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novembro 13, 2010

A Via Campesina na luta por justiça climática

PICICA: "Muitos governos dos países do Sul, atraídos também pelas novas oportunidades financeiras, tendem a aproveitar em vez de mudar a novos modos de produção e consumo que seriam de utilidade para a população. Por exemplo, dar apoio a agricultura sustentável e dos camponeses seria muito mais benéfico para a sociedade e o meio ambiente do que fomentar as plantações de monocultivos."

A Via Campesina convida os movimentos sociais em todo mundo para mobilização

Os Movimentos sociais de todo o mundo estão se mobilizando para a 16ª Conferência das Partes (COP 16) da convenção Marco das Nações Unidas para a Mudança Climática (CNNUCC) que se acontecerá em Cancun, México de 29 de novembro a 10 de dezembro de 2010.

A COP 15 em Copenhague demonstrou a incapacidade dos governos para enfrentar as causas reais do caos climático. No último momento, os EEUU pressionaram para aprovar de forma antidemocrática o chamado “Entendimento de Copenhague”, com intenção de levar o debate para os compromissos de Kioto das Nações Unidas e favorecer soluções voluntárias com base no livre mercado.

As Negociações climáticas parecem cada vez mais um grande mercado. Os países industrializados, historicamente responsáveis pela maioria das emissões de gases de efeito estufa, estão inventando todos os truques possíveis para evitar reduzir-las. Por exemplo, o “mecanismo para um desenvolvimento limpo (MDL) do protocolo de Kioto permite aos países seguir contaminando e consumindo como de costume, ao mesmo tempo que pagam aos países do sul global para abrir novas plantações agrícolas que se consideram “sumidouros de carbono”.

Neste mercado climático global, as empresas transnacionais estão tentando embolsar o máximo de dinheiro possível, vendendo tecnologias destrutivas mascaradas por trás de uma mentira de que podem solucionar a crise climática, com os agrocombustíveis geneticamente modificados com o pretexto de reduzir o consumo de combustíveis fósseis. Por exemplo, desde a eleição de Obama, a Monsanto tem gastado milhões pressionando o Congresso para a legislação sobre a mudança climática. A maior empresa de sementes do mundo diz que os monocultivos de sua soja Roundup Ready podem qualificar para os créditos de carbono, pois contribuem na redução de gases de efeito estufa no solo. As comunidades que vivem onde há os monocultivos de soja podem atestar os efeitos da devastação desses monocultivos em seu entorno e nas suas vidas.

Muitos governos dos países do Sul, atraídos também pelas novas oportunidades financeiras, tendem a aproveitar em vez de mudar a novos modos de produção e consumo que seriam de utilidade para a população. Por exemplo, dar apoio a agricultura sustentável e dos camponeses seria muito mais benéfico para a sociedade e o meio ambiente do que fomentar as plantações de monocultivos.

A Maioria dos países não tem tomado muito a sério as negociações de políticas que podem reverter a crise climática, em vez disso, estão negociando por quanto tempo mais poderão seguir escapando sem fazer nada, pois simplismente querem seguir com seus “negócios como sempre”. 

Por esta e outras razões que os movimentos sociais, e organizações de todo o mundo devem seguir lutando contra este modelo que destrói não só o meio ambiente como também nossas vidas.

Convidamos a todos/as para neste período estarmos junto realizando atividades em tosos os países denunciando esta crise e exigindo mudança neste modelo.

¡Miles de soluciones del pueblo ante el cambio climático!

¡Miles de parcelas campesinas para enfriar el planeta!

¡Miles de Cancún por la justicia climática!

Fonte: MST RJ

setembro 24, 2010

A mídia que não dialoga é que promove golpes contra a liberdade de expressão


GlecioTavares | 23 de setembro de 2010
Luiza Erundina no ato pela liberdade de expressão.

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24Set2010

Daniel Mello, Agência Brasil

“Movimentos sociais e partidos políticos se reuniram na noite de hoje (23) para protestar contra a cobertura eleitoral feita pelos grandes veículos da mídia comercial. De acordo com os participantes do Ato contra o Golpismo Midiático, jornais e revistas desses conglomerados de comunicação social, com sede em São Paulo e no Rio de Janeiro, estão agindo contra a candidatura do PT à Presidência da República.

A manifestação foi organizada pelo Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé e realizada no auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP). O local, com 120 poltronas, ficou completamente lotado por mais de uma hora. Quase 300 pessoas participaram do Ato contra o Golpismo Midiático. Muitas não conseguiram entrar na sala e ficaram nos corredores do sindicato.

Segundo comunicado distribuído pelo Sindicato dos Jornalistas de SP, a mídia comercial tem veiculado “baixarias e de denúncias sem provas” contra a candidatura do PT à Presidência da República. Isso, conforme a entidade, ocupa mais espaço na cobertura eleitoral desses veículos que a discussão de propostas para o país.

“Na reta final da eleição, a campanha presidencial no Brasil enveredou por um caminho perigoso. Não se discutem mais os reais problemas do Brasil, nem os programas dos candidatos para desenvolver o país e para garantir maior justiça social”, afirma o texto de convocação para o Ato contra o Golpismo Midiático.

Para o presidente do SJSP, José Augusto Camargo, a estratégia da mídia comercial, apesar de intensa, está se mostrando ineficiente para mudar os rumos da eleição presidencial. “A sociedade brasileira mudou. Esta mídia não dialoga mais com a população. Então, ela está fazendo um movimento de tentar influenciar, dar um golpe midiático, para um público que não é o seu, que não lê os jornais”.

O presidente do PCdoB, Renato Rabelo, rejeitou as acusações de que o ato seria uma forma de tentar censurar o trabalho da imprensa.. “Nós somos os verdadeiros defensores da liberdade de expressão”, garantiu ele, ao discursar.

Segundo Rabelo, a onda de denúncias nos jornais se deve a uma “luta política acirrada” e a mídia comercial escolheu um lado dessa disputa, apesar de não declará-lo. “Eles não dizem que são a favor da candidatura de [José]Serra e contra a de Dilma [Rousseff]”.

O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Gilmar Mauro, disse que a concentração dos meios de comunicação nas mãos de poucos donos favorece à perseguição dos movimentos sociais. Por isso, ele defendeu que o próximo governo busque uma maior democratização desse setor. “O próximo governo tem que investir na democratização da mídia”, afirmou.

A ex-prefeita de São Paulo e militante do PSB Luiza Erundina destacou o controle social como uma maneira de fazer que a mídia atenda melhor aos interesses da população. “A sociedade não vai mais recuar na decisão de ter controle desses meios”, disse após lembrar a realização da da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecon), no final do ano passado, que discutiu a democratização da mídia no país.” 


Fonte: Brasil! Brasil! 

Nota do blog: A dica do vídeo acima é do Esquerdopata. Aproveite e leia sobre a manifestação dos estudantes da UJS contra golpistas militares, diante do Clube Militar, no Rio de Janeiro. Para ler, acesse Óleo do Diabo.

setembro 22, 2010

Papel e desafio dos apoiadores acadêmicos dos movimentos sociais

speed6715 | 24 de julho de 2009
Video documentário que mostra a ocupação pelo MSTS (Movimento dos Sem Teto de Salvador) que denominaram Cidade de Plastico, localizado no Surbúbio Ferroviário no bairro de Periperi, Salvador Bahia.

REPORTAGEM: Anne Clara, Antonio Nelson, Gustavo Luz, Ricardo Alves.
FILMAGEM: Antonio Nelson, Gustavo Luz, Henrique Casais
PRODUÇÃO: Antonio Nelson , Henrique Casais
EDIÇÃO: Henrique Casais

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Os apoiadores acadêmicos dos movimentos sociais: seu papel, seus desafios

21 de Setembro de 2010  
A motivação para escrever estas linhas tem a ver com um esforço de reflexão em torno de questões que preocupam muitos daqueles que, desejosos de contribuir para a construção de uma sociedade justa, aproximam-se de protagonistas de movimentos emancipatórios com a intenção de com estes colaborar ou de exercer um protagonismo em sentido forte. Por Marcelo Lopes de Souza [*]

Por dentro e por fora é uma série de artigos de debate sobre as lutas e os movimentos sociais, da iniciativa conjunta de Paulo Arantes e do coletivo Passa Palavra. Série aberta a um amplo leque de colaboradores individuais, convidados ou espontâneos, mais ou menos empenhados (ou ex-empenhados) nas lutas concretas, que ajude a aprofundar diagnósticos sobre a sociedade que vivemos, a cruzar experiências, a abrir caminhos - e cujos critérios seletivos serão apenas a relevância e a qualidade dos textos propostos.
“Horizontalidade” e “verticalidade”, coletivos e coordenações

As reflexões a seguir têm como referência concreta mais imediata o movimento dos sem-teto do Rio de Janeiro. Tenho, desde 2005, colaborado com as ocupações de sem-teto do Centro e da Zona Portuária daquela cidade, em especial com as ocupações Quilombo das Guerreiras e Chiquinha Gonzaga, tanto direta quanto indiretamente (neste último caso, treinando e incentivando os jovens universitários que trabalham comigo na Universidade Federal do Rio de Janeiro a buscar não somente compreender o mundo, mas também a transformá-lo).

Leia mais em Passa Palavra

julho 05, 2010

Por melhorias no sistema elétrico de Tucuruí


Os Movimentos sociais de Tucurui-PA, ocupam a sede da rede Celpa no município desde de segunda feira 29/06/2010, reivindicando melhorias no abastecimento, pois apesar da cidade ser considerada a "capital da energia". Temos uma das maiores tarifas do Brasil e a pior qualidade, falta constante de energia elétrica e redes em situação precária, com rompimento constantes de cabos e quedas de postes.
Lembrando que em Tucurui foi construída a maior Hidro-Elétrica nacional.
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maio 20, 2010

Lutas sociais precisam se articular contra o modelo neodesenvolvimentista

MST

Lutas sociais precisam se articular contra o modelo neodesenvolvimentista


Brasil - Laboral/Economia
Quinta, 20 Maio 2010 02:00 
200510_lutasocial Adital - Camponeses, camponesas e movimentos sociais têm um grande desafio pela frente. Isso é o que afirma o pesquisador do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores (Cepat), César Sanson. Presente no debate de ontem (18), no segundo dia do III Congresso Nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Sanson acredita que um dos principais desafios para os movimentos sociais é perceber "o momento de profundas transformações que impactam a sociedade".
O pesquisador explica que o mundo está vivendo uma "crise civilizacional" composta não por apenas uma ou duas crises, mas por um conjunto de cinco crises: a econômica, a ecológica, a alimentar, a energética e a do trabalho. Crises que afetam gravemente o planeta e o homem. "A crise civilizatória ameaça a espécie humana", revela.

De acordo com ele, o sistema capitalista provoca uma forte "pressão no planeta Terra". Isso porque está relacionado ao modo de produzir e de consumir. "Para o capitalismo, o crescimento tem que ser infinito. E, para isso, ele precisa de recursos naturais, que são finitos", destaca.

De todas as crises vividas atualmente pela humanidade, Sanson ressalta a ecológica, que também está relacionada com as outras. Para ele, esse modelo que prega o "crescer, crescer e crescer" impacta principalmente o meio ambiente e as comunidades locais.

A opção pelos modelos desenvolvimentistas mostra isso. "O modelo neodesenvolvimentista é perverso. Os governos financiam projetos que impactam as comunidades", afirma. Para ele, Belo Monte é um exemplo claro. Segundo Sansnon, a ideia da construção da hidrelétrica no Rio Xingu é para fins econômicos, mas também está relacionado com a energia (produção energética) e com o ecológico (impacto ambiental). "Belo Monte é emblemático nesse aspecto. Que tipo de país nós queremos?", questiona.

Na opinião dele, é preciso articular as lutas sociais contra esses modelos e crises. "É necessário se contrapor a esse modelo com projetos alternativos", considera. E, para o pesquisador, a solução para essas crises será dada pelas comunidades locais. "A resposta [à crise civilizatória] virá do local, de experiências alternativas, do respeito ao meio ambiente", acredita.

III Congresso da CPT

O III Congresso Nacional da CPT começou na segunda-feira (17) e vai até a próxima sexta-feira (21) em Montes Claros (MG). O evento, que tem como tema "Biomas, Territórios e Diversidade Camponesa", reúne cerca de 900 pessoas, entre trabalhadores e trabalhadoras do campo, movimentos sociais e assessores da Comissão.

Na noite de hoje (19), as atividades do Congresso prosseguem com uma caminhada pelas ruas da cidade mineira em memória às vítimas da violência no campo. Os participantes sairão do Colégio São José, Marista, às 19h, e seguirão rumo à Igreja do Senhor do Bonfim, na Praça do Morrinho. No decorrer da caminhada, serão realizadas seis paradas, uma para cada bioma brasileiro: Amazônico, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal.


abril 19, 2010

Tribuna da Terra

No dia que antecederá o aniversário dos 510 anos da invasão europeia nas terras de Pindorama estaremos reunidos para falar o que nossos corações já sentem, NÃO HÁ O QUE COMEMORAR. Nesses 510 anos que se passaram temos o acúmulo de lutas e resistências travadas entre os dominados e os dominadores, uma luta que iniciou em 22 de abril de 1500, deixando um rastro de sangue com o genocídio de milhões de indígenas e a escravidão de índios e negros. Esta história escrita em vermelho (pelo sangue daqueles que entregaram sua vida a luta por Terra, Liberdade e Justiça Social) não pode ter continuidade, JÁ BASTA!

TODOS E TODAS NO DIA 21 DE ABRIL, AS 13H (EM PONTO) NA PRAÇA DA SÉ - INDIOS/AS, NEGROS/AS, CAMPONESES/AS, OPERÁRIOS/AS, ESTUDANTES, DESEMPREGADOS/AS - PARTICIPANDO DA TRIBUNA DA TERRA!
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abril 13, 2010

Contra a criminalização dos movimentos sociais

Plenária Estadual da Assembléia Popular
17 e 18 de abril 2010

"Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas,
mas jamais conseguirão deter a primavera."

Che Guevara

Caros companheiros/as, os movimentos sociais de todo o Brasil, de forma muito particular o MST, tem sido vítima de uma brutal ofensiva de Criminalização por parte das elites brasilieiras, onde os mesmos buscam deslegitimar a luta pela Reforma Agrária e demais lutas sociais.

A resposta à esta ofensiva deve ser dada com mais luta e organização. Porém se faz necessário que o conjunto da classe trabalhadora estaja melhor articulada no sentido de fortalecer um processo de mobilização , formação e organização em torno de um Projeto Popular que paute mudanças estruturais na sociedade brasileira.

Por isso durante esta Jornada de Luta em Defesa da Reforma Agrária e de um Projeto Popular para o Brasil, nos propomos a realizar uma Plenária Estadual da Assembléia Popular para que possamos fazer um debate coletivo com as demais organizações sociais, populares e pastorais na construção deste espaço de articulação e acumulação de força permanente, que nos possibilite organizarmos lutas unitárias de enfrentamento ao avanço dos projetos do grande Capital, como é o caso de Belo Monte.

Convidamos todos os militantes e organizações sociais para este grande Mutirão!!

Local: Ginásio da UEPA
Av. Almirante Barroso - Ao Lado do Bosque Rodrigues Alves

Programação

17/04 -Sábado
08:00h – Mistica Analise de Conjuntura
10:30 - Debate em Plenária
12:00 – Almoço
14:00 – O desafio dos Movimentos Sociais na Amazônia
16:00 – Encerramento
17:OO – Ato em Memória as Vitimas do Massacre – 14 anos de impunidade
20:00 – Noite Cultural

18/04- Domingo
08:00 – Mística
08:15 - ASSEMBLEIA POPULAR – Como construir?
10:15 – Lançamento da Cartilha da Campanha contra a Criminalização dos Movimentos Sociais.

Informações: (91) 8882-9692/8247-8177/9125-7056

Via Campesina - Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra - Consulta Popular

Betinho
(91) 8882-9692
betopjmd@yahoo.com.br
betopjmd@hotmail.com (MSN)
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abril 08, 2010

O futuro dos movimentos sociais

Charge postada em ciceroart.blogspot.com
Movimentos sociais numa gestão Dilma ou Serra

O lulismo desmontou a hegemonia política dos movimentos sociais dos anos 1980 e criou nova lógica, a partir do Estado. Esta lógica permanecerá num novo governo?

31/03/2010

Rudá Ricci

O drama dos movimentos sociais brasileiros na atualidade

Já escrevi sobre o fim da Era dos Movimentos Sociais no Brasil. Não necessariamente sobre o fim dos movimentos sociais, mas sobre a sua capacidade de forjar um projeto hegemônico ou poderoso junto à parcela organizada da sociedade civil e sua predominância no cenário das lutas sociais do país. A grande maioria dos movimentos sociais contemporâneos se transmutou em organizações, focadas em sua reprodução interna, de caráter mais privado que a cultura generosa dos anos 1980. Outra parte foi se esvaindo porque suas lideranças foram ingressando nos governos e esferas de gestão pública. E, ainda, parte das pastorais sociais e ONGs que apoiavam os movimentos sociais com cursos de formação e formulação de diagnósticos que auxiliavam na definição de estratégias políticas entraram em crise de identidade ou tomaram rumos próprios. Com efeito, as pastorais sociais vinculadas à Teologia da Libertação entraram, nos últimos dez anos, num ciclo de avaliações institucionais e busca de seu lugar numa paisagem estranha. Fincaram pés no comunitarismo cristão que pouco informa a respeito de uma nova institucionalidade pública ou mesmo auxiliam para garantir o empoderamento de populações antes absolutamente marginalizadas e que agora podem se representar em conselhos de gestão, estruturas de Estado inspiradas na Constituição Federal de 1988. O trabalho pastoral passou a ser mais de presença e denúncia, mas minguou em relação ao anúncio, a notícia da Boa Nova que forma a tríade pastoral. Minguou porque o seu papel político e social ficou em suspensão. Seria, hoje, algo próximo de uma ONG? Seria um movimento próprio, de cristãos? O impasse é o mais ácido e dramático de toda história da Teologia da Libertação brasileira. Se assumir o papel de liderança própria, muitas pastorais sociais temem abandonar seu papel de apoio, se aproximando do que sempre criticaram: a vanguarda política dos segmentos marginalizados. Mas como ser apoio e presença de segmentos sociais desorganizados e fragilizados (como populações ribeirinhas, quilombolas e agricultores descapitalizados e tradicionais)? Como ser apoio de segmentos sociais hoje organizados e com estruturas de apoio próprias (como MST, Movimento de Atingidos por Barragens e outros)?

ONGs tomaram seu rumo próprio. Lideram e organizam pautas específicas, não necessariamente vinculadas aos movimentos sociais. Muitas redes e fóruns de ONGs mobilizam, negociam, articulam politicamente, algo que, antes, era tarefa dos movimentos sociais.

Transição de governo e de atuação social

Mas todo este drama pode significar um aggiornamento, uma transição em virtude de uma nova realidade social e política do país. Neste sentido, vale refletir as tendências políticas que se abrirão com uma gestão federal sem Lula. Durante as duas gestões Lula ocorreu um enquadramento político de movimentos e organizações sociais do país a partir de uma lógica política estatal. Em outras palavras, o lulismo tutelou as organizações sociais que antes se definiam pela mobilização e resistência política permanente. Na gestão Lula, tais características tiveram uma visível inflexão. No lulismo, o diálogo institucional foi aberto, mas restrito. Lula fragmentou negociações, definiu arenas de discussão de pautas específicas (como as conferências nacionais), selecionou demandas (refluindo em todas iniciativas de participação direta na definição da peça orçamentária, como as audiências públicas para definição do Plano Plurianual, ocorridas no primeiro ano da primeira gestão e nunca mais repetidas) e, quando possível, criou fóruns mais restritos onde se impôs uma lógica absolutamente distinta dos processos de tomada de decisão da sociedade civil organizada (caso do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social).

Em muitos casos, o burocratismo oficial submeteu a lógica mobilista e assembleísta dos movimentos sociais e organizações populares. O lulismo desmontou a hegemonia política dos movimentos sociais dos anos 1980 e criou nova lógica, a partir do Estado. Enfim, o desejo de alterar a lógica estatal a partir da mobilização social foi revertido: foi a lógica estatal que subjugou o anti-institucionalismo e as práticas de democracia direta.

Esta lógica permanecerá num novo governo federal?

A pergunta tem sentido, embora as pistas para identificar tendências não são fartas. Concentro-me nos dois candidatos à sucessão de Lula que lideram, no momento, as pesquisas de intenção de voto: José Serra e Dilma Rousseff.

José Serra é um economista filiado ao que no passado se denominava de estruturalismo, se opondo á corrente monetarista. É estatal-desenvolvimentista, rígido no controle técnico sobre arroubos sociais e de mercado. E é um espécime ilustrativo do paulistano, aquele brasileiro tenso, que raramente sorri ou dá gargalhadas, workaholic contumaz, que pouco disfarça da arrogância aprendida desde a infância, de extrema racionalidade. É o que Weber denominou de liderança focada na competência e na disputa pública da lógica racional-legal. A competição técnica é a marca deste tipo de liderança. Perde um voto, mas não perde o tom professoral, de demonstração de competência. E Serra é filiado ao PSDB. Este partido tentou forjar uma relação com movimentos sociais. Com Mario Covas, aproximou-se da CNBB. Criou uma central sindical. Mas havia chegado tarde. O PT, a CUT e as pastorais sociais já haviam se transformado em força hegemônica desta expressão social. Por este motivo, tucanos sempre tiveram uma espécie de ressentimento ou precaução exagerada contra qualquer lógica de mobilização social que tivesse nas reivindicações sociais (as políticas eram melhor digeridas pelos líderes do PSDB) seu modus operandi. Algo que cheirava à turba descontrolada, que não casava com a racionalidade e impessoalidade da burocracia, da tecnocracia, do Estado. E, assim, criou-se o que uma linha da psicologia denomina de auto-sabotagem. Serra é o representante desta auto-sabotagem política e todos já sabemos o que será a relação entre seu governo e uma mobilização social mais apaixonada. O que poderá ser uma solução para a encruzilhada pela qual passam movimentos sociais, organizações populares e pastorais sociais. Haverá um adversário comum a ser enfrentado. Mas será, no máximo, uma rima, não uma solução.

Com o PT, os movimentos sociais e organizações populares tiveram, inicialmente, uma relação de mando contido. Os núcleos de base do partido imitavam as comunidades eclesiais de base ou mesmo as células de organizações de esquerda. Mas o poder que estas estruturas de base tinham era muito superior que as de suas inspirações. A base partidária desautorizou parlamentares que desejavam apoiar a eleição indireta de Tancredo Neves. O programa de governo do candidato Lula, em 1989, foi construído a partir de seminários e consultas presenciais a movimentos, organizações sociais e entidades que se localizavam em cada região do país, o que exigia um esforço descomunal e, não raro, gerava uma peça que era acusada de “colcha de retalhos”. Isto porque a filosofia de construção política era o “consenso progressivo”. Mas esta lógica foi se alterando nos anos 1990. E se alterou de vez a partir do advento do lulismo. De mando, passaram a ser consulta. E, de consulta, passaram a ser tutelados e enquadrados.

Mas Lula é a liderança histórica do mobilismo dos anos 1980. E, como tal, tem autoridade e capacidade de negociação, o que instituiu a tutela estatal sem muitos traumas.

Dilma Rousseff, contudo, não tem origem partidária no PT, nunca foi liderança de massas ou expoente do mobilismo da década de 1980. É técnica e adota um estilo tipicamente gaúcho, duro, direto. Como Serra, ri com dificuldade e está sempre tensa. É uma gerente clássica, controladora, racional. Não parece ter traquejo político, flexibilidade e carisma. Portanto, é algo muito distinto do lulismo. Tem, entre seus apoiadores diretos, José Dirceu e Fernando Pimentel, que levam a mesma marca: racionalidade, objetividade, força, controle, impessoalidade.

Com Dilma Rousseff, os dilemas dos movimentos sociais e organizações populares serão agravados ou o ideário de décadas passadas será efetivamente superado. Como tendência a partir do que ocorreu durante o lulismo (e tendo Lula como sombra permanente numa possível gestão petista) é provável que a segunda opção seja a vitoriosa. O realismo político e o pragmatismo deverão se espraiar sobre as organizações populares. Aquelas que permanecerem fiéis ao ideário de trinta anos atrás se transformarão, no caso desta hipótese se confirmar, em minoria raivosa, com pouca expressão pública, mas com forte autoridade moral. Esta minoria obrigará negociações permanentes, ajustes, mas sem força para alterar a lógica estatal-desenvolvimentista, o pragmatismo político, a tutela ou estatalização da sociedade civil. Enfim, não alterarão a lógica, mas terão influência sobre pautas e negociações específicas. Porque estarão isolados, mas não sem significado. Terão força simbólica, mas não material e organizativa.

Na política, previsões são sempre temerárias. Mas uma das funções das leituras sociológicas é a de identificar e aprofundar tendências. Tendências são indícios, possuem uma lógica que pode ser interrompida por inovações e acontecimentos não previstos. O que faz das análises algo próximo das interpretações das táticas que se confrontam em jogos coletivos. Garrincha já havia explicado para Zezé Moreira que táticas muito bem montadas dependem da “cooperação” do adversário. Mesmo assim, os técnicos continuam valorizados. As tendências e análises sobre elas vislumbram uma lógica e dão alento á razão. Mas não substituem nunca o conselho de Garrincha.

Rudá Ricci é sociólogo, doutor em Ciências Sociais, do Fórum Brasil de Orçamento, e diretor do Instituto Cultiva (www.cultiva.org.br). Mantém o blog www.rudaricci.blogspot.com

Fonte: BRASIL DE FATO.com.br

março 01, 2010

Movimento social vs. publicidade enganosa da Vale e suas subsidiárias


Nota do blog: A empresa Lajes Logística S/A quer construir um terminal portuário na região das Lajes, em frente ao Encontro das Águas, em Manaus, com uma pesquisa fajuta e o silêncio imposto por uma publicidade de caráter duvidoso, mediante a compra de espaço publicitário nos jornais locais. Ora, hoje até pena de morte tem pesquisa favorável. E depois a pesquisa é uma manipulação grosseira, porque a questão das Lajes não diz respeito apenas ao Bairro da Colônia Antônio Aleixo. É tão grosseira quanto os ônibus postos à disposição dos comunitários cooptados para participar da audência com o Ministério Público na semana que passou. É surpreendente o amadorismo com que a empresa vem tratando a questão socioambiental, ao deixar de responder as perguntas feitas pelo IPAAM a propósito do relatório de impacto ambiental, que qualquer contra-relatoria séria põe abaixo em dois tempos. Mais grave ainda é subestimar a inteligência local. Bem se vê que a empresa não aprendeu como se faz campanha publicitária pra valer. A Companhia Vale - antiga Vale do Rio Doce -, da qual a Lajes Logística S/A é subsidiária, partiu logo pra cooptação dos nossos mais venerados artistas nacionais, como foi o caso de Fernanda Montenegro e João Gilberto. Vai ver que a Lajes Logística S/A não conseguiu cooptar nenhum artista amazonense, porque estes sabem o valor do patrimônio histórico, paisagístico e cultural que está sob ameaça. É nossa própria identidade que está em jogo. De publicidade enganosa estamos até o tucupi. That is the question!

Afetados pela Vale realizam encontro mundial

Representantes sociais e sindicais do Canadá, Chile, Argentina, Guatemala, Peru e Moçambique realizam entre os dias 12 a 15 de abril, no Rio de Janeiro, o 1º Encontro de Populações, Comunidades, Trabalhadores e Trabalhadoras afetados pela política agressiva e predatória da companhia Vale - antiga Vale do Rio Doce. A mineração é uma atividade extrativa que fomenta diversos impactos ambientais e sociais nas comunidades onde os projetos são instalados. Várias modalidades de assédio, saúde, violação de direitos, demissões arbitrárias e danos ao meio ambiente estão entre os pontos de pauta da reunião. A seguir, leia a íntegra da convocatória para o encontro e entenda os motivos que levaram comunidades de diferentes regiões do globo a se unirem contra a companhia.

A convocatória foi publicada pelo sítio do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), 22-02-2010.

Eis a convocatória.

Encontro Mundial dos afetados pela Vale

Nós, organizações e movimentos sociais e sindicais do Brasil, convocamos e convidamos organizações sociais e sindicais do Canadá, Chile, Argentina, Guatemala, Peru e Moçambique para o I Encontro de Populações, Comunidades, Trabalhadores e Trabalhadoras afetados pela política agressiva e predatória da companhia Vale do Rio Doce, em abril de 2010 no Rio de Janeiro.

A Vale, dona que quase todo o minério de ferro do solo brasileiro, é hoje uma empresa transnacional, que opera nos cinco continentes, 14a companhia do mundo em valor de mercado, explorando os bens naturais, as águas e solo, precarizando a força de trabalho dos povos em todo o mundo.

Ela foi uma empresa estatal até 1997, quando foi privatizada de maneira fraudulenta pelo governo Fernando Henrique Cardoso a um valor sub-avaliado de R$ 3,4 bilhões de dólares. Desde então gerou lucro de 49 bilhões de dólares, e distribuiu a seus acionistas 13 bilhões de dólares, êxitos que obtém às custas da exploração dos bens naturais, das águas e solo e pela precarização da força de trabalho dos povos nos países que explora.

A propaganda da Vale nos lembra todos os dias que ela é brasileira e que trabalha com paixão para promover o desenvolvimento sustentável do Brasil e para garantir um futuro para nossas crianças. Utiliza em suas propagandas a imagem de brasileiros ilustres e artistas famosos. Em 2008, a Vale gastou R$ 178,8 milhões em propaganda (Ibope Monitor).

As bonitas imagens omitem a face oculta da empresa, construindo no imaginário do brasileiro comum a imagem de uma Vale patriota e paternal. Não é isso, contudo, o que pensam as pessoas que vivem nos territórios explorados pela Vale, seja no Brasil ou nos outros países em que a companhia está presente. Os trabalhadores e as comunidades afetadas, no entanto, não têm o poder e o dinheiro da Vale para ocupar a mídia brasileira e mundial com as suas opiniões e relatos sobre a influência da empresa sobre suas vidas.

A exploração de minério e outras atividades da cadeia de siderurgia têm causado sérios impactos sobre o meio ambiente e a vida das pessoas. A poluição das águas com produtos químicos, a intervenção direta na destruição de aqüíferos, a produção de enormes volumes de resíduos em suas atividades de mineração (657 milhões de toneladas por ano), a emissão de dióxido de carbono na atmosfera, o desvio de rios que antes atendiam comunidades inteiras para uso da companhia, o desmatamento de florestas e matas, a destruição de monumentos naturais tombados, a mineração em áreas de mananciais de abastecimento público, o impacto sobre as populações indígenas e tradicionais, a poeira de minério levantada em suas atividades, a desapropriação forçada de comunidades, rebaixamento do lençol freático, a associação da empresa com projetos industriais e energéticos que têm interferido na destruição da Amazônia e do Cerrado brasileiros, a eliminação de trechos ferroviários seculares em Minas Gerais , os acidentes nas minas e envolvendo trens da empresa, cuja vítima ou família não tem nenhuma assistência por parte da companhia tudo isso, ainda que não sejam mencionadas nas propagandas, são as marcas mais fortes da Vale nos territórios em que ela atua. A extração nociva de bens naturais, destruição dos patrimônios culturais, e os danos causados ao meio ambiente são, em alguns casos, irreparáveis, e produzem danos permanentes à vida.

A despeito dos visíveis danos, suas atividades continuam respaldadas com investimentos e parcerias lucrativos. No Rio de Janeiro, por exemplo, com a associação da Vale com a Thyssen Krupp, através da TKCSA, está previsto um aumento de 12 vezes na emissão do poluente CO2 na cidade do Rio (O Globo, 5/11/09). Além disso, a Vale é uma das principais empresas consumidoras de energia, mas quase não paga por ela: a empresa paga menos de R$ 5,00 por 100kwh, enquanto a população em geral, assim como pequenos e médios comerciantes e indústrias, pagam mais de R$ 45,00kwh no Brasil.

Seus trabalhadores sofrem com demissões sem justificativa, com ausência de medidas de segurança do trabalho e com pressões de diversas naturezas que, muitas vezes, levam-nos ao suicídio. Dois em 100 trabalhadores foram afastados por acidentes em 2008, 9 morreram. A cidade de Itabira (MG), onde nasceu a Vale, tem o maior índice de suicídios do Brasil. É também muito alta a terceirização do trabalho, que desresponsabiliza a companhia e precariza as relações de emprego (146 mil empregos, 83 mil são indiretos).

A Vale tem usado a crise econômica mundial para pressionar os/as trabalhadores em todo o mundo, reduzir salários, aumentar a jornada de trabalho, demitir, e rebaixar direitos conquistados com anos de luta. A greve iniciada pelos trabalhadores e trabalhadoras canadenses desde junho de 2009 é um exemplo importante de luta e resistência contra a arrogância e a intransigência da empresa, e, ao mesmo tempo, de construção da nossa unidade internacional. A greve dos trabalhadores e trabalhadoras no Canadá conta com todo o nosso apoio e solidariedade ativa para garantir sua vitória!

A Vale usa as mesmas táticas com as populações em todo o mundo. Ela pressiona, ameaça, coopta agentes públicos e locais, chegando até a fazer uso de milícias e forças militares para garantir seus investimentos. Em muitos lugares, a empresa financia campanhas eleitorais, zoneamentos ecológicos e planos diretores de municípios, numa completa inversão do princípio da gestão política e governamental soberana dos interesses públicos pela sociedade.

Os cidadãos e cidadãs comuns também são atingidos, uma vez os recursos públicos gerados pelos seus impostos são repassados para a Vale pelo BNDES e outras agências estatais. Enquanto os impostos são altíssimos para a população comum, e também pequenas e medias empresas, grande corporações como a Vale recebem anos de isenção fiscal. Os serviços públicos para onde deveriam ser direcionados os impostos, como hospitais e escolas, continuam em péssimas condições. Assim, sua atuação aprofunda a dívida financeira, ecológica e social com as populações afetadas. Cada centavo de dinheiro público que é destinado à Vale poderia ser investido na criação de fontes de trabalho que não prejudicassem a vida no planeta.

É com o objetivo de mudar este quadro que estamos organizando o encontro internacional dos afetados pela Vale. Nós iremos demonstrar com fatos concretos e estudos de caso o que realmente vem acontecendo à população que vive no entorno dos empreendimentos, e aos trabalhadores da Vale. Nosso objetivo é dar voz àquelas pessoas que sofrem diariamente com a atuação da mineradora, sejam comunidades próximas, desapropriadas ou áreas em que a empresa busca se instalar, sejam os trabalhadores e trabalhadoras da empresa.

Além de expor o comportamento agressivo da Vale, nós também iremos trabalhar instrumentos e estratégias comuns para contestar seu poder absoluto e fortalecer os trabalhadores e comunidades atingidas. Estes instrumentos podem incluir acordos coletivos dos trabalhadores da Vale com demandas em comum, monitoramento independente do impacto ambiental, monitoramento independente dos contratos governamentais sobre impostos, royalties, entre outros.

A articulação dos povos e movimentos nos diferentes países em que há exploração da mineradora é fundamental para fortalecer nossas lutas locais, nacionais e internacionais. Precisamos nos unir para construirmos juntos nossas estratégias, e pressionarmos nossos governos para que nossos direitos de vida, trabalho, terra, moradia, saúde, e de um ambiente justo e saudável sejam garantidos. E para que a Vale cumpra mundialmente com padrões ambientais, tecnológicos e trabalhistas elevados, e que respeite e não tente retroceder as legislações vigentes. Não vamos deixar que a Vale rebaixe nossos direitos conquistados e destrua nossas vidas! Os bens naturais e dos solos de cada país são patrimônio soberano dos povos, não dos acionistas nacionais e internacionais da Vale!

O leilão de privatização da Vale foi ilegal. Nós exigimos a anulação deste leilão, como disseram cerca de 4 milhões de brasileiros no Plebiscito Popular sobre a privatização da Vale e a dívida pública realizado em 2007. Nós defendemos a devolução ao povo brasileiro dos direitos minerários não contabilizados na operação de venda, sua re-estatização e o seu controle pelos trabalhadores!

Assim, convocamos as comunidades que atualmente sofrem com os grandes empreendimentos mineradores, a sociedade civil, os trabalhadores e trabalhadoras da Vale, movimentos e organizações sociais, pastorais sociais, estudantes e professores para participar da construção desse encontro, na expectativa de uma sociedade mais justa e ambientalmente equilibrada.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=30067

janeiro 31, 2010

Veja que mentira!


A Revista Veja a tempos vem ultrapassando os limites do péssimo jornalismo. Considerada, como bem coloca o notório jornalista Paulo Henrique Amorim em seu blog (http://www.paulohenriqueamorim.com.br/), como uma das componentes do PIG (Partido da Imprensa Golpista*), a revista vem radicalizando num posicionamento a extrema direita, classista, considerando-a como a "cloaca máxima" do partido. Até aí nenhum problema - mais ou menos - pois liberdade de pensamento e ideologia é um direito até das Revistas e Jornais - nos editoriais, pois no conteúdo tem que demosntrar a prática tradicional de ouvir os lados e da ética! -, mas a Veja vem implodindo tudo o que pensamos sobre jornalismo e comunicação ética, com manipulações grotescas de imagens, entrevistas, textos, para fonecer ao leitor sua visão de mundo e sua versão extremamente distorcida dos fatos, promovendo uma verdadeira desinformação estratégica - indo ao extremo da máxima de que no jornalismo não existe fato mas sim versões -, utilizando-se, muitas vezes de um discurso de baixo nível em suas matéias, artigos e colunas - vejam o tal do Mainardi - para detratar seus inimigos públicos e privados, ainda mais se for de esquerda e não do PSDB/DEM. Ataques mentirosos ao MST, a esquerda, a quem for a favor do meio ambiente e contra transgênicos, a os contra as privatizações e a destruição do setor público, aos a favor da conservação da Amazônia e de seus povos -
para Veja, pasmem, índios e ambientalistas são inimigos da Amazônia e do Brasil - , e na defesa incondicional do empresariado que se envolve em corrupção - vejam o caso Daniel Dantas. A Veja exprime um pensamento da elite mais tosca deste país!

Obviamente que ataques grotescos chamam a atenção e no seio dos movimentos e do setor jornalístico, reações...

O mais poderoso sem dúvida nenhuma é o do jornalista, comentarista econômico, também notório Luis Nassif, que eu seu blog (http://luis.nassif.googlepages.com/)(http://luis.nassif.googlepages.com/relacoesincestuosas disponibilizou uma serie de textos chamado "Dossie Veja". O mesmo, sendo entrevistado por Caros Amigos, mostra as estratégias obscuras da revista e como a mesma vem detratando sua imagem (http://carosamigos.terra.com.br/index_site.php?pag=dointernauta&id=85)

A campanha "Veja que mentira" também vem colocando respostas e informações dos movimento sociais, http://www.consciencia.net/midia/revistaveja.html. E já foi analisada em
teses de mestrado (http://iabasse.blogspot.com/2007/03/dissertao-de-mestrado-analisa-como.html)


Até atores como Wagner Moura percebeu o estrategema tosco
(http://opensadordaaldeia.blogspot.com/2009/06/wagner-moura-nao-falo-com-revista-veja_22.html)

Enfim, pensem duas vezes antes de assinarem a revista veja ou de manter a sua assinatura. Prestem atenção no seu conteúdo e tentem acessar outra fontes só para ver distintas visões (hoje tem muitas agências de notícia mais independente na net e também impressa).


E se forem convencidos, avisem ao seu dentista ou médico para não colocarem mais nas salas de espera, pois a leitura da mesma pode produzir sociopatias graves! Uma questão de higiene mental!

Nota do blog: Texto que circula na net - contribuição da Rádio Xibé.

janeiro 30, 2010

Fórum Social Mundial: carta dos movimentos sociais

Postado em blog.moadesenhos.com.br

ASSEMBLÉIA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS

Porto Alegre, 29 de janeiro de 2010.

10 ANOS DO FSM

OUTRO MUNDO ACONTECE!

O Fórum Social Mundial surgiu em 2001 como uma forma de resistência dos povos de todo o planeta contra a avalanche neoliberal dos anos 90. Dessa forma ganhou força e se tornou um grande pólo contra hegemônico ao Capitalismo financeiro. Nesses 10 anos passou pelo Brasil, Venezuela, Índia, Quênia levando a esperança de um mundo novo. Foi dessa maneira que o FSM conseguiu contagiar corações e mentes para a idéia de que é sim possível construir outro mundo com justiça social, democracia, sem destruir o planeta e valorizando as culturas nacionais. O FSM foi fundamental para construir uma nova conjuntura que valorize o multilateralismo e a solidariedade entre os povos. E é assim que partiremos para novas lutas e para construir o próximo Fórum Social Mundial em Dakar em janeiro de 2011.

Com o declínio do neoliberalismo e a crise do capitalismo entraram em choque também os valores capitalistas. Assim, o capitalismo predatório que destrói o meio ambiente causando graves desequilíbrios climáticos, que desrespeita os povos de todo o mundo e suas soberanias, explora o trabalhador e desestrutura o mundo do trabalho, que exclui o jovem, discrimina o homossexual, oprime a mulher, marginaliza o negro, mercantiliza a cultura, passa a ser questionado. Portanto, as crises atuais nada mais são do que crises do modelo de desenvolvimento adotado, que é o das grandes corporações capitalistas. De tal maneira, essa crise do Capitalismo coloca os movimentos sociais em situação mais favorável para travar a luta.

O mundo mudou. E a crise do sistema financeiro mundial é uma derrota do Imperialismo. Assim caminha-se para a busca de soluções multilaterais reforçando órgãos como o G-20. Ao mesmo tempo emergem novas potencias como o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) que representa o fortalecimento das nações emergentes. Isso sem falar na América Latina que atrai os olhos de todo o planeta diante de sua onda transformadora e mudancista. Escorre pelo ralo o velho ideário neoliberal do Estado mínimo e o Estado volta a ser o grande instrumento de fomentação do desenvolvimento.

Por outro lado, a hegemonia mundial ainda é capitalista e as elites não entregarão o continente que sempre foi tido como o quintal do Imperialismo de mão beijada. Não é à toa a promoção do golpe em Honduras em 2009 e contra Chávez em 2002, a desestabilizaçã o de Lugo no Paraguai, a tentativa de golpe contra Lula no Brasil em 2005. A turma do neoliberalismo não esta morta e demonstrou isso nas eleições do Chile. Ao mesmo tempo, as elites se utilizam e fortalecem novos instrumentos de dominação. Sua principal arma hoje é a grande mídia e os grandes veículos de comunicação. São esses organismos que funcionam como verdadeiros porta-vozes das elites conservadoras e golpistas. Nesse sentido ganham força os movimentos de cultura livre que conseguem driblar o monopólio midiático e influenciar a opinião de milhares de pessoas e a necessidade do fortalecimento das rádios comunitárias.

O Imperialismo mostra a cada dia a sua face. Elegeu Obama em um grande movimento de massas carregando consigo as esperanças do povo estadunidense em superar a era Bush. Entretanto o Imperialismo continua sendo Imperialismo. Dessa forma cresce seu o olho diante das grandes riquezas descobertas como o Pré-sal. Os EUA reativaram a quarta frota marítima e instalaram mais bases militares na Colômbia de seu amigo Uribe, além de insistir no retrógrado bloqueio a Cuba.

Os movimentos sociais reunidos no Fórum Social Mundial, em Porto Alegre reafirmam seu compromisso com a luta por justiça social, soberania, pela integração solidária da América Latina e de todos os povos do mundo, pelo fortalecimento do multilateralismo, contra o Imperialismo, pela autodeterminaçã o dos povos e contra todas as formas de opressão. Dessa forma, os movimentos sociais brasileiros convocam a Assembléia Nacional dos Movimentos Sociais para o dia 31 de maio em São Paulo e definem as seguintes bandeiras de luta:

SOBERANIA NACIONAL

Defesa do Pré-sal 100% para o povo brasileiro;
Pela retirada das bases estrangeiras da América Latina e Caribe;


Defesa da autodeterminaçã o dos povos;
Pela retirada imediata das tropas dos EUA do Afeganistão e do Iraque;
Pela criação do Estado Palestino;
Contra os Golpes de Estado a exemplo de Honduras;
Contra a presença da 4ª Frota na América Latina;
Pela integração solidária da América Latina;
Contra a volta do neoliberalismo
Pelo fortalecimento do MERCOSUL, UNASUL e da ALBA;
Pela democratização e o fortalecimento das forças armadas;
Pela defesa da Amazônia como patrimônio nacional.

DESENVOLVIMENTO


Por uma política nacional de desenvolvimento ambientalmente sustentável, que preserve o meio ambiente e a biodiversidade, e que resguarde a soberania sobre a Amazônia brasileira.
Por um Projeto Nacional de Desenvolvimento com distribuição de renda e valorização do trabalho;
Pelo fortalecimento da indústria nacional;
Contra o latifúndio;
Em defesa da Reforma Agrária;
Redução da jornada de trabalho sem redução de salários;
Por políticas Públicas para a Juventude;
Defesa de formas de organização econômica baseadas na cooperação, autogestão e culturas locais;
Pela alteração da Lei Geral do Cooperativismo e da conquista de um Sistema de Finanças Solidárias e Programa de Desenvolvimento da Economia Solidária (PRONADES), do Direito ao Trabalho Associado e Autogestionário, e de um Sistema de Comércio Justo e Solidário;
Por um desenvolvimento local sustentável.
Por Políticas Públicas de Igualdade Racial;

DEMOCRACIA

Contra os monopólios midiáticos;
Contra a criminalização dos movimentos sociais;
Em defesa da Cultura livre: É necessário que todo o processo de criação e difusão seja livre, garantindo aos sujeitos sociais condições suficientes para criarem e acessarem todos os bens culturais.
Pela ampliação da participação do povo nas decisões;
Contra o golpe em Honduras;
Contra a desestabilizaçã o dos governos democráticos e populares da América Latina;
Democratizar os meios de comunicação, visando a pluralidade de opiniões e o respeito e difusão das opiniões das minorias. Pela criação imediata de um canal aberto de televisão pública. Pela integração da TV pública brasileira ao projeto da Telesul. Fortalecimento das rádios e TVs públicas e comunitárias. Concessão de linhas de financiamento a projetos de criação de novas TVs, Rádios, Jornais e Revistas de grande circulação por parte dos movimentos sociais populares quando da mudança do modelo analógico para o modelo digital brasileiro.
Pelo fim das patentes de remédios;
Contra o caráter restritivo a distribuição de conhecimento e propriedade intelectual; Pela revisão da lei de direito autoral brasileira, enfocando nos novos formatos de distribuição de conteúdo em mídias digitais.
Contra a intolerância religiosa, em defesa do Estado laico.

MAIS DIREITOS AO POVO

Educação pública, gratuita e de qualidade para todos e todas, com a universalizaçã o do acesso, promoção da qualidade e incentivo à permanência, seja na educação infantil, no ensino fundamental, médio e superior. Por uma campanha efetiva de erradicação do analfabetismo. Adoção de medidas que democratizem o acesso ao ensino superior público;
Defesa da saúde pública garantindo acesso da população a atendimento de qualidade. Tratamento preventivo às doenças, atendimento digno às pessoas nas instituições públicas;
Pela garantia e ampliação dos direitos sexuais reprodutivos;
Contra a exploração sexual das mulheres;
Pelo fim do fator previdenciário e por reajuste digno para os aposentados.


SOLIDARIEDADE


Solidariedade ao povo haitiano diante do recente desastre ocorrido em virtude de uma sequencia de terremotos.
Solidariedade ao povo cubano pela liberdade dos 5 prisioneiros políticos do Império.
Solidariedade aos povos oprimidos do mundo.


CALENDÁRIO

08 MARÇO DIA INTERNACIONAL DA MULHER;
MARÇO JORNADA DE LUTAS DA UNE E UBES
01 MAIO DIA DO TRABALHADOR
31 MAIO ASSEMBLÉIA NACIONAL DOS MOVIMENTOS SOCIAIS
1 DE JUNHO CONFERENCIA NACIONAL DA CLASSE TRABALHADORA

dezembro 13, 2009

Manifesto dos movimentos sociais de Marabá

Município de Marabá - Pará - Brasil
Mapa postado em media.photobucket.com

Nota do blog: A causa das ocupações e dos conflitos agrários no Pará deve-se à crescente migração interna no país. É possível antever o que acontecerá com o asfaltamento da floresta no entorno da BR-319, no estado do Amazonas, após a conclusão das obras de barragens no rio Madeira. Propagandas agressivas não têm base científica para dar credibilidade sobre o futuro desse território. Nunca a ciência foi tão desprestigiada.

MANIFESTO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS DE MARABÁ

No momento em que Marabá recebe a visita do presidente da mais alta corte de justiça desse país para lançar um “mutirão agrário” que tem como objetivo cumprir liminares que beneficiam fazendeiros e grileiros de terras públicas na região, os movimentos sociais vêm a público dizer:

1 – As causas das ocupações e dos conflitos.
Nos três últimos anos ocorreram 67 ocupações na área rural da região, envolvendo 10.600 famílias e 22 ocupações urbanas, só em Marabá, envolvendo cerca de 18 mil famílias. O aumento das ocupações se deve à crescente migração de famílias pobres para a região devido a agressiva propaganda dos governos e das grandes empresas sobre a geração de milhares de empregos na implantação de grandes obras do PAC e de imensos projetos de mineração da VALE. Atraídas pela falsa propaganda do emprego que não está ao alcance dos mais pobres, milhares de famílias ao chegarem à região só tem dois destinos: as ocupações urbanas e os acampamentos rurais. A ausência de políticas publica de habitação e Reforma Agrária, empurra essas famílias para a pobreza, a miséria e a violência. Marabá é a 2ª cidade mais violenta do país. É a região com maior número de assassinatos no campo, registros de ameaça de morte e de vítimas de trabalho escravo. Ao invés de responder ao grave problema social com políticas públicas, o Estado e o Judiciário respondem de modo irresponsável com violência policial. São quase 10 mil famílias urbanas e rurais que poderão ser despejadas e que não terão para onde ir!

2 – A justiça não pode proteger produto de crime. O Estado do Pará é também campeão dos crimes de grilagem e de apropriação ilegal de terras públicas. São mais de 6 mil títulos falsos registrados ilegalmente pelos cartórios, são milhões de hectares em poder dos criminosos. A Comissão Estadual de Combate à grilagem rastreou e comprovou essa situação no Estado e propôs que o Tribunal de Justiça do Pará (TJ) cancelasse, administrativamente , as matrículas objeto do crime. Para a surpresa e indignação de todos nós, o TJ Pará se negou a fazer isso. Só aceita o cancelamento judicial, o que jamais vai ocorrer devido à morosidade da justiça. A comissão recorreu ao Conselho Nacional de Justiça que precisa dar uma resposta urgente a esse crime. Arrecadando essas terras, milhares de famílias poderão ser assentadas, diminuindo assim os conflitos. Mesmo com a posição firme e corajosa da juíza da Vara Agrária de Marabá em ouvir o INCRA e o ITERPA antes de decidir os pedidos de liminares, o TJ Pará insiste em deferir liminares e exigir o despejo de famílias das fazendas do banqueiro Daniel Dantas. São terras já confiscadas pela Justiça Federal por terem sido compradas para lavar dinheiro sujo, são imóveis multados pelo IBAMA em centenas de milhões de reais por crimes ambientais, grande parte são compostas de terras públicas apropriadas ilegalmente ou griladas já comprovado pelo INCRA e ITERPA. Um verdadeiro flagrante de desrespeito aos requisitos da posse agrária e ao cumprimento da função social da propriedade previstos na Constituição Federal. A Justiça não pode rasgar a Constituição e as leis agrárias para proteger os crimes do latifúndio!

3 – O judiciário não pode promover a impunidade. Apenas nas regiões sul e sudeste do Pará, nos últimos 30 anos, são mais de 600 assassinatos de trabalhadores rurais e suas lideranças. Mais de 70% desses crimes sequer tiveram investigação para apurar a responsabilidade das mortes. Os cerca de 30% que resultaram em um processo, marcham para a vala da impunidade. Não há um único mandante preso, cumprindo pena por ter mandado matar trabalhadores rurais na região. A impunidade é uma espécie de licença para matar.

4 - Frente a essa situação exigimos:
a suspensão imediata das liminares de despejo nas áreas urbanas e rurais e o assentamento imediato das famílias acampadas; O cancelamento administrativo das matrículas de imóveis frutos de grilagem; Punição para todos os responsáveis por crimes contra os trabalhadores; O fim da criminalização dos Movimentos Sociais e de suas lideranças; Revogação dos mandados de prisão das lideranças do MST perseguidas pela bancada ruralista, pela imprensa e o governo!

Marabá, 04 de dezembro de 2009.

CPT, MST, MAB, CIMI, SDDH, PASTORAIS SOCIAIS DA DIOCESE DE MARABÁ,
CEPASP, FETAGRI REGIONAL, STR DE MARABÁ.


Apoio: FÓRUM REGIONAL DE EDUCAÇÃO DO CAMPO e COORDENAÇÃO DO CAMPUS DA UFPA EM MARABÁ.
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novembro 28, 2009

I Encontro Mineiro dos Atingidos pela Vale


Vídeo da campanha promovida por diversos movimentos sociais que pede a devolução da Companhia Vale do Rio Doce ao seu verdadeiro dono - o povo brasileiro -, e reivindica a declaração de nulidade do leilão de privatização da Companhia Vale do Rio Doce. O Plebiscito Popular sobre o tema será realizado de 1 a 7 de setembro (2007).

*************

Nota do blog: O plebiscito aconteceu em 2007 e o encontro noticiado abaixo rolou hoje pela manhã. Vale a pena ver o vídeo de novo e ler a notícia abaixo. São movimentos como esse que dão significado à luta política por uma sociedade socialista.

I Encontro Mineiro dos Atingidos pela Vale

No dia 28 de novembro será realizado em Belo Horizonte o I Encontro Mineiro dos Atingidos pela Vale. A proposta desta atividade é reunir e dar voz às comunidades afetadas pela Companhia Vale do Rio Doce em Minas Gerais.

A Vale iniciou suas atividades no Brasil e hoje é a responsável por um legado de destruição social e ambiental registrado em vários municípios de Minas Gerais. Os bens naturais disponíveis no estado e a exploração da mão-de-obra são as fontes da riqueza dessa empresa que está presente nos cinco continentes do mundo. Os resultados dessa ganância são os graves impactos identificados sobre o meio ambiente e a vida das pessoas.

Progresso econômico para os municípios, geração de emprego, responsabilidade social e desenvolvimento sustentável fazem parte da campanha publicitária vinculada pela empresa para convencer comunidades e trabalhadores a aceitarem a mineração, mas o que a realidade comprova é a acentuação de conflitos sociais, econômicos e ambientais que modificam a qualidade de vida das pessoas.

As desapropriações forçadas, a terceirização com as perdas dos direitos trabalhistas, os constantes acidentes de trabalho, a contaminação e o rebaixamento do lençol freático e a perda da biodiversidade são exemplos de degradações ocasionadas pela mineração.

Apesar das demissões ocorridas entre 2008 a 2009 sob o argumento da crise econômica mundial, a empresa segue com os pedidos de licenciamento ambiental - mantendo altos investimentos - para abrir novas lavras em locais ainda preservados como é o caso da mineração pretendida na Serra da Gandarela, contribuinte do abastecimento de água da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Desde a privatização ocorrida em 1997, trabalhadores e comunidades vêm sendo prejudicados pela ganância desta grande empresa capitalista. Os bens naturais do solo brasileiro devem ser patrimônio do povo e não dos acionistas da Vale! É preciso que o governo federal anule o leilão de privatização - que foi ilegal - e patrocine a reestatização da Vale.

Diante dos conflitos estabelecidos, o Comitê Mineiro dos Atingidos pela Vale, convida: populações, comunidades, trabalhadores, estudantes, professores, movimentos sociais, movimentos sindicais, organizações ambientalistas, pastorais, associações comunitárias, igrejas e todos os mineiros a somarem forças contra as degradações sociais, ambientais e econômicas cometidas em Minas Gerais

Participe do I Encontro Mineiro dos Atingidos pela Vale, pois o que vale é a vida!

Você sabia que a Vale:

- Atua em 12 Estados brasileiros e detêm direito de lavra de 23 milhões de hectares o que corresponde aos estados de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Rio Grande do Norte;

- Nos onze anos que se seguiram à privatização seu lucro líquido cresceu 29 vezes;

- Seu valor de mercado passou de US$8 bilhões para US$125 bilhões;

- Que sob o argumento da crise econômica mundial a empresa demitiu cerca de 4 mil trabalhadores diretos e 15 mil terceirizados;

- Que a Vale consome, sozinha, 5% de toda energia elétrica do Brasil;

- Que as famílias brasileiras pagam por 100kwh/ mês mais de R$50,00 e a Vale paga pelos mesmos 100Kwh/ mês cerca de R$3,30;

- Nos últimos 12 meses a empresa gastou R$178,8 milhões em propaganda para enganar comunidade e trabalhadores com o falso discurso de desenvolvimento sustentável;

- Trabalhadores e comunidades de várias partes do mundo são explorados por essa empresa;

- Os trabalhadores do Canadá da Vale Inco estão em greve há mais de cinco meses por melhores condições de trabalho e melhores salários;

- A Vale está em Moçambique desde 2004 e seu plano de minerar lugares atualmente habitados e agricultáveis vai obrigar um elevado número de famílias a abandonar suas terras e casas.

PROGRAMAÇÃO

08:30 às 09:00 Apresentação

09:00 às 09:20 O Trabalho na Mineração / Apresentação: Metabase Itabira

09:20 às 09:40 A mineração e as comunidades atingidas: bairro São Geraldo

09:40 às 10:00 A mineração e o abastecimento público de água: Capão Xavier e Gandarela

10:00 às 11:30 Debate

11:30 às 12:00 Fechamento/ Encaminhamentos


I Encontro Mineiro dos Atingidos pela Vale

Data: 28/11 [UTF-8?]– Sábado

Horário: 8hs às 12hs

Local: Sind-rede/BH

Av. Amazonas, 491 / sala 1009, Centro

Comitê Mineiro dos Atingidos pela Vale

Brigadas Populares, CONLUTAS, MAB, Assembléia Popular, Metabase Itabira, Metabase Congonhas, CPT, Articulação Popular São Francisco, Movimento pelas Serras e Águas de Minas, ENE-bio, MTD.

novembro 17, 2009

Conferência Estadual de Comunicação foi uma vitória dos movimentos sociais

Conferência Estadual de Comunicação foi uma vitória dos movimentos sociais

Minas Gerais encaminhará cerca de 700 propostas à Conferência Nacional de Comunicação, marcada para os dias 14 a 17 de dezembro, em Brasília (DF), número superior ao das conferências estaduais já realizadas no País. O documento com as propostas foi apresentado na manhã deste domingo (15/11/09), na plenária final da 1ª Conferência Estadual de Comunicação, que aconteceu na Assembléia Legislativa de Minas Gerais, desde a última sexta (13).

Entre as propostas aprovadas, estão aquelas que buscam fortalecer as rádios comunitárias e a rede pública de comunicação; garantir a universalização do acesso à internet; implantar conselhos de comunicação deliberativos, com foco na participação da sociedade não empresarial; e instituir uma política de comunicação estadual, com foco no controle público dos meios de comunicação.

Leia mais em Comissão Mineira Pró-Conferência Nacional de Comunicação
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novembro 16, 2009

Justiça para a comunidade tradicional do Jatuarana

Comunidade tradicional do Jatuarana
Foto: Rogelio Casado - beiradão da costa do Jatuarana-Amazonas-Brasil, 15.11.2009

Nota do blog: Veja o depoimento de Doramir Viana da Cunha e Marisa Lima para Kaamirã Vídeo Produções em "Amazônia: Comunidade Tradicional x Exército Nacional" e "Guerra na Selva : SOS Beiradão", no link ao lado.

Exército Nacional recua


Ao que parece devem cessar as hostilidades do Exército Nacional contra as comunidades tradicionais da costa do Jatuarana (às margens do rio Amazonas), depois de 12 anos de uso irregular do território daquela população para a prática do chamado “treinamento de guerra na selva”.

Privados de pescar, caçar, plantar e até mesmo de reproduzir a vida, os comunitários foram surpreendidos com a mudança de humor dos militares, que até então os acusavam de invasores de terra.

Na última reunião, testemunhada por autoridades do poder público, obtiveram a promessa de que o projeto de transferência para a região de Cuieiras, no rio Negro, está definitivamente fora de questão.

Os sinais de mudança começaram a ser desenhados, numa reunião anterior, na 12ª. Região Militar, depois que o presidente da comunidade de Jatuarana, Doramir Viana da Cunha, deixou os advogados do patrimônio da União perplexos ao mostrar títulos de propriedade que remontam a 1903. Nessa reunião, a imprensa foi proibida de participar.

A repercussão negativa do caso pela imprensa local teve um efeito devastador. Manaus, que está de costas para as comunidades tradicionais da sua área rural, sensibilizou-se com o drama vivido por essa população. Tanto que o líder do governo estadual e pai do próprio governador se fizeram presente à reunião entre os líderes comunitários e os militares.

A paz perdida

Entre os anos 1950-1970, só a comunidade do Jatuarana foi responsável pela produção de 250 sacos de farinha. Havia fartura de peixe na região. Nesse período chegaram a viver 200 famílias só no lago do Jatuarana.

Hoje restam apenas 96 famílias. Certamente a criação da Zona Franca de Manaus, no final dos anos 1960, exerceu forte atração para aquelas famílias que demandavam por educação para seus filhos. Mas foi a pressão do Exército Nacional que forçou a migração indesejada.

Humilhação, acidentes e morte marcam o período que se inicia em 1997, e se estende até este ano de 2009, quando o Exército, já proprietário de milhares de hectares desde a rodovia AM-010 (Manaus-Itacoatiara) até a fronteira da região do Jatuarana, passou ostensivamente a praticar o “treinamento de guerra na selva” no sítio das comunidades do Jatuarana, fazendo do lugar um verdadeiro inferno.

Arbitrariedades

Entre outras arbitrariedades, uma casa foi incendiada; outra foi ocupada ilegalmente, para supresa da família que deslocou-se para Manaus a tratamento de saúde; uma terceira foi erguida numa propriedade que não lhes pertence. Até a expansão do cemitério foi proibida, ele que serve a todas as comunidades, inclusive as situadas na outra margem do rio Amazonas, composta por um imenso território de várzeas, como: Tabocal, Careiro da Várzea, Terra Nova, costa do Paraná de Terra Nova, entre outros.

A morte do jovem Moisés, de 16 anos de idade, por um artefato explosivo continua, até hoje, sem que tenham sido estabelecidas as devidas responsabilidades. Seu Zelito, que teve costelas quebradas por um abalroamento de sua canoa por uma lancha do exército, com perda total do seu instrumento de trabalho, não recebeu assistência médica, nem teve ressarcimento dos danos provocados aos seus bens e à sua atividade.

Nunca houve intenção de promover qualquer benefício às comunidades tradicionais do Jatuarana por parte das autoridades militares. Nem uma escola sequer foi montada, como fizeram no passado a Colônia de Americanos, situada num dos extremos da costa do Jatuarana, que hoje têm título de propriedade, sem nenhuma ameaça de ter a paz quebrada por invasores.

Racismo ambiental

O surpreendente desconhecimento dos direitos daquela população é o mais forte indicativo de que estamos diante de mais um caso de racismo ambiental (ainda que não haja depredação do meio ambiente). A quem interessa desconhecer tais direitos senão àqueles que negam a história das comunidades tradicionais e que passam por cima de direitos de propriedade à terra secularmente ocupada?

O beiradão dos rios Negro e Amazonas, com suas populações tradicionais, vem comendo o pão que o diabo amassou. Construção de um terminal portuário na região das Lajes, expansão do distrito industrial de Manaus, terras invadidas para prática de “treinamento de guerra na selva”, tudo isso faz parte de um cenário em que políticas públicas, industriais e militares estão a merecer uma ampla discussão com a sociedade civil, sobretudo agora que a opinião pública passou a tomar conhecimento da dimensão dos impactos socio-ambientais de projetos a serviço de um projeto civilizatório que caducou. Nossas comunidades, especialmente as que mantém nossa floresta em pé, merecem viver com dignidade e respeito, bem como ter acesso a políticas públicas que atendam seus interesses.

Ontem, domingo, foi dia de reunir as comunidades, transmitir o acordo verbal com os militares, testemunhados pelo deputado estadual Sinésio Campos e o Sr. Carlos Braga, pai do governador Eduardo Braga. Até o dia 18 toda a documentação deve estar em mão, quando então se dará mais um cadastramento através das instituições governamentais do setor fundiário. Espera-se que desta vez seja definitivo, e que o conflito cesse de uma vez por todas.
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novembro 15, 2009

Violência da polícia quase causa novo massacre em Carajás

Eldorado do Carajás
Foto: Sebastião Salgado

Violência da polícia quase causa novo massacre em Carajás
9 de novembro de 2009

Da CPT

Por pouco não termina em tragédia uma ação das Polícias Militar e Civil do estado do Pará, na curva do “S”, mesmo local onde ocorreu o Massacre de Eldorado dos Carajás, em 17 de abril de 1996. O fato lamentável ocorreu na tarde da última sexta-feira (06/11), no momento em que mais de mil trabalhadores ligados ao MST faziam uma manifestação pacífica no local.

No início da manhã daquele dia, os trabalhadores interditaram a rodovia PA 150 como forma de pressão para exigir a abertura de negociação por parte do governo do estado. Por volta das 11h, sem que a polícia estivesse no local, os trabalhadores decidiram por si mesmos desinterditar a estrada. A situação permaneceu totalmente tranqüila, com o tráfego de veículos restabelecido até as 14h, quando chegaram ao local o Delegado Geral de Polícia Civil, Raimundo Benassuly, e o coronel Leitão, da Polícia Militar, acompanhados de aproximadamente 70 policiais do Batalhão de Choque.

Demonstrando total despreparo e usando de truculência desmedida, sem dar chance para qualquer tipo de diálogo, o coronel e o delegado partiram para cima dos trabalhadores aglomerados nas imediações da pista, gritando de forma descontrolada que estavam ali para prender quem estivesse à frente. O Delegado Geral, Raimundo Benassuly, sacou uma pistola e ameaçou atirar nos trabalhadores que se aproximavam.

Vendo a ação do delegado, outros policiais fizeram o mesmo e, em seguida, prenderam três trabalhadores sem qualquer motivo. O delegado Benassuly é o mesmo que no início do governo de Ana Júlia, quando uma adolescente foi colocada na cela com mais de 15 presos por mais de 20 dias, tentou justificar a ação criminosa afirmando que a adolescente deveria ter algum problema mental. Foi afastado em razão desta declaração, mas acabou sendo reconduzido ao cargo por ordem da governadora.

O advogado da CPT de Marabá, José Batista Gonçalves Afonso e os Defensores Públicos Rossivagner e Arclébio, que se encontravam no local desde o período da manhã, ainda tentaram acalmar a fúria do Delegado e do Coronel, no entanto, foram empurrados e ameaçados de prisão. As centenas de trabalhadores que, em sua maioria, portavam pedaços de paus e facões, só recuaram mediante aos insistentes pedidos do Advogado da CPT. Enquanto os trabalhadores eram acalmados pelo advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e pelos Defensores Públicos, o Coronel e o Delegado continuavam provocando o conflito afirmando que não temiam o confronto e nem se importavam com o fato político que pudesse gerar ali. Que vieram para desobstruir a estrada de qualquer jeito, sendo que, a estrada já estava liberada muito antes de eles chegarem. Ameaçaram ainda quebrar as barracas armadas pelas famílias para se abrigarem do sol. Só não o fizeram porque os trabalhadores decidiram desmontá-los antes. Apavoradas, mulheres e crianças correram para dentro do mato, várias pessoas passaram mal, inclusive, algumas que foram feridas no massacre em 1996.

O advogado da CPT foi categórico em afirmar que, caso ele e os defensores públicos não estivessem no local, uma tragédia poderia ter acontecido, pois os dois policiais chegaram com intenção de provocar o confronto com os Sem Terra e estavam totalmente descontrolados, sem quaisquer condições de dialogar sequer com o advogado e os defensores. Todos os policiais do batalhão de choque estavam com as tarjas de identificações cobertas. A CPT vai acionar judicialmente o Delegado e o Coronel pelo crime de abuso de autoridade.

A ação desmedida do Coronel, do Delegado e também da governadora contra o MST se deu devido à destruição, no meio da semana, de casas da fazenda Maria Bonita de propriedade do banqueiro Daniel Dantas. O governo do Estado e os fazendeiros acusam o MST por este fato e há, inclusive, um pedido de prisão preventiva contra Charles Trocate, líder do MST, que nem se encontrava no estado do Pará quando o fato aconteceu.

Onde a injustiça corre solta

O grupo de Dantas já comprou mais de 50 fazendas na região, a maioria das propriedades adquiridas na região de Marabá, incide sobre área dos castanhais, cuja legislação estadual (Lei nº 913/54; Decreto Lei nº 57/69; Decreto Lei nº 7.454/71) impõe aos detentores desses imóveis, dentre outras obrigações, a de manter preservadas as áreas de castanhais, priorizando seu extrativismo, bem como ter autorização do Estado para vender o imóvel a terceiros. O estado do Pará não foi consultado sobre as vendas para o grupo de Daniel Dantas e, em todos os imóveis, os castanhais foram destruídos e substituídos por capim. Além dessas infrações, em quase todas as fazendas há incorporação ilegal de terra pública aos imóveis. Este fato já foi comprovado na fazenda Cedro, localizada em Marabá.

A partir de denúncia feita pela CPT de Marabá à Ouvidoria Agrária Nacional, foi requerida uma fiscalização do IBAMA nos imóveis do grupo ocupados pelos trabalhadores Sem Terra. Em 15.04.09, na fazenda Espírito Santo, fiscais do órgão ambiental registraram que não há cobertura vegetal nos 10.599 hectares que compõe a fazenda. O grupo de Daniel Dantas foi multado em 50 milhões de reais e foi dado um prazo de 120 dias para a retirada do gado. Na fazenda Maria Bonita, os fiscais identificaram que não existia Licença Ambiental Rural para exercer atividade de agropecuária. O grupo Dantas foi multado em 7 milhões de reais e embargada qualquer atividade na propriedade. Por ter sido detectado a ausência total de cobertura vegetal em 6.316 hectares, o grupo foi multado em R$ 31 milhões. Foi dado também um prazo de 120 dias para a retirada do gado da propriedade. Mesmo com esse rol de crimes em suas propriedades, a governadora e o poder judiciário insistem em manter as terras nas mãos do banqueiro, preso pela Polícia Federal, por duas vezes, por desviar recursos públicos.

De janeiro a outubro do ano corrente, segurança e pistoleiros das fazendas do banqueiro já assassinaram um trabalhador Sem Terra e balearam gravemente outros 17 no interior das propriedades. Todos os crimes continuam impunes. Nos dois anos e 10 meses de governo de Ana Júlia, apenas no sul e sudeste do Estado, foram 66 fazendas ocupadas por 10.599 famílias; 101 trabalhadores e lideranças foram ameaçados de morte; 23 trabalhadores foram feridos a bala por pistoleiros e seguranças de fazendas; 17 trabalhadores foram assassinados na luta pela terra e 128 foram presos. Os conflitos agrários no estado do Pará são problemas sociais da maior gravidade que a governadora, a exemplo de seus antecessores, insiste em resolver com casos de polícia. Enquanto isso, pistoleiros e mandantes dos crimes gozam de total impunidade.

Fonte: MST
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