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novembro 02, 2010

Uma nova mídia está escrevendo o futuro

PICICA: Novas mídias estão nascendo. O futuro está começando. Com a expansão da banda larga em todo o país, ao final do governo Dilma Rousseff estarão consolidados os instrumentos que precisamos para mediar as relações entre os diversos campos das atividades humanas. Quem quiser se habilitar à produção de novos sentidos, está convidado a fazer parte de uma revolução nos meios de comunicação.


Terça-feira, 2 de novembro de 2010
ISSN 1519-7670 - Ano 15 - nº 614 - 2/11/2010

CREDIBILIDADE EM QUESTÃO
O poder de persuasão da mídia

Por Washington Araújo em 2/11/2010



Assim como sabemos que após uma chuva a cidade fica molhada, sabemos também que é imenso o poder de persuasão que os meios de comunicação têm atualmente junto à sociedade: as manchetes dos jornais, as chamadas na TV, as notícias instantâneas na internet, os comentários nas emissoras de rádio, todos esses "suportes" do campo midiático ganham imediata repercussão, espraiando-se pela sociedade com velocidade alucinante. 

Ainda que em alguns casos não seja algo feito de caso pensado, é fato que a utilização de manchetes de jornais e capas de revistas em programas eleitorais dos candidatos à presidência da República tornou-se mais que corriqueiro no presente pleito de 2010. O candidato José Serra foi brindado com dezenas de manchetes, capas e ilustrações constantes de veículos da mídia impressa, com direito a que locutores leiam os textos e adicionem observações de condenação a quem já é contumaz condenado pelo jornalismo de nossas revistas e jornais de maior circulação.

Nos últimos dias da campanha, algumas manchetes do jornal Folha de S.Paulo sobre comprovada corrupção em licitação para construção de linhas do metrô paulista também se transformaram em material televisivo para a campanha de Dilma Rousseff. Mas nesse jogo de ver bola levantada na imprensa escrita em apoio candidato Serra, o tucano ganhou de lavada: converteu a cada semana diversas capas de jornais em material de sua propaganda política. A ocorrência do expediente só fez crescer o sentimento de que nossa imprensa mais vistosa não apenas tinha seu candidato ao Planalto como também se mostrou seu mais importante instrumento para alavancar votos e constranger sua principal oponente. E como tudo tem um custo – porque também na mídia não existe almoço grátis –, quem paga o preço mesmo é essa coisa muitas vezes intangível chamada credibilidade jornalística.


Interesses determinados

Uma análise mais detida dará conta que os processos comunicativos e os processos político-eleitorais são mais entrelaçados do que podemos imaginar. São vasos comunicantes em que se misturam tanto desprezo quanto preconceitos comezinhos pelo governo de plantão, com a almejada e incontida pressão para que haja alternância na chefia do Poder Executivo. É assim que práticas de corrupção em qualquer escalão do governo parecem estar sempre a poucos centímetros do presidente da República. O mesmo não ocorre com práticas similares afeitas à territorialidade do estado de São Paulo. 

Enquanto a campanha situacionista precisou se desdobrar para prover esclarecimentos, tomar ações administrativas de supetão, a campanha oposicionista pôde até "dar de ombros" para qualquer acusação que já foi suficiente para estancar qualquer iniciativa mais arrojada para continuar a investigação jornalística. Para um qualquer, onda pode se transformar em tsunami indonésio, enquanto para outro qualquer tsunami aterrador pode se transmutar em pequena marola de beira de praia.

A política, por estar representada com pessoas de diversas origens partidárias e ideológicas – seja pelo pouco "escolado" Tiririca ou por um "especialista em educação" Gabriel Chalita –, continua sendo palco para encenações e necessita da visibilidade proporcionada pelo campo midiático, já que qualquer acontecimento ou indivíduo só comprova que existe na sociedade se estiver representado na mídia. A visibilidade midiática e a complexidade desse meio levam os media a se constituírem enquanto campo social, isto é, a possuir regras e valores (axiologia), código e gramática próprios, e as costumeiras tensões com outros campos, além da busca por legitimidade, traço natural de qualquer campo social.

Conflitos e dinâmica da política diferem bastante daqueles que caracterizam o campo social da mídia. Política e mídia atraem para seu entorno um campo simbólico de disputa, onde parece reinar nossa velha conhecida lei da selva, segundo a qual cada um tem como principal missão defender seus próprios interesses. 

Principalmente os imediatos. Assim como a política exerce papel de articulação – articula ideias, lideranças, formulação legislativa e supervisiona a execução de políticas públicas –, a mídia também não prescinde desse mesmo papel e é a mídia que articula a informação que se transforma em notícia, a notícia que abastece a opinião e que desemboca na sociedade em uma mistura nem sempre palatável de fatos reais, fatos imaginados e opiniões sobre um e outro. A mídia sabe que para ter credibilidade – ser crível, digna de confiança dos consumidores de seus produtos – precisa, antes de tudo, ser pautada pela transparência e para a "publicidade" de fatos, com ênfase maior para aqueles carimbados como espetaculares ou pela simples ocultação ou supressão destes quando conflitarem com seus interesses.

Para escrever o futuro
Não faz muito tempo que a academia passou a considerar a mídia também como produtora de sentidos, e não somente mediadora entre os campos. E é no contexto da mídia como produtora de sentidos que percebemos que a visibilidade midiática se revela quase sempre através da massificação dos conteúdos jornalísticos, que movimentam um verdadeiro mercado no qual o consumo da informação não tem fronteiras econômicas, políticas, sociais, culturais ou comportamentais. É fato que em nossa sociedade do consumo da informação, da agilidade e da instantaneidade das notícias, ocorre a busca pelo que carregue nas tintas da diferença, do não-similar, do que trafega entre o grandioso e o épico, da aberração que se encaminha para a espetacularização pura e simples, se assim podemos dizer.

Não é arriscado inferir que se antes éramos buscadores de notícias, hoje a situação piramidal se inverteu por completo: são as notícias que nos buscam. E isso nos faz ter a sensação de que os telejornais são todos iguais, com variações meramente cosméticas, superficiais, e que a imprensa escrita, por trabalhar com as mesmas pautas, só pode se diferenciar uma da outra através da carga ideológica despejada no suporte por quem sabe apenas produzir jornalismo opinativo.

Crescendo o espaço de colunas de opinião, nos distanciamos mais dos fatos, da realidade factual, para tocar nas franjas de aspirações ideológicas. Mas se todos os colunistas rezam pela mesma cartilha ideológica, se tomam caminhos os mais diversos para trilhar e, ainda assim, insistem e forçam a barra para chegarem todos eles ao mesmo lugar e ao mesmo tempo, então estamos construindo um imenso edifício da singularidade em campanha aberta à pluralidade de pensamento. Enquanto o mundo se reorganiza em várias áreas de atuação, encontramos pesadas barricadas da mídia para manter tudo como está: não mexer em nada, fazer de conta que o mundo todo pode mudar, menos os seus conceitos do que é o jornalismo e a concepção de como poder ser exercido.

E não era, absolutamente, para ser assim. As transformações tecnológicas, os avanços da ciência que impactam tanto o que entendíamos como "acúmulo de conhecimento humano", tomaram de assalto os caminhos da informação desde sua produção até o seu usufruto. A concorrência dos suportes midiáticos tradicionais com os novos suportes – e o rápido acesso das massas da humanidade a seus poderes semimágicos a transitar entre o real e o virtual – formam um poderoso quebra-cabeças do que será a comunicação deste futuro-que-se-torna-presente quase que imediatamente.

A hesitação – ou seria o desnorteio? – dos que detêm o processo decisório sobre nossos veículos tradicionais de comunicação é que determina o tempo de sobrevida que lhes resta. Sábios e prudentes são os que aproveitam este momento atual para escrever o seu futuro, um futuro prenhe de coisas como pluralidade de pensamento, delegação de poder decisório, desconcentração de propriedade, abertura inaudita ao que é novo e ao que privilegia a velha e santa atividade de pensar.

Poderosos desdobramentos
A revolução no campo das comunicações, para sermos francos, ainda nem começou. Estamos vendo apenas os ingredientes serem apresentados um a um. Muitos destes nem se tornaram ainda conhecidos. Isto porque não existe caso na literatura humana que diga que as grandes revoluções do conhecimento começaram de fora para dentro. Não foram as máquinas que chegaram primeiro. Nem os tipógrafos, nem os foguetes chegaram primeiro ao mundo da existência. Primeiros eles brotaram dentro do ser humano e foram, como flor que é despetalada, se ajeitando, se organizando, encontrando seu lugar no mundo real.

Não demora mais três ou cinco anos e teremos condições de saber tudo o que acontece no mundo, do jeito que acontece, por que acontece desse e não daquele jeito e quais as consequências imediatas, no curto, médio e longo prazos do que aconteceu. E tudo isso será acessível a todos sem que paire sobre todos nós a ameaçadora sombra da incerteza e da dúvida.

Da mesma forma, não causará espanto algum se aqueles há tanto tempo marginalizados pela mídia, como se inexistentes fossem, resolverem ir a campo e criar seus próprios veículos de comunicação, seus próprios impérios de produção de sentidos e assumirem, eles mesmos, a mediação entre os campos em que se dá a atividade humana em toda a sua extensão e plenitude.

O futuro dos meios de comunicação tradicionais (rádio, jornal, televisão) precisa parar de lutar ante a evidência a que ele chegou, e daqui para a frente veremos não mais que seus poderosos desdobramentos. É tempo para se perceber como metáfora completa do dilema da comunicação estes versos de Pablo Neruda:


"Tu eras também uma pequena folha/ que tremia no meu peito./ O vento da vida pôs-te ali./ A princípio não te vi: não soube/ que ias comigo,/ até que as tuas raízes/ atravessaram o meu peito,/ se uniram aos fios do meu sangue,/ falaram pela minha boca,/ floresceram comigo."
Fonte: Observatório da Imprensa

agosto 01, 2010

Sobre as deformações do poder

Nota do blog: Tia Pátria, se tivesse viva, e lido o texto do ilustre professor João Bosco Araújo, publicado neste domingo, no jornal Amazonas em Tempo, certamente diria: "É o sujo falando do mal lavado". Tia Pátria, segundo o meu amigo João Bosco Chamma, arquiteto de formação, seria uma executiva se a baixa escolaridade e a pobreza não levasse essa filha de imigrantes portugueses, após a morte do pai, a vender um dos tacacás mais saborosos da cidade de Manaus, por mais de três décadas, entre os anos 1940 a 1960 - único modo que encontrou para sobreviver na incipiente economia daqueles anos. Sua banca de tacacá não poderia se situar em melhor lugar. Defronte à Faculdade de Direito, convivendo com inúmeros estudantes - que se tornariam personagem públicos, para o bem e para o mal -, aos poucos desenvolveu uma aguda percepção das manhas e artimanhas praticadas na política daqueles tempos provincianos. A vida sabe o que faz. Hoje na Manaus da Zona Franca, ela estaria, liderando greves, e sabe-se lá o que mais. Suponhamos que o Lula tenha tido uma oportunidade a mais na sociedade industrial da São Paulo dos anos 1960-1970. Experiência que lhe permitiu codificar o significado da relação de sua família com os "coronéis" da Garanhuns-PE da sua infância, bem como sua relação pessoal com o patronato paulista ao ingessar no mundo do trabalho. E que a partir daí tenha iniciado sua vida política, como resposta ao quadro de iniquidades vivida pelos trabalhadores brasileiros, sobretudo na ditadura civil-militar que se instalara no país desde 1964. Suponhamos que tenha sido a sabedoria acumulada ao longo do tempo que permitiu ao presidente Lula ter "superado" a falta de instrução, e assim galgar o mais alto posto da república. O que surpreende no texto do articulista é sua tentativa de banalizar o exercício do poder, reduzindo à dinâmica da vida política a um enredo fajuto de novela das 7. É de se esperar mais de alguém que conviveu com as fímbrias do poder, e que com ele estabeleceu relações de subserviência, como registra a crônica jornalística amazonense. A caracterização do que teria restado de Lula - aos olhos do articulista "contaminado e distorcido pela mosca azul do poder" -, perdoem-me os mais sensíveis,  parece mais com as identificações projetivas que acometem indivíduos que passaram pela experiência de submissão ao jogo do poder, que conhecem bem as manobras políticas usadas para manter-se ou beneficiar-se do poder. Não é só a deformação do poder que está em causa, mas a deformação intelectual, que mais uma vez tenta naturalizar a complexa relação entre as classes sociais no Brasil. Meu caro professor, as ambiguidades do governo Lula merecem crítica mais aprofundada, como a que enseja a afirmação de 'nunca os ricos ganharam tanto nem os pobres melhoraram tanto de vida'; ou a ainda a aliança com o capital exportador, em especial o agronegócio; na forma como a terra é explorada, com reflexos sobre nossa incipiente reforma agrária. Mas aí é muita farinha pra quem apenas pretendia fazer uma declaração de voto. Deixo pra outra ocasião, um aspecto que não é periférico no seu texto domingueiro: a relação de Lula com a imprensa, num cenário em que os meios de comunicação de massa flertam com o poder oligárquico. Em causa um outro aspecto da soberania e da defesa dos direitos fundamentais contra a oligarquia-nossa-de-cada-dia, capaz de provocar irreparáveis deformações. É isso aí!

abril 06, 2010

"A dança dos botos & outros mamíferos do poder"

Manaus, 5 de abril de 2010

A Livraria Valer tem a satisfação de convidá-lo(a) para o lançamento do livro A dança dos botos & outros mamíferos do poder, de Orlando Farias, que acontecerá dia 10 de abril, às 10h, na Livraria Valer, situada na Av. Ramos Ferreira, 1195 – Centro.

A ideia de organizar em livro um roteiro minimamente elucidativo sobre as eleições no Amazonas surgiu quando Orlando Farias viu alguns fatos dos quais foi testemunha, como repórter, serem deformados propositalmente e utilizados com fins escusos e deploráveis. O autor não apenas usou sua memória e anotações de repórter, como fez questão de reconstituir o período republicano do voto universal com base na memória de jornalistas ilustres e de jornais antigos e recentes.

Em A dança dos botos & outros mamíferos do poder, Orlando Farias tece a crônica da saga de um político pela conquista e conservação da sua hegemonia no poder e a formação de seus continuadores. Escrito em uma linguagem clara e objetiva, este livro revela episódios das disputas políticas no Amazonas. Nele o autor faz uma descrição dos bastidores da luta entre os principais protagonistas do jogo pelo poder em âmbito regional.

Na eleição de 1976, Orlando Farias já era repórter do jornal A Notícia e passou, assim, a acompanhar as eleições no Amazonas de uma forma privilegiada, sobretudo nos últimos 20 anos, período em que atuou nas esferas políticas. Seja como correspondente do Jornal do Brasil, redator da coluna “Sim & Não”, do jornal A Crítica, e redator da Coluna “Encontro das Águas”, do jornal Correio Amazonense. Dessa forma, Orlando Farias acabou compreendendo que tinha a responsabilidade de deixar documentado o volume de fatos, registros e acontecimentos sobre a vida política do Amazonas. E não apenas porque tornou-se aquilo que os jornalistas mais detestam, em função do perigo que representa: um verdadeiro arquivo vivo daqueles acontecimentos.

Sobre o autor

Orlando Farias é jornalista, autor de grandes reportagens na imprensa nacional e regional. Foi editor de colunas de opinião e atuou como correspondente do Jornal do Brasil. Recebeu prêmios de jornalismo, como dois Esso-Norte e Imprensa Embratel. Orlando é também um dos coordenadores do Blog da Floresta, site que se dedica a todos os assuntos de interesse da região amazônica, inclusive os da política, desde que se constituam notícias.

Evento: Lançamento do livro “A dança dos botos & outros mamíferos do poder”
Autor: Orlando Farias
Data: 10 de abril de 2010
Horário: 10h
Promoção: Livraria Valer
Local: Av. Ramos Ferreira, 1195 – Centro
Quanto: Entrada franca
Contatos: Valer: 3635-1324 / Autor: Orlando Farias – 9215-6636

www.livrariavaler.com.br
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dezembro 16, 2009

Simulacro e Poder: Uma análise da mídia

[ Amálgama ]

Melhores Leituras – 2009

[ Marjorie Rodrigues, jornalista e colaboradora do Amálgama ]

Simulacro e Poder: Uma análise da mídia, de Marilena Chauí (Perseu Abramo, 2006). Este livro é composto de três ensaios. O primeiro, mais longo, fala sobre como a mídia (em especial o jornalismo) ajuda a formar o imaginário social, reforçando mitos e estruturas de poder. Os dois outros falam sobre violência e direitos humanos – e a questão da mídia, embora diretamente relacionada ao tema, não é exatamente um ponto central.

O primeiro dos ensaios me tocou muito. Quando recomendo este livro para as pessoas, gosto de dizer que Marilena fez um trabalho de costureira. Como estudante de jornalismo que se enfiou no mercado desde o primeiro ano de faculdade, nada do que ela descreve é exatamente novidade para mim. Li praticamente todos os livros que ela cita (e, não, não estou tentando dar uma de pseudointelectual – é que os livros são leitura obrigatória de todo curso de jornalismo Brasil afora…) e, trabalhando, observei de perto as práticas, vícios e discursos que ela descreve tão bem. Mas me fascinou a maneira como ela pegou todas essas referências e as colocou numa ordem lógica, didática, cheia de sentido. Ela mostrou pontes que, para mim, estavam escondidas. Extraiu deste material todos os pensamentos que eu provavelmente levaria uns bons anos para atingir. Enfim, lançou luz sobre o que, para mim, era apenas um esboço muito rudimentar de raciocínio.

Um dos outros dois ensaios tem um trecho interessantíssimo sobre como a violência é algo que está em cada de um nós. Sobre como a nossa sociedade é, essencialmente, violenta. A violência é validada em diversas de nossas expressões culturais e é institucionalizada por meio do Estado. No entanto, não assumimos isso. Preferimos atribuir a violência apenas ao forasteiro, ao outsider, ao “bandido”. Preferimos enxergar como violência apenas os atentados contra a propriedade – a privada e a do corpo. Todas as outras pequenas (mas não menos importantes) violências do dia-a-dia são jogadas para baixo do tapete, para que não tenhamos de reconhecer o monstro em nós mesmos. Desde que o li, este trecho do ensaio vira-e-mexe me volta à cabeça. Passei a perceber, em pequenas coisas do dia-a-dia, o quanto isto é mesmo recorrente. Acho que não há um dia sequer em que eu saia à rua ou assista ao noticiário e não me lembre do ensaio, sempre concluindo: “É, Marilena, você tinha razão”. E livro bom é livro que faz isso, não? É aquele que te dá um novo par de óculos para enxergar o mundo.
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