maio 03, 2010

Usuários de saúde mental e a Conferência Municipal de Saúde Mental


RogelioCasado 1 de maio de 2010 — Depoimento da psicóloga Luciana, do Centro de Atenção Psicossocial Silvério Tundis, implantado em 6 de maio de 2006, na gestão de Rogelio Casado à frente da Coordenação Estadual de Saúde Mental (2003-2007). 
 
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Nota do blog: A implantação do CAPS Silvério Tundis se reveste de importância porque marca o período em que a Reforma Psiquiátrica deixa para trás a letargia que marcou os anos 1990. Entretanto, nem tudo são flores. Estrategicamente, pretendíamos repassar o primeiro CAPS de Manaus para o poder municipal - a quem compete a implantação de uma rede de CAPS na cidade -, mas até hoje ele continua ligado ao poder público estadual, com equipe que não corresponde às exigências das portarias ministeriais. Tais portarias estabelecem o número e o tipo de profissionais para os CAPS de tipo III. São os CAPS tipo III que credenciam as autoridades sanitárias a desmontar a instituição psiquiátrica, instituição histórica da violência. Ou seja, tão cedo o hospício local não poderá ser desativado. Quanto à presença de usuários na Conferência Municipal de Saúde Mental, ela se refere aos usuários de saúde mental - responsáveis pela conquista da Conferência Nacional de Saúde Mental. O esclarecimento se faz necessário porque já houve, no passado recente, o uso indevido do conceito por um contumaz manipulador, que usou a versão genérica (usuário do SUS) para garantir sua presença num espaço que não lhe diz respeito.
 

I Conferência Municipal de Saúde Mental


RogelioCasado 18 de outubro de 2009 — Manaus tem 2 milhões de habitantes, 1 hospício, 2 ambulatórios e apenas 2 CAPS. É de morrer de vergonha. A ACI luta por uma reforma psiquiátrica antimanicomial. Por mais CAPS, leitos psiquiátricos em hospitais gerais, residências terapêuticas, centros de convivência e pela substituição do hospício por um hospital geral. 

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I Conferência Municipal de Saúde Mental


Entre os dias 27 a 29 de abril aconteceu a I Conferência Municipal de Saúde Mental. A Associação Chico Inácio (ACI) – filiada à Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial – participou da organização do evento.
Depois de um imbróglio - no único dia em que a ACI não se fez presente numa reunião da comissão organizadora - que por pouco teria rifado meu nome, graças à defesa dos representantes dos movimentos sociais foi garantido minha participação na mesa redonda sobre a consolidação da rede de atenção psicossocial e fortalecimento dos movimentos sociais.
No convite à minha participação, pesou, curiosamente, minha condição de militante de movimentos sociais, sobretudo o da luta antimanicomial, do que minha representação intersetorial, face à minha ligação com a Universidade do Estado do Amazonas. O reconhecimento me encheu de orgulho, por um lado. Porém, não posso deixar de registrar que em quatro anos como Pro-Reitor de Extensão da Universidade do Estado do Amazonas prevaleceu um boicote provinciano, na medida em que se desprezou o potencial dessa instituição como parceira da Reforma Psiquiátrica.
A exceção à regra deu-se apenas uma vez, na verdade depois de uma provocação pessoal que fiz à coordenação da Residência Médica em Psiquiatria para discutir as saídas possíveis dos impasses vividos no seu terceiro ano de funcionamento. Ressalto que a referida residência foi por mim criada quando Coordenador Estadual de Saúde Mental (2003-2007).
Consegui driblar esse quadro de apatia deliberada, aproximando a Saúde Mental do Programa de Telessaúde da Universidade do Estado do Amazonas, ao articular um Programa de TelePsiquiatria, pelo qual responde o psiquiatra Francisco Assis, vinculado ao Pronto Atendimento Humberto Mendonça, da Secretaria Estadual de Saúde Mental. Através dele, mantemos um serviço de orientação e supervisão clínica para auxiliar médicos e equipes de saúde do interior do estado nos casos de cuidados médico-sociais de pessoas portadoras de sofrimento psíquico. 
Na platéia identifiquei meus desafetos políticos:
1.       um que fez uma falsa denúncia de desvio de recursos financeiros do ministério da saúde (verba que aqui só aportou por duas ocasiões, a da implantação do CAPS Silvério Tundis e da realização do censo da população psiquiátrica, quando já não respondia pela coordenação de saúde mental; informação que foi parar num jornal local sem direito de defesa);

2.       outra que liderava o deslocamento de internos de longa duração do manicômio local para a periferia da cidade, numa operação típica das classes médias incultas que promovem a qualquer custo a limpeza do visual urbano sem atentar para a ausência dos equipamentos exigidos para uma efetiva inclusão de portadores de sofrimento psíquico na vida social, quais sejam: cultura, saúde, educação, para ficar nos três mais importantes.

3.       um terceiro, cujo ódio visceral ao Partido dos Trabalhadores, do qual sou um dos fundadores, aliado ao pensamento retrógrado e conservador dos grupos de direita deste país, tinha como missão anarquizar lideranças que não rezam na cartilha do fascismo.

Curiosamente, estavam todos contidos. Nenhumas das suas antigas teses e práticas foram usadas durante os debates. Agiam com cautela, para não serem flagrados em contradições que seriam perceptíveis mesmo por um público carente de referências e práticas no âmbito da reforma psiquiátrica.
A conferência ocorreria sem incidentes, não fosse a grosseria de um contumaz provocador que tentou desqualificar os usuários de saúde mental, sendo advertido com firmeza pelos reais protagonistas da conferência. Quanto às questões controversas, fruto da ausência de pré-conferências, na sua grande maioria elas foram esclarecidas no plenário. Entre mortos e feridos, salvaram-se todos.
Protagonizei um episódio grotesco ao final do evento. A penúltima proposta, de minha autoria, foi duramente criticada por uma profissional de saúde mental manicomial. Eis a frase que detonou a defesa mais intrigante que ouvi naquele dia, sobretudo por sua defensora ter sido aluna do curso de especialização de saúde mental da Fiocruz: “Substituição do Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro, instituição histórica da violência, por um hospital de clínicas”.
Na infeliz defesa, a profissional em causa usou como argumento o fato de que nunca usou de violência contra os usuários internados no hospício manauara. A criatura sequer suspeita da violência simbólica da instituição. Seria pedir muito que ela alcançasse esse nível de abstração. Ou que fosse ler Goffman. Esse fato grotesco talvez explique porque a Reforma Psiquiátrica patinou durante todos os anos 1990. É dose pra elefante o tamanho da alienação que retirou o Amazonas do mapa da Reforma Psiquiátrica, da qual fomos pioneiros.
A melhor resposta veio de dois usuários de saúde mental. Um lembrou-se do fim trágico de um usuário que morreu carbonizado, e da contenção física que ele próprio sofreu num banco do Pronto Atendimento. Outro, do tratamento desrespeitoso de um médico plantonista que destratou sua mãe, que o acompanhava num dos atendimentos.
Depois da proposta de construção de casinhas para os internos do hospício dentro do próprio hospício, só faltava essa defesa da não violência do manicômio para coroar a indigência de alguns setores que se dizem reformistas. Neste caso, não precisamos de reforma, mas de uma revolução no ensino e nas práticas de saúde.

Enlace Zapatista

Enlace Zapatista

Documental, música, poesía, los días 5,7 y 8 de mayo en el Rincón Zapatista, DF

El Rincón Zapatista y Cybercafé Comandanta Ramona invitan Actividades político culturales Mayo A mano Amanece La lucha de los trabajadores y trabajadoras Miércoles 5, 18 [...]

Movilización en París en repudio al ataque paramilitar en Oaxaca y en solidaridad con la lucha en México

En Oaxaca, los asesinos al servicio del partido en el poder masacran una caravana de solidaridad en dirección de San Juan [...]

Denuncia la JBG de La Realidad que Calderón organiza nuevos desalojos en comunidades

CARACOL 1 MADRE DE LOS CARACOLES DEL MAR DE NUESTROS SUEÑOS La Junta de Buen Gobierno “Hacia La Esperanza” zona [...]

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"Outra campanha - para além das eleições"

Nota do blog: A cartilha da "Outra campanha - para além das eleições", mobilização de base realizada no DF, questiona a eficácia da luta eleitoral e procura fortalecer o "poder popular". Acesse Mídia Independente.

SUMÁRIO

1) Introdução.......................................pág. 3

2) Construir um Povo Forte
com Outra Campanha........................pág. 4

3) Democracia e estrutura
do poder no Brasil...............................pág. 5

4) Pautas gerais para o programa
de lutas da Outra Campanha.............pág. 7

5) Objetivos da Outra Campanha....pág. 15

6) Estrutura organizativa.................pág. 16

7) Etapas de mobilização..................pág. 17

8) Como participar............................pág. 18
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maio 02, 2010

Os limites da Reforma

Jornal Amazonas em Tempo
Os limites da Reforma

Mais de trinta grupos, gente de todo o país, discutiam propostas para fazer avançar a reforma psiquiátrica, no III Congresso Brasileiro de Saúde Mental, realizado em Brasília, em 2001. Num deles um homem caminhava de um lado para outro, no meio do salão. Falando alto, aqui e ali, interrompia os oradores, e invocava a figura do saudoso médico sanitarista David Capistrano Filho: “Se estivesse vivo, David diria: ‘chega de Reforma, o que precisamos é de uma Revolução’”.

O personagem era Antonio Lancetti, coordenador da coleção Saúde em Debate, da série Saúde & Loucura, cujo número 7 tem num dos artigos uma citação do autor destas mal traçadas.

A julgar pelo tratamento dispensado pelo Ministério da Saúde aos movimentos sociais, não precisava ser profeta para predizer o futuro. Há tempos vínhamos chamando atenção para os gargalos da reforma, o descompromisso dos gestores, a falta de formação adequada ao novo paradigma de atenção em saúde mental e o investimento desproporcional às necessidades de expansão dos serviços substitutivos ao manicômio.

Paga-se caro essa indiferença. O fato vem sendo explorado, à farta, pelos setores conservadores, interessados em esvaziar da Reforma Psiquiátrica brasileira a sua proposta mais revolucionária: o fim dos manicômios.

No Rio Grande do Sul parlamentares do DEM e do PSDB botaram as mangas de fora. Partiram para a modificação da primeira lei de saúde mental sancionada no país. Até agora não lograram êxito.

Em nenhum momento o Ministério da Saúde abriu diálogo com os movimentos sociais. Em se tratando do governo Lula, um pecado capital. O mesmo pecado que ao considerar a propriedade como algo sagrado, em detrimento da terra, atrasa a reforma agrária, omissão que contribuiu para as tragédias socioambientais que invadiram os noticiários do primeiro trimestre deste ano.

Houve um tempo em que as restrições políticas faziam dos líderes dos movimentos sociais hábeis agentes em combinar ação coletiva com participação institucional. Atualmente prevalece um pragmatismo conciliador, que ousou decretar o fim de ações politicamente conectadas aos movimentos sociais.

Nesse ciclo não revolucionário prevalece uma visão reformista voltada para a estratégia de cooptação para claques presumidas, que acaba comprometendo os quadros interpretativos da ação coletiva.

Desse modo a vaca caminha perigosamente para o brejo. Sem entendimentos e identidade compartilhada, estava na cara que o empresariado do setor, reprovado no teste de aptidão ao novo modelo de atenção em saúde mental surgido com a Reforma Psiquiátrica, auxiliado por um aparelho formador, que está mais por fora do que umbigo de vedete, iria deitar e rolar nesse mar de ambigüidades. O que não se esperava era a resposta dos usuários que marcharam a Brasília com o objetivo de retomar o eixo da Reforma Antimanicomial que queremos.

Vem aí a IV Conferência Nacional de Saúde Mental, uma conquista dos portadores de sofrimento psíquicos organizados, tendo à frente a Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial, e como parceiro o Conselho Federal de Psicologia. É hora de avançar mais.

Manaus, Abril de 2010.
Rogelio Casado, especialista em Saúde Mental
Pro-Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da UEA
www.rogeliocasado.blogspot.com

Nota do blog: Publicado, hoje, no caderno Sáude & Bem Estar, Jornal Amazonas em Tempo.

O Ato Médico (vixe!), na visão crítica de Paulinho José

Rogelio Casado e Paulinho José (filiados da RENILA)
Foto: Marcus Vinicius - Recife - PE, 2008
Nota do blog: Paulinho José é filiado da Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial, atualmente licenciado para concluir o curso de Comunicação. Filho das Minas Gerais, Paulinho é um dos miloitantes mais estimados no movimento por uma sociedade sem manicômios. Em 30 de setembro de 2009, ele esteve presente na Marcha dos Úsuários por uma Reforma Psiquiátrica Antimanicomial, em Brasília, sobretudo nas mesas de negociações com as autoridades da república, onde foi presença das mais importantes.

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Ato Médico ??

O que você precisa entender:

1. INTRODUÇÃO

Desde que o Brasil era colônia de Portugal, quando as famílias podiam enviar seus filhos para estudar na Europa, existia no imaginário popular, que a profissão de Médico poderia ser considerada superior a todas as outras profissões. Era uma questão cultural da época. Naquele momento da história, existiam poucas profissões de nível superior, eram elas: Médico, Farmacêutico, Advogado e Engenheiro. O médico que passava mais horas por dia na universidade e tinha que estudar por mais anos era considerado um semi-Deus e um Gênio Capaz de entender de tudo, até o que não tinha estudado.

Hoje os tempos são outros e os conselhos de medicina querem ressuscitar esta cultura, fora de época, por várias motivações diferentes, sendo que a principal é a questão de reserva de mercado.

Para se entender melhor esta questão, levantaremos vários pontos, de forma simples para que qualquer usuário do SUS (Sistema único de Saúde) e qualquer cidadão Brasileiro possam fazer suas escolhas e opinar de forma participativa sobre as decisões que farão o sistema de saúde brasileiro ser ou não ser mais eficiente, consciente e democrático.

Leia mais em Paulinho Legal - Comunicação Inteligente
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Comitê contra a Tortura da ONU reprova decisão do STF; TAQUIPRATI, também!

O IDD DO BRASIL É MAIS EMBAIXO
José Ribamar Bessa Freire
02/05/2010 - Diário do Amazonas


“Ninguém duvide – declamou o novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso – que todos aqui têm profunda aversão por atos de torturas ou sequestros”. Numa pirueta retórica, ele afirmou com palavras aquilo que acabara de negar com o voto. Parece aquela brincadeirinha infantil quando, contra todas as evidências, uma criança impõe sua “verdade” às demais, ameaçando: “Não duvida hein! Quem duvida, perde a vida, come casca de ferida”.

Corro o risco de abrir a ferida, mas duvido. Data vênia, eu du-vi-do. De-u-du-vê-i-vi-dê-o-dó macaxeira mocotó! Eu, os Gaviões da Fiel e toda a torcida do Flamengo. Caso essa aversão existisse, o STF não teria proibido, nessa quinta-feira, por sete votos a dois, que se investigue e se puna os criminosos que torturaram presos políticos no período da ditadura militar. Se a aversão existe, ou ela não é assim tão “profunda”, ou então foi maior o medo de manifestá-la através do voto.

O STF foi acionado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) que questiona a amplitude da Lei da Anistia por entender que ela não pode beneficiar quem é pago pelo Estado e, no exercício de suas funções, comete crimes hediondos como tortura, estupro, assassinato, ocultação de cadáver. Isso não é delito político, é bandidagem cometida à sombra do poder.

Esse foi também o entendimento dos ministros Ayres Brito e Ricardo Lewandowski. Os dois sim, com o voto, mostraram “profunda aversão” à tortura, mas foram vencidos. “Certos crimes são, pela sua natureza, absolutamente incompatíveis com a ideia de criminalidade política por convicção. Um crime político pressupõe um combate ilegal à estrutura jurídica do Estado. O torturador não é um ideólogo. Ele não comete nenhum crime político. É um monstro, um desnaturado, um tarado” – declarou Ayres Brito.

Na mesma linha de raciocínio, Lewandowski lembrou que a tortura é crime imprescritível segundo a Constituição de 1988 e de conformidade aos acordos internacionais assinados pelo Brasil que obrigam a punir violações aos direitos humanos. Portanto, agentes do Estado que tenham cometido atrocidades devem ser processados. “A análise sobre a motivação política ou não do crime caberia ao juiz ou ao tribunal encarregado do caso” – argumentou o ministro.

Casca de ferida

Dois ministros não votaram: Dias Toffoli, que se julgou impedido e Joaquim Barbosa, que está de licença médica. Do primeiro, nada esperemos. Quer mostrar serviço, já disse a que veio, rimaria e votaria com a maioria. O segundo, certamente, seria o terceiro voto contra a tortura. É por isso que muita gente no Brasil está rezando pela saúde do negão, reverenciado por todos nós por sua sensibilidade e senso de justiça.

Por que ministros íntegros, que manifestam retoricamente “profunda aversão” à tortura, votam contra o julgamento dos torturadores? Hic culum cotiae sibilare como nos ensina o direito romano. É aqui que o fiofó da cotia assovia, porque eles justificaram seu voto de forma estranha para leigos como eu e tu, leitor (a). Parece até um voto envergonhado. É melhor ouvi-los um pouco, através de trechos de suas declarações publicadas nos jornais:

Eros Gueiros, o relator, ele mesmo vítima das arbitrariedades: “A anistia não foi ampla, pois beneficiou torturadores, mas excluiu militantes que haviam sido condenados pelos tribunais militares. No entanto, esse foi o acordo possível à época. A lei da anistia não é uma regra para o futuro, dotada de abstração e generalidade. Há de ser interpretada a partir da realidade no momento em que foi conquistada”.

Carmen Lúcia: “A lei (da anistia) não é tão justa como poderia ter sido, pois beneficia torturadores. Nem sempre as leis são justas, embora elas sejam criadas para ser”.

Peluso: “Os crimes cometidos na ditadura já estão prescritos e, portanto, imunes a qualquer punição”.

Celso de Mello: “A Constituição de 1988 estabelece que tortura é crime imprescritível, mas a lei da anistia é anterior a esta data e, portanto, não poderia ser examinada sob essa ótica”.

Ellen Gracie: “Anistia significa esquecimento, desconsideração intencional e perdão a ofensas passadas. E, como instrumento de pacificação a anistia deve ser necessariamente mútua”.

Por fim, a pérola do ministro Marco Aurélio de Mello, o primo do Collor de Mello: “Anistia é ato abrangente de amor, sempre calcado na busca do convívio pacífico entre os cidadãos”. Sem comentários sobre esse sólido argumento jurídico, porque seu autor tem legitimidade para fazê-lo. De qualquer forma, foi assim que o STF determinou o arquivamento da tortura.

Tortura arquivada

A decisão do STF, no entanto, foi reprovada pelo Comitê contra a Tortura da ONU, formado por juristas de renome internacional, vindos de todo o mundo. A alta comissária da ONU para direitos humanos, Navi Pillay criticou: “Essa decisão é muito ruim. Não queremos impunidade e sempre lutaremos contra leis que proíbem investigações e punições”. Ela entende do riscado, porque foi ela que julgou os crimes de guerra da Ruanda no Tribunal da ONU.

Os juristas da ONU deploram que o Brasil esteja seguindo uma direção diferente ao que ocorre na Argentina, Uruguai, Colômbia, Peru e outros países latino-americanos, que decidiram investigar a tortura cometida durante as ditaduras militares. “Leis de anistia foram tradicionalmente formuladas por aqueles que cometeram crimes e se concederam um auto-perdão que o século XXI não pode mais aceitar” – afirmou o jurista Fernando Mariño, acrescentando: “O Brasil está ficando isolado”.

Dessa forma, o Brasil deixou de afirmar com clareza para si mesmo e para o mundo que é contra a tortura. Não é convincente afirmar que daqui pra frente somos contra a tortura, quando daqui pra trás deixamos os torturadores em paz. Não dá para aceitar a filosofia do quem-comeu-comeu: quem torturou, torturou, está perdoado, mas quem não torturou, não tortura mais.

O ministro da Defesa Nelson Jobim e o deputado Aldo Rebelo, que ultimamente têm se manifestado sempre contra os índios, os sem-terra, os fracos, elogiaram a decisão. “Mexer na anistia seria reabrir velhas feridas sem ganhar nada em troca”, declarou Jobim nesse sábado à Folha de São Paulo. Pois é, né, o que é que a gente ganha punindo os torturadores? Só incompreensão da extrema direita e da área militar. Não vale a pena.

A questão não é o que ganhamos, mas o que perdemos. A impunidade de ontem estimula os torturadores de hoje. Nos últimos quinze dias, só em São Paulo foram registrados quatro casos de tortura, um deles provocou a morte de um motoboy, um trabalhador, cuja bicicleta havia sido roubada. O torturado de outro caso está em estado grave: levou uma coronhada, que afundou seu crânio. Os três torturadores não foram identificados, porque “a PM não colabora”, segundo o delegado que investiga o crime.

A aversão à tortura como um crime hediondo não pode funcionar só após 1988. Ela tem que ser permanente. Isso exige uma condenação clara dos torturadores, justamente para impedir que ela continue sendo praticada no país. Foi o que aconteceu na Argentina, onde os torturadores estão em cana, inclusive Reynaldo Bignone, o último general-presidente, que está com 82 anos e na semana passada foi condenado a 25 anos de prisão. Os argentinos sabem, agora, que quem tortura é punido.

Ninguém quer que se fuzile ou se torture os torturadores. A gente só quer saber quem são eles, quer que sejam identificados e julgados, com amplo direito de defesa, evitando que os crimes que praticaram sejam sepultados no esquecimento. A gente quer que a sociedade brasileira combata a tortura, em vez de conviver pacificamente com ela, de relativizá-la ou de justificá-la.

Se a ONU inventasse um Índice de Desenvolvimento Desumano (IDD), da mesma forma que tem o Índice Desenvolvimento Humano (IDH) o Brasil certamente iria ocupar um dos últimos lugares, depois dessa decisão do STF. O IDD do Brasil está lá embaixo.

P.S. - ORA VEJA! QUEM AINDA ACREDITA NA VEJA? Reproduzo aqui a nota enviada pelo antropólogo Eduardo Viveiros de Castro

Ao Editores da revista Veja:

Na matéria "A farra da antropologia oportunista" (Veja ano 43 nº 18, de 05/05/2010), seus autores colocam em minha boca a seguinte afirmação: "Não basta dizer que é índio para se transformar em um deles. Só é índio quem nasce, cresce e vive num ambiente cultural original" . Gostaria de saber quando e a quem eu disse isso, uma vez que (1) nunca tive qualquer espécie de contato com os responsáveis pela matéria; (2) não pronunciei em qualquer ocasião, ou publiquei em qualquer veículo, reflexão tão grotesca, no conteúdo como na forma. Na verdade, a frase a mim mentirosamente atribuída contradiz o espírito de todas declarações que já tive ocasião de fazer sobre o tema. Assim sendo, cabe perguntar o que mais existiria de "montado" ou de simplesmente inventado na matéria. A qual, se me permitem a opinião, achei repugnante. Grato pela atenção,
Eduardo Viveiros de Castro

Fonte: TAQUIPRATI

é preciso amar uma cidade...

...ao ponto de fazê-la caber nos olhos

poesiasonora 30 de abril de 2010Curta-metragem experimental de Márcio-André que aborda a constante reposição humana e estrutural da cidade, sob perspectiva filosófica e poética.

Versão provisória com narração do autor (que será substituída).

Filmado inteiramente com uma câmera fotográfica sony cybershot

Cartaz desenhado por Pipol: http://www.marcioandre.com/img/cartaz...

http://www.marcioandre.com

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Cidade Resposta

TV Cronópios


Cidade Reposta é um curta-metragem experimental de Márcio-André. O filme aborda a constante reposição humana e estrutural das cidades, sob uma perspectiva filosófica e poética. Inspirado em seus próprios relatos sobre o fenômeno da pólis moderna, essa primeira incursão do poeta no audiovisual tem sua estreia aqui no Cronópios. Vale ressaltar que o filme foi inteiramente realizado pelo próprio autor com a câmera fotográfica Cybershot da Sony, uma das mais populares do mercado, recebendo tratamento de imagem na pós-produção.


Fonte: Portal Cronópios

Marcha da Maconha: contra a ignorância e a hipocrisia


otavioamcunha 1 de maio de 2010 — Vídeo com o discuso do ex-ministro de Meio Ambiente Minc, feito na marcha da maconha, realizado no Rio de Janeiro no dia 1 de maio de 2010. A rádio Legalize.com e a produtora INDIEWEB estiveram no evento. 

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Minc critica "guerra às drogas" em passeata no Rio de Janeiro

Fonte: UOL Notícias

 
Sérgio Pampolha/UOL
Centenas de pessoas participam da marcha da maconha em prol da legalização da droga 

Daniel Milazzo
Especial para UOL Notícias
No Rio de Janeiro 

O deputado estadual (PT-RJ) e ex-ministro do meio ambiente Carlos Minc criticou a "guerra às drogas, na tarde deste sábado, durante uma passeata pacífica em prol da legalização do consumo e cultivo da maconha.
A manifestação aconteceu na Avenida Vieira Souto, em Ipanema, Rio de Janeiro, e contou com 3.000 pessoas, segundo a organização do evento. A Polícia Militar estima 1.500.

Liderados por um carro de som e pelos trompetes e saxofones da banda Orquestra Verde, os participantes seguiram do Jardim de Alah até o Arpoador. “Eu sou maconheiro, com muito orgulho, com muito amor” foi um dos gritos mais repetidos pelo grupo. “Ei, polícia, a maconha é uma delícia” também foi ouvido diversas vezes na avenida.

“A política de drogas atual não é democrática, não é preventiva, não é eficiente", declarou Minc durante a marcha. "As pessoas não consomem menos drogas, os traficantes não estão menos poderosos”.
“A maconha pode ser legalizada e o consumo ser descriminalizado. São essas políticas que enfraquecem os traficantes”, completa o deputado.

Para o sociólogo Renato “Cinco” Athayde, um dos organizadores da passeata, a proibição do consumo e cultivo da maconha é uma política defasada. “Nós apoiamos a legalização, e não a liberação. São coisas diferentes. Legalização pressupõe regularização. É a descriminalização, com o objetivo de restabelecer o controle. Os recursos usados nesta guerra brutal contra o tráfico podem ser melhor aplicados, como na prevenção do vício, na redução de danos, do tratamento dos viciados”, argumenta.

A maioria dos participantes da marcha era adulta, mas alguns idosos e até crianças também estavam lá. “É a luta contra a ignorância. A maconha é uma planta como qualquer outra e a gente tem que tem o direito de fazer o que quiser com ela, desde que não cause mal a ninguém”, opina Felipe Viana enquanto caminhava com seu filho carregado no ombro.

Cerca de 40 policiais garantiram a segurança do evento, que transcorreu sem maiores incidentes. O único registro de ocorrência foi o flagrante de um jovem que pichava um banco no canteiro central. Ele foi retirado da passeata pela polícia e teve seu material apreendido.

maio 01, 2010

"A dança dos botos"

RogelioCasado 1 de maio de 2010 — O jornalista amazonense Orlando Farias lançou, no último dia do mês de abril de 2010, no Bar do Armando, o livro "A dança dos botos". Orlando é um arquivo vivo sobre as artes e manhas da política baré. Egresso do histórico PCB, Orlando Farias é um dos mais respeitados jornalistas do Amazonas.

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Nota do blog: Festa no Bar do Armando. Tendo como mestre de cerimônias o empresário Carlos Araújo, que retornou às pressas de uma viagem a Miami, Orlando Farias, jornalista, "biqueiro" (Banda da Bica), lançou, na noite de sexta-feira, dia 30 de abril, um livro imprescindível para quem quer conhecer um pouco da história de um grupo que domina a cena política, entre tapas e beijos, nos últimos 28 anos. Em "A dança dos botos", você vai conhecer os detalhes sórdidos da história das eleições no Amazonas. Veja no vídeo acima o nosso querido Orlandinho Farias dando o tom do livro em sua apresentação. Nunca vi ninguém fazer uma síntese tão bem acabada da história do voto no Amazonas. O livro encontra-se nas boas casas do ramo.

Nosso Coletivo

Veja no blog do Coletivo de Articulação em Defesa das Cotas a primeira e segunda edições do NOSSO JORNAL, que se destina à veiculação de artigos, matérias, poesias, reflexões e imagens referentes às relações raciais e de gênero no Brasil, especialmente sobre a questão da política de cotas para negros e negras nas universidadesbrasileiras.

Acesse http://nossocoletivonegro.blogspot.com/
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"Doe palavras"

Junte letras e doe palavras
Veja só que iniciativa fantástica!!!!

O Hospital Mário Penna em Belo Horizonte, que cuida de doentes de câncer, lançou um projeto sensacional que se chama "DOE PALAVRAS".

Fácil, rápido e todos podem doar um pouquinho.

Você acessa o site http://www.doepalavras.com.br/, escreve uma mensagem de otimismo, curta (como twitter) e sua mensagem aparece no telão para os pacientes que estão fazendo o tratamento.

Pessoal, é muito linda a reação de esperança dos pacientes.

Participem, não apenas hoje, mas, todos os dias, dêem um pouquinho das suas palavras e de seus pensamentos.
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Momento lúcido e menos direitista de Arnaldo Jabor


mcrost01 19 de dezembro de 2009Comentário de Arnaldo Jabor sobre a descriminalização da maconha. CBN, 25/8/2009.

http://cbn.globoradio.globo.com/comen


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Baseado em testes científicos

A GNT reprisou recentemente o documentário A verdade sobre a maconha, também chamada de erva do diabo. Conduzido por um psicólogo especialista em vícios, o programa discute verdades e mitos que envolvem a cannabis sativa. Além de alguns depoimentos de usuários, são também apresentadas várias pesquisas tanto sobre os seus efeitos relaxantes quanto sobre suas propriedades terapêuticas.
 
As novas investigações derrubam vários preconceitos a respeito de uma das drogas até agora menos compreendidas, embora das mais consumidas no mundo. Questões polêmicas são abordadas: provoca dependência? tem relação com a esquisofrenia? estimula a procura de outras drogas mais pesadas?
 
As respostas são esclarecedoras. A mencionada dependência é de caráter emocional e cultural e não químico. Os distúrbios esquisofrênicos foram observados em percentagem mínima, geralmente, entre jovens com menos de 15 anos. Não se pode afirmar, absolutamente, que incite o usuário a buscar drogas mais poderosas. E se não bastasse a demolição dos velhos mitos, as pesquisas avançam na descoberta dos seus elementos terapêuticos.
 
Assim se reforça a bandeira da descriminalização da maconha, iniciativa ainda tímida no Brasil, porém, fundamental para retirá-la do controle do tráfico e dos policiais sem escrúpulos. Bandeira já há muito tempo desfraldada por Gabeira e Carlos Minc, agora também agitada por Fernando Henrique Cardoso e que, infelizmente, outros setores das esquerdas, incluindo o PT, deixaram de lado. 
 
A prática de esquerda não pode ficar refém dos preconceitos e sucumbir ao discurso do desprazer capitalista, à pulsão de morte. Isso é coisa de norte-americanos estressados, puritanos e suicidas. E por falar nisso, reproduzo aqui o que Arnaldo Jabor, num dos seus momentos lúcidos e menos direitistas, disse sobre o assunto. A césar o que é de césar.
 
 
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Nota do blog: Resta saber se Jabor fará chamada para a Marcha da Maconha.
 
VÁ A MARCHA DA MACONHA 2010!

"É preciso tirar do armário as vozes libertárias, anti-proibicionistas. Elas precisam correr riscos mas têm de se pronunciar com desassombro e clareza" – Luiz Eduardo Soares em entrevista ao coletivo DAR – Desentorpecendo a razão. 


Começo fazendo algumas considerações básicas, mas que nem sempre são levadas em consideração quando o assunto é "drogas" (tabu):

1-      Todos usamos "drogas" (substâncias psicoativas) sejam elas lícitas ou ilícitas: álcool, tabaco, cafeína, psicofármacos (receitados pelos "doutores" ou não), chocolate, cocaína, heroína, crack, etc. 

2-      Algumas são mais e outras são menos danosas ao organismo, porém, o fato é que elas existem e é impossível acabar com elas ou com seu consumo. E, aproximadamente, 80 anos de proibição demonstram isso.

3-      O uso indevido de "drogas" é um problema cultural, de valores sociais e de saúde pública, educação. Não deve ser nunca uma questão criminal.

4-      Há milhares de mortes por ano relacionadas ao proibicionismo arbitrário das ditas "drogas".

5-      O Estado e seus agentes públicos gastam mais tempo e dinheiro no combate ao tráfico de substâncias tornadas ilícitas do que em saúde pública e educação.

6-      Muitas substâncias tornadas ilícitas, em especial, a cannabis, tem um potencial terapêutico imenso.  

Tendo em mente essas considerações, podemos afirmar categoricamente que defender a descriminalização das drogas ou sua legalização não significa que se esteja elogiando as drogas, estimulando seu consumo ou admitindo que se consome. Muito pelo contrário, defender a legalização das "drogas" é ser racional e pragmático.
É necessário repudiar a excessiva intervenção estatal nas decisões estritamente privadas dos cidadãos, quando elas não prejudicam de forma alguma a vida da comunidade. O Direito Penal, mergulhado em seu próprio narcisismo de querer ser a solução para todos os problemas do mundo, justifica a proibição das "drogas", afirmando tutelar o bem jurídico da "saúde pública"! 

Paro o inferno com os bens jurídicos e a saúde pública! Às favas com uma retórica jurídica que esconde uma realidade macabra e perversa: a criminalização da pobreza, o controle social exercido pelo poder de polícia do Estado para manter o "status quo", o interesse de grupos oligárquicos que lucram milhões com o proibicionismo das "drogas". Sim, muitos lucram com a proibição e não têm interesse nenhum em acabar com ela.

a) Empresas de segurança privada, que lucram com o medo e a insegurança generalizados típicos de um Estado Penal. Afinal, são os dois elementos que fundam esse tipo de Estado.    

b) Delegacias especializadas no combate ao narcotráfico e todos os agentes de repressão a serviço do Estado.

c) Clínicas de tratamento, com suas diárias caríssimas e sua eficiência pífia, que, além de serem prisões disfarçadas de "spas", recebem verbas públicas para aumentarem seus leitos e retirarem o entulho social das ruas, escondendo-os em manicômios ou qualquer outra instituição total do gênero.  

d) Os "empresários morais" que vendem fácil o seu discurso moralista nos meios de comunicação. Aqui incluso todo o tipo de moralista, que prega a sua moral da história, sendo a parte mais visível desse grupo aqueles ligados às Igrejas cristãs e à mídia oligárquica.  

e) E claro os traficantes de verdade, que não moram em comunidades pobres, mas em apartamentos-1-por-andar em Copacabana.

E o cidadão, como sempre, perde. Pois como bem lembrado por Marcelo Mayora (link: http://tunelnofimdaluz.blogspot.com/2009/12/ai-ai-ai-ai.html):

"A proibição não elimina os usos de drogas. Entretanto, gera certos tipos de efeitos, transforma-os. Os principais efeitos que decorrem da proibição, do ponto de vista dos usos, são a desinformação e a glamourização. Ambos, ao seu modo, são derivados do tabu que paira sobre o tema, de uma espécie de bloqueio lingüístico, das dificuldades de se falar abertamente sobre o assunto."

Logo, devemos repudiar a hipocrisia que libera (incentiva) o cigarro e o álcool e proíbe a maconha. Assim como não devemos aceitar que um adolescente pobre e negro, de 18 anos, seja declarado criminoso e enjaulado porque vendeu maconha a outro, da mesma idade, mas de outra classe social e outra cor de pele, paternalisticamente definido como vítima: o consumidor.

Em conseqüência, a imagem usual do vendedor de drogas como alguém mal, cruel e violento, não passa de uma construção social estigmatizante que costuma ser aplicada de modo generalizante e que funciona como instrumento de reprodução de preconceitos e desigualdades sociais. Raros são aqueles que agem em conformidade com a descrição que identifica o sujeito com a monstruosidade inumana. Em sua maioria, na verdade, são garotos pobres que foram pegos com quantidades ínfimas de drogas e estavam desarmados. Ou seja, são presos políticos! Presos por causa de uma política inadequada.  

Do mesmo modo, raros são aqueles usuários de "drogas" que agem e se parecem em conformidade com a descrição que a mídia, e por conseqüência, a sociedade faz deles. Vide a campanha "crack, nem pensar!" do Partido RBS, na qual modelos maquiados fazendo caras e bocas na sarjeta moldam o (in)cosciente coletivo, fazendo-nos associar "drogas" com sujeira, VIOLÊNCIA, depravação, imoralidade. Pede-se, assim, que a sociedade clame por mais repressão, legitimando as políticas proibicionistas - repressivas.

Como diz Luiz Eduardo Soares em sua entrevista, "a verdadeira questão sempre mascarada é a seguinte: como não está ao nosso alcance impedir o acesso às substâncias que chamamos "drogas", temos de nos perguntar: em que contexto jurídico-político seria preferível vivenciar esta iniludível realidade? Dizendo-o de outro modo: em que contexto normativo seria menos mau lidar com a realidade do acesso às drogas? O contexto atual, em que drogas são problema de polícia e cadeia, isto é, de política criminal? Ou um contexto diferente em que elas fossem objeto de saúde pública e educação? Eu aposto no segundo caminho. Ele não vai evitar o abuso, mas pelo menos não vai provocar outros males. Das drogas e de seus efeitos destrutivos nós nunca nos livraremos, mas poderemos aprender a conviver melhor com elas, a ponto, inclusive, de reduzir o sofrimento humano que seu abuso provoca."

Por isso, convoco todos os cidadãos a participarem de um dos maiores eventos contraculturais da cidade de Porto Alegre, a Marcha da Maconha 2010! Se você não é um daqueles que ganha com a proibição das "drogas", e sim um daqueles muitos que apenas perde com a atual política moralista, alienígena (foi "importada" dos EUA), ineficaz e proibicionista das "drogas", venha marchar e debater essa questão tão importante para um País que se julga democrático.

Afinal, O QUE NÃO PODE SER DEBATIDO EM UMA DEMOCRACIA?

Para acabar com a violência diária retratada nos meios de comunicação e buscar uma solução sensata e eficaz ao abuso de substâncias ilícitas, ao invés de cair no discurso maniqueísta vendido barato nos jornais populares e ficar colando adesivos no carro: "crack, não vou pensar no assunto!" É preciso ir para às ruas e gritar: chega de morte, chega de prisão, queremos já a legalização!!!

 Cidadão demonstre a sua contrariedade com a atual política de drogas. Vá a marcha! Sua presença é muito importante, quanto mais pessoas forem, mais próximo da mudança estaremos! Venha lutar pelo direito de questionar a atual política de drogas do nosso país!

A Marcha é um movimento social de reivindicação de direitos, inclusive, o de livre expressão! Abra a cabeça!

Rizoma Princípio Ativo
Por uma nova política de drogas

 

Projeto de Lei Ficha Limpa: luto e advertência


1 MINUTO DE SILÊNCIO!
Não é pelas mortes causadas pelas chuvas,
mas sim para o povo brasileiro.

Ontem os deputados federais
  não votaram
o projeto de lei FICHA LIMPA.



Para quem não sabe, ontem foi rejeitada a votação, na Ordem do Dia
da Câmara Federal, o Projeto de Lei FICHA LIMPA,
que impede a candidatura a qualquer cargo eletivo,
de pessoas condenadas em primeira ou única instância
ou por meio de denúncia recebida em tribunal
– no caso de políticos com foro privilegiado –
em virtude de crimes graves como:
racismo, homicídio, estupro, tráfico de drogas
e desvio de verbas públicas.
***

ADVERTÊNCIA:
Um importante redutor de danos faz a seguinte advertência:
   
         [...] Eu já havia comentado [...] que este projeto tinha problemas. Claro que tem muito deputado [...] que está bastante aliviado quanto à não aprovação do projeto Ficha Limpa. Mas em um país em que as leis de drogas seguem sendo medievais, em que a polícia e o judiciário de alguns estados estão no bolso das elites, eu acho complicado que se detone a vida de alguém por causa de sua ficha policial.
          Sempre lembrando que a lei brasileira não possui dispositivos que permitam diferenciar "traficante" de "usuário". Quem faz a diferença, de modo muitas vezes arbitrário e subjetivo, é o juiz. Sem qualquer tipo de diretriz mais clara... Na maior parte das vezes, o que diferencia "traficante" de "usuário" é a cor da pele e o local de moradia. Se esta lei fosse aprovada, estaríamos fechando as portas para que algum destes jovens presos sob a acusação de "traficantes" possa, quem sabe, um dia, chegar à condição de deputado (ver a pesquisa de Luciana Boiteux, sobre o perfil das pessoas presas por tráfico no Brasil).

***
Nota do blog: A advertência está feita. Conto o milagre, mas não o nome do santo, por razões óbvias.
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Greve, luta de classes e sindicalismo


JornalDEZMinutos 30 de abril de 2010 — Durante a paralisação do sistema de ransporte coletivo, que teve início na tarde desta sexta-feira, dia 30 de abril, a confusão foi grande. Nesta linha, um passageiro agrediu o cobrador e o motorista do veículo porque eles não devolveram o dinheiro da passagem.

***

Nota do blog: População se revolta com o erro de estratégia da greve dos rodoviários. Ao invés de liberaram a catraca, o que se viu foi a cobrança da passagem de ônibus. Resumo da ópera: as demais categorias de trabalhadores viram seu suado dinheirinho ir direto para os cofres das empresas de transporte. As classes trabalhadoras têm razão em reclamar desse sindicalismo que beneficia o patronato. Foi-se o tempo em que os sindicatos tinham pleno domínio sobre o conceito de luta de classes.