Mostrando postagens com marcador preconceito. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador preconceito. Mostrar todas as postagens

novembro 26, 2010

Quem eram os nordestinos do início do século XX?

PICICA: "No caso específico de São Paulo, os italianos eram os nordestinos do início do século XX. Quando eles imigraram em massa para o Estado, e especialmente para a cidade, eles ocuparam os setores mais baixos do trabalho."

'Italianos eram os nordestinos do início do século XX'


Brasil - Migraçons
Sexta, 26 Novembro 2010 01:00
Brasil De Fato - 251110_italia1 [Eduardo Sales de Lima] Para historiador, preconceito está ancorado em toda a sociedade brasileira 

Ficou a dúvida. A atitude da estudante de Direito Mayara Petruso hostilizando os nordestinos por causa do peso dessa região na vitória de Dilma Rousseff nas eleições teria sido algo isolado?

Para responder essa e outras questões que emergiram a partir da atitude da garota, o Brasil de Fato entrevistou, por e-mail, o professor de História da USP, Francisco Alambert. Leia a seguir.  

Brasil de Fato - A atitude da estudante de Direito, Mayara Petruso (… afogar os nordestinos), logo após a vitória de Dilma, pode ser vista como algo isolado, ou ela se ancora e se legitima dentro de setores da sociedade paulista?

Francisco Alambert -
Está plenamente ancorada na sociedade brasileira (até na nordestina). O melhor termômetro são os blogs de opinião política da direita, inclusive o de grandes veículos, como a Revista Veja. Observe os textos de colunistas como Reinaldo Azevedo (ou de gente como Luis Felipe Pondé, da Folha). Sua linguagem brutalista, estupidificante e raivosa reverbera e se duplica nos “comentários”. Sob um discurso contra a “esquerda” e pela “ética” aparece toda uma desfaçatez e uma violência de classe que não tem vergonha de dizer seu nome. O episódio da demissão de Maria Rita Khel no Estadão, por dizer exatamente que a elite acha que o voto dos pobres deveria valer menos que o seu, é outro exemplo de como isso está ancorado na visão de mundo dos ricos e “inteligentes”.

O professor acredita que essas eleições serviram para desvelar um preconceito já existente latente em setores da sociedade paulista? É possível que tal comportamento se restrinja à "elite"?

Dilma é tão “sulista” quanto Serra. Não foram as eleições que desvelaram o preconceito, mas o “sucesso” (e digo isso sem euforia, porque não sou mais petista, sou um critico à esquerda do PT) do governo Lula e do programa Bolsa Família, que na visão senhorial da elite serviu para diminuir sua margem de lucro com os miseráveis (“eles não querem mais trabalhar pelo salário mínimo para mim, do jeito que eu quero, com quantas horas eu quero”). Mas se fosse só a elite, o PSDB não teria tantos votos quanto teve, nem o Tiririca seria o fenômeno do momento (nordestino ou não). Boa parte dos mais pobres tem horror de se ver no espelho da sua condição de classe.

Quais seriam os elementos históricos-chave que teriam moldado uma suposta visão racista dessa elite regional? A origem do preconceito em relação aos nordestinos seria antes de tudo econômica?

No caso específico de São Paulo, os italianos eram os nordestinos do início do século XX. Quando eles imigraram em massa para o Estado, e especialmente para a cidade, eles ocuparam os setores mais baixos do trabalho. Eram a ralé, e assim eram tratados pelos “quatrocentões” ou por quem se considerava “brasileiro de verdade”, “paulista de quatro costados”, etc. O desenvolvimentismo dos anos 50 a 70 fez com que boa parte desses imigrantes, que chegaram miseráveis e eram objeto de desprezo, ascendessem de classe, fossem para a classe média, por exemplo. A partir desse período começaram a chegar cada vez mais novos imigrantes, só que agora migrantes do Brasil mais pobre, especialmente do nordeste. Eles ocuparam o lugar que um dia foi dos “estrangeiros”, inclusive no que tange ao preconceito de classe. O bizarro é que boa parte dos imigrantes e seus descendentes, ou seja, da nova classe média, se esqueceu de seu passado, e passou a tratar os nordestinos como eles eram tratados (inclusive na sua origem, na Itália, por exemplo): como a escória social. O fato do sobrenome dessa estudante indicar sua ascendência estrangeira é muito sintomático disso.

É possível falar em segregação espacial na cidade de São Paulo?

Em qualquer cidade do mundo capitalista: Los Angeles, Nova York, Paris, Londres (uma segregação que explode sempre em violência). No caso de São Paulo, desde sempre, desde os bairros que um dia segregaram os imigrantes estrangeiros até as periferias de hoje, verdadeiros campos de concentração de miséria e descaso do Estado. E quando esses lugares são ocupados pela violência, pelo tráfico de drogas ou pelo crime organizado, a maioria, os pobres, é que são os “culpados” que devem ser expulsos para que os lugares sejam “revitalizados” (como quer projetos como o da Nova Luz). É sempre o mesmo: culpar as árvores pelo incêndio na floresta.

Fonte: Diário Liberdade

novembro 25, 2010

Órgãos de imprensa incentivam o preconceito, segundo Carlos Brickman

PICICA: A imagem abaixo é uma cortesia do PICICA, enviada pelo nosso correspondente Zefofinho de Ogum, para quem os preconceituosos costumam ter como fonte de informação a leitura acritica da revista VEJA.
O preconceito é burro e emburrece
 

Por Carlos Brickmann em 23/11/2010

Numa história em quadrinhos clássica, internacionalmente premiada, Maurício de Souza mostra Cebolinha pintado de verde. É o mesmo Cebolinha de sempre, com a mesma roupa, o mesmo cabelo, o mesmo medo da Mônica, a mesma troca de letras nas palavras, o mesmo gosto pelo futebol, a mesma vontade de envolver o amigo Cascão em seus planos infalíveis para tornar-se o dono da rua.

Mas não era possível: quando viam Cebolinha de outra cor, seus amigos se escondiam, fugiam, não queriam jogar bola, não queriam falar de planos. Queriam apenas ver-se longe daquele ser estranho – que, de estranho, só tinha a cor diferente da habitual.

Burros, né? No entanto, o preconceito existe. Existe preconceito racial, existe preconceito social, existe preconceito de cor, existe agora preconceito geográfico (aliás, não existe, ou só existe para quem é burro: os empresários do Nordeste continuam negociando com os empresários do Sul, os banqueiros de uma região procuram expandir-se para outra; não há intelectual sulista que se preze que tenha deixado de ler Gilberto Freyre e não se delicie com Ariano Suassuna, não há um intelectual nordestino que se preze que não tenha lido de Monteiro Lobato a Fernando Henrique, passando por Sérgio Buarque de Holanda – cuja família, aliás, tem origem em Pernambuco – não há paulista, paranaense, barriga-verde ou gaúcho que não queira passar férias no Nordeste, há raros nordestinos que não têm parentes em São Paulo). O pior do preconceito, entretanto, é o apoio a ele de muitos meios de comunicação: é a tomada de posição antialguma coisa com base em discriminações partidárias, geográficas, políticas ou de comportamento.

Há, por exemplo, uma certa proteção da imprensa a jovens bem-postos que, gritando slogans homofóbicos, agridem pessoas e as ferem seriamente. No caso da Avenida Paulista, em que cidadãos pacíficos foram atacados com lâmpadas fluorescentes (além de cortantes, venenosas), pontapés e socos, todos os meios de comunicação informaram que os agressores estudavam em escolas particulares da região. Qual escola, ou quais escolas? No fim, meio a fórceps, soube-se que pelo menos um deles tinha sido expulso há tempos de uma escola conhecida, exatamente por seu comportamento agressivo. Mas, neste momento, onde estaria estudando? Como serão seus colegas? Como é tratada, ali, na escola que hoje frequenta, a questão do preconceito?

Há certo encorajamento, especialmente por jornalistas que perderam posições nas empresas e se dedicaram à internet, ao preconceito contra elites e contra São Paulo; esse encorajamento se repete em veículos impressos, como o que se refere àquela idiota que divulgou em seu twitter ataques a nordestinos, como "a paulista". E não houve qualquer pressão da imprensa sobre a polícia para que investigasse quem é que, também em mensagens pelo twitter, propunha que um atirador de elite alvejasse a cabeça de um candidato à Presidência da República.

O papel dos meios de comunicação é, sem dúvida, relatar os fatos – mas sem maximizá-los, sem incentivá-los. E, se é para tomar posição, que seja a posição do bem, de luta contra os preconceitos em geral. Caso o veículo seja favorável ao mal, aos preconceitos, está protegido pela liberdade de imprensa; mas todos saberão o que é que realmente defende. O que não se pode é tolerar que, fingindo combater preconceitos, órgãos de comunicação incentivem os preconceituosos de seu lado enquanto condenam apenas os adversários. Como disse certa vez John dos Passos, que não o convidassem para condenar meia guerra; que se unissem a ele para condenar a guerra inteira.

Fonte: Observatório da Imprensa

novembro 19, 2010

Ah, preconceito miserável!

PICICA: "Com o resultado das últimas eleições, o Brasil que vem surgindo apenas atualiza o preconceito antigo contra as pessoas que os jornalistas teimam em chamar de “classes humildes”."

Qualquer miserável tem preconceito

  Qualquer miserável tem preconceito

Manifestações, zombarias, ocorriam  antes de 2010. Agora, após a eleição de Dilma, o riso virou zurro e fúria.

Por Urariano Mota (*) 

Recife (PE) - Em um vídeo que corre na internet, um miserável apresentador da RBS/TV Globo em Santa Catarina (foto) expressa miseráveis ideias, se assim podemos chamá-las sem faltar ao respeito ao adjetivo miserável e ao substantivo idéia. Suas pragas correm em um vídeo no YouTube, ( Veja o vídeo ) onde um animal raivoso vocifera, zurra, ao afirmar que a culpa do caos no trânsito se deve ao fato de que “hoje qualquer miserável tem um carro”.

E mais orneja, como se falasse: “o sujeito mora apertado numa gaiola,que hoje chamam de apartamento, não tem nenhuma qualidade de vida, mas tem um carro na garagem. E esse camarada casado, como não suporta a mulher dele, nem a mulher suporta ele, sai. Vão pra estrada. Vão se distrair, vão se divertir. E aí, inconscientemente, o cara quer compensar suas frustrações, com excesso de velocidade. Tem cabimento o camarada não vencer a curva? Como se curva fosse feita para vencer... Então é isso, estultícia, falta de respeito, frustração, casais que não se toleram, popularização do automóvel, resultado desse governo espúrio, que popularizou pelo crédito fácil o carro para quem nunca tinha lido um livro. É isso”.

É claro que nesse gênero de expressão ele não está só, como vimos nas últimas manifestações de preconceito contra nordestinos em São Paulo. A unificar tais coices avulta sempre um poderoso preconceito de classe. Salta aos olhos nos últimos tempos a raiva, a indignação da classe média frente aos novos consumidores de bens que ela julgava ser sua exclusividade. Pois os pobres, de repente, ao fim do governo Lula, danaram-se e começaram a entrar e sair dos aeroportos – “qualquer miserável hoje anda de avião”. De repente, acharam de jantar com a família nos restaurantes aos domingos – qualquer miserável hoje paga um jantar em restaurante bacana. Ousaram – suprema ousadia - comprar imóveis. Qualquer miserável hoje pode largar o pagamento do aluguel.

Com o resultado das últimas eleições, o Brasil que vem surgindo apenas atualiza o preconceito antigo contra as pessoas que os jornalistas teimam em chamar de “classes humildes”. Não faz muito, um desembargador paulista, aposentado, tentou ser humorista à custa dos excluídos da nossa harmoniosa sociedade de classes. Ele publicou um artigo que mais se devia chamar um termômetro moral da nossa elite, em que pôs o excelso título de “Pequeno dicionário da empregada doméstica”. Não viesse de quem veio, de um indivíduo que ocupou altos cargos na Justiça do país, de um, digamos, escritor, filiado à União Brasileira de Escritores, para maior vergonha da instituição, o artigo seria deitado ao limbo para o justo repouso no esquecimento.

Mas não. O elevado ex-homem público deu início ao, como dizê-lo?, ao ao ao, enfim, dizia-o:

“Foi por causa do Alfredo. Ele ligou para sua própria casa. A empregada era nova. Ele não a conhecia. Sua mulher, a Esther, digo (ou ele diz), dona Esther, tinha acabado de contratar. A moça era do norte. De Garanhuns. Nada contra, mas....sabe como é. Nós, brasileiros, sabemos! O Alfredo morava num sobrado. O telefone da residência ficava num nicho, embaixo da escada. No décimo segundo toque a Adamacena, a tal da empregada, atendeu: ‘Alonso!’ Na dúvida, o Alfredo perguntou: ‘De onde falam?’ Ao que a Adamacena respondeu: ‘Debaixo da escada!’ Foi aí que o Alfredo começou a catalogar as expressões da serviçal...”

E assim ele criou um “dicionário” das empregadas domésticas, para ser lido e gozado pelas classes cultas, do gênero e classe de juízes como ele. Naquela ocasião, esqueceu o desembargador de escrever um dicionário que traduzisse, por exemplo, expressões como “cártula chéquica, ergástulo público, peça increpatória” por algo mais simples como “folha de talão de cheques, cadeia e acusação’, respectivamente e nessa ordem, para ser mais pleonástico e preciso.

Manifestações, zombarias, ocorriam antes de 2010. Agora, após a eleição de Dilma, o riso virou zurro e fúria.

*Urariano Mota é jornalista, professor de português e escritor. Autor do livro “Soledad no Recife”, recriação dos últimos dias de Soledad Barret, mulher do Cabo Anselmo, executada pela equipe de Fleury com o auxílio de Anselmo. Urariano é pernambucano, nascido em Água Fria e residente em Recife. É colunista do site “Direto da redação” e colaborador do blog “Quem tem medo do Lula?”


Artigo publicado originalmente no site "Direto da Redação" 


Fonte: Quem tem medo do Lula?

novembro 18, 2010

Homofobia: preconceito e ignorância, duas faces da mesma moeda

PICICA: A campanha contra a homofobia é de 2009. As últimas ocorrências reclamam por uma legislação já. A campanha continua valendo. A dica é de Rosângela França, pelo Facebook. O cartunista Latuff está sugerindo ao movimento gay um beijaço no local onde os policiais balearam um homem homoerótico (denominação usada pelo psicanalista Jurandir Freire Costa).
galerasmix | 10 de agosto de 2009 |
Rádio GaLeraS apóia a Campanha Não Homofobia

Apóie a aprovação do PLC 122/06. Em menos de 1 minuto, você assina o abaixo-assinado, envia seu voto para os 81 senadores e ainda indica a Campanha para seus amigos.
https://www.naohomofobia.com.br/

novembro 17, 2010

Jornalista racista, de uma afiliada da Globo, ataca a pobreza

PICICA: Um dos piores subprodutos da campanha presidencial capitaneada por José Serra, o Obscuro, deve render novos episódios semelhantes ao comentário grosseiro de um jornalista da TV Globo de Santa Catarina, que exala o mais deplorável dos preconceitos: racismo. Para esses tipos, pobre deve morrer de fome. A blogosfera, atenta, não está deixando passar nada. Quando houver banda larga nesse país, a prática da democracia radicial não vai dar tréguas para o entulho jornalístico que estimula o apartheid social. Paulo Henrique Amorim, um dos primeiros jornalistas a noticiar e criticar o sinistro episódio, assim se manifestou em seu site: "Foi nisso que deu trazer o vaso sanitário para a sala de jantar onde, em Santa Catarina, alguns aparelhos de televisão ainda estão sintonizados na Globo. O preconceito é a doença infantil do racismo." 
SergioVilares | 15 de novembro de 2010
Comentário infeliz na RBS/TV Globo de Santa Catarina.

Para o infeliz jornalista a culpa pelos acidentes é dos pobres. Deplorável comentário.

Assista ao comentário exibido no Jornal do Almoço em Santa Catarina em 15/11/2010. Luiz Carlos Prates fala sobre o aumento no número de acidentes nas estradas catarinenses.

novembro 09, 2010

A Justiça ainda não entendeu o que é o ENEM... nem os setores preconceituosos da classe média manauara

PICICA: O texto abaixo, preconceituoso, foi postado no Facebook, por um lídimo representante do que em Manaus é conhecido como "leseira baré". Incapaz de uma leitura minimamente crítica, seu autor abusa do clichê, e é um dos escribas que tem ajudado a disseminar o ódio classista pela internet. Entre seus pares, há quem chame de "gentinha" os militantes e os eleitores do PT. Recomendo, para os incautos que endossaram  a tolice abaixo, a leitura do texto "Hélio Schwartsman: Justiça ainda não entendeu o que é o Enem".

Saiba quem quer o fim do ENEM


PICICA: Ontem, Paulo Henrique Amorim postou no Conversa Afiada este texto esclarecedor sobre quem é contra e porque tanto ódio contra o ENEM. Um site dos companheiros do PT afirma que há um temor generalizado nas elites, sobretudo nas classes médias conservadoras, de que, neste ritmo, irão acabar as empregadas domésticas e outros serviçais. Na Itália, acabou faz tempo. Não existem regalias para a classe média. Se a moda pega por aqui, vai ser um deus-nos-acuda... Se você ouvir alguém estrebuchando de ódio por aí, saiba que o bicho tá pegando por causa dessa prosaica cultura que vem do tempo da escravatura. Há quem projete o aumento do número de empregadas domésticas com carteira assinada, como benefício imediato deste temor, convenhamos, não de todo infundado. Quanto mais os pobres entrarem na universidade, adeus a vida mansa proporcionada por esta escravidão moderna. Acabou-se o tempo em que se mandava buscar uma "caboquinha" no interior para cuidar dos serviços domésticos. Leia, também, O ENEM, O DEM, E O PRECONCEITO (33 mil falhas, em 1 milhão de provas aplicadas).

O PiG e o Serra odeiam o ENEM por causa dos pobres

    Publicado em 08/11/2010
  • Compartilhe Envie Para um Amigo  Share with Delicious Share with Digg Share with Facebook Share with LinkedIn Share with MySpace Share on Google Reader Share with Twitter

Por que ele não dá uma aula em Caruaru em vez de Biarritz ?

O Estadão de hoje dedica a capa e duas páginas – A15 e A16 a desmoralizar o ENEM.

Uma desmoralização arrasadora.

É porque 0,04% dos alunos VOLUNTARIAMENTE inscritos na prova talvez venham a refazê-la, por causa de uma troca do cabeçalho de alguns cartões de resposta.

0,04% !

Que horror!

Foram 4,6 milhões estudantes inscritos e talvez 2 mil tenham a possibilidade de refazer a prova.

Ontem, o UOL e a Folhaonline bradaram o dia inteiro contra a “inépcia” do ENEM.

A Folha (**), se entende.

Ano passado, as provas vazaram da gráfica da Folha, que foi devidamente afastada da concorrência deste ano.

O Estadão se acha na obrigação, todo ano, de desmoralizar o ENEM.

Como fez no ano passado, com a divulgação do vazamento.

Por que o Estadão, a Folha (**) e o Serra são contra o ENEM ?

Ano passado, com o vazamento na gráfica da Folha, o Serra, célere, tirou as universidades de São Paulo do ENEM – para acentuar o “fracasso” do Governo Lula.

Qual é o problema deles com o ENEM ?

O Governo Fernando Henrique instituiu o ENEM para copiar o SAT americano: o vestibular único em todo o país, para facilitar o acesso às universidades federais e o deslocamento de estudantes pelo país afora.

O que tem a vantagem de baratear dramaticamente o sistema.

Antes – como em São Paulo, hoje – cada “coronel” faz o seu vestibular e estimula a iniciativa privada – com os serviços do vestibular e os cursinhos o Di Gênio.

De Fernando Henrique para cá, o ENEM cresceu 30 vezes !

30 vezes, amigo navegante.

Saiu de 157 mil inscritos em 98 para 4,6 milhões de hoje.

É sempre assim.

O Bolsa Família da D. Ruth atendia quatro famílias.

O do Lula, que virou “Bolsa Esmola”, segundo Mônica Serra, a grande estadista chileno-paulista, atende 40 milhões.

O que é o ENEM ?

É o passaporte do pobre à universidade pública.

É por isso que a Folha, o Estado e o Serra odeiam o ENNEM.

Porque esse negócio de pobre estudar é um problema.

Fica com mania de grandeza, de autonomia.

Pensa que pode mandar no seu destino.

E não acredita mais na fita adesiva do “perito” Molina.

Isso é um perigo.

Pobre é para ficar na senzala.

50 universidades públicas federais aderiram ao ENEM.

Isso significa que 47 mil vagas em universidades federais dependem do resultado do ENEM.

Em 2004, um milhão de estudantes se inscreveu no ENEM.

Aí, o Lula e o Ministro Haddad resolveram estabelecer o ENEM como critério para entrar no ProUni (para a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – não dizer que o ProUni é a “faculdade de pobre burro”).

Sabe o que aconteceu, amigo navegante ?

O ENEM passou de um ano para o outro de um milhão para 2,9 milhões de inscritos.

Quanto pobre !

Para o ano que vem, o ministro Haddad estabeleceu que o ENEM também será critério para receber financiamento do FIES.

Vai ser outro horror !

Mais pobre inscrito no ENEM para pagar a faculdade com financiamento público.

Um horror !

Tudo público.

ENEM, faculdade, financiamento …

“Público” quer dizer “de todos”.

Amigo navegante, sabe qual foi o contingente nacional que mais cresceu entre os inscritos no ENEM ?

Agora é que a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – vai se estrebuchar.

Foi o Nordeste !

Que horror !

Já imaginou, amigo navegante ?

Nordestino pobre com diploma de engenheiro ?

Nordestina pobre com diploma de médica ?

Vai faltar pedreiro.

Empregada doméstica.

Aí é que a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – vai se estrebuchar mesmo.


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores

Fonte: Conversa Afiada

novembro 07, 2010

HAIR - Aquarius: dedico esta postagem a todos os espíritos libertários

PICICA: Animado por uma mensagem de paz e amor a mim endereçada após a guerra de informação que tomou conta do país com a eleição presidencial, tentei enternecer o coração de uma jovem dama da sociedade manaura, vítima das armadilhas do ódio de classe disseminado na internet pela campanha do candidato tucano Serra, o Obscuro. Resolvi por no rol das amizades duas figuras comuns às nossas relações, e assim aplacar sua ira classista, depois que ela nomeou como "gentinha" os militantes do PT e seus eleitores. Pra quê, meus amigos?! Um desses "amigos" resolveu quebrar o encanto generoso da palavra nomeando-me apenas como um "conhecido", ao ser interpelado pela referida personagem, admirada de uma eventual amizade entre este blogueiro e meu agora amável interlocutor, interlocutor que, igualmente, dirigira duras palavras ao Partido dos Trabalhadores, do qual sou um dos fundadores no Amazonas. Bem feito pra mim! Quem manda abusar dos efeitos do estilo superlativo tão a gosto do povo amazonense! Aqui tudo é grande, tudo é da ordem da mais elevada potência: o maior rio do mundo, o mais lindo teatro do país, a floresta mais preservada do Brasil, a cidade mais quente do planeta, e por aí vai. Por consequência, "conhecido" vira amigo com a mesma força com que as águas dos nossos rios majestosos arrastam para o mar o alimento que nutre a fauna aquática marítima. É esse tipo de generosidade que fez de Manaus a cidade conhecida como "cidade sorriso". Quando iniciei este blog, em 2005/2006, postei mais de duzentas fotografias da Banda Independente Confraria do Armando - BICA. Todos riam desbragadamente. Minha amiga Eliana Simonetti, jornalista residente em São Paulo, esposa do meu amigo Paulo Barnabé, psiquiatra da pesada com quem tive o prazer de dividir o período de formação em psiquiatria social na Comunidade Terapêutica Enfance, em Diadema-SP, surpreendeu-se com um povo tão sorridente. É com o coração a gargalhar que dedido esta postagem, como mais uma tentativa de desmontar a dureza da vida que faz morar no coração de alguns sentimentos incompatíveis com a civilidade que sonhamos. Trata-se do início do filme HAIR, que veio à luz quando meu filho mais velho tinha apenas dois anos de idade. Já nesse período, e até hoje, trazia comigo uma vasta cabeleira, símbolo da liberdade pela qual lutávamos naqueles duros tempos de ditadura. Com os rigores da censura, agreguei uma promessa a S. Francisco de Assis, o padreiro da ecologia e dos hippies, jamais cortar o cabelo enquanto não vivermos plenamente a liberdade de expressão e opinião. Naquela época fui o maior (olha o superlativismo aí, gente) vendedor do jornal MOVIMENTO, do imortal Raimundo Rodrigues Pereira, na cidade de Manaus. Acredito que numa outra "reencadernacão" fui periodista num jornal que apoiava a Revolução Francesa, mas devo ter ido pra guilhotina, razão pela qual voltei para concluir meu trabalho, afinal karma é karma. Tentei montar um jornal de nome SUTRA (essência do ensinamento). Fui mal entendido. Pensaram que era sacanagem. Abandonei a idéia. Neste ano de 2010, agreguei mais uma promessa pro santo: não cortar o cabelo enquanto perdurar o preconceito e o ódio de classe. "Tás pebado", exclamou Zefofinho de Ogum, amigo e conselheiro deste pasquim eletrônico, "tuas madeixas crescerão mais que o rio Amazonas".    
SugarPlumJade | 26 de novembro de 2006
The Musical Hair from 1979.

A group of hippes meet Claude, a guy who will soon be sent to war. Trying to understand eachother, they all go and hope to make Claudes last days in freedom the best hes ever had.

Treat Williams ... Berger
John Savage ... Claude
Beverly D'Angelo ... Sheila Franklin
Annie Golden ... Jeannie
Dorsey Wright ... Hud
Don Dacus ... Woof

Coreography by Twyla Tharp

-------------------------------

When the moon is in the Seventh House
And Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
And love will steer the stars

This is the dawning of the age of Aquarius
The age of Aquarius
Aquarius!
Aquarius!

Harmony and understanding
Sympathy and trust abounding
No more falsehoods or derisions
Golding living dreams of visions
Mystic crystal revalation
And the mind's true liberation
Aquarius!
Aquarius!

novembro 06, 2010

Paulinho projeta o futuro da eleição presidencial: vai dar trabalho

Caro amigo Kaamirã (*), os espíritos da Floresta ajudaram o PT a fazer história. Primeiro elegeu o presidente operário, e reelegeu agora a primeira presidente mulher. Caso consigamos reeleger Dilma, o próximo presidente tem que ser ou negro, ou índio ou gay assumido.


Saravá e muito axé!

Paulo José (**) 


PICICA: Meu querido Paulinho, se a eleição de uma mulher no Brasil fez sair do túmulo as múmias paralíticas da política nacional, imagina a nova onda de preconceitos que vem por aí. Estou com você. É pra frente que se anda. Agora, cá pra nós, se a logomarca contra o Lula é a que se vê acima, imagina qual as imagens a serem usadas para os textos: "Veado, não!", "Bugre, não!", ou ainda "Preto, nem a pau!" Oxalá estejamos preparados pra aguentar o rojão de 2018. Como nós não somos de fugir da luta, é bom começar a botar o bloco na rua. Afinal, tudo é possível quando a alma não é pequena, não é mesmo? Ademais, quem diria que teríamos uma legítima representante da geração de 1968 no poder? Liberté, égalité, fraternité! Et axé, que ninguém é de ferro, maninho.                                                                                                                          
(*) Kaamirã é a assinatura usada pelo blogueiro para postar textos e imagens no PICICA. Tem origem kaiapó e significa "o dia amanhecendo".
(**) Em tempo: Paulo José Azevedo de Oliveira é um amigo mineiro da área de comunicação.         

novembro 03, 2010

Xenofobia na internet: um legado de Serra, o Obscuro

PICICA:  A intolerância e o preconceito de classe tem endereço na internet: http://www.facebook.com/pages/Revoltados-ON-LINE/144205978939296 Leia, abaixo, o texto do professor de Direito Internacional da Universidade Federal do Amazonas Everaldo Fernandes sobre o preconceito que se disseminou entre alguns grupelhos insatisfeitos com a vitória de Dilma Rousseff. O PICICA abre espaço para este e outros textos do ilustre professor. O vídeo abaixo é uma dica do blog do Miro. Leia, também, "Massa cheirosa deverá responder por crime de racismo", no blog da Mario Frô.
 
juliquinhafreitas | 2 de novembro de 2010
Vídeo em 'homenagem' à 'massa cheirosa' do país!

***
Sobre preconceito. O preconceito é intrinseca e deliberadamente irracional. O mesmo Serra que criticou a posição de diálogo do Brasil frente ao Irã, porque esse era um Estado religioso e fundamentalista, promoveu a maior campanha fundamentalista dos ultimos 45 anos no Brasil. Ou seja, quem afastou o Brasil (e campanha) do caminho laico e secular foi o critico do Irã.

Hoje quem xinga os nortistas e nordestinos são aqueles mesmos que durante décadas tiveram um jardineiro, um chofer ou uma doméstica baiana ou paraíba (respectivamente as denominações preferidas por São Paulo e Rio para retirar a identidade desses migrantes reduzindo-os a um outro difuso).

Pra ser breve, deve ser por esse mesmo motivo, mas agora com sinal contrário, que esses autoimportantes e arrogantes praguejam contra a eleição da presidenta. O motivo é o mesmo só que agora um paraíba ou um baiano tem empregos decentes ou, se for o caso, não precisam trabalhor por comida, porque o bolsa família esta ai. 
Everaldo Fernandes


novembro 01, 2010

Intolerância e preconceito tomam conta do Twitter e do Facebook

PICICA: Uma onda de preconceito e intolerância tomou conta do Twitter, tendo como alvo os nordestinos, após a vitória de Dilma Rousseff. Veja o texto abaixo comprobatório do ódio racista, estimulado pela campanha tucana. A dica é de uma amiga amazonense que mora no Rio de Janeiro. Omito o nome, que é para que ela não seja importunada pelos tuiteiros futriqueiros contrafeitos com a derrota do candidato tucano. No Facebook, o destinatário do ódio são os eleitores de Dilma Roussef e o PT. Trata-se de segmentos incultos das classes médias que destilam todo o veneno do ódio classista acumulado ao longo das conquistas do governo Lula, governo que conseguiu incluir mais gente na cultura dos nossos tempos do que o que a burguesia orientada por interesses subalternos conseguiu fazer em todos os tempos. Os autores de tamanha leviandade tem como fonte de leitura a revista VEJA  e seus colunistas. É de dar dó a pobreza dos seus argumentos. Vejamos o infantilismo perverso de alguns termos adotados por estas criaturas, néscios na arte de viver com os contrários. O termo "PTralhas", por exemplo, foi adotado a partir dos textos do colunista ultra-reacionário Reinaldo Azevedo, da revista supracitada. Já o termo "gentinha" é o termo farta e ideologicamente usado pelo preconceito de classe de uma elite que perdeu o rumo da história, e que vem alimentando o apartheid social que tomou conta de nossas cidades, coisa que não se via na Manaus dos anos 1960. Tais termos, adotados como rótulo para com as ações públicas dos petistas e dos eleitores do PT, é sinal de uma intolerância inaceitável numa sociedade que se quer civilizada. Acautelai-vos, fariseus. Não vos escondeis sob o manto da impunidade. Vossos argumentos, de que estais sendo vítimas de Patrulha Ideológica, são risíveis. Vossos comentários não são outra coisa do que a prática da projeção de seus ideais e valores de mundo. Nelas estão expressas a mais abjeta das ideologias: o ódio e o preconceito de classe. 

O dia em que o preconceito tomou conta do Twitter


Ontem, dia do resultado das eleições presidenciais, que deveria ser um dia de festa da democracia, ficou marcado como um dia em que o preconceito e o ódio tomou conta do Twitter, tão popular que é no Brasil. Um dia em que os Nordestinos foram tratados de forma altamente discriminatória. Um dia para não ser esquecido.
No Brasil, é muito comum se escandalizar com preconceito contra negros e gays. Casos assim ocupam páginas de jornais, provocam discussão e tem o tratamento que merecem ter. Mas, infelizmente, ainda existe o preconceito com relação à região de procedência, que é algo ainda pouco levado a sério e divulgado pela imprensa. E é algo que me assusta pela proporção com que tem crescido.
Eu sou Nordestina, de Fortaleza, Ceará. Nascida e criada aqui, com todos os sotaques e trejeitos característicos da região. Falo “oxente” e “vixe”, porque cresci com estas palavras fazendo parte do meu vocabulário. E tenho um baita orgulho de ser cearense. Por nada sairia daqui, porque aqui é o lugar que eu amo e onde me sinto feliz, com seus defeitos e virtudes.Por isso, me senti muito ofendida e triste com as mensagens que vi ontem no Twitter.
Para quem não acompanhou, tivemos um espetáculo digno de Goebbels. Vergonhoso, repugnante, capaz de fazer qualquer nordestino se sentir mal. Ver pessoas incitando a discriminação, pessoas com estudo e conhecimento incompatível com suas palavras, me provocou uma profunda tristeza.
Vejam vocês a que nível chegamos:

Retirado daqui: http://twitter.com/#!/kewenpantcho/status/29339798428

Retirado daqui: http://twitpic.com/32tlvx
E a pior de todas:
@mayarapetruso
Retirado daqui: http://twitpic.com/32ted4
Há muitos mais. Basta fazer uma busca no Twitter por “Nordestino“. Me recuso a comentar estes tweets.
Para quem não sabe, isso dá cadeia. Quem diz é a lei 7.716, de 1989, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente. A lei afirma:
Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Pena: reclusão de um a três anos e multa.
§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza:
Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.
§ 3º No caso do parágrafo anterior, o juiz poderá determinar, ouvido o Ministério Público ou a pedido deste, ainda antes do inquérito policial, sob pena de desobediência:
I – o recolhimento imediato ou a busca e apreensão dos exemplares do material respectivo;
II – a cessação das respectivas transmissões radiofônicas ou televisivas.
III – a interdição das respectivas mensagens ou páginas de informação na rede mundial de computadores.
O preconceito tem que ser divulgado, não pode simplesmente ser aceito ou ignorado. O preconceito é crime e deve que ser tratado como tal. Não é porque uma pessoa nasceu em outra cidade, outro estado, outra região que será menos capaz do que você. Somos todos brasileiros, apesar das diferenças regionais.
Da mesma forma como muitos nordestinos são discriminados ao ir para o sul/sudeste, somos todos discriminados ao irmos para os Estados Unidos ou Europa, porque para eles tanto faz se você fala oxente, meu ou bah. Você é brasileiro e será taxado e julgado por isso. Agora imagine sofrer isso no seu próprio país.
Espero que você que é leitor do Mundo Tecno, reflita sobre isso. Tenho certeza de que, como meu leitores são pessoas inteligentes, irão se arrepender caso tenha falado alguma bobagem, e eu o desculpo por isso. Espero também que tenham consciência de que, no final das contas, nós estamos todos no mesmo barco.
Respeito ao próximo é o primeiro passo para vivermos em um país melhor. Então, vamos nos respeitar?



outubro 18, 2010

FHC e Serra: tudo a ver. Eles ignoram o país em que vivem.

PICICA: A insustentável cegueira e arrogância de FHC no lançamento da candidatura de Serra surpreende você? Como são parecidos os tucanos em sua eterna arrogância. O trololó que você pode ver neste vídeo é uma dica do Blog do Mello
tvamigospl | 13 de maio de 2010
No lançamento da candidatura de José Serra, pelo PSDB, quando FHC discursou, adivinhem que região ele escolheu para criticar?

Mas vale a pena ver o vídeo, porque o Nordeste mudou e FHC fez um tremendo papel de bobo da corte, fazendo críticas contra Transposição do São Francisco, a Ferrovia Transnordestina, e o Biodiesel, como se estivéssemos no século passado, e isso ainda nem existisse.

setembro 12, 2010

Hildegard Angel critica o preconceiro contra Lula e Dilma

"Radical Chique": Hildegard Angel concede entrevista à Carta Capital e fala do preconceito contra Lula

Foto: Marcelo Borgongino
Enquanto seu irmão Stuart era preso e morto pela ditadura, em 1971, a jovem Hildegard Angel iniciava trajetória oposta, no colunismo social do jornal O Globo, onde trabalharia, entre idas e vindas, por quase 40 anos. Em 1976, quando a mãe dos dois, a estilista Zuzu, foi assassinada pelo regime em um “acidente” de carro, Hildegard já era uma jornalista conhecida e atriz de tevê. Não deixa de ser interessante que, aos 60, recém-saída do extinto Jornal do Brasil (agora só on-line), assuma uma postura de franco-atiradora. 

Suas armas são um blog e o twitter. Seus alvos: a mídia e a preferência pelo candidato José Serra, do PSDB. No mês passado, ela declarou voto em Dilma Rousseff, do PT. Na entrevista concedida à CartaCapital em sua cobertura de frente para o mar em Copacabana, Hildegard Angel, criadora do termo “emergente” para definir os novos ricos cariocas, diz que Lula sofre preconceito por ser um deles, na política. “Já o Serra é o valoroso self-made-man”, ironiza. 

CC: Por que a senhora decidiu apoiar Dilma Rousseff? H: Ela estava sendo tão massacrada que achei ser o momento de me posicionar. Era um bombardeio de e-mails, de sobrenomes coroadíssimos, atacando a Dilma. Começaram denegrindo pelo físico, que ela era feia, horrorosa, megera, medonha. Aí ela ficou bonita e não puderam mais falar. Então começaram a atacar a parte moral, que ela é assassina, terrorista, ladra. Isso é um reflexo da impunidade. Enquanto não colocarmos nos devidos lugares os que foram responsáveis pelas atrocidades da ditadura, eles vão se sentir no direito de forjar uma realidade inexistente, de denegrir nossos mártires, nossos heróis.


CC: Antes desta eleição, a senhora já tinha se posicionado politicamente? H: Não. Em nível nacional é a primeira vez. E acho que meu depoimento e o almoço que a Lily Marinho (viúva de Roberto Marinho) promoveu romperam o círculo “demonizante” erguido em torno da Dilma. Ali se fez uma fissura. A classe alta pensante e os ricos mais liberais se permitiram uma abertura.

CC: Lily Marinho apoia Dilma? H: A Lily passou a apoiar Dilma depois que a conheceu. Quando ela fez o almoço pra Dilma, estava agindo como a mulher do Roberto Marinho, que está acima do bem e do mal e que pode se dar ao luxo de receber quem bem entende. Mas a Dilma conquistou a Lily. Antes do almoço, podia até haver a ideia de receber também os outros candidatos. Depois, não havia mais.

CC: Houve reação dos filhos de Roberto Marinho pela madrasta ter recebido a candidata do PT? H: A Lily tem uma relação tão harmoniosa, tão respeitosa com eles, que acho que jamais teriam qualquer tipo de reação. O jornal e toda a organização têm sido muito duros com a Dilma. A única matéria positiva sobre ela, até hoje em O Globo, da primeira até a última palavra, foi a do almoço com a Lily.

CC: Há quatro anos o ex-governador de São Paulo Claudio Lembo criticou a “elite branca”. A senhora acha que ele falava só da paulistana ou da carioca também? H: Da elite brasileira como um todo. É uma elite preconceituosa, que tem seus valores, seus princípios, e acha muito difícil abrir mão de suas convicções.

CC: Que tipo de rico tem preconceito com o Lula? H: O rico do passado, da herança, do aluguel, muito apegado a tradições, a sobrenome. É, na maioria, uma elite não produtiva. Porque a elite produtiva, o homem que emprega, que gera progresso, desenvolvimento, não deixa de aplaudir o Lula. Mas, às vezes, a mulher deste homem não aplaude… Diplomatas aposentados também têm preconceito com Lula. O Itamaraty sempre foi o filé mignon do serviço público brasileiro, pela cultura, pela erudição, pelo savoir faire. E a política externa atual vai na contramão disso tudo. Esse é um segmento social que rejeita o Lula, o dos punhos de renda.

CC: Nos círculos que frequenta, ainda há gente que faz piada com a origem humilde de Lula? H: O vaivém dos e-mails de gente da classe A contra o Lula é de uma variedade enorme… Por exemplo, as festas caipiras do Lula incomodaram muito. Já a Zuzu Angel sempre viu uma beleza extraordinária na caipirice, tanto que foi a primeira a usar as rendas do Norte, a misturar com organza, a usar as chitas, hoje tão na moda. Minha mãe tinha uma frase: a moda brasileira só será internacional se for legítima. Por isso foi a primeira a ter penetração no exterior. De certa forma, o Lula, com as festas caipiras dele, fez o que a Zuzu fez em 1960 com a moda caipira dela.

CC: Serra também tem origem humilde. Por que não existe esse preconceito contra ele? H: Porque o perfil do Lula se encaixa mais no do emergente. O do Serra é o do valoroso self-made man… O Serra, para ser o homem que é, teve de dominar os códigos da elite, pelo estudo, pela convivência com pessoas intelectualmente superiores. Já o Lula foi abrindo caminho na base da cotovelada. E, de certa maneira, se manteve fiel à sua raça. Não se transformou com a ascensão, não se desligou, guardou seu ranço de pobreza, a memória do sofrimento. Isso o tornou mais sensível.

CC: E por outro lado o faz ser malvisto? H: Sim, porque nunca será um igual, nem faz questão. A dona Marisa Letícia nunca abriu seus salões. Durante o governo FHC, fui inúmeras vezes convidada para recepções no Itamaraty e, em governos anteriores, até no Palácio da Alvorada. No governo Lula, só fui convidada uma vez, para o Itamaraty. Black-tie nunca existiu. Isso cria uma limitação de trânsito social. Não há uma interação para esta sociedade se inserir dentro de uma linguagem que não seja de gabinete junto à família Lula.

CC: Ainda tem muito preconceito de classe no Brasil? H: Cada vez menos, mas tem. O que Lula sofre é preconceito de classe, mas está sendo superado por ele mesmo. Essa possível vitória da Dilma mostra que não é só o povão, não só aqueles que melhoraram de situação. Tem muito rico pensando diferente, saindo do casulo, desse gueto de pensamento.

CC: O interessante é que o dinheiro também tem de ser bem-nascido. De padaria, de marmita, não é dinheiro “bom”? H: O dinheiro do comércio sempre foi visto no Brasil como um dinheiro sem base cultural, de origem ruim. Já o dinheiro da indústria, da área financeira, era “digno”. Agora, com a falta generalizada de dinheiro no meio dos que eram muito ricos, estas pessoas com dinheiro de origem menos nobre conseguiram uma posição de respeitabilidade no ambiente social.
CC: Os emergentes são mais respeitados? H: São mais aceitos, embora o verdadeiro emergente não esteja mais preocupado com isso. O verdadeiro emergente não tem aquelas veleidades do nouveau riche de antigamente. O nouveau riche de ontem queria entrar para o soçaite, queria que seus filhos estudassem com os filhos do soçaite, tinham aquela visão encantada de alta sociedade. O emergente de hoje tem mais noção do seu poder, não é tão submisso. Com o empobrecimento do rico tradicional, o rico do dinheiro novo se achou numa posição de não precisar fazer tanto a corte a essas pessoas.

CC: O dinheiro de Eike Batista, por exemplo, é “nobre”? H: Culturalmente falando, sim. Ele é filho de Eliezer Batista, que tinha grande status no País há muitas décadas. O que acontece é que o Eike sabe muito bem o que quer. Gosta de esporte, de mulher bonita, dos filhos e do trabalho dele. Sua vida é um retrato disso. Tem um carro espetacular de corrida na sala, tem casa decorada com troféus das suas lanchas. Ele poderia ter um Picasso, mas não é aquele rico tradicional. Nós temos no País essa classe da riqueza envergonhada, que não tem muito como explicar o seu dinheiro, da riqueza escondida, que não pode ser fotografada… E o Eike, como tudo dele, acredito, seja declarado lá no imposto, pode expor seu dinheiro. Ele é o rico da riqueza assumida.

CC: O jornalista Mauricio Stycer estudou a coluna de Cesar Giobbi no Estadão em 2002, quando Lula se candidatou pela primeira vez, e concluiu que o colunista fez campanha disfarçada para Serra. Isso é comum? H: Ah, a Miriam Leitão também faz… É comum o colunista ter afinidade com o veículo e ter uma linha de raciocínio que vai ao encontro da dele e ao meio em que convive. O Giobbi é uma pessoa estimadíssima na alta sociedade paulistana, não é visto nem como jornalista, é visto como “da turma”. A Mônica Bergamo (Folha de São Paulo) não é vista como uma “da turma”. O Giobbi é um do time, então raciocina de acordo com seu time.

CC: Dos colunistas sociais clássicos, como Ibrahim Sued, tinha algum que era mais de esquerda? H: O Zózimo (Barroso do Amaral) era visto à esquerda, mas era muito discreto, eu nunca o vi se posicionar ostensivamente na contramão do seu grupo social. Isso não existe. Havia na época uma coisa charmosa, atraente, um esquerdismo light, fazia parte do put together da elegância.

CC: Manifestar-se politicamente agora a recoloca mais no caminho do Stuart e da Zuzu? H: Sinto-me um pouco refém da coragem da minha família, é como se tivesse retomado meu curso. Como se cumprisse uma trajetória que estava ali me esperando, neste momento que as pessoas se acomodaram, que estão submetidas a seus empregos, todas colocadas na grande imprensa, com uma posição monocórdia, um pensamento único.

CC: Pretende se tornar uma guerrilheira on-line? H: Eu seria muito pretensiosa e desrespeitosa se de alguma maneira usasse essa qualificação de guerrilheira. Guerrilheiro foi meu irmão. Eu não fui. Estou tirando o atraso, só isso.