agosto 31, 2009

Líderes do movimento SOS Encontro das Águas ameaçados de morte

SOS Encontro das Águas
Foto: Rogelio Casado - Manaus-AM, fevereiro de 2009
Senador João Pedro
Senador Arthur Virgílio
Senador Jefferson Praia
Deputado Luiz Castro
Deputado Ângelus Figueira
Vereador Marcelo Ramos
Vereador Mário Frota

Assunto: encaminhamentos urgentes para proteção às vidas do Pe. Orlando Barbosa e Isaque Dantas e para a proteção do Encontro das Águas


Ilustríssimos Parlamentares Amazonenses


O movimento socioambiental “SOS Encontro das Águas” constituído por organizações comunitárias da Colônia Antônio Aleixo e civis de Manaus com o objetivo de promover a conservação e a recuperação dos recursos naturais na região do Encontro das Águas, maior símbolo da natureza e da identidade cultural do Amazonas, se posiciona contundentemente contrário a construção do Porto das Lajes nesta região devido a degradação social e aos impactos ambientais que o empreendimento acarretará aos bens comunais.

A Comunidade da Colônia Antônio Aleixo desde novembro de 2008 quando se iniciou o processo de mobilização em defesa do Encontro das Águas tem sido vítima de abuso do poder econômico e da propagação de falsas informações por parte dos empresários da Lajes Logística, da empresa de consultoria responsável pelo EIA/RIMA e até de órgãos governamentais interessados no licenciamento ambiental do terminal portuário na região das Lajes. No entanto, desde que o Líder Comunitário Isaque Dantas, membro do “Movimento SOS Encontro das Águas”, venceu no dia 15/08/09 as eleições da Associação Comunitária do Complexo da Colônia Antonio Aleixo com mais de 800 votos de diferença da chapa bancada pela Lajes Logística e desde que o ministério Público Estadual requereu o cancelamento das Audiências Públicas do Porto das Lajes, as ameaças e coações se tornaram mais constantes contra os membros do movimento “SOS Encontro das Águas”. Os dois principais líderes comunitários do movimento pacífico pela conservação do Encontro das Águas, Pe. Orlando Barbosa e Isaque Dantas têm recebido ameaças de morte. O Pe. Orlando no dia 26/07/09 foi assaltado em sua casa a mão armada por quatro indivíduos que levaram seu computador, seu lap-top e celulares e os bandidos ainda continuam o seguindo. Para proteger a vida do dedicado PE. Orlando que tanto colabora pela qualidade de vida da colônia Antônio Aleixo, o Bispo está transferindo de Paróquia, o que infelizmente ocorrerá neste próximo dia 2 de setembro.

Portanto, para proteger a vida de dois grandes defensores do nosso maior patrimônio e para que esta luta pela preservação do Encontro das Águas e pelo uso sustentável dos recursos desta região em prol das comunidades que ali vivem, solicitamos que como representantes do Estado do Amazonas tomem urgentemente as seguintes medidas:

- Ação conjunto com o Ministério Público Federal e o Ministério Público Estadual requerendo que a Polícia Federal investigue as ameaças e proteja as vidas do Pe. Orlando Barbosa e do Líder Comunitário Isaque Dantas.

- Acompanhamento do processo de Tombamento do Encontro das Águas que tramita no Ministério da Cultura a fim de que seja atendida com a urgência que o assunto merece a proposta mais ampla de tombamento apresentada pelo IPHAN –AM que inclui a área onde se pretende construir o Porto das Lajes que contempla o igapó mais preservado da margem esquerda do Encontro das Águas, o canal de entrada e a restinga do piscoso Lago do Aleixo e o Lago do buraco do Oscar, importantíssimo nicho de desova dos peixes da região.

- Reiteração a solicitação do movimento “SOS Encontro das Águas” ao IPAAM e Ministérios Públicos para que a região do Encontro das Águas seja transformada em Unidade de Conservação de Uso Sustentável para que assim se estabeleça um plano de gestão que beneficie a conservação e o uso sustentável dos bens comuns pelas comunidades locais.

- Ampla divulgação da importância da conservação do Encontro das Águas.

Atenciosamente.

Movimento SOS Encontro das Águas

Nota do blog:
Perguntar não ofende. Não é hora da igreja botar o bloco na rua? Uma empresa resolve bagunçar o coreto, desrespeitar a legislação, ofender nossa inteligência, botar nossos líderes em risco de vida, e fica por isso mesmo? Bertold Brecht dever estar convulso no túmulo. Pisaram no nosso jardim, arrancaram nossas rosas; agora querem levar nossa alma.

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I Congresso Internacional de Medicina Ambiental

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Medicina Ambiental: saúde e meio ambiente


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Nota do blog: Atenção para o local onde será realizada o I Congresso Internacional de Medicina Ambiental, entre os dias 5-7 de setembro: auditório da Escola Superior de Ciências da Saúde da Universidade do Estado do Amazonas - UEA.
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Estados Plurinacionales y Bienvivir, Declaración de Mama Quta Titikaka

Ilustração Carlos Fonseca

Estados Plurinacionales y Bienvivir, Declaración de Mama Quta Titikaka

Reunidos en la Paqarina Mayor de Lago Mama Qota Titikaka, 6500 delegados de las organizaciones representativas de los pueblos indígenas originarios de 22 países del Abya Yala y pueblos hermanos de África, Estados Unidos, Canadá, Circulo Polar y otras partes del mundo, con la participación de 500 observadores de diversos movimientos sociales, resolvemos lo siguiente:

Proclamar que asistimos a una profunda crisis de la civilización occidental capitalista donde se superponen las crisis ambiental, energética, cultural, de exclusión social, hambrunas, como expresión del fracaso del eurocentrismo y de la modernidad colonialista nacida desde el etnocidio, y que ahora lleva a la humanidad entera al sacrificio.

Ofrecer una alternativa de vida frente a la civilización de la muerte, recogiendo nuestras raíces para proyectarnos al futuro, con nuestros principios y prácticas de equilibrio entre los hombres, mujeres, Madre Tierra, espiritualidades, culturas y pueblos, que denominamos Buen Vivir / Vivir Bien. Una diversidad de miles de civilizaciones con más de 40 mil años de historia que fueron invadidas y colonizadas por quienes, apenas cinco siglos después, nos están llevando al suicidio planetario.

Defender la soberanía alimentaria, priorizando los cultivos nativos, el consumo interno y las economías comunitarias. Mandato para que nuestras organizaciones profundicen nuestras estrategias Buen Vivir y las ejerciten desde nuestros gobiernos comunitarios.

Construir Estados Plurinacionales Comunitarios, que se fundamenten en el autogobierno, la libre determinación de los pueblos, la reconstitución de los territorios y naciones originarias. Con sistemas legislativos, judiciales, electorales y políticas públicas interculturales, representación política como pueblos sin mediación de partidos políticos.

Luchar por nuevas constituciones en todos aquellos países que aún no reconocen la plurinacionalidad. Estados Plurinacionales no solo para los pueblos indígenas, sino para todos los excluidos. Para Todos Todo y haciendo un llamado a los movimientos sociales y actores sociales para un diálogo intercultural, respetuoso y horizontal, que supere verticalismos e invisibilizaciones.

Reconstituir nuestros territorios ancestrales como fuente de nuestra identidad, espiritualidad, historia y futuro. Los pueblos y nuestros territorios somos uno solo.

Rechazar todas las formas de parcelación, privatización, concesión, depredación y contaminación por parte de las industrias extractivas.

Exigir la consulta y el consentimiento previo, libre e informado, público, en lengua propia, de buena fe, a través de las organizaciones representativas de nuestros pueblos, no solo de los proyectos sino de toda política y norma de desarrollo nacional.

Exigir la despenalización de la hoja de coca.

Ratificar la organización de la Minga / Movilización Global en defensa de la Madre Tierra y de los Pueblos, contra la mercantilización de la vida (tierras, bosques, agua, mares, agrocombustibles, deuda externa), contaminación (transnacionales extractivas, instituciones financieras internacionales, transgénicos, pesticidas, consumo tóxico) y criminalización de movimientos indígenas y sociales, del 12 al 16 de octubre.

Construir un Tribunal de Justicia Climática que juzgue a las empresas transnacionales y los gobiernos cómplices que depredan la Madre Naturaleza, saquean nuestros bienes naturales y vulneran nuestros derechos, como el primer paso hacia una Corte Internacional sobre Delitos Ambientales.

Organizar durante la Convención de Cambio Climático de Copenhague, en diciembre 2009, una Cumbre Alternativa en defensa de la Madre Tierra para presionar por medidas efectivas, ante la hecatombe climática, como la consolidación de territorios indígenas, buen vivir y consulta y consentimiento previo, asumidos como estrategias para salvar al planeta.

Enfrentar la criminalización del ejercicio de nuestros derechos, militarización, bases extranjeras, desplazamientos forzados y genocidios en nuestros pueblos a través de alianzas y una amplia movilización por la amnistía de todos nuestros líderes y dirigentes procesados y encarcelados, especialmente por los luchadores por la libertad y la vida que se encuentran en cárceles en Estados Unidos y del mundo.

Respaldar y ampliar las denuncias presentadas ante la Comisión Interamericana de Derechos Humanos y el Comité de Erradicación de la Discriminación Racial de la ONU.

Impulsar el juicio internacional a los gobiernos de Colombia, Perú y Chile, al gobierno de Álvaro Uribe Vélez por el genocidio de los pueblos indígenas colombianos; al Estado chileno por la aplicación de la ley antiterrorista, persecución y judicialización de la demanda mapuche, los crímenes sobre lideres mapuches y la milititarización del wallmapu; y a Alan García por el auto golpe legislativo de los 102 decretos pro TLC para privatizar los territorios indígenas y los mas de mil lideres perseguidos y enjuiciados.

Implementar nuestros derechos, exigiendo que se dé rango de Ley Nacional a la Declaración sobre los Derechos de los Pueblos Indígenas de la ONU, siguiendo el ejemplo de Bolivia, Australia, México, Venezuela, entre otros países. Y que incluye el derecho a la comunicación de los pueblos indígenas. Si Barack Obama quiere hacer cambios en el desastre imperial, debe empezar por casa, y aprobar como ley en Estados Unidos, la Declaración de la ONU sobre Pueblos Indígenas.

Movilizar nuestras organizaciones en defensa de la lucha de los pueblos indígenas de la amazonía peruana contra las normas privatizadoras de sus territorios y bienes naturales. Su lucha es la nuestra.

Organizar en la primera semana de junio plantones frente a las embajadas del Perú en cada uno de nuestros países, exigiendo solución y no represión para nuestros hermanos. Y en esa dirección las organizaciones indígenas y campesinas del Perú acordamos un inmediato Levantamiento Nacional de los Pueblos del Perú en junio del 2009 por la derogatoria de los decretos anti indígenas generados por el TLC con Estados Unidos.

Rechazar los Tratados de Libre Comercio de Estados Unidos, Europa, Canadà, China y otros países, con nuestras economías quebradas, como nuevos candados de sometimiento a los pueblos y saqueo de la madre Tierra. Rechazamos las maniobra de la Unión Europea junto con los dictadores de Perú y Colombia para destruir la Comunidad Andina e imponer el TLC.

Movilizar nuestras organizaciones y movimientos sociales de nuestros países en defensa del proceso de descolonialidad iniciado en Bolivia, rechazar los intentos golpistas, separatistas, racistas y magnicidas de la oligarquía local y el imperio norteamericano.

Rechazar los asilos políticos concedidos por el gobierno peruano a los genocidas bolivianos. Y en esa dirección acordamos realizar la V Cumbre de Pueblos Indígenas del Abya Yala el 2011 en el Qollasuyu / Bolivia.

Fortalecer nuestros propios sistemas educación intercultural bilingüe y de salud indígena, para avanzar en la descolonialidad del saber, y en especial, detener la biopiratería, defendiendo nuestro régimen especial de patrimonio intelectual especial de los pueblos indígenas de carácter colectivo y transgeneracional.

Respaldar la lucha de los pueblos del mundo contra los poderes imperiales, lo que incluye el cese del bloqueo a Cuba, la salida de Israel de territorios palestinos, los derechos colectivos de los pueblos Masai, Mohawk, Shoshoni, Same, Kurdo, Catalán, Vasco, entre otros.

Construir paradigmas de vida alternativos a la crisis de la civilización occidental y su modernidad colonial, a través de un Foro sobre Crisis de la Civilización Occidental, Descolonialidad, Buen Vivir, entre otros, a realizarse en Cusco, del 26 al 28 de marzo del 2010.

Globalizar nuestras luchas a través de la realización de la I Cumbre de Comunicación Indígena en el 2011, en el Cauca, Colombia; la I Cumbre Indígena del Agua; Cumbre Continental de Comunicadores Indígenas, y la II Cumbre Continental de Mujeres Indígenas el 2011 en el marco de la V Cumbre de Pueblos Indígenas.

Constituir la Coordinadora de Pueblos y Nacionalidades Indígenas del Abya Yala, continuando el proceso de conformación de abajo hacia arriba, conformando comisiones de mujeres, adolescentes, niños, jóvenes y comunicadores indígenas, y en especial de la articulación regional en Norteamérica. Coordinadora del Abya Yala que vigile a la Organización de Estados Americanos y la Organización de Naciones Unidas, para superar su subordinación al poder imperial y que de no hacerlo construir la Organización de Naciones Unidas del Abya Yala y del Mundo.

¡ La tierra no nos pertenece, nosotros pertenecemos a ella !

¡ El cóndor y el águila vuelan juntos otra vez ¡

Mama Quta Titikaka, 31 de mayo de 2009

¡12 al 16 de Octubre Movilización global en Defensa de la Madre Tierra y los Pueblos !

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agosto 30, 2009

Romance das manhãs de domingo

Aniversário de 60 anos do poeta
Eugênia Turenko e Aníbal Beça
Foto: Rogelio Casado - Manaus-AM, setembro de 2006

Longe vão os "sabaníbal"

Com eles Aníbal se foi
Juntos, um pouco de cada um de nós

Nunca mais sábados
Nem domingos,
Segundas...

Aníbal sempre


Romance das manhãs de domingo

Aníbal Beça

As manhãs da minha infância
chegavam sempre serenas
levadas de claridade
roçando as manhãs do sol
nos meus olhos de menino

E só viam o que viam
porque só queriam ver
o que no olhar revelava
novidade e descoberta
para os meus olhos de festa

Porque de festa se faz
toda manhã temporã
das cidades acanhadas
perdidas em suas sestas
como a Manaus dessa época

Manhãs que se enbandeiravam
no descanso colorido
dos andaimes de domingos
construindo em algazarra
os sons nos pés dos moleques
com seus folguedos alegres:
coquinhos de tucumã
no futebol de botão
Pelada para os mais hábeis
carrinhos de rolimã
papagaios de papel
língua do pê cangapé
macaca e barra bandeira
pedrinhas e manjalé

Fora outros passatempos
(em que nós todos torcíamos
para que nunca passassem)
partilhados em segredo
com meninas assanhadas
bem mais do que curiosas
unidas num só desejo
de pulsão interior:
sussurros umedecendo
os mistérios revelados
(que não eram os gozosos
das ladainhas das missas)
nos arrepios dos pêlos
(ainda ralas penugens)
na pressa dos batimentos
dos corações pequeninos

Sla na saliva furtiva
no toque breve dos lábios
língua lúdica e cândida
de leve inocência lúbrica
na respiração molhada

Ciclo regido nas águas
cheiros agreste de alfazema
no talhe corpos franzinos
adocicando a paisage:
de surpresa e descoberta:
corpos deitados nas tábuas
dos escondidos porões
fugindo aos olhos contrários
de tias e avós zelosas
anjos com suas verdades
(que nunca eram as nossas)
de labareda e pecado

Querendo aplacar a febre
da nossa chuva de fogo
neblina de suor úmido
de chuva fina na pele
lavando instintos ocultos

E tudo era muito simples
como as coisas das crianças

Nada para complicar
a nossa fala em silêncio
Fala de olhos espertos
na parceria de cúmplices
quebrada só pela voz
da menina impaciente
sempre mais experiente:
_ Põe o teu dentro do meu
não diga nada a ninguém

Tudo ficava serenos
nos meus olhos de menino

Depois as águas do banho
gelavam nossos desejos
e o cheiro do peixe frito
era o sinal para o almoço
E todos sentavam à mesa
com olhos apreensivos
os ouvidos afinados
à espera de algum resmungo
ou de um olhar mais severo
da autoridade paterna
cofiando seu bigode
afiando os mesmos ralhos
cobrando as nossas posturas
de toda semana inteira
como se aquele domingo
fosse o dia do juízo

Mas em minha cabecinha
uma lembrança aflorava:
_ Põe o teu dentro do meu
e não diga nada a ninguém

Tudo ficava sereno
nos meus olhos de menino
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Sinatra for ever

Mr. Frank Sinatra
Em Manaus capital brasileira do jazz, há 14 anos todo domingo, meio dia é a hora em que o jazz está em cima da mesa através do programa "Momentos de Jazz " pelas ondas musicais da Radio Amazonas FM 101,5 ( www.amazonasfm.com.br).

Este domingo, especialmente, teremos duas horas de audição repletas pela música do Chairman-of- the-Board, Mr. Frank Sinatra. Pouco a ser escrito, muito a ser desfrutado.

Iniciaremos com o antológico CD que Frank gravou com a super orquestra de Duke Ellington e que foi finalizado justamente no dia do aniversário do grande cantor no dia 12 de dezembro de 1967. Imaginem o clima, que foi perfeitamente capturado neste registro, que tornou-se peça de colecionador.

Cole Porter o poeta do "beautiful people" que fez sua estréia nos musicais da Broadway em 1916, foi um dos mais inspirados compositores do século XX e do Great American Songbook. O que Porter tem em comum com Frank Sinatra? O CD "Sinatra Sings the Select Cole Porter" que será compartihado com os ouvintes do programa, contém a resposta: a composição e o canto. Sinatra teve muitos conflitos com o compositor por modificar, as letras das canções quanda cantava. Mesmo assim, Porter reconheceu que ter suas canções gravadas por Sinatra, era o complemento que ele almejava quando compunha.

Sinatra assinou praticamente a maioria dos standards que gravou. A confirmação está clara no CD "Sinatra. Songs For Young Lovers" sob a regência de Nelson Riddle gravado em 1986, no qual, My Funny Valentine, A Foggy Day, I Get a Kick Out of You, They Can't Take That Away from Me e I'm Gonna Sit Right Down and Right Myself a Letter entre outras foram definitivamente lidas no singular estilo sinatriano.

Fecharemos a audição com o CD "The Best of the Rat Pack" que Sinatra gravou com a participação muito especial de Dean Martin e Sammy Davis Jr.

Conto com tua audiência.

O melhor está a caminho.

Humberto Amorim
Produtor/locutor

Nota: Sorteio pelo tel 32165504, vidro de azeite de azeitonas alentejanas 100% naturais da Herdade do Esporão
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Carta da CNBB

Movimento social contra a Hidrelétrica de Balbina no rio Uatumã
Foto: Rogelio Casado - São Sebastião do Uatumã-Am, 1989

Nota do blog: Conheci D. Jorge Marskell (ao centro, de camiseta branca) em 1978 quando ele ainda não era o bispo da prelazia de Itacoatiara, num Encontro Indigenista realizado pela Igreja Católica no Retiro dos Salesianos, situado na região que mais tarde seria ocupada pelos bairros de Zumbi e São José Operário. Desse encontro participaram Darcy Ribeiro, Carlos Alberto Ricardo, Carmen Junqueira, D. Tomás Lisboa, D. Tomás Balduíno, Ademir Ramos, Humberto Mendonça, entre outros. Em 1989, 11 anos depois, reencontro-o à beira do rio Uatumã, com o mesmo sorriso largo, no movimento social contra a Hidrelétrica de Balbina, melhor seria dizer contra as hidrelétricas na Amazônia. Além das barragens no Tocantins, no Araguaia e no Uatumã o projeto energético brasileiro para 2030 previa a construção de outras 30 hidrelétricas na Amazônia. D. Jorge se foi muito cedo. Ficou a Igreja Católica - sobretudo os remanescentes da Teologia da Libertação - a lutar ao lado da população mais humilde contra a irracionalidade com que os povos da Amazônia são tratados seja pelo poder público, seja pela capital predatório. Abençoada igreja que cumpre seu papel junto aos humildes que, antes do reino dos céus, querem o direito a viver em paz na terra dos seus ancestrais. A carta abaixo é mais um testemunho da inabalável posição da Igreja Católica na Amazônia.

CARTA DA CNBB

Nós, bispos do Pará e Amapá, coordenadores de pastoral e representantes dos organismos e pastorais que compõem o Regional Norte II da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reunidos em Belém na 32ª Assembléia de Pastoral Regional nos dias 26 a 28 de agosto de 2009, refletimos sobre as CEBs: Comunidade de Vida e Missão. Com muita esperança constatamos que nossas comunidades estão vivas, escutam e meditam a Palavra de Deus e, inspiradas pelo projeto de Jesus, procuram unir fé e vida e enfrentar os desafios provenientes da realidade peculiar sócio-econômica e ambiental da Amazônia. O desrespeito à natureza e a destruição em curso ameaça a sobrevivência humana em nossa região. Assim decidimos dirigir-nos aos povos da Amazônia para partilhar as angústias que afligem a todos. Destacamos os grandes males causados pelo modelo de desenvolvimento adotado que privilegia os que detém o poder político e econômico, sobretudo nos lugares mais longínquos da região, deixando a população à mercê do narcotráfico, e exposta à uma total insegurança. A violência rural e urbana ceifa diariamente a vida de centenas de inocentes. O povo está sendo vilipendiado na sua dignidade e nos seus mais elementares direitos.

Todas essas mazelas vem junto com uma transformação imposta à nossa sociedade em nome de um desenvolvimento que se tornou um desenvolvimentismo opressor, fazendo ecoar em nossas cidades e nos campos lamentos e clamores dos povos indígenas, das populações ribeirinhas, dos remanescentes dos quilombos e também dos migrantes e trabalhadores, muitos deles em condições de escravidão, dos jovens sem emprego que gritam por socorro. Muitos deles não temem ir à luta para manifestar sua oposição a projetos faraônicos que destroem o meio ambiente e atentam contra a vida, sendo porém criminalizados por sua coragem e iniciativa.
Sabemos que cada motosserra que derruba a nossa mata, cada barragem que represa os nossos rios, ceifa um pouco de vida e destrói esperanças e sonhos de nossa gente. Interrogamo- nos, cada vez mais, qual será o futuro desta região. Apelamos aos responsáveis na política e economia que tomem consciência da real situação em que esta região se encontra e optem por um desenvolvimento que vise uma Amazônia sustentável e solidariamente compartilhada. Continuamos lutando contra um modelo de desenvolvimento socialmente injusto e ambientalmente degradante.

Repetimos o que já afirmamos por ocasião do IX Encontro dos Bispos da Amazônia em Manaus (2007): ”O nosso povo é vítima de uma verdadeira tirania econômica e política. Vive com medo, porque depende dos ”empregos“ das Prefeituras“ (n. 57). Naquele mesmo documento também nos referimos ”ao Estado omisso em manter a soberania da Amazônia, deixando que se transforme num corredor de exportação, de privatização da água, da concessão de florestas, da exploração de minérios e do agronegócio“ (n 58). ”O povo está decepcionado, ao perceber que sua participação, que lhe é pedida na gestão pública, não é respeitada“ (61).

Neste momento assistimos com muita preocupação aos trâmites em torno da projetada construção da Hidrelétrica de Belo Monte. Mais um grande empreendimento que não leva em conta os verdadeiros anseios da população e atiça apenas a ambição daqueles que apregoam um desenvolvimento que certamente será passageiro e destruidor. São previstos 1522 km2 de destruição - 516 km2 de área inundada e 1006 km2 de área que secará com o desvio definitivo da Volta Grande do Xingu! Depois do turbilhão de dez anos de construção, restarão talvez setecentos (700) empregos. Que desenvolvimento é esse que destrói inescrupulosamente o habitat de povos e famílias, a flora e a fauna ? Esse mega-projeto, se concretizado, deixará milhares de ”projetos de vida” atropelados pelo deslocamento compulsório de inúmeras famílias de suas casas e de suas terras. Como em outros projetos, centenas de infâncias se perderão, vitimadas pela exploração sexual. Milhares de trabalhadores formarão o exército de reserva que se amontoa em abrigos imundos e desumanos nas circunvizinhanças dos canteiros de obras. Os povos indígenas e comunidades tradicionais, secularmente perseguidos e dizimados, receberão o golpe fatal perdendo seus territórios e recursos naturais – e sobretudo a terra querida de seus ritos e mitos, onde sepultaram os seus ancestrais. Ressoa aos nossos ouvidos o grito de um índio Kayapó: “O que será de nossas crianças!”

Primeiro, Tocantins, Araguaia... Depois, Uatumã, Madeira, Xingu... Na sequência, Tapajós e Trombetas... A bacia amazônica, a maior reserva de água doce e de vida do planeta, penosamente dilacerada pelo represamento dos rios, pelo açodamento desenfreado da busca de riqueza e desenvolvimento a qualquer preço, sob os olhos e o patrocínio dos poderes públicos constituídos que governam, dando as costas aos legítimos anseios do povo e privilegiando uma minoria que sonha auferir polpudas riquezas com a realização de um projeto insano.

Não podemos nos calar diante da ameaça que paira sobre a vida de nossos irmãos e irmãs e diante da imprevidência e da imprevisibilidade que predominam nestes projetos, diante da desinformação que parece acalentar o silêncio de nossa sociedade sobre ações e projetos de tamanha gravidade.

Motivados pelo espírito profético de Jesus e solidários com nosso povo que não é ouvido rogamos ao Deus da Justiça que nos dê coragem e firmeza para nunca desistirmos de nossa missão.

Cremos que o Projeto de Deus de comunhão e participação continua vivo em nossas Comunidades Eclesiais de Base.

Pedimos a Nossa Senhora de Nazaré que interceda por seu Povo.

Belém, 28 de agosto de 2009
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Hoje, às 16h tem Stand-up com Márcia Denser. Não perca por nada!!!

Márcia Denser é a convidada do programa Stand-up Literatura deste domingo, dia 30 de agosto, às 16h00. O evento com gravação e transmissão ao vivo pela TV Cronópios é realizado na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista em São Paulo.

Márcia Denser publicou, entre outros, Tango Fantasma (1977), O Animal dos Motéis (1981), Exercícios para o pecado (1984), Diana caçadora (1986), Toda Prosa (2002), Caim (2006) e Toda Prosa II - Obra Escolhida (2008, Record). Márcia Denser é traduzida na Holanda, Bulgária, Hungria, Estados Unidos, Alemanha, Suiça, Argentina e Espanha (catalão e galaico-português). Tem dois contos - "O Vampiro da Alameda Casabranca" e "Hell''s Angel" - incluídos nos 100 Melhores Contos Brasileiros do Século. O "Hell''s Angel" está também entre os 100 Melhores Contos Eróticos Universais. É conhecida como "a escritora favorita do Paulo Francis".

Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, é pesquisadora de literatura brasileira contemporânea, jornalista e publicitária. Desde 2006 é curadora da Biblioteca Sérgio Milliet, no CCSP.

Na sua apresentação no Stand-up Literatura, Márcia Denser falará da carreira e lerá trechos de:

- O Quinto Elemento (Toda Prosa II);

- Memorial de Álvaro Gardel (Toda Prosa II);

- Lendo o Chico (crônica publicada on-line no www.congressoemfoco.ig.com.br;

- do romance Caim (Record, 2007);

- encerrar com o conto Relatório Final (Diana Caçadora/Tango Fantasma, Ateliê Editorial, 2003)

Ao final da apresentação, responderá a perguntas da platéia presente e também via Internet através do site Cronópios (www.cronopios.com.br).

Venha celebrar conosco mais um Stand-up Literatura. Ou assista tudo e participe pela internet. Tem vídeo na home do Cronópios e também no novo site do programa.
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agosto 29, 2009

Folha, omissão e manipulação

Carlos Latuff
Notícias

Folha, omissão e manipulação


Por Maurício Caleiro [Quarta-Feira, 26 de Agosto de 2009 às 14:42hs]


Três episódios de extrema gravidade, analisados em detalhes neste Observatório, marcaram a conduta do jornal Folha de S.Paulo este ano: o emprego do neologismo "ditabranda" em editorial, para se referir ao regime militar que vigorou de 1964 a 1989; o ataque verbal do diretor de Redação Otavio Frias Filho aos professores Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato; e, pior, a utilização de ficha policial falsa da ministra da Casa Civil e pré-candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, em matéria sobre um sequestro que nunca ocorreu – resultando no que a professora de Jornalismo Sylvia Moretzsohn, neste mesmo OI, classificou como "um dos casos mais graves da história recente do nosso jornalismo – ou, pelo menos, um dos casos mais graves tornados públicos".

Nascido como denúncia nas próprias páginas da Folha, o "caso Lina Vieira" talvez mereça figurar nessa lista que documenta a decadência de um dos órgãos de imprensa que um dia encarnou as esperanças de aprimoramento das posturas jornalísticas no país. Tal dúbia glória deve-se não apenas aos detalhes do caso, que pouco a pouco vão sendo revelados e suscitam suspeitas de que se trate de uma grande armação, mas, de forma indubitável, à cobertura que o jornal vem dispensando ao assunto.

A edição da Folha de terça-feira (19/8), que abordou o depoimento da ex-secretária da Receita Federal à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, foi particularmente questionável, por apresentar omissões gritantes e por adotar, uma vez mais, uma série de procedimentos jornalísticos inaceitáveis num órgão que se pretende pluralista.

"Não me senti pressionada"

"Não é o primeiro episódio na história recente do país em que um clima de escândalo sobe a uma temperatura máxima, alimentado por fatos que são o centro das atenções políticas por semanas até que sumam no ar como fumaça. Nesse caso, depois do depoimento de Lina na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, anteontem, e de inúmeros indícios apontados por apoiadores e detratores, a pergunta que vem à cabeça dos acompanhantes mais atentos da cena política é: qual é mesmo o crime?" – perguntou, no jornal Valor, a editora de opinião Maria Inês Nassif.

É precisamente o que ocorre não apenas com o "caso Lina", mas com a cobertura a ele dispensada: atingiram um ponto tal que, antes de mais nada, convém lembrar qual é exatamente a acusação que paira sobre Dilma Rousseff. Ela teria se encontrado com a ex-secretária da Receita e pedido agilidade em inquérito contra Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney, este então sob a ameaça de ser deposto pela Comissão de Ética da presidência do Senado. Segundo declarara inicialmente, Lina interpretou o pedido como uma senha para arquivar o processo. Essa era a acusação inicial.

Porém, em seu depoimento ao Senado, a ex-secretária, não obstante ter confirmado o encontro – sem, no entanto, apresentar qualquer prova material ou indício incontestável de que este ocorrera –, negou ter interpretado o pedido de agilidade alegadamente feito por Dilma como senha para encerrar o caso: "Eu entendi, das palavras da ministra, que resolvesse logo as pendências, que desse celeridade ao processo, não me senti pressionada pela ministra"; e "a ministra disse para agilizar a fiscalização do procedimento contra o filho de Sarney, mas, de forma alguma, o pedido foi para não investigar o filho de Sarney. Foi apenas para dar agilidade", declarou ela.

Mas o leitor da Folha de S.Paulo no dia seguinte ao depoimento simplesmente não teve acesso a essa declaração. Todos os textos relativos ao caso – um editorial, uma coluna de opinião e a matéria jornalística em si – são apresentados sem levar em conta esse momento-chave do depoimento.

Omissão e distorções

Os problemas começam já no editorial, intitulado "Persiste a dúvida", que produz uma pérola de humor involuntário ao afirmar contraditoriamente que "o depoimento da ex-secretária da Receita, ontem no Senado, manteve todas peças no tabuleiro. Lina Vieira não trouxe elementos que provassem o encontro reservado que alega ter mantido com Dilma Rousseff, para tratar de uma investigação fiscal contra familiares de José Sarney".

O texto não deixa de trazer, no entanto, embutido em sua argumentação, as consequências dos desdobramentos do dia anterior e, significantemente, a impossibilidade de encaminhar a acusação pelo caminho anteriormente adotado – de alegada interferência de Dilma para ajudar Sarney: "A prática de realizar encontros reservados de governo não pode ser condenada por princípio (...). Pode-se argumentar, do mesmo modo, que um pedido feito por um ministro para `agilizar´ – desde que o sentido implícito não seja o de `encerrar´ – certo processo não configuraria falta grave". Então, em que resultaria o problema? Segundo o editorialista – em outro ato falho revelador – na "acusação, esta politicamente grave, de [Dilma] ter mentido".

Na outrora nobre página A2, a coluna de Fernando Rodrigues afirma que "quem acusa é Lina Vieira, integrante dos quadros do próprio governo. Não se trata de alguém da oposição, um de fora". Do ponto de vista jornalístico, há um problema gravíssimo nesse "argumento": ele não informa o leitor que o tal "quadro" fora demitido de uma alta função – a mais alta que alcançara em sua carreira – e que dera demonstrações públicas de contrariedade pela demissão. Omissão ainda mais grave, deixa de noticiar que Lina fora demitida alegadamente por ninguém menos do que a pessoa que ela agora acusa, Dilma Rousseff. Ou seja, a argumentação de Rodrigues depende da sonegação de uma informação essencial, que explicitaria motivação para uma vingança de Lina contra Dilma.

"Ou mentiu à Folha ou mentiu aqui"

O colunista também não foi capaz de – ou não quis – apurar outra suspeita de primeira ordem, contrária à tese que desenvolve na coluna, e que viria a público na mesma quarta-feira, sendo confirmada no dia seguinte no blog Entrelinhas, de Luiz Antonio Magalhães: a revelação de que o marido de Lina, Alexandre Firmino de Melo Filho, fora ministro da Integração Nacional durante a presidência de Fernando Henrique Cardoso por quase um ano e, como sócio da agência de marketing político dois.a, tem ligações de longa data com a prefeita de Natal, Wilma de Faria (PV-RN) e com o senador Agripino Maia (DEM-RN), um dos líderes da ofensiva denuncista da oposição contra José Sarney (PMDB-AP) e, agora, contra Dilma. Convenhamos, para quem convive há tempos com o poder brasiliense e já foi um dos melhores repórteres investigativos do país, é uma sequência e tanto de "barrigas" – que põem por terra sua alegação de isenção funcional de Lina.

E há, por fim, o que deveria ser a matéria jornalística relativa ao depoimento na CCJ, intitulada "Lina vê `pedido descabido´ de Dilma e detalha reunião" e assinada por três repórteres. A única concessão que fazem é reconhecer que "a ex-secretária não levou provas nem forneceu a data da audiência". O resto da matéria reproduz falas de impacto de Lina – como "Não mudo a verdade no grito. Nem preciso de agenda para dizer a verdade. A mentira não faz parte de minha biografia" –, relata detidamente a atuação da bancada governista (mas se omite em relação à da oposição) e comete o ato falho de "entregar" que Lina reconhece que, no depoimento que dera ao jornal em 9/8, "apenas confirmou informações que a Folha apresentou a ela".

Utiliza-se, ainda, do pior truque empregado pelo jornal na cobertura: publica uma declaração que Lina dera anteriormente como se se tratasse de parte de seu depoimento ao Senado: "Na minha interpretação, o pedido de agilizar a fiscalização do filho do presidente Sarney foi para encerrar a fiscalização." Ou seja, exatamente o contrário do que ela afirmou aos senadores. Na CCJ, essa mesma contradição entre o que ela havia dito ao jornal antes e o que declarou aos parlamentares foi sublinhada pela senadora Ideli Salvatti (PT-SC), que interveio: "A senhora já disse a vários senadores que não entendeu [a ordem de Dilma] como pressão. Ou a senhora mentiu para a Folha ou a senhora mentiu aqui."

Acusação sem bases

Porém, esse é um caso em que, desde o início, foi invertido o princípio básico do Direito segundo o qual o ônus da prova cabe ao acusador. Mesmo Lina tendo sido incapaz, em cinco horas de depoimento à CCJ, de produzir uma prova sequer de que o encontro ocorrera, a personagem suspeita de mentir, é, para a Folha, Dilma. Não só o já citado editorial explicita isso, mas o título da coluna de Fernando Rodrigues faz ilusão à ministra: "A mentira como imagem". O colunista Elio Gaspari, em outra ocasião, vai mais longe e, proclama, baseado em não se sabe em quê, que "a ministra Dilma Rousseff tem uma relação agreste com a verdade". Se o caro leitor entendeu o que o historiador revisionista quis dizer, por favor, nos informe.

O governo, por seu lado, nega de forma peremptória a ocorrência do encontro. Não só o de ordinário recluso secretário de Comunicação Social, Franklin Martins, deixou-se entrevistar por jornalistas em Rio Branco (AC) para renegá-lo, uma vez mais, mas o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou a liturgia do cargo e desafiou Lina a provar o contrário. Para Ricardo Kotscho, que precedeu Martins na função, o maior erro cometido pelo governo até agora teria sido "entrar na da mídia" e sair a público para desmentir o encontro – e não só porque, como já citado, caberia aos acusadores provar que ele de fato ocorreu, mas porque a atitude defensiva do governo lançou suspeitas e reinflamou o debate.

Luis Nassif, no entanto, vê o caso por outro ângulo e recoloca uma questão essencial: "E se o encontro não ocorreu? Dilma deveria endossar metade da mentira [de Lina] para desqualificar a segunda metade, de que teria feito pedidos indevidos à ex-secretária?" Figuras-chave do governo se exporiam dessa maneira e viriam a público asseverar a inexistência do encontro e desafiar Lina a provar sua ocorrência se não tivessem a certeza de que ele não ocorreu? Não se sabe a resposta para estas perguntas, mas é importante registrar que o leitor da Folha não as encontra no jornal, a não ser na forma de acusação afirmativa e unilateral sem bases que a comprovem.

Tratamento diferenciado

Como se vê, o "caso Lina" tem ramificações várias e é mais complexo do que à primeira vista aparenta. Outra questão essencial que permanece sem resposta é por que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nomeou para secretária da Receita Federal – um cargo de confiança e estratégico, inclusive do ponto de vista da segurança institucional – a esposa de um ex-ministro de FHC e político ligado ao DEM, contra o qual a Procuradoria da União move ação por suposto desvio na Sudam, cujo rombo total chega a R$2 bilhões?

Uma consulta ao banco de dados da Folha de S.Paulo revela que Lina Vieira recebeu, durante sua gestão de menos de um ano à frente da Receita Federal – e notadamente logo após ser demitida –, tratamento diferenciado por parte do jornal em relação ao que o diário comumente dispensa ao segundo escalão do atual governo: criou-se a imagem de uma secretária eficiente, diligente na defesa de interesses corporativos e disposta a combater, como nunca antes neste país, os grandes sonegadores.

Interrogar a razão de tal tratamento face às práticas jornalísticas questionáveis que marcam a cobertura que a Folha faz do "caso Lina" pode vir a ser uma linha de investigação interessante sobre as ligações entre o jornal, o poder e a oposição.

Publicado originalmente no Observatório de Imprensa.

Maurício Caleiro

Fonte: Revista Fórum
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Desenvolvimento na Amazônia: o lugar do homem

PT Amazonas recepciona Zé Dirceu
Zé Dirceu, Marilene Corrêa, Marcus Barros
Foto: Rogelio Casado - Manaus-AM, 2009

Nota do blog: No dia 27 de agosto, deixei de postar o amável convite da minha colega de mestrado, Jane Dantas, assessora do MUSA - Museu da Amazônia, presidido pelo eminente pesquisador Dr. Ênio Candotti. É que naquela manhã tinha como missão participar da audiência pública sobre o EIA-RIMA do Porto das Lajes na comunidade de São Francisco, em Terra Nova. À tarde tive aula no mestrado. Resumo da ópera: perdi a palestra do meu compadre Marcus Barros sobre "Desenvolvimento na Amazônia: o lugar do homem". Caso o meu dileto companheiro tenha algum material redigido eletrônicamente, este PICICA ficaria honrado em postá-lo para conhecimento público. Em tempo: fonte segura afirma que Marcus Barros está sendo assediado pelo PV. Não há o que temer. Os barros não se misturam, não dão liga.

Prezado,

“Desenvolvimento da Amazônia: o lugar do homem” é o tema da palestra ministrada por Marcus Barros, dia 27 de agosto, às 16h, no Museu da Amazônia – Musa (Av. da Constelação, 16, Conjunto Morada do Sol, Aleixo, Manaus/AM).

Para o palestrante, a ocupação da Amazônia, sob qualquer estratégia, deve ter como foco central o bem-estar do homem. “Não tem sido assim em todas as ‘tentativas’ de desenvolver a região, por meio dos chamados ‘grandes projetos’. Nos últimos 150 anos, que abrange do extrativismo da borracha à industrialização das grandes cidades, tem sido evidente o descaso com as peculiaridades da Amazônia – sua cultura e sua biodiversidade”, antecipa.

Na ocasião o palestrante abordará a relação entre a destruição do ecossistema e dos chamados “nichos epidemiológicos” com a emergência e reemergência de doenças. Também pretende comentar sobre as políticas públicas de combate ao desmatamento nos últimos cinco anos, além de discutir sobre as políticas de desenvolvimento da região que priorizam a sustentabilidade como estratégia.

Marcus Barros é médico, professor adjunto IV de Doenças Infecciosas e Parasitárias da Universidade Federal do Amazonas – Ufam e pesquisador da Fundação de Medicina Tropical do Amazonas. Foi Reitor da Universidade Federal do Amazonas (1989 a 1993). Implantou e dirigiu o Centro de Pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz na Amazônia (1995 a 1998). Em 2002, foi Diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia /INPA. De 2003 a 2007, foi Presidente Nacional do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama. Recentemente foi eleito para o Conselho de Administração do Musa.

--

Jane Dantas
Jornalista (MG07326JP)
Assessora de Comunicação Museu da Amazônia - Musa
Fone: +55 92 32363079 / 9197 Cel.: 8128 5070
Skype: dantas.jane
Msn:
janesdantas@hotmail.com
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Aprovado acordo Brasil Vaticano. Vixe!

Bento XVI
27/08/2009 - 00h20

Acordo entre Brasil e Vaticano passa na Câmara

Sob protestos do PSOL e do PPS, o plenário da Câmara aprovou esta noite a ratificação de acordo entre o Brasil e o Vaticano, que prevê a instituição do ensino religioso em escolas públicas, isenções fiscais e imunidade das instituições religiosas perante as leis trabalhistas.

Assinado no final do ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Papa Bento XVI, o acordo prevê também a manutenção, com recursos do estado, de bens culturais da igreja católica, como prédios, acervos e bibliotecas.

Criticado por amplos setores da sociedade, como a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o texto acabou aprovado em votação simbólica após a costura de uma negociação com a bancada evangélica, muito forte no Congresso, para estender os privilégios às demais religiões. O acordo seguirá agora para apreciação do Senado.
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Libérez Cesare Battisti!

O que podemos esperar do julgamento de Battisti no STF?

Por Celso Lungaretti em 26/08/2009

O Supremo Tribunal Federal marcou para o próximo dia 9 o julgamento do caso do escritor e perseguido político Cesare Battisti, 54 anos, cuja extradição é requerida pelo governo italiano para o cumprimento de uma pena de prisão perpétua com privação de luz solar. Battisti... »

Abaixo-assinado internacional em defesa da liberdade de Cesare Battisti

Por Celso Lungaretti em 25/08/2009

O escritor e perseguido político Cesare Battisti ainda está preso no Brasil, ao arrepio da Lei e da jurisprudência, embora já em janeiro/2009 devesse ter sido libertado em função... »

Fonte: Consciência.net
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Digestivo Cultural

Jorge Luis Borges
Cartum de Gabriel Capra

Sexta-feira, 28/8/2009

Digestivo nº 430


Julio Daio Borges

Literatura

Ensaio autobiográfico, de Jorge Luis Borges

Se ainda há escritores novos que dizem que "não leem nada", deveriam, mais uma vez, se envergonhar e ler Borges. Se os seus contos parecem escritos por um deus, que não pode ter sido concebido entre nós (humanos), sua autobiografia, relançada pela Companhia das Letras, indica que o milagre aconteceu... dentro de uma biblioteca. Borges era o funcionário obscuro de uma biblioteca desimportante em Buenos Aires, mas leu, leu, leu - como ninguém mais. E, quando foi escrever, andou sobre as águas... Descobrimos isso porque, aos 70 anos, ele decidiu compor esse "ensaio autobiográfico", que foi, em seguida, publicado na revista New Yorker. Além de ter lido como os escritores contemporâneos nem sequer sonharam, Borges escreve sobre si mesmo com uma honestidade sem par - principalmente numa época de celebridades, onde aparecer é mais importante do que ser. Borges teve a sorte de não conhecer a vulgaridade da televisão; porque ficou cego antes... Tinha horror à política ("Subiu a o poder um presidente cujo nome não quero lembrar"); e um senso de dignidade igualmente extinto ("Para que apresentar-me a um homem que eu não cumprimentaria?"). Borges fala, naturalmente, de suas leituras. De sua preferência pelo conto, em lugar do romance. Rememora as poucas relações que, para ele, importaram. Com seus familiares; especialmente sua mãe. E com alguns poucos escritores; acima de todos, Adolfo Bioy Casares - que o tornou mais "clássico"... Borges ainda recorda os bastidores da escrita de algumas de suas obras-primas. Aponta os livros preferidos, seus. E explica como seguiu escrevendo depois que a cegueira se instalou. Admite a fatalidade sem drama, com uma altivez, novamente, rara, na época contemporânea... Para quem esqueceu o que é literatura - e acha que está inventando alguma coisa -, Borges não é uma recomendação, é uma obrigação.

Fonte: Digestivo Cultural

Mudanças sociais e mudanças de costumes são lentas, mas acontecem

Velocidade de carroça
Foto publicada em
http://www.anda.jor.br/
TELEJORNALISMO EM CLOSE

Vai mudar, sim. Mas a gente tem de empurrar
Paulo José Cunha


“Ah, deixa pra lá. A imprensa fala, fala, denuncia, exibe provas e mesmo assim não acontece nada, ninguém é preso, ninguém perde o mandato. Nem sei porque vocês jornalistas perdem tanto tempo com isso. É assim, sempre foi assim e vai continuar assim. Melhor é ir cuidar de outra coisa, certo?”

Errado. A sensação de que não acontece nada diante das denúncias dos escândalos, apesar da ação da imprensa, é ilusória. Acontece, sim. Não acontece é no ritmo da impaciência, nem no ritmo do que seria desejável, muito menos do que seria aceitável. Mas acontece. O problema é que o ritmo da mudança social e da mudança de costumes é lento. E o ritmo da justiça também. E ás vezes tarda – e falha, contrariando a frase famosa. A menos que a mudança seja provocada por uma ruptura institucional – uma revolução – ela ocorre dentro dos parâmetros definidos pelos ritos processuais, com ampla garantia de defesa aos acusados. E isso leva tempo. Às vezes, promove por decurso de prazo a impunidade dos culpados. Isso pode parecer ruim, mas não é. Essa demora é o preço que se paga pela garantia mínima de que inocentes não serão linchados em julgamentos precipitados por ritos sumários. E qualquer jurista sabe que é melhor deixar um culpado solto do que um inocente preso.

Por açodamento, nós, jornalistas, sempre corremos o risco de sucumbir à tentação de denunciar, julgar e condenar, num rito único, sumário, esquecidos de que nosso “poder” mal chega à denúncia, e olhe lá. A partir daí é com a justiça, que no máximo pode ser cobrada para andar mais depressa, ou acusada de comprometimento com tal ou qual interesse. Ou mesmo apontada por venal, já que juízes são falíveis (e os há ladrões, assassinos, corruptos ou incursos em toda a ampla lista de delitos previstos nos códigos Penal e de processo penal).

Os mais jovens devem estar espantados com a avalanche de denúncias contra políticos e outras autoridades pela prática de nepotismo. Esquecem-se de que tal prática era socialmente aceita até... outro dia! Tal como fumar em restaurantes ou dirigir automóveis depois de encher a cara. Foram as denúncias sobre os males dessas práticas que resultaram na “mudança de hábito” que se verifica atualmente, seja em relação ao fumo, seja em relação à lei seca, seja em relação ao nepotismo.

Até bem recentemente ninguém questionava o uso das passagens aéreas a que deputados e senadores têm direito. Faziam delas o uso que lhes aprouvessem, e ninguém se incomodava. Sequer havia denúncias a esse respeito, porque imprensa, judiciário e opinião pública consideravam tal prática absolutamente normal. E falo no plural, incluindo-me, sem correr o risco de ser considerado pecador impenitente: tenho 35 anos de jornalismo, e só de uns poucos anos pra cá comecei (começamos, e aqui te incluo também, leitor mais velho) a me (nos) dar conta de que passagem aérea paga com dinheiro público só deve ser usada pelo titular, e para viagens diretamente inerentes ao exercício do mandato. Até outro dia era absolutamente normal ver mulher, irmã, filho ou marido trabalhando no gabinete do/da titular do mandato, e ninguém via nada demais nisso. Até outro dia a imprensa não tinha a menor preocupação com o uso da verba indenizatória, porque parecia normal que parlamentar usasse o dinheiro para despesas particulares. Até que o deputado Edmar Moreira foi acusado de usá-la para pagar contas de suas próprias empresas de segurança. E ninguém se importava com isso. Inclusive nós, jornalistas. Agora, as coisas começam a mudar. Lentamente, sim, mas começam.

Este é o ritmo das mudanças. Foi assim na campanha republicana, quando alguém percebeu que não era aceitável que o poder fosse exercido por um monarca consuetudinariamente assentado num trono de ouro. Foi assim quando alguém se lembrou que a escravidão era uma prática repulsiva, detonando o movimento abolicionista.

Um dia, lá no futuro, quando não mais estarei aqui – nem tu, leitor - comentaremos estarrecidos como era possível, em pleno Século XXI, famílias terem seres humanos a seu serviço para a realização de tarefas de casa, os chamados “empregados domésticos”... Que horror, não é mesmo? Da mesmíssima forma como hoje nos horrorizamos de como um dia houve senhores de escravos que os tratavam como semoventes. E bater neles, ou mesmo matá-los, não consistia crime algum. Nem doía na consciência.

A mudança social e a mudança de costumes são lentas, muito lentas. Mas acontecem, e a história é a prova disso.
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Não basta despenalizar, tem que liberar a planta

Cannabis sativa
Ilustração postada em cannabis.com

Analistas apostam na despenalização da posse de entorpecentes na América Latina

Rodrigo Craveiro (para o Correio Braziliense)

Em toda a América Latina (à exceção do México), entre 16 milhões e 21 milhões de pessoas experimentaram cocaína ao menos uma vez em 2007. No mesmo período, o número de usuários de maconha oscilou entre 143 milhões e 190 milhões. Para estudiosos, a punição aos consumidores não é garantia de combate ao tráfico. A Suprema Corte de Justiça da Argentina interpretou o polêmico tema dessa forma e considerou inconstitucional um artigo da lei que penaliza a posse de maconha para uso pessoal. Na semana passada, o México também havia descriminalizado o porte de até 5g de maconha, 500mg de cocaína, 50mg de heroína, 40mg de metanfetamina e 0,015mg de LSD. No ano passado, o país enterrou 6 mil vítimas de atos de violência associados às drogas. Especialistas consultados pela reportagem admitem que as decisões de México e Argentina refletem uma tendência no continente.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tornou-se paladino dos debates sobre a temática no Brasil. Em entrevista ao Correio, por e-mail, de Jerusalém, FHC admitiu que a “guerra às drogas” está perdendo a batalha. “Mesmo na Colômbia, com todo o empenho do governo e a ajuda norte-americana, a produção não diminuiu”, exemplificou. O sociólogo defende que o tráfico organizado pode e deve ser combatido, independentemente da descriminalização. “A despenalização é uma alternativa para o usuário escapar da arbitrariedade policial e ser tratado pela autoridade de saúde e, assim, reduzir os danos que todas as drogas causam, inclusive a maconha”, sublinhou o ex-mandatário.

Graciela Touzé, presidenta da organização não governamental Intercambios — Associação Civil para o Estudo e a Atenção de Problemas Relacionados com as Drogas (em Buenos Aires), afirmou não ter dúvidas de que nações latino-americanas têm buscado avançar em reformas legislativas para não incriminar os consumidores. “O Uruguai não penaliza a posse de drogas para uso pessoal; em 1994, a Corte Constitucional da Colômbia declarou que tal punição fere princípios da Carta Magna; o Brasil descriminalizou a posse em 2006 e estuda um projeto que atue como ‘modelo democrático’”, observou. “Estamos ante um processo de revisão das políticas de drogas implementadas na região, com o objetivo de desenvolver propostas inclusivas e integrais, para melhorar a atenção dos problemas ligados aos tóxicos”, acrescentou.

A ativista argentina destaca a importância de se distinguir entre o consumo de drogas e o narcotráfico e lembra que as nações que penalizam os consumidores não obtêm resultados significativos no controle do comércio ilegal. “Em duas décadas de aplicação da lei de entorpecentes na Argentina, mais de 70% das ações penais têm sido por posse para uso próprio”, disse Graciela, que defende o tratamento das drogas como tema de saúde pública e não de política criminal. Segundo ela, a perseguição aos consumidores nada mais faz do que alimentar a ilusão de se combater o narcotráfico. “Na verdade, ela deixa de lado a repressão a delitos como lavagem de dinheiro e movimentação de ingredientes químicos usados na produção de entorpecentes”, alertou.

A também argentina Silvia Inchaurraga, diretora do Centro de Estudos Avançados em Dependência de Drogas da Universidad Nacional de Rosário, vai mais além. De acordo com ela, a despenalização da venda ou da distribuição de drogas não vai intensificar o tráfico. “A medida apenas deixará de tratar o consumidor como delinquente”, observou. Ela lembra que a Colômbia — maior produtora mundial de folha de coca, em uma área equivalente a 81 mil campos de futebol — e o Uruguai já descriminalizaram a posse de qualquer tipo de substância entorpecente. “Deixar de castigar o usuário permite que a assistência seja uma opção viável e torna possível se aproximar dele com estratégias de redução de danos.”

Lei branda

Sociólogo e redutor de danos, o gaúcho Dênis Petuco aposta que o tema deixou de ser visto como um problema de polícia e começa a ganhar abordagens da esfera privada ou como se fosse uma questão de saúde. “Isso ocorre no mundo inteiro. Nos Estados Unidos, onde existe toda uma ênfase na repressão, já há estados nos quais a lei é mais branda e despenaliza o porte para uso pessoal”, exemplifica. Com a experiência de quem faz mestrado sobre discursos de usuários de drogas, ele afirmou que não se trata de “optar pela descriminalização”, mas de voltar atrás na opção pela punição. Petuco lembrou que hoje morre-se muito mais na guerra contra as drogas do que por causa do uso dessas substâncias.

Um problema social, político e econômico. Assim o advogado venezuelano Bayardo Ramírez Monagas, de 69 anos, vê o tema dos entorpecentes. Autor de A questão das drogas na América Latina e ex-líder da Comissão Presidencial contra o Uso Ilícito de Drogas (Conacuid), um cargo com status ministerial, ele ironiza o fato de o assunto ter se convertido em uma discussão bizantina, “como o sexo dos anjos”, e culpa intelectuais de ilibada reputação que mostram “ignorância de segundo grau”. “O consumidor de drogas é um ‘enfermo de pé’, tão funcional quanto um alcoólatra. Por isso, não se pode puni-lo por sua conduta compulsiva, pois ele não é uma pessoa perigosa, mas em estado de perigo”, sublinha.

» Eu acho...

"A descriminalização das drogas deve vir acompanhada de fortes campanhas, pela mídia e a sociedade civil — como se fez no caso da Aids, aconselhando o uso da camisinha, — para reduzir o consumo. Não há dúvidas de que a hipocrisia campeia nesse debate. Por isso mesmo, a Comissão Latino-Americana sobre Drogas quer quebrar o tabu e abrir a discussão sobre como combater melhor e sem hipocrisia os danos causados pela droga, concentrando a repressão no tráfico e no crime organizado e cuidando do usuário como um problema de saúde pública. Parece certo que quase todos os povos culturais aceitaram, dentro de limites, o uso de algum tipo de droga, como o álcool, o tabaco e outras. Mas isso não justifica que se deixe de mostrar os malefícios que elas causam, nem de discutir o melhor modo de reduzir seu uso. Foi nesse sentido que comparei a atitude do governo Bush com a do Brasil, no caso da Aids — ao slogan norte-americano do ‘não ao sexo’ contrapusemos o ‘sexo seguro’. Com isso e outras medidas controlamos a expansão do HIV"

Fernando Henrique Cardoso, sociólogo e ex-presidente do Brasil
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Psicólogos, temos muito que fazer, temos muito que lutar

Nota do blog: Pego carona na mensagem do Sindicato dos Psicólogos de Minas Gerais para homenagear a categoria dos psicológos(as), que comemorou o seu dia no último dia 27 de agosto.

DIA DO PSICÓLOGO(A)

Na data de 27 de agosto, parabenizamos a categoria pela comemoração do dia do Psicólogo(a).

Neste dia e durante esta semana acontecem vários eventos em todo Brasil, tais como: congressos, seminários, simpósios, entre outros, tendo como objetivo comemorar, divulgar, valorizar e implementar propostas compatíveis, às condições e relações de trabalho do psicólogo(a), bem como manter o enfretamento às políticas neo-liberais que fazem da saúde mercadoria, voltadas para a precarização do trabalho, investindo a maioria dos recursos do SUS na atenção secundária e terciária, quando pela própria vocação do SUS, os investimentos deveriam ser canalizados em sua maioria, para a atenção básica (primária), que trata da prevenção, além do enfrentamento do sistema público com o sistema privado de saúde.

Do ponto de vista da gestão do trabalho, os servidores do ramo da seguridade social ( saúde, assistência e previdência) têm sido tratados com desrespeito, em condições e relações de trabalho precarizadas e relegados muitas vezes ao abandono, uma vez que, na área pública as tabelas dos Planos de Carreira, Cargos e Salários não têm sido corrigidas e na área privada os trabalhadores são empurrados para o desemprego, quer seja em nome da crise financeira mundial provocada pelo capitalismo, ou em nome do conceito perverso de empregabilidade, que diz que o trabalhador para garantir o seu emprego, precisa ter sintonia com a mente, o físico, a emoção e o espiritual, bom relacionamento, ter reserva financeira e outras fontes alternativas, ter excelente formação acadêmica, boa aparência, bons contatos, ter e manter bom relacionamento familiar e social, dominar idiomas e ter identificação com a empresa. Quando o mesmo não preenche essas qualidades, culpa o trabalhador pela sua incompetência, inabilidade e incapacidade de conseguir o emprego, justificando com esses argumentos que o mercado de trabalho carece de mão de obra especializada e qualificada.

Não obstante, o trabalhador, aqui especificamente o psicólogo, além do alto investimento financeiro na formação acadêmica, tem que investir em sua psicoterapia e para conseguir um emprego, submeter-se as leis do mercado de trabalho que diz que o trabalhador tem que fazer cada vez mais cursos de pós-graduação, extensão e especializações para desenvolver habilidades e competências e assim tentar enfrentar o mercado de trabalho, e garantir sua empregabilidade.
Educação tornou-se mercadoria.

O PSINDMG entende que primeiro deve ser garantido uma Empregabilidade que seja Universal e Integral; que habilidades e competências derivam de saberes e fazeres. As empregadoras devem garantir formação e treinamento, permanentemente, aos recrutados e aos seus empregados, oferecendo-lhes inclusive, igualdade de oportunidade no trabalho (gênero) e garantindo todos os seus direitos previstos na Consolidação das Leis Trabalhistas - CLT e pela Organização Internacional do Trabalho - OIT, entre outras.

No caso específico do trabalho do psicólogo, um grande enfrentamento é lutar para que o poder público e a sociedade reconheçam que o trabalho do psicólogo(a) é de cabal importância em todas as áreas que requerem o chamado e a intervenção desse profissional para quem dele precise.

Temos muito que fazer, temos muito que lutar.

Ajude-nos a organizar a nossa categoria.

Parabéns pela passagem do dia 27 de agosto.
Dia do Psicólogo(a).

A Diretoria.

solicitamos anotarem nosso novo e-mail:
psindmg@psindmg.org.br
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''Marcha da Maconha'' não faz apologia ao uso de drogas, diz AGU

Nota do blog: O PICICA, em grande parte, é feito com a informação solidária enviada por dezenas de companheir@s, comprometidos com a circulação da palavra. Por falta de hábito, algumas delas não informam a fonte. Peço a tod@s para atentar para esse detalhe importe, para não encrencar o blogueiro. Conto com o teu apoio.

''Marcha da Maconha'' não faz apologia ao uso de drogas, diz AGU

Da Redação - 27/08/2009 - 15h04

As manifestações que defendem a legalização ou a descriminalização das drogas não representam apologia ao uso de substâncias ilegais, e, portanto, não configuram crime. Essa é a posição defendida pela AGU (Advocacia Geral da União) em dois pareceres entregues ao STF (Supremo Tribunal Federal), que decidirá sobre a legalidade das decisões judiciais que proibiram a realização da “Marcha da Maconha” em diversas cidades do país.

Para o órgão que representa a posição oficial do governo nos processos judiciais, impedir as passeatas fere as liberdades de expressão e reunião, direitos fundamentais assegurados pela Constituição.

"Há uma diferença fundamental entre pretender que alguém faça uso indevido de drogas, induzindo-o, instigando-o ou auxiliando-o —o que é um fato criminoso—, e emitir uma opinião, estando essa última compreendida no exercício de crítica que concretiza o postulado da liberdade de expressão", diz a AGU.

A PGR (Procuradoria Geral da República) entrou com duas ações no Supremo para questionar a associação feita pela Justiça entre as passeatas pró-liberação das drogas e os delitos de apologia ao crime (artigo 287 do Código Penal) e apologia ao uso de drogas (artigo 33, parágrafo 2º da Lei de Drogas).

Segundo a AGU, “não há crime de apologia quando o que se pretende é discutir uma política pública, inclusive através de manifestações e eventos públicos”. A Lei 11.343/06 estabelece pena de um a três anos de prisão para quem: “induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga”. Já o Código Penal, prevê detenção de três a seis meses para quem fizer “publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime”.

Os pareceres defendem que a apologia ao uso de drogas ilegais só configura crime quando é dirigida a uma pessoa ou grupo específico. O órgão ressalta ainda que as liberdades de expressão e reunião devem ser respeitadas sempre que ocorrerem de maneira pacífica, ainda que seja para debater temas polêmicos, citando como exemplo a descriminalização do aborto de fetos anencefálicos, que também será julgado pelo Supremo.

Dessa forma, a Advocacia defende que o problema das decisões judiciais que proibiram as manifestações não está no texto das leis, mas na interpretação extensiva feita pelos tribunais em cada caso concreto.
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Juicio contra los genocidas en Rosario

Para que otro blog mas???

1º Juicio contra los genocidas en Rosario

Posted: 28 Aug 2009 11:07 AM PDT

El lunes 31 de Agosto comienza en la ciudad de Rosario la primer etapa de los juicios contra los genocidas de la última dictadura militar. En el primer juicio se llevará adelante la causa por la Quinta de Funes y Fábrica de Armas, en la que declararán unos 90 testigos y se prevee que durará unos cuatro meses.

Los organismos de derechos humanos están llamando a la participación en los mismos y al apoyo popular. Bajo la campaña "Los juzga un tribunal, los condenamos todos" buscan que los juicios sean verdaderamente públicos. Los integrantes del espacio Juicio y Castigo convocan a la jornada de acompañamiento a testigos y querellantes desde las 7:30 de la mañana y a un gran acto de apoyo para las 18. Todas las actividades se llevarán a cabo frente a los Tribunales Federales de Rosario (Oroño 940) donde a las 9 comenzará la primera audiencia oral y pública en la causa.

Por la misma se encuentran imputados los ex integrantes del 2º cuerpo del ejército: Omar Pascual Guerrieri, Jorge Alberto Farriña, Juan Daniel Amelong, Walter Salvador Dionisio Pagano y Eduardo Rodolfo Constanzo. Estos son algunos de los responsables por lo sucedido dentro de los centros clandestinos de detención ya mencionados, en La Intermedia y en La Calamita.

Estos se encuentran acusados por los delitos de secuestro y torturas comentidos contra 29 personas y los asesinatos de 17 de ellos, quienes aún sus cuerpos se encuentran desaparecidos. También en la causa se encuentra el caso de una embarazada de mellizos, a quienes llevaron a dar a luz a Paraná y aún se halla desaparecida. Por esta causa se encuentra trabajando la Justicia Federal de Entre Ríos.
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agosto 28, 2009

Mais uma derrota da empresa Login Logística S/A: cresce a impopularidade da construção do Porto das Lajes

Comunidade de São Francisco
Foto: Rogelio Casado
Terra Nova - Careiro da Várzea - Manaus - Amazonas - Brasil

Nota do blog: Na manhã de ontem, 27, na última das duas audiências públicas programadas para discutir o relatório de impacto ambiental da construção de um porto na região das Lajes, chegamos à comunidade São Francisco, em Terra Nova, município de Careiro da Várzea, passando pouco das nove da manhã. Estava acompanhado de Alvino Lemos, meu companheiro de trabalho, e mais três assessores do gabinete do deputado Luiz Castro, presidente da Comissão de Meio Ambiente. Na beira da CEASA, conseguimos nos livrar de um frete de 150 reais pela travessia, graças a uma carona numa voadeira do Sindicato dos Pescadores do Amazonas, para a qual contribuímos solidariamente com o rateio de 50 reais. Os companheiros do movimento SOS Encontro das Águas, residentes no bairro Antônio Aleixo, rumaram num barco de pesca para o lugar do evento por volta das oito da manhã.

Ao chegar fomos surpreendidos pelos painéis e faixas da empresa Login Logística S/A espalhados estrategicamente, bem como mais de uma dezena de pessoas com camisetas doadas pela construtora. A sede social do lugarejo estava apinhada. A grande maioria dos presentes não usava a camisa-propaganda do “Porto das Lajes”. Na subida para o barraco, um comunitário me informou que uma liminar do promotor Adalberto Carin Antonio, juiz da Vara Especial do Meio Ambiente e Questões Agrárias suspendera a audiência. Por que então um orador discursava?

Usava da palavra um líder dos pescadores do Careiro da Várzea. O orador despertou pouca simpatia com seu longo discurso. Mais ainda, quando ressaltou seu apoio à iniciativa de construção do Porto das Lajes, os corpos começaram a se inquietar. O pescador tentava argumentar, de modo nada convincente, de que o empreendimento não iria afetar a margem onde está situada a comunidade de São Francisco. Ao contrário, traria inestimáveis benefícios. O falante pescador apelou, então, ao deputado Falcão, liderança da classe dos pescadores presente ao evento, para sair em defesa da construção do porto.

O deputado não se fez de rogado. Invocou sua condição de filho de Terra Nova, relembrou os benefícios que como parlamentar teria levado ao alto Solimões (energia, fábrica de gelo), condenou as ONGs que não respeitam os caboclos da região, criticou os que se vendiam por uma camiseta pintada (alusão à uma única camiseta confeccionada por uma comunitária, enquanto a empresa Login Logística S/A distribuiu camisetas fartamente) e avocou para si a responsabilidade de ter dotado o município do Careiro da Várzea de recursos financeiros até então nunca vistos (seria contestado pelo Secretário de Cultura do Careiro da Várzea).

Resolvi interpelar, argumentando que se a audiência fora suspensa e se a “reunião” se mantinha a título de “esclarecimentos” – o que, cá pra nós se constituía numa manobra para construir um clima de simpatia ao projeto portuário –, por que não dar a palavra aos que se opunham à construção do porto, garantindo-lhes o direito democrático de manifestação.

A empresa manteve-se irredutível à continuidade da reunião, permitindo apenas perguntas e dúvidas a serem respondidas. Ato contínuo, pergunto qual a resposta para as 60 perguntas que o EIA-RIMA deixou de responder ao IPAAM. Flagrada em contradição, mais uma vez optaram por negar essa evidência que tanto chamou atenção das autoridades judiciais. A essa altura não era mais possível segurar a onda de descontentamento entre os presentes, que não engoliram a história de que as respostas foram ditas na audiência anterior – aquela suspensa pelo MP, cujo desrespeito gerou a liminar que suspendia a presente audiência, e que o coletivo SOS Encontro das Águas decidiu pelo não comparecimento.

Pior foi a tentativa de desqualificar os autores dos pareceres contrários. Refiro-me aos que foram feitos pelo Ministério Público Estadual e pela Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa. Tentaram uma manobra desesperada: intimidar com números. Supostos 25 cientistas teriam colaborado e/ou apoiado o projeto. Não pouparam sequer o eminente pesquisador Dr. Ênio Candotti, presidente de honra da SBPC, que deu um belo testemunho de amor à ciência e à vida ao oferecer na reunião ocorrida em Manaus, em julho deste ano, na Universidade Federal do Amazonas, um stand temático, tendo o Encontro das Águas como objeto de trabalho científico. Organizador do Museu Amazônico – MUSA, Candotti revelou o significado daquele santuário ecológico e sua importância para a fauna ictiológica. Por ele soubemos onde desovam os jaraquis, principal refeição dos amazonenses. A empresa Login Logística S/A incorre em dois erros graves pelas palavras de um dos seus “cientistas”: “O Candotti é um físico!”. Ora, acaso o físico catou essa informação no lixo, ou estava a repercutir o conhecimento dos seus pares? Vamos aos dois erros: o desrespeito ao conhecimento multidisciplinar e ao conhecimento popular e tradicional. É dose pra levantar defunto!

O companheiro “cientista” que tentou me enquadrar numa suposta atitude anti-ética por ter liderado o esvaziamento de uma reunião que agredia princípios democráticos, fica minha inabalável decisão de agir politicamente sempre em defesa dos interesses coletivos quando eles estiverem sob ameaça. De maneira autônoma e independente. Tenho dito!

Mais um esclarecimento se faz necessário: oito pontos estão sendo estudados para a construção de um porto privado, mas a empresa Login Logística S/A não abre mão da região das Lajes. É impossível que não haja outro lugar para abrigar um porto. E não cabe ao movimento SOS Encontro das Águas indicar um lugar para construção de um porto. Era só o que faltava! O dinheiro gasto com a tentativa de impedir a vitória do companheiro Isaque Dantas, assistente social, para a presidência da Associação do Bairro, bem que poderia ter sido usado para novos estudos de áreas adequadas para a construção de um porto.

Uma palavrinha final: meus cumprimentos ao jornal A Crítica, um dos poucos veículos de comunicação que tem dado espaço para os opositores do projeto de construção do malfadado porto, projeto que desrespeita a cultura amazonense. Humberto Calderado, se vivo fosse, certamente estaria liderando a resistência a tão desastrada iniciativa.

Advertência: Companheira Elisa Wandelli, se você estiver lendo essas mal-batucadas peço urgentes providências para que seu anti-vírus seja atualizado. Todos os seus e-mails estão sendo deletados pelo meu anti-vírus: eles estão infectados por vírus, daqueles brabos. Há tempos não consigo lê-los. A luta continua.

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Biscoito Fino

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Uma lágrima para Anibal

O imortal Anibal Beça
Terça-feira, 25 de Agosto de 2009

uma lágrima para Anibal


Lamentavelmente, mais um amigo se despede. Morreu, na manhã de hoje, em Manaus, o amigo Anibal Beça, poeta, tradutor, compositor, teatrólogo e jornalista. Anibal nasceu em Manaus em 1946. Trabalhou como repórter, redator e editor, em todos os jornais de Manaus. Tem dezenas de livros publicados e em 1994 recebeu o Prêmio Nacional Nestlé, em sua sexta versão, com o livro “Suíte para os Habitantes da Noite”.

Não nos conhecíamos pessoalmente, mas a nossa amizade virtual data de mais de 10 anos: iniciou-se quando me convidou para participar da "Poemas" uma lista que criou com a Rosa Clement. Desde aquela época, creio que 1998, mantínhamos contato através de e-mail, com interrupções que decorriam de complicações causadas pelo que chamava de seu "rebelde diabetes".

De Anibal recebi estimulante e generoso comentário ao poema "Ausências". Comentário que está no livro "Eu, Meu Outro", publicado em 1999, ao lado de outros que muito me honram. Muito me honrou e comoveu, também a análise crítica ao livro "Anomalias", publicada aqui no blog.

O último poema que Anibal me enviou por e-mail foi este:

RECOMEÇAR

Anibal Beça ©

Prontos para fazer novo começo
assim como o bom dia novamente
sai do sol sem a névoa, seu avesso,
busquemos claridades displicentes.

O teu mundo não é maior que o meu
nem o meu choro é pouco do teu muito;
a pedra que me cabe nesse intuito
também te servirá no apogeu.

Todas as paixões passam num circuito
do Malecón de Cuba ao coliseu
no bem viver da vida e o seu minuto

O recomeço pousa nas pegadas
no desafio de verbo fortuito
de ressaltar as sombras salteadas.

Para Anibal escrevi o poema

amalgama amazônico

[para Anibal Beça]

fundada no verde e em versos
na lubricidade das matas
no caudal de rios e igarapés
vem do universo amazônico
uma poética que sem negar-lhe
transcende o regional e revela
sonoridades que amalgamam
como se fruta e semente
oriente e ocidente
alma e fera.

Fred Matos
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