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novembro 17, 2010

Franklin Martins afirma que regulamentação não é sinônimo de censura à imprensa

PICICA: “Criou-se, na área de comunicação, uma terra de ninguém. Todos sabemos, por exemplo, que deputados e senadores não podem ter concessões de rádio e TV. Mas todos sabemos que eles tem, através de subterfúgios, e ninguém faz nada. A discussão foi sendo evitada. E a oportunidade é discutir tudo isso agora, legislando de uma forma mais permanente, integradora, cidadã e democrática”, disse Franklin Martins.

Comunicação deve ser área estratégica para governo Dilma

Em seminário em Brasília, organizado para discutir experiências internacionais de regulação da mídia, o ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação da Presidência, deixou clara a urgência de um novo marco regulatório para o setor no país, que deve ser construído num debate público e transparente com toda a sociedade, deixando “fantasmas no porão”. Para Unesco, a legislação da radiodifusão brasileira é atrasada e pouco sustentada no interesse público.
Num processo que envolveu mais de 30 mil pessoas em todo o país, a I Conferência Nacional de Comunicação teve como uma de suas principais resoluções, aprovada por representantes do governo, da sociedade civil e do empresariado, a necessidade da construção de um novo marco regulatório para o país. Ultrapassada – da década de 60 – e pouco democrática, a legislação que hoje rege o setor tem se mostrado um entrave não apenas para o desenvolvimento da própria mídia no país como também um obstáculo considerável para a consolidação da democracia brasileira. A um mês de completar o aniversário de um ano da I Confecom, o governo Lula dá um passo significativo para transformar essa realidade e sinaliza: o governo Dilma deve tratar as mudanças nessa área como prioritárias.

Foi este o tom do discurso, corajoso, do ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, nesta terça (09) durante a abertura do Seminário Internacional Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias, em Brasília. Para uma platéia repleta de empresários, organizações da sociedade civil, acadêmicos e convidados estrangeiros, Franklin colocou o dedo numa ferida que, pelo menos publicamente, já tinha sido reconhecida pelo Executivo Federal desde a Confecom, mas que até este momento deixava dúvidas sobre quando e o quanto seria de fato enfrentada. Depois de viajar por diversos países para conhecer como outras democracias estão lidando com o processo de convergência tecnológica, foi hora de trazer especialistas internacionais para Brasília e dar o pontapé público neste debate, “olhando pra frente”, como ele deixou claro.

“Cada vez mais as fronteiras entre radiodifusão e telecomunicação vão se diluindo. Em pouco tempo, para o cidadão será indiferente se o sinal que recebe no celular ou no computador vem da radiodifusão ou das teles. A convergência de mídia é um processo que está em curso e ninguém vai detê-lo. Por isso é bom olhar pra frente, este é o futuro. E regular esta questão será um desafio, porque sem isso não há segurança jurídica nem como a sociedade produzir um ambiente onde o interesse público prevaleça sobre os demais”, afirmou.


O governo reconheceu que, aqui, o desafio se mostra maior do que em outros países, porque, além da legislação atrasada, “acumularam-se problemas imensos, que foram sendo encostado ao longo do tempo”. Para o ministro, a legislação brasileira é um cipoal de gambiarras, que não enfrenta as questões de fundo, e que inclusive não responde aos princípios estabelecidos pela própria Constituição Federal.

“Criou-se, na área de comunicação, uma terra de ninguém. Todos sabemos, por exemplo, que deputados e senadores não podem ter concessões de rádio e TV. Mas todos sabemos que eles tem, através de subterfúgios, e ninguém faz nada. A discussão foi sendo evitada. E a oportunidade é discutir tudo isso agora, legislando de uma forma mais permanente, integradora, cidadã e democrática”, disse Franklin Martins.

Fantasmas no sótão
A pretensão do governo é fazer as mudanças no marco regulatório através de um processo público, aberto e transparente, para que a sociedade brasileira como um todo – e não apenas um grupo ou outro – decida seu caminho. Até o final da gestão Lula, um ante-projeto de lei, que vem sendo elaborado por um grupo de trabalho interministerial, será apresentado à equipe da presidente eleita Dilma Rousseff, que então decidirá quando e como apresentá-lo ao Congresso Nacional. É neste debate público que o grupo de trabalho deve basear suas proposições.

Um dos maiores desafios nessa jornada, no entanto, parece ir além da própria convergência tecnológica e suas inúmeras inovações. Trata-se de, exatamente, criar as condições para que o debate público de fato aconteça, de forma plural e participativa. Foi este o desejo da I Conferência de Comunicação, que agora parece contar com a vontade política do governo Lula para ser colocado em marcha.

“O problema é grande. Os fantasmas passeiam por aí arrastando correntes, impedindo que a gente ouça o que tem que ouvir. Se formos capazes de nos livrar dos fantasmas e não os deixarmos controlar nossa discussão, avançaremos. Isso interessa à sociedade como um todo, não é uma discussão apenas econômica. A comunicação diz respeito à cidadania, à participação política e à produção cultural, e por isso a sociedade deve participar diretamente”, afirmou Franklin Martins. E deu o recado: “convido a todos então a deixar seus fantasmas no sótão, que é onde eles se sentem melhor. Vamos nos desarmar dos preconceitos. Essa agenda está na mesa e será realizada, num clima de entendimento ou de enfrentamento”.

Dentre os fantasmas que precisam ser deixados no porão está a tese – tão difundida pelos grandes meios de comunicação – de que regulação é sinônimo de censura à imprensa. Na abertura do seminário internacional, foi necessário afirmar mais uma vez, para quem já deveria estar convencido disso, que o Brasil goza de absoluta liberdade de imprensa.

“Essa história de que a liberdade de imprensa está ameaça é uma bobagem, um truque, isso não está em jogo. A liberdade de imprensa significa a liberdade de imprimir, divulgar, de publicar. A essa não deve, não pode e não haverá qualquer tipo de restrição. Isso não significa que não pode haver regulação do setor. Vocês verão relatos neste evento de diversas democracias, e verão que em todas elas há regulação, o que não significa nada que haja censura”, repetiu.

Sem explicitar, o governo Lula acabou admitindo que deixou a desejar no campo das comunicações. E para os participantes da sociedade civil que vieram a Brasília conhecer as experiências de outros países, talvez esta tenha sido a mensagem mais alentadora: esta área deve ser tratada com prioridade no governo Dilma.

“Estou convencido de que a área de comunicação terá, no próximo governo, o mesmo tratamento que teve a energia no governo Lula. Algo estratégico para o crescimento. Ou se produz um novo marco regulatório ou vamos perder o bonde. Em 2008, a radiodifusão faturou R$ 11,5 bilhões; e as empresas de telecomunicações, R$ 130 bilhões. Em 2009, os números foram R$ 13 bilhões e R$ 180 bilhões respectivamente. É evidente que, se não houver regulação, a radiodifusão será atropelada por uma jamanta. E se não houver o debate, quem vai regular é o mercado. E quando o mercado regula, quem ganha é o mais forte”, avisou Franklin.
“É necessário regular, criar políticas públicas e gerar um ambiente para que a sociedade se sinta não só usuária dos serviços de comunicação, mas cidadã. Se formos capazes de entender isso, teremos mais vozes falando, mais opiniões se expressando no debate público. É “mais” e não “menos” o que está em jogo neste processo”, concluiu.

Mais interesse público
Também em sintonia com o que apontou a I Confecom e com a linha política manifestada pela Secretaria de Comunicação, uma das primeiras participações internacionais no seminário expôs objetivamente os pontos nevrálgicos da legislação brasileira que precisam avançar para que o setor, de fato, permita a expressão dessa multiplicidade de vozes. O canadense Toby Mendel, diretor executivo do Centro de Direito e Democracia, organização internacional de direitos humanos com foco no conhecimento legal sobre direitos fundamentais para a democracia, incluindo o direito à informação, a liberdade de expressão e o direito de participação, apresentou o resultado de um estudo encomendado pela Unesco sobre o marco regulatório em 10 grandes democracias, incluindo o Brasil. E, a partir de padrões internacionais, fez recomendações para o processo que se inicia em território nacional.

Uma delas é a de ampliar a transparência e garantir o interesse público nos processos de renovação das concessões de rádio e TV. “Em muitos países, este momento é uma oportunidade para avaliar mudanças que precisam ser feitas pelo concessionário, para apontar eventuais regras que não tenham sido respeitadas. No Brasil, esta avaliação não acontece”, disse Toby Mendel.

A prática reforça outros problemas da legislação não enfrentados pelo Estado brasileiro: a regulação da propriedade privada dos meios – com medidas como a proibição da propriedade cruzada – e a garantia da liberdade de expressão.

“A liberdade de expressão vai além do direito do emissor dizer o que pensa. É também o direito do receptor, do telespectador, do leitor, receber uma variedade de informações e de pontos de vista. Se a propriedade dos meios não é regulada, isso pode até ser ok do ponto de vista do emissor, mas o direito do receptor de receber idéias plurais começa a ser reduzido. Ou seja, o Estado não pode simplesmente deixar o mercado agir”, afirmou o consultor da Unesco.

Na mesma linha, Mendel apontou a importância de regras para a difusão de conteúdo na radiodifusão, como a proteção de crianças, o combate a discursos que violem os direitos humanos e a promoção do jornalismo imparcial. É preciso ainda regulamentar o artigo da Constituição que garante percentuais para a difusão de conteúdos regionais e independentes nas emissoras de rádio e TV e garantir o direito de resposta.

“Tudo isso está na Constituição, mas não é cumprido. Também é preciso haver um sistema que receba queixas neste sentido, um órgão regulador independente que pode aplicar sanções diante do descumprimento dessas regras”, explicou Mendel, que defendeu ainda a importância do fortalecimento do sistema público de comunicação e da comunicação comunitária brasileira.

A lista é grande, e foi sendo recheada com outras sugestões vindas dos representantes dos demais países presentes ao seminário – o que apenas reforça e confirma o tamanho do desafio que o Brasil tem pela frente se quiser mesmo mexer neste vespeiro.

Fotos: Antonio Cruz/Abr


Fonte: Carta Maior 

novembro 14, 2010

Globo: um império chega ao fim

PICICA: Com licença do Profeta Gentileza, aqui o caso é de comemorar a notícia, para o bem das comunicações no país.

Os últimos anos de um império chamado Globo

Há elementos bastante sólidos para se afirmar que as Organizações Globo estão vivendo seus últimos anos de império e que para breve ela será apenas mais um grupo de comunicação no Brasil. A audiência da TV aberta, que é o carro chefe da emissora vem caindo de forma constante há algum tempo.

Além disso, a Globo tem perdido telespectadores tanto para a concorrência como para a Internet. Os jovens já passam mais tempo no computador do que na frente da TV. Além do que, na Internet a Globo é mais uma. Seu portal não é nem o maior do país.

Agora, há dois novos elementos que são pilares fundamentais do poder da Globo que podem torná-la ainda mais fraca nos próximos anos. O primeiro tem relação com a decisão recente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cadê) que tirou da emissora a preferência pela renovação dos direitos do Campeonato Brasileiro das temporadas de 2012 a 2014.

A Rede Record está em polvorosa com a notícia. E há apostas de que o grupo do bispo pensa em dobrar o valor pago hoje pelos Marinhos, de 500 milhões ano para 1 bilhão.

Se isso vier a acontecer e a emissora paulista, que já venceu a concorrência pela transmissão dos Jogos Olímpicos de 2012, passará a ter a hegemonia da cobertura esportiva. No caso do Campeonato Brasileiro, se a Record vencer mais essa ela passa a ter condições objetivas de derrotar a Globo no horário nobre.

O melhor horário para os jogos da semana é o das 20h, 20h30. Mas por conta do Jornal Nacional e das novelas, a Globo faz com que eles se iniciem cada dia mais tarde. Antes eram 21h15 e agora já estão começando às 22h. Isso diminui consideravelmente o público nos estádios.

A Globo também só transmite um jogo por semana. Se a Record vier a ganhar o Brasileirão, ela vai fazer exatamente ao contrário. Transmitirá os jogos no horário nobre tanto para poder vender publicidades por um preço melhor, quanto para tirar audiência da sua principal concorrente. E empurrar as novelas para segundo lugar no horário.

Além disso, ao invés de transmitir apenas um jogo por semana, vai tentar fazer o maior número possível de partidas. Ou seja, vamos ter jogos nos canais abertos nas quartas e quintas e talvez em até dois horários nesses dias. Algo como o jogo das 19h e o das 21h. Além disso, o campeonato da série B provavelmente vai ser negociado com alguma parceira, como SBT ou a Rede TV pra ser transmitido nas terças e sextas em horários também nobres. E vão arrancar alguns pontinhos das novelas nos outros dias.

Boa parte da audiência e dos lucros da Globo tem relação com o futebol. Ele é uma das galinhas dos ovos de ouro da emissora. É quem paga boa parte das contas. O núcleo de novelas também é o responsável por uma considerável parcela das receitas e da audiência da emissora. Ou seja….

O segundo elemento que pode levar a derrocada da empresa dos Marinhos ser mais rápido do que o imaginado é que pela primeira vez desde 1964 que há indícios claros de ela não vai ser a toda poderosa do Ministério da Comunicação.

Há muitas articulações tanto no meio empresarial, quanto na sociedade civil e na classe política para impedir que novamente o futuro titular da pasta seja pau-mandado do Jardim Botânico.

Um importante dirigente partidário disse a seguinte frase que resume o animo da tropa governista: “Dessa vez eles perderam mesmo. Quando decidiram apoiar radicalmente o Serra fizeram uma opção. Vão ter o direito sagrado de ser oposição, inclusive no ministério da Comunicação”.

Amém!

Fonte: Blog do Rovai

outubro 31, 2010

Bom Dilma, queridos leitores!

PICICA: Bom Dilma, para todos. Hoje é dia de eleger a primeira mulher presidente da república do Brasil. Hoje é dia de prevalecer a verdade sobre a mentira. Hoje é dia de celebrar a criatividade, a comunicação e cooperação da blogosfera em sua luta implacável contra a distorção da informação da mídia corporativa, que, nestas eleições, atropelaram a ética da comunicação, desinformando e manipulando informação. Somos a força de uma nova comunicação que está em construção no país. Somos uma rede, sem hierarquia, nem porta-vozes, de uma sociedade que exige o básico: liberdade e organização democrática. Dilma Rousseff representa a garantia de um novo projeto de produção econômica e social, com ampla liberdade de informação, comunicação e cooperação. Por isso, votar em Dilma 13 é um ato de amor e fé na produção de novas subjetividades, capazes de criar novos corações e mentes através da construção de novos circuitos de comunicação, novos modos de interação e novos modos de colaboração social, que expressem nossos reais interesses e desejos. 

junho 18, 2010

28 livros sobre mídias sociais, comunicação e web 2.0 para download

28 livros sobre mídias sociais, comunicação e web 2.0 para download

Que tal se aprofundar um pouco mais no mundo das mídias sociais e da internet? Abaixo listei 15 e-books (a lista sempre irá crescer com a ajuda de vocês) em inglês e português que abordam esses temas. É só você clicar no nome da obra para fazer o download da respectiva publicação direto da página do Blog Mídia8! no Issuu ou em outros lugares da web em que o material está disponível. Boa leitura!

Na língua dos gringos (inglês)

01. The New Rules Of Viral Marketing (David Meerman Scott)

02. Podcast Marketing eBook (Christopher Penn)

03. Social Web Analytics (Social Web Analytics)

04. Masters Of Marketing (Startup Internet Marketing)

05. Get Viral Get Visitors (Stacie Mahoe)

06. Geeks Guide To Promoting Yourself With Twitter (Geekpreneur)

07. The Zen of Blogging (Hunter Nutall)

08. A Primer In Social Media (Smash Lab)

09. SEO For Wordpress Blogs (Blizzard Internet)

10. The Essential Guide To Social Media (Brian Solis)



Na língua dos outros gringos (espanhol)

01. Comunicación Multicultural em Iberoamérica (José Marques de Melo)

02. Marketing e comunicación (José Sixto García)

03. Retórica en la empresa: Las habilidades comunicativas (María del Mar Gómez Cervantes)



Na língua dos brazucas (português)

01. Como escrever para a web (Guillermo Franco)

02. O que é o virtual? (Pierre Lévy)

03. Jornalismo 2.0: como viver e prosperar (Mark Briggs)

04. Web 2.0: erros e acertos (Paulo Siqueira)

05. Para entender a internet (org. Juliano Spyer)

06. Redes sociais na internet (Raquel Recuero)

07. Televisão e realidade (Itania Gomes)

08. Autor e autoria no cinema e televisão (José Francisco Serafim)

09. Comunicação e mobilidade (André Lemos)

10. Comunicação e gênero: a aventura da pesquisa (Ana Carolina Escosteguy)

11. Conceitos de Comunicação Política (org. João Carlos Correia)

12. O Paradigma Mediológico: Debray depois de Mcluhan (José António Domingues)

13. Informação e Persuasão na web (org. Paulo Serra e João Canavilhas)

14. Teoria e Crítica do Discurso Noticioso (João Carlos Correia)

15. Redefinindo os gêneros jornalísticos (Lia Seixas)

* por Cleyton Carlos Torres, jornalista e blogueiro. Pós-graduando em História, também é pós-graduado em Comunicação, com ênfase em Assessoria de Imprensa, Gestão da Comunicação e Marketing. É pesquisador de novas tecnologias, web 2.0, comunicação, mídia e jornalismo digital. É editor do Blog Mídia8!

Fonte: blogmidia8.com

maio 05, 2010

A estratégia zapatista de comunicação

“Desinformar-se e enfrentar a investida dos meios de comunicação capitalistas”

Jornalista que acompanha os zapatistas fala sobre a importância do trabalho de contra-informação para as batalhas que se passam “abajo y a la izquierda”


27/04/2010

Cristiano Navarro
da Redação

Das periferias para o centro, a comunicação alternativa vai buscando brechas para transferir o poder da palavra dos maiores aos pequenos. Modificando a ordem dos caminhos da comunicação, o movimento zapatista, do México, experimentou, na década de 1990, a possibilidade de, por meio da internet, ser ouvido no mundo desde sua realidade local. Uma das protagonistas dessa ação foi Gloria Muñoz Ramírez, jornalista que acompanha o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN)desde seu levante em 1994, no estado de Chiapas. Gloria segue militando na contra-informação. Seu mais novo projeto é dirigir a revista mensal Desinformémonos.Em janeiro deste ano, o Brasil de Fato iniciou um intercâmbio de conteúdo com a publicação. Com versão na web (http://desinformemonos.org), a iniciativa envolve colaboradores de inúmeras partes do planeta e é traduzida para o português, grego, italiano, inglês, francês, alemão, e a língua indígena tseltal, bastante falada no sul do México.

A seguir, a diretora de Desinformémonos fala sobre esse projeto internacional e a experiência acumulada em anos junto aos zapatistas.Brasil de Fato – Pode nos falar um pouco de como nasceu o projeto Desinformémonos?

Gloria Muñõz – Consideramo-nos uma ferramenta de luta por um mundo melhor, ou seja, por um mundo justo, livre e democrático. Aderimos às batalhas que se passam “abajo y a la izquierda”, à margem do poder e dos poderosos. Estamos do lado da autonomia dos povos, pelo direito a decidir sobre nossos próprios destinos. Somos, sem ambiguidades, fruto de uma luta que, desde 1º de janeiro de 1994, nos transformou: o levantamento do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN). E é no terreno da “desinformação” que atuaremos.

Por que “Desinformémonos”?

Pegamos o nome emprestado de Mario Benedetti [poeta e escritor uruguaio morto em maio do ano passado]. Estávamos preparando esse projeto quando fomos surpreendidos pela triste notícia de sua morte. Pusemos pra tocar um CD com seus poemas, gravado para La Casa de las Américas, como uma singela homenagem a esse grande poeta e lutador das causas justas. De repente, no meio da incipiente edição dessa revista, lá estava o poema: desinformémonos hermanos/ hasta que el cuerpo aguante/ y cuando ya no aguante/ entonces decidámonos/ carajo decidámonos/ y revolucionémonos.

Depois, veio o jogo de palavras. Desinformar-se e enfrentar a investida dos grandes meios de comunicação capitalistas, aqueles que nos dizem o que, como, quando, onde e por que, do ponto de vista – e para benefício – dos poderes políticos e econômicos, dirigido àqueles que se creem os donos do mundo. “Desinformémonos”: desfazer-nos do que nos oferecem e munirmo-nos de Outra Informação, geralmente invisível, na qual os depoimentos dos “ninguéns”, como diz Eduardo Galeano [jornalista e escritor uruguaio] são o que nos dá sentido e corpo, horizonte e destino. Os povos têm suas próprias vozes e eles mesmos se encarregam de que os demais as escutem. O que nos propusemos em Desinformémonos é ser olhado e ouvido... caixinhas de ressonância. Escutar, como diria o estimado escritor [inglês] John Berger, “as vozes da terra... sempre em baixo”. Sem confundir, como ele mesmo nos alerta, “a intenção deliberada de desinformar com o estar desinformado”. A resistência, nos disse no processo de inauguração desse espaço, “está em saber escutar a terra. A liberdade é descoberta pouco a pouco, não do lado de fora, mas nas profundidades da prisão”.

Quem são os colaboradores do projeto?

Bom, somos pessoas de muitas partes do mundo. Nosso ponto de vista pretende ser global e abarcar lutas e resistências dos cinco continentes. Atualmente, tocam esse projeto homens e mulheres do México, Argentina, Brasil, Estados Unidos, Alemanha, França, Espanha e Itália, com colaboradores na Grécia, Palestina, Turquia, Irã, Bélgica, Chile, Grã Bretanha, República Árabe Saaráui e Honduras.

Em sua experiência junto aos zapatistas, foi possível acompanhar como eles utilizaram de maneira muito hábil a internet para comunicar suas posições para todo planeta. Como isso se deu?

A ideia do uso da internet pelos zapatistas nasceu como um mito que, em muitos sentidos, persiste ainda hoje. Em 1994, a internet ainda era algo muito incipiente e os primeiros comunicados do EZLN eram xerox distribuídos a nós jornalistas na cidade de San Cristóbal de las Casas, em Chiapas. Com o tempo, um exército de mulheres e homens anônimos se incumbiu de difundir as palavras zapatistas pela internet. Na selva em que vivem os zapatistas, não havia sequer luz, que dirá um computador. Assim, o mérito da difusão da palavra zapatista no ciberespaço não é propriamente zapatista, mas de todos que acreditaram nesse movimento e fizeram circular seus comunicados e pronunciamentos. Atualmente, algumas comunidades em resistência têm acesso à internet, mas isso é algo relativamente novo e não pode ser generalizado.

De que maneira a internet pode fazer frente aos meios de comunicação tradicionais em favor dos movimentos sociais?

Esse ciberespaço, ainda que criado pela elite, tem servido de ferramenta, vínculo e ponte para os setores da base nos últimos quinze anos. As lutas e a resistência dos povos campesinos e indígenas, dos migrantes, trabalhadores, estudantes, jovens e um longo etcétera, transitam pela rede produzindo identificações onde menos se esperava, isso apesar do acesso à internet ainda estar longe de ser uma realidade, ao menos nos países do chamado Terceiro Mundo. Mas isso não é necessariamente uma carência. Provavelmente não necessitam dessa “conexão”. O que desejamos com Desinformémonos é aproveitar esse espaço virtual, não apenas por falta de recursos para nascer em papel, como gostaríamos, mas porque reconhecemos nesse meio uma alternativa para conhecer o outro, a outra, suas histórias e tragédias, de um lado ao outro do planeta. Desejamos, como diria o mestre do jornalismo [bielo-russo] Ryszard Kapuscinski, “converter-nos imediatamente, desde o primeiro momento, em parte de seus destinos”. Afinal, somos os mesmos, as mesmas. E estamos na mesma situação. Entretanto, a internet, ao menos no México e em muitos países da América Latina, não é um meio acessível para toda a população. Nas áreas rurais e nos bairros de periferia, as pessoas não estão conectadas à rede. Essa é a razão, creio, de que o principal meio de comunicação popular, por excelência, continua sendo o rádio e de que, até agora, não haja espaço para se substituir a comunicação alternativa em papel. Insisto que estou falando do mundo dos de baixo.

É por isso que na Desinformémonos criamos uma revista de bairro e comunitária em PDF, com o objetivo de que seja distribuída em comunidades que não têm acesso à internet. Essa singela revista pode ser distribuída como “folhas soltas” ou pregada em algum muro como jornal-mural.

Com a dificuldade de transmitir mensagens ao grande público, como os movimentos sociais são mostrados hoje nos grandes meios de comunicação mexicanos?

Os movimentos sociais não aparecem nos grandes meios de comunicação do México e, quando aparecem, são satanizados e desprestigiados. Poderia dizer que apenas o jornal La Jornada (considerando os meios de comunicação massiva, não os marginais nem alternativos) dá espaço para as lutas sociais do país. É por isso que, cada vez mais, os movimentos vêm criando seus próprios meios, para que sua palavra seja conhecida. Ao mesmo tempo, crescem os meios alternativos, livres e independentes, ainda que com muitas limitações.

Nas revoltas de Oaxaca, a tomada das rádios foi a primeira ação dos movimentos mobilizados. O que isso pode significar?

A Assembleia Popular dos Povos de Oaxaca (APPO) não apenas tomou as rádios e até mesmo a televisão comercial; ela criou uma rede de meios de comunicação. Essa rede serviu não só para difundir suas causas, mas para convocar, organizar as barricadas e as marchas e, sobretudo, a defesa da ocupação que mantiveram no centro da cidade. Tomar as rádios e a televisão foi muito significativo para mostrar a força popular do movimento, mas foi ainda mais relevante a forma como conseguiram conduzir a relação com as rádios alternativas, principalmente com a Radio Plantón, que é hoje um exemplo do grande poder que um meio dessa natureza pode significar, de “abajo y a la izquierda”, de dentro do próprio movimento.

Você acredita que os movimentos de esquerda conhecem a importância da comunicação em um processo de mudança?

Acredito que os movimentos de esquerda estão cada vez mais conscientes da importância de uma comunicação do e para o movimento. Entretanto, acredito que enfrentamos grandes desafios, pois muitas vezes não comunicamos entre nós mesmos o que está acontecendo, não fazemos grande esforço para ultrapassar as barreiras impostas e fazer com que nossa palavra chegue “a outros como nós”. Na minha opinião, esse é um grande desafio, e devemos nos preocupar em não estar à margem, mas em atingir cada vez mais gente, sem preconceitos nem esteriotipização. Nunca sabemos onde ou quando haverá ressonância, temos que procurar por isso permanentemente. Ao mesmo tempo, acredito que outro desafio é a manipulação da linguagem feita pelos movimentos sociais de esquerda. Acho que devemos nos arriscar mais, jogar com as palavras e com as imagens, não ser tão sérios, mas ter a capacidade de rirmos, de sermos irônicos, de dar espaço ao jogo e à palavra lúdica. Esse, finalmente, foi outro dos ensinamentos dos zapatistas que, desde o princípio, comunicam-se com uma linguagem diferente, que incluem desde um conto, até uma piada ou uma canção.

Fonte: Brasil de Fato

abril 17, 2010

Utopia e Barbárie: um filme da história das nossas vidas


publicenemy2000 25 de agosto de 2009Trailer final do filme "Utopia e Barbarie". Mais novo filme do cineasta Silvio Tendler.

um filme de SILVIO TENDLER
montagem BERNARDO PIMENTA
assistencia de direção, roteiro e pesquisa RENATA VENTURA
produção executiva ANA ROSA TENDLER
roteiro SILVIO TENDLER, ANDRÉ CARVALHEIRA, CARLA SIQUEIRA, ARNALDO CARRILHO, CARLOS WALTER PORTO-GONÇALVES, TÂNIA FUSCO
assistência de edição JULIA MACHADO
equipe de assistência e pesquisa TAINÁ YBARRA, GUSTAVO GADELHA, THIAGO SÁ EARP, PAULA DAMASCENO, PAULA FABIANA, JULIA MACHADO, MANUELLE ROSA, MÁRCIA PATERMAN
fotografia ANDRÉ CARVALHEIRA, JOSÉ MANOEL G. DE AMORIM, ANDRÉ PAMPLONA ENTRE OUTROS
videografismos IRMÃOS VILAROUCA
trilha sonora CABRUÊRA E CAÍQUE BOTKAY
gerência de produção ELISA PAIVA

Breve nos cinemas.

www.caliban.com.br
(21) 2508.6871


***

Nota do blog: A dica é do Coletivo de Comunicação Catarse .

março 27, 2010

A Confecom terminou. E aí?

Plenária Estadual dia 27/03

9hs – Sindicato dos Engenheiros SP (Rua Genebra, 25 - próx. à Câmara Municipal de São Paulo)

Os desafios da democratização das comunicações no cenário pós Conferência Nacional de Comunicação

PARTICIPE!!!!

MUTAÇÕES DO VISÍVEL: Da comunicação de massa à comunicação em rede

março 03, 2010

Pela liberdade de comunicação


Video sobre radios livres e comunitarias em Campinas e sobre a Radio Muda (Unicamp), antes da policia federal fechá-la em 19/02/2009

dezembro 28, 2009

Intervozes - Levante sua voz

Intervozes - Levante sua voz from Pedro Ekman on Vimeo.


Vídeo sobre direito à comunicação produzido pelo Intervozes Coletivo Brasil de Comunicação Social com o apoio da Fundação Friedrich Ebert Stiftung retrata a concentração dos meios de comunicação existente no Brasil.

Roteiro, direção e edição: Pedro Ekman
Produção executiva e produção de elenco: Daniele Ricieri
Direção de Fotografia e- câmera: Thomas Miguez
Direção de Arte: Anna Luiza Marques
Produção de Locação: Diogo Moyses
Produção de Arte: Bia Barbosa
Pesquisa de imagens: Miriam Duenhas
Pesquisa de vídeos: Natália Rodrigues
Animações: Pedro Ekman
Voz: José Rubens Chachá

CC - Alguns direitos reservados
Você pode copiar, distribuir, exibir e executar a obra livremente com finalidades não comerciais.
Você pode alterar, transformar ou criar outra obra com base nesta.
Você deve dar crédito ao autor original.

Intervozes lança vídeo sobre Direito à Comunicação

Numa linguagem inspirada no filme de Jorge Furtado, diretor do documentário "Ilha das Flores" vídeo compara a regulação da comunicação no Brasil com a lei da selva, onde os mais fortes ditam as regras.

Já está disponível no Observatório do Direito à Comunicação o vídeo do Intervozes sobre a temática do Direito à Comunicação. O curta traz uma breve história da concentração dos meios de comunicação no Brasil, com os nomes dos principais atores do cenário, e um panorama sobre a dificuldade de se ter uma comunicação mais democrática no país.

Na história, a personagem central representa telespectadores que encontram barreiras para conseguir se fazerem ouvidas frente ao monopólio dos grandes grupos empresariais de mídia. Assim, registra-se a dificuldade que existe no Brasil no cumprimento de normas constitucionais que garantem um cenário mais democrático. A linguagem escolhida para o vídeo foi a mesma do curta “A Ilha de Flores”, devido à simplicidade com que o diretor Jorge Furtado tenta expor características de uma sociedade capitalista. “Fizemos esta opção porque queríamos falar de maneira leve sobre um tema pesado, com pontos polêmicos e difíceis”, explica Pedro Ekman, integrante do coletivo e roteirista do vídeo.

Um dos exemplos do cerceamento à voz da população é ilustrado pela batalha da rádio comunitária Constelação, criada em 1998 por cegos e dirigidas a este público. Os irmãos Roberto e Raimundo da Silva, fundadores da rádio em Belo Horizonte, tentam há mais de 10 anos conseguir uma autorização do Ministério das Comunicações para funcionar legalmente. Enquanto há eles não obtem uma resposta do Minis, tiveram a sede fechada e Roberto foi condenado à prisão por dois anos, em um caso onde a rádio foi tratada como Pirata. “Ali aparece como o Estado lida com os meios alternativos de comunicação”, percebe Paulo. O Ministério das Comunicações ainda não concedeu licença de funcionamento para a rádio.

O vídeo se soma a outros trabalhos que o Coletivo tem produzido, inclusive como material de contribuição para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). Recentemente, um caderno de propostas foi lançado tratando sobre outros aspectos da Comunicação como regulamentações e alternativas, como o sistema público de televisão e rádio. “Uma das principais contribuições é levar os assuntos que detalhamos para debate. O vídeo não esmiuça tanto quanto os materiais escritos, mas amplia o potencial de formulação de propostas e abre a linguagem para pessoas que tem dificuldade de entender esta discussão”, aposta Pedro.

Fonte: http://ow.ly/HvuY

dezembro 20, 2009

Confecom aprova redução do capital estrangeiro nas empresas de comunicação

Confecom aprova redução do capital estrangeiro nas empresas de comunicação

Por Lucia Berbert
17 de December de 2009


A redução da participação do capital estrangeiro nas empresas de comunicação de 30% para 10%; a proibição de dispositivo técnico, sinal codificado ou outra medida de proteção tecnológica pelo serviço de radiodifusão (DRM); a anistia das rádios comunitárias flagrada sem autorização; uma política de massificação de TV por assinatura foram algumas das propostas aprovadas hoje à tarde pela plenária da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). Elas farão parte do relatório final do evento, que será distribuído para governo, Congresso Nacional e judiciário com o objetivo de influenciar em políticas públicas e legislações para o setor.

O uso do Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações) para subsidiar direta ou indiretamente os custos dos serviços de telecomunicações para população carente, proposto pelas operadoras, foi rejeitado. Mas a sugestão de ampliação dos serviços do e-governo com uso das TICs e levadas, em redes de banda larga, para todo o país, também formulada pelas teles, foi aprovada por unanimidade.

Já os representantes da Abra (Associação Brasileira dos Radiodifusores) comemoraram a aprovação unanime da criação de um mecanismo formal que garanta a distribuição dos conteúdos brasileiros, locais e regionais, com a proibição de controle por determinado grupo de programadores de conteúdo, com mais de 25% da grade de programação em qualquer plataforma. “É uma vitória para os radiodifusores, especialmente os pequenos”, ressaltou Walter Ceneviva, representante da entidade.

Muitas propostas deixaram de ser apreciadas em função dos horários de voos dos delegados. Essas propostas integrarão o relatório final como matérias não apreciadas na plenária.

Fonte: http://br.mg1.mail.yahoo.com/dc/launch?.gx=1&.rand=c6bv4vtnik3u5
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Confecom termina aprovando 672 propostas para a área de comunicação

Confecom termina aprovando 672 propostas para a área de comunicação

A conferência aconteceu em Brasília entre os dias 14 e 17 de dezembro.

Os principais veículos de comunicação do Brasil não participaram.A 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) terminou no começo da noite desta quinta-feira (17), aprovando 672 propostas que podem, no futuro, virar projetos de lei ou balizar políticas públicas da área. Entre elas, estão a que estabelece um “mecanismo de fiscalização, com controle social e participação popular” em atividades da mídia; a que cria os conselhos Nacional de Comunicação e Federal de Jornalismo; a que defende uma nova lei de imprensa e a volta da exigência de diploma para o exercício do jornalismo; e a que tenta proibir que políticos sejam donos de emissoras de TV.

A conferência aconteceu em Brasília entre os dias 14 e 17 de dezembro. As propostas, encaminhadas por grupos de estados e municípios, foram analisadas por outros grupos de trabalho formados pelos participantes do encontro. As que tiveram aprovação de mais de 80% dentro dos grupos não foram votadas na plenária, sendo encaminhadas diretamente ao relatório final. As com menos de 30% de aprovação foram automaticamente rejeitadas e as outras, votadas em plenário.


No total, mais de 6.000 propostas foram apresentadas e logo compiladas em cerca de 1.500. Cerca de 800 foram rejeitadas. Das 672 que ficaram, 71 foram a votação e as 601 restantes tiveram mais de 80%. As decisões tomadas na conferência não têm poder deliberativo –ou seja, não passam a valer imediatamente. As propostas serão reunidas num relatório final , que deve ser divulgado na sexta (18). A ideia é usar o conteúdo deste relatório como base para futuras iniciativas.

A Confecom teve orçamento de R$ 8,2 milhões e foi coordenada pela Secretaria-geral da Presidência, a Secretaria de Comunicação e o Ministério das Comunicações, que cuidou da parte orçamentária. A conferência contou apenas com recursos do orçamento da União contigenciados pelo Ministério da Previdência. Os delegados receberam passagem aérea ou terrestre- dependendo do estado de origem- hospedagem, e alimentação diária (café da manhã no hotel e demais refeições na conferência). A Confecom teve a participação de 2,1 mil pessoas, entre delegados, convidados e espectadores.

A Confecom não teve a participação dos principais veículos de comunicação do Brasil. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Brasileira de Internet, a Associação Brasileira de TV por Assinatura, a Associação de Jornais e Revistas do Interior do Brasil, a Associação Nacional dos Editores de Revistas e a Associação Nacional de Jornais consideram que as propostas de estabelecer um controle social da mídia são uma forma de censurar os órgãos de imprensa, cerceando a liberdade de expressão, o direito à informação e a livre iniciativa - todos previstos na Constituição.

Veja algumas das propostas aprovadas:

Controle social e participação popular: a proposta estabelece uma “garantia de mecanismo de fiscalização, com controle social e participação popular” no financiamento das emissoras e nos conteúdos de promoção de cidadania, no cumprimento de “percentuais educativos” e de produções nacionais. Durante o debate em plenário, a Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra) disse que já existe uma forma de fiscalização por parte do governo; para o representante da sociedade civil, a proposta abre a possibilidade para maior participação da sociedade nos meios de comunicação.

Conselho Federal de Jornalismo e Conselho Nacional de Comunicação: a proposta aprovada estimula a criação do Conselho de Jornalismo, para, de acordo com o vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Celso Schröder, “qualificar” o exercício da profissão; o conselho é visto por ele como uma “demanda corporativa dos jornalistas”. A proposta da criação do Conselho de Comunicação estimula a criação de um órgão, composto por setores da sociedade que poderia, por exemplo, segundo Schröder, regular a compra e a aquisição de canais de TV e aplicar a legislação existente na área em outros casos. Segundo a presidente da ANJ, Judith Brito, “Essa proposta dos conselhos de jornalismo é uma tentativa de retornar com algo que já foi refutado pela sociedade brasileira. Em 2004, pretendeu-se criar o Conselho Federal de Jornalismo, com o objetivo de “orientar, disciplinar e fiscalizar” o trabalho dos jornalistas. A sociedade reagiu e a idéia foi abandonada. A atividade jornalística pressupõe liberdade de expressão e não tutela. A sociedade e os cidadãos é que são os grandes beneficiários dessa liberdade, que lhes dá o direito de terem acesso a todas as informações de seu interesse, sem controles ou tutelas. Quando se vê os abusos cometidos contra o livre exercício do jornalismo em diversos países latino-americanos, essa idéia de criar conselhos exige da sociedade um grau de alerta ainda maior. Se estamos numa democracia, o que precisamos é exercê-la em sua plenitude, praticá-la, e não cogitar de instâncias ou autarquias para abafar a liberdade de expressão”.

Lei de imprensa: A Confecom também aprovou uma proposta que defende a criação de uma outra lei de imprensa, após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que a tornou inválida. De acordo com o vice-presidente da Fenaj, a retirada da lei “é um desastre” para os jornalistas e as empresas que, segundo ele, “ficaram sem proteção.” O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), autor da ação que provocou a derrubada da lei da imprensa no STF, vê com desconfiança a sugestão da conferência. “Não há possibilidade de uma lei de imprensa que não seja restritiva de direitos. Todas as leis de imprensa no Brasil até hoje foram assim e não vejo a menor possibilidade de se extrair esta lei do trilho da história, talvez tenha uma redação sofisticada, mas a restrição permaneceria” . Miro destaca não ter conhecido o teor da resolução da conferência, mas ressaltou que não há garantia que o texto defendido para a lei seja mantido no Congresso. “As pessoas de boa fé falam de uma lei como se pudessem garantir seu conteúdo. Você sabe como entra um projeto no Congresso, mas ninguém é capaz de garantir como ela sairá”. O deputado enfatiza que a Constituição já é definitiva sobre o tema ao garantir a liberdade de imprensa e o direito de resposta e a indenizações.

Diploma para jornalista: entre as propostas aprovadas automaticamente, sem necessidade de crivo do plenário, está a que estabelece que a “formação superior específica é necessidade essencial ao exercício do jornalismo profissional” . A necessidade do diploma foi derrubada pelo STF em junho deste ano. O presidente do Supremo, Gilmar Mendes, já falou sobre as tentativas de recriar a obrigatoriedade do diploma de jornalismo. “Foi dito na decisão [do STF] sobre os jornalistas, que o jornalista é livre para exercer a sua profissão e que outras pessoas habilitadas também o poderão fazer em nome da liberdade profissional e da própria liberdade de imprensa”, diz Mendes.

Políticos donos de emissoras: a Confecom aprovou por consenso a proibição de que políticos possuam emissoras de rádio e TV. O senador Lobão Filho (PMDB), proprietário de uma rede de televisão e rádio no Maranhão, acredita que a mudança na legislação seria “inócua”. Ele ressalta que uma lei não poderia retroagir a situações já existentes, como a sua. Afirma ainda que as leis eleitorais já impedem que os políticos usem suas concessões para tirar proveito eleitoral. “Primeiro, nenhuma lei pode prejudicar uma situação já consolidada. Isso valeria só daqui para frente. Em segundo lugar, a legislação eleitoral hoje já é extremamente rígida. Eu tenho televisão e rádio e afirmou que o proprietário de concessão que se arriscar a utilizar o veículo num processo eleitoral é, no mínimo, maluco. As multas são altíssimas e a possibilidade de cassação é altíssima, a justiça eleitoral está cassando por qualquer coisa. Então, para mim, esta mudança seria inócua”, disse Lobão Filho.

Observatório de Mídia: foi aprovada também a criação de um “Observatório Nacional de Mídia e Direitos Humanos”, para monitorar “desrespeito aos direitos do cidadão nas diferentes mídias brasileiras”. Pela proposta, esse observatório teria um departamento jurídico para resolver os “casos gritantes de desrespeito aos direitos humanos.” A justificativa utilizada é de que existe a “necessidade de estruturação” de práticas que acompanhem estes casos.

Fonte: G1

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Setores fazem balanço positivo da Confecom

Setores fazem balanço positivo da Confecom

Por Lucia Berbert
17 de December de 2009


A 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) foi encerrada nesta quinta-feira à tarde com uma avaliação positiva dos representantes dos três segmentos (governo, empresarial e movimentos sociais). O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins, disse que as propostas aprovadas serão analisadas pelo governo, que dará o encaminhamento necessário. “Esse foi apenas o pontapé inicial”, disse. Para o representante da Abra (Associação Brasileira de Radiodifusores), Walter Ceneviva, ao contrário de que alguns empresários do setor pregaram, o resultado da conferência contribuirá para o aprimoramento da comunicação no Brasil, seja no que diz respeito a multiprogramação, seja no que diz respeito à distribuição de conteúdo nacional, ao fomento da produção, e ao regime de convivência entre todos os atores do setor.

“A Abra está muito satisfeita em ter participado da Confecom, de ter se credenciado como a interlocutora dos radiodifusores junto à Presidência da República, toda a sociedade civil organizada, com as empresas de telecomunicações dessa discussão”, destacou Ceneviva. Para o representante da Telebrasil, o ex-ministro Juarez Quadros, o resultado foi significativo: das 11 propostas apresentadas pela entidade, seis foram aprovadas e quatro rejeitadas e uma ficou sem apreciação.

O coordenador do FNDC (Fórum Nacional para Democratização das Comunicações), Celso Schroder, disse que a Confecom foi o reconhecimento de um novo espaço de negociação entre os setores que fazem comunicação. E destacou que as propostas aprovadas servirão de agenda política para que o governo dê início à atualização do marco regulatório do setor.

O assessor especial da Casa Civil, André Barbosa, acredita que a conferência dá cacife político para que as mudanças nas regras sejam negociadas com o Congresso Nacional. E o presidente da Comissão Organizadora da Confecom, Marcelo Bechara, disse que o evento somente aconteceu pela coragem do presidente Lula em convocar e a tolerância de todos os envolvidos em enfrentar os desafios para fazer com que ela acontecesse. E adiantou que algumas das propostas apresentadas em relação ao Ministério das Comunicações deverão ser realizadas, como a criação da Subsecretaria de Rádio Comunitária e as representações estaduais.

A Confecom reuniu, em quatro dias de trabalho, mais de 1.600 delegados de todos os estados, sendo 40% dos movimentos sociais, 40% das entidades empresariais e 20% do poder público. Além disso, mais de 400 observadores e convidados participaram do evento.

Fonte: Telesintese
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dezembro 12, 2009

Confecom: relação de entidades e observadores nacionais

Sai relação de entidades convidadas a enviar observadores nacionais

É a seguinte a lista das entidades convidadas a participar da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (1ª Confecom) com envio de observadores nacionais:

1. OAB – Ordem dos Advogados do Brasil
2. ABI – Associação Brasileira de Imprensa
3. CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
4. Pastoral da Comunicação – CNBB
5. CBC – Congresso Brasileiro de Cinema
6. ABCA – Associação Brasileira de Cinema de Animação
7. CONTAG – Confederação dos Trabalhadores em Agricultura
8. ANDI – Agência Nacional dos Direitos da Infância
9. Instituto ALANA
10. IDEC – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor
11. ABTU – Associação Brasileira de Televisão Universitária
12. CNC – Conselho Nacional de Cineclubes
13. CIMI – Conselho Indigenista Missionário
14. Associação de Software Livre
15. INTERCOM – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação
16. COMPÓS – Associação Nacional dos programas de Pós Graduação em Comunicação
17. FNPJ – Fórum Nacional de Professores de Jornalismo
18. FORCINE – Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual
19. ULEPICC BRASIL – União Latina de Economia Política da Informação, Comunicação e da Cultura
20. SBPJor – Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo
21. CMP – Central de Movimentos Populares
22. CONAN – Confederação Nacional das Associações de Moradores
23. MAB – Movimento Atingidos por Barragens
24. MPA – Movimento Pequenos Agricultores
25. CONFEA – Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura
26. FEB – Federação Espírita Brasileira
27. AMB – Associação de Mulheres Brasileiras
28. Fórum de Juventude Negra
29. Fórum Internacional de Software Livre
30. Via Campesina
31. CONIC – Confederação Nacional de Igrejas Cristãs
32. OCB – Organização das Cooperativas do Brasil
33. Fórum Brasileiro de Religiões de Matrizes Africanas
34. Conselho Nacional de Políticas Culturais
35. Conselho Nacional de Saúde
36. Conselho Nacional da Juventude
37. Conselho Nacional da Igualdade Racial
38. Conselho Federal de Assistência Social
39. Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas
40. CGI – Comitê Gestor da Internet no Brasil
41. ABONG – Associação Brasileira de ONGs
42. FBOMS – Fórum de Organizações e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento
43. Fórum de Entidades Nacionais em Direitos Humanos
44. Fórum de Mídia Livre
45. Conselho Nacional de Umbanda
46. ANDES – Sindicato Nacional de Instituições de Ensino Superior
47. Sociedade Teosófica do Brasil
48. Conselho de Enlace Brasil
49. INTERSINDICAL
50. Rede Jovem de Cidadania
51. ANPG – Associação Nacional de Pós-Graduandos
52. Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras
53. CNTE – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação
54. Conselho Consultivo da Anatel
55. IOST – Observatório das Telecomunicações
56. ABDI – Associação Brasileira de Direito em Informática e Telecomunicações
57. SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência
58. Conselho Superior de Cinema
59. CPqD – Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações
60. SINTPqD – Sindicato Dos Trabalhadores do CPqD
61. Fórum Brasileiro de Acesso às Informações Públicas
62. FETRAF – Federação dos Trabalhadores em Agricultura Familiar
63. CONAQ – Confederação Nacional dos Quilombolas
64. União dos Povos Indígenas
65. Ministério Público Federal
66. AJUFE – Associação dos Juízes Federais
67. AMB – Associação dos Magistrados Brasileiros
68. UNE – União Nacional dos Estudantes
69. Fundação Frederick Hebert
70. Fundação Perseu Abramo
71. RITS – Rede de Informações para o Terceiro Setor
72. NUPEF – Núcleo de Pesquisas, Estudos e Formação da RITS
73. CTS/FGV – Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV
74. CNPC – Comissão Nacional Pró Conferência
75. ENECOS – Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação
76. INESC – Instituto de Estudos Sócio-econômicos
77. RENOI – Rede Nacional dos Observatórios da Imprensa
78. AMARC-BRASIL – Associação Mundial Das Rádios Comunitárias
79. MNDH – Movimento Nacional de Direitos Humanos
80. MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
81. ARPUB – Associação das Rádios Públicas do Brasil
82. CGTB – Central Geral dos Trabalhadores do Brasil
83. FITTEL – Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações
84. Campanha pela Ética na TV
85. Oboré Projetos Especiais em Comunicação e Artes
86. Marcha Mundial de Mulheres
87. Movimento Nacional de Fé e Política
88. ABRP – Associação Brasileira de Relações Públicas
89. ANEATE – Associação Nacional das Entidades de Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões
90. UNESCO – Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura
91. UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância
92. Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas
93. Projeto Dissonante
94. SOCICOM – Federação Nacional das Associações de Comunicação
95. SOS Imprensa
96. Artigo 19
97. ABRAJI – Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo
98. NETCCON.ECO.UFRJ – Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Comunicação e Consciência
99. FASUBRA – Federação de Sindicatos de Trabalhadores em Educação das Universidades Brasileiras
100. CFMEA – Centro Feminista de Estudos e Assessoria
101. CUFA – Central Única das Favelas
102. Rede 3 setor
103. Site e Jornal Fazendo Media
104. Observatório da Imprensa
105. Instituto Paulo Freire
106. UFAL – Universidade Federal de Alagoas (tese/Confecom)
107. ALAIC – Associação Latino-Americana de Investigadores da Comunicação
108. LaPCom – Laboratório de Políticas de Comunicação da UnB
109. União Brasileira de Ciganos
110. Comitê Nacional de Educação e Direitos Humanos
111. DIAP- Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar
112. DIEESE – Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócioeconômicos
113. CMS - Coordenação dos Movimentos Sociais
114. CNDM - Conselho Nacional dos Direitos da Mulher
115. CNPI – Comissão Nacional de Políticas Indígenas
116. Unisol Brasil
117. Comissão de Povos Tradicionais
118. Observatório de mídia
119. Fundação Maurício Grabois
120. Fórum Brasileiro de Economia Solidária
121. Rede de Educação Cidadã
122. ABERT
123. ANJ
124. ANER
125. ADJORI
126. ABTA
127. ABRANET
128. Mídia sem máscara
129. Frente Parlamentar pela Reforma Política com Participação Popular
130. ABPI - Associação Brasileira de Produtores Independentes

Fonte: CMI-pan-amazônico
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dezembro 08, 2009

Governo proporá na Confecom regulamentação de leis existentes

Governo proporá na Confecom regulamentação de leis existentes

Por Lucia Berbert

07 de dezembro de 2009

A poucos dias da realização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), marcada para os dias 14, 15, 16 e 17 deste mês, no Centro de Convenções de Brasília, o governo ainda pretende avançar no debate dealgumas propostas para o setor, que serão apreciadas no evento. É o que conta ao Tele.Síntese o secretário-executivo da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), Ottoni Fernandes Júnior. Ele ressalta que as propostas apresentadas pelo Poder Público até agora pedem a regulamentação e fiscalização do que já está definido na legislação, mas que ainda não foi normatizado. É o caso do tempo máximo de publicidade na TV aberta, limite de concessão de outorgas e garantia de divulgação de conteúdos regionais. E garante: o controle social da comunicação não é defendido pelo governo. Também se diz contrário a imposição de limites à internet.

Com o tema central “Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania era digital”, a 1ª Confecom se desenvolverá em três eixos-temáticos: “Produção de Conteúdo”, “Meios de Distribuição” e “Cidadania: direitos e deveres”. Nas etapas regionais foram eleitos 1.680 delegados, sendo 40% representantes dos movimentos sociais, 40% das entidades empresariais e 20% do Poder Público. Outros 350 observadores de órgãos nacionais, internacionais e de pessoas da sociedade vão participar dos debates, mas sem direito a voto. Estão previstas ainda a realização de palestras sobre os eixos temáticos com o objetivo de enriquecer os debates. As propostas finais serão votadas na plenária da Confecom, marcada para o dia 17.

Tele.Síntese - O receio do controle social da comunicação ainda preocupa os empresários do setor. O governo pensa em propor algo semelhante na 1ª Conferência Nacional de Comunicação?
Fernandes Júnior – O governo nunca propôs o controle social da comunicação. Isso não está escrito em lugar algum. Não tem uma menção a controle social. [Veja aqui as propostas do governo] http://www.telesintese.ig.com.br/images/stories/conteudo/entrevista/propostas1.pdf

Tele.Síntese - O assunto é recorrente e tem preocupado os empresários, de um modo geral.
Fernandes Júnior – O que nós estamos propondo é só um início de propostas. Esta semana nós vamos evoluir em algumas propostas. Nós não queremos um papel de protagonista. Achamos que esse papel é da sociedade, mas o governo não vai ficar omisso. Ele vai tomar posições.

O que nós fizemos até agora, em primeiro lugar, foi um grande esforço para que as entidades empresariais, que acabaram saindo, não saíssem. O ministro (Franklin Martins) fez apelo, eu fiz apelo para Abert, ABTA, ANJ. Conversei com todas, falei que era importante os empresários participarem porque esse é um espaço de construção de uma nova proposta para o setor.

Tele.Síntese - Qual a importância da participação dos empresários, já que em conferências de outras áreas eles deixaram de participar?
Fernandes Júnior - Embora o evento não tenha caráter legislativo, ele vai informar as decisões do Congresso, as plataformas de candidatos. Nós comentamos que era um erro os empresários saírem porque eles deixavam de influir nesse debate. Nós deixamos claro aos empresários que o governo faria um papel de ser justamente um facilitador do diálogo entre as partes, entre sociedade civil organizada e empresarial. E se for pegar o testemunho do Pauletti [Telebrasil], do César e do Flávio Lara Resende [Abra], eu acho que elas estão muito satisfeitas de terem ficado, porque estão fazendo propostas, participaram de todas as conferências estaduais.

No começo, o diálogo com os movimentos sociais foi difícil. Acontece, não havia experiência entre as partes. Mas hoje o diálogo flui, busca-se o consenso. E o governo cumpriu justamente esse papel. No início ele foi o facilitador, ajudando no namoro. E hoje acho que tem um diálogo muito grande. Nas reuniões da comissão organizadora, muitas decisões que antes rachavam as partes, saem por consenso. E os empresários ganharam um espaço. Eles se organizaram nacionalmente para participar das conferências estaduais. Não teve nenhum problema nessas conferências.

Tele.Sínrese - Não houve resistências nos estados?
Fernandes Júnior – No primeiro momento, na fase preparatória, algumas comissões organizadoras estaduais queriam evitar a presença dos empresários, mas isso foi superado. Em todos os lugares saiu a representação de 40% dos empresários, 40% da sociedade civil organizada e 20% do poder público municipal e estadual.

Em São Paulo, no começo, os pequenos empresários ligados aos movimentos sociais tiveram certa resistência, como Carta Capital e Vermelho. Mas houve o diálogo, se conciliaram. Então isso é uma demonstração de espírito democrático. Acho que está sendo uma grande experiência.

Tele.Síntese - E as propostas a serem apresentadas na plenária nacional, como serão organizadas?
Fernandes Júnior – O Ministério das Comunicações contratou a Fundação Getúlio Vargas para sistematizar as propostas. Tem cerca de 6.100. Algumas, na realidade, nem são propostas, são manifestações, não têm coisas substantivas, mais adjetivas. Essas vão ser colocadas numa categoria à parte.

Tele.Síntese - Como será a dinâmica dos trabalhos?
Fernandes Júnior – Nós vamos formar 15 grupos de trabalhos, cinco por cada eixo temático. [“Produção de Conteúdo”, “Meios de Distribuição” e “Cidadania: direitos e deveres”]

Tele.Síntese - Quais são as expectativas do governo com a Confecom?
Fernandes Júnior – No governo Lula já foram realizadas 61 conferências e as pessoas ainda não percebem a importância delas. O próprio SUS [SistemaÚnico de Saúde] nasceu na oitava conferência de saúde. É uma proposta que vem da base e foi assumida pelo governo Fernando Henrique, passou pelo Congresso Nacional e hoje é considerada uma referência mundial de articulação dos três níveis de governo. Então as pessoas não estão percebendo que, embora não tenha um caráter legislativo, ela vai influir junto aos legisladores, ao Congresso.

E mais, tem uma parte da conferência, posições, propostas que são aprovadas pelo plenário que vão ser objetos apenas de regulamentação, de uma portaria, de uma norma, e por isso é ruim que os empresários fiquem de fora, porque deixam de influir numa coisa que pode avançar para uma nova legislação.

Tele.Síntese - Voltando às propostas do governo, em que se baseiam?
Fernandes júnior – O que nós temos de propostas, principalmente da Secom, não tratam ainda das questões macro de convergência, mas sim de regulamentar e fiscalizar decisões já tomadas ou na Constituição ou no Código de Telecomunicações. Como o limite do número de outorgas [de rádio e TV], a garantia de veiculação de conteúdo regional, a produção independente, o limite de hora de publicidade nas concessões de TV. Tudo isso já está na legislação, mas ninguém controla. O que nós estamos querendo é que se defina um órgão, se a Anatel ou outro, para regulamentar isso.

Quanto à questão de órgão regulador, nós ainda vamos discutir mais nesta semana com os representantes de todos os ministérios, mas a minha posição pessoal é contra qualquer tipo de órgão de controle de conteúdo naquilo que não for concessão. Nós não temos que nos meter na liberdade de imprensa dos veículos que não são concedidos. Por que a concessão de espaço eletromagnético é um bem público e precisamos garantir que a programação seja basicamente de jornalismo, entretenimento, informação cultural, limitar cultos religiosos em determinados horários. É isso que nós queremos. Um órgão que regulamente, fiscalize aquilo que já existe. Nós não somos contra a qualquer tipo de controle, de fiscalização sobre a manifestação de imprensa livre.

Tele.Síntese - Esse órgão pode ser a Ancine?
Fernandes Júnior – É uma possibilidade. Eu temo que a Ancine não tenha capacidade para cumprir essa função na TV aberta. Isso é um fator adiscutir. Precisa ter um organismo. Hoje não tem. A Anatel não faz esse papel. O Ministério das Comunicações não faz esse papel.

O que precisa ficar bem claro é que esse trabalho de fiscalização será feito em concessão de espaço eletromagnético e nunca sobre a qualidade do conteúdo jornalístico ou mesmo do entretenimento. Eu sou contra a baixaria na TV, po rexemplo, mas acho que só a sociedade organizada pode combater isso. Acho que tem que ter a classificação indicativa dos programas, sim. Acho que é um absurdo ter propaganda de bebidas alcoólicas num horário que criança esteja vendo televisão. Acho que isso deveria também ser fiscalizado e já existe proposta do Ministério da Justiça em relação a isso.

Então, essas propostas tratam do que já existe e não é regulado nem fiscalizado. E não é regulado porque não foi feito o regulamento. Tem um número grande de projetos na Câmara para regulamentar a produção independente e a produção regional, mas nada passou. Precisa organizar isso e a conferência pode fazer uma proposta de unificação deles. Depois tem um processo posterior de acompanhamento legislativo, por meio de uma comissão formada durante a Confecom, para poder avançar.

Tele.Síntese - A regulamentação da internet tem sido defendida por vários empresários. Qual a posição do governo sobre esse tema?
Fernandes Júnior – Eu sou radicalmente contra. Acho que a proposta do marco civil da internet feita pelo Ministério da Justiça, que trata basicamente da proteção do cibercrime. O caso dos provedores, para que eles tenham condições de fazer um rastreamento para evitar pedofilia, atentados contra a segurança do país, da sociedade, campanhas odiosas, preconceitos. Sou contra qualquer tipo de outro controle.

Tele.Síntese - Há um movimento, principalmente dos radiodifusores, de aplicar o artigo 222 da Constituição, que trata da propriedade dos veículos de comunicação, nos portais da internet que veiculam notícias. Você é a favor disso?
Fernandes Júnior – Sou contra isso. Acho que a internet tem que permanecer como um espaço liberado. É importante para diversificar. A internet tem agrande vantagem de, nesse aparente caos, refletir a sociedade nas suas múltiplas visões. É uma forma, no fundo, de democratizar a informação. Tem muito boato, tem muita lenda, mas tem informação. Não pode ter controle, é assim no mundo inteiro.

Toda vez que tem uma manifestação [contra problemas na internet] a Justiça resolve. A Justiça entrou no Orkut por causa de pedofilia e outros problemas. O próprio Google forneceu as informações necessárias para identificar os autores. Então cabe à justiça intervir, por exemplo, numa manifestação sectária, contra valores constitucionais, contra as liberdades. E tem acontecido. Nós temos mecanismos para isso. Não precisa adotar limites por cima porque ai vai matar a diversidade.

Tele.Síntese - E quais as perspectivas para a Confecom? Já são mais de seis mil propostas...
Fernandes Júnior – Eu acho que vamos chegar, depois de consolidar, a um número bem menor porque uma mesma organização, como a Telebrasil, por exemplo, entrou com propostas iguais em todas as regionais. Ao sistematizar, nós vamos organizar por eixo e uma só proposta, com pequenas variações, pode representar outras propostas. O que a FGV vai fazer é uma proposta unificadora, que vai receber um título breve e vai estar associada na internet a todas as propostas identificando o estado, a origem, e a pessoa vai poder ver todas as propostas e ver que foi atendida. Então com isso a gente acha que vai enxugar bastante.

A gente acha que, com esse trabalho, chegaremos a 1.500 a 2.000 propostas, que serão levadas para os grupos de discussão, que já vão passar um filtro muito grande, antes de ir para o plenário. De tal forma que a gente leve cerca de 200 a 100 propostas para o plenário, para que possam ser discutidas e votadas.

Tele.Síntese - E o que acontecerá depois? Já existe uma proposta para dar periodicidade à Confecom, como já existem para outras conferências?
Fernandes Júnior – Ainda não. Mas acho que devíamos seguir o modelo da saúde, que é de dois em dois anos. Mas essa é uma opinião pessoal. Vai caber ao próximo presidente ou presidenta da República definir.

Fonte: Tele.Síntese
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novembro 17, 2009

UEA de Tefé é finalista do Prêmio FINEP de Inovação da região Norte

Centro de Estudos Superiores de Tefé - Universidade do Estado do Amazonas
Acervo do Prof. Guilherme Figueiredo

UEA de Tefé é finalista do Prêmio FINEP de Inovação da região Norte

O Centro de Tefé foi selecionado para a final do Prêmio FINEP de Inovação da região Norte graças ao projeto de ensino, pesquisa e extensão “Laboratório de comunicação livre”, coordenado pelo Prof. Guilherme Gitahy de Figueiredo. Mesclando ensino, pesquisa, extensão e trabalho voluntário, o projeto visa o fortalecimento da cultura brasileira e amazonense através da valorização das identidades e tradições, combate à segregação social e fortalecimento da participação popular na produção cultural através da democratização da comunicação. O projeto está concorrendo na modalidade “tecnologia social”, e o coordenador irá a Palmas (TO), nesta quinta dia 19 para saber a colocação no prêmio e receber o troféu.

As atividades deste projeto começaram quando o professor passou a dar aulas de antropologia na UEA, em 2005, buscando mostrar que os conceitos fundamentais da disciplina poderiam ser úteis para se pensar os processos de dominação cultural que reproduzem a lógica colonial no Brasil e na Amazônia, bem como estratégias de resistência e autonomia. Em 2006 um grupo de estudantes da UEA formou o Centro de Mídia Independente de Tefé, um coletivo aberto, horizontal e autônomo visando democratizar o uso de tecnologias de comunicação e informação. Atuando em parceria com estes estudantes e outros voluntários, a UEA de Tefé deu início ao trabalho de extensão com um projeto de nome “Mídia e Cidadania” que começou junto ao então projeto “Mão Amiga”, lançado pelo Prof. Wanderlan Dimas. Foram iniciados cursos e oficinas de rádio livre, comunitária, vídeo, software livre, e outros, realizados em aldeias, comunidades, bairros e escolas públicas. O funcionamento da rádio livre Xibé no campus da UEA, em 2006, ajudou a democratizar o acesso à universidade e à sua produção cultural, atividade encerrada por falta de salas em 2007.

Na mesma época começaram as atividades de pesquisa com apoio do PAIC/FAPEAM ligadas ao projeto, e que contemplam duas linhas: parte dos alunos e alunas estudam grupos discriminados e segregados da cidade, que via de regra têm suas tradições e inovações silenciadas, enquanto outra parte passou a estudar processos de apropriação de tecnologias de comunicação e informação por esses e outros grupos sociais. As antigas e atuais participantes dessas pesquisas são Fabriciana Dantas, Pedro Pontes, Alex Almeida, Dinalva Alves, Danúbia Sena e Ismaely Gomes. Atualmente, a ambição maior do projeto é criar espaços físicos com equipamentos de rádio, informática e vídeo que sirvam para atividades de pesquisa, ensino e extensão na universidade e em escolas, bem como para a participação popular na produção cultural que necessite destas ferramentas, aproximando comunicação popular e educação. Os resultados de todas essas atividades de ensino, pesquisa, extensão e ativismo têm sido apresentadas em congressos da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Associação Brasileira de Antropologia, Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação e outros espaços desde 2007. Em 2008, o artigo “Laboratório de Comunicação Livre do Médio Solimões” foi publicado no livro “Comunicação para a Cidadania: caminhos e impasses”, organizado por Igor Fuser e editado por E-papers. Em outubro de 2009, o Prof. Guilherme Figueiredo apresentou os resultados na VIII Reunião de Antropologia do Mercosul em Buenos Aires.

O projeto tem atuado em parceria com o Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia, que tem como coordenador o Prof. Alfredo Wagner e que, em Tefé, alia cartografia com democratização de tecnologias de cartografia com as de comunicação e tem como coordenador técnico o líder ticuna e acadêmico da UEA Sílvio Almeida Bastos. Outros parceiros importantes são o projeto “Rede Ribeirinha de Comunicação”, coordenado por Thiago Figueiredo e Marco Lopes do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Maminará e cuja “rede” a UEA tem ajudado a ampliar, bem como entidades do movimento indígena. Na UEA, o maior apoio vem da Pró-Reitoria de Extensão, na pessoa de Rogelio Casado.
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novembro 16, 2009

II Encontro de Comunicadores Populares do Médio Solimões

Rádio Xibé
Foto: Prof. Guilherme Gitahy de Figueiredo - UEA - Alvarães-Amazonas-Brasil

Editorial no CMI:
II Encontro de Comunicadores Populares do Médio Solimões

Nos dias 5 a 7 de novembro de 2009, aconteceu no Centro Itinerante de Educação Ambiental e Científica Bill Hamilton (CIEAC), no Lago de Tefé, o II Encontro de Comunicadores Populares do Médio Solimões (II ECPMS). O evento contou com a participação de 27 pessoas de comunidades, aldeias ebairros dos municípios de Tefé, Uarini, Maraã e Coari (Amazonas) e foi organizado pelo comunicador social Thiago Antônio Figueiredo e pelo educador ambiental Marcos Lopes, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM). O encontro teve como objetivo fortalecer a Rede Ribeirinha de Comunicação que envolve as Reservas Mamirauá e Amanã e os municípios do entorno, com intuito de democratizar os meios de comunicação locais e tornar as populações dessa região produtoras e não só receptoras de informações para a mídia, além de integrar as pessoas das cidades e das unidades de conservação existente nesta região.

Durante o encontro foram veiculados três vídeos educativos, produzidos pelos próprios moradores das Reservas e das sedes municipais que ascircundam, abordando a importância do uso de técnicas e de instrumentos de comunicação para o desenvolvimento local. Houve também a palestra abordando princípios e conceitos básicos sobre educação ambiental, ministrada por Cláudia Santos com intuito de sensibilizar as pessoas no que se refere ao meio ambiente e em especial ao Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). No segundo dia de encontro os participantes, divididos em grupos de cinco componentes saíram pelas ruas da cidade de Tefé para produzir matérias que foram utilizadas como subsídio para produção de programas veiculados na rádio livre Xibé.

O II ECPMS contou também com a presença dos diretores Fábio de Oliveira da Rádio Mel FM 101.9, Thomas da Rádio Rural de Tefé, e Raifran Brandão do Jornal O Solimões, que debateram com ativistas e comunicadores populares a abertura de seus veículos para a inserção de notícias produzidas por comunicadores populares e a democratização da comunicação no Médio Solimões, tudo ao vivo pela rádio Xibé.

Fonte: CMI
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novembro 12, 2009

A César o que é de César

Marcha à Brasília por uma Reforma Psiquiátrica Antimanicomial
Acervo CFP

Nota do blog: Noticiar um evento à distância de onde ele ocorreu nos assujeita a riscos. Ficamos na dependência da fonte. O problema é que o sujeito comunicante aí não pode ser considerado independente da situação de comunicação. O enunciador pode considerar a complexidade da cena, ou reduzi-la aos limites da coerção produzidas por outros discursos. Daí a importância de sabermos o lugar de onde fala o sujeito comunicante. Com a intenção de evitar as subtrações costumeiras a que são submetidas a história do movimento social por uma sociedade sem manicômios, é que o autor do texto abaixo (o intrépido Marcus Vinicius, ex-vice presidente do CFP) pretende fazer a inscrição dos sujeitos ali onde alguns discursos costumam omiti-los. Para evitar o sexismo na linguagem, peço atenção a todos e todas que me leêm, para um infame acréscimo ao título acima. Onde se lê "A César o que é de César", acrescente-se"[...] e às Cesarinas o que é de Cesarinas".

Colegas,

A Cesar o que é de Cesar ! Em relação à aprovação da IV Conferencia no CNS gostaria de destacar o intenso trabalho corpo a corpo desenvolvido nesta última semana por algumas militantes, tais como a integrante da CISM Maria Herminia que, representando o FENTAS, auxiliada por Marta Elizabete, da Coordenação de Saúde Mental de MG, da Elisa do CFP, da Nelma da Renila, que se desdobraram no acompanhamento do encaminhamento do ponto de pauta no CNS, conquistando importantes alianças, ajudando a convencer conselheiros relutantes, garantindo que os que se comprometeram mantivessem o seu compromisso.

Certamente a boa disposição e o compromisso da Coordenação Nacional de Saúde Mental foram muito importantes, mas queria afirmar que o Movimento Social que convocou e coordenou a Convocação da Marcha dos Usuários, seguiu atento costruindo a estratégia da convocação intersetorial na Reunião da CISM e buscando arrancar, na relutância do CNS, a conferência a que temos direito!

E neste momento conclamo a tod@s [...] que possam estar se engajando em coletivos democráticos que possam garantir a maior expressão possível dos nossos mestres maiores no assunto da Loucura que são os nossos usuários! Quando falamos em espaço de discussão sobre saude mental e Reforma Psiquiátrica nos dias de hoje é preciso afirmar que um novo paradigma de produção da legitimitade epistemológica constiuiu-se no no nosso campo e que ele exige a validação dos nosso saberes e dos nosso fazeres por aqueles a quem estes se destinam... Que na IV Confêrencia possamos, mais do que a quaisquer outros interesses, ouvir as suas vozes!!!

marcus vinicius
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