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outubro 19, 2010

Dilma deverá combater, implacavelmente, a corrupção

PICICA: O IHU nos oferece uma entrevista com Wladimir Pomar sobre a atuação do PT nessas eleições. Segundo ele, Lula legará à Dilma Rousseff um duro combate contra a corrupção. O PICICA aproveita o ensejo para sugerir o nome do deputado federal pelo PT-AM, Francisco Praciano, para assumir a presidência da Comissão de Combate à Corrupção. O tema é um dos ítens que sustenta, historicamente, suas campanhas eleitorais.

19/10/2010
‘Lula legará à Dilma um duro combate contra a corrupção’. Entrevista especial com Wladimir Pomar

Uma análise da atuação do PT nessas eleições é o que faz Wladimir Pomar na entrevista que concedeu à IHU On-Line, por e-mail. Afinal: O PT errou ou acertou em sua estratégia nesse pleito? Para Pomar, em termos parlamentares e executivos estaduais, o PT se consolidou como um dos principais partidos nacionais. Porém, erros sérios, aponta ele, foram cometidos e diretamente refletidos na campanha presidencial. “O PT evitou travar uma batalha e uma discussão política em profundidade sobre o futuro das mudanças necessárias à sociedade brasileira. Isto permitiu que Marina Silva se apropriasse de bandeiras que eram tradicionais no PT, e que as apresentasse como se o PT as houvesse abandonado”, afirmou.

Wladimir Pomar
é analista político. Militante político desde 1949, ajudou a fundar o PCdoB em 1962. Preso no regime militar, atuou clandestinamente durante a década de 1970. Dez anos depois, tornou-se um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores e integrou a executiva nacional do PT entre 1984 e1990. Foi coordenador-geral da campanha presidencial de Lula em 1989.

Confira a entrevista.


IHU On-Line – Como o PT sai desse primeiro turno?

Wladimir Pomar – O PT, em termos parlamentares e dos executivos estaduais, saiu reforçado. Embora possa ser derrotado em algumas disputas estaduais do segundo turno, ele saiu das eleições consolidado como um dos principais partidos nacionais.

Por outro lado, o PT cometeu alguns erros sérios na campanha, que se refletiram negativamente na eleição presidencial. Dois deles foram
erros estratégicos. Em primeiro lugar, o PT evitou travar uma batalha e uma discussão política em profundidade sobre o futuro das mudanças necessárias à sociedade brasileira. Isto permitiu que Marina Silva se apropriasse de bandeiras que eram tradicionais no PT, e que as apresentasse como se o PT as houvesse abandonado. Em segundo lugar, o PT praticamente abandonou seu tradicional método de corpo a corpo com o eleitorado e de campanha de mobilização massiva, acreditando que bastava o apoio e a popularidade de Lula para vencer no primeiro turno.

Estas foram as causas principais do crescimento da
Marina e do insucesso relativo da eleição de Dilma no primeiro turno.

IHU On-Line – Movimentos como o MST, que há muito não se manifestavam sobre a política nacional, divulgaram documento de apoio à Dilma. O que isso pode significar?


Wladimir Pomar – O MST, assim como os movimentos sociais em geral, sabem que uma diferença fundamental entre um governo dirigido pelo PT e um governo do PSDB-DEM consiste em que um governo dirigido pelo PT pode até cometer muitos erros, em vários terrenos, mas jamais admitirá criminalizar os movimentos sociais, ao contrário do que fez o governo FHC, com Serra como um de seus principais expoentes.

As bases do
MST haviam sinalizado que votariam em Dilma já no primeiro turno, em grande parte por isso, em grande parte porque reconhecem que o governo Lula havia melhorado a situação econômica dos pobres. Assim, a direção do MST apenas verbalizou uma tendência fortemente presente em suas bases.

IHU On-Line – Como o senhor vê esse embate criado entre lideranças católicas e evangélicas, de apoio aberto à Dilma e ao Serra?


Wladimir Pomar – A clivagem principal que existe na sociedade, em especial numa sociedade multicultural como a brasileira, não é a religiosa, mas sim a de classe, ditada pelos interesses econômicos e sociais, em harmonia ou em conflito. Tanto entre os católicos quanto entre os evangélicos, a divisão social é uma realidade, embora não se deva desprezar o papel que o apelo religioso exerce sobre as decisões políticas que ambos têm que tomar.

Na campanha eleitoral, a grande imprensa e o candidato
Serra procuraram transformar assuntos de apelo religioso, como o aborto, em pontos centrais da disputa. Nessas condições, embora tais assuntos tenham sido apresentados de forma distorcida, parte do eleitorado católico e evangélico se sensibilizou com as denúncias, apoiando Serra, enquanto outra parte percebeu a mistificação e colocou em primeiro plano seus interesses econômicos, sociais e políticos, optando por Dilma.

Porém, mesmo que esse tipo de assunto não tivesse entrado na disputa, seria natural a divisão entre os dois candidatos em virtude dos interesses de classe. As
lideranças religiosas apenas expressam a divisão latente que existe em seu meio.

IHU On-Line – Quais as diferenças e semelhanças políticas entre Dilma e Lula?


Wladimir Pomar – Lula e Dilma possuem uma unidade política muito grande em torno dos projetos nacionais, econômicos e sociais que o Brasil necessita. Ambos sabem que só é possível elevar o padrão de vida do conjunto da população brasileira se o país desenvolver suas forças produtivas, com base nas ciências e tecnologias. O que inclui industrializar o país, tendo por base os novos parâmetros científicos e tecnológicos que permitam, ao mesmo tempo, proteger e recuperar o meio ambiente, produzir uma energia limpa, e praticar uma agricultura sustentável. E que tudo isso vai exigir um esforço considerável para colocar a educação em primeiro plano nos esforços nacionais.

Ambos também sabem que o mercado capitalista realiza uma distribuição desequilibrada e desigual das riquezas produzidas, necessitando que o Estado atue consciente e efetivamente no processo de redistribuição da renda e de amparo à saúde, através de políticas que reduzam os abismos existentes entre as classes mais ricas e as mais pobres. Nas condições brasileiras, esse é um processo complexo e novo, cujos embates ainda têm se limitado às disputas eleitorais. Se continuarem dentro desses limites, o que se pode esperar é que
Dilma não só dê continuidade ao que o governo Lula implantou, como avance muito mais, porque as condições para isso foram criadas pelo próprio governo Lula.

Ambos também sabem que a luta contra a corrupção é um item importante da agenda política, assim como da agenda policial e judicial. Porém, supor que um governo eleito, tendo como aparato de Estado uma máquina, que há muito criada para servir aos interesses dos poderosos, possa mudar essa situação rapidamente e liquidar a corrupção a curto prazo, é uma ilusão. Num quadro como esse,
Lula legará à Dilma um combate duro contra a corrupção e a necessidade de implantar reformas políticas, tributárias e fiscais, que fechem canos e torneiras que permitem o saque aos recursos dos contribuintes e o vazamento de dinheiro público para o bolso de aproveitadores. Mas não será fácil.

IHU On-Line – O que significa o apoio que veio do PSOL que sugere o voto nulo ou o voto crítico em Dilma?

Wladimir Pomar – Há muito tempo a esquerda e setores progressistas brasileiros sofrem da síndrome de confundir inimigos e amigos. Nesta eleição, foi dramático assistir a pessoas da esquerda ou progressistas apoiando a atual direita, representada pelo PSDB-DEM. Ou, mesmo não a apoiando diretamente, atacando Dilma e o PT como se fossem os inimigos principais. Nesse sentido, a decisão do PSOL em sugerir o voto, mesmo crítico, em Dilma, indica um bom vento de racionalidade política, que aponta para o inimigo verdadeiro.

IHU On-Line – O PT que entrou nessas eleições é o mesmo que sai?


Wladimir Pomar – Nunca se é o mesmo, seja lá quem for. O PT de 1990 não era o mesmo de 1989, o de 2003 não era o mesmo de 2002, e assim por diante. O problema consiste em saber o que realmente mudou e quais os novos desafios que há pela frente. Se Dilma vencer, as mudanças e desafios serão de um tipo. Se Dilma perder, serão de outro. De qualquer modo, o PT terá que fazer uma avaliação mais profunda de sua trajetória e, na melhor das hipóteses, analisar seriamente porque cometeu, no primeiro turno, erros estratégicos que colocaram em risco a vitória na campanha presidencial. O resto talvez seja desdobramento dessa análise estratégica.

IHU On-Line – Como o senhor define o PT de hoje?


Wladimir Pomar – O PT continua sendo a maior expressão da esquerda e dos sentimentos mais profundos dos trabalhadores e das camadas pobres da população brasileira. Nessas condições, ele deve abrigar democraticamente diferentes correntes de pensamento da sociedade brasileira, que possuem as classes populares como seu motivo de existência.

O problema é que isto não basta para dar maior organicidade, ou capacidade de resposta, ao PT. Por exemplo, em seu meio há os que ainda não acordaram para o fato de que, quanto mais o PT se torna uma alternativa de governo e de mudança no sentido democrático e popular, mais complexa e, em grande medida violenta, tende a ser a resposta da oposição de direita e, em certa medida, do centro. O PT terá que se haver com esse aumento de complexidade, tanto no caso da vitória ou derrota de
Dilma.

Por um lado, no caso de vitória, a direita tentará impedir que o governo funcione a contento e avance na implantação de medidas de cunho mais democrático e popular, seja por meio de boicotes, seja por meio de barganhas com alguns aliados atuais do PT. De outro, no caso de derrota, haverá a intensificação dos esforços para simplesmente liquidar o PT como alternativa de governo. Nada diferente do que já foi tentado durante os mais de 30 anos de vida do PT, mas certamente com uma virulência bem maior.


O PT poderá, então, ser definido pelo
grau de mobilização que conseguiu nesta reta final das eleições de 2010, e pelo grau de consciência que o conjunto de seus dirigentes e militantes tiverem a respeito dos desafios que terão pela frente, a partir dos resultados das urnas em 31 de outubro.


Para ler mais:
Fonte: IHU

setembro 27, 2010

A comunicação no Brasil é dominada por "nove ou dez famílias", segundo Lula

Lula: "nove ou dez famílias" dominam a comunicação no Brasil
23 de setembro de 2010 09h16 atualizado às 18h46 


Nota do blog: Leia a entrevista do Lula ao Portal Terra e entenda os motivos de todo o ódio e preconceito despejados pela mídia e direita udenista democrata-cristã deste país a ele, ao seu governo, à Dilma, ao PT. (AM)  

Para Lula, imprensa tem candidato e partido

Antonio Prada
Bob Fernandes
Gilberto Nascimento
Direto de Brasília
A três meses e meio do término de seu governo, o presidente Lula está certo da vitória de sua candidata à presidência da República, Dilma Rousseff, mas recomenda: "cautela". Numa conversa exclusiva de uma hora com o Terra no Palácio do Planalto, Lula, provocado, esmiúça o que pensa da mídia e sobre a mídia. Diz que, de alguma forma, o país tem, terá que discutir e legislar - no Congresso, ele ressalva - sobre o assunto. Para definir como percebe o olhar da chamada grande mídia, Lula resume:
-Eles têm preconceito, até ódio...

video Assista à entrevista de Lula na íntegra
Lula entre aspas: veja as frases do presidente na entrevista ao Terra

 
A ênfase, a contundência no julgamento e comentários quando o tema é este, mídia, são permeadas por gestos e palavras que mostram um presidente da República disposto e pronto para o próximo comício. Bem humorado, carregado de adrenalina. Antes do início da entrevista, Lula quer conversar, diluir ansiedades e tensões.
"Baby...", diz a um jornalista, "pô, que gravador é esse, não tinha um digital?", provoca outro. Segura a gravata de um terceiro, parece admirar o tecido, os desenhos, e opina:
-Mas essa gravata... esses desenhos parecem uma ameba!
O presidente da República faz as honras da casa, pede que se sirva um cafezinho, uma água antes de, atraído para o tema, partir para o ataque:
- Na campanha passada, os caras diziam porque o avião do Lula... porque o Aerolula... (Estavam) disseminando umas bobagens... vai despolitizando a sociedade. Agora, estão dizendo que a TV pública é a TV do Lula. Nunca disseram que a TV pública de São Paulo é do governador de São Paulo e as outras são dos outros governadores...
Para Lula, críticas à falta de liberdade na área de comunicação, mais do que injustas, não têm sentido. Ele diz duvidar que outros países tenham mais liberdade de informação do que o Brasil:
-Nesse momento do Brasil, falar em falta de liberdade de comunicação? Eu duvido. Eu quero até que vocês coloquem em negrito isso aqui. Eu duvido que exista um país na face da Terra com mais liberdade de comunicação do que neste País, da parte do governo.
O presidente se mostra disposto a um duro embate com setores da mídia: - A verdade é que nós temos nove ou dez famílias que dominam toda a comunicação desse País. A verdade é que você viaja pelo Brasil e você tem duas ou três famílias que são donas dos canais de televisão. E os mesmos são donos das rádios e os mesmos são donos dos jornais.
"No Brasil - foi o Cláudio Lembo que disse isso para o Portal Terra -, a imprensa brasileira deveria assumir categoricamente que ela tem um candidato e tem um partido. Seria mais simples, seria mais fácil. O que não dá é para as pessoas ficarem vendendo uma neutralidade disfarçada", cobra Lula.
O presidente sinaliza que mudanças nessa área deverão ser discutidas no Congresso Nacional e poderão ser viabilizadas no próximo governo:
-O Brasil, independentemente de que de quem esteja na Presidência da República, vai ter que estabelecer o novo marco regulatório de telecomunicações desse País. Redefinir o papel da telecomunicação. E as pessoas, ao invés de ficarem contra, deveriam participar, ajudar a construir, porque será inexorável. 

Terra - Presidente, em 1978 o senhor era um líder operário, estava na Bahia em um encontro de petroleiros, no Hotel da Bahia, eu era um estudante de comunicação, ainda tinha AI-5, censura à imprensa. Na década seguinte, nos anos 80 e 90, em inúmeras conversas com o senhor o assunto acabava de alguma forma passando pelo monopólio na mídia. No ano 2002, na véspera da eleição, de novo conversamos sobre isso. Em 2006, a uma semana do senhor ser reeleito presidente, numa conversa o senhor disse que não iria "tirar nada" de ninguém, que isso não seria democrático, mas que a ideia era redistribuir meios, ajudar os meios, ter uma maior diversidade de opinião. Chegando agora, nesta reta final (em 2010) o senhor tem feito críticas duras, dizendo que a imprensa, a mídia tem um candidato e não tem coragem de assumir e, ao mesmo tempo, o contraditório diz que existiria um Projeto Político, projeto vocalizado outro dia pelo José Dirceu, para "enquadrar meios de comunicação". Então, queria que o senhor dissesse o que o senhor realmente pensa disso, e se realmente existe uma expectativa, se existe alguma coisa em relação a isso...
Luiz Inácio Lula da Silva -
Olha, primeiro, na nossa passagem pela Terra... não pelo Terra, pela Terra, a gente ouve coisas absurdas, que a gente gosta e que a gente não gosta. Veja, qualquer coisa nesse País tem o direito de me acusar de qualquer coisa. É livre. Aliás, foi o PT que, no congresso de São Bernardo do Campo, decidiu que era proibido proibir. Era esse o slogan do PT no congresso de 1981. 

Terra - O Caetano vai dizer que é dele...
O que acontece muitas vezes é que uma crítica que você recebe é tida como democrática e uma crítica que você faz é tida como antidemocrática. Ou seja, como se determinados setores da imprensa estivessem acima de Deus e ninguém pudesse ser criticado. Escreveu está dito, acabou e é sagrado, como se fosse a Bíblia sagrada. Não é verdade. A posição de um presidente é tomada como ser humano, jornalista escreve como ser humano, juiz julga como ser humano. Ou seja, temos um padrão de comportamento e julgamento e, portanto, todos nós estamos à mercê da crítica. No Brasil - , e foi o Cláudio Lembo que disse para o Portal Terra -, a imprensa brasileira deveria assumir categoricamente que ela tem um candidato e tem um partido, que falasse. Seria mais simples, seria mais fácil. O que não dá é para as pessoas ficarem vendendo uma neutralidade disfarçada. Muitas vezes fica explícita no comportamento que eles têm candidato e gostariam que o candidato fosse outro. Tiveram assim em outros momentos. Acho que seria mais lógico, mais explícito. Mas, eles preferem fingir que não têm lado e fazem críticas a todas as pessoas que criticam determinados comportamentos e determinadas matérias. 


Terra - Então, não existiria nenhum projeto futuro...
Se existir uma idéia, ela será discutida pelo próximo governo. Pelos próximos governos. Ela será decidida pelo Congresso Nacional , porque é impossível você imaginar fazer uma coisa que discuta comunicação se você não passar pelo Congresso. Quando nós tomamos a decisão de fazer a Conferência da Comunicação - nós já fizemos conferências de tudo que você possa imaginar, até de segurança pública -, quando fizemos a Conferência de Comunicação, alguns setores das comunicações participaram, algumas tevês participaram, algumas empresas telefônicas participaram e muitos jornais participaram. Ela foi feita a nível municipal, a nível estadual e nível nacional. Determinados setores da imprensa não quiseram participar e começaram a achar que aquilo era antidemocrático, que aquilo era não sei das contas. Eu não sei qual é a preocupação que as pessoas têm de a sociedade discutir comunicação. Uma legislação que está regulamentada em 1962. Portanto, não tem nada a ver com a realidade que nós temos hoje, com os meios de comunicação que nós temos hoje. Com a agilidade da internet, por exemplo. Então, o que nós achamos é que o Brasil, independentemente de quem esteja na Presidência da República, vai ter que estabelecer o novo marco regulatório de telecomunicações desse País. Redefinir o papel da telecomunicação. E as pessoas, ao invés de ficarem contra, deveriam participar, ajudar a construir, porque será inexorável. Ninguém tinha a dimensão há 15 anos atrás do que seria a internet hoje. Ninguém tinha. Ninguém tem a dimensão ainda do que pode ser a TV digital. E a pluralidade que ela pode permitir de utilização dos canais de televisão. Então, discutir isso é uma necessidade da nação brasileira. Uma necessidade dos empresários, dos especialistas, dos jornalistas, ou seja de todo o mundo para ver se a gente se coloca de acordo com o que nós queremos de telecomunicações para o futuro do País.


Terra - Como essa discussão quase sempre se dá em meio a campanha, a gente não tem a oportunidade de falar assim tão claramente. O que mais incomoda o senhor: é a cobertura (ser) crítica de um lado e não existir a investigação sobre os demais candidatos? Seria isso?
Não, não. Veja, Bob você me conhece há muito tempo e sabe o que eu tenho afirmado. Só existe uma possibilidade no meu governo de alguém não ser investigado. É não cometer erro. Se cometer erro, tem de ser investigado. Isso vale para todo mundo. Agora, eu acho que a imprensa presta um papel importante. 


Terra - O senhor está dizendo que ela é desequilibrada? Só está cobrindo um lado e não está cobrindo...
É que eu acho que a imprensa está cumprindo um papel importante quando ela denuncia. Por que? Ou você sabe porque alguém denunciou, ou você sabe porque alguém cobriu ou você sabe porque saiu na imprensa. Quando sai alguma coisa na imprensa você vai atrás. Você vai, então, apurar. De tudo aquilo que é uma feijoada, o que é feijão, o que é carne, o que é costela, o que é carne seca. Você vai separar as coisas para saber o peso de cada uma. E é exatamente o que a gente faz nesse governo. Ou seja, eu vou te dar um exemplo, sem citar jornal. Na campanha passada, os caras diziam, "porque o avião do Lula...", porque o Aerolula... Passando para a sociedade, disseminando umas bobagens, vai despolitizando a sociedade. Agora, estão dizendo que a TV pública é a TV do Lula. Nunca disseram que a TV pública de São Paulo é do governador de São Paulo e as outras são dos outros governadores. Agora, uma TV para um presidente que está terminando o mandato daqui a três meses, é a TV Lula. Ou seja, esse carregamento de...composto de ...de muita ...de muita, eu diria, de muito preconceito ou de muita até, eu diria até, às vezes, ódio, demonstra o que? O velho Frias (Octavio Frias de Oliveira, publisher da Folha, falecido em abril de 2007) me dizia: "Lula, o pessoal do andar de cima não vai permitir você subir lá...". Quem me dizia isso era o velho Frias repetidas vezes: "Lula, cuidado, o pessoal do andar de cima não vai permitir você chegar naquele andar...". Sabe? Então, o pessoal se comporta como se o pessoal da Senzala tivesse chegando à Casa Grande. E ficam transmitindo uma coisa absurda. Nesse momento do Brasil, falar em falta de liberdade de comunicação....? Nesse momento do Brasil! Eu duvido, duvido. Eu quero até que vocês coloquem em negrito isso aqui: Eu duvido que exista um país na face da Terra com mais liberdade de comunicação do que neste País, da parte do governo. Agora, a verdade é que nós temos nove ou dez famílias que dominam toda a comunicação desse País. A verdade é essa. A verdade é que você viaja pelo Brasil e você tem duas ou três famílias que são donas dos canais de televisão. E os mesmos são donos das rádios e os mesmos são donos dos jornais... 


Terra - Nos municípios, isto tem uma capilaridade: o chefe político tal...
Então, muita gente não gostou quando, no governo, nós pegamos o dinheiro da publicidade e dividimos para o Brasil inteiro. Hoje, o jornalzinho do interior recebe uma parcela da publicidade do governo. Nós fazemos propaganda regional e a televisão regional recebe um pouco de dinheiro do governo. Quando nós distribuímos o dinheiro da cultura, por que só o eixo Rio-São Paulo e não Roraima, e não o Amazonas, e não o Pernambuco, e não o Ceará receber um pouquinho? Então, os homens da Casa Grande não gostam que isso aconteça. 


Terra - A propósito de "Casa Grande", sociologia etc..., na semana passada um importante sociólogo, Fernando Henrique Cardoso, evocou Mussolini ao se referir ao senhor como chefe de uma facção. Chegando ao final desses 16 anos (governos FHC e Lula), o senhor acha que ainda existe...
Eu acho que, sinceramente, as pessoas deveriam olhar para o Brasil e olhar para os outros países. E todo o mundo deveria agradecer a Deus o Brasil ser do jeito que ele é, o Brasil ter o governo que ele tem e ter o povo que tem. Eu lembro que o João Roberto Marinho, quando voltou da eleição do México passada, numa conversa que teve comigo falou: "Ô presidente, eu estava no México e foi de lá que eu aprendi a valorizar a democracia no Brasil. Porque, aqui no Brasil, todo mundo acata o resultado. Lá no México, eu vi um milhão de pessoas na rua contra o resultado eleitoral". Ou seja, aqui no Brasil nós não corremos esse risco. Porque esse País tem um outro jeito de exercitar a democracia. E a democracia ela só será exercitada - vocês estão lembrados que eu dizia quando era líder sindical ainda -, democracia não é o povo ter o direito de gritar que está com fome, democracia é o povo ter direito de comer. Nós estamos chegando lá, estamos chegando lá, então as pessoas, sabe, que talvez tenham problemas ideológicos, problemas de preconceito, ou seja, que não admite que...meus queridos, vejam o que vai acontecer amanhã, sexta-feira; a Bovespa, que tinha ódio de mim, e quando tinha medo de mim ela tinha apenas 11 mil pontos, hoje já chegou a 72 (mil pontos), já chegou a 68 (mil pontos). Ou seja, acima dos 60 mil pontos. E vai exatamente um presidente da República, que tanta gente tinha medo, fazer a maior capitalização da história da humanidade. Ouso dizer: nunca antes na história do planeta Terra houve uma capitalização da magnitude do que vai acontecer na sexta-feira, sabe, com a minha presença. 


Terra - E isso lhe dá um prazer especial?
Me dá. Me dá um prazer especial porque é um sucesso do Brasil, é um sucesso da Petrobrás, é um sucesso do investimento em tecnologia, é um sucesso de acreditar neste País. Mas na verdade é o sucesso da ascensão do Brasil no mundo. Ou seja, quem acompanha a imprensa internacional percebe que hoje nós ocupamos na imprensa internacional num mês aquilo que a gente não ocupava em três décadas, há pouco tempo atrás. Porque no Brasil, as pessoas precisam aprender uma coisa: ninguém respeita quem não se respeita. E muita gente do Brasil costumava chegar nos Estados Unidos ou na Europa de cabeça baixa, se achando um ser inferior. 


Terra - Tirava o sapato...
É. Eu, quando eu tomei posse, disse para os meus meninos: se alguém tirar o sapato, se eu souber, porque também não vou, não estou com eles, mas também se chegar lá para tirar o sapato é melhor vir embora. Porque eu mando embora. A única coisa que eu acho que vai acontecer lá é o seguinte: o Brasil vai sair mais honrado deste processo, o Brasil vai sair mais forte e não vai ser o Lula que vai ganhar, o Lula está fora disso em dezembro, meu filho.



Terra - O senhor está se referindo a isso por causa da pergunta, Mussolini...?
É, por causa disso, ou seja, eles confundem populismo com popular. Eles não sabem o que é popular porque eles nunca tiveram perto do povo. Essa gente, essa gente que não gosta de mim, na época das eleições até sorri pros pobres, até fazem promessa pros pobres, mas depois das eleições... o pobre passa perto deles um quilômetro. Então, sabe, isso é uma confusão maluca entre o populismo e o popular. O que é o populismo? É um cara, sabe, que não tem nada a ver com ninguém e aparece fazendo promessas, aparece fazendo política demagógica. Não é o nosso caso. Todas as políticas minhas são decididas, Bob... Já foram 72 conferências nacionais, conferências que começam lá no município, vai para o Estado e vem pra cá. Algumas conferências participaram 300 mil pessoas até chegar na conferência nacional. E aí nos decidimos as políticas públicas. Então eles...obviamente eu acho que tem muita gente incomodada e eu não tenho culpa, eu não tenho culpa. Sabe, tirar deles incomodou muita gente no Brasil. A Coroa Portuguesa durante muito tempo ficou incomodada por conta daqueles que diziam que era preciso mudar. Ficaram incomodados até com Dom Pedro quando ele quis mudar. Por que não ficar comigo? 


Terra - O Brasil mudou e eu faço a seguinte pergunta, quer dizer, a política brasileira mudou? O senhor antigamente falava muito em reforma política, que era uma das bandeiras e hoje a gente vê os partidos enfraquecidos. Como o senhor avalia hoje a política, a necessidade da reforma política e um adendo: em uma viagem ao Pará, nas vésperas da eleição passada, em um vôo o senhor disse na entrevista que uma das suas primeiras medidas que o senhor tentaria seria a reforma política. Por quê não saiu? Por que é tão difícil de fazer?
Porque a reforma política não é uma coisa do presidente da República. A reforma política é uma coisa dos partidos políticos. E do jeito que os partidos se comportam parece que a gente tem um monte de partidos , todos criticando, sabe, a legislação que regulamenta a política no Brasil. Todo mundo quer uma reforma política, mas ninguém mexe. Porque desagrada a muita gente. Então, veja, eu mandei duas propostas de reforma, de coisas que precisariam mudar para poder melhorar a política brasileira e que não foi votado. Nós mandamos, por exemplo, a regulamentação do financiamento de campanha, para acabar com o financiamento privado e ficar com financiamento público, que na minha opinião é a forma mais honesta de se fazer campanha neste País, a fidelidade partidária... porque o que é o ideal? É você ter partido forte para você negociar com partido. Isso faz parte da democracia. Quando você faz coalizão com partido político você estabelece regras nesta coalizão, você partilha um poder com essa coalizão. Agora, do jeito que está é quase que impossível, porque a direção dos partidos não representa mais os partidos. O líder da bancada não representa mais a bancada, ou seja se criou grupos de deputados, grupos por região, grupos...ou seja, e está muito difícil para eles próprios...então, o que eu acho? Quando eu deixar a presidência, eu quero, primeiro dentro do PT, convencer o PT da necessidade de fazer uma reforma política, convencer os partidos da base aliada do governo da necessidade de se fazer uma reforma política neste País pra que a gente não fique com legenda de aluguel, como nós temos agora. 


Terra - Na semana passada, o Lembo disse até naquela entrevista, primeiro que a oposição vai estar em frangalhos nas urnas e ele é do DEM, e que na verdade não vão existir praticamente partidos, só o movimento social e que seria liderado pelo senhor. O senhor concorda?
Eu não concordo porque eu não sou líder do movimento social, eu sou um dirigente partidário. O movimento social tem suas lideranças próprias. Agora, eu acho que...eu não concordo com o Lembo que não tenha partido político, o PT é um grande partido político. Nas pesquisas da opinião pública, o PT aparece com 30% de preferência em qualquer pesquisa que se faça. Demonstração de que isso é um partido, sabe, como poucas vezes no mundo você teve um partido assim, você teve um PRI, um partido comunista mexicano que era extremamente forte e aí sim era populismo, você tinha um partido comunista italiano que tinha 30% dos votos e que era um baita de um partido na Itália, embora nunca tenha chegado no poder, você tinha a social democracia que revezava o poder em uma parte da Europa, os socialistas franceses que revezavam. E você tem no Brasil o PT que é um partido organizado nacionalmente e muito forte. Agora, eu acho que as reformas, elas se darão por dentro dos partidos políticos, dentro do Congresso Nacional. E ela se dará porque nós não precisamos ter uma legenda que aluga na época da eleição, que tem horário de televisão... 


Terra - Tiririca é um símbolo disso?
Veja, eu acho...eu não sou contra... 


Terra - Como representação, não é demonizando...
Ele tem um partido, ele pode ser filiado no partido como qualquer outra pessoa. Deixa eu lhe falar... o Tiririca é um cidadão que representa uma parcela da sociedade brasileira. 


Terra - Mas um voto de protesto...
Eu não sei se é voto de protesto, ele pode surpreender, sabe...eu acho legal o Romário estar entrando na política, acho legal o Bebeto estar entrando na política, o Marcelinho...porque, veja, a política antigamente o que era? Antigamente a política era advogado, professor, funcionário público e empresário. Ora, se você tem jogador de futebol, você tem movimento indígena, você tem...todo mundo tem que se apresentar e o Congresso estará melhor representado . Se eles trabalharem corretamente, serão valorizados. Se as pessoas não trabalharem corretamente, no próximo mandato cairão fora como já provou a história da humanidade e aqui neste País. Então, eu estou tranquilo com relação à necessidade da reforma política, ou seja, a cada dia uma pessoa só cria um partido político. Agora, na época da eleição você precisa normatizar quem é que participa do que, porque quando nós fomos criados em 80 nós tínhamos que legalizar o partido em 15 Estados e dentro de cada Estado em 20% dos municípios. Era um trabalho imenso e ter 3% de voto, sabe, para governo em 82. Não foi fácil chegar e nós fizemos. Então é preciso criar parâmetros para as pessoas organizarem. Você não pode, ou seja, você não tem um partido político, daqui a pouco os deputados são eleitos por um partido tal, antes de tomar posse, já mudaram de partido. Ou seja, você fez uma negociação com o partido que tinha 20 deputados, daqui a pouco esse partido tem 10 e a negociação está feita. Como é que fica? 


Terra - Presidente, que PT é esse que neste momento da política brasileira sairá das urnas? E, segunda pergunta, onde o PT, que teve momentos de altos e baixos acentuados durante o seu mandato, onde acertou e onde errou?
Primeiro, o PT tem pouca ingerência no governo, sabe. Quando você ganha um governo, você governa, e na minha o partido tem até liberdade de em vários momentos não concordar com o governo e até fazer oposição ao governo, criticar o governo, sabe? Nós perdemos muita gente que foi do PT porque não concordou com a reforma da previdência do setor público que nós começamos a fazer em 2003. Isso faz parte também da história política do mundo inteiro. Foi assim no partido socialista francês, no alemão, no sueco, no partido democrata americano, acontece em todos os partidos políticos. Eu acho que o PT deu uma ajuda muito grande agora quando aceitou a indicação da ministra Dilma como presidente, ou seja, havia quem dissesse que o PT queria criar caso, que o PT queria uma liderança histórica, alguém com mais vínculo, e o PT aceitou tranquilamente a Dilma e eu acho que PT tomou a decisão madura e coerente, sabendo a minha relação com o PT e o peso do governo na decisão do processo eleitoral. Eu acho que foi uma decisão madura e, obviamente que, muitas vezes aceitando aquilo que a gente fazia no governo. Porque, qual é o problema do governo? Quando você chega no governo, você não participa mais da decisão de um partido. Eu, faz oito anos, sete anos, que eu não vou numa reunião do partido. Porque eu tomei como decisão de que, ao ser eleito presidente da República, eu não poderia governar para o PT, eu não poderia enxergar o mundo apenas pelo PT, eu tenho que enxergar o mundo pela pluralidade da política brasileira e da sociedade brasileira. Então, eu estabeleci uma forte relação com os trabalhadores, é verdade. Mas estabeleci também uma forte relação com os empresários, estabeleci uma relação muito forte com os setores médios da sociedade, porque é isso que é a sociedade brasileira. Ela não é apenas, sabe, vermelha ou azul ou verde. Ela é muito mais colorida do que tudo isso e o presidente da República tem que ficar com uma espécie de magistrado. Agora, quando chega época de eleição não é possível o presidente da República ficar como magistrado porque eu tenho um lado. Eu tenho um partido e tenho candidato. 


Terra - O senhor tem sido muito cobrado por estar interferindo na eleição....
Deveria ser, deveria ser cobrado quem perdeu. Quem não conseguiu fazer o sucessor, porque o sucessor é uma das prioridades de qualquer governo para dar continuidade a um programa que você acredita que vai acontecer. Imagina se entra no Brasil para governar alguém que resolve querer voltar e privatizar a Petrobrás? (pausa) Onde vai o pré-sal? Ou alguém que resolva não mudar a lei e permitir que a lei do petróleo continue a mesma? A gente sabendo...o contrato de risco é quando a gente corre riscos. Mas quando a gente sabe onde tá bichinho do ouro preto, por que a gente vai fazer contrato de risco? Então, nós temos que se apoderar desta riqueza a bem do povo brasileiro, é um patrimônio do povo, não é um patrimônio da Petrobrás. Então, nós temos medo de que este País sofra um retrocesso. Por isso que eu tenho candidato. Seria inexplicável para a sociedade se eu entrasse numa redoma de vidro e falasse: olha, aconteça o que acontecer nas eleições, o presidente da República não pode dar palpite. Mas nem para escolher o Papa acontece isso. 


Terra - Presidente, essas eleições já estão definidas?
Olha, nunca existe eleição decidida. Eu sempre acho que eleições e mineração a gente só sabe disso depois do resultado. Abriu a urna, agora não tem urna para abrir... 


Terra - Mas tem o negócio de identidade (carteira de identidade) que pode complicar...
Olha, teria problema de identidade se você não tivesse elevado 36 milhões de pessoas da classe C. Esse povo agora está comprando, esse povo está entrando na loja, está fazendo crédito esse povo tem documento, fotografia... O que eu acho extremamente importante é que nesse processo eleitoral, a gente precisa primeiro ter muita cautela. Esse é o momento de um time que está ganhando de dois a zero. O adversário está dando botinada, está chutando no peito, está chutando na canela, o juiz não está apitando falta e nós não podemos perder a cabeça, porque o que eles querem é expulsar alguém do nosso time, para a gente ficar em minoria. Então, agora é muita cautela, vamos fazer troca de passes entre nós, vamos fazer a bola correr. Como dizia o Parreira, quando estava dirigindo o Corinthians, nós vamos ficar dominando a bola, ou seja, o tempo que a gente estiver com a bola é o tempo que a gente não toma gol...


Leia a segunda parte da entrevista


Fonte: Terra

setembro 26, 2010

Marina Silva vende caro sua derrota. Lástima!

Nota do blog: Restam duas balas de pratas para serem cravadas no coração da campanha de Dilma Roussef. Na verdade, a primeira , como se pode ver, é verde. Tem como alvo o presidente da república e seus companheiros do PT. A dúvida é se Marina da Silva prestou-se a esse papel por estupidez política ou por má fé. Pelo sim, pelo não, definitivamente ela atira sua biografia no lixo ao fazer o jogo da direita mais reacionária deste país. Bem diz Leandro Fortes: "Marina, morena Marina, você se pintou... de verde-oliva. Virou a musa do golpismo light da direitinha envergonhada que assina a Folha". Descanse em paz, Marina!

***

ENTREVISTA MARINA SILVA
Estúpidos são os que não aprendem nem com os seus erros
CANDIDATA DO PV AFIRMA QUE O PT NÃO TOMOU NENHUMA PROVIDÊNCIA PARA EVITAR QUE OUTRO ESCÂNDALO OCORRESSE DENTRO DA CASA CIVIL

BERNARDO MELLO FRANCO
DE SÃO PAULO

Leia os principais trechos da entrevista.



 
 
Folha - Como a sra. vê a série de escândalos que marca esta reta final da campanha? 

Marina Silva -
Tivemos, na história do Brasil, sucessivos casos graves de corrupção e tráfico de influência. Houve a compra de votos para a reeleição, no governo Fernando Henrique Cardoso. Depois o mensalão, no governo Lula.
Sábios são os que aprendem com os erros dos outros, e estúpidos são os que não aprendem nem com os próprios erros. Os partidos que estiveram no poder tiveram a oportunidade de aprender, mas as pessoas sempre são tentadas a se colar nos ganhos e nos acertos. Quando acontecem os erros, aí não é responsabilidade sua. 


O PT aprendeu com o caso do mensalão?

Uma parte do PT aprendeu muito. Outra parte parece não ter aprendido. As denúncias que surgiram nos últimos dias revelam isso. Ficam tão focados no que serve para faturar eleitoralmente que não tratam dos problemas.
Você não pode negligenciar os problemas, mesmo que isso renda desconforto político e perda de popularidade. As coisas que precisam ser feitas têm que ser feitas. 


O que a incomoda mais?

O que incomoda é que houve uma crise grave em 2005 e agora essa crise se repete de novo. Não foi tomada nenhuma medida para evitar que isso acontecesse de novo na Casa Civil. Em cima da figura do presidente, que precisa ser protegida desse tipo de coisa. Um ministro da Casa Civil [José Dirceu] já tinha caído por causa disso, e o erro se repete novamente. 


Os casos são comparáveis?

Um era mensalão e o outro é tráfico de influência. Mas são graves do mesmo jeito. Gravíssimos. 


A sra. afirmou que só critica o Bolsa Família quem não sabe o que é passar fome. A oposição passou muitos anos batendo no programa. Ela se distanciou do povo?

Houve falta de sensibilidade para um problema grave, que precisava ser enfrentado. Isso se revela nos discursos, mas também na ausência de políticas consistentes para esses segmentos da sociedade durante muitos anos [no governo tucano].
Agora vejo o candidato José Serra dizendo que vai dobrar o Bolsa Família, dar o décimo-terceiro do Bolsa Família. Pergunto se o partido dele [PSDB] e o DEM, que criticaram tanto o programa, estão fazendo uma revisão, ou se é só em função da eleição. 


O eleitor percebe isso?

As pessoas percebem quando você está levantando uma questão como compromisso, e não apenas como promessa. Quando você está reconhecendo um ganho real ou está fazendo uma apologia para faturar. 


A sra. ficou sozinha na defesa do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso...

As pessoas perguntam por que falo do Plano Real e do FHC, se nem o Serra o defende. Dizem que tira voto. Não falo para ganhar voto, falo porque é justo. Reconhecer ganhos do Real e da política social de Lula é ter um olhar honesto para a História. 


Serra foi para o ataque, mas a sra. foi quem cresceu com os escândalos. Por quê?

Porque sou a terceira via que o eleitor está buscando. O eleitor compreendeu que a Dilma e o Serra são muito parecidos, que as alianças que eles têm são mais do mesmo. Há uma repetição quase neurótica do discurso político, sem nada de novo.
O eleitor está cansado de ver isso. Ele quer alguém que olhe para as questões graves e não faça discurso populista para faturar a eleição, dizendo que vai resolver tudo num passe de mágica. Agora as pessoas prometem tudo. A gente tem que respeitar a inteligência do cidadão. 


Serra prometeu elevar o salário mínimo a R$ 600 e criar o 13º do Bolsa Família. É disso que a sra. está falando?

Estou falando de ter uma plataforma, em vez de evitar ter um programa e ficar fazendo uma colagem de promessa atrás de promessa. Aí não tem critério. O céu é o limite. "Não subiu o suficiente [nas pesquisas]? Então vou prometer mais, mais e mais".
Você tem que pensar no limite das contas públicas, na possibilidade de implementar o que está dizendo. Não estou fazendo o discurso fácil. Se ganhar, quero ganhar ganhando, e se perder, quero perder ganhando. 


O que é perder ganhando?

É quando você sai do processo maior do que você entrou. E nem precisa ser maior eleitoralmente, em quantidade de votos. Significa que você não vendeu seus princípios. Manteve uma atitude digna, justa, inclusive na relação com os concorrentes.
Quando saí do Ministério do Meio Ambiente, as pessoas disseram: "Poxa, a Marina saiu maior do que entrou". Naquele momento, parecia que eu tinha perdido a batalha para o Mangabeira [Unger], o [Reinhold] Stephanes, o Ivo Cassol. Aí eu disse: a derrota ou a vitória se mede na História. Eu me sinto vitoriosa hoje, porque o desmatamento segue caindo.



A subida de Dilma a surpreendeu? Imaginava que seria tão difícil enfrentá-la?

Nunca subestimei ninguém. Sempre soube da força que teria o partido [PT], o presidente Lula. Mas a decisão é do cidadão.



Não é impossível vencer uma candidata apoiada por um governo tão popular?

O projeto pode continuar com outro candidato. As pessoas precisam ter segurança disso, e eu passo essa segurança pela minha origem, pela minha trajetória. Se foi possível ao presidente Lula manter os ganhos do Real, porque não será possível a mim manter o Bolsa Família? 


O PV está aliado ao PSDB no Rio, e agora seus candidatos ao Senado fazem dobradinha em São Paulo. Hoje, Serra é o mais cotado para ir ao segundo turno. A sra. o apoiaria?

Segundo turno se discute no segundo turno. Sinto que a minha candidatura é o segundo turno viável. 


Sua candidatura cresce entre os mais ricos. Teme ser refém de uma moda ecológica?

As pessoas mais simples têm uma identificação natural quando conhecem minhas ideias, minha trajetória.
Há uma dificuldade sim, de estrutura. É uma luta de Davi contra Golias, se comparar as candidaturas. O que me anima é que Davi ganhou a luta com uma pedra, acertando a pedra no lugar certo.


Fonte: Folha de S. Paulo

Nota do blog: A imagem acima, postada em contextolivre.blogspot.com , é uma cortesia do PICICA.

maio 11, 2010

Entrevista com Marcelo Branco, ativista do software livre

[ Amalgama ] 

a Victor Barone


Eram 15h20 de terça-feira, 4 de maio, quando me acomodei no banco traseiro do veículo que levaria Marcelo D’Elia Branco para o Aeroporto Internacional de Campo Grande (MS), após ter participado do evento “As redes sociais na campanha do PT”. Gaúcho de Porto Alegre, 49 anos, Branco é ativista do software livre e foi por três anos diretor-geral da Campus Party Brasil, maior evento de internet do país. Recentemente, assumiu a missão de comandar as estratégias de redes sociais da pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff. A entrevista, generosamente concedida durante os 20 minutos que separam a universidade sede do evento e o aeroporto da capital sul-mato-grossense girou em torno da relação entre as redes sociais, a política e o Jornalismo.
*
Amálgama: Como você analisa o momento atual da liberdade de expressão na internet brasileira?
Marcelo Branco: Acho que a internet, com a mudança da legislação eleitoral, vai introduzir milhões de brasileiros na cena política. Não só como espectadores, ou como militantes, mas como voz ativa. Pessoas vão poder manifestar sua opinião através de textos, fotos e até através do áudio-visual. Acho que isso qualifica a democracia brasileira, pois coloca foco em pessoas que não teriam a oportunidade de se expressar de forma plena em uma campanha eleitoral. Acho que isso devolve aos apoiadores das campanhas políticas a direção sobre os seus rumos, pois a campanha na internet não consegue ser centralizada. O ritmo e a dinâmica da campanha vai estar muito em função do que estes apoiadores estarão fazendo na rede. As opiniões que eles colocarão na internet, nas redes sociais é o que vai direcionar os rumos da campanha. Acho que é muito importante para o aprofundamento da democracia brasileira esta possibilidade de indivíduos conectados em rede se expressarem sobre o momento político que estamos vivendo. Esta compreensão nova dos legisladores, de que a internet não é a mesma coisa que um meio de comunicação de massa por concessão pública, que precisava ser regulamentada de forma rígida, o entendimento de que a internet é um espaço de expressão individual, foi uma grande vitória para a democracia brasileira.


Você aposta, então, na força da comunicação horizontal? Acredita que as pessoas nas redes sociais terão voz com poder suficiente para fazer frente à mídia tradicional?
Sim. Acho que isso já está acontecendo, pois pela primeira vez a plataforma tecnológica do usuário, do público é a mesma que a do veículo. Se o veículo é uma rede de tevê poderosa e tem um blog, um Twitter, o público desta rede de tevê também tem um blog e um Twitter. Então, pela primeira vez, público, editores e empresas jornalísticas estão conectados na mesma matriz de mídia. Isso exige uma comunicação horizontal, um controle maior do público sobre as notícias que estão sendo publicadas. Este público vai poder intervir. Aquela soberba do jornalista ou do veículo de até mesmo destruir personalidades, atacar pessoas ou criar fatos, isso não é mais assim. Se um blogueiro, mesmo que seja de um grande veiculo, resolve atacar alguém de forma injusta, milhares de pessoas se manifestarão através de blogs e do Twitter, contestando aquela atitude. Uma noticia mal colocada poderá ser retrucada com fatos, vídeos, provas.

Algum exemplo?
Acho que isso aconteceu já nessa campanha, quando a Dilma esteve no ABC, falou sobre quem tinha fugido da luta e o jornal Folha de S.Paulo inventou uma frase dizendo que ela se referia aos exilados políticos. Isso foi contestado pela própria Dilma no Twitter. Ela foi lá e disse: “eu não falei isso”. Eles não levaram em conta, não deram bola. Aí, quando ela mostrou o vídeo do discurso, dando provas concretas, com fatos, de que ela não tinha falado nada em relação aos exilados políticos, pelo contrário, isso obrigou o jornal a reescrever aquele fato dizendo que a Dilma não havia dito aquilo que eles tinham publicado. Então, isso vai acontecer centenas de vezes durante a campanha eleitoral. A necessidade de que a verdade, os fatos desmintam possíveis noticias que interpretem mal uma realidade.


Por outro lado, esta fragmentação da informação também esbarra na audiência. O microcosmo deste ambiente virtual terá voz ativa?
Acho que o somatório destes microblogueiros sim. Mas é óbvio que audiência e credibilidade são coisas que se constroem ao longo do tempo. Então, quem tem ao seu lado uma coluna em um jornal diário tem mais chance de ter audiência na internet do que quem não tem. A internet não acaba com as desigualdades, mas acho que ela estabelece uma possibilidade de pessoas ganharem esta credibilidade na rede, influírem e muitas vezes pautarem os meios de comunicação. Isso tem acontecido nos últimos tempos. Vários fatos comprovam que a simples manifestação de pessoas nas redes sociais tem feito os veículos de comunicação corrigirem informações, em alguns casos até pautando estes veículos.


Até que ponto é válido para o Jornalismo ser pautado pelas redes sociais?
É um aprendizado importante. Que os jornalistas estejam sintonizados com a opinião dos leitores e não só com a opinião do dono do jornal. As redes sociais possibilitam esta relação na qual o jornalista precisa, cada vez mais, estar sintonizado com o público. Se o cara escreve num jornal, tem um programa na tevê, penso que ele não precisa se importar com o que o público está pensando dele. Ele se importa mais com o que o dono do veículo pensa dele, pois é desta forma que ele vai continuar trabalhando no veiculo. No caso da interação com as redes sociais é diferente. Se o cara começa a falar muita coisa que desagrada o público e esse público começa a se manifestar nas redes sociais, isso pode impactar na audiência do programa, da coluna, do espaço que ele tenha na mídia tradicional. Acho saudável para a comunicação essa possibilidade do jornalista ter a crítica e saber que nem sempre o profissional de comunicação é dono da razão. Muitas vezes, o público tem razão em relação à forma como está sendo feita uma cobertura e ele pode dizer: “olha, isso não está certo”. E isso tem acontecido. Os próprios veículos têm estimulado que o público faça a cobertura mandando informações, fotos.


Você considera positivo o chamado “jornalismo cidadão”?
Claro, acho positivo. A internet está questionando o papel do intermediário e não é só no jornalismo. Na indústria fonográfica foi assim. Ela fazia a intermediação entre o artista e o público. Toda a intermediação está sendo questionada. O jornalista intermediava a relação entre o fato e o veículo; e o veículo intermediava a relação entre o público e o fato. Então, tinha a intermediação do jornalista, que chegava com o fato no veículo, e do veículo, que intermediava este fato junto ao público. Hoje não. Hoje qualquer indivíduo em uma esquina com um smart phone nas mãos pode publicar algo. Se vai ter muita ou pouca audiência é outra discussão. Mas existe esta possibilidade. Então, o papel do intermediário, todo intermediário, tem que ser rediscutido. Acho que o papel do jornalismo pós internet, precisa ser rediscutido também.


E como fica a qualidade, a precisão da informação?
Isso é outra coisa que eu discuto. Quem garante que a qualidade de informação nos grandes veículos, nos grandes jornais, é boa? Quem sabe se a construção colaborativa de conteúdos não pode garantir uma qualidade melhor? Há o exemplo do próprio software livre. Os softwares feitos de forma comercial por grandes corporações são, sob o ponto de vista da qualidade técnica, muito inferiores aos softwares feitos por milhares de mãos, de forma colaborativa. Portanto, acho a notícia colaborativa interessante também. E o profissional não perde seu espaço. Ele terá a capacidade de elaborar textos mais articulados, artigos mais densos, que uma pessoa que não é profissional, que não tem formação nem experiência não conseguiria fazer. Esta cobertura do dia a dia será feita cada vez mais por pessoas que não tem a formação profissional em Jornalismo.


Você tem posição formada quanto à obrigatoriedade do diploma específico para o exercício do Jornalismo?
Acho que não há necessidade. Respeito a posição dos sindicatos dos jornalistas. Mas, como rato de internet que sou não posso concordar que o diploma seja um elemento chave para o Jornalismo, assim como não concordo que o diploma de analista de sistemas seja essencial para alguém exercer esta profissão. Fosse assim eu não poderia exercê-la, pois não tenho o diploma de ciência da computação e trabalho há 31 anos com isso.


Como você se informa?
Há 25 anos que eu não tenho tevê em casa. Então, nos últimos 25 anos não me informei pela tevê. Só assisto em quarto de hotel, em aeroporto. Eu lia jornais impressos até uns 10 anos atrás, mas tem quase isso que não assino nenhum jornal. Jornal eu pego por aí, mas não assino. Minha informação se dava, então, a partir da internet, dos portais, até três anos atrás. Foi quando passei a me informar exclusivamente pelo Twitter. Não que eu não leia informações da Folha Online, do G1, do Estadão Online. Eu leio o que eles publicam, mas a partir da minha rede de relacionamentos na internet. Pois as pessoas que a integram são relevantes, elas me mandam informações relevantes. Eu sigo jornalistas da grande imprensa, sigo amigos que não são jornalistas, mas que lêem muito o quê está sendo publicado nos portais. Mas, não busco informações diretamente nos portais. Acho que a era dos portais está acabando.


O Twitter é uma boa base de dados para filtrar informações?
O Twitter é o filtro perfeito. No twitter, se alguém me manda informação que eu não concordo eu paro de seguir. Então, se eu seguir 100 pessoas relevantes no Twitter – e hoje estou seguindo mais em função da campanha – estarei informado sobre tudo. E não significa seguir só aqueles com quem a gente concorda politicamente, isso é um erro. Tem fontes de informações que para mim são extremamente relevantes, mas que não concordam comigo em vários aspectos da política e da vida. Mesmo assim, são pessoas que trazem informação de qualidade. No Twitter eu não sou obrigado, como em um jornal ou um portal, a ver tanta coisa mal escrita, tanta coisa que eu não quero ler, mas que sou obrigado para chegar à informação que eu quero. O Twitter está fazendo uma revolução na comunicação, no Jornalismo, exatamente por ser o filtro perfeito. Eu só vou ler aquilo que as minhas fontes de informação, as fontes que eu considero relevantes estão publicando. Acho que isso é muito importante. Tem três anos que minha única fonte de informação é o Twitter. Se não vier pelo Twitter muitas vezes eu não fico sabendo.


Como você analisa o uso das redes sociais pela política partidária? Muita gente desconfia da presença do político nestas ferramentas.
É natural. As pessoas desconfiam dos políticos em todos os âmbitos. Na internet também, nas redes sociais também. É um novo espaço de convivência. Assim como as pessoas desconfiam das marcas e dos produtos, as agências de publicidade estão lá, presentes comercialmente no Twitter, no Orkut, no Facebook tentando posicionar seu produto. Com os políticos é o mesmo. É natural que eles queiram ocupar seu espaço nas redes sociais. Vai ter quem apóie isso e quem fique contrariado. Mas, nas redes sociais a gente segue e é amigo de quem a gente quer seguir e ser amigo. Essa é a diferença. Há pessoas que vão querer ser amigos no Orkut de políticos para ver o que eles estão fazendo. Há pessoas que vão querer seguir políticos no Twitter, pois consideram relevante acompanhar o dia a dia destes políticos. E há pessoas que não querem isso. As redes sociais são assim. É diferente do e-mail, onde você recebe um monte de informações indesejadas. As redes sociais são uma nova forma de relacionamento. Rede social não é só Twitter, Orkut ou Facebook. São novas formas de relacionamento que a humanidade está experimentando desde o surgimento da internet. É um novo espaço de convivência e cidadania. Então, é natural que a política partidária também se manifeste nele. Respeito e acho válido.


Que tipo de postura um político pode adotar nas redes sociais visando às eleições que se aproximam e que pode condená-lo perante os usuários?
Em primeiro lugar, ele vai ter que ter muita humildade. A humildade será muito importante. Esta comunicação horizontal exige uma mudança de postura por parte do político, pois ele vai ter que dialogar na mesma linguagem de quem o está abordando em uma rede social. Tem dois ministros, o Paulo Bernardo e o Padilha, que são tuiteiros inveterados. É muito normal a gente falar duas ou três vezes com eles por dia e ver que pessoas anônimas dão uma tuitada e eles respondem também. Imagine! Quando um brasileiro iria falar com um ministro? Quando um brasileiro falava com um senador, um deputado? Isso aproximou as pessoas e acho que a postura do político deve ser de interação e diálogo e não de soberba. Se ele ficar sempre com a razão, não estará interagindo, por isso a humildade é importante. Ouvir muito e levar em conta o que está sendo dito na internet.


Sabemos que é impossível para uma pessoa pública responder a toda a demanda gerada em uma ferramenta de rede social. Como você analisa o papel das assessorias que ajudam estas pessoas a selecionar perguntas, respondê-las etc.?
Acho que é uma nova área de atuação para os profissionais de comunicação. Tem o assessor que tuita pelo político – coisa que eu não condeno, desde que fique clara a participação da equipe, que ele não finja ser uma coisa quando é outra. Tem a assessoria que ajuda a organizar respostas, mas que conta com a participação direta do assessorado, que define o assunto e o que será dito. Um exemplo é a Dilma. Pelo menos até este momento em que estamos gravando, é ela quem está tuitando. O Twitter da campanha é outra coisa, mas o Twitter pessoal dela é uma reivindicação que ela tinha desde o ano passado e que teve a oportunidade de fazer agora. Mas é dela. Ela está decidindo durante a manhã o que ela vai tuitar. É obvio que a Dilma não é igual a mim, igual a nós que estamos o dia todo na internet. Ela tem um tempo limitado na rede. Ela não vai poder responder e interagir da forma que seria o ideal do manual do marketing social. Mas, ela expressa o que ela é na internet. Então, é natural que a Dilma não de tantas tuitadas por dia, mas ela está conseguindo ser ela mesma na internet. Foi uma opção dela, de não delegar à assessoria as suas tuitadas. É óbvio que a gente está pensando agora em ajudar a organizar esta demanda de interação, para que ela possa decidir o que vai responder, o que vai tuitar. Mas, até este momento, por incrível que pareça, é ela quem lê seus tweets e decide o que é relevante, o que vai postar.


Apesar de ser um novo campo para a saturada área da comunicação social, apesar de gerar oportunidades de trabalho para muita gente, a assessoria em redes sociais ainda é vista com desconfiança no meio jornalístico. O jornalista é conservador quando se fala em novas tecnologias?
Não posso generalizar, mas sim. Lembro que antes das redes sociais, da internet, o próprio uso do computador foi dificilmente assimilado pelos jornalistas. Usavam a máquina de escrever e, de repente, chega o computador. “Vou ter que aprender esta coisa nova!”. No início, nos anos 80, havia grande resistência dos jornalistas em usar micro-computadores. Eu tinha amigos jornalistas que se negavam. É a mesma coisa. Existe também uma questão geracional. Os jornalistas mais novos acham isso normal, vibram com a possibilidade das redes sociais. Os jornalistas mais antigos ainda têm uma resistência muito grande, uma desconfiança em relação às possibilidades geradas por elas.

fevereiro 21, 2010

O preço da entrevista de Arruda na Veja

Postada em MiguelGrazziotinOnline
PORQUE A REVISTA VEJA ESCONDE A PRISÃO DE ARRUDA NO DISTRITO FEDERAL

O governador José Roberto Arruda , em junho de 2009, liberou R$ 442.462,50 do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) para comprar assinaturas da revista Veja, que foram distribuídas nas escolas públicas do Distrito federal.

Fato contínuo, foi entrevistado nas páginas amarelas da Veja na semana seguinte (edição 2121). O título da entrevista, que simboliza o tom da conversa, dizia muita coisa: “Ele deu a volta por cima! Segue-se um exercício de endeusamento da figura do governador distrital.
Esta semana, quado pela primeira vez na história do país, um governador é preso, a "imparcial" revista" simplismente omite da capa o assunto.

Imagine se fosse um governador do PT! Teríamos não só a capa com o político, como Dilma e Lula acompanhando.
É uma vergonha que alguém ainda assine este lixo!

Ler mais: http://www.miguelgrazziotinonline.blogspot.com/2010/02/porque-veja-acoberta-prisao-de.html#ixzz0g9jUD5Qm

janeiro 01, 2010

Análise de desempenho - FHC: discurso do intelectual pavão


Entrevista de FHC no programa Hard Talk da BBC. Edição com os melhores momentos.

FHC, como presidente da república, andou comprometendo a soberania nacional. Escandalosas privatizações estão aí pra não me deixar cair em contradição. No quesito corrupção, graças a leviandade de um Procurador da República, conhecido como "engavetador geral", a maioria dos processos criminais foi arquivada. No quesito distribuição de renda, FHC perde feio. Aliás, em qual quesito o governo FHC pode ser comparado com o de Lula? Tá difícil, maninho!