Bichos escrotos
Tenho lido todos os jornais e visitado muitos blogs, diariamente. Nada me chamou mais a atenção, porém, nos últimos dias do que um post do Eduardo Guimarães, intitulado "Meu nome não é osso", o qual reproduzo abaixo:
Meu nome não é ossoNão consigo entender como é que pode alguém como eu, um mero comerciante, um blogueiro que nem jornalista é, alguémNão tenho muito o que comentar. Gostaria apenas de expressar minha perplexidade. Que mulher ignorante! A própria presidente da ANJ, Judith Brito, afirmou categoricamente que a imprensa está fazendo o papel de oposição no país. E que falta de educação!
que não tem ligações com políticos, com sindicatos nem nada, fazer tanta gente assim se preocupar com o que escreve ao ponto de organizarem ataques contra si.
Até entendo gente que gosta do que escrevo falar de mim por aí, pois entre os que pensam da mesma forma, num momento em que há uma enxurrada de um viés de pensamento político inundando todos os grandes meios de comunicação, essas pessoas acabam se refugiando em qualquer espaço em que resista a opinião massacrada.
Claro que quando a gente se expõe, como faço, há bônus como o de vez por outra alguém me parar em algum lugar público para perguntar se eu sou eu e para me cumprimentar, mas há o ônus dos que me conhecem, não gostam do que digo e me atacam por aí.
Todavia, o caso que relatarei me surpreendeu. É primeira vez que tomo conhecimento de ter sido atacado como se fosse alguém que valesse a pena e por gente que nem conheço.
Semana passada, a Carla, minha filha primogênita, casada e mãe de uma menina de 9 anos, que trabalha de dia e estuda à noite, veio da aula na faculdade direto para a minha casa. Estava indignada e queria falar comigo.
Passou-se o seguinte, com ela: estava em uma aula de antropologia dessa universidade privada paulistana em que estuda quando a professora começou a discorrer sobre política, o que minha filha relata que essa mestra costuma fazer quase sempre.
Já não acho certo professores de qualquer nível ficarem vendendo ideologias e posições políticas aos seus alunos, sejam opiniões de direita ou de esquerda. Mas quando um professor universitário faz isso para uma classe repleta de alunos, inclusive usando linguagem chula, aí já é demais.
Vejam só a cena: minha filha ali, em sala de aula, e, de repente, escuta a tal professora, enquanto atacava a parte da blogosfera que se opõe à mídia convencional, proferir a seguinte barbaridade:
“E agora surgiu um escroto de um blogueiro petista chamado Eduardo Guimarães que fica acusando a imprensa de ter partido”.
Minha filha relata que o sangue lhe subiu à cabeça. Interrompeu a professora para informá-la de que o Eduardo Guimarães de quem ela estava falando era o seu pai, para reclamar do baixo nível de seu discurso e para pedir respeito a opiniões divergentes.
E não é que a tal “professora” teve a coragem de reiterar o insulto ao pai de uma aluna na frente dos colegas dela durante a aula. Minha filha, então, saiu da classe e foi reclamar à reitoria, mas esta, até agora, não tomou providências. Será que o MEC não gostaria de saber desse tipo de prática?
Por enquanto, não mencionarei qual é a instituição de ensino. Mas não garanto que isso não acontecerá se providências não forem tomadas. Até porque, não é aceitável professores de qualquer nível agirem dessa forma.
Mas só me faltava essa, agora: ser atacado em salas de aula por aí. Onde mais tem gente me insultando para platéias de dezenas de pessoas? Para quantas platéias de alunos e em quantas instituições de ensino e por quantos outros professores estou sendo atacado?
O mais ridículo de tudo isso é se darem ao trabalho de detratarem alguém que apenas escreve o que pensa e que atinge uma mísera parcela das poucas pessoas que se interessam por política em um país de quase duas centenas de milhões de habitantes.
E ainda usando termos como “escroto”!!?
Minha cara professora, se a senhora quiser lavar a mente dos seus alunos, enquanto a lei permitir é um direito seu. Mas, pelo menos, escolha alvos maiores e use termos compatíveis com os de um professor universitário.
Por outro lado, que enorme ironia! A filha do Eduardo Guimarães estava presente na sala. Ergueu-se e protestou em voz alta. A professora terá de retratar-se publicamente.
O que pensar da atitude dessa professora senão que é um lamentável ato de desespero? Milhares de pessoas penduraram seus intelectos, confortavelmente, nos cabides que a mídia oferecia, e achavam que eles estavam muito bem protegidos. E agora contemplam, estarrecidas, seus intelectos cheios de mofo, estragados, incapazes de entender a realidade política de um país que, por culpa da informação distorcida que devoravam sem critério, não mais conhecem.
Houve tempo em que o sujeito pedia um café expresso e lia a Folha e achava que estava sendo muito inteligente. O tempo passou e agora sabemos que o mesmo sujeito pode ser o mais burro de todos.
Além do mais, mais gente vem se dando conta que não se pode confundir "liberdade de imprensa", com a astuciosa defesa que a imprensa faz de seus próprios interesses corporativos. E mais gente andou fuçando livros de história e arquivos e descobriu que a imprensa brasileira não tem um passado muito bonito no que se refere aos tais ideias democráticos.
Ao contrário, o golpe de Estado de 1964, que rasgou a jugular política do país e deixou-a no ar, jorrando sangue por 21 anos, foi combinado, fomentado e articulado dentro das redações. Os núcleos militares, intelectuais e políticos foram envenenados, inflados e/ou marginalizados em meio à pensada histeria que tomou conta dos jornais de 1962 a 1964, para não mencionar a crise de 1954, que quase culminou em golpe.
Tem um livro que estou lendo que fala disso, dessa presença, na história de hoje, do espírito do passado. Os grandes fatos históricos permanecem no espírito do tempo. Suas lembranças continuam a correr no sangue da sociedade contemporânea.
O "blogueiro petista escroto" que denuncia o partidarismo da mídia, professora, não está sozinho nessa empreitada. Luis Nassif, Azenha, Miguel do Rosário, e tantos outros, somos todos (como diria os Titãs) bichos escrotos, saindo dos lixos, ratos entrando nos sapatos dos cidadãos civilizados. Oncinha pintada, coelhinho peludo, professoras estúpidas, vão se... danar, porque aqui na face da terra só bichos escrotos, é que vai ter!
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