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novembro 25, 2010

Órgãos de imprensa incentivam o preconceito, segundo Carlos Brickman

PICICA: A imagem abaixo é uma cortesia do PICICA, enviada pelo nosso correspondente Zefofinho de Ogum, para quem os preconceituosos costumam ter como fonte de informação a leitura acritica da revista VEJA.
O preconceito é burro e emburrece
 

Por Carlos Brickmann em 23/11/2010

Numa história em quadrinhos clássica, internacionalmente premiada, Maurício de Souza mostra Cebolinha pintado de verde. É o mesmo Cebolinha de sempre, com a mesma roupa, o mesmo cabelo, o mesmo medo da Mônica, a mesma troca de letras nas palavras, o mesmo gosto pelo futebol, a mesma vontade de envolver o amigo Cascão em seus planos infalíveis para tornar-se o dono da rua.

Mas não era possível: quando viam Cebolinha de outra cor, seus amigos se escondiam, fugiam, não queriam jogar bola, não queriam falar de planos. Queriam apenas ver-se longe daquele ser estranho – que, de estranho, só tinha a cor diferente da habitual.

Burros, né? No entanto, o preconceito existe. Existe preconceito racial, existe preconceito social, existe preconceito de cor, existe agora preconceito geográfico (aliás, não existe, ou só existe para quem é burro: os empresários do Nordeste continuam negociando com os empresários do Sul, os banqueiros de uma região procuram expandir-se para outra; não há intelectual sulista que se preze que tenha deixado de ler Gilberto Freyre e não se delicie com Ariano Suassuna, não há um intelectual nordestino que se preze que não tenha lido de Monteiro Lobato a Fernando Henrique, passando por Sérgio Buarque de Holanda – cuja família, aliás, tem origem em Pernambuco – não há paulista, paranaense, barriga-verde ou gaúcho que não queira passar férias no Nordeste, há raros nordestinos que não têm parentes em São Paulo). O pior do preconceito, entretanto, é o apoio a ele de muitos meios de comunicação: é a tomada de posição antialguma coisa com base em discriminações partidárias, geográficas, políticas ou de comportamento.

Há, por exemplo, uma certa proteção da imprensa a jovens bem-postos que, gritando slogans homofóbicos, agridem pessoas e as ferem seriamente. No caso da Avenida Paulista, em que cidadãos pacíficos foram atacados com lâmpadas fluorescentes (além de cortantes, venenosas), pontapés e socos, todos os meios de comunicação informaram que os agressores estudavam em escolas particulares da região. Qual escola, ou quais escolas? No fim, meio a fórceps, soube-se que pelo menos um deles tinha sido expulso há tempos de uma escola conhecida, exatamente por seu comportamento agressivo. Mas, neste momento, onde estaria estudando? Como serão seus colegas? Como é tratada, ali, na escola que hoje frequenta, a questão do preconceito?

Há certo encorajamento, especialmente por jornalistas que perderam posições nas empresas e se dedicaram à internet, ao preconceito contra elites e contra São Paulo; esse encorajamento se repete em veículos impressos, como o que se refere àquela idiota que divulgou em seu twitter ataques a nordestinos, como "a paulista". E não houve qualquer pressão da imprensa sobre a polícia para que investigasse quem é que, também em mensagens pelo twitter, propunha que um atirador de elite alvejasse a cabeça de um candidato à Presidência da República.

O papel dos meios de comunicação é, sem dúvida, relatar os fatos – mas sem maximizá-los, sem incentivá-los. E, se é para tomar posição, que seja a posição do bem, de luta contra os preconceitos em geral. Caso o veículo seja favorável ao mal, aos preconceitos, está protegido pela liberdade de imprensa; mas todos saberão o que é que realmente defende. O que não se pode é tolerar que, fingindo combater preconceitos, órgãos de comunicação incentivem os preconceituosos de seu lado enquanto condenam apenas os adversários. Como disse certa vez John dos Passos, que não o convidassem para condenar meia guerra; que se unissem a ele para condenar a guerra inteira.

Fonte: Observatório da Imprensa

outubro 21, 2010

EXTRA: A próxima capa da VEJA, segundo Marco Costenaro

PICICA: O primeiro sinal de que o marqueteiro do Serra é um delirante fenil-pirúvico foi a afirmação de que as ações da Petrobrás voltaram a subir depois que o candidato melhorou seus índices de pesquisa. Desta vez, sugerir tomografia depois de uma suposta agressão com uma bolinha de papel é um escárnio para com os utentes do SUS (Sistema Único de Saúde), salvo se a tal bolinha pesasse 20 quilos. Aí não está mais aqui quem falou.

outubro 11, 2010

"Nunca disse que sou contra o aborto porque eu sou a favor" (Serra)

Nota do blog: Enciumado com a capa oferecida pela VEJA à candidata do PT, Dilma Roussef, o candidato dos tucanos, José Serra, não se fez de rogado: pediu o direito de resposta. A dica é da Margô Silva.

outubro 09, 2010

"TUDO EM CIMA" desmascara a hipocrisia do leitor de VEJA quando o assunto é aborto. Muda de revista, meu!

sábado, 9 de outubro de 2010

Batemos o recorde! Nova capa da Veja é destruída 1 minuto após divulgação!

Que a revista Veja não passa de um panfleto da extrema direita tupiniquim, atualmente a serviço da campanha de José Serra, ninguém tem mais dúvida. Por isso não vou chover no molhado. Com o advento da internet e o surgimento da blogosfera progressista, as mentiras, os factóides e a hipocrisia de Veja passaram a ser desmascaradas em questão de dias, depois horas e agora... minutos!

A galera do twitter estava de olho esperando o que o pasquim dos Civita ia aprontar contra Dilma e... bingo: aborto! O objetivo é claro, mostrar que Dilma é "do mal", a favor de "matar criancinhas", além de mentirosa e incoerente.



Mas é mais um tiro no pé. Bastou Veja divulgar a capa "bombástica" que alguém pesquisou e achou outra capa da mesma revista, de setembro de 1997, que trazia uma matéria séria sobre o tema, amplamente favorável à liberação do aborto, com confissões abertas inclusive feitas por celebridades! Confira:



"NÓS FIZEMOS ABORTO"

Mulheres de três gerações enfrentam a lei, o medo
e o preconceito e revelam suas experiências

- Andréa Barros, Angélica Santa Cruz e Neuza Sanches

ELAS RESOLVERAM FALAR. Quebrando o muro de silêncio que sempre cercou o aborto, oito dezenas de mulheres procuradas por VEJA decidiram contar como aconteceu, quando, por quê. Falaram atrizes, cantoras, intelectuais mas também operárias, domésticas, donas de casa. Falaram de angústia, de culpa, de dor e de solidão. Também falaram de clínicas mal equipadas, de médicos sem escrúpulos, de enfermeiras sem preparo, de maridos e namorados ausentes. A apresentadora Hebe Camargo contou que, quando era uma jovem de 18 anos, ficou grávida do primeiro namorado e foi parar nas mãos de uma curiosa que fez a cirurgia sem anestesia nem cuidado. A atriz Aracy Balabanian, a Cassandra do Sai de Baixo, ficou grávida quando estava chegando aos 40 anos e dando fim a um longo relacionamento. Resolveu fazer o aborto, convencida de que a criança não teria um bom pai nem ela seria capaz de criá-la sozinha. Metalúrgica da Força Sindical, a mineira Nair Goulart, 45 anos, fez dois abortos nos anos 70 por motivos econômicos. Ela e o marido, também operário, ganhavam pouco, viviam num quarto de despejo e não teriam meios de educar nenhum filho.

Quando o Congresso brasileiro debate a regulamentação de uma legislação que autoriza a realização de aborto apenas em caso de estupro e de risco de vida para a mãe como está previsto no Código Penal desde 1940 , a disposição das mulheres que falaram a VEJA não é apenas oportuna, mas também corajosa. Embora o 1º Tribunal do Júri de São Paulo, o maior do país, já tenha completado mais de uma década sem condenar nenhuma mulher em função do aborto, a legislação estabelece para esses casos penas que vão de um a três anos de prisão. E a maioria delas não fez aborto pelos motivos previstos em lei, mas porque, cada uma em seu momento, cada uma com sua história pessoal, considerou as circunstâncias e concluiu que interromper a gravidez era uma saída menos dolorosa do que ter um filho que não poderia criar. (a reportagem continua neste link).



Ah, outra coisa importante: a blogosfera também desencavou uma reportagem da revista TRIP de nº 41, na qual Soninha Francine declarou que já tinha feito aborto e que era favorável à descriminalização. (link aqui).



Detalhe: Soninha, ex-esquerdista e atual neocon renascida, é uma das coordenadoras de campanha de José Serra (PSDB). Ela é cotada para ser Ministra de Serra, se ele vencesse, e atua na campanha sobretudo na internet. E é pela internet, através de emails em massa, que partidários de Serra espalham a campanha de ódio e difamação contra Dilma.

Se não me engano, a denúncia foi feita pelo blog Os Amigos do Presidente Lula, que fez questão de comentar: "Nós não somos como eles, e não vamos apedrejar Soninha. O próprio cristianismo ensina que, quem não tiver pecados, que atire a primeira pedra. Vamos só denunciar essa hipocrisia, essa má-fé, o falso testemunho, e esse uso do nome do Senhor em vão, com fins eleitoreiros, pelos partidários de José Serra."
E agora, José Serra? Será que sua esposinha vai sair por aí gritando aos quatro ventos que a Hebe Camargo e Soninha gostam de "matar criancinhas"? Quem viver, verá...

outubro 07, 2010

“Ela (Dilma) é a favor de matar criancinhas” (Mônica Serra)

dilmanaweb | 6 de outubro de 2010 
* * * 

O voto do pecado e o poder satânico

Reproduzo excelente artigo de Maria Inês Nassif, publicado no jornal Valor:

A campanha religiosa contra a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, estava em andamento e foi subestimada pelo comitê petista. O staff serrista prestou mais atenção nisso. No dia 14 de setembro, a mulher de José Serra, Mônica Serra, em campanha para o marido no município de Nova Iguaçu, no Rio, falou a um eleitor evangélico, para convencê-lo a não votar em Dilma: “Ela é a favor de matar criancinhas”, disse, segundo relato do jornal “O Estado de S. Paulo”.

Mônica quis dizer, usando cores muito, muito fortes, que Dilma era a favor do aborto, e portanto não merecia o voto de um evangélico. Não deve ter sido da cabeça dela – falou porque as pesquisas qualitativas do PSDB já deviam mostrar que a onda “antiabortista” estava pegando, embalada por bispos e padres da Igreja Católica e pastores evangélicos.

Da parte da ala conservadora da Igreja Católica, a articulação foi feita com alarde, de forma a induzir os fiéis de que a recomendação de não votar em Dilma, ou em qualquer outro candidato do PT, veio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A CNBB reagiu timidamente a essa ofensiva, com uma carta que foi também instrumentalizada pelos conservadores, que hoje não são poucos. “Falam em nome da CNBB somente a Assembleia Geral, o Conselho Permanente e a Presidência”, diz a nota, para em seguida lembrar que o documento oficial sobre as eleições, tirado na 48ª Assembleia Geral, foi a “Declaração sobre o Momento Político Nacional”, que não faz referência direta a candidatos ou partidos.

Um trecho da carta oficial, todavia, foi apresentado aos fiéis paulistanos como prova de que a Igreja, como instituição, vetava o voto aos petistas. “(…) incentivamos a todos que participem (…), procurando eleger pessoas comprometidas com o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana”.

A campanha da Igreja conservadora contra Dilma está usando um sofisma: o “respeito incondicional à vida” torna a igreja antiabortista; o PT defendeu o aborto; logo, o voto em Dilma é pecado. É esse sofisma que foi colocado aos padres de São Paulo pela Regional Sul 1 da CNBB como uma ordem. A secção da CNBB no Estado está impondo a campanha política nas igrejas como obrigação de hierarquia: há uma determinação para que os padres falem na homilia que o voto ao PT é pecado. Os padres estão obrigados também a distribuir jornais de suas dioceses na porta das igrejas, que não raro colocam o veto ao voto no PT como uma determinação da “CNBB”, sem especificar que é da CNBB da Regional Sul 1.

Com ajuda da Igreja, Serra chega aos pobres via medo

Guarulhos é o grande foco, mas não o único. O bispo Luiz Gonzaga Bergonzini declara publicamente “ódio ao PT”. Sua diocese foi uma das formuladoras, na Comissão da Vida da Região Sul, do documento que deu “subsídios” para o manifesto anti-PT que está sendo distribuído nas paróquias como posição oficial da Igreja Católica. Um padre de Guarulhos conta que Dom Luiz Gonzaga vai se aposentar em sete meses, e tem aproveitado seus últimos momentos como bispo para militar ativamente contra o partido de Lula. Para isso, tem usado seu poder de “mordaça” – a autoridade máxima da paróquia é a diocese, e o bispo pode impor suspensões a padres que não seguirem as suas ordens, ou criticarem publicamente suas posições.

Segundo uma senhora que é católica militante, bem longe de Guarulhos, no bairro de Campo Limpo, os bispos levaram ao pé da letra a orientação da regional da CNBB. A senhora ouviu do padre da sua paróquia, durante a pregação do sermão, que os católicos que votassem em Dilma Rousseff deveriam se confessar depois, porque teriam cometido um pecado. Preferiu o discurso da corrupção ao discurso so aborto. E garantiu que recomendava o voto contra o PT por ordem do bispo.

O vereador Chico Macena (PT), da capital paulista, que é ligadíssimo à Igreja, conta que várias paróquias da região de São Lucas falaram contra o PT na homilia. Ele acredita que esse movimento da igreja conservadora paulista influenciou o voto contra Dilma em algumas regiões.

Na campanha de Dilma, soou o alarme apenas na semana anterior às eleições. Foi quando a candidata se reuniu com líderes religiosos e garantiu a eles que não havia defendido o aborto.

A guerra religiosa não se limitou a sermões de padres ou pregações de pastores evangélicos. Espalhou-se como um rastilho pela internet uma “denúncia” de envolvimento do candidato a vice de Dilma, o deputado Michel Temer (SP), com o “satanismo”. O site Hospital da Alma, ligado à Associação dos Blogueiros Evangélicos, diz que Dilma, se vencer a disputa, morrerá por obra de Satã, para que o sacerdote Temer assuma a Presidência.

As versões religiosas sobre a candidatura governista são inventivas e, no conjunto, ajudam a formar um clima de pânico que, em algum momento, pode resultar numa explosão em que a racionalidade da escolha do candidato ao segundo turno escorra pelo ralo.

Não deixa de ser irônico. A Igreja progressista esteve na base da formação do PT, embora limitada a regras da não militância política dentro das paróquias. Teve um papel fundamental em São Paulo. É aqui no Estado, que deu uma guinada conservadora durante e após os governos de Fernando Henrique Cardoso, que a Igreja Católica tem imposto os maiores prejuízos à candidata petista. Dois papados conservadores reduziram os progressistas católicos de São Paulo a um rebanho desorganizado e destituído de poder na hierarquia da Igreja.

A outra ironia da história é que, no momento em que perdem significativamente a força os chefes de política locais, em função dos programas de transferência de renda do governo, e o PT passa a ser o interlocutor preferencial junto aos pobres, os seus adversários tenham arrumado um “atalho” para chegar a esse eleitor humilde, via o temor religioso. O voto colocado como “pecado”, e a eleição como obra de um “poder satânico”, recolocam o eleitorado mais pobre e menos escolarizado nas mãos de líderes conservadores, mas pela força do medo.


Fonte: Blog do Miro 

Nota do blog: É de causar indignação o que as forças obscurantistas pactuaram como tema principal da sua campanha neste segundo turno das eleições de 2010. É uma das maiores violências contra as mulheres brasileiras, especialmente as mais pobres, praticadas em período eleitoral. No país da hipocrisia, enquanto mulheres das classes altas e médias fazem aborto em condições clínicas seguras, mulheres pobres não têm acesso a serviços que lhes garantam minimamente a vida. Um crime para o qual auxiliam as igrejas conservadoras. Vergonhosamente, na contra mão da história, o aborto ainda é crime no Brasil, contrariando a tendência universal de equidade para com a saúde da mulher. Silenciar sobre essa manobra medieval é ir de encontro à construção da cidadania, quando a cada três crianças nascidas vivas existe um aborto induzido, segundo o estudo Magnitude do Aborto no Brasil, da organização não governamental Ipas Brasil. Este dado foi calculado através do número de internações por abortos registrados pelo Ministério da Saúde e no número de nascimentos estimado pela Taxa Bruta de Natalidade, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por essa razão, a candidata Dilma Roussef declarou que a questão do aborto é uma questão de saúde pública, coisa que até a revista Veja já foi mais tolerante com o tema (leia aqui). A constituição brasileira reafirma a condição laica do Estado. Não podemos ficar reféns do conservadorismo e moralismo cristãos. Por negar o direito à vida das mulheres, as igrejas deveriam responder, num tribunal internacional, por esse crime contra a humanidade.

setembro 11, 2010

Ministra Elenice Guerra recebe apoio contra a delinqüência político-eleitoral da revista Veja

A Veja não é jornalismo, é panfleto sujo


Este senhor, famoso na Chicago dos anos 30, não faria melhor na direção da Veja

Quero registrar de público meu aplauso à reação pronta e dura da Ministra Elenice Guerra ao monte de lixo publicado hoje pela Veja, acusando-a e ao seu filho de reberem propinas para intermediarem negócios públicos. Reagiu como devem reagir pessoas de bem, não gaguejando explicações, mas partindo para cima de seus ofensores com a civilizada arma do processo judicial.

A vocês, posso dizer que, depois de três anos e meio circulando em Brasília, que é literalmente impossível que um rapaz, filho da pessoa que todos sabemos ser braço direito – e, agora ela própria Ministra – da Casa Civil estivesse vendendo lobby a empresários na capital. Isso ia correr à boca pequena no máximo por alguns poucos dias e logo estouraria. Não há segredos deste tamanho em Brasília que não sejam cochichados ou virem boatos.


Se há algo que deploro, neste assunto, foi a ministra ter recebido o enviado da Veja como jornalista e prestado os esclarecimentos que julgou necessário. Uma autoridade do Governo, ao ser procurada pela Veja, deve imediatamente munir-se de uma câmara, um gravador e um advogado. Porque certamente se estará preparando ali um ato de delinqüência político-eleitoral.


A história da Veja não bate, nem precisa bater. Não é jornalismo, é patifaria. A Veja é um panfleto sujo de uma campanha suja.

A ministra reagiu com uma nota firme, em linguagem clara e induvidosa, que transcrevo a seguir:

“Sobre a matéria caluniosa da revista VEJA, buscando atingir-me em minha honra, bem como envolver familiares meus, cumpre-me informar:

1) Procurados pelo repórter autor das aleivosias, fornecemos –tanto eu quanto os meus familiares– as respostas cabíveis a cada uma de suas interrogações. De nada adiantou nosso procedimento transparente e ético, já que tais esclarecimentos foram, levianamente, desconhecidos;

2) Sinto-me atacada em minha honra pessoal e ultrajada pelas mentiras publicadas sem a menor base em provas ou em sustentação na verdade dos fatos, cabendo-me tomar medidas judiciais para a reparação necessária. E assim o farei. Não permitirei que a revista VEJA, contumaz no enxovalho da honra alheia, o faça comigo sem que seja acionada tanto por DANOS MORAIS quanto para que me garanta o DIREITO DE RESPOSTA;

3) Como servidora pública sinto-me na obrigação, desde já, de colocar meus sigilos fiscal, bancário e telefônico, bem como o de TODOS os integrantes de minha família, à disposição das autoridades competentes para eventuais apurações que julgarem necessárias para o esclarecimento dos fatos;

4) Lamento, por fim, que o processo eleitoral, no qual a citada revista está envolvida da forma mais virulenta e menos ética possível, propicie esse tipo de comportamento e a utilização de expediente como esse, em que se publica ataque à honra alheia travestido de material jornalístico sem que se veicule a resposta dos ofendidos.

Brasília, 11 de setembro de 2010.
Erenice Guerra
Ministra-Chefe da Casa Civil da Presidência da República.”




Fonte: Tijolaço

maio 31, 2010

O jornalismo fraudulento da VEJA

Para quem gosta de acreditar na Veja

8 maio 2010  

A matéria é um pouco extensa. Mas vale a pena ser lida. Ela mostra, pragmaticamente, em que a Veja se transformou. E, paradoxo, ao mesmo tempo em que desnuda o mau jornalismo, nos mostra um exemplo do bom jornalismo. 

A farra do jornalismo oportunista?

A revista Veja dessa semana publicou uma matéria intitulada “A farra da antropologia oportunista”. Aparentemente os jornalistas Leonardo Coutinho, Júlia de Medeiros e Igor Paulin desejavam denunciar o que seria uma espécie de “esquema” entre ONGs internacionais, antropólogos e o Governo Federal para extinguir a propriedade privada de imóveis rurais no Brasil através da demarcação de terras indígenas e terras de quilombo, além da criação de unidades de conservação. 

Comento a matéria aqui sem entrar no mérito de outras questões mais profundas, abordando dois aspectos da reportagem que são absolutamente hediondos para os padrões de qualquer tipo de jornalismo.

A falácia

 Os repórteres abrem a matéria com a seguinte afirmação:
Áreas de preservação ecológica, reservas indígenas e supostos antigos quilombos abarcam, hoje, 77,6% da extensão do Brasil.

Qualquer alma com dois dedos de bom senso questionaria essa afirmação, uma vez que as terras indígenas correspondem a 13% da área do país, sobretudo na região amazônica. Coloco aqui dados do Instituto Socioambiental acerca dessa extensão: 

O Brasil tem uma extensão territorial de 851.196.500 hectares, ou seja, 8.511.965 km2. As terras indígenas (TIs) somam 653 áreas, ocupando uma extensão total de 110.500.556 hectares ( 1.105.006  km2). Assim, 13% das terras do país são reservados aos povos indígenas.
A maior parte das TIs concentra-se na Amazônia Legal: são 409 áreas, 108.720.018 hectares, representando 21.67% do território amazônico e 98.61% da extensão de todas as TIs do país. O restante, 1.39%, espalha-se pelas regiões Nordeste, Sudeste, Sul e estado do Mato Grosso do Sul.

Agora vejamos um mapa onde essas terras estão representadas:
2  

Digamos então, que o restante dessa porcentagem absurda levantada pelos jornalistas, agora 64,6%, estivesse relacionado às terras de quilombo ou às unidades de conservação. Ainda assim os números parecem não bater, já que segundo o “Atlas da Questão Agrária Brasileira”, organizado pela UNESP, as áreas das unidades de conservação federais e estaduais em 2007
totalizavam 99,7 milhões de hectares, sendo 98 milhões referentes às unidades de conservação em ambientes terrestres. Dessas unidades, 310 (41,5 milhões de ha) são de proteção integral e 286 (58,2 milhões de ha) de uso sustentável. Entre 1997 e 2007 foram criadas 251 unidades de conservação e acrescidos 51,35 milhões de hectares de unidades em ambientes terrestres. A distribuição territorial das unidades de conservação é desigual e a maior parte está no bioma amazônico, que concentra 74,2 milhões de hectares – 75,7% do total.
Lembrando “o Brasil tem uma extensão territorial de 851.196.500 hectares”, os 98 milhões de hectares, já que estamos excluindo as unidades de conservação oceânicas, corresponderiam a aproximadamente 11,71% do território nacional. Boa parte dessas terras não é “improdutiva”, mas são as chamadas “áreas de uso sustentável” que seguem regras especiais para a exploração, como demonstra o mapa abaixo. 

1 

Então, temos 24,7 1% do Brasil dedicado a terras indígenas e unidades de conservação, correto? Não necessariamente. Se sobrepusermos os dois mapas é possível perceber que há sobreposição de áreas de unidades de conservação e terras indígenas em vários pontos do país, o que diminuiria esse percentual. Mas, vamos supor que há 24% do território nacional, sobretudo na Amazônia Legal, dedicado a unidades de conservação e terras indígenas. 

3  

Para chegar então aos 53,6% restantes (77,6% – 24%) seria necessário que as terras de quilombo abarcassem estrondosos 459 milhões de hectares… o que não é verdade. Segundo a Comissão Pró-Índio de São Paulo 
Em setembro de 2008, os territórios quilombolas titulados somavam 1.171.213 hectares. Até essa data, o Pará continuava como o estado com a maior extensão titulada: 628.674,7 hectares, o que corresponde a cerca de 54% do total já regularizado.

[Para os mais interessados, aqui há uma tabela onde estão os nomes, localização, e área de todas as comunidades.]
Logo, temos 1.171.213 hectares em terras de quilombo tituladas, o que corresponde a, vejam só,  0,13% do território nacional. E as maiores terras também estão na área da Amazônia Legal – notem que novamente calculamos a porcentagem desconsiderando eventuais sobreposições  com unidades de conservação.

Com base nesses dados, a porcentagem de 77,6% alegada na reportagem da revista Veja não se sustenta sob qualquer argumento. Além disso, a matéria dá a entender que basta requerer a terra para se ter acesso a ela, ou mesmo que o governo em exercício estaria sendo uma espécie de “facilitador” do processo. Isso não se sustenta no caso das terras de quilombo e nem das terras indígenas, uma vez que o governo em exercício demarcou e homologou menos terras (em extensão e quantidade) do que o governo anterior!

A matemática esotérica dessa reportagem parece estar baseada numa alegação da Senadora Kátia Abreu, de que “ 90% do território brasileiro estaria congelado e inacessível ao ‘progresso’, como terras indígenas, quilombos, parques, cidades e infra-estrutura”. Ela disse ter encomendado uma pesquisa junto à Embrapa que provaria a veracidade dessa afirmação… espero que, diferente da Senadora, os pesquisadores em questão saibam soma, subtração e porcentagem.

A fraude

 A reportagem é escrita como se fosse um conto, uma peça de ficção, parte de um panfleto, não havendo fonte citada para qualquer uma das informações presentes. Também parece-me estranho que uma reportagem com uma denúncia tão severa, que basicamente implica o fim da propriedade privada de imóveis rurais no Brasil, não conte com qualquer tipo de mobilização contrária por parte de geógrafos, agrônomos, professores ou políticos. Não haveriam centenas de pessoas se manifestando contra tamanha mudança na questão fundiária brasileira? Essas pessoas não dariam sua opinião à Veja? A ausência de opiniões contrárias parece justificada pela suposição da reportagem de que a demarcação de terras indígenas e terras de quilombo seria parte de um “esquema” do qual a população em geral e até setores do Estado não saberiam – uma “conspiração” absolutamente inverossímil.

A reportagem traz, no entanto, duas supostas afirmações de antropólogos conhecidos no Brasil. Uma seria de Eduardo Viveiros de Castro, professor do Museu Nacional, e outra de Mércio Pereira Gomes, ex-presidente da FUNAI e professor da Universidade Federal Fluminense. Ambos se manifestaram dizendo que não foram entrevistados pela revista, e que esta distorceu suas palavras.

Reproduzo as frases aqui:
- Frase atribuída a Mércio Gomes
Diante desse quadro, é preciso dar um basta imediato nos processos de demarcação“, como já advertiu há quatro anos o antropólogo Mércio Pereira Gomes, ex-presidente da Funai e professor da Universidade Federal Fluminense.

- Resposta de Mércio Gomes
Denego-lhe o falso direito jornalístico de atribuir a mim uma frase impronunciada e um sentido desvirtuante daquilo que penso sobre a questão indígena brasileira.

- Frase atribuída a Viveiros de Castro
Casos assim escandalizam até estudiosos benevolentes, que aceitam a tese dos “índios ressurgidos”. “Não basta dizer que é índio para se transformar em um deles. Só é índio quem nasce, cresce e vive num ambiente de cultura indígena original“, diz o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, do Museu Nacional, no Rio de Janeiro.

- Resposta de Eduardo Viveiros de Castro

Na matéria “A farra da antropologia oportunista” (Veja ano 43 nº 18, de 05/05/2010), seus autores colocam em minha boca a seguinte afirmação: “Não basta dizer que é índio para se transformar em um deles. Só é índio quem nasce, cresce e vive num ambiente cultural original”. Gostaria de saber quando e a quem eu disse isso, uma vez que (1) nunca tive qualquer espécie de contato com os responsáveis pela matéria; (2) não pronunciei em qualquer ocasião, ou publiquei em qualquer veículo, reflexão tão grotesca, no conteúdo como na forma. Na verdade, a frase a mim mentirosamente atribuída contradiz o espírito de todas declarações que já tive ocasião de fazer sobre o tema. Assim sendo, cabe perguntar o que mais existiria de “montado” ou de simplesmente inventado na matéria. A qual, se me permitem a opinião, achei repugnante.

- A Veja respondeu no dia 03/05/2010 afirmando 

O antropólogo Eduardo Viveiros de Castro enviou a VEJA uma carta – divulgada amplamente na internet – sobre a reportagem “A farra antropológica oportunista” [sic], publicada nesta edição da revista. Na carta, Viveiros de Castro diz: “(1) nunca tive qualquer espécie de contato com os responsáveis pela matéria; (2) não pronunciei em qualquer ocasião, ou publiquei em qualquer veículo, reflexão tão grotesca, no conteúdo como na forma”.

Sua primeira afirmação não condiz com a verdade. No início de março, VEJA fez contato com Viveiros de Castro por intermédio da assessoria de imprensa do Museu Nacional do Rio de Janeiro, onde ele trabalha. Por meio da assessoria, Viveiros de Castro recomendou a leitura de um artigo seu intitulado “No Brasil todo mundo é índio, exceto quem não é”, que expressaria sua opinião de forma sistematizada e autorizou VEJA a usar o texto na reportagem de uma maneira sintética.

Também não condiz com a verdade a afirmação feita por Viveiros de Castro no item (2) de sua carta. A frase publicada por VEJA espelha opinião escrita mais de uma vez em seu texto (“Não é qualquer um; e não basta achar ou dizer; só é índio, como eu disse, quem se garante” e “pode-se dizer que ser índio é como aquilo que Lacan dizia sobre ser louco: não o é quem quer. Nem quem simplesmente o diz. Pois só é índio quem se garante”).

O antropólogo Viveiros de Castro pode não corroborar integralmente o conteúdo da reportagem, mas concorda, sim, como está demonstrada em sua produção intelectual, que a autodeclaração não é critério suficiente para que uma pessoa seja considerada indígena.

O texto em questão se encontra disponível aqui e foi integralmente reproduzido pela revista Veja com algumas partes negritadas que supostamente corroborariam que o ponto de vista do pesquisador era condizente com o da publicação. Não entrando no mérito da interpretação do texto, é possível afirmar que houve, no mínimo, má fé por parte do trio de jornalistas responsáveis pela reportagem. Não sou jornalista e não sei nada acerca da política de ética da revista Veja, mas aspas são aspas! Se você não entrevistou alguém ou não está fazendo uma citação ipsis litteris de um conteúdo elas não valem. Não adianta dizer que a frase “espelha” a opinião do professor (ainda que ela assim o fizesse), isso não torna a suposta citação menos fraudulenta.

- E o professor Viveiros de Castro respondeu novamente:
Aos Editores da revista Veja:

Em resposta à mensagem que enviei à revista Veja no dia 01/05, denunciando a imputação fraudulenta de declarações que me é feita na matéria “A farra da antropologia oportunista”, o site Veja.com traz ontem uma resposta com o título “No Brasil, todo mundo é índio, exceto quem não é”. Ali, os responsáveis pela revista, ou pela resposta, ou, pelo jeito, por coisa nenhuma, reincidem na manipulação e na mentira; pior, confessam cinicamente que fabricaram a declaração a mim atribuída.

Em minha carta de protesto inicial, sublinhei dois pontos: “(1) que nunca tive qualquer espécie de contato com os responsáveis pela matéria; (2) que não pronunciei em qualquer ocasião, ou publiquei em qualquer veículo, reflexão tão grotesca, no conteúdo como na forma”.

Veja contesta estes pontos com os seguintes argumentos:

(1) “Sua primeira afirmação não condiz com a verdade. No início de março, VEJA fez contato com Viveiros de Castro por intermédio da assessoria de imprensa do Museu Nacional do Rio de Janeiro, onde ele trabalha. Por meio da assessoria, Viveiros de Castro recomendou a leitura de um artigo seu intitulado “No Brasil todo mundo é índio, exceto quem não é”, que expressaria sua opinião de forma sistematizada e autorizou VEJA a usar o texto na reportagem de uma maneira sintética.”

Respondo: é falso. A Assessoria de Imprensa do Museu Nacional telefonou-me, talvez no início de março (não acredito mais em nada do que a Veja afirma), perguntando se receberia repórteres da mal-conceituada revista, a propósito de uma matéria que estariam preparando sobre a situação dos índios no Brasil. Respondi que não pretendia sofrer qualquer espécie de contato com esses profissionais, visto que tenho a revista em baixíssima estima e péssima consideração. Esclareci à Assessoria do Museu que eu tinha diversos textos publicados sobre o assunto, cuja consulta e citação é, portanto, livre, e que assim os repórteres, com o perdão da expressão, que se virassem. Não “recomendei a leitura” de nada em particular; e mesmo que o tivesse feito, não poderia ter “autorizado Veja” a usar o texto, simplesmente porque um autor não tem tal poder sobre trabalhos seus já publicados. Quanto à curiosa noção de que eu autorizei a revista, em particular, a “usar de maneira sintética” esse texto, observo que, além de isso “não condizer com a verdade”, certamente não é o caso que esse poder de síntese de que a Veja se acha imbuída inclua a atribuição de sentenças que não só se encontram no texto em questão, como são, ao contrário e justamente, contraditas cabalmente por ele. A matéria de Veja cita, entre aspas, duas frases que formam um argumento único, o qual jamais foi enunciado por mim. Cito, para memória, a atribuição imaginária: “Não basta dizer que é índio para se transformar em um deles. Só é índio quem nasce, cresce e vive num ambiente cultural original” . Com isso, a revista induz maliciosamente o leitor a pensar que (1) a declaração foi dada de viva voz aos repórteres; (2) ela reproduz literalmente algo que disse. Duas grosseiras inverdades.

Veja contesta o segundo ponto com o argumento:

(2) “Também não condiz com a verdade a afirmação feita por Viveiros de Castro no item (2) de sua carta. A frase publicada por VEJA espelha opinião escrita mais de uma vez em seu texto (“Não é qualquer um; e não basta achar ou dizer; só é índio, como eu disse, quem se garante” e “pode-se dizer que ser índio é como aquilo que Lacan dizia sobre ser louco: não o é quem quer. Nem quem simplesmente o diz. Pois só é índio quem se garante”).” Ato contínuo, a revista dá o texto na íntegra, repetindo que eu a autorizei a usar o texto “da forma que bem entendesse”.

(Veja o link para meu texto: http://pib.socioambiental.org/files/file/PIB_institucional/No_Brasil_todo_mundo_%C3%A9_%C3%ADndio.pdf ).

Pela ordem. Em primeiro lugar, essa resposta da revista fez desaparecer, como num passe de mágica, a frase propriamente afirmativa de minha suposta declaração, a saber, a segunda (Só é índio quem nasce, cresce e vive em um ambiente cultural original”), visto que a primeira (Não basta dizer que é índio etc.) permanece uma mera obviedade, se não for completada por um raciocínio substantivo. Ora, o raciocínio substantivo exposto em meu texto está nas antípodas daquele que Veja falsamente me atribui. A afirmação de Veja de que eu a autorizara a “usar” o texto da forma que ela “bem entendesse” parece assim significar, para os responsáveis (ou não) pela revista, que ela poderia fabricar declarações absurdas e depois dizer que “sintetizavam” o texto. Esse arrogamente “da forma que bem entendesse” não pode incluir um fazer-se de desentendido da parte da Veja.

Reitero que a revista fabricou descaradamente a declaração “Só é indio quem nasce, cresce e vive em um ambiente cultural original”. Se o leitor tiver o trabalho de ler na íntegra a entrevista reproduzida em Veja.com, verá que eu digo exatamente o contrário, a saber, que é impossível de um ponto de vista antropológico (ou qualquer outro) determinar condições necessárias para alguém (uma pessoa ou uma coletividade) “ser índio”. A frase falsa de Veja põe em minha boca precisamente uma condição necessária, e, ademais, absurda. Em meu texto sustento, ao contrário e positivamente, que é perfeitamente possível especificar diversas condições suficientes para se assumir uma identidade indígena. Talvez os responsáveis pela matéria não conheçam a diferença entre condições necessárias e condições suficientes. Que voltem aos bancos da escola.

A afirmação “só é índio quem nasce, cresce e vive em um ambiente cultural original” é, repito, grotesca. Nenhum antropólogo que se respeite a pronunciaria. Primeiro, porque ela enuncia uma condição impossível (o contrário de uma condição necessária, portanto!) no mundo humano atual; impossível, na verdade, desde que o mundo é mundo. Não existem “ambientes culturais originais”; as culturas estão constantemente em transformação interna e em comunicação externa, e os dois processos são, via de regra, intimamente correlacionados. Não existe instrumento científico capaz de detectar quando uma cultura deixa de ser “original”, nem quando um povo deixa de ser indígena. (E quando será que uma cultura começa a ser original? E quando é que um povo começa a ser indígena?). Ninguém vive no ambiente cultural onde nasceu. Em segundo lugar, o “ambiente cultural original” dos índios, admitindo-se que tal entidade exista, foi destruído meticulosamente durante cinco séculos, por epidemias, massacres, escravização, catequese e destruição ambiental. A seguirmos essa linha de raciocínio, não haveria mais índios no Brasil. Talvez seja isso que Veja queria dizer. Em terceiro lugar, a revista parte do pressuposto inteiramente injustificado de que “ser índio” é algo que remete ao passado; algo que só se pode ou continuar (a duras penas) a ser, ou deixar de ser. A idéia de que uma coletividade possa voltar a ser índia é propriamente impensável pelos autores da matéria e seus mentores intelectuais. Mas como eu lembro em minha entrevista original deturpada por Veja, os bárbaros europeus da Idade Média voltaram a ser romanos e gregos ali pelo século XIV ­ só que isso se chamou “Renascimento” e não “farra de antropólogos oportunistas”. Como diz Marshall Sahlins, o antropólogo de onde tirei a analogia, alguns povos têm toda a sorte do mundo.

E o Brasil, será que temos toda a sorte do mundo? Será que o Brasil algum dia vai se tornar mesmo um grande Estados Unidos, como quer a Veja ? Será que teremos de viver em um ambiente cultural que não é aquele onde nascemos e crescemos? (Eu cresci durante a ditadura; Deus me livre desse ambiente cultural). Será que vamos deixar de ser brasileiros? Aliás, qual era mesmo nosso ambiente cultural original?
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Além disso, a reportagem dá a entender que a elaboração de relatórios técnicos de delimitação e identificação seria “lucrativa” para os antropólogos. Prezados, as contas são abertas, podem verificar a modesta quantia que é paga aos profissionais e depois se informem sobre o montante absurdo de trabalho em que consiste uma empreitada dessas. 

Pior, faz parecer que os morosos processos de demarcação e homologação de terras, com centenas de entraves burocráticos e judiciários seriam algo quase instantâneo, bastando que a comunidade que pleiteia o território se “autodeclare” . Os processos de homologação ou titulação dessas terras são justamente isso: processos. São passíveis de contraditório, anulação e etc. Em tempo: quem  tem a palavra final  acerca da titulação/homologação de terras é o judiciário, não os antropólogos.  O trabalho dos antropólogos é descrever como o grupo se relaciona com a terra que pleiteia e criar uma peça técnica onde reúne informações que vão desde redes de parentesco até dados sobre produção agrícola e aspectos religiosos. Esses dados compõe um documento maior, que inclui o levantamento das cadeias dominiais das terras pleiteadas e sua situação fundiária – donde se pode conhecer muito sobre a história da propriedade rural no Brasil… 

Enfim, a mentira tem perna curta.
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Updates

04/05/2010 Os dados que apresentei acerca da extensão das terras de quilombo e unidades de conservação não são desse ano. Usei deles porque não creio que houve qualquer mudança significativa no total dessas áreas. De qualquer forma, a presidência não decretou metade do Brasil em terras de quilombo e UCs de 2007 para cá, logo os dados apresentados na Veja continuam inválidos.
05/05/2010 O Núcleo de Análises em Políticas Públicas da UFFRJ publicou uma espécie de dossiê reunindo todas as opiniões, análises e manifestações acerca da controversa matéria da revista Veja. O dossiê tem sindo atualizado à medida que novas opiniões surgem e pode ser acessado aqui

05/05/2010 Há de fato uma polêmica acerca área disponível para plantio no Brasil, como aponta essa nota da Folha. A Empraba afirma que há 29% da terra disponível para agricultura e o Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) questionou o relatório da Empraba afirmando que o percentual é de 36%. Os Ruralistas desejavam utilizar o estudo para propor uma revisão do Código Florestal, mas o  jornalista Marcelo Leite afirma que mesmo que reste apenas a porcentagem afirmada pela Embrapa, é possível triplicar a safra nesse espaço – em torno de 2,46 milhões de km2. Não é pouco espaço se consideramos que os EUA, um dos países com a maior superfície plantada do mundo, usa 3,73 milhões de km2 de sua área para produção agrícola

06/05/2010: O Edmar postou um email de Coutinho acerca da matéria lá nos comentários, o qual reproduzido aqui:
Os dados apresentados na reportagem estão corretos. O estudo da Embrapa utilizado como fonte para elaboração do mapa mediu não só as chamadas Unidades de Conservação. Ele considera as áreas de reserva legal (que de acordo com a região do país variam de 20% a 80% das propriedades) e as Áreas de Preservação Permanente. São essas categorias juntas que chamamos de “áreas de preservação ecológica”. 
Espero ter esclarecido e coloco-me à disposição. 
 
 
Atenciosamente, 
Leonardo Coutinho
Revista VEJA
Salvador (BA) Brasil
   
Então, o jornalista quer dizer que, tirados os 24,7% de TQs, TIs e UCs ainda temos mais de 50% do país sob reserva legal? Acho improvável.

Os dados apresentados pelo jornalista Marcelo Leite numa reportagem da Folha ( reproduzida nesse blog) são bastante distintos do resultado dos cálculos de Coutinho, destacando-se o fato de que o relatório da Embrapa tem sido motivo de controvérsia. Cito um trecho:

A bancada ruralista no Congresso, empenhada em rever o Código Florestal, adorou o estudo, mas usou-o para dar o bote só em 29 de abril. A senadora Kátia Abreu (DEM-TO), que preside a CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil), conseguiu realizar nesse dia uma reunião conjunta das 11 comissões permanentes do Senado sobre a legislação ambiental.

Na pauta se destacava o estudo da unidade da Embrapa sediada em Campinas (SP), apresentado pelo autor principal e chefe da unidade, Evaristo Eduardo de Miranda. Deveria ser o golpe de misericórdia, “científico”, nas leis que supostamente engessam o agronegócio. De certo modo, o tiro saiu pela culatra.
O trabalho teve sua honestidade questionada pelo Greenpeace. Seus números foram corrigidos para cima por outra ONG, o Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia): ao menos 36% do Brasil, ou até 43%, permanecia disponível para atividades agropecuárias.

Quem está com a razão? Não é fácil responder, e talvez nem seja necessário. Mesmo que restem apenas os 2,46 milhões de km2 apontados por Miranda, na pior das hipóteses, já seria muito. Toda a produção de grãos do país cabe em 767 mil km2. Dá para triplicar a safra nesse espaço, e isso sem aumentar a produtividade. Coisa impensável, porque o aumento da eficiência -e não só a ampliação da área cultivada- é que tem garantido a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional.

Fonte: Página 13

maio 12, 2010

Veja demite editor da revista National Geographic Brasil

Fotos tirada num viaduto em São Paulo
Sobre a “surpresa” na demissão do jornalista com entranhas, na VEJA

Por Renato Kress em 12/05/2010

A situação é a seguinte: A (auto-intitulada) revista VEJA, mais uma vez, inventa uma declaração e coloca, à revelia, o nome de uma autoridade respeitável sobre o assunto querendo validar seu ponto de vista a qualquer custo. Não esperava a revista que o citado especialista, o renomado antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, fosse rechaçar a tal revista junto com a declaracão fictícia tão embaraçosamente.

A declaração, elegante, sucinta e direta circulou pelas vias digitais através, principalmente, do microblog Twitter. Até aí, ótimo, a falta de vergonha dos editores da revista e a mentalidade truculenta e rasteira do Grupo Civita simplesmente nunca mais divulgaria o nome do antropólogo em suas páginas. O que poderia ser até um elogio indireto ao colega Eduardo (bem, eu compreenderia dessa forma e agradeceria).

Leitura consciente

A matéria segue o manual prático de redação do compêndio: Definir o ponto em que quer chegar, as conclusões que são aceitas pelos grupos de interesse que financiam a revista e, a partir do final, seguir criando argumentos silogísticos que só façam sentido porque já se definiu onde se quer chegar.

Até aí ótimo, já passei da fase de querer “libertar” as pessoas das garras do pensamento único da VEJA, somos todos adultos e creio que quem dá crédito a esse tipo de publicação deve, no mínimo, sustentar (financeiramente) sua crença. Quem lê VEJA deve ter grana suficiente para conseguir comprar de volta a matéria em que ela o ataca.

Quem defende o neoliberalismo informativo subvencionado por grandes empresas e grupos de interesse deve, no mínimo, ter mais grana que eles, para que a sua opinião saia com mais destaque que a de seus possíveis críticos. Leia VEJA sem problemas, até sem escrúpulos, mas saiba o que você está lendo!

Showrnalismo truculento e burro

(matéria do Portal Imprensa, na íntegra)

O jornalista Felipe Milanez, editor da revista National Geographic Brasil, licenciada pela editora Abril (Grupo Civita), foi demitido nesta terça-feira (11) por ter criticado via Twitter a maior publicação da casa, a revista Veja. Milanez, na National desde outubro de 2008, publicou, em seu perfil no microblog, comentários a respeito da reportagem “A farsa da nação indígena”, veiculada na última edição da revista. “Veja vomita mais ranso racista x indios, agora na Bolivia. Como pode ser tão escrota depois desse seculo de holocausto? (sic)”, escreveu em post no último domingo (9).

Em mensagem no mesmo dia, Milanez complementou dizendo que ignorava a Veja, mas “racismo” da publicação fez com que se manifestasse. “Eu costumava ignorar a idiota Veja. Mas esse racismo recente tem me feito sentir mal. É como verem um filme da Guerra torcendo pros nazistas (sic)”.

Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Milanez admitiu que fez observações contundentes sobre a publicação, mas que foi surpreendido pela demissão. “Fui bem duro, fiz comentários duros, mas como pessoa; não como jornalista. Fiquei pessoalmente ofendido [com a reportagem]. Mas estou chateado por ter saído assim. Algumas frases no Twitter acabaram com uma porrada de projetos”, lamentou o ex-editor.

A decisão de demitir o jornalista, segundo ele, teria vindo diretamente de setores da Editora Abril ligados à revista Veja e repassada aos responsáveis pela National Geographic. “Não sei quem decidiu e como”, disse.

O redator-chefe da National, Matthew Shirts, confirmou à reportagem que Milanez foi demitido pelos comentários no Twitter. “Foi demitido por comentário do Twitter com críticas pesadas à revista. A Editora Abril paga o salário dele e tomou a decisão”, disse.

Ao ser questionado se concordava com a demissão do jornalista, Shirts declarou que “fez o que tinha que fazer exercendo a função”.


Surpresa? Que surpresa?

Não entendo qual teria sido a “surpresa” na atitude da revista VEJA. O Grupo Civita há mais de uma década vendeu cada linha, vírgula e inflexão que sai em sua revista para os interesses do capital mais rápido no gatilho em molhar suas mãos, seja para construir matérias que defendam a opinião de seus cafetões ideológicos, seja para evitar que matérias de gaveta sejam usadas como chantagens contra personalidades políticas ou públicas.

O que é a VEJA?

Há anos quem acompanha os ditames dos todos poderosos FMI e BIRD (Banco Mundial) sabe que o prazo médio de quebra de um país após seguir suas “sugestões econômicas” neoliberais é de 3 a 5 anos, dependendo da estrutura interna e da alocação dos recursos estratégicos desse país.

A VEJA, como tudo o que é excretado pelo Grupo Civita, só é o braço neoliberalizante, flexibilizante e neocriminoso dos grupos financeiros que se locupletam com essa sem-vergonhice financeira e social internacional. Eles são os maiores reprodutores do que se denomina “Pensamento único” neoliberal, que proclama que já ocorreu o “fim da história” (Francis Fukuyama) simplesmente porque já encontramos “O Melhor dos mundos Possíveis” (pergunto: Para quem?). Obviamente para os seus cafetões internacionais e nacionais.

Perda da inocência

Depois de um tempo não creio mais em inocência nesse caso. Nem da parte do repórter, nem da parte da revista (se é que se pode chamar esse compêndio comercial de ideologias de revista). A VEJA comunga – como todo o Grupo Civita – da rasteira mentalidade de um George Bush “Ou você está conosco, ou está contra nós”, alimentando um maniqueismo no qual obviamente não acreditam, mas que é necessário a que o fluxo de capital continue jorrando em seus bolsos.

É uma mentalidade utilitária e nada mais. Quem serve aos meus patrões-patrocinadores-cafetões é meu amiguinho, quem não serve é meu inimiguinho. Quem me critica é demitido porque não tenho maturidade (e muito menos argumentos, que não seja o argumento do poder, puro, truculento e simples) para lidar com críticas.

De mais a mais, boa sorte sr. repórter. Que encontre patrões melhores ou escolha melhor seus patrões…

Boa sorte.

(*) Renato Kress (@renatokress) é sociólogo e escritor. Coordenador geral e fundador da Revista Consciência.Net.

março 22, 2010

VEJA: uma fábrica de denúncias mirabolantes

A patética fábrica de denúncias mirabolantes

Uma coisa é boa. A Veja está gastando munição antes da hora. A maravilhosa fábrica de denúncias mirabolantes, que já incluiu dólares de Cuba em caixas de uísque, entre outras peraltices, voltou a operar com força total. A engrenagem é conhecida: primeiro Veja, depois Jornal Nacional, daí a tocha olímpica segue para as redações do Globo, que a repassa para seus coleguinhas de São Paulo. Então ganha o mundo. Jornais, rádios, sites, blogs, não só do Brasil, repercutem as denúncias. Nem tanto pela Veja, cujo poder de impacto reduziu-se bastante nos últimos anos. A força da Veja hoje atrela-se às suas ligações orgânicas com a direção de jornalismo das organizações Globo. É a turma do Millenium, enfim. Todo mundo tomando uísque no barzinho do clube de golfe, dando risadas. Demétrio Magnoli de vez em quando aparece, bandeja na mão, oferecendo quitutes preparados pelo próprio Jabor, num dia, e por Marco Antônio Villa, no outro.

É muita cara de pau. Navegando pelo site do Azenha, topo com uma matéria que quase me estoura o dedão. Assinada por Gustavo Barreto, ela traz informações sobre o tal promotor Blat que, estivesse ele atacando algum tucano, poderiam converter sua imagem pública em pó-de-mico. Por que eu deveria me espantar? Deus!

Esse Blat já foi acusado de todo o tipo de crime, e as matérias saíram na própria Veja! E agora o tratam como paladino da justiça! Muito bem! Belíssimas fontes tem a Veja. Um doleiro preso várias vezes, e um promotor com histórico mais sujo que o Tietê no verão.

É tudo tão constrangedor para o cidadão comum. A troco de quê defenderemos Vaccari, senão o conhecemos? Senão conhecemos os autos do processo? Afinal, todo mundo é culpado de alguma coisa, não é? Aí as pessoas dão risadas na tua frente, fazendo comentários maliciosos sobre a decadência moral do partido dos trabalhadores, e de um jeito tão convencido que seria perigoso (ou ridículo) você iniciar uma discussão.

O PT é um partido humilhado. Já testemunhei várias vezes como as pessoas se referem ao PT com nojo ou derrisão. Todo mundo já viu. Outro dia, fui abrir uma conta no Banco do Brasil, e a gerente, papeando conosco, afirmou que "odiava o Lula". Falou francamente, com raiva. Tudo bem ela não gostar do "cara". Ela tem direito a ter a opinião que quiser. O que me espantou foi ela sequer respeitar o cliente. Ela sabia, por acaso, o que pensávamos? Eu sempre cuidei para não ofender ninguém por conta de opiniões políticas. Num ambiente formal, onde não conheço as pessoas, não vou dizer que "odeio FHC". Até porque nem concordo em levar as coisas para esse lado, do ódio. Compreendo o ódio, e até entendo que a gente não deve refrear demais nossas paixões. Mas não aprovo essa tendência na política. Leva a extremismos burros e bloqueia o debate.

É o tempo inteiro assim. Quando se trata do PT, ou mesmo de Lula, as pessoas perdem as papas na língua. Referem-se de um jeito que machuca, que humilha. Isso explica, por outro lado, a reação apaixonada, agressiva, a criação dessa blogosfera aguerrida, em defesa do presidente e seu partido.

No caso da gerente, deixei o assunto morrer. Respondi apenas com silêncio. Mas eu deveria reagir. Deveria responder. Até porque aquilo sempre fica na minha cabeça, pinicando-me, por dias. Admiro que responde, quem não deixa nada passar em branco. Ainda serei assim, valente e assertivo qual um herói de Homero.

Na verdade, são histórias cada vez mais intrincadas. Eles ganham pelo cansaço. Quem terá paciência de destrinchar essas longas reportagens da Veja? Claro, sempre tem os coiós. No "cafezinho" que eu frequentava nos tempos de jornalista "especializado em café", lá vai mais de dez anos, tinha um sujeito que vivia repetindo as matérias da Veja para a turma. Era tão óbvio que ele apenas queria "mostrar-se informado", e que lia aquelas porcarias justamente para repeti-las ali, que a reação geral era apenas de pena, e desprezo. E olha que eram todos empresários conservadores, provavelmente tucanos.

Mas há o lado bom também. É uma coisa que nosso combativo Eduardo Guimarães já mencionou diversas vezes: a gente sabe que o PT é vigiado. A mídia vai pra cima dele com tudo, caninos pra fora, babando, latindo. Não perdoa. Se o assessor mais chulé do Palácio do Planalto for pego roubando uma lapiseira, é manchete certa. Com o PSDB, é o contrário. Cai viaduto, cai metrô, o governo não limpa a calha do Tietê e o rio alaga e causa prejuízo de bilhões de dólares para o estado (e para o Brasil, portanto), mas ninguém aperta o cara. Ninguém aperta José Serra. As críticas editoriais são tímidas e não citam o nome do governador nem a agremiação a qual pertence. Muito asséptico. Muito amigo.

De repente ficou tudo tão claro que chega a doer a vista. Repetitivo, inclusive. E o irônico é que eles, no afã de destruir Lula e o PT, e galvanizar Serra, criaram um exército de revoltados. Uma verdadeira militância que, não fosse isso, talvez acompanhasse os fatos políticos apenas de longe, confortavelmente. A diferença é brutal. Entre numa caixa de comentários de um blog da direita, e verá um linguajar confuso, tatibitati, clichê, mal educado, infantil, previsível. No blog do Nassif, por outro lado, encontra-se uma qualidade excepcional. Gente adulta, bem humorada, lúcida, instruída. Desde algum tempo as pessoas acordaram, e estão participando. Cada manchete parcial, cada notícia deturpada, cada denúncia falsa, tem sido dissecada minuciosamente pela blogosfera. Inclusive já passou a fase mais emotiva. As análises se tornaram racionais, objetivas. Muita gente parece nem mais atacar a parcialidade tacanha da mídia. Estuda-a, tranquila e friamente - como quem estuda uma planta carnívora.

Acesse www.oleododiabo.blogspot.com

fevereiro 23, 2010

Nota de repúdio às notícias veiculadas pelas Revistas Veja e Isto É sobre a Ayahuasca


Opening Work of June 2009 Festival in Brasília. Santo Antônio at Céu do Planalto

Nota do blog: Quando o meu amigo Roberto Evangelista - então mestre da União do Vegetal, num templo situado no Bairro Lírios do Vale - me convidou lá pelos anos 1980 a beber o chá, ainda engatinhava a estratégia dos ayahuasqueiros em ganhar a adesão da opinião pública, sempre muito sensível às costumeiras manipulações quando o assunto é psicoativos. É demonização certa. Naquela época vários profissionais liberais foram convidados a beber o chá com a intenção de testemunhar o caráter religioso do culto, bem como sua inofensividade. Hoje, muitos daqueles profissionais estão ligados à União do Vegetal ou ao Daime, e convivem com outras pessoas das mais diversas atividades profissionais. O ambiente é marcado pela fraternidade e por laços de solidariedade. Os móveis do meu consultório, por exemplo, foram feitos por um ayahuasqueiro indicado por um terceiro. Tenho o privilégio de ser vizinho de dois templos situados na fronteira do meu pequeno sítio: Princesa Sama e Menino Deus. Gente do Bem é uma expressão que lhes cai muito bem. Grande Roberto Evangelista!

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Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos – www.neip.info

Nota de repúdio às notícias veiculadas pelas Revistas Veja e Isto É sobre a Ayahuasca


Nós, pesquisadores do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos - NEIP (www.neip.info), com apoio dos abaixo-assinados, manifestamos nosso repúdio ao recente processo de desqualificação das religiões ayahuasqueiras brasileiras – em suas múltiplas tradições e vertentes –, que tem se dado através da veiculação de matérias obscurantistas e indutoras de juízos equivocados e preconceituosos. Referimo-nos à nota “Liberado” da Revista Veja (ed. 2150, 3/02/2010, não assinada) e à matéria “As Encruzilhadas do Daime” da
Revista Isto É (ed. 2100, 5/02/2010, de Hélio Gomes). Reafirmamos:

- O direito à liberdade religiosa e ao pluralismo religioso estão previstos na Constituição Federal do Brasil;

- Estas religiões – o Santo Daime, a Barquinha e a União do Vegetal –, que nasceram no norte do país a partir da década de 30 do século passado, e depois se expandiram e se diversificaram em variadas manifestações nos centros urbanos, constituem legítima expressão cultural e religiosa;

- Assim como outras práticas religiosas foram perseguidas no passado, como é o caso das religiões de origem africana, estes grupos têm sido sistematicamente perseguidos. É nosso dever combater a estigmatização das minorias religiosas;

- O processo de regulamentação do uso da ayahuasca no Brasil é produto de um diálogo de mais de 25 anos entre governo, religiosos e estudiosos. A Resolução N. 1 do CONAD (Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas), de 25 de janeiro de 2010, reflete este processo;

- O modelo que o Brasil encontrou de lidar com este assunto polêmico é de certa forma pioneiro, tendo influenciado a legislação de vários países no mundo;

- Não há evidências científicas nem empíricas de que o uso de ayahuasca por gestantes e crianças seja perigoso. Os direitos de ambos de participarem dos rituais estão garantidos desde a Resolução N. 5 do CONAD, de 4 de novembro de 2004, e devem ser salvaguardados;

- Não há evidências científicas nem empíricas de que a ayahuasca cause dependência, muito menos de que seu consumo leve à morte;

- O consumo de substâncias psicoativas faz parte da história humana. Devemos abandonar o modelo de debate público que se reduz a demonizá-lo;

- O debate sobre o importante tema das religiões ayahuasqueiras deve ser ético, respeitar os princípios constitucionais, considerar o conhecimento já acumulado e não substituir a tolerância dialógica por preconceitos, acusações, estigmas e sensacionalismo.

Atenciosamente,

Beatriz Labate – Pesquisadora Associada ao Instituto de Psicologia Médica da Universidade de Heidelberg
Edward MacRae – Professor do Departamento de Antropologia e Etnologia da UFBa
Henrique Carneiro – Professor do Departmento de História da USP
Julio Simões – Professor do Departamento de Antropologia da USP
Sandra Goulart – Professora da Faculdade Cásper Líbero
Maurício Fiore – Doutorando em Ciências Sociais pela UNICAMP
Thiago Rodrigues – Doutor em Relações Internacionais pela PUC-SP
Renato Sztutman – Professor do Departamento de Antropologia da USP
Eduardo Viana Vargas – Professor do Departamento de Sociologia e Antropologia da UFMG
Stelio Marras – Doutor em Antropologia pela USP
Rafael dos Santos – Doutorando em Farmacologia pela Universidade Autônoma de Barcelona
Matthew Meyer - Doutorando em Antropologia pela Universidade da Virgínia
Maria Betânia de Albuquerque – Pós-Doutora pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra
Clara Novaes - Doutoranda em Psicologia pela Universidade de Paris 5
Bruno Ramos Gomes – Mestrando pela Faculdade de Saúde Pública da USP
Débora Carvalho Pereira – Doutoranda em Ciências da Informação pela UFMG
José Eliézer Mikosz - Doutor em Ciências Humanas pela UFSC
Isabela Oliveira – Professora da Faculdade de Comunicação Social da UNB
Christian Frenopoulo - Doutorando em Antropologia pela Universidade de Pittsburgh
Marcelo Simão Mercante - Pós-Doutorando em Antropologia pela USP
Antonio Marques Alves - Mestre em Ciências da Religião pela PUC-SP
Santiago López-Pavillard - Doutorando em Antropologia pela Universidade Complutense de Madri
Sergio Vidal – Mestrando em Antropologia pela UFBA
Wagner Lins Lira - Mestre em Antropologia pela UFPE
Wladimyr Sena Araújo – Professor de História da Secretaria de Educação do Acre
Maria de Lourdes da Silva - Professora de História da Faculdade de Educação da UERJ
Pablo Rosa – Doutorando em Ciências Sociais pela PUC-SP
Osvaldo Fernandez – Pós-Doutorando em Antropologia Urbana e da Saúde na Universidade de Columbia
Stella Pereira de Almeida – Pós-Doutora em Psicologia pela USP
Gabriel de Santis Feltran – Professor do Departamento de Sociologia da UFSCar
Isabel Santana de Rose – Doutoranda em Antropologia pela UFSC
Frederico Policarpo - Doutorando em Antropologia pela UFF-RJ
Jardel Fischer Loeck - Doutorando em Antropologia pela UFRGS
Brian Anderson - Graduando em Medicina pela Universidade de Stanford
Luciana Boiteux - Professora Adjunta de Direito Penal da UFRJ
Laércio Fidelis Dias - Doutor em Antropologia pela USP
Cristiano Avila Maronna – Doutor em Direito Penal pela USP
Manuel Villaescusa – Mestre em Psicoterapia Humanista pela Universidade de Middlesex
Denizar Missawa Camurça – Bacharel em Biologia pela UnG
Maria Clara Rebel Araújo - Doutoranda em Psicologia Social pela UERJ
Alexandra Lopes da Costa - Pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
Tom Valença - Doutorando em Ciências Sociais pela UFBa
Alexandre Camera Varella - Doutorando em História pela USP
Lucas Kastrup Fonseca Rehen - Doutorando em Ciências Sociais pela UERJ
Guillaume Pfaus - Doutorando em Etnologia Urbana pela Universidade Aix-Marseille
Arneide Bandeira Cemin – Professora do Departamento de Antropologia da Univerisidade Federal da Rondônia
Gabriela Ricciardi - Doutoranda em Ciências Sociais pela UFBa
José Ricardo Gallina - Mestre em Ciências da Comunicação pela ECA

Apoiam:
Luiz Eduardo Soares – Professor do Departamento de Ciências Sociais da UERJ
Miriam K A Guindani – Professora das Faculdades de Serviço Social e Direito da UFRJ
Roberta Uchoa - Professora do Departamento de Servico Social da UFPE e membro do Grupo Multisciplinar de Trabalho sobre a Ayahuasca do CONAD
Mauro Almeida – Professor do Departamento de Antropologia da UNICAMP
Salo de Carvalho - Professor de Direito Penal e de Criminologia da PUC-RS
Clodomir Monteiro – Presidente da Acadêmia Acreana de Letras
Pedro Strozenberg - Diretor Executivo do Instituto de Estudos da Religião
Marilson Santana - Professor de Direito da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ
Sérgio Seibel – Pesquisador Associado do Departamento de Medicina Legal,
Bioética e Saúde Ocupacional da Faculdade de Medicina da USP
Sonia Francine Gaspar Marmo - Membro da Executiva Estadual do Partido Popular Socialista
José Murilo Jr. – Coordenador de Cultura Digital da Secretaria de Políticas Culturais do MinC
Daniela Piconez - Diretora da Rede Brasileira de Redução de Danos
Luiz Paulo Guanabara - Diretor Executivo da Psicotropicus - Centro Brasileiro de Política de Drogas
José Eisenberg - Professor do Departamento de Teoria do Direito da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ
Leilah Landim - Professora Associada na Escola de Serviço Social da UFRJ
Newton Guimarães Cannito - Doutor em Cinema pela USP
Maria Teresa Araújo Silva – Professora do Departamento de Psicologia Experimental da USP
José Jorge de Carvalho – Professor do Departamento de Antropologia da UNB
José Guilherme C. Magnani – Professor do Departamento de Antropologia da USP
Robin Wright – Professor Titular Aposentado do Departamento de Antropologia da UNICAMP
Edilene Coffaci de Lima – Professora do Departamento de Antropologia da UFPR
Mariana Pantoja – Professora do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFAC
Maria Filomena Gregori - Professora do Departamento de Antropologia da UNICAMP
Jaco Cesar Piccoli – Diretor do Centro de Filosofia e Ciências Humanas da UFAC
John Manuel Monteiro – Professor do Departamento de Antropologia da UNICAMP
Sylvia Caiuby Novaes – Profesora do Departamento de Antropologia da USP
Edmundo Pereira – Profesor do Departamento de Antropologia da UFRN
Bruno César Cavalcanti - Professor do Instituto de Ciências Sociais da UFAL
Rose Hikiji – Professora do Departamento de Antropologia da USP
Gilberta Acselrad –– Coordenadora do Núcleo de Estudos Drogas/Aids e
Direitos Humanos - Laboratório de Política Públicas da UERJ
Pedro de Niemeyer Cesarino - Pós-Doutorando em Letras pela USP
Julio Delmanto – Coletivo DAR - Desentorpecendo a Razão
Rosa Melo – Doutoranda em Antroplogia pela UNB
Walter Dias Jr. - Mestre em Antropologia pela PUC-SP
Claudio Alvarez Ferreira - Mestre em Ciências da Religião pela PUC-SP
José Augusto Lemos – jornalista
Afrânio Patrocínio de Andrade – Doutor em Direito pela Universidade do Museu Social Argentino
Sérgio Brissac - Doutor em Antropologia pelo Museu Nacional – UFRJ
Paulo Moreira - Doutorando em Antropologia UFBA
Messias Basques – Mestrando em Antropologia Social pela UFSCar-SP
Jussara Rezende Araújo – Professora de Projetos Educacionais da Universidade Federal do Paraná – Setor Litoral
Fábio Mesquita - Médico, Doutor em Saúde Pública pela USP
Marcelo Bolshaw - Professor do Departamento de Comunicação Social da UFRN
Luiz Assunção – Professor do Departamento de Antropologia da UFRN
Walter Moure - Doutor em Psicologia Clínica pela USP
Bruno Torturra Nogueira - Repórter Especial da Revista Trip
Marcos Messeder - Professor do Departamento de Educação da Universidade do Estado da Bahia
Wagner Coutinho Alves - Secretário da Associação Brasileira de Estudos Sociais do Uso de Psicoativos – ABESUP
Patrícia Paula Lima – Doutoranda em Etnomusicologia pela Universidade de Aveiro
Luiz Antonio Martins - Babalorixá de Umbanda
João Pedro Chaves Valladares Pádua - Diretor Jurídico Psicotropicus - Centro Brasileiro de Política de Drogas
Marcelo Ayres Camurça – Professor do Departamento de Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora
Ilana Goldstein – Doutoranda em Antropologia pela UNICAMP
Rachel Stefanuto - Professora do Instituto de Geociências da Unicamp
Marco Tromboni - Professor do Departamento de Antropologia e Etnologia da UFBa
Thaís Seltzer Goldstein – Doutoranda em Psicologia do Desenvolvimento Humano pela USP

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Referência: Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP), 2010.
Nota de repúdio às notícias veiculadas pelas Revistas Veja e Isto É sobre a Ayahuasca. Disponível em: http://www.neip.info

fevereiro 21, 2010

O preço da entrevista de Arruda na Veja

Postada em MiguelGrazziotinOnline
PORQUE A REVISTA VEJA ESCONDE A PRISÃO DE ARRUDA NO DISTRITO FEDERAL

O governador José Roberto Arruda , em junho de 2009, liberou R$ 442.462,50 do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) para comprar assinaturas da revista Veja, que foram distribuídas nas escolas públicas do Distrito federal.

Fato contínuo, foi entrevistado nas páginas amarelas da Veja na semana seguinte (edição 2121). O título da entrevista, que simboliza o tom da conversa, dizia muita coisa: “Ele deu a volta por cima! Segue-se um exercício de endeusamento da figura do governador distrital.
Esta semana, quado pela primeira vez na história do país, um governador é preso, a "imparcial" revista" simplismente omite da capa o assunto.

Imagine se fosse um governador do PT! Teríamos não só a capa com o político, como Dilma e Lula acompanhando.
É uma vergonha que alguém ainda assine este lixo!

Ler mais: http://www.miguelgrazziotinonline.blogspot.com/2010/02/porque-veja-acoberta-prisao-de.html#ixzz0g9jUD5Qm

janeiro 31, 2010

Veja que mentira!


A Revista Veja a tempos vem ultrapassando os limites do péssimo jornalismo. Considerada, como bem coloca o notório jornalista Paulo Henrique Amorim em seu blog (http://www.paulohenriqueamorim.com.br/), como uma das componentes do PIG (Partido da Imprensa Golpista*), a revista vem radicalizando num posicionamento a extrema direita, classista, considerando-a como a "cloaca máxima" do partido. Até aí nenhum problema - mais ou menos - pois liberdade de pensamento e ideologia é um direito até das Revistas e Jornais - nos editoriais, pois no conteúdo tem que demosntrar a prática tradicional de ouvir os lados e da ética! -, mas a Veja vem implodindo tudo o que pensamos sobre jornalismo e comunicação ética, com manipulações grotescas de imagens, entrevistas, textos, para fonecer ao leitor sua visão de mundo e sua versão extremamente distorcida dos fatos, promovendo uma verdadeira desinformação estratégica - indo ao extremo da máxima de que no jornalismo não existe fato mas sim versões -, utilizando-se, muitas vezes de um discurso de baixo nível em suas matéias, artigos e colunas - vejam o tal do Mainardi - para detratar seus inimigos públicos e privados, ainda mais se for de esquerda e não do PSDB/DEM. Ataques mentirosos ao MST, a esquerda, a quem for a favor do meio ambiente e contra transgênicos, a os contra as privatizações e a destruição do setor público, aos a favor da conservação da Amazônia e de seus povos -
para Veja, pasmem, índios e ambientalistas são inimigos da Amazônia e do Brasil - , e na defesa incondicional do empresariado que se envolve em corrupção - vejam o caso Daniel Dantas. A Veja exprime um pensamento da elite mais tosca deste país!

Obviamente que ataques grotescos chamam a atenção e no seio dos movimentos e do setor jornalístico, reações...

O mais poderoso sem dúvida nenhuma é o do jornalista, comentarista econômico, também notório Luis Nassif, que eu seu blog (http://luis.nassif.googlepages.com/)(http://luis.nassif.googlepages.com/relacoesincestuosas disponibilizou uma serie de textos chamado "Dossie Veja". O mesmo, sendo entrevistado por Caros Amigos, mostra as estratégias obscuras da revista e como a mesma vem detratando sua imagem (http://carosamigos.terra.com.br/index_site.php?pag=dointernauta&id=85)

A campanha "Veja que mentira" também vem colocando respostas e informações dos movimento sociais, http://www.consciencia.net/midia/revistaveja.html. E já foi analisada em
teses de mestrado (http://iabasse.blogspot.com/2007/03/dissertao-de-mestrado-analisa-como.html)


Até atores como Wagner Moura percebeu o estrategema tosco
(http://opensadordaaldeia.blogspot.com/2009/06/wagner-moura-nao-falo-com-revista-veja_22.html)

Enfim, pensem duas vezes antes de assinarem a revista veja ou de manter a sua assinatura. Prestem atenção no seu conteúdo e tentem acessar outra fontes só para ver distintas visões (hoje tem muitas agências de notícia mais independente na net e também impressa).


E se forem convencidos, avisem ao seu dentista ou médico para não colocarem mais nas salas de espera, pois a leitura da mesma pode produzir sociopatias graves! Uma questão de higiene mental!

Nota do blog: Texto que circula na net - contribuição da Rádio Xibé.