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novembro 01, 2010

Intolerância e preconceito tomam conta do Twitter e do Facebook

PICICA: Uma onda de preconceito e intolerância tomou conta do Twitter, tendo como alvo os nordestinos, após a vitória de Dilma Rousseff. Veja o texto abaixo comprobatório do ódio racista, estimulado pela campanha tucana. A dica é de uma amiga amazonense que mora no Rio de Janeiro. Omito o nome, que é para que ela não seja importunada pelos tuiteiros futriqueiros contrafeitos com a derrota do candidato tucano. No Facebook, o destinatário do ódio são os eleitores de Dilma Roussef e o PT. Trata-se de segmentos incultos das classes médias que destilam todo o veneno do ódio classista acumulado ao longo das conquistas do governo Lula, governo que conseguiu incluir mais gente na cultura dos nossos tempos do que o que a burguesia orientada por interesses subalternos conseguiu fazer em todos os tempos. Os autores de tamanha leviandade tem como fonte de leitura a revista VEJA  e seus colunistas. É de dar dó a pobreza dos seus argumentos. Vejamos o infantilismo perverso de alguns termos adotados por estas criaturas, néscios na arte de viver com os contrários. O termo "PTralhas", por exemplo, foi adotado a partir dos textos do colunista ultra-reacionário Reinaldo Azevedo, da revista supracitada. Já o termo "gentinha" é o termo farta e ideologicamente usado pelo preconceito de classe de uma elite que perdeu o rumo da história, e que vem alimentando o apartheid social que tomou conta de nossas cidades, coisa que não se via na Manaus dos anos 1960. Tais termos, adotados como rótulo para com as ações públicas dos petistas e dos eleitores do PT, é sinal de uma intolerância inaceitável numa sociedade que se quer civilizada. Acautelai-vos, fariseus. Não vos escondeis sob o manto da impunidade. Vossos argumentos, de que estais sendo vítimas de Patrulha Ideológica, são risíveis. Vossos comentários não são outra coisa do que a prática da projeção de seus ideais e valores de mundo. Nelas estão expressas a mais abjeta das ideologias: o ódio e o preconceito de classe. 

O dia em que o preconceito tomou conta do Twitter


Ontem, dia do resultado das eleições presidenciais, que deveria ser um dia de festa da democracia, ficou marcado como um dia em que o preconceito e o ódio tomou conta do Twitter, tão popular que é no Brasil. Um dia em que os Nordestinos foram tratados de forma altamente discriminatória. Um dia para não ser esquecido.
No Brasil, é muito comum se escandalizar com preconceito contra negros e gays. Casos assim ocupam páginas de jornais, provocam discussão e tem o tratamento que merecem ter. Mas, infelizmente, ainda existe o preconceito com relação à região de procedência, que é algo ainda pouco levado a sério e divulgado pela imprensa. E é algo que me assusta pela proporção com que tem crescido.
Eu sou Nordestina, de Fortaleza, Ceará. Nascida e criada aqui, com todos os sotaques e trejeitos característicos da região. Falo “oxente” e “vixe”, porque cresci com estas palavras fazendo parte do meu vocabulário. E tenho um baita orgulho de ser cearense. Por nada sairia daqui, porque aqui é o lugar que eu amo e onde me sinto feliz, com seus defeitos e virtudes.Por isso, me senti muito ofendida e triste com as mensagens que vi ontem no Twitter.
Para quem não acompanhou, tivemos um espetáculo digno de Goebbels. Vergonhoso, repugnante, capaz de fazer qualquer nordestino se sentir mal. Ver pessoas incitando a discriminação, pessoas com estudo e conhecimento incompatível com suas palavras, me provocou uma profunda tristeza.
Vejam vocês a que nível chegamos:

Retirado daqui: http://twitter.com/#!/kewenpantcho/status/29339798428

Retirado daqui: http://twitpic.com/32tlvx
E a pior de todas:
@mayarapetruso
Retirado daqui: http://twitpic.com/32ted4
Há muitos mais. Basta fazer uma busca no Twitter por “Nordestino“. Me recuso a comentar estes tweets.
Para quem não sabe, isso dá cadeia. Quem diz é a lei 7.716, de 1989, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente. A lei afirma:
Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.
Pena: reclusão de um a três anos e multa.
§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza:
Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.
§ 3º No caso do parágrafo anterior, o juiz poderá determinar, ouvido o Ministério Público ou a pedido deste, ainda antes do inquérito policial, sob pena de desobediência:
I – o recolhimento imediato ou a busca e apreensão dos exemplares do material respectivo;
II – a cessação das respectivas transmissões radiofônicas ou televisivas.
III – a interdição das respectivas mensagens ou páginas de informação na rede mundial de computadores.
O preconceito tem que ser divulgado, não pode simplesmente ser aceito ou ignorado. O preconceito é crime e deve que ser tratado como tal. Não é porque uma pessoa nasceu em outra cidade, outro estado, outra região que será menos capaz do que você. Somos todos brasileiros, apesar das diferenças regionais.
Da mesma forma como muitos nordestinos são discriminados ao ir para o sul/sudeste, somos todos discriminados ao irmos para os Estados Unidos ou Europa, porque para eles tanto faz se você fala oxente, meu ou bah. Você é brasileiro e será taxado e julgado por isso. Agora imagine sofrer isso no seu próprio país.
Espero que você que é leitor do Mundo Tecno, reflita sobre isso. Tenho certeza de que, como meu leitores são pessoas inteligentes, irão se arrepender caso tenha falado alguma bobagem, e eu o desculpo por isso. Espero também que tenham consciência de que, no final das contas, nós estamos todos no mesmo barco.
Respeito ao próximo é o primeiro passo para vivermos em um país melhor. Então, vamos nos respeitar?



janeiro 21, 2010

Belém realiza ato poético-político-religioso contra a intolerância religiosa






Jornal Folha SP - 06.Mar.2009
http://www1.folha.uol.com.br/folha/il...

Procuradoria processa Record e Gazeta (...) As emissoras exibem programas da Igreja Universal (...) que associam expressões como "encosto", "demônios", "espíritos imundos" e "feitiçaria" a religiões de origem africana, quando intercalam essas palavras com o termo "macumba". (...)

Os piores dentre os ignorantes são aqueles que desconhecem a própria ignorância. Aqueles que se deixam instruir desvencilham-se da ignorância, e principalmente, do preconceito, essa erva daninha que tanto prejudica e retarda a evolução dos homens de boa vontade. Benditos os que instruem, pois ajudam a espalhar a luz onde ainda há trevas. Vamos conhecer então a sublimidade e a beleza que há na Macumba, na Umbanda, e no Candomblé.

Dalai Lama: A melhor religião é a que mais te aproxima de Deus. É aquela que te faz melhor, que te faz mais compassivo, que te faz mais sensí¬vel, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável.

O Espírito da Verdade: A melhor doutrina é a que melhor satisfaz ao coração e à razão, e que mais elementos tem para conduzir o homem ao bem. (Livros dos Médiuns Allan Kardec - Capítulo XXVII - Item 302).

Santo Agostinho: O verdadeiro homem de bem é aquele que pratica a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza.Se ele interroga sua consciência sobre seus próprios atos,pergunta se não violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desperdiçou voluntariamente uma ocasião de ser útil, se ninguém tem do que se queixar dele, pergunta, enfim, se fez aos outros tudo o que desejava que os outros fizessem por ele. (O Evangelho Segundo o Espiritismo Allan Kardec - Capítulo XVII, Item 3).

Gandhi: Uma vida sem religião é como um barco sem leme.

Macumba - Wikipedia, a enciclopédia livre da Internet
http://pt.wikipedia.org/wiki/Macumba

A primeira definição de Macumba que se encontra em qualquer dicionário é de: antigo instrumento musical de percussão, espécie de reco-reco, de origem africana, que dá um som de rapa (rascante); e Macumbeiro é o tocador desse instrumento.

O conceito da Macumba está tão arraigado na cultura popular brasileira, que são comuns expressões como "xô macumba" e "chuta que é macumba" para demonstrar desagrado com a má sorte. As superstições nesse sentido são tão grandes, que até mesmo para a Copa do Mundo foram criados sites para espantar o azar.

Popularmente, a palavra Macumba é utilizada para designar genericamente os cultos sincréticos (mistura de elementos culturais) afro-brasileiros derivados de práticas religiosas e divindades dos povos africanos trazidos ao Brasil como escravos, tais como os Bantos, como o Candomblé e a Umbanda.

(o texto completo está disponível no endereço acima)

Umbanda - Wikipedia, a enciclopédia livre da Internet
http://pt.wikipedia.org/wiki/Umbanda

Umbanda é uma religião formada dentro da cultura religiosa brasileira que sincretiza elementos vários, inclusive de outras religiões como o Catolicismo, o Espiritismo e as religiões afro-brasileiras.

Os conceitos aqui relatados podem diferir em alguns tópicos por se tratar de uma visão generalista e enciclopédica. Por se tratar de um conjunto religioso com várias ramificações, as informações aqui expostas buscam informar aos leitores da forma mais abrangente possível e sem discriminação ou preconceitos, pois todas as "Umbandas" têm suas razões de existir e de serem cultuadas.

História e sincretismo

As raízes da Umbanda são difusas. Existem diversas ramificações onde podemos encontrar influências indígenas (Umbanda de Caboclo), Africanas (Umbandomblé, Umbanda Traçada) e diversas outras de cunho esotérico (Umbanda Esotérica, Umbanda Iniciática). Existe também a "Umbanda Popular", onde encontraremos um pouco de cada coisa ou um cadinho de cada ancestralidade, onde o sincretismo (associação de Santos Católicos aos Orixás Africanos) é muito comum.

(o texto completo está disponível no endereço acima)

Candomblé - Wikipedia, a enciclopédia livre da Internet
http://pt.wikipedia.org/wiki/Candomble

Candomblé, culto dos orixás, de origem totêmica e familiar, é uma das religiões afro-brasileiras praticadas principalmente no Brasil, pelo chamado povo do santo, mas também em outros países como Uruguai, Argentina, Venezuela, Colômbia, Panamá e México. Na Europa: Alemanha, Itália, Portugal e Espanha.

A religião que tem por base a anima (alma) da Natureza, sendo portanto chamada de anímica, foi desenvolvida no Brasil com o conhecimento dos sacerdotes africanos que foram escravizados e trazidos da África para o Brasil, juntamente com seus Orixás/Inquices/Voduns, sua cultura, e seu idioma, entre 1549 e 1888.
Candomblé

(o texto completo está disponível no endereço acima)

***

Blog do CAIC informa

Ato em Belém lembra Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa

COMITÊ INTER-RELIGIOSO PROMOVE ATO POÉTICO-POLÍTICO-RELIGIOSO
DIA 24 DE JANEIRO, DOMINGO, PELA MANHÃ, NA PRAÇA DA REPÚBLICA

O Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, 21 de janeiro, foi instituído pela Presidente da República, com a Lei 11.635, em 27 de dezembro de 2007, também homenagem em Mãe Gilda, Sacerdotisa Afro-Religiosa, que morreu de infarto por ter tido sua foto associada à charlatanismo, sendo vítima de intolerância religiosa. Mãe Gilda faleceu no dia 21 de janeiro de 2000, aos 64 anos.

No mês dos 394 anos de aniversário da cidade de Belém vai acontecer o primeiro Ato de Combate à Intolerância religiosa realizado pelo Comitê Interreligioso do Pará. A ação faz parte do Calendário nacional de lutas e será realizada no dia 24 de janeiro, de 9h às 12h no Anfiteatro da Praça da República.

O ponto de partida na organização do movimento interreligioso se deu com a campanha a favor da proibição do comércio de arma de fogo e munição no Referendo de 2006. Um grupo diversificado de representações religiosas, junto com outros movimentos sociais e entidades de luta pelos direitos humanos, promoveu celebrações interreligiosas e ações articuladas a favor do SIM à proibição da comercialização de armas de fogo e a favor da disseminação da cultura de paz. Desde então, ainda que sem planejamento, o movimento interreligioso continuou se encontrando em outras atividades de promoção e respeito à diversidade e de denúncia das injustiças sociais e intolerância religiosa;

Atualmente em fase mais consolidada com 24 representações religiosas, o Comitê vem assumindo frentes de lutas como referência na defesa dos direitos humanos e liberdade religiosa, cumprindo sua missão que é a de promover o diálogo interreligioso para incentivar a cultura de justiça e da paz. A luta pela tolerância e diálogo entre as religiões produz a cultura de paz e novas relações de respeito e fraternidade.

A programação para o dia 24 tem início com:

- Uma concentração com chamada publica no entorno da praça com panfletagem, música, etc.,

- Cortejo: “Ato de Combate à Intolerância Religiosa” com chegada ao Anfiteatro

- Reverência ao Centro Sagrado com símbolos das diversas religiões.

- Abertura oficial com os representantes religiosos

- Banquete de poemas interreligiosos;

- Fala do representante da Comissão de Direitos Humanos da OAB;

- Delegacia de Crimes Discriminatórios;

- Fala e canção com representantes do Santo Daime, dos Afro-religiosos, cristãos, Hare Krishna, Ananda Marga, Wicca, espíritas e performances e poesia com o poeta Antonio Juraci Siqueira.
A afirmação de unidade religiosa será materializada ao termino do evento com a canção pela Paz e todos estão convidados a viver ato e somar ao enlace das fitas nos braços selando o compromisso e fortalecimento do movimento frente à intolerância religiosa e injustiças sociais.

“A paz no mundo começa no meu coração, no seu coração. A paz.

A paz no mundo começa num abraço, de um abraço pela paz.”

Contatos: Cibele Kuss (9144-6135; 3276-8117); Roseli Souza (88686045); Tony Vilhena (88769371), Yandra Gallupo (82287166)

COMITÊ INTER-RELIGIOSO DO PARÁ

QUEM SOMOS

Pessoas e organizações religiosas em cooperação por um mundo sem intolerância e exclusões decorrentes de orientações e opções religiosas, promovendo uma cultura de paz e diálogo entre as religiões.

Missão: Promover o diálogo inter-religioso para incentivar a cultura de justiça e da paz.

Objetivo geral: Atuar na construção de uma sociedade justa, fraterna e pacífica pautada no respeito à diversidade religiosa.

Objetivos específicos:

- Conhecer e valorizar a diversidade religiosa na perspectiva da construção de relações de diálogo, respeito, justiça e paz.

- Combater a intolerância religiosa e toda forma de preconceito e exclusão social.

- Ampliar e fortalecer o Comitê Inter-religioso enquanto referência na defesa dos direitos humanos e liberdade religiosa.

REPRESENTAÇÕES:

Ananda Marga
Círculo Esotérico Estrela do Oriente
Centro Israelita do Pará
Escola Municipal Rui da Silveira Britto
Associação Brasileira da Arte e Filosofia da Religião Wicca/Coord. Belém
ISKCON – Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna
Santo Daime
União Espírita Paraense
Afro-Religiosos
ACAOÃ – Associação Cultural Afro-Brasileiro de Oxaguiã
Instituto Nangetu de Tradições Afro-religiosas
ACER – Associação Amazônica de Ciências Humanas e da Religião
Associação de Cientistas da Religião do Estado do Pará
Coordenação do Curso de Ciência da Religião da UEPA
CAIC – Conselho Amazônico de Igrejas Cristãs
CEBI – Centro de Estudos Bíblicos
CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil Norte 2
CRB – Conferência dos Religiosos do Brasil
Comitê Dorothy Stang
ICAR – Igreja Católica Apostólica Romana
IEAB – Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
IECLB – Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil
Movimento dos Focolares
___________________________________________________

COORDENAÇÃO:
Pastora Cibele Kuss – IECLB
Mãe Nangetu – INTECAB
Pe. Henrique – CRB

Equipe de Comunicação:
Cláudio Augusto- CEBI
Alex Barata – IEAB

Equipe de Secretaria/ Finanças:
Tony Vilhena – CAIC
Viviane Salgado – ACER
Océlio Dias – Focolares

Equipe de Liturgia:
Pai Tayandô – ACAOÃ
Beno Batista—CEBI
Ílziris Miranda – Hare Krishna
-

Visite o blog do Inter-religioso
http://www.comiter.wordpress.com/

--

Coordenação do CAIC
Tony Vilhena (metodista / ACER)
Lena Aguiar (luterana)
Celina Oliveira (católica / Focolares)
Revdo. Nádio Batista (presbiteriano)
Pe. Andréas Heyligers (católico)

www.redecaic.blogspot.com

janeiro 02, 2010

Agresión neonazi en Madrid

Foto postada em La Haine
Nueva agresión neonazi, esta vez en el popular barrio de Vallecas

La Haine - Madrid

Así lo denuncia la Asociación de Víctimas de la Violencia Fascista a través del siguiente comunicado.

En nombre de nuestra asociación ponemos en conocimiento de la opinión pública:

Que el pasado 16 de diciembre de 2009, en el popular barrio de Vallecas, y en la vía pública, Calle Miguel Hernández, de Madrid., se produjo una agresión producto de la violencia fascista neonazi que venimos denunciando desde nuestra Asociación.

Ese día un joven de 19 años, S.E.P, vecino del barrio, que se dirigía a su domicilio, sobre las 15.45 horas, se encuentra con cuatro individuos de estética neonazi de unos 18 o 20 años, que se encuentran pintando con un spray en la caja de un camión la frase “Josue libertad”.

Conocido por toda la opinión pública, por ser el asesino condenado a 26 años de prisión, de Carlos Javier Palomino Muñoz, asesinado el 11 de noviembre del 2007, en el metro de Legazpi de una certera y única puñalada en el corazón.

El agredido, al ver tal acción y después de tres meses de finalizado el juicio por Carlos, les reclama que dejen ya de hacer esas pintadas por respeto, cuando estos 4 individuos, sin mediar palabra comienzan a agredirle, causándole lesiones como traumatismos en ambos pómulos con hematoma subcutáneo, con pronóstico reservado sobre uno de ellos, todos ellos causados por varios golpes contundentes repetidos en la misma zona, ante tal agresión toma la posición defensiva, no pudiendo ver a tres de sus agresores, pero sí a uno el cual portaba algún objeto metálico en las manos, este individuo, es conocido del agredido por vivir en el mismo barrio. El agresor responde a las iniciales de Javier C.

Cuando al final pudo escapar de la situación, pudo observar que uno de ellos llevaba una sudadera con el número 88 (Heil Hitler), y otro con una sudadera con la esvástica en la espalda.

Queremos hacer hincapié en que esto no son hechos aislados, cada día multitud de personas deben de vivir con estas agresiones y humillaciones.

Denunciamos el acoso brutal por parte de estos individuos. Qué no son fruto de la coincidencia, pues estos hechos suceden en el barrio de Vallecas donde vivió Carlos, y sigue viviendo María Victoria, su madre, y el amigo de Carlos, el agredido, S.E. siendo atacados sistemáticamente desde que Carlos murió, a través de pintadas hechas por estos elementos, en las que se puede leer “Josue libertad”, “Pollo pudrete”, O “Mavi gallina, tu hijo es harina”. También comunicamos que el agredido, S.E. durante todo el tiempo que duró el juicio y desde que su amigo fue asesinado, ha acompañado a Mavi, en todo momento y ha sido captado varias veces por los medios, por ello es reconocido habitualmente por todo el sector neonazi, hasta el punto de llegar a la agresión.

Exponemos

La proliferación y el aumento de agresiones terroristas fascistas-neonazis que se están produciendo constantemente.

Seguimos y seguiremos poniendo en conocimiento de la opinión pública que estos no son hechos aislados, sino que llevan ocurriendo desde hace muchos años de manera sistemática y organizada, y siempre amparados por las instituciones.

Seguiremos trabajando para que se desenmascare la verdad. Ahora las víctimas están protegidas por esta asociación, y desde ella les daremos todo el apoyo necesario y su merecido reconocimiento, ya que anteriormente carecían del mismo, puesto que sus agresiones siempre han sido tachadas, tanto por los medios de comunicación, como por parte de las instituciones y autoridades, como “hechos aislados” “peleas de bandas” o “ajustes de cuentas”, siendo olvidados por todas las instituciones, y archivando la mayoría de los casos como problemas menores.

Denunciamos, qué son acciones sistemáticas y organizadas, propias de un TERRORISMO FASCISTA, azuzado y encubierto desde sus páginas webs, organizaciones y partidos políticos “legales”, desde donde consiguen la complicidad de las instituciones y autoridades políticas, que con la excusa de la “libertad de expresión” y el “estado de derecho”, amparan y protegen a todos estos terroristas.
Y cuando por fin, conseguimos sentarlos delante de la “justicia”, intentan desvincularse de forma rastrera, de lo que antes defendían hasta el punto de agredir y matar a otras personas, por razones de raza, ideología o condición sexual.

Desde nuestra asociación condenamos todos estos hechos y vamos a luchar por ilegalizar el brazo político y desenmascarar el brazo armado del terrorismo fascista, que bajo el velo de tribus urbanas y peleas de bandas, nos han intentado ocultar desde las instituciones.
Es nuestro compromiso cambiar el presente y el futuro, dignificando las vidas de las Víctimas de la violencia fascista, racista y homófoba, y seguir luchando para erradicar de nuestras calles el fascismo, el racismo y la homofobia.

Y exigimos a la reciente Fiscalía creada para la investigación y la lucha en contra de estos grupos neonazis, que empiece a trabajar disciplinadamente y ayude con sus investigaciones a condenar y juzgar al TERRORISMO FASCISTA.

Reclamamos y pedimos la ilegalización de estos partidos neonazis, que no tienen derecho a urnas ni votos, por no considerarlos democráticos, que aprueban defienden y ejecutan el TERRORISMO FASCISTA-NEONAZI.

Madrid, 17 de Diciembre del 2009

Fonte: La Haine
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dezembro 29, 2009

NOTA PÚBLICA DA REDE RELIGIOSA DE MATRIZ AFRICANA

Povo do Santo
Foto: Rogelio Casado - Manaus-Amazonas-Brasil, 2007

Nota do blog: O ano de 2007 foi tenso para o povo do Santo de Manaus. Enquanto a Assembléia Legislativa acolhia o povo de terreiro nas suas datas festivas, a Câmara dos Vereadores os hostilizava - pelo menos a bancada evangélica, intolerante à diversidade religiosa e incapaz do menor espírito ecumênico. Naquele ano a bancada evangélica pôs abaixo o projeto de construção do Parque dos Orixás, de autoria da vereadora Lucia Antony, do PC do B. Na fotografia acima, líderes das religiões de matriz africana respondem à insensibilidade parlamentar manauara concedendo entrevista coletiva na sede da Associação Chico Inácio (núcleo no Amazonas da Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial), situada no porão do Sindicato dos Jornalistas, cuja presidência foi pressionada por membros da diretoria a pedir o espaço usado pela entidade para outras finalidades -o que nunca aconteceu-, e teve como subproduto a perda daquele importante espaço físico e simbólico. Lástima! Uma coisa não tem a ver com outra, mas ambas estão no mesmo campo da intolerância. O fato é que, nesse momento, acontecimentos na Bahia reclamam apoio e solidariedade de quantos simpatizam com o povo do Santo, injusta e caluniosamente associada ao episódio da criança que teve seu corpo perfurado por agulhas. Até agora a mídia não entrevistou os líderes religiosos para os esclarecimentos que se fazem necessário. Esse blog é solidário com os que querem o fim do ódio religioso.

NOTA PÚBLICA

NÓS DA REDE RELIGIOSA DE MATRIZ AFRICANA DO SUBÚRBIO (RREMAS[1]), VIMOS A PÚBLICO MANIFESTAR NOSSA INDIGNAÇÃO DIANTE DE MAIS UMA BRUTALIDADE QUE A IGNORÂNCIA POPULAR ATRIBUI A NÓS COMO PRÁTICA RELIGIOSA. MAIS AINDA, NOS INDIGNAMOS COM O FATO EM SÍ QUE VITIMOU UM SER PEQUENINO NO TAMANHO, MAS GRANDE EM SUA ESSÊNCIA , INOCENTE E POR TUDO ISSO SAGRADO PARA NÓS: UMA CRIANÇA (QUE ATÉ O NOME ESQUECERAM E QUE ESTÁ SENDO CHAMADO “MENINO DAS AGULHAS”); VÍTIMADA PELA INSANIDADE DE PESSOAS VISIVELMENTE DESCOMPENSADAS.

TÃO PASMOS COMO TODA POPULAÇÃO, TEMOS ACOMPANHADO AS REPORTAGENS ESPERANDO PARA ELE UM DESFECHO POSITIVO E QUE OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO ACORRAM ÀS NOSSAS LIDERANÇAS RELIGIOSAS PARA ALGUMA DECLARAÇÃO, COMO É DE PRAXE SE FAZER, EM CIRCUNSTÂNCIAS COMO ESTA , QUANDO UM IMPORTANTE SEGMENTO DA SOCIEDADE É CITADO OU RESPONSABILIZADO.

VIMOS A FALA DO MÉDIUM DIVALDO FRANCO, POR QUEM DEVOTAMOS RESPEITO; CONTUDO, NÃO PODE SER CONSIDERADA COMO BASTANTE A PONTO DE NÃO SE BUSCAR OUVIR OUTROS SEGMENTOS ESPIRITUALISTAS, PRINCIPALMENTE, O CITADO PELO REU-CONFESSO.

PREOCUPADOS COM O CRESCIMENTO DA CALÚNIA, ESTAMOS NOS ANTECIPANDO, PARA QUE NÃO CRESÇA SOBRE NÓS A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA OU PIOR, O ÓDIO RELIGIOSO, JÁ TÃO FORTEMENTE DISCEMINADO POR DETERMINADOS SETORES NEOPENTECOSTAIS, ATRAVÉS DE SUAS TÃO PÚBLICAS E “NOTÓRIAS” ATIVIDADES MERCADOLÓGICAS.

PORTANTO, DECLARAMOS QUE NUNCA HOUVE E NÃO HÁ EM NENHUMA DAS NAÇÕES RELIGIOSAS, DE CULTO A ANCESTRALIDADE AFRICANA E BRASILEIRA, AS QUAIS CHAMAMOS DE “RELIGIÕES DE MATRIZ AFRICANA”, RITUAL, DE QUALQUER OBJETIVO, ENVOLVENDO SACRIFÍCIO DE VIDA HUMANA, SEJA QUAL FOR A FAIXA ETÁRIA, MUITO MENOS HAVERIA DA INFANTIL, QUE É POR NÓS TÃO RESPEITADA.

VALE RESSALTAR, QUE NÃO HÁ EM NENHUM DOS SACRIFÍCIOS RITUAIS QUE REALIZAMOS COM ANIMAIS, REQUINTES DE CRUELDADE. AS FAMÍLIAS BRASILEIRAS CONSOMEM TODOS OS DIAS, TONELADAS E MAIS TONELADAS DE CARNE ANIMAL SEM QUESTIONAR QUAIS OS MÉTODOS ADOTADOS PARA ABATÊ-LOS E, PODEMOS GARANTIR QUE NÃO SÃO NADA GENEROSOS, BOA PARTE DELES SÃO EXTREMAMENTE CRUÉIS. A DISPEITO DO QUE TRATAMOS AQUI, CONSIDERAMOS UMA RESSALVA IMPORTANTE, POIS QUE COMPLETA A INFORMAÇÃO E SE ANTECIPA AS ARGUMENTAÇÕES, HIPÓCRITAS E AMORAL EM SUA MAIORIA , DE QUE SACRIFICAMOS ANIMAIS.

AINDA VALE OUTRA RESSALVA, PARA O FATO DE QUE MESMO SE UMA DAS ACUSADAS FOSSE IYÁLÒRIXÁ (“MÃE DE SANTO”), NÃO SE PODERIA CONDENAR O CANDOMBLÉ; POIS QUE QUANDO UM MÉDICO ERRA, NÃO SE CONDENA TODA A MÉDICINA. ASSIM COMO O ERRO DE LÍDERES RELIGIOSOS, NÃO SE ATRIBUE ÀS SUAS MATRIZES RELIGIOSAS.

NÃO HÁ HISTÓRICO NEM LUGAR PARA ESTA MONSTRUOSIDADE QUE INSISTEM EM DAR VISIBILIDADE NO DISCURSO IGNORANTE E NÃO INOCENTE (PORQUE BUSCA SE EXIMIR DA RESPONSABILIDADE) , DO CRIMONOSO, DE QUE UMA DAS ACUSADAS USAVA “OS CABOCLOS E ORIXÁS”, PARA SUA PRÁTICA ASSASSINA E DOENTIA. OS CABOCLOS, ORIXAS, VODUNS E INQUICES, DE CERTO VÃO COBRAR DELE E DE QUEM MAIS AFIRMAR TAL BARBARIDADE. ELES SÃO SERES DE LUZ E NA LUZ, RESPONSÁVEIS PELO EQUILÍBRIO DA TERRA, DAS PESSOAS E DE SUAS RELAÇÕES.

POR FIM, CONCLAMAMOS A TODAS AS ORGANIZAÇÕES DOS “POVOS DE SANTO” A QUEM PREFERIMOS CHAMAR DE “POVOS DE TERREIRO”, DA BAHIA E DE TODO O PAÍS, A SE MANIFESTAREM, PARA QUE MAIS ESTA INJUSTIÇA _ QUE ALIÁS, JÁ DESPONTA EM OUTROS ESTADOS , A EXEMPLO DO MARANHÃO, COMO “MAGIA NEGRA” E, AÍ AUTOMATICAMENTE AFIRMAM AUTORIA A Nós _ NÃO SE ATRIBUA A NOSSA TÃO BONITA RELIGIÃO. EMBORA, DIGA-SE DE PASSAGEM, NADA TEM HAVER O TERMO “MAGIA NEGRA” COM O CONHECIMENTO DA MAGIA AFRICANA, PASSADA DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO HÁ MILHARES DE ANOS, QUE MANIPULA OS ELEMENTOS DA NATUREZA PARA NOS EQUILIBRAR DIANTE DELA E NOS RELIGAR A ANCESTRALIDADE, LEMBRANDO QUE A HUMANIDADE SURGIU NA ÁFRICA. VALE DESTACAR, QUE MAGIA NEGRA é COISA DE SÉCULOS REMOTOS DA EUROPA.
AXÉ.

[1]Comissão Organizadora: ILÊ AXÉ TORRUNDÊ / ILÊ AXÉ ODETOLÁ / ILÊ AXÉ OYÁ DEJI / ILÊ AXÉ OMIN ALA / ILÊ AXÉ GEDEMERÊ / TERREIRO GÊGE DAHOMÉ / ILÊ AXÉ IYÁ TOMIN / ILÊ AXÉ OGODOGÊ / ILÊ AXÉ LOGEMIN – contatos: 9966-6506 / 3394-8184, Guilherme de Xangô - Bàbálòrixá; 9908-5566 / 3408-1455 Valdo Lumumba-Ogan; 8716-5833 Edvaldo Pena - Huntó; 3521-1423 Dari Mota – Bàbálòrixá; 3394-8175, Wilson Santos - Bàbálòrixá.

Saudações Quilombolas

e Paz na Terra: nossa casa!

SEJAMOS CIDADÃS E CIDADÃOS ATIVOS,

TOME UMA ATITUDE.
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dezembro 23, 2009

O referendo do relógio cuco

Minaretes em Espanha
Foto postada em islaam_introduction.tripod.com

Nota do blog: A Suíça deu o pontapé inicial. Os minaretes islâmicos serão banidos da paisagem por referendo popular. Se a moda pega, pobre dos minaretes espalhados pela bela Espanha (terra de meu bisavô paterno, Primo Casado Valles) durante a ocupação da península ibérica pelos árabes. É como querer arrancar as torres das igrejas católicas brasileiras. Como diz Muniz Sodré, a intolerância é apenas o ovo da serpente. Nasci numa comunidade multicultural em que portugueses (meus avós maternos nasceram em Portugal) conviviam com árabes e brasileiros em harmonia. Tanto que meu avó Antonio Jesus Barbosa ajudou a construir o balneário sírio-libanês conhecido como Chapada Recreativa Clube, ali pelos anos 1930, e que frequentavamos sem que as diferenças de classe nos separasse. Ainda nos anos 1950 - década em que nasci - minha família mudou-se para um trecho da cidade onde as diferenças de classe eram mais visíveis. Na rua Frei José dos Inocentes residiam parlamentares, prostitutas, pretos, pardos e pobres. Nem por isso o clima pecava por falta de cordialidade, sem querer reforçar a tese da cordialidade nacional tão cara à nossa sociologia. O que quero dizer é que a intolerância quando se manifestava era caso isolado e inaceitável no território da minha infância. Vivia-se a pobreza com mais dignidade. Estudávamos nas mesmas escolas de crianças ricas. Nossas brincadeiras eram comuns. Não havia o clima de apartheid que existe hoje na bela e maltratada Manaus. Salvo no caso dos negros, objeto da mais vergonhosa escravidão, o Brasil que tem uma história de acolhimento aos migrantes - que o diga vovó Maria Casado Ramírez, nascida em Iquitos, no Peru -, deve repudiar essa agressão ao mundo árabe. Liberdade de culto e respeito aos símbolos religiosos, hoje e sempre!

TOLERÂNCIA RELIGIOSA

O referendo do relógio cuco

Por Muniz Sodré

Há uma boutade em O Terceiro Homem que se conta ter sido um improviso de Orson Welles no instante da filmagem. Referindo-se à Suíça, diz ele ao interlocutor que, em meio a traições, envenenamentos e assassinatos dos Bórgia, os italianos produziram uma Renascença. Já os suíços, após séculos de ordem e democracia, produziram o quê? "O relógio cuco".

Com todo respeito... como costuma dizer a coluna de Ancelmo Góis em O Globo. Welles, como todo criador de gênio, podia-se permitir a esses arroubos divertidos, sem suscitar a ira do alvo, que certamente terminaria atingindo o comum dos mortais.

Mas a sarcástica tirada do cineasta me vem imediatamente à cabeça depois da repercussão na imprensa do resultado do referendo suíço sobre os minaretes islâmicos, cuja construção deverá ser doravante banida de todos os cantões daquele território nacional. Minarete, como bem se sabe, é a pequena torre ao lado da mesquita, de onde o muezzin convoca os fiéis para a oração.

Crença religiosa à parte, esse chamado é esteticamente apreciável. O árabe é uma língua mística e reflexiva, com grande complexidade gramatical e notável sonoridade fonêmica. A chamada aos fiéis, que repete o versículo inicial do Corão – confirmando a unicidade de Alá e a condição profética de Maomé – é uma recitação em que se esmeram, como na prolação de um poema, os locutores. E, como num poema, a pura e simples tradução dificilmente restituiria a carga simbólica da língua original.

Estado nacional é laico

Segundo os jornais, a maioria vitoriosa no referendo foi de 52%, o que salva do ridículo 48% dos cidadãos suíços. Ridículo – há poucas outras palavras disponíveis para se definir essa decisão, lamentável até para o próprio governo federal da Suíça, conforme nota oficial distribuída à imprensa. O ponto crítico da questão se põe assim: como conviver democraticamente com a crença do Outro rejeitando a integridade de seus templos ou santuários? Em outros termos, como tolerar sem tolerância?

Apesar da tímida autocrítica governamental, o fato é que o referendo foi proposto e organizado por dispositivos de Estado, com todas as injunções de obrigatoriedade do cumprimento da decisão. E mais: foi imediatamente apoiado pelo presidente da França (onde existem seis milhões de muçulmanos), para quem os fiéis islâmicos deveriam ser "mais discretos" em termos religiosos. Nicolas Sarkozy não deixou por menos a escalada do ridículo: a "indiscrição" (a ser entendida como a demonstração pública da fé ou a construção de monumentos religiosos) deveria ser reservada ao catolicismo, por ser mais "natural e local".

Mas se o evento se afigura de imediato como ridículo em termos de ética social imediata – essa em que pontificam os costumes e as injunções coletivas de se respeitar a sua diversidade –, não escapa ao olhar mais cauteloso o risco político de uma nova variedade das ideologias nacionais em ascensão nos países ditos de Primeiro Mundo.

Como já observaram analistas de diversas linhagens teóricas, toda ideologia nacional vive da entronização de ideais para os quais se possam transferir os sentimentos de sacrifício, amor, temor, respeito etc. De onde se transferem? Precisamente das comunidades religiosas, que são cimentadas por afecções dessa natureza. Mas como bem se sabe, há muitíssimo tempo, os Estados nacionais vêm deixando de recorrer à universalidade teológica apregoada pelo catolicismo tradicional, reservando apenas uma reverência esporádica às autoridades ungidas por Roma. O Estado nacional é laico, proclamam aqueles que apostam numa cidadania republicana, livre da heteronomia sobrenatural.

O ovo da serpente

Na prática, porém, o universalismo da crença administrado por Roma pode assumir a forma de "religião de Estado", ao modo de uma forma transitória de ideologia nacional, como um escudo contra o que se supõe serem ameaças do Outro (o imigrante, o representante de outra cultura ou de outro sistema civilizatório), agora numerosamente muito próximo, às vezes, vizinho de porta. Os véus nas cabeças das mulheres, as prostrações diárias para as orações, as mesquitas com seus minaretes, as recitações jaculatórias podem soar como fantasmas contra-hegemônicos aos cultores da etnicidade fictícia em que implica a "comunidade imaginada" (expressão com que Benedict Andersen designa a nação) instituída por todo Estado nacional.

É essa ideologia canhestra e anacrônica que preside a iniciativas como o referendo suíço, a preocupações com a "identidade nacional" como aquelas manifestadas por Sarkozy ou ao desejo dos grupos ultraconservadores de acrescentar a cruz católica à bandeira italiana. Curiosamente, é a mesma dos reinados petrolíferos ou das nações em aparente decomposição social, que a imprensa ocidental costuma erigir como o oposto do mundo civilizado.

Pode ser que tudo termine em pizza, mas quem leva a sério a hipótese da aparição concomitante e internacional de um novo tipo de fascismo deve botar as barbas de molho. A intolerância é apenas o ovo da serpente.

Fonte: Observatório da Imprensa
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