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novembro 27, 2010

Violência, mídia e repressão: reflexões sobre o Rio e o Brasil

PICICA: "Não se adjetiva o ser humano antes de dar-lhe direitos. Isso foi feito no nazismo e no Apartheid. (...). Quem adjetiva as pessoas antes de reconhecer-lhes a humanidade deveria sentir o peso da vergonha da História." Leia, também, "Três propostas para o "caos" do Rio de Janeiro", de Bruno Cava. E mais: "A posição do Observatório das Favelas".

Bandido bom é bandido morto? Reflexão sobre o Rio e o Brasil

Brasil - Repressom e direitos humanos
Sábado, 27 Novembro 2010 01:00
271110_favelas_rio_muro_copa Bule Voador - [Asa Heuser, Eli Vieira e Pedro Almeida] Conta a anedota que Philip Sheridan, o Little Phil, general do exército dos Estados Unidos durante a guerra civil, travava uma campanha militar contra os índios, quando o Chefe Tosawi, conhecido como Faca de Prata, teria dito: “Mim Tosawi. Mim índio bom”.

Little Phil teria replicado: “Os únicos índios bons que já vi estavam mortos”. A fofoca transformou a frase em “O único índio bom é um índio morto”, e na forma mais lacônica “índio bom: índio morto”. O general mais tarde negou que tinha feito essa afirmação, mas a frase entrou para a história.

A campanha expansionista estadunidense varreu do mapa a maior parte dos índios, e, como a história é escrita pelos vencedores, esses índios nem tiveram a chance de protestar contra algo simples: receberem o nome de “índios”, para começar. “Índio” não é um termo que expresse de forma justa a miríade de culturas e povos que perderam milhões com a ocupação das Américas.

São muitas as manchetes desta semana comentando como os “bandidos” estão morrendo nas mãos das forças armadas no Rio de Janeiro, na ocupação de pontos de tráfico de drogas em comunidades de menor poder aquisitivo. As centenas de histórias de vida que culminaram na “bandidagem” estão recebendo tratamento justo com o termo? “Bandido” é a causa ou o agente da violência?

As manchetes mostram diversos veículos incendiados, o Exército cercando o Complexo do Alemão e a Vila Cruzeiro, uma idosa baleada, uma criança de dois anos baleada, e dezenas de mortos que já se empilham em poucos dias.

“Bandido bom é bandido morto”, e quase ninguém quer se dar ao trabalho de pensar melhor o que significa ser bandido, por que alguém vira bandido, e se a única forma de se tratar esta patologia social seria o extermínio dos “bandidos”. Copiamos os americanos não só na forma preguiçosa como viam o conceito de “índio”, mas também na irracionalidade de uma política antidrogas que criou Al Capone.

Também copiamos as declarações pueris da direita americana contra os ativistas dos direitos humanos: são amantes de “bandido”, e, como disse Robinson Pereira num artigo publicado antes aqui no Bule Voador, os ativistas não entendem de “estresse de combate”. O que podemos concluir é que Robinson e outras pessoas não entenderam o filme Tropa de Elite 2. A amizade que nasce entre um ativista e um chefe do BOPE neste filme tem uma mensagem valiosa, que é a da cooperação entre pessoas que desejam o fim do horror de ver vidas ceifadas por fatores evitáveis.

Que o Exército e a Marinha precisem ser invocados é motivo de lamentação. Nossos soldados, treinados para a guerra (e mais ainda para a paz), altamente qualificados – vários deles com experiência no Haiti, não devem se sentir bem tendo de combater compatriotas – ainda mais quando a ideia da pátria sempre foi a flor da caserna. O que há com a polícia do Rio para que este tipo de intervenção seja necessária? Deveríamos começar a acreditar que os filmes de Padilha não são obras de ficção? Usar soldados do exército é usar pessoas altamente qualificadas para fazer o serviço errado – o serviço da polícia.

Colocar a maior máquina de guerra da América Latina nas ruas do Rio é um atestado de falência da polícia e do governo. E não só desses. Muito se comenta como o tal do “bandido” quer ganhar dinheiro e poder. Mas quem está promovendo dinheiro e poder como metas máximas na vida não são os bandidos.

“Bandidagem” é também a falta de perspectiva, e bandidos são órfãos do governo. Como o governo não cumpre o seu papel, e não dá condições dignas de vida, como ensino de qualidade, atendimento de saúde, garantia de emprego e outros direitos constitucionais, as pessoas se sentem sem chão e sem nenhum compromisso com o resto da sociedade. Daí vem o vandalismo, e a criminalidade, e os ditos “bandidos” se sentem com razão ao cometer crimes.

Na base de uma sociedade doente estão coisas simples como a falta de acesso a métodos eficientes de limitação de filhos (e a influência de certas instituições sociais que desaprovam o planejamento familiar – precisamos dizer quais?), falta de acesso a um estudo realmente qualificante (elevar as profissões e não os diplomas!), professores bem preparados, bem pagos e motivados – não é segredo para ninguém a relação entre falta de recursos sociais e chance de recorrer à violência.

Sem a garantia de uma vida e um futuro seguros, as pessoas se comportam como em uma guerra, num carpe diem dos caídos: “aproveite hoje, porque não se sabe se vai estar vivo amanhã”.

Neste momento de crise é necessária uma intervenção, mas nunca dentro do espírito de que os bandidos não são gente e não merecem viver. Quem diz o contrário joga no lixo nossa Constituição e as declarações de direitos que nosso país soberano assinou. Crises servem para detectar onde erramos e que precauções devemos tomar para evitar a repetição do erro.

Direitos humanos apenas para humanos direitos? E por acaso podemos chamar de “humanos direitos” aqueles que permitem que seus iguais caiam no desespero do crime por estarem em condições piores que os horrores das obras de Albert Camus? Não se adjetiva o ser humano antes de dar-lhe direitos. Isso foi feito no nazismo e no Apartheid. Não é “direitos humanos para humanos direitos”, assim como não é “direitos humanos para humanos arianos” e muito menos “direitos humanos para humanos brancos”. Quem adjetiva as pessoas antes de reconhecer-lhes a humanidade deveria sentir o peso da vergonha da História.

Está TUDO errado, desde o sistema penitenciário, polícia mal paga, etc. Mais errado ainda é que pessoas estejam morrendo não porque aumentou a preocupação com a venda de drogas, mas porque grandes interesses econômicos estão de olho na Copa de 2014 e nas Olimpíadas de 2016, um rolo compressor que não se importa em esmagar seres humanos para pavimentar o Rio em direção ao deleite lucrativo de poucos.
Que a cidade maravilhosa um dia possa dizer que é maravilhosa porque garante a todos a maravilha de uma vida digna.

Foto: Hayez (1867) - A destruição do templo de Jerusalém

novembro 26, 2010

Carlos Latuff e a operação militar vista pela classe média e pelo morador de favela do Rio de Janeiro

PICICA: Seria a imagem abaixo a que o José Padilha se referiu num programa da Globo News ("uma imagem vale mais que muitas teses de sociologia")? A Rede Globo usa descaradamente o espírito do filme de Padilha - "Tropa de Elite" - para justificar a "guerra" contra o tráfico no Rio de Janeiro. Na guerra pelo mercado, Padilha tirou sua casquinha. É de lei!... Lei de mercado.
PICICA: Via twitter - "O q temos no Rio hoje é uma versão real do "Tropa de Elite", onde os figurantes moram na favela e morrem DE VERDADE!" (Carlos Latuff).

novembro 14, 2010

Ontem foi o Dia Mundial da Gentileza

PICICA: Para os mais jovens que não conheceram o Profeta Gentileza, recomendo o vídeo feito por Sebastião Cruz sobre esse personagem tão singular da cultura carioca. Nascido no interior de S. Paulo, ele se notabilizou por pregar, no Rio de Janeiro, a gentileza como forma de vida. É proprio da cultura dos nossos tempos nomear essas pessoas como "loucos". O profeta superou o estigma decorrente do poder médico-psiquiátrico que rotulava e encarcerava comportamentos socialmente inaceitáveis, assumiu sua "diferença" e cativou parte da opinião pública com seu gesto de amor. Aos que o chamavam de louco, costumava responder de forma desconcertante: "Louco pra te amar; louco pra te salvar". Nos regimes ditos democráticos diferenças como a do Profeta Gentileza passaram a ser toleradas, reduzindo o peso do estigma. É pouco. É preciso ouvir e dialogar com elas. 29 de maio é o dia que se comemora no Brasil a gentileza como forma de vida, ins-pirada nos ensinamentos do Profeta. Leia mais sobre a comemoração do Dia Mundia da Gentileza, em A Tarde On Line.
Imagem postada em reporternet.jor.br

novembro 03, 2010

Rio de Janeiro lança campanha contra abuso de crianças

PICICA: A dica é de Dan Jung, via twitter. 
fasalis1 | 19 de outubro de 2010
Launching for the SESI campaign against child abuse in Rio, Oct 2010, content creation and direction by Fernando Salis, visual soluction by Visualfarm and creation and idea for the campaign by Casanova Comunicação. Eight 15.000 AL projectors cover the statue of Christ the Redeemer with images of the city of Rio de Janeiro and 3D animation leading to the "biggest hug in the world". Music by Villa Lobos, Bachianas Brasileiras no. 7. Contact Fernando Salis: fasalis@uol.com.br

outubro 14, 2010

Alexandre Teixeira dunúncia "central de boatos" no Rio de Janeiro


Nota do blog: Reproduzo aqui mensagem de Alexandre Cesar Costa Teixeira sobre denúncia de uma central de boatos contra a candidatura Dilma Rousseff na praça do Rio de Janeiro.  Ele fez um apelo na NOVA E, que você pode ler no post anterior. Alguém já viu eleição com Serra sem dossiês, centrais de boatos e outros expedientes de baixo nível? Leia, também, "As origens dos ataques políticos", do Luís Nassif.

Caro Rogelio Casado, esta é a íntegra da mensagem que enviei ao PHA:
fiquei, a princípio achando que se tratava apenas de um "pequeno entreveiro" entre pessoas que estão em lados opostos neste momento eleitoral.
 
Mas percebendo que os conteúdos do materiais está recheado de puro ÓDIO e com "orientações" de como disseminar textos pré produzidos e de forma bem "organizada", eu me dei ao trabalho de pesquisar.
 
E descobri o que segue:

A empresa Escala Eventos é uma promotora de eventos, com sede no Rio de Janeiro, trabalha na criação, promoção e execução de eventos, shows, feiras, congressos e projetos especiais para diversos segmentos do mercado.
ESCALA EVENTOS
Av. Evandro Lins e Silva, 840, Gr. 804 - Barra da Tijuca - Rio de Janeiro (RJ)
Fone: 21  3799-0300   Fax: 21   3799-0310
http://www.escalaeventos.com.br/ 
escalaeventos@escalaeventos.com.br

José Baptista de Oliveira
Escala Eventos – Diretor
Grupo Foco – Diretor  http://www.grupofoco.com.br/pessoas.php

Av. Evandro Lins e Silva, 840/8° andar – Barra  – Rio – RJ – Cep  22631.470 –
Tel (021) 3799.0300/9988.4520 –
 jboliveira@escalaeventos.com.br

 jboliveira@grupofoco.com.br  
O sr. José Baptista de Oliveira utilizou seu e-mail empresarial [mailto:  jboliveira@expofood.org]  e foi a partir desta informação, a princípio que cheguei às suas relações com as duas empresas, a ESCALA EVENTOS e o GRUPO FOCO.

Em rápida pesquisa na internet observa-se que estas duas empresas tem relações comerciais com grandes conglomerados PODEROSOS em nosso país, a saber dentre outros: CAMARGO CORRÊA, OAS (no Grupo Foco) e empresas do ramo de alimentação e UNIBANCO na Escala Eventos.

Liguei no dia de hoje, 13/10/10, por volta das 15:00 horas por duas vezes ao sr. José Baptista de Oliveira, no fone 21 3799-00300 (da empresa ESCALA EVENTOS) e nas duas ocasiões, após me identificar com nome completo e dizer que ele havia enviado "democraticamente" e-mails .... ELE DELIBERADAMENTE DESLIGOU O TELEFONE .... !!!!

MUITO ESTRANHO...!!! para dizer o mínimo.

Já contactei alguns editores de blog's (como a NovaE, na pessoa do sr. Manoel Fernandes Neto) que levou um susto com o que lhe relatei ..., portanto restou-me recorrer a vocês como último bastião de liberdade de expressão INDEPENDENTE.

Caro PHA,
 
se os tais 4 milhões foram disponibilizados p/ este José Baptista de Oliveira, contratar EQUIPE PROFISSIONAL, se ele recebeu de poderosas empresas, por vias "transversas" antecipações para se organizar e estar agora atuando da forma que atua, ou ainda se ele "apenas está utilizando da estrutura de que dispõe" para fazer o que está fazendo, eu não sei afirmar por não ter elementos firmes em mãos para tanto. De qualquer forma essa conduta é TOTALMENTE VEDADA POR LEI !!!!!!!!  Mas uma coisa posso lhe garantir, "NESSE MATO TEM COELHO" ... !!!
 

E "COELHO" dos grandes ... !!!
 

Quem tem estrutura para enviar 100.000 e-mails por dia ... ???
 

A empresa é especialista em telemarketing entre outras atividades correlatas ( a ESCALA EVENTOS) e a outra é especialista em mão-de-obra (o GRUPO FOCO) E O sr. José Baptista de Oliveira atua nas duas concomitantemente.
 

Vai ser "coincidência" assim lá em ...... !!!! (só o PHA pode concluir a frase).
 

ACABO DE CONSEGUIR COM O PESSOAL DA NovaE que eles publicassem pelo menos a "levantada de bola" e que está em:

http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=605  com título MANIFESTO SOBRE A ELEIÇÃO E SEUS DESDOBRAMENTOS e com texto abaixo de desenho da DILMA com quimono que diz: Mensagens apócrifas, ódio disseminado, democracia a prova.  A importância da defesa do Estado de Direito. Leia e comente

e o link para a matéria propriamente dita é:
http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=1663 

Obs.: tenho alguns amigos que já estão também se "aprofundando" neste tema para tentar "descortinar" e DESMASCARAR este empresário José Baptista de Oliveira que por sinal é tão ARROGANTE quanto o Paulo Preto.
Vou continuar com minhas "investigações".
===================
msg do sr. José Baptista de Oliveira enviada a um amigo empresário que me passou as informações:
De: Jose Baptista de Oliveira [mailto:  jboliveira@expofood.org]
Enviada em: quarta-feira, 13 de outubro de 2010 13:20
Para: Jose Baptista de Oliveira
Assunto: Vamos continuar nosso trabalho de formiguinha... Serra nesses fdp!

Amigos e amigas:
Só a minha equipe mandou mais de 100.000 e-mails hoje, como esse que lhes mando agora.
Não esqueçam da meta até as eleições de 200.000 e-mails por dia para cada uma de nós.
Vamos mostrar para o LULA – o Ali Babá – que existem sim formadores de opinião em nosso país, já que boa parte dos jornalistas são pessoas comprometidas com essa corja e com a quadrilha do Zé Dirceu, que tomaram o país de assalto.
Não desanimem nunca!!!
Vamos derrotar esses corruptos do PT.
Um grande abraço,

José Baptista de Oliveira
Escala Eventos – Diretor
Grupo Foco – Diretor  http://www.grupofoco.com.br/pessoas.php
Av. Evandro Lins e Silva, 840/8° andar – Barra  – Rio – RJ – Cep  22631.470 –
Tel (021) 3799.0300/9988.4520 –

Outra mensagem do tal sr. José Baptista de Oliveira ao meu amigo Jorge Olmar:

Jorginho, viadinho:

Eu vou encontrar você, reacionário de merda!
Seu filho da Dilma! Quer dizer: - Seu filho da puta!
Você tem meus endereços e telefones. Liga pra mim e facilita isso.
De qualquer forma vou achá-lo daqui a pouco na internet .....
Ou ainda pela Firjan ou Fecomércio.
Vamos ver se na minha frente você repete isso, seu merda!              

José Baptista de Oliveira
Escala Eventos – Diretor
Grupo Foco – Diretor
Av. Evandro Lins e Silva, 840/8° andar – Barra  – Rio – RJ – Cep  22631.470 –
Tel (021) 3799.0300/9988.4520

Obs.: retirei apenas os dados de meu amigo empresário p/ poupá-lo, mas ele está disponível para qualquer confronte que se faça necessário.

Abs
 
Alexandre Cesar Costa Teixeira

setembro 21, 2010

“Blogosfera: A imprensa alternativa do século 21?”

Blogueiros do Rio protestam contra mídia

A blogosfera progressista do Rio de Janeiro vai se manifestar amanhã pela democracia e contra o golpismo da velha mídia, que tenta interferir na vontade popular de eleger Dilma Rousseff no próximo dia 3 de outubro.

O Centro Cultural Banco do Brasil vai promover o debate “Blogosfera: A imprensa alternativa do século 21?”, Mauro Santayana, colunista do Jornal do Brasil, e Luiz Carlos Azenha, do blog Vi o Mundo,vão discutir o papel da internet nas comunicações, a partir das 18 horas. Vou ver se consigo me desvencilhar de alguns compromissos de campanha e dar uma passada lá.

Mas temos de chegar antes, porque a galera está combinando de se encontrar a partir das 17 horas na fila de senhas para o debate, porque às, 17h45 será feito um ato na calçada em frente ao CCBB contra a mídia golpista e em defesa da democracia.

Quem puder ir, além de ver dois craques da comunicação, vai poder ajudar a defender a liberdade de informação no país.

Fonte: Tijolaço

setembro 18, 2010

"No alto da rua"

Coreografia de Mario Nascimento
Espetáculo do coreógrafo Mário Nascimento faz apresentações nos dias 23, 24 e 25 de setembro


O espetáculo “No alto da rua”, coreografia do premiadíssimo Mário Nascimento, com interpretação dos bailarinos do Grupo Impacto (Viçosa/MG), que cumpre curtíssima temporada no Centro Coreográfico do RJ - Teatro Angel Vianna, mistura dança de rua, hip-hop e dança contemporânea. Ao som de Metallica e Racionais, os bailarinos contam uma história de superação que se confunde com a própria história do grupo: "Oito homens sobem as ruas íngrimes à procura de suas identidades. Unem-se num pacto de verdade, sem meias palavras. Ou você vai ou você fica. Neste mundo conturbado, só existe uma chance: Sobreviver!" As apresentações acontecem somente nos dias 23, 24 e 25 de setembro, às 19:30h.


O Grupo Impacto

A história do Grupo Impacto começou quando um grupo de meninos da antiga Funabem - a Fundação de Bem-estar do Menor em Viçosa, interior de Minas Gerais - ganhou a chance de participar de um projeto de resgate da cidadania e da auto-estima por meio da arte. Os meninos, considerados difíceis e rebeldes, começaram então a freqüentar o Centro Experimental de Artes da Prefeitura de Viçosa - um projeto de inclusão social que virou referência de sucesso em todo o Brasil. Lá, aprenderam ou se aperfeiçoaram em street dance e aprenderam lições de convivência, disciplina para a arte e cidadania. O grupo saiu da marginalidade, ganhou confiança, apoio, começou apresentar-se em pequenos shows, saiu e passou a ser respeitado como artistas e bailarinos da Dança de Rua. Hoje, quase uma década depois, estes “meninos difíceis” se profissionalizaram e ganham a vida como bailarinos e professores de dança. 

Desde a profissionalização, promovida com o apoio do Instituto Asas, ligado ao Núcleo de Arte e Dança de Viçosa e da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais, o Grupo Impacto participou de respeitados festivais de dança, conquistando prêmios importantes como Prêmio Cena Minas, dado pela Secretaria de Estado da Cultura de MG, em 2009. 

Para Patrícia Lima, a diretora do grupo e responsável pelo projeto, o Impacto impressiona pela garra e vontade de dedicar-se à dança. “Os meninos têm entre 16 e 25 anos e são muito empenhados e dedicados a este projeto de profissionalização. Os bailarinos do projeto de profissionalização já estão atuando como monitores e professores multiplicando as oportunidades de resgate da cidadania para outros alunos de outros projetos sociais”.

Atualmente, o Grupo conta com 10 bailarinos. Neste espetáculo contam com o apoio de Mário Nascimento, um dos maiores coreógrafos de dança contemporânea da atualidade. Encantado com o talento para a dança e a aptidão coreográfica dos bailarinos, Mário Nascimento enfrentou o desafio de atuar como diretor artístico do Grupo Impacto, misturando elementos das danças de rua e contemporânea. A mistura respeita as experiências do famoso coreógrafo e a vivência dos bailarinos nos movimentos da dança de rua.

O resultado é uma nova linguagem para a dança e um espetáculo surpreendente. Ao som de Metállica e Racionais, o espetáculo “No alto da rua” conta a história de superação do próprio grupo com profissionalismo e uma profusão de movimentos que tem lotado platéias na turnê por cidades mineiras.


FICHA TÉCNICA

Direção Coreográfica: Mário Nascimento
Direção Geral: Patrícia Lima.
Bailarinos: Adriano Ramos, Alex Luiz, Cleison Lana, Jean Carlos, Luiz Felipe Gomes, Rafael Gregório, Rodrigo Abranches e Welligton Silva
Produção e Assistência de direção: Ana Carol Camargo
Assessoria de Marketing: Rita Márcia Costa

SERVIÇO

Teatro Angel Vianna – Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro. Rua José Higino 115, Tijuca - Tel.: 2238-2183 (bilheteria de 5ª a domingo das 15h às 21h). Capacidade de público: 155 lugares (acesso facilitado para cadeirantes)
Temporada: 23, 24 e 25 de setembro (únicas apresentações)
Horário: 5ª a sábado às 19:30h
Ingresso: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)
Duração: 60 minutos
Classificação: 12 anos

ATENDIMENTO À IMPRENSA

assessoria de imprensa Ney Motta
arteContemporânea comunicação
21 2539-2873 e 8718-1965
neymotta@terra.com.br

setembro 09, 2010

Rio de Janeiro faz Audiência Pública sobre o tema Saúde Mental

Nota do blog: Enquanto o Rio de Janeiro se mobiliza no período eleitoral, de modo a estabelecer um cronograma de ações para o aprimoramento do tratamento em saúde mental, através de uma Audiência Pública (não se iludam com a suposta neutralidade deste espaço; o recado é para a autoridade constituída), no Amazonas o setor se finge de morto. Ou quase isso, já que tem gente trabalhando pela manutenção do velho hospício, na contra-mão da história. Ora, o governo já sinalizou com a substituição do manicômio por um hospital geral, com leitos psiquiátricos, conforme determina a lei. Ou seja, o fim do hospício está próximo. Já vai tarde. Bem que o Estado poderia aproveitar a demolição do estádio de futebol e, junto com ele, por abaixo o hospício de Manaus, para dar lugar a um novo tempo. Viva a Copa do Mundo! Em quatro anos, esse evento futebolístico fará mais do que em uma década se fez no Amazonas no setor de Saúde Mental! Aproveite e leia texto postado na Radis  - Comunicacão em Saúde sobre os caminhos que estão sendo trilhados pela saúde mental no país. Acesse: Congresso e conferência propõem agenda que reforça a importância do cuidado integral fora dos manicômios e recomendam ampliação dos serviços substitutivos.


***

A Promotoria de Tutela Coletiva da Saúde da Capital realizará Audiência Pública sobre o tema SAÚDE MENTAL no dia 14 de setembro de 2010, 3ª-feira, a partir  das 12h30, no auditório do Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro, localizado na Avenida Marechal Câmara, nº 370/9º andar, nos seguintes termos:
 
Objetivo: Aprimoramento do atendimento de saúde mental, com abertura de espaço interinstitucional independente e politicamente neutro, para apresentação de cronogramas de ação pelos Gestores, bem como para circulação de informações, propostas objetivas e contribuições científicas entre as Universidades, Centros de Produção de Conhecimento Científico, Secretarias de Saúde do Estado e do Município, Conselhos de Saúde, Autoridades Públicas, Associações de Usuários e Familiares, e demais Entidades da Sociedade Civil vinculadas à defesa do direito à saúde.
 
Tópicos para os trabalhos da audiência pública: Aprimoramento do atendimento na área de saúde mental contemplando: 


1.     Atenção Primária.
2.     Atendimento de emergência na rede hospitalar.
3.    Serviços ambulatoriais.
4.     CAP's I, II e III, AD, Residências Terapêuticas.
5.     Tratamento de pacientes psiquiátricos em Hospitais Gerais (regulação de leitos, condições de atendimento, portas de saída para os hospitais) e Hospital-Dia.
6.    Necessidade de implantação de programas específicos de saúde mental para  pacientes com dependências químicas.
7.     Atendimento a pessoas portadoras de transtornos mentais em cumprimento de medidas de segurança e população prisional com transtornos mentais;
8.     Política pública para reabilitação e reinserção social de pessoas portadoras de transtornos mentais;
9.    Deficiência na distribuição de medicamentos destinados aos portadores de transtornos mentais.
 
Participantes:
 

a. Expositores: Gestores do SUS, Autoridades e Especialistas Convidados (FIOCRUZ, UERJ, UFRJ e Conselhos Regionais dos Profissionais de Saúde) e representantes dos Conselhos Estadual e Municipal de Saúde.
 

b. Proponentes: representantes de entidades da sociedade civil de participação social no SUS e defesa do direito à saúde, conselhos de saúde, entidades de defesa dos direitos de usuários do SUS, os quais poderão apresentar propostas objetivas para o aprimoramento do atendimento em saúde mental através da página do MPERJ no link da audiência pública.

c. Autoridades convidadas: membros do MPERJ, MPF, Poder Judiciário, Defensoria Pública e Autoridades Públicas com atuação específica na área da defesa do direito à saúde.


d. Cidadãos: todos que comparecerem no dia da audiência pública (respeitada a limitação física do auditório).       
 
Para participar enviando propostas objetivas sobre o tema, basta acessar a página do MPERJ (www.mp.rj.gov.br) ou clicar no link http://www.mp.rj.gov.br/portal/page/portal/Internet/Servicos/Audiencia_Publica_Saude_Mental e fazer a sua inscrição (capacidade máxima do auditório: 300 participantes).

agosto 31, 2010

Luto como Mãe, um documentário sobre chacinas cometidas por policiais no Rio de Janeiro


cinemanosso | 16 de julho de 2010
A partir de 20 de Agosto, Luto como Mãe de Luis Carlos Nascimento. 1º Longa Metragem do Cinema Nosso.

***
Estréia no Espaço cinema Nosso o documentário
Luto como Mãe.
“ Ignora-se que, para cada marido, cada filho, cada homem morto, existe sempre uma mulher por trás”,
Luis Carlos Nascimento, diretor do documentário.

O longa retrata chacinas cometidas por policiais repercutidas em todo o país e nomeadas como as “Mães de Acari”, “Chacina da Candelária”, “Chacina da Baixada” e outras tão importante quanto essas. Durante quatro anos, Luis Carlos Nascimento acompanhou de perto junto com uma equipe de cinema o drama dessas mães, desde a coleta de depoimentos até os desdobramentos dos casos perante a justiça.

- Assista aqui o Trailer Oficial de Luto como Mãe -

Luto como Mãe” participou da 14ª edição do Festival Internacional do Rio (2009) - onde concorreu a três prêmios: melhor direção, melhor documentário e melhor filme do júri popular; no Festival Viña del Mar (Chile/2009); no 12ª Festival de Cinema Brasileiro de Paris (França/2010); no 1ª Festival de Cinema Itinerante da Língua Portuguesa – FESTin (Portugal/2010); na 3ª Mostra Internacional de Cinema em Língua Portuguesa, entre outros.

O documentário "Luto como Mãe" tem a direção do cineasta Luis Carlos Nascimento, produção da TV Zero, Jabuti Filmes e Cinema Nosso. O longa foi realizado em parceria com CES- Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (Portugal) e CESEC- Centro de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes e conta também com o apoio da Fundação Ford , IPAD- Instituto Português para o Desenvolvimento, Sebrae/Rj e Fase. 

- Aonde assistir ?
Em cartaz a partir do dia 27 de Agosto ao dia 2 de Setembro.
Horário da sessão: 16h e às 19h.

Local:
 Espaço Cinema Nosso - Rua do Resende, 80, Lapa, Rio de Janeiro - Tel: (21) 2505-3300

Conheça-nos, participe, divulgue.
Twitter Oficial: @lutocomomae

agosto 28, 2010

Conselho de Segurança da ONU em discussão no Rio de Janeiro

unicrio.png



Evento internacional no Rio de Janeiro debaterá o Brasil e o Conselho de Segurança da ONU

27 de agosto de 2010 · Comunicados
Jornada sobre a ONU e as Questões Internacionais Contemporâneas: O Brasil no Conselho de Segurança das Nações UnidasNa próxima quarta-feira, 1o de setembro, será realizada a jornada “A ONU e as Questões Internacionais Contemporâneas: O Brasil no Conselho de Segurança das Nações Unidas”. O evento será realizado no Salão Nobre da Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ (Rua Moncorvo Filho, 8) e debaterá o papel do Brasil no Conselho de Segurança (CS) e o papel do Conselho na paz e segurança internacionais.
Na abertura do evento, que acontece às 09h00, estarão presentes o Reitor da UFRJ, Aloísio Teixeira; o Chefe do Departamento de Organismos Internacionais do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Ministro Carlos Duarte; o Diretor da Faculdade Nacional de Direito da UFRJ, Flávio Martins; o Diretor do UNIC Rio, Giancarlo Summa; e o Diretor do Centro de Direito Internacional (CEDIN), Jean-Marc Thouvenin.
Durante a tarde, haverá apresentação de trabalhos acadêmicos, vídeos e cartazes pelos participantes do projeto “Universitários pela Paz”.
Fechando a Jornada, será realizado o lançamento do site em português sobre o Conselho de Segurança (www.brasil-cs-onu.com) com informações atualizadas sobre a missão e funcionamento do mesmo, com destaque para a atuação do Brasil no órgão da ONU.
O evento é uma parceria entre a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da Faculdade Nacional de Direito (FND) da UFRJ e do Centro de Informação das Nações Unidas no Brasil (UNIC Rio). A entrada é franca e não é preciso se inscrever previamente.
Confira a programação completa e todos os convidados:
9h – 9h30 – Mesa de Abertura
  • Aloísio Teixeira (Reitor UFRJ), Flávio Martins (Diretor FND), Ministro Carlos Duarte (Chefe do Departamento de Organismos Internacionais do MRE), Giancarlo Summa (Diretor UNIC Rio), Jean-Marc Thouvenin (CEDIN)
  • Assinatura de Termo Aditivo ao Convênio UFRJ/Universidade Paris X (CEDIN e FND).
09h30 – 10h00 – Coffee Break
10h00 – 11h30 – O Papel do Brasil no Conselho de Segurança das Nações Unidas
  • Presidente da Mesa: Professor Paulo Emílio Macedo (FND/UFRJ).
  • Palestrantes: Ministro Carlos Duarte (Chefe do Departamento de Organismos Internacionais do MRE), Antonio Celso Alves Pereira (UFRJ), Williams Gonçalves (UERJ).
11h30 – 12h – Perguntas
12h – 14h – Intervalo para o almoço
14h30 – 18h00 – Apresentação de papers, vídeos e pôsteres pelos participantes do projeto “Universitários pela Paz”
  • Coordenação: Professor Luiz Eduardo Figueiras (Vice-Coordenador de Pesquisa da FND/UFRJ)
18h00 – O papel do Conselho de Segurança da ONU na segurança internacional: conflitos, terrorismo e a questão nuclear
  • Presidente da Mesa: Professor Sidney Guerra (FND/UFRJ)
  • Palestrantes: Jean-Marc Thouvenin (Diretor CEDIN – Université Paris X); Franklin Trein (IFCS/UFRJ)
19h00 – 19h30 – Perguntas
19h30 – 20h00 – Apresentação do site www.brasil-cs-onu.com
  • Giancarlo Summa (Diretor UNIC Rio); Ministro Carlos Duarte (Chefe do Departamento de Organismos Internacionais do MRE), Vanessa Oliveira Batista (FND/UFRJ), Luciana Boiteux (FND/UFRJ), Mohammed ElHajji (ECO/UFRJ).
Todas as informações estão disponíveis em www.unicrio.org.br/jornada
SERVIÇO
  • Evento: Jornada “A ONU e as Questões Internacionais Contemporâneas: O Brasil no Conselho de Segurança das Nações Unidas”
  • Local: Salão Nobre da Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ
  • Endereço: Rua Moncorvo Filho, 8 – Centro – Rio de Janeiro, RJ
  • Data e hora: 1º de setembro de 2010 – 9h00 – 20h00
ENTRADA FRANCA


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agosto 21, 2010

Eduardo Paes, prefeito do Rio, destrói a Ladeira dos Tabajaras

Sobre o desaparecimento de um bairro, destruído pelo prefeito Eduardo Paes

Ladeira dos Tabajaras, por Sindia Santos“Esse é o relato do desaparecimento de um bairro, destruído pelo prefeito Eduardo Paes em nome das remoções em área não de risco, mas de rico. Áreas visadas pelo setor da construção há muito tempo. O bairro é apagado, mas não só em nome da especulação imobiliária, mas também porque lá, como em várias favelas do Rio, se vive de forma coletiva. Cada casa nos Tabajaras foi construída por seus moradores, um ajudando o outro. Divulguem para o maior numero possível de pessoas em 24 horas. Essa é a Operação Enxame, a favor da vida criativa, contra a vida uniformizada, em guerra contra as remoções!”

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julho 15, 2010

Jovem encontrada sem identificação, internada no Manfredini

Arte - Duma
Prezados,

Solicito atenção para este caso, é uma situação complicada e pedimos a ajuda dos profissionais de Saúde Mental.

Há uma mulher jovem, cerca de 20 anos, internanda há cerca de 2 meses na enfermaria de Média Permanência do Hospital Jurandyr Manfredini. Foi trazida pelo SAMU, deambulando a esmo na rua e sem familiares ou conhecidos na região. Disse se chamar inicialmente Rosana Fernandes, agora se diz Madalena Dias. Não fala nada além disso, respondendo nossas solicitações e perguntas através de movimentos com a cabeça, e não responde perguntas acerca de sua família ou residência.

Tentamos identificação através de digital no IFP, mas não consta identidade sua lá.

Solicitamos então que se possível verifiquem junto a seus serviços se há algum registro de usuário desaparecido ou de alguma família procurando alguém com a seguinte descrição:

Rosana Fernandes/Madalena Dias, cerca de 20 anos, estatura mediana, branca, cabelos ondulados compridos, cabelos e olhos castanho-escuros.

Não sabemos sequer de que área seria pois foi encontrada com lesões sérias nos pés que nos fizeram acreditar que percorreu boa distância andando. Tem aparência bem cuidada, e acreditamos que sua família deve estar à sua procura.

Qualquer informação ou sugestão, favor fazer contato com a Enfermaria de Média Permanência Feminina do HMJM, telefone (021) 2446-3454 ramal 2221 ou me contatem por email.

Obrigada pela atenção!

Mariana Portugal de Andrade - Psicóloga - Residente de Saúde Mental da Colônia Juliano Moreira

junho 29, 2010

Cinema na Praça: experiência de desconstrução do manicômio de Paracambi


vivendoemcasa | 4 de outubro de 2008 | 3:59
A extinção gradativa do Hospital Psiquiátrico através da criação de serviços não manicomiais, supõe uma vivência desafiante na reconstrução da assistência e sua planificação. Trata-se do território, da comunidade, da cidade que devem ser entendidos como recurso terapêutico, como referência na construção de relações sociais. Dessa forma, atividades que permitam maior trânsito dos pacientes no espaço urbano fazem com que a cidade se torne protagonista do processo de reabilitação e construção da rede social como característica importante na mudança da vida cotidiana dos pacientes. Durante 12 meses, os pacientes da Casa de Saúde Dr. Eiras participaram das sessões de cinema ao ar livre na Praça Cara Nova, junto com a população de Paracambi.

* * *
Nota do blog: Acabo de assistir o relato da experiência de desconstrução do manicômio de Paracambi-RJ, numa das mesas-redondas na IV Conferência Nacional de Saúde Mental. Lá se usa o cinema como estratégia de aproximação dos usuários de saúde mental com a sociedade de Paracambi, através do projeto Cinema na Praça.

junho 07, 2010

Denúncia de manipulação da Conferência Estadual de Saúde Mental do Rio de Janeiro

Arcos da Lapa - Rio de Janeiro

Nota do blog: Leia o e-mail abaixo do psiquiatra Fernando Ramos sobre o papel da CESM-RJ num dos maiores imbróglios que antecede a IV Conferência Nacional de Saúde Mental, a ser realizada neste mes de junho em Brasília. Trata-se de um golpe da comissão organizadora, formada prioritariamente por representantes do CES, com anuência da SES e Defesa Civil do RJ. O golpe tem por objetivo esvaziar o debate político em torno da construção de diretrizes para a reforma psiquiátrica e a política de saúde mental no estado do Rio de Janeiro.

***



Estamos a menos de uma semana da realização da IV-CESM-I do Rio de Janeiro e vivemos um completo caos. Não há, até o momento, nenhum regimento publicizado. Não sabemos, sequer, o horário de início da Conferência na próxima sexta-feira. Sabemos apenas que se trata de uma Conferência claramente manipulada e que fere escandalosamente qualquer princípio democrático. Entre outros abusos, está claramente manifesta a intenção de calar a voz do município do Rio de Janeiro, ao se restringir, de forma absolutamente ilegítima, o número de delegados que representarão esta cidade, tanto na etapa estadual quanto na municipal. Em termos de população, o Município do Rio de Janeiro representa praticamente 40% da população do Estado, no entanto, recebemos menos do que 17% dos delegados para a etapa estadual e menos de 19% para a nacional – e isso depois de difíceis negociações, pois o que se propunha, até poucos dias atrás, era que o Rio ficasse com 12% dos delegados (8 delegados ao todo). No entanto, a macrorregião formada pelo norte e noroeste fluminense, por exemplo, que somam apenas 7% da população, ficou com 18% dos delegados. Francamente, não há critério de equidade que justifique essa distribuição tão desigualmente distorcida!

A última notícia que acabamos de receber, informando que apenas os delegados usuários terão direito à estadia durante a Conferência, fornece o fecho de abóbada dessa estratégia manipulatória posta em prática pela CO da IV-CESM-I do Rio de Janeiro. 

Vejamos quais são esses mecanismos casuísticos e manipulatórios, e quais suas possíveis – ou prováveis – finalidades políticas:

1. Mecanismo: Eleição no primeiro dia para os delegados nacionais.

- Possível Finalidade: Esvaziar o restante da Conferência e garantir que os delegados já escolhidos nas etapas regionais sejam meramente referendados.

- Comentário: A primeira tentativa era a de que sequer houvesse eleição para delegados nacionais na CESM, pois estes já viriam eleitos das etapas regionais.

2. Mecanismo: Redução absurda dos delegados do município do Rio de Janeiro, tanto para a etapa estadual quanto para a nacional, e hipertrofia, também absurda, dos delegados provindos de regiões de baixa densidade populacional.

- Possível Finalidade: Dar maior voz aos municípios de pequeno porte, os quais são também os mais facilmente cooptáveis pelos interesses políticos locais.

- Comentário: É fato sabido que a capital tem posições mais progressistas em relação à política de saúde mental do que o interior do Estado.

3. Mecanismo: Exigência de que as Conferências Regionais enviassem relatórios bastante resumidos das propostas apresentadas e redução extrema do tempo para discussão das propostas nos GTs.

- Possível Finalidade: Criar um viés nas propostas apresentadas, dificultando a crítica destas e impedindo a inclusão de novas propostas.

- Comentário: É o conteúdo de propostas o componente essencial de uma Conferência de Saúde, portanto, o controle das propostas é fundamental para quem se propõe a manipular o resultado final.

4. Mecanismo: Garantia de hospedagem apenas para o segmento de usuários.

- Possível Finalidade: Favorecer a presença do segmento de usuários, que é o mais vulnerável às forças de cooptação política, dificultando, por outro lado, a presença dos gestores e profissionais, que costumam oferecer maior resistência ao processo de cooptação.

- Comentário: Esse é o golpe mais baixo de todos, pois, sob a justificativa “democrática” de se proteger o segmento mais fragilizado (os usuários), o que se realiza, de fato, é o supra-sumo da manipulação política populista. Assim, ao invés de a CESM se revelar o ápice da democracia, ela se mostra como o cúmulo da mais desprezível demagogia.

5. Mecanismo: Criar confusão, incerteza e cisão, ou seja: dividir e confundir para governar.

- Possível Finalidade: Dificultar e desviar a capacidade de organização das forças políticas progressistas.

- Comentário: É essa, definitivamente, a “casca de banana” que devemos evitar pisar e escorregar!

Diante da cínica “lavagem de mãos” da SESDEC e da manipulação da CO da IV-CESM-I dominada pelo populismo demagógico CES, resta-nos apenas resistir e garantir que a Conferência Estadual se realize, custe o que custar!  Considerando a importância histórica e política do Rio de Janeiro na construção da atual política nacional de saúde mental, seria um desastre e um grave retrocesso a não realização dessa CESM. Lutaremos, mesmo contra uma grave adversidade, para que esta Conferência represente, de fato, os interesses democráticos dos cidadãos do Estado do Rio de Janeiro. Caso isso não ocorra, faremos a denúncia circunstanciada na plenária da IV-CNSM-I. A não realização da CESM do Rio de Janeiro só beneficiaria as forças políticas reacionárias.

Conclamo a todos que retirem os seus martelos nitzscheanos das gavetas e que, tal como Che-Zaratustra, enfrentemos a marretadas – pero sin perder la ternura jamás - o “caos [diante de nós] para dar à luz uma estrela dançarina”.

Saudações democráticas,
Fernando Ramos