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novembro 14, 2009

UNEGRO apoia Protógenes em sua incansável luta

Charge do Ique
Postada em takahashi.noblogs.org

Nota do blog: PROTÓGENES QUEIROZ é aquele delegado da polícia federal que, entre 2004-2008, chefiou a Operação Satiagraha (Fonte: Takahashi) resultando na prisão de duas organizações criminosas comandada por DANIEL DANTAS, NAJI NAHAS, e o ex-prefeito da cidade de Sao Paulo CELSO PITTA e outros, por indícios de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, financeiros, sonegação fiscal e formação de quadrilha. O Daniel Dantas é o banqueiro que em menos de 48 horas conseguiu um habeas-corpus do presidente do Supremo Tribunal Federal GILMAR MENDES. Gilmar Mendes é o magistrado que insiste em promover, através de depoimentos fragéis e inconsistentes e sem provas materiais, a extradição do escritor CESARE BATTISTI. Pela lógica das implicações Cesare Battisti é inocente, assim como o delegado Protógenes não merece o assédio moral de que é vítima pela própria instituição a que serviu.

Convido-o a seguir os passos de União de Negros pela Igualdade. Assinar o Abaixo-Assinado proposto pela entidade é mais do que um protesto contra a perseguição criminosa (Assédio Moral) que a Polícia Federal está fazendo contra o ÍNCLITO Delegado Protógenes Queiroz, é lutar contra a injustiça contra um brasileiro que realizou seu dever como Delegado da PF.

Para Leila Brito, Protógenes Queiróz "investigou, com lisura e competência profissional, os crimes de colarinho branco que levaram o PODEROSO banqueiro bandido condenado (mas impune) Daniel Dantas e toda a sua quadrilha para a cadeia, da qual saiu, em menos de 48 horas, com o apoio irrestrito do Poder Judiciário - leia-se STF", onde reina soberano Gilmar Mendes.

Leila Brito conclama: NÃO PODEMOS PERMITIR QUE UM CIDADÃO HONESTO TENHA A SUA VIDA E A DE SUA FAMÍLIA INVADIDAS, DESRESPEITAS E DESTROÇADAS, EM FUNÇÃO DE PROTEÇÃO A BANDIDOS DE COLARINHO BRANCO (PODEROSOS MEMBROS DA ALTA ELITE NACIONAL) QUE ASSALTAM OS COFRES PÚBLICOS E AS RIQUEZAS DO SOLO BRASILEIRO À LUZ DO DIA, SEM O MENOR CONSTRANGIMENTO, POIS CONVICTOS DA IMPUNIDADE QUE LHES ASSEGURA A ALTA CORTE DA JUSTIÇA, FAZENDO, ASSIM, O MAIS DESCARADO E ACINTOSO POUCO CASO DA FORÇA POLÍTICA DE REAÇÃO DO POVO BRASILEIRO.

Mostre a sua força cidadã e dê seu apoio ao Delegado Protógenes Queiroz. Apoio que ele PRECISA e MERECE, pelo que fez pelo Brasil e pelo seu povo, arriscando sua própria vida, ora em risco iminente. Muito obrigada! (Assina: Leila Brito).

O PICICA apoia o Delegado Protógenes e o Abaixo-Assinado da UNEGRO.

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UNEGRO apoia Protógenes em sua incansável luta

UNEGRO - UNIÃO DE NEGROS PELA IGUALDADE

CONTRA A IMPUNIDADE DOS CRIMES DE COLARINHO BRANCO, EM DEFESA DO DELEGADO PROTÓGENES QUEIROZ


A Corregedoria da Polícia Federal encaminhou pedido de suspensão por 60 dias do delegado Protógenes Queiróz, responsável pela Operação Satiagraha, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas, o megainvestidor Naji Nahas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e outras pessoas acusadas de compor a quadrilha especializada em fraudes e crimes financeiros. Ao mesmo tempo em que solicita o afastamento de Protógenes, a cúpula da Polícia Federal articula arbitrariamente sua demissão. Enquanto isso os verdadeiros réus estão soltos com a proteção da mais alta autoridade judiciária do país. Esta ação da Cúpula da Polícia Federal ocorre pela pressão das elites brasileiras, acostumadas com a impunidade dos seus atos, e contam com forte apoio dos meios de comunicação de massa que fazem uma ampla campanha contra o delegado Protógenes Queiroz e o juiz Fausto De Sanctis.

A União de Negros Pela Igualdade - UNEGRO manifesta apoio e solidariedade ao delegado Protógenes Queiróz, repudia a inversão de objeto da cúpula da Polícia Federal que desde a eclosão da Operação Santiagraha tem investido na criminalização de quem cumpriu corretamente suas funções. Atesta que o arbítrio, a corrupção e a impunidade são armas poderosas de desestabilização da democracia e de manutenção das desigualdades sócio-econômica que assola o país. Considera essa iniciativa impregnada do mesmo princípio daqueles que criminalizam os movimentos sociais, ou seja, tratar com tirania e violência todos os atores que se voltam contra os privilégios da elite dominante.

Conclamamos todo movimento negro e popular a manifestarem-se:

“ Pelo arquivamento dos processos disciplinares promovidos pela Polícia Federal contra o delegado Protógenes Queiróz;

“ Pelo julgamento e punição dos culpados dos crimes investigados pela Operação Satiagraha;

“ Pelo fim de qualquer forma de criminalização dos movimentos sociais e das forças progressistas.

http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/5223

Fonte: http://blogdoprotogenes.com.br/
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novembro 13, 2009

Fascismo banal

Freud
Cartum de Liberati

Fascismo banal

A expulsão de Geisy me parece pura covardia da direção da Uniban: vamos nos livrar de um problema com o qual não sabemos lidar

Por Maria Rita Kehl

“A massa não é confiável” escreveu Freud em Psicologia de massas e análise do eu (1920). Os indivíduos que participam de uma formação coletiva sob o comando do representante de algum ideal comum são capazes de atos que, se estivessem sozinhos, não se atreveriam a cometer. O superego individual tira uma folga em favor do superego coletivo. Em nome dele, o sujeito dissolvido na massa se precipita em atos extremos que jamais – ou sempre? – sonhara praticar.

Por que os meninos e meninas escandalizados – ou excitados – com o mini rosa shocking da colega a chamaram de “puta”? Usar a palavra puta como insulto revela o ressentimento do homem diante do desejo sexual da mulher, quando esse desejo não é voltado para ele. Uma prostituta não é simplesmente uma mulher que transa com muitos homens, nem uma mulher exageradamente sensual. É uma mulher que faz disso seu ganha pão. A mulher que faz sexo porque gosta, sem cobrar, não é prostituta. A prostituta é profissional – gostando ou não do que faz, algumas por necessidade, outras por amor à arte, mas sempre profissionalmente.
Mas a profissão da prostituta sempre foi desqualificada nas sociedades em que o tabu da virgindade vigorava para as mulheres de "boas famílias". Assim, a palavra "puta" é usada até hoje para desqualificar uma mulher sexualmente livre – coisa que não sei se a Geisy é ou não, nem vem ao caso. Ela pode ser só uma moça que se acha gostosa e gosta de se exibir.

Já a Uniban, esta errou do começo ao fim. Primeiro: se a roupa da moça era inadequada, por que ela não foi barrada na porta? Segundo, parece que o próprio esquema de segurança da Universidade demorou a ser acionado quando a confusão começou. Terceiro – não me lembro de haver menção à presença de alguém da diretoria a fim de se responsabilizar pela ação dos próprios seguranças, quando o tumulto engrossou. Quarto: houve alguma orientação da direção, depois do incidente, para se discutir o assunto em classe com os alunos? Ou, antes disso: houve alguma medida punitiva, alguma suspensão de aulas, ou rebaixamento de nota para os que pretendiam linchar e estuprar a moça? Alguma sindicância para detectar os líderes fascistas da massa? Se essas manifestações de massa enlouquecidas não são barradas e punidas, as pessoas entendem que estão autorizadas e a barbárie tende a se repetir. A expulsão de Geisy, por outro lado, me parece pura covardia da direção da Uniban: vamos nos livrar de um problema com o qual não sabemos lidar. Me parece que a universidade nesse caso se comportou segundo as normas da empresa lucrativa que ela realmente é: procurou satisfazer o grande número dos clientes-pagantes em detrimento de uma cliente-problema. O freguês, para o comerciante, tem sempre razão. Só que a universidade, ao se comportar como um comércio, se desmoraliza como instituição de ensino e educação. Daí que nada garante que tais incidentes não se repitam, tanto por parte de alguma outra aluna que acha que pode se vestir como quiser quanto do lado dos alunos e alunas que acham que, ao se sentir provocados, podem se comportar como um bando de foras-da-lei.

Outro problema a ser abordado é o do excesso de erotização do corpo jovem (sejam homens ou mulheres), uma característica da sociedade atual em que as pessoas circulam como mercadorias exibidas na vitrine. Quando Geisy se defende dizendo "eu me visto como quero e como me sinto bem", ela nem se dá conta de que está tentando corresponder ao padrão de hipersensualidade que vê na publicidade, nas novelas, nos filmes comerciais etc. Mas, até aí, se ela gosta, tudo bem. No entanto, o fato de ela ter sido a vítima no episódio bárbaro da Uniban não nos poupa de também criticar a falta de noção da moça. Existem convenções de comportamento, aparência etc. que não são exatamente morais, mas ajudam a clarear o que se espera das pessoas em determinados ambientes. Ninguém vai a uma recepção de gala usando bermuda e camiseta a não ser que queira escandalizar, certo? Ninguém vai à faculdade de biquini porque chamaria tanta atenção que dificultaria o andamento das aulas. Será que os rapazes ficam sem camiseta na classe nos dias de calor, por exemplo? Se a Geisy tinha uma festa mais tarde poderia ter levado o vestido na bolsa e trocado depois das aulas, mas, pelo depoimento dela, me parece que a moça não tem a menor noção da diferença entre, por exemplo, a faculdade e a balada. Não sei se ela utilizaria o argumento "faço o que quero/uso o que gosto", se em seu emprego o patrão exigisse um uniforme. Ou ainda, se a exigência de adequação correspondesse a uma distinção de classe. Aposto que Geisy não iria a um casamento chic com uma roupa inadequada: ficaria super preocupada em saber o que se "deve" vestir na ocasião.

Só que a Universidade – a Escola, em geral – é uma instituição muito desmoralizada atualmente e ela se achou no direito de quebrar a convenção de um certo decoro no ambiente de estudo. É grave? Não. Merecia o que aconteceu? Absolutamente. Só quero dizer que ela me pareceu, em sua posição isolada, tão tonta e tão alienada quanto a turba que não soube dar uma expressão civilizada ao seu descontentamento. Isto, do ponto de vista da alienação. Do ponto de vista da gravidade do comportamento, nem se compara: a turba foi fascista e teria cometido um crime talvez bárbaro, se os tais seguranças não tivessem finalmente decidido agir. A Geisy não fez nada disso, foi só meio sem noção.

De uma forma ou de outra, é sempre do velho superego que se trata. A moral tradicional explodiu na Uniban com a fúria do retorno do recalcado, aliada ao que? Ao velho comando a favor do gozo, do qual os jovens hoje vivem perigosamente perto demais. A condenação de “puta, vagabunda”, alia-se ao desejo de “lincha, estupra”. São duas faces da mesma moeda, “goza/não goza”, Kant e Sade de mãos dadas, tornados ambos mais cruéis na proporção direta do desprestígio do pensamento na sociedade atual. A conclusão ficaria por conta de Hannah Arendt: quando o pensamento torna-se supérfluo, abre-se o caminho para a banalidade do mal. (originalmente publicado no jornal Brasil de Fato)

Maria Rita Kehl, psicanalista e ensaísta, é autora, entre outros, de O tempo e o cão (Boitempo, 2009) e Deslocamentos do feminino (Imago, 2007).

Fonte: Caros Amigos
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outubro 31, 2009

Garota veste minissaia, vai à faculdade, e sofre assédio moral da plebe rude e ignara


Nota do blog: "Puta, puta, puta!...", assim foi saudada a garota, estudante de turismo, que resolveu ir de minissaia para uma faculdade do ABC paulista. A patuléia não perdoou. A psicanálise nomeia como contra-identificação esse tipo de manifestacão. Moral da história: putas não têm vez numa sociedade intolerante à diferença. Quanto à moça, espero que ela não abra mão de mover um processo contra a barbárie desse Brasil varonil... il... il... il.

***

A roupa de uma estudante causou tumulto em uma faculdade em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo). Toda confusão foi provocada pelo uso de uma minissaia.

A garota ouviu insultos de centenas de alunos da faculdade, que se juntaram no pátio para vê-la e xingá-la.

A garota teve que se esconder em uma sala e só foi retirada, com um avental de professor, escoltada pela Polícia Militar.

Fonte: http://www.youtube.com/user/cinefran21