de 25 anos de arquivo para oferecer um registro desta altiva e inquietante história de resistência, repressão, dedicação e solidariedade.
Mactumactza é uma das dezessete escolas públicas conhecidas como escola normal rural onde estudantes de famílias rurais pobres se preparavam para serem professores das escolas públicas do México. A maioria dos estudantes é de origem camponesa e na escola tinham direito ao alojamento, alimentação e garantia de que teriam vaga quando se formassem professores. Escolas deste tipo serviram durante 46 anos a algumas das comunidades mais pobres do Estado.
Em 2002, o Banco Mundial ofereceu empréstimo de U$S 40 milhões de dólares para o Estado de Chiapas com a condição de que as escolas normais rurais fossem transformadas em Escolas Técnicas semi-particulares.
“A principal característica das escolas rurais é oferecer uma formação política aos estudantes. Se elas acabarem, perderemos os professores que têm um enfoque diferenciado, um enfoque mais próximo do povo, das pessoas, dos camponeses”. (Claudia Herrera, jornalista do La Jornada).
O governo estadual respondeu às recomendações do Banco Mundial, impondo um exame padronizado para todos os estudantes que estudavam em MACTUMACTZA, alegando a inexistência de vagas no Estado para todos os professores que se formavam nesta escola.
“Este é um projeto para ir fechando aos poucos as escolas rurais. Precisamos de muitos professores em Chiapas. No entanto, não há disposição do governo para melhorar essa situação, o governo é manipulado pelo Banco Mundial e pelo FMI” (liderança sindical de Chiapas)
Determinados a defender o caráter público de MACTUMACTZA, os estudantes, pais e professores saíram às ruas e insistiram na negociação com as autoridades. Quando o governo respondeu com o cancelamento do semestre, houve ocupação da escola.
A polícia invadiu a escola, reprimiu e espancou violentamente os estudantes e trabalhadores que a ocupavam. Foram utilizados helicópteros e gás lacrimogêneo - não importando que lá estivessem crianças, mulheres e idosos que apoiavam o movimento em defesa da escola. O conflito se estendeu durante semanas e mais de 150 professores e estudantes foram presos e torturados em uma prisão de segurança máxima, um motorista de ônibus escolar foi assassinado.
Após este enfrentamento, centenas de professores saíram às ruas, em caravana que seguiu de Chiapas ao Distrito Federal, ganhando a adesão de inúmeras pessoas a cada parada nas comunidades pelo caminho. “Hoje a luta tem início! Essa luta é por MACTUMACTZA! Essa luta é por todas as escolas normais rurais deste país! Essa luta é em defesa da escola pública!”.
Os depoimentos de lideranças sindicais, professores, estudantes, pais de estudantes e pesquisadores da área da educação, revelam o processo de precarização e tentativa de privatização da educação pública no México, assim como, de precarização das condições de trabalho dos professores.
São denunciados também os diversos acordos estabelecidos entre o governo mexicano, o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), nas últimas décadas, que acarretaram a degradação e destruição de inúmeras escolas públicas e que significaram concretamente a transformação da educação pública em serviço mercantil, limitando o acesso do povo mexicano à educação pública garantida como direito. Direito conquistado desde a revolução mexicana em 1910. Acordos que implicaram também no avanço das políticas de privatização, de baixos salários dos professores, de saturação de alunos por sala, de pouco investimento na educação, de estímulo à competição entre os professores, de redução do número de vagas e, através de “Programas de Qualidade”, da adequação dos currículos escolares aos interesses de empresas privadas como a Ford, Coca-cola, entre outras.
O filme resgata a história de resistência do povo e dos trabalhadores da educação do México a este processo e mostra as raízes das lutas populares recentes na área de ensino e da criação da Coordenadoria Nacional de Trabalhadores da Educação (CNTE).
“Mais importante foi que começou a ter uma organização pela base. Ser professor se transformou em uma definição de dignidade. O que é ser um professor digno? É aquele que não permite que atropelem os seus direitos, mas também não permite que atropelem os direitos dos demais”
“A luta é necessária. Com nossas marchas e mobilizações estamos colocando nosso pequeno grão de areia para a transformação desde país”
Fragmentos extraídos de alguns depoimentos do filme Granito de Arena
Granito de Arena (Pequeno grão de areia)
México, 2005
Diretor: Jill Freidberg
Premiado documentário sobre a luta dos professores, alunos e comunidade, com depoimentos de Eduardo Galeano, Maude Barlow.
Duração: 59 minutos
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outubro 30, 2009
APEOESP responde à última flor do fascio
Carta à Veja sobre a entrevista do secretário da Educação
Carta enviada à Veja sobre a entrevista do secretário Paulo Renato nas Páginas Amarelas.
Senhor editor,
A entrevista do secretário Paulo Renato (Veja, 28/10) apenas confirma que o governo do PSDB no estado de São Paulo está mais preocupado em fomentar a “competitividade” entre os professores e aplicar receitas empresariais ao sistema público de ensino do que com a melhoria da qualidade de ensino para todos os estudantes das escolas estaduais.
O secretário culpa os sindicatos de professores pela queda na qualidade de ensino, como forma de fugir de suas próprias responsabilidades. Ele já foi secretário de Educação no governo Franco Montoro e ministro da Educação por longos oito anos, no governo FHC. Seu viés é sempre o da exclusão. Quando criou o FUNDEF, deixou descobertas as duas pontas da educação básica: a educação infantil e o ensino médio, concentrando recursos apenas no ensino fundamental, praticando assim uma política de foco. Esta é a forma como vê a educação.
Um projeto que exclui, de imediato, 80% dos professores de reajustes salariais e, ainda assim, não assegura que os demais 20% terão mesmo direito à melhoria salarial (pois depende de disponibilidade orçamentária) não vai contribuir para a qualidade de ensino e sim para gerar mais revolta e desestímulo na categoria. Os professores tem como ofício educar e sua ferramenta é a educação; e a educação não está sendo valorizada.
As posições externadas pelo secretário estão na contramão de todos os avanços que se tem verificado na educação nacional nos últimos anos. Por certo são ainda insuficientes, mas apontam na direção da escola pública de qualidade.
Por outro lado, é difícil entender como, num Estado democrático de direito, todo o espaço é reservado apenas para um dos lados, que se permite fazer juízos de valor sobre o sindicato, sem que nos seja oferecido espaço equivalente.
O que queremos, em nome dos 178 mil associados da APEOESP, é que nos seja aberto espaço nesta revista para que nós próprios possamos expor nossas posições.
Não somos corporativistas. O que nos move é a qualidade da educação e a valorização dos profissionais que nela trabalham, pois a educação abrange bem mais que a relação professor-aluno em sala de aula. Entretanto, ainda que fôssemos corporativistas, o papel de um sindicato não é justamente defender os direitos e reivindicações da categoria que representa?
Aguardamos a publicação desta carta e a abertura de espaço para que possamos expor e defender nossos pontos de vista.
Atenciosamente,
Maria Izabel Azevedo Noronha
Presidenta da APEOESP
Membro do Conselho Nacional de Educação
Fonte: O esquerdopata





