Novembro 09, 2009

A terceirização do serviço de saúde pública afronta a Constituição

Caricatura de José Serra
Postada em blogdofavre.ig.com.br

Zé Serra, o terceirizador da saúde pública paulista
Nota do blog: O tucanato paulista encruado no poder há algumas décadas, graças a generosidade do seu povo, é o principal encubador do terceiro setor no país (aquele semelhante ao colesterol ruim). Misture aí ongs, oscips e outros bichos terceirizados (formas modernas de empresariamento que vem sendo responsabilizadas como um dos vetores da desmobilização política dos movimentos sociais - despolitização que alguns querem imputar tão somente ao efeito Lula) e vejam o tamanho da encrenca quando essas iniciativas são usadas para substituir o papel do estado. Descontadas as honrosas e pequeníssimas exceções, é uma caca só. Quando é que esse enrosco sai de cena? Pobre Constituição!

A terceirização do serviço de saúde pública afronta a Constituição

Escrito por Airton Florentino de Barros
07-Nov-2009

A prestação do serviço público de assistência à saúde é função típica do Estado, a ser custeada pela ordinária arrecadação de tributos gerais. É dever do Estado e direito fundamental do cidadão.

É o Estado brasileiro uma república democrática, o que pressupõe a colocação dos recursos arrecadados à disposição de todos, garantindo-se o exercício da cidadania e o tratamento digno de todos os cidadãos (CF, art.1º e 227), sobretudo quando se verifica que são objetivos fundamentais do Estado a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, bem como a erradicação da pobreza e da marginalização e a redução das desigualdades sociais (CF, art.3º). Para alcançar tais objetivos, assegurou a Constituição Federal, como direitos sociais, a educação, a saúde, o trabalho, a proteção à infância e a assistência aos desamparados (CF, art.6º), dando especial destaque ao fato de que a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação (CF, art.196).

Inspirando-se, aliás, na Declaração francesa dos Direitos do Homem, de 1789, que apontava como fundamentais os direitos à liberdade, segurança, propriedade e à resistência à opressão, estabeleceu a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 5º: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:...

Ora, é a vida, por pressuposto a todos os demais direitos, um bem indisponível do cidadão. E a vida há de ser protegida pelo Estado em toda a sua integridade. Não basta que se assegure a sobrevida. É indispensável que, se possível, preventivamente, sejam garantidos os meios necessários para a manutenção da saúde física e mental de cada um e de todos os cidadãos.

Só complementarmente à função típica do Estado é que pode a iniciativa privada explorar os serviços de assistência à saúde pública (CF, art.199; Lei nº8.080/90, arts.2º, §2º, 4º, §2º e 24).

Não pode o Estado, então, deixar de prestar esse serviço público essencial, como se pudesse ser substituído por completo pela iniciativa privada.

Quando as suas disponibilidades forem insuficientes para garantir a cobertura assistencial à população de uma determinada área, o Sistema Único de Saúde (SUS) poderá recorrer aos serviços ofertados pela iniciativa privada (Lei nº8.080/90, art.24).

Repita-se, a iniciativa privada complementa a atividade do Estado. Não o substitui em hipótese alguma, a menos que se queira subverter a ordem constitucional.

Sob esse raciocínio, o único admissível, pode o Estado, para tornar mais abrangente a prestação do serviço público, até desapropriar ou requisitar equipamentos privados. Nunca o contrário, ou seja, não pode ceder equipamentos públicos (recursos materiais e humanos) à iniciativa privada para a prestação de tais serviços.

De uma forma ou de outra, não importa que o governante tenha essa ou aquela ideologia, mais ou menos estatizante ou desestatizante das funções, atividades ou serviços de interesse público. O que importa é que o regime adotado constitucionalmente pelo Estado brasileiro é o republicano que, específica e concretamente, preferiu reconhecer como essencial função estatal o serviço de saúde pública, só admitindo a sua exploração pela iniciativa privada complementarmente.

Airton Florentino de Barros é Procurador de Justiça e integrante fundador do Ministério Público Democrático.

Fonte: Correio da Cidadania
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Aluna expulsa da Uniban recebe solidariedade nacional


Uniban expulsa aluna que usou minivestido e causa discussão no país

Fonte: videoglobo.com

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Universitários que encurralaram a colega de vestido curto não eram delirantes: eram agressores mesmo

Por: Debora Diniz*

Vídeos veiculados pelo YouTube mostram a estudante de Turismo Geisy Arruda, da Uniban, em São Bernardo do Campo, sendo xingada e acuada por outros alunos por causa do comprimento do vestido. Ela teve de ser escoltada para fora do prédio por policiais.

O caso não caberia nem em um folhetim vulgar, não fosse o YouTube denunciando a verdade. A "puta da faculdade" é uma história bizarra: uma mulher de 20 anos é vítima de humilhações. A razão foi um vestido rosa e curto que a fazia se sentir bonita. Sem ninguém saber muito bem
como o delírio coletivo teve início, dezenas de pessoas passaram em coro a gritar "puta" e ameaçá-la de estupro. A saída foi esconder-se em uma sala, sob os urros de uma multidão enfurecida pela falta de decoro do vestido rosa. Além da escolta policial, um jaleco branco a
protegeu da fúria agressiva dos colegas que não suportavam vê-la em traje tão provocante.

Colegas de faculdade, professores e policiais foram ouvidos sobre o caso. O fascínio compartilhado era o vestido rosa. Curto, insinuante, transparente foram alguns dos adjetivos utilizados pelos mais novos censores do vestuário da sociedade brasileira. "A roupa não era adequada para um ambiente escolar", foi a principal expressão da indignação moral causada pelo vestido rosa. Rapidamente um código de etiqueta sobre roupas e relações sociais dominou a análise sociológica
sobre o incidente. Não se descreveu a histeria como um ato de violência, mas como uma reação causada pela surpresa do vestido naquele ambiente.

O que torna a história única é o absurdo dos fatos. Um vestido rosa curto desencadeia o delírio coletivo. E o delírio ocorreu nada menos do que em uma faculdade, o templo da razão e da sabedoria. Os delirantes não eram loucos internados em um manicômio à espera da medicação ou marujos recém-atracados em um cais após meses em alto-mar. Eram colegas de faculdade inconformados com um corpo insinuante coberto por um vestido rosa. Mas chamá-los de delirantes é encobrir a verdade. Não há loucura nesse caso, mas práticas violentas e intencionais. Esses jovens homens e mulheres são agressores. Eles não agrediram o vestido rosa, mas a mulher que o usava para ir à faculdade.

Não há justificativa moral possível para esse incidente. Ele é um caso claro de violência contra a mulher. Ao contrário do que os censores do vestuário possam alegar, não há nada de errado em usar um vestido rosa curto para ir às aulas de uma faculdade noturna. As mulheres são livres para escolher suas roupas, exibirem sua sensualidade e beleza. A adequação entre roupas e espaços é uma regra subjetiva de julgamento estético que denuncia classes e pertencimentos sociais. Não é um preceito ético sobre comportamentos ou práticas. Mas inverter a lógica
da violência é a estratégia mais comum aos enredos da violência de gênero.

A multidão enfurecida não se descreve como algoz. Foi a jovem mulher insinuante quem teria provocado a reação da multidão. Nesse raciocínio enviesado, a multidão teria sido vítima da impertinência do vestido rosa. As imagens são grotescas: de um lado, uma mulher acuada foge da
multidão que a persegue, e de outro, do lado de quem filma, dezenas de celulares registram a cena com a excitação de quem assiste a um espetáculo. Ninguém reage ao absurdo da perseguição ao vestido rosa. O fascínio pelo espetáculo aliena a todos que se escondem por trás das câmaras. Quem sabe a lente do celular os fez crer que não eram sujeitos ativos da violência, mas meros espectadores.

Pode causar ainda mais espanto o fato de que a multidão não tinha sexo. Homens e mulheres perseguiam o vestido rosa com fúria semelhante. Há mesmo quem conte que a confusão foi provocada por uma estudante. Mas isso não significa que a violência seja moralmente neutra quanto à desigualdade de gênero. É uma lógica machista a que alimenta sentimentos de indignação e ultraje por um vestido curto em uma mulher. A sociologia do vestuário é um recurso retórico para encobrir a real causa da violência - a opressão do corpo feminino. Não é o vestido rosa que incomoda a multidão, mas o vestido rosa em um corpo de mulher que não se submete ao puritanismo.

Não há nada que justifique o uso da violência para disciplinar as mulheres. Nem mesmo a situação hipotética de uma mulher sem roupas justificaria o caso. Mas parece que uma mulher em um vestido insinuante provoca mais fúria e indignação que a nudez. O vestido rosa seria o sinal da imoralidade feminina, ao passo que a nudez denunciaria a loucura. A verdade é que não há nem imoralidade, nem loucura. Há simplesmente uma sociedade desigual e que acredita
disciplinar os corpos femininos pela violência. Nem que seja pela humilhação e pela vergonha de um vestido rosa.

*Antropóloga, professora da UnB e pesquisadora da Anis - Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero

Fonte: Gelédes Instituto da Mulher Negra

Nota do blog: Car@ leitor@, manifeste sua indignação assinando a nota de repúdio acessível no link abaixo:

http://www.petitiononline.com/unitalib/petition.html


Lula critica o Ato Médico


Lula no Congresso ABRASCO, Recife, 2009

Nota do blog: Zefofinho de Ogum, consultor deste PICICA, pede sua atenção para a crítica abaixo postada no YouTube. Diz ele que é típica de quem aparenta desconhecer como se dá o processo político, e que no fundo o reclamante - certamente um tucano - quer mesmo é um ditador de plantão:

Infelizmente Lula finge desconhecer que o projeto de lei do ato médico foi amplamente negociado em várias comissões no senado e na camara, passou por mais de 300 reuniões, seus relatores viajaram por todo o pais em audiências... etc, etc, etc. Finge desconhecer que o Ministério da Saúde apoia o projeto de lei. Lamentável e irresponsável, utilizar-se de uma reunião de profissionais como palanque de campanha.

Zefofinho avisa à criatura que: 1) os poderes têm independência; 2) os que pensam o contrário têm direito ao "jus esperniandi"; e 3) como presidente da república ele tem o direito de veto, ouvido o clamor do povo.

Espero que Zefofinho tenha razão. Quem viver, verá!


"Vista seu vestidinho vermelho, garota!..."

Charge do Tiago
Gazeta do Povo - Paraná

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Carta Aberta (Open Letter / Letre Ouvert / Carta Abierta) aos presidentes do Brasil e de Cuba

Dirigente histórico do Movimento Negro Brasileiro, ABDIAS NASCIMENTO,
rompe com Cuba por causa da questão racial na ilha.


A onda de repressão desencadeada em Cuba contra os militantes dos Direitos Civis do Movimento Negro Cubano faz quebrar o silêncio do veterano líder negro Abdias Nascimento que rompe com Cuba.

No anexo, a Carta Aberta em Português, Espanhol, Inglês e Francês, enviada pelo Ex-Senador Abdias Nascimento

(1) ao Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pedindo sua intervenção para salvar a vida de um Dirigente Negro Cubano, que neste momento se encontra encarcerado e em greve de fome;

(2) e ao Presidente General Raul Castro Ruz, pedindo que pare a repressão que desencadeou recentemente contra os militantes negros de Cuba.

A CARTA ABERTA de Abdias Nascimento segue em quatro idiomas para que seja repercutida em todo o mundo.

CARTA ABERTA

AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA DE CUBA

SUA EXCELÊNCIA GENERAL RAÚL CASTRO RUZ
Palácio de Governo
La Havana, Cuba

AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
SUA EXCELÊNCIA LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Palácio do Planalto
Brasília, Brasil

AO DR. DARSI FERRER RAMÍREZ
ATIVISTA DO MOVIMENTO NEGRO DE CUBA
Prisão Valle GrandeLa Havana, Cuba

Atendendo a solicitações de intelectuais, ativistas sociais e personalidades de várias partes do mundo, notadamente do Movimento Negro do Brasil, dirijo-me a Vossas Excelências, os presidentes do Brasil e de Cuba, para manifestar minha profunda preocupação diante da situação atual do médico e ativista cubano dos direitos civis e democráticos Dr. Darsi Ferrer.

Em 21 de julho de 2009, quando participava da convocação de um ato público pacífico em defesa desses direitos, o Dr. Ferrer foi preso sob acusações de ordem criminal que nada condizem com a história, com a personalidade ou com os valores morais deste reconhecido militante do Movimento Negro de Cuba. Desde então, ele vem sendo mantido preso sob condições que caracterizam um abuso dos seus direitos.

Os fatos que conheço indicam que se trata de um caso de intimidação política contra aqueles que, em Cuba, elevam sua voz em protesto contra o racismo, contra a discriminação racial e contra as diversas formas de intimidação que recaem sobre os cidadãos que ousam reivindicar a implantação, em seu País, de um estado de direito que respeite a livre manifestação e que reconheça a organização daqueles cidadãos que, por alguma razão, sentem e sofrem a discriminação e a violação dos seus direitos.

Sabemos que o Dr. Darsi Ferrer não é um criminoso. Os fatos indicam que, em função de sua longa militância pelos direitos civis e humanos das populações marginalizadas em Cuba – na sua imensa maioria de ascendência africana – as autoridades cubanas decidiram tentar calar esta voz que incomoda. O fato de o julgarem como criminoso, encarcerando-o em um centro de detenção para criminosos comuns, denota o descaso dessas autoridades para com as normas de direito internacionalmente reconhecidas.

Por isso, em protesto contra a violação de seus direitos, o Dr. Darsi Ferrer iniciou sua greve de fome.

Tememos pela sua preciosa vida num momento em que a nação cubana precisa, para seu renascimento democrático, da contribuição de seus cidadãos mais comprometidos com os valores morais e éticos que regem a vida democrática. O Dr. Ferrer é um desses cidadãos.

Convencido de que a injustiça atinge o Dr. Ferrer e, através da pessoa dele, atinge todo o Movimento Negro de Cuba e toda a população cubana, bem como os direitos humanos e democráticos em todo o mundo,

> apelo ao Governo da República de Cuba, e a Sua Excelência Raúl Castro Ruz, para que cesse os atos de intimidação contra os militantes anti-racistas e que liberte, imediatamente, o Dr. Darsi Ferrer Ramírez, ou então o julgue como preso político, com direito à defesa jurídica e à livre escolha de seu defensor;

> apelo ao Governo da República Federativa do Brasil, e a Sua Excelência Luiz Inácio Lula da Silva, para que interceda, urgentemente, junto ao Governo da República de Cuba, em favor do respeito aos direitos civis, humanos e democráticos do Dr. Darsi Ferrer;

> suplico ao companheiro Dr. Darsi Ferrer que desista, imediatamente, de sua greve de fome, não colocando mais em risco sua vida, pois não podemos nos privar de sua preciosa contribuição cívica, num momento em que, em Cuba e em todo o mundo, precisamos de pessoas com a inteligência, a integridade e o comprometimento com a justiça que ele tem demonstrado.

Assim, junto minha voz àquelas que, a cada dia de modo mais incisivo, clamam pela libertação do Dr. Darsi Ferrer. Convoco todas e todos os que prezam as liberdades democráticas e os direitos civis e humanos, que lutam contra o racismo e que sempre defenderam o direito do povo de Cuba a exercer sua plena soberania, para que intercedam junto às autoridades de Cuba no sentido de cessarem, imediatamente, sua ofensiva contra os defensores dos Direitos Civis naquele País.

Rio de Janeiro, 30 de outubro de 2009

ABDIAS NASCIMENTO

Ex-senador e ex-deputado federal da República Federativa do Brasil; ex-secretário de Direitos Humanos e Cidadania do Governo do Estado do Rio de Janeiro
Fundador do Teatro Experimental do Negro e do Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros
Professor Emérito da Universidade do Estado de Nova York
__________________________________________

IPEAFRO – INSTITUTO DE PESQUISAS E ESTUDOS AFRO-BRASILEIROS
Rua Benjamin Constant, 55 /1101 – Rio de Janeiro, RJ – 20241.150 – Brasil
tel. 21.2509.2176 / fax 3217.4166 / e-mail: ipeafro@gmail.com / www.ipeafro.org.br____________________________

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OPEN LETTER

TO THE PRESIDENT OF THE REPUBLIC OF CUBA

HIS EXCELLENCY GENERAL RAÚL CASTRO RUZ

Government House (Palácio de la Revolución)

Havana, Cuba

TO THE PRESIDENT OF THE FEDERAL REPUBLIC OF BRAZIL

HIS EXCELLENCY LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Government House (Palácio do Planalto)

Brasilia, Brazil

TO DR. DARSI FERRER RAMÍREZ

ACTIVIST of the BLACK MOVEMENT of CUBA

Valle Grande Prison

Havana, Cuba

In response to requests from intellectuals, social activists, and personalities from several parts of the world, in particular those of the Black Movement of Brazil, I wish to address your Excellencies, the Presidents of Brazil and of Cuba, to express my deep concern over the current situation of Cuban physician and civil and human rights activist Dr. Darsi Ferrer.

On July 21, 2009, when he was participating in the organization of a peaceful demonstration in defense of those rights, Dr. Ferrer was imprisoned under criminal charges that are not in keeping with the character, life history, and moral values of this renowned activist of the Cuban Black Movement. Since then, he has been held prisoner under conditions that characterize abuse of his rights.

The facts as I have come to know them indicate that we are facing a clear case of political intimidation against those, in Cuba, who raise their voices in protest against racism, discriminatory practices, and all kinds of intimidations meted out to citizens who dare call for the establishment, in their country, of a State that is respectful of Civil Rights, of the right of citizens to freely congregate and form organizations and to freely demonstrate their opposition to discriminatory practices of which they feel they are a target for one reason or another.

We all know that Dr. Darsi Ferrer is not a criminal. The facts indicate that, because of his long history of consistent struggle on behalf of the rights of those who are the most marginalized in Cuba - whom we know to be unequivocally those of African descent - the Cuban authorities are trying to silence a voice that makes them uneasy. The fact that the Cuban authorities treat him as a criminal, and have gone to the point of imprisoning him in a detention camp reserved for common criminals, is a clear statement of those authorities’ disdain for internationally recognized norms of conduct.

For this reason, in protest against the violation of his Civil Rights, Dr. Darsi Ferrer has gone on a hunger strike.

We fear for his precious life, especially at a time when the Cuban nation so needs, for its own democratic revival, citizens who are fully committed to upholding the moral and ethical values that guide life in a democratic society. Dr. Ferrer is one such citizen.

Convinced of the injustice that is being meted out against Dr. Ferrer, and, through him, against the Black Movement of Cuba and the Cuban population as a whole, as well as civil, human and democratic rights the world over,

§ I appeal to the government of the Republic of Cuba and to His Excellency Raúl Castro Ruz, to cease all and any acts of intimidation against Cuba’s anti-racist activists and to free Dr. Ferrer or else try him as a political prisoner, with the right to legal defense with representation of his choice;

§ I appeal to the Federal Government of Brazil and to His Excellency Luiz Inácio Lula da Silva, to intervene urgently with the Government of the Republic of Cuba, on behalf of the respect for the democratic rights of Dr. Darsi Ferrer;

§ I beseech Dr. Darsi Ferrer to cease his hunger strike immediately, and to stop putting his life at risk, for we must not be deprived of his precious civic contribution, at a time when Cuba and the world require people with the intelligence, integrity, and commitment to justice that he has consistently displayed.

I join my voice with those who day by day, more and more insistently, are calling for Dr. Darsi Ferrer’s release from prison, while inviting all those who cherish democratic freedom, who struggle against racism, and who have always upheld the Cuban people’s right to exercise full sovereignty, to intercede with the authorities of Cuba for the immediate termination of its onslaught against the Civil Rights militants of that country.

Rio de Janeiro, 30 October 2009.

ABDIAS NASCIMENTO

Former Senator and Former Federal Congressman, Federal Republic of Brazil;

Former Rio de Janeiro State Secretary for Human Rights and Citizenship;

Founder of the Black Experimental Theater and the Afro-Brazilian Studies and Research Institute (Ipeafro);

Professor Emeritus, State University of New York.


* * * * *


LETTRE OUVERTE

AU PRÉSIDENT DE LA RÉPUBLIQUE DE CUBA

VOTRE EXCELLENCE GENERAL RAÚL CASTRO RUZ

Palais du Gouvernement (Palácio de la Revolución)

La Havane, CUBA

AU PRÉSIDENT DE LA RÉPUBLIQUE FEDERALE DU BRESIL

VOTRE EXCELLENCE LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Palais du Planalto (Palácio do Planalto)

Brasília, Brasil

AU DR. DARSI FERRER RAMÍREZ

ACTIVISTE DU MOUVEMENT NOIR DE CUBA

Prison de Valle Grande

La Havane, Cuba

En réponse à des sollicitations, provenant soit d´activistes sociaux, soit d’intellectuels, soit de personnalités diverses, de plusieurs parties du monde, mais notamment du Mouvement Noir du Brésil, je m’adresse à Vos Excellences, les présidents du Brésil et de Cuba, afin d’exprimer ma profonde préoccupation devant la situation actuel du medécin et activiste cubain des Droits Civiques et démocratiques, Dr. Darsi Ferrer.

Le 21 Juillet de 2009, lorsqu´il participait de la convocation d´une manifestation publique et pacifique, en faveur des Droits Civiques et démocratiques, le Dr. Ferrer fut arreté, sous des accusations d’ordre criminels, qui sont en contradiction flagrante, tant avec sa personnalité, comme avec son histoire personnelle et les valeurs moraux qui sont ceux de ce militant reconnu du Mouvement Noir de Cuba. Depuis lors, il est maintenu en prison, sous des conditions qui constituent un abus de ses droits.

Les faits portés à ma connaissance indiquent qu´Il s’agit bien d’un cas transparent d’intimidation politique contre ceux qui, à Cuba, élèvent leur voix pour protester contre le racisme, contra la discrimination raciale, et contre les intimidations de toutes sortes qui retombent sur ces citoyens qui, dans ce pays, osent réclamer l’implantation d’un État de Droit qui respecte la libre expression, et qui reconnaît à ces citoyens le droit de se constituer en associations, notamment ceux qui, pour une raison ou une autre, ressentent et souffrent de la discrimination et de la violation de leurs droits.

Le Dr. Darsi Ferrer n’est point un criminel ; ceci nous le savons pertinemment. Les faits indiquent que c’est par rapport à sa longue militance en faveur des Droits Civiques et Humains des populations marginalisés à Cuba - des personnes que, dans leur écrasante majorité, sont d’ascendance africaine - que les autorités cubaines décidèrent de tenter de faire taire cette voix qui les incommode.

Le fait que les autorités cubaines le jugent comme un « criminel », au point de l’emprisonner dans un centre de détention réservé aux criminels de droit commun, démontrent le mépris total qu’ont ces autorités-là pour ces droits qui sont internationallement reconnues.

C’est pour cela, que pour protester contre la violation de ses droits, le Dr. Darsi Ferrer s’est déclaré en grève de la faim.

Nous craignons pour sa précieuse vie, spécialement à un moment où la nation cubaine, pour sa renaissance démocratique, a besoin de la contribution de citoyens qui s’identifient avec les plus hautes valeurs morales et étiques qui régissent la vie démocratique. Le Dr. Ferrer est un de ces citoyens.

Pleinement convaincu de l’injustice qui est en train d’être commise à l’encontre du Dr. Ferrer, et, à travers lui, à l´encontre du Mouvement Noir de Cuba, et de toute la population cubaine, aussi bien que à l´encontre des Droits Humains et démocratiques de la par le monde,

· j’appelle au gouvernement de la République de Cuba, et tout particulièrement à son Excellence Raúl Castro Ruz, pour que cessent tous les actes d’intimidations contre les militants antiracistes, et que soit libéré, immédiatement, le Dr. Darsi Ferrer Ramírez, ou pour qu’il soit jugé comme prisonnier politique, avec le droit d’assurer sa défense avec le représentant légal de son choix.

· j’appelle au gouvernement de la République Fédérale du Brésil, et tout particulièrement à son Excellence Luiz Inácio Lula da Silva, pour qu’il intercède, avec urgence, auprès du gouvernement de la République de Cuba, en faveur du respect des Droits Civiques, Humains et démocratiques du Dr. Darsi Ferrer.

· je supplie notre frère, Dr. Darsi Ferrer, à désister immédiatement de sa grève de la faim, et de ne plus mettre sa vie en péril, car nous ne devons pas être privé de sa précieuse contribution civique, surtout à un moment où, à Cuba et ailleurs dans le monde, nous avons besoin de personnes avec l´intelligence, l´intégrité, le désintéressement dévoué, et le compromis avec la justice qu´il a sans cesse démontré.

Aussi, je joins ma voix à celles qui, à chaque jour, et de manière chaque fois plus pressante, réclament la libération du Dr. Darsi Ferrer, et convie tous ceux et celles qui croient en les libertés démocratiques, qui croient en les Droits Civiques et Humains, qui luttent contre le racisme, et qui ont toujours défendu le droit du peuple de Cuba à exercer sa pleine souveraineté, pour qu’ils intercèdent auprès des autorités de Cuba, afin qu’elles cessent, immédiatement, leur offensive contre les défenseurs des Droits Civiques dans ce Pays.

Rio de Janeiro, le 30 octobre 2009

ABDIAS NASCIMENTO

Ancien Sénateur et ancien Député Fédéral de la République Fédérale du Brésil; ancien Sécrétaire des Droits Humains et de la Citoyenneté, du gouverment de l´État de Rio de Janeiro

Fondateur du Théâtre Expérimental du Noir et de l´Institut d´Études et de Recherches Afro-brésiliens

Professor Émérite de l´Université de l´Etat de New York


* * * * *


CARTA ABIERTA

AL PRESIDENTE DE LA REPÚBLICA DE CUBA

SU EXCELENCIA GENERAL RAÚL CASTRO RUZ

Palacio de la Revolución

La Habana, Cuba

AL PRESIDENTE DE LA REPÚBLICA FEDERAL DEL BRASIL

SU EXCELENCIA LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Planalto, Casa de Gobierno

Brasilia, Brasil

AL DR. DARSI FERRER RAMÍREZ

ACTIVISTA DEL MOVIMIENTO NEGRO DE CUBA

Prisión de Valle Grande

La Habana, Cuba

En respuesta a demandas de intelectuales, activistas sociales y personalidades de diversas partes del mundo, en particular de los que integran el Movimiento Negro del Brasil, me dirijo a sus excelencias, los presidentes del Brasil y de Cuba, para expresar mi más profunda preocupación por la actual situación del Dr. Darsi Ferrer, médico cubano y activista a favor de los derechos humanos y de los derechos civiles.

El 21 de julio de 2009, mientras organizaba una manifestación pacífica a favor de esos derechos, el Dr. Ferrer fue arrestado y acusado por la presunta comisión de delitos que no se avienen con el carácter, la trayectoria histórica y los valores morales de este connotado activista del Movimiento Negro de Cuba. Desde entonces, él ha estado sujeto a prisión en condiciones que ejemplifican el abuso de sus derechos.

Los hechos, tal como he llegado a saberlos, indican que estamos ante un caso evidente de intimidación política contra los que, en Cuba, alzan sus voces de protesta contra el racismo, las prácticas discriminatorias y todo género de intimidaciones que les imponen a los ciudadanos que se atreven a reclamar, en su país, el establecimiento de un Estado que sea respetuoso de los derechos civiles, del derecho de los ciudadanos a reunirse y organizarse libremente y a manifestar, con entera libertad, su oposición a prácticas discriminatorias de las cuales se sienten víctimas por una u otra razón.

Todos sabemos que el Dr. Darsi Ferrer no es un delincuente. Los hechos indican que, debido a su largo historial de lucha consecuente a favor de los derechos de los más marginados en Cuba —que sabemos que son los de ascendencia africana— las autoridades cubanas intentan silenciar una voz que los hace sentir incómodos. El hecho de que las autoridades cubanas lo traten como un criminal, y hayan llegado al extremo de internarlo en una prisión reservada a delincuentes comunes, es una clara muestra del desdén de esas autoridades por las normas de conducta reconocidas internacionalmente.

Por esta razón, en protesta contra la violación del sus derechos civiles, el Dr. Darsi Ferrer ha iniciado una huelga de hambre.

Tememos por su valiosa vida, especialmente en un momento en que la nación cubana tanto necesita, por su propio renacimiento democrático, a ciudadanos que estén plenamente comprometidos con el sostén de los valores morales y éticos que orientan la vida en una sociedad democrática. El Dr. Ferrer es uno de esos ciudadanos.

Convencido de la injusticia que se comete contra el Dr. Ferrer y, a través de él, contra el Movimiento Negro de Cuba y la población Cubana como un todo, así como en contra de los derechos civiles, humanos y democráticos en todo el mundo:

§ Apelo al gobierno de la República de Cuba y a Su Excelencia Raúl Castro Ruz, para que cesen todos y cada uno de los actos de intimidación contra los activitas antirracistas de Cuba y para que liberen al Dr. Ferrer o, en su defecto, lo procesen como un preso político, con derecho a una defensa legal con un representante de su elección.

§ Apelo al gobierno federal del Brasil y a Su Excelencia Luiz Inácio Lula da Silva, para que medie urgentemente con el gobierno de la República de Cuba a favor del respeto de los derechos democráticos del Dr. Darsi Ferrer.

§ Suplico al Dr. Darsi Ferrer que deponga inmediatamente su huelga de hambre, y cese de arriesgar su vida, porque no debemos privarnos de su valiosa contribución cívica en un momento en que Cuba y el mundo necesitan de personas con la inteligencia, la integridad y el compromiso con la justicia que él consecuentemente ha demostrado.

Uno mi voz a los que día tras día, y cada vez con mayor insistencia, piden la liberación del Dr. Darsi Ferrer, al tiempo que invito a todos los que aprecian las libertades democráticas, que luchan contra el racismo y que siempre han defendido el derecho del pueblo cubano al ejercicio de su plena soberanía, a interceder con las autoridades de Cuba para que cese inmediatamente este asalto contra los militantes de los derechos civiles en ese país.


Rio de Janeiro, 30 de outubro de 2009

ABDIAS NASCIMENTO

Ex-senador e ex-diputado federal de la República Federal del Brasil; ex-secretario de Derechos Humanos e Ciudadanía del Gobierno del Estado de Rio de Janeiro

Fundador del Teatro Experimental del Negro y del Instituto de Pesquisas y Estudios Afro-Brasileños

Profesor Emérito de la Universidad del Estado de Nueva York


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Brasil de Fato: Mutirão de Assinaturas

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A experiencia do Brasil de fato ja dura seis anos.

Nesse tempo, mantivemos viva a ideia de um jornal impresso, semanal, destinado a militancia, que circulou regularmente todas as semanas, apesar de todas dificuldades.

Construimos uma agencia de Noticiasde radio, que produz informativos e programas e distirbui para mais de 300 radios comunitarias, publicas e comerciais.

Construimos edições especiais, tematicas, coladas com encomendas de movimentos sociais ou campanhas. Nessas edições as tiragens tem variado de 200 mil ate um milhao de exemplares. As ultimas ediçoes especiais, foram sobre agroecologia, sobre o Nordeste, e proximamente vamos editar um jornal especial sobre as consequencias sociais dos projetos financiados pelo BNDES.

Temos uma pagina de noticias na internet, que tem acessos diarios proximos a dez mil consultas.

E temos um boletim semanal, que resume as principais materias e noticias do jornal impresso enviado para mais de cem mil destinatarios.

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Contribua para manter a imprensa popular e militante. Sem um verdadeiro mutirão de todos e todas é impossivel resistir.

Aproveite as festas de final de ano, para estimular um presente inteligente e duradouro para todo ano.

Veja as orientações anexo.

* * * * *

Prezado (a) companheiro(a), amigo (a),

O jornal Brasil de Fato, foi lançado em 2003 no III Fórum Social Mundial, fruto de um imenso esforço conjunto de movimentos sociais, intelectuais de esquerda e lutadores do nosso povo, o Brasil de Fato segue firme com o compromisso para o qual nasceu: contribuir para a construção de um novo ponto de vista na sociedade, capaz de ajudar nosso povo a se colocar enquanto sujeito da sua própria história, transformando-se em protagonista decisivo das transformações estruturais de que necessita o país.

Nesse período de seis anos de existência, temos conseguido furar os cercos da grande mídia, sempre resistindo a boicotes e lutando contra condições extremamente adversas, a começar pela ofensiva ideológica dos oligopólios da informação em nosso país. Mesmo com todas as adversidades, o Brasil de Fato vem atingindo parcela cada vez maior da população, já estando presente em todos os Estados do Brasil, America do Norte, Latina e Europa.

Construído pelo trabalho militante dos jornalistas e contando com a colaboração dos movimentos sociais e intelectuais comprometidos, desde o início temos enfrentado um difícil desafio: garantir a viabilidade financeira do jornal. Embora não exclusivamente, o Brasil de Fato é sustentado basicamente pelas assinaturas.

As experiências anteriores e nossa própria nos ensinaram que, diferentemente daqueles jornais que dependem dos grandes grupos econômicos, a viabilidade financeira do Brasil de Fato pode e deve ser alcançada através principalmente dos assinantes.

Assim, com vistas a ampliar o número de assinaturas e divulgar este importante veículo de comunicação e garantir a independência financeira do jornal, decidimos ampliar e diversificar as ações de divulgação. Para tal, estamos promovendo juntamente com todos os amigos e parceiros a SEMANA DE MUTIRÃO DE ASSINATURAS, que ocorrerá dos dias 15 a 25 de Novembro. A idéia é que cada entidade, organização, movimento tire esses dias para priorizar trabalho com o Brasil de Fato, jogando suas energias na busca de assinaturas, liberando os militantes para se dedicarem a divulgação e captação de assinaturas.

É importante que em cada estado as organizações que podem atuar neste Mutirão, promova reuniões para planejar, organizar a semana e dispor os militantes busca de assinaturas.

Velhas propostas muitas vezes não puderam ser executadas por falta de tempo e de pessoal podem ser assumidas coletivamente dentro desta semana : Acompanhamento de eventos políticos e culturais, visita pessoal aos sindicatos, escolas, universidades, prefeituras, bibliotecas publicas, gabinetes e até amigos e familiares.

Em São Paulo faremos o lançamento do Mutirão no dia 13/11. Cada estado pode realizar um lançamento se entender que ajuda na ação local.

Abaixo segue um pequeno manual com orientações para esta semana e os contatos de ajuda e apoio.

Estamos confiantes que, você representará o Brasil de Fato, pois nosso jornal é feito para o conhecimento e o trabalho de todos aqueles que almejam um Brasil com justiça social e soberania popular.

Por trás do Brasil de Fato estão os assinantes,
E dos assinantes, o trabalho de cada militante!


PROCEDIMENTO DE ASSINATURA

TIPOS DE ASSINATURA


Anual - 52 exemplares: R$ 100,00.
Bienal - 104 exemplares: R$ 180,00.

ASSINATURA SOLIDÁRIA

Essa assinatura é para pessoas que querem dar uma contribuição á mais, para o jornal. Neste caso a porcentagem do vendedor é referente ao valor normal da assinatura.

Anual - 52 exemplares: R$ 130,00.
Bienal - 104 exemplares: R$ 220,00.

Formas de pagamento:

A. Dinheiro (à vista).

B. Depósito Bancário (à vista).

C. Cheque (à vista ou em até 04 vezes sem juros).

D. Boleto bancário (em até 04 vezes, acrescido taxa administrativa de R$ 2,80 por boleto).

E. Cartão de crédito Visa ou Mastercard (em até seis vezes sem juros).

OBS. Não trabalhamos com débito em conta.


A) Procedimento para pagamento em dinheiro:

PASSO 1 – Preencher ficha de assinatura com os dados do assinante.

PASSO 2 – Retenha 20% do valor, a título de comissão, e depositar o restante.

PASSO 3 – Enviar os dados de cadastro da assinatura por e-mail ou telefonar, para que o assinante comece a receber o jornal o quanto antes.

PASSO 4 – Enviar para o jornal, por carta registrada (endereço no final do documento) ou fax (11 3666 0753) o comprovante de depósito;

B) Procedimento para pagamento em depósito bancário:

PASSO 1 – Preencher ficha de assinatura com os dados do assinante.

PASSO 2 – Fazer o depósito, e mandar o comprovante via fax (11 3666-0753) ou através do e-mail: assinaturas@brasildefato.com.br A/C Juliana Fernandes.

PASSO 3 – Enviar os dados de cadastro da assinatura por e-mail ou telefonar, para que o assinante comece a receber o jornal o quanto antes (Não se esquecer de informar o agendamento do depósito, pois o assinante só começa a receber o jornal, após confirmação de depósito);

C) Procedimento para pagamento em boleto bancário ou cartão de crédito:

PASSO 1 – Preencher ficha de assinatura com os dados do assinante.

PASSO 2 – Enviar os dados de cadastro da assinatura por e-mail ou telefonar, para que possamos passar o cartão e/ ou enviar os boletos bancários (veja com o assinante se podemos enviar o boleto por e-mail).

D) Procedimento para pagamento ser com cheque à vista ou em 02, 03 ou 04 vezes:

PASSO 1 – Preencher ficha de assinatura com os dados do assinante

PASSO 2 – Combine os prazos de pagamento com o assinante:

Formas de parcelamento e pré-datado:
1. À vista (Prazo à vista, até 30 dias diretos)
2. Duas vezes: entrada + 30 dias.
3. Três vezes: entrada, 30 e 60 dias.
4. Quatro vezes: entrada, 30, 60 e 90 dias.

PASSO 3 – Envie para o jornal a ficha preenchida e os cheques por carta registrada (Endereço citado no final do documento).

PASSO 4 - Enviar os dados de cadastro do assinante por e-mail ou telefonar, para que o assinante comece a receber o jornal o quanto antes.


ATIVAÇÃO DA ASSINATURA

Quando o assinante começa a receber o jornal?

Pagamento em dinheiro
Assim que recebermos os dados do assinante e confirmarmos o pagamento.

Pagamento através de depósito Bancário
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Pagamento através de cartão de crédito
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Por isso, é fundamental que os dados do assinante sejam enviados para o jornal e que haja a confirmação da venda conosco, por telefone ou e-mail, assim que a venda for realizada.

Nos casos de pagamento em dinheiro ou depósito é fundamental que o depósito seja feito imediatamente.

Dado das contas bancárias:

Bradesco
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Ag: 0296-8
C/C: 67.880-5

Banco do Brasil
Sociedade Editorial Brasil de Fato
Ag: 0383-2
C/C: 16.580-8

*Endereço para envio da Carta registrada:
Setor de Assinaturas – Jornal Brasil de Fato
Alameda Eduardo Prado 676
Campos Elíseos, CEP: 01218-010
São Paulo – SP

Brinde e Sorteio

Vendedor: Quem vender mais assinaturas entre os dias 15 a 25 de Novembro e efetivadas até 10 de Dezembro de 2009 ganhará uma passagem aérea de livre escolha de qualquer lugar do Brasil para qualquer lugar no Brasil. (Não é sorteio; quem for o vendedor com maior numero de assinaturas efetivadas ganhará a passagem).

Assinante: Todos os pedidos de assinaturas feitas entre os dias 15 a 25 de Novembro e efetivadas até 10 de Dezembro de 2009 concorrerá ao sorteio de dois prêmios:
1) kit com 5 livros do István Mészáros;
2) kit com coleção de livros do Leandro Konder.

O sorteio dos kit será no dia 18/12.

Contato para envio de assinaturas:

Juliana Fernandes – Setor de Assinaturas Jornal Brasil de Fato
Assinaturas e Conciliação de Pagamentos
11 2131-0800 ramal 110105
assinaturas@brasildefato.com.br

Contatos da equipe operativa :

Alanderson Reis
Setor Administrativo – Jornal Brasil de Fato
11 2131-0800 ramal 110123
alan@brasildefato.com.br

Diva Braga
Coletivo Brasil de Fato – Assinaturas
11 6521 1985
divabraga@yahoo.com.br

Antonio David
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11 3361 3866
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Mary Silva
Setor Comunicação – MST
Publicações Sem Terra
11 2131 0840
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Contato logístico e apoio:

Everton Miranda
Setor Comercial – Jornal Brasil de Fato
11 2131-0800 ramal 110113
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Reila Miranda
Setor Comercial – Jornal Brasil de Fato
11 2131-0800 ramal 110107
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Programação Cultural da Livraria Saraiva

The Beatles
PROGRAMAÇÃO CULTURAL 9 a 15/11

9/11 – SEGUNDA-FEIRA, 19H30
Pocket Show Passeando em Abbey Road – Parte 2
Em homenagem aos 40 anos do lançamento do álbum “Abbey Road”, o décimo-segundo disco da carreira dos Beatles e um dos mais conceituados do grupo britânico, a banda amazonense Aliases faz novamente uma apresentação especial com repertório dedicado inteiramente à carreira do quarteto mágico de Liverpool.

11/11 – QUARTA-FEIRA, 19H30
Oficina de artesanato Bolas de Natal, com Ana Zaratin. Inscrições no setor de atendimento.

12/11 – QUINTA-FEIRA, 19H30
Lançamento do livro Extremos – Relações de representações, indicativos a uma curadoria, de Cristóvão Coutinho
A obra é um memorial descritivo e curatorial, que tem como objetivo principal possibilitar a execução de uma curadoria envolvendo onze artistas amazônicos que utilizam uma linguagem contemporânea. Pocket show com percussionista Mau Mau.

13/11 – SEXTA-FEIRA, 19H
Lançamento do livro Pronto pra Guerra - Preparação Física específica para Luta & Superação, de Leandro Paiva
O livro é uma ótima pedida para quem é preparador físico, praticante ou treinador de MMA, Jiu-Jitsu, Grappling e Submission. A obra tem mais de 500 imagens exclusivas, de nomes consagrados das lutas como Ricardo Arona, Thiago Silva, Ronaldo Jacaré, Jorge Patino Macaco, Omar Salum e Bibiano Fernandes.

14/11 – SÁBADO, 16H
Lançamento do livro O que eu faço não sabes agora, de Lacy D´Araújo
A obra de Lacy D´Araújo é uma auto-biografia com inúmeros exemplos de fé e perseverança ao longo de uma vida dedicada à religiosidade e à família. Cheio de relatos emocionantes e testemunhos de fé, o livro mostra quão frágil é o ser humano sem o suporte espiritual de Deus.

14/11 – SÁBADO, 16 ÀS 18H
Hora da Criança com Artcena Produções
Traga a garotada para se divertir com as histórias contadas pelos educadores da Artcena.

15/11 – DOMINGO, 16 ÀS 18H
Hora da Criança com Artcena Produções
Traga a garotada para se divertir com as histórias contadas pelos educadores da Artcena.

Andreia Mayumi
Assistente de comunicação
Saraiva MegaStore Manaus
(92) 3236 9200 R-2033 / 8102 7432
andreiam@livrariasaraiva.com.br
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Comunicado sobre órden de aprehensión

Comunicado sobre órden de aprehensión

Herman@s, compañer@s de lucha, organizaciones sociales, organizaciones y comunidades indígenas, Centros independientes de Derechos Humanos, ONGs, Colectivos y compañer@s en lo individual, Radios y Medios Libres y comunitarias:

Una vez más nos dirigimos a ustedes para solicitar su solidaridad y darles a conocer la situación que estamos viviendo como pueblo, como organización y en especial la difícil situación que está viviendo nuestro compañero David Valtierra Arango, uno de los fundadores de Radio Ñomndaa.

Como tod@s ustedes ya tienen conocimiento, nosotr@s somos una pequeña organización que es parte de una lucha más amplia: la lucha por el respeto yel reconocimiento de los derechos colectivos de los pueblos originarios de este país y en la medida de nuestras limitadas posibilidades, en los últimos casi cinco años, hemos estado ejerciendo en los hechos, el derecho que como pueblo tenemos a poseer y operar nuestros propios medios de comunicación, como es Radio Ñomndaa, La Palabra del Agua.

Como ya les hemos venido informando, desde que iniciamos transmisiones hemos recibido hostigamiento y criminalización de nuestra lucha por parte de las autoridades federales, estatales y municipales y de caciques de la región. En comunicados pasados les hemos dado a conocer varios casos de represión, hostigamiento y persecución jurídica que hemos padecido por defender nuestros legítimos derechos.

Queremos en esta ocasión darles a conocer que el día viernes 30 de octubre del presente año, hemos confirmado con el apoyo del Centro de Derechos Humanos de la Montaña "Tlachinollan" que nuevamente nuestro compañero David Valtierra Arango tiene otra demanda en su contra, ahora bajo la causa penal 257-III/2009 y que desde el día 13 de octubre del presente año, el Juez Penal de Primera Instancia del Distrito de Abasolo con sede en Ometepec, Gro., el Lic. Derly Arnaldo Alderete Cruz, ha girado la orden de aprehensió nen contra de nuestro compañero, quien está acusado por los delitos de "privación de la libertad personal y robo, en agravio de Ariosto Rocha Ramírez".

Queremos recordarles que es la segunda demanda que enfrenta nuestro compañero, actualmente ya va para dos años que está enfrentando un delito igual, "por privación ilegal de la libertad personal en agravio de Narcico García" por lo que está bajo fianza y cada fin de semana ha tenido que ir afirmar al mencionado juzgado.

Ambas demandas están basadas en invenciones y mentiras, y como ustedes ya se habrán dado cuenta, esto es una persecución, es la criminalización del trabajo de nuestro compañero por participar de manera decidida en los defensa de nuestro derechos indígenas ante los hechos arbitrarios de la cacique priísta Aceadth Rocha Ramírez, actual diputada local, dos veces presidente municipal de Xochistlahuaca y varias veces diputada local.

Como es muy evidente y como lo hemos venido denunciando, detrás de estas demandas está la mencionada cacique. Ahora el "agraviado" es su hermano Ariosto Rocha Ramírez, quien es conductor del "espacio noticiero" de la radio pirata "La líder" propiedad de la cacique, instrumento de desinformación y ataque a los opositores.

Según nos hemos enterados, no es solamente nuestro compañero David Valtierra Arango el que cuenta con orden de aprehensión, sino que hay vari@s opositores de los diferentes partidos políticos que han disputado el poder al gobierno caciquil de Aceadth Rocha Ramírez.

Con esto es muy evidente la persecución a todo opositor que resiste o denuncia los robos, las injusticias, los saqueos, malversaciones de los recursos públicos de parte del gobierno caciquil.

El día de hoy domingo 01 de noviembre, se llevaron a cabo varios operativos a cargo del Ministerio Público con la finalidad de aprehender a los opositores: se puso un operativo en la entrada a la comunidad de Xochistlahuaca, otro operativo en el lugar conocido como "las cruces", desviación hacia Tlacoachistlahuaca, afortunadamente hasta el momento nadie ha caído.

Con estos hechos en pleno días de fiesta de los muertos, se intimida y se hostiga a los opositores, todo esto bajo la aprobación del "estado de derecho" y con el respaldo de las instancias de "procuración y justicia", que como todos ya lo sabemos porque lo hemos padecido, se vende al mejor postor. Ante estos hechos, no nos queda más que acudir a su solidaridad, solicitando la difusión de estos hechos y pedirles que estén al pendiente de lo que pudiera ocurrir en Xochistlahuaca en estos días que vienen.

Por nuestra parte vamos a seguir informándoles, ya estamos también organizándonos para detener de manera colectiva, como pueblo y como organización este nuevo ataque de la cacique.

¡Ni un compañer@ más a la cárcel!
¡Libertad a tod@s l@s pres@s políticos!
¡Nunca más un México sin Nosotr@s!
¡Nunca más un México sin Nuestra Palabra!

Atentamente

Coordinación General de Radio Ñomndaa, La Palabra del Agua.
Suljaa', Guerrero, México, a 01 de Noviembre del 2009.

Área Internacional
Centro de Derechos Humanos de la Montaña Tlachinollan
Mina # 77, Col. Centro, C.P. 41304, Tlapa de Comonfort, Guerrero, México.
Tel: (+52) (01) 757 476 12 20 Fax (+52) (01) 757 476 12 00
www.tlachinollan.org <http://www.tlachinollan.org/> .
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Homenagem a Narciso Lobo

Narciso Lobo
Foto: Rogelio Casado - Manaus-Amazonas, 2007

Caros amigos,

A Cristina Calderaro (Rede Calderaro - radio, tv e jornal A Critica) disponibilizou-nos um caderno especial sobre o Narciso.

Fiquei muito feliz em poder expressar nossos sentimentos para o querido amigo. Narciso que caiu diante do combate contra a doença que contaminou o "amor livre". Ele que foi o líder estudantil Narciso em 1968, em Manaus, quando aconteceu a primeira manifestação popular contra a ditadura desde o golpe 64.

Narciso aos 14 anos fez o que sempre desejou fazer: jornalismo. Tornou-se mestre, doutor e imortal da academia amazonense de letras, mas principalmente um militante libertário das causas necessarias e solidarias.

Por tudo isso gostaria de convida-los a se reunirem à mim e ao Milton Hatoum, nesta homenagem.

Caso tenham fotos, recortes ou qualquer outra recordação para que possamos publicar, mas tambem, como sugestão: um curto texto 10 linhas/máximo 20.

Esse caderno especial (encarte numa edição de final de semana), está programado antes do dia 20 de dezembro de 2009.

Por favor me enviem via e-mail ou correios até o dia 05 de dezembro.

"- O uirapuru está cantando!"

Aurelio

PS. Gostaria de convidar o poeta Elson Farias, Aldisio Filgueiras, o jornalista e incentivador do Narciso, Arlindo Porto. Caso vcs tenham contato com esses amigos, por favor repassem esta mensagem. Em tempo: estarei em Manaus a partir do dia 07 de novembro.

-- Aurélio Michiles
IMAGEM CEUVAGEM
tel. 5511 8431 9779
tel.fax. 5511 3663 4634
http://ceuvagemichiles.blogspot.com
skype: ceuvagem

***

Olá, Aurélio

Nos anos 1980, Narciso Lobo participou em Manaus da realização de um documentário sobre o I CECLAT (Conferência Estadual das Classes Trabalhadoras), que resultou na formação da CUT (Central Única dos Trabalhadores) em nível nacional. O eventou aconteceu no Sindicato dos Metalúrgicos do Estado do Amazonas. Trabalhadores de todos os municípios amazonenses vieram a Manaus para esse acontecimento histórico. O documentário foi fruto de um esforço coletivo. Para isso, contribuiram a professora de História Márcia Brandão, o multimídia Simão Pessoa, o fotógrafo Isaac Amorim e este escriba, depois de ouvirem dezenas de representantes do movimento sindical e associativista. A edição do vídeo foi feita por Narciso. Esse documentário histórico está perdidinho da silva. Ninguém sabe, ninguém viu. Nem a memória de Narciso, nem a memória dos trabalhadores do Amazonas merecem esse esquecimento.
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Rede Globo continua defendendo o golpe em Honduras

Charge postada em universouniversal.wordpress.com
Oleo do Diabo

Voltando à Honduras, bem que eu desconfiava que o tal Micheletti não fosse cumprir o acordo. Por isso é tão absurda a comparação entre Zelaya e Micheletti, colocando um golpista desonesto, desleal, mentiroso, violento, covarde, ao mesmo nível que Zelaya, um presidente legitimamente eleito pelo povo hondurenho, e que, até o momento, tem se mostrado uma figura honrada e corajosa.

Os jornais brasileiros se apressaram em lamber as botas do governo americano, tentando, com isso, deslegitimarem qualquer contribuição brasileira para a solução do imbróglio. Se ferraram mais uma vez. Os EUA, ao tentarem desatar o nó de maneira unilateral, envolveram-se no que arrisca ser um tenebroso fiasco diplomático e político, que pode inclusive degenerar numa guerra civil. Em vez de usar as organizações internacionais, como OEA e ONU, como o Brasil sempre defendeu, os EUA tentaram resolver o conflito na base da chantagem imperial, na base do "falar grosso". Deu no que deu.

O ponto mais revoltante é que a mídia brasileira sequer se solidariza com o sofrimento inflingido aos funcionários brasileiros e cidadãos hondurenhos que estão na Embaixada em Tegucigalpa. Ao contrário, parece incitar ódio contra os brasileiros.

Serra, aliás, fez sim uma declaração sobre Honduras. Disse que era uma "trapalhada" da diplomacia, mostrando-se desinformado e não solidário com seu próprio país. O que gostaríamos de ouvir, no entanto, é a opinião de Serra sobre o golpe de Estado. Ao defender o golpe, setores midiáticos ligados ao tucanato revelam o apreço torto que tem pela democracia, e o próprio tucanato, ao não tomar posição num tema geopolítico fundamental para as Américas, revela-se um partido desvirilizado, retrógrado, despreparado, com o germe golpista circulando-lhe pelo sangue de barata. O PSDB tornou-se refém de intelectuais de extrema-direita, como Reinaldo Azevedo e Merval Pereira, e afundou-se num lamaçal ideológico onde se vê apenas insegurança, covardia, confusão e conservadorismo. As repetidas declarações contra Chávez, repetidas pelos barões do tucanato, refletem essa irresponsabilidade quase adolescente, de quem precisa se auto-afirmar, e mostram políticos despreparados para governar o Brasil, pois compraram muito levianamente o discurso conservador da mídia, sem atentar para o fato de Chávez ser um presidente da república legitimamente eleito, num país com parlamento, judiciário, ministério público, ou seja, num país perfeitamente democrático, e, o que é importante (porque significa dinheiro, empregos, vida), um país que mantém um gigantesco volume de comércio com o Brasil. O tucanato, ligado apenas aos lordes rentistas, desprezam inclusive o valor do dinheiro oriundo do setor produtivo e exportador, esse dinheiro que se converte em empregos, em qualidade de vida, em alegria, e do qual o Brasil precisa desesperadamente para se desenvolver. É uma diplomacia arrogante e estúpida, porque não vêem como os EUA mantém relações amistosas com a Arábia Saudita, Paquistão e China, mesmo que esses países não compartilhem dos mesmos valores democráticos defendidos pela Casa Branca. A demonização da Venezuela é infantil e contraproducente, e o fato da oposição comprar essas idéias mostra o quanto ela é incompetente. É bom não esquecer que Chávez foi vítima de um golpe de Estado em 2002, e que os meios de comunicação venezuelanos, que hoje se posam de vítimas, defenderam o golpe. Aliás, a mídia brasileira também comprou muito facilmente aquele golpe. Por isso é tão grave que esse mesmo comportamento, esses mesmos valores golpistas, voltem a se manifestar na defesa do regime golpista de Honduras. Cada vez mais a imprensa brasileira faz jus ao epíteto de PIG (Partido da Imprensa Golpista) que o grande público da internet vem lhe dando.

Leia www.oleododiabo.blogspot.com
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Fidel entre o descanso e a escrita

Charge do Latuff

Enquanto descansa, o Comandante Fidel
escreve para los hermanos de América Latina.
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A anexação da Colômbia aos Estados Unidos

Fidel Castro
Foto: Reporte360

A ANEXAÇÃO DA COLÔMBIA AOS ESTADOS UNIDOS

Reflexões do Fidel Castro


Qualquer pessoa medianamente informada compreende de imediato que o adoçado “Acordo Complementar para a Cooperação e a Assistência Técnica em Defesa e Segurança entre os governos da Colômbia e dos Estados Unidos”, assinado em 30 de outubro e publicado na tarde do dia 2 de novembro equivale a anexação da Colômbia aos Estados Unidos.

O acordo põe em dificuldades a teóricos e políticos. Não é honesto guardar silêncio agora e falar depois sobre soberania, democracia, direitos humanos, liberdade de opinião e outras delicias, quando um país é devorado pelo império com a mesma facilidade com que um lagarto captura uma mosca. Trata-se do povo colombiano, abnegado, trabalhador e lutador. Procurei no longo calhamaço uma justificação digerível e não encontrei razão alguma.

Nas 48 páginas de 21 linhas, cinco são dedicadas a filosofar sobre os antecedentes da vergonhosa absorção que torna a Colômbia em território de ultramar. Todas se baseiam nos acordos assinados com os Estados Unidos após o assassinato do prestigioso líder progressista Jorge Eliécer Gaitán no dia 9 de abril de 1948 e a criação da Organização de Estados Americanos em 30 de abril de 1948, discutida pelos Chanceleres do hemisfério, reunidos em Bogotá sob a batuta dos Estados Unidos nos dias trágicos em que a oligarquia colombiana truncou a vida daquele dirigente e desatou a luta armada nesse país.

O Acordo de Assistência Militar entre a República da Colômbia e os Estados Unidos, no mês de abril de 1952; o vinculado à “uma Missão do Exército, uma Missão Naval e uma Missão Aérea das Forças Militares dos Estados Unidos”, assinado no dia 7 de outubro de 1974; a Convenção das Nações Unidas contra o Tráfico Ilícito de Entorpecentes e Substâncias Psicotrópicas, de 1988; a Convenção das Nações Unidas contra a Criminalidade Organizada Multinacional, de 2000; a Resolução 1373 do Conselho de Segurança de 2001 e a Carta Democrática Interamericana; a de Política de Defesa e Segurança Democrática, e outras que são invocadas no referido documento. Nenhuma justifica transformar um país de 1 141 748 quilômetros quadrados, situado no coração da América do Sul, em uma base militar dos Estados Unidos. A Colômbia tem 1,6 vezes o território de Texas, segundo Estado da União em extensão territorial, arrebatado ao México, e que mais tarde serviu de base para conquistar a sangue e fogo mais da metade desse irmão país.

Por outro lado, transcorreram já 59 anos desde que soldados colombianos foram enviados até a longínqua Ásia para combaterem junto às tropas ianques contra chineses e coreanos no outubro de 1950. O que o império tenta agora é enviá-los a lutar contra seus irmãos venezuelanos, equatorianos e outros povos bolivarianos e da ALBA para destruir a Revolução Venezuelana, como tentaram fazer com a Revolução Cubana no mês de abril de 1961.
Durante mais de um ano e meio, antes da invasão, o governo ianque promoveu, armou e utilizou os bandos contra-revolucionários do Escambray, como hoje utiliza os paramilitares colombianos contra a Venezuela.

Quando o ataque de Bahia dos Porcos, os B-26 ianques tripulados por mercenários que operaram desde a Nicarágua, seus aviões de combate eram transportados para a zona das operações num porta-aviões e os invasores de origem cubana que desembarcaram naquele ponto vinham escoltados por navios de guerra e pela infantaria de marinha dos Estados Unidos. Hoje seus meios de guerra e suas tropas estarão na Colômbia não apenas como uma ameaça para a Venezuela senão para todos os Estados da América Central e da América do Sul.

É verdadeiramente cínico proclamar que o infame acordo é uma necessidade de combate ao tráfico de drogas e ao terrorismo internacional. Cuba tem demonstrado que não é preciso a presença de tropas estrangeiras para evitar a cultura e o tráfico de drogas e para manter a ordem interna, apesar de que os Estados Unidos, a potência mais poderosa da terra, promoveu, financiou e armou durante dezenas de anos as ações terroristas contra a Revolução Cubana.

A paz interna é uma prerrogativa elementar de cada Estado; a presença de tropas ianques em qualquer país da América Latina visando esse objetivo é uma descarada intervenção estrangeira em seus assuntos internos, que inevitavelmente provocará a rejeição de sua população.

A leitura do documento demonstra que não apenas as bases aéreas colombianas são postas nas mãos dos ianques, mas também os aeroportos civis e no fim das contas, qualquer instalação útil a suas forças armadas. O espaço radioelétrico fica também à disposição desse país portador doutra cultura e de outros interesses que não têm nada a ver com os da população colombiana.

As Forças Armadas norte-americanas gozarão de prerrogativas excepcionais.

Em qualquer parte de Colômbia os ocupantes podem cometer crimes contra as famílias, os bens e as leis colombianas, sem ter que responder perante as autoridades do país; a não poucos lugares levaram os escândalos e as doenças, como o fizeram com a base militar de Palmerola, nas Honduras. Em Cuba, quando visitavam a neocolônia, sentaram-se escarranchados sobre o colo da estátua de José Martí no Parque Central da capital. A limitação vinculada ao número total de soldados pode ser alterada a pedido dos Estados Unidos, sem restrição alguma. Os porta-aviões e navios de guerra que visitem as bases navais concedidas terão quantos tripulantes precisarem, e podem ser milhares em um só de seus grandes porta-aviões.

O Acordo será prorrogado por períodos sucessivos de 10 anos e ninguém pode alterá-lo senão no fim de cada período, comunicando-o com um ano de antecedência. O que farão os Estados Unidos se um governo como o de Johnson, Nixon, Reagan, Bush pai ou Bush filho e outros semelhantes recebesse a solicitação de abandonar Colômbia? Os ianques foram capazes de derrocar dezenas de governos em nosso hemisfério. Quanto duraria um governo na Colômbia se anunciasse tais propósitos?

Os políticos da América Latina têm agora perante si um delicado problema: o dever elementar de explicar seus pontos de vista sobre o documento de anexação. Compreendo que o que acontece neste instante decisivo das Honduras ocupe a atenção dos meios de divulgação e dos Ministros das relações Exteriores deste hemisfério, mas o gravíssimo e transcendente problema que acontece na Colômbia não pode passar inadvertido para os governos latino-americanos.

Não tenho a menor dúvida sobre a reação dos povos; sentirão o punhal que se crava no mais profundo de seus sentimentos, especialmente no profundo da Colômbia: eles opor-se-ão, jamais se resignarão a essa infâmia!

O mundo encara hoje graves e urgentes problemas. A mudança climática ameaça a toda a humanidade. Líderes da Europa quase imploram de joelhos algum acordo em Copenhague que evite a catástrofe. Apresentam como realidade que na Cúpula não se alcançará o objetivo de um convênio que reduza drasticamente a emissão de gases estufa. Prometem continuar a luta por consegui-lo antes de 2012; existe o risco real de que não se possa conseguir antes que seja demasiado tarde.

Os países do Terceiro Mundo reclamam com razão dos mais desenvolvidos e ricos centenas de milhares de milhões de dólares anuais para custear as despesas da batalha climática.

Tem algum sentido que o governo dos Estados Unidos dedique tempo e dinheiro na construção de bases militares na Colômbia para impor aos nossos povos sua odiosa tirania? Por esse caminho, se um desastre ameaça o mundo, um desastre maior e mais rápido ameaça o império e tudo seria resultado do mesmo sistema de exploração e saqueio do planeta.

Fidel Castro Ruz
6 de novembro de 2009
10h39

Agência Cubana de Notícias

www.cubanoticias.ain.cu

ain portugues@ain.cu

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Leia ainda:

Fidel Castro afirma que Colombia se anexó a EE.UU. con acuerdo militar

El ex presidente cubano advirtió que "el acuerdo se extenderá por períodos sucesivos de 10 años, y nadie puede modificarlo sino al final de cada período, advirtiéndolo un año antes"

La Habana, ABN.- En su artículo de opinión que publicó este sábado el diario Gramma de La Habana, el líder de la revolución cubana, Fidel Castro, expresa que cualquier persona medianamente informada comprende de inmediato que el edulcorado “Acuerdo complementario para la Cooperación y Asistencia Técnica en Defensa y Seguridad entre los gobiernos de Colombia y Estados Unidos”, firmado el 30 de octubre y publicado en la tarde del 2 de noviembre, equivale a la anexión de Colombia a Estados Unidos.

Destacó que "lo que el imperio pretende ahora es enviarlos (a los militares colombianos) a luchar contra sus hermanos venezolanos, ecuatorianos y otros pueblos bolivarianos y del ALBA, para aplastar la Revolución Venezolana, como trataron de hacer con la Revolución Cubana en abril de 1961".

Leia mais em Report360
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Novembro 08, 2009

eu-odeio-caetano-veloso-ponto-com-ponto-br


Vídeozinho transcrito e legendado pela equipe do CAIPIGRUTA (versão brasileira do podcast inglês CAIPIRINHA APPRECIATION SOCIETY) em um par de horas, para aproveitar o gancho do baiano. Releve os erros de datilografia, não é que sejamos analfabetos...
: : :

Muitos se perguntam qual a causa do abismo que existe entre a cultura popular e a indústria da música popular brasileira. Parece que Vlado Lima e Os Tropeçalistas botaram o dedo na ferida. E depois jogaram sal...

Fonte:
CaipirinhaAppSoc

Levis-Strauss e Verequete

TAQUI PRA TI

LEVI-STRAUSS E VEREQUETE

José Ribamar Bessa Freire
08/11/2009 - Diário do Amazonas

Final da década de 60. É a primeira vez que Pelé joga em Manaus. O time completo do Santos enfrenta o Nacional, bi-campeão amazonense (1968-1969). O estádio Ismael Benigno lotado. Os jogadores se aquecem. O locutor João Bosco Ramos de Lima, da Rádio Difusora, informa a escalação dos dois times e passa a bola para o seu colega: - Vamos ouvir as primeiras impressões abalizadas do nosso comentarista, membro da ACLEA, num patrocínio do Guaraná Luséia! Faaaaala, Moreira!

- O Santos vai golear! O Nacional não tem ‘estrotóra’ para resistir, Bosco!

Moreira, excelente comentarista, tinha carteirinha da ACLEA – Associação de Cronistas e Locutores Esportivos do Amazonas. Ele estava fascinado com a palavra ‘estrutura’, então na moda, que pronunciava, como muitos de nós amazonenses, trocando as vogais. Tudo para ele era ‘estrotóra’. A bola começou a rolar, o Santos enfiou de cara um gol em Marialvo, narrado por Bosco, que acionou o nosso comentarista: - Num patrocínio do Guaraná Baré, Moreira vai dizer como é que é. Faaaala, Moreira!

- O lance foi exatamente como você falou. Bem que eu disse! A defesa do Nacional não tem ‘estrotóra’ para conter o ataque fulminante de craques como Pelé, Pepe, Manuel Maria e Werneck. Vai ser goleada! É com você, Bosco!


Mas o time local resistiu. O primeiro tempo terminou Santos 1 x Nacional 0. No intervalo, no bate-papo com Bosco, Moreira usou 22 vezes a palavra ´estrotóra´, uma delas para comentar um carrinho que Lió deu em Clodoaldo: - Ele não sofreu, porque canela de craque tem ‘estrotóra’ para agüentar bicanca.

Vem o segundo tempo na narração de Bosco: - Rolinha dá um banho de cuia em Turcão, cruza pro Pretinho, ele mata a bola no peito, chuta, é gooooool do Nacional. Pretiiiinho! Aos três minutos do segundo tempo balança as redes de Gilmar e empata o jogo. Tudo igual, num patrocínio do Guaraná Magistral! Fala, Moreeeeira!

- O lance foi exatamente como você falou, mas o bandeirinha Pereira Serra não teve ‘estrotóra’ para marcar o impedimento de Pretinho. Esse foi o gol de honra. A goleada virá.


Para encurtar a história que está ficando muito comprida: o jogo permaneceu empate até o último minuto, quando Pelé fez o segundo. Final: Santos 2 x Nacional 1, contrariando o nosso querido locutor, que não tinha ‘estrotóra’ para comentar a partida.

Pai do Estruturalismo

Mas nessa altura do campeonato, não é o jogo que interessa, nem seus comentaristas. O que queremos saber é de onde Moreira tirou a palavra ‘estrutura’ repetida tantas vezes com o nosso saboroso sotaque regional. Ela estava nos dicionários, é verdade, mas seu uso não estava popularizado. Eis o que eu queria dizer. Se Moreira pagasse um centavo de direitos autorais cada vez que empregasse a palavra ‘estrotóra’, o antropólogo Lévi-Strauss, falecido na semana passada, em Paris, ficaria podre de rico.

É que Claude Lévi-Strauss é o pai do estruturalismo, na época uma forma nova de pensar a realidade social, criada a partir de um diálogo com o lingüista Roman Jakobson que contaminou todas as ciências humanas. Ninguém precisava ler “As estruturas elementares do Parentesco” para contrair dívida com seu autor. Da mesma forma que o existencialismo, que entrou na marchinha ‘Chiquita Bacana’, do Braguinha, o estruturalismo se vulgarizou, invadiu o cotidiano e se infiltrou na linguagem corrente, até mesmo da crônica esportiva, embora com outros significados.

As atividades humanas, os fenômenos culturais, as relações familiares, a religião, os textos literários, a culinária, o carnaval e o futebol – tudo isso podia ser estudado com as lentes do estruturalismo. Moreira tinha razão: para onde você se virasse, dava de frente com uma estrutura. Depois de Lévi-Strauss, o mundo todo era uma ‘estrotóra’.
Quando Lévi Strauss completou 100 anos, no dia 28 de novembro de 2008, a coluna lhe rendeu uma homenagem, sob o argumento de que um jornal do porte do Diário do Amazonas tinha de reverenciar, nessa data, um sábio tão importante para nós da Amazônia (Ver Taquiprati, 30/11/2008 – Lévi-Strauss: tão perto da Amazônia).

Perto da Amazônia

Lévi-Strauss, um dos maiores pensadores contemporâneos, celebrado no mundo inteiro, está tão perto de nós, não só pela locução do Moreira, mas porque sua obra deu visibilidade à região. Ele estudou as culturas amazônicas, recolheu mais de 800 mitos ameríndios e equiparou os conhecimentos indígenas às mais altas reflexões da civilização ocidental, chamando atenção para a contribuição que os índios deram à humanidade com suas formas de pensar.

Seu grande mérito foi ‘abrir’ a cabeça dos índios para ‘ver’ o que tinha lá dentro. Gostou do que viu e comparou o pensamento indígena com o ocidental, revelando que aqueles índios nus, considerados até então “atrasados”, eram capazes de elaborar um pensamento sofisticado, de fazer classificações no campo da botânica, da zoologia, da biologia, de criar conhecimentos. Segundo Eduardo Viveiros de Castro, ele “tirou o pensamento ameríndio do gueto em que jazia desde o século XVI e lhe deu carta de cidadania para ingressar com a cabeça erguida no futuro intelectual da espécie”.

Sua importância aparece, ainda, no filme Lévi-Strauss auprès de l’Amazonie, realizado por Marcelo Flores, um antropólogo brasileiro residente em Paris, que foi exibido pela TV Senado neste sábado, às 23:30 hs e será reprisado hoje, domingo, às 10 hs. A TV Senado colocou a íntegra do programa na internet, disponibilizando para cópia.

Pai do Carimbó

Um dia depois da morte de Lévi-Strauss, morreu em Belém do Pará, aos 93 anos, o Mestre Verequete, um nome igualmente importante para a Amazônia e para a cultura brasileira. Cantador e compositor de letras de carimbó, Verequete sobreviveu muitos anos vendendo churrasquinho numa barraca em frente à vila onde morava, no bairro do Jurunas, na periferia da cidade. Ele foi homenageado pelo presidente Lula, recebendo a Comenda da Ordem do Mérito Cultural.

Descansa em paz, comendador Verequete: “O carimbó não morreu / está de volta outra vez / o carimbó nunca morre / quem canta o carimbó sou eu”.

Caetano boçalóide

Caetano Veloso chamou Lula de “analfabeto”, reforçando o preconceito e a visão cartorial de quem acha que o saber é conferido apenas pela escola e pelo diploma. Ofende, dessa forma, os sábios desescolarizados do mundo da oralidade, entre os quais Verequete. Caetano é um idiota. Não tem ‘estrotóra’ para julgar ninguém.

Fonte: TAQUIPRATI
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O pau cantou na terra de Sir Ney


O pau cantou na terra de Sir Ney

Militantes da juventude do PMDB (paus-mandados) tentaram agredir os ex-governadores Jackson Lago e Ze Reinaldo no lançamento oficial, em São Luís, do livro best-seller, HONORÁVEIS BANDIDOS, de autoria de Palmério Dória e Mylton Severiano.

No evento estavam presentes figuras opositoras ao clã Sarney, entre eles: Domingos Dutra, Aderson Lago, Marcos Silva, Haroldo Sabóia, Márcio Jardim, Bira do Pindaré, entre vários outros.

Fonte: 211218

Presidente povão responde ao intelectual pavão

Lula
Foto: Ricardo Stuckert

"Nós não temos a sapiência dos sociólogos. Essa semana fui chamado de analfabeto, de ditador, e nessa mesma semana eu ganhei o título de estadista do ano. Eu compreendo o ódio, o intelectual que está assistindo um operário que só tem o quarto ano primário - e não tenho vergonha de dizer - ganhar tudo o que ele imaginava que pudesse ganhar e não ganhou por incompetência é muito difícil. É muito engraçado, tem gente que acha que a inteligência está ligada à quantidade de anos de estudo que você tem, não tem nada mais burro que isso".
Lula
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Unibandalheira


Aluna que sofreu humilhação na Uniban foi expulsa. Com a palavra o prof. Sérgio Freire da UFAM.

Muito autoritarismo e pouca autoridade

Por Sérgio Freire

Discursos...A Universidade Bandeirante informou em anúncio publicado em jornais paulistas que decidiu expulsar a aluna Geisy Arruda de seu quadro discente. A estudante do curso de Turismo sofreu assédio coletivo no último dia 22 de outubro por ir ao campus de São Bernardo do Campo da faculdade com um vestido curto. O episódio ganhou repercussão na internet após vídeos do tumulto serem postados no ‘You Tube’.

Fiquei pensando sobre o caso desde quando aconteceu. Li opiniões e comentários, tanto os que criticavam a ação dos alunos assediadores quanto os que parafraseavam em suas críticas o ato dos alunos agressores e, com isso, justificavam tal ato como resultado da provocação da moça. Dá para tentar compreender o fato de vários ângulos. Entro nele pela linguagem.

Parece que as opiniões se filiam, grosso modo, a dois discursos. O primeiro seria o discurso da “moralidade sexual” e dos “bons costumes”. Geisy foi “imoral” ao usar um vestido curto, provocando os assediadores que a perseguiram, “desrespeitando os princípios éticos, a dignidade acadêmica e a moralidade”, como diz a nota da Uniban que comunica sua expulsão.

O que seria o segundo discurso se caracterizaria, em tese, pelo respeito à “liberdade de se vestir e de se portar”, do “reconhecimento ao direito das mulheres”, da revolta contra o “preconceito”, do direito à “democracia”. Segundo ele, todos têm o direito de, não vivendo na ditadura da burca, circular com bem entender. É a ideia de base.

Retirei palavras e sintagmas entre aspas dos comentários em blogs e no Twitter. Há variações, mas sempre são variações sobre esses dois temas: o da condenação da licensiosidade (a vadia mereceu!) e o da condenação do autoritarismo (alunos bárbaros!). Mudam-se as palavras, frases, comentários, piadas, mas ou se está em uma enunciação ou na outra. Qual é a sua?

Condenar a aluna pela saia curta ou condenar o ato dos alunos e agora a posição da universidade, filia o sujeito que condena a um discurso. Em sua nota, A Uniban diz que “a educação se faz com atitude e não com complacência”. Com isso, ela própria, como instituição, assina embaixo que concordou com o ato dos alunos, parafraseando de novo seu ato (dos alunos) com sua atitude (da universidade).

O que a primeira enunciação conceitua como abuso, a segunda chama de direito. O que a primeira chama de exagero, a segunda conceitua como liberalismo. O que a primeira conceitua como provocação, a segunda chama de preconceito. E vão-se infinitamente as falas diametralmente opostas porque vêm de discursos pretensamente diferentes e excludentes. Mas seriam mesmo dois discursos? Um da moralidade e um da democracia?

Todo discurso é funcionamento, prática. Discurso não é o quê se diz, mas como se diz e de onde se fala. Assim, na condenação moral à moça – leia-se moral cristã fundamentalista –, a imoralidade também se faz presente na total ignorância das regras de convivência social. E estou falando agora do comportamento instintivo dos alunos. Pensa-se assim: quando alguém passa dos limites que julgo razoável, tenho que suprimir esse alguém para resolver a desfeita. Superar a diferença é uma opção impensável. Para ficar na mesma linha de raciocínio, a título de exemplo: e se Jesus estivesse na Uniban naquela hora? Gritaria ele, como fizeram os alunos, “Pega a vadia! Liberta essa puta do cativeiro!” ou a cobriria com seu manto? Sentiu o drama?

Da mesma forma, na condenação ao ato dos alunos e da Universidade, podemos ver palavras cheias da intolerância e desrespeito à diferença. Alguns, se pudessem, pegariam os alunos e o reitor e os queimariam ou os empalariam em praça pública. Lei de talião pura. Olho por olho, dente por dente. Ou seja, fazem na prática discursiva o mesmo que condenam na retórica linguística. Não, não adianta dizer que eu sou um reacionário defendo quem quer que seja. Se você está pensando assim, lembro que é de novo seu discurso dando os sentidos para os fatos. Só estou explicitando como os sentidos se fazem pela linguagem que, como disse, é minha praia e aonde vou de sunga, gostem ou não.

O que estou dizendo é que o que parecem dois discursos, por suas expressões linguísticas e enunciações diferenciadas, são de fato o mesmo discurso: o da intolerância, da irracionalidade motivada pela condenação do pensamento diverso, o discurso do pega pra capar. Há, no entanto, um outro discurso: esse sim é diferente porque condena a intolerância em todos os níveis e preza pela superação das diferenças dentro das regras jurídicas e sociais coletivas. Ainda bem que vi isso rolando também nas opiniões. O pensamento de base é: “Se há algo nas regras da Uniban proibindo saia curta, a moça errou e deve receber a punição prevista para a regra que quebrou. Se não há, morreu a história para ela. Se os alunos agressores igualmente quebraram alguma regra social, e devem tê-lo feito pela coisa cabeluda que foi, devem ser punidos também por quem de dever, no caso a Universidade”. Tolerância com o diferente, sem esquecer o respeito às regras. Ponto.

Agora sim, minha opinião. E, claro, ela se filia a esse último discurso. Acredito na democracia, no direito de ir e vir. Acredito também que isso só se conquista no exercício da tolerância e do regramento social. Sem isso, a sociedade vira anomia, vira barbárie. O fato da agressão à moça é lamentável sob todos os aspectos, só servindo para nós pensarmos em que raio de sociedade estamos vivendo. A posição da Universidade foi infeliz. Ficou numa saia mais justa do que a da aluna, legitimando o desrespeito à diferença e sendo injusta porque justiça é tratar desigualmente os desiguais.

Se Geysi feriu alguma norma da Uniban com seus trajes, que os incomodados fossem buscar no regramento suas razões e suas consequências. Se ela fosse minha aluna, como alguém me perguntou no Twitter, daria a ela minha opinião de que assim como ninguém controla os efeitos das palavras ditas, ninguém controla reações exageradas. Há a lei da física da ação e reação, que não pode ser ignorada. Mas diria também que há a lei da sociedade democrática que diz que ações e reações devem respeitar o estado de direito.

Não limitar o comportamento antissocial da turba com a autoridade institucional é criar no juridismo (as leis práticas não escritas, mas exercitadas) um jurisprudência para que outras intolerâncias se repitam. Errou a Universidade. E feio, em minha opinião. O papel de quem regula é regular. Para lá e para cá. E deixar as regras claras, punindo quem as extrapola. Sem isso, cairemos facilmente no reino da impunidade, do moralismo fácil, da hipocrisia e da democracia retórica.

Está na hora do MEC, que é quem regula a Uniban, que não regulou direito a questão, perdendo as rédeas da situação, se posicionar. Porque autoridade não pode ser confundida com autoritarismo, que é exatamente querer mostrar autoridade sem legitimidade. E liberdade não pode ser confundida com licenciosidade, com um laissez-fair, com um tudo-pode. Ou voltaremos todos a usar tacapes e pintar gravuras rupestres nas paredes.

E sabe o que mais? Eu acho muito bonita uma mulher de saia. Por mim, está liberado.

Fonte: Sérgio Freire Weblog

Eu não quero que me tolere, eu quero que me respeite

Em virtude da comemoração do Dia Nacional da Consciência Negra - 20 de Novembro, o GEAAM irá promover o "Seminário da Consciência Afro-Amazônica -Raízes, Lutas e Reflexões" no dia 17 de novembro de 2009 com a seguinte programação:

*********

**Programação do dia 17 de Novembro**

**Manhã:** 9 às 12h**

Mesa Redonda: *“ Religiões de matriz africana na Amazônia: Eu não quero que me tolere, eu quero que me respeite”.

LOCAL: Auditório da Reitoria/UFPA

Público Alvo: alunos e professores da UFPA, aberto aos interessados e ao Movimento Negro.

Debatedores:

Instituto Nangetu
AFAIA
ACAOÃ

Mediador: Profª Drª Marilu Márcia Campelo (GEAAM/UFPA)

*Noite:** 18 às 21h**

**Mesa Redonda:* “Ações Afirmativas para o negro brasileiro. Por que sim? Inclusão quilombola e cotas raciais”.

Público Alvo: alunos e professores da UFPA, aberto aos interessados e ao Movimento Negro.

Debatedores:

Prof. Ms. Raimundo Jorge Nascimento de Jesus (GEAAM/UFPA),

Profª Drª Zélia Amador de Deus (CEDENPA/GEAAM/UFPA) e

Profª Esp. Willivane Ferreira de Mello (SEMED - Santarém).

Mediador: Prof.Ms. Bruno Borda (NRP/GEAAM/UFPA).

*Programação para os dias 23 e 24 de novembro*

* *

*Mini-Cursos:** 14às 18h

*“Literatura africana de língua portuguesa”.

LOCAL: Bloco Ab/UFPA

Público Alvo: alunos e professores da UFPA, aberto aos interessados e ao Movimento Negro.

Facilitador: Profª Graça Fernandes.

*“Tambores Nyabing: À volta as raízes africanas”

LOCAL: Bloco Ab/UFPA

Público Alvo: alunos e professores da UFPA, aberto aos interessados e ao Movimento Negro.

Facilitador: Ras Simba Amlak (Fundação Cultural Congo Nya/Guyana Inglesa)

As inscrições para os mini-cursos deverão ser efetuadas de 17 a 20 de novembro no endereço www.afroamazonico.blogspot.com. Os certificados serão entregues a partir do dia 30 de novembro na sala do GEAAM (prédio anexo doIFCH).

Contatos: afroamazonico@gmail.com Fone: (91) 3201-8365

Atenciosamente,

Bruno Borda
Coord. GEAAM
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Consulta pública para definição do marco regulatório da Internet do Brasil

Charge postada em catablogs.wordpress.com
Cultura Digital

Lançada consulta pública sobre a definição do marco regulatório da Internet no Brasil

Dentro da plataforma Fórum da Cultura Digital Brasileira<http://culturadigital.br/>, criada pelo Ministério da Cultura e pela Rede Nacional de Pesquisa, os cidadãos podem contribuir para a definição do marco civil para a Internet no país. A consulta pública à proposta de projeto de lei foi lançada na tarde desta quinta-feira, 29 de outubro, pelo Ministério da Justiça em parceria com a Escola de Direito daFundação Getúlio Vargas (FGV).

O lançamento aconteceu na Sede da FGV, no Rio de Janeiro, e contou com as presenças do ministro da Justiça, Tarso Genro, e do secretário executivo do MinC, Alfredo Manevy, além de parlamentares, representantes do Comitê Gestor da Internet no Brasil e de organizações da sociedade civil.

Alfredo Manevy destacou a validade da proposta para o desenvolvimento do segmento no país. Em sua visão, a iniciativa é importante, pois propiciará a criação de regras de convivência na Internet, fundamental para fomentar a cultura digital. “Por esse motivo, o Ministério da Cultura é parceiro da proposta através do Núcleo de Cultura Digital da Secretaria de Políticas Culturais”, ressaltou.

Processo de Construção

O marco regulatório buscará consolidar um conjunto de direitos e responsabilidades aplicáveis aos diversos usuários da Rede Mundial de Computadores no território nacional (sociedade civil e poder público). Aconsulta pública terá duração prevista de 45 dias e será aberta à participação popular, no endereço culturadigital.br/marcocivil<http://culturadigital.br/marcocivil/>, que apresenta um texto base contextualizando os principais temas pendentes de regulação.

Cada participante também poderá votar para ranquear, positiva ou negativamente, as contribuições dos demais. Esses votos não significarão, necessariamente, a inclusão ou exclusão de determinado tópico do debate. Servirão para nortear a equipe de redação sobre as preferências, opiniões e interesses dos participantes, contribuindo para a formulação da proposta.

Para incentivar o debate em torno de ideias, princípios e valores ainda foi disponibilizado outro ambiente virtual: twitter.com/marcocivil<http://twitter.com/marcocivil>.

Cultura Digital Brasileira - Espaço público e aberto voltado para a formulação e a construção democrática de uma política pública de cultura digital, integrando cidadãos e instituições governamentais, estatais, da sociedade civil e do mercado.

(Comunicação Social/MinC)
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Morreu Anselmo Duarte


Trailer do filme vencedor da PALMA DE OURO de Cannes 1962. Dirigido por Anselmo Duarte e produzido por Oswaldo Massaini.
***

08/11/2009

Morre cineasta Anselmo Duarte de ‘O Pagador de Promessas’

Folhapress

São Paulo - Único brasileiro a ganhar a Palma de Ouro em Cannes como diretor, o ator e cineasta Anselmo Duarte morreu na madrugada de ontem em decorrência de um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico. Ele tinha 89 anos.

Duarte estava internado desde o último dia 27 na UTI do centro cirúrgico neurológico do hospital. O cineasta sofria de mal de Alzheimer e morava há cinco anos com o filho Ricardo em São Paulo. “Nesses últimos anos ele recebeu inúmeras homenagens. Recebi gente de todo o Brasil filmando documentários sobre ele”, disse Ricardo.

O corpo de Duarte seria velado durante a tarde e a noite de ontem no saguão principal da Assembléia Legislativa de São Paulo. Será sepultado às 11h30 de hoje no cemitério municipal de Salto (244 quilômetros de Bauru), cidade onde nasceu em abril de 1920.

Após fazer algumas pontas em cinema, Duarte estreou como ator em “Querida Suzana”, filme de 1946 que contava com Nicete Bruno e Tônia Carrero. A atuação lhe rendeu um contrato com a Atlântida, para a qual protagonizou longas como “Terras do Sem-Fim” e “Não me Digas Adeus”.

Concorrente da Atlântida, a produtora Vera Cruz contratou Duarte em 1952 para estrelar “Tico-Tico no Fubá”.

Já um ator reconhecido, Duarte passou, em meados dos anos 1950, a dedicar-se ao sonho de dirigir um filme. Em 1956, dirigiu e produziu um pequeno documentário, “Arara Vermelha”. Sua estreia em longas aconteceu no ano seguinte, com “Absolutamente Certo”. Estudou no Instituto de Altos Estudos Cinematográficos, em Paris, em 1958, e participou de produções estrangeiras, como a portuguesa “As Pupilas do Senhor Reitor” e a espanhola “Un Rayo de Luz”.

Palma de Ouro

Sua consagração como diretor veio em 1962. Naquele ano, ganhou a Palma de Ouro do Festival de Cannes pelo filme “O Pagador de Promessas”. Competiu com cineastas como Antonioni e Buñuel. Até hoje, nenhum outro diretor brasileiro repetiu tal feito.

Com uma trajetória à parte do cinema novo, nos anos 1960 dirigiu o elogiado “Vereda da Salvação” (1964), e longas como “Quelé do Pajeú” (1969). Nos anos 1970, seu trabalho tornou-se menos representativo. Em 1971, foi membro do júri do Festival de Cannes. O último trabalho como diretor foi “Os Trombadinhas”, em 1979, cujo protagonista era Pelé.


Homenagens


Nas décadas de 1980, e de 1990, viu seus trabalhos sendo pesquisados e analisados por diretores mais jovens. Foi tema de dezenas de documentários - entre eles “Cinema Pagador”, que ganhou o prêmio de melhor curta-metragem no Festival de Gramado em 2003.

O governo federal lançou em 1982 um selo comemorativo aos 20 anos da Palma de Ouro de “O Pagador de Promessas”. Dois anos depois, Duarte apresentou programa da TV Cultura que resgatava as produções da Vera Cruz. Em 1986, atuou pela última vez, em “Brasa Adormecida”, de Djalma Limongi Batista.

Depois de receber o prêmio Oscarito, em 1992, e de lançar “Adeus Cinema”, sua autobiografia - com ataques ao cinema novo, em 1993 -, voltou para Salto em 1995. Em 1997, foi convidado especial e homenageado junto com os diretores premiados vivos no 50.º aniversário do Festival de Cannes. Deixou quatro filhos.

Fonte: Jornal da Cidade

Aquele Querido Mês de Agosto na retomada das Sessões Regulares do Cine Líbero Luxardo

Aquele Querido Mês de Agosto na retomada das Sessões Regulares do Cine Líbero Luxardo

O Cine Líbero Luxardo retoma sua programação e projetos regulares com a exibição do elogiado “Aquele Querido Mês de Agosto” do diretor português Miguel Gomes, entre os dias 05 e 15 de novembro, de quinta a domingo, sempre às 19h30. Misto de documentário e ficção ambientado numa pequena cidade no coração de Portugal no mês mais festejado do ano lusitano, agosto, período em que os portugueses aproveitam as férias e o verão e em que muitos viajam para reverem familiares e amigos.

Em meio à festa popular local em homenagem à santa padroeira, suas procissões, seus andores, bailes e bandas, o diretor e sua pequena equipe munidos de uma câmara de 16 mm, se deslocam sem história definida, com o propósito de rodar um filme, sem financiamento para a elaboração de um roteiro e à contratação de atores. Com o projeto do filme suspenso temporariamente, o diretor resolveu nessas condições pelo menos documentar as festas de Argamil.

Nascido em Lisboa em 1972, após trabalhar como crítico de cinema na imprensa local e realizar diversos curtas, Miguel Gomes lança seu primeiro longa, “A Cara Que Mereces”, em 2004. Sem saber exatamente o que queria fazer neste seu segundo filme, embora soubesse que se ambientaria na pequena cidade portuguesa, começou a filmar de modo aleatório, procurando juntar material documental, pelo menos como pesquisa, para quando da retomada da produção dofilme. Ao procurar depoimentos de moradores e recolher histórias e curiosidades locais, um roteiro começou a ser construído. E tudo, documentário e ficção, foi parar na edição final deste longa que tem dividido opiniões e conquistado diversos prêmios pelo mundo afora, inclusive a indicação para representar Portugal na categoria de Melhor Filmes Estrangeiro no Oscar, e o prêmio da critica na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2008, sendo exibido na Quinzena dos Realizadores em Cannes no mesmo ano.

Produção metalingüística, em que a ficção invade o documental, “Aquele Querido Mês de Agosto” pode ser visto, sobretudo, como uma homenagem do cinema ao próprio ato de fazer cinema. Sem estabelecer distinções nítidas para o público, o filme passeia por estes gêneros, misturando realidade e universo ficcional, de maneira fluida, invisível. Moradores da pequena cidade e integrantes da própria equipe do filme exercem papéis de personagens criados e de pessoas reais.

A história que se constrói dentro do filme para a parte ficcional conta o dilema de Tânia, cantora de uma pequena banda, que se apaixona pelo também músico Hélder, seu primo. O amor dos dois é impossível, pelo grau de parentesco e por um terrível segredo que ela guarda desde pequena, e que causou uma complicada relação entre a cantora e seu pai, também integrante da banda. É esta história de amor que ocupa a segunda metade de “Aquele Querido Mês de Agosto”.

“Uma câmera na mão, uma idéia na Cabeça!” a máxima de Glauber Rocha poderia ser usada como mote à construção desse filme, que mais do que experimental, se quer um produção de caráter pessoal, autoral. Sem grandes pressões comerciais sobre a produção cinematográfica portuguesa o cinema precisa ser usado como meio de expressão. Aquele Querido Mês de Agosto resulta-se como obra e voz de um artista.

Serviço:

Aquele Querido Mês de Agosto

**de Miguel Gomes (Port, 2008)

* Título Original: *Aquele Querido Mês de Agosto.
* Direção: *Miguel Gomes.
* País/Ano: *Portugal, 2008.
* Gênero: *Romance.
* Roteiro: *Miguel Gomes, Telmo Churro e Mariana Ricardo.
* Produção: *Sandro Aguilar, Thomas Ordonneau e Luís Urbano.
*** Fotografia: *Rui Poças.
* Elenco: *Sonia Bandeira, Fábio Oliveira, Manuel Soares, Joaquim Carvalho.
*Cor:** *Colorido.

Site Oficial:
http://www.osmeafuria.com/filmes/3/1/.
Estúdio: Shellac FIlmes / O Som e aFúria.
Distribuidora: Filmes do Estação.
*Duração:*02 hs 27 min.
*Classificação: *Livre.

De quinta a domingo
05 a 15 de novembro
às 19h30

Ingressos: 5 reais (Meia Entrada para estudantes)
Projeto Plateia : Quintas-feiras
Entrada franca para estudantes com carteirinha de meia entrada

Sinopse:***
*Em Portugal, o mês de agosto é marcado por uma série de festividades, com apresentações de grupos musicais tradicionais e outras atividades típicas. Apenas com o desejo de fazer um filme sobre o assunto, o diretor parte com sua equipe em busca de um roteiro e atores dispostos a interpretar ospersonagens. Enfrentando diversas dúvidas e a falta de dinheiro, é criada a história de um triângulo amoroso formado por um homem, sua filha e o primo da moça.

CINE LÍBERO LUXARDO

Fundação Tancredo Neves - Centur
Endereço: Av. Gentil Bitencourt, 650, Térreo
Tel: (091) 3202 4321

emails: cll@fcptn.pa.gov.br cinelibero@gmail.com
http://cineliberoluxardo.blogspot.com/
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Cineclube paraense apresenta Anahy de las Misiones

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Novembro 07, 2009

O que é um formador de opinião

Lula
Charge do Ique - postada em jornaltenhodito.blogspot.com

Nota do blog: Entre caravanas de "formadores de opinião", cães que ladram, um ex-presidente ressentido e um compositor deslumbrado, Lula aproveita para "dar um brilho" no Cristo Redentor.

FONTE & AUDIÊNCIA
O que é um formador de opinião

Por Washington Araújo em 3/11/2009

O presidente Lula participou na quinta-feira (29/10), em São Paulo, da Expocatador. Discursou para uma platéia de catadores de materiais recicláveis. E o que marcou este evento? Duas frases de Lula. São elas: "a figura do chamado formador de opinião pública já não decide mais" e "o povo não quer mais intermediários".

Mais que frases (ditas de efeito), principalmente em se tratando do presidente Lula, estas duas servem como constatação do que já vinha se desenhando no horizonte: é rotineiro aqueles que exercem cargos públicos deitar falação sobre tudo e todos. Agem assim porque são referidos por parte da grande imprensa como "formadores de opinião". Esta alavancagem dada pela imprensa termina sendo uma ação entre amigos.

Veículos de comunicação classificam esta ou aquela autoridade, esta ou aquela celebridade do mundo artístico, político etc. como pessoa que forma opinião. E são elas as primeiras a serem contatadas para "repercutir" a declaração da autoridade fulano ou beltrano. Entramos assim na transversal no mundo das fontes do jornalismo, uma forma pouco criativa de robustecer uma matéria factualmente pobre.

Um soluço

O papel das pesquisas de opinião pública tem relação direta com esse personagem pouco etéreo chamado formador de opinião. Aliás, entre opinião pública e opinião publicada existe espaço tão grande ou maior que o existente entre o Oiapoque e o Chuí (ver, neste Observatório, "A correspondência de comadres"). Faltou mencionar que desde a pá de cal lançada sobre a ditadura reiniciada no Brasil em 1964 e, em especial, durante as eleições diretas para presidente da República em 1989, vimos surgir ostensiva separação entre a opinião da vasta maioria da população e a opinião dominante publicizada de maneira retumbante – e sempre repetitiva – pelos que formam os grandes grupos midiáticos do país.

Mas o que é, exatamente, um formador de opinião? Pessoas que influenciam contingentes de pessoas, que levam as massas a concordar com uma dada opinião ou a consumir determinado produto, assistir determinado espetáculo, ler determinada revista ou jornal. Daí que determinadas celebridades cobram caro para associar seu nome, sua voz, seu rosto a um determinado banco, a uma mineradora, a uma fábrica de automóveis ou a uma marca de roupa.

É também um conceito que a atual teoria da comunicação rejeita por não aceitar que um indivíduo tenha poder de formar a opinião da massa. Formador é exagero. O que temos, e muito, são pessoas que influenciam a opinião de outros. Quando se descarta o conceito de "massa manipulável" percebe-se que a população é heterogênea e interpreta as mensagens segundo seus códigos. Nesta perspectiva, o conceito de "formador de opinião" passa a ser tão efetivo quanto dar um susto para que uma pessoa se livre do repetitivo (e irritante) soluço. Alguns estudiosos afirmam que formador de opinião é quem consegue se destacar na atividade que exerce. Pessoa com grande grau de reconhecimento (de forma positiva) do público.

Boa polêmica

É fácil confundir formador de opinião com pessoa que tem gosto pela simples polêmica. São pessoas que não fogem ao debate ou, então, como dizem os mineiros, aqueles "que dão um boi para não entrar numa briga e uma boiada para não sair". Ou, pior, são aqueles que, qual mariposas em tempo de chuvas, sentem-se instantaneamente atraídas pela luminosidade e pelo calor emanado dos holofotes. Estes fazem ecoar sua opinião em entrevistas sobre assuntos diversos ou alheios ao que tem potencial de polêmica, ou colocam manifesto ou carta-aberta na praça.

No meio artístico polemista de plantão é o Caetano Veloso. A propósito de decisão da prefeitura de Salvador para por fim à "calçada portuguesa" do Porto da Barra, com autorização do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), e substituí-la por calçada de granito e concreto, o cantor logo se posicionou: "Regredimos para visão grosseira que teria deixado o Pelourinho, em Salvador, e o Largo da Lapa, no Rio, virarem pó e serem substituídos pelo caos dos restos da arquitetura moderna que enfeiam o Brasil?"

Outros são menos freqüentes, como o foi há alguns meses o ator Pedro Cardoso, contra a exploração da nudez feminina em filmes, novelas etc., ao fazer circular manifesto questionando "até quando, nós, atores, atenderemos ao voyeurismo e a disfunção sexual de diretores e roteiristas, que nos impingem essas cenas macabras?".
No meio político temos muitos, quase sempre ao alcance do telefone celular. Alguns espécimes: Marco Aurélio Garcia (relembrar o episódio relacionado ao acidente com um avião da TAM em 2007, quando foi flagrado fazendo "top-top" na janela de seu gabinete ao conferir pelo Jornal Nacional notícias que eximiam o governo de culpas); Fernando Collor ("As palavras que o senhor acabou de pronunciar são palavras que não aceito. Quero que o senhor as engula agora, as digira e faça delas o uso que vossa excelência julgar conveniente"); Heloísa Helena ("A majestade barbuda, o presidente Lula, está mentindo, apresentando um país das maravilhas que não existe"); Carlos Minc ("O álcool faz 25 vezes mais vítimas do que as drogas ilegais somadas. Se o que faz mal deve ser ilegal, a comissão deveria propor que álcool e cigarro fossem declarados ilegais"); André Puccinelli ("Carlos Minc é *** e maconheiro e se viesse ao Mato Grosso do Sul, eu ia correr atrás dele e estuprar em praça pública").

Mas nenhum destes possuía aquela vocação extraordinária para a polêmica como tiveram Carlos Lacerda e Antonio Carlos Magalhães. Os adversários políticos de Lacerda chamavam-no de "O Corvo". Consideravam-no um sujeito agourento; fabricador de crises; mensageiro e responsável direta ou indiretamente pelas tragédias políticas que desabavam, ou que podiam vir a desabar sobre o Brasil. É de sua autoria: "Juscelino não deve ser candidato. Se for, não deve ser eleito. Se for eleito, não deve tomar posse. Se tomar posse, não deve governar, deve ser deposto". E, mais recentemente, o político baiano conhecido pelos adversários como Toninho Malvadeza não se fazia de rogado ante uma boa polêmica. É dele: "Há três tipos de repórteres: o que quer dinheiro, o que quer notícia e o que quer emprego. O correto é não dar dinheiro a quem quer notícia, notícia a quem quer emprego e emprego a quem quer dinheiro."

Mancadas verbais

Mas esta lógica de termos políticos talhados para a polêmica em mar aberto vem se invertendo a cada ano. E, por inacreditável que possa ser, quem tem surgido como polemista na política nacional é o senador paulista Eduardo Suplicy. Primeiro por ter dado cartão vermelho ao presidente do Senado José Sarney e depois por ter vestido aquele misto de cueca-calção, em seu ambiente de trabalho, isto é, o sisudo Senado Federal. Nos dois episódios, Suplicy mostrou ser polemista mais por conveniência que por talento natural.

No Judiciário, Gilmar Mendes é imbatível. Tem opinião aos borbotões e pouco importa se, em algum momento, o tema em que está metendo a colher, geralmente com opiniões finais e irrecorríveis, for objeto de julgamento no Supremo Tribunal Federal, por ele presidido. Não ficam muito atrás na arte de polemizar seus colegas togados Marco Aurélio Mello e Joaquim Barbosa. Alguns, como o ministro Gilmar Mendes, conseguem espaço cativo, regular, diário nos editoriais e nas páginas de jornais de grande porte como o Estado de S.Paulo. É muito raro que um rompante do presidente do Supremo não seja imediatamente acatado pelo editorialista do Estadão.

É recorrente reconhecer que o presidente Lula diz o que pensa, fala o que quer e o que acha que o povo quer ouvir, produz declarações a cada instante e não demonstra qualquer incômodo com a repercussão de suas falas. A depender dele, a polêmica não prospera muito. Sua frase se eleva como onda, inunda capas de jornais e páginas de revistas semanais e deságua nos telejornais noturnos. O fato é que cabe aos demais atores sociais repercutir o que aos poucos vai se transformando em espuma. E, é fato robusto: o que o presidente fala, repercute.
Vejamos este brevíssimo bate-pronto com o presidente:

** Aliança política? – "Se Jesus Cristo viesse para cá, e Judas tivesse a votação num partido qualquer, Jesus teria de chamar Judas para fazer coalizão".

** Oposição? – "Pobre da oposição que não tem o que fazer; acho que a ociosidade é a desgraça da humanidade".

** Crise mundial? – "Lá, a crise é um tsunami; aqui, se chegar, vai se uma marolinha, que não dá nem para esquiar."

** Responsáveis pela crise? "A crise financeira foi causada por pessoas brancas de olhos azuis." Sobre esta última frase, que recebeu repercussão internacional – The Times, Daily Telegraph, The New York Times – é oportuno transcrever o seguinte excerto da coluna do ombudsman da Folha de S.Paulo, publicado em 29 de março de 2009: "A Folha adora debochar das mancadas verbais do presidente Lula. Quase sempre de maneira preconceituosa, elitista, exagerada, inócua e equivocada porque um presidente deve ser julgado pela sua administração, não pelo seu português ou seus conhecimentos gerais."

"Plebe rude"

O certo é que criar uma boa frase requer, ao menos para os simples mortais, uma engenharia complicada. Já os dotados de espontaneidade e intuição não necessitam muito dessa engenharia. Elas simplesmente saem. E acabam se tornando referência. Aqui e alhures. Afinal, foi Barack Obama, presidente dos EUA, numa conversa informal com líderes mundiais, pouco antes do início da reunião do G20, em Londres, que se referindo ao palestrante da recente Expocatador enviou esta frase para a imprensa internacional: "Esse é o político mais popular da Terra. Adoro esse cara".

É sintomático que as duas frases com que abrimos este texto tenham sido pronunciadas pelo presidente Lula aos participantes da Expocatador. Sintomático porque, como sói acontecer, o público-alvo estava muito além da Expocatador. E além dos profissionais que catam material reciclável por todo o país estavam, certamente, os profissionais da imprensa que catam opiniões a torto e a direito, personagens com algum grau de notoriedade naturalmente conquistada ou artificialmente conferida, com o intuito de influir no comportamento, na conduta e na opinião daqueles classificados como "massa ignara", "plebe rude", "pessoal do andar de baixo", e aqueles que no Brasil profundo não conseguem "ter três refeições ao dia".

Lula falava àqueles que se portam como "intermediários do povo". Os mesmos que, segundo sua fala, "já não decidem mais".

Fonte: Observatório da Imprensa
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Para Caetano Veloso, com açucar e com afeto


Musica - vai tomar no cu - Personagem do espetáculo "SE PIORAR ESTRAGA" que já estreou dia 26/06, agora em temporada todas as Quartas e Quintas no Teatro Shopping Frei Caneca as 21:00 uma comédia de Cris Nicolotti. Essa é a montagem original dessa música de grande sucesso.

Musica de Cacá Bloise, Cris Nicoloti, Guido Malatto.
Cantam Cris Nicolotti e Lelo Andrades.
Arranjos, Execução e regência Eduardo Filipovich.

Site Teatro: http://www.teatroshoppingfreicaneca.com.br

Nota do blog: Taí a expressão popular do verão de 2010: "vai tomar no cu!". Tomzé antecipou o dito em São Paulo, Rochinha em Manaus. Este último episódio é um primor da cultura pop do Bar do Armando. Cena 1: artista plástico amazonense radicado no Rio de Janeiro bordeja na city para arrancar uns trocado dos incautos. Cena 2: a indigitada criatura baixa no recinto sagrado da boêmia manauara e senta à mesa de alguns "canalhas da várzea". Cena 3: Rochinha aproxima-se e elogia o pintor (expressão em desuso); o pintor rebate com um ultrapassado e cafonérrimo "eu te conheço?". Cena 4: Rochinha, do alto da sua indignação, vocifera: "Tome no seu cu... tome no seu cu, meu irmão!" (detalhe: o acréscimo amoroso da palavra irmão é pra tocar mais fundo na alma sensível do artista; um primor!). Resumo da ópera: é ou não é a expressão do próximo verão? Exemplo: "Você não gosta do Lula? Então... tome no seu cu!". Quanto a mim, dedido essa postagem, com açucar e com afeto ao mano Caetano. Até o toco.

Miguel do Rosário desmonta o analfabetismo político de Caetano Veloso;...

Tomzé versus Caetano Veloso
Postada em olhonatv.zip.net

...por mais do que isso, Tomzé, que teve seu nome subtraído da criação do Tropicalismo, respondeu à deslealdade do conterrâneo, durante um show no Ibirapuera, com um sonoro palavrão, dentro da melhor tradição popular.

Oleo do Diabo

Caetano e os analfabetos

A história ensina a não confiar nos artistas. A quantidade de artistas que aderiram às teses de Mussolini, alguns mesmos tornando-se verdadeiros heróis do Il Duce, como o poeta D'Annunzio, já mostra que um artista entende tanto de política quanto de matemática. Por acaso, há artistas que entendem de política, como há artistas que talvez entendam de matemática; mas trata-se, por assim dizer, de coincidências.

Nosso alegre boêmio, Augusto Frederico Schmidt, por exemplo, apoiou o golpe de Estado de 1964, ou pelo menos foi isso que os jornais deram a entender, quando publicaram manchete com uma frase sua favorável ao regime. Céline teve que esperar alguns anos antes de poder retornar a França, pois havia sido condenado à morte por causa de sua posição dúbia - em alguns momentos até favorável - quanto ao nazismo; e o incomparável Knut Hansum, que escrevera o romance mais doloroso do século XX, A Fome (que traz a descrição mais humana, mais viva e mais autêntica da fome, segundo Josué de Castro), filiou-se entusiasticamente ao partido nazista, recebendo, inclusive, condecorações!

Portanto, não estranhem quando um grande artista como Caetano Veloso dá voz a preconceitos tão mesquinhos, como fez na entrevista ao Estadão, na qual declarou que "votava em Marina porque ela não era analfabeta como Lula".

Dias depois, o "cafona", o "grosseiro", era, pela enésima vez, recebido pela rainha da Inglaterra, que tinha um sorriso sincero e admirativo no rosto. O Primeiro Mundo nem sempre foi o mar de rosas pacífico, limpo e desenvolvido que gostamos de imaginar. Inglaterra, França e EUA já viveram fome, guerra, miséria, revoluções, e aprenderam que somente superaram suas dificuldades em virtude da sabedoria, criatividade e força dos homens simples, dos homens do povo.

Afinal, o que é ser "analfabeto" para Caetano? Sua crítica, aliás, está na boca de muita gente. Há uma consciência de classe muito específica aqui. Sim, porque, a questão não é saber ler ou não, pois Lula sabe ler muito bem. A questão é possuir uma determinada cultura, mas qual é, exatamente, essa cultura? São os clássicos? Lula deveria ter lido a Ilíada, de Homero? Aí entramos numa situação curiosa. É que Homero era, ele sim, um analfabeto, e no caso dele, porque, segundo a maioria dos pesquisadores, o alfabeto grego ainda não fora inventado. Andei lendo bastante sobre isso, e descobri que uma das teorias mais respeitadas entre os estudiosos é que a pessoa que inventou o alfabeto grego (que é uma cópia do fenício, adaptada ao vocabulário grego) o fez justamente para anotar os versos de Homero. A seguinte cena deve ser imaginada: Homero recitando os versos para que esse astuto e pioneiro escrivão anote-os, e daí nasce a literatura ocidental!

Não precisamos ir tão longe. Antropólogos e historiadores vem estudando com muito afinco, desde os anos 60, o poder das culturas populares, baseadas sobretudo na tradição oral. Pode-se transmitir conhecimentos oralmente? É claro que sim, pois de outra maneira qual o sentido de pagarmos 120 mil dólares para ouvir um professor "falar" sobre Platão, numa sala em Harvard? Não poderíamos, simplesmente, ler Platão no conforto de nossa casa - e sem gastar os 120 mil dólares?

As palavras ouvidas e faladas valem menos que as palavras escritas? Bem, talvez não seja isso o que pretendia dizer Caetano, porque suas letras são "cantadas" e não "lidas", e não é preciso ter lido Levi-Strauss para saber apreciá-las corretamente. Caetano expressou uma noção sobre "etiqueta". Uma visão (embora inconscientemnete, e mesmo assim indesculpável) um tanto fascista sobre uma determinada forma de se comportar, de falar, de se expressar, e que inclui o conhecimento, mesmo que superficial, mesmo que seja apenas um verniz, sobre um cânone.

O mundo produziu milhões de livros importantes, e hoje em dia é virtualmente impossível estabelecer precisamente quais devem ser lidos ou não. Caetano não leu nem 1% desses livros, assim como Lula. Eu também não li. Por outro lado, poderia-se acusar Lula de não ter lido Dom Casmurro. De fato, é um livro fundamental. Mas aí precisamos fazer um interrogatório detalhado ao presidente, porque corremos o risco de quebramos a cara se ele responder: "eu li Dom Casmurro. Não gostei muito, mas li."

Milhares de brasileiros leram Dom Casmurro, mas permanecem na condição de "analfabetos", pois continuam cafonas e grosseiros. Depois ter cantado em dupla, por tantas vezes, com Júnior (o irmãozinho genial da Sandy), supreendi-me com esse súbito repúdio de Caetano à estética cafona... Ah tá, Júnior com certeza não é analfabeto... Claudia Leite também não é analfabeta... É de se perguntar, além disso, se Caetano chamaria Cartola, Pixinguinha e Nelson Cavaquinho de "analfabetos", por não possuirem instrução formal e se comportarem de forma um tanto "cafona". Pixinguinha recebia seus convidados segurando um copo cheio de cachaça e Cartola, sempre um orgulhoso e inveterado cachaceiro, trabalhava como flanelinha no centro do Rio...

Porque ainda há milhões de analfabetos de verdade, que não sabem assinar o próprio nome. Há casos tristes, trágicos, de pessoas que não conseguem sequer se expressar. Todos conhecemos casos assim, em geral associados às condições econômicas miseráveis. Há outros, que, apesar de não saberem ler, desenvolveram admirável capacidade oratória. Há pessoas que lêem muito, mas não conseguem falar. Meu pai era assim, coitado. Um homem culto, mas que não conseguia encaixar uma frase em outra. Era uma espécie de analfabeto da fala, e isso o fazia sofrer muito, porque dificultava a socialização e ele era um homem que amava muito seus amigos e via-se que ele se esforçava, às vezes, para superar sua deficiência. Bebia muito em função disso, para tentar se soltar. Eu herdei um pouco dessa dificuldade e também bebia muito tentando "destravar" a língua. No colégio, sofria horrivelmente com a insuperável dificuldade em abordar as meninas, em comunicar minha admiração por elas. Mas eu acabei superando essas barreiras, e tornei-me um tagarela quase insuportável.

Enfim, a humanidade oferece uma heterogeneidade muito grande de saberes linguísticos. Neste quesito, acho que Caetano, se tivesse a oportunidade de reelaborar suas colocações, aceitaria que Lula é um mestre, e não apenas no Brasil. A sensibilidade linguística de Lula é reconhecida internacionalmente. Seria desonesto negar os fatos, e a popularidade de Lula prova isso. A própria oposição política, não querendo dar o braço a torcer sobre a qualidade da sua capacidade administrativa, atribui a popularidade de Lula exclusivamente à sua técnica verbal.

Então de que analfabetismo fala Caetano? Voltamos ao cânone. Caetano tem um cânone na cabeça. São os livros que ele mesmo leu, e que ele considera, preconceituosamente, que todos deveriam ler, se querem ser inteligentes. Há também a questão do comportamento. Em outras entrevistas, Caetano admitiu, muito sapecamente, que adora o jeito 'classe-média' de ser, como fazer comprar no supermercado Zona Sul, etc... Daí voltamos àquele repúdio sanguíneo ao sindicalista barbudo, grosso, cachaceiro, que não sabe segurar um garfo e faca, com quem não podemos conversar sobre vinhos franceses...

Eu conheço bem esse preconceito tolinho, esses olhos que brilham quando falamos em Marcel Proust, essa admiração canina por um diploma. O irônico de tudo é que a literatura autêntica nasce da vida, e os escritores vão as ruas estudar a personalidade de indivíduos como Lula para se inspirarem. Afinal, há os que escrevem, há os que lêem, e há os que inspiram livros. São os líderes políticos, os guerreiros, revolucionários, chefes sindicais, bandoleiros famosos.

Outro ponto que me veio à cabeça, quando li essa entrevista do Caetano, foi sobre Sancho Panza, o astuto escudeiro de Don Quixote. Sancho é uma figura fundamental no clássico de Cervantes, e até hoje talvez não tenha merecido a devida atenção. Lembrei de Sancho porque Lula é uma espécie de Sancho Panza da política. É um homem do povo que simula uma simplicidade muito maior do que a que realmente possui. Sancho Panza é muito mais prudente, esperto e lúcido do que seu patrão. Don Quixote é um bem-intencionado, um valente, um culto, mas é um indivíduo completamente destrambelhado, um louco. Sancho Panza é sua maior ligação com a realidade. E Sancho é leal e corajoso.

Outra figura muito parecida à Sancho Panza é Sam Weller, o empregado do Sr.Pickwick, no admirável romance de Charles Dickens. O escritor publicava os capítulos num folhetim. Quando introduziu Sam, houve um êxito instantâneo. Sua inserção no quinto capítulo da narrativa alavancou as vendas de forma estrondosa: do quarto número foram tirados 400 exemplares, após o surgimento da figura, a tiragem saltou para 400 mil antes mesmo do vigésimo capítulo.

Hoje poucos leram esse romance, o primeiro do escritor inglês. É um romance absurdamente hilário. As trapalhadas do Sr.Pickwick são de fazer qualquer um morrer de rir. Tão diferente das xaropadas melancólicas que Dickens irá escrever depois! Pois bem, o Sr.Pickwick resolve contratar um empregado para o ajudar em suas viagens pela Inglaterra e encontra Sam. O rapaz se revelará o verdadeiro "cérebro" do romance. É ele que inventa os planos mirabolantes e sempre bem sucedidos para tirar seu chefe das mais incríveis enrascadas. Além disso, possui um humor incomparável, e não economiza-o em momento algum. A genialidade de Sam retrata a admiração dos britânicos pela sabedoria popular, e explica a simpatia franca e humana com que a rainha Elisabeth recebe Lula toda a vez que o presidente põe os pés na ilha. Em toda Europa, a cultura (entendendo aí o comportamento, os modos, a maneira de falar) dos trabalhadores é respeitada com quase reverência. Na França, milhares de aristocratas tiveram suas cabeças cortadas por muito menos que entrevistas como essa de Caetano. Nos Estados Unidos, a criatividade do homem do povo é honorificada constantamente em filmes e livros.

Pois a cultura "livresca" que Caetano e grande parte da classe média brasileira prezam como condição mínima para uma pessoa pertencer à boa sociedade, para ser um não-analfabeto, implica também em matar a espontaneidade natural, aquela graça original, a força, a virilidade. Tantos historiadores já escreveram sobre isso, sobre a auto-censura a que o homem civilizado é sujeito, causa de tantas neuras e debilidades psíquicas! Afinal, qual o objetivo do ser humano? É ser um indivíduo com algumas leituras, ou mesmo um gênio da poesia, como D'Annunzio, mas que defende o fascismo? É ser um homem culto, porém sem graça, sem coragem, e broxa?

É muito difícil ser um homem inteiro, e conciliar o desenvolvimento pleno de todas as nossas faculdades físicas e psicológicas com uma participação criativa na sociedade. Muitos dizem que essas coisas estão ligadas, e que a debilidade psicólogica tem origem numa relação doentia e medrosa com o ambiente social. Eu acredito nisso. Gosto de participar da vida política do mundo porque sinto-me mais forte quando o faço. Sinto saúde. É uma relação de parceria. Eu ajudo (ou tento ajudar) o mundo e o mundo me ajuda.

Voltando ao analfabetismo de Lula, as pessoas como Caetano deveriam entender que o conhecimento deriva-se não apenas dos livros, mas da observação dos homens, superação das dificuldades, conversas noturnas, amor, casamento, sexo. Muitas pessoas querem encontrar nos livros o que talvez encontrassem numa boa conversa de botequim, ou simplesmente num passeio solitário pelas ruas. Muitas firulas psicológicas podem ser resolvidas com um saudável mergulho na vida, e a política, muitas vezes, proporciona essa aproximação com as forças primevas da sociedade. Esse conhecimento é genuíno. É tão válido quanto qualquer máxima filosófica. O próprio Kant entendia isso quando abre a sua obra-prima, a Crítica da Razão Pura, dizendo que todo e qualquer conhecimento nasce da experiência. E o que importa ao conhecimento são os frutos. De que adianta ler muitos livros e ser um idiota preconceituoso, ou um medíocre inútil e invejoso? Se Lula conseguiu se tornar um estadista invejável, admirado internacionalmente, dono de uma popularidade inédita no Brasil e no mundo, é porque ele colheu conhecimentos em algum lugar, não importa onde, processou-os, e converteu-os em vida, em talento, em sucesso, em redenção econômica e social para milhões de brasileiros. Se mesmo assim ele for considerado um analfabeto, então viva os analfabetos!

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Gardelón: "Temporón es muy amigo... muy amigo!"


O imortal Gardelón, de Jô Soares, quando este não havia se transformado num chato de galocha.

Zefofinho de Ogum, consultor deste PICICA, sonhou que entrevistava o imortal Gardelón sobre sobre a decisão do ministro José Gomes Temporão em assinar portarias que aumentam em até 31,85% o valor das diárias pagas por paciente internado em hospitais psiquiátricos e gerais. Com isso, Temporão acabou por instituir a vigência de um modelo hibrído em saúde mental, onde hospitais psiquiátricos (vixe!) convivem com a rede de CAPS, na contra-mão da história da luta por uma Reforma Psiquiátrica Antimanicomial. Peremptório, Gardelón habló: "Que papelón! Temporón es muy amigo... muy amigo!"

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Ministério da Saúde investe mais R$ 98,3 milhões em saúde mental 03/11/2009


Hospitais receberão aumento de até 31,85% nas diárias de internação e terão incentivo para acolher pessoas em crise. Número de CAPS é ampliado

O Ministério da Saúde lançou um pacote de medidas para melhorar o atendimento de pacientes com transtornos mentais e ampliar a assistência a usuários de álcool e drogas no país. O ministro José Gomes Temporão assinou portarias que aumentam em até 31,85% o valor das diárias pagas por paciente internado em hospitais psiquiátricos e gerais. A medida também habilita 73 novos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e cria incentivo financeiro para internações curtas (até 20 dias) de pacientes em crise. O investimento, em recursos novos, será de R$ 98,3 milhões por ano.

Em junho deste ano, o ministro já havia anunciado outros R$ 117 milhões para o Plano Emergencial de Ampliação do Acesso para Tratamento de Álcool e Drogas (PEAD 2009-2010). Somando os novos recursos, os investimentos para o setor chegam a R$ 215,3 milhões. As portarias foram publicadas no Diário Oficial da União, na sexta-feira, 30 de outubro.

Com o novo pacote, o país passa a ter 1.467 CAPS, o que representa um aumento de 246%, em relação a 2002. “Passamos, em sete anos, de uma cobertura de atendimento em saúde mental de 21% da população para 60%, com o parâmetro CAPS por 100 mil habitantes”, afirma o coordenador-geral da área técnica de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Pedro Gabriel Delgado. Do total de centros habilitados atualmente, 1.020 dedicam atendimento a usuários de substâncias psicoativas. Além dos CAPS Álcool e Drogas (CAPSad), os CAPS Infanto Juvenil (CAPSi) e dos tipos I e III atendem usuários de drogas.

O valor das diárias de internação em hospitais gerais vai passar de R$ 42,47 para R$ 56,00 - aumento de 31,85%. O impacto anual do reajuste será de R$ 9,6 milhões. Atualmente, há 2.573 leitos psiquiátricos nestas unidades. A expectativa é de que, com o a reajuste, os hospitais gerais criem cerca de 2.300 leitos em saúde mental. As novas diárias nos Hospitais Psiquiátricos, por sua vez, vão variar de R$ 35,58 a R$ 49,70. Atualmente, esses valores oscilam de R$ 29,90 a R$ 45,21. O reajuste, neste caso, vai de 10% a 20% e terá um investimento de R$ 62 milhões.

NOVA CLASSIFICAÇÃO – Uma das portarias reclassifica os hospitais psiquiátricos segundo o porte. As atuais 14 classes serão reorganizadas em apenas quatro. Isso facilitará o gerenciamento da tabela de pagamento das diárias de internação.
O incentivo financeiro para internações de curta duração de pacientes em crise será de 10% do valor de base da nova diária (veja tabela a seguir), com um impacto financeiro de R$ 9,8 milhões. O auxílio será concedido a todos os hospitais gerais e hospitais psiquiátricos de classe I e II (até 240 leitos).

O objetivo é estimular os hospitais, sobretudo os gerais, a acolherem esses pacientes e, dessa forma, ampliar a disponibilidade de vagas para internações de pessoas em crise (pacientes agudos) no SUS. A concessão do auxílio será limitada a 10% dos leitos em hospitais psiquiátricos.

CAPS – Os 73 novos CAPS serão habilitados em 18 estados brasileiros (veja tabela a seguir). Destes, 21 atenderão prioritariamente pessoas com transtornos decorrentes do uso de álcool e outras drogas. “Com estas medidas esperamos ampliar o acesso ao tratamento das pessoas com transtornos mentais sobretudo as situações graves que envolvem o uso de álcool e outras drogas”, afirma Delgado.

Modalidades de CAPS

CAPS I
– Localizados em municípios com população entre 20 mil e 70 mil habitantes. Funcionam de segunda à sexta das 8h às 18h. Atendem pessoas com transtornos mentais e com problemas relacionados ao consumo de álcool e outras drogas;
CAPS II – Com equipe multidisciplinar mais numerosa, os CAPS II atendem situações de saúde mental nos municípios com população entre 70 mil e 200 mil habitantes, de segunda a sexta das 8h às 18h.
CAPS III – Estes serviços de saúde mental funcionam 24 horas, inclusive finais de semana e feriados e podem ser implantados em municípios com mais 200 mil habitantes.
CAPSad – Cidades que tenham mais de 100 mil habitantes têm indicação de implantar CAPSad para atender pessoas que usam álcool e outras drogas.
CAPSi – Serviços de saúde propostos para atender crianças e adolescentes com algum tipo de transtorno mental (incluindo álcool e outras drogas) em municípios com mais de 100 mil habitantes.

Outras informações:
Ministério da Saúde

(61) 3315 3580
jornalismo@saude.gov.br

* Por favor, peço informação sobra a data, dia e hora que o Ministro de Saúde pedirá perdão, de joelhos, ao movimento por uma sociedade sem manicômios.

Caso Oblíquo

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A turba da Uniban

Lilith e o desejo
Postada em sa
grado-feminino.blogspot.com

CONTARDO CALLIGARIS

A turba da Uniban

As turbas têm um ponto em
comum: detestam a ideia de que
a mulher tenha desejo próprio

NA SEMANA passada, em São Bernardo, uma estudante de primeiro ano do curso noturno de turismo da Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo) foi para a faculdade pronta para encontrar seu namorado depois das aulas: estava de minivestido rosa, saltos altos, maquiagem -uniforme de balada.

O resultado foi que 700 alunos da Uniban saíram das salas de aula e se aglomeraram numa turba: xingaram, tocaram, fotografaram e filmaram a moça. Com seus celulares ligados na mão, como tochas levantadas, eles pareciam uma ralé do século 16 querendo tocar fogo numa perigosa bruxa.

A história acabou com a jovem estudante trancada na sala de sua turma, com a multidão pressionando, por porta e janelas, pedindo explicitamente que ela fosse entregue para ser estuprada. Alguns colegas, funcionários e professores conseguiram proteger a moça até a chegada da PM, que a tirou da escola sob escolta, mas não pôde evitar que sua saída fosse acompanhada pelo coro dos boçais escandindo: "Pu-ta, pu-ta, pu-ta".

Entre esses boçais, houve aqueles que explicaram o acontecido como um "justo" protesto contra a "inadequação" da roupa da colega. Difícil levá-los a sério, visto que uma boa metade deles saiu das salas de aula com seu chapéu cravado na cabeça.

Então, o que aconteceu? Para responder, demos uma volta pelos estádios de futebol ou pelas salas de estar das famílias na hora da transmissão de um jogo. Pois bem, nos estádios ou nas salas, todos (maiores ou menores) vocalizam sua opinião dos jogadores e da torcida do time adversário (assim como do árbitro, claro, sempre "vendido") de duas maneiras fundamentais: "veados" e "filhos da puta".

Esses insultos são invariavelmente escolhidos por serem, na opinião de ambas as torcidas, os que mais podem ferir os adversários. E o método da escolha é simples: a gente sempre acha que o pior insulto é o que mais nos ofenderia. Ou seja, "veados" e "filhos da puta" são os insultos que todos lançam porque são os que ninguém quer ouvir.

Cuidado: "veado", nesse caso, não significa genericamente homossexual. Tanto assim que os ditos "veados", por exemplo, são encorajados vivamente a pegar no sexo de quem os insulta ou a ficar de quatro para que possam ser "usados" por seus ofensores. "Veado", nesse insulto, está mais para "bichinha", "mulherzinha" ou, simplesmente, "mulher".

Quanto a "filho da puta", é óbvio que ninguém acredita que todas as mães da torcida adversa sejam profissionais do sexo. "Puta", nesse caso (assim como no coro da Uniban), significa mulher licenciosa, mulher que poderia (pasme!) gostar de sexo.

Os membros das torcidas e os 700 da Uniban descobrem assim um terreno comum: é o ódio do feminino -não das mulheres como gênero, mas do feminino, ou seja, da ideia de que as mulheres tenham ou possam ter um desejo próprio.

O estupro é, para essas turbas, o grande remédio: punitivo e corretivo. Como assim? Simples: uma mulher se aventura a desejar? Ela tem a impudência de "querer"? Pois vamos lhe lembrar que sexo, para ela, deve permanecer um sofrimento imposto, uma violência sofrida -nunca uma iniciativa ou um prazer.

A violência e o desprezo aplicados coletivamente pelo grupo só servem para esconder a insuficiência de cada um, se ele tivesse que responder ao desejo e às expectativas de uma parceira, em vez de lhe impor uma transa forçada.

Espero que o Ministério Público persiga os membros da turba da Uniban que incitaram ao estupro. Espero que a jovem estudante encontre um advogado que a ajude a exigir da própria Uniban (incapaz de garantir a segurança de seus alunos) todos os danos morais aos quais ela tem direito. E espero que, com isso, a Uniban se interrogue com urgência sobre como agir contra a ignorância e a vulnerabilidade aos piores efeitos grupais de 700 de seus estudantes. Uma sugestão, só para começar: que tal uma sessão de "Zorba, o Grego", com redação obrigatória no fim?

Agora, devo umas desculpas a todas as mulheres que militam ou militaram no feminismo. Ainda recentemente, pensei (e disse, numa entrevista) que, ao meu ver, o feminismo tinha chegado ao fim de sua tarefa histórica. Em particular, eu acreditava que, depois de 40 anos de luta feminista, ao menos um objetivo tivesse sido atingido: o reconhecimento pelos homens de que as mulheres (também) desejam. Pois é, os fatos provam que eu estava errado.

Fonte: F.S. Paulo
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