setembro 29, 2010

Huelga general em España. Todos a la calle!


europapress | 9 de setembro de 2010
Imágenes del videoclip que han realizado los sindicatos para anunciar la Huelga general del 29 de Septiembre.

*** 

La conciencia de la clase obrera está paralizando España – Más de diez millones de trabajadores secundarán la Huelga General
Que no soy de un pueblo de bueyes…



No soy de un pueblo de bueyes
que soy de un pueblo que embargan
yacimientos de leones,
desfiladeros de águilas
y cordilleras de toros
con el orgullo en el asta.
Miguel Hernández
1910-2010


España ha amanecido hoy paralizada por la Huelga General convocada por las centrales sindicales UGT y Comisiones Obreras y apoyada por las otras centrales clasistas y miles de organizaciones sociales, políticas, vecinales… Los trabajadores de las principales industrias, de los grandes centros de abastecimiento y distribución de alimentos, del transporte público, de la construcción y el metal, del sector portuario y del aeroportuario, de los medios de comunicación públicos, de la limpieza, de la sanidad y la educación, de las administraciones públicas… han hecho suyas las duras críticas de las organizaciones sindicales y políticas de izquierdas a la reforma laboral aprobada por el Gobierno socialista y lideran la gran protesta europea de hoy contra las agresiones a los derechos conquistados por la clase obrera a lo largo de décadas de lucha.

Los sindicatos calculan que, de los quince millones de trabajadores convocados a la Huelga General hoy, más de diez millones se han sumado o se van a sumar a la jornada de lucha y reivindicación de un cambio profundo en las políticas del Ejecutivo que preside Rodríguez Zapatero. Y esta tarde se espera una asistencia multitudinaria a las decenas de manifestaciones convocadas por las centrales sindicales. 

Después de meses de ataques y desprecio a los sindicatos de clase y a los derechos de los trabajadores por parte de la mayor parte de los medios de comunicación (con honrosas excepciones como las del diario Público), de seudo encuestas que pronosticaban un sonoro fracaso de la Huelga General, de manipulaciones del Gobierno y de sus medios afines, la clase obrera está demostrando en la jornada de hoy que mantiene intacta su capacidad de lucha, que cuando se organiza y moviliza en defensa de sus derechos es la protagonista de la Historia. 

El 29-S no es el final de la movilización, sino que puede y debe impulsar un cambio de ciclo político y social en España, ya que en el horizonte asomará pronto la “reforma” de las pensiones anunciada por el Ejecutivo en un sentido nuevamente regresivo. Queda mucho día aún por delante, esta tarde alzaremos nuestras banderas rojas y rojinegras en las manifestaciones, a partir de mañana analizaremos en nuestros centros de trabajo, en nuestros sindicatos y en nuestras organizaciones políticas el transcurso de esta jornada histórica y sus posibles repercusiones. Hablaremos también de la necesidad, evidenciada hoy por más de diez millones de trabajadores, de construir un gran referente político y social para que sus exigencias y sus esperanzas sean decisivas no sólo en la calle, sino también en las instancias de poder.

Pero hoy nos corresponde estar junto a nuestros sindicatos, expresar bien alto nuestra participación en la Huelga General y también, cómo no, sentir el orgullo de pertenecer a una clase social que, una vez más, ha demostrado su conciencia y su rebeldía, su irrenunciable aspiración a transformar un modelo económico y social profundamente injusto.
Rebelión ha publicado este artículo con el permiso del autor mediante una licencia de Creative Commons, respetando su libertad para publicarlo en otras fuentes.


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Fonte: Rebelión

As 10 estratégias de manipulação midiática, segundo Chomsky

Chomsky e as 10 estratégias de manipulação midiática

1 09 2010
Noam Chomsky elaborou a lista das “10 estratégias de manipulação” através da mídia:

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. “Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.


2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.
Este método também é chamado “problema-reação-solução”. Cria-se um problema, uma “situação” prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.


3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.
Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.


4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.
Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo “dolorosa e necessária”, obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que “tudo irá melhorar amanhã” e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.


5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.
A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê?“Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver “Armas silenciosas para guerras tranqüilas”)”.



6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos…


7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.
Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. “A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)”.


8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.
Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…


9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.
Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!


10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.
No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o “sistema” tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.


Ennio Candotti faz palestra no Museu da Amazônia

Às margens da educação

 

Ennio Candotti, diretor geral do Musa e Presidente de Honra da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Foto: Mario Oliveira

Na palestra desta quinta-feira, 30/9, Ennio Candotti, diretor geral do Musa, lança um desafio a estudiosos e pesquisadores: escrever textos que permitam incluir a Amazônia nos projetos educacionais do Estado. O roteiro de sua exposição prevê retratar, em traços curtos, a cultura e a história antes e depois de 1500, e imaginar um cenário para o futuro dos jovens amazônidas.

“Falarei da influência dos ambientes e do grande rio, suas cheias e vazantes, que estabelecem um calendário único no planeta. Perguntarei à educação se ela prepara os jovens para aqui viver: a floresta, o rio, o passado e seus conflitos, são amigos ou inimigos?”

Inspirado pela observação da natureza e pelas culturas indígenas que há séculos habitam a floresta e às margens do rios, Candotti coloca em discussão a construção de uma escola que realmente inclua a Amazônia e suas peculiaridades.

“Na natureza encontramos as leis do movimento dos planetas, da água em terra e dos pássaros no ar. Sabemos, porém, imitar a natureza? Fazer como ela faz - se alimentar de luz, água e CO2 como as plantas? Caminhar na água como o mosquito? Como então construir uma escola onde se aprenda a tecer a teia da aranha? E com que fio costurar suas paredes?”

O evento é aberto ao público e não há necessidade de inscrição.

Palestra: Às margens da educação
Palestrante: Ennio Candotti / Musa
Data: 30 de setembro
Horário: 17h
Local: Avenida Constelação 16, Conjunto Morada do Sol, Aleixo

Fonte: Musa - Museu da Amazônia

O Lestics e o Cronópios farão audição do novo álbum da banda

 



Lestics: primeira audição pública do novo álbum Aos abutres

O Lestics e o Cronópios estão programando para o próximo dia 4 de outubro, uma audição de todas as faixas do novo álbum da banda e mais algumas dos discos anteriores. Será um show bem intimista e servirá para a gravação de um especial e documentário para a TV Cronópios. Este será o nosso especial de fim de ano. Do Cronópios e do Lestics. O local da apresentação será o Nimbus Studios, tradicional estúdio de gravação de várias bandas independentes. O endereço é Rua Duílio nº 35 - Lapa - São Paulo. Serão poucos lugares, quem se animar e desejar acompanhar o show e a gravação, é só escrever para o Cronópios e pedir para colocar o nome na lista. Pode pedir pelo Café também que será atendido.


Editora Unicamp apóia o Cronópios

É com grande satisfação que venho informar a chegada da Editora Unicamp como apoiadora do Portal Cronópios. O banner, logo acima do Café Literário do site, dá acesso fácil a grandes obras, com direito a tira-gosto online dos livros. E também, claro, ajuda a manter o nosso Cronópios no ar. -Viva!!!

Pipol
Editor - Portal Cronópios


 

 
Mesa redonda discute os intelectuais do antiliberalismo
(DEBATE) O evento faz parte da série Encontros da Civilização Brasileira e marca o lançamento do livro Os intelectuais do antiliberalismo: Projetos e políticas para outras modernidades. Veja mais aqui.

A teoria do terceiro encontro
(CONTO) ... Ninguém é interessante além do terceiro encontro, eu disse certa vez para o meu antigo analista antes de trocá-lo pela literatura ...
Fernando Paiva


Fia
(CONTO) ... Nem a própria Fia sabia ao certo porque veio de ônibus. Tampouco porque não pegou um táxi na rodoviária. Como se a caminhada até a casa dos pais pudesse lhe devolver para a sua pacata cidadezinha ... Tetê Martins

Sarau Palavras Preferidas
Com organização de Claudio Nigro começa quarta-feira dia 29/09 o sarau mais eclético da cidade de São Paulo. Convocação geral para poetas, pensadores, filósofos, artistas e apaixonados. Mais informações, aqui.

WabiSabi
(COREOGRAFIA+FOTOGRAFIA+POESIA) ... Este é um trabalho que fiz com o fotógrafo Juliano Gouveia dos Santos a propósito do espetáculo WabiS abi, de 2008, da coreógrafa Susana Yamauchi ... Leila Guenther

Celine - Joubert e a ferida aberta da escrita
(ENSAIO) ... Qual a linha que separa o autor da obra? Questão sensível, com vários desdobramentos os quais, vez ou outra, ativados por uma força que é própria da literatura ... Nilson Oliveira

O silêncio das árvores
(CRÔNICA) ... Assim como alimento meu corpo com o cardápio matinal também nunca esqueço de alimentar minha alma com as palavras dos escritores e poetas ... Lucius de Mello

Anní bal Augusto Gama - Poesia vasta poesia
(PERFIL E POEMAS) ... Bem sabemos que a mídia a todo volume e os inimigos públicos da arte como nuvem de gafanhotos satisfazem com as mais recentes novidades editoriais a comodidade do leitor ... Marco Aqueiva

A volta da revista Corsário
A revista Corsário, de Fortaleza, e editada por Mardônio França, volta com força renovada para navegar por mares eletrônicos. Veja aqui o editorial
e o link de acesso
.


Da mesma forma
(NOVÍSSIMOS AUTORES) ... Ele tem um jardim que /estampa bem a frente da casa. /dentro, o sol bate e faz as /paredes ficarem com bastante vida /por volta das 10 da manhã. /mas é muito estranho, confuso e /belo ao mesmo tempo ... Isaías Faria

Aos Abutres, o novo álbum do Lestics
(ROCK' N' POETRY) ... É o nosso quarto trabalho em quatro anos. Uma média coerente com a ideia que nos levou a formar a banda, a saber, produzir bastante e não rosquear muita lâmpada ...
Olavo Rocha


O bispo
(MINICONTO) ... O bispo sabe que não sabe fazer bem o que a professora de catecismo pede ... Rinaldo de Fernandes

Poeta Boa Prosa - Alice Ruiz
Série de encontros mensais criada pelo Sesc Consolação, em São Paulo, apresenta a poeta, tradutora e compositora Alice Ruiz. O encontro terá mediação de Pipol, editor do Portal Cronópios. Dia 29 de setembro. Saiba mais aqui.

São Paulo / Espaços Culturais
(PARCERIAS) ... Compilar uma pequena amostragem destes locais para o Cronópios foi o que impulsionou a produção das reportagens realizadas por um grupo de alunos do curso de jornalismo ... Egle Spinelli

[19] Do violeiro ao funkeiro, da sextilha ao sonetilho
(ANARCHICO ARCHAICO) ... Em 2003, publiquei o livro O glosador mottejoso, no qual fazia minha propria leitura de alguns mottes correntes na poesia popular, sobretudo entre os cantadores, repentistas e chordelistas ... Glauco Mattoso

Leilah Assumpção, da fala ao grito
(PERFIL) ... Escolheu o Teatro por considerá-lo a forma mais viva de arte, aquela que permite contestar o mundo em que vive: sem definições e sem cátedra ... Ana Lúcia Vasconcelos

Tinteiros, tintas desenhadas
(POESIA VISUAL) ... O tinteiro é um objeto com discurso próprio, cujas formas desenho de observação ou de memória. Os tinteiros provocam o imaginário coletivo, como se fossem os fiéis depositários de todas as palavras ...
Constança Lucas


Vida em família
('EXERCÍCIO FICCIONAL') ... A família toda reunida - quase toda, faltaram alguns, como de praxe - em torno do aniversário do patriarca (o último? suspiravam alguns) ... Mauro Rosso

Hurra!
(POESIA) ... Saia da minha saia /desapareça da minha cabeça /desliga da minha liga /desolha do meu olhar ... Guilherme Mansur

Balas perdidas
(POESIA) ... Na rede estou: sou caça das palavras /que me caem em cima, matando, de vez, a coisa /passiva, pasto, passagem /garrafa ao mar, missiva /não fujo, não me escondo, deixo-me atravessar ... Ana Guimarães
 

André Egg analisa o futuro do lulismo

[ Amálgama ]



-- Dilma, Temer e Lula (foto: AE) --
por André Egg – Muita gente anda falando em lulismo. Na reta final das eleições, estamos na iminência de uma vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno, principalmente devido ao apoio do presidente. Também existe a perspectiva de eleição de um senado e uma câmera de forte maioria dos grupos políticos aliados a Lula.




Daí se fala (por exemplo no blog do Rudá Ricci) no perigo de um “lulismo” superpoderoso, quase totalitarista.

Balela.

Primeiro, é preciso ter em mente que não haverá lulismo sem Lula. Poderíamos falar em um lulismo totalitarizante se o presidente tivesse insistido em emplacar um terceiro mandato (se tivesse eleições ele ganharia fácil). Não foi o que ocorreu. Como FHC, Lula é um democrata, que respeita muito a estabilidade institucional conseguida a muito custo no Brasil.

Aliás, não custa lembrar, Lula será o primeiro presidente eleito em condições insuspeitas, que terminará o(s) mandato(s) obtidos nas urnas entregando o cargo a um sucessor escolhido em eleições limpas. Dizem que esta é a maior prova de democratização de um país.

O quê, você não está acreditando na minha afirmação? Bem, FHC também realizou essa façanha, mas o detalhe é que ele mudou as regras, acrescentando uma possibilidade de reeleição que não existia quando ele foi eleito. Outros presidentes na história? Antes de 1930 todas as eleições eram muito pouco “livres” ou “honestas”. Em 1930 a posse do presidente eleito foi abortada por uma revolução, e Getúlio ficou no poder até 1945. As eleições deste ano foram executadas sob intervenção de um golpe militar, sem normalidade constitucional. O eleito – Marechal Dutra, era um prócer filo-nazista, e seu governo de “abertura” foi um dos mais violentos e autoritários da história. Em 1950 Getúlio se elegeu de forma livre, mas cometeu suicídio antes do fim do mandato. Em 1955 Juscelino foi eleito, mas pairava uma incerteza jurídica sobre a validade de sua vitória sem maioria absoluta dos votos. O impasse só foi resolvido com uma viagem do eleito aos EUA, gesto que praticamente inviabilizou as tentativas de impedir sua posse. Eleito em 1960, Jânio governou somente 9 meses antes de renunciar. Em 1964 veio o golpe militar. O primeiro presidente eleito depois disso foi Collor em 1989, que não concluiu o mandato.
De modo que a democracia institucional está se consolidando no Brasil somente agora, no século XXI.

Mas, voltando ao tema, a não insistência de Lula em um terceiro mandato significa que o lulismo acaba este ano.
Lula terá influência em um governo Dilma? Talvez sim. Ele será uma eminência parda? Um homem a governar dos bastidores? Um garantidor da estabilidade política do novo governo? Duvido.

Dilma terá uma aliança política sólida no Congresso. Terá boa base aliada nos governos estaduais. Não é uma pessoa politicamente frágil. Pelo perfil dela, acho mais provável que ela tire Lula de cena muito rápido. Ele passará para a história como o maior presidente do Brasil. Poderá exercer diversas funções, quiçá se tornar uma liderança de apelo mundial como alguns ex-presidentes dos EUA (notadamente Jimmy Carter e Bill Clinton). No Brasil ele terá menos peso político do que hoje tem FHC.

Porque FHC continuou sendo, após deixar a presidência, o principal quadro do PSDB, o segundo maior partido brasileiro. Sim, porque o PMDB não conta – incha e desincha conforme conveniências de momento. Lula não será o principal quadro do PT. Sua força no partido derivava da condição de ser a figura de maior simbolismo político, de maior potencial como candidato futuro. Essa condição ele já perdeu. Sua prevalência sobre o partido tornou-se aguda quando ele esteve na presidência: tinha a caneta na mão, nomeava, fazia operações “cirúrgicas”, reforçando ou afastando quadros partidários do governo, conforme lhe convinha a própria sobrevivência política.

Agora, a prerrogativa estará com Dilma. Sua capacidade de governar é muito maior que a do próprio Lula. Enfrentará resistências muito menores que ele teve que enfrentar. Assumirá o país numa situação muito mais favorável. Governará por 8 anos e fará a maior transição política da nossa história. Quando estivermos aqui discutindo as condições políticas de sua sucessão em 2018, os partidos e os líderes políticos que tiveram importância no ocaso do regime militar e nas disputas da era FHC-Lula já terão se tornado coisa do passado. O Brasil estará num novo patamar.
E Lula terá sido vítima do próprio sucesso.

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Leia também:

setembro 28, 2010

Como se constrói e como se financia um império de comunicação para manipular informação

sucazu | 26 de outubro de 2007
reportagem, documentário

Nota do blog: Este post é dedicado aos que abraçaram o jornalismo como instrumento da liberdade. Se alguém duvida que haverá, mais uma vez, tentativa de manipular informação para influir no pleito elitoral de 2010, recomendo o vídeo acima. Ele foi realizado pela TV pública da Inglaterra, por isso você nunca viu na TV brasileira. As "famiglias" que controlam a mídia privada continuam unidas, e já deram sinais insofismáveis contra a candidatura Dilma Roussef. Só falta combinar com os russos. Na verdade, a sociedade brasileira nunca tolerou os abusos da imprensa, sobretudo quando ela atacou nossos grandes estadistas, como: Getúlio, JK, Jango, Brizola e Lula. Nem mesmo quando a mídia comercial apoiou o golpe e a ditadura civil-militar a sociedade silenciou. A concentração do meios de comunicação requer uma firme posição da sociedade. Chega de manipulação!

Todo poder tem que ter limites, diz a FSP. E quem impõe limites ao poder da midia privada? (Emir Sader)

Imprensa armada

ALAI, América Latina en Movimiento

2007-07-02

EE.UU

As conspirações da CIA e a mídia

Altamiro Borges
“A CIA tem o direito legítimo de se infiltrar na imprensa estrangeira. Ela tem a missão de influir, através dos meios de comunicação, no desenlace dos fatos políticos em outros países” ( Willian Colby, ex-diretor-geral da agência de inteligência dos EUA)

A sinistra CIA, a agência de espionagem e sabotagem dos EUA, acaba de divulgar vários documentos até então classificados como ultra-secretos. Eles compõem os arquivos sugestivamente chamados de “jóias da família”, apelido que designa algumas operações ilegais deste organismo que causam constrangimento ao governo ianque. São 11 mil páginas que revelam as ações terroristas do imperialismo em várias partes do planeta entre os anos 50 e 70. Os documentos comprovam que esta central de “inteligência” sempre teve um papel ativo na América Latina. A desclassificação periódica destes relatórios é uma exigência legal e não significa que a CIA tenha abandonado os seus métodos espúrios de interferência em nações soberanas.
 No caso do Brasil, tratado na época como “maior alvo do comunismo” na região, a CIA ajudou a orquestrar o golpe militar de 1964. Um dos documentos afirma que o presidente João Goulart é “um oportunista que ascendeu ao governo com o apoio da esquerda”, taxa Leonel Brizola de “líder demagogo anti-americano” e acusa o governador Miguel Arraes de ser “um pró-comunista”. O texto tenta criar um clima de pânico na burguesia ao falar da “crescente influência” do Partido Comunista. Outro documento, intitulado “A igreja engajada e a mudança na América Latina”, critica seu setor progressista e ataca dom Hélder Câmara, cujo “forte é fazer publicidade e exigir reformas, sem oferecer soluções práticas aos problemas que ele cria”.

Máfia e assassinato de Fidel Castro

Na época, no auge da chamada “guerra fria”, a maior preocupação dos EUA e de sua agência era com o aumento da influência da revolução cubana. Os documentos confirmam que a CIA se aliou à máfia para tentar envenenar o líder Fidel Castro. Um deles dá detalhes da contratação do ex-agente Robert Maheu para realizar “uma ação do tipo de gângsteres”, que envolveu vários chefes mafiosos, como Salvatore “Momo” Giancana, o sucessor de Al Capone. A CIA disponibilizou US$ 150 mil e forneceu seis pílulas “de alto poder letal” para assassinar o dirigente cubano. Allen Dulles, o chefão da agência, coordenou a operação terrorista pessoalmente, mas ela foi desativada devido a um grotesco incidente passional de Giancana.

Há também relatos sobre os planos da CIA para desestabilizar o governo chileno e assassinar o presidente Salvador Allende, inclusive com o uso de “empresas de fachada” para transportar armas. Outros relatórios descrevem várias operações ilegais de espionagem e sabotagem no continente, visando derrubar governos nacionalistas e destruir movimentos contrários ao dominio imperial. “Os EUA não podiam permitir uma outra Cuba no continente. Foi por isso que Kennedy, cuja diretriz da política para a América Latina era apoiar governos reformistas, apoiou ditadores”, explica Mary Junqueira, professora de história da USP.

Tarjas pretas e graves omissões

Os documentos agora desclassificados revelam apenas uma pequena parte dos crimes orquestrados por esta agência. Muitos textos ainda aparecem com longas tarjas pretas; nomes e detalhes das operações ilegais são omitidos. Não há menção, por exemplo, ao famoso “manual de torturas” da CIA, com seu “método médico, químico ou elétrico”, que serviu de orientação para vários ditadores no mundo. O assassinato de mais de um milhão de patriotas no golpe de 1965 na Indonésia também é excluído, assim como a brutal intervenção que derrubou o primeiro-ministro nacionalista do Irã, Mohammad Mossadegh, em 1953. Como afirma o jornal Hora do Povo, “a lista seletiva de crimes da CIA é uma operação de acobertamento”; visa limpar a imagem desta agência terrorista e de seus agentes e serviçais que continuam na ativa, inclusive na América Latina.

“O que estaria levando a famiglia Bush a divulgar estes documentos? Seria, como disse o general Michael Hayden, ‘porque os documentos verdadeiramente nos permitem vislumbrar uma era muito diferente e uma agência muito diferente’ e que a CIA agora tem ‘um lugar muito mais forte no nosso sistema democrático dentro do poderoso referencial legal’? Ele estaria se referindo a Abu Ghraib e Guantanamo? Ou às prisões secretas no mundo inteiro, seqüestros e vôos de tortura? Ao ‘Programa Talon’, dirigido contra organizações anti-guerra? Ou ao grampo da internet, do correio, do telefone e até dos cartões de consulta às bibliotecas dentro dos EUA? Às “novas técnicas” de preparação para a tortura, ministradas pelo general Miller? Aos atentados e esquadrões da morte da CIA no Iraque?”, questiona, com justa ironia, o jornal Hora do Povo.

Relações íntimas com a mídia
 Entre as graves omissões chama a atenção o fato destes documentos não se referirem às guerras ideológicas orquestradas pela CIA através do uso enrustido dos meios privados de comunicação. Como a mídia está na berlinda na atualidade, em especial na América Latina, é compreensível que o governo Bush a mantenha sob forte proteção. Neste sentido, os documentos desclassificados agora ficam muito aquém dos relatórios produzidos em 1976 por uma comissão de investigação do Congresso dos EUA, presidida pelo senador Frank Church. No caso do sangrento golpe militar do Chile, a comissão constatou que o jornal El Mercurio recebeu milhões de dólares para desestabilizar e derrubar o governo constitucional de Salvador Allende.

“A intromissão da CIA neste periódico chegou ao extremo de infiltrar seus agentes até na diagramação. O informe Church denunciou que este organismo de espionagem contratou jornalistas, editou publicações de circulação nacional e elaborou matérias para diários, semanários e radiodifusoras, além de exportar estes ‘conteúdos’ para outros veículos latino-americanos e europeus”, lembra o escritor chileno Hernán Uribe. Já no Brasil, há suspeitas de que a CIA financiou vários jornais e jornalistas na “cruzada contra o comunismo” durante o governo de João Goulart e que, inclusive, esteve por detrás do nebuloso acordo entre a empresa estadunidense Time-Life e a recém-criada TV Globo, na véspera do golpe militar de 1964.   

Espiões e seções especiais

Se estas barbaridades ocorreram no passado, é evidente que elas não foram descartadas no presente – ainda mais quando o ocupante da Casa Branca é o terrorista e torturador confesso, George W. Bush, e a América Latina vive um processo inédito de ebulição, com a vitória de vários governos progressistas. O jogo sujo da CIA, que só poderá ser conhecido oficialmente com as novas desclassificações daqui a décadas, prossegue. Os EUA temem as mudanças no tabuleiro político na região, não confiam em seus novos governantes – nem mesmo nos mais pragmáticos e conciliadores –, não toleram o avanço dos movimentos sociais e estão bem cientes dos riscos do atual processo de integração latino-americana. A CIA continua na ativa.

Numa recente passeata da direita venezuelana contra o fim da concessão da RCTV, algumas fotos flagraram a presença do agente da CIA Bowen Rosten, de camiseta azul e óculos escuros, na sua linha de frente. Há até um vídeo no Youtube com a cena grotesca. O ex-vice-presidente da Venezuela, José Vicente Rangel, no seu programa televisivo La Hojilla, comentou: “Um dos chefes da CIA na região é mister Bowen Rosten. Estadunidense, ele fala inglês, espanhol, português e francês. Está destacado para atuar na Colômbia, opera na Nicarágua, Argentina, Bolívia, Equador e Brasil e dirige a Operação Orión [de espionagem] em nosso país... O que o governo Bush tem a dizer da ingerência na política interna deste alto funcionário da CIA?”.

No final do ano passado, o presidente-terrorista Bush inclusive nomeou um diretor especial de inteligência para Cuba e Venezuela. Como denunciou o jornal cubano Juventude Rebelde, com a criação deste novo departamento “os EUA tentarão por todos os meios aumentar a presença de seus espiões nos dois países”. O agente Jack Patrick Maher, com 32 anos de experiência nos serviços de espionagem, informou ao congresso dos EUA que a sua missão é “assegurar a implementação de estratégicas”, com vistas à “transição” após a morte de Fidel Castro e às novas eleições na Venezuela. A criação desta seção especial da CIA coloca os dois países no mesmo nível da Coréia do Norte e Irã, nações incluídas no funesto “eixo do mal” de Bush.

Jornalistas pagos por Washington

A mesma ingerência ilegal e criminosa também prossegue na mídia da região. A advogada estadunidense Eva Golinger denunciou recentemente que a Casa Branca financia veículos e jornalistas venezuelanos. O plano da Divisão de Assuntos Educativos e Culturais visa influir na linha editorial destes órgãos. A grave denúncia se baseou em documentação oficial do governo ianque. “Lamentavelmente, existem jornalistas na Venezuela manipulados pelo Departamento de Estado dos EUA”, garante a renomada advogada. A VTV, o canal estatal de Caracas, inclusive divulgou os nomes dos “repórteres” que recebem dólares de Washington: Aymara Lorenzo, Pedro Flores, Ana Villalba, Maria Flores, Miguel Angel e Roger Santodomingo.

O último deles, Roger Santodomingo, foi acusado, em maio passado, pela Justiça da Venezuela de “instigar o magnicídio [assassinato de autoridades] e receber financiamento dos EUA para desestabilizar o governo”. O jornalista divulgou na televisão falsa pesquisa em que 30% da população opinava que “matar Chávez é a única solução”. Com a decisão soberana do governo de não renovar a concessão da emissora RCTV, que participou ativamente do golpe frustrado de abril de 2002, a ação destes e outros “jornalistas” teleguiados pela CIA se tornou ainda mais agressiva, convocando protestos e atacando o presidente.

Larry Rohter, agente da CIA?

Mesmo no Brasil, aonde inexiste o clima de radicalização política do país vizinho, há sérias desconfianças sobre a atuação da mídia hegemônica e de alguns colunistas e ancoras da televisão. Quando da reportagem do correspondente ianque Larry Rohter, que acusou o presidente Lula de ser alcoólatra e foi ameaçado de expulsão do país, o portal Resistir publicou um artigo de Célia Ladeira com graves denúncias contra o dito cujo. No texto, a professora de jornalismo da Universidade de Brasília (UnB) dá algumas informações reveladoras. “Conheci Larry Rohter há muitos anos e convivo com pessoas que o conhecem muito bem. Portanto, não estou dizendo muita coisa nova, mas dizendo coisas que poucas pessoas estão hoje sabendo”.

Entre outras acusações, ela afirma que “Larry não é só jornalista, mas um tipo de agente civil, bem pago, que faz coisas que CIA e FBI não podem fazer. Ele tem trabalhado em toda a América Latina, sempre com um caderninho de missões debaixo do braço”. Informa que são comuns as suas visitas ao Departamento de Estado dos EUA. “Média de uma visita a cada ano, sem contar os almoços com gente estranha dos serviços secretos”. Lembra ainda que o “jornalista” presta inúmeros serviços ao governo Bush, sempre desancando políticos e lideranças contrárias ao império, como numa reportagem em que ridicularizou a prêmio Nobel da Paz, Rigoberta Menchu, da Guatemala, e nos inúmeros artigos contrários ao presidente da Venezuela. Outra diversão dele é escrever textos pregando abertamente a internacionalização da Amazônia.

 
- Altamiro Borges é jornalista, editor da revista Debate Sindical e autor do livro “Venezuela: originalidade e ousadia” (Editora Anita Garibaldi, 3ª edição).

Fonte: América Latina en movimiento

Nota do blog: Enquanto os executivos da mídia golpista e políticos desesperados estão a lustrar a bala de prata preparada para ser cravada no peito da candidatura de Dilma Roussef – que não é outra do que a falsa denúncia de ameaça à liberdade de expressão – em Manaus, alguns articulistas da imprensa amazonense fazem um sofisticado exercício para se livrar da anemia intelectual que domina seus textos. Sobre a manipulação histórica da informação no Brasil, fato inconteste, sabido até pelos que não viveram a ditadura militar, nenhuma palavra. Ou se enturmam com o falso “coro dos descontentes” ou usam da inversão dos fatos, para por no banco dos réus legítimos defensores da liberdade de expressão. Lamentável!

Juristas lançam manifesto defendendo governo Lula

Carta ao Povo: Juristas lançam manifesto defendendo governo Lula

Um grupo de renomados juristas divulgou nesta segunda-feira (27) manifesto intitulado "Carta ao Povo Brasileiro", onde reafirmam o compromisso do governo Lula com a preservação e a consolidação da democracia no pais. Os juristas rebatem a tese do "autoritarismo e de ameaça à democracia" que setores da grande imprensa e a oposição vêm tentando imputar ao presidente Lula e ao seu governo, após o presidente ter feito críticas ao comportamento da mídia em relação à candidatura de Dilma Rousseff.

A iniciativa é uma resposta ao manifesto lançado por um outro grupo de juristas de direita, ligados ao PSDB e ao DEM, que lançaram texto a pedido dos empresários da mídia atacando o presidente Lula. (leia mais aqui)

"Nos últimos anos, com vigor, a liberdade de manifestação de idéias fluiu no País. Não houve um ato sequer do governo que limitasse a expressão do pensamento em sua plenitude. Não se pode cunhar de autoritário um governo por fazer criticas a setores da imprensa ou a seus adversários, já que a própria crítica é direito de qualquer cidadão, inclusive do Presidente da República", diz um trecho do documento, assinado por dezenas de personalidades do mundo jurídico, incluindo vários presidentes estaduais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

O documento registra ainda que é preciso deixar o povo "tomar a decisão dentro de um processo eleitoral legítimo, dentro de um civilizado embate de idéias, sem desqualificações açodadas e superficiais, e com a participação de todos os brasileiros".


Veja abaixo a íntegra do manifesto:


Em uma democracia, todo poder emana do povo, que o exerce diretamente ou pela mediação de seus representantes eleitos por um processo eleitoral justo e representativo. Em uma democracia, a manifestação do pensamento é livre. Em uma democracia as decisões populares são preservadas por instituições republicanas e isentas como o Judiciário, o Ministério Público, a imprensa livre, os movimentos populares, as organizações da sociedade civil, os sindicatos, dentre outras.


Estes valores democráticos, consagrados na Constituição da República de 1988, foram preservados e consolidados pelo atual governo.


Governo que jamais transigiu com o autoritarismo. Governo que não se deixou seduzir pela popularidade a ponto de macular as instituições democráticas. Governo cujo Presidente deixa seu cargo com 80% de aprovação popular sem tentar alterar casuisticamente a Constituição para buscar um novo mandato. Governo que sempre escolheu para Chefe do Ministério Público Federal o primeiro de uma lista tríplice elaborada pela categoria e não alguém de seu convívio ou conveniência. Governo que estruturou a polícia federal, a Defensoria Pública, que apoiou a criação do Conselho Nacional de Justiça e a ampliação da democratização das instituições judiciais.


Nos últimos anos, com vigor, a liberdade de manifestação de idéias fluiu no País. Não houve um ato sequer do governo que limitasse a expressão do pensamento em sua plenitude.


Não se pode cunhar de autoritário um governo por fazer criticas a setores da imprensa ou a seus adversários, já que a própria crítica é direito de qualquer cidadão, inclusive do Presidente da República.


Estamos às vésperas das eleições para Presidente da República, dentre outros cargos. Eleições que concretizam os preceitos da democracia, sendo salutar que o processo eleitoral conte com a participação de todos.


Mas é lamentável que se queira negar ao Presidente da República o direito de, como cidadão, opinar, apoiar, manifestar-se sobre as próximas eleições. O direito de expressão é sagrado para todos – imprensa, oposição, e qualquer cidadão. O Presidente da República, como qualquer cidadão, possui o direito de participar do processo político-eleitoral e, igualmente como qualquer cidadão, encontra-se submetido à jurisdição eleitoral. Não se vêem atentados à Constituição, tampouco às instituições, que exercem com liberdade a plenitude de suas atribuições.


Como disse Goffredo em sua célebre Carta: “Ao povo é que compete tomar a decisão política fundamental, que irá determinar os lineamentos da paisagem jurídica que se deseja viver”. Deixemos, pois, o povo tomar a decisão dentro de um processo eleitoral legítimo, dentro de um civilizado embate de idéias, sem desqualificações açodadas e superficiais, e com a participação de todos os brasileiros.




ADRIANO PILATTI - Professor da PUC-Rio

AIRTON SEELAENDER - Professor da UFSC

ALESSANDRO OCTAVIANI - Professor da USP

ALEXANDRE DA MAIA - Professor da UFPE

ALYSSON LEANDRO MASCARO - Professor da USP

ARTUR STAMFORD - Professor da UFPE

CELSO ANTONIO BANDEIRA DE MELLO - Professor Emérito da PUC-SP

CEZAR BRITTO - Advogado e ex-Presidente do Conselho Federal da OAB

CELSO SANCHEZ VILARDI - Advogado

CLÁUDIO PEREIRA DE SOUZA NETO - Advogado, Conselheiro Federal da OAB e Professor da UFF

DALMO DE ABREU DALLARI - Professor Emérito da USP

DAVI DE PAIVA COSTA TANGERINO - Professor da UFRJ

DIOGO R. COUTINHO - Professor da USP

ENZO BELLO - Professor da UFF

FÁBIO LEITE - Professor da PUC-Rio

FELIPE SANTA CRUZ - Advogado e Presidente da CAARJ

FERNANDO FACURY SCAFF - Professor da UFPA e da USP

FLÁVIO CROCCE CAETANO - Professor da PUC-SP

FRANCISCO GUIMARAENS - Professor da PUC-Rio

GILBERTO BERCOVICI - Professor Titular da USP

GISELE CITTADINO - Professora da PUC-Rio

GUSTAVO FERREIRA SANTOS - Professor da UFPE e da Universidade Católica de Pernambuco

GUSTAVO JUST - Professor da UFPE

HENRIQUE MAUES - Advogado e ex-Presidente do IAB

HOMERO JUNGER MAFRA - Advogado e Presidente da OAB-ES

IGOR TAMASAUSKAS - Advogado

JARBAS VASCONCELOS - Advogado e Presidente da OAB-PA

JAYME BENVENUTO - Professor e Diretor do Centro de Ciências Jurídicas da Universidade Católica de Pernambuco

JOÃO MAURÍCIO ADEODATO - Professor Titular da UFPE

JOÃO PAULO ALLAIN TEIXEIRA - Professor da UFPE e da Universidade Católica de Pernambuco

JOSÉ DIOGO BASTOS NETO - Advogado e ex-Presidente da Associação dos Advogados de São Paulo

JOSÉ FRANCISCO SIQUEIRA NETO - Professor Titular do Mackenzie

LENIO LUIZ STRECK - Professor Titular da UNISINOS

LUCIANA GRASSANO - Professora e Diretora da Faculdade de Direito da UFPE

LUÍS FERNANDO MASSONETTO - Professor da USP

LUÍS GUILHERME VIEIRA - Advogado

LUIZ ARMANDO BADIN - Advogado, Doutor pela USP e ex-Secretário de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça

LUIZ EDSON FACHIN - Professor Titular da UFPR

MARCELLO OLIVEIRA - Professor da PUC-Rio

MARCELO CATTONI - Professor da UFMG

MARCELO LABANCA - Professor da Universidade Católica de Pernambuco

MÁRCIA NINA BERNARDES - Professora da PUC-Rio

MARCIO THOMAZ BASTOS - Advogado

MARCIO VASCONCELLOS DINIZ - Professor e Vice-Diretor da Faculdade de Direito da UFC

MARCOS CHIAPARINI - Advogado

MARIO DE ANDRADE MACIEIRA - Advogado e Presidente da OAB-MA

MÁRIO G. SCHAPIRO - Mestre e Doutor pela USP e Professor Universitário

MARTONIO MONT'ALVERNE BARRETO LIMA - Procurador-Geral do Município de Fortaleza e Professor da UNIFOR

MILTON JORDÃO - Advogado e Conselheiro do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária

NEWTON DE MENEZES ALBUQUERQUE - Professor da UFC e da UNIFOR

PAULO DE MENEZES ALBUQUERQUE - Professor da UFC e da UNIFOR

PIERPAOLO CRUZ BOTTINI - Professor da USP

RAYMUNDO JULIANO FEITOSA - Professor da UFPE

REGINA COELI SOARES - Professora da PUC-Rio

RICARDO MARCELO FONSECA - Professor e Diretor da Faculdade de Direito da UFPR

RICARDO PEREIRA LIRA - Professor Emérito da UERJ

ROBERTO CALDAS - Advogado

ROGÉRIO FAVRETO - ex-Secretário da Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça

RONALDO CRAMER - Professor da PUC-Rio

SERGIO RENAULT - Advogado e ex-Secretário da Reforma do Judiciário do Ministério da Justiça

SÉRGIO SALOMÃO SHECAIRA - Professor Titular da USP

THULA RAFAELLA PIRES - Professora da PUC-Rio

WADIH NEMER DAMOUS FILHO - Advogado e Presidente da OAB-RJ

WALBER MOURA AGRA - Professor da Universidade Católica de Pernambuco


Fonte: Vermelho

Governo russo entrega documentos de Luiz Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança

DavidovitchTrotskii | 27 de maio de 2007
aos comunistas (nao oportunistas).

unite!
Imagens de Luiz carlos prestes, e no fim do video imagens do comeco da ditadura militar 1964-1985

***
Querid@s amigos,

recentemente atendendo a um pedido feito pela minha avó, Maria
Prestes, o governo Russo resolveu devolver ao Brasil vários documentos
relativos ao meu avô, Luiz Carlos Prestes, inclusive manuscritos seus,
que estavam em poder da KGB. Estamos muito felizes e a solenidade de
entrega será no dia 8 de outubro em Brasília.

Não está clara por enquanto qual será a destinação dos documentos. A
maior parte da família, incluindo minha avó, nove filhos e 25 netos
(não contamos os bisnetos pois são pequeninos) querem que os
documentos sejam encaminhados para o Arquivo Nacional para que fiquem
disponíveis para todos os cidadãos brasileiros.

Envio esta mensagem para pedir que todos aqueles que entendam que
estes documentos devam ir para o Arquivo Nacional enviem mensagens de
apoio neste sentido para a Embaixada da Federação Russa no Brasil:
consrus@mail.ru

Segue abaixo carta da minha avó ao Embaixador da Federação Russa no
Brasil, Sr. Serguey Akopov.

Abraço grande,

João Luiz Prestes Rabelo

*************

Prezado Senhor Serguey P. Akopov
Embaixador da Federação da Rússia no Brasil
SES Av. das Nações
Quadra 801 Lote A
70476-900 Brasília - DF

Rio de Janeiro, 21 de setembro de 2010.

Receba os mais sinceros cumprimentos.

Foi com alegria que a família Prestes recebeu a notícia da decisão do
Presidente Dimiter Medvedev em enviar para o Brasil cópia dos
documentos manuscritos de Luiz Carlos Prestes, depositado nos arquivos
da Federação Russa. Hoje já somos 10 filhos, 25 netos e 8 bisnetos!

Como é de Vosso conhecimento, a nossa família considera a Rússia a sua
segunda Pátria. Pois, foi esta terra que – em momentos difíceis –
protegeu todos os seus membros.

A vida de Luiz Carlos Prestes foi marcada por profunda admiração pelo
povo russo, sua capacidade de realização de façanhas no campo social,
político, científico e cultural.

Estamos de acordo com o Presidente Lula em encaminhar todos os
documentos que serão entregues a família, dia 8 de outubro, em
Brasília, para o Arquivo Público Nacional. São documentos importantes
para a História do Brasil. Documentos que poderão revelar novos
aspectos da vida e da luta de um dos maiores vultos da História
brasileira do século XX.

Decisão igual tomamos, quando doamos o acervo particular de Luiz
Carlos Prestes para a Universidade de Campinas (Unicamp).

Nos últimos anos temos nos dedicados a realizar obras em homenagem ao
Cavaleiro da Esperança. Construímos:

- Memorial Coluna Prestes Tocantins (na cidade de Palmas)
- Memorial Coluna Prestes Rio Grande do Sul (na cidade de Santo Ângelo)
- Memorial Coluna Prestes Paraná (na cidade de Santa Helena)- Memorial
Coluna Prestes Ceará (na cidade de Crateús)

Denominamos estradas, avenidas e ruas com o nome de Prestes nos
estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa
Catarina, Rio Grande do Norte e Distrito Federal. Dezenas de escolas e
creches também levam o seu nome.

Neste momento estamos nos preparando para a inauguração da Praça Luiz
Carlos Prestes em Montevidéu, Capital do Uruguai. No local, próximo ao
Palácio da Presidência da República, será erguido um monumento a
Prestes de autoria do arquiteto Oscar Niemeyer.

Sendo assim, aceitamos o honroso convite do Senhor Embaixador para
comparecer a Cerimônia oficial de entrega dos documentos de Luiz
Carlos Prestes, guardados durante dezenas de anos nos arquivos da
Federação Russa.

Desejamos que este momento fortaleça a amizade dos nossos povos.
Viva Rússia e Brasil!
Cordialmente,


Maria do Carmo Ribeiro Prestes (viúva de Luiz Carlos Prestes)

Tels: 21-22944874 begin_of_the_skype_highlighting
21-22944874      end_of_the_skype_highlighting / 2194229311
Rus das Acácias 101 apartamento nº 1104 – Gávea – Rio de Janeiro

Representa os filhos:
Pedro Fernandes Prestes (filho)
Paulo Ribeiro Prestes (filho)
Antônio João Ribeiro Prestes (filho)
Rosa Ribeiro Prestes (filha)
Ermelinda Ribeiro Prestes (filha)
Luiz Carlos Prestes Filho
Mariana Ribeiro Prestes (filha)
Zoia Ribeiro Prestes (filha)
Yuri Ribeiro Prestes (filho)

Nota do blog: Para Arnaldo Carrilho, Moscou deveria devolver todos os documentos relacionados à trajetória do Partidão, muitos deles queimados no Brasil, na iminência de batidas policiais durante o regime militar. "Do anarquismo à fundação, desta a 1935 e daí à soltura dos comunistas em 1945, à cassação, aos efeitos no Brasil do "Discurso Secreto" perante o XX Congresso do PCUS (1956), ao golpe de 1964 e ao assassinato e desaparecimento dos cadáveres de mebros do CC durante o período Geisel (1974-79) - tudo isso está solidamente documentado na Rússia. Nossa documentação é bastante escassa a respeito, pelo motivo acima apontado e outros...", afirma Arnaldo Carrilho, e conclui: "até inícios de 1957, os comunistas brasileiros não admitiam a veracidade do discurso (o Astrogildo não deixava), muito menos das suas denúncias: perguntem ao Milton Coelho da Graça e ao Givaldo Siqueira, meus colegas na FND-UB".

Nota do blog: Este post é dedicado aos meu amigos de infância, comunistas desde criancinha, em especial ao Guto Rodrigues, o filho do Carapanã, e nascido na gloriosa Matinha, que passou poucas e boas em defesa da liberdade. E claro, ao eterno Cavaleiro da Esperança, que me foi apresentado por Jorge Amado, ainda na juventude. 

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Comité Directivo de la Radio Comunitaria Ñonmdaa La Palabra del Agua. Tlachinollan. Centro de Derechos Humanos de la Montaña Con [...]
Compañeras: y Compañeros: Cafetería Comandanta Ramona y Rincón Zapatista invitan Septiembre* el otro grito ¡YA BASTA! Este miércoles 29, 6 [...]

setembro 27, 2010

The Independent afirma que a vitória de Dilma será uma celebração da decência política e do feminismo

27 de setembro de 2010 às 12:25
The Independent: A mulher mais poderosa do mundo
Tradução completa do Título: The former guerrilla set to be the world's most powerful woman
Antiga guerrilheira pronta para ser a mulher mais poderosa do mundo
Hugh O’Shaughnessy – do jornal britânico Independent, reproduzido na Carta Maior

reutersDilma Rousseff em sua foto da ficha policial de 1970, quando ela liderava um grupo revolucionário
A mulher mais poderosa do mundo começará a andar com as próprias pernas no próximo fim de semana. Forte e vigorosa aos 63 anos, essa ex-líder da resistência a uma ditadura militar (que a torturou) se prepara para conquistar o seu lugar como Presidente do Brasil.
Como chefe de estado, a Presidente Dilma Rousseff irá se tornar mais poderosa que a Chanceler da Alemanha, Angela Merkel e que a Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton: seu país enorme de 200 milhões de pessoas está comemorando seu novo tesouro petrolífero. A taxa de crescimento do Brasil, rivalizando com a China, é algo que a Europa e Washington podem apenas invejar.
Sua ampla vitória prevista para a próxima eleição presidencial será comemorada com encantamento por milhões. Marca a demolição final do “estado de segurança nacional”, um arranjo que os governos conservadores, nos EUA e na Europa uma vez tomaram como seu melhor artifício para limitar a democracia e a reforma. Ele sustenta um status quo corrompido que mantém a imensa maioria na pobreza na América Latina, enquanto favorece seus amigos ricos.
A senhora Rousseff, a filha de um imigrante búlgaro no Brasil e de sua esposa, professora primária, foi beneficiada por ser, de fato, a primeira ministra do imensamente popular Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ex-líder sindical. Mas com uma história de determinação e sucesso (que inclui ter se curado de um câncer linfático), essa companheira, mãe e avó será mulher por si mesma. As pesquisas mostram que ela construiu uma posição inexpugnável – de mais de 50%, comparado com menos de 30% – sobre o seu rival mais próximo, homem enfadonho de centro, chamado José Serra. Há pouca dúvida de que ela estará instalada no Palácio Presidencial Alvorada de Brasília, em janeiro.
Assim como o Presidente Jose Mujica do Uruguai, vizinho do Brasil, a senhora Rousseff não se constrange com um passado numa guerrilha urbana, que incluiu o combate a generais e um tempo na cadeia como prisioneira política.
Quando menina, na provinciana cidade de Belo Horizonte, ela diz que sonhava respectivamente em se tornar bailarina, bombeira e uma artista de trapézio. As freiras de sua escola levavam suas turmas para as áreas pobres para mostrá-las a grande desigualdade entre a minoria de classe média e a vasta maioria de pobres. Ela lembra que quando um menino pobre de olhos tristes chegou à porta da casa de sua família ela rasgou uma nota de dinheiro pela metade e dividiu com ele, sem saber que metade de uma nota não tinha valor.
Seu pai, Pedro, morreu quando ela tinha 14 anos, mas a essas alturas ele já tinha apresentado a Dilma os romances de Zola e Dostoiévski. Depois disso, ela e seus irmãos tiveram de batalhar duro com sua mãe para alcançar seus objetivos. Aos 16 anos ela estava na POLOP (Política Operária), um grupo organizado por fora do tradicional Partido Comunista Brasileiro que buscava trazer o socialismo para quem pouco sabia a seu respeito.
Os generais tomaram o poder em 1964 e instauraram um reino de terror para defender o que chamaram “segurança nacional”. Ela se juntou aos grupos radicais secretos que não viam nada de errado em pegar em armas para combater um regime militar ilegítimo. Além de agradarem aos ricos e esmagar sindicatos e classes baixas, os generais censuraram a imprensa, proibindo editores de deixarem espaços vazios nos jornais para mostrar onde as notícias tinham sido suprimidas.
A senhora Rousseff terminou na clandestina VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária Palmares). Nos anos 60 e 70, os membros dessas organizações sequestravam diplomatas estrangeiros para resgatar prisioneiros: um embaixador dos EUA foi trocado por uma dúzia de prisioneiros políticos; um embaixador alemão foi trocado por 40 militantes; um representante suíço, trocado por 70. Eles também balearam torturadores especialistas estrangeiros enviados para treinar os esquadrões da morte dos generais. Embora diga que nunca usou armas, ela chegou a ser capturada e torturada pela polícia secreta na equivalente brasileira de Abu Ghraib, o presídio Tiradentes, em São Paulo. Ela recebeu uma sentença de 25 meses por “subversão” e foi libertada depois de três anos. Hoje ela confessa abertamente ter “querido mudar o mundo”.
Em 1973 ela se mudou para o próspero estado do sul, o Rio Grande do Sul, onde seu segundo marido, um advogado, estava terminando de cumprir sua pena como prisioneiro político (seu primeiro casamento com um jovem militante de esquerda, Claudio Galeno, não sobreviveu às tensões de duas pessoas na correria, em cidades diferentes). Ela voltou à universidade, começou a trabalhar para o governo do estado em 1975, e teve uma filha, Paula.
Em 1986 ela foi nomeada secretária de finanças da cidade de Porto Alegre, a capital do estado, onde seus talentos políticos começaram a florescer. Os anos 1990 foram anos de bons ventos para ela. Em 1993 ela foi nomeada secretária de minas e energia do estado, e impulsionou amplamente o aumento da produção de energia, assegurando que o estado enfrentasse o racionamento de energia de que o resto do país padeceu.
Ela tinha mil quilômetros de novas linhas de energia elétrica, novas barragens e estações de energia térmica construídas, enquanto persuadia os cidadãos a desligarem as luzes sempre que pudessem. Sua estrela política começou a brilhar muito. Mas em 1994, depois de 24 anos juntos, ela se separou do Senhor Araújo, aparentemente de maneira amigável. Ao mesmo tempo ela se voltou à vida acadêmica e política, mas sua tentativa de concluir o doutorado em ciências sociais fracassou em 1998.
Em 2000 ela adquiriu seu espaço com Lula e seu Partido dos Trabalhadores, que se volta sucessivamente para a combinação de crescimento econômico com o ataque à pobreza. Os dois se deram bem imediatamente e ela se tornou sua primeira ministra de energia em 2003. Dois anos depois ele a tornou chefe da casa civil e desde então passou a apostar nela para a sua sucessão. Ela estava ao lado de Lula quando o Brasil encontrou uma vasta camada de petróleo, ajudando o líder que muitos da mídia européia e estadunidense denunciaram uma década atrás como um militante da extrema esquerda a retirar 24 milhões de brasileiros da pobreza. Lula estava com ela em abril do ano passado quando foi diagnosticada com um câncer linfático, uma condição declarada sob controle há um ano. Denúncias recentes de irregularidades financeiras entre membros de sua equipe quando estava no governo não parecem ter abalado a popularidade da candidata.
A Senhora Rousseff provavelmente convidará o Presidente Mujica do Uruguai para sua posse no Ano Novo. O Presidente Evo Morales, da Bolívia, o Presidente Hugo Chávez, da Venezuela e o Presidente Lugo, do Paraguai – outros líderes bem sucedidos da América do Sul que, como ela, têm sofrido ataques de campanhas impiedosas de degradação na mídia ocidental – certamente também estarão lá. Será uma celebração da decência política – e do feminismo.
Tradução: Katarina Peixoto

 
The former guerrilla set to be the world's most powerful woman
Brazil looks likely to elect an extraordinary leader next weekend
By Hugh O'Shaughnessy
Sunday, 26 September 2010
reuters
Dilma Rousseff in her 1970 police mugshot, when she led a revolutionary group
The world's most powerful woman will start coming into her own next weekend. Stocky and forceful at 63, this former leader of the resistance to a Western-backed military dictatorship (which tortured her) is preparing to take her place as President of Brazil.
As head of state, president Dilma Rousseff would outrank Angela Merkel, Germany's Chancellor, and Hillary Clinton, the US Secretary of State: her enormous country of 200 million people is revelling in its new oil wealth. Brazil's growth rate, rivalling China's, is one that Europe and Washington can only envy.
Her widely predicted victory in next Sunday's presidential poll will be greeted with delight by millions. It marks the final demolition of the "national security state", an arrangement that conservative governments in the US and Europe once regarded as their best artifice for limiting democracy and reform. It maintained a rotten status quo that kept a vast majority in poverty in Latin America while favouring their rich friends.
Ms Rousseff, the daughter of a Bulgarian immigrant to Brazil and his schoolteacher wife, has benefited from being, in effect, the prime minister of the immensely popular President Luiz Inacio Lula da Silva, the former union leader. But, with a record of determination and success (which includes appearing to have conquered lymphatic cancer), this wife, mother and grandmother will be her own woman. The polls say she has built up an unassailable lead – of more than 50 per cent compared with less than 30 per cent – over her nearest rival, an uninspiring man of the centre called Jose Serra. Few doubt that she will be installed in the Alvorada presidential palace in Brasilia in January.
Like President Jose Mujica of Uruguay, Brazil's neighbour, Ms Rousseff is unashamed of a past as an urban guerrilla which included battling the generals and spending time in jail as a political prisoner. As a little girl growing up in the provincial city of Belo Horizonte, she says she dreamed successively of becoming a ballerina, a firefighter and a trapeze artist. The nuns at her school took her class to the city's poor area to show them the vast gaps between the middle-class minority and the vast majority of the poor. She remembers that when a young beggar with sad eyes came to her family's door she tore a currency note in half to share with him, not knowing that half a banknote had no value.
Her father, Pedro, died when she was 14, but by then he had introduced her to the novels of Zola and Dostoevski. After that, she and her siblings had to work hard with their mother to make ends meet. By 16 she was in POLOP (Workers' Politics), a group outside the traditional Brazilian Communist Party that sought to bring socialism to those who knew little about it.
The generals seized power in 1964 and decreed a reign of terror to defend what they called "national security". She joined secretive radical groups that saw nothing wrong with taking up arms against an illegitimate military regime. Besides cosseting the rich and crushing trade unions and the underclass, the generals censored the press, forbidding editors from leaving gaps in newspapers to show where news had been suppressed.
Ms Rousseff ended up in the clandestine VAR-Palmares (Palmares Armed Revolutionary Vanguard). In the 1960s and 1970s, members of such organisations seized foreign diplomats for ransom: a US ambassador was swapped for a dozen political prisoners; a German ambassador was exchanged for 40 militants; a Swiss envoy swapped for 70. They also shot foreign torture experts sent to train the generals' death squads. Though she says she never used weapons, she was eventually rounded up and tortured by the secret police in Brazil's equivalent to Abu Ghraib, the Tiradentes prison in Sao Paulo. She was given a 25-month sentence for "subversion" and freed after three years. Today she openly confesses to having "wanted to change the world".
In 1973 she moved to the prosperous southern state of Rio Grande do Sul, where her second husband, Carlos Araujo, a lawyer, was finishing a four-year term as a political prisoner (her first marriage with a young left-winger, Claudio Galeno, had not survived the strains of two people being on the run in different cities). She went back to university, started working for the state government in 1975, and had a daughter, Paula.
In 1986, she was named finance chief of Porto Alegre, the state capital, where her political talents began to blossom. Yet the 1990s were bitter-sweet years for her. In 1993 she was named secretary of energy for the state, and pulled off the coup of vastly increasing power production, ensuring the state was spared the power cuts that plagued the rest of the country.
She had 1,000km of new electric power lines, new dams and thermal power stations built while persuading citizens to switch off the lights whenever they could. Her political star started shining brightly. But in 1994, after 24 years together, she separated from Mr Araujo, though apparently on good terms. At the same time she was torn between academic life and politics, but her attempt to gain a doctorate in social sciences failed in 1998.
In 2000 she threw her lot in with Lula and his Partido dos Trabalhadores, or Workers' Party which set its sights successfully on combining economic growth with an attack on poverty. The two immediately hit it off and she became his first energy minister in 2003. Two years later he made her his chief of staff and has since backed her as his successor. She has been by his side as Brazil has found vast new offshore oil deposits, aiding a leader whom many in the European and US media were denouncing a decade ago as a extreme left-wing wrecker to pull 24 million Brazilians out of poverty. Lula stood by her in April last year as she was diagnosed with lymphatic cancer, a condition that was declared under control a year ago. Recent reports of financial irregularities among her staff do not seem to have damaged her popularity.
Ms Rousseff is likely to invite President Mujica of Uruguay to her inauguration in the New Year. President Evo Morales of Bolivia, President Hugo Chavez of Venezuela and President Fernando Lugo of Paraguay – other successful South American leaders who have, like her, weathered merciless campaigns of denigration in the Western media – are also sure to be there. It will be a celebration of political decency – and feminism