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agosto 08, 2010

LGBT, antiprobicionismo e redução de danos

Entrevista exclusiva: “O movimento LGBT não quer discutir a questão da droga”

Em entrevista exclusiva ao DAR, presidente da Associação da Parada Gay de São Paulo fala sobre atual situação do movimento LGBT e a relação deste com o antiproibicionismo e com a redução de danos

Alexandre dos Santos Peixe (Xande) é presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo no biênio 2008/2010. Também foi membro do conselho que administra a ONG nos anos de 2006 e 2007, trabalhando como secretário. Xande é o primeiro Homem Trans presidente da Parada do Orgulho GLBT do Brasil, e antes do trabalho na parada já foi funcionário público da secretaria de educação da cidade de Araraquara e Redutor de Danos da ONG É de Lei.

Nesta entrevista exclusiva concedida ao DAR no mês de julho, Xande opinou sobre a atual situação do movimento LGBT e as relações entre o debate travado ali e o antiproibicionismo. Com a experiencia de quem já trabalhou como redutor de danos, Xande insiste na necessidade de uma articulação entre as lutas dos dois movimentos, mas vê muita dificuldade em que discutir a questão das drogas com os homossexuais, bissexuais, travestis e transsexuais: para ele, é menos difícil “sair do armário” quanto a sexualidade do que quanto ao uso de drogas.

Como você vê o momento em que se encontra o movimento LGBT atualmente?
 
Eu acho que partidarizou muito. Todo movimento vem de alguma coisa partidária, algo assim, uma luta partidária, mas ficou uma coisa muito pesada: ou você esta com este partido ou está contra o movimento. Isto está muito claro pra mim. Tanto que eu não tenho participado mais de nada, estou militando praticamente sozinho. Sozinho não, com pessoas que não querem estar vinculadas a nenhum partido. Mas o movimento cresceu muito. Acho que a gente conseguiu coisas aí que são muito importantes, independente de ter um partido por trás.

Eu acho que a questão que eu mais luto é a que o movimento como um todo não está dando muita conta, que é a questão dos homens transsexuais. É uma questão que mundialmente fala-se muito e aqui no Brasil ela fica meio perdida. Ainda continua muito invisível apesar de eu já estar há 3 anos defendendo esta questão dentro do movimento.

De que partido você está falando? 
 
É o PT. O movimento tá muito ligado, a maioria das pessoas do movimento está ligada ao PT. Isso pra mim não é legal. Não acho interessante.

Não seria o caso de ter um partido homossexual?
 
Não, acho que isso nem seria bom. A gente fala tanto em não segregação, e ter um partido seria uma coisa ridícula, eu acho. Mas é aquela coisa que eu falei agora há pouco, se você não é a favor… Me perguntaram em uma entrevista em quem eu votaria. Eu falei que não sabia, que precisava conhecer as propostas, os planos de trabalho deste pessoal. Aí eu fui cobrado por não ter dito que votaria na Dilma, porque todas as lideranças do movimento LGBT falaram que iam votar na Dilma. E eu não disse nem que votaria na Dilma nem que não votaria. Existe uma briga colocada nas listas etc. de que quem não está a favor, está contra. E isso é muito ruim. Eu valorizo o que aquele partido fez. O PT fez muito? Fez. Mas teve outros partidos que também fizeram. Então não estou dizendo que vou votar no Serra, na Marina, ainda não tenho candidato. Mas somente porque sou do movimento LGBT sou obrigado a dizer que tenho partido?

Aproveitando que estamos falando de partido e candidatos, queríamos que você falasse da postura destes candidatos em relação ao tema da sexualidade e das drogas. Você percebe alguma mudança nesta postura em épocas de eleição?
 
Em épocas de eleição todo mundo é a favor de tudo! Na Parada deste ano o tema foi “Vote contra a homofobia, defenda a cidadania”. Colocamos o tema para 3 milhões de pessoas que não adianta nada votar em candidato que não tem plataforma LGBT. Aí começou a aparecer, se eu abrir o e-mail aqui tem uns 15: “ah, queria que vocês apoiassem, a gente tem aqui uma plataforma”. Mas a gente sabe que não é assim. Na hora de pedir o voto eles falam, mas na hora de realmente fazer alguma coisa a gente vê que eles não fazem. O PL 122/06 está lá ainda [lei que criminaliza a homofobia]. Tem a questão da bancada religiosa, é muito forte, mas tem que fazer como os religiosos fazem. Não é “gay vota em gay”, mas votar em quem realmente teria alguma coisa em prol LGBT. 
Independendo da sexualidade do candidato. Mas nessa época o que mais surge é gente a favor.


 
Vem à cabeça o caso do FHC, no tema de drogas. Discutiu, apareceu na mídia dizendo que é contra a criminalização da maconha, por exemplo, e agora em época de eleição o PSDB determinou que ele não dê declaração nenhuma, aí não se toca nesse assunto, ou por exemplo o caso do Sérgio Cabral no RJ, que na época de eleição tirou o projeto de união estável entre homossexuais para ganhar voto dos evangélicos…
 Essas manobras rolam. Uma experiencia que tive foi no Fórum Nacional Sobre Drogas. Tinha um monte de militante a favor da descriminalização das drogas, uns 50. Ai você vai numa sala e tem 80, 100 policiais. Você vê uma sala que fala de Redução de Danos com 15 gatos pingados e você vê uma sala que fala de repressão com 200, 300 pessoas. Então ninguém quer assumir essa questão, é uma questão de voto. O que é errado para uma comunidade? Drogas, aborto, gays: “Isso não é natural, é contra as normas”. Então os caras não vão assumir, principalmente nessa época. Quando o Vanucchi [Paulo Vanucchi, Ministro de Direitos Humanos] entrou com o Programa dos Direitos Humanos, ele foi achincalhado, nessa questão mesmo, união homossexual, aborto. Aí vem o Sr. Presidente e fica assim… Não deu uma declaração: “estou com Vanucchi”… É complicado.

Como você vê a aproximação do movimento LGBT com o movimento que luta contra a proibição das drogas? 

 Uma coisa que tenho cobrado muito no movimento LGBT é que não se discute questão de drogas dentro do movimento. Eu comecei a discutir isso quando teve um problema sério quando fizemos, pela Parada, um material de Redução de Danos e a Folha pegou e tal. “Parada ensina a cheirar cocaína”, deu tudo aquilo, fomos parar no DENARC e tudo mais. Então hoje nem é mencionado um programa nacional. O Ministério da Saúde reconhece como um problema de saúde pública, mas a gente não pode tocar nesse assunto. A gente não pode ser viado e drogado. Usando pejorativamente a coisa, “seja viado mas não seja drogado”. Fica lá na boate se entupindo de bala, mas o movimento não quer discutir isso não. Digo tranquilamente: o movimento não quer discutir a questão da droga.

Você acha que é uma bandeira que deveria voltar?

 Eu acho que tem que ter culhão para voltar. Tem aquela coisa: “se eu falar disso vou prejudicar aquilo”. Não é por aí, eu acho que a coisa caminha junto. Você vai numa boate aqui em São Paulo e vê neguinho tomando Gisele direto. Você vê um vídeo no youtube, o cara parou: tomou Gisele e apagou. E aí? E se acontece alguma coisa? Eu acho que a bandeira da descriminalização das drogas, ou a questão da Redução de Danos, que é uma bandeira que eu defendo muito, tem que ser discutida. Vira e mexe aparece uma palestrinha aí, um congresso, que tem uma oficina. Mas tá lá o palestrante e mais 4 pessoas, as pessoas não querem discutir a questão das drogas.
E está cada vez mais difícil. Você vai na República o que tem de travestis morando na rua e consumindo cocaína e crack! E você não tem pra onde mandar. E assim o movimento não faz, e também não tem o que fazer, não temos um edital que fale sobre isso, a Secretaria de Direitos Humanos não vai falar de droga. Direitos Humanos não é só para quem é espancado. Eu acho que cada um sabe o que faz. Usei drogas durante muito tempo, de vez em quando dou uns tapinhas aí. Acho que isso não influencia em nada minha sexualidade, meu movimento politico e tal. Mas é uma coisa que ninguém quer discutir. Por exemplo se eu falar sobre drogas, vão me acusar: “Você usa”. O mesmo acontece se você é heterossexual e defende questão de viado, “Você é viado”. Entendeu? Essas coisas têm que acabar. O movimento tem que discutir essa questão. A droga está dentro da população LGBT. Isso é claro, somente andar pelas boates e pelas ruas.


Além disso tem mais algum ponto que distancia esses dois movimentos?
 
Acho que é isso mesmo. “Já é foda ser viado. Se for viado e drogado a gente não vai conseguir nada”. Até a questão do aborto o movimento não abraça com afinco. Fica meio “se eu falar sobre isso vai queimar meu filme”.

E estamos falando de questão de direito ao próprio corpo, de moralismo e de preconceito… 
 
Fazendo o inverso. O movimento de droga, quer discutir a questão de LGBT? Existe isso também. O movimento negro não quer discutir LGBT. Negro é viril! Imagina negro viado? Tô falando pejorativo porque é o que a gente escuta por aí.

A iniciativa dessa entrevista é trazer à tona essas aproximações, e falar dessa dificuldade. Às vezes a gente acha que pode ser uma armadilha de alguns poderes, de se apoiarem em movimento de identidade que trazem questões supostamente identitárias e segregar. Mas aproveitando a questão da identidade, tem um coletivo no RS, Principio Ativo, que tem usado como estrategia política a bandeira de “sair do armário”. Principalmente com relação ao uso da maconha. É uma estrategia de levantar uma visibilidade, fazer camisetas e tal. Fazer com que as pessoas assumam publicamente esse uso de drogas. O movimento LGBT também tem isso… 
  
Essa questão de sair do armário é de cada um. Sair do armário é com você mesmo. Não é mais fácil sair do armário para o LGBT, e você sabe as dificuldades. Colocando numa pirâmide de dificuldade, eu sair do armário com minha sexualidade é muito menos julgado pela sociedade do que eu sair do armário para a questão das drogas. Entendeu? Já aconteceu comigo de estar num lugar, congresso, a gente sabe que rola, existem pessoas que usam drogas, não é publicamente mas todos sabem. E isso ser motivo de ameaça pra mim, querendo me queimar politicamente, porque para ser liderança LGBT você tem que ser certinho, é errado usar drogas. A gente sabe que tem muita gente que usa, dentro do armário.

E você acha sair do armário politicamente efetivo?
 
Da mesma forma que acho que é de cada um sair do armário na questão da sexualidade, acho que também é na questão da droga. Há pessoas que são mais próximas, que sabem do que eu gosto, ou não gosto. Maneirei, parei, isso é problema meu. Mas acho que é de mim assumir isso publicamente, acho que tem que partir de mim assumir, não do movimento.

Por exemplo no nosso caso, não que isso seja uma condição, mas às vezes é interessante que a pessoa assuma que é usuária. 
 
Eu já assumi aqui, é tranquilo. É uma coisa que minha família sabe, meus amigos sabem, é uma coisa minha. Não tenho problema nenhum em dizer que já fui, que sou ou que vou ser usuário de drogas.
Porque eu bebo minha cerveja todo dia, acabei de tomar dois copos de café… a questão maior é a da droga ilícita né, porque ninguém fala que eu bebi horrores e dei bafão numa festa. Fala bebeu, mas não fala que eu está drogado; quando a coisa é outra é mais complicado. Mas eu não tenho problema nenhum em falar, porque todo mundo sabe e ninguém tem nada a ver com isso. Quando se tornou problema eu pratiquei o que aprendi, a redução de danos.


 
Como você vê a Redução de Danos nestes dois movimentos: entre drogas e sexualidade? Parece que a RD comporta um ponto de encontro, queria saber se você concorda, inclusive a partir da sua experiência própria. 
 
Tem uma diferença entre a gente discutir dentro de um grupo onde tem pessoas que participaram desse movimento, é diferente a discussão de Redução de Danos aqui dentro, porque ou somos ou viemos desse movimento, do que lá fora, onde pouco se discute. É fácil falar de Redução de Danos aqui na Associação, tanto que a gente teve aquele problema com os panfletos – dinheiro público que foi investido no material que foi queimado e incinerado porque não podia mais distribuir aquele material. Fomos parar no Denarc porque estávamos incentivando o uso de drogas. A mídia derrubou e ninguém segurou, tenho uma decepção muito grande com o Ministério da Saúde nessa época. Ninguém segurou a onda pra gente, a gente mostrou uma questão nacionalmente conhecida e ficamos sozinhos. Então tem isso também, o movimento também é preocupado com isso. O que aconteceu em 2007 acho que afetou muito a discussão da Redução de Danos dentro do movimento. Presidente e vice presidente da Associação da Parada da época estão respondendo ou responderam um processo do Denarc.

Foi um golpe duro?
 
Foi. E influenciou muito esta questão, teve gente até que colocava no seu material “não use droga”, com a mãozinha lá e o pare. Mexeu muito. A sexualidade está em mim,
mas eu não nasci usuário de droga, eu me tornei usuário de droga, tem isso também. Não vou dizer que nenhum grupo discuta isso, mas essa questão de 2007 influenciou muito, muito. Ficamos sozinhos.

Na época algumas organizações soltaram notas de apoio, a Aborda inclusive ne?
 
Sim, mas morreu. Bastaram três materiais para chegar a Folha, a mídia desgraçada, pra fazer isso, no quarto material não se mencionava nada sobre droga.

Esses materiais eram em relação a que?
  
Não era só sobre droga, tinha Direitos Humanos, cidadania, prevenção a DST, AIDS e redução de danos, no mesmo material. E aí o que acontece, só porque a Folha divulgou isso, os caras vieram em cima, e depois já não pudemos fazer nenhuma menção a droga, nem falar de redução de danos. E assim, não era nada, era tipo compartilhe a droga mas não compartilhe os instrumentos. Na época eu não era presidente, mas po, detonou totalmente. Foi complicado, ninguém tava fazendo nada de errado.

Com relação aos danos desse barulho todo, como você pensa os efeitos nocivos dessa criminalização do uso de drogas no meio LGBT?

O pessoal continua usando, não parou. O pessoal usa, e usa indiscriminadamente. É que nem o uso do hormônio, eu tive dois AVC’s usando hormônio, porque ninguém libera hormônio pra eu tomar. E é isso que tá rolando. A questão da droga no movimento LGBT, um exemplo muito claro: toda travesti, entre aspas, que faz programa usa droga e rouba. Já tá associando travesti com droga. Ah, roubou o cliente pra usar droga, é só isso que você ouve. Isso porque o segmento de travestis é estigmatizado. O gayzinho bonitinho riquinho usa droga lá no quarto de hotel.

Você falou da questão do hormônio. Pensando em travestis e trans, como é que você vê essa relação de controle que a medicina exerce sobre a liberação e o fluxo desses medicamentos e o uso por esse segmento…
 
A própria medicina me leva pra marginalidade. Eu não tenho direito a tomar hormônio, eu vou lá e arrumo hormônio. Eu me ferro e eles vão ter que consertar, porque eu tenho direito à saúde.
Eu tomei meu hormônio, sem acompanhamento, porque ninguém quis me dar esse acompanhamento, e era uma necessidade minha, quando me deu o piripaque, quando me ferrou, a medicina me ajudou. É uma faca de dois gumes. Ela não previne, ela te manda pra marginalidade e depois ela conserta, porque é obrigada a consertar. E aí tem o estigma também. Então é a própria medicina nos levando para a marginalidade. Essa questão de que eu tenho que passar por observação por dois anos, fazer hormônio-terapia e bla bla bla, me afasta. Tem que ter um acompanhamento, claro, qualquer coisa tem que ter, a Redução de Danos pra mim é isso. A questão da medicina com relação a isso é que ela também é religiosa as vezes. A partir do momento da despatologização de tudo isso as coisas ficam mais sossegadas.

Uma questão também muito próxima do movimento que discute drogas é pensar o impacto do estigma. Então, é muito comum você ver, por exemplo, usuários de maconha falando assim: “Não, mas se é pra liberar é só maconha! Porque outras…” , ou mesmo o caso do crack… 
 
Mas aí tem a influência da mídia, gente. A mídia detona. É a questão da mídia.

Talvez a gente possa pensar isso do estigma em relação aos homens gays, bis, lésbicas e aos trans/travestis também, né? 
 
“Homem gay-Barbie” e “Homem gay Poc-Poc”. Tem isso também. No movimento gay, gay muito afeminado também é discriminado. Parece que foi desenhado lá ó: “Cê pode ser gay assim”. ‘Eu tenho um amigo gay, mas ele não parece ser gay’”, “Ele respeita!”, né? Já vai o estigma de que “gay Poc-Poc” ou afeminado faz barraco. Não precisa ser assim, não precisa mostra pra todo mundo… Pô,num tem mulher toda certinha e num tem mulher perua?

Realmente, até você falou a questão do “certo”, né? Tem um pessoal na área da Antropologia que tem feito um debate, eles falam do binarismo de gênero, falam dessa questão de você pensar pra além só de “homem-mulher”. A questão não necessariamente pára nisso, as pessoas não precisam se identificar necessariamente com isso.
 
Não. Uma discussão que tá entrando aí, que tá sendo muito debatida, é a questão “queer”. Visualmente ele já não é previamente encaixado numa concepção sua. Então por exemplo, às vezes, cê vê Fulano e cê fala: “Fulano é homem ou mulher?”. Androgenia. Então, na verdade o movimento “Queer” é desconstruir isso, fazer com que o desejo opere por outros caminhos que não só o papel social.

Eu vejo o movimento como uma coisa limítrofe. “Eu to desconstruindo essa questão da heteronormatividade
, mas eu não quero passar também. É até aqui que eu vou!”. Tem isso, né? Eu to desconstruindo a heteronormatividade, mas eu não quero avançar pra uma questão, por exemplo, tipo Queer. Porque aí é a mesma coisa na cirurgia: “Eu vou lutar pelo que?”. Tem que ter uma bandeira. É isso: gay é isso, lésbica é isso e travestis é isso. Eu não vou discutir além disso. Eu acho que tem muito isso, a questão do limite da discussão.

O próprio movimento, LGBT, ele é um espelho dessas categorizações, se fosse uma coisa mais Queer, mais diluída..
 
Não… Eu acho que tem que ter, quando você fala das especificidades. Gay e lésbica não vão discutir hormônio-terapia. Então, tem que ter a letrinha. Quem vai discutir hormônio-terapia é “TT” – Travesti e Transsexual, não é? Quem vai discutir a questão do aborto? LGBT! Tem que ser todo mundo. É questão de direitos humanos. Mas não acontece isso.

Como diz aquela campanha lá do Chile: “Nem do Estado, nem da Igreja. Este corpo é meu!”. Entendeu? Mas isso fica pro movimento TT discutir. Parece que, na questão de limite, também, o que é direito humano é uma coisa muito fechada. Direito a andar tranquilamente, beijar, não apanhar… tal, tal, tal. Quando passa disso… a questão da cirurgia: gay e lésbica e bissexual não discute isso, entendeu? Joga pro movimento TT discutir, lutar por isso. Até luta ali, dá uma força, uma carta de apoio…A questão da representatividade: Pô,quem pode falar de transsexual? Eu acho que transsexual. Eu acho! Ai eu até vou contra algumas pessoas que dizem que qualquer pessoa LGBT pode falar disso. Mas quem sabe das minhas infelicidades sou eu, entendeu? Acho que a vivência também influencia muito.



Voltamos ao debate de Direitos Humanos, que seguem desrespeitados… 
 
A lei 122/016 não passa no congresso porque os evangélicos dizem q eles tem o direito de me chamar de aberração. Mas ao mesmo tempo em que eles falam de aberração eles tao incentivando que vai me bater na rua, ou acham que vão me converter a alguma coisa? A lei está sendo revista, revista, revista, e não vai passar. É mais fácil aprovar a união civil de homossexuais do que a criminalização da homofobia.

E depois nós que fazemos apologia né, isso é praticamente apologia à intolerância. 

 Uma vez fui num fórum de segurança pública e levei cachimbo de crack de tudo que é lugar do Brasil, inclusive o do É de lei, de madeira. Aí sentei lá no meio dos soldados, policiais, e perguntei “por que vocês quebram isso daqui?”, porque eu já vi ali na Julio Prestes o cara veio, tirou da mochila um alicate e foi quebrando os cachimbos. Eu falei “cara, quando eu te dou o preservativo eu não to incentivando você a usar, mas se você vai trepar”, falei assim pro policial, “se previne”. O cachimbo é a mesma coisa. Acho que só está desse jeito porque a redução de danos não deu certo, porque não deixaram dar certo. O projeto da Redução de Danos no ministério da saúde ainda é troca de seringa, ainda é o clichê.

Você falou como acha que esta o movimento agora, como você vê ele daqui pra frente, inclusive com relação ao debate de redução de danos? 
 
Eu por mim vou continuar com a bandeira, eu sempre levo a discussão.
Porque tá evidente, porque todo mundo tá vendo.

De preferencia sem Denarc ne?
 
A questão do Denarc é que o ministério não banca. Eu falo isso tranquilamente, continua naquela “redução de danos é troca de seringa”. E como você vai fazer redução de danos pra maconha? A gente discute mas fica só no movimento, ninguém quer abraçar. Prevenção de doenças sexuais para lésbicas, tem? Não tem, você vai pegar um produto masculino, cortar e adaptar pra você. A questão de algumas drogas por exemplo, redução de danos pra álcool: tomar água. Um vinho com água, vai amenizar… é legal? Isso é ótimo. Se isso é legal, mostra na novela o copo de vinho com água. O cara tá usando Ecstasy numa novela aí, não tá? Vão curar aquele cara, e você sabe como, é a Globo que tá passando a novela. Ninguém vai falar de Redução de Danos. Acho que o ministério da saúde não tem peito pra bancar a discussão.


 
Falando um pouco da sua experiencia como redutor de danos no É de lei, que foi quando você teve um contato com drogas mais…
Eu tenho contato com droga desde os onze anos, maluco! (risos)
Mas colocando a questão de ir a campo, contato com droga temos desde criança na família, mas a questão de ir a campo com pessoas que estão em n situações…
 
Sabe, assustou. Primeira vez que eu fui pro campo eu voltei detonado, detonado mesmo.
Porque eu vejo meu uso de droga, não tinha visto o uso de droga do outro. Eu fui fazer redução de dano em crack, é assustador a questão do uso do crack , encontrar aquelas pessoas na situação em que elas estavam e você não conseguir fazer nada. Primeiro que a qualidade da droga e o efeito da droga são muito assustadores.

Ninguém vê o como tratar disso, né. Aí, “acabou a cracolandia”. Não! A cracolandia só migrou. “Limpamos a Luz”, limparam nada: Trouxeram pra Vitória. “Limpamos a Vitória”, não, ta aqui na República. Tá limpando a República, tá na Santa Cecília. É empurrando os caras que eles tão. Ninguém ta pensando em fazer nada. Pra mim, redução de danos não é só você ir lá dar o cachimbinho. Não, tem que ter uma expectativa pra esse pessoal, né. Eu acho que o centro de convivência é espetacular. O cara quer usar droga, ele não precisa se detonar, bicho, ele não pode usar no centro, mas pode aprender a se cuidar. O centro de referencia da diversidade, aqui, é um centro de convivência, como o É de Lei é. Os caras vão e eles ficam o dia inteiro na boa. Eles comem, eles bebem refrigerante e água, eles veem TV, eles fazem artesanato. Então essas pessoas não estão perdidas.

Finalizando, tem mais alguma coisa que você gostaria de abordar? 
 
Quero reportar que eu não to falando pelo movimento, to falando como militante do movimento. Isso tem que ficar claro, é a opinião de um militante. E a questão do uso de drogas dentro do movimento é uma questão de cada um, não to aqui pra julgar ninguém. Pra julgar, sim, por falso moralismo. Eu acho que o uso de droga, como a questão sexual, é uma questão de cada um. E a questão da saúde publica na redução de danos, ta aí, e eu reforço que ela ta abandonada pelo governo, sim. É difícil falar disso, né? É difícil apoiar isso. Tem o “Brasil sem homofobia”, um programa, o único país do mundo que tem o projeto “Brasil sem homofobia”, e não aprova nem a união civil, como na Argentina aprovaram. Ter no papel é fácil, quero ver a prática. A questão das drogas pro exemplo. Tem gente que ate fala que é questão de saúde pública, mas aí quando vai falar, fala como se fossem marginais. As pessoas tão abandonadas pelo Estado, sem direito nenhum.

Até porque doente e marginal não ficam muito distantes nos discursos…
 
Você vê segurança particular aqui descendo a lenha em “noia”, nóia entre aspas, “noia”, que é o nome dos moleques que usam. Aí chama a policia e “ah, mas é nóia”. Então qualquer pessoa pode pegar um pedaço de pau e bater em “nóia”.

É uma categoria de pessoas que ficam totalmente à margem e não tem mesmo direito nenhum. Se pegarem uma transexual que roubou um cara e tava usando alguma droga, podem fazer o que quiser com a pessoa…ela não vale nada. 
 
Acabou. Agora, o É de Lei mesmo passou por isso quando tínhamos uma perua para fazer redução de danos. A gente queria pegar os usuários que estavam na rua e levar pro pronto socorros, pra tomar vacina , pra ver se tava doente ou alguma coisa. E teve UBS [Unidade Básica de Saúde] que não queria atender. Quantas pessoas com tuberculose a gente levou pra tratamento? Tipo a gente foi lá, demos a carteirada e foi atendido. Mas se ele vai sozinho , ele não vai ser atendido, não tem direito nem à saúde. E isso você vê claramente por aí. Nem é atendido, fica lá na porta, esperando.
 



                   Patrício Barros

                      Paz & Bem

           98 8142-4337/8847-0501


      São Luís Maranhão - Brasil


            tricio70@hotmail.com




Nota do blog: Leia, abaixo, a mensagem do Patrício Barros sobre a reportagem “O movimento LGBT não quer discutir a questão da droga”

Pronto, prontinho da silva como agente diz que "diz o caboco" Encontrei um texto que me deixou em êxtase, é isso mesmo, na medida que ia lendo eu resmungava, carambas eu também concordo, poxa é isso que eu também penso!!!! Fazia muito tempo que não lia algo tão significativo sobre drogas, redução de danos e com enfoque especial no público LGBT. As partes em em negrito, destaque, vermelhas, aumento de fonte, todas foram alteradas por mim, leiam o a reportagem na integra, pois vale e muito essa leitura.

Patrício Barros

dezembro 22, 2009

"Você tem medo de conversar sobre drogas?"


Trabalho de RTVC, dos alunos da Universidade Estácio de Sá - curso de Comunicação Social - Rebouças. Institucional - Grife Das Doida Mais informações sobre a instituição: www.dasdoida.com.br

***

Nota do blog: Meu caro ministro Temporão, substitua rapidamente a infeliz campanha sobre o crack veiculada na mídia nacional. Entregue a nova tarefa para os alunos da Universidade Estácio de Sá, do curso de Comunicação Social. Eles sabem tudo sobre material publicitário não estigmatizante. E tem mais. Se eles tiverem acesso ao material abaixo, que colhi no grupo de discussão em-defesa-da-reforma-psiquiátrica, o resultado será bem melhor do que o telespectador brasileiro está sendo obrigado a engolir. Num cenário em que os conservadores estão deitando e rolando na mídia brasileira, não vai faltar quem diga que a campanha atual foi a "campanha possível". Bobagem! Com um pouco de coragem, e com a força do movimento social, que recentemente pôs o bloco na rua (Marcha dos Usuários), conte conosco pra qualquer parada. A propósito, quando o Ministério da Saúde irá anunciar a Conferência Nacional de Saúde Mental, já aprovada pelo Conselho Nacional de Saúde? Dê um puxão de orelhas nos seus assessores; alguém precisa fazer interlocução com o movimentos social, ora pois!

Contribuição para uma nova campanha sobre o crack

- Por uma nova campanha - Pensar em política de drogas na atual conjuntura é pensar nos efeitos contidos na linha divisória entre Saúde e Segurança Pública. Agentes de saúde não podem agir como agentes da lei. Temos ferramentas para campanhas que fogem dessa armadilha. Eis seus elementos:

- Subjetividade - A "subjetividade" a ser trabalhada deve associar a ideologia antidrogas ao medo de conversar sobre drogas. Portanto, é o despreparo que está em jogo. E isso não é novidade, está condizente com os pressupostos da atual lei sobre drogas, 11.343/06.

- Desconhecimento - Sugerir, sem tons de alarde, como os usos de drogas diversas estão inevitavelmente presentes na sociedade, para depois lançar de alguma forma uma pergunta que ainda não foi feita à "sociedade", e sobretudo aos/às trabalhadores/as da saúde: "Você tem medo de conversar sobre drogas?"

- Ao SUS o que é do SUS - Incentivar como eixo desse movimento a Atenção para a Estratégia de Saúde da Família. O CAPS-AD seria a referência num segundo plano. Vale lembrar que a alternativa de internação, via fazendas, faz parte de um eixo paralelo. Esse eixo atende uma parcela ínfima da demanda e é muito menor do que o SUS: famílias pagam mensalidades abusivas por estes serviços com dinheiro que não têm. Não esquecer que os contratos com essas clínicas são feitos com o dinheiro do SUS, pago pelos contribuintes, que estão a merecer acolhimento integral articulando Saúde Mental e Atenção Básica.

- Acolhimento e trabalho - Ressaltar que o acolhimento envolve escuta qualificada. As pessoas têm suas histórias de vida. Homogeneizar as demandas das pessoas que usam drogas é pecado capital. É preciso dizer com todas as letras que trabalhar em saúde envolve trabalhar. Esse é um ponto de honra na luta pela Saúde Coletiva, contra o corporativismo e a promoção dos serviços milagrosos (via ato médico, por exemplo).

- Nova visão sobre ilicitude e clandestinidade - Considerar a ilicitude e a clandestinidade como parte do problema, mas nunca como uma espécie de conseqüência dos usos.

- Redução de Danos – Jamais promover os saberes da Redução de Danos como um amontoado de sugestões para "usos seguros" do tipo "beba água". RD trata-se de um trabalho responsável diante do grave problema das demandas explícitas mal-acolhidas (usos problemáticos/abusivos) e as demandas invisíveis não-acolhidas (usos não-problemáticos e suas nuances). A RD não tem medo de conversar sobre drogas (o que é um ótimo dispositivo para provocar redutores/as de danos antimanicomiais também).

- Autonomia – Antes de incentivar a autonomia das pessoas que usam drogas existem etapas a serem cumpridas. É tarefa dificílima. Em primeiro lugar, não só porque a Saúde tem algo a aprender com elas, mas porque Saúde não anda sem o apoio de uma nova cultura em Saúde. Atualmente, a grande maioria das pessoas que vão parar nos serviços pedindo por desintoxicação (a demanda explícita) já chega imbuída da idéia do "objeto de cuidado", pedindo por drogas pra desintoxicar (?), drogas pra conter fissura, dentre outras "pílulas". Este “vício” deve ser combatido, pois ele ameaça trabalhadores/as da saúde a naturalizar a demanda. É claro que acolher não é concordar com todas as demandas. Muitas das vezes a demanda é uma idéia fantasiosa, nascida de política que no tem no modelo médico de mercado sua fonte de inspiração.

- Indicador da campanha - ABP. Isso mesmo, Associação Brasileira de Psiquiatria. Se eles gostarem é porque alguma coisa fizemos de errado. Nessa guerra não estamos sozinhos: temos uma lei sobre drogas que nos fornece ferramentas, temos estratégias que dão certo e milhares de pesquisas que o embasam; só temos que fazer algo organizado entre gestão e movimento social, declarar guerra oficialmente e sair para o abraço.


dezembro 20, 2009

Ministério da Saúde repete erros da campanha contra a AIDS, abusa do senso-comum, incentiva o proibicionismo e deixa irritado os redutores de danos

Um crack no senso-comum

Ministério da Saúde lança campanha contra o crack baseada na cultura do medo, se esquecendo de que a droga é um reflexo do social e do proibicionismo

Coletivo DAR

O Ministério da Saúde (MS) resolveu “se mexer” por estar vivenciando em todo o território nacional o que São Paulo presenciou na década de 1990: o surgimento e expansão do consumo do crack. Presente nas diversas camadas sociais, o crack foi levado a todo o país. Inclusive ao Rio de Janeiro, onde, apesar das tentativas do crime organizado de barrar sua entrada, o tráfico de rua o trouxe principalmente para a região central da cidade.

Esse alarde é sustentado pelo trabalho publicado em 2005 pelo Cebrid (Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas) que indica 0,1% da população usuária da droga, aproximadamente 200 mil brasileiros. O que antes era característica das metrópoles hoje se instaura em cidades com menos de 100 mil habitantes. Assim, há a importância em debater, além de seus efeitos, a relação do usuário com a droga e com a sociedade.

Mediante esse fato, o MS resolveu fazer a sua parte e colocar em rede nacional uma campanha alertando a população para os efeitos do crack, com frases de efeito como:

“Desculpe interromper o trânsito. Mas esse assunto não pode esperar. O crack causa dependência muito rápido.”

“Nunca experimente o crack. Ele causa dependência e mata”.

Se por um lado tenta agir na prevenção utilizando o medo e não a informação para prevenir o consumo e o abuso, por outro a campanha exclui a esperança do dependente de abandonar o consumo ou torná-lo sustentável: a impressão é de que não há solução, que o usuário está condenado a inevitavelmente morrer logo e sem acesso ao sistema de saúde. Podemos citar o trabalho realizado na UNIFESP, que sugeriu aos usuários da droga quando sentissem fissura que utilizassem maconha ao invés do crack e passado um ano do projeto, coordenado pelo Prof. Dr. Dartiu Xavier da Silveira, 68% dos usuários abandonaram o crack (com muitos deles abandonando a maconha posteriormente).

A questão do crack deve ser vista com cuidado e ressalva. Não pode ser desvinculada do proibicionismo e da desigualdade social, encarada inclusive como reflexos destes. Na década de 1980, os EUA controlavam a venda dos produtos químicos necessários para o refino da coca até transformá-la em pó. Os traficantes, então, iniciaram a venda de insumos não controlados, como os derivados do refino. O crack (cloridrato de cocaína) é um dos subprodutos que possui o mesmo princípio ativo com efeitos e via de administração diferentes. Desde então, Nova Iorque se tornou um centro de sua comercialização e consumo. Antes da venda ser apropriada pelo tráfico os usuários produziam a sua própria pedra, chamada de casquinha; esse fato é importante para lembrar que muitas vezes o usuário aprecia e escolhe fazer uso, e não são todos desinformadas vítimas da droga.

Existe gente que diz que esta é a droga do momento num mundo capitalista de consumismo exacerbado: comprar e fumar muito, compulsivamente. Contudo esse movimento é semelhante ao de qualquer outra droga relativamente barata que se espalha por promover o barato intenso no usuário e por ser um subproduto também acaba sendo rentável para o tráfico. Este consumo intenso de crack dá identidade a muitas pessoas, que não encontram oportunidades na sociedade – ao se falar de oportunidades, muitas pessoas vêem como a melhor que elas é de sentir-se parte da “comunidade” de usuários da cracolândia, por exemplo.

Uma impressão errónea, abarcada pelo senso comum, é que os usuários de crack são apenas aqueles de classes menos favorecidas, fazendo-nos acreditar que o uso dessa droga não penetra em todas as classes. O que ocorre na verdade é que por muitas vezes os dependentes de classe média/alta preferem o atendimento particular ao público, então sobra aos mais vulneráveis a visibilidade, até porque seu consumo é gravado pelas infindáveis câmeras do centro da cidade, e exatamente por ser carente de amparo, assistência(prevenção, educação e saúde) e a baixa de recursos, é que essa população encontra todos os fatores que permitem que esse uso aconteça da pior maneira possível, levando muitas vezes o usuário a recorrer a outros meios para adquirir a sua necessidade. O crack suprime a necessidade de todos os reforços positivos naturais que são tantas vezes extirpados dessa camada social, e é nesse caso, na carência de todos esses parâmetros: da informação ao lazer da alimentação ao saneamento básico, que geralmente o crack se torna devastador; porém, pensando em uma sociedade não-proibicionista, não devemos excluir a possibilidade da existência dessa droga e de uma possível regulamentação dela.

Como em qualquer debate sobre drogas e seus desdobramentos no campo social, é indissociável, na discussão sobre o crack, a reflexão sobre as oportunidades de trabalho, de formação, de educação e ensino, de escolha política entre tantas outras. Ponto importante é discutir a sociedade como um todo. Vivemos um modelo social excludente e consumista. Excludente na medida em que somos (sociedade) permeado por um sentimento de que é imperioso se inserir em grupos sociais, o “ser aceito” ou “fazer parte”. Se as oportunidades de participação e identificação social, em determinada comunidade, estão restritos à marginalidade, é compreensível que os jovens frutos deste grupo social tenham um caminho marginal a seguir. Consumista quando impõem padrões de existência focados no consumo puro e inconsequente. O foco atual é TER, não SER, independente dos meios. Acumular é ter poder,independente de sua cultura ou moral, cria-se um atrativo engodo, que empurra pra qualquer forma possível de acesso o acúmulo de recursos/poder com o horizonte no consumo. São necessárias políticas públicas de inclusão social que criem oportunidades não-marginais, como as oferecidas pelo poder do tráfico, imposto por essa política proibicionista.Essas sim, podem ser consideradas portas importantes de entrada para as drogas e precisam ser repensadas, é preciso pautar uma mudança profunda na estrutura social e nos padrões de consumo e produção.

Apenas para reflexão terminamos expondo um grave problema de saúde pública, este sim podendo ser considerado uma epidemia, que é o uso do álcool. No mesmo estudo explorado pelo MS o CEBRID/2005 publicou que o uso na vida de álcool é de 74,6% da população sendo que 12,3% se tornam dependentes e quando estratificado apenas para o sexo masculino o número de dependentes eleva-se a 19,5%.Ou seja, em números absolutos quase um quinto da população é diagnosticada no serviço de saúde como dependente ao álcool. Dados alarmantes que não pressionam o MS a proibir, por exemplo, propagandas de cerveja em rede nacional. Talvez pelo lobby das grandes cervejarias globais. Ao invés disso acaba estigmatizando o usuário de uma outra droga que como o álcool requeria uma maior atenção do orgão.

Isso tudo serve para excluir a visão simplista que elege o crack como bode expiatório às mazelas que afetam toda a sociedade brasileira, e a intensão do governo é que a sociedade olhe esse usuário com um problema apenas, o crack, e não os problemas e carencias desse indivíduo, muitos desses responsabilidade do próprio governo, que através do proibicionismo fecha os olhos a um assunto que não é excêntrico mas faz parte de toda essa rede de consumo e proibição/permissividade que fomenta a criminalização da pobreza e o descaso a essa classe que continua sendo majoritária no país.

Fonte: DAR - Desentorpecendo a razão
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dezembro 17, 2009

Morre um dos mais antigos militantes do campo da Redução de Danos no Brasil

Morte
Postada em fernandosls.flogbrasil.terra.com.br

Nota do blog: Morreu Wulmar Bastos, um dos mais antigos e ardorosos militantes do campo da Redução de Danos no Brasil. Segundo o sociólogo Dênis Petuco, "Wulmar jamais se manifestava sobre sua importância na construção da experiência brasileira de Redução de Danos". Diz ainda que ele "esteve ao lado de Francisco Inácio Bastos, da Fiocruz, quando dss primeiros grupos de estudos e pesquisas para a validação das estratégias de RD".

Para Dênis Petuco, Wulmar, "avesso às luzes, preferiu afastar-se do ambiente acadêmico carioca, e voltou para Juiz de Fora, onde foi um dos principais responsáveis pela consolidação do Centro de Convivência Entre Nós, referência nacional no cuidado comunitário de pessoas que usam drogas, antes de qualquer CAPSad".

Dênis informa que, "atualmente, era um dos representantes do movimento brasileiro de Redução de Danos, na Comissão de Articulação com Sociedade Civil (CAMS), órgão consultivo do Programa Nacional de DST/Aids".

"Deixa saudades em todos que o conheceram", lamenta Dênis.

Descanse em paz, guerreiro!

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dezembro 16, 2009

Mais uma morte por causa da proibição da maconha...

Postada em www.sistemaodia.com
Ator pornô gay morre na Flórida após asfixia ao ser preso

Andrew Grande, 23, mais conhecido por Dustin Michaels, morreu após ser preso por policiais na Flórida.
A polícia tinha sido chamada ao local na noite de sábado, porque Andrew estava discutindo com uma amiga.
Uma equipe de TV gravou todo o ocorrido. O filme mostra a polícia lutando para conter Grande, usando uma arma de choque. Após conseguir remover as garras da arma, ele começa a bater em seu peito e tenta puxar um saco para fora de sua garganta. Os policiais então percebem que ele estava sufocando e passam vários minutos tentando ajudá-lo até a chegada dos paramédicos.

Ele foi declarado morto depois no hospital, por asfixia por ter tentado engolir um saco com maconha.

***

Nota do blog: O tema já foi capa da revista Época. Na área da Saúde Pública, continuamos patinando no campo da abordagem ao uso abusivo de entorpecentes. O Brasil que já deu aulas para o Canadá retraiu de tal maneira a política de redução de danos que é de morrer de vergonha, a julgar pelo desabafo de um respeitado redutor de danos: "[...] elaboram-se políticas públicas sem a participação da sociedade civil. Aliás, eu começo a achar que o povo responsável pelas políticas para pessoas que usam álcool e outras drogas, dentro da Coordenação Nacional de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, não sabem o que significa "sociedade civil". Ou então sabem, e por isto mesmo esforçam-se por fazer tudo às escondidas do povo". É polêmica, das boas. com o redutor de danos e não abro. Falta coragem para enfrentar a questão das drogas e a mídia conservadora.

Época: Fumar maconha em casa e na rua deveria ser legal?

Fumar maconha em casa e na rua deveria ser legal? Legal no sentido de lícito e aceito socialmente, como álcool e tabaco? O debate sobre a legalização do uso pessoal da maconha não é novo. Mas mudaram seus defensores. Agora, não são hippies nem pop stars. São três ex-presidentes latino-americanos, de cabelos brancos e ex-professores universitários, que encabeçam uma comissão de 17 especialistas e personalidades: o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, do Brasil, de 77 anos, e os economistas César Gaviria, da Colômbia, de 61 anos, e Ernesto Zedillo, do México, de 57 anos. Eles propõem que a política mundial de drogas seja revista. Começando pela maconha. Fumada em cigarros, conhecidos como “baseados”, ou inalada com cachimbos ou narguilés, a maconha é um entorpecente produzido a partir das plantas da espécie Cannabis sativa, cuja substância psicoativa – aquela que, na gíria, “dá barato” – se chama cientificamente tetraidrocanabinol, ou THC.

Na Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, reunida na semana passada no Rio de Janeiro, ninguém exalta as virtudes da erva, a não ser suas propriedades terapêuticas para uso medicinal. Os danos à saúde são reconhecidos. As conclusões da comissão seguem a lógica fria dos números e do mercado. Gastam-se bilhões de dólares por ano, mata-se, prende-se, mas o tráfico se sofistica, cria poderes paralelos e se infiltra na polícia e na política. O consumo aumenta em todas as classes sociais. Desde 1998, quando a ONU levantou sua bandeira de “um mundo livre de drogas” – hoje considerada ingenuidade ou equívoco –, mais que triplicou o consumo de maconha e cocaína na América Latina.

Em março, uma reunião ministerial na Áustria discutirá a política de combate às drogas na última década. Espera-se que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, modifique a posição conservadora histórica dos Estados Unidos. A questão racial pode influir, já que, na população carcerária americana, há seis vezes mais negros que brancos. Os EUA gastam US$ 35 bilhões por ano na repressão e, em pouco mais de 30 anos, o número de presos por envolvimento com drogas decuplicou: de 50 mil, passou a meio milhão. A cada quatro prisões no país, uma tem relação com drogas. No site da Casa Branca, Obama se dispõe a apoiar a distribuição gratuita de seringas para proteger os viciados de contaminação por aids. Alguns países já adotam essa política de “redução de danos”, mas, para os EUA, o cumprimento dessa promessa da campanha eleitoral representa uma mudança significativa.

A Colômbia, sede de cartéis do narcotráfico, foi nos últimos anos um laboratório da política de repressão. O ex-presidente Gaviria afirmou, no Rio, que seu país fez de tudo, tentou tudo, até violou direitos humanos na busca de acabar com o tráfico. Mesmo com a extradição ou o extermínio de poderosos chefões, mesmo com o investimento de US$ 6 bilhões dos Estados Unidos no Plano Colômbia, a área de cultivo de coca na região andina permanece com 200 mil hectares. “Não houve efeito no tráfico para os EUA”, diz Gaviria.

Há 200 milhões de usuários regulares de drogas no mundo. Desses, 160 milhões fumam maconha. A erva é antiga – seus registros na China datam de 2723 a.C. –, mas apenas em 1960 a ONU recomendou sua proibição em todo o mundo. O mercado global de drogas ilegais é estimado em US$ 322 bilhões. Está nas mãos de cartéis ou de quadrilhas de bandidos. Outras drogas, como o tabaco e o álcool, matam bem mais que a maconha, mas são lícitas. Seus fabricantes pagam impostos altíssimos. O comércio é regulado e controla-se a qualidade. Crescem entre estudiosos duas convicções. Primeira: fracassou a política de proibição e repressão policial às drogas. Segunda: somente a autorregulação, com base em prevenção e campanhas de saúde pública, pode reduzir o consumo de substâncias que alteram a consciência. Liderada pelos ex-presidentes, a comissão defende a descriminalização do uso pessoal da maconha em todos os países. “Temos de começar por algum lugar”, diz FHC. “A maconha, além de ser a droga menos danosa ao organismo, é a mais consumida. Seria leviano incluir drogas mais pesadas, como a cocaína, nessa proposta”.

O que pode parecer a conservadores uma tremenda ousadia não passa, na verdade, de um gesto simbólico do continente produtor de drogas, a América Latina. Um gesto com os olhos voltados para o Norte, o hemisfério consumidor por excelência. Nos Estados Unidos, ainda se encarceram usuários na maioria dos Estados, e a Europa faz vista grossa ao consumo, mas não muda sua legislação. A comissão latino-americana acha “imperativo retificar a estratégia de guerra às drogas dos últimos 30 anos”. Nosso continente continua sendo o maior exportador mundial de cocaína e maconha, mas produz cada vez mais ópio e heroína e debuta na produção de drogas sintéticas. Um maior realismo no combate às drogas, sem preconceito ou visões ideológicas, ajudaria a reduzir danos às pessoas, sociedades e instituições.

Há quem discorde dessa visão, com base em argumentos também poderosos. Com a liberação do consumo da maconha, mais gente experimentaria a droga. Isso aumentaria o número de dependentes e mais gente sofreria de psicoses, esquizofrenia e dos males associados a ela. Mais gente morreria vítima desses males. “Como a maconha faz mal para os pulmões, acarreta problemas de memória e, em alguns casos, leva à dependência, não deve ser legalizada”, afirma Elisaldo Carlini, médico psicofarmacologista que trabalha no Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas (Cebrid). “Legalizá-la significaria torná-la disponível e sujeita a campanhas de publicidade que estimulariam seu consumo”.

Fonte: Portal O Dia
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novembro 19, 2009

Seminário Goiano Controle Social e Redução de danos

Goiânia - Goiás - Brasília
Seminário Goiano Controle Social e Redução de danos

Data: 19 de novembro de 2009

Horário: 8hs às 18hs

Augustus Hotel (Rua 04 – Centro – Goiânia-GO)

Objetivo:

Fomentar o debate sobre Redução de Danos e traçar conjuntamente estratégias de intervenção e articulação política voltadas à promoção da saúde, fortalecimento do SUS e combate ao estigma e discriminação dirigidas as populações mais vulneráveis.

Público alvo:

- Gestores da Saúde;

- Instancias de Controle Social

- Ministério Público de Goiás

- Universidades

- Sociedade Civil Organizada relacionadas ao tema

Comissão organizadora:

- Associação Ipê Rosa / ABORDA

- SMS / Departamento de Epidemiologia – Coordenação / Diretoria de Atenção à Saúde – Divisão de Saúde Mental Departamento de Gestão do Trabalho e Educação em Saúde.

Programação:

8:30h – Mesa de abertura

Representante do Ministério da Saúde – Fernanda Nogueira
Superintendência de Políticas de Atenção Integral à Saúde – SES
Secretário Municipal de Saúde – Sr. Paulo Rassi
Conselho Municipal de Saúde – Sra. Rozilda Rodrigues de Oliveira
Divisão de Saúde Mental – Sr. Leo Machado
Representante da Sociedade Civil – Sr. Elandias B. Sousa

9h – Estratégia de Redução de Danos no Âmbito do SUS

(20’) Palestrante: Fernanda Nogueira – Departamento Nacional de DST/AIDS
(20’) Palestrante: Telma Regina – Programa DST/AIDS – Campo Grande /MS
(20’) Palestrante: Miguel Cordeiro Reis, psicólogo SPAIS / SES
Coordenadora: Aparecida Maria Pereira (CAPS Girassol) 10h – Debate

10:30h – Intervalo

10:45h – Controle Social e as Ações de Redução de Danos

(20’) Palestrante: Edna Flores (Associação Águia Morena – Redução de Danos e Direitos Humanos- Campo Grande-MS)
(20’) Palestrante: Gilmara Santos (REBRARD – Brasília – DF)
Coordenador: Elandias B. Sousa – Conselho Municipal de Saúde de Goiânia

11:30h – Debate

12h – Encerramento

12h às 13h – Almoço

13h – Apresentação cultural

13:20h – Aspectos Éticos e Legais da Redução de Danos

Palestrante: Promotor Robertson Alves (Ministério Público Estadual)
Coordenador: Felipe Aires (Defensoria Pública da União – Goiás)

14h – Debate

14:30h – Vulnerabilidade e Redução de Danos

(20’) Palestrante: Marcelo dos Santos Ribeiro (CAPS Girassol)
(20’) Palestrante: Claudiney Alves (Núcleo da RNP+ - DF
Coordenadora: Shirley Macedo Gomdim (CAPS Girassol)

15:10h – Debate

15:40h – Divisão em grupos para discussão da Agenda de Trabalho para 2010.
(Coordenadores de grupos: Telma Regina, Marcelo, Ivana, Claudinei)

16:20h – Plenária: Exposição das conclusões de cada grupo e elaboração de uma Agenda de Trabalho geral para 2010. (Coordenador: Elandias)

17:20h – Encerramento.

Abraços.

Elandias B. Sousa
Conselheiro de Saúde de Goiânia
Associação Ipê Rosa - Goiânia-GO
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novembro 06, 2009

'Nem o governo sabe como tratar as drogas', diz Lula

Lula
Acervo Palácio do Planalto

Nota do blog: Meu caro Lula, aí há controvérsias. Concordo parcialmente contigo (permita-me o tratamento sem cerimônia, companheiro). Vale lembrar que o país já teve no início do século uma importante experiência com a prática de Redução de Danos, que aos poucos foi se desmilinguindo... desmilinguindo. Até o Canadá vinha aprender com a gente. Hoje, nós é quem aprendemos com a experiência acumulada pelos canadenses. Pra não dizer que é invencionice minha, ouça o Dênis Petuco. É ele o autor dessa informação. Ele e a torcida do Flamengo. Perdoe-me a sinceridade, mas é a mais pura verdade. Isso tudo tem a ver com falta de decisão política, e, por conseqüência (ainda mantenho o trema por questão da hábito, visse?), falta de investimentos, que só agora o teu governo respondeu ao clamor da mídia, que, no trato da matéria, mais perdida do que aquele ceguinho no tiroteio. Como diria uma assessora minha, já falecida, a mídia perdeu o foco... intencionalmente, of course, meu caro. Saudações democráticas!

'Nem o governo sabe como tratar as drogas', diz Lula
Agência Estado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu ontem que "possivelmente nem o governo nem o ministro da Saúde possam ainda ter certeza de como tratar o problema das drogas no Brasil". "Está ficando claro que do jeito que nós tratamos as drogas até agora não está resolvendo o problema, porque estamos vendo cada vez mais jovens utilizando drogas mais fortes", afirmou, referindo-se ao crack, ao discursar no 9º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, que se realizou na noite de ontem, em Olinda, em Pernambuco.

Ainda ontem, o Ministério da Saúde havia anunciado um plano para a abertura de 73 novos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que receberão R$ 98,3 milhões de investimentos por ano. A ideia é que sirvam para tratamentos curtos (até 20 dias) de pessoas com transtornos mentais ou viciados em álcool e drogas de 18 Estados.
Segundo Lula, o dado concreto que se tem agora é o de que o problema do crack está ficando cada vez mais sério. Caso contrário, "ficaria muito fácil para um país rico" - referindo-se aos Estados Unidos - dizer que está combatendo a droga e manda colocar uma base militar na Colômbia.

"Falei com o presidente (Barack) Obama e quando propus a criação do conselho de defesa da América do Sul é porque temos de cuidar da questão do tráfico no nosso continente. E aí os países ricos poderão cuidar dos seus viciados internamente. Se não tiver viciado, não tem mercado para vender", afirmou. Ele propôs aos congressistas um encontro só para tratar do assunto das drogas.

Fonte: Paraná-online
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outubro 29, 2009

Temporão arregou e cedeu às pressões da Globo e da indústria de leitos de saúde

Intervenção sobre banner de Vinni Corrêa
Nota do blog: Mídia a serviço de interesses privados dá nisso: desinformação. O Brasil que já teve alunos do Canadá para aprender as estratégias da Redução de Danos (somos os melhores), hoje está sujeito a políticas tímidas para enfrentar a questão do uso abusivo de drogas. Resumo da ópera: a indústria de leitos de saúde, depois da tentativa de detonar a reforma psiquiátrica, que reduziu o número de leitos nos país, de cai de unhas, dentes e mídia na área mais vulnerável da Política Nacional de Saúde Mental. Vulnerabilidade, diga-se de passagem, construída por redução de investimentos no campo da Redução de Danos. Até parece que você esqueceu a história da psiquiatria brasileira, que chegou a criar, em nome da ciência, mais de 100 mil leitos psiquiátricos, resultando num trágico universo de exclusão social, destruindo a cidadania dos usuários, cronificando "doenças" que passaram a ter outra "evolução" com a implantação da rede de CAPS em todo o país. E agora, Temporão, você me vem com um investimento descabido em leitos para tratar usuários de crack. Tem santa paciência, ministro! Por que não fazer avançar a política de implantação de CAPS ad. Temos inteligência na área. Ouça-os! Não deixe abrir esse flanco frágil da Política Nacional de Saúde Mental. Temos condições de resistir. Mais de 2 mil usuários ocuparam as ruas de Brasília na luta por uma Reforma Psiquiátrica Antimanicomial. Voltaremos a ocupar as ruas dos municípios brasileiros, desta vez em defesa da Política de Redução de Danos. Ademais, a IV Conferência Nacional de Saúde Mental vem aí. Não se precipite. Deixe os empresários e a psiquiatria conservadora conversar conosco nessa arena. Deixe a Conferência decidir a política que queremos. E para começar a dar conhecimento do outro lado dessa história, lembre-se que temos meios de comunicação não comprometidos com o capital predatório. Se os donos do capital e de saberes anacrônicos não têm escrúpulos em faturar sobre a dor humana, só o debate democrático pode desmascará-los. A TV Brasil, por exemplo, tem um programa chamado 3 a 1. Minha lista de candidatos a ocupar os assentos do programa: Marcus Vinicius de Oliveira pela Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial, Dênis Petuco pelo campo da Redução de Danos e um representante da psiquiatria conservadora e os empresários do setor (o que dá no mesmo), como a Federação Brasileira dos Hospitais - FBH (vixe!). A prosa nacional tomaria outro rumo. Aproveito o ensejo para mandar um recadinho para a mídia de esquerda desse país, que não consegue sair do eixo Rio-São Paulo, quando o assunto é saúde mental & drogas. Há vida inteligente fora do eixo, companheir@s! Escrevam para rogeliocasado@uol.com.br e passarei uma lista de endereços de gente que não tem sido ouvida.

FOLHA ONLINE
28/10/2009 - 13h27

Ministro reconhece falhas e anuncia novos leitos para tratar usuários de crack

DIANA BRITO
colaboração para a Folha Online, no Rio

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anunciou nesta quarta-feira um investimento de R$ 110 milhões para a criação de 2.500 novos leitos para o tratamento de usuários de crack no país.

"Nós já lançamos uma política que envolve um investimento de R$ 110 milhões. Ela vai atender 12 mil usuários de crack no Brasil. Vai ampliar em 2.500 o número de leitos em hospitais gerais", afirmou o ministro durante evento no Rio.

Temporão classificou o problema como "gravíssimo" e admitiu falhas no sistema de saúde para o tratamento de usuários da droga.

"Reconhecemos que existem falhas. Nem todas as pessoas que precisam de atendimento conseguem no tempo que gostariam de ter. Mas quero dizer que esse plano que está sendo lançado e implementado vai trazer resultados", afirmou.

O ministro, no entanto, não deu detalhes sobre a liberação da verba ou quanto será repassado para cada Estado. No entanto, informou que o objetivo é dar atenção às grandes cidades.

Apreensão

O crescimento do consumo de crack tem preocupado as autoridades. Na terça-feira (27), a Polícia Civil realizou a maior apreensão de crack do ano na favela de Manguinhos. Cerca de 10 kg da droga foi apreendido e levado para o ICCE (Instituto de Criminalística Carlos Éboli).
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