Câmara Municipal homenageia deputado Praciano
Manaus, 27 de abril de 2010.
A Câmara Municipal de Manaus (CMM) concederá na próxima quinta-feira (29/4), às 10h, no plenário Adriano Jorge, a Medalha de Ouro Cidade de Manaus ao deputado federal Francisco Praciano (PT). A homenagem é de autoria do vereador José Ricardo Wendling (PT), juntamente com vereador Ademar Bandeira, mesmo partido, por meio de Projeto de Decreto Legislativo. Leia a noticia no endereço:
http://josericardopt.com.br/interna.php?pagina=noticia&codigo=139
PICICA - Blog do Rogelio Casado - "Uma palavra pode ter seu sentido e seu contrário, a língua não cessa de decidir de outra forma" (Charles Melman) PICICA - meninote, fedelho (Ceará). Coisa insignificante. Pessoa muito baixa; aquele que mete o bedelho onde não deve (Norte). Azar (dicionário do matuto). Alto lá! Para este blogueiro, na esteira de Melman, o piciqueiro é também aquele que usa o discurso como forma de resistência da vida.
abril 28, 2010
Denúncia internacional: grupo paramilitar ataca caravana de derechos humanos
Atacan a una caravana de observación de derechos humanos en Oaxaca; compañeros adherentes fueron baleados
Huajuapan de Leon Oaxaca a 27 de Abril del 2010
El día de hoy, martes 27 de Abril partió hacia el Municipio Autonomo de San juan Copala una caravana de observacion de derechos humanos; integrada por observadores nacionales e internacionales. Dicha comisión partió alrededor de las 13 horas, el objetivo de la caravana era el cese al hostigamiento, represión y asesinato de que son víctimas los y las integrantes del Municipio Autonomo de San Juan Copala, además de llevar viveres. ya que la comunidad fue cercada, sin contar con el derecho a la alimentación; al libre tránsito, todo esto es resultado de un política represora que ejerce el gobierno del estado; a través de su grupo paramilitar denominado Unidad de Bienestar social de la región Triqui (UBISORT).
El gobierno estatal ha hecho caso omiso de las denuncias que se han hecho sobre lo que acontece en la region triqui.
Sin embargo, hoy esta caravana que partió con este firme propósito fue recibida a balazos por el grupo paramilitar UBISORT en el centro de la población denominada la Sabana. Los resultados de este terrible y condenable ataque sobre la caravana aun son incuantificables. Se nos ha informado que Monica Santiago procedente de la ciudad de Oaxaca se encuentra hospitalizada en Juxtlahuaca, de la misma manera lamentamos informar que al parecer nuestra compañera Bety Cariño se encuentra herida, en el lugar de los hechos. EL ataque fue perpretado alrededor de las 14: 30 horas.
Hasta este momento no estamos seguros sobre la intergidad física y psicológica de nuestra compañera, ni de los demas participantes en la caravana.
Es por ello que responsabilizamos al C. Ulices Ruis Ortiz, a la Unidad de Bienestar Social de la Region Triqui (UBISORT) y quien resulte responsable de tan terribles actos.
Exigimos que el gobierno del estado, a través de la Policía Estatal entre a la zona para poder saber en que estado se encuentra nuestra compañera Bety Cariño y demás participantes de la caravana.
Alto a la represión contra el Municipio Autonomorespeto a los Derechos y Cultura Indígena.Rescate y presentación de todos y todas las participantes de la caravana.
Centro de Apoyo Comunitario Trabajando Unidos (CACTUS)
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URGENTE: Caravana de solidaridad que iba rumbo al Municipio Autónomo de San Juan Copala en la Región Triqui de Oaxaca, integrada por observadores internacionales, integrantes de CACTUS, VOCAL, de la Sección 22 del SNTE y de la APPO, fue balaceada en la comunidad de La Sabana controlada por la organización Unidad de Bienestar Social de la Región Triqui (UBISORT). Esta organización está impidiendo el rescate de los heridos. Reportes indican que hay al menos 15 heridos, se desconoce si hay muertos y se reporta que Alberta Cariño, directora de CACTUS, se encuentra desaparecida. Tememos que esta acción constituya una provocación que pueda utilizarse para justificar la militarización de la región Triqui.
Acción solicitada
Llamar al Gobierno de Oaxaca exigiendo que establezca las condiciones necesarias para el rescate de los heridos a través de la Polícía Estatal y los equipos de rescate y atención médica
Gobernador del Estado de Oaxaca
Ulises Ruiz Ortiz
Tel. 5015000 ext. 13005
Fax. 5015000 ext. 13018
Nodo de Derechos Humanos
www.nodho.org
Fuente: Enlace Zapatista
abril 27, 2010
Pelo fim da tortura, pela abertura dos arquivos da ditadura militar
oabriodejaneiro — 16 de abril de 2010 — Osmar Prado interpreta o comunista Maurício Grabois na Campanha pela Memória e pela Verdade, da OAB/RJ com apoio da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, pela abertura dos arquivos da ditadura militar.
***
Nota do blog: Enquanto a Argentina se reconcilia com sua história punindo torturadores do regime militar, no Brasil a ditadura militar deixou como legado a certeza da impunidade. Centenas de milhares de pessoas ainda hoje são objeto de tortura nas delegacias de polícia do país. O relato abaixo é mais um deles.
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TORTURA EM BRASÍLIA
Do protesto à tortura
Sábado, dia 17 de Abril de 2010, foi mais um dia que entrou para a História do Distrito Federal, dentro do contexto da maior crise Institucional- Política já enfrentada pela Capital desde sua Fundação, 50 anos atras. Os protestos se iniciaram na sexta-feira a noite, através de uma vigília convocada pelo Movimento Fora Arruda e Toda Máfia em frente à Câmara Legislativa do Distrito Federal. Na vigília houve músicas, brincadeiras como Mímica e reflexões.
O sábado começou agitado, das cerca de 30 pessoas que dormiram na vigília, às 14h da tarde o número saltou para quase 300 pessoas , uma hora antes de iniciar a seção da Câmara que elegeu o escolhido de Arruda pra Governar Interinamente o Distrito Federal até 31 de Dezembro. Estudantes, trabalhadores, cidadãos vieram de toda parte do DF protestar contra uma eleição totalmente ilegitima, que dos 24 votantes do seu colégio eleitoral, 10 parlamentares e suplentes foram flagrados na Operação Caixa de Pandora: a Eurides da Bolsa, o Geraldo Naves que saiu da Penitenciaria 4 dias antes da votação, entre outros.
Às 15h, quando iniciava-se a seção dentro da Câmara, na rua que dá acesso à CLDF manifestantes atearam fogo em pneus interditando por 10 minutos a via. Às 16h dezenas de manifestantes tentaram entrar na galeria para garantirem o ideal democrático de que na casa do povo, o povo, não pode ser impedido de entrar, ainda mais quando em nome dele, corruptos decidem. A resposta imediata da polícia militar, sobre o comando do Coronel Silva Filho (aquele que em 09 de Dezembro, a mando de Arruda, massacrou com cavalaria e muita violência 5mil cidadãos que protestavam em frente ao Palácio Buriti) foi de repressão violenta, cacetadas para todo lado, gás de pimenta, socos e pontapés. 20 pessoas ficaram feridas, 8 tiveram que ser atendidas em hospitais, 2 policias se feriram, 6 pessoas foram presas. Eu fui o segundo a ser preso.
Quando prenderam o primeiro companheiro, eu era um dos que gritavam para soltá-lo, e gritei bem forte várias vezes "Vocês têm que prender os filhos da puta que estão aí dentro votando em nosso nome". No meio do caos, muita confusão, um tenente já conhecido meu de outros protestos, olhou no meu olho enfurecido e disse que prenderia a mim. Eu disse "Prende então, não estou fazendo nada". Fui preso por desacato a autoridade.
A PM estava enfurecida, mas fui conduzido primeiro para a 2º DP, onde já encontrei rapidamente com o advogado do Movimento Fora Arruda e Toda Máfia, que me orientou a ficar em silêncio até a chegada dele na DRPI, para onde eu estava sendo transferido, pois era um direito constitucional meu. Fiquei 30 minutos na viatura, sem sofrer qualquer violência dos Policiais Militares. Chegando na DRPI, ainda sozinho, na presença apenas dos 3 policiais militares e 3 policiais civis, sentei-me no banco e aguardei, então começou a tortura moral. O policial civil agente Barcelar, que me torturou fisicamente momentos adiante, iniciou o dialogo com os policias militares dizendo que esses baderneiros deviam ser todos viados, porque ao invés de estarem em casa fudendo uma mulher, estavam nas ruas protestando, e aí seguiram-se as ofensas verbais, eu, calado.
Num dado momento o agente Barcelar me perguntou se minha identidade era do Distrito Federal, eu disse que era de Minas Gerais, aí, mais ofensas "O que você tá fazendo aqui seu merda? Você nem de Brasília é seu bosta e tá protestando, puta que pariu, etc". Em seguida perguntou meu nome para puxar minha ficha, eu disse "Só vou falar quando meu advogado chegar" isso foi o suficiente para dar início a tortura.
O agente Barcelar, (ex-carcereiro por mais de 15 anos, agora trabalhando no "Administrativo" ) após a minha simples frase de que estava aguardando meu advogado, deu a volta no balcão de atendimento, foi até a cadeira em que eu permanecia sentado, me pegou pela camisa me jogando com violência no chão, rasgando toda a lateral da camisa, e já iniciando uma série de murros na cabeça, chute, e me arrastando pelos cabelos junto a outro agente da polícia civil, que eu não soube identificar posteriormente porque eu estava no chão, e as duas mãos do agente Barcelar a a mão do outro agente me arrastaram pelos cabelos, pelos corredores da DRPI, até chegar na cela, onde, por estar sendo arrastado lesionei a coluna na barra de ferro do chão da cela.
O agente bateu a porta da cela e disse que eu era um merda e que iria apanhar mais.
10 minutos depois o advogado e outra estudante chegaram, de dentro da cela eu escutava o agente Barcelar dizer que eu tinha me jogado no chão, de lá da cela eu gritava que tinha sido espancado. Quando o advogado chegou diante da cela, lhe disse que fui espancado, o agente chegou a admitir na frente do advogado, dizendo que me puxou pelos cabelos porque eu não quis fornecer os dados que me solicitou. Mais adiante, conforme mais pessoas chegaram, o agente passou a dizer que nada aconteceu, que eu estava com a camisa rasgada e com visíveis marcas de agressão porque me joguei no chão.
Depois, fui conduzido enjaulado em uma viatura da Polícia Civil até o Instituto Médico Legal, onde foram constatadas todas as agressões que sofri na DRPI. O mesmo agente Barcelar tomou meu depoimento e se negou a colocar no inquérito as agressões que sofri, colocando a si próprio como vitima, me acusando de ter resistido a prestar informações.
Eis o Estado de Direito, onde Parlamentares corruptos nunca vão, e quando vão, nunca permanecem presos. Eis o Estado de Direito, onde você vai preso por desacato por protestar, e quando chega sozinho na Delegacia de Polícia, é ofendido verbalmente e em seguida espancado covardemente na presença de 6 polícias.
Parabéns Brasília? 50 anos de Quê?
Diogo Ramalho é estudante de Letras Espanhol da Universidade de Brasília; membro do Movimento Fora Arruda e Toda Máfia; coordenador executivo e editor político do Jornal O MIRACULOSO.
Sábado, dia 17 de Abril de 2010, foi mais um dia que entrou para a História do Distrito Federal, dentro do contexto da maior crise Institucional- Política já enfrentada pela Capital desde sua Fundação, 50 anos atras. Os protestos se iniciaram na sexta-feira a noite, através de uma vigília convocada pelo Movimento Fora Arruda e Toda Máfia em frente à Câmara Legislativa do Distrito Federal. Na vigília houve músicas, brincadeiras como Mímica e reflexões.
O sábado começou agitado, das cerca de 30 pessoas que dormiram na vigília, às 14h da tarde o número saltou para quase 300 pessoas , uma hora antes de iniciar a seção da Câmara que elegeu o escolhido de Arruda pra Governar Interinamente o Distrito Federal até 31 de Dezembro. Estudantes, trabalhadores, cidadãos vieram de toda parte do DF protestar contra uma eleição totalmente ilegitima, que dos 24 votantes do seu colégio eleitoral, 10 parlamentares e suplentes foram flagrados na Operação Caixa de Pandora: a Eurides da Bolsa, o Geraldo Naves que saiu da Penitenciaria 4 dias antes da votação, entre outros.
Às 15h, quando iniciava-se a seção dentro da Câmara, na rua que dá acesso à CLDF manifestantes atearam fogo em pneus interditando por 10 minutos a via. Às 16h dezenas de manifestantes tentaram entrar na galeria para garantirem o ideal democrático de que na casa do povo, o povo, não pode ser impedido de entrar, ainda mais quando em nome dele, corruptos decidem. A resposta imediata da polícia militar, sobre o comando do Coronel Silva Filho (aquele que em 09 de Dezembro, a mando de Arruda, massacrou com cavalaria e muita violência 5mil cidadãos que protestavam em frente ao Palácio Buriti) foi de repressão violenta, cacetadas para todo lado, gás de pimenta, socos e pontapés. 20 pessoas ficaram feridas, 8 tiveram que ser atendidas em hospitais, 2 policias se feriram, 6 pessoas foram presas. Eu fui o segundo a ser preso.
Quando prenderam o primeiro companheiro, eu era um dos que gritavam para soltá-lo, e gritei bem forte várias vezes "Vocês têm que prender os filhos da puta que estão aí dentro votando em nosso nome". No meio do caos, muita confusão, um tenente já conhecido meu de outros protestos, olhou no meu olho enfurecido e disse que prenderia a mim. Eu disse "Prende então, não estou fazendo nada". Fui preso por desacato a autoridade.
A PM estava enfurecida, mas fui conduzido primeiro para a 2º DP, onde já encontrei rapidamente com o advogado do Movimento Fora Arruda e Toda Máfia, que me orientou a ficar em silêncio até a chegada dele na DRPI, para onde eu estava sendo transferido, pois era um direito constitucional meu. Fiquei 30 minutos na viatura, sem sofrer qualquer violência dos Policiais Militares. Chegando na DRPI, ainda sozinho, na presença apenas dos 3 policiais militares e 3 policiais civis, sentei-me no banco e aguardei, então começou a tortura moral. O policial civil agente Barcelar, que me torturou fisicamente momentos adiante, iniciou o dialogo com os policias militares dizendo que esses baderneiros deviam ser todos viados, porque ao invés de estarem em casa fudendo uma mulher, estavam nas ruas protestando, e aí seguiram-se as ofensas verbais, eu, calado.
Num dado momento o agente Barcelar me perguntou se minha identidade era do Distrito Federal, eu disse que era de Minas Gerais, aí, mais ofensas "O que você tá fazendo aqui seu merda? Você nem de Brasília é seu bosta e tá protestando, puta que pariu, etc". Em seguida perguntou meu nome para puxar minha ficha, eu disse "Só vou falar quando meu advogado chegar" isso foi o suficiente para dar início a tortura.
O agente Barcelar, (ex-carcereiro por mais de 15 anos, agora trabalhando no "Administrativo" ) após a minha simples frase de que estava aguardando meu advogado, deu a volta no balcão de atendimento, foi até a cadeira em que eu permanecia sentado, me pegou pela camisa me jogando com violência no chão, rasgando toda a lateral da camisa, e já iniciando uma série de murros na cabeça, chute, e me arrastando pelos cabelos junto a outro agente da polícia civil, que eu não soube identificar posteriormente porque eu estava no chão, e as duas mãos do agente Barcelar a a mão do outro agente me arrastaram pelos cabelos, pelos corredores da DRPI, até chegar na cela, onde, por estar sendo arrastado lesionei a coluna na barra de ferro do chão da cela.
O agente bateu a porta da cela e disse que eu era um merda e que iria apanhar mais.
10 minutos depois o advogado e outra estudante chegaram, de dentro da cela eu escutava o agente Barcelar dizer que eu tinha me jogado no chão, de lá da cela eu gritava que tinha sido espancado. Quando o advogado chegou diante da cela, lhe disse que fui espancado, o agente chegou a admitir na frente do advogado, dizendo que me puxou pelos cabelos porque eu não quis fornecer os dados que me solicitou. Mais adiante, conforme mais pessoas chegaram, o agente passou a dizer que nada aconteceu, que eu estava com a camisa rasgada e com visíveis marcas de agressão porque me joguei no chão.
Depois, fui conduzido enjaulado em uma viatura da Polícia Civil até o Instituto Médico Legal, onde foram constatadas todas as agressões que sofri na DRPI. O mesmo agente Barcelar tomou meu depoimento e se negou a colocar no inquérito as agressões que sofri, colocando a si próprio como vitima, me acusando de ter resistido a prestar informações.
Eis o Estado de Direito, onde Parlamentares corruptos nunca vão, e quando vão, nunca permanecem presos. Eis o Estado de Direito, onde você vai preso por desacato por protestar, e quando chega sozinho na Delegacia de Polícia, é ofendido verbalmente e em seguida espancado covardemente na presença de 6 polícias.
Parabéns Brasília? 50 anos de Quê?
Diogo Ramalho é estudante de Letras Espanhol da Universidade de Brasília; membro do Movimento Fora Arruda e Toda Máfia; coordenador executivo e editor político do Jornal O MIRACULOSO.
Luiz Mott fala do seu livro "Bahia - Inquisição e Sociedade"
PROGRAMA DO JÔ
Sexta-feira, 23/04/2010
"Bahia - Inquisição e Sociedade" mostra período em que a inquisição era uma das leis máximas no país
Marina busca apoio da direita americana
Tucanos por detrás da candidata Marina
Foto postada em planetaignis.blogspot.com
Oleo do DiaboFoto postada em planetaignis.blogspot.com
Marina, a neocon verde
Leio que Marina Silva declarou, nos EUA, que "o Irã tem desrespeitado direitos humanos" e criticou a política externa do Brasil, que tem
procurado estabelecer diálogo com o regime dos aiatolás.
Tudo isso é tão emocionante. Marina agora quer o apoio da direita americana. Ela tem razão sobre o Irã, e ao mesmo tempo está profundamente equivocada. Em primeiro lugar porque participa deliberadamente da satanização midiática de um país, cumprindo os interesses da indústria bélica. Em segundo porque eu pensei que os problemas internacionais do Irã tinham a ver com seu desejo de adquirir a tecnologia nuclear, e não com sua política de direitos humanos.
Metade dos países africanos desrespeitam os direitos humanos de forma muito mais grave que o Irã. Aqui em Honduras, já temos seis jornalistas assassinados em poucos meses. Aliás, no Brasil mesmo, a legião de crianças usuárias de crack cresce diariamente. A violência nas cidades atinge níveis espantosos. Falta muito para que o Brasil possa dar lição de moral em direitos humanos para outros países. Sabe qual o índice de criminalidade no Irã? É quase zero. Acho que seria muito mais honesto se Marina Silva falasse dos problemas de seu próprio país, e não desse pitaco sobre o que não sabe. Pior: não participasse desse joguinho nojento da mídia americana (e suas subsidiárias mundo afora) de ir minando a imagem do Irã para preparar a opinião pública para uma outra guerra.
Eu já falei que não gosto do Irã. Mas realmente fico perplexo em ver como Marina Silva está incorporando o figurino do ultra-conservadorismo ecológico. Um pouquinho de verde aqui, outro acolá, e dá-lhe repetir o que publicam os falcões no Washington Post.
O Irã tem problemas graves, sim. Mas qual é? O mundo agora vai tirar uma onda de juiz do Irã? Por que só do Irã? Paquistão, China, Costa do Marfim, Arábia Saudita, também tem presos políticos e também desrespeitam os direitos humanos.
E por falar nisso, observo que o Globo tem feito ofensas ao Irã que ultrapassam sua leviandade costumeira. Para começar, a acusação de fraude. Acho isso um desrespeito terrível. Por acaso o Globo tinha repórteres no Irã para saber se houve fraude de fato? A suposta fraude não foi encontrada pelas autoridades competentes. Elas admitiram problemas, mas nada que pudesse mudar o resultado eleitoral.
Quem acusou a fraude, logo no dia seguinte ao pleito, foi o candidato perdedor. Outra palhaçada. Isso não é democrático. Se o candidato, que não por acaso era apoiado pelos EUA, suspeitava que pudesse ocorrer fraude, deveria ter feito denúncias antes da votação, e chamado observadores internacionais. Numa eleição, há um acordo moral de que ambos os candidatos respeitarão o resultado e confiarão na autoridade eleitoral. Se não houver essa confiança e esse respeito, não existe democracia.
A acusação de fraude tem o objetivo político de desacreditar o Irã. Quase todo o oriente médio é regido por monarquias totalitárias, ditaduras sem nenhuma perspectiva de democracia, e não ouvi Marina Silva ou editorialistas do Estadão fazerem qualquer crítica; e quando vemos, no Irã, o povo escolher democraticamente seus governantes, diz-se que não valeu, que houve fraude. Não creio que essa estratégia incentive a democracia a se disseminar pelo mundo.
Então é assim. O Irã frauda eleições, tem presos políticos, quer produzir mísseis nucleares. São maus. São feios. São bobos. Devemos, portanto, lançar umas bombas atômicas por lá para resolver o problema. Depois Marina Silva planta umas árvores em algum lugar e estará tudo certo.
Acesse www.oleododiabo.blogspot.com
Manifesto internacional contra Belo Monte
Companheiros e Companheiras.
Nesta semana, o MAB esteve participando da “Conferência Mundial dos Povos sobre Mudanças Climáticas e os Direitos da Mãe Terra”, que aconteceu em Cochabamba, na Bolívia. Lá expusemos a problemática referente à construção da usina de Belo Monte.
Frente à situação, 120 pessoas, vindas de 28 países e integrantes de 57 organizações escreveram o manifesto que segue abaixo, posicionando-se contrários à construção da barragem. É o avanço da internacionalização da luta!
Nos manteremos firmes!
Globalizemos a luta, globalizemos a esperança!
Alexania – MAB
_____________________________
La Via Campesina Internacional
viacampesina@viacampesina.org
MANIFESTO INTERNACIONAL EM DEFESA DA AMAZÔNIA E CONTRA A CONSTRUÇÃO DA HIDRELÉTRICA DE BELO MONTE
Nós, organizações que fazem parte da Via Campesina Internacional, apoiadores e amigos da Via, reunidos na “Conferencia Mundial dos Povos sobre Mudanças Climáticas e os Direitos da Mãe Terra”, na Bolívia, estamos acompanhando a luta contra a hidrelétrica de Belo Monte no Brasil. Diante disso, vimos nos manifestar publicamente, em caráter internacional, em defesa da Amazônia e contra a construção da Barragem de Belo MonteBrasil, que está sendo leiloada pelo Governo Brasileiro nesta semana.
Entendemos que está em curso uma ofensiva mundial das grandes empresas para apropriar-se dos bens naturais estratégicos em todos os países, como a água, a energia, a terra, a biodiversidade e os minérios, através de grandes projetos de desenvolvimento. Estes grandes projetos de interesses das transnacionais são contra os interesses dos povos, porque refletem na perda de soberania energética e alimentar. Por isso, temos assumido um compromisso internacional de denunciar e lutar contra esta lógica que tem como único objetivo a busca do lucro.
A região amazônica é uma das regiões mais ricas do mundo, com enorme diversidade, as maiores reservas mundiais de água, minérios, biodiversidade, terras, petróleo, gás, entre outros. Por ter essa diversidade de riquezas naturais, e por ser um dos últimos territórios com grandes quantidades de bases naturais, está no centro de todo e qualquer projeto das transnacionais.
No caso da energia das hidrelétricas, tem servido para ser usada para alimentar a indústria eletrointensiva exportadora (de alumínio, celulose, ferro, etc), considerada uma das mais poluidoras do mundo.
Em relação ao projeto de construção da hidrelétrica de Belo Monte, na Região Amazônica, nossa posição é contrária e esperamos que se cancele definitivamente este plano. Caso esta obra seja construída, entregará parte da Amazônia ao controle das transnacionais e ao mesmo tempo causará um dos maiores desastres sociais e ambientais.
Assim solicitamos às autoridades responsáveis que revejam este procedimento de tentar construir esta obra, e se estabeleça um amplo debate sobre esta questão e a questão energética envolvendo os amplos setores da sociedade.
Conclamamos finalmente a todo o povo e aos movimentos e entidades a continuarem suas lutas, a se solidarizarem em defesa da Amazônia e contra a hidrelétrica de Belo Monte.
Globalizemos a luta, globalizemos a esperança.
La Via Campesina, presentes em Cochabamba - Bolívia
28 países, 120 pessoas de 57 organizações.
Nota do blog: Companheiro presidente, não sou a favor de apagão, nem jogo no time do quanto pior melhor, tampouco nasci com vocação pra tucano. Certamente sou minoria no interior da democracia petista, mas quero, respeitosamente, fazer deste manifesto internacional o meu posicionamento pessoal. Soy contra!
Nesta semana, o MAB esteve participando da “Conferência Mundial dos Povos sobre Mudanças Climáticas e os Direitos da Mãe Terra”, que aconteceu em Cochabamba, na Bolívia. Lá expusemos a problemática referente à construção da usina de Belo Monte.
Frente à situação, 120 pessoas, vindas de 28 países e integrantes de 57 organizações escreveram o manifesto que segue abaixo, posicionando-se contrários à construção da barragem. É o avanço da internacionalização da luta!
Nos manteremos firmes!
Globalizemos a luta, globalizemos a esperança!
Alexania – MAB
_____________________________
La Via Campesina Internacional
viacampesina@viacampesina.org
MANIFESTO INTERNACIONAL EM DEFESA DA AMAZÔNIA E CONTRA A CONSTRUÇÃO DA HIDRELÉTRICA DE BELO MONTE
Nós, organizações que fazem parte da Via Campesina Internacional, apoiadores e amigos da Via, reunidos na “Conferencia Mundial dos Povos sobre Mudanças Climáticas e os Direitos da Mãe Terra”, na Bolívia, estamos acompanhando a luta contra a hidrelétrica de Belo Monte no Brasil. Diante disso, vimos nos manifestar publicamente, em caráter internacional, em defesa da Amazônia e contra a construção da Barragem de Belo MonteBrasil, que está sendo leiloada pelo Governo Brasileiro nesta semana.
Entendemos que está em curso uma ofensiva mundial das grandes empresas para apropriar-se dos bens naturais estratégicos em todos os países, como a água, a energia, a terra, a biodiversidade e os minérios, através de grandes projetos de desenvolvimento. Estes grandes projetos de interesses das transnacionais são contra os interesses dos povos, porque refletem na perda de soberania energética e alimentar. Por isso, temos assumido um compromisso internacional de denunciar e lutar contra esta lógica que tem como único objetivo a busca do lucro.
A região amazônica é uma das regiões mais ricas do mundo, com enorme diversidade, as maiores reservas mundiais de água, minérios, biodiversidade, terras, petróleo, gás, entre outros. Por ter essa diversidade de riquezas naturais, e por ser um dos últimos territórios com grandes quantidades de bases naturais, está no centro de todo e qualquer projeto das transnacionais.
No caso da energia das hidrelétricas, tem servido para ser usada para alimentar a indústria eletrointensiva exportadora (de alumínio, celulose, ferro, etc), considerada uma das mais poluidoras do mundo.
Em relação ao projeto de construção da hidrelétrica de Belo Monte, na Região Amazônica, nossa posição é contrária e esperamos que se cancele definitivamente este plano. Caso esta obra seja construída, entregará parte da Amazônia ao controle das transnacionais e ao mesmo tempo causará um dos maiores desastres sociais e ambientais.
Assim solicitamos às autoridades responsáveis que revejam este procedimento de tentar construir esta obra, e se estabeleça um amplo debate sobre esta questão e a questão energética envolvendo os amplos setores da sociedade.
Conclamamos finalmente a todo o povo e aos movimentos e entidades a continuarem suas lutas, a se solidarizarem em defesa da Amazônia e contra a hidrelétrica de Belo Monte.
Globalizemos a luta, globalizemos a esperança.
La Via Campesina, presentes em Cochabamba - Bolívia
28 países, 120 pessoas de 57 organizações.
Nota do blog: Companheiro presidente, não sou a favor de apagão, nem jogo no time do quanto pior melhor, tampouco nasci com vocação pra tucano. Certamente sou minoria no interior da democracia petista, mas quero, respeitosamente, fazer deste manifesto internacional o meu posicionamento pessoal. Soy contra!
Reforma Psiquiátrica e Medidas de Segurança
Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico
Foto: Rogelio Casado - Manaus-Amazonas-Breasil, 1998
Nota do blog: Em Manaus, no final dos anos 1980 foi criado o HCTP
numa velha delegacia, situada no interior da Penitenciária
Desembargador Vidal Pessoa. Nossas entidades de classe
ignoram essa sinistra instituição, onde 5 cinco
presidiários perderam a vida num incêndio
nos primeiros anos deste século.
Foto: Rogelio Casado - Manaus-Amazonas-Breasil, 1998
Nota do blog: Em Manaus, no final dos anos 1980 foi criado o HCTP
numa velha delegacia, situada no interior da Penitenciária
Desembargador Vidal Pessoa. Nossas entidades de classe
ignoram essa sinistra instituição, onde 5 cinco
presidiários perderam a vida num incêndio
nos primeiros anos deste século.
Documento elaborado pelo GT
Prisional do CRP SP foca a IV
Conferência Nacional de Saúde
Mental
publicada dia 19/4/2010
O Grupo de Trabalho Prisional do CRP SP elaborou um documento a respeito da Reforma Psiquiátrica nas Medidas de Segurança para contribuir na mobilização sobre esta temática nas discussões da IV Conferência Nacional de Saúde Mental, de 27 a 30 de junho, em Brasília. A carta aponta para diretrizes e ações relacionadas à justiça e às políticas de saúde mental.
Confira:
Para além dos manicômios judiciários
A reforma psiquiátrica antimanicomial e sua implementação na execução das medidas de segurança
A IV Conferência Nacional de Saúde Mental, a ser realizada entre os dias 27 e 30 de junho, em Brasília, precedida pelas etapas municipais e/ou regionais, tem como tema principal “Saúde Mental direito e compromisso de todos: consolidar avanços e enfrentar desafios”.
Considerando o caráter intersetorial da IV Conferência, principalmente o foco do Eixo I: “Saúde Mental e Políticas de Estado: pactuar caminhos intersetoriais”, abre-se caminho para um debate profícuo, bem como a pactuação de diretrizes e ações no que diz respeito à relação da Justiça com as políticas de Saúde Mental.
É fundamental que a IV Conferência Nacional de Saúde Mental aponte para avanços no tocante à execução de medidas de segurança, inclusive discutindo em profundidade as instituições manicomiais, que em cada Estado recebe denominações diferentes (hospitais de custódia e tratamento psiquiátrico, manicômios judiciários, casas de custódia, etc) que são destinadas para confinarem vidas a partir da determinação de um “tratamento compulsório”. É urgente a incorporação dessas questões na construção coletiva e intersetorial de políticas públicas da Saúde Mental.
De acordo com os dados de 2009 do Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN), são aproximadamente 3.900 pessoas em cumprimento de medida de segurança no Brasil, a esmagadora maioria confinada em instituições manicomiais, sendo que os índices apontam para a tendência de crescimento dessa população: em 4 anos houve um aumento de 40,93% (Dez. 2003 a Dez. 2007).
Defendemos que os dispositivos do Código Penal devem ser analisados sob a luz da Lei Federal mais atual e que versa sobre a mesma matéria, ou seja, analisado a partir da Lei 10.216/01 (Lei da Reforma Psiquiátrica) , no que diz respeito ao tratamento que será oferecido aos indivíduos submetidos à medida de segurança.
O Código Penal, no que se refere à aplicação das medidas de segurança, dispõe que se o agente que infringiu a lei for considerado inimputável, o juiz determinará sua internação (Artigo 26 do Código Penal). Contudo, de acordo com a Lei 10.216/01 (Lei da Reforma Psiquiátrica) , em seu Artigo 4º.: “a internação, em qualquer de suas modalidades, só será indicada quando os recursos extra-hospitalares se mostrarem insuficientes”, dispondo, inclusive, que o tratamento deverá ter como finalidade permanente a reinserção social do paciente (no § 1º deste Artigo). Além disso, temos no § 3º do mesmo Artigo que: “é vedada a internação de pacientes portadores de transtornos mentais em instituições com características asilares, ou seja, aquelas desprovidas dos recursos mencionados no § 2º e que não assegurem aos pacientes os direitos enumerados no parágrafo único do art. 2º”.
Se a medida de segurança não tem caráter punitivo – e de direito não tem – a sua feição terapêutica deve preponderar. Eis o argumento elementar levado à mesa de discussões. Muda-se o paradigma. A questão deixa de ser focada unicamente sob o prisma da segurança pública e é acolhida definitivamente pelos serviços de saúde pública. Não será a cadeia, tampouco o manicômio, o destino desses homens e dessas mulheres submetidos à internação psiquiátrica compulsória. (SILVA, Haroldo Caetano, “Implementação da reforma psiquiátrica na execução de medidas de segurança”, p. 11) É fundamental que retomemos o disposto na 1ª. Conferência Nacional de Saúde Mental, buscando efetivar avanços no que se refere à reforma psiquiátrica na execução de medidas de segurança: “Que se aprofunde a discussão sobre os manicômios judiciários, visando sua extinção ou profunda transformação”; bem como as diretrizes da 2ª. Conferência Nacional de Saúde Mental, que apontava para a extinção de “todos os dispositivos legais que atribuem periculosidade ao doente mental” e colocava como proposta uma articulação junto ao Ministério da Justiça,visando: “a extinção dos manicômios judiciários (‘hospitais de custódia e tratamento psiquiátrico’), de maneira lenta e gradual, semelhante aquela proposta para os hospitais psiquiátricos, devendo ser substituídos por modelos alternativos que possibilitem o cumprimento das medidas de segurança impostas e o recebimento de um tratamento humano e reabilitador”; e da 3ª. Conferência Nacional de Saúde Mental: “as condições de funcionamento dos manicômios judiciários (chamados hospitais de custódia e tratamento psiquiátrico) , para onde são encaminhados os pacientes que cometem delitos, constituem atentados aos direitos humanos, e precisam ser profundamente reestruturadas”….. “No horizonte da reforma, deve estar colocada a superação total desse tipo de estabelecimento.””
Vamos avançar na Reforma Psiquiátrica Antimanicomial ao abarcar a execução de medidas de segurança, espaço em que viceja com maior força o ideário da periculosidade das pessoas com transtornos psiquiátricos e a lógica de “tratamento” pelo confinamento e punição! Precisamos, juntos, enfrentar também este desafio que se coloca no horizonte de nossa luta coletiva!
Juntos, rumo à IV Conferência Nacional de Saúde Mental! Reforma Psiquiátrica Antimanicomial para todos!
CONSELHO REGIONAL DE PSICOLOGIA 6ª. REGIÃO (CRP SP)
Subscrevem esta Carta-Aberta:
1) Sindicato dos Psicólogos no Estado de São Paulo (SINPsi);
2) Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO – coord. Nacional), com a adesão das Regionais: Paraná, São Paulo, Espírito Santo, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Minas Gerais; e dos Núcleos: Sobral, Chapecó, Alto do São Francisco (MG), Triângulo Mineiro, São Paulo, Bauru, Pernambuco, Grão de Areia – Torres (RS), Vale do São Francisco;
3) Defensoria Pública do Estado de São Paulo – Setor Carcerário;
4) Pastoral Carcerária;
5) Fala Preta Org. Mulheres Negras;
6) Centro de Defesa dos Direitos Humanos de Campinas (CDDH Campinas);
7) Centro dos Direitos Humanos Maria da Graça Bráz (Joinville);
8) Conselho Carcerário de Joinville;
9) Ministério Público do Estado de Goiás – Promotoria da Execução Penal de Goiânia;
10) Movimento Nacional da População de Rua – Coord. SP;
11) Ação dos Cristãos para Abolição da Tortura – ACAT Brasil;
12) Sindicato dos Psicólogos de Minas Gerais;
13) Federação Nacional dos Psicólogos (FENAPSI);
14) Centro Santo Dias Direitos Humanos (CSDDH);
15) Centro de Educação Popular do Instituto Sedes Sapientiae - São Paulo - SP (CEPIS).
16) Instituto Sedes Sapientiae;
17) Comissão Teotônio Vilela;
18) Plenário do VII Congresso Regional de Psicologia de São Paulo;
19) Conselho Regional de Psicologia 07ª. Região (Rio Grande do Sul)
20) Associação Chico Inácio (Amazonas);
21) Instituto AMMA Psique e Negritude - Sao Paulo – SP;
22) Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial (RENILA);
23) NESM Bahia;
24) Núcleo Libertando Subjetividades;
25) Fórum Cearense da luta Antimanicomial;
26) Fórum Gaúcho de Saúde Mental;
27) Grupo Tortura Nunca Mais/RJ;
28) Núcleo de Estudos e Pesquisas em Psicologia e Processos Sociais - NEPPSO PUC Minas / Betim;
29) Centro de Estudos da Infância e Adolescência – CEIA;
30) Observatório do Controle Social no SUS Betim;
31) Coletivo Princípio Ativo (Porto Alegre);
32) PARALAXE: Grupo Interdisciplinar de Estudos, Pesquisas e Intervenções em Psicologia Social Crítica da UFC;
33) ONG da Inclusão/ Sã Consciência;
34) DEFNET - Centro de Informática e Informações Sobre Paralisias Cerebrais;
35) Núcleo de Estudos e Pesquisa Violências: sujeito e política - PUC-SP.
Caso sua entidade apóia esta carta, clique aqui para subscrevê-la.
Participe!
Fonte: CRP SP
abril 26, 2010
Tome uma atitude contra a impunidade da tortura no Brasil
oabriodejaneiro — 16 de abril de 2010 — Fernanda Montenegro interpreta Sonia Angel na Campanha pela Memória e pela Verdade, da OAB/RJ com apoio da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, pela abertura dos arquivos da ditadura militar.
***
TOME UMA ATITUDE CONTRA A IMPUNIDADE DA TORTURA NO BRASIL
DIVULGUE EM SUAS LISTAS E NÃO DEIXE SUA OPINIÃO DE FORA!
Envie sua carta aos Ministros do STF
4ª feira dia 28/04/2010 o Supremo Tribunal Federal julgará a ADPF-153 sobre a Lei da Anistia. Os Ministros irão decidir sobre um tema grave nos dias de hoje: a IMPUNIDADE DA TORTURA em nosso país. Esta decisão é importante pois uma derrota representará a não apuração dos crimes de lesa-humanidade praticados no Brasil, entre os anos 1964-1985, ocorridos durante o regime militar. Caracterizará também o descumprimento dos tratados internacionais RATIFICADOS PELO BRASIL sobre Direitos Humanos junto à ONU e será um retrocesso que contribuirá para a banalização da tortura no país.
"Nós estamos num momento crucial, acho eu, da história contemporãnea do Brasil. Trata-se de saber se a Corte Suprema vai ou não, defender a dignidade do estado brasileiro. Se o Supremo Tribunal Federal, que Deus não permita, julgar que a ADPF-153 em relação à Lei de Anistia, não é procedente. Só nos resta denunciar o Brasil perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos e outras instâncias internacionais. É preciso então que o estado brasileiro, assuma a sua posição repugnante de réu, de crimes contra a humanidade."
Fábio Konder Comparato
NÃO VAMOS DEIXAR QUE ISSO ACONTEÇA!
SEIS ATITUDES QUE VOCÊ PODE TER CONTRA A IMPUNIDADE DA TORTURA NO BRASIL
1- Coloque o banner anexo em sua página da internet ou Blog com o link: http://docs.google.com/View?id=dgn2gh6p_176hngc4jxn para multiplicar o acesso à página da campanha.
2- Encaminhe este email às suas listas para a difusão da campanha e potencialização do envio de cartas aos Ministros do STF.
3- Envie sua carta aos Ministros do STF posicionando-se a favor da OAB e da reinterpretação da Lei da Anistia, bem como pela responsabilização dos torturadores.
4- Assine o Manifesto que será entregue aos Ministros do STF. (Até 23/04 - temos 17.944 assinaturas)
5- Assista o Documentário "Apesar de Você - os caminhos da justiça" e recomende aos seus amigos, alunos e etc...
6- Reforce a presença em Brasília para o julgamento da ADPF-153 no STF dia 28/04/2010 às 14 horas. Podendo compareça ao julgamento!
DIGA NÃO À BARBÁRIE!
Entidades que convocam esta campanha
AJD - ASSOCIAÇÃO JUÍZES PARA A DEMOCRACIA
AMB - ASSOCIAÇÃO DOS MAGISTRADOS BRASILEIROS
CEJIL - CENTRO PELA JUSTIÇA E DITREITO INTERNACIONAL
ASSOCIAÇÃO AÇÃO SOLIDÁRIA MADRE CRISTINA - SP
ANIGO - ASSOCIAÇÃO DOS ANISTIADOS PELA CIDADANIA E DIREITOS HUMANOS DO ESTADO DE GOIÁS
APAP - ASSOCIAÇÃO DOS ANISTIADOS POLÍTICOS DE PERNAMBUCO
ACAT - ASSOCIAÇÃO DOS CRISTÃOS PARA A ABOLIÇÃO DA TORTURA
ASSOCIAÇÃO DOS METROVIÁRIOS APOSENTADOS E PENSIONISTAS DO RJ
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE ANISTIADOS POLÍTICOS APOSENTADOS E PENSIONISTAS DO RJ
CUT - CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES
COMISSÃO DE FAMLIARES DE MORTOS E DESAPARECIDOS POLÍTICOS
CJP-SP - COMISSÃO JUSTIÇA E PAZ DA ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO
DHNET - REDE DE DIREITOS HUMANOS E CULTURA - RN
FORÚM DE REPARAÇÃO E MEMÓRIA DO RIO DE JANEIRO
FORÚM DOS EX-PRESOS E PERSEGUIDOS POLÍTICOS DO ESTADO DE SP
GRUPO TORTURA NUNCA MAIS - BA
GRUPO TORTURA NUNCA MAIS - SP
INSTITUTO HELENA GRECO DE DIREITOS HUMANOS E CIDADANIA
INSTITUTO SEDES SAPIENTIAE
MPD - MINISTÉRIO PÚBLICO DEMOCRÁTICO
MJDH - MOVIMENTO DE JUSTIÇA E DIREITOS HUMANOS - RS
MNDH - MOVIMENTO NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS
MOVIMENTO TORTURA NUNCA MAIS - PE
NÚCLEO DE PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA POLÍTICA DE SP
OBSERVATÓRIO DAS VIOLÊNCIAS POLICIAIS - SP
SINDICATO DOS METALÚRGICOS DO ABC
SINDICATO DOS METROVIÁRIOS DO RJ
UNE - UNIÃO NACIONAL DOS ESTUDANTES
REVISTA VOZ DO BRASIL - SP
UNIDADE NACIONAL DE MOBILIZAÇÃO PELA ANISTIA - RJ
Cuba: verdad, conspiraciones y los falsos disidentes
Cuba marcha com Fidel
26-04-2010Mi Cuba entre la verdad, las conspiraciones y los falsos disidentes
Gianni Minà
il Fatto Quotidiano
Estimado director,
Me aprovecho de su buena disposición de publicar voces fuera del coro para reflexionar sobre un tema, Cuba, que me apasiona y conozco en profundidad. Por diez años, he dirigido la revista Latinoamérica, con la ayuda de escritores, poetas y premios Nobel de una parte del mundo que está en pleno cambio y que por eso en Europa se le ve con prejuicio. El Corriere della Sera, por ejemplo, por tercera vez en dos semanas, con las firmas de Pierluigi Battista, Elisabetta Rossaspina y Angelo Panebianco, lamenta que la reciente campaña en contra de Cuba después de la muerte del preso Orlando Zapata tras huelga de hambre, no haya suscitado una mayor implicación del público italiano, y en la práctica pide sanciones. La saña del Corriere della Sera es única, teniendo en cuenta que el diario más popular de Italia ignora, al mismo tiempo, inquietantes noticias sobre América Latina (el asesinato de periodistas en México con 15 muertes este año y 12 el anterior, o el descubrimiento en Colombia de la fosa común más grande de América del Sur con dos mil víctimas) y no da descanso a Cuba. Se ha iniciado una campaña que, evidentemente, no escapa a nadie y a veces roza lo grotesco.
Wired , por ejemplo, es una revista de las ediciones Conde Nast, interesada en los nuevos medios y las nuevas tecnologías. En la última edición italiana, hay una docena de páginas sobre Yoani Sánchez, bloguera de moda. Il Fatto Quotidiano también se ha hecho eco de ella. Creada por el grupo Prisa, Yoani transmite desde La Habana apoyada en un servidor alemán (propiedad del magnate Josef Biechel) con un ancho de banda 60 veces mayor que cualquier otro utilizado en Cuba. En Wired, Yoani es fotografiada y presentada como una poco probable modelo en fuga de un gobierno malo, que no le da una visa para ir a recoger todos los premios que organizaciones hostiles a la Revolución le conceden en medio mundo. La pobre bloguera se ve obligada entonces a dar cita a los periodistas occidentales a las 10 horas en el Parque Central.
Y sería creíble, sólo que Salim Lamrani, investigador y profesor en la Universidad Descartes, en París, se reunió con ella tranquilamente durante horas en el vestíbulo del Hotel Plaza, en una entrevista que publicaremos en el próximo número de Latinoamérica donde Yoani dice no reconocerse, aún cuando sus respuestas fueron grabadas por un moderno IPhone.
Sorprendentes detalles, pero no tanto: entre los fundadores y principales contribuyentes de Wired está Nicholas Negroponte, profesor universitario y socio del Departamento de Defensa de los Estados Unidos cuando Internet era sólo un proyecto militar. Nicolás es hermano del legendario John, estratega de la “guerra sucia” en los años 80 contra los sandinistas en Nicaragua y posterior presencia inquietante en Iraq, donde fue embajador en los días de la muerte de Nicola Calipari “agente de los servicios de inteligencia italiano” que acababa de salvar a la periodista del Manifesto Giuliana Sgrena, a manos del infante de marina Lozano.
Los artículos e iniciativas contra Cuba, sin embargo, siempre tienen sorpresas ocultas. Tiene sentido, por ejemplo, descubrir en la red las imágenes de la manifestación que, en Miami, abrió la nueva campaña de descrédito que comenzó el día posterior a la muerte de Orlando Zapata, preso por años en cárceles cubanas por delitos comunes y en los últimos tiempos muy unido a las Damas de Blanco, movimiento de disidencia subvencionado por el terrorista Santiago Álvarez. Tiene sentido porque en la manifestación encabezada por Gloria Estefan, cantante de éxito, hija de un ex guardaespaldas de la familia de Fulgencio Batista, dictador derrocado por la revolución cubana, marchó otro terrorista, el cubano Luis Posada Carriles, responsable, entre muchos otros crímenes, de hacer volar un avión de Cubana de Aviación en 1976 que causó 73 víctimas. Posada Carriles fue identificado también como uno de los autores intelectuales del asesinato del ex canciller de Allende, Orlando Letellier, asesinado en Washington en 1976 y la series de atentados ocurridos en Cuba en 1997 (entre las víctimas, el italiano Fabio Di Celmo).
Este Bin Laden de América Latina, encubierto por la CIA, camina libre por la calles de Florida y pide “libertad y democracia” a Cuba. Yo no sé si el ministro Frattini, quien la emprendió con Cuba luego del caso Zapata, conoce estas historias. Pero sí sé que no es creíble que el ministro de Relaciones Exteriores de un país que se autoproclama democrático, exalte la bondad de un embargo absurdo, impuesto por la exclusiva culpa de un país de haber elegido un destino no deseado por los Estados Unidos, un embargo que asfixia al pueblo cubano por 50 años, y que ha sido condenado 18 veces en las Naciones Unidas, con el voto de Italia incluido. Frattini sabe que, después de los 140 millones dólares destinados por Bush en 2008 para "cambiar el rostro en Cuba", Obama en 2009, pese a la crisis económica, ha destinado 55 millones para la misma causa. ¿Para qué piensa el buen Frattini que se utilizaría dicho dinero? ¿Para pacificar a un país u orquestar, en una sociedad ya herida por el terrorismo proveniente de la Florida, una estrategia de tensión? Pero a nuestro ministro le duele que Italia no se movilice contra la Revolución, ignorando el testimonio de que todos los medios de comunicación italianos se la pasan en esto semana tras semana.
Incluso Aldo Forbice, que intenta callar a cualquiera que difiera de sus puntos de vista, aboga en contra de Cuba en Radio Rai, con la complicidad de los radicales. En algunos casos, se suman algunos medios progresistas en política interna, pero que tratan con cuidado, de estar a la par de la línea de la Secretaria de Estado Clinton, ansiosa por recuperar el dominio que perdió Bush Jr. sobre el continente al sur de Texas. La mayor parte de los "disidentes" encarcelados en 2003 —alentados por la administración Bush, llevaron a cabo secuestros aéreos y el secuestro de la embarcación de Regla con turistas a bordo— fueron condenados por haber tomado dinero del gobierno en Washington, nadie sabe para qué servicios, que les fue otorgado por la oficina de intereses de los EE.UU. en La Habana. De haber ocurrido lo contrario, serían procesados en los EE.UU. por alta traición. Pero en la prensa italiana se habla de periodistas encarcelados por supuestos delitos de opinión, evitando el detalle de que muchos han sido contratados y pagados por el país que ha sometido a Cuba a un embargo de medio siglo. Por no decir que estos mercenarios perjudican enormemente a los verdaderos y sinceros disidentes y voces valientes como las de Ambrosio Fornet, Soledad Cruz, Senel Paz, Leonardo Padura, que publicamos en Latinoamérica y que, en la Revolución, critican y luchan por la reforma, porque el gobierno se libere del síndrome de asedio que retrasa la evolución de la sociedad cubana. En resumen, en los últimos meses no ha sucedido nada nuevo en la isla que justifique este asedio político.
Aún no llegan las aperturas de Obama (que recién se reunión con los “duros” de la Fundación Cubano-Americana) y con razón o sin ella, Raúl Castro, a su vez ha retrasado las reformas. Pero desde el final de la Cumbre de las Américas en Trinidad, los EE.UU. se han percatado de que la actitud de la mayoría de los países del continente ha cambiado. Y para la próxima cumbre de la OEA, Hillary Clinton tuvo que aceptar la reinserción, sin condiciones, de Cuba, luego de que el propio EE.UU., cincuenta años antes, había solicitado su exclusión. Este cambio político en América Latina se ha atribuido a la influencia de la isla, y con razón. Así se regresó a los viejos métodos, con la reactivación del argumento de los derechos humanos que hace 25 años inició Reagan contra la Revolución. Esto no era lo que se esperaba de Obama.
Traducido por Sergio Alejandro
Fuente: http://www.rebelion.org/noticias/cuba/2010/4/%3Ci%3Ehttp://www.lajiribilla.cu/2010/n468_04/468_24.html%3C/i%3E%3Cb%3E%3Ci%20/%3E%3C/b%3E
Fuente da la fuente: Rebelión
Atenção leitor para os discursos da direita e da esquerda brasileira
Serra vs. Dilma
[ Amálgama ] Esquerda, direita e os discursos
por Tiago Pereira * – Desde a queda do muro de Berlim, há mais de 20 anos, aparece, com maior ou menor força, o argumento da morte das esquerdas, da crise do socialismo. É como se, no apagar das luzes do grande farol, todos tivessem perdido o rumo. De fato, houve abalos que, inclusive, já vinham de antes da “crise”. Processo que gerou reflexão e auto-análises na busca de correção de rumos. No Brasil, esse discurso embola um pouco. Ninguém se assume de direita, por conta da ditadura. Mas também gostam de dizer que a esquerda não existe mais, e encerram o raciocínio com o batido chavão de que todos os políticos e partidos são “farinhas do mesmo saco”. Metáfora política dos tempos do império. Da escravidão.
A realidade, no entanto, mostra outra coisa. Esquerda na Espanha. Direita na Itália. Uma centro-direita na França e na Alemanha. Diversos modelos “à esquerda” na América Latina, uns mais originais, outros mais desastrados. Também estranhas direitas, como na Colômbia. Centro-esquerda no Japão, Estados Unidos e Inglaterra, talvez. E no Brasil. Tudo isso pra dizer que não concordo que a concepção de esqueda-centro-direita tenha se tornado arcaica para entender e analisar o mundo da política. Ainda não me convenceram de outra ótica possível. Logo, é aplicável ao nosso processo eleitoral, que cada vez mais se apresenta com a polarização entre uma candidata mais à esquerda e um candidato da direita. Tal situação pode ficar mais clara na comparação entre os discursos proferidos por Dilma e Serra, no mesmo dia, em locais diferentes, no sábado 10 de abril.
Durante a convenção da oposição (PSDB-DEM-PPS), no Distrito Federal, Serra apresentou o discurso: respeito às leis, patriotismo, apelo unificador e desenvolvimento econômico foram os eixos. “O governo deve servir ao povo, não a partidos e a corporações que não representam o interesse público. Um governo deve sempre procurar unir a nação. De mim, ninguém deve esperar que estimule disputas de pobres contra ricos, ou de ricos contra pobres”. A palavra “partido” aparece com conotação pejorativa e sempre em referencia ao partido do outro lado. Sequer menciona o seu, nem positivamente. Parece não valorizar as instituições partidárias, como se fora algo danoso à democracia, ou ainda, como se quisesse dissociar sua imagem à do PSDB. Além dos partidos, não faz referência aos movimentos sociais ou quaisquer outras organizações coletivas. Enxerga a política como atuação do indivíduo. O social não aparece. O lema “O Brasil pode mais”, cópia tucana do lema de Obama, pode virar uma armadilha. Listam uma série de falhas e apontando que podem fazer mais. “Nós sabemos como fazer isso acontecer”. Nós quem? O PSDB? E por que não fizeram? A comparação é inescapável.
Já Dilma falou aos “companheiros e companheiras do ABC”. Em vez de um discurso propositivo, optou primeiramente por falar do que não fará de jeito nenhum. “Eu não fujo quando a situação fica difícil. Eu não tenho medo da luta.” Palavras fortes, que de imediato foram distorcidas. Até o senso comum reconhece que nenhum militante ou simpatizante de esquerda ousaria atacar àqueles que, como Serra, tiveram que se exilar durante a ditadura. No entanto, o mínimo que a candidata pode fazer é enaltecer sua luta passada, ao superar situações, no mínimo, dramáticas, enquanto esteve presa por mais de dois anos pelos militares. Afirma lutar por princípios, por um país “desenvolvido com oportunidades para todos, com renda e mobilidade social, soberano e democrático”. Avisa que suas críticas serão “duras, mas serão políticas e civilizadas”, e emenda: “Eu não entrego o meu país. Tenham certeza de que nunca, jamais me verão tomando decisões ou assumindo posições que signifiquem a entrega das riquezas nacionais a quem quer que seja” – clara alusão ao processo de privatizações da era tucana. Discurso combativo, duro inclusive para os padrões normais daqueles que buscam agradar a todos.
Enfim, a guerra ideológica está colocada. Serra lembra Cuba, quase como o fantasma soviético de outros tempos. Aponta para a necessidade de preservação das conquistas democráticas, como se estivessem em xeque, mais um tradicional expediente conservador. Dilma fala de “respeito aos movimentos sociais”. Além de enaltecer o regime representativo, o voto, lembra que “democracia é também conquista de direitos e oportunidades. É participação, é distribuição de renda, é divisão de poder”, ressaltando a dimensão social da democracia. Serra fala na “ajuda de Deus e com a força do povo brasileiro”. Dilma inverte, “com a força do povo e a graça de Deus”. Taí. Direita e esquerda. O eleitor escolhe.
* Tiago Pereira, Mairiporã-SP. Blog: tiagopereira.wordpress.com.
Nem Serra, nem Ciro Gomes estão preparados para o Brasil
Ciro Gomes
Foto postada em 94fm.com.br
Oleo do Diabo Foto postada em 94fm.com.br
Não, Ciro. Serra não é mais preparado para enfrentar crise
Brizola Neto, em seu Tijolaço, comenta as manipulações feitas em torno das declarações de Ciro Gomes, exagerando sempre suas críticas ao governo e à Dilma, e omitindo os petardos que ele solta, como de praxe, contra o serrismo.
Não dá, todavia, para tampar o sol com a peneira. Ciro conhece de perto a disposição antilulista da mídia e tem inclusive se utilizado dessa contraforça para se projetar. É muito fácil. Basta criticar o PT em temas mais ou menos óbvios, de forma não muito violenta para não queimar pontes, nem suave demais a ponto de não chamar a atenção dos hidrófobos antipetistas da big press, obcecados em coletar e divulgar qualquer crítica a seus inimigos.
O Ciro de ontem resolveu elevar a dose de antipetismo para, proporcionalmente, ganhar mais mídia. Quanto mais violento for seu ataque ao PT e, particularmente, à menina dos olhos do petismo, a sua candidata Dilma Rousseff, mais holofotes se acenderão para Ciro Gomes desfilar.
Conseguiu. O nome Ciro aparece em todas as manchetes de jornal.
Ou seja, Ciro Gomes sabe o que fez.
A mídia parou de xingar Ciro Gomes, pintado agora como um campeão. Destemperado, mas valente.
As forças dilmistas, como era de se esperar, assistem a cena estarrecidas, com medo de qualquer manifestação que bote ainda mais fogo na fogueira.
Segundo a pesquisa Ibope, Ciro Gomes marcou 8% na pesquisa estimulada. Isso corresponde a quase 10 milhões de votos. Ele é uma figura importante no xadrez eleitoral, e sabe disso. Suas manifestações serviram como advertência, tanto aos governistas, quanto para a oposição. Ciro tem expertise midiática. Na verdade, ele se tornou uma espécie de celebridade.
Mas Ciro, outra vez, deslumbra-se com a luz dos holofotes. Por mais intensa que esta seja, o poder não está em quem está sob a luz, e sim em quem liga ou desliga a lâmpada. E não é Ciro quem faz isso.
O deputado está nitidamente confundindo política com uma cultura de celebridade, e querendo impor a sua opinião política, que é válida, mas é SUA opinião pessoal, ao povo brasileiro. Isso não se impõe. Conquista-se. Ser presidente da República não pode ser puramente uma ambição pessoal. O candidato deve estar no centro de um conjunto de forças políticas, partidárias e sociais, para ser um representante dessas idéias, e não de SUAS idéias.
Daí que o parlamentar declarou, no meio dessa confusão, que pode abandonar a política e virar "intelectual". Toda frase de Ciro recende a uma arrogância que me assusta. Em primeiro lugar, ele parece menosprezar a função do intelectual. Se quer virar intelectual, ótimo. O Brasil precisa tanto de intelectuais como de políticos, contanto, claro, que seja um intelectual competente e corajoso. Afinal, da mesma forma que há políticos corruptos e incompetentes, também há intelectuais desprezíveis.
Em segundo lugar, Ciro simula um ceticismo em relação à política que não é coerente, nem com sua astúcia, nem com as circunstâncias históricas. Nunca houve política ideal em lugar nenhum do mundo. Muito menos no Brasil. Provavelmente nunca haverá. A política, por ser um ringue onde se disputa o poder, sempre atrairá os espíritos mais violentos e mais ambiciosos. Isso é natural e por isso mesmo que os cidadãos devem se organizar para lidar da melhor forma possível com esse Leviatã.
As circunstâncias históricas atuais, por outro lado, também não respaldam o sarcasmo e o cinismo de Ciro Gomes, porque estamos testemunhando mudanças sócio-econômicas profundas no país e o deputado sabe disso. Em meio à névoa neo-maquiavélica em que partidos e forças sociais se digladiam, pode-se vislumbrar o povo caminhando, silenciosamente, discretamente, indiferentemente, em direção à um futuro um pouco melhor. É um silêncio cheio de orgulho, porque os governos não lhe fazem favor algum. É uma conquista de seus próprios direitos, e que lhe custou, nos últimos séculos, muita fome, muito trabalho, muito sofrimento. Ciro Gomes sabe disso. Ciro Gomes sabe que dezenas de milhões de nordestinos já morreram de inanição e doenças. Ciro Gomes sabe que as capitais do Sudeste foram construídas por braços nordestinos, ao mesmo tempo que o Nordeste agonizava.
Ciro Gomes sabe, enfim, que o Nordeste passa por uma fase de grande transformação social, registrando índices de crescimento econômico muito superiores ao do resto do país.
Não quero acreditar que Ciro, mesmo sabendo e testemunhando tudo isso, quer pular para o outro lado do balcão e defender os conservadores do Sudeste.
Irá Ciro agora defender que Serra está mais preparado que Dilma para enfrentar crise? Por quê? Serra não será um ditador. Será a cabeça de um conjunto de forças políticas, e essas forças, na minha opinião, não estão nada preparadas para enfrentar nenhuma crise, principalmente porque foram essas mesmas forças as grandes produtoras de crises no Brasil. A ideologia política do serrismo não passa de um êmulo tropical e mambembe das idéias estrangeiras que geraram a última grande crise econômica mundial.
O governo Serra não apenas não estaria preparado para enfrentar crises, como seria o pivô de muitas crises. Sua conhecida intransigência e seu centralismo autoritário deflagrariam conflitos em toda parte: com prefeitos, com governadores, com movimentos sociais, com sindicatos, com outros partidos.
Além disso, Serra se elegeria com um reduzido grupo de partidos. Os únicos aliados do PSDB são partidos decadentes, reacionários. Quase não são mais partidos. PPS e DEM já articulam integrar-se ao PSDB para escaparem a uma humilhante extinção natural. Ninguém mais quer votar em PPS e DEM. Esse é o governo mais preparado para crise?
Não tem sentido.
Um governo mais preparado para enfrentar uma crise é um governo forte, que lidera um amplo leque de alianças partidárias, que exerce com sucesso a mediação entre segmentos sociais fortemente antagônicos. Serra não serve para fazer esta mediação porque os tucanos defendem apenas um lado. Serra não tem apoio de nenhuma entidade sindical, trabalhista, estudantil, indígena, camponesa. Nenhum instituição com um mínimo de enraizamento popular apóia ou apoiará Serra.
Não, Ciro, Serra não está preparado.
Ao longo de sua carreira, Serra afastou-se do povo brasileiro, e de seus interesses.
Serra não está preparado para representar o Brasil lá fora.
Ele já começou atacando o Mercosul, uma das maiores conquistas da América do Sul das últimas décadas. Ao mesmo tempo em que defende que o Brasil amplie suas exportações de manufaturados, Serra não vê (por cegueira ideológica) que é o Mercosul, e a América Latina, o destino de 90% de nossos manufaturados.
Serra defende o belicismo neocon dos norte-americanos e já escreveu um artigo fortemente ofensivo ao Irã.
Contribuirá, portanto, para as articulações pró-guerra que os poderosos lobbies armamentistas semeam na mídia corporativa mundial.
Não, Ciro. Serra não está preparado. E, pelo jeito, tampouco você está.
Acesse www.oleododiabo.blogspot.com
Bolívia põe o guizo no pescoço do gato
Outras vozes
Segunda, 26 Abril 2010 00:00
Sílvia Ribeiro
Na Bolívia, teve rejeição enérgica e repetido ao "Entendimento de Copenhague" que quiseram impor os maiores responsáveis pela crise climática.
Tiquipaya, Bolívia. Mais de 35 mil pessoas responderam à convocação que lançou a Bolívia à Conferência Mundial dos Povos sobre Mudança Climática e Direitos da Mãe Terra (CMPCC), em Cochabamba, de 19 a 22 de abril. A terceira parte veio de 142 países em cinco continentes. A maioria dos participantes foram movimentos sociais, camponeses, indígenas, organizações de mulheres, ambientalistas, pescadores. Também foram representantes de governo de 47 nações, acadêmicos, intelectuais, ativistas, artistas, músicos. Debateu-se intensamente em 17 grupos de trabalho convocados pelos organizadores e 127 oficinas autorganizadas.
Ademais, uma das grandes federações indígenas da Bolívia: o Conselho Nacional de Ayllus e Markas do Qullasuyu (Conamaq), chamou com outros agrupamentos à "Mesa 18" para tratar temas que não viam refletidos na agenda da conferência, como a crítica a projetos mineiros, de gás e petróleo.
A convocação a esta cimeira ultrapassou todas as expectativas, tanto em número como em conteúdo, se convertendo numa meta histórica no debate internacional sobre a crise climática. Ante as manobras dos governos poderosos em Copenhague, a Bolívia convocou as bases das sociedades do mundo a manifestar suas posições e propô-las aos governos. Ambas coisas sucederam em forma contudente. Também se afirmaram as redes e interações entre os movimentos, com uma saudável distância das propostas de criar novas redes globais, agora sobre crise climática. Isto ficou para discutir entre os movimentos: a maioria não considera que se precisa uma nova estrutura, e sim mais interação e complementação.
Criou-se sim, uma base comum para a compressão, a análise crítica e as estratégias em frente à crise climática, enriquecida por diversas perspectivas desde muitas culturas, povos, organizações temáticas e sectoriais do continente e o mundo. O Acordo dos Povos em Cochabamba reflete isto (www.cmpcc.org) .
Teve rejeição enérgica e repetido ao "Entendimento de Copenhague" que quiseram impor vinte países -os maiores responsáveis pela crise climática- em dezembro passado. Os cínicos "compromissos" que ali se assinaram significariam um aumento da temperatura até de quatro graus, uma catástrofe anunciada para os povos do Sur. A CMPCC exige deter o esquentamento "descolonizando a atmosfera", com uma redução de 50 por cento das emissões de gases dos países industrializados em sua fonte, não mediante mecanismos de mercados de carbono, aos quais se opõe em todas suas variantes. Recusa também aos mecanismos chamados REDD, que sob o título de reduzir a desflorestação, na realidade aumentá-la-ão e provocarão a alienação da gestão dos bosques pelas comunidades e povos, além de promover os monocultivos de árvores, que não são florestas, mas agravantes das crises.
Emoldurando tudo isto, foi proposta uma denúncia das causas reais da crise climática planetária. "Confrontamos a crise terminal do modelo civilizatório patriarcal baseado no submetimiento e destruição de seres humanos e natureza, que se acelerou com a revolução industrial. O sistema capitalista impôs-nos uma lógica de concorrência, progresso e crescimento ilimitado. Este regime de produção e consumo procura o lucro sem limites, separando o ser humano da natureza, estabelecendo uma lógica de dominação sobre esta, convertendo tudo em mercadoria: o água, a terra, o genoma humano, as culturas ancestrais, a biodiversidade, a justiça, a ética, os direitos dos povos, a morte e a vida mesma", expressa o Acordo dos Povos.
Condena a agricultura industrial e as corporações dos agronegócios -directamente responsáveis por cerca da metade das emissões que causam a crise climática-, bem como os mecanismos e propostas que apoiam o avanço das trasnacionales e a devastação da Mãe Terra, como os tratados de livre comércio e a introdução de novas e arriscadas tecnologias, como transgênicos, tecnologia terminator, nanotecnología, geoengenharia e agrocombustíveis.
"Denunciamos como o modelo capitalista impõe megaprojetos de infra-estrutura, invade territórios com projetos extrativistas, privatiza e mercantiliza o água e militariza os territórios, expulsando os povos indígenas e camponeses das suas terras, impedindo a soberania alimentar e aprofundando a crise socioambiental", continua o Acordo dos Povos.
A declaração da "Mesa 18" enfatiza estes mesmos aspetos, criticando políticas extrativistas e projetos de exploração de hidrocarburos e mineiros do governo boliviano. Esclarece que a sua iniciativa não foi "uma tribuna para desacreditar ao governo nem para socavar a legitimidade de um conclave do que nos sentimos parte" (trata-se de) formular propostas que ajudem a endereçar o rumo do processo de mudança, assumindo a responsabilidade do defender e o proteger, porque foi concebido pelo movimento popular boliviano em muitos anos de luta"
A CMPCC propõe também estratégias e propostas, como reclamar a dívida ambiental, a criação de um tribunal internacional de justiça climática, a Declaração Universal dos Direitos da Mãe Terra. A a mais longo alcance segue sendo implementar a soberania alimentária, baseada em formas de vida e produção camponesas, indígenas e locais, que é o principal factor que enfria o planeta e o que pode o voltar ao equilíbrio, além de promover a justiça social e a biodiversidade.
Tudo isto e mais chegará a Cancum, onde as negociações oficiais sobre o clima reunirão em dezembro. Mas sobretudo, já está entre os movimentos sociais de todo mundo.
Fonte: La Jornada
Fonte da fonte: Diário Liberdade
O PT, seus intelectuais e os projetos para a Amazônia
Xochicuautla y la autopista from desinformémonos on Vimeo.
Este corto expone los problemas que viven en la comunidad mexicana de Xochicuautla al imponerse el desarrollo de una autopista que destruirá gran parte de su reserva forestal que alimenta los pozos de agua de la comunidad.
La comunidad se ha organizado y está luchando para que el proyecto sea cancelado.
La comunidad se ha organizado y está luchando para que el proyecto sea cancelado.
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abril 25, 2010
Sobre o Mindu e outras mortes
Parque Dez de Novembro e Igarapé do Mindú
Foto postada em bbs.keyhole.com - Manaus - Amazonas - Brasil
Nota do blog: O jornal A Crítica, deste domingo, anuncia que "O Centro histórico de Manaus tem 1.665 imóveis considerados unidades de preservação, a maioria empreendimentos privados comerciais e residenciais, mas somente 13 deles, pertencentes a cinco proprietários, receberão linha de crédito do programa Monumenta para promover obras como recuperação de fachada, embutimento da fiação elétrica e conservação da cobertura". Fiquei a pensar quem serão os felizardos contemplados com essa babita. Macacos me mordam se não estiver incluído no pacote o feliz proprietário de um imóvel que pertenceu a uma alta autoridade do estado, imóvel que ficou anos jogado às traças enquanto o ilustre personagem torrava seu rico dinheirinho fora do país. Pode ser que eu me engane, mas se não foi dessa vez, certamente ele constará na próxima lista. Enquanto isso, o meu considerado José Ribamar Bessa Freire, na crônica de hoje no Diário do Amazonas, mostra como um patrimônio natural vem sendo destruído lenta e progressivamente, sem que essa monumental burrice seja detida. O problema é que se despejam litros de tinta nos jornais, batucam-se milhares de carateres no espaço virtual condenando tamanha sandice, dezenas de mensagens de condolências e lamúrias são escritas, mas levantar a bunda da cadeira contra essa estupidez de destruir nossos patrimônios naturais neca de pitibiriba. É meu, querido amigo Ribamar, parece que estamos condenados a assistir de camarote os Mindus secarem, os Encontros das Águas poluirem, a Pontes da Bolívia virarem esgoto, os Monotrilhos destruirem o centro histórico da cidade enquanto não ocuparmos as ruas em defesa da urbe. Tenho sido voz isolada em alguns movimentos sociais que participo: é preciso agir para proteger a cidade. É preciso mais do que clamar urbi et orbis. O caso da defesa do Encontro das Águas é um caso único e isolado. Que ele inspire outros movimentos de cidadania! Tu sabes, querido amigo, que no início dos anos 1990 consegui unir alguns segmentos das classe médias na criação da Associação Amigos de Manaus - AMANA, em nome da defesa do nosso patrimônio histórico, paisagístico, cultural e arquitetônico. Entretanto, não resistimos aos traíras de sempre. Rezo todos os dias pra São Jorge, o guerreiro, para afastar essa panema que se instalou na tribo. Não tem sido mole, meu prezado!Foto postada em bbs.keyhole.com - Manaus - Amazonas - Brasil
AVISA QUE ESTÃO MATANDO O MINDU
José Ribamar Bessa Freire
25/04/2010 - Diário do Amazonas
Quinta feira, 22 de abril. Oito horas da manhã. Toca o telefone. Atendo. Ligação interurbana. É de Manaus. A voz de alguém que não conheço geme, angustiada, do outro lado da linha, pedindo socorro:
- "Estou agorinha presenciando um assassinato daqui da janela da minha casa, no Parque Dez!! Eu, minha mulher e minha netinha!!!"
Alarmado, aconselho que chamem a polícia. Justifico minha omissão:
- "Moro no Rio de Janeiro. Não posso fazer nada".
- "Pode sim! Pode escrever. Escreve. Avisa que estão matando o Mindu. Denuncia o crime. Dá o nome dos bandidos" – segredou a voz, num cochicho, como se temesse ser ouvida.
Depois, continuou descrevendo, lance por lance, o que via através da janela indiscreta. Narrativa tensa, cheia de suspense, como num filme de Hitchcock. Transcrevo o que ouvi, na esperança de que os criminosos sejam identificados e punidos. Duvido, no entanto, que a violência contra desconhecidos, hoje tão banalizada no Brasil, possa comover alguém.
Afinal, quem é que está preocupado em saber se um tal de Mindu está morrendo num bairro de Manaus? Azar o dele! Se a vítima fosse uma celebridade, vivesse na Islândia, se chamasse Eyjafjallajoekull e cuspisse fogo, vapor e fumaça preta, zoneando assim o tráfego aéreo, o mundo inteiro se agitaria. Mas Mindu, o inofensivo? Quem é Mindu no jogo do bicho? Ninguém sabe.
Parque Zero
Ninguém, vírgula! Os manauaras sabem. Conhecemos o Mindu, o maior igarapé da área urbana de Manaus. Ele nasce numa floresta próximo ao Jardim Botânico Municipal e atravessa toda a zona leste da cidade, num trajeto de mais de 20 quilômetros, correndo por um leito pedregoso. Vai se juntando a outros igarapés até desaguar no Rio Negro. Durante décadas, abrigou muitas espécies diferentes de pássaros, insetos, mamíferos, répteis, tartarugas e plantas e deu água fresca aos abundantes buritizais que, em troca, lhe proporcionavam sombra.
Sombra e água fresca: o Mindu era isso. Era quase um paraíso. Em uma de suas margens, terminava a cidade, em outra começava a floresta. De um lado, o bicho urbanóide. De outro, o bicho do mato. Foi ali, naquela região de fronteira, que suas águas foram canalizadas, em 1938, para formar uma piscina natural. O balneário, onde aos domingos as famílias faziam piquenique, foi batizado como ‘Parque Dez de Novembro’.
Hoje, poucos sabem as razões do nome. Era uma homenagem à data do golpe. Um ano antes, 10 de novembro de 1937, Getúlio Vargas fechou o Congresso Nacional, suprimiu as liberdades democráticas, instaurou censura férrea e prendeu e torturou os opositores. Dessa forma, o interventor no Amazonas, Álvaro Maia, puxava o saco do criador do Estado Novo.
Durante algum tempo, o Parque Dez e a boate Acapulco foram os últimos bastiões urbanos. Dali, saía uma estradinha de terra, carroçável, conhecida como V-8 (atual Efigênio Sales), acompanhando o sentido do igarapé, ao longo do qual se situavam pequenas chácaras transformadas em balneários ou ‘banhos’, como a gente chamava. Havia, entre tantos outros, o ‘Pecos Bill’, o ‘Tucunaré’ e ‘As Pedreiras’, da dona Dirce Ramos, viúva rica, que o repassou aos padres redentoristas.
Suas águas, onde meu irmão de dois anos morreu afogado, eram límpidas, cristalinas e potáveis. Mas depois do golpe militar de 1964, a censura impediu criticas ao modelo econômico dominante, que se lixava para o meio ambiente. Foi quando a Companhia Habitacional do Amazonas (COHABAM) construiu com recursos federais o conjunto residencial Castelo Branco – nome dado em homenagem ao marechal ditador. Manaus tinha, então, uns 300 mil habitantes. Aí começou a lenta agonia do Mindu.
Se o Mindu falasse
De lá para cá, a cidade cresceu. A mata foi devastada. Dezenas de novos bairros surgiram sem uma política ambiental e de saneamento básico. As residências passaram a despejar seus dejetos no leito do igarapé, transformando-o num fétido esgoto a céu aberto. A feira do bairro Amazonino Mendes joga nele todo seu lixo. A criação, em 1992, do Parque Municipal do Mindu, como área de interesse ecológico, foi uma tentativa de preservar o último refúgio verde do bairro. Mas o Mindu, “um rio que passou em minha vida”, já estava ferido de morte.
Para tentar salvá-lo, o então prefeito de Manaus Serafim Correa (PSB) aprovou, em 2007, o Projeto de Revitalização do Mindu, com a criação de estações de tratamento de esgoto e de um corredor ecológico. O objetivo era, de um lado, evitar que as suas nascentes fossem ocupadas, e de outro, transformar em área de lazer o espaço do parque. Pouco antes de sair da Prefeitura, garantiu, em 2008, um contrato de 128 milhões de reais, para realizar a obra pelo PAC- Plano de Aceleração do Crescimento.
No entanto, o atual prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PTB - vixe, vixe!) engavetou o corredor ecológico e decidiu substituí-lo pela construção de uma pista às margens do Mindu, seguindo o exemplo da Marginal do Tietê, em São Paulo. O Ministério Público Federal entrou com ação na Justiça, tentando recuperar o projeto original e, com ele, uma sobrevida para o Mindu. Até hoje, ninguém sabe o destino dos recursos, porque “desde que assumiu, Amazonino não divulga os gastos da Prefeitura”.
De qualquer forma, o crime que o leitor viu, de sua janela, ao lado da esposa e da netinha, quando se celebrava o Dia Mundial da Terra, dá a dimensão de que a estupidez humana não tem limites. Ele viu tratores, caminhões e caçambas trafegando pelas ciclovias, pelos gramados e pelo calçadão, que agora servem de lixeira para entulhos das obras, com muita sujeira, lama, poeira e lixo. Parece uma praça de guerra. Tudo em nome da especulação imobiliária e do lucro rápido.
Com 66 anos, aposentado, a testemunha do crime não se conforma com a agressão ao Parque, onde podia passear antes com a neta. Ele fotografou o processo criminoso: são mais de duzentas fotos nos últimos anos. O Mindu, hoje, como Itabira, é apenas um retrato na parede. Mas como dói! Nós e nossos filhos pagaremos caro por esse crime, se o poeta Thiago de Mello tiver razão, quando diz que não é só quem brinca com fogo que se queima. Quem polui a água, acaba se afogando no lodo, na cinza e na merda.
Mindu´u em língua guarani, significa mastigar, comer devagar, ruminar. O Mindu, em sua agonia, está ruminando. O quê? A reposta é dada pelo poema abaixo de Javier Heraud (1942-1963), o poeta-guerrilheiro peruano, que morreu aos vinte anos, baleado numa balsa no rio Madre de Dios, afluente do Beni, que deságua no nosso rio Madeira. Dois anos antes de morrer, aos 18 anos, publicou seu primeiro livro – El rio. Reproduzo aqui para os leitores um pequeno trecho do poema.
El río
1
Yo soy un río,
voy bajando por
las piedras anchas,
voy bajando por
las rocas duras,
por el sendero
dibujado por el viento.
Hay arboles a mi
alrededor sombreados
por la lluvia.
Yo soy un río,
bajo cada vez más
furiosamente,
mas violentamente
bajo
cada vez que un
puente me refleja
en sus arcos.
2
Yo soy un río
un río
un río
cristalino en la
mañana.
A veces soy
tierno y bondadoso. Me
deslizo suavemente
por los valles fértiles,
doy de beber miles de veces
al ganado, a la gente dócil.
Los niños se me acercan de
día,
y de noche trémulos amantes
apoyan sus ojos en los míos,
y hunden sus brazos
en la oscura claridad
de mis aguas fantasmales.
3
Yo soy el río.
Pero a veces soy
bravo
y
fuerte,
pero a veces
no respeto ni la
vida ni la
muerte.
Bajo por las
atropelladas cascadas,
bajo con furia y con
rencor,
golpeo contra las
piedras mas y mas,
las hago una
a una pedazos
interminables.
4
Los animales
huyen,
huyen huyendo
cuando me desbordo
por los campos,
cuando siembro de
piedras pequeñas las
laderas,
cuando
inundo
las casas y los pastos
cuando
inundo
las puertas y sus
corazones,
los cuerpos y
sus
corazones.
Fonte: TAQUIPRATI
Nota do blog: Veja aqui outras imagens do MINDÚ.
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