julho 12, 2007

Encontro Nacional de Saúde Mental comemora um ano


Amanhã, dia 13 de julho, completará um ano do Encontro Nacional de Saúde Mental, ocorrido em Belo Horionte-MG, numa realização da Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial e do Conselho Federal de Psicologia.

Nos próximos dias estarei publicando textos, dicas de textos e fotografias do evento.

Para celebrar a data comemorativa, nada melhor do que começar com um fato atual:
Carta aos Moradores e Trabalhadores da Região da Pampulha.

Na região de Pampulha tem um CERSAM. CERSAM é o acrônimo de Centro de Referência de Saúde Mental, que no resto do Brasil (assim dizem alguns mineiros) é conhecido como CAPS (Centro de Atenção Psicossocial). Ambos são dispositivos de substituição do manicômio por serviços que não expulsem os loucos do seu território de origem. Belo Horizonte é a única capital brasileira que conseguiu ampliar nas espacialidades da cidade um número expressivo de serviços capazes de substituir o manicômio. Refiro-me não apenas aos CERSAM, mas aos SRT (Serviços Residenciais Terapêuticos) e aos Centros de Convivência. Por aí se vê que os conterrâneos do velho João Guimarães Rosa no campo da Reforma Psiquiátrica brasileira têm um projeto ético muito singular.
Como o Fórum Mineiro de Saúde Mental esteve envolvido até o pescoço com o Encontro Nacional de Saúde Mental, aguarda-se com expectativa a publicação das conferências, palestras, mesas-redondas etc. É ler e ver para crer.

*****

CARTA AOS MORADORES E TRABALHADORES DA REGIÃO DA PAMPULHA DE BELO HORIZONTE
Caros amigos e companheiros, queremos nos apresentarmos a vocês. Somos pessoas das mais diferentes classes sociais, étnicas, religiosas e outras e fazemos acompanhamento no serviço de Saúde Mental no serviço do SUS (Sistema único de Saúde de Belo Horizonte), mais especificamente no CERSAM (Centro de Referência em Saúde Mental). Não somos todos “loucos”, somos pessoas com os mais diversos transtornos, entre eles depressão, abandono familiar, Pânico e muitas outras categorias relacionadas nos tratados de Medicina e Psicologia.

Graças a pessoas que lutaram e continuam lutando para o fim dos manicômios e asilos, por acreditarem que todos merecem uma, duas, três ou quantas chances forem necessárias para que encontremos o nosso lugar dentro da sociedade, dentro das nossas possibilidades, capacidades e tempo individual, estamos fazendo tratamento em serviços abertos e derrubando o mito (mentiroso) de que os portadores de sofrimento mental representam uma periculosidade social.

Sabemos que o mundo pós-pós-moderno e o capitalismo selvagem é um sistema altamente excludente e que gera mazelas sociais, exclusão, revolta e violência. Por isto estamos convidando a comunidade para conhecer os serviços abertos do serviço público de saúde brasileira, para vocês aprenderem, descobrirem e tirarem suas próprias conclusões sobre esse fenômeno que sempre existiu na sociedade e foi tratado com total desumanidade e desrespeito. Hoje graças a militantes da Luta Antimanicomial e os Direitos Humanos (tão mal interpretado) os serviços estão se humanizando, como em todos os setores da saúde pública, mas sem a participação da comunidade continuaremos à margem da sociedade, ilhados e sem oportunidades e todo o esforço de uma geração de guerreiros do bem cairá por terra.

Sabemos das nossas limitações, porém temos o conhecimento da nossa diferença que pode ter utilidade para o bem estar social, desde que quebrado os estigmas perversos contra os menos favorecidos, por isto achamos que vocês podem ser voluntários anônimos e ajudar a fazer o bem sem olhar a quem, para ajudar a construir uma sociedade mais justa e mais humana com menos pressão social e mais fraternidade e alegria para todos, ao invés da desconfiança, medo e paranóia que toma conta da nossa atual sociedade.

Obrigado pela atenção dispensada a nós!

E se você acha que pode ajudar pessoas a sorrirem, obrigado por vocês existirem, obrigado pelo seu tempo, e obrigado pelo seu amor.

Belo Horizonte, 09 de julho de 2007
Usuários do CERSAM Pampulha

CERSAM Pampulha – Rua do Mel, 77 – Perto da Sede do Cruzeiro.
Telefones: 3277-7918 / 3277-7934 / 3277-7935
Gerente: Dr. Paulo

Nenhum comentário: