
Pelas mãos do gestor da saúde estadual, finalmente, estava em curso a reconciliação do setor da saúde mental com sua própria história. Infelizmente poucos administradores públicos souberam reconhecer o mérito dos jovens psiquiatras que nos anos 80 implantaram a reforma psiquiátrica em solo amazonense. Em verdade, o Amazonas foi um dos pioneiros da reforma psiquiátrica brasileira, liderados à época pelo saudoso médico psiquiatra Silvério Tundis. Wilson Alecrim foi testemunha dessa história. Em novembro de 1987, no episódio da greve de fome do médico especialista em saúde mental Rogelio Casado, que chamava atenção da sociedade amazonense para um anunciado retrocesso no campo da saúde mental, Wilson Alecrim foi a primeira pessoa a lhe prestar solidariedade. Estavamos no governo Amazonino Mendes. O que veio depois está por ser contado.
Doravante, o desafio colocado para os profissionais do setor que atuam no Hospital Psiquiátrico vai muito além do estudo de viabilização de adequação da proposta do Secretário. Trata-se, agora, de agir e dar um testemunho social da nossa capacidade de quebrar paradigmas.
A foto acima é um flagrante, do último dia 31 de março, quando, durante dois dias, a equipe do Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro, sob a liderança do médico psiquiatra Jaime Benarrós, atual diretor técnico daquele serviço público, avaliou o resultado de três meses de trabalho na construção de um novo paradigma, através de ações que permitam ao gestor de saúde atingir o objetivo pretendido, e aos técnicos em saúde mental a prática do que vem sendo nomeado como Clínica do Sujeito.
Ao tempo que a instuição psiquiátrica vai sendo desmontada para dar lugar a novas formas de relação da loucura com os serviços de saúde do SUS, é urgente o esclarecimento permanente da opinião pública, para que não haja ruídos de comunicação nos meses que virão, afinal estamos em ano eleitoral e o tiroteio midiático não pode ameaçar um desafio que antes de envolver homens e seus partidos, envolve um compromisso civilizatório com aqueles a quem historicamente lhes é negada a cidadania.

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