julho 31, 2009

Cinismo e impertinência

Márcio Souza
Foto: Rogelio Casado - Manaus-Am, 2008
Nota do blog: A fotografia acima de minha autoria foi usada pelo coordenador de eventos da Livraria e Editora Valer para compor um convite para o lançamento do livro "História da Amazônia", de Márcio Souza. Não fosse o cinismo e a impertinência da resposta do funcionário da Valer - enviada para o meu e-mail -, eu não voltaria ao tema já criticado numa postagem recente neste blog. Senão vejamos:

1. A foto do convite do lançamento do livro 'História da Amazônia', de Márcio Souza !
De: Valer Editora/Livraria
Para: rogeliocasado@uol.com.br
Assunto: A foto do convite do lançamento do livro 'História da Amazônia', de Márcio Souza !
Data: 30/07/2009 17:30

Desculpe não dispor o crédito da sua foto que tomei para compor o convite digital do referido convite. Em busca no Google encontrei esta foto e inseri outras fontes, acabei ñ vendo o autor. Ela ficou muito boa mesmo. O Sr. irá ao lançamento?

José Farias - coordenador de eventos da Livraria e Editora Valer

***

2. Fwd: A foto do convite do lançamento do livro 'História da Amazônia', de Márcio Souza !
De: Valer Editora/Livraria
Para: rogeliocasado@uol.com.br
Assunto: A foto do convite do lançamento do livro 'História da Amazônia', de Márcio Souza !
Data: 31/07/2009 17:50

Não há desculpa possível para tão lamentável episódio. Justamente porque ela ficou muito boa - o ângulo é raro e muito feliz - é que o autor merecia melhor tratamento. Não é todo dia que se tem uma fotografia semelhante. Inclusive o Google informa o local onde ela foi postada.

Em protesto, não pariticiparei do evento. Não me queira mal.

Rogelio Casado - fotógrafo

*

Tenho certeza que isso não será o motivo de sua não participação no evento de lançamento do livro de Márcio Souza (grifo do blogueiro). Lhe admiro muito e não mudarei meu pensamento por isso. Novamente, desculpas lhe ofereço e comunico que não usarei mais fotos suas, nem com créditos nem sem créditos (grifo do blogueiro).

José Farias

***

3. Re: A foto do convite do lançamento do livro 'História da Amazônia', de Márcio Souza !
De: rogeliocasado@uol.com.br
Para: Valer Editora/Livraria
Assunto: A foto do convite do lançamento do livro 'História da Amazônia', de Márcio Souza !
Data: 31/07/2009 19:07

Esteja certo de que há uma só certeza: a de que houve imperícia para quem trabalha numa empresa séria e responsável como a Valer. Creditar fotografias alheias é praxe, inclusive pedir consentimento para publicar. Considero sua resposta ameaçadora e desrespeitosa. Estou no meu direito de reclamar. Sou cliente da livraria e pago por todas as compras que faço, com os descontos cabíveis para um grande comprador como eu. Meu protesto se limitava ao evento do qual me foi subtraída uma fotografia. Agora estou pensando se continuarei cliente da livraria. E só não a processarei pela amizade que une ao proprietário e ao editor. Eles não podem ser responsabilizados nem pela subtração, nem pela forma pouco respeitosa com que fui tratado. A resposta que eu merecia certamente era outra.

Passar bem.

Rogelio Casado - fotógrafo

***

Em tempo: Para esclarecimento do coordenador de eventos da Valer, gozo do respeito do dono e do editor da Valer, bem como do autor de Um teatro na Amazônia - A trajetória do Teatro Experimental do SESC do Amazonas / Márcio Souza - Manaus: Editora Valer, 2007, onde às paginas 74 e 75 tenho creditadas as fotografias de minha autoria da peça A Resistível Ascenção do Boto Tucuxi, de 1982.

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Stand By Me

video


Compartilho música enviada há algum tempo pelo poeta Anibal Beça, que está temporariamente fora do circuito cultural para tratamento de saúde. Ao poeta meus votos de saúde e amizade.

Stand By Me

The Beatles

Composição: Ben E. King


Introdução:

"Essa música diz que

nao importa quem você seja,

não importa aonde você vá na sua vida

em algum ponto você ira precisar de alguem ao seu lado"


Licença poética:

Oh sim! Oh minha querida!

Fique comigo

Não importa para onde você vá na vida

Você vai precisar de alguem para estar com você

Não importa quanto dinheiro você tenha

Ou quantos amigos você tenha

Você vai precisar de alguém para estar com você


Tradução:

Quando a noite tiver chegado
E a terra estiver escura,
E a lua for a única luz que veremos,
Não, eu não terei medo
Não, eu não terei medo,
Da mesma maneira que quando você fica, fica comigo...

Refrão:
Então querida, querida, fique comigo
Oh, fique comigo, oh, fique
Fique comigo, fique comigo...

Se o céu que vemos lá em cima
Desabasse e caísse
Ou as montanhas desmoronassem para o mar
Eu não choraria, eu não choraria,
Não, eu não derramaria uma lágrima,
Igual quando você fica, fica comigo...

Refrão

A qualquer hora que você estiver com problemas,
Você não contará comigo?
Oh, agora, agora, conte comigo
Oh, conte comigo, conte comigo, conte comigo.




julho 30, 2009

Morre em São Paulo Osvaldo di Loreto

Osvaldo di Loretto e Franco Basaglia
Comunidade Terapêutica Enfance
Foto: Rogelio Casado - Diadema - São Paulo, 1979

Nota de falecimento: Morre em São Paulo o criador da Comunidade Terapêutica Enfance Osvaldo di Loretto. Seu corpo está sendo velado no Hospital Sírio Libanês. Uma página da psiquiatria social brasileira foi escrita por di Loretto e vários companheiros(as) com quem tive o prazer de cruzar quando da minha residência médica em psiquiatria social (1978-1979) naquela comunidade em Diadema - São Paulo; entre eles: Tily, Joinho, João Papaterra, Ziza, Tânia, Áurea, Dilson, Fernando, Paulo Barnabé, Sérgio, Jacques, Nelson, Volúnia, Lelé, Giba, Baixinha, Valdir, Michel Schwartchild, Nicolau, Gabriel Figueiredo, Fernando Casadei, Humberto Mendonça, Maria Helena Valente, Percy Galimberti e tantos outros. Estamos todos de luto. Devo a você, di Loretto, a oportunidade de ter conhecido o inesquecível Franco Basaglia. Há tempos você está na minha galeria dos imortais. Como você mesmo dizia, meu caro di Loretto, "a luta continua"! Grande Osvaldo di Loretto.


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julho 29, 2009

Um texto sem sutilezas

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Um texto cheio de sutilezas

Miriam Soares
I Congresso Brasileiro de CAPS

Foto: Rogelio Casado - São Paulo-SP, 2004

Carta aberta da supervisora clínico institucional dirigida aos trabalhadores, usuários e familia...

Caros companheiros!

Até o presente momento a gestão estadual não se pronunciou com relação ao projeto de qualificação pelo qual assumi a responsabilidade técnica e o compromisso público pela sua execução.

O conflito inerente às questões de saúde mental, a tensão das relações políticas, a falta de condições de trabalho são situações com as quais me disponho a lidar. Mas reajo muito mal aos ataques pessoais. Não fui e jamais serei uma profissional “pai de santo”: daquele que recebe e despacha sem o menor compromisso com o que está fazendo. Tenho paixão e zelo pelo que faço e maturidade suficiente para perceber determinadas coisas. A inveja, o ciúme e a rede de intrigas típicas daqueles cujo universo não ultrapassa as margens do Igarapé do Mindú tem o seu lugar no confessionário, no divã do psicanalista e no churrasco na laje de casa, não necessariamente nesta ordem.... Entendo que a gestão pública não pode ser conduzida como se estivéssemos no páteo do jardim da infância e que esta questão deve ser tratada do ponto de vista das relações institucionais. A saúde mental do Amazonas padece de um amadorismo pueril e irritante.

As ações da saúde mental tem diretrizes claras e devem ser definidas com o mínimo de planejamento, sendo garantida a participação de usuários e trabalhadores. Encontrei um programa de saúde mental sem fluxo de atendimento, sem mecanismos de avaliação dos serviços, sem interlocução com o município, e que trata os mecanismos de controle social com completo descaso, perpetuando a hegemonia do hospital psiquiátrico como centro da assistência. “Não temos nada a ver com isso”: essa é a postura. “Isso não é problema nosso” : essa é a resposta. Iniciamos um processo de realinhamento das ações com a reestruturação do projeto terapêutico do CAPS tendo como norte a mudança do modelo de assistência e a garantia dos direitos dos usuários. Fizemos alguns avanços. Este é um processo que desperta amor e ódio, gera conflitos pois horizontaliza o poder. Lamentavelmente a gestão não se interessou em corrigir os rumos apontados pelo coletivo dos trabalhadores, com a participação efetiva dos usuários. A saúde mental do Amazonas padece de uma omissão histórica e irresponsável.

Não dá para defender o indefensável. Como é que se explica a água contaminada servida aos usuários? Como é que se explica que falta de estrutura para o funcionamento 24 horas? Como é que se explica o funcionamento da CESMA? E como estas existem inúmeras situações inexplicáveis, especialmente o fato de que este tema sequer consta da agenda do gestor estadual. A saúde mental do Amazonas padece de falta de tempo e dedicação.

Foi o contato intenso com a loucura e a crise psicótica, a experiência cotidiana no manicômio e o flagelo da exclusão social que me deram a convicção da clínica antimanicomial refirmando a certeza de que o hospício tem que ser enfrentado com coragem e determinação. Não se faz a reforma com discurso, mas com muito trabalho. Infelizmente o grupo que conduz a política de saúde mental no Estado do Amazonas neste governo há quase uma década, além de adotar a prática perversa de ameaçar os trabalhadores e desqualificar o usuário, tem como único objetivo manter-se no poder a qualquer custo, sem se preocupar de fato com os rumos da reforma. São reformistas no que dizem e no que escrevem, mas não no que fazem... Me faz lembrar das propagandas ridículas da Tônia Carreiro falando das maravilhas do Leite de Aveia Davene, ou da Xuxa vangloriando os produtos Monange! Alguém acredita que é esse o tipo de cosmético que elas usam? A saúde mental do Amazonas padece de um narcisismo insano e medíocre.

É no mínimo estranho que a gestão estadual se mantenha em silêncio, tendo ciência tanto da situação vergonhosa em que a saúde mental se encontra quanto da prática institucional de seus (ir)responsáveis que fere frontalmente os princípios do SUS, da reforma psiquiátrica e da Política Nacional de Humanização. Nenhuma providência foi tomada apesar dos relatórios, correspondências e reuniões. A saúde mental do Amazonas padece da síndrome dos panos quentes.

Martin Luther King dizia que “quem convive com o mal sem protestar, colabora com ele” e é esse o espírito que me move a tomar uma atitude como pessoa, como profissional responsável pelo projeto, como militante e como cidadã. Neste sentido, encaminhei nota de esclarecimento com solicitação de providências ao Conselho Estadual de Saúde, com cópia para o Ministério Público.

Isto posto queria dizer que foi um prazer imenso ter realizado este trabalho e que considero o resultado deste esforço extremamente positivo. Contem comigo sempre na luta por uma sociedade sem manicômios.

Com um forte abraço para todos.

Miriam Senghi Soares

Supervisora clínico institucional e militante da luta antimanicomial
julho/2009
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Rio de Janeiro: exposição de fotografia - Prêmio World Press Photo

Operação de despejo
Foto: Luiz Vasconcelos - Manaus-AM, 2008
Nota do Blog: Luiz Vasconcelos foi um dos fotógrafos brasileiros premiados pelo World Press Photo, com a fotografia de uma mulher que tenta impedir despejo de campo de assentamento em Manaus. Conheço duas versões do fato; uma delas oficial. A de Luiz valeria uma reportagem especial. Num encontro em Tabatinga-AM, na tríplica fronteira do Amazonas, ouvi um longo relato desse fotógrafo nascido no Acre. Grande Luiz! De hoje até dia 23 de agosto, o Rio de Janeiro terá o privilégio de ver a exposição de fotografias dos premiados do Prêmio World Press Photo, edição 2009.
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Narciso Lobo, uirapuru está cantando

Narciso Lobo
Foto: Rogelio Casado - Manaus-AM, 2007

Terça-feira, 28 de Julho de 2009

NARCISO LOBO, UIRAPURU ESTÁ CANTANDO

Narciso, mitologicamente simboliza a ambivalência dos sonhos e da morte.

Narciso, o mito refletido no “encontro das águas”, a nossa primal e derradeira morada. Narciso! A outra margem é o mistério... Cuidado!Creonte - catraieiro aleivoso acena.

Pontes foram inventadas para reunir... Mas existem pontes para invadir e disseminar os desencontros...

Desde antanho, antes das cinzas estou contigo e não abro.

Amigo aqui se cruza como dois irmãos, o rio Negro e o Solimões. “Se estes dois rios fôssemos, Maria,/ Todas as vezes que nos encontramos,/Que Amazonas de amor não sairia/ De mim, de ti, de nós que nos amamos!...”(*)

Narciso Lobo, jornalista e poeta por opção desde sempre, nunca desejou outra coisa senão a caverna clara das palavras impressas... Aluno do Ginásio Pedro II, editou o tablóide "O Elo",">“O Elemento 106”, em parceria com Aurélio Michiles, Enéas Valle, Milton Hatoum, Tomzé... Trabalhou desde os 15 anos nos jornais de Manaus, depois quando aluno de comunicação escreveu para os jornais O Globo, JB, O Dia, sucursal do Estado de São Paulo (RJ), jornais alternativos como Porantim, Bagaço, Movimento... foi ele quem entrevistou Glauber Rocha na volta do exílio ("Nem Lênin, nem Mao, nem Stalin, nem mesmo Machado de Assis" - Movimento,19/07/1976). Esta entrevista provocou polemica... Depois Narciso decidiu retornar para Manaus, assumiu a academia, virou mestre, doutor e imortal...

Sim, ele foi o líder dos estudantes secundaristas a desafiar a Ditadura na passeata contra o assassinato do estudante Edson Luís, em 1968. “- Uirapuru está cantando!”

PS. Narciso mantinha um blog denominado Jornal da Selva, no qual podemos compartilhar das suas idéias e opiniões. Experimente.

15/03/2009
Oriente-Ocidente

Lições do I Ching

Ele diz com todas as letras:

É preciso persistência

Na travessia do grande rio

Diz que a luz do sol poente

Sinaliza o transitório

Da existência impermanente

E adverte: Nem euforia desenfreada

Nem tristeza amedrontada

Ambas totalmente erradas

4/01/2009
Devaneio
Cantos Deslizantes

I

Manaus
Meu porto
Meu aeroporto
Meu penúltimo e (in) definitivo pouso.

O "Novo Amazonas"(daqueles anos...)
Ficou velho.
Manaus
Apenas uma imagem
Cravada no âmago da memória.

II

Todos os livros do mundo
Não estão sendo suficientes
Para explicar tanto sufoco
Tá ruço
Não tá dando pé.
Tem que haver mudança
Na dança do homem
Rotas, retas, curvas
Tangenciando mentiras oficiais
Não tá dando mais.

III

Talvezes, talvezes, talvezes
Tantas vezes, tantas vezes.

27/02/2009
Experimento Atonal
Três Vagalumes

Para P. E.

1

Sob o sol equatorial
Sentimentos e ressentimentos
Chove copiosamente

2

Trovões e pouca chuva
Menino não pode ser menina
Mas arco-íris brilha no céu

3

Forte desce o Negro
Adiante enlaça o Solimões
Rebojo e calmaria: um no outro

(*)"Encontro das Águas" de Quintino Cunha (1875-1943)

Fonte: CEUVAGEM
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Universidade do Amazonas multada por desmatamento

Universidade do Amazonas multada por desmatamento – 10/07/2009

Local : Belém – PA
Fonte: Diário do Pará
Link: http://www.diariodopara.com.br/

O Ministério Público Federal do Amazonas entrou com ação na Justiça em que pede punições pelo desmatamento de 7.000 m2 –o equivalente a um campo de futebol- no campus da Ufam (Universidade Federal do Amazonas) em Manaus.

A mata do local foi derrubada em janeiro deste ano para a construção de um centro de convivência que terá um novo restaurante universitário, agências bancárias e lojas.

Os procuradores, que ingressaram com a ação em março, reclamam que as obras, hoje com fundações finalizadas e com previsão de término para até junho de 2010, ocorrem sem licença ambiental e que a universidade derrubou a vegetação do local antes da autorização oficial do Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas).

O Ministério Público pede interrupção das obras, recuperação da área e cobrança de indenização por danos morais e multa conjunta de R$ 100 mil da Ufam e de três responsáveis.

O ex-reitor Hidembergue Ordozgoith Frota, que deixou o cargo na semana passada, argumentou que não pediu autorização aos órgãos de meio ambiente porque o projeto de construção do centro é de 1978, anterior à atual legislação ambiental. “A universidade sempre faz assim ou não se constrói nada universidade”, diz.

A presidente do Ipaam, Aldenira Queiroz, afirmou que a Ufam poderia ter feito os cortes legalmente, se tivesse pedido autorização. Segundo ela, a mata da área não é formada por floresta de grande porte.

A atual reitora da Ufam, Márcia Perales Mendes Silva, o prefeito do campus e o sócio da construtora responsável não foram encontrados para comentar a ação. (Folha online)
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Boff: PAC vai na contramão da história

I Congresso Brasileiro de CAPS
Roberto Tykanori, Regina Benevides, Leonardo Boff, Pedro Gabriel

Foto: Rogelio Casado - São Paulo-SP, 2004

27.07.09 - BRASIL

Boff: PAC vai na contramão da história

Porto Velho - Adital -

Em entrevista, o teólogo Leonardo Boff falou à ADITAL sobre a importante missão das Comunidades Eclesiais de Base na defesa da Amazônia. Falou também sobre o papel da Igreja frente a esses novos desafios que se apresentam como modelos de desenvolvimento na região Amazônia e criticou: "O Governo brasileiro, com um todo, tem pouca acumulação ecológica".

Entre outros temas, o teólogo se referiu ao Programa de Aceleração do Crescimento como um "projeto profundamente equivocado", que não respeita as comunidades indígenas, ribeirinhas, quilombolas entre tantas outras que habitam a Amazônia.

Boff participou do 12º Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base que aconteceu até o último sábado (25), em Porto Velho, Rondônia.

Adital - O 12º Intereclesial traz o tema da ecologia. Qual a importância de se trabalhar o assunto junto às Comunidades Eclesiais de Base?

Leonardo Boff -
A Ecologia nasce como algo natural na consciência das Comunidades e também na consciência da Igreja, eu diria até da própria Teologia Libertação, porque ficou cada vez mais claro para as pessoas que o mesmo sistema que explora as classes, os trabalhadores, os países, explora também a natureza. Hoje, nós chegamos ao ponto de sentir os limites da Terra.
A Terra não consegue repor os seus serviços, seus recursos, porque na humanidade, especialmente os consumistas, consomem mais do que a Terra pode dar. Nós precisamos de mais de uma Terra para alimentar a humanidade. Significa que há milhões de pessoas passando fome, passando sede, à margem. E isso entrou na consciência das Comunidades: que nós temos que cuidar do planeta, especialmente das florestas tropicais, porque elas diminuem o aquecimento global, elas mantêm a vida. Isso foi transformado num desafio: como pensar, a partir da fé cristã, a partir da Bíblia, a nossa forma de atuar na preservação da natureza, como cuidadores do jardim do Éden. Aí surgiu o tema da ecologia no lugar mais importante para a questão ecológica que é a Amazônia.

Adital - Frente a esses novos modelos de desenvolvimento quais seriam os grandes desafios das Comunidades ao lidar com esse modelo?

Leonardo Boff -
Acho que as CEBs são inovadoras e em termos de Igreja elas são eclesiogêneses de um novo tipo de Igreja. É a Igreja de Cristo, a Igreja da nova tradição do evangelho, mas é uma outra maneira de organizar a fé cristã, mais como comunidade, menos como hierarquia; mais com comunhão, do que organização; mais movimento do que estabilidade. Isso também deve ser na sociedade. Eu acredito que as únicas reformas que vão, de fato, modificar o planeta não vêm dos Governos, nem dos grandes empresários. Vêm das bases da humanidade, onde se fazem pequenos ensaios que dão certo, que criam confiança nas pessoas.

Esses pequenos ensaios articulados começam a criar um movimento global, uma economia mais solidária, uma produção mais familiar de pequenas cooperativas, preservando a natureza no sentido mais orgânico. Então, as CEBs são os lugares onde se pode ensaiar, em miniautura, aquilo que necessariamente vai ser para toda a humanidade. Há o risco sério de que além de depredar o planeta, nós podemos colocar a humanidade inteira em risco. Pode acontecer que no final desse século a humanidade não tenha condição de sobrevivência e desapareça porque ela maltratou demais a natureza. A Mãe Terra nos expulsa como um câncer. Mas temos fé. As Comunidades têm fé. E elas começam lá embaixo a ensaiar um respeito novo com a natureza, reduzir o consumo para não ser consumista, mostrar que a gente pode ser mais com menos. Que a gente pode ser feliz com solidariedade, com paixão, com cooperação, com convivência, do que com a acumulação, com a concorrência, com mais dinheiro.

Adital - O tema "Missão e Ecologia" traz à tona, também, o conteúdo da Carta da Terra, que segue muito atual.

Leonardo Boff -
Eu participei da Carta da Terra há vários anos em sua elaboração. Ela foi aprovada no ano 2000. No ano 2003 a Unesco assumiu-a oficialmente para ser distribuída nas escolas, para ser o meio de formação, para ser princípios de valores que orientem a prática humana. Então a Carta nasceu com essa preocupação de que a terra e a humanidade estão ameaçadas. De forma, antecipatória fez uma consulta em toda a Terra envolvendo 200 mil pessoas, 46 países.

Nasceu como estratégia para salvar a terra, manter a humanidade unida. Esse tempo de desenvolvimento que temos não é sustentável. Ele cria desigualdade. De um lado, uma grande pobreza; de outro, riqueza para poucos. Esse modelo devasta a natureza e não tem solidariedade com as gerações presentes nem futuras.

Essa é a palavra chave da Carta da Terra: modo sustentável. Modo sustentável de viver na família, no ecossistema, na comunidade, na forma como se organiza a produção e a distribuição dos bens. A Carta se antecipou. E está carregada de uma áurea espiritual, de uma proposta profundamente humana e de uma ética do cuidado e respeito.

Adital - Falamos até agora sobre as responsabilidade e participação dos movimentos. Por outro lado, os governos vão numa reação contrária do que seja desenvolvimento. O que o senhor acha, por exemplo do Programada de Aceleração do Crescimento (PAC)?

Leonardo Boff -
O Governo brasileiro, com um todo, tem pouca acumulação ecológica. Conhece bem o sistema do capital, suas formas de exploração. Tem estratégias para defender o trabalhador, o salário. Mas não tem nenhuma estratégia para defender a natureza. Isso fica claro no PAC, no Processo de Aceleração do Crescimento. Nem é desenvolvimento, é um modelo velho do Século 19, tem que ser criticado, submetido à discussão pública, porque ele vai implicar na devastação da natureza como as 57 hidrelétricas que vão ser construídas na Amazônia. Vai ser um impacto terrível nas florestas, nos indígenas, nos seringueiros, nos ribeirinhos.

Ninguém foi consultado, ninguém discutiu com eles sobre formas menos agressivas. Foi uma política de cima pra baixo. Se impôs um modelo econômico altamente destrutivo e capitalista sem consultar aqueles que serão as vítimas. Então, acho um projeto profundamente equivocado, que vai na contramão da história. Mostra nosso atraso ecológico, apesar de todos os avanços que o Governo Lula fez para os trabalhadores se comparando à políticas anteriores.

Mas nesse ponto da ecologia temos que fazer a crítica. Mais vale a natureza do que essas políticas governamentais que não acompanham as discussões mundiais e não fazem política de preservação desse patrimônio fantástico que Deus deu ao Brasil, que é onde está a floresta tropical mais importante do planeta, aquela que vai ajudar a equilibrar os climas, que vai ajudar a estabilizar o aquecimento em dois ou três graus. O Brasil não tem essa consciência . Nós estamos atrasados. Mas acredito que a pressão mundial vai obrigar o governo a incorporar mais esse fator ecológico

Adital - Dentro de todo esse contexto colocado pelo senhor, qual é a mensagem que o 12º Intereclesial deixa?

Leonardo Boff
- Acho que a mensagem deste 12º Intereclesial é chamar a atenção, primeiro à Igreja brasileira, que ela - como está muito presente no Amazonas, tem que incorporar em sua catequese, na sua pastoral, a consciência ecológica. Segundo, é um grito para o Brasil inteiro porque as Comunidades Intereclesiais de Base estão aqui na Amazônia. Estão sentido na pele os efeitos dos projetos antiecológicos, sejam em Rondônia, seja no Acre.

A missão da Amazônia não é ser derrubada para dar lugar à soja ou ao gado, a missão dela é ficar de pé, produzir oxigênio, biodiversidade, absorver da atmosfera a poluição e transformá-la em matéria viva que são árvores, copas, flores. Isso é um grito que vem das pequenas comunidades para o Brasil inteiro. E nós temos pouco tempo. Temos que pressionar o presidente Lula, a Ministra Dilma Rousseff, que leva o PAC, para que tomem em consideração essa realidade. Senão, daqui a dez anos vamos perder tudo o que nós construímos. A Terra vai modificar tanto que vamos ter refazer quase tudo. Então vamos já agora fazer a coisa certa.

As matérias sobre o 12º Intereclesial são produzidas com o apoio do Fundo Nacional de Solidariedade da CF 2008
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Movimento em Defesa da Orla do Rio Guaíba

Aviso a todos!

Tem mensagem no site da Casa de Cinema de Porto Alegre, no blog do Carlos Gerbase pedindo que gritem NÃO na "consulta pública" do Pontal do Estaleiro!

http://www..casacinepoa.com.br/o-blog/carlos-gerbase/grite-n%C3%A3o

No próximo sábado, dia 1º de agosto, ele fará uma gravação com depoimentos dos que dizem NÃO para construções de residências na orla do nosso RIO Guaíba.

*****

GRITE "NÃO!"

em 27 de julho de 2009 — Carlos Gerbase

No próximo sábado, 1 de agosto, a partir das 15h, a Casa de Cinema de Porto Alegre estará gravado depoimentos para a campanha pelo NÃO na Consulta Popular que acontece no dia 23 de agosto. Para quem chegou agora de Marte: os porto-alegrenses vão decidir, pelo voto espontâneo, se será permitido construir residências no Pontal do Estaleiro Só. Mas o resultado dessa votação transcende aquela área. Simbolicamente está em jogo um modelo de cidade. Queremos viver entre um monte de arranha-céus, alguns deles tapando o pôr do sol no Guaíba, ou numa cidade razoavelmente horizontal, como determina o atual Plano Diretor? Muitas ONGs e associações de moradores da nossa cidade já estão engajadas. A Casa de Cinema de Porto Alegre resolveu entrar nessa também. Sábado eu vou estar na Usina, acompanhado de algumas câmaras e microfones, pra gravar depoimentos pelo NÃO. Quem quiser argumentar que argumente (desde que consiga sintetizar tudo em quinze segundos). Quem quiser simplesmente gritar "NÃO!" também vai ganhar seus dois segundos de fama no Youtube e onde mais a gente conseguir colocar o vídeo editado. Algumas celebridades da cidade já confirmaram sua presença. Espero que os milhares de leitores deste blog também compareçam.

Blog de Carlos Gerbase
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Minha cara

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PáginaDois

Novidades da semana no PáginaDois

Na última semana, Clarice Casado encontrou duas "Amigas para sempre" na segunda-feira; Melissa de Menezes avistou uma "Blue City" na quarta; Cassiano Rodka enfrentou "A maré" na sexta.

Na terça, Cassiano Rodka declarou que "Marcelo Camelo é de todo mundo!", na seção de música.

Nesta semana, teremos um texto literário de Clarice Casado na segunda; Cassiano Rodka na seção de música na terça; um texto literário de Marcella Marx na quarta; Moisés Westphalen na seção de cinema na quinta; e um texto literário de Cassiano Rodka na sexta.

Boa leitura! :)
http://www.paginadois.com.br
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Museu da Amazônia - MUSA

Stand do MUSA na SBPC
Foto: Rogelio Casado - Manaus-Am, Julho/2009
Museu da Amazônia - MUSA

Um museu vivo, aberto, na floresta, onde se possa conversar com os bichos, ouvir insetos e aves sentir perfumes, ver as flores. Um aquário com peixes da Amazônia, grandes e pequenos. Esse é o Musa, o Museu da Amazônia que será o tema da palestra do pesquisador Ênio Candotti, na quinta-feira, às 19h30, na Saraiva MegaStore.

O museu está sendo construído ao longo das margens da reserva Ducke, em Manaus, nas proximidades do Jardim Botânico. O acervo é composto pelos conhecimentos acumulados ao longo de décadas nas instituições de pesquisa na Amazonia com o objetivo de entender conhecer, divulgar e contar a todos o que se sabe sobre a floresta e os povos que aqui vivem há milênios.

De acordo com Candotti, os arqueólogos nos mostraram que esta região, ao redor de Manaus, foi densamente povoada no passado. "Na exposição do Musa, realizada durante a SBPC, mostramos uma ponta de flecha que foi datada em mais de 9000 anos! E e as tentativas de reproduzir a ponta mostraram que as técnicas de lascar as pedras não são para qualquer um, nóos não conseguimos. Saber e divulgar mais da vida destes povos e dos que os sucederam é mais um compromisso do Musa com a Amazônia", afirma o cientista.

Andreia Mayumi
Assistente de comunicação
Saraiva MegaStore Manaus
(92) 3236 9200 R-2033 / 8102 7432

andreiam@livrariasaraiva.com.br
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Valer lança História da Amazônia de Márcio Souza

Nota do blog: A Livraria Valer poderia lançar junto com História da Amazônia o fotógrafo Rogelio Casado, autor da foto acima de Márcio Souza não creditada. Primeiro foi o blog do Núcleo de Cultura Política do Amazonas que deixou de creditar a este blogueiro uma fotografia do movimento social contra o Porto das Lajes, agora é a Livraria Valer. Que é isso companheiros? Sinto-me honrado com a escolha das minhas fotografias; mais honrado ainda se houvesse um mísero crédito. A luta e a amizade continuam.

A Livraria Valer tem a satisfação de convidá-lo(a) para o lançamento do livro História da Amazônia, do escritor Márcio Souza, que acontecerá sábado, dia 1º de agosto, às 10h, na Livraria Valer – Rua Ramos Ferreira, 1195 – Centro.

História da Amazônia é um livro revelador sobre o processo histórico regional e expressa o compromisso de Márcio Souza com a Amazônia. Pela riqueza de conteúdo e amplitude da abordagem é um de seus trabalhos mais importantes – testemunho contundente sobre o passado do subcontinente amazônico, em que faz a denúncia do processo de destribalização e massacre perpetrado historicamente contra suas populações. É um livro escrito para dizer não ao esquecimento, lançar luzes sobre o passado, denunciar os criminosos e resgatar do limbo os oprimidos e massacrados. É um texto escrito para dialogar com o presente, com os jovens, com os professores, com os homens e mulheres que se preocupam com o futuro da Amazônia. A obra é um painel histórico, subdividida em 10 partes, em que descreve a geografia, as origens do homem amazônico, a conquista e a colonização da região, a presença dos viajantes, a incorporação ao Brasil, o ciclo da borracha e o extrativismo, culminando numa reflexão sobre a contemporaneidade: os grandes projetos, a agressão ao ecossistema, os conflitos de terra, o narcotráfico e a teoria da sustentabilidade.

O Autor

Márcio Souza, romancista, dramaturgo e ensaísta, nasceu em Manaus, no dia 4 de março de 1946. Um dos mais destacados ficcionistas brasileiros, sua obra está traduzida em vários idiomas. Aos 14 anos começa sua iniciação de escritor, no jornalismo, escrevendo crítica de cinema para o jornal O Trabalhista, de Manaus. Sua estréia como ficcionista aconteceu, em 1976, com a publicação do romance, Galvez, imperador do Acre. Firmou sua reputação como ficcionista, com a publicação de vários romances: Galvez, imperador do Acre; Mad Maria; A resistível ascensão do Boto Tucuxi; O fim do terceiro mundo, 1990. A partir de 1996, inicia a publicação de sua tetralogia, intitulada “Crônicas do Gão-Pará e Rio Negro”, da qual já publicou: Lealdade, Desordem e Revolta. No teatro, merecem destaque as peças: A paixão de Ajuricaba, A maravilhosa estória do sapo tarô-bequê e Dessana, Dessana. Como ensaísta, escreveu alguns textos reveladores sobre a realidade amazônica: A expressão amazonense: do colonialismo ao neocolonialismo e O empate contra Chico Mendes. Seu livro de contos, Caligrafia de Deus, mereceu boa acolhida dos leitores.


Contatos: 3635-1324 (Editora Valer); marciosouza@argo.com.br
--
http://www.livrariavaler.com.br/
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Charge do Bessinha

Charge publicada em Desabafo Brasil
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julho 28, 2009

O evangelho antimanicomial, segundo Edinha


Nota do blog: Edinha é militante antimanicomial dos pés à cabeça, e mora no meu coração. Pronto! Não ia dizer, mas disse. Quer ver ela ficar "tiririca", diga que hospital psiquiátrico deve ser mantido a qualquer preço - custe o que custar - no cenário da luta por uma sociedade sem manicômios. Ah, custará, sim! Custará uma imensa descompostura de corar Pinel no túmulo. Por essa e por outras é que invoco essa "entidade" baiana a falar da luta antimanicomial nos dias que antecedem a Marcha dos Usuários à Brasília, onde pessoas com transtorno mental pretendem entregar ao presidente Luis Inácio Lula da Silva uma pauta de reivindicações. A proposta nasceu na Rede Nacional Internúcleos da Luta Antimanicomial e vem ganhando adesões de norte a sul, leste a oeste do Brasil. Os usuários resolveram dar picica na política nacional de saúde mental. Piciqueiros, uni-vos!

DASDOIDA é reciclagem de material humano

Nota do blog: Quem viu a DASDOIDA na novela da Globo - Caminho das Índias - ainda não viu nada. O grupo de usuários do CAPS Luis Cerqueira, responsável pela grife, promete fazer a diferença na Marcha dos Usuários a Brasília, proposta para o dia 30 de setembro de 2009. Com a credibilidade de quem sabe como fazer reciclagem de material humano, a experiência da DASDOIDA e do CAPS Luis Cerqueira nos lembram que ainda existem 6.348 pessoas vivendo em hospitais psiquiátricos no estado de São Paulo. Para nós, do PICICA, não tem OS (organização social) que dê conta de enfrentar a implantação de serviços substitutivos ao hospital psiquiátrico. Sem uma política pública de saúde concreta, bote alguns anos para serem atingidas as metas de inclusão social alcançada pela DASDOIDA e congêneres. Estamos de olho!
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Vale a pena ler de novo

CONTARDO CALLIGARIS

Djair mora aqui

Há quase duas décadas, Djair Carlos, 52, faz xixi no mesmo poste. É seu jeito de dizer que ele não sai de uma quadra específica do Itaim. Nos últimos anos, escolheu uma esquina: Joaquim Floriano com Clodomiro Amazonas.

Na calçada da Carglass, uma moderna loja de vidros para carros, está sua casa. Até pouco tempo atrás, era um carrinho de dois andares, sem rodas, para que não fosse roubado durante as breves ausências do dono. Mas o carrinho foi retirado como lixo. Hoje, a moradia de Djair é mais modesta: uma caixa e um sofá velho, aquisição recente, que, segundo ele, não durará.

Djair vive com dois cachorros. A cadela (linda mistura de labrador com vira-lata) dá cria com regularidade. Da última vez, nasceram 12 cachorrinhos, que foram distribuídos e adotados graças ao trabalho de Suely Maciel, psicóloga do Centro de Controle de Zoonoses da prefeitura (o centro tem a tarefa de tornar possível e salubre a convivência urbana com os animais).

Conversei com alguns vizinhos de Djair, que na esquina é conhecido como o Barba. Vanessa e a dona Bete, do bar Estação, e Célia, da lanchonete Samaro, me contaram que o Barba cuida dos cachorros como se fossem gente. Se ele recebe uma comida (da igreja, do pessoal da loja São Benedito ou de outros), é primeiro para seus protegidos. O sofá, atualmente, é para eles, enquanto ele dorme sentado. O próprio Djair disse que os cachorros são sua vida.

De onde vem o Barba, ninguém sabe direito. Dizem que tinha filhos e tal, mas, um dia, aconteceu algo terrível, que (comentou dona Bete) "deve ter dividido sua cabeça". Mas não se sabe o quê. Parece que ele passou um tempo preso. Quatro anos atrás, apareceu um irmão do Barba que tentou convencê-lo a visitar a mãe doente. Djair respondeu que nunca voltaria a se relacionar com a família.

Todos os vizinhos concordam: o Barba não bebe e não é violento nem ameaçador. Alguns se incomodam com o cheiro e com a presença de Djair, das suas tralhas e dos seus cachorros. Outros encaram o Barba com simpatia. Lembram que as coisas estavam melhor quando, no lugar da Carglass, havia uma agência do HSBC: o Barba podia usar a água do estacionamento para se lavar e passar a mangueira ao redor do carrinho.

Duas vezes por semana, Djair recebe a visita de Suely e de uma psicóloga do Centro de Atenção Psicossocial do Itaim. Os Caps cuidam da saúde mental dos cidadãos onde quer que estejam; se possível, evitam a segregação, que muitas vezes tem mais a ver com a manutenção da ordem do que com o projeto de curar loucos e estranhos.

Aliás, eis um exemplo: algumas semanas atrás, a Subprefeitura de Pinheiros pediu que o Caps do Itaim fizesse o necessário para que Djair fosse tirado da rua. A razão era um boato de que alguns infelizes estariam planejando colocar fogo no carrinho do Barba e, quem sabe, nele mesmo. Como não seria possível protegê-lo, melhor interná-lo. Pois é, proponho que os paulistas suscetíveis de serem vítimas de seqüestro relâmpago sejam todos internados imediatamente.

Um psiquiatra do Caps do Itaim, Carlos Assédio, foi entrevistar o Barba. Tudo parecia pronto para a internação; só faltava sua canetada. Carlos achou que Djair era, sim, psicótico, mas nem por isso precisava ser internado. Ou seja, preferiu praticar a medicina e deixar a manutenção da ordem para a polícia.

No sábado passado, conversei bastante com Djair. Escutei uma extraordinária aceleração de histórias que envolviam personagens (imagino) do passado do Barba ou do bairro: histórias pornográficas, às vezes violentas e sempre desconexas. Djair fala na língua distorcida de um Guimarães Rosa dos pobres e derrelitos e com dez vezes a virulência erótica do João Ubaldo Ribeiro da "Casa dos Budas Ditosos".

Ao lado de famílias lambendo sorvetes, de casais passeando de mãos dadas e de grupos de amigos saboreando uma cerveja, naquela tarde de sol, Djair parecia articular a trama turva e incompreensível de sangue, sexo e grana que talvez esteja sempre reprimida atrás de nossas sorridentes convivências cotidianas. Era como se sua vida na calçada fosse a condição e o preço pago para saber o que escoa nas sarjetas.

Mas não é o caso de se apavorar. É só pedir, e o Barba pára seu monólogo.

Remédios apropriados conteriam um pouco a confusão do pensamento de Djair. Mas como garantir uma medicação correta nessas condições?

Se fosse internado, Djair, separado de sua esquina e de seus companheiros (os cachorros), seria provavelmente um espectro errando pelo pátio de um hospício.

Seria bom se, pelas esquinas de nossas cidades, todos os Barbas pudessem viver tranqüilos conosco e com as tragédias que agitam suas mentes (e que são muito parecidas com as nossas). Mas entendo os argumentos de quem não agüenta a parada.

Freqüentemente me perguntam o que penso da reforma psiquiátrica. Pois bem, a história de Djair é minha melhor (e perplexa) resposta.

Folha de São Paulo, quinta-feira, 08 de julho de 2004.
Caderno Ilustrada
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Usuários unidos jamais serão vencidos!

De volta para casa
Foto: Radilson Carlos Gomes

Nota do blog: O nome da organização social que participa da organização do Encontro Nacional da Luta Antimanicomial é sugestivo: "De volta para casa". O curioso é que entre os ilustres participantes desse encontro há quem criticasse, até recentemente, a implantação de serviços substitutivos ao manicômio por meio de ONG's, OS's e o escambau, pois no fundo tratava-se de uma tentativa disfarçada do poder público de "privatizar" o campo da saúde mental. No Rio de Janeiro houve quem se queixasse ao Ministério Público. Os militantes históricos da luta antimanicomial consideram um mau exemplo a proliferação desse tipo de iniciativa. Nesse imbróglio, há quem afirme que "cada um sabe onde o sapato aperta". Pelo sim, pelo não, há uma trégua no ar em nome da união pela "Marcha dos usuários a Brasília". Descontado o jeito camaleônico de ser de alguns desses figurões, taí uma boa causa, pois se é fato de que no barco da Reforma Psiquiátrica nem todos estão fazendo a mesma viagem, a ampla maioria dos usuários dos serviços de saúde mental têm muito o que dizer ao presidente da república, tamanho ainda é o deserespeito aos seus direitos consagrados na lei. Com a palavra os usuários.

IX ENCONTRO NACIONAL DE USUÁRIOS E FAMILIARES DA LUTA ANTIMANICOMIAL (ENUFA)
E
VIII ENCONTRO NACIONAL DA LUTA ANTIMANICOMIAL (ENALA)


DE 4 a 7 de SETEMBRO de 2009
REGIÃO DO GRANDE ABC-SP
Inscrições Abertas!

Faça aqui a inscrição:
http://www.osdevoltaparacasa.org.br/

Veja a programação :

“REFORMA PSIQUIÁTRICA”:

A REVOLUÇÃO NA COMUNIDADE!É HORA DE AFIRMAR!”

IX ENCONTRO NACIONAL DE USUÁRIOS E FAMILIARES DA LUTA ANTIMANICOMIAL (ENUFA)

DIA 04 DE SETEMBRO (MANHÃ) CIDADE DE DIADEMA

09H – ABERTURA:
- LEITURA E APROVAÇÃO DO REGIMENTO INTERNO DO ENCONTRO DE USUÁRIOS E FAMILIARES E NA ABERTURA DO ENCONTRO NACIONAL

09H15 ÀS 10H15 – MESA DE ABERTURA:
- 01 REPRESENTANTE DO FÓRUM POPULAR DO ABC – FALA DE “BOAS VINDAS”!
- APRESENTAÇÃO DA COMISSÃO ( O QUE É A CISM)
- IMPORTÂNCIA DA COMISSÃO ( O QUE É A SENC)- NECESSIDADE DE COMPROMISSO E DISPONIBILIDADE PARA A TAREFA. - BALANÇO DA GESTÃO

10H15 ÀS 11H - CONFERÊNCIA DE ABERTURA:
- CONFERENCISTA: EDUARDO MOURÃO VASCONCELOS
TEMA: “A IMPORTÂNCIA DA PARTICIPAÇÃO DE ASSOCIAÇÕES DE FAMILIARES E USUÁRIOS NO COTIDIANO DOS SERVIÇOS DE SAÚDE MENTAL”

11H ÀS 11H15 – INTERVALO

11h15 Às 13h - Debate

13H ÀS 14H30 – ALMOÇO:
DIA 04 DE SETEMBRO (TARDE) CIDADE DE DIADEMA

14H30 ÀS 16H – GT’S
- GT1 – COOPERATIVISMO SOCIAL / GERAÇÃO DE RENDA
- GT2 – COMO CUIDAR DO CUIDADOR FAMILIAR
- GT3 – ESTATUTO DO USUÁRIO
- GT4 – DEFESA DE DIREITOS / CONTROLE SOCIAL

16H ÀS 16H15 - INTERVALO
16H15 ÀS 18H – GT’S
- GT1 – COOPERATIVISMO SOCIAL / GERAÇÃO DE RENDA
- GT2 – COMO CUIDAR DO CUIDADOR FAMILIAR
- GT3 – ESTATUTO DO USUÁRIO
- GT4 – DEFESA DE DIREITOS / CONTROLE SOCIAL

18H – ATIVIDADES CULTURAIS:
DIA 05 DE SETEMBRO (MANHÃ) CIDADE DE SANTO ANDRÉ

09H ÀS 10H – ELEIÇÃO DA CISM
10H ÀS 10H15 – INTERVALO

10H15 ÀS 11H15 – APRESENTAÇÃO DOS RELATÓRIOS DOS GT”S

11H15 ÀS 13H – PLENÁRIA FINAL
VIII ENCONTRO NACIONAL DA LUTA ANTIMANICOMIAL (ENALA)

DIA 05 DE SETEMBRO (TARDE) CIDADE DE SANTO ANDRÉ

14H ÀS 14H15 – ABERTURA DE BOAS VINDAS:

14H15 ÀS 16H – 1º EIXO: CONSOLIDAÇÃO E AMPLIAÇÃO DA REFORMA PSIQUIÁTRICA:
- GT1 – LEITOS DE ATENÇÃO INTEGRAL NA COMUNIDADE
- GT2 – SERVIÇOS RESIDENCIAIS TERAPÊUTICOS / SUPORTE / ABRIGAMENTO
- GT3 – AMPLIAÇÃO E QUALIFICAÇÃO DA REDE DE ATENÇÃO (LEMBRAR QUESTÃO DE AVALIAÇÃO E INFORMAÇÃO)
- GT4 – INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
- GT5 – HOSPITAIS DE CUSTÓDIA

16H ÀS 16H15 – INTERVALO:

16H15 ÀS 17H30 – RETORNO DOS GT’S
- GT1 – LEITOS DE ATENÇÃO INTEGRAL NA COMUNIDADE
- GT2 – SERVIÇOS RESIDENCIAIS TERAPÊUTICOS / SUPORTE / ABRIGAMENTO
- GT3 – AMPLIAÇÃO E QUALIFICAÇÃO DA REDE DE ATENÇÃO (LEMBRAR QUESTÃO DE AVALIAÇÃO E INFORMAÇÃO)
- GT4 – INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA
- GT5 – HOSPITAIS DE CUSTÓDIA 17H30 – INTERVALO:

DIA 05 DE SETEMBRO (NOITE) CIDADE DE SANTO ANDRÉ

19H30 ÀS 20H10 – ABERTURA OFICIAL DO ENCONTRO NACIONAL DO MOVIMENTO DA LUTA ANTIMANICOMIAL:
- REPRESENTANTE DO MNLA - PAULO AMARANTE
- REPRESENTANTE DO MINISTÉRIO DA SAÚDE - PEDRO GABRIEL
- REPRESENTANTE DO MINISTÉRIO DA CULTURA – SEC. NACIONAL DE CULTURA
- OS 07 PREFEITOS DA REGIÃO
- REPRESENTANTE DOS USUÁRIOS DA REGIÃO E DA ASSOCIAÇÃO DE VOLTA PARA CASA – DIRCE CORDEIRO
- REPRESENTANTE DO FÓRUM POPULAR - REPRESENTANTE DA SENC- REPRESENTANTE DA CISM

20H10 ÀS 21H – ABERTURA COM O TEMA DO ENCONTRO REFORMA PSIQUIÁTRICA: REVOLUÇÃO NA COMUNIDADE! É HORA DE AFIRMAR!
!- PAULO AMARANTE: 15 MINUTOS
- PEDRO GABRIEL: 15 MINUTOS

21H – TEMA CULTURAL E BLANCH:
- MOSTRA VOZES

DIA 06 DE SETEMBRO (MANHÃ) CIDADE DE SÃO BERNARDO DO CAMPO

09H ÀS 10H30 – 2º E O 3º EIXOS SIMULTANEAMENTE

2º EIXO: SUSTENTABILIDADE DA REFORMA PSIQUIÁTRICA
- GT1 – LEGISLAÇÃO
- GT2 – FINANCIAMENTO
- GT3 – FORMAÇÃO / CUIDANDO DO CUIDADOR
- GT4 – COMUNICAÇÃO E ADVOCACY

3º EIXO: ATENÇÃO NA ÁREA DE ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS
- GT1 – AMPLIAÇÃO DA CLÍNICA (ABORDAR REDUÇÃO DE DANOS AQUI) / TRABALHO NO TERRITÓRIO
- GT2 – DEFESA DE DIREITOS / SUPORTE COMUNITÁRIO
- GT3 – DROGAS LÍCITAS E DROGAS ILÍCITAS
- GT4 – O MITO DA EFETIVIDADE DA INTERNAÇÃO FECHADA

10H30 ÀS 10H45 – INTERVALO

10H45 ÀS 13H – CONTINUIDADE DOS GT’S 2º E O 3º EIXOS SIMULTANEAMENTE

2º EIXO: SUSTENTABILIDADE DA REFORMA PSIQUIÁTRICA
- GT1 – LEGISLAÇÃO
- GT2 – FINANCIAMENTO
- GT3 – FORMAÇÃO / CUIDANDO DO CUIDADOR
- GT4 – COMUNICAÇÃO E ADVOCACY

3º EIXO: ATENÇÃO NA ÁREA DE ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS
- GT1 – AMPLIAÇÃO DA CLÍNICA (ABORDAR REDUÇÃO DE DANOS AQUI) / TRABALHO NO TERRITÓRIO
- GT2 – DEFESA DE DIREITOS / SUPORTE COMUNITÁRIO
- GT3 – DROGAS LÍCITAS E DROGAS ILÍCITAS
- GT4 – O MITO DA EFETIVIDADE DA INTERNAÇÃO FECHADA

13H ÀS 14H30 – ALMOÇO

DIA 06 DE SETEMBRO (TARDE) CIDADE DE SÃO BERNARDO DO CAMPO

14H30 ÀS 16H – 4º E O 5º EIXOS SIMULTANEAMENTE

4º EIXO – SUSTENTAÇÃO SOCIAL / SOBREVIVÊNCIA
- GT1 – GERAÇÃO DE TRABALHO E RENDA
- GT2 – POLÍTICAS HABITACIONAIS
- GT3 – BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS
- GT4 – REDE DE SOLIDARIEDADE
- GT5 – RELAÇÕES FAMILIARES

5º EIXO – CULTURA E DIVERSIDADE
- GT1 – DIVERSIDADE REGIONAL
- GT2 – LAZER
- GT3 – GÊNERO E ETNIA
- GT4 – MÍDIA
- GT5 – EXPERIÊNCIAS CULTURAIS NO CAMPO DA SAÚDE MENTAL

16H ÀS 16H15 – INTERVALO

16H15 ÀS 18H – 4º E O 5º EIXOS SIMULTANEAMENTE

4º EIXO – SUSTENTAÇÃO SOCIAL / SOBREVIVÊNCIA
- GT1 – GERAÇÃO DE TRABALHO E RENDA
- GT2 – POLÍTICAS HABITACIONAIS
- GT3 – BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS
- GT4 – REDE DE SOLIDARIEDADE
- GT5 – RELAÇÕES FAMILIARES

5º EIXO – CULTURA E DIVERSIDADE
- GT1 – DIVERSIDADE REGIONAL
- GT2 – LAZER
- GT3 – GÊNERO E ETNIA
- GT4 – MÍDIA
- GT5 – EXPERIÊNCIAS CULTURAIS NO CAMPO DA SAÚDE MENTAL

18H ÀS 20H – INTERVALO

20H ÀS 24H – MEGA ATIVIDADE CULTURAL
- HARMONIA ENLOUQUECE E OUTROS

DIA 07 DE SETEMBRO (MANHÃ) CIDADE DE MAUÁ EM CONJUNTO COM RIBEIRÃO PIRES0

9H30 ÀS 14H15 – PLENÁRIA FINAL - APRESENTAÇÃO DOS RELATÓRIOS DOS GRUPOS DE TRABALHOS
- LEITURA DE PROPOSTAS COM SOLICITAÇÃO DE DESTAQUES POR PARTE DA PLENÁRIA.
-1º EIXO: 05 GT’S;
- 2º EIXO: 04 GT’S
- 3º EIXO: 04 GT’S
- 4º EIXO: 05 GT’S
- 5º EIXO: 05 GT’S

APÓS LEITURA DAS PROPOSTAS OS DESTAQUES DEVERÃO SER PUBLICIZADOS NA SEGUINTE ORDEM:
- 1º DESTAQUE DE ESCLARECIMENTO
- 2º DESTAQUE DE INCLUSÃO DE PROPOSTA (MÁXIMO DE 02 POR GT) – AQUI CABERÁ PEDIR NOVAMENTE DESTAQUES
- 3º DESTAQUE DE SUPRESSÃO TOTAL DE PROPOSTA
- 4º DESTAQUE DE SUPRESSÃO PARCIAL DE PROPOSTA
- 5º DESTAQUE DE ALTERAÇÃO

- APÓS VOTAÇÃO DAS PROPOSTAS SERÃO VOTADAS MOÇOES DOCUMENTO DE APOIO E SOLICITAÇÃO DA REALIZAÇÃO DA IV CONFERÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE MENTAL.

-TODAS AS ATIVIDADES DEVERÃO SER REGISTRADAS DE ALGUM MODO DE PREFERÊNCIA, EM AUDIO/VISUAL.

Fonte: http://www.osdevoltaparacasa.org.br/

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Dulce Edie Pedro dos Santos x Ferreira Gullar

Dulce Edie Pedro dos Santos
Foto: Rogelio Casado - Belo Horizonte-MG, julho/2006

Seria ótimo tê-lo como aliado, já que a sua presença constante nos meios de comunicação, serviria para despertar os adormecidos, porém, é também, muito bom, tê-lo como adversário, pois isso, só reforça nossa posição. Como o senhor mesmo diz, foi bom ter-se aberto esta discussão, senhor Ferreira Gullar, pois que a mesma, serviu para nos aproximar dos que crêem e fazer-nos, acreditar mais e mais, que – ESTAMOS CERTOS! Já pensou, senhor poeta, se àquela época de Emygdio de Barros, já existissem os Centros de Atenção Psicossocial, as Residências Terapêuticas, os Centros de Convivência, o De Volta para Casa, bem como, as tantas outras alternativas? Certamente, Emygdio, poderia exercer sua arte, só que, em liberdade; sua família teria sido acolhida e orientada sobre como cuidá-lo: com humanidade, respeito, carinho e, acima de tudo, com muito amor, pois afinal, tratava-se de um filho... e, por um filho, senhor poeta, faz-se de tudo, para não se abandonar, tenha a certeza! Em troca ele, graças à sua arte, poderia dar a essa família melhores condições, podendo até levá-la a sair da situação de extrema pobreza em que vivia, mas que, teve que passar quase toda a sua vida, internado.

SENHOR POETA, D E S I S T A! Desista dessa lavagem cerebral que está tentando fazer! Guarde suas opiniões absurdas, somente para si próprio. Nenhuma de suas argumentações, nos levará, nós, que já passamos pelo inferno, a aceitar que o tratamento manicomial possa ser, nem de leve, comparado ao dos serviços substitutivos. Digo-o, como mãe de um filho, quase da mesma idade que o seu, também, sofrendo de esquizofrenia que, durante mais de 20 anos, passou de internação a internação, sem o mínimo progresso, sem diagnóstico, nem mesmo, tomando consciência de sua doença, mas que, há seis anos, conseguiu criar um vínculo num CAPS de minha cidade e, recebendo tratamento multidisciplinar de excelente qualidade, passou a se aceitar e a ser aceito, como “normal”.

Dulce Edie Pedro dos Santos

-- Postado por Dayan no Esquizofrenia Pensando em 7/27/2009 11:35:00 PM

-- http://www.deliriocoletivo.com.br
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Paulo José "Indignado" Azevedo de Oliveira

Eu e Paulinho - Paulinho e eu
Foto: Marcus Vinicius - Recife-PE, julho/2008
Nota do blog: Paulo José é estudante de comunicação em Belo Horizonte. Indignado com os ataques do poeta Ferreira Gullar contra a psiquiatria democrática, ele não deixa barato e desanca o autor de Poema Sujo (um dos mais belos da língua portuguesa).

Caro amigo Ferreira Gullar,

Li o seu contra-ataque e resolvi te dar um conselho sincero: Cala a boca.

Uma pessoa que se intitula um educador, tem programa de televisão, que tenta dar um discurso da lógica de tratamento médica, fala pelos cotovelos e não diz nada. Qualquer um que vê o seu discurso vê que não é um discurso de reflexões profundas; é um discurso simplista que botaram na sua boca para você vomitar publicamente e se reverar o que você é: Um papagaio.

Nos critique, mas nos ajude a construir uma sociedade melhor para todos: estude o nosso lado e entenda o que é um pronto-socorro psiquiátrico? Qual a importância do Pronto-socorro psiquiátrico para diminuir as pernoites? Me diga o que é respeito à vida e à dignidade dos pacientes? me diga a diferença entre um profissional que sabe abordar um paciente e um profissional que usa da violência para impor a sua vontade. Me diga o que faz o profissional querer entender a vontade do paciente e o profissional que rotula um paciente e o condena à eterna infelicidade, sem direito à defesa?

Desejo sinceramente que você seja muito feliz e consiga perdoar a mágoa que a vida te trouxe, por você não ter tido a oportunidade de conhecer profissionais do bem, na época dos seus filhos terem surtado.O capitalismo é assim mesmo, cresce em cima do mais fraco, sem nenhuma ética, e está nos conduzindo à morte!

Pauliiiiinhooooooooo !
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A arte de Iara Simonetti

Iara Simonetti is a Brazilian Plastic Artist living in Munich since the 80's. I love her works and hope you like them too - the sculptures are wooden made. Her website: http://www.iara-simonetti.de/

Iara é artista plástica que trabalha em Munique, na Alemanha, onde vive desde os anos 80. Tem participado de diversas exposições na Europa com esculturas em madeira e criações sobre fotos. Há uma amostra de sua produção no site http://www.iara-simonetti.de/
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julho 27, 2009

O Boto Navegador

A Resistível Ascenção do Boto Tucuxi
Foto: Rogelio Casado - Teatro Amazonas - Manaus-Am, 1981
TAQUI PRA TI

O BOTO NAVEGADOR

José Ribamar Bessa Freire
26/07/2009 - Diário do Amazonas

Ele foi o general da Batalha do Igarapé de Manaus, travada no final de abril de 1985. Comandou 3.500 policiais na guerra contra professores que tentavam entrar no Palácio Rio Negro com um documento, no qual reivindicavam melhores salários e uma educação de qualidade. Não quis conversa. Mandou sentar a porrada. Bateu, humilhou, prendeu. Ele era o governador do Amazonas, Gilberto Mestrinho de Medeiros Raposo. Ele, o Boto.

Depois de quase trinta anos de críticas públicas, nessa coluna, ao modus operandi do ex-governador, o que escrever, nesse momento em que ele já não mais está entre nós? É preciso respeitar a dor da família, dos amigos, que choram sua morte. Seria deselegante não reconhecer seu lugar na história recente do Amazonas. Mas – pera lá! - também não é correto beatificá-lo ou santificá-lo. Vamos ser comedidos e guardar a compostura.

São Boto

Estão agora querendo inventar um São Boto, que nunca existiu, o que é um atentado contra a memória popular. De repente, retocaram a biografia do Boto com uma injeção de botox. Não querem mais lembrar o espancamento de estudantes que, numa passeata, reivindicavam pacificamente a meia-passagem. Naquela ocasião, a polícia invadiu o velho ICHL e prendeu manifestantes que lá se refugiaram.

Nova manifestação foi marcada. Aí, em nota oficial publicada nos jornais, o Boto pediu aos pais que proibissem seus filhos de participar da passeata, porque havia provas de que um professor iria matar um estudante e culpar a polícia. A Associação dos Docentes acusou o Boto de instaurar o pânico nas escolas, pois ao não citar nomes, em denúncia tão grave, colocava sob suspeita todos os professores do Amazonas. Cada aluno veria seu professor como um assassino em potencial.

No dia seguinte – pasmem aqueles que se esqueceram! – o Boto respondeu, publicando na primeira página dos jornais, a fotografia do pesquisador da UFAM, Frederico Arruda, dizendo que esse era o professor que queria matar um estudante. A prova, exibida pelo Klinger Costa, não passava de um documento, no qual Fred solicitava à Polícia a compra de uma arma, já que seu trabalho exigia entrar na floresta. Tudo dentro da lei.

O primarismo da acusação e a calúnia contra um pesquisador competente e íntegro horrorizou as pessoas de bem. Essa forma de tratar os adversários foi uma baixaria sem nome, uma vingança mesquinha. É que semanas antes, em sessão na Assembléia Legislativa do Amazonas, o pesquisador Fred Arruda havia desmontado os argumentos do Boto e sua política em relação ao meio-ambiente e à floresta amazônica.

Perdão e esquecimento

Perdoar, a gente pode até perdoar, sobretudo no momento em que há gente chorando sinceramente sua morte. Mas esquecer, ninguém deve esquecer. Na qualidade de ex-governador e de ex-senador, o Boto merecia as honras oficiais do Estado do Amazonas. No entanto, seu funeral foi espetacularizado, numa mega produção amazônica, com desfile de carro de bombeiros, pétalas de rosas atiradas de helicóptero, discursos, choro e ranger de dentes. Uma competição provinciana com os funerais de Michael Jackson.

Alguns abutres aproveitaram esse show pirotécnico para tentar faturar politicamente, sem respeitar o momento de dor da família. O atual prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, esguichava lágrimas de crocodilo. Segundo meu sobrinho Pão Molhado, era dor de consciência de quem passou a rasteira em seu benfeitor.

A ex-deputada Beth Suely declarou com todas as letras dois pontos aspas: “Eu devo tudo o que sou ao ex-governador. Fui secretária dele, deputada duas vezes, e para coroar tudo isso ele me aposentou como conselheira do TCE (Tribunal de Contas do Estado). Eu devo a minha vida a esse homem. O Amazonas está órfão e o Brasil perde a maior reserva moral política do País”.

Maior reserva moral política do País? Menos, Beth, menos. Escuta aqui, a aposentadoria não é um direito de todo trabalhador que atende a determinadas exigências legais? Se a aposentadoria foi legal, Beth deve agradecer à lei e não ao Boto. Se ela agradece ao Boto é porque aí tem truta. Politicamente, o Boto, com todo respeito, foi um coronel de barranco, capaz de nepotismo, de truculência, enfim dessas coisas de que outro coronel, José Sarney, está sendo agora acusado.

Com todo o respeito, que me desculpem Amazonino e Beth Suely, mas acho que o Boto não foi pro céu. Pro inferno – onde Amazonino tem vaga garantida - ele também não foi. Que gostem ou não seus adversários, o Boto, embora com todos os defeitos assinalados, tinha qualidades e virtudes. Deve estar no purgatório, nos esperando a todos nós, que não somos santos nem capirotos.

Narciso Lobo

Quando estava escrevendo a coluna, recebi a notícia do falecimento de Narciso Lobo, jornalista e professor universitário. Esse foi direto pro céu. Convivi de perto com ele, de quem fui colega, no Curso de Jornalismo da UFAM, e também no jornal Porantim, ligado às lutas indígenas. Sua morte deixa consternados os que com ele conviveram. Reproduzo aqui trecho de uma bela crônica feita por José Dantas Cyrino, ex-secretário municipal de Educação. Ele escreveu:

“Nunca gostei de discursos em velórios ou enterros, artigos em homenagens póstumas e todas essas formas plangentes de carpideiras. Às vezes me parecem um pouco cabotino, pelo menos quando trazem elogios exagerados aos que já não estão mais em condições de apartear o orador ou redargüir o articulista para pedir moderação”.

“Mas quando recebi a notícia da morte de Narciso Julio Freire Lobo essa crítica inabalável aos emocionalmente incorretos começou a me abalar. Não quero fazer homenagens óbvias por seus currículos acadêmicos e profissionais – isso todos conhecem: Doutor em Ciências da Comunicação, professor da Pós-Graduação em Sociedade e Cultura na Amazônia da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), ocupante de uma cadeira na Academia Amazonense de Letras, membro do conselho do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA). E tantas coisas mais”.

“O Narciso não era Lobo, era um homem, um ser sensível à dor de seus semelhantes. Um homem doce e dócil, avesso a todas as formas de violência. Um homem solidário, fraterno, um socialista, na mais ampla acepção da palavra. De Lobo só o sobrenome. Sabia escutar. Possuía uma das maiores qualidades de um verdadeiro democrata: a tolerância com os diferentes”.

Adeus, meu amigo Narciso. Adeus, apesar de tudo, Gilberto Mestrinho.


Fonte: Crônicas - TAQUIPRATI
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Lançamento Biscoito Fino

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Curso de formación: Autismo e integración

Cursos de formación:
Autismo e integración

Modalidad Virtual
Dirigido a profesionales que trabajan en el área de la Salud y la Educación

Agosto - Noviembre 2009

(Click para ampliar la información)

Dirección y Docencia:

Liliana Kaufmann
Doctora en Psicología


Características del programa
Se impulsará en los participantes el uso de conocimientos y recursos que permitan abordar la inclusión de niños con autismo en la escuela común desde una perspectiva innovadora.

La innovación incluye la aplicación de las bases intersubjetivas de la comunicación a los problemas de vinculación y aprendizaje de niños con autismo y el diseño de dispositivos y herramientas que mejoran la calidad educativa de los niños con y sin autismo.

Los cursos pueden ser realizados en forma independiente.
Sin embargo, aconsejamos iniciar la formación con el primero.

CURSO I:

La integración del niño con autismo a la escuela común.
Un enfoque interdisciplinario.

(Click para ampliar la información)

Otorga puntaje a través del Proyecto de Centro De Formación en Gestión Privada y en la Red de Formación Docente Continua del Gobierno de la Ciudad con el Nº C-228.

Carga horaria: 100 horas cátedra
Puntaje específico: 0.300
Puntaje no específico: 0.150


Docente invitado:
• Dr. Jaime Tallis
( Neuropediatra) Coordinador del Grupo de Trabajo Interdisciplinario de Aprendizaje y Desarrollo del Servicio de Pediatría del Hospital General de Agudos "Carlos G . Durand" .

CURSO II:
Educación inclusiva en niños con autismo.
Nuevas perspectivas y estrategias

¡NUEVO!
(Click para ampliar la información)
Puntaje docente en trámite.

Docentes invitados:
• Dr. Jaime Tallis
( Neuropediatra) Coordinador del Grupo de Trabajo Interdisciplinario de Aprendizaje y Desarrollo del Servicio de Pediatría del Hospital General de Agudos "Carlos G . Durand".
• Lic. Elaime Maciques Rodríguez Asesora técnica de grupos terapéuticos del Centro de Rehabilitación Infantil HOGA, Monterrey Nuevo León, México.

Informes e inscripción
www.autismointegracion.com.ar
lk@autismointegracion.com.ar
curso1@autismointegracion.com.ar
curso2@autismointegracion.com.ar

Inicio de la próxima fecha: 20 de agosto de 2009
Abierta la inscripción
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Para incluir informacion en nuestra agenda profesional (y para consultar sobre formas destacadas de difusión), escríbanos a
info@psicomundo.com
Este boletin se distribuye a mas 80.000 psicoanalistas y/o profesionales de la salud mental residentes en todo el mundo .

Ver archivo de mensaje en
www.elistas.net/lista/psicomundo

Cordialmente
PsicoMundo
info@psicomundo.com
http://www.psicomundo.com
http://www.psiconet.com/

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Seminário Internacional sobre o Século 19 Inscreve Ouvintes

Ilustração postada em scielo.br
Seminário Internacional sobre o Século 19 Inscreve Ouvintes

Até o dia 3 de agosto estão abertas as inscrições de ouvintes para o “Seminário Internacional o Século 19 e as Novas Fronteiras da Escravidão e da Liberdade”, que será realizado no Auditório Paulo Freire (Av. Pasteur, 458 – Urca), na UNIRIO, entre os dias 10 e 13 de agosto e na Universidade Severino Sombra, em Vassouras, no dia 14 de agosto.

Promovido pelo Programa de Pós-Graduação em História da UNIRIO, o evento é uma iniciativa conjunta da Instituição com a Universidade Severino Sombra, Universidade de São Paulo (USP), Washington State University (EUA) e Fernand Braudel Institute (Binghamton, EUA).

O Seminário conta com a presença de especialistas do Brasil e do exterior, entre eles, Robin Blackburn (University of Essex), Dale Tomich (Fernand Braudel Institute – Binghamton University), Catherine Coquery-Vidrovitch (Université Paris VII), Gad Heuman (University of Warwick), que irão palestrar sobre temas como a alforria e mobilidade social, economia política da escravidão, resistência, quilombo e abolição.

Para fazer a inscrição e conferir a programação, acesse o link:
http://www.historiaunirio.com.br/numem
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II Encontro Nacional de Biologia Urbana

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