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agosto 12, 2010

Serra na TV Globo: 8 mentiras, 2 contradições e 9 erros políticos

Serra no JN foi um desastre: pelo menos 8 mentiras, 2 contradições e 9 erros políticos

A entrevista de José Serra (PSDB/SP) no Jornal Nacional foi um desastre. 

Contamos 8 mentiras, 9 erros políticos, e Serra ainda conseguiu cair em contradição duas vezes dentro da mesma entrevista. É muita coisa para um candidato só em 12 minutos de entrevista.


Em vermelho estão nossos comentários daqui do blog.



William Bonner:
A entrevista vai durar 12 minutos, e o tempo começa a ser contado a partir de agora. Candidato, desde o início desta campanha, o senhor tem procurado evitar críticas ao presidente Lula. O senhor acha que... E em alguns casos fez até elogios a ele... o senhor acha que essa é a postura que o eleitor espera de um candidato da oposição?

Tal qual um lobo em pele de cordeiro, Serra quer se apresentar como candidato pós-Lula e não de oposição a Lula. A pergunta foi feita para tentar neutralizar a imagem anti-Lula. 
 Na pergunta, Bonner incluiu uma afirmação do interesse dos marqueteiros de Serra: "fez até elogios a Lula"... Bonner levantou a bola para Serra cortar.

Detalhe: no vídeo nota-se Serra remexendo-se na cadeira, e engolindo em seco, antes de responder.

José Serra: Olha, o Lula não é candidato a presidente. O Lula, a partir de 1º de janeiro, não vai ser mais presidente da República. Quem estiver lá vai ter de conduzir o Brasil. Não há presidente que possa governar na garupa, ouvindo terceiros ou sendo monitorado por terceiros. Eu estou focado no futuro. Hoje tem problemas e tem coisas boas. O que nós temos que fazer? Reforçar aquilo que está bem e corrigir e poder melhorar aquilo que não andou direito. É por isso que eu tenho enfatizado sempre que o Brasil precisa e que o Brasil pode mais. Onde? Na área da saúde, na área da segurança, na área da educação, inclusive do ensino profissionalizante. Meu foco não é o Lula. Ele não está concorrendo comigo.

Serra foi muito ruim... era só cortar a bola levantada... e ele errou 3 vezes:

1ª) Lula não é candidato a presidente, mas tem candidata. Querer tirar a influência do presidente no pleito é um erro. Empurra com a barriga um duelo que ele vai ter que enfrentar. É um erro enfrentar mais à frente, quando estiver mais fraco, e sem tempo para corrigir rumos. 
Serra irritou o eleitor que gosta de Lula, mas ainda não tem candidato, ao querer "aposentá-lo" ou "cassá-lo" do processo político antes da hora.

2ª) Quando ele disse "não há presidente que possa governar na garupa", ele tenta desqualificar a adversária, e com argumento bobo, em vez de mostrar suas próprias qualidades. Isso transparece inveja, fraqueza e insegurança. Não agrada aos eleitores. Além disso, a imagem de uma mulher muito inteligente e capaz, que Dilma passou em sua entrevista na segunda-feira, não combina com alguém que ficaria apenas na garupa.

3ª) Para convencer alguém a votar nele, não adianta só apontar problemas e dizer que vai melhorar. Isso todo político diz. É preciso ter credibilidade, e Serra não tem na área de segurança, nem na de educação, e na saúde só tem um pouco ainda, porque é produto de propaganda enganosa e da blindagem da imprensa, que vem sendo desmascarada graças à internet. Trataremos disso mais adiante.

William Bonner: Entendo. Agora, candidato, o senhor avalia o risco que o senhor corre de essa sua postura ser interpretada como um receio de ter que enfrentar a popularidade alta do presidente Lula?

Olha o Bonner levantando a mesma bola de novo, para ver se Serra acerta dessa vez.

José Serra: Não, não vejo por quê. Eu acho que as pessoas estão preocupadas com o futuro, né? Quem vai tocar o Brasil, quem tem mais condições de poder tocar o Brasil para a frente, que não é uma tarefa fácil. Inclusive de pegar aqueles problemas que hoje a população considera como os mais críticos e resolvê-los. Dou como exemplo, novamente, entre outros, a questão da saúde. Então, o importante agora é isso. E as pessoas estão nisso. O governo Lula fez coisas positivas, né? Outras coisas, deixou de fazer. A discussão não é o Lula. A discussão é o que vem para a frente, tá certo? Os problemas do Brasil de hoje e o que tem por diante.
Serra errou pela 4ª vez. Repetiu o terceiro erro citado acima: Para convencer alguém a votar nele, não adianta só apontar problemas e dizer que vai melhorar, porque isso todo político faz. O erro foi pior porque não foi só no conteúdo. Foi também na forma. A resposta de Serra foi um amontoado de obviedades descritas de forma pouco inteligível. Alguém entendeu o que ele quis dizer exatamente com "Dou como exemplo, novamente, entre outros, a questão da saúde. Então, o importante agora é isso. E as pessoas estão nisso"...?

Fátima Bernardes: O senhor tem insistido muito na tecla de que o eleitor deve procurar comparar as biografias dos candidatos que estarão concorrendo, que estão concorrendo nesta eleição. O senhor evita uma comparação de governos. Por exemplo, por quê, entre o governo atual e o governo anterior?
Fátima jogou pétalas para o candidato, suavizando a pergunta, que deveria ser: por que então o senhor esconde seu papel como ministro do planejamento, homem forte, e escolhido em 2002 para sucessor de FHC?

José Serra: Olha, porque são condições diferentes. Eles governaram em períodos diferentes, em circunstâncias diferentes. O governo anterior, do Fernando Henrique, fez uma... muitas contribuições ao Brasil, entre elas o Plano Real. A inflação era de 5.000% ao ano, né? E ela foi quebrada a espinha. As novas gerações nem têm boa memória disso. E várias outras coisas que o governo Lula recolheu e seguiu. O Antonio Palocci, que foi ministro da Fazenda do Lula e hoje é o principal assessor da candidata do PT, nunca parou de elogiar, por exemplo, o governo Fernando Henrique. Mas nós não estamos fazendo uma disputa sobre o passado. É como se eu ficasse discutindo, para ganhar a próxima Copa do Mundo, quem foi o melhor técnico: o Scolari ou o Parreira?
Serra falou a primeira grande mentira da noite. O plano Real foi feito no governo de Itamar Franco (será ele gostou de ser ignorado pelo Serra na TV?). FHC veio em seguida, e passou 8 anos sem dar nenhum passo adiante. Promoveu um populismo fiscal e cambial no primeiro mandato, que quebrou o país, mas ganhou a reeleição, e governou no segundo mandato remendando o país quebrado.

Fátima Bernardes: Mas...

José Serra: E o Mano Menezes, Fátima, desculpe, fosse estar preocupado em saber quem era melhor para efeito de ganhar a Copa de 14. Isso é uma coisa que os adversários fazem para tirar o foco de que o próximo presidente vai ter de governar e não pode ir na garupa. E tem que ter ideias também. Não só coisas que fez no passado, mas também ideias a respeito do futuro.

A comparação com futebol também foi falsa. Lula é um craque e sairá do governo com mais de 80% de aprovação. FHC saiu com baixíssima popularidade, está mais para o que chamam de "era Dunga" (sendo injusto com Dunga, porque ele, no futebol, é muito superior e vitorioso do que FHC, na presidência).

Fátima Bernardes: Mas, por exemplo, avaliar, analisar fracassos e sucessos não ajuda o eleitor na hora de ele decidir pelo voto dele?

Olha a Fátima levantando a mesma bola de novo, para ver se Serra acerta dessa vez.

José Serra: Por isso... E é isso o que eu estou fazendo. Por exemplo, mostro na saúde. Eu fui ministro da Saúde. Fiz os genéricos, os mutirões, a campanha contra a Aids que foi considerada a melhor campanha contra a Aids do mundo, uma série de coisas. A saúde, nos últimos anos, não andou bem. Por exemplo, queda, diminuição do número de cirurgias eletivas, aquelas que não precisa fazer de um dia para o outro, mas são muito importantes. Caiu, né? Pararam os mutirões. Muita prevenção que se fazia acabou ficando para trás. Faltam ainda hospitais nas regiões mais afastadas dos grandes centros. Tem problemas com as consultas, tem problemas de demoras. Enfim, tem um conjunto de coisas, inclusive relacionadas por exemplo com a saúde da mulher. Tudo isso precisa ser equacionado no presente. Eu estou apontando os problemas existentes.
Serra falou a segunda grande mentira da noite: Os genéricos não foi Serra quem fez. Foi Jamil Haddad no governo Itamar Franco (novamente ignorado por Serra).
Em seguida falou a terceira grande mentira: o programa da Aids não foi de Serra, foi de Lair Guerra e Adib Jatene.
Quanto às cirgurgias eletivas, foram elas ou as fraudes no SUS que diminuíram? Muitas cirurgias que não existiam eram cobradas e contabilizadas como se tivessem sido feitas. Além disso, as pessoas que subiram de classe social, e que arranjaram empregos formais, e tiveram acesso a planos de saúde, e não usaram o SUS, como entram nesta contabilidade?
Serra insiste em mutirões como solução em saúde para o SUS. Mutirão é quebra-galho, não é rede de saúde planejada, que o povo merece, e que funciona.

William Bonner: Agora, candidato, vamos ver uma questão... O senhor me permita, para a gente poder conversar melhor.

José Serra: Sim, sim, claro.

William Bonner: Uma questão política. Nesta eleição, existem contradições muito claras nas alianças formadas pelos dois partidos que têm polarizado as eleições presidenciais brasileiras aí nos últimos 16 anos, né? O PT se aliou a desafetos históricos. O seu partido, o PSDB, está ao lado do PTB, um partido envolvido no escândalo do mensalão petista, no escândalo que inclusive foi investigado e foi condenado de forma muito veemente pelo seu partido, o PSDB. Então, a pergunta é a seguinte: o PSDB errou lá atrás quando condenou o PTB ou está errando agora quando se alia a esse partido?
Bonner fingiu ser duro com Serra com perguntas incômodas, mas na verdade estava levantando a bola para Serra atacar o PT, tanto é que nem tocou no assunto "mensalão do DEM", nem do mensalão tcano, do Eduardo Azeredo (PSDB/MG).

José Serra: William, é uma boa pergunta. O PTB, no caso de São Paulo, por exemplo, sempre esteve com o PSDB, de uma ou de outra maneira. Isso teve uma influência grande na aliança nacional. Os partidos, você sabe, são muito heterogêneos. O personagem principal... Os personagens principais do mensalão nem foram do PTB. Os personagens principais foram do PT, aliás, mediante denúncia do Roberto Jeferson, que era então líder do PTB.

Serra cortou a bola levantada para atacar o PT. 

Mas errou feio (pela 5ª vez) ao defender Roberto Jefferson, dizendo que ele era denunciante. Não era apenas denunciante, Roberto Jefferson é réu e teve seu mandato cassado por falta de ética.

William Bonner: Os nomes de petebistas, todos, uma lista muito vasta, começando pelo Maurício Marinho.
Bonner insiste no assunto, para requentá-lo e manter em evidência na entrevista. Levantou de novo a bola para Serra cortar.

José Serra: Você tem 40 lá no Supremo Tribunal Federal...

Willlam Bonner: Não, exato.

José Serra: E o PT ganha disparado.

Serra cortou a bola levantada por Bonner para atacar o PT, se esquivando de explicar sua relação com Roberto Jefferson. 
 
William Bonner: Mas não há nenhum constrangimento para o senhor pelo fato de esta aliança por parte do seu partido, o PSDB, ter sido assinada com o PTB pelas mãos do presidente do partido que teve o mandato cassado inclusive com votos de políticos do seu partido, o PSDB? Isso não provoca nenhum tipo de constrangimento?

O aparente "aperto" não passa de pautar a entrevista em torno de desgastar o PT.

José Serra: Olha, o Roberto Jefferson, é o presidente do PTB, ele não é candidato. Ele conhece muito bem o meu programa de governo, o meu estilo de governar. O PTB está conosco dentro dessa perspectiva. Eu não tenho compromisso com o erro. Aliás, nunca tive na minha vida. Tem coisa errada, as pessoas pagam, né? Quem é responsável por si é aquele que comete o erro, é ele que deve pagar. Eu não fico julgando. Mas eu não tenho compromisso com nenhum erro. Agora, quem está comigo sabe o jeito que eu trabalho. Por exemplo, eu não faço aquele loteamento de cargos. Para mim, não tem grupinho de deputados indicando diretor financeiro de uma empresa ou indicando diretor de compras de outra. Por quê? Para que que um deputado quer isso? Evidentemente não é pra ajudar a melhorar o desempenho. É para corrupção. Comigo isso não acontece. Não aconteceu na saúde, no governo de São Paulo e na prefeitura.
Serra errou (pela 6ª vez), por que caiu na 1ª contradição. A defesa que ele faz do relacionamento com Roberto Jefferson, contradiz as críticas que ele fez ao PT. O povo não é bobo.
Serra falou a quarta mentira: até político de Mato Grosso (Antero Paes de Barros) e Pernambuco (Roberto Freire), que estavam desempregados, ele arrumou uma boquinha na SABESP e na Prefeitura de São Paulo.

Fátima Bernardes: Candidato, nesta eleição, quer dizer, o senhor destaca muito a sua experiência política. Mas na hora da escolha do seu vice, houve um certo, um certo conflito com o DEM exatamente porque houve uma demora para o aparecimento desse nome. Muitos dos seus críticos atribuem essa demora ao seu perfil centralizador. O nome do deputado Índio da Costa apareceu 18 dias depois da sua oficialização, da convenção que oficializou a sua candidatura. É... O senhor considera que o deputado, em primeiro mandato, está pronto para ser o vice-presidente, uma função tão importante?

Fátima suavizou a pergunta. Ela teria que ter perguntado se José Roberto Arruda (ex-DEMos), seria o vice, caso não fosse preso no mensalão do DEM. Deveria perguntar também, sobre os problemas com Aécio, sobre a recusa em ser vice.

José Serra: Está. Fátima, deixa só eu te dizer uma coisa. Eu não sou centralizador. Eu sei que tenho a fama de centralizador. Mas no trabalho, eu delego muito. Eu sou mais um cobrador. Eu acompanho tudo.

Fátima Bernardes: Eu falei centralizador porque até no seu discurso de despedida do governo de São Paulo, o senhor mesmo explicou sobre essa fama de centralizador.

José Serra: Que eu não era centralizador. E todo muito que trabalha comigo sabe disso, eu delego muito. Agora, eu acompanho porque quem coordena, quem chefia tem que acompanhar para as coisas acontecerem. A questão da vice estava orientada numa direção. Por circunstancias políticas, acabou não acontecendo. E o Índio da Costa, que foi o escolhido, estava entre os nomes que a gente cogitava. Só que isso não tinha ido para a opinião pública porque senão é uma fofoca só. Fulano, cicrano, isso e aquilo. Ele disputou quatro eleições, é um homem de 40 anos e foi um dos líderes da aprovação do ficha limpa no Congresso. Eu acho que...

Fátima Bernardes: Mas a experiência dele é municipal, na verdade, não é? Ele teve três mandatos de vereador, o senhor acha que isso o qualifica?

José Serra: E um mandato deputado federal.

Fátima Bernardes: Que ele está exercendo pela primeira vez.

José Serra: Eu acho que isso o qualifica perfeitamente. O que vale é a experiência na vida pública. Tem livros sobre administração e eu insisto. Sua atuação no Congresso Nacional foi marcada pelo ficha limpa. Se você for pegar também outros vices, do ponto de vista da experiência pública, cada um tem suas limitações. Mas eu não estou aqui para ficar julgando os outros. Eu só sei que o meu vice, jovem, ficha limpa, preparado, com muita vontade, e do Rio de Janeiro, é um vice adequado. Eu me sinto muito bem com ele. Agora, devo dizer o seguinte...
Serra caiu na 2ª contradição. Ele defende seu vice dizendo que um deputado federal pela primeira vez, do baixo clero, é "perfeitamente qualificado", enquanto tenta desqualificar Dilma, que já ocupou cargos muitos mais importantes e se saiu muito bem. Serra desmontou suas próprias críticas à Dilma, ao defender seu vice.

Quinta mentira: a ficha do vice está suja e lambuzada de merenda escolar, segundo uma vereadora, tucana acima de qualquer suspeita.

William Bonner: Candidato... Candidato.

José Serra: Eu tenho muito boa saúde. Ninguém está sendo vice comigo achando que eu não vou concluir o mandato.
Serra errou ao dizer isso. Falou demais, e errou duas vezes (7º e 8º erro):

1ª) Chamou atenção para algo que a maioria dos telespectadores não estava pensando, e foram induzidos a ser perguntar: E se o Serra faltar? É aquele Indio da Costa que será presidente?

2ª) Na prática, disse que o vice é de "brincadeirinha", desqualificando-o, depois de tê-lo defendido.

William Bonner: Mas um vice não assume só nessas circunstâncias...

Fátima Bernardes: Trágicas.

Agora foi a Fátima quem, sem querer, colocou "a pulga atrás da orelha" do telespectador ...

José Serra: Mas, enfim... Eu não sei até que ponto...

William Bonner: Candidato, eu gostaria de abordar um pouquinho também da sua passagem pelo governo de São Paulo. O senhor foi governo em São Paulo durante quatro anos, seu partido está no poder em São Paulo há 16 anos. Então é razoável que a gente avalie aqui algumas dessas ações. A primeira que eu colocaria em questão aqui é um hábito que o senhor mesmo tem de criticar o modelo de concessão das estradas federais. De outro lado, os usuários, muitos usuários das estradas estaduais de São Paulo que estão sob regime de concessão, se queixam muito do preço e da frequência com que são obrigados a parar para pedágio, quer dizer, uma quantidade de praças de pedágio que eles consideram excessiva. Pergunta: o senhor pretende levar para o Brasil inteiro esse modelo de concessão de estradas estaduais de São Paulo?

Bonner suavizou muito a pergunta. E a fez muito longa, dispersando a atenção do telespectador que não conheça os abusos dos pedágios paulistas.

José Serra: Olha, antes disso. No caso de São Paulo, tem uma pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes, um organismo independente: 75% dos usuários das estradas do Brasil acham as paulistas ótimas ou boas. 75%, um índice de aprovação altíssimo. Isso para as federais é apenas 25%. De cada dez estradas federais, sete estão esburacadas. São as rodovias da morte. Na Bahia, em Minas, BH, Belo Horizonte, Governador Valadares, em Santa Catarina. Enfim, por toda a parte. O governo federal fez um tipo de concessão que não está funcionando.

Serra falou a sexta mentira: nesta mesma pesquisa Pesquisa rodoviária da CNT quele citou, realizada em 2009, mostra em relação aos 87.552 quilômetros avaliados: Pavimentação (págs. 32 a 35, do Relatório Gerencial): 94,3% não apresentam buracos. De onde ele tirou essa mentira que 7 em cada 10 estão esburacadas?

William Bonner: Mas a que o senhor fez motivou críticas quanto ao preço. Então a questão que se impõe é a seguinte, candidato: não existe um meio termo? Ou o cidadão brasileiro tem uma estrada boa e cara ou ele tem uma estrada ruim e barata. Não tem um meio termo nessa história?

José Serra: Eu acho que pode ter uma estrada boa que não seja cara, se você trabalhar direito. Por exemplo, a concessão que eu fiz da Ayrton Senna. O pedágio anterior era cobrado pelo órgão estadual. Caiu para a metade o pedágio. É que realmente, geralmente, os exemplos bons não veem...

A rodovia  Ayrton Senna, a única que Serra cita como tendo "reduzido" o pedágio, tem apenas 48,3 Km. E os milhares de Km das outras rodovias pedagiadas de São Paulo, cujos pedágios só subiram?

Detalhe: o pedágio da Ayrton Senna só diminuiu porque ela corre paralela à via Dutra. Se o pedágio fosse mais caro do que na Dutra, quase ninguém a usaria.

William Bonner: Mas esse modelo vai ser exportado para as estradas federais?

José Serra: Esse modelo que diminuiu pode ser adotado, porque você tem critérios para ser examinados. O governo federal fez estradas pedagiadas. Só que estão, por exemplo, no caso de São Paulo, a Régis Bittencourt, que é federal, ela continua sendo a rodovia da morte. E a Fernão Dias, Minas-São Paulo, está fechada. Você percebe? Nunca o Brasil esteve com as estradas tão ruins. Agora, tem mais: em 1000 é, é, no começo de 2003 para cá, foram arrecadados R$ 65 bilhões para transportes, para estradas na Cide. É um imposto. Sabe quanto foi gasto disso pelo governo federal? Vinte e cinco. Ou seja, foram R$ 40 bilhões arrecadados dos contribuintes para investir em estradas do governo federal que não foram utilizados. A primeira coisa que eu vou fazer, William, é utilizar esses recursos para melhorar as estradas. Não é o assunto de concessão que está na ordem do dia. É gastar. É entender o seguinte: por que de cada R$ 3 que o Governo Federal arrecadou, foram 65, ele gastou um terço disso? É uma barbaridade.
Serra errou (pela 9ª vez) ao apavorar os brasileiros com a ameaça de extender o modelo de pedágios paulista, com tarifas abusivas para o resto do Brasil.
A principal diferença nos pedágios federais na era Lula é que não são onerosos e a margem de lucro é baixa (próximo da taxa selic). O resultado é uma tarifa muito baixa. Os governos demo-tucanos paulistas fazem o contrário: concessão onerosa, que são repassadas às tarifas, e margem de lucro das concessionárias acima de 20% (um absurdo).

A sétima mentira: A rodovia Fernão Dias não está fechada.

A oitava mentira: A arrecadação da CIDE não é só para estradas. Ela é usada também para infra-estrutura do transporte urbano nas cidades, projetos ambientais, e para subsidiar o preço de combustíveis, quando necessário. 
O IPVA (quase R$ 9 bilhões só em São Paulo em 2009) que é estadual e Serra recolheu como governador, é que deveria ser para conservar rodovias, e não se sabe para onde vai, nem como é gasto, já que as rodovias paulistas foram privatizadas. O cidadão paulista paga um pedágio caríssimo, e ainda paga um IPVA também bastante caro.

Fátima Bernardes: Nós estamos...

José Serra: Por isso as estradas federais estão nessa situação. Desculpa, Fátima, fala.

Fátima Bernardes: Não, candidato. É que como nós temos um tempo, eu queria dar ao senhor os 30 segundos para o encerramento, para o senhor se dirigir ao...

José Serra: Já passou?!

Fátima Bernardes: Já passou, já estamos, olhe lá, Onze e quarenta e sete e os seus eleitores.

José Serra: Olha, eu vim aqui, queria, em primeiro lugar, agradecer a vocês por essa oportunidade. Eu tenho uma origem modesta, meus pais eram muito modestos. Eu acho que eles nunca sonharam que um dia eu estaria aqui no Jornal Nacional, que eles assistiam diariamente, aliás pela segunda vez, falando como candidato a presidente da República. Eu devo a eles até onde eu cheguei. Devo a eles, devo à escola pública e acabei virando professor universitário, mas também sempre ligado às questões públicas, desde que eu fui presidente da União Nacional dos Estudantes até hoje. O que eu peço hoje...

Serra ensaiou, ensaiou, ensaiou... e o que saiu foi isso aí.  


William Bonner: Seu tempo, candidato.

José Serra: Para concluir é o seguinte: eu acho que o Brasil pode continuar e pode melhorar muito. O que eu queria pedir às pessoas...

William Bonner: Candidato, o senhor me obriga a interrompê-lo, me perdoe, me perdoe.

José Serra: Não posso nem falar um pouquinho?

William Bonner: É em respeito... Não posso. Porque é em respeito aos demais candidatos que estiveram aqui. E eu sei que o senhor vai compreender. E eu quero agradecer a sua presença aqui.
 José Serra: Não. Eu compreendo. Obrigado.
Quem pensou que Bonner foi "durão" com Serra, não conhece o outro lado da história. 

Se o tempo fosse a mais para Serra, Dilma e Marina teriam direito a voltar ao Jornal Nacional outro dia para completar o tempo igual para todos, de acordo com as leis eleitorais. 
 

julho 29, 2010

Eleições para o CFP: Pra cuidar do futuro da profissão, vá com o Humberto Verona. Vote 21.

Informativos : PRA CUIDAR do futuro DA PROFISSÃO ...SE MUITO VALE O JÁ FEITO, MAIS VALE O QUE SERÁ... 



1996, ano em que o movimento Pra Cuidar da Profissão se consolidou, lançando uma chapa para o Conselho Federal de Psicologia. 


1997, ano em que iniciamos nossos trabalhos, colocando em ação um projeto ambicioso: contribuir para mudar o rumo da Psicologia no Brasil. Algumas mudanças na sociedade, na década de 80, permitiam acreditar que era ambicioso mas viável. Na própria Psicologia o surgimento da Psicologia Social Comunitária e de toda a área da Saúde Pública indicava que os psicólogos haviam inaugurado um novo compromisso com a sociedade brasileira. Faltava reunir, dar visibilidade, permitir o diálogo.


Não foi pra menos que as primeiras ações à frente do CFP foram: a iniciativa de criar o Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia Brasileira - FENPB (junho 1997), o prêmio monográfico Madre Cristina Sodré Dória de Psicologia, Direitos Humanos e Sofrimento Mental (julho 1997), a formação da Comissão Nacional de Direitos Humanos (agosto 1997) e I Mostra de Práticas em Psicologia: Psicologia e Compromisso Social (outubro de 2000) seguida do I Congresso Nacional de Psicologia Ciência e Profissão (2002), este último já em parceira com várias entidades do FENPB. 

Era realmente fantástico acompanhar a Psicologia mudando sua cara e seu compromisso com a sociedade brasileira! As iniciativas do Conselho Federal de Psicologia eram, sem dúvida, importantes nisto tudo. Era o projeto do Compromisso Social da Psicologia como forma de CUIDAR DA PROFISSÃO que se desenvolvia a olho nu.

Mas Cuidar da Profissão era também democratizar o Conselho de Psicologia. Este trabalho começou antes de nós, no início dos anos 90, mas soubemos aproveitar o que já estava feito e ir adiante. Demos forma à Assembléia de Políticas, de Administração e de Finanças do Sistema; regulamentamos a consulta nacional para eleição dos gestores do CFP, estabelecemos acordos de como se poderiam criar referências para a profissão, exigindo consulta às bases e participação de todos os Conselhos Regionais. Quando chegamos ao CFP havia um domínio dos chamados “grandes Conselhos” e foi com acordos e regras claras que pudemos reverter este cenário e ter uma participação importante de todos os CRPs na construção da profissão. 

Criamos coletivamente regras para garantir gestões rigorosas nos Conselhos. As auditorias regulares se tornaram conhecidas dos gestores. Sempre entendemos que as contas dos Conselhos deveriam ser avaliadas pelo Tribunal de Contas da União e lutamos por isto quando se pensou em ser diferente. 

Rigor ao tratar e cuidar do que é dos psicólogos e da sociedade brasileira. Este pensamento também nos levou a produzir nacionalmente esclarecimentos sobre o papel dos Conselhos Profissionais. Muitos, até então, acreditavam que os Conselhos eram entidades da categoria e por isto deveriam trabalhar na defesa dos psicólogos. Os Conselhos são órgãos da sociedade, sob os cuidados dos psicólogos, para cuidar da profissão; isto é, fazer dela um instrumento de atenção às necessidades da sociedade, a partir do que tem a oferecer a Psicologia como ciência e profissão. 

Cabe ainda destacar que, seguindo esta compreensão, transformamos o CFP em uma entidade para criar referências para a profissão, qualificando-a. Fizemos dos problemas encontrados nas fiscalizações um conjunto de desafios para produzir orientações. 

Resoluções sobre documentos escritos, resolução da orientação sexual, do preconceito racial, dos registros documentais na prestação de serviços, dos testes psicológicos, da atuação nos presídios, da escuta de crianças, do registro de especialistas, do credenciamento de cursos de especialização, residência em Psicologia, enfim, foram muitas as resoluções que procuraram e procuram oferecer as referências para um exercício qualificado da profissão.
 
Assim como entendemos que estas medidas eram sinônimo de Cuidar da Profissão, entendemos também que o diálogo com a sociedade e o Estado eram ferramentas fundamentais para esse desenvolvimento. 

Nos aliamos ao movimento social que afirmou a luta pela melhoria das condições de vida de nossa população; buscamos o diálogo com o Estado para apresentar a Psicologia como profissão e suas possibilidades de colaboração. O Banco Social de Serviços e o CREPOP são traduções desta política. 

No entanto, não foram poucos os embates neste trajeto. A Psicologia é diversa e muitos projetos convivem nela. Aí talvez se encontre a melhor qualidade do Cuidar da Profissão: a certeza de que o avanço se faz por meio do diálogo com o diferente. 

Nossas gestões têm a marca da inclusão. Nosso trabalho e nosso projeto acompanharam o tempo. Progrediram porque absorveram o novo, porque acreditamos no movimento incessante da realidade e porque trabalho e projeto se relacionam em uma transformação permanente.

...SE MUITO VALE O JÁ FEITO, MAIS VALE O QUE SERÁ...
É com esta disposição que nos candidatamos para uma sempre nova gestão.

Humberto Verona

junho 24, 2010

Dilma 45% x Serra 35%

Dilma e Lula
Dilma aponta para vitória no primeiro turno

Por Redação - de São Paulo

Dilma assume a dianteira nas pesquisas
Candidata do PT à Presidência da República, a economista de esquerda Dilma Rousseff superou pela primeira vez o colega da direita, o tucano José Serra, na corrida ao Planalto. Distante mais de três meses das eleições, a petista mantém uma curva ascendente que a coloca, neste momento, com 45% dos votos contra 38% de Serra, em um cada vez mais improvável segundo turno. Analistas estatísticos mostram que a trajetória da candidata indicada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, aponta para a vitória ainda no primeiro turno. A pesquisa Ibope foi encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgada na tarde desta quarta-feira. Segundo o estudo, Dilma já lidera também no primeiro turno com 40% das intenções de voto, enquanto Serra aparece com 35% e Marina com 9%.

Leia mais em Jornal Correio do Brasil

maio 17, 2010

Enquanto Dilma sobe, Serra desce e FHC afunda


Brazukace 20 de junho de 2009 — As crises que FHC "enfrentou" eram muito menores do que a atual. Se limitavam a continentes, e não eram crises mundiais como a de agora.
Mesmo assim o país se F*DIA. O governo tucano não governava para o povo e sim para uma minoria da elite e para um único estado chamado São Paulo.
Observe na parte do vídeo em que aparece Paulo Renato Souza ao lado de FHC. Ele poderá ser o futuro ministro da fazenda se Zé pedágio for eleito. Há um serviço que não foi realizado por completo, por isso os tucanos precisam voltar ao poder para finalizá-lo. Entregarão nossos recursos naturais, estatais e o que puderem para os europeus e americanos.

Isso se chama "GLOBALIZAÇÃO" no dicionário tucano.

maio 07, 2010

Rumo à autonomia universitária

Luta pela democratizacão da Universidade do Amazonas
Foto: Rogelio Casado - Manaus-Amazonas - Anos 1980
Nota do blog: Eleições diretas na UEA, em todos os níveis, sobretudo para escolha do reitor, exige um percentual de professores e servidores concursados ainda não atingidos. Esse detalhe legal ainda frusta os três segmentos da universidade na busca da democracia e autonomia desejada.

***


Unidades da UEA na capital vão ter eleições diretas para escolher diretores
06/05/2010

O governador Omar Aziz considerou justas as reivindicações apresentadas

A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) vai promover eleições diretas para a escolha da direção das unidades educacionais da capital. A autorização foi dada na manhã da quinta-feira, 6, pelo governador do Amazonas Omar Aziz, durante reunião com lideranças da instituição.

Ele também autorizou o pagamento de ticket-alimentação para os professores da instituição e o subsídio da alimentação para os alunos, com o objetivo de viabilizar a criação de um restaurante universitário.

“Estas reivindicações são justas. Lutei minha vida inteira por uma universidade de qualidade e agora tenho a oportunidade de consolidar projetos importantes para a UEA, como a construção do movimento democrático dentro da instituição com a eleição direta dos diretores de unidade”, disse o governador.

Em mais de duas horas de reunião, Omar decidiu com os representantes de alunos, professores e funcionários da UEA, que será formada uma comissão paritária para ouvir e discutir os projetos para a universidade a curto, médio e longo prazo.

O governador também ouviu questionamentos relacionados com a construção da sede do novo campus da UEA e explicou haver uma questão judicial envolvendo o caso. “Temos uma situação judicial a ser resolvida e a partir daí poderemos avançar nas conversas”, destacou.

Avanços

Para a representante dos alunos, Gislândia Batista, a conversa com o governador foi importante e significa avanços para a construção de uma universidade melhor. “Ser recebido pelo governador e perceber que ele está sensível a nosso projeto é importante. Tivemos avanços significativos e a chance de dizer o que pensamos e ouvir que há a possibilidade da construção de uma UEA melhor, sobretudo com a formação da comissão”, afirmou.

Ricardo Serudo, presidente do Sindicato da UEA, afirmou ter sido importante perceber que conceito de universidade o governador Omar Aziz possui. “Ele pensa como nós e a grande vitória ob
tida aqui foi a chance de discutirmos esta universidade, além da previsão de eleições para os diretores de unidades”.

Fonte: Portal do Governo do Estado do Amazonas
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janeiro 19, 2010

O argumento golpista de Hillary Clinton

Carlos Latuff
A doutrina Hillary: a gestação do argumento golpista

Os apologistas do processo eleitoral passaram a questioná-lo. Os argumentos que tiram da manga são de uma imoralidade que beira o ridículo. Dizem, por exemplo, que o que conta não são as eleições, mas sim a ação de governo; ou que o sufrágio contaminado de populismo é um engano (quando ganha a esquerda, é claro) e outras afirmações no mesmo estilo. A “doutrina desqualificadora da eleição” vem ganhando terreno em diversos setores políticos e já foi expressa, em reiteradas declarações, pela atual secretária de Estado dos EUA. O artigo é de José Vicente Rangel.

José Vicente Rangel

Quando o movimento popular latinoamericano se encontrava acossado, perseguido com inaudita crueldade pelos agentes de poder da região; quando a divisão interna da esquerda esgotava sua capacidade para converter-se em opção e o domínio dos partidos tradicionais era absoluto, as eleições constituíam o desideratum da política democrática. A instituição do sufrágio era a alternativa e a recomendação que se dava a quem praticava formas de lutas distintas, devido ao esgotamento a que estavam submetidas. O caminho era a incorporação à via pacífica e eleitoral.

Em resumo, a mensagem que era enviada a partidos políticos, grupos de ação e dirigentes deste universo que se movia na linha insurrecional consistia na adoção do voto como saída. Pode-se dizer que a vanguarda do movimento popular aceitou a recomendação, mas não é assim. O que ocorreu foi que o povo adquiriu consciência, os dirigentes superaram o maniqueísmo e assumiram sem peso na consciência a luta pacífica e democrática, por meio do sufrágio. O tempo acabou resolvendo o dilema luta pacífica versus luta armada. A evolução da sociedade e a maturidade de uma direção que compreendeu a nova realidade. O resultado foi impressionante. O movimento popular saiu do labirinto de um debate infinito e de sucessivas derrotas e se conectou à realidade de cada nação, colocando assim toda sua capacidade de luta, sua criatividade e coragem na direção correta.

Os setores populares passaram, em uma virada espetacular, do simples reformismo a processos de mudança social profundos, desconcertando o inimigo tradicional. A partir de então, em menos de uma década, a região presenciou a chegada de organizações populares ao governo em numerosos países. Não foi um milagre, mas sim um fato histórico: foi a comprovação da justeza de uma linha política.

Em função da experiência acumulada durante uma década de derrotas, agora o inimigo ideológico e político se dá conta do erro em que incorreu quando sacralizou o sufrágio eleitoral e incentivou o movimento popular a desenvolver a luta de massas legalmente. E, obviamente, a reação não tardou. Os apologistas do processo eleitoral passaram a questioná-lo. Os argumentos que tiram da manga são de uma imoralidade que beira o ridículo. Dizem, por exemplo, que o que conta não são as eleições, mas sim a ação de governo; ou que o sufrágio contaminado de populismo é um engano (quando ganha a esquerda, é claro; não quando ganha a direita) e outras afirmações no mesmo estilo.

O que poderíamos definir como “doutrina desqualificadora da eleição” toma corpo em setores políticos, partidos, ONGs, elites intelectuais, grupos universitários, empresários, proprietários de meios de comunicação. Uma colunista venezuelana abordou o tema cruamente e afirmou: “É preciso entender que a democracia não é sobre eleições, mas sim sobre instituições”. E um prefeito envolvido em ações desestabilizadoras sentenciou: “Chávez usa a democracia para destruí-la”. Como estas há muitas outras expressões reveladoras do propósito de desqualificar o voto do povo, de questioná-lo, para atribuir-se o direito de julgar a democracia não por sua origem, mas sim pela opinião que os poderes fáticos, os grupos de pressão nacionais e transnacionais têm sobre ela. Ou seja, que a qualidade democrática e um governo dependeria de valorações de caráter subjetivo e seria alheia à origem do mesmo.

Por que o título deste artigo? Porque em reiteradas declarações a atual Secretária de Estado dos EUA manifesta esse ponto de vista. Em entrevista a um canal de TV venezuelano, sustentou que “a democracia não é só eleições”. Claro que não, mas a que se deve a ênfase nesta afirmação? Ela logo desenvolveu sua afirmação: é preciso privilegiar a avaliação da noção “governo” e dar-lhe prioridade em relação ao processo eleitoral. Na concepção que a senhora Hillary Clinton começa a manejar, desvaloriza-se – ou, caso alguém não goste do termo, minimiza-se – o que no passado foi fundamental: a decisão do povo expressa nas eleições; e, logo em seguida, se valoriza a pretensão de que o que define a democracia é a gestão de governo. Mas na teoria universalmente aceita é o voto popular que outorga legitimidade e constitui a origem da democracia, enquanto que o ato de governo é circunstancial e sempre polêmico, uma vez que é avaliado em função de critérios políticos, o que, normalmente, é feito por grupos de pressão nacionais e internacionais.

Mas esta consideração sobre a valoração de conceitos como eleição e governo, já não é teoria, mas sim prática, como acabamos de ver acontecer em Honduras. O governo de Zelaya era (é) um governo legítimo, constitucional, produto do voto dos hondurenhos. Mas a concepção de que a origem, o voto, é relativo e o que conta é a conseqüência, o governo, abriu as portas aos golpistas militares e civis de Tegucigalpa no dia 28 de junho. Todos os preconceitos que a sociedade civil acumulou durante décadas contra a proeminência militar e a rejeição ao golpe de Estado, viraram fumaça quase que imediatamente. Aqueles que trabalham para golpes militares contra governos eleitos popularmente, sentem-se tacitamente apoiados. Na Venezuela, por exemplo, vemos aqueles que questionam o apoio dos militares a um regime constitucional, resultado de uma eleição, apoiando descaradamente os militares que derrubaram Zelaya. Por enquanto o governo Obama-Hillary equilibra-se na corda bamba das pressões e faz concessões à ultra-direita mundial quando alimenta uma inefável iniciativa que golpeou a instituição do sufrágio como fonte de poder. O que equivale retornar ao tenebroso passado golpista.

José Vicente Rangel é ex-vice presidente da Venezuela e ex-chanceler do governo Hugo Chávez.

Tradução: Katarina Peixoto

Fonte: Carta Maior
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novembro 30, 2009

Carta do Professor Nelson Noronha à Comunidade Universitária

Nelson Noronha - ICHL
Foto: Rogelio Casado - Manaus - Amazonas - Brasil, 2009

domingo, 29 de novembro de 2009
CARTA DO PROFESSOR NELSON NORONHA À COMUNIDADE UNIVERSITÁRIA

Registra-se nessa edição a Carta que o professor Nelson Matos de Noronha enviou a nossa editoria, expondo às razões que justificam sua candidatura a direção do Instituto de Ciências Humanas e Letras (ICHL) da Universidade Federal do Amazonas, as eleições estão marcadas para a próxima quarta-feira (2). A disputa conta com duas chapas, obedecendo a uma longa agenda de debate, confrontando propostas e avaliando os projetos que mais se ajustam ao projeto político pedagógico do ICHL. Além dos projetos confrontam-se também a competência gestora dos proponentes e, sobretudo a postura ética dos candidatos frente à comunidade universitária.

Prezados amigos,

Tenho acompanhado o blog do NCPAM. Trata-se de um espaço que deixou de ser virtual e transformou a internet em praça de debates. Dirigentes sindicais, líderes comunitários, populares sem qualquer fama aí encontraram uma tribuna para levar sua voz a toda sociedade.

Da dispersão em que se encontravam, esses grupos e indivíduos (que estavam no anonimato) caminharam para essa praça e aí puderam reconhecer suas afinidades, os pontos comuns de suas lutas e elaborar estratégias para, unidos, resistirem às formas de exploração e exclusão que lhes afetam. Também puderam aí trocar relações afetivas e construir o sentimento de pertencimento comunitário que o Estado e o Mercado não podem e não pretendem lhes conceder. Gostaria de me juntar a eles, na condição de trabalhador.

Sou professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e leciono no Departamento de Filosofia e no Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Cultura no Amazonas. Meu trabalho consiste em ensinar alguns elementos de história da filosofia e da cultura. Isto quer dizer que estudo um pouco do que disseram os grandes pensadores da história universal e também um pouco da realidade em que vivemos através de pesquisas de sociologia, antropologia, psicologia e estudos da linguagem. Candidatei-me ao cargo de Diretor do Instituto de Ciências Humanas e Letras. A campanha está em andamento. Nesta última quinta-feira, dia 26 de novembro de 2009, ocorreu o primeiro debate entre os dois candidatos que disputam o cargo (foto). Haverá novo debate na
segunda-feira, dia 30 de novembro, às 19 horas e um terceiro e último debate na véspera da eleição, dia 01 de dezembro de 2009, às 10 horas da manhã, no Hall do ICHL.

Eu e a Professora Márcia Mello, que está ao meu lado, disputando o cargo de Vice-Diretora, temos ido às salas de aula, aos departamentos e a todos os demais espaços de atuação e convivência do ICHL para conclamar a comunidade a participar ativamente do processo eleitoral. Transmito-lhes essas informações iniciais para lhes descrever o contexto em que transcorre a luta da qual estamos participando. Aqueles que vivenciaram a UFAM nos últimos quatro anos sabem que tem havido um processo de expansão da universidade brasileira que consiste somente no aumento no número de vagas para alunos sem que se dê a contrapartida da melhoria das condições de ensino, pesquisa e extensão. Sem a readequação do espaço físico, a contratação de novos professores e a dotação de recursos para a manutenção das necessidades do dia a dia, as Instituições Federais de Ensino Superior não poderão oferecer aos alunos, professores, técnicos administrativos e técnicos em educação as condições necessárias para que eles realizem suas atividades acadêmicas.

O Instituto de Ciências Humanas e Letras é, entre as unidades acadêmicas da UFAM, a que possui o maior número de Departamentos, o maior número de cursos, de estudantes e de professores. Ele se estende por mais de um terço da área do Setor Norte. Muitos alunos da Faculdade de Pedagogia e da Faculdade de Estudos Sociais, quando interrogados onde estudam, afirmam que são alunos do ICHL, porque a identificação com essa unidade acadêmica é tanta que seu nome se sobrepõe às demais naquela parte do Campus Universitário. A despeito de sua história de lutas e vitórias pela democracia, o ICHL vive momentos de ostracismo e até mesmo de humilhação.

De fato, quando examinamos o trabalho desenvolvido por professores, alunos e técnicos, constatamos que os melhores indicadores de desempenho da UFAM dali se originam. Contudo, a despeito desse esforço, o ICHL não tem recebido da administração superior da UFAM o reconhecimento da relevância de seu papel como unidade promotora de estudos fundamentais para a sua consolidação como instituição de excelência. Trata-se de uma política coerente com as diretrizes do governo federal. Este tem promovido o estrangulamento das universidades públicas ao mesmo tempo em que tem criado condições favoráveis para o enraizamento das instituições
particulares na área do ensino superior.

Nesse contexto, a vida cultural, acadêmica e política da UFAM tem se esvaziado. O isolamento dos departamentos, a competição individual por verbas e cargos passou a dominar espaço do campus em detrimento do debate público, do respeito à diversidade e da comunhão daquele sentimento de que falei lá em cima, o de pertencer a uma comunidade cidadã.

Nesse cenário é que a omissão tornou-se o traço mais evidente da administração universitária. Ela atende aos interesses dos que exercem os cargos de direção em causa própria. Aqueles para quem a melhor vida política na universidade é aquela do descrédito e da desesperança. Não por acaso, os que assim pensam têm afirmado por aí que os Planos de Trabalho apresentados pelos dois candidatos a diretor do ICHL são iguais. Eles semeiam a confusão para dela colher os frutos, isto é, a sua promoção pessoal na qual investem sem parar.

Omissão que tem sido responsável pela introdução na vida universitária da banalização da violência. A prática de trotes violentos aumentou este ano, assaltos e crimes de violência sexual no campus têm surgido no noticiário de forma cada vez mais freqüente, um professor foi agredido com socos e pontapés no exercício de seu trabalho, na frente de seus alunos que ainda testemunharam a ameaça de morte proferida pelo agressor contra o docente.

Na verdade, esta é a primeira vez que me candidato a um cargo de tal relevância na UFAM. Tenho experiência na administração por ter exercido a coordenação do Programa de Pós-Graduação em Sociedade e Cultura na Amazônia. Revelo, sem modéstia, que sou o autor do projeto de criação do curso de doutorado desse programa, o qual tem merecido elogios em toda parte. Minha atuação política, nos últimos cinco anos, limitou-se a minha participação nas assembléias e na atual diretoria da ADUA.

Ao longo dos últimos 12 meses, tenho atuado no Conselho Universitário como representante daquela entidade sindical. Creio que, neste domínio, ofereci uma relevante contribuição na luta em favor da valorização dos Conselhos Deliberativos da UFAM, os quais foram sistematicamente esvaziados e desqualificados após a criação de uma estranha entidade a que chamam de Comitê Gestor.

Em decorrência das experiências na docência e na administração universitárias, eu e Márcia Mello compreendemos que o aprofundamento do estado de precariedade das condições políticas e de trabalho no ICHL atingiu um nível intolerável. Também compreendemos que, juntos, poderemos criar as condições para que a comunidade do ICHL construa a unidade política necessária para a realização de um projeto de revigoramento da democracia em nosso instituto.

Por isso, resolvemos adotar três diretrizes para encabeçar nosso Plano de Tabalho: “Gestão democrática do Ensino”; “Liberdade de Cátedra” e “Descentralização”. Tais diretrizes são velhas bandeiras de luta da sociedade brasileira. Elas constam no projeto de LDB que, antes da aprovação da lei Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, foi construído democraticamente pelos trabalhadores em educação juntamente com numerosos representantes da sociedade civil e remetida ao Congresso Nacional. Partes desses princípios foram adotadas na nova legislação. Mas, mesmo os que sobreviveram às distorções do projeto original, estão ameaçados pela nova reforma da educação que está em curso na Câmara e no Senado Federal. Quisemos adotá-las por serem corretas e,
também, para fomentar, no ICHL, a retomada de suas discussões. Visamos, chamando a atenção para os problemas que elas ensejam, suplantar o isolamento e o descrédito da atividade política que entre nós vigoram.

Nosso oponente não faz a mesma leitura que acabamos de expor. A divergência constitui a própria essência do ambiente democrático. Infelizmente, porém, no ímpeto de divergir, alguns colegas chegam ao ponto de induzir o público a formular concepções equívocas a propósito de nossa candidatura. Compreendo que, no calor do debate, os candidatos incorram em alguns exageros. O que não compreendo é a reação de pessoas que, não tendo comparecido ao debate, divulgam em blogs muito conhecidos expressões desrespeitosas aos colegas professores, atribuindo a eles epítetos como “dinossauros sem-títulos” e sugerindo que pregamos um “socialismo puro a enxofre”.

Bem, chegamos a um ponto em que o silêncio se impõe como a maneira mais eloqüente de nossa indignação.

Fonte: Núcleo de Cultura Política do Amazonas
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Nelson Noronha e Marcia Eliane: proposta para direção do ICHL

Ato público no ICHL
Foto: Rogelio Casado - Manaus - Amazonas - Brasil, 2009


Da esq. para a dir.: César Wanderley (presidente do Sindicato dos Jornalistas do Amazonas), Prof. Nelson Noronha (atual candidato à direção do ICHL), Tom Zé (presidente da Asociação dos Docentes da Universidade do Amazonas), Cristóvão Nonato (ex-apresentador da TV Cultura)
PROPOSTA DE TRABALHO PARA A DIREÇÃO DO ICHL 2010--2014
NELSON MATOS DE NORONHA E MARCIA ELIANE ALVES DE SOUZA E MELLO

Perfil dos Candidatos à direção do ICHL

Nelson Matos de Noronha
(Diretor)
Possui graduação em Licenciatura Plena em Filosofia pela Universidade do Amazonas (1987), mestrado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1992) e doutorado em Filosofia pela Universidade Estadual de Campinas (2000). Professor Adjunto IV da Universidade Federal do Amazonas. Atualmente é Coordenador do Programa e de Pósgraduação Sociedade e Cultura na Amazônia. Membro de corpo editorial da INTERthesis (Florianópolis). Membro de corpo editorial da Somanlu (UFAM). Coordena o projeto financiado
pelo Cnpq Amazônia dos Viajantes: História e Ciência. Publicou e organizou recentemente dois livros: Ciência e Saberes na Amazônia: Indivíduos, Coletividades, Gênero e Etnias (2008) e Sociedade e Cultura na Amazônia: notas sobre o trabalho multidisciplinar na pesquisa e na pós-graduação (2008). Lidera dois grupos de pesquisa Cnpq/UFAM: “Amazônia e pensamento contemporâneo” e “Centro de estudos e pesquisas em filosofia e ciências humanas”. Tem experiência na área de Filosofia, com ênfase em História da Filosofia. Atuando principalmente
nos seguintes temas: Filosofia, Psicologia, Experiência, Homem, Liberdade e Foucault.
Email: noronhanelson@hotmail.com

Marcia Eliane Alves de Souza e Mello (vice-diretora)
Formada em História pela Universidade do Amazonas (1990), com especialização em Organização de Arquivos pela USP/IEB (1995) e Doutorada em História pela Universidade do Porto (2002). Professora Adjunto III lotada no Departamento de História (UFAM), onde já exerceu os cargos de Chefe e Coordenador do Curso. Atualmente é Vice-coordenadora do Programa de Pós-graduação Sociedade e Cultura na Amazônia, onde atua como docente, bem como no programa de pós-graduação em História. Também coordena o Centro de Apoio a Pesquisa do PPGSCA (CENDAP) e o Núcleo de Pesquisa em Política, Instituições e Práticas Sociais (POLIS/DH). Tem experiência na área de História política e institucional, com ênfase em História do Brasil Colônia. Desenvolve pesquisa na área de História, documentação e memória.
Email: mmello22@hotmail.com

PROPOSTA DE TRABALHO
A presente proposta visa apresentar as principais diretrizes e metas políticas, acadêmicas e administrativas para o período de 2010 a 2014, na gestão dos candidatos Nelson Matos de Noronha, como Diretor, e Marcia Eliane Alves de Souza e Mello, como Vice-Diretora do Instituto de Ciências Humanas e Letras da Universidade Federal do Amazonas.

Diretrizes Gerais

As diretrizes gerais da presente proposta seguirão os princípios maiores do Estatuto e o Regimento Geral da Universidade Federal do Amazonas bem como os fundamentos da Lei de Diretrizes da Educação Nacional, interpretados sob a luz das críticas apontadas nos debates travados nas esferas local, nacional e internacional.

O Instituto de Ciências Humanas de Letras, no campo de atuação de seus Departamentos Acadêmicos, promoverá o cultivo do saber, a criação cultural, a criação artística e o pensamento reflexivo e crítico; combaterá todas as formas de discriminação, promoverá o respeito mútuo e o diálogo entre as diferenças. Como parte do poder público, compreendemos que é nosso dever promover a educação como direito fundamental, imprescindível para a existência histórica dos cidadãos, na medida em que lhes proporcione os recursos necessários para o acesso ao trabalho, à sociabilidade, à justiça social, à cidadania e à cultura.

DIRETRIZES POLÍTICAS

LIBERDADE DE EXPRESSÃO E LIBERDADE DE CÁTEDRA

No campo da ação política, nos comprometemos a promover a liberdade de expressão, a liberdade de cátedra, o respeito à diversidade de opinião; princípios nos quais acreditamos como condições fundamentais para a difusão e a socialização do saber. Serão estimuladas iniciativas que favoreçam a liberdade de aprender e de ensinar bem como as que fortaleçam a vinculação da academia com a vida social e o mundo do trabalho. Nosso esforço se voltará para a ampliação dos espaços institucionais e das formas de participação, com poder de deliberação, de todos os segmentos na formulação, no planejamento e na fiscalização das ações políticas, administrativas,
acadêmicas e pedagógicas do ICHL. Também buscaremos ampliar a participação da representação da sociedade civil nas instâncias consultivas, deliberativas e fiscalizadoras do ICHL.

A defesa dos Direitos Humanos, o uso responsável e sustentável dos recursos ambientais, a pluralidade e a solidariedade aos movimentos sociais bem como o fomento à inserção de todos os segmentos da população nas atividades universitárias deverão nortear o posicionamento político de nossa gestão.

GESTÃO DEMOCRÁTICA DO ENSINO

O ensino ministrado no ICHL será público, gratuito e de qualidade. A sua organização, o seu oferecimento bem como as formas de relacionamento entre docentes, discentes e técnicos em educação serão regidos pelos princípios da gestão democrática. O Diretor e a Vice-Diretora, neste domínio, deverão atuar no apoio logístico necessário para a realização das atividades pedagógicas bem como na promoção do diálogo e do entendimento dos atores aí envolvidos.

A alternância de poder constará como uma das pedras fundamentais da gestão democrática do ensino.

Os proponentes se comprometem a participar de movimento reunindo toda a comunidade universitária em prol da convocação regular do Congresso Universitário previsto no Estatuto da UFAM.

TRANSPARÊNCIA E PUBLICIDADE DAS AÇÕES

Serão amplamente divulgadas as decisões políticas, administrativas, pedagógicas, acadêmicas e disciplinares do ICHL, tanto no âmbito de sua Direção quanto no âmbito de suas instâncias deliberativas, isto é, o Conselho Departamental, os Departamentos e os Colegiados de Curso. Será mantida, no Portal Eletrônico da UFAM, uma página do ICHL onde todas as deliberações tomadas pela Direção e pelos Colegiados serão dadas ao público imediatamente; aí também deverão ser apresentadas as informações sobre a estrutura acadêmica e administrativa
do Instituto, sobre a composição de seu quadro docente e de técnicos em educação superior, o número de alunos e os cursos oferecidos; um quadro informará sobre seu espaço físico, a área ocupada no Campus Universitário, as instalações dos Departamentos, cursos e núcleos de pesquisa que sem encontrem no Campus Universitário e fora dele; também serão feitas as prestações de contas dos recursos financeiros aplicados no ICHL, tanto aqueles originados no orçamento regulamentar da UFAM quanto os que surgirem através de projetos financiados pelas
agências de fomento, por convênios e serviços prestados. Além do calendário acadêmico da UFAM, serão divulgadas as informações das atividades específicas do ICHL, sua natureza, os professores, os estudantes e os servidores técnico-administrativos envolvidos, os recursos utilizados e suas fontes de financiamento; as contratações, as demissões, as permutas e todas as outras formas de movimentação de entrada e saída de pessoal docente e técnico-administrativo também serão aí divulgadas.

INDEPEDÊNCIA E ORGANICIDADE

Sem desobedecer aos princípios de unidade e organicidade da administração da UFAM e do serviço público, o ICHL deverá deliberar de forma autônoma, conforme a lei e com independência, frente aos demais institutos, faculdades, órgãos suplementares e a Administração Superior da Universidade bem como às políticas de governo. Não serão cumpridas ordens ilegais; quanto as que, mesmo sendo legais, sejam julgadas imorais pela comunidade acadêmica, serão questionadas nos âmbitos da administração e da justiça. A convocação de um amplo debate para
a elaboração de um Regimento Interno do ICHL será uma de nossas propostas mais urgentes.

DIRETRIZES ACADÊMICAS

INTEGRAÇÃO E INDISSOCIABILIDADE DO ENSINO DA PESQUISA E DA EXTENSÃO


Nossa proposta será orientada pelo princípio da integração e indissociabilidade do ensino, da pesquisa e da extensão. Além da transmissão do saber acumulado, o ICHL se comprometerá com a produção do conhecimento e a superação das fronteiras disciplinares, o reconhecimento, o respeito ao saber não-acadêmico e o envolvimento dos diversos segmentos sociais nas atividades universitárias. O ensino superior não será estimulado somente em seu viés instrumental; ele será concebido como uma força transformadora da sociedade. Por isso, ele requer a reflexão e a crítica. O que será alcançado pela sua associação à pesquisa e à extensão. A pesquisa, por sua vez, não se voltará somente para a resolução de problemas; a universalidade deverá ser considerada como seu compromisso maior. O que supõe sua comunicação pública e o seu ensino como formas de socialização e submissão de seus resultados à crítica da opinião pública. A extensão não se reduzirá à prestação de serviços, mas deverá consistir em mecanismo de interação entre a universidade e a sociedade como esferas mutuamente comprometidas com a
promoção da cultura, da democracia e da justiça social.

A UNIVERSALIDADE DO CONHECIMENTO

O compromisso com uma universidade amazônica não implica o fechamento da pesquisa ao domínio dos problemas universais. Ao contrário, entendemos que, para o bom conhecimento dos processos socioculturais da Amazônia, será necessário investir em pesquisas solidamente fundadas em bases teóricas atualizadas, articuladas aos legados culturais que constituem nossas formas atuais de existência.

ENSINO DEMOCRÁTICO E RESPEITO AO DIREITO, ÀS COMPETÊNCIAS E ÀS RESPONSABILIDADES.

Ao mesmo tempo em que buscaremos ampliar o acesso ao ensino público superior, no ICHL, as atividades de ensino deverão promover o aprendizado através do diálogo, do respeito ao saber do outro bem como do reconhecimento às competências acadêmicas adquiridas através dos procedimentos legitimamente instituídos. Do mesmo modo, será cobrado a todos os membros da comunidade universitária o respeito aos direitos individuais e o cumprimento das suas respectivas responsabilidades.

ARTICULAÇÃO ENTRE A GRADUAÇÃO E A PÓS-GRADUAÇÃO

Para que possamos promover, no Instituto de Ciências Humanas e Letras, a sua solidação como centro de produção de conhecimento, será necessário que logremos articular às atividades de graduação as de pós-graduação. Entendemos a educação como uma tarefa permanente do sujeito sobre si mesmo em uma teia de relações sociais, simbólicas e políticas.

Por isso, não podemos aceitar a concepção da graduação como uma etapa final do processo nem que a pós-graduação seja concebida tão somente como um treinamento para a formação de pessoal altamente qualificado. O aumento do rigor, de um nível de estudo para outro mais elevado, deverá constituir um estímulo para o amadurecimento intelectual e o desenvolvimento de habilidades que requerem o domínio de métodos, instrumentos e procedimento científicos. Tanto a formação de bacharéis e licenciados quanto a de mestres e doutores devem se realizar em vista de se alcançar os mais altos níveis de desempenho dos formandos. Acreditamos que a sociedade sempre oferecerá muitas e boas oportunidades a todos os que lograrem essa meta.

FOMENTO À INTERDISCIPLINARIDADE

Julgamos a interdisciplinaridade não somente como uma reunião de especialistas de áreas diversas em torno de um problema comum, mas, sobretudo, como uma atitude; a atitude de abertura que alia o conhecimento ao pensar; atitude daqueles que, tendo sido dotados de uma “cabeça bem formada”, isto é, de uma sólida formação em uma especialidade, assumem o risco de buscar em outros domínios as ferramentas, os métodos e as teorias que lhes permitirem ampliar, confirmar ou modificar suas formas costumeiras de julgar a realidade.

GARANTIA DE PADRÃO DE QUALIDADE

No Brasil, as Universidades Públicas estão muito à frente das Instituições Privadas de Ensino Superior no quesito “qualidade do ensino”. Isto se deve às exigências da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que determina que somente será conferido o estatuto de Universidade às Instituições que possuírem, no seu quadro docente, no mínimo um terço de Mestres e Doutores e a mesma proporção de professores contratados sob o regime de trabalho
de Dedicação Exclusiva. Além disso, nas IFES, os docentes são contratados mediante concurso público de provas e títulos. Entretanto, com a política de expansão adotada pelo governo federal, alguns dirigentes dessas instituições decidiram promover a contratação de professores e de pessoal técnico-administrativo através de processos de seleção simplificado. Com isso, o número de professores substitutos cresceu perigosamente assim como se aprofundou a precarização das condições de trabalho nos demais setores. Nosso compromisso, neste domínio, é de persistir na ampliação do quadro docente a fim de que seu crescimento acompanhe o processo de expansão
do número de vagas, de cursos e de projetos de pesquisa e extensão do ICHL. Ampliação que deverá ser promovida mediante a realização de concursos públicos para a contratação em regime de Dedicação Exclusiva, preferencialmente de docentes possuidores de títulos de mestrado ou doutorado.

Além disso, promoveremos a realização de atividades visando à avaliação interna do ICHL; atividades onde serão analisados não apenas os indicadores de desempenho, mas também, os indicadores das condições oferecidas pela Instituição para o desenvolvimento das atividades acadêmicas.

Será estimulada a consolidação dos grupos de pesquisa já existentes e a criação de novos grupos; paralelamente, levaremos ao CONDEP proposta de regulamentação e de institucionalização desses grupos para que os mesmos venham a figurar na estrutura administrativa e acadêmica do ICHL. Da mesma forma, daremos publicidade às atividades dos laboratórios e de outras estruturas de apoio já existentes, promoveremos sua institucionalização a fim de lhes garantir espaço físico para suas instalações, a contratação de pessoal e a dotação de seus recursos no orçamento da UFAM.

É nossa pretensão recuperar o papel de apoio da Biblioteca Setorial. Não poderemos garantir a qualidade do ensino sem que disponhamos de uma biblioteca dedicada às ciências humanas instalada em lugar acessível, com instalações modernas e confortáveis aos professores e alunos do ICHL e dotada de acervo de alta qualidade.

Nossa ação deverá se voltar para uma revisão dos processos de seleção visando dar as eles a maior transparência possível, igualdade de condições de participação e aprofundamento do compromisso dos que ingressarem com o desenvolvimento das atividades de seus cursos.

Quanto aos processos de avaliação externa, como o ENADE, o ENEM e a Avaliação da Pós-graduação pela CAPES, promoveremos as condições propiciadoras para a participação dos estudantes e dos cursos ao longo do calendário letivo, mas nos empenharemos também na intervenção crítica junto aos órgãos de governo visando a obtenção de contrapartidas institucionais que nos permitam aceder a condições adequadas à obtenção dos melhores
indicadores.

DIRETRIZES ADMINISTRATIVAS

DESCENTRALIZAÇÃO
PLANEJAMENTO
COOPERAÇÃO
AUTONOMIA FINANCEIRA
GESTÃO DE RECURSOS PRÓPRIOS
RESPEITO ÀS COMPETÊNCIAS
GARANTIA DE CONTINUIDADE ÀS ATIVIDADES ACADÊMICAS
ADMINISTRAÇÃO E CONTROLE DO PATRIMÔNIO

Metas

POLÍTICAS

- Discussão e Aprovação do Regimento do ICHL.
- Unir o ICHL às outras unidades na convocação do Congresso Universitário anual.
- Ampliar as representações de todos os segmentos nos colegiados do ICHL e da UFAM; promover a participação de Coordenadores de Cursos de pós-graduação stricto-senso no CONDEP; institucionalizar os núcleos e os laboratórios de pesquisa; indicar representantes do ICHL junto aos Colegiados das Unidades Suplementares.

ACADÊMICAS

* Articular o Colegiado de Coordenadores.
* Formular uma política pedagógica para a unidade através de debates e trabalho coletivo.
* Apoiar as reformas das grades curriculares dos cursos para adequá-las às novas Diretrizes Curriculares.
* Promover a avaliação interna dos cursos e da política pedagógica da unidade.
* Promover a articulação entre a graduação e a pós-graduação.
* Promover e ampliar parcerias com instituições de ensino e pesquisa locais, regionais, nacionais e internacionais.
* Ampliar o número de bolsas em todos os níveis e modalidades.
* Promover e ampliar a qualificação de docentes e técnicos em educação.
* Assegurar a implantação de novos cursos já aprovados pelo CONSEPE e garantir as condições para o bom funcionamento dos que já estão em funcionamento.
* Promover a participação crítica de estudantes e professores nos processos de avaliação externa.
* Ampliar as matrizes de vagas para docentes e técnicos em educação no ICHL.

ADMINISTRATIVAS

- Implantar o sistema de planejamento interno do ICHL – anual, quadrienal e decenal.
- Aprovar no CONDEP o orçamento anual do ICHL para que o mesmo seja remetido ao CONSUNI sob forma de resolução para a criação da conta e das rubricas correspondentes.
- Implantar o sistema de controle do patrimônio do ICHL.
- Implantar o sistema de conservação e reparos do espaço físico e das instalações civis do ICHL.
- Criar uma Secretaria Executiva encarregada da gerência de pessoal e do patrimônio do ICHL.
- Revisão da participação do ICHL nos contratos de locação e concessão de serviços no CAMPUS.

Manaus, 13 de novembro de 2009.
Nelson Matos de Noronha Marcia / Eliane Alves de Souza e Mello
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