janeiro 17, 2009

Pouso & Pausa

PAUSA

Aníbal Beça ©


Il tuo delirio sale agli astri ormai.

Eugenio Montale



Hostis, são os teus confrontos
sem motivos aparentes,
como as ondas sem a pausa
no seio de suas águas
onde fundas território.
O importante é o avançar,
para ti que tens as curvas
dominantes do destino,
conquanto tenhas, sinuosos,
os caminhos temperados.
Para mim, sempre exilado,
restam três passos, recuo,
na transparência do vidro,
para me mostrar janela.
Não busco, um atordoado,
o solitário silêncio.
E sereno, não sói ser
o ruído anunciado
de um carnaval de escarcéu.
O caldeirão está pousado,
muita água requentada,
e uma líquida esperança,
subindo da minha língua,
enxuga tua erupção.
Um punhal risca no céu
seus raios em trovoada.
Arfante, prendendo espasmos,
tentas esconder tentando
o invisível no visível.
Sei que avanço na batalha.
E tu te sabes concílio,
olhos em reviravolta,
discutindo um armistício,
à procura do repouso,
mais que o lençol a almofada.
Hora em que acendo o cigarro.
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