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outubro 29, 2010

A canalhice aberta pela campanha tucana não limites...

PICICA:... O limite é dado pelo voto consciente de que o Brasil não poder voltar atrás. O vídeo abaixo não pode ser imputado ao candidato tucano. Óbvio. O mesmo não se pode dizer do estímulo à transgressão perversa semeada pelo obscurantismo da campanha de Serra, o Obscuro. Todo o mundo político sabe que uma campanha de Serra sem dossiês, calúnias e difamação não é uma campanha de Serra. O interesse em desestabilizar a ordem, desinformando e semeando o ódio e o preconceito, que você pode ver no vídeo abaixo, é exemplar do clima instaurado pelos tucanos. Deplorável! Em tempo: Acabo de tomar conhecimento que o vídeo abaixo tema chancela do site oficial do candidato tucano. Leia em "Site oficial de Serra patrocina terrorismo eleitoral", segundo denúncia de Brizola Neto. Alô, TSE! Alguém no plantão. Agora, cá com meus botões, Serra quer levar para o tapetão a decisão das eleições de 2010. Não podemos cair na armadilha de pedir impugnação da sua candidatura. Temos que vencer este pulha no voto. A percepção popular de que estamos diante de um candidato desonesto vem aumentando dia-a-dia. É isso aí!
temor771 | 26 de outubro de 2010

outubro 17, 2010

Enquanto Marina Silva lava as mãos, Ribamar Bessa condena o voto no obscurantismo e no retrocesso

Serra: a fé de um ambientalista

Serra, que repentinamente se diz tão preocupado com o verde e com a vida, não sabe o be-a-bá ambientalista, não tem qualquer intimidade com os conceitos de uso corrente. Precisa de cola para falar sobre bioma, biota, biosfera, ambiente oligotrófico.  Seu recente ambientalismo é de um oportunismo assaz atroz, soa tão falso quanto FHC lambendo os beiços depois de comer uma buchada de bode em Juazeiro (BA) na campanha eleitoral de 1994. O coração verde de Serra é porque ele torce pelo Palmeiras. Nada mais.

Por José Ribamar Bessa Freire (*)

Eleições 2010. Dilma afirmou mesmo que nem Jesus Cristo impede que ela vença essas eleições? Quando? Onde? Para quem? Quem foi que ouviu? Não importa, a “notícia” está circulando velozmente no cyber espaço, onde se trava a guerrilha da informação, na qual alguém ataca e logo se esconde, subindo a serra do anonimato para evitar confrontos.  
A mulher do José Serra, dona Mônica disse, de fato, que “Dilma é a favor de matar criancinhas”? E o aborto feito por dona Mônica Serra, denunciado por uma de suas ex-alunas de dança, ocorreu mesmo? Em quais circunstâncias? Quem entrevistou a ex-aluna? Para que serve essa informação? Por que vasculhar a privacidade alheia?   
Vale tudo em busca do voto dos incautos, dos indecisos, dos desinformados. Histórias escabrosas de fontes duvidosas com informações inúteis e repetitivas, muitas delas falsas, bombardeiam diariamente os usuários da internet e entopem as caixas de correspondência. Nem sempre conseguimos distinguir o que é relato de um fato daquilo que é invencionice beirando a calúnia. 
Se informação é tudo aquilo que reduz a incerteza, então esse entulho de dados falsos ou desnecessários constitui pura manipulação, gerando o que os estudiosos estão denominando de ‘obesidade informacional’. O obeso informacional perde um tempo precioso consumindo, em forma nada criteriosa, um excesso de ‘gordura’, que não é processada e digerida pela mente, nem é metabolizada de forma equilibrada, o que adoece o organismo. 
Sugiro que as escolas reformulem o currículo e introduzam uma nova disciplina – Leitura na internet ou Nutrição Informacional – para ensinar os alunos a separarem o joio do trigo nas mensagens que circulam no ciberespaço.
Em nome da verdade, é preciso dizer que os dois candidatos pouco fizeram para evitar essa guerrilha. Depois de quase 20 milhões de votos dados a Marina Silva no primeiro turno, a gente esperava ouvir propostas sobre o meio ambiente no segundo turno. Afinal, um dos dois candidatos vai presidir o Brasil, que é a maior potência ambiental, com a mais rica biodiversidade do planeta. Mas no debate de domingo passado, eles não deram um pio sobre o tema. Piarão no próximo debate? 
Até agora, ambos fizeram um silêncio ensurdecedor sobre o modelo de desenvolvimento que propõem e sobre seus projetos ambientais, o que pretendem fazer com os recursos naturais, a floresta amazônica, as terras indígenas, a poluição dos rios, o agrotóxico, o Código florestal, as mudanças climáticas, o lixo nas cidades, o trânsito, o excesso de carros, enfim, a qualidade de vida dos eleitores. Nem um pio.
O pio do Serra 

Minto. O Serra deu um pio. Não no debate televisivo, frente a Dilma, que poderia replicar, mas sozinho, numa entrevista a uma rádio local de Chapecó (SC). O pio do Serra foi registrado pelo enviado especial da Folha de São Paulo, Ricardo Westin, que publicou uma matéria deliciosa assinada no domingo passado intitulada “Por votos de Marina, Serra afirma que é ambientalista”.
- Eu sou ambientalista, eu defendo muito o patrimônio florestal – disse Serra, jurando sobre a Bíblia que desde criancinha está preocupado com o tema, com o qual não revela a menor intimidade segundo narra o enviado da Folha, órgão insuspeito nesse caso:
 - O tucano falou sobre a necessidade de respeitar as diferenças ambientais de cada região, mas se atrapalhou. “Tem que levar em conta as biodiversidades regionais. Como é que eles chamam? Bio...?”, questionou. E foi ajudado por um assessor. “Hein?”. E o assessor soprou novamente. “O bioma de cada local” – disse o tucano.
Ou seja, Serra, que repentinamente se diz tão preocupado com o verde e com a vida, não sabe o be-a-bá ambientalista, não tem qualquer intimidade com os conceitos de uso corrente. Precisa de cola para falar sobre bioma, biota, biosfera, ambiente oligotrófico.  Seu recente ambientalismo é de um oportunismo assaz atroz, soa tão falso quanto FHC lambendo os beiços depois de comer uma buchada de bode em Juazeiro (BA) na campanha eleitoral de 1994. O coração verde de Serra será porque ele torce pelo Palmeiras. Nada mais.
Serra e Dilma acreditam que Marina ganhou votos também de um importante segmento religioso e não apenas dos eleitores preocupados com a questão ambiental. Saíram, portanto, à caça desses votos. No dia de Nossa Senhora Aparecida, a Folha publicou na primeira página foto do Serra, no palanque, em frente à multidão, beijando o terço, com uma cara de fé de mais, levando o Macaco Simão a questionar esse tipo de catolicismo: “católico mesmo é o Roriz, que em tudo que faz leva um terço”.
Só existe uma forma de avaliar a fé e a devoção dos dois candidatos: aplicando o teste das irmãs Feitosa, que andam sempre com a fé, que não costuma falhar. 
O teste das Feitosa

As irmãs Feitosa – essas sim, mulheres de fé – puxam os hinos nas novenas de terça-feira na paróquia de Aparecida, em Manaus. Elas seriam convidadas a abrir o debate de hoje, na televisão, entoando o hino “Viva a Mãe de Deus e noooossa, sem pecado concebiiiida...”. Ganharia o candidato que completasse: “Salve oh Virgem Imaculaaaada, oh Senhora Apareciiiiida”. Ou então elas atacariam com o outro hino: “Virgem Mãe Apareciiiiiiida...”. Quem continuasse: “Estendeeei o vosso olhaaar” provaria que conhece mais o babado e tem mais capacidade para governar o Brasil.
Dou o meu pescoço francês em praça pública se um dos dois candidatos passar no teste. Essa espetacularização da fé – a Dilma pelo menos foi mais discreta - é algo assustador e ofensivo para quem vive a religião cotidianamente. De qualquer forma, declaro o meu voto no segundo turno para que os poucos leitores saibam com quem estão falando e se defendam do texto que estão lendo: agora é Dilma. E isso porque estou reginaduartemente morrendo de medo, pensando no exemplo da Alemanha nazista.
Lembro que Hitler foi eleito com o voto popular, derrotando a Social Democracia nas eleições de 1932, quando os nazistas elegeram 230 representantes para o Parlamento. Hitler conseguiu isso por causa da omissão do Partido Comunista, que se justificou, alegando que “não votava em traidores”, que eram os sociais-democratas. Leon Trotsky que lutava contra a Social Democracia, considerou, no entanto, um erro do Partido Comunista, declarando – cito de memória – algo assim como: “É preciso saber diferenciar, de um lado o amigo que está traindo os princípios, e de outro o inimigo que te golpeia e apunhala”.
Dilma, certamente, não é o inimigo que nos apunhala. É preferível elegê-la e no dia seguinte berrar na oposição, cobrando uma postura coerente com o programa original do PT, do que permitir, com o voto nulo, a vitória do obscurantismo e do retrocesso.
P.S. – Pereira deu pera. O meu melhor amigo amazonense, o cara que eu mais admiro, se tornou avô pela primeira vez no dia 13 de outubro. Sua filha teve um parto natural, de cócoras. Meu voto “no Serra não” é um compromisso com a neta desse amigo, a Ana de Natal, a Ana da Vila Feliz, a Ana Pereira que não pode ver o Brasil regredir, que merece ter a felicidade de viver num Brasil melhor.

*José Ribamar Bessa Freire é antropólogo, natural de Manaus e assina no “Diário do Amazonas” coluna semanal tida como uma das mais lidas da região norte. Reside no Rio de Janeiro há mais de 20 anos e é professor da UERJ, onde coordena o programa “Pró-Índio”. Mantém o blogTaqui pra ti e é colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”.


Charge: Carlos Latuff 

Dilma Rousseff não pode ceder ao obscurantismo na questão do aborto

PICICA: Voltamos a postar o vídeo em que Dilma Roussef aborda a questão do aborto no Brasil. É sabido que morre uma mulher a cada dois dias devido ao aborto mal assistido, o que o inscreve como um grave problema de saúde pública. Nas eleições de 2010 para a presidência da república, os setores fundamentalistas das igrejas católicas e evangélicas resolveram cobrir o Brasil com o manto do obscurantismo, promovendo um retorno das teses moralistas que foram varridas do cenário de outros países. Fecham os olhos para o fato que uma em cada cinco brasileiras já fez um aborto. Dilma Rousseff tem uma posição clara sobre a questão. Entretanto, foram tantas as distorções promovidas por esses setores que ,transformadas em campanha difamatória - muito bem utilizada por um candidato sem escrúpulos como José Serra -, resultou numa comunicação da candidata (abaixo) que, se não joga décadas de trabalho ao chão, deixa um sabor amargo para quem luta pelos direitos das mulheres. Por isso, é bom rever o vídeo abaixo e o depoimento corajoso de várias mulheres, inclusive de quem já votou no candidato tucano. Aos que perguntam por que descriminalizar o aborto, é bom que indaguem  em que a criminalização tem ajudado as mulheres no Brasil.

Excelente vídeo para motivar debates sobre o aborto. Mostra o absurdo que é criminalizar as mulheres que fizeram aborto. São depoimentos de mulheres e homens de todas as classes sociais, sindicalistas, artistas, religiosos(as), pessoas que sofreram e viram sofrer.

Este vídeo, mesmo que antigo (com mais de 10 anos), é atual, pois mostra a criminalização e a opressão das mulheres. A hipocrisia da sociedade e o resultado disso: a morte de mulheres, na maioria pobres, por causa de abortos inseguros.

É um vídeo que ajuda no esclarecimento das razões porque lutar para que o aborto seja discriminalizado no Brasil e que as mulheres tenham o direito de optar se desejam ou não ter filhos e o Estado responsabilizado a apoiar essa decisão, com assistência médica de qualidade, com informações e com medicamentos ou contraceptivos distribuídos gratuitamente.

Este víde contou com o apoio do Núcleo de Estudos da Mulher e Relaçoes Sociais de Gênero - NEMGE e da Fundação MacArthur

CARTA DILMA ROUSSEFF
15 de outubro de 2010

Dirijo-me mais uma vez a vocês, com o carinho e o respeito que merecem os que sonham com um Brasil cada vez mais perto da premissa do Evangelho de desejar ao próximo o que queremos para nós mesmos. É com esta convicção que resolvi pôr um fim definitivo à campanha de calúnias e boatos espalhados por meus adversários eleitorais. Para não permitir que prevaleça a mentira como arma em busca de votos, em nome da verdade quero reafirmar:

1. Defendo a convivência entre as diferentes religiões e a liberdade religiosa, assegurada pela Constituição Federal;

2. Sou pessoalmente contra o aborto e defendo a manutenção da legislação atual sobre o assunto;
 
3. Eleita presidente da República, não tomarei a iniciativa de propor alterações de pontos que tratem da legislação do aborto e de outros temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer religião no País.

4. O PNDH3 é uma ampla carta de intenções, que incorporou itens do programa anterior. Está sendo revisto e, se eleita, não pretendo promover nenhuma iniciativa que afronte a família;

5. Com relação ao PLC 122, caso aprovado no Senado, onde tramita atualmente, será sancionado em meu futuro governo nos artigos que não violem a liberdade de crença, culto e expressão e demais garantias constitucionais individuais existentes no Brasil;

6. Se Deus quiser e o povo brasileiro me der, a oportunidade de presidir o País, pretendo editar leis e desenvolver programas que tenham a família como foco principal, a exemplo do Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e tantos outros que resgatam a cidadania e a dignidade humana.

Com estes esclarecimentos, espero contar com vocês para deter a sórdida campanha de calúnias contra mim orquestrada. Não podemos permitir que a mentira se converta em fonte de benefícios eleitorais para aqueles que não têm escrúpulos de manipular a fé e a religião tão respeitada por todos nós. Minha campanha é pela vida, pela paz, pela justiça social, pelo respeito, pela prosperidade e pela
convivência entre todas as pessoas.

Dilma Rousseff

outubro 07, 2010

“Ela (Dilma) é a favor de matar criancinhas” (Mônica Serra)

dilmanaweb | 6 de outubro de 2010 
* * * 

O voto do pecado e o poder satânico

Reproduzo excelente artigo de Maria Inês Nassif, publicado no jornal Valor:

A campanha religiosa contra a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, estava em andamento e foi subestimada pelo comitê petista. O staff serrista prestou mais atenção nisso. No dia 14 de setembro, a mulher de José Serra, Mônica Serra, em campanha para o marido no município de Nova Iguaçu, no Rio, falou a um eleitor evangélico, para convencê-lo a não votar em Dilma: “Ela é a favor de matar criancinhas”, disse, segundo relato do jornal “O Estado de S. Paulo”.

Mônica quis dizer, usando cores muito, muito fortes, que Dilma era a favor do aborto, e portanto não merecia o voto de um evangélico. Não deve ter sido da cabeça dela – falou porque as pesquisas qualitativas do PSDB já deviam mostrar que a onda “antiabortista” estava pegando, embalada por bispos e padres da Igreja Católica e pastores evangélicos.

Da parte da ala conservadora da Igreja Católica, a articulação foi feita com alarde, de forma a induzir os fiéis de que a recomendação de não votar em Dilma, ou em qualquer outro candidato do PT, veio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A CNBB reagiu timidamente a essa ofensiva, com uma carta que foi também instrumentalizada pelos conservadores, que hoje não são poucos. “Falam em nome da CNBB somente a Assembleia Geral, o Conselho Permanente e a Presidência”, diz a nota, para em seguida lembrar que o documento oficial sobre as eleições, tirado na 48ª Assembleia Geral, foi a “Declaração sobre o Momento Político Nacional”, que não faz referência direta a candidatos ou partidos.

Um trecho da carta oficial, todavia, foi apresentado aos fiéis paulistanos como prova de que a Igreja, como instituição, vetava o voto aos petistas. “(…) incentivamos a todos que participem (…), procurando eleger pessoas comprometidas com o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana”.

A campanha da Igreja conservadora contra Dilma está usando um sofisma: o “respeito incondicional à vida” torna a igreja antiabortista; o PT defendeu o aborto; logo, o voto em Dilma é pecado. É esse sofisma que foi colocado aos padres de São Paulo pela Regional Sul 1 da CNBB como uma ordem. A secção da CNBB no Estado está impondo a campanha política nas igrejas como obrigação de hierarquia: há uma determinação para que os padres falem na homilia que o voto ao PT é pecado. Os padres estão obrigados também a distribuir jornais de suas dioceses na porta das igrejas, que não raro colocam o veto ao voto no PT como uma determinação da “CNBB”, sem especificar que é da CNBB da Regional Sul 1.

Com ajuda da Igreja, Serra chega aos pobres via medo

Guarulhos é o grande foco, mas não o único. O bispo Luiz Gonzaga Bergonzini declara publicamente “ódio ao PT”. Sua diocese foi uma das formuladoras, na Comissão da Vida da Região Sul, do documento que deu “subsídios” para o manifesto anti-PT que está sendo distribuído nas paróquias como posição oficial da Igreja Católica. Um padre de Guarulhos conta que Dom Luiz Gonzaga vai se aposentar em sete meses, e tem aproveitado seus últimos momentos como bispo para militar ativamente contra o partido de Lula. Para isso, tem usado seu poder de “mordaça” – a autoridade máxima da paróquia é a diocese, e o bispo pode impor suspensões a padres que não seguirem as suas ordens, ou criticarem publicamente suas posições.

Segundo uma senhora que é católica militante, bem longe de Guarulhos, no bairro de Campo Limpo, os bispos levaram ao pé da letra a orientação da regional da CNBB. A senhora ouviu do padre da sua paróquia, durante a pregação do sermão, que os católicos que votassem em Dilma Rousseff deveriam se confessar depois, porque teriam cometido um pecado. Preferiu o discurso da corrupção ao discurso so aborto. E garantiu que recomendava o voto contra o PT por ordem do bispo.

O vereador Chico Macena (PT), da capital paulista, que é ligadíssimo à Igreja, conta que várias paróquias da região de São Lucas falaram contra o PT na homilia. Ele acredita que esse movimento da igreja conservadora paulista influenciou o voto contra Dilma em algumas regiões.

Na campanha de Dilma, soou o alarme apenas na semana anterior às eleições. Foi quando a candidata se reuniu com líderes religiosos e garantiu a eles que não havia defendido o aborto.

A guerra religiosa não se limitou a sermões de padres ou pregações de pastores evangélicos. Espalhou-se como um rastilho pela internet uma “denúncia” de envolvimento do candidato a vice de Dilma, o deputado Michel Temer (SP), com o “satanismo”. O site Hospital da Alma, ligado à Associação dos Blogueiros Evangélicos, diz que Dilma, se vencer a disputa, morrerá por obra de Satã, para que o sacerdote Temer assuma a Presidência.

As versões religiosas sobre a candidatura governista são inventivas e, no conjunto, ajudam a formar um clima de pânico que, em algum momento, pode resultar numa explosão em que a racionalidade da escolha do candidato ao segundo turno escorra pelo ralo.

Não deixa de ser irônico. A Igreja progressista esteve na base da formação do PT, embora limitada a regras da não militância política dentro das paróquias. Teve um papel fundamental em São Paulo. É aqui no Estado, que deu uma guinada conservadora durante e após os governos de Fernando Henrique Cardoso, que a Igreja Católica tem imposto os maiores prejuízos à candidata petista. Dois papados conservadores reduziram os progressistas católicos de São Paulo a um rebanho desorganizado e destituído de poder na hierarquia da Igreja.

A outra ironia da história é que, no momento em que perdem significativamente a força os chefes de política locais, em função dos programas de transferência de renda do governo, e o PT passa a ser o interlocutor preferencial junto aos pobres, os seus adversários tenham arrumado um “atalho” para chegar a esse eleitor humilde, via o temor religioso. O voto colocado como “pecado”, e a eleição como obra de um “poder satânico”, recolocam o eleitorado mais pobre e menos escolarizado nas mãos de líderes conservadores, mas pela força do medo.


Fonte: Blog do Miro 

Nota do blog: É de causar indignação o que as forças obscurantistas pactuaram como tema principal da sua campanha neste segundo turno das eleições de 2010. É uma das maiores violências contra as mulheres brasileiras, especialmente as mais pobres, praticadas em período eleitoral. No país da hipocrisia, enquanto mulheres das classes altas e médias fazem aborto em condições clínicas seguras, mulheres pobres não têm acesso a serviços que lhes garantam minimamente a vida. Um crime para o qual auxiliam as igrejas conservadoras. Vergonhosamente, na contra mão da história, o aborto ainda é crime no Brasil, contrariando a tendência universal de equidade para com a saúde da mulher. Silenciar sobre essa manobra medieval é ir de encontro à construção da cidadania, quando a cada três crianças nascidas vivas existe um aborto induzido, segundo o estudo Magnitude do Aborto no Brasil, da organização não governamental Ipas Brasil. Este dado foi calculado através do número de internações por abortos registrados pelo Ministério da Saúde e no número de nascimentos estimado pela Taxa Bruta de Natalidade, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por essa razão, a candidata Dilma Roussef declarou que a questão do aborto é uma questão de saúde pública, coisa que até a revista Veja já foi mais tolerante com o tema (leia aqui). A constituição brasileira reafirma a condição laica do Estado. Não podemos ficar reféns do conservadorismo e moralismo cristãos. Por negar o direito à vida das mulheres, as igrejas deveriam responder, num tribunal internacional, por esse crime contra a humanidade.